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DESTRONANDO O PECADO

RUMO AO ALVO: SANTIFICAÇÃO


Pastor ILTON GONÇALVES, ThD
PREFÁCIO

Como todo cristão sincero, também estou preocupado com a santificação. As


religiões da atualidade estão ensinando seus membros a viverem de “cabeça para
baixo”, isto é, cabeça na terra e os pés nas nuvens ou levando-os a viver com a
“cabeça nas nuvens (engano)”. Mas, o verdadeiro Evangelho é aquele que chama o
povo para a realidade (verdade). Este livro como minha primeira obra escrita, visa
levar de maneira fácil e prática o leitor a meditar naquilo que mundo está oferecendo
como prazer carnal e que desejamos aceitá-los ou aceitamos como natural.
Mortificação é um assunto rico e que o leitor terá oportunidade de meditar um
pouco mais além dos desejos mesquinhos (terrenos) e lembrar que somos chamados
por Deus para sermos santos “em toda nossa maneira de viver”, e que nossa cidade
está nos céus, breve partiremos.
Este livro é um apanhado de estudos Bíblicos ministrados em várias igrejas onde
tenho servido como pastor; de nada posso me gloriar a não ser na cruz de Cristo.
Assim diz certo autor:
“Conhecimento e sabedoria, longe de serem um, frequentemente não tem ligação
entre si. O conhecimento habita cabeças cheias de pensamentos de outros homens. A
sabedoria mora em mentes atentas a seus próprios pensamentos. O conhecimento
orgulha-se de ter aprendido tanto; a sabedoria é humilde; sabe que nada sabe”.

Dedico esta obra ao meu Senhor e Rei: Jesus Cristo;


A meus pais: Ana Rosa (anita) e PB.Francisco Gonçalves;
A minha digníssima esposa: Claudia;
A minha filha: Jonara;
A meus tios: Pr. Edvaldo Ribeiro e Pr. Serafin Isidoro

Assembléia de Deus - Paraguaçu, inverno de 1999. (primeira edição)

PEDIDOS PARA: ILTON GONÇALVES


Caixa Postal, 51 – Santa Rita do Sapucaí-M.G. – CEP 37.540-000
Fone: (35) 3471-3907

MORTIFICAÇÃO
Santidade
Comentário Bíblico/prático
1.a Ed. 1999.
Direitos Autorais reservados ao Autor.
VERDADES EDIÇÕES

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 2


Conteúdo

= A Mortificação da carne

= A Mortificação da carne ll

= Transformação da mente

= Tentação

= Inclinação

= O que devemos mortificar

= Jesus o Senhor

= Como chegar a ser espiritual

ILTON GONÇALVES, ThD; DD: Teólogo, Ministro do Evangelho (Convenção Geral das Assembléias de
Deus no Brasil. Convenção Mineira), nasceu em Três Corações - M.G., em um lar cristão no dia 12 de
junho de 1963, casado com Claudia e pai de Jonara e sogro de do Ev. Leonardo Gonçalves da Silva.
Quando jovem trabalhou por muito tempo com evangelismo e recuperação de viciados em drogas e
depois servindo ao Senhor em diversas localidades como pastor (incluindo um período na Argentina)
atualmente é pastor presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Santa Rita do Sapucaí-
MG.

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 3


A MORTIFICAÇÃO DA CARNE

CAPITULO I

Visto que estamos em um caminho de santificação, pois sem a qual ninguém


verá o Senhor, devemos olhar para a Palavra de Deus e compreendermos qual é a
nossa posição nesta terra e o que devemos fazer para que nossa vida glorifique a
Deus. A santificação é um ato continuo que envolve mortificação.

Mortificação, o que significa? Significa suprimir os impulsos carnais, rejeitar a


dominação do pecado na carne e submetermos à dominação do Espírito: não podemos
nos considerarmos mortos para o pecado (uma coisa negativa) sem nos
considerarmos vivos para Deus (uma coisa positiva e continua); portanto Mortificar é:
entorpecer, suprimir, extinguir a vitalidade, o vigor.

Já que entendemos o que é a mortificação, precisamos agora compreender o


que significa CARNE.

A carne, podemos defini-la como a soma total dos instintos do homem, não
como vieram das mãos do Criador, e, sim, como são na realidade, pervertidos e feitos
anormais pelo pecado. Representa a natureza humana não regenerada. É a aberração
desses instintos e faculdades dadas por Deus que forma a base do pecado.

Exemplo:

1- O egoísmo, a irritabilidade, a inveja e a ira são aberrações do instinto da


auto-preservação.

2- O roubo e a cobiça são perversões do instinto de aquisição.

3- A glutonaria é a perversão do instinto de alimentação, portanto é pecado.

4- A impureza é a perversão do instinto de reprodução.

5- A tirania, arrogância, injustiça e a implicância representam abusos do instinto


de domínio. Assim vemos que o pecado, fundamentalmente é o abuso ou a aberração
das forças com que Deus nos dotou, assim o apóstolo Paulo diz: Porque todos
devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o
que tiver feito por meio do corpo, o bem ou mal - 11 Co 5:10.

A Palavra de Deus considera o verdadeiro cristão como um morto para este mundo
quando diz: Porque já estais mortos, e a vossa vida escondida com Cristo em Deus, Cl
3:3.

Estamos em uma luta ferrenha não só com as forças do mundo espiritual mas
também com nossos desejos carnais, desejos estes de que pouco se fala na Teologia
da Libertação ou no movimento Nova Era.

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A filosofia da Nova Era induz as pessoas a rejeitarem a idéia de um Deus
Criador e Senhor de todas as vidas. Ensina que o homem pode dirigir sua própria vida
e destino. Sendo assim o homem apenas busca o que é de seu próprio interesse
mostrando aparência de piedade, mas, negando a eficácia dela. Quanto a mortificação
de nossa carne diz Paulo:
Mortificai, pois, os vossos membros que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza,
o apetite desordenado, a vil concupiscência e a avareza que é idolatria; pelas quais coisas
vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também, em outro tempo
andastes quando vivíeis nelas, Cl 3:5-7.

Note o leitor o termo “andastes”, isso é, antigamente, pois do versículo oito em


diante o apóstolo diz: mas, agora, despojai-vos (abandonai todas essas coisas)
também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da
vossa boca. Veja que todas essas coisas incluindo a mentira, são obras da carne que
precisam ser despojadas (abandonadas- despojo é aquilo que foi abandonado),
jogadas por terra; cólera significa impulso violento contra quem nos ofende;
maledicência significa o ato de falar, de dizer mal; tudo isso são obras da carne que o
apóstolo diz para mortificarmos.

Estamos em uma época em que a palavra Santidade ou Santificação nem se


ouve, e quando se fala nisso é apenas superficialmente (estamos em uma época de
simulação, um cristianismo simulado) - a santificação está em desuso; a Bíblia diz em
1 Pd. 1:15:
“mas como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa
maneira de viver”;
essa palavra vai de encontro ao falso conceito do cristianismo, ou como dizem: “ser
evangélico”, (agora é moda).

Segundo observamos, “ser santo” inclui “toda maneira de viver”. Cristianismo é


um estilo, um padrão de vida adotado por aquele que deseja viver segundo os
parâmetros da Palavra de Deus, não significa aceitar apenas as “rosas”, mas também
os “espinhos”.

Para muitos as bênçãos físicas, materiais e financeiras são as rosas de um


cristianismo pregado pelos amantes de um bem estar nesta terra, e até medem sua
“qualidade espiritual” pelos valores financeiros, ou posses, ou posição nesta vida.

Assim, mortificação para esses é um espinho inaceitável, Deus não é assim tão
exigente, dizem; mas acontece que é, Deus é inflexível no que tange a Santidade,
palavra que encontramos desde o Gênesis até ao Apocalipse, e a expressão maior
está em simples palavras registradas em I Pd 1:16:

“Porquanto escrito está: sede santos, porque eu sou santo”.

Quererá o leitor mudar essa verdade?

Pensemos em nossa vida: somos cristãos por conveniência ou desejamos viver


para Deus? Alguém já dizia: “Maior guerreiro é aquele que vence a si próprio”. De que
se queixa o homem? queixe-se dos seus próprios pecados, Lm 3:29. A mortificação da
carne é pois, matar os desejos pecaminosos que em nossos membros guerreiam; com

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a força do Espírito podemos renunciar, matar os desejos pecaminosos. Aos romanos
Paulo escreve:

“Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com Ele crucificado, para que o corpo do
pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado”, - Rm 6:6.

O “Corpo do pecado” refere-se ao corpo humano controlado pelos desejos


pecaminosos, (natureza carnal). Note-se que ninguém pode argüir um cadáver de ter
maus desejos ou um coração depravado. Como seres humanos temos instintos como
auto-preservação, temos que nos alimentar, reproduzir, adquirir, etc...

Porém para o homem que chegou ao pé da cruz de Cristo, compreendendo o


sacrifício expiatório e aceitando esse sacrifício como suficiente para salvação de sua
vida, o que aceitou a Cristo Jesus como seu único e suficiente Salvador pessoal, então
os pecados praticados outrora sob ignorância são apagados e seu nome escrito no
Livro da Vida. Este passa a ser um novo homem “regenerado” (nascido de novo) pela
Palavra e feito filho de Deus por adoção, em uma nova vida, não deve mais viver
como vivia antes, nos desejos do seu coração. Agora há que examinar as Sagradas
Escrituras para saber como deve agradar a Deus e não aos seus próprios desejos.

“E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que, noutro tempo,
andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito
que, agora, opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também, antes,
andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos, e
éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Ef 2:1-3.

Notem-se as palavras: “andastes”, “andávamos”, “éramos” - significam que


nossos instintos antigamente eram deturpados e por isso seguíamos o curso do
mundo, segundo o príncipe das potestades do ar e em conseqüência disso éramos por
natureza filhos da ira, “inimigos de Deus”.

“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra
Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitue-se inimigo de Deus”, - Tg
4:4
.

Não tínhamos nenhum senso de limpeza, pureza; enfim éramos contrários a


santidade, agora pois sendo de novo gerados pela Palavra de Deus e recebendo o
Espírito Santo em nosso coração, então não podemos continuar na prática antiga, nem
obedecendo os desejos pecaminosos ditados pela velha natureza, pois somos
nascidos de novo; novo homem em Cristo Jesus.

Glória a Deus por tamanha obra realizada em nós! Agora, grande


responsabilidade temos diante dos homens, estes que vêem o que as vezes damos
pouco valor, à mudança.

A característica de um salvo é a transformação que este experimenta. A santa


Palavra diz em Efésios 4:22-32,

“Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem (a antiga


maneira de viver) que se corrompe pelas concupiscência (desejos) do engano, e vos
renoveis no espírito do vosso sentido (modo de pensar) e vos revistais do novo

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homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade. Pelo que
deixai a mentira e falai a verdade cada um com o deu próximo; porque somos
membros uns dos outros. Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.
Não deis lugar ao diabo. Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo
com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade.
Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover
a edificação, para que dê graça aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo
de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção. Toda amargura, e ira, e
cólera, e gritaria, e blasfêmias, e toda malícia sejam tiradas de entre vós. Antes, sede
uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros,
como também Deus vos perdoou em Cristo”.

Pergunto ao leitor: como poderemos atender a esta palavra tão maravilhosa?

Glória a Deus, pois em Cristo somos mais do que vencedores. Através do


Espírito, mortificando os desejos vis, e em novidade de vida, o homem salvo por Cristo
pode abandonar o mundo e olhar para o autor e consumador de nossa fé e
experimentar aquilo que todos querem ver: “transformação”.

Toda essa mudança poderíamos chamar de purificação, limpeza da sujeira. O


homem sem Cristo está no lamaçal de pecado, pecando e consentindo no pecado,
sem forças para mudar o seu rumo; é necessário o arrependimento: dar meia volta e
experimentar a limpeza, que não é um ato instantâneo, mas um processo contínuo
iniciado no ato da justificação que é instantânea.

Enquanto o homem justificado viver nesta terra terá a cada dia que dar morte
aos seus desejos ilícitos e deixar fruir a nova vida que Cristo lhe deu e que quer que
este viva.

A mortificação, ou desejo sincero de dar morte aos prazeres pecaminosos,


parte de um coração transformado. Porque o coração? A psicologia hebraica considera
o coração como a sede da mente e da vontade junto com todas as emoções físicas; é
a dimensão interior da personalidade. No coração está a fonte dos desejos e das
decisões.

O povo da atualidade geralmente considera que o cérebro é o centro diretor da


atividade humana. A Bíblia, no entanto, refere-se ao coração como esse centro: “dele
procedem as saídas da vida” – Pv. 4:23b.

Biblicamente, o coração pode ser considerado como algo que abarca a totalidade
do nosso intelecto, emoção e volição. Portanto o coração é o centro do intelecto, o
centro das emoções e o centro da vontade humana.

Assim sendo, um coração entregue à prática da iniquidade corre o grave risco


de tornar-se endurecido. Quem se recusa continuamente a ouvir a Palavra de Deus e
a obedecer ao que Deus ordena e, em vez disso, segue os desejos pecaminosos do
seu coração sem refreá-los; sem dar morte a esses desejos, verá que seu coração se
endurecerá de tal modo que se tornará insensível para com a Palavra de Deus e aos
apelos do Espírito Santo.

O principal exemplo bíblico desse feito é o coração de Faraó, na ocasião do êxodo.

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Paulo viu o mesmo princípio geral em ação na sociedade ímpia da presente era
em sua carta aos Romanos no capítulo um. A carta aos Hebreus contém muitas
advertências aos crentes, para que não endureçam seus corações:

“Não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da


tentação no deserto”, (3:8) e ainda diz mais: “vede, irmãos, que nunca haja em
qualquer um de vós um coração mau (perverso) e infiel (incrédulo), para se
apartar do Deus vivo” - Hb 3:12.

