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FACULDADE BRASILEIRA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO

PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES EM CONCRETO


ARMADO EM AMBIENTES MARINHOS – ILHA DE
VITÓRIA

ERIKA CARVALHO ALMEIDA

VITÓRIA - ES
2017
2

PATOLOGIAS DAS CONSTRUÇÕES EM CONCRETO


ARMADO EM AMBIENTES MARINHOS – ILHA DE
VITÓRIA

ERIKA CARVALHO ALMEIDA

Trabalho de final de graduação


apresentado à Faculdade MULTIVIX –
Vitória, como requisito parcial para a
obtenção do título de Bacharel(a) em
Arquitetura e Urbanismo
Orientador: Artur Rodrigues

VITÓRIA – ES
2017
3

PATOLOGIAS DAS CONSTRUÇÕES EM CONCRETO


ARMADO EM AMBIENTES MARINHOS – ILHA DE
VITÓRIA

ERIKA CARVALHO ALMEIDA

Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo


apresentado à Faculdade Brasileira - MULTIVIX, como requisito parcial para
obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

Aprovada em ___ de ________ de __

COMISSÃO EXAMINADORA

___________________________________
Profº Artur Rodrigues
Faculdade Brasileira - MULTIVIX
Orientador

___________________________________
Profª Daniele Drummond
Faculdade Brasileira - MULTIVIX
Examinador
4

AGRADECIMENTOS

A esta universidade, sеυ corpo docente, direção е administração qυе foram


fundamentais para a minha graduação em Arquitetura e Urbanismo.

Ao Coordenador e Professor Jorge Có, que além de ser um exemplo de


profissional e ser humano, nunca mediu esforços pra ajudar a todos.

A Coordenadora e Professora Daniele Drummond, que desde o primeiro


momento em que soube do meu trabalho de conclusão de curso, me apoiou e
disponibilizou além de seu vasto conhecimento e suporte, os laboratórios da
Faculdade para os testes necessários.

Ao meu Professor e Orientador Artur Rodrigues, pela confiança, e por abraçar


meu tema um pouco fora dos padrões e fazer dessa caminhada mais suave
com todo o apoio e dedicação possíveis.

Aos meus pais pelo amor, carinho, compreensão em todos os momentos da


minha vida (e pelos mimos e lanchinhos nos dias de estudos).

A minha irmã por sempre me incentivar e por vibrar em cada pequena vitória
comigo.

Aos meus amigos e agora colegas de profissão, Caroline, Kamila, Lívia, Mariel,
Moisés, Monique, Rafaella e Yasmin. Por terem caminhado comigo durante o
curso e a vida por todas as noites viradas juntos um incentivando ao outro,
sempre.
A todos qυе direta оυ indiretamente fizeram parte dа minha formação, о mеυ
muito obrigada.
5

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 Exemplos de diferentes granulometrias, formas e materiais de


agregados utilizados no concreto armado

Figura 2 Tipos de brita, segundo a ABNT

Figura 3 Exemplos de diferentes granulometrias de argila expandida,


classificação da empresa Argila Expandida

Figura 4 Exemplo de como é obtida a escória de alto forno

Figura 5 Monier, um dos inventores do concreto armado

Figura 6 Barco construído por Lambot, de aproximadamente 4 metros

Figura 6 Gráfico associando o aumento do grau de deterioração com o tempo e


o tipo de clima

Figura 7 Níveis da maré e planos de referência

Figura 8 Rebentação de onda lançando névoa marinha para o ar

Figura 9 Esquema da deposição de sais versus a distância da costa

Figura 10 Esquema das zonas de exposição marinha

Figura 11 Principais reações de deterioração do concreto armado em águas


marinhas

Figura 12 Esquema do avanço da carbonatação do concreto e suas


consequências

Figura 13 Exemplo de corrosão em tubos metáticos

Figura 14 Exemplo de corrosão em concreto

Figura 15 Localização da Ilha de Vitória, no estado do Espirito Santo

Figura16 Identificação das estruturas a serem estudadas


6

Figura 17 Ponte de Camburi

Figura 18 Camada de cobrimento corroída na Ponte de Camburi

Figura 19 Detalhe de uma fissura na Ponte de Camburi

Figura 20 Detalhe da deposição de sais nas vigas e fissuras

Figura 21 Detalhe da corrosão do concreto armado com fissuras e


desprendimento de placas

Figura 22 Segunda Ponte

Figura 23 Detalhe da corrosão do concreto armado e do aço dos tubulões com


fissuras

Figura 24 Detalhe da corrosão da armadura de aço com fissuras

Figura 25 Detalhe de corrosão na base inferior do pilar na Segunda Ponte

Figura 26 Terceira Ponte vista de Vitória

Figura 27 Detalhe da corrosão do concreto armado com fissuras e


desprendimento de placas

Figura 28 Detalhe da corrosão do concreto armado com fissuras e


desprendimento de placas

Figura 29 Rodoviária de Vitória vista do mar

Figura 30 Detalhe da parte inferior das estruturas da Rodoviária

Figura 31 Cais do Hidroavião visto pelos fundos

Figura 32 Detalhes de patologias diversas no Cais do Hidroavião

Figura 33 Preparação do estrato de Repolho Roxo em laboratório

Figura 34 Demonstração das faixas de viragem do Indicador de pH feito com


Repolho Roxo

Figura 35 Demonstração das faixas de viragem, com uma amostra da pasta de


cimento em contato com o Indicador
7

Figura 36 Amostras dos estudos de caso com o indicador

Figura 37 Resultado das amostras com o indicador mostrando as diferentes


nuances de azul

Figura 38 Resultados das amostras em contato com o Indicador, e ao fundo as


amostras de referência para comparação
8

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS ....................................................................... 5


1 INTRODUÇÃO ........................................................................... 11
1.1. CONTEXTO E JUSTIFICATIVA .......................................................... 11
1.2. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA........................................................ 12
1.3. OBJETIVOS ........................................................................................ 12
1.3.1. OBJETIVO GERAL....................................................................... 12
1.3.2. OBJETIVO ESPECÍFICO ............................................................. 12
1.5. METODOLOGIA .................................................................................... 13
1.6. ESTRUTURA DO TRABALHO............................................................... 13
2 O CONCRETO ARMADO .......................................................... 15
2.1. DEFINIÇÃO............................................................................................ 15
2.2. CIMENTO E CONCRETO...................................................................... 16
2.2.1.TIPOS DE CIMENTO PORTLAND ................................................... 17
2.2.1.1. COMUM..................................................................................... 17
2.2.1.2. COMPOSTO.............................................................................. 18
2.2.1.3. ALTO FORNO ........................................................................... 18
2.2.1.4. POZOLÂNICO ........................................................................... 19
2.2.1.5. ALTA RESISTÊNCIA INICIAL ................................................... 19
2.3. AGREGADOS ........................................................................................ 20
2.3.1. MIÚDO............................................................................................. 21
2.3.2. GRAÚDO ......................................................................................... 22
2.3.3. ARGILA EXPANDIDA ...................................................................... 23
2.3.4. VERMICULITA EXPANDIDA ........................................................... 24
2.3.5. ESCÓRIA DE ALTO FORNO........................................................... 24
2.4. ÁGUA E AGLOMERANTES................................................................... 25
2.5. TIPOS DE CONCRETO......................................................................... 26
2.5.1. CONCRETO CONVENCIONAL....................................................... 27
2.5.2. CONCRETO DE ALTO DESEMPENHO E ALTA RESISTÊNCIA.... 27
2.6. ARMADURAS DE AÇO ......................................................................... 28
2.6.1. IMPORTÂNCIA DO AÇO NO CONCRETO ARMADO .................... 28
2.6.2. EVOLUÇÃO DAS CONSTRUÇÕES EM CONCRETO ARMADO ... 29
9

