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Univ.

da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira


Instituto de Engenharias e Desenvolvimento Sustentável
Engenharia de Energias
Disciplina: Lab. de Máquinas Elétricas
Professor: Herminio Miguel de Oliveira Filho

PRÁTICA Nº 05 – GERADOR DE CORRENTE CONTÍNUA AUTO-EXCITADO

O gerador de corrente contínua auto excitado é aquele cuja corrente de excitação


ou corrente de campo é fornecida pela própria armadura. Dependendo da ligação do
campo com a armadura, o gerador auto excitado pode ser chamado de gerador em
derivação ou paralelo, quando o campo está em paralelo com a armadura; gerador série
quando o circuito de campo está em série com a armadura; e gerador composto quando
possui os dois circuitos de excitação, um em paralelo e outro em série com o circuito de
armadura.

Suponha um gerador em derivação com corrente de excitação nula. Anteriormente, já


vimos que haverá uma pequena tensão residual “Eao” devido ao magnetismo residual
(prática 1). Se o circuito de campo for alimentado por uma pequena tensão, uma pequena
corrente circulará, produzindo uma FMM no campo. Duas situações podem acontecer:

1. Esta FMM produz um fluxo que se somará ao fluxo residual;

2. O fluxo produzido será em sentido oposto ao fluxo residual.

No segundo caso a tensão nos terminais da armadura decrescerá a zero, e a máquina


não atingirá a tensão terminal desejada. Por que?

Se, porém a ligação do circuito for feita de maneira adequada (o que significa, neste
caso, a expressão maneira adequada ?) então a FMM produzida pela corrente devido à
tensão Eao na Fig. 5.1 causará um aumento do fluxo nos pólos que, conseqüentemente
aumentará a tensão nos terminais de armadura do gerador.

Aplicada uma tensão qualquer ao circuito de campo em derivação, por ele passará
uma corrente tal que a relação entre a tensão e a corrente será uma constante, igual à
resistência do circuito de campo. Na Fig. 5.1 Rexc representa esta resistência.

Pode-se, agora, observar o escorvamento do gerador tomando como base a Fig. 5.1.
Com apenas o magnetismo residual a tensão nos terminais de armadura será Eao, se esta
tensão for aplicada ao circuito de campo em derivação, por ele circulará uma corrente
igual à abscissa do ponto B1; este valor de corrente de campo aumentará o fluxo no pólo
que produzirá uma tensão cujo valor será igual a ordenada do ponto C1; esta tensão, por
sua vez, aplicada ao circuito de campo produzirá uma corrente de campo igual ao valor
da abscissa do ponto B2, a qual corresponde à tensão em vazio dada pela ordenada do
ponto C2. Nesta progressão, a f.e.m. no gerador subiria, indefinidamente, caso não
existisse a saturação, motivo pelo qual a tensão se estabiliza no valor dado pela ordenada
do ponto D, que é o cruzamento da reta da resistência do circuito de campo e a
característica em vazio do gerador.

Influência da resistência do circuito de campo - Para valores diferentes da resistência


do circuito de campo, o cruzamento entre a característica da resistência e a característica
do gerador em vazio se dará num ponto diferente de D como mostrado na Fig. 5.2. Para
valores mais elevados da resistência do circuito de campo o cruzamento se dará em
algum ponto na direção de DI. Para valores de resistência menores que Rexc o
cruzamento se dará em pontos de maior ordenada como DIII e Eao.

Fig. 5.1 – Escorvamento do gerador cc Fig. 5.2 Escorvamento do gerador cc para


diferentes resistências de carga

As ordenadas dos pontos de cruzamento DI, DII, DIII e DVI são os diversos valores em
que a tensão terminal do gerador em vazio se estabiliza para os diferentes valores da
resistência do circuito de campo (entende-se por resistência do circuito de campo o valor
total da resistência do reostato em série mais a resistência da própria bobina). Se esta
resistência for demasiadamente elevada de modo que a característica da resistência
apenas tangencie a característica em vazio (Ro), então a tensão em vazio permanecerá,
praticamente, a mesma que a produzida pelo magnetismo residual (por que?). Neste caso
a máquina também não escorvará.

Objetivos:

- Verificar os efeitos que a polaridade e a resistência do campo paralelo têm no


escorvamento da máquina.

- Observar os efeitos do magnetismo residual.

- Observar os efeitos da saturação.

- Levantar a curva característica da máquina de corrente contínua auto-excitada.


Procedimento:

1. Usando um multímetro identifique os terminais de campo ( F1 e F2 ) e os terminais de


armadura (A1 e A2) do gerador CC.

2. Conecte a máquina primária (motor de indução) ao sistema de corrente alternada


(380V). Confira as ligações e então acione o motor, que deve girar. Desligue-o.

3. Para o gerador de corrente contínua acoplado mecanicamente à máquina primária,


monte o circuito seguinte.

Fig 5.3 - Circuito para montagem em laboratório

4. Abra o circuito de campo do gerador de corrente contínua (corrente de campo nula).

5. Acione a máquina primária (motor de indução trifásico).

6. Com a rotação da máquina primária estabelecida, meça a tensão de armadura do


gerador cc. Que tensão é esta?
7. Graduar o reostato de campo Rf no seu valor máximo e ligar o circuito de campo.
Observe a tensão nos terminais da armadura. Houve escorvamento? Caso a resposta
seja sim, explique o que aconteceu, e vá para o item 8. Caso seja não, pare a
máquina, e inverta as ligações nos terminais do campo, e acione, novamente, o
motor de indução. Explique o que aconteceu.

8. Reduzindo gradativamente o reostato de campo até um valor mínimo. Anote 5 valores


de tensão de armadura e corrente de campo. Obs: Não Deixe A Tensão De
Armadura Ultrapassar os 280V.

Tensão de
Armadura

Corrente de
Campo

9. Sabendo-se que a característica da resistência de campo passa pela origem; calcule o


valor da resistência do campo para os vários valores de tensão do item 8.

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