Observe o leitor que pode haver o risco de um irmão ter um coração mau e
infiel por falta de vigilância, por não estar atento em dar morte aos velhos desejos que
sempre lutam para tornarem a imperar e nos afastar do Deus vivo.

“Antes – escreve Paulo - “exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo
que chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça (seja endurecido) pelo engano do
pecado” - Hb 3:13.

O desejo de mortificar os impulsos carnais procede de um coração regenerado,


pois a regeneração está ligada ao coração. No coração daquele que experimenta o
nascimento espiritual, Deus cria o desejo de amá-Lo e de obedecê-Lo. A observância
exterior sem o desejo interior de servir a Deus é hipocrisia, e foi severamente
condenada por nosso Senhor.

Amigo leitor: já experimentaste uma mudança, uma transformação total em teu


coração? Estás tu na luta para vencer teus desejos ilícitos, ou tu os alimenta
ocultamente esperando a oportunidade para satisfazê-los? Lembra-te de que um
coração mudado pelo poder do Espírito faz fruir para o exterior, isto é, para a vida
diária o cheiro suave, o perfume de Cristo, em ações, palavras e gestos. - Então o
exterior estará refletindo o interior.

“Conta-se de que certa vez havia um homem que se queixava todas as noites da
fadiga do dia. - Qual é, pois, perguntou-lhe um amigo - a causa de tuas queixas? Que
trabalho tão duro fazes que te aborreças tanto?

- Ah! é um trabalho - respondeu o amigo - que todas as minhas forças não


bastariam se me não viesse fortalecer a graça de Deus. Tenho dois falcões para
alimentar, duas lebres para cuidar, dois gaviões para adestrar, um dragão para
vencer, um leão a combater e um enfermo para cuidar.
- Que loucura – respondeu-lhe o amigo.
- Não é loucura, meu amigo; o que digo é certo, respondeu-lhe ele.
Os dois falcões são os meus olhos, que tenho de guardá-los com muito cuidado
para que não se detenham muito nas coisas deste mundo, porque assim me
prejudicariam, arruinando a minha alma.
As duas lebres são os meus pés, que tenho de guardá-los para que se não
lancem apressadamente na senda do pecado e da maldade. Os dois gaviões
são minhas mãos que tenho que sujeitar ao trabalho, dando-lhes sempre
coisas para fazer para que não façam o mal, para a desgraça da minha vida. O
dragão é minha língua, que sempre precisa estar freada, porque está cheia de
peçonha mortal. O leão é o meu coração, com o qual tenho de lutar
constantemente, fazendo o possível para mantê-lo humilde e contrito perante o

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Senhor. O enfermo é o meu corpo, que ora tem calor, ora frio, ora fome, ora
sede e exige sempre cuidado especial. Diga-me, meu amigo, se tudo isso não é
uma contínua fadiga?

- Oxalá - exclamou o outro - que todos levássemos este trabalho a sério e nos
fatigássemos tanto contra o inimigo de todos os dias”.

Acerca da mortificação da carne, podemos dizer que em nosso coração existe um


trono e uma cruz; quando você esta no trono, Cristo está na cruz; mas, quando você
permite que Cristo esteja no trono do seu coração, você é que está crucificado, então
poderás dizer como o apóstolo Paulo:

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo. não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a
vida que agora vivo na carne (natureza humana) vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me
amou e se entregou a si mesmo por mim”, Gl. 2:20.

A MORTIFICAÇÃO DA CARNE ll
CAPÍTULO ll

O termo “mortificação”, não trata do aspecto físico da carne, mas diz respeito
aquela inclinação para a prática de obras más, a “a natureza carnal”. É o campo de
ação do diabo; é o campo de atração para as suas tentações.

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Não podemos evitar as tentações, mas podemos neutralizá-las mediante uma
vida de oração e consagração a Deus. Tudo aquilo que incita a carne tem de ser
evitado pelo crente fiel.

Paulo diz: “Mortificai, pois os vossos membros que estão sobre a terra”. Os
membros de nosso corpo são facilmente seduzidos pelas paixões da carne, e se
tornam instrumentos de prostituição, adultério, fornicação, apetites desordenados,
idolatria e avareza.

O cristão que deseja ter vitória sobre os ímpetos de sua carne, precisa mortificar
a força sedutora e indutora do pecado sobre os membros do seu corpo. É a “carne” o
inimigo que faz o crente tropeçar e viver em acirrado combate, impedindo-o de manter
uma vida de santificação; é pois dando morte aos desejos pecaminosos que ele vai
viver em uma vida santa e justa.

A essência da tentação é a tendência ou inclinação para satisfazer ilicitamente


as necessidades físicas e psicológicas do ser humano. A esse tipo de tentação
chamamos de sedução. Por que?
Porque esta é a forma mais discreta de o diabo induzir-nos ao pecado, visto
que ele é o agente da tentação. As tentações não vem sobre nós para que cometamos
pecados como estupros, roubos, assassinatos etc..., - ainda que assim possa
acontecer. - Geralmente o diabo nos tenta com as coisas que a nossa natureza carnal
deseja; “coisas insignificantes”.

Até onde vai minha liberdade em Cristo?

Lamentavelmente, muitos cristãos entendem que, por causa da liberdade cristã,


estão livres para fazerem o que bem quiserem. Entretanto, não é por esse caminho
que ficaremos livres do pecado. O apóstolo escritor aos Romanos diz:

“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais
abundante? De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como
viveremos ainda nele? Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas
debaixo da graça? De modo nenhum” -. Rm 6:1-2,15.

A liberdade pregada pelos amantes dos prazeres está longe de se comparar


com uma vida de santidade que é uma ação contínua. O capítulo seis da carta de
Paulo aos Romanos exemplifica de modo claro e objetivo o que é ter uma vida com
Cristo, morto para o pecado:

“Assim também vós, considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos
para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor”, Rm 6:11.

Se você é um crente autêntico, você morreu para o pecado e precisa dar prova
disso.

A fé que não se identifica com a morte de Cristo, não é uma fé verdadeira. Você
não pode crer e continuar inalterado em sua forma de viver! Se realmente você está
morto, sua nova vida lhe dá nova natureza, portanto o “pecar” se lhe torna “anti-
natural”. Já não se sente “confortável” fazendo as coisas que fazia antes.

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Quando um indivíduo está morto para o pecado e vivo para Deus, ele pára com
as antigas práticas, isto é, ele deseja deixar de fazê-las.

Os hábitos, porém, não se rompem facilmente. A antiga natureza não quer


morrer. Satanás faz o melhor que pode para enfraquecer a fé do crente e “fazê-lo
voltar” a sua velha vida. Por isso o novo crente verifica que se trava uma batalha em
seu coração.

É sobre esta batalha e sobre o plano de justiça de Deus para o crente em seu
viver diário que estamos falando. Diz respeito a santificação, mortificando a carne,
impedindo que o pecado que perdeu o seu trono volte a reinar. De novo, na carta do
apóstolo Paulo aos Romanos 12:12 diz:

“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes
em sua concupiscência; (13) - nem tampouco apresenteis os vossos membros ao
pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre
os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.”

Na Nova Versão Internacional Espanhola se traduz:

“Não permitais que o pecado reine em vosso corpo mortal, para que não obedeçais
aos seus desejos”.

Sabe, o leitor, a quem Paulo está falando?

Aos pecadores convertidos! - E que diz Ele? - Diz que ainda temos livre-
arbítrio, mesmo depois de salvos! Diz Ele que, como crentes, ainda temos de
escolher, dia após dia, a que senhor obedeceremos!

O cristão não pode de si mesmo viver uma vida santa. A força de vontade é uma
força fraca! O homem necessita de ajuda para viver uma vida reta. Paulo é claro ao
dizer que se nós apresentar-mos os nossos membros como instrumentos de iniquidade
então seremos servos do pecado.

Tendo aceitado a Cristo, os crentes devem continuar a escolher a quem


servirão. Poderão voltar ao pecado, cessando de opor-se ao seu domínio na sua vida
pessoal e tornando-se de novo seus escravos, sabendo que a morte (espiritual e
eterna) será o resultado disso, ou poderão dominar o pecado e continuar a apresentar-
se como servos de Deus e da justiça, tendo como resultados a santificação e a vida
eterna.

Compreendemos que a mortificação tem como alvo principal a santificação e


que devemos g u e r r e a r constantemente contra esses desejos que querem se
levantar e que as vezes achamos impossível vencê-los, pois diariamente temos que
lutar pois somos tentados justamente naquilo que mais nos chama a atenção. - Por
exemplo: Um homossexual neo-convertido estará sempre enfrentando tentações sobre
o sexo deturpado, até que este aprenda a vencer de maneira que não mais chame a
sua atenção. Mas, mesmo assim, enquanto viver terá que vigiar, mortificando a sua
carne.

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Uma lésbica neo-convertida da mesma forma; um viciado em drogas sempre
terá que vigiar em suas fraquezas; da mesma forma o ex-bêbado, o ex-ladrão etc...

Diz-se com muita propriedade que:

“O preço da liberdade é a eterna vigilância”.

É uma guerra constante na qual se formos vencedores, outras virão


diferentes e que igualmente precisarão ser vencidas, sempre visando a vida de
santificação e consagração a Deus.

Ainda aos Romanos 6:14 se diz:

“Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei,
mas debaixo da graça”.

Quem não tem compromisso com o senhorio de Cristo e não se opõe ao


domínio do pecado na sua vida pessoal, não tem o direito de se referir a Cristo como
seu Salvador:

“Ninguém pode servir a dois senhores”, Mt 6:24a.

As palavras do versículo quatorze dão a entender um imperativo: “ o pecado


não terá domínio sobre vós (isto é: não vos dominará).

Em Hebreus 12:1 ele fala para deixarmos o “pecado que tão de perto nos
rodeia” - dai chegamos a conclusão de que os nossos desejos precisam passar pelo
filtro da Palavra de Deus e sob a orientação do Espírito - e então “considerarmos” o
que deve ser feito.

“Considerar” é fazer algo com a nossa mente.

Devemos pensar em nós mesmos como mortos para o pecado. E também


pensar em nós mesmos como vivos para Deus! Porque? Porque há em nós duas
naturezas: O “velho homem” (chamado o corpo do pecado, a carne, lei do pecado que
está nos meus membros) e o “novo homem”.

Mesmo depois que cremos e nos tornamos novas criaturas; mesmo depois que
nos convertemos e somos contados como justos; mesmo depois de voltarmos a face a
Deus e nos encontramos no caminho da vida eterna, a antiga natureza com seus
antigos desejos ainda estarão, dentro de nós.

Se, porém, cremos e obedecemos, ela está morta! Ela ainda esta ali, porém
sua vida passou. Ela não tem poder sobre nós porque está morta! Mas temos de nos
lembrar de que a nova natureza só estará morta se a “considerar-mos” morta. Se ela
tentar falar, não devemos dar-lhe ouvidos. Devemos “contá-la” como morta. Se ela
tentar ativar-se em nossa vida, devemos “mortificá-la”, isto é, causar-lhe a morte
mediante a recusa em permitir-lhe qualquer “exercício”!

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Toda vez que o crente cede à tentação, ele está exercitando o “velho homem”,
e sabes o que o exercício faz? - Fortifica o homem! - Você só conserva o velho
homem impotente “considerando-o” morto.

“Considerai-vos como mortos para o pecado”.

Certo jovem chegando para o seu pastor disse com voz embargada: Pastor,
sinto que dentro, em mim, existem dois homens lutando.

O Pastor perguntou-lhe: E quem vencerá?

O jovem surpreso, mas entendendo já a mensagem, disse: - Aquele a quem eu


alimentar mais.

Entendestes tu também?

Amigo leitor, considerar-se como morto para o pecado é não mais viver na
prática dele. Para o cristão verdadeiro existe novidade de vida: um caminho limpo a
palmilhar, uma santificação como alvo.

Ser santo em toda maneira de viver, é agradar ao Senhor, é servir-Lhe em


espírito e em verdade, é ter a Bíblia como regra de fé e prática, é compreender que
somos o templo do Espírito Santo.

Vivamos pois como servos da justiça:

“E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”, Rm 6:18; “Mas, agora,
libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e
por fim a vida eterna”, Rm 6:22.

Glória pois a Ele por essa libertação!

A TRANSFORMAÇÃO DA MENTE

CAPITULO III

Quando tentamos viver livres do domínio do pecado e da imoralidade, todos os


nossos esforços para isto são inúteis, a menos que sejamos realmente nascidos de
novo, reconciliados com Deus, libertos do poder de Satanás e como novas criaturas
em Cristo, vivendo uma vida renovada no Espírito Santo. Citamos aqui Romanos 12:2

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação
do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus”.

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 13


Este mesmo versículo na Nova Versão Internacional (daqui em diante citaremos
apenas NVI) diz assim:

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela


renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a
boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Na versão do Novo Testamento Vivo diz:

“Não imitem a conduta e os costumes deste mundo, mas seja, cada um, uma
pessoa nova e diferente, mostrando uma sadia renovação em tudo quanto faz e
pensa. E assim vocês aprenderão de experiência própria; como os caminhos de Deus
satisfazem vocês”.

Aqui entendemos que é necessário que tenhamos uma mente renovada, isto é,
mente sã. Renovação da mente fala da mudança no interior:

“O homem bom, do bom tesouro do seu coração, tira o bem, e o homem mau,
do mau tesouro do seu coração, tira o mal, porque da abundância do seu coração fala
a boca”, - Lc 6:45.

Sem mudança interna ninguém faz a vontade do Senhor. É justamente essa


renovação interior que se reflete no exterior. O Mestre disse muito sobre a limpeza no
interior do copo; de sepulcros caiados...

