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Semiologia das Vias Urinárias e Órgãos Genitais Masculinos | Turma 73 2019.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE – UFCG


HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ALCIDES CARNEIRO – HUAC
UROLOGIA – DR WENDYSON
SEMIOLOGIA DAS VIAS URINÁRIAS E ÓRGÃOS GENITAIS MASCULINOS

INTRODUÇÃO  Eles são protegidos pela 11ª e 12ª costelas. Para examinar
os rins, temos que palpar as costelas, procurar a 11ª e 12ª
costela e fazer palpação profunda bimanual. Usar a mão
 A urologia estuda: não dominante para levantar um pouco o dorso e tentar
o Rins: mantem o volume e a composição química anteriorizar um pouco o rim.
dos líquidos do organismo dentro de limites
adequados ao funcionamento das células.
Produzem a urina.
o Ureteres: condutos que levam a urina dos rins à
bexiga.
o Bexiga: serve de depósito temporário para a urina.
o Uretra: elimina a urina armazenada na bexiga.
o Genitais internos e externos.
 O Nefrologista resolve a parte funcional dos rins, enquanto
que o Urologista resolve as questões mecânicas e
cirúrgicas dos rins.

NOÇÕES DE ANATOMIA

 A secção do rim mostra que seu parênquima compõe-se


RINS
de uma porção mais externa, o córtex, do qual derivam
formações parenquimatosas de coloração mais escura, de
 Os rins, que costumam ser um par, são órgãos formato piramidal, com vértice orientado para o hilo renal.
glandulares, com o formato de feijão, com a parte convexa Essas formações constituem a medula renal e sua ponta
voltada para fora e a côncava, chamada hilo renal, para a recebe o nome de papila. As pirâmides medulares são
linha mediana. Localizam-se de cada lado da coluna separadas entre si por extensões de tecido cortical,
vertebral, no espaço retroperitoneal, justapostos à fáscia formando as colunas de Bertin. As papilas renais, em
que reveste a parede abdominal posterior. número de 10 a 18, conectam-se a receptáculos
 Ocupam o espaço entre a 12ª vertebra torácica e a 3ª musculomembranosos, chamados de pequenos cálices.
lombar, com o direito ocupando uma posição cerca de 1,5 De 2 a 4 destes cálices unem-se para formar os grandes
cm mais baixa que o esquerdo, devido à disposição do cálices, e estes constituem a pelve renal, que continua
fígado. pelo ureter.
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sua parte mais distal, ele atravessa a parede vesical,


 Os dois rins contêm em torno de 2.400.000 unidades
abrindo-se no interior da bexiga.
funcionais, chamadas néfrons. Eles são compostos de
glomérulo, túbulos contorcidos (proximal e distal), alça de  A bexiga é um órgão muscular oco, formando uma
Henle e tubo coletor. cavidade virtual, situada no assoalho pélvico e que se
continua com a uretra. A localização da bexiga na primeira
infância é abdominal, assumindo progressivamente
URETERES, BEXIGA E URETRA
localização pélvica à medida que a criança se desenvolve.
 A uretra constitui o conduto para eliminação da urina. No
 Em continuidade à pelve renal de cada rim, encontram-se
homem, serve também para ejaculação e eliminação de
o ureter, que é um conduto de natureza muscular, medindo
secreções prostáticas.
30 a 35 cm de comprimento por 4 a 8 mm de diâmetro. Em