3 CARACTERIZAÇÃO E INFLUÊNCIA DO AMBIENTE MARINHO


...................................................................................................... 31
3.1.CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE ..................................................... 31
3.2. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DA ÁGUA DO MAR...................................... 32
3.3. TEMPERATURA DA ÁGUA DO MAR.................................................... 33
3.4. ALTURA DAS ONDAS ........................................................................... 34
3.5. MARÉS .................................................................................................. 35
3.6. NÉVOA MARINHA (MARESIA).............................................................. 37
3.7. ZONAS DE EXPOSIÇÃO....................................................................... 38
4 PATOLOGIAS DO CONCRETO ARMADO EM AMBIENTES
MARINHOS................................................................................... 40
4.1. ESTRUTURAS EM CONCRETO ARMADO .......................................... 40
4.1.1. VANTAGENS E DESVANTAGENS ................................................. 40
4.1.2. FATORES DE DEGRADAÇÃO........................................................ 41
4.1.2.1 PROCESSOS MECÂNICOS ...................................................... 41
4.1.2.2. FATORES QUÍMICOS............................................................... 41
4.1.2.3. FATORES BIOLÓGICOS .......................................................... 42
4.1.3. A CORROSÃO NO CONCRETO ARMADO .................................... 42
4.2. CORROSÃO ....................................................................................... 44
4.2.3.1 CORROSÃO ELETROQUÍMICA ................................................ 45
4.4 ANÁLISE DE PATOLOGIAS EM ESTRUTURAS CONSTRUÍDAS EM
AMBIENTE MARINHO.................................................................................. 47
4.4.1 CORROSÃO INFLUENCIADA POR FATORES MECÂNICOS ........ 47
4.4.2 MEIOS CORROSIVOS ..................................................................... 47
5 ESTUDO DE CASO – ILHA DE VITÓRIA.................................. 48
5.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................ 48
5.1.1 DEFINIÇÃO DA ZONA ..................................................................... 48
5.1.1.1 CARACTERIZAÇÃO DA ZONA.................................................. 49
5.1.1.1.1 TEMPERATURA ..................................................................... 49
5.1.1.1.2 REGIME DOS VENTOS .......................................................... 49
5.1.1.1.3 MARÉS.................................................................................... 50
5.2 METODOLOGIA DE ANÁLISE ............................................................... 50
5.2.2. ENSAIOS QUÍMICOS ......................................................................... 62
5.2.2.1. TESTE DO INDICADOR ÁCIDO-BASE ........................................... 63
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................... 67
10

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................. 68


11

1 INTRODUÇÃO
1.1. CONTEXTO E JUSTIFICATIVA

A maioria da população brasileira, segundo o IBGE (2000), reside na zona


costeira. Seguindo a tendência, historicamente, a população mundial se fixou
no litoral, seis a cada dez pessoas vivem à no máximo 60 quilômetros da costa
marinha (SERRA,2013).

Justificando, portanto, a aglomeração de verdadeiras multidões e,


consequentemente grandes investimentos econômicos. Baseado nesse
cenário, os maiores centros urbanos, culturais e os patrimônios mundiais,
situam-se nesta região, e estão sujeitos às intempéries salinas diariamente,
caracterizado por um ambiente extremamente hostil para as construções em
concreto armado e aço.

De acordo com o presente panorama mundial: a globalização e a constante


necessidade de se erguer estruturas cada vez mais duráveis e em menos
tempo, as construções de estruturas que possuem concreto armado como
sistema estrutural, vêm ganhando espaço desde o século XIX, quando ainda
funcionavam como elementos auxiliares em estruturas de madeira, e
atualmente estão presentes em todos os lugares.

Entretanto, foi no século XX que foram concebidas as maiores e mais


importantes estruturas em concreto armado que se conhece até hoje.

O Brasil é um país com uma grande costa marinha atlântica, que atualmente
enfrenta sérios problemas sociais advindos do seu processo de
desenvolvimento, tais como, habitação, infra-estutura, violência, saúde,
educação, desemprego, entre outros (CORONATO, 2016). E, na atual crise
econômica enfrentada, é fundamental que seja minorado os custos com
reparos, demolições e novas construções públicas e privadas. Para tal, é
relevante o estudo das agressões e patologias inerentes a essas estruturas em
concreto armado – que é o principal sistema construtivo brasileiro – visando
construções mais resistentes, mais duráveis, e com um custo-benefício
interessante (SANTOS, 2006).
12

Contudo, os fenômenos patológicos nas estruturas em concreto armado


habitualmente apresentam manifestação externa característica, a partir da qual
se pode deduzir a natureza, a origem e os mecanismos dos fenômenos
envolvidos. (HELENE, 1992)

1.2. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

A problemática que engloba as construções em ambientes marinhos são as


patologias provenientes desse meio ambiente quimicamente agressivo,
principalmente, as que se referem ao concreto armado e ao aço. A partir disso,
será estudada a Ilha de Vitória, no Estado do Espirito Santo. Os elementos de
analise serão: Ponte de Camburi, Segunda Ponte, Terceira Ponte, Rodoviária
de Vitória e o Cais do Hidroavião, avaliando e classificando e quantificando os
danos causados pelo ambiente marinho.

1.3. OBJETIVOS

1.3.1. OBJETIVO GERAL

Analisar as patologias das construções em ambiente marinho, na Ilha de


Vitória, visando aumentar a vida útil das construções e, propor diretrizes para a
continuação dos estudos na área e base para elaboração de um possível plano
de reparação e manutenção futura.

1.3.2. OBJETIVO ESPECÍFICO

 Levantar referencial teórico sobre o tema


 Identificar os processos e as causas de degradação das estruturas em
ambiente marinho
 Estudar as causas das patologias das estruturas em concreto armado
nas áreas marinhas referentes à costa da Ilha de Vitória
 Mapear os danos das pontes e estruturas analisadas
13

1.5. METODOLOGIA

O presente Trabalho Final de Graduação foi dividido em duas etapas


fundamentais. A primeira etapa consiste em uma vasta revisão bibliográfica
sobre os principais materiais de construção, caracterização do ambiente
marinho, e mecanismos de deterioração. A segunda etapa consiste no estudo
de caso da Ilha de Vitória: Ponte de Camburi, Segunda Ponte, Terceira Ponte,
Rodoviária de Vitória, Cais do Hidroavião. A metodologia utilizada para o
estudo de caso será detalhada no capítulo 5, ítem 5.2.

1.6. ESTRUTURA DO TRABALHO

Este trabalho desenvolve-se em seis capítulos:

No capítulo um, contém a exposição formal do Trabalho Final de Graduação,


fazendo referencias ao contexto histórico e temático, objetivos, a metodologia
utilizada e a estruturação do trabalho.

No capitulo dois, utiliza-se da literatura técnica para explicar o que é o


concreto, sua composição, agregados, traço, tipos de cimento, propriedades
estruturais a sua importância tanto econômica quanto estrutural, exemplifica os
diversos tipos de concreto e suas principais aplicações nas construções civil.

No capitulo três, caracteriza-se, segundo bibliografia técnica, o ambiente


marinho, composição química da agua do mar, temperatura da agua, altura das
ondas, marés, nevoeiro marinho, e como esses fatores influenciam as
construções à beira-mar. Analisa também, as zonas de exposição e como as
construções de concreto armado e em aço se comportam.

No capitulo quatro, apresenta-se e caracteriza-se o que são as estruturas em


concreto armado, como funcionam quimicamente e fisicamente, suas
vantagens e desvantagens como sistema construtivo, fatores de degradação
do material em questão e exemplifica os diferentes tipos de deterioração do
concreto. Introduz também à corrosão no concreto e nas estruturas metálicas,
apresenta as vantagens e desvantagens das estruturas metálicas. E apresenta
a corrosão eletroquímica.
14

No capítulo cinco, apresenta-se o ambiente a ser estudado, metodologia de


análise e, estuda e analisa a Ilha de Vitória, e estruturas como: Ponte de
Camburi, Segunda Ponte, Terceira Ponte, Cais do Hidroavião, e Rodoviária de
Vitória. Ressaltando as patologias nas construções causadas pela névoa
marinha, e, análise de fotografias de ensaios químicos que constatem a
mudança de pH na estrutura.