Uma característica distintiva do cristianismo é a dádiva divina de um novo


coração e nova natureza que recebem todos os que crêem em Cristo para,
espontaneamente, amarem e obedecerem ao Senhor. Falando sobre o novo concerto
Ezequiel 11:19-20 diz:

“ E lhes darei um mesmo coração, e um espírito novo porei dentro deles; e


tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei um coração de carne; para que
andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; e eles serão o
meu povo, e eu serei o seu Deus”.

Esta profecia começou a cumprir-se por ocasião da ressurreição de Cristo e do


derramamento do Espírito Santo no Pentecostes. Ezequiel profetizou que o Espírito
Santo iria capacitar o povo salvo a viver segundo a vontade e a lei de Deus. A
capacidade de obedecer ao Senhor vem do espírito Santo ao habitar no crente, e da
regeneração ou novo nascimento resultante disso. Portanto é imprescindível que
falemos um pouco sobre um “renovo” em nossa maneira de pensar, ou como
chamamos, uma renovação da mente.

Quando o profeta Jeremias estava falando ao povo sobre a invasão estrangeira


e sobre o arrependimento de Jerusalém disse:

“Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva; até quando
permanecerão no meio de ti os teus maus pensamentos?”, - Jr 4:14.

Maus pensamentos são justamente o que leva o homem ao mundanismo que


ronda a Igreja, tais como: cobiça, egoísmo, oportunismo, conceitos humanos, artifícios

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 14


políticos visando o poder, inveja, ódio, vingança, impureza, linguagem imunda,
diversões ímpias, vestes imodestas e provocantes, imoralidade, drogas, bebidas
alcoólicas e companhias mundanas.

Renovação, significa que devemos conformar nossa mente a maneira de Deus


pensar. O salmo primeiro diz:

“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se
detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”, Sl 1:1.

“Conselho dos ímpios” - entende-se literalmente por “pensamentos dos ímpios”,


ou “pensar como eles pensam”.

Nunca devemos deixar de conformar nossos pensamentos às orientações da


Palavra de Deus, para então conformá-los “segundo os pensamentos dos ímpios”.
Devemos permitir que nossos planos, alvos e aspirações sejam determinados pelas
verdades celestiais e eternas e não por este presente século mau, profano e
passageiro.

Em I Co 2:16b diz o apóstolo:

“Mas nós temos a mente de Cristo”.

Em Fp. 2:5 ainda refere:

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo
Jesus”.

Jesus sentiu total aversão ao pecado, havia proposto em seu coração jamais
ceder aos caprichos da natureza humana, carnal. Ele venceu, nos deu garantia de que
também nós podemos vencer se conformar-mos nossa mente à maneira de Deus
pensar. Portanto amigo leitor, não deixe que os prazeres inebriantes deste mundo te
dominem.

Não quero fazer deste pequeno livro mais um emaranhado de letras ou


explicações “teológicas” existentes por aí, que muitas vezes alimentam o intelecto,
satisfazendo a mente carnal com lindos escritos mas longe de serem aplicáveis. Meu
desejo é que, através da Palavra de Deus, estes pequenos capítulos sejam aplicáveis
ao teu viver diário, ajudando-o a compreender que através de uma mente renovada
pelo Espírito Santo possas levar uma vida de santificação, sufocando os desejos
pecaminosos até o dia da Vinda de Cristo Jesus ou do nosso encontro com Ele.

Já se dizia com muita propriedade que: “mente vazia é oficina de Satanás” e


também: “o diabo não apanha nada, senão o que lhe dão”.

Isso apenas confirma o que está escrito no salmo primeiro:

“Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de
noite”, - Sl 1:2.

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 15


Os santos de Deus não somente evitam o mal, como também edificam suas
vidas na meditação da Palavra de Deus. Meditar na lei do Senhor significa moldar
nossos pensamentos, atitudes e ações segundo os preceitos de sua Palavra, as
Sagradas Escrituras, a Bíblia.

Todas as religiões enfatizam rituais e aparências externas, mas Deus olha o


coração do homem, procurando os puros para terem comunhão com Ele. As regras
mais rígidas aplicadas ao exterior do homem jamais podem substituir a pureza de
coração (mente sã). Vemos isso no primeiro livro de Samuel, no capítulo 16, quando
da unção de Davi para ser Rei:

“Deus não vê como o homem vê”.

De que adianta a beleza exterior de um relógio sem máquina? Um automóvel


sem motor? Um ser humano sem Deus?

Seguramente nossa mente é um canal para que pecados ocultos tornem-se


atos. Pecamos se um mal pensamento entra em nossa mente? - De modo nenhum,
pois ser tentado não é pecado. Mas se deixamos que pensamentos maus dominem
nossa mente ou se nunca tivemos uma renovação em nossa mente, logo se tornarão
em atos. A prática final do mal é simplesmente o último passo de uma série de
acontecimentos que tiveram origem na mente.

Podemos controlar nossos pensamentos? Até certo ponto sim.

“Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”, Tg 4:7.

Uma vez dentro do coração a impureza gera a impureza. Temos como exemplo o
pecado de Davi, sem pormenorizar as conseqüências de sua queda, mas o que o
levou a cair; sem vigilância, irresponsável, não indo para a guerra. Pecou com os
olhos e com a mente vendo uma mulher casada tomar banho, um pecado oculto no
coração (mente) deu luz ao pecado externo de adultério. Em poucas semanas mandou
matar o esposo, Urias. Quando Deus revelou seu pecado, Davi reconheceu sua
impureza e que era muito grande para vencê-la sozinho. Então clamou:

“Cria em mim ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto”, - Sl


51:10.

Nesta oração ele declarou que seu problema tinha raiz lá no seu coração.

Há passagens na Bíblia que fazem com que tenhamos temor:


II Co 5:10 e Rm 2:16,
“no dia em que Deus há de julgar os segredos do coração dos homens, por
Jesus Cristo, segundo o meu evangelho “.

Tudo será conhecido. A palavra de II Coríntios 5:10 “comparecer” significa


“tornar conhecido, aberta ou publicamente”. Deus examinará e revelará abertamente,
na sua exata realidade, nossos atos secretos, nosso caráter, nossas palavras, nossas
obras, nossas atitudes, nossos motivos, nossa falta de amor, nosso trabalho e
ministério.

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 16


A perspectiva de um iminente julgamento do crente deve aperfeiçoar neste o
temor do Senhor, e levá-lo a ser sóbrio, a vigiar e orar, buscando sempre vencer, ter
vitória sobre os maus pensamentos. Eis o que o verdadeiro crente deve pensar:

“Pensai nas coisa que são de cima e não nas que são da terra; porque já
estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”, Cl 3:2-3.

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é
justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma
virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”, - Fp 4:8.

Literalmente “seja isso que ocupe vosso pensamento”. Devemos fixar nossa
mente nas coisas lá de cima, e deixar que nossas atitudes sejam determinadas por
elas. Devemos estimar, julgar, olhar e considerar tudo, partindo da perspectiva
celestial.
Entendemos então, que, aqueles que tem entregado seu corpo em sacrifício vivo e
têm sido transformados pela renovação da mente, podem dizer como Paulo:

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus,


que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito”, - Rm 8:1.

Ou dizer como o escritor aos Hebreus:

“E tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com


verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má
consciência e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa
esperança, porque fiel é o que prometeu”,- Hb 10:21-23.

Há grande necessidade de um coração transformado.

“Certo senhor comprou uma casinha onde encontrou um poço com uma bomba.
Quando os estava examinando, passou uma vizinha e disse:
- O senhor não deve usar desta água, porque é imprestável. O homem que antes
morava aqui e sua família usaram-na e todos se envenenaram.
- É verdade, disse o proprietário – mas logo arranjarei tudo isto. Comprou tinta,
pintou muito bem a bomba, tapou os buracos, ficando tudo muito bonito ao
passar a última mão de tinta. Então, disse a si mesmo.
- Agora estou seguro de que tudo ficará bem”.

No entanto você dirá que esse homem foi um insensato ao


Crer que arrumando um pouquinho e pintando a bomba, se remediaria tudo, quando a
água estava envenenada. Você tem razão em dizê-lo.

Pois bem, é isto que está fazendo o pecador ou as religiões sem a verdadeira
mudança que a Palavra de Deus proporciona. Tratam de pintar e remendar sua velha
natureza, que sempre o inclina para o mal e lhe inspira idéias torpes.

Assim como o proprietário necessitou de um novo poço para ter a boa água, assim
o pecador necessita de um novo coração para ter a vida eterna.

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 17


Amigo leitor, diante do exposto, não queres uma renovação interior? - Uma
renovação da mente? –

“Transformai-vos pela renovação do vosso entendimento”,


é um assunto que está intrinsecamente ligado à “mortificação da carne”, à santificação
sem a qual ninguém verá o Senhor.

TENTAÇÃO
CAPITULO IV

Tentar:
v. 1. Tr. dir. Empregar os meios para obter (o que se deseja); diligenciar, empreender.
2. Tr. dir. Pôr à prova; experimentar.

Longe de fazermos alguma colocação teológica sobre os diversos significados


da palavra “tentação”, sendo que já existem vários livros que tratam sobre o assunto;
vamos partir diretamente para o prático dentro do contexto deste livro.

Sabemos que tentação e pecado são aliados. A tentação não é pecado, mas
pode induzir ao pecado. O pecado é gerado no interior do homem quando atraído
pelos seus próprios desejos. Constantemente somos tentados por pensamentos
negativos. Enquanto estivermos no mundo estaremos expostos a tentação. Temos que
estar alertas. A Bíblia diz:

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 18


“Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não
deixará tentar acima do que podeis; suportar; antes, com a tentação dará também o
escape, para que a possais suportar”, - II Co 10:13.

Os membros de nosso corpo são facilmente seduzidos pelas paixões da carne.

Talvez surja a pergunta: Porque Jesus foi tentado pelo diabo? John Broadus, em
seu comentário de Mateus, página 123, responde a essa questão da seguinte maneira:

“(1) Ele daria, pela tentação, prova de sua verdadeira humanidade, de que
possuía uma alma humana.
(2) Seria parte do seu exemplo a nós.
(3) Faria parte de sua disciplina pessoal.
(4) Faria parte de sua preparação para ser um intercessor compassivo, Hb 2:18;
4:15.
(5) Era parte da grande batalha na qual “a semente da mulher pisaria a cabeça
da serpente”, - Gn 3:15.

Ao tentar Jesus, o diabo queria convencê-Lo a desistir ou a adiar sua missão. O


tentador sabia qual era a missão de Jesus; por isso procurou criar-Lhe situações
embaraçosas, tentando levá-Lo a empregar meios contrários ao plano divino. Jesus,
contudo, não cedeu a nenhuma das insinuações satânicas. Não fraquejou, nem tomou
atalhos para cumprir Sua missão. Do mesmo modo, somos tentados a provocar a ira
de Deus e a pecar contra a Sua vontade soberana, mas devemos resistir firmes na fé.

Ao colocar em dúvida a identidade divina de Jesus com um “se”, o diabo, “o


agente da tentação” estava tentando obrigar a Jesus a mudar o curso da ordem
natural das coisas, induzindo-O a desobedecer ao Pai.

Quantas vezes as nossas tentações começam com um “se” de dúvida, de


indução maldosa à prática de coisas impróprias que, no nosso caso, são coisas
antigas de nossa velha natureza já abandonada; mas que com insinuações tendem a
levantarem-se e nos sufocar em práticas pecaminosas.

“Aquele que está de pé cuide-se para que não caia”,


II Co 10:12.

Aprendemos com a tentação de Jesus que devemos ter sempre em mente o senso da
vontade de Deus. Nada devemos fazer que contrarie a soberana vontade do Pai
celeste. Se Jesus cedesse às provações satânicas, certamente prejudicaria todo o
plano divino. É assim que Satanás opera em nossos dias: procura compelir-nos a
galgar lugares e posições fora do tempo, a tomar decisões precipitadamente e, acima
de tudo, a contrariar a soberana vontade de Deus.

Adão e Eva cederam a tentação da “antiga serpente”. - O seu pecado trouxe a


morte física e espiritual.

O apóstolo Paulo escreveu aos Efésios sobre o estado espiritual da humanidade


como estando “morta” em relação a Deus:
“E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados”, - Ef 2:1.

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 19


Essa morte espiritual neutralizou o relacionamento do homem com Deus. Por
essa razão, o homem foi desenvolvendo padrões de pensamentos e conduta
centrados na satisfação do Ego. Porém, Cristo mudou o curso da vida humana,
oferecendo um novo padrão de vida mediante a obra expiatória no calvário. Somos
justificados e, então, começa uma nova vida; como diz Paulo: - “Uma novidade de
vida”.

Aos Coríntios o apóstolo escreveu:

“Portanto, se alguém está em Cristo, é uma nova criação. As coisas antigas já


passaram, eis que novas surgiram” , - II Co 5:17, ( NVI.).

Incluímos tentação (empurrar para baixo) neste livro, sempre observando


Satanás como agente da tentação e que, a natureza carnal é campo de atração das
tentações.
É a “carne” o inimigo que faz o crente tropeçar e viver em acirrado combate,
impedindo-o de manter uma vida de santificação.
Não se trata do aspecto físico da carne, mas diz respeito àquela inclinação para a
prática de obras más. - A “natureza carnal” é o campo de ação do diabo.
A essência da tentação é a tendência ou inclinação para se satisfazer ilicitamente as
necessidades físicas e psicológicas do ser humano. Devemos entender que toda
tentação é um convite para se viver independente de Deus.

Também devemos nos deter um pouco sobre o assunto “sedução”; ainda que
falemos pouco sobre ele. É de suma importância observar seu valor.

