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Professora proponente: Solanis Regina de Oliveira – EMEF Plínio Salgado

Turma: 2º ano do ciclo II (6ª série)


Título do texto: O Homem Vitruviano.
Objetivo da atividade: Associar arte e matemática.
Conteúdos envolvidos: Geometria, frações , proporções e unidades de medida.

Antes da leitura:

Perguntei aos alunos se sabiam quem foi Leonardo da Vinci. Muitos souberam responder pois as obras
de Leonardo da Vinci estavam sendo reproduzidas na aula de Artes. Disseram que Leonardo foi um
pintor famoso e também inventor. O que eles não sabiam é que Leonardo também foi matemático,
cientista, músico, arquiteto, entre outras coisas.
Mostrei-lhes o desenho do Homem Vitruviano e perguntei se já o tinham visto. Alguns disseram que
sim e reportaram ao filme “O código da Vinci”. O que eles não sabiam é que aquele desenho
representava o homem perfeito e que havia muita matemática nele.

Durante a leitura:

Em seguida, fomos para a sala de vídeo assistir ao DVD “O Homem Vitruviano” que adquiri na
exposição “Leonardo da Vinci – a exibição de um gênio” que acontecia naquele momento na OCA no
Ibirapuera em São Paulo.
Voltando do vídeo, que durou cerca de dez minutos, passamos a leitura do texto.
Solicitei um voluntário para fazer a leitura em voz alta e todos acompanharam silenciosamente.

Reprodução do texto escolhido:

O Homem Vitruviano

O Homem Vitruviano de Leonardo é baseado no trabalho do arquiteto Vitruvius da Roma antiga.Ele


demonstra a proporção divina, ou a proporção perfeita, com relação ao corpo humano. No período da
Renascença, pretendia-se representar as pessoas e objetos de forma mais perfeita do que eram na
realidade, e assim o Homem Vitruviano representa a forma humana em um estado de perfeição física.

O desenho retrata um homem em duas posições diferentes, uma inscrita em um quadrado e outra em
um círculo. O umbigo do homem marca o centro do círculo, enquanto seu órgãos genitais marcam o
centro do quadrado.

A circunferência toca todos os dedos das mãos e dos pés dos membros estendidos e a altura da figura
corresponde a oito vezes a altura da cabeça. O comprimento total dos braços estendidos é igual a altura
do homem, assim como sete vezes o tamanho de seu pé. Esses são apenas alguns dos muitos exemplos
e princípios que regem o Homem Vitruviano.

Leonardo usou esse estudo em suas pinturas, acreditando em uma proporção específica direta entre os
membros e a altura.

Da Vinci foi considerado o primeiro naturalista que buscou encontrar a chave para entender e retratar
os aspectos anatômicos de forma matemática.
Segue abaixo um resumo das proporções que aparecem no Homem Vitruviano:

 Face = Palma da mão = 1/10 da altura do corpo.


 Cabeça = 1/8 da altura do corpo = A parte superior do braço
 Base do pescoço às raízes do cabelo =1/6 da altura do corpo.
 Meio do peito ao topo da cabeça = 1/4 da altura do corpo.
 Pé = 1/7 da altura do corpo.
 Largura do peito =1/4 da altura do corpo.
 Largura da palma da mão = quatro dedos.
 Largura dos braços abertos = altura do corpo.
 Umbigo = centro exato do corpo inscrito numa circunferência.
 Base do queixo à base das narinas = 1/3 da face.
 Nariz, da base às sobrancelhas = 1/3 da face.
 Orelha = 1/3 da face.
 Testa = 1/3 da face.
 Uma passada = altura do corpo
 Testa = nariz = orelha = distância do queixo ao nariz = 1/3 da face
 As pernas formam um triângulo equilátero

Leonardo as estudou e encontrou uma maneira de usá-las em suas obras de arte.

Você consegue encontrar essas medidas no seu corpo?