OBS.: Dor nos rins. ainda pode haver hidronefrose, por esse motivo deve-se fazer
USG.
Muitos pacientes chegam dizendo que estão com dor nos rins
e com as mãos na coluna lombar. A principal causa de dor OBS.2: Hiperplasia prostática benigna
lombar é problemas osteomusculares devido má postura. (HBP).
Quando o paciente chega com queixa de “dor nos rins” e põe
as duas mãos na lombar, já se sabe que é muito pouco Quando a próstata aumenta, colaba a
provável ser dor renal, pois quando o rim dói é por dois uretra prostática, dificultando/
motivos: distensão de capsula renal ou ele esta infectado, o impedindo a saída da urina, causando
que também distende a capsula. A principal causa de dor renal retenção urinária.
é obstrução por cálculo. O calculo renal NÃO causa dor, o que
causa dor é a obstrução que o calculo renal pode ocasionar, Quando chegar um paciente com
pois a urina pode ficar retida e dilatar a pelve e capsula renais. retenção urinária na urgência, NÃO
A outra causa de dor é infecção: vai haver reação inflamatória, passar só sonda de alivio, pois a
edema e consequentemente distensão da capsula renal. Fora obstrução vai continuar e horas depois
essas duas condições supracitadas, rim não dói! o paciente vai estar do mesmo jeito. O correto a se fazer é
passar SONDA VESICAL DE DEMORA e encaminhar o
Em quase 100% dos casos de cólica renal, só dói um rim: é paciente urgentemente para o urologista, pois esse paciente
quase impossível, mesmo se o paciente tiver cálculos nos dois vai precisar ser operado. Quando o paciente chega a fazer
rins, esses cálculos causarem obstrução no mesmo momento. retenção, já é o último estágio (prostatismo grave), não
Pielonefrite também causa dor em apenas um rim. Assim, fazendo mais tratamento medicamentoso e sim cirúrgico!
quando o paciente joga as duas mãos para trás e diz que está Tratando a HPB também se protege os rins, pois quando o
doendo os dois lados, eu já sei que não é dor renal. paciente retém a urina, pode perder função vesical e função
renal.
Como generalistas vocês tem que saber que não precisa pedir
parecer do urologista por causa de um achado ORGÃOS GENITAIS MASCULINOS
ultrassonográfico de um cálculo no rim, pois se ele não está
causando hidronefrose, não vai causar dor. Cólica renal é EXTERNOS
súbita, unilateral, sem nada que possa explicar a dor (ex:
pancada).  Compreendem o pênis, a bolsa escrotal, os testículos, os
epidídimos, os cordões espermáticos e os canais
90% dos cálculos são expelidos naturalmente. Se o paciente deferentes.
tiver um episodio de cólica renal e depois não ter dor 20 ou 30
 O pênis compreende uma parte fixa, denominada raiz do
dias, não quer dizer que o cálculo foi expelido. A dor pode ter
pênis, situada no períneo e composta de 3 massas de
diminuído porque a capsula renal está se adaptando, mas
tecido erétil, alojadas no triângulo urogenital, e uma parte
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livre, chamada corpo do pênis, também constituída de epidídimos, os espermatozoides sofrem alterações físico-
estruturas alongadas de tecido erétil, capazes de sofrer químicas para se tomarem maduros.
considerável aumento ao se ingurgitarem de sangue  Os cordões espermáticos são estruturas formadas por
durante a ereção. veias, artérias, linfáticos, músculos, tecido conjuntivo e
o Existem dois corpos carvenosos superiormente e pelo canal deferente, servindo de suspensão para o
um corpo esponjoso inferiormente. O corpo testículo na bolsa escrotal e possibilitando movimentos
esponjoso é atravessado em toda sua extensão involuntários protetores.
pela uretra e na sua extremidade se alarga,
formando a glande peniana.
o A pele que recobre o pênis dobra sobre si mesma,
formando o prepúcio; entre a coroa e o corpo do
pênis, situa-se o sulco balanoprepucial; na
superfície uretral, encontra-se o freio. O prepúcio é
separado da glande por um espaço virtual: o saco
prepucial.
o A ereção do pênis é um fenômeno essencialmente
vascular, causado pela penetração de sangue nos
espaços cavernosos, levando à distensão dos
corpos cavernosos.