Por que sedução? - Porque essa é a forma mais discreta de o diabo induzir-
nos ao pecado. As tentações dificilmente virão sobre nós para que cometamos
pecados como estupros, roubos, assassinatos, etc... - Geralmente o diabo nos tenta
com as coisas que a nossa natureza carnal deseja. - Temos desejos, os mais diversos
e, portanto, devemos estar atentos (atentar.1)- v. 1. Tr. dir. “Aplicar com atenção”
(olhar, ouvido, mente). 2)-. Tr. ind. e intr. “Refletir sobre”; considerar, ponderar) - para
que não sejam fontes ilícitas para o pecado.

Até onde vai a minha liberdade em Cristo? - Perguntas tu;

Lamentavelmente, muitos cristãos entendem que, por causa da liberdade cristã,


estão livres para fazerem o que quiserem. Entretanto, não é por esse caminho que
ficaremos livres do pecado, - (Rm 6:14-23).

Somos tentados, seduzidos, e levados ao erro por vias de acesso às tentações.


São vias que se manifestam através da natureza pecaminosa do ser humano; são as
avenidas que atraem o pecado. São claramente identificadas no Novo Testamento
como:

a) - Concupiscência (desejo, cobiça s. f. 1. Grande desejo de bens ou gozos materiais.


Apetite sexual), da carne.

b) – “A concupiscência dos olhos e

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 20


c) a Soberba da vida (ostentação, ostentar: v. 1. Pron. “fazer ostentação; mostrar-se
com alarde e vanglória.” 2. Tr. dir. “Exibir com ostentação, mostrar com alarde,
pompear”. 3. Tr. dir. “Deixar ver, mostrar naturalmente.” 4. Pron. “Mostrar-se com
ostentação”. 5. Tr. dir. “Exibir, mostrar com legítimo orgulho da vida”), conforme vemos
claramente em I João2:15-17:

“ Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o
amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da
carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.
E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus
permanece para sempre”.

A primeira via de acesso

A cobiça da carne, 1Jo 2:16.

Cobiça s. f. 1. “Desejo veemente de conseguir alguma coisa.” - 2. “Ambição


desmedida de riquezas.”

Foi através dessa via que Satanás procurou seduzir Jesus quando o Senhor
jejuava no deserto. O desejo de sua carne era comer pão, pois Ele estava há 40 dias
sem comer. Mas Jesus não se deixou dominar pela sedução de Satanás, vencendo-o
pelo poder da Palavra de Deus, (Mt 4:3). - Assim mortificou, matou, deu morte ao
desejo que naquele instante poderia ser fatal a todos nós.

A segunda via de acesso

A cobiça dos olhos, 1Jo 2:16.

Por essa via Satanás conseguiu enganar Adão e Eva. Gênesis 3:1-12 relata de
modo claro os passos que levaram o casal feliz e livre a se tornar escravo dos apetites
da natureza terrena. (1) Olhou - “vendo a mulher que a árvore era boa para se
comer e agradável aos olhos”, - 3:6. (2) Desejou - “árvore
desejável para dar entendimento”, - 3:6. (3) Tomou - “tomou do se fruto”, - 3:6. (4)
Comeu - “tomou do seu fruto e comeu, e deu a seu marido, e ele comeu com ela”, -
3:6.

O fruto proibido parecia-lhes delicioso, mais que todos os outros. Satanás


aguçou-lhes esse desejo pelos olhos.

A terceira via de acesso


A soberba da vida.

Como já vimos, esta é a ostentação dos bens, jactância, busca de exaltação nas
riquezas e na posição social, ou com supostas realizações espirituais, desejo pelo

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 21


louvor, pelo deleite de ser considerado importante, exercer autoridade sobre os outros,
de estar em primeiro plano. Alarde de tudo quanto tem e faz.

O pequeno e perverso “Ego” quer que subamos no palco, saracoteando,


agitando-nos e fazendo poses. Por essa via Satanás procura tentar-nos a sermos
independentes de Deus. Ele seduziu a mente de Adão e de Eva a desejarem
conhecimento superior ao que já tinham:

“Vossos olhos se vos abrirão e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal”, - Gn 3:5.

Era uma oferta de Satanás para induzir o primeiro casal ao mesmo erro que ele,
o diabo, cometera e fôra expulso da presença de Deus. É um perigo quando o crente
acha que não precisa de Deus, e que pode resolver seus problemas sozinho. Por isso
não se atreva a dar um só passo sem a aprovação de Deus.

Como escapar às tentações?

Talvez não consigamos evitar as tentações, mas poderemos neutralizá-las


mediante uma vida de oração e consagração a Deus.

“Não sobreveio tentação sobre vós, senão humana; mas fiel é Deus que vos
não deixará tentar acima do que possais suportar”, - I Co 10:13.
Há um hino da Harpa Cristã, n.º 75 que a letra é digna de meditar-mos. Diz assim:
“Tentado não cedas, ceder é pecar, melhor e mais nobre, será triunfar. Coragem ó
crente, domina o teu mal; Deus pode livrar-te de queda fatal.
Em Jesus tens a palma da vitória, minh’alma; e também doce calma pelo
sangue da cruz.
Evita o pecado; procura agradar a Deus a quem deves no corpo exaltar; não
manches teus lábios com impura voz; defende tua alma do vício atroz.
Sê manso e benigno, qual morto até. Na Rocha Eterna, firma tua fé; verás é teu
dito: de Deus é teu ser? Te espera coroa, tu podes vencer.

A ”mortificação da carne” é justamente matar, dar morte, não ceder às tentações. Na


oração modelo temos:

“E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”, Mt 6:13.

“E não nos exponhas à tentação”- (Bíblia de Jerusalém). - “E não nos induzas


à tentação” – (Ed. Revista e Corrigida – 1995) - “Y no nos metas en tentación” –
(Antiga Versão de Casiodoro de Reina – 1569). – (O pastor Serafim Isidóro - em seu
livro “Tentação” – pág. 55 – 2 ª edição - assim traduz as palavras gregas: “e não nos
deixes cair (mê eisenegkes - não nos traga para dentro) em tentação (peirasmos) -
mas livra-nos do mal (poneros) - maligno”.

Deixo aqui essas versões, com as palavras traduzidas, para melhor


compreensão desse texto bíblico:

Cair:

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 22


v. tr. ind. e intr. 1) – “Ir ao chão, em virtude do próprio peso.” – 2) – “Prostrar-se”. - 3) -
“Capitular, deixar-se vencer, sucumbir”. – 4) – “Decair, declinar, descambar, entrar em
decadência”
.
Expor:
v. 1). Tr. dir. “Pôr à vista; apresentar, mostrar”. 2). Pron. “Colocar-se em evidência;
mostrar-se”. 3). Tr. dir. e pron. “Colocar em perigo; arriscar”. 4). Pron. “Desabrigar-se,
descobrir-se, desproteger-se”.

Induzir:
v. 1). Tr. dir. “Persuadir à prática de alguma coisa; aconselhar, instigar”. 2). Tr. dir.
“Causar, incutir, inspirar”.

Me.ter:
[met'er] vt “meter, pôr, introduzir, colocar”. vpr “meter-se, esconder-se; aventurar-se”.
Coloq. “a todo, meter a todo vapor, a toda velocidade”.” meterse uno donde no le
llaman”, - meter-se onde não é chamado.” “meter la pata,” “colocar a pata, cometer um
erro”
.
“Vigiai e orai para que não entreis em tentação”, Lc 22:40.

Palavras do Mestre que... nunca cedeu!...

Vale aqui deixar I Jo 2:15-17 na versão da Liga Bíblica Mundial do Novo


Testamento “O mais importante é o amor”, linguagem de hoje:

“Deixem de amar este mundo mau e tudo o que ele lhes oferece, pois quando vocês amam
estas coisas mostram que realmente não amam a Deus; porque todas estas coisas
mundanas, estes maus desejos - loucura pelo sexo, a ambição de comprar tudo que atrai
vocês e o orgulho que resulta da riqueza e do prestígio - não provém de Deus, e sim do
próprio mundo pecaminoso. E este mundo está perecendo, e estas coisas más e proibidas
perecerão com ele, mas todo aquele que perseverar em fazer a vontade de Deus viverá para
sempre”.

Sigamos este santo conselho e viveremos para sempre com Cristo,

A m é m !...

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 23


I N C LI NAÇ Ã O
CAPITULO V

Sabemos que o progresso na santificação é lento. Devemos a cada dia escolher,


se a carne, se a Cristo; se inclinarmos ( Tr. dir. “dar declive ou obliqüidade, abaixar-se,
curvar-se”, Submeter-se, sujeitar-se. Tornar propenso; predispor. Mostrar-se favorável;
propender, tender. Tornar-se afeiçoado), para a carne ou se inclinamos para o
Espírito.

Em Romanos, no capítulo oito, depois que o apóstolo no capitulo sete trouxe a


luz uma luta tremenda, ele escreveu:

“Os que vivem segundo a carne têm suas mentes voltadas para o que a carne
deseja; mas os que vivem de acordo com o Espírito têm suas mentes voltadas para o
que o Espírito deseja. A inclinação (modo de pensar) da carne é morte, mas a
inclinação do Espírito é vida e paz; a inclinação da carne é inimiga de Deus porque
não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo. Os que são dominados pela carne
não podem agradar a Deus”, - Rm 8:5-8 – ( NVI ).

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 24


Como cristãos, filhos de Deus, observamos aqui que temos duas naturezas, uma
carnal, outra espiritual. Em Romanos capítulo 7:14-25 ele nos dá um quadro vívido do
“cristão carnal”.(O homem que diz amar a lei de Deus e deseja obedecer a justiça, mas
fracassa miseravelmente). - O crente reconhece duas leis atuando em seu interior, as
quais se guerreiam.

Primeira, a lei do pecado em meus membros (lei da carne).


Segunda: a lei da minha mente (lei da consciência).

Essas leis representam o “velho homem” guerreando contra a “consciência” do


novo homem.

“Mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da
minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros”, Rm
7:23 – ( NVI ).

Este versículo faz uma descoberta terrificante: “A consciência do homem não pode
livrá-lo da dificuldade!” Na batalha entre a “consciência” e a “carne”, a carne sempre
sai vencendo! Finalmente, em desespero, Paulo clama: “Miserável homem que sou!
Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? Rm 7:24 –NVI. É terrível servir à lei
de Deus com a mente (consciência) e ao mesmo tempo servir à lei do pecado com o
nosso corpo!
Todavia, é exatamente isso que muitos cristãos fazem, e não sentem alegria ou
vitória, porque confiam na lei para salvá-los. São miseráveis por que a lei os coloca
sob constante condenação, (Rm 8:1).

Ao buscar (pensar, procurar) viver em uma vida de santidade, não será a


simples observância de “não faça isso” ou “não faça aquilo” que levará o crente a
vitória na santificação positiva, do ponto de vista de Deus.

Para obter êxito é necessário morrer (dar morte) para o pecado (velho homem).
“Morto para o pecado” não significa que o pecado, no cristão tenha zerado. Isso seria
perfeição absoluta. O apóstolo Paulo ensina aos Romanos (6:2) que estamos “mortos
para o pecado”. Essa fraseologia era muito comum entre judeus, gregos e romanos.
Para esses povos, “morrer” para uma pessoa, ou coisa, significava separar-se
totalmente, não ter mais nada com a situação anterior. Morrer para o pecado não
significa que o pecado morreu, mas sim que nós morremos para ele. Como o pecado
não morre, ele sempre está lutando para voltar ao seu trono, e Paulo aos Romanos
6:12 diz:
“Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais,
fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos”, - ( NVI ).

Isso significa que o novo nascimento é o divisor de águas entre o velho homem e
a nova vida em Cristo. Não temos mais nada com o mundo, assim como Israel não
tinha mais nada com Egito; o mar Vermelho por onde passaram os dividiu, separou;
(assim também como o sangue de Jesus Cristo nos separou, livrou do pecado). –
Contudo, Israel desejava voltar para o Egito, para a servidão, Vezes sim, vezes não,
“inclinavam-se” (pendiam, cediam) para o forte desejo de voltarem à escravidão.

Mortificação, significa matarmos esse desejo terrível de voltar as velhas


práticas, servindo ao pecado:

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 25


“Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do
pecado seja destruído (deixado sem poder) e não mais sejamos escravos do pecado”, Rm 6:6
– ( NVI ).

O cristão agora vive para Cristo:

“Pois vocês morreram e agora a sua vida está escondida com Cristo, em
Deus. Quando Cristo, que é a sua (nossa) vida for manifestado, então vocês também
serão manifestados com ele em glória. Assim. façam morrer tudo o que pertence à
natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a
cobiça, que é idolatria”, Cl 3:3-5 – ( NVI ).

Como pode alguém estar morto para o pecado e, ao mesmo tempo, continuar a
viver nele?

Não é possível o cristão viver do mesmo modo que vivia antes de conhecer a
Jesus.

O homem natural e o homem carnal vivem na prática do pecado e nos desejos


da carne (carne aqui significa o conjunto de impulsos pecaminosos que dominam o
homem natural), uma vez que estes aceitem o sacrifício expiatório de Cristo Jesus na
cruz do Calvário, como suficiente para perdão dos pecados, todos os

seus atos pecaminosos praticados sob ignorância serão perdoados. Deus os perdoa
mediante o sangue de Jesus Cristo.

Glória a Deus por essa verdade!

Mas, e aí?

Bom, quando isso acontece estes não vivem mais sob o jugo da carne com seus
desejos e obras pecaminosas, mas estão livres para produzirem o fruto do Espírito, o
qual não é fruto de uma imposição religiosa ou de qualquer sistema legalista, mas que
é algo de Deus. Então segue-se a purificação.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda injustiça (Ação injusta)”, - I Jo 1:9.

Perdão e purificação, são dois atos bem distintos.