Leonardo da Vinci nasceu em 15 de abril de 1452 num lugarejo próximo a cidade de Vinci na Itália e
morreu em 2 de maio de 1519 na França.

Foi Matemático, Cientista, Inventor, Músico, Pintor, Arquiteto,... enfim: um Gênio.

Algumas de suas invenções:


- a bicicleta
- o automóvel
- o submarino
- equipamento de mergulho para respiração subaquática
- a bóia de salvamento
- sistema de rolamento de esferas
- o tanque blindado
- a bala
- o pára-quedas
- a asa delta
- o helicóptero
- a metralhadora
- os barcos de casco duplo
- entre outras.
Depois da leitura:

Terminada a leitura retomei o texto parte a parte, fazendo interferências elucidativas.


Primeiro procurei situar cronologicamente Leonardo fazendo referência a época do descobrimento do
Brasil. Falamos um pouco sobre a Renascença.
A seguir fomos explorando a matemática que aparecia no desenho. Pedi para observarem as figuras
geométricas citadas no texto : o círculo, o quadrado, o triângulo equilátero. Retomamos o conceito de
centro de circunferência, objeto inscrito numa figura geométrica e depois partimos para as proporções.
Como eu havia levado uma trena, aproveitei a sugestão do texto “Você consegue encontrar essas
medidas no seu corpo?” e convidei alguns alunos para virem para a frente da sala e realizarem as
medidas indicadas para provar as proporções. Os alunos ficaram entusiasmados, foi muito divertido,
pois para alguns dava certo e para outros não. Lembrei-os de que eram adolescentes e muita coisa
ainda iria mudar no seu corpo e de que também as diferenças muitas vezes é que geram a beleza.

Reflexões sobre a atividade:

Para despertar a curiosidade dos alunos, sem nada dizer, lançamos no mural do Clube da Matemática,
que fica no pátio da escola, a seguinte pergunta: “O Clube da matemática está a procura do homem
perfeito, se você o conhece diga-nos quem é.” E deixamos um espaço com uma caneta para anotações.
Foi curioso, muitos alunos deixaram suas opiniões, surgiram nomes de artistas famosos, coleguinhas
de classe, alguns egocêntricos colocaram seu próprio nome e muitos falaram de Deus. Aproveitei essa
expectativa criada com a procura do homem perfeito e nesse meio tempo apliquei a atividade relatada.
Após alguns dias, publicamos no mural que o Clube havia encontrado o homem perfeito - era o
Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci. Acrescentamos um auto-retrado de Leonardo feito por uma
aluna do Clube , uma reprodução do desenho, algumas frases famosas e o texto que utilizei nesta
atividade. Achei importante compartilhar esse conhecimento com todos da escola e não deixá-lo
restrito as classes em que ministrava aula.
Usei a atividade para motivar os alunos a visitar a exposição sobre o artista que simultaneamente
ocorria na OCA. Trouxe um catálogo da exposição e deixei-os folhear para mostrar algumas das
belezas que lá encontrariam.
Muitas das faces desse gênio os alunos não conheciam, discutimos sobre a visão futurista que ele
possuia pensando em helicópteros e pará-quedas por volta de 1500.Além da matemática explorada
nesta aula, achei muito importante a carga de cultura que acabava sendo inserida.
A aula serviu para reforçar o assunto frações que havia sido tratado recentemente de uma maneira mais
interessante que a tradicional, pizzas e chocolates.
O texto apresentado aos alunos surgiu de uma pesquisa na internet sobre o tema, mesclado com o
conteúdo presente no DVD e dados do catálogo da exposição.
Foi importante o momento da aplicação desta aula pois coincidiu com o trabalho de educação artística
desenvolvido por outra professora da escola, fruto de uma conversa que tivemos e na qual combinamos
trabalhar conjuntamente.
A atividade mostra e confirma um fato que sempre persigo e insisto em minhas aulas: reunir arte e
matemática é possível e o resultado final é muito positivo.

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