INTERNOS

 Os órgãos genitais internos são constituídos de próstata e


vesículas seminais.
 A próstata é uma glândula sexual acessória, cuja principal
 A bolsa escrotal é constituída de uma bolsa cutânea que função consiste em criar um meio de transporte líquido
contém os testículos, os epidídimos e a parte mais adequado para os espermatozoides. Ela tem uma estrutura
proximal dos cordões espermáticos. musculoglandular e mede em torno de 4 cm no sentido
o Um septo de tecido conjuntivo - a rafe mediana - transversal, tem 3 cm de diâmetro vertical e mais ou
divide o escroto em 2 sacos. Isso serve de menos 2 cm de diâmetro anteroposterior. É atravessada
proteção, fazendo com que a infecção em um pela porção prostática da uretra, em curva suave, em uma
testículo não necessariamente passe para o outro. extensão de aproximadamente 2,5 cm. Situa-se abaixo da
o O escroto serve de sustentação para os testículos e bexiga – em torno do colo vesical –, adiante do reto e atrás
tem importante papel na regulação da temperatura da sínfise pubiana. Posteriormente, perfuram-na os
com relação ao ambiente. condutos ejaculatórios.
 Os testículos são estruturas ovais, pares, localizadas no o A próstata é dividida em 6 lobos contíguos -
interior das bolsas escrotais. anterior, posterior, lateral direito, lateral esquerdo,
o As funções dos testículos são secretar hormônios mediano comissural e mediano cervical.
esteroides e produzir espermatozoides. o No homem adulto, o tecido glandular da próstata é
o No seu interior, existem vários septos de tecido constituído principalmente de duas glândulas
conjuntivo. Nos compartimentos situados entre os fundidas em um só corpo, denominadas zona
septos, encontram-se os túbulos seminíferos, que periférica e zona central. A zona periférica
constituem a maior parte da massa testicular. Esses corresponde aproximadamente a 70% do volume
túbulos apresentam-se enrodilhados de tal maneira glandular, enquanto a central encaixa-se como uma
que compõem uma estrutura quase compacta, suas cunha na glândula e representa em torno de 20 a
porções terminais desembocando na rete testis. 25% do volume. Outra pequena porção, chamada
Superiormente ao mediastino, os canais da rete zona de transição com predomínio de tecido acinar,
testis juntam-se, dando origem a uma série de 12 a representa de 5 a 10% do volume normal da
15 canais eferentes, os quais perfuram a túnica glândula, é localizada na porção distal do esfíncter
albugínea e formam os lóbulos epididimários. periuretral (região pré-prostática) e apresenta pouca
 O epidídimo é um órgão em formato de vírgula que importância na próstata normal.
recobre a parte posterior e a extremidade superior do  A zona periférica, além da principal
testículo, sendo constituído de 3 partes, facilmente localização das prostatites, é também o local
reconhecíveis: cabeça, corpo e cauda. No interior dos
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em que há maior incidência de neoplasias secundária à obstrução e/ou inflamação do trato urinário
prostáticas (70%) com maior tendência à inferior.
invasão da cápsula prostática. Já os  Algúria: micção processada com dor que pode ser inicial,
carcinomas da zona de transição (20%) terminal ou total. É, normalmente, relacionada à
apresentam este comportamento invasivo. A inflamação aguda da uretra, próstata ou bexiga.
zona central, mais raramente, é sede de  Oligúria: diminuição da quantidade normal de urina
neoplasias benignas ou malignas. eliminada nas 24 horas.
 A HBP ocorre na zona de transição e não se  Noctúria: necessidade de se interromper o sono para
transforma em câncer. urinar a noite. Pode ser relacionada a diminuição da
o A próstata localiza-se de tal maneira que sua face capacidade vesical, irritabilidade vesical, ingestão de
posterior fica bem próxima do reto, o que toma líquidos, etc.
possível palpá-la pelo toque retal.  Nictúria: é a eliminação de uma maior quantidade de urina
 As vesículas seminais são órgãos lobulados, simétricos, à noite que de dia. Geralmente é resultado da mobilização
situados atrás da bexiga e acima da próstata. Acima da de líquidos de edema quando se permanece em decúbito
base da próstata, cada vesícula seminal forma um curto dorsal ou uso de diuréticos a noite.
canal que se une com a ampola do canal deferente,  Urgência: súbito e imperioso desejo de urinar. Pode ser
constituindo o canal ejaculatório ou ejaculador. secundário a processos inflamatórios e/ou infecciosos da
o São glândulas secretoras de um líquido albuminoso bexiga, hiperreflexia de um quadro de bexiga neurogênica,
e alcalino, capaz de ativar os movimentos dos entre outros.
espermatozoides, graças à sua riqueza em frutose.  Tenesmo vesical: desejo contínuo, doloroso e ineficaz de