No capítulo seis são apresentadas as considerações finais do trabalho,


propondo diretrizes para estudos futuros e possível reabilitação das estruturas
estudadas nos capítulos anteriores. Ao final, a referência bibliográfica utilizada
é apresentada.
15

2 O CONCRETO ARMADO

O presente capitulo apresenta a definição de concreto e cimento, salientando


quais os tipos mais utilizados na construção civil atualmente, assim como suas
propriedades físicas, químicas e construtivas. Sendo fundamental o
entendimento das principais propriedades do concreto para, posteriormente,
compreender o processo das patologias.

2.1. DEFINIÇÃO

Conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, na norma NBR


6118 (ABNT, 2004), a definição de concreto simples é: “elementos estruturais
elaborados com concreto que não possui qualquer tipo de armadura ou que a
possui em quantidade inferior ao mínimo exigido para o concreto armado”.

O concreto é o material de construção mais utilizado atualmente nas


concepções estruturais nos campos da Arquitetura e Engenharia civil. Trata-se
de um material composto por cimento, água e agregados nas suas devidas
proporções de acordo com sua destinação. Contudo, para retardar ou acelerar
a pega, diminuir o consumo de cimento, aumentar a trabalhabilidade e/ou
plasticidade, incorporar ar, ser mais resistente a determinados agentes
externos, dentre outras modificações das propriedades originais do concreto,
para atender a um determinado uso. Tais aditivos são: pozolanas, sílicas,
escória de alto forno, cinzas volantes, entre outros. (WANTANABE, 2008)

O tipo de concreto mais utilizado no mundo é o convencional, ou seja, fazem


parte da sua composição apenas cimento, agregados naturais e água, e são
resistentes à compressão numa faixa de valores entre 10Mpa a 50Mpa.
Entretanto, apesar do uso em larga escala, esse tipo de concreto possui certas
deficiências, que explica o desenvolvimento de outros tipos de concreto que
suprissem essas novas necessidades (WANTANABE, 2008). Tais como os
ambientes agressivos em diferentes níveis, principalmente o ambiente marinho
que estudaremos mais adiante neste trabalho.
16

Para Helene (1992) a melhor definição de concreto armado é o que é feito com
o cimento Portland, que por sua vez, é o material mais tradicional empregado
em reforços e reparos. E, para cada caso, requerem-se traços diferentes, seja
para obter altas resistências iniciais, elevada aderência ao substrato, baixa
permeabilidade, ausência de retração na secagem, entre outras propriedades
que podem ser alcançadas adicionando-se impermeabilizantes, escória de alto
forno, cinzas volantes, sílicas, e baixa relação água/cimento.

2.2. CIMENTO E CONCRETO

De acordo com Bastos (2006), o cimento Portland, como hoje é mundialmente


conhecido, foi descoberto na Inglaterra por volta do ano de 1824, por Joseph
Aspdin, e a produção industrial foi iniciada após o ano de 1850. E é o principal
componente do concreto, altamente reativo com a água, atingindo grandes
resistências mecânicas em um curto intervalo de tempo.

Battagin (2009) acrescenta, portanto, que a origem do nome Portland ocorreu


devido ao costume inglês da época, de se construir com pedra de Portland,
uma ilha localizada ao sul da Inglaterra. Como o cimento possuía
características semelhantes como as da pedra da ilha de Portland, o recém
descoberto material foi batizado desta forma.

Ambrozewicz (2012), por sua vez define que o cimento é um pó fino com
propriedades aglutinantes, que endurece sob ação da água, sendo, portanto,
um aglomerante hidráulico. Depois de endurecido sob a ação da água, não se
decompõe mais. Desta forma o mesmo Autor afirma que o cimento é hoje, sem
dúvida, o mais importante dos aglomerantes.

De acordo com a American Society for Testing and Materials – ASTM, na


norma de Especificações Padrão para o Cimento Portland C150 (ASTM, 2007),
o cimento Portland classifica-se como:
[...] aglomerante hidráulico produzido pela moagem do clínquer, que
consiste essencialmente de silicatos de cálcio hidráulicos, usualmente
com uma ou mais formas de sulfato de cálcio como um produto de
adição. Os clínquers são nódulos de 5 a 25mm de diâmetro de um
material sintetizado, produzido quando uma mistura de matérias-
17

primas (farinha) de composição pré determinada é aquecida a altas


temperaturas.

Conclui-se que o cimento é, portanto, uma mistura de elementos químicos com


propriedades aglutinantes possuindo boa reatividade com a água, formando
uma pasta que por sua vez endurece, alcançando grandes resistências
mecânicas, principalmente resistência à compressão, chamado de concreto.
Tornando-se o principal material de construção da atualidade, capaz de vencer
os desafios estruturais e plásticos das Construções Civis.

2.2.1.TIPOS DE CIMENTO PORTLAND


2.2.1.1. COMUM

Ambrozewicz (2012), afirmou em sua pesquisa que o CP I, mais conhecido


como Cimento Portland Comum, é aquele produzido sem quais quer aditivos
especiais, exceto o gesso que é empregado para se obter uma pega regular,
pois sem o mesmo, o concreto endureceria quase que instantaneamente.
Segundo a ABNT, na norma NBR 5732 (ABNT, 1991) acrescenta que o
Cimento Portland Comum:
Aglomerante hidráulico obtido pela moagem de clínquer Portland ao
qual se adiciona, durante a operação, a quantidade necessária de uma
ou mais formas de sulfato de cálcio. Durante a moagem é permitido
adcionar a esta mistura materiais pozolanicos, escorias granuladas de
alto-forno e/ou materiais carbonáticos nos teores especificados [...]

Ainda segundo a norma NBR 5732 (ABNT, 1991), o CP I pode ser encontrado
também com pequenas adições de pozolana e material carbonático (ou escória
de alto forno), com o nome de CP I-S. Sua principal diferença é que o CP I é
composto apenas por clínquer e sulfatos de cálcio.

Libânio (2007), afirma que o uso do CP I é, portanto, muito recomendado para


as construções em concreto em geral, exceto quando há exposição a sulfatos
do solo ou de águas subterrâneas de quaisquer origens.

Quanto a resistência à compressão, a NBR 5732 (ABNT, 1991), ainda informa


que existem três classes de CP I ou CP I – S: as que resistem a 25, 32 ou 40
Mpa, sendo esses valores referentes aos valores mínimos de resistência à
compressão que o concreto atinge aos 28 dias de pega.
18

2.2.1.2. COMPOSTO

De acordo com Ambrozewicz (2012), o CP II, o Cimento Portland Composto é


um cimento intermediário entre o CP I e o Cimento Portland com adição de
escória de alto forno ou pozolana. Atualmente o CP II, tem uma grande
aceitação no mercado e nas obras nacionais, correspondendo a 70% da
produção industrial brasileira, sendo assim utilizado na maioria das obras,
substituindo, atualmente, o CP I.

A norma NBR 11578 (ABNT, 1991), complementa que, o CP II possui três tipos
de acordo com o material adicionado: CP II – Z (com material pozolânico), CP II
– E (com escória), e, por fim CP II – F (composto com filler). Apresentando as
mesmas classes quanto à resistência de compressão aos 28 dias de idade, de
25, 32 e 40 Mpa, respeitando, também, os limites mínimos de resistência
mecânica.

2.2.1.3. ALTO FORNO

O CP III, também conhecido como cimento de alto forno, é obtido adicionando


escória granulada de alto forno, que é moída conjuntamente com o clínquer.
Desta forma, a mistura adiciona ao concreto propriedades hidráulicas latentes,
ou seja, o cimento reage velozmente com a água, que, acrescida de ativadores
físicos e químicos que potencializam tais propriedades. (AMBROZEWICZ,
2012).