Perdão significa cancelamento da dívida; ato judicial divino mediante o sangue


de Cristo. Justificado; não mais devedor.

Purificação significa limpeza da sujeira; não é um ato instantâneo, mas um


processo contínuo iniciado no ato da justificação que é instantânea. É um processo por
toda vida do justificado - santificação.

Justificação é a “declaração legal”.

Purificação é o ato “continuo” da limpeza total do indivíduo.

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 26


Santificação passa a depender do cristão; para que lado este vá inclinar: para a
carne, ou para o Espírito; para a velha vida ou para a nova vida. será vencedor aquele
a quem ele alimentar mais: a carne ou o espírito. Nessa guerra vence aquele que o
cristão alimenta melhor... Bom alimento leva a robustez. Palavra, oração, louvor,
consagração diária, são alimentos que fortalecem o homem espiritual.

Por isso o apóstolo Paulo tanto falou sobre inclinação. É por isso que Amós no
seu livro, capítulo sete, viu um prumo nas mãos do Senhor. Deus estava colocando
esse prumo para “saber” para que lado o povo se inclinava, se para os ídolos ou para
Ele.

Toda pessoa sabe que quando se põe um prumo em uma parede não é para se
ver a base (pois base é base) mas para ver a inclinação. Pode haver uma boa base,
mas se a parede estiver inclinada ela cairá, a base permanecerá mas a parede ruirá.

Amigo leitor, já imaginaste neste instante, um prumo em tua vida?

Em teu lar?
Nos teus negócios?
Em tua vida conjugal?
No teu ministério?

Para que lado estaria inclinado?

Note que a base é uma, a parede é outra. De que adianta uma boa base e uma
parede inclinada? O prumo, instrumento de medir inclinação é colocado sempre de
cima para baixo. Da forma como está em cima, precisa estar em baixo; como está em
baixo tem que estar em cima.

O Mestre disse:

“Seja feita a tua vontade aqui na terra, como ela é feita no céu”...

A inclinação para o velho homem faz com que obedeçamos os desejos carnais. O
apóstolo Paulo fala muito sobre o velho homem crucificado. Romanos 6:6
“Sabemos isto: que o velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja
desfeito, afim de que não sirvamos mais ao pecado”.
Ninguém pode argüir um cadáver de ter maus desejos ou um coração
depravado. A passagem de Romanos 6:6 não deve ser confundida com Gálatas 5:24

“E os que são de Cristo crucificaram a carne com sua concupiscência ”,

pois em Romanos 6:6 o apóstolo fala de algo que já nos aconteceu, enquanto que, em
Gálatas, ele fala de algo que acontece com todos os que são crucificados com Cristo.
Romanos fala de morte definitiva, legal ( cravado, abolido legalmente) , e é algo
passado; enquanto que em Gálatas 5:24 diz respeito à morte moral, que é continua,
repetitiva. Essa morte espiritual do cristão (Rm 6:6), com respeito à santidade, é morte
para o pecado, e a de Gálatas 5:24 é a mortificação do “eu”.

Romanos 6:6 é usada a expressão “corpo do pecado desfeito”. Essa expressão,


denota a natureza pecaminosa que se exterioriza por meio do corpo. O pecado foi

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 27


abolido legalmente na morte de Cristo, e com ele, morremos ( 2Co 5:14). Diante disso
não há como servir a um tirano destronado nem obedecer a um sistema caído.

A palavra grega para “desfeito” tem o sentido de “vencido, dominado” e não


destruído. O corpo do pecado não foi destruído, mas destronado. A expressão: “Afim
de que não sirvamos mais ao pecado”, assinala o propósito de tudo isso, ou seja:
Devemos servir unicamente a Cristo, que é o nosso Senhor.

Uma vez mortos para o pecado, devemos nos identificar com Cristo. Romanos 6:8-
11 o apóstolo faz uma analogia. “Sepultados com ele pelo batismo na morte” significa
que estamos identificados com Cristo na sua morte. Da mesma maneira, fomos
ressuscitados com ele na sua ressurreição (vers. 9-10). Diante disso, vem a
conclusão:
“ considerai-vos como mortos para o pecado; mas vivos para Deus, em Cristo Jesus nosso
Senhor. (vers. 11)”.

Agora devemos dominar o pecado. Antes éramos dominados por ele; mas agora,
nós é que devemos dominá-lo.
Em romanos 6:12-14 diz:

“Portanto, não permitam que o pecado continue dominando seus corpos mortais, fazendo que
vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros dos seus corpos ao pecado,
como instrumentos de injustiça; antes ofereçam a Deus como quem voltou da morte para a
vida; e ofereçam os membros dos seus corpos a ele, como instrumentos de justiça. Pois o
pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça”,
NVI.

A salvação pela graça traz com resultado a santificação,

“assim foram alguns de vocês. Mas foram lavados, santificados, justificados no nome do
senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”. 1Co 6:11
“Não reine portanto o pecado em vosso corpo mortal” (Rm 6:12),

implica viver em retidão moral, de maneira “irrepreensível e inculpável no meio de uma


geração perversa e corrupta”, (Fl 2:15).

Cristo nos libertou do poder do pecado, mas, se nós começar-mos a inclinar para a
carne, demonstramos que estamos abusando de nossa liberdade cristã, e o abuso
dessa liberdade leva o cristão a libertinagem.

Podemos ouvir a pergunta: Há algum cristão perfeito? Pense, agora! Se a resposta é


“não”, então, quão imperfeito pode ser você e ainda ser cristão? A verdade é que não há
cristãos perfeitos em estado, ainda que Deus “conte” o crente como perfeito em posição.
O Espírito Santo é dado para ajudar-nos a ser semelhantes a Cristo, isto é, realmente
ser aquilo que somos “contados” para ser! Inclusive Paulo, no final da vida, ainda
“prosseguia para o alvo”! Quando deixamos de prosseguir em direção ao alvo, é que
estamos em perigo espiritual. É possível que o crente tropece, e até mesmo caia, mas
quando tal ocorre, ele cai com a face voltada para Deus, e imediatamente chama seu
advogado para fazer intercessão e obter perdão. O cristão não pode sentir-se bem com
o pecado (inclinado), porque o pecado (inclinação para o pecado) não é natural para o
filho de Deus, e assim não pode continuar nele.

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 28


Como está seu alvo? O seu alvo é aquilo que você mais fixa com seus olhos, sua
atenção. Para onde você está olhando? Onde está teu alvo?

No dicionário temos a definição de liberdade como “Faculdade de cada um decidir ou


agir segundo a própria determinação. Estado ou condição de homem livre”. Seguindo
esse raciocínio, as pessoas tendem a pensar que liberdade é simplesmente poder fazer
na vida tudo o que desejam. Mas inclinar-se para a carne significa estar em escravidão
pois a carne escraviza. Inclinar-se para o Espírito é de fato ser livre.

A liberdade pelo Espírito é completamente diferente do que se pensa.

Liberdade não é fazer o que se quer, mas o que se deve. Liberdade sem disciplina é
anarquia. Liberdade sem responsabilidade, e desordem; responsabilidade com Deus
(espiritual) e com os homens (moral). Liberdade sem controle, é libertinagem,
depravação. Liberdade sem autoridade é abuso, é exeder; temos que estar debaixo da
autoridade de Deus e sua Palavra. Toda liberdade sem limite torna-se em prisão; sexo
sem limite é uma permissividade, uma desgraça.

O melhor exemplo de liberdade que temos aqui é a roda do carro que só esta livre
enquanto estiver presa no eixo; ou podemos também entender que o trem só está livre
enquanto estiver nos trilhos.

Caro leitor, o homem só está realmente livre se estiver no “eixo” da Palavra de Deus.
Ainda que chegues a inclinar para a carne ou se já estás inclinado, não permaneça
nessa posição, volte-se para Deus. Inclinação para a carne é morte, mas inclinação
para o Espírito é vida e paz.

O apóstolo aos Romanos 8:2 diz:


“A lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte”.
À lei era impossível obter a justiça que ela exigia, mas essa justiça se consegue no
crente, não pela exigência de um código, mas pelo domínio do Espírito sobre todos os
desejos da sua alma.

A Bíblia de Estudo Pentecostal trás o seguinte:

1- “Viver segundo a carne” (carne, aqui, é o elemento pecaminoso da natureza humana)


é desejar e satisfazer os desejos corrompidos da natureza humana pecaminoso; ter
prazer e ocupar-se com eles. Trata-se não somente de fornicação, do adultério, do ódio,
da ambição egoísta, de crises de raiva, etc... (Gl 5:19-21), mas também as
obscenidades, de ser viciado em pornografia e em drogas, do prazer mental e
emocional em cenas de sexo, em peças teatrais, livros, vídeo, cinema e assim por
diante.

2 - Viver “segundo o Espírito”, é buscar a orientação e a capacidade do Espírito Santo


e submeter-nos a elas e concentrar nossa atenção nas coisas de Deus. É estar
sempre consciente de que estamos na presença de Deus, e nEle confiarmos para
que nos assista e nos conceda a graça de que carecemos para que a sua vontade se
realize em nós e através de nós.

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 29


3 – É impossível obedecer a carne e ao Espírito ao mesmo tempo(Gl 5:17-18). Se
alguém deixa de resistir, pelo poder do Espírito Santo, a seus desejos pecaminosos
e, pelo contrário, passa a viver segundo a carne, torna-se inimigo de Deus (Rm 8:13;
Tg 4:4) e a morte espiritual e eterna o aguarda Rm(8:13). Aqueles cujo amor e
solicitude estão prioritariamente fixados nas coisas de Deus, podem esperar a vida
eterna e a comunhão com Ele (Rm 8:10,11,15,16).”

Caro leitor, o mais importante para Deus é estarmos andando, diariamente, dentro da
sua vontade, guiados pelo Espírito, porque assim poderemos entregar e confiar o
nosso futuro e cada decisão da vida em suas mãos. E Ele cuidará de tudo, “Entrega
teu caminho ao Senhor, confia nele e ele tudo fará”, Sl 37:5. Caminho é tudo aquilo
que você era, que é, e que será; tudo aquilo que você tinha, tem e terá; tudo isso tem
que ser entregue a ele, sob seu domínio e ele tudo fará.
Diante disso, não procure a vontade de Deus, mas pratique-a.

O apóstolo Paulo declara que:

“Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esse são filhos de Deus”, Rm 8:14.

Esse versículo não está dizendo que os filhos de Deus são guiados pelo Espírito. Diz
sim, em ordem invertida, que aqueles que são guiados pelo Espírito, são filhos de
Deus. Isso significa que um crente, se não está sendo guiado pelo Espírito de Deus,
talvez nem seja um filho de Deus.
Como Deus nos guia? Se obedecemos às condições impostas por Ele, isto é, se
somos sacrifícios vivos, se não estamos fazendo as coisas da maneira que o mundo
faz e se as nossa mentes estão sendo transformadas, Deus vai nos guiar. Todavia,
isso não acontece num piscar de olhos. Deus usa de muitas maneiras para confirmar
Seu guiar. Por isso, é perigoso chegar para alguém e afirmar-lhe que o Espírito de
Deus o dirigiu para dizer-lhe algo. Muitas pessoas usam expressões como estas
para manipular os outros e até mesmo o Espírito. Então, temos que tomar muito
cuidado quando dissermos que o Espírito Santo nos está dirigindo. Talvez até
estejamos certos, mas não podemos colocar a questão diante dos outros sem deixá-
los verificar se o que estamos falando procede de Deus.

Fazer a vontade de Deus, mesmo que pareça doloroso, nos traz muita alegria. “A
inclinação do Espírito é vida e paz”. O nosso maior desejo deve ser o de agradar a
Jesus em nossas vidas. Isto envolve sofrimento, significa carregar a cruz diariamente
e “morrer” para nós mesmos. Deus quer que estejamos totalmente sob seu controle,
para que Ele possa nos guiar.

Muitos cristãos estão vivendo como carrinho de supermercado. Quando vamos ao


supermercado, pegamos um carrinho difícil de conduzir, empurramo-lo para um lado
e ele vai para o outro. Ao terminar as compras, estamos completamente exaustos.
Muitos cristãos são assim, dizendo: “Guia-me Senhor!” Mas eles já
escolheram a direção a tomar. Deus quer que deixemos a escolha com ele, nos
estudos, no trabalho, no namoro, no casamento, na vida profissional, no ministério,
etc...
Outras vezes, no supermercado, pegamos um carrinho bom, que, não obstante, foi
ma engraxado. Vai para onde empurramos, mas sempre persiste em fazer um
barulho horrível. Isso acontece com muitos crentes que aceitam fazer a vontade de

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 30


Deus, mas vão reclamando o tempo todo. Então Deus tem que encostar essas
pessoas e encontrar outras que estejam, verdadeiramente, dispostas a obedecer-lhe.

Muitas pessoas estão procurando saber a vontade de Deus, na esperança de que


lhes será revelada alguma coisa nova; mas o que Deus quer é santidade, (inclinação
do Espírito), um coração puro, que não anda de conformidade com este mundo.
Existem inúmeras pessoas que estão ansiosas para descobrir a vontade de Deus,
mas suas vidas estão caóticas, no aspecto moral. O Cristão não precisa andar de um
lado para o outro, com face triste, porque pecou em sua vida pregressa. O precioso
sangue de Jesus foi derramado para nos purificar de todos os pecados, 1Jo 1:7. Ao
procurar-mos discernir a direção que Deus nos dá, devemos fazer um julgamento
objetivo daquilo que ele tem para nós e descobrir o passo mais lógico a tomar.

A direção de Deus é real quando vivemos, diariamente, sob seu controle.


A direção de Deus sempre estará presente a nós, se vivermos, diariamente, sob
seu controle total.