A secreção seminal, cujo pH é alcalino, protege os urinar. Geralmente relacionado à patologias do trato genital
espermatozoides contra a acidez do meio vaginal inferior.
durante algum tempo após o coito.  Enurese: eliminação involuntária ou inconsciente de urina
o As vesículas seminais são produtoras de durante o sono, em paciente cuja continência durante o
prostaglandinas - substância de múltiplas ações estado de vigília é normal.
farmacológicas.  Incontinência urinária: incapacidade do paciente em reter
o Suas funções são reguladas pela testosterona. a urina. Tem quatro subdivisões: incontinência verdadeira
 As glândulas de Cowper ou bulbouretrais são 2 lóbulos (constante), incontinência paradoxa, incontinência de
pequenos e arredondados, do tamanho de uma ervilha, esforço (no esforço físico repentino) e urge-incontinência
que se localizam na uretra membranosa e deságuam na (acompanha a urgência miccional).
uretra bulbar. Essas glândulas produzem uma secreção o Incontinência urinária paradoxa ou por
mucoide esbranquiçada, rica em albumina, que serve para transbordamento: quando a bexiga ultrapassa seus
lubrificar a uretra distal. limites de capacidade, encontra-se descompensada
 A uretra compreende 3 partes: prostática, membranosa e e incapaz de contração eficaz do detrusor. A micção
esponjosa. No homem, além de eliminar urina, tem se processa, então, gota a gota, pelo meato uretral,
importante participação na função sexual, pois serve para sem que o paciente tenha geralmente, o desejo de
eliminar as secreções prostáticas e as glândulas de urinar.
Cowper, além de ser responsável pela ejaculação do  Retenção urinária aguda e crônica.
esperma.
 Hematúria: presença de sangue na urina, podendo ser um
 Os linfáticos do pênis e do escroto drenam para os achado macroscópico ou microscópico. Pode ser inicial
linfonodos inguinais, enquanto os linfáticos testiculares (patologia ureteral), terminal (distúrbios de colo vesical ou
drenam para o abdome. Daí a necessidade de incluir o uretra posterior) ou total (problemas no colo vesical ou
exame da virilha em todo paciente com lesões dos órgãos trato urinário médio e superior).
genitais.  Pseudo-hematúria: eliminação de urina de cor rósea ou
vermelha, porém secundária à pigmentação por certas
SEMIOLOGIA DAS VIAS URINÁRIAS substâncias por ela eliminadas, como alguns corantes
alimentares e antocianinas presentes na beterraba e em
certas amoras.
DEFINIÇÕES DE TERMOS
 Piúria: presença de pus (piócitos) na urina. Normalmente
sugere a existência de uma infecção urinária bacteriana.
 Polaciúria: necessidade de esvaziar a bexiga com maior
 Proteinúria: presença de proteína na urina. Característica
frequência e com volumes de urino reduzidos. Ocorre
de doença renal aguda ou crônica.
quando a capacidade vesical é reduzida, como quando se
 Hemospermia: presença de sangue no esperma.
tem inflamação da bexiga e na superestimulação
Geralmente provêm de uma inflamação inespecífica da
neurogênica.
próstata ou vesículas seminais e é autolimitada.
 Poliúria: eliminação de um volume urinário bastante
 Pneumatúria: eliminação de urina misturada com gás ou
aumentado, geralmente superior a 1500 ml por dia. Pode
ar. Pode ser devido a fistula entre o intestino e a bexiga ou
ser encontrado em estados diuréticos osmóticos, como em
a certas infecções por bactérias formadoras de gás.
diabéticos; em formas de IR com hipoestenúria ou em
casos de polidipsia compulsiva.
 Disúria: refere-se à micção realizada com dificuldade,
ANAMNESE E SINTOMAS DE DISTÚRBIOS
podendo ser inicial, terminal ou total, e, geralmente, GENITOURINÁRIOS
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 Identificação: raça, idade, sexo, profissão, residência. ocasionalmente irradia-se para a glande ou meato
 Queixa principal. uretral. É devido a distensão da bexiga por urina,
 História da moléstia atual: alguns dados devem ser inflamações crônicas ou agudas, cálculos ou
sempre pesquisados, a saber: tumores vesicais.
o Alterações físicas urinárias (urina turva, fétida etc.);  Dor prostática: na região perineal e retal. Nos
hematúria; pneumatúria; distúrbios de micção processos agudos é extremamente forte, irradiada
irritativos (disúria, noctúria, urgência e urge- até a bolsa escrotal e pênis e é acompanhada de
incontinência) ou obstrutivas (hesitância, diminuição tenesmo, disúria e febre. Nos processos crônicos é
da força e calibre do jato miccional, intermitência do caracterizada por sintomas irritatuvos urinários, dor
jato e gotejamento terminal); algúria. perineal ou suprapúbica e alterações no jato
o Além destes, também deve-se avaliar as miccional.
características dos vários tipos de dor apresentada;  Dor uretral: ardor geralmente causado por uretrites.
febre; intumescimentos abdominais ou lombares;  Dor peniana: pode ocorrer na flacidez ou na