A norma NBR 5735 (ABNT, 1991) complementa que a massa total do cimento
deve ser composta por 35 a 70% de escória granulada, que por sua vez deve
apresentar de 25 a 65% de clinquer adicionado de sulfato de cálcio.
Aos 28 dias de pega, é observada uma resistência superior a do CP I, sendo
recomendado seu uso em lajes, pilares, vigas, pontes, tuneis, pisos industriais,
argamassa de revestimento e assentamento, concreto estrutural, e,
principalmente em ambientes quimicamente agressivos.
19

2.2.1.4. POZOLÂNICO

De acordo a norma NBR 5736 (ABNT, 1991), o CP IV, também conhecido


como Cimento Portland Pozolânico, esse cimento acrescido de argila de
pozolana, ou cinzas volantes, que é um composto de sílica reativa que, quando
entra em contato com a cal tem o papel de ligante hidráulico, conferindo ao
cimento uma maior impermeabilidade e durabilidade.
Sua composição segundo a norma NBR 5736 (ABNT, 1991), deve ser: 45 a
85% de clínquer e gesso, 15% a 50% de material pozolânico e de 0 a 5% de
calcário. Devido à essas características e propriedades anteriormente
mencionadas, tem grande aplicabilidade em obras em ambiente marinho,
meios quimicamente agressivos em geral e em obras de saneamento básico.

Ambrozewicz (2012) acrescenta que o CP IV é obtido pela adição de pozolana


ao clínquer, que ao contrario da escória de alto forno, não é reativa com a água
em seu estado natural. Quando a pozolana é rigorosamente moída, reage com
o hidróxido de cálcio em meio aquoso e em temperatura ambiente, originando
compostos com propriedades aglomerantes.

2.2.1.5. ALTA RESISTÊNCIA INICIAL

Segundo a norma NBR 5733 (ABNT, 1991, p.2), o CP V-ARI, também


conhecido como Cimento Portland de alta resistência inicial define-se por:
Aglomerante hidráulico que atende às exigências de alta resistência
inicial, obtido pela moagem de clínquer Portland, constituído em sua
maior parte de silicatos de cálcio hidráulicos, ao qual se adiciona,
durante a operação, a quantidade necessária de uma ou mais formas
de sulfato de cálcio. Durante a moagem é permitido adicionar a esta
mistura materiais carbonáticos[...].

Entretanto, em seu estudo Ambrozewicz (2012) complementa que esse tipo de


cimento é capaz de atingir altas resistências já nos primeiros dias posteriores à
concretagem. Essa característica faz-se possível graças a uma dosagem de
calcário e argila na produção do clínquer, além de uma moagem mais fina para
que o cimento tenha maior superfície de contato com a água, resultando numa
maior velocidade de reação, justificando assim a propriedade desejada com o
material, a alta resistência inicial.
20

2.3. AGREGADOS

De acordo com Petrucci (1973), os agregados do concreto são materiais


granulares sem forma ou volume definidos, geralmente inertes, com suas
dimensões, características adequadas para a destinação a qual o concreto
será empregado.

Figura 1 Exemplos de diferentes granulometrias, formas e materiais de agregados utilizados no


concreto armado

Fonte Revista Técne, 2010

São de grande importância na redução de custo da obra, pois compõem de 60


a 80% do volume do concreto, que por sua vez é o elemento mais caro. São
também importantes, entretanto, para a diminuição da retração do concreto e
também para a resistência ao desgaste por abrasão mecânica, ou seja,
aumentam a superfície de contato com a pasta de cimento aumentando a
resistência. (PETRUCCI, 1973)

Em sua pesquisa Ambrozewicz (2012) complementa que os variados tipos de


agregados são classificados quanto à origem, massa específica,
dimensões,forma, e, subclassificam-se em agregados naturais (ex. areia,
seixos, brita, pó de pedra, etc) e são encontrados na natureza sob a forma
definitiva de uso, já os agregados artificiais (ex. escória de alto forno)
necessitam de alguma modificação para chegar à condição de uso.

Quanto à origem podem ser naturais, facilmente encontrados na natureza, e,


exigindo poucos processos para ficar pronto para o uso, exemplos desses
materiais são: areia e cascalho. Podem ser também classificados como
artificiais advindos de processos industriais, como por exemplo: britas, cinza
volante, concreto reciclado, escória de alto-forno, argila expandida, dentre
muitos outros (SOUZA JUNIOR, 2003).
21

São classificados também quanto à massa específica, sendo eles leves, com
massa unitária menor que 2.000 kg/m³, normais com massa unitária entre
2.000 kg/m³ e 3.000 kg/m³, e ainda podem ser considerados pesados com
massa unitária acima dos 3.000kg/m³ (SOUZA, JUNIOR, 2003).

Outro tipo importante de classificação é quanto às dimensões. Podem ser


considerados miúdos, independente de sua origem natural ou artificial, para ter
essa classificação devem apresentar grãos cujos os de maior tamanho passam
na peneira ABNT 4,8mm e os menores ficam retidos na peneira ABNT 0,075
micrometro. Já os agregados graúdos se caracterizam pelos grãos cujos
passam pela peneira de malha quadrada com abertura nominal de 152mm e
ficam retidos na peneira ABNT 4,8mm.

A granulometria é de grande importância na excelência da qualidade de um


bom concreto, influenciando na trabalhabilidade, compacidade e resistência. O
módulo de finura é obtido pela somatória das porcentagens retidas e
acumuladas por tais peneiras, citadas anteriormente, dividida por 100. É de
extrema importância pois está diretamente relacionado com a área superficial
do agregado e a área de molhagem, interferindo na consistência. Quanto
menor o diâmetro dos grãos, maior é a área especifica, portanto, maior é a
quantidade de água necessária para atingir uma certa consistência
(AMBROZEWOCZ, 2012).

2.3.1. MIÚDO

De acordo com Oliveira (2002), o agregado miúdo é um exemplo de um


material de origem natural, podendo ser classificado em areia fina ou grossa
dependendo de sua origem ou granulemetria. A areia por sua vez, é derivada
do desgaste de rochas e, possui granulometria variando entre 0,05 e 5
milímetros pelas normas da ABNT. De todos os tipos de rocha, podem-se
extrair a areia, pelo desgaste mecânico, porém, são mais utilizadas as com
maior teor de quartzo.
22

2.3.2. GRAÚDO

A pedra britada é o agregado industrializado mais utilizado na construção civil.


É obtido a partir de rochas retiradas de jazidas naturais, e, depois trituradas em
dimensões padronizadas pela norma de NBR 7211 (ABNT,2009). Esse
produto, proveniente das triturações são classificados, de acordo com a NBR
7211 (ABNT, 2009), em Brita 0 (4,8mm a 9,5mm), Brita 1(9,5mm a 19mm),
Brita 2 (19mm a 25mm), Brita 3 (25mm a 38mm), e, Brita 4 (38 a 76mm)
(AMBROZEWICZ, 2012). Pode-se observar na Figura 2, exemplos de
granulometria padronizadas pela ABNT.

Figura 2 Tipos de brita, segundo a ABNT

Fonte Associação Brasileira de Normas Técnicas

Oliveira (2002) complementa que os principais tipos de rocha utilizados na


produção de britas são: granito e gnaisse em sua maioria. E reforça que a
forma e a superfície do grão possuem grande influência na qualidade do
concreto, facilitando a aderência do cimento.

Entretanto, Petrucci (1973) conclui que para garantir um concreto de alta


qualidade, os agregados devem ser retirados de rochas estáveis, ou seja,
rochas que não reajam com o ar, água ou gelo. Não é adequado também, o
uso de rochas de xisto ou feldspáticas pois tem um alto grau de decomposição
quando em contato com o ar ou água.

A brita tem função de contribuir com a resistência aos esforços solicitados,


reduz as variações de volume, contribui economicamente para a diminuição do
custo do concreto, e, ainda resiste ao desgaste pela ação das intempéries.
(OLIVEIRA, 2002). No Brasil, as principais rochas que são utilizadas para a
obtenção de britas são: basalto, gnaisse e granito. E, visando ainda mais a
economia da obra, é admitido também o uso de calcário, quartizito, arenito,
diorito, gabro, e diábase. (PETRUCCI, 1973)
23

Após as definições dos autores acima, é possível observar que a presença da


brita como agregado no concreto é de grande importância, tanto para alcançar
a resistência solicitada quanto para a diminuição do custo final da obra.

Definido por Wentworth apud Oliveira (2002), o cascalho é composto


basicamente por fragmentos de rochas que estão compreendidos em uma faixa
de granulometria entre 2 a 256mm de diâmetro, sendo esses, portanto, mais
grossos que a areia, de origem natural e de tamanho graúdo.