Inclinação do Espírito é justamente o ato de estarmos voltados (pendendo)


sempre para o espiritual; para Deus, para sua Palavra.

Ao nos inclinarmos para Deus, automaticamente estamos dando morte


(mortificando) os desejos da carnais.
Sirvamos assim, “inclinando-nos” para Deus.

Nunca se esqueça: “A moinha de Deus moe devagar, mas moe fino”.

Sempre lembrando que moer significa: v. 1. Tr. dir. Pisar, triturar, reduzir a pó. 2. Tr.
dir. Extrair, por meio de prensa, o suco de...

A santificação é um processo lento, mas lhe dá o céu.

Para qual lado estás INCLINANDO?

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 31


O QUE DEVEMOS MORTIFICAR
CAPÍTULO VI

É muito importante falarmos sobre isso pois o neo-convertido, o cristão precisa


saber que há agora duas forças dentro dele que lutam constantemente uma com a
outra.

Gl 5:17 – NVI “Pois a carne deseja (têm aspirações) o que é contrário ao Espírito; e o
Espírito, que e contrário a carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês
não fazem o que desejam”.

Essas forças, carne e Espírito lutam constantemente uma com a outra, afim de
ganharem o domínio sobre ele (o crente) ; os seus desejos nunca estão livres das
pressões dessas forças. Já vimos aos Romanos 7:13-25, que a natureza pecaminosa
(concupiscência da carne) deseja sempre coisas erradas. Por isso, queremos fazer as
coisas ruins que são justamente o oposto das coisas que o Espírito Santo nos manda
fazer.
A luta é essa: A carne contra o Espírito e o Espírito contra a carne. O vencedor
dessa luta deve ser, naturalmente, o Espírito. Paulo diz :

“Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne”, Gl
5:16-NVI. Na versão da Bíblia de Jerusalém lemos assim:
“Ora, eu vos digo, conduzi-vos pelo Espírito e não satisfareis os desejos da carne” .

Vemos que conduzido pelo Espírito o cristão vive espontaneamente segundo o


Espírito e se afasta das obras para as quais o levam os desejos da carne.

O que devemos mortificar?

O cristão deve “colaborar” com o Espírito Santo no sentido de “destronar” o pecado;


não permitir que o pecado continue, ou volte a reinar em sua vida. Quando o cristão
segue as suas próprias inclinações, sua vida produz mas resultados, mostrando o que
ele é por natureza; mas, quando o cristão segue, se conduz pelo Espírito, então está
voltado para o alvo principal que é a medida da estatura de Cristo.

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 32


Não falamos de perfeição absoluta, isso seria isenção do pecado, mas, que Deus
pelo Espírito nos dá condições para subjugar a carne e sairmos sempre vitoriosos.
Sem acrescentar-mos alguma coisa de difícil interpretação, tomaremos apenas
aquilo que nos deparamos diariamente. Temos um inimigo que convive 24 horas
conosco, a carne, com seus desejos e aspirações.

Dizem que a maioria das pessoas fazem o certo só porque o certo é mais fácil
fazer, o dia em que o certo tornar-se difícil então elas fazem o errado. Falando sobre o
que devemos mortificar, vamos nos deter em uma palavra que conhecemos bem de
perto. Já ouviu esta palavra quantas vezes? Sabe qual é? VÍCIO.

O que é?
VÍCIO:
s. m. 1. Defeito que torna uma coisa ou um ato impróprios para o fim a que se
destinam. 2. Tendência habitual para o mal. 3. Hábito de proceder mal. 4. Costume
condenável ou censurável. 5. Desmoralização, libertinagem. 6. Dir. Defeito capaz de
invalidar um ato jurídico.

VICIOSO:
(ô), adj. 1. Que tem, ou em que há vícios. 2. Corrupto, depravado. 3. Oposto a certos
preceitos ou regras.

Na bíblia encontramos esta palavra apenas em algumas traduções como na Revista


e Corrigida, e apenas em Daniel 6:4, quando foram buscar ocasião para difamarem
Daniel perante o rei; assim lemos:
” Então, os príncipes e os presidentes procuravam achar ocasião contra Daniel a respeito do
reino; mas não podiam achar ocasião ou culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava
nele nenhum vício nem culpa”.

Em outras traduções lemos em lugar de vício, erro. Temos então que em Daniel
não encontraram nenhuma tendência para o mal. Em suma vícios são hábitos
perniciosos, tendências negativas, elas estão enraizadas em nossa e em nosso corpo
devido ao pecado e que são difíceis de “deixar”.
Tendo sua origem no pecado (levados a tudo imitar); encontrando apoio em falsos
conceitos de educação, de sociabilidade, pelos quais se estabelecem modelos,
padrões. Levados a tudo imitar, iniciamo-nos nos vícios pela imitação, esta suscitada
pelo temor de ser diferente.
Massificados pela educação tradicional, apavoramo-nos ante a possibilidade de
marginalização. Ser diferente dos que fumam, dos que bebem, dos que jogam,
significa estar psicologicamente só, e disto temos medo, Ap 21:8.
Queremos estar em segurança, e os vícios, como os conceitos generalizados, por
serem de “todo mundo”, conferem essa segurança. Mas tudo é instável. A duração é
relativa, nunca absoluta. Tudo nasce, tudo morre. Tudo tem um instante de esplendor
e depois fenece, 1Jo 2:15-17.
Quando nos tornamos fundamente cônscios dessa instabilidade, então buscamos a
verdadeira segurança, JESUS CRISTO, e já não precisamos estabelecer valores fixos,
já não necessitamos buscar segurança através dos vícios, Sl 46:1.

O que devemos mortificar?


Há uma série de coisas que fazemos, e de outras que não fazemos, as vezes com
agrado, não raro com desgosto. Outros fazem, sem saber o que faz.

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 33


Durante um largo espaço de tempo fazemos determinada coisa, de tal forma que se
torna um hábito. Derrepente esse hábito começa a prejudicar-nos e então queremos
deixá-lo. Então percebemos que tornou um vício. Enquanto foi agradável nós o
defendia-mos, ao tornar-se danoso passamos a condená-lo e queremos erradicá-lo de
nós mesmos, mas ele se tornou ou enraizou-se em nosso ser, daí a dificuldade.
São hábitos os vícios inumeráveis que temos desenvolvido, uns comuns e manifestos
a vista de toda gente: Fumo, álcool, jogo. Outros mais complicados que escondemos
porque tememos repressão: Toxicomania, furto. Ou porque nos desgosta a repressão
social, familiar, moral e religiosa.

Somos gulosos, avarentos, lascivos, irosos, cobiçosos dos bens alheios, invejosos,
preguiçosos, egoístas, maledicentes, mentirosos, soberbos. Esses vícios são ocultos.
Nem tanto, procuramos disfarçá-los ao máximo, para que não se tornem muito
evidentes.

GULA:
Damos o nome de necessidade proteínica, ou talvez, menos cientificamente,
desculpamo-la com os imperativos sociais (num banquete, num jantar, num almoço
“temos” de comer e beber) ou com os chamados “Prazeres da mesa”, sem os quais,
dizemos, a vida não tem beleza, ou a tem muito pouca. Para a maioria, viver é gozar;
e, entre outras coisas, gozar é comer. Admiramos os gastrônomos, homens em geral
muito gordos que comem até sacos de batatas, quilos de macarrão, vários frangos,
metade de um boi, tudo regado com muitos litros de vinho ou barris de chope. (Pv
23:20; 28:7; Lc 21:34). Nossa admiração deriva do que em psicologia se chama
empatia (s. f. Psicol. Tendência para sentir o que sentiria outra pessoa caso se
estivesse na situação experimentada por ela). Identificamo-nos com aquilo que
aprovamos.

AVAREZA:

Chamamos “previdência”, senso de economia. A previdência, a economia, decorrem


da sensatez. (Cl 3:5; 1Co 6:10).
O homem inteligente vive de acordo com suas reais probalidades, não cria
necessidades artificiais, depende pouco ou quase nada do chamado supérfluo, (Hb
13:5; Pv 11:24; 21:13; Ec 5:13). É provável que tenha uma conta bancária, para
facilitar suas transações monetárias, e até alguma poupança para prover
eventualidades. Desfruta do conforto que lhe proporciona a moderna tecnologia,
usufrui dos benefícios da legislação trabalhista. Tem casa, automóvel, boas roupas.
Vive bem e estende esse bem viver à sua família. Porém nunca se angustia por causa
do dinheiro. Não o ama, a ponto de não o querer gastar, (1Tm 6:10). Não sofre
privações, nem permite que os seus as sofram, com a desculpa de que é preciso ser
previdente.
É preciso saber mortificar a avareza em todos os seus aspectos.
Reter ofertas, Ne 13:10; At 5:1-2; Lc 12:15; Ec 5:10.

O dinheiro é o termômetro que mede nosso amor.

LASCÍVIA:

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 34


Chamamos necessidade fisiológica. Na sociedade em que vivemos, o homem tem
maior liberdade sexual, e sua felicidade quase sempre está na razão direta do
tamanho dessa liberdade.

Significa: Sensualidade, seguir os desejos e as más paixões até o ponto de não ter
vergonha, nem decência alguma, 11Co 12:21.

O homem se incha de alegria quando lê nos tratados de cardiologia que a


freqüência de relações sexuais favorece a sístole (s. f. Med. Período da contração do
coração ou a própria contração) e a diástole (s. f. 1 Med. Movimento de dilatação do
coração e das artérias, quando o sangue penetra em sua cavidade), faz bem ao
coração. E mais se incha quando os
biólogos e antropólogos afirmam a sua natureza poligâmica. O homem dizem esse
cientistas que em geral também são homens, tem a capacidade de gerar trezentos
filhos por ano, desde que disponha de fêmeas suficientes; sendo assim homens e
mulheres cada um com suas desculpas, intensificam as aberrações sexuais,
propagando a libertinagem, redobrando a concupiscência, a devassidão (por a
descoberto), 1Co 6:9-11.
IRA:
Quase sempre se mascara com senso de justiça. Significa: Raiva explosiva
que se inflama e se converte em palavras ou ações violentas; Ef 4:26-27; Pv 16:32;
19:11.
Usa-se uma frase contraditória sem saber seu verdadeiro significado, “Ira santa ou
cólera santa”. Encolerizamos porque amamos a justiça, o certo, o adequado, o puro, o
perfeito e então iramo-nos diante do errado, do inadequado, do impuro...
Até vivemos a procura de um grupo perfeito ou religião perfeita, porque com nossa
ira não aceitamos nada; nesse caso somos juizes de tudo, menos de nós mesmos.
- Não tolero pecado dos outros, mas não a mínima para os meus. Isso é falta de
amor a Deus e ao próximo.
- Agressividade na educação dos filhos, em palavras ou ações, Pv 14:17; Ec 7:9.
Mortificar a ira significa dar morte ao impulso violento.

COBIÇA:
Cobiça dos bens alheios deriva da nossa concupiscência e é o fruto mais visível da
nossa inveja, Jó 5:2; Êx 20:17; Hc2:9.
Temo-la muito forte desde pequeninos, quando nos ensinaram a comparar e
a imitar. Toda a nossa pseudo-educação baseia-se na comparação, na competição, na
emulação
(s. f. 1. Sentimento que incita a imitar ou a exceder outrem. 2. Estímulo. 3. Rivalidade.),
consequentemente, na inveja. A inveja aborrece a excelência a qual não pode
alcançar.

Não há dúvida de que às vezes a inveja dá seus frutos. Dela possuído, pode o homem
insuflar em si mesmo uma grande força e transformá-la em fruto de sucesso. Mas é
um fruto podre, e a podridão é irreversível. Desenvolvida a inveja, ela dela própria se
alimenta, donde a sua insaciabilidade. Sempre existe alguém à nossa frente, segundo
os parâmetros sociais. Sempre alguém mais rico, mais glorioso, mais inteligente, mais
sábio, e o suplício do invejoso é lutar por alcançar o que lhe vai à dianteira, e a sua
desgraça é o não consegui-lo nunca, Gn 4:6-7.
Podes entender porque é necessário mortificar o sentimento de inveja?

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 35


PREGUIÇA:
Disfarçamos com a necessidade de repouso, quando não com esperteza, a que
chamamos “inteligência”. Os inteligentes dizemos, descansam, ou se cansam pouco,
enquanto os tolos trabalham sem cessar. De tal maneira se tem ojeriza pelo trabalho,
que o relógio, pelo sempre trabalhar, na gíria se chama “bobo”. Há uma frase por ai
corrente, que nos agrada muito ao coração de preguiçosos: “os que muito trabalham
não tem tempo de ganhar dinheiro”. Gostamos dela porque justifica a indolência e a
esperteza com a qual nos queremos identificar. Dá a entender que pelo trabalho só se
ganha o irrisório; é pela esperteza que se fica bem. “Ficar bem” é a expressão mais
ou menos sinônima de enriquecer.
Da esperteza do esperto podemos dizer o mesmo da inveja do invejoso. É um fruto
podre, que o dinheiro, sem a companhia do discernimento, filho da cultura, não dá
felicidade a ninguém.
Damos aqui passagens bíblicas que podem ajudá-lo a entender melhor como e o
porquê devemos mortificar a preguiça, Pv 13:4; 15:19; 20:4; 21:25; 26:13-16; 24:30-31;
Ec 10:18; 11Ts 3:11.

EGOÍSMO:
Egocentrismo, o girar em torno de si mesmo, tudo referir ao próprio eu. Não raro o
justificamos com a necessidade de se gostar de si mesmo, de dar valor a própria
individualidade, de reconhecer o próprio valor.
Na verdade temos de gostar de nós mesmos, aceitar com naturalidade a nossa
própria vida com tudo o que a consubstancia.