traumatismos prévios; alterações de genitália ou na ereção.
esfera sexual (perda de desejo, disfunção erétil ou  Dor testicular: quando aguda é associada a
distúrbios ejaculatórios); presença de outras traumas, torção testicular ou de apêndice, quadros
alterações sistêmicas (intestinais, pulmonares etc.) inflamatórios e infecciosos dos testículos e
associadas. Também a duração, gravidade, epidídimo. Quando crônico pode ser devido a
periodicidade dos sintomas e grau de incapacidade varicocele ou hidrocele, ou associado a
que eles provocam no paciente devem ser epididimites crônicas.
igualmente avaliados.
o Recomenda-se ainda indagar sobre a existência de OBS.2: Sintomas de HPB.
secreção uretral purulenta ou clara ou, às vezes,
piossanguinolenta; fatores desencadeadores ou  Jato fraco.
agravantes do quadro referido pelo paciente; uso  Gotejamento terminal.
atual de medicamentos, e alterações do humor ou  Urgência.
psíquicas associadas a moléstia atual.  Maior frequência à noite.
 Sangue na urina.
OBS.: Tipos de dor.
 Retenção de urina.
 Dor renal: localizada sobre o flanco ou hipocôndrio
ipsilateraç,bem como sobre a região lombar
correspondente e ângulo costovertebral. Pode
irradiar-se anteriormente, para o flanco, em direção
ao abdome superior e região inguinal e genitália.
Origina-se devido a distensão aguda da capsula
renal, geralmente provocada por inflamação ou
obstrução urinária. É quase sempre forte,
persistente, possui pouca relação com movimentos,
embora, ocasionalmente, possa diminuir com o
repouso.
 Dor pieloureteral: cólica nefrética, que se inicia
subitamente, embora, às vezes, possa ser
identificado um fator precipitante. Inicia na região
lombar correspondente ao ângulo costovertebral do
provávelo cálculo, e a partir dai irradia-se pelo Quando o paciente tem HPB e começa a urinar mal, na
flanco, hipocôndrio e abdome. Tem intensidade cabeça dele ele urina mais, porque vai ao banheiro várias
variável e pode ser acompanhada de náuseas e vezes e passa muito tempo no banheiro para terminar de
vômitos, calafrios, palidez, taquicardia e agitação. A urinar.
dor da cólica nefrética é uma resposta à distensão
Avalia-se o paciente perguntando se ele urina bem e se tem
súbita do trato urinário médio e superior, localizada
bebido mais água. Se ele estiver “urinando mais” sem ingerir
a montante de um ponto de obstrução, com
mais líquidos indica que ele está urinando mal devido
consequente contração acentuada da musculatura
colabamento da uretra.
lisa do ureter e pelve renal.
 Dor vesical: localiza-se na região suprapúbica ou Esta tabela serve para avaliar os sintomas prostáticos do
hipogástrica, correspondente à bexiga e, paciente (função urinaria):
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 História pregressa: traumas, uso crônico de Paciente com abscesso renal por complicação de uma
medicamentos, tumores anteriores e respectivos pielonefrite que não foi tratada, porque o colega não passou
tratamentos, doenças crônicas, doenças infecciosas, sulfa (resolve 60% das pielonefrites), passou levofloxacino e a
processos alérgicos e intolerância medicamentosa, ela não teve dinheiro para comprar. A paciente perdeu esse
tabagismo e etilismo. rim!
 História familiar: litíase urinária, doença renal policística,
criptorquidismo, glomerulonefrite difusa aguda, câncer de PALPAÇÃO
próstata, etc.
 Os rins, habitualmente, não são palpáveis em adultos,
EXAME FÍSICO DO APARELHO GENITOURINÁRIO devido à sua localização retroperitoneal e relativamente
elevada, protegidos pela caixa torácica e musculatura
abdominal. Entretanto, o polo inferior do rim direito, que se
EXAME FÍSICO RENAL situa numa posição inferior ao contralateral, pode ser
palpado especialmente em crianças e pacientes magros,
 O exame físico renal consiste em: avaliação geral, do sexo feminino.
inspeção, palpação, punho percussão, trasliminação e  A palpação dos rins é feita com o paciente em decúbito
ausculta. dorsal da seguinte maneira: enquanto uma das mãos
procura explorar os quadrantes superiores do abdome, a
INSPEÇÃO outra mão, espalmada, "empurra” o flanco correspondente
de baixo para cima, na tentativa de trazer o rim para uma
 A posição do paciente pode indicar uma dor lombar posição mais anterior (palpação bimanual).
sugestiva de litíase ou pielonefrite aguda.
 O aspecto da pele deve ser examinado procurando-se
evidências de icterícia, pele áspera, seca e sem brilho
pode ser insuficiência renal.
 Verificar abaulamentos na região lombar.
 Ocasionalmente, um rim aumentado de tamanho pode
fazer protrusão no abdome superior, e nestes casos a
presença de um tumor, cisto ou hidronefrose ipsilateral
deve ser pesquisada.
 Abcesso perinefrético pode produzir saliência na região
costovertebral, o que, geralmente, ocasiona diminuição da
incursão respiratória daquele lado.