Já Ambrozewicz (2012), define que é um sedimento fluvial de rocha,


apresentando diâmetro dos grãos a partir de 5mm, podendo atingir 10mm.
Utiliza-se no concreto, propiciando maior trabalhabilidade, no mesmo traço que
a pedra britada, porém adere menos à pasta de concreto.

Observa-se, portanto, que o cascalho assim como a pedra britada é de grande


importância para se alcançar os objetivos estruturais do concreto.

2.3.3. ARGILA EXPANDIDA

É um agregado produzido a partir de uma argila que passa por um processo


industrial, em fornos rolativos onde se alcançam temperaturas superiores a
1000ºC. É um material arredondado, leve, de baixa condutividade térmica e
acústica, e apresenta também baixa densidade. Por outro lado, é capaz de
suportar uma resistência à compressão de 30MPa. Por possuir tais
características, é muito usada em concretos leves (AMBROZEWICZ, 2012).

Na Figura 3 temos exemplos de diferentes tipos de granulometria de argila


expandida, utilizadas como agregados conforme as solicitações do tipo da
obra.
24

Figura 3 Exemplos de diferentes granulometrias de argila expandida, classificação da empresa


Argila Expandida

Fonte ARGILA expandida. Disponivel em: http://argilaexpandida.com.br/produtos/argila-


expandida.jpg. Acesso em 5 de nov 2015.

2.3.4. VERMICULITA EXPANDIDA

Reis apud Peralta (2009), afirma em sua pesquisa que a vermiculita é um


mineral derivado da alteração de micas, que possui a propriedade de expandir
quando é submetido a grandes temperaturas.

Para Ambrozewicz (2012), trata-se de um agregado leve oriundo dos minérios


de argila quando colocada em temperaturas em torno de 500ºC. Possui
portanto as mesmas característica da argila expandida, porem em
granulometria menor.

2.3.5. ESCÓRIA DE ALTO FORNO

Thomaz (2012) observou que a escória de alto forno, é utilizada como


agregado do cimento, é um resíduo resultante da fabricação do ferro gusa, nos
altos fornos. A escória de alto forno é composta principalmente por óxidos de
ferro, silício e alumínio. E, quando resfria-se esse material rapidamente, resulta
na escória em grânulos, um agregado do concreto leve, cuja granulometria se
assemelha com a da areia média.

De acordo com Coutinho (2008), a escoria de alto forno é caracterizada como


sendo um subproduto da fabricação do ferro fundido. Sendo esse produto,
recolhido na parte inferior do alto forno, de densidade maior o ferro fundido, e
de densidade menor a escória de alto forno. Na Figura 4, tem-se um esquema
de como tal agregado é obtido.
25

Figura 4 Exemplo de como é obtida a escória de alto forno

Fonte ALTO forno. Disponível em http://www.ebah.com.br/content/ABAAAftskAA/alto-forno-


mecanica. Acesso em 5 nov 2015.

2.4. ÁGUA E AGLOMERANTES

Para promover a sua hidratação, o cimento precisa reagir com a água. Para tal,
a quantidade mínima varia em torno de 25 a 30% do peso do cimento, ou seja
a proporção água/cimento é 0,25 a 0,30, produzindo um concreto minimamente
trabalhável. Menos que essa proporção, é impraticável o lançamento e molde
nas formas. Quando aumenta-se essa proporção para 0,55 a 0,65, tornamos o
concreto mais trabalhável, porém a pasta fica mais porosa, e permeável, pois
devido às reações químicas do concreto, essa água em excesso evapora
deixando poros na estrutura, podendo também trincar a estrutura. (GRANATO,
2002)
Segundo com a norma NBR 6118 (ABNT,2014) a relação água/cimento ideal
varia de acordo com a zona de agressividade e o tipo estrutural a ser
empregado, como por exemplo, concreto armado ou protendido. Variando,
portanto, essa relação da zona menos agressiva(≤ 0,65 ) para mais agressiva
(≤ 0,45).
Deste modo, observa-se que a água é, em suas quantidades adequadas,
essencial para a formação do concreto, pois reage quimicamente com o
mesmo, formando a pasta e liberando grande quantidade de calor. É também
26

de grande importância a umidade com agua superficial no concreto em fase de


cura.

A pega ou o endurecimento do concreto é lento, em torno de 28 dias, e varia de


acordo com a quantidade de água/cimento e os aditivos usados. Considera-se
que o concreto alcançou um determinado grau de hidratação, e nunca que as
reações químicas se completaram. Outro fator interessante estudado por
Coutinho (2006) é, que à semelhança da maioria das reações químicas, quanto
maior a temperatura, maior a velocidade de reação (reações de hidratação),
quando a mistura chega a 10ºC negativos essa velocidade de reação cessa.

Outro tipo de aglomerante empregado na construção civil é, de acordo com os


estudos de Ambrozewicz (2012), a argila. Segundo os registros históricos,
indicam que a argila foi o primeiro aglomerante mineral utilizado pelo homem
na construção de suas edificações.

Apesar de ser quimicamente inativa, a argila endurece em conseqüência da


evaporação da água do amassamento, chegando a atingir algum a resistência
mecânica (AMBROZEWICZ, 2012).

Desta forma, de acordo com os estudos de Zakon e Fonseca (1983), a


propriedade algomerante da argila se dá devido à presença de silicatos e
aluminatos, podendo ser encontrados na natureza em forma de rocha de
quartzo, areia silicosa, arenito, ou quartizito. Já os aluminatos podem ser
encontratos na forma do mineral bauxita.

Segundo Coutinho (2006), a cal é também, largamente utilizada como


aglomerante, porém não será explorado neste estudo devido à inviabilidade de
se utilizá-lo concomitantemente com armaduras de aço (concreto armado) pois
possui um grande poder corrosivo, comprometendo assim a durabilidade e
confiabilidade da estrutura.

2.5. TIPOS DE CONCRETO

Os variados tipos de concreto diferenciam-se pela composição e traço, para


alcançar o melhor desempenho físico e estrutural. Existem vários tipos e neste
27

trabalho serão estudados o concreto convencional e o concreto de alta


resistência.

2.5.1. CONCRETO CONVENCIONAL

O grande uso do concreto convencional na atualidade é justificado pela


facilidade de execução, tamanhos, formas, principalmente a disponibilidade no
canteiro de obra e a economia (MEHTA; MONTEIRO, 1994, apud COUTO,
2013).

Para Ambrozewicz (2012), o concreto convencional que é utilizado na maioria


das obras civis, industriais e em pré moldados. É aquele sem qualquer
característica especial, resistindo às solicitações normais de tensões e em
ambientes com agressividades normais, obedecendo às Normas da ABNT,
para sua elaboração, execução e cura. Tem aparência seca, e sua resistência
varia de 10 até 40 MPa, desenvolvendo sua resistência à compressão aos 28
dias. As principais vantagens são a grande durabilidade, qualidade final da
obra, menor tempo de execução e viabilidade econômica.

2.5.2. CONCRETO DE ALTO DESEMPENHO E ALTA RESISTÊNCIA

O concreto de alto desempenho, também conhecido como CAD, é indicado


para projetos em que se tenha a necessidade de vencer grandes vãos ou
peças de menores dimensões para suportar maiores cargas. Esse tipo de
concreto apresenta características mais especificas que o tradicional, tais como
baixa permeabilidade, pouca exsudação, poucas deformações, entre outras
características que justificam o uso em determinadas obras que exijam maiores
esforços. (PINHEIRO, 2006)

Wantanabe (2008), por sua vez, caracteriza que o concreto de alto


desempenho (CAD) possui grandes resistências mecânicas, tem uma
durabilidade e uma trabalhabilidade maior que o concreto comum. Apesar de
ter um maior custo com manutenção e reparos, sua vantagem é obtida na
maior capacidade de carga, comparada com outros concretos, justificando e
compensando seu maior custo inicial, sendo economicamente interessante
para algumas obras e projetos.
28

Complementando a definição anterior, Ambrozewicz (2012) define que o


concreto de alto desempenho é elaborado com aditivos minerais como o
metacaulim, sílica ativa e aditivos superplastificantes, que melhoram a
trabalhabilidade consumindo menos água e ganhando grande resistência com
menos tempo.