O amor de si mesmo é um poderoso incentivo, uma inigualável motivação para que


nos tornemos melhores através da auto-educação, e da auto-transformação moral.
Justamente porque gosto de mim, quero dar-me o que é melhor. Trato bem o meu
corpo, não o intoxico, não o canso exageradamente, não o levo a sofrer em noitadas.
Alimento-o criteriosamente, banho-o, levo-o ao repouso, atendo-lhe as necessidades e
dele me sirvo para trabalhar e progredir. É um veículo respeitável sob todos os
aspectos, que me foi dado por empréstimo e ao qual darei contas daquilo que fiz por
meio dele, 11Co 5:10 – NVI
“Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba
de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más”.

Mas quanta distância entre gostar de si e o egoísmo! O egoísmo é também o amor


de si mesmo, mas em detrimento dos outros, com prejuízo do próximo: “Venha a nós e
o resto que se dane”; torcendo o que nosso Mestre disse em Mateus 6:39 quando
ensinava orar. A solidão mais funda, esta a destinação do egoísta. Não o sereno
“estar só” do homem que se desenvolveu mentalmente e por isso quebrou suas
cadeias de dependência; mas a solidão física, em que se anseia por ajuda, em que se
clama por companhia, carinho, compreensão, ternura, amor, mas em vão se clama,
porque só temos o que damos, o que damos do tesouro do nosso coração. Assim
lemos em Romanos 12:16 – NVI:

“Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não estejam orgulhosos, mas
estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios a seus
próprios olhos”.

MALEDICÊNCIA:
O ato de falar mal.

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Disfarçamos com a designação de interesse pelos outros, de complacência, de
compaixão, de compadecimento, de pena, de dó, de misericórdia. Nossa comum
predileção por dramalhões, novelas lacrimosas, notícias de desgraças como
brigas, separações, assassínios passionais, bancarrotas (s. f. Falência comercial;
quebra. 2. Estado de insolvência), prende-se à nossa maledicência.
Queremos saber da vida alheia, ainda que fictícia, e ao saber dela damos trato à
língua viperina. Viperina, mas untada de mel. Você viu? Coitado!”, e desandamos a
falação. O real interesse pelos outros caracteriza-se justamente pela caridade, que é
discreta, sigilosa, amiga de ajudar desinteressadamente. Na caridade há autêntica
complacência, indisfarçável compaixão, pena e dó que levam ao compadecimento
legítimo. No amor não há maledicência.
Porquê não dizer, mortificar a língua?

MENTIRA:
Disfarçamos com a verdade, da mesma forma que revestimos o mal com o bem. O
mais vil dos assassinos fala em justiça. Não diz que mata porque lhe apraz, mas por
que é justiceiro. Assim o mentiroso, que à força de mentir chega a crer, ele próprio, no
que diz. Mentimos racionalizando, justificando, não porque amemos a verdade, mas
porque tememos a mentira, queremo-la oculta, quando menos, disfarçada.

Alegra-se nosso coração de mentiroso com expressões do tipo “mentira piedosa”,


“é preciso dourar a pílula”. Na prática desse tipo de piedade descambamos para a
calúnia, a intriga, o enredo; incrementamos desavenças, propiciamos separações;
mediante a insinuação sutil, a carta anônima, o telefonema anônimo, a delação,
arruinamos carreiras, intensificamos o desespero, a aflição, a angustia.
Lemos em Efésios 4:25 – NVI:
“Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo,
pois todos somos membros de um mesmo corpo”. Isso, lógicamente, falando da família,
dos salvos.

Em Provérbios 12:19, lemos:


“O lábio de verdade ficará para sempre, mas a língua mentirosa dura só um momento”.

Amigo leitor, não é a língua um instrumento a ser mortificado a cada instante?

ORGULHO:
A soberba anda por aí oculta sob vários nomes: honra, amor-próprio, vergonha,
pundonor ( s. m. Sentimento de dignidade; brio, decoro. 2. Zelo da própria reputação),
não raro, até modéstia, humildade. O orgulho, como a vaidade, é uma hipertrofia
(Desenvolvimento excessivo de um órgão ou parte dele, devido ao aumento do
tamanho de suas células. 2. Desenvolvimento excessivo.) do próprio eu, o egoísmo
elevado ao cubo. Gera a cólera, a agressividade, a violência, nas várias formas de
revide.

Em Gálatas 5:26 –NVI lemos:


“Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros”.

O orgulho em toda parte se infiltra, tudo contamina, tudo destrói. Reveste-se de


dignidade, de religiosidade. Aninha-se no coração do nababo (Indivíduo muito rico;
aquele que vive na opulência e no fausto), tanto quanto no do religioso. Atravessa
gerações, passa de pai para filho e desde a neto. Ricos e pobres, sábios e ignorantes

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lhe dão guarida. Vemo-lo na saúde e na doença, na ufania do atleta, na lamentação do
leproso.
Reveste aspectos multiformes: a crueldade que espezinha e aniquila, a ingratidão
que dissemina o desânimo, a descrença, a decepção.
Quando sustado por forças que se lhe opõem, refugia-se na ociosidade dourada,
na dignidade ferida, no melindrado amor próprio, na afetação de modéstia e singeleza.

O apóstolo Paulo diz:

“Pois não é provado quem a si mesmo recomenda, mas a quem a quem o Senhor
recomenda”, 11Co 10:18.

Em Provérbios temos:

“A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito abterá honra”, Pv 29:23.

Enfim, justificamos os vícios mais grosseiros, enquanto não nos levam à cama de
enfermo ou manicômio, ou à uma vida de verdadeira inércia espiritual; nunca
crescemos.

Para combater ou mortificar (dar morte) a todas essas coisas que estão
impregnadas em nossa natureza pecaminosa é bom, sempre, estarmos observando o
que esta registrado em Filipenses 4:8 - NVI
“Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for
correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver
algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas”.

Querido amigo, quando temos a certeza a “quem” devemos agradar, então


passamos a entender “como” devemos agradar.

Vivamos em retidão, mortificando as obras do corpo na ajuda do Espírito Santo,


agradando a Deus em tudo, em santificação, e honra perante aquele que vive e reina
por todo o sempre; e perante aos que nos cercam vivamos uma vida sóbria e justa,
mostrando a quem servimos.

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JESUS O SENHOR
CAPITULO VII
A maior parte dos cristãos reconhecem que Deus está em todo lugar, menos em
seus corações.

Paulo escrevendo aos Romanos no capítulo seis e versículos de 17 a 22 assim diz:


“Mas, graças a Deus, porque, embora vocês tenham sido escravos do pecado, passaram a
obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida. Vocês foram libertados do
pecado e tornaram-se escravos da justiça. Falo isso em termos humanos por causa das suas
limitações humanas (fraqueza da sua carne). Assim como vocês ofereceram os membros dos
seus corpos em escravidão à impureza e à maldade que leva a maldade, ofereçam-nos agora
em escravidão a justiça que leva a santidade. Quando vocês eram escravos do pecado,
estavam livres da justiça. Que fruto colheram então das coisas das quais agora se
envergonham? O fim delas é a morte! Mas agora que vocês foram libertados do pecado e se
tornaram escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna ”
- NVI.

Para os gregos ser um servo ou um escravo era algo repulsivo. Para eles a
liberdade constituía o direito mais cobiçado, e um de seus objetivos na vida era não
depender de outros, e viver segundo a sua própria vontade. A posição de servo
significa abdicar dessa liberdade. A escravidão era um sinônimo de sujeição a
vontade de outrem. Para o helenista (Pessoa versada na língua e antigüidade
gregas), convicto de que o homem tinha obrigação moral de desenvolver seus
potenciais, submeter-se ao serviço de outros representava um conceito não só
estranho como também desprezível.
O ensino de Paulo nas epístolas contraria diretamente este aspecto do pensamento
grego. Ele mostra aos que se orgulham de sua “liberdade” que são de fato escravos
do pecado. O desejo obsessivo dos gregos de viverem apenas em razão de suas
inclinações e com seus próprios recursos, é mostrado como loucura em virtude do
poder do pecado sobre a humanidade. Paulo desmascara tais ilusões e revela a
necessidade, tanto do judeu como do grego, de obterem redenção do senhor oculto do
ser humano, o pecado.
Segundo Paulo, porém, a redenção (o termo grego significa “compra feita no
mercado”) não indica libertação para gozar da espécie de liberdade idealizada pelos
gregos. A redenção envolve o pagamento de um preço para que o homem não seja
mais escravo do pecado, mas que se torne um escravo da justiça. Na passagem
bíblica acima temos uma explicação cuidadosa sobre esse conceito.

Do ponto de vista teológico, é sempre verdade que a escravidão a Deus é a única


liberdade real e aberta à humanidade. Apenas pela submissão a Deus poderemos
experimentar todo o bem que Ele deseja para nós.

Jesus sendo Senhor de tudo assumiu a posição de servo para dar-nos o exemplo.
Os discípulos jamais se sentiram à vontade com a abordagem “servil” à vida, feita por
Jesus. Eles sabiam quem Ele era, o Filho de Deus, e quando escolheu tomar uma
posição de servo entre eles, sentiram-se embaraçados. Este embaraço salientou-se

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através de um ato de Jesus durante a Última Ceia. O que Jesus fez foi um ato tanto
simbólico como didático. Seus atos simbolizaram vividamente toda sua abordagem ao
ministério. Ao mesmo tempo, eles ensinaram aos discípulos que deveriam adotar essa
mesma atitude em suas relações mútuas.
Assim lemos em João 13:3-17 – NVI:

“Jesus sabia que o Pai havia colocado todas as coisas debaixo do seu poder, e que viera
de Deus e estava voltando para Deus; assim, levantou-se da mesa, tirou sua capa e colocou
uma toalha em volta da cintura. Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar
os pés dos seus discípulos, enxugando-os com a tolha que estava em volta da sua cintura.
Chegou-se a Simão Pedro, que lhe disse: “Senhor, vais lavar os meus pés?”
Respondeu Jesus: “Você não compreende agora o que estou lhe fazendo, mais tarde,
porém, entenderá”.
Disse Pedro: “Não, nunca lavarás os meus pés”.
Jesus respondeu: “Se eu não os lavar, você não têm parte comigo”.
Respondeu Simão Pedro: “Então, Senhor, não apenas os meus pés, mas também as
minhas mãos e a minha cabeça”.
Respondeu Jesus: ”Quem já se banhou precisa apenas lavar os pés; todo o seu corpo
está limpo. Vocês estão limpos, mas nem todos”. Pois, ele sabia quem iria traí-lo e por isso
disse que nem todos estavam limpos.
Quando terminou de lavar-lhes ao pés, Jesus tornou a vestir sua capa e voltou ao seu
lugar. Então lhes perguntou: “Vocês entendem o que lhes fiz? Vocês me chamam ‘Mestre’ e
‘Senhor’, e com razão, pois eu o sou. Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês,
lavei-lhes os pés, vocês devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que
vocês façam como lhes fiz. Digo-lhes verdadeiramente nenhum escravo é maior do que o seu
senhor, como também nenhum mensageiro (grego: apóstolo) é maior do que aquele que o
enviou. Agora que vocês sabem estas coisas, serão bem-aventurados se as praticarem”.

Note o processo:

a) Jesus tinha perfeito conhecimento de sua identidade como Deus.

b)Todavia, Jesus deliberadamente assumiu um papel reservado para o mais


humilde dos servos domésticos (a não ser que o próprio dono da casa desejasse
honrar um visitante de categoria superior à sua, lavando ele mesmo os pés da
pessoa).

c) Pedro ficou particularmente perturbado por essa inversão de posições em que o


superior lavava os pés do inferior.

d) Jesus explicou seu ato como um exemplo. Ele é superior: Mestre e Senhor. Se
Ele está disposto a assumir o papel de servo, eles certamente deveriam aceitar a
mesma posição em suas relações uns com os outros.

A Encarnação é, então, mais do que a entrada de Deus na história humana. Ela


representa a sua vida em forma humana para servir. A encarnação envolve o
esvaziamento do “eu” onde lemos em Filipenses 2: “A si mesmo se esvaziou”, no
sentido de que os interesses e direitos de Jesus foram ignorados em benefício de
outros. Por isso que na mesma passagem Paulo mostra que “Deus o exaltou
soberanamente ..”

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Reconhecer a Jesus como Senhor implica em servi-lo.
Senhor (grego kyrios) significa aquele que tem poder, domínio, autoridade e o
direito de mandar. Você está disposto a aceitar ordens? Está disposto a acatar
ordens? A Bíblia diz: “Sujeitai-vos a Deus”. Será possível Deus exercer poder sobre
o seu intelecto, seu espírito, seu corpo?
Há um hino que diz: “É fácil fazer-te senhor do céu, das montanhas, dos mares,
da terra; mas é difícil fazer-te senhor de mim”.
Segundo historiadores, diz-se que nos tempos de César em Roma, muitos
cristãos sofriam prisões, açoites e até morte por não negarem o senhorio de Cristo.
Quando encontrava-se com um cidadão romano ele dizia: “César é senhor”. No que
o outro respondia: “Sim, o senhor é César”.
Com os cristãos era diferente. Um romano dizia: “César é senhor”. O cristão
replicava: “Não, Jesus é Senhor”. Parece-nos simples, mas quantos cristãos hoje
têm vergonha de dizer e fazer coisas que o diferencia dos outros, medo de mostrar
ao mundo que seu modo de viver mostra um Senhor em sua vida, e este é Jesus?

Em mortificação, trazemos esse senhorio de Cristo para nossa vida de


santidade. Agora é Ele quem comanda toda a nossa vida debaixo de sua
autoridade. A expressão maior na bíblia é que Jesus morreu para ser Senhor.