 Rins facilmente palpáveis denotam, em geral, aumento de


volume (hidronefrose, neoplasia ou cistos) ou pelo fato de
serem anormalmente móveis (ptose renal), ou, ainda, por
estarem deslocados por neoplasias retroperitoneais.
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 Em crianças, consegue-se palpar os rins com maior retrairem o prepúcio para realizar a higiene e depois
facilidade, devido à menor espessura da camada secar bem.
muscular. o O meato uretral pode se encontrar deslocado, em
 Assimetria renal: o rim compensatório contra-lateral pode posição ventral no pênis, em casos de hipospádia,
ocorrer em qualquer condição em que há redução renal, ou dorsal, na epispádia. Também deve ser
sendo, entretanto, mais evidente nas patologias congênitas examinado forçando sua abertura para detectar
(agenesia ou hipoplasia do rim) e casos de nefrectomia possível estenose de meato, lesões de fossa
unilateral. Devido ao fluxo urinário aumentado, o rim navicular ou secreções.
vicariante ou hipertrófico caracteristicamente pode o Tamanho do pênis.
apresentar leve ectasia do sistema pielocalicial.  Palpação: pode revelar placas, cálculos, carcinoma de
uretra (raro). Também palpar artérias dorsais.
PERCUSSÃO

 A percussão da região do ângulo costovertebral (entre a


11ª e 12ª costela) pode causar dor ou desconforto local, e
sugere a presença de inflamação ou infecção renal (sinal
de Giordano), bem como a presença de cálculos renais.
Entretanto, esse método é pouco específico.

BOLSA ESCROTRAL

 Inspeção: forma, tamanho e pele.