2.6. ARMADURAS DE AÇO

As armaduras de aço utilizadas no concreto armado são peças essenciais para


que o concreto seja resistente à tração. Estas necessitam desenvolver uma
boa aderência com o material que as envolve, ou seja, a pasta de concreto
para garantir uma estrutura resistente e durável (FREITAS JR, 2007).

2.6.1. IMPORTÂNCIA DO AÇO NO CONCRETO ARMADO

O aço é uma liga metálica formada principalmente por ferro e carbono, com o
teor de carbono sendo baixíssimas, variando entre 0,008% e 2,11% de acordo
com a utilização e demanda do aço. A sua principal característica que o
diferencia do ferro fundido, que também é uma liga de ferro e carbono, é a
percentagem de carbono que é mais elevada, cerca de 2,11% e 6,67%. Aliado
ao carbono é utilizado também nas ligas férricas, outros elementos químicos
tais como: magnésio, cromo, vanádio e o tungstênio. (ASHBY et al, 1992)
Complementando essa informação, a composição química do aço é o fator
mais importante na determinação das propriedades do material. Os elementos
carbono e manganês têm influencia no controle da resistência, soldabilidade e
ductilidade dos aços carbono comuns. (AMBROZEWICZ, 2012)

O elemento carbono, no aço, aumenta a dureza e resistência, mas compromete


a ductilidade e a soldabilidade. Desta forma, se adicionam outros elementos
em pequenas quantidades para se obter uma liga de alto desempenho. É
importante relevar que para se obter um acréscimo de resistência mecânica, é
preciso comprometer um pouco da ductilidade do material. (PINHEIRO et al.,
2003)

Pinheiro, Muzardo e Santos (2003,cap 3, p.1) acrescentam que:


29

Os aços estruturais para construção civil possuem teores de carbono


da ordem de 0,18% a 0,25%. Esse material tem grande aplicação na
Engenharia graças às seguintes características: ductilidade;
incombustibilidade; facilidade de ser trabalhado; resistência a tração,
compressão, flexão e torção; resistência a impacto, abrasão e
desgaste. Em condições adequadas, apresenta também resistência a
variações de temperatura, intempéries e agressões químicas. Como o
concreto simples apresenta pequena resistência a tração e é frágil, é
altamente conveniente a associação do aço ao concreto, obtendo-se o
concreto armado. Esse material, adequadamente dimensionado e
detalhado, resiste muito bem à maioria dos tipos de solicitação. Mesmo
em peças comprimidas, além de fornecer ductilidade, o aço aumenta a
resistência do concreto à compressão.

O concreto é resistente à compressão, mas deficiente quando se aplicam


forças de tração. Portanto, as propriedades do aço, fluência e resistência à
tração, somadas com as características do concreto, são de fundamental
importância para o bom funcionamento do sistema estrutural mais utilizado no
mundo (BOLINA, 2008).

2.6.2. EVOLUÇÃO DAS CONSTRUÇÕES EM CONCRETO ARMADO

Foi no final do século XIX, que surgiu a necessidade de vencer a principal


dificuldade estrutural do concreto: resistência à tração, adicionando metais que
suprissem essa deficiência. O francês Lambot, em 1849, surgiu com o primeiro
protótipo de concreto armado que foi uma pequena embarcação simples, na
Figura 6, exibida da Exposição de Paris seis anos após sua concepção.
(SOUZA JÚNIOR, 2003)

Entretanto, há controvérsias quanto a quem realmente foi o inventor do


concreto armado, que é atribuído também ao jardineiro Monier, ilustrado na
Figura 5. Em 1861, criou um vaso de flores feito de maneira bem rudimentar
com armadura de arame, argamassa de cimento e areia, patenteando-o em
1867. Essa patente se estendeu a tubos e reservatórios, placas, pontes e a
escadas, nos anos conseguintes. No início do século XX, os direitos das
patentes foram comprados pela empresa alemã Wayss e Freitag, dando
continuação aos estudos do concreto armado (SOUZA JÚNIOR, 2003).
30

Figura 5 Monier, um dos Figura 6 Barco construído por Lambot, de aproximadamente


inventores do concreto 4 metros
armado

Fonte IME, Notas de


aula, 2010 Fonte IME, Notas de aula, 2010

Atualmente, o concreto de cimento Portland provou ser o material de


construção mais apropriado para estruturas, que associado com as armaduras
em aço, superou com grande vantagem outras alternativas viáveis, tais como
madeira, aço ou alvenaria (HELENE, 1992).

Mesmo sendo, o concreto, considerado como um material praticamente eterno,


e, recebendo as devidas manutenções, ainda assim o material pode apresentar
patologias e anomalias ocasionando maiores custos para sua reabilitação.
Além dos fatores estéticos, há também a diminuição da capacidade de
sustentar as cargas originais, e, podendo acontecer o colapso parcial ou total
da edificação. (HELENE, 1992)
31

3 CARACTERIZAÇÃO E INFLUÊNCIA DO AMBIENTE MARINHO

Além de caracterizar o material a ser estudado, o concreto armado, é


importante a compreensão do ambiente no qual está inserido, neste caso o
ambiente marinho, e, apresentar as principais propriedades e potenciais
patologias características deste meio.

Aproximadamente 71% da superfície do planeta é ocupada pelos oceanos,


constituindo, portanto, o local com a maior diversidade de organismos vivos do
planeta (RÉ, 2001).

O ambiente marinho é considerado um dos mais agressivos para as estruturas


em concreto armado. Possui uma grande variedade de características físicas,
químicas, e biológicas que o faz ser potencialmente hostil para a vida útil
dessas estruturas. Desta forma é importante sua caracterização, quando estão
em construções sobre o mar, ou numa faixa costeira onde esse efeito hostil
ainda é sentido (SERRA, 2012).

3.1.CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE

Compreendem-se por ambiente marinho as áreas que são influenciadas pela


proximidade ao oceano, incluindo também as zonas costeiras. A zona costeira
é a faixa que abrange cerca de 10Km da linha da costa, podendo variar e
chegar a até dez vezes essa faixa de distancia da costa, dependendo da
situação meteorológica em que se encontra a área estudada (SERRA, 2012).

Segundo Serra (2012), ambiente marinho é dividido em quatro zonas distintas,


que variam de acordo com a posição ao nível médio da água do mar:

 Zona de atmosfera marítima


 Zona de rebentação
 Zona entre marés
 Zona submersa
32

3.2. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DA ÁGUA DO MAR


A grande hostilidade característica dos ambientes marinhos nas estruturas em
concreto armado deve-se à grande quantidade de elementos químicos
dissolvidos na água do mar, gerando vários mecanismos de deterioração
(SERRA, 2012).

Água em movimento através do ciclo hidrológico interage com sedimentos,


organismos, solo, rochas e a atmosfera. Ao longo do caminho a água pode
adquirir e perder solutos, gases e partículas. Isso faz a composição química
das águas naturais seja altamente variável através do espaço e do tempo
(LIBES, 2009).
Uma notável exceção é a água do mar que possui uma concentração pouco
variável dos seguintes íons: Cl−, Na+, SO2−4 , Mg2+, Ca2+, e K+. Íons cloro,
sódio, sulfato, magnésio, cálcio e potássio, respectivamente. Esses íons estão
presentes em grandes concentrações quando comparados com as águas
naturais encontradas em rios, lagos e lagoas. Os mesmos constituem a maioria
dos solutos na água do mar, e por isso são chamados de íons maiores (LIBES,
2009).
A concentração de sal nos oceanos é aproximadamente 35g/L. Oscilando esse
valor principalmente pela dinâmica entre precipitação e evaporação. Os
menores valores se concentram nas regiões temperadas, com pouca
evaporação devido à temperatura mais amena, e por sua vez, os maiores
índices salinos se encontram nas regiões tropicais devido à maior evaporação.
Nas regiões costeiras observa-se uma maior diferença de salinidade em
regiões próximas à foz de rios, chegando a 0g/L de sal (SERRA, 2012)
Outro fator importante a se analisar na água do mar é o potencial
hidrogeniônico (pH), que mede a acidez ou basicidade da amostra. Nesses
ambientes marinhos o pH varia entre 7,5 e 8,4, sendo levemente alcalino ou
básico (RÉ, 2001).
Os íons mais agressivos para a pasta de concreto, presentes na água do mar,
são os íons magnésio (Mg²+), enquanto os íons cloro (Cl-) são os mais
danosos para as armaduras de ferro (SERRA, 2012).
33

3.3. TEMPERATURA DA ÁGUA DO MAR

Para se aumentar a velocidade de reação química, neste caso de deterioração


do concreto armado, há duas condições fundamentais: aumento de
temperatura do sistema, ou mudança do pH (ATKINS, 2012).