A expressão “salvação da alma” tantas vezes usada na teologia por incrível que
pareça, aparece pouca vezes na bíblia. Jesus Cristo é especificamente chamado
‘Salvador’ apenas 16 vezes no Novo Testamento, e ‘Senhor’ mais de 450 vezes;
daí temos um campo vasto onde aprendemos que as religiões estão sempre
mostrando um Jesus servo, sempre disposto a aceitar nossas ordens, e ensinam ao
povo com as famosas palavras “chavões” como: “Determine tua benção ‘agora’”,
“Ele têm que dar pois você é filho dele”, “não aceite sofrer”, e muitos sem saberem
o verdadeiro significado da palavra determinar, quais crianças mimadas (eu quero,
eu quero, eu quero) estão sempre “mandando” Deus fazer o que eles imaginam em
seus corações, logo, Deus passa a ser usado como servo, um escravo sempre
pronto a obedecer nossa voz de mando. Já não há orações, rogos ou súplicas, mas,
“me dá, senão..!”

Agora com licença, de onde tiraram tal ensinamento?

Na bíblia? Duvido.

Na Bíblia de Estudo Pentecostal na página 1718 tem uma anotação muito rica e
parte dela diz: “Quando os crentes do Novo Testamento chamavam Jesus de
“Senhor”, não se tratava de mera profissão de fé, ou uma simples repetição, mas de
uma atitude sincera e interna do coração (cf. 1Pe 3:15), pela qual colocavam Cristo
como único e supremo Senhor sobre a totalidade das suas vidas (Lc 6:46-49: Jo
15:14). Jesus precisa ser aceito como Senhor dos assuntos espirituais, no lar e na
igreja, bem como em todas as áreas da vida, inclusive a intelectual, a financeira, a
educacional, a recreativa, a vocacional, etc. (Rm 12:1-2; 1Co 10:31).”

Para muitos, Deus é “obrigado” a dar-lhes tudo sem direito de reclamar; dão as
suas “cabeçadas” e ai de Deus se ele não consertar.
Desde o Velho Testamento o povo hebreu já era ensinado a servir à Deus:
“E servireis ao Senhor, vosso Deus, e ele abençoará o vosso pão e a vossa água; e eu
tirará do vosso meio as enfermidades”, Êx 23:25.

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Benção vinculada ao servir.
Será que todos os “evangélicos” se dão conta do que significa servir? Com sua
permissão, o dicionário com a palavra:

Servir:
v. 1. Tr. dir. Estar a serviço de; prestar serviços a. 2. Intr. Prestar serviços; ser servo
ou criado. 3. Tr. dir. e intr. Ajudar, auxiliar, ser útil, servidor, benfazejo. 4. Tr. dir. Estar
às ordens de; atender. 5. Tr. dir. Cuidar de. 6. Tr. dir. Prestar serviços militares; ser
militar. 7. Tr. ind. Desempenhar quaisquer funções. 8. Pron. Aproveitar-se de, usar,
utilizar-se de. 9. Tr. dir. Dar, fornecer, ministrar, oferecer. 10. Intr. Ser útil ou
prestável. 11. Tr. ind. Ser apto ou próprio; ter préstimo ou serventia. 12 Tr. ind. Fazer
as vezes ou o ofício de. 13. Intr. Convir, ser próprio, vir a propósito. 14. Tr. ind. Ser
causa de. 15. Tr. ind. Ajustar-se ao corpo ou a alguma parte dele.
Palavras como ser útil a Deus, prestar serviço, prestável... será que podemos
entender essas palavras com relação a Cristo o Senhor de todas as coisas?

“Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em
vocês, o qual receberam de Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram
comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de vocês.” 1Co 6:19-
20 – NVI. (grifo do autor)

Só há uma maneira de glorificar a Deus nesta terra: Deixando que Ele domine
todo nosso ser.
Há um hino na Harpa Cristã, (hinário da Igreja Evangélica Assembléia de Deus),
n.º 147 que é bom meditarmos na gloriosa letra deste hino que diz:

“Quero eu servir-Te, ó meu Rei Jesus, e contigo sempre caminhar na luz, tendo com o
povo de Deus comunhão e dos meus pecados purificação.
Sim , ó meu Senhor, quero seguir-Te, ó Deus de amor. Sempre Te servindo, e
também dando a Ti louvor.
No Teu bom serviço tenho eu prazer, nele muita graça eu vou receber, sempre falarei
assim do Teu amor, e Te glorificarei, meu Salvador.
Desça sua graça sobre mim, Senhor, para trabalhar com mais e mais fervor, dá-me
entendimento e veraz saber, para alegre eu fazer o Teu querer.
Só em Ti confio, meu Senhor e Rei; só em Ti vitória eu alcançarei. E contigo quero
sempre aqui viver, ‘té que pra’ Sião me venhas receber.”

Mortificar a vontade própria é impedir que desejos pecaminosos dominem nosso


coração a ponto de rejeitar a voz Senhor, e, invertendo, torcendo (heresia) a
Palavra colocamos ou pelo menos pensamos que colocamos Deus sob nosso
comando, fazendo com que seja apenas como um relógio, somente lembramos
quando necessitamos de ver a hora, mas depois esquecemos que existe (não
sentimos mais) um relógio em nosso pulso, você se esquece mas ele está ali,
pronto para ser usado.

Mas não brinque com Deus, você se esquece, mas Ele não, Ele não é relógio ou
remédio de prateleira, que se usa apenas quando necessita; Ele é Jesus, é Deus, é
Senhor, é Ele, Ele, Ele, você pode entender isso?

Entenda quanto antes melhor, entenda agora e permita que Ele seja Senhor em
toda sua vida, sua maneira de viver.

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O pecado, aquele senhor cruel, que trazia como salário a morte, agora precisa
ser destronado (destronar: v. tr. dir. 1 Destituir da soberania; destronizar. 2 Perder o
trono. Sin.: destronizar.), lançado por terra, Paulo diz: “Não permita que o pecado
reine”, essa é sua parte, não permita, o Espírito te fortalece e ajuda, animando-te
a ir avante; santificação não é utopia, é realidade e está bem perto de você, basta
apenas aceitar a Jesus como Senhor de sua vida, dos desejos da sua alma. A
alma que se satisfaz usando as portas do corpo físico como meio ou veículo de
prazer.

Por favor não estou falando aqui para que tu sejas um eremita (pessoa que
evita a convivência social, ou que, por penitência, vive solitária no deserto ou
no ermo.), mas falo de mortificar, dar morte a esses desejos terríveis que
estão impregnados na alma nos impedindo e nos distanciando de Deus, nos
fazendo rejeitar seu senhorio, seu domínio sobre nossas vidas.

Amigo leitor, como seria se todos procurassem a Jesus ansiosos para servi-lo?
Mas infelizmente, muitos já o buscam com uma lista enorme daquilo que com desejo
egoísta preparam. Eles desejam e “determinam” para que ele faça; assim o inimigo de
nossas almas sempre vai vencendo e alcançando seu objetivo: Dominar por meio do
pecado, molhado com “mel” para não parecer de “cara” que é puro “fel”.

Porém é hora de dar um basta na sujeira dos desejos pecaminosos, e buscar uma
vida de santificação, de consagração.

Permita que Jesus seja Senhor de sua vida. Faça isso agora.
Foi para isso que Ele morreu:

PARA SER SENHOR.

3 ESCOLHAS:
Uma é a do reino das selvas, onde a lei da sobrevivência é soberana e o instinto é
o rei; outra a do mundo, onde a lei da adaptação (conformidade) é soberana, e a lei
moral monitora; e a terceira é oferecida pelo reino de Deus, onde a lei de adoção
como filhos é o motivo, e o Espírito Santo é o Guia. O voto pela selva é uma elégia
fúnebre; o voto pelo mundo, um grito de batalha; o voto pelo reino é um grito de
triunfo.

Bendito Reino. Bendito Senhor, amém.

COMO CHEGAR A SER


HOMEM ESPIRITUAL?

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 43


CAPITULO VIII

Ainda que a palavra espiritual se encontre somente uma vez no Antigo Testamento,
se encontra 30 vezes no Novo Testamento e está vitalmente ligada com o Espirito na
vida do crente.

O HOMEM ESPIRITUAL:
O que é e o que tem.

A humanidade como um todo têm sido classificada pelo apóstolo Paulo em três
grupos:

Em primeiro lugar, temos o HOMEM NATURAL.

“Ora , o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe
parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”, 1Co
2:14.

Este tipo de homem está debaixo da influência da natureza humana, é erudito,


eloqüente, culto e ainda religioso, porém não foi ainda renovado pelo Espírito, portanto
é incapaz de compreender o conteúdo espiritual da Escrituras. Pode até ser educado
com toda a sabedoria do homem, ter a sabedoria deste mundo; porém, por não haver
sido regenerado, considera loucura as coisas espirituais.

Em segundo lugar temos, O HOMEM CARNAL.

“E eu, irmãos, não vos pude falar a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em
Cristo”, 1Co 3:1.

Este segundo homem constitui um melhoramento em relação ao primeiro, porque


tem o Espírito. Em certo sentido é espiritual e pode ser que tenha dons espirituais,
porém não tem graças espirituais. Anda na carne, e não no Espírito. Anda como
homem que se deixa guiar por princípios que pertencem a homens e não ao Espírito.
Devido a sua carnalidade não pode comer alimento sólido, isto é, as coisas profundas
da Palavra. Os meninos necessitam ser alimentados com comidas simples e não
podem alimentar-se por si mesmos.

Em terceiro lugar temos, o HOMEM ESPIRITUAL.

“Como a espirituais”, 1Co 3:1.

O homem espiritual é o homem do Espírito, o homem renovado; cheio do Espírito e


que está em plena comunhão com Deus. Tem um nome tão diferente “espiritual”,
devido ao que é mais proeminente em sua vida e caráter. Controlado pelo Espírito
pode compreender a sublime revelação de Deus.
Temos classificado sete marcas da carnalidade e sete marcas da espiritualidade da
seguinte maneira:

O HOMEM CARNAL:

MORTIFICAÇÃO DA CARNE – Pr. Ilton Gonçalves, ThD;D.D. 44


Carnalmente intencionado, Rm 8:5,7.
Carnalmente limitado, 1Co 3:1
Carnalmente fraco, 1Co 3:2.
Carnalmente escravizado, atado, Rm 7:14.
Carnalmente inimigo, Rm 8:7.
Carnalmente condenado, Gl 6:8.
Carnalmente desprezado, 1Co 3:3-4.

O HOMEM ESPIRITUAL:

Espiritualmente nascido, Jo 3:6.


Espiritualmente guiado, 1Co 2:11-12.
Espiritualmente intencionado, Rm 8:5-6.
Espiritualmente renovado, Ef 4:2-3.
Espiritualmente selado, Ef 1:13.
Espiritualmente cheio, Ef 5:18.
Espiritualmente livre, Rm 8:2.

Dentro dessas três classes que formam a raça humana há duas grandes mudanças
espirituais que são possíveis. Primeiro, a mudança de NATURAL para CARNAL. Isto é
possível pela intervenção divina do Espírito, quando por fé se recebe a Cristo como
Salvador pessoal. Em segundo lugar, a mudança de CARNAL para ESPIRITUAL, esta
quando há uma submissão total ao Espírito na vida e no serviço. O homem espiritual é
o ideal divino.
Ao examinar mais de perto o homem espiritual vemos que ele é:

1- UM HOMEM DO ESPÍRITO. É completamente diferente do homem não renovado,


do homem natural, que é um homem da carne, do mundo. O espiritual tem o
Espírito, enquanto que o homem natural se encontra desprovido dEle, Jd :19.

2- PERTENCE AO ESPÍRITO. Está em sujeição ao domínio do Espírito. A tão repetida


frase “no Espírito”, implica um perfeito acordo com Ele e todos os seus desejos e
obras

3- ESTÁ DOTADO COM TODOS OS ATRIBUTOS DO ESPÍRITO. Como espiritual,


está inspirado com todas as graças do Espírito. A manifestação destas graças se
medem pela obediência e a redenção do Espírito.

Então temos a pergunta: Como podemos chegar a ser homem espiritual? A


resposta temos da seguinte maneira:
Creia que é possível, compreenda que é necessário, coloca-te a disposição
(entrega) do Espírito, renda-se a Ele sem reservas.

Para expressar-mos de maneira mais completa digamos que um homem espiritual é:

Aquele que já foi batizado pelo Espírito no Corpo de Cristo.

Aquele que tem recebido o Dom do Espírito.

Aquele que já foi selado como possessão de Deus por meio de Cristo.

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Aquele que já tem recebido o penhor do Espírito como promessa de Deus de uma
completa redenção.

Aquele que está habitado pelo Espírito como evidência de sua salvação e de sua
qualidade de filho.

Aquele que tem a unção do Espírito para o serviço.

Aquele que tem como realidade em sua vida o constante enchimento do Espírito.

Assim se expressa certo escritor: “No Novo Testamento e em uso geral, Espiritual
quer dizer regenerado, habitado, iluminado, dotado, fortalecido e guiado pelo Espírito;
que se conforma à vontade de Deus e vive e se deixa conduzir pelo Espírito”.

O maior casamento do universo é a união da vontade do homem com a vontade de


Deus, porque deles nascem os céus.

Amigo leitor, queres ser homem espiritual?


Se nutrir com alimento espiritual?
Exercitar os dons espirituais?
Semear coisas espirituais?
Desfrutar de bençãos espirituais?
Cantar canções espirituais?
Ser parte de uma casa espiritual?
Oferecer sacrifícios espirituais?
Combater os inimigos espirituais?
Esperar uma ressurreição espiritual?

Bom para isso temos escrito: “Tudo é possível ao que crê”.

“Assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia e


à maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça
para a santificação”, Rm 6:19.

“Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito


mortificardes as obras do corpo, vivereis”, Rm 8:13.

Mortificai os vossos membros....

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