o A pele escrotal é enrugada, mas apresenta-se lisa
na criança e no adulto com insuficiência hormonal.
o Observar sinais flogísticos, alteração da cor da pele,
AUSCULTA E TRANSLUMINAÇÃO presença de lesões superficiais (úlceras,
neoplasias, TB, cisto sebáceo), atrofia (perda dos
 A ausculta abdominal é útil na verificação de sopros movimentos e apagamento das pregas).
abdominais, como ocorre na estenose de artérias renais. o Os processos inflamatórios, neoplásicos ou
Utiliza-se o diafragma do estetoscópio pata a ausculta de traumáticos, alteram a configuração e o tamanho da
mesogástrio e hipocôndrios. bolsa escrotal.
o A hidrocele pode aumentar de maneira gigantesca o
 A transluminação é feita para a diferenciação de massas
volume do escroto.
císticas ou hidronefrose de massas sólidas.
 Palpação: massas escrotais podem ser duras ou moles, e
 Esses dois métodos estão praticamente abolidos.
são múltiplas as causas: epididimite, orquite, torção
testicular, hematocele, neoplasias do cordão espermático e
EXAME FÍSICO DA BEXIGA
dos testículos, hidrocele, espermatocele, varicocele,
hérnias inguinais indiretas, lipomas e gomas do cordão
 Inspeção: em alguns pacientes com retenção urinária
espermático.
crônica, protrusão na região suprapúbica pode ser visível à
inspeção, e a bexiga pode atingir ate a região próxima à
TESTÍCULOS E EPIDÍDIMOS
cicatriz umbilical.
 Palpação: deve ser realizada bimanualmente. A bexiga, no
 Em condições normais, o testículo esquerdo situa-se mais
adulto, normalmente não é palpável.
baixo que o direito. Ao contrário, no situs inversus ou
 Percussão: na região suprapúbica pode ser usada para
transposição visceral, o testículo direito se posiciona
delinear o globo vesical.
abaixo do esquerdo.
 Palpação: consistência, forma, contornos e tamanho.
EXAME FÍSICO DA GENITÁLIA MASCULINA o A palpação é o método de maior valor na análise
dos testículos. Deve ser feita com extrema
PÊNIS delicadeza, não apenas por despertar dor intensa
nos processos inflamatórios agudos, como também
 Inspeção: avaliar ISTs, alterações na pele, posição do pelo risco de disseminação venosa nos casos de
meato uretral e anomalias congênitas. neoplasia maligna.
o Nos pacientes não circuncisados, o prepúcio deve o Palpa-se um dos testículos, comparando-o com o
ser retraído e bem examinado, pois é um local que do lado oposto, avaliando-lhe a consistência, o
é difícil de ser limpo e pode ter infecção, formato, os contornos e o tamanho, tendo sempre
condilomas, úlceras, neoplasias, etc. Infecção de em mente a relação dos testículos com a túnica
repetição é a principal causa de câncer de pênis, vaginal que os reveste anteriormente. Em seguida,
então deve-se dizer aos pacientes para sempre
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palpam-se os epidídimos, situados acima e local pode simular a presença de hérnia. A hidrocele do
posteriormente aos testículos, procurando-se cordão e as lesões císticas são diagnosticadas por
reconhecer as partes que os constituem: cabeça, palpação e transiluminação. A presença de varicocele –
corpo e cauda (manobra de Chevassu). Depois, dilatação varicosa de veias do fnículo espermático – pode
palpam-se os cordões espermáticos até o anel ser notada especialmente quando o paciente se encontra
inguinal externo; por fim, procura-se determinar a em ortostatismo e realiza manobra de Valsava. A
existência de hérnia inguinal. Nesta fase do exame, varicocele aparece como um conjunto de veias macias, ou
pede-se ao paciente que contraia a musculatura apenas leve intumescimento, logo acima do pólo superior
abdominal ou que tussa repetidas vezes. O exame do testículo, que pode se apresentar hipotrófico em relação
é concluído com a pesquisa do reflexo ao contralateral.
cremastérico.
o Sinal de Prehn: é realizado com o paciente em pé,
para diferenciar torção de testículo das orquites.
Nas orquites o testículo fica aumentado de tamanho
e pela reação inflamatória pode causar muita dor,
quando o paciente fica em pé há uma tração do
cordão e quanto mais pesado ele fica maior a dor
de tração, se neste momento o médico elevar os
testículos com a mão espalmada o paciente vai
referir uma pequena melhora da dor, pois diminuiu a
tração exercida pela gravidade no cordão. Na
torção do testículo a dor é causada pela falta de
circulação sanguínea, quando é realizada a
PRÓSTATA E VESÍCULA SEMINAL
manobra de Prehn o paciente não vai referir
nenhuma melhora.
 O toque retal é parte indispensável do exame básico
 A transluminação de massas escrotais deve ser realizada
urológico, pois é de fundamental importância, tanto para o
rotineiramente e, nesses casos, lesões císticas ou de
diagnóstico de carcinoma da próstata, que representa o
conteúdo líquido, ao contrário de lesões sólidas, serão
segundo tipo de câncer mais comum no homem, quanto
transiluminadas facilmente.
para a identificação de outras alterações prostáticas, como
a hipertrofia benigna, cálculos, cistos, etc., bem como de