Neste caso, a variação da temperatura da água do mar influencia


principalmente na solubilidade dos sais nela dissolvidos, e, por conseguinte, na
quantidade de gases dissolvidos, como oxigênio e gás carbônico (ATKINS,
2012).

A temperatura também contribui como uma fonte de energia que auxilia na


progressão dos mecanismos de deterioração. Na água do mar, a cada 10ºC de
um aumento de temperatura, a velocidade das reações químicas duplica
(ATKINS, 2012)

Sendo assim, na água do mar devido à maior temperatura, há uma maior


concentração de gás oxigênio nos primeiros vinte metros de coluna de água,
fato esse de extrema relevância no processo de corrosão de armaduras. Deste
modo a solubilidade do dióxido de carbono atinge, por vezes, valores maiores
dentro da água do mar do que no ar atmosférico, o que ocasiona uma
diminuição do pH da água, tornando-a levemente ácida, ou seja com o pH
abaixo de 7, intensificando ainda mais a corrosão de peças em concreto
(SERRA, 2012).

Existem quatro níveis de temperatura em ambientes marinhos quanto ao poder


de degradação versus o tempo: desértico, quente e seco com temperaturas no
verão superiores a 45ºC; tropical quente e úmido com temperaturas médias
anuais até 35ºC; temperado, com chuvas moderadas e temperaturas anuais
entre 10 e 20ºC; e, frio com temperaturas de congelamento da água (METHA,
1991)

A figura 6 associa os tipos de temperaturas em ambientes marinhos acima


citados, com o tempo de degradação da estrutura, podendo concluir que o
ambiente desértico é o mais agressivo
34

Figura 6 Gráfico associando o aumento do grau de deterioração com o tempo e o tipo de


clima

Fonte METHA, 1991

3.4. ALTURA DAS ONDAS

As ondas marítimas se deslocam ao longo da superfície do mar e na direção da


superfície terrestre. Essas ondas são geradas pelo vento que desloca as
moléculas de água da sua posição de equilíbrio (SERRA, 2012).
A maioria destas ondas são geradas pelo vento que desloca as
moléculas de água da sua posição de equilíbrio. Para readquirirem a
sua posição inicial, as partículas de água passam a necessitar de uma
força de restauro, sendo as duas principais forças de restauro
existentes a força gravitacional exercida pela Terra, e a tensão
superficial da água. Este ciclo de deslocamentos e restauros
estabelece o movimento oscilatório de forma sinusoidal caraterístico
das ondas. As pequenas ondas geradas vão crescendo
progressivamente em altura, comprimento e velocidade com o
constante efeito do vento.
35

3.5. MARÉS

O fenômeno das marés é caracterizado pelo movimento vertical do nível


oceânico como consequência das forças de atração entre a Terra, a Lua e o
Sol (BARROS, 2001)

A teoria das marés envolvem a interação de forças gravitacionais e centrifugas.


Se por um lado há a força gravitacional da Terra, há por outro, as forças de
atração da lua e do sol. Tais forças estão, em teoria, balanceadas, mas isso
não ocorre na maioria dos pontos sobre a superfície terrestre. O fenômeno das
marés é causado pelo efeito do não balanceamento (BARROS, 2001).

Embora a massa da lua seja infinitamente menor que a massa da terra, ela
está muito mais próxima da terra tendo uma força de atração duas vezes
maior. Portanto, a maré que observa-se é resultado majoritariamente da força
de atração da lua. O ritmo da maré está relacionado com o movimento que a
lua faz em torno da terra, chamado de dia lunar o qual dura 24 horas e 50
minutos, dessa forma temos duas marés máximas (preia-mar) e duas marés
mínimas (baixa-mar) por dia (BARROS, 2001).

Com a ação das marés, uma estrutura em um ambiente marinho é exposta,


vários intervalos de molhagem e secagem, aquecimento e resfriamento, devido
as diferenças de temperatura do ar e da água, sendo um potencial agente
causador de patologias em tais estruturas (SERRA, 2012)

Na Figura 7, tem-se um esquema prático ilustrando os níveis de maré


explicados anteriormente e seus planos de referência.
36

Figura 7 Níveis da maré e planos de referência

Fonte SERRA, 2012

No quadro abaixo, encontram-se os principais termos e seus significados


referente às marés:
Quadro 1 Principais termos e seus significados relativos às marés

SIGLA NOME SIGNIFICADO


BM Baixa-mar Altura de maré mínima registada
após o período de vazante
Valor médio, das alturas de maré de
Baixa-mar de águas duas baixa-mares sucessivas, que
BMAM
mortas ocorrem quinzenalmente quando a
amplitude de maré é menor
Valor médio das alturas de maré de
Baixa-mar de águas duas baixa-mares sucessivas, que
BMAV
vivas ocorrem quinzenalmente quando a
amplitude de maré é maior
Valor médio das alturas horárias da
NM Nível médio maré, durante no mínimo 19 anos.
O nível médio varia de local para
local
Valor médio das alturas de maré de
Preia-mar de águas duas preia-mares sucessivas, que
PMAM
mortas ocorrem quinzenalmente quando a
amplitude de maré é menor
Valor médio, das alturas de maré de
Preia-mar de águas duas preia-mares sucessivas, que
PMAV
vivas ocorrem quinzenalmente quando a
amplitude de maré é maior
Altura de maré máxima registrada
PM Preia mar
após o período de enchente
37

Marés de maior amplitude que


AV Águas - vivas ocorrem quando as forças atrativas
devidas ao Sol e à Lua se reforçam
mutuamente.
Marés de amplitude mais reduzida
AM Águas mortas que ocorrem quando as forças
atrativas devidas ao Sol e à Lua se
cancelam mutuamente.
Fica situado abaixo do nível da maré
ZH Zero Hidrográfico astronómica mais baixa, pelo que as
previsões de altura de maré são
sempre positivas.
Fonte Adaptado de BARROS, 2001

3.6. NÉVOA MARINHA (MARESIA)

Também chamado de aerossol marinho, as gotículas que são lançadas para o


ar e levadas pelo vento, na rebentação das ondas contra uma estrutura ou
contra a costa, fenômeno observado na Figura 8. Com ventos fortes essas
gotículas podem transportar água e sal por longas distâncias (BORBA JUNIOR,
2011; SERRA, 2012).

Figura 8 Rebentação de onda lançando névoa marinha para o ar

Fonte Disponível em <http://mapio.net/s/30833384/?page=2>. Acesso em 06 de outubro de 2016

A distância percorrida pelas partículas salinas depende do tamanho das


partículas, e da direção e velocidade do vento. O teor de salinidade atmosférica
normalmente decresce rapidamente a medida que se distancia da linha da
costa. Porém, em regiões muito secas com escassez de chuvas, essas
partículas podem percorrer vários quilômetros para o interior (SERRA,2012).
Fato que pode ser notado, por exemplo, no deserto do Atacama no norte do
Chile, que se encontra aproximadamente 250 quilômetros do oceano. Na
38

Figura 9, pode-se observar um esquema de deposição de sais marinhos versus


a distância da costa.