patologias do anus e reto.
 Deve ser realizado em todos os homens adultos acima de
40 anos ao final do exame urológico, usando-se luva de
procedimento com o dedo indicador lubrificado por
vaselina.
 As posições do paciente para este exame são as
seguintes:
o Posição de Sims ou lateral esquerda, mantendo-se
o membro inferior em semiextensão e o superior
flexionado.
o Posição genupeitoral: é a mais adequada, preferida
pela maioria dos examinadores.
CANAIS DEFERENTES E CORDÕES ESPERMÁTICOS o Posição ortostática, com o paciente inclinado e
apoiando seus cotovelos sobre a mesa de exame.
 O exame físico dos Canais Deferentes e Cordões o Posição de decúbito supino, na qual o paciente fica
Espermáticos deve ser realizado com palpação meticulosa semissentado com as pernas flexionadas. O
em decúbito dorsal ou ortostática. O ducto pode ser examinador passa o antebraço por baixo da coxa
palpado e diferenciado pela sua consistência, porém não do paciente; esta posição é indicada em especial
se consegue diferenciar o que é artéria veia ou outra nos enfermos em condições gerais precárias.
estrutura.
 Os canais deferentes intraescrotais são palpados com
facilidade em condições normais, desde seu ponto de
junção na cauda epididimária até o orifício externo do anel
inguinal. Esse segmento do canal deferente pode ser
identificado pela sensação toda especial que se tem de
"corda de chicote". Quando acometido de processo
tuberculoso, o deferente pode tomar a forma característica
de “contas de rosário”.
 Lesões dos cordões espermáticos são percebidas por
palpação. Na funiculite, o cordão se encontra espessado e
doloroso. O intumescimento do funículo espermático pode
ser cístico (hidrocele, hérnia) ou sólido (tumor). Lipoma
Semiologia das Vias Urinárias e Órgãos Genitais Masculinos | Turma 73 2019.1
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 Deve-se usar dedeira ou luva, comuns ou descartáveis. depressível, apresenta superfície lisa, consistência
 Antes do exame, solicita-se ao paciente urinar, esvaziando elástica, lembrando borracha, contornos precisos e
a bexiga o máximo que puder. Se possível, o médico é discretamente móvel.
observa o jato urinário. Logo em seguida, palpa-se e  As vesículas seminais não costumam ser acessíveis ao
percute-se a bexiga para verificar se existe urina residual exame palpatório. Para avaliá-las, deve-se recorrer ao
aumentada. método de Picker.
 Antes de realizar o toque retal, é necessário inspecionar
cuidadosamente a região anoperineal, examinando-se a
pele em volta do ânus em busca de sinais inflamatórios,
alterações provocadas pelo ato de coçar, fissuras,
pertuitos fistulosos, condilomas e abscessos. A inspeção
do orifício anal pode revelar a presença de mamilos
hemorroidários.
 O paciente deve ser devidamente esclarecido sobre o que
será feito, devendo-se dizer a ele que, durante o exame,
poderá ter a sensação de estar evacuando.
 O médico coloca-se ao seu lado esquerdo e pede-lhe que
relaxe o máximo possível.
 O toque retal é feito da seguinte forma:
1. Expõe-se o ânus com o dedo indicador e polegar
da mão esquerda, coloca-se a polpa do indicador
direito sobre a margem anal e faz-se uma
compressão continuada e firme para baixo, com o
intuito de relaxar o esfíncter externo.
2. Introduz-se o dedo, lenta e suavemente, por meio
de movimentos rotatórios. A introdução digital tem
que ser feita com delicadeza e suavidade para que
não haja dor. Quando não se consegue introduzir o
dedo devido a dor intensa ou espasticidade
esfincteriana, é necessário considerar a
possibilidade de criptite ou fissura anal.
3. Observa-se o tônus esfincteriano anal. Um
esfíncter anal relaxado, principalmente quando
associado a redundância e relaxamento retal, é
encontrado nas enfermidades do sistema nervoso
central com disfunção neurológica da bexiga, ou
quando o paciente realiza coito anal.
4. Examina-se as seguintes estruturas:
 Parede anterior, pela qual se avaliam a
próstata, as vesículas seminais e o fundo de
saco vesicorretal.
 Parede lateral esquerda.
 Parede lateral direita.
 Parede posterior (sacro e cóccix).
 Para cima (até onde alcançar o dedo).
 Inúmeras afecções podem ser diagnosticadas pelo toque
retal, como: fissura anal, hemorroidas internas, pólipos,
neoplasias benignas, enferminades prostáticas,
enfermidades das vesículas seminais, enfermidades das
glândulas de Cowper, etc.
 As características semiológicas da próstata a analisar
são a forma, o tamanho (25 g), a consistência
(fibroelástica), a superfície (lisa), os contornos, o sulco
mediano e a mobilidade da próstata (geralmente pouco
móvel).
o A próstata normal é palpável na parede anterior do
reto como uma estrutura em formato de coração
(pirâmide invertida, maçã, pera), com a base
voltada para cima e o vértice para baixo. Seus lobos
laterais são separados por um sulco mediano
(encaixe, septo vertical ou sulco interlobular).
o Em condições normais, a próstata tem o tamanho
de uma castanha grande, é regular, simétrica,