Figura 9 Esquema da deposição de sais versus a distância da costa

Fonte SERRA, 2012

Em alguns ambientes, a taxa de íons cloreto varia de 2% a 15% do total de


partículas presentes na atmosfera, por metro cúbico de ar, evidencializando a
atmosfera marinha com alto poder de corrosão (DENG, 2006 apud BORBA
JÚNIOR, 2011). Observa-se na tabela 2 a deposição de íons cloreto por metro
quadrado em função da distância do mar.

Tabela 1 Faixas de agressividade do aerossol marinho

NÍVEL DE DEPOSIÇÃO MÉDIA


DISTÂNCIA DO MAR
AGRESSIVIDADE (mgCl- /m².dia)

ELEVADA Maior que 100 Até 100 metros

MODERADA Entre 100 e 10 Entre 100 e 750 metros

MÍNIMA Menor que 10 Acima de 750 metros

Fonte 1 MEIRA, 2004 apud BORBA JUNIOR 2011, p.45

3.7. ZONAS DE EXPOSIÇÃO

A intensidade de degradação dos agentes agressivos no ambiente marinho é


interligada às zonas de exposição a qual as estruturas estão submetidas. Na
39

Figura abaixo apresenta um exemplo das zonas de exposição e o grau de


degradação associado a elas:

Figura 10 Esquema das zonas de exposição marinha

Fonte Adaptado de Serra, 2012

Na zona submersa, o concreto encontra-se saturado, sem acesso ao oxigênio


presente na atmosfera, sendo a área de menor corrosão das quatro analisadas
(METHA, 1991).
A zona de variação de marés, está sujeita à ciclos molhados e secos, causadas
pela alternância de movimentação de água da preia-mar e baixa-mar. O fato da
estrutura estar molhada (saturada) a maior parte do dia cria um ambiente
menos agressivo às armaduras, mas por outro lado é um ambiente propicio
para o ataque químico e biológico (METHA, 1991; SERRA, 2012)
A zona mais hostil para as estruturas de concreto é a zona de rebentação, pois
está sujeita a ciclos secos e molhados pela água do mar, além da abrasão
física gerada pelo impacto das ondas, tornando o ambiente potencialmente
corrosivo, tanto para as armaduras quanto para o concreto (SERRA, 2012).
Já o concreto que se localiza na zona atmosférica, ou zona de respingos,
embora não possua contato direto com a água do mar está sujeiro à ação da
nevoa salina, explicada no item anterior.
40

4 PATOLOGIAS DO CONCRETO ARMADO EM AMBIENTES


MARINHOS

A inspeção visual é o primeiro passo para identificar e definir qual é o estado


de uma estrutura, no processo de intervenção. Porém, antes de inspecionar
determinada estrutura, deve-se ter ciência dos processos de degradação
característicos dos materiais envolvidos, e por sua vez, estudar suas
características (SERRA, 2012).
O presente capítulo apresenta as principais patologias do concreto armado
relacionadas com o ambiente marinho e seus sistemas de degradação.
4.1. ESTRUTURAS EM CONCRETO ARMADO

Com a evolução tecnologia das construções, permitiu que as peças de


concreto armado se tornassem mais esbeltas e com menores espessuras de
cobrimento, o que as tornaram mais propensas à danos exteriores,
principalmente no ambiente marinho, rico em cloretos e sulfatos (SERRA,
2012)

4.1.1. VANTAGENS E DESVANTAGENS

Como todo método construtivo, o concreto armado apresenta vantagens e


desvantagens.

Segundo Souza Júnior (2003) as principais vantagens são: economia,


agregados simples e baratos que podem ser encontrados facilmente, é um
material em que a resistência aumenta com o tempo, portanto durável, adapta-
se a qualquer tipo de forma, pouca manutenção, resistente ao fogo, resistente
ao desgaste mecânico, entre outras vantagens.

Já entre as desvantagens estão: o alto custo inicial, a necessidade de formas e


escoramentos, pouco sustentável e as fissuras frequentes (ALMEIDA, 2002).
Têm-se também como desvantagem o grande peso próprio, pouca flexibilidade
de ambientes (reformas e demolições difíceis), baixo grau de proteção térmica,
prazo médio para utilização devido à pega de 28 dias (SOUZA JÚNIOR, 2003)
41

4.1.2. FATORES DE DEGRADAÇÃO

A principal causa dos problemas estruturais está ligada com a falta de


capacidade de resistências das estruturas ou materiais, como por exemplo: a
deformação excessiva, ausência de proteção contra agentes agressivos,
assentamentos de apoio, acabamentos defeituosos e falta de manutenção no
período adequado (PADRÃO, 2004)
4.1.2.1 PROCESSOS MECÂNICOS

4.1.2.2. FATORES QUÍMICOS

Os fatores químicos de degradação do concreto armado são causados por


substancias químicas oriundas do meio ambiente em que ele está inserido.
Estas, por sua vez são infiltradas pelo interior do concreto, em direção às
substancias com as quais reage. A água liquida ou em estado gasoso é o
principal meio para a ocorrência das reações químicas. A temperatura, por sua
vez, também influencia a velocidade das reações químicas de corrosão
(COUTINHO, 1998).

Figura 11 Principais reações de deterioração do concreto armado em águas marinhas

Fonte Serra, 2012, p.56


No processo químico corrosivo, ocorrem reações químicas diretas entre o
material metálico, ou não metálico, com o meio corrosivo, podendo ou não
haver transferência de cargas ou de elétrons e, portanto, não havendo a
42

formação de uma corrente elétrica. A corrosão química pode ocorrer em um


material metálico, em temperaturas elevadas, por gases ou vapores e em
ausência de umidade ou em materiais metálicos onde ocorre o ataque de
metais por solventes orgânicos isentos de água. A corrosão química pode
também ocorrer em materiais não-metálicos GENTIL (1994).
4.1.2.3. FATORES BIOLÓGICOS

Segundo Coutinho (1998) os principais fatores biológicos relacionados com a


corrosão do concreto armado são: o desenvolvimento de musgos, liquens, e
raízes de plantas que penetram nas fendas e poros do concreto causando
infiltração de água; formação de águas residuais dos seres vivos presentes na
água do mar, com grande concentração de ácido sulfúrico; formação de ácido
húmico causada pelo desenvolvimento de microorganismos nos elementos do
concreto, responsável por atacar a pasta de cimento.

4.1.3. A CORROSÃO NO CONCRETO ARMADO

No processo químico corrosivo, ocorrem reações químicas diretas entre o


material metálico, ou não metálico, com o meio corrosivo, podendo ou não
haver transferência de cargas ou de elétrons e, portanto, não havendo a
formação de uma corrente elétrica. A corrosão química pode ocorrer em um
material metálico, em temperaturas elevadas, por gases ou vapores e em
ausência de umidade ou em materiais metálicos onde ocorre o ataque de
metais por solventes orgânicos isentos de água. A corrosão química pode
também ocorrer em materiais não-metálicos GENTIL (1994).

A durabilidade de uma estrutura de concreto armado é estritamente


relacionada com o grau de corrosão das armaduras de aço que podem ocorrer
após a perda de proteção que o concreto proporciona. O concreto possui uma
forte alcalinidade (pH>12,5) e é um excelente meio de proteção para essas
estruturas em aço graças a um fenômeno chamado passivação (SALTA, 1996).
Forma-se uma película passivante de óxidos de ferro na superfície da barra de
aço, sendo o concreto uma barreira física à penetração dos agentes corrosivos
que podem alterar essa película de óxido (SALTA, 1996).
43

A destruição da película, chamada de despassivação nesses casos, tem


origem em dois fenômenos: diminuição do pH do concreto, originalmente acima
de 12,5 para abaixo de 9,5, por ação da carbonatação, muito comum em
ambientes marinhos; ou pela penetração de íons cloreto, presentes na água
marinha na camada de cobrimento (COUTINHO, 1998).

Os dois principais fenômenos que ocasionam a despassivação das armaduras


de aço são a carbonatação do concreto e o ataque por cloretos. A
carbonatação é a reação do concreto com o dióxido de carbono presente na
atmosfera que penetra nos poros do concreto, e reage com as substâncias que
possuem cálcio, principalmente o hidróxido de cálcio. Essa situação se agrava
ainda mais com a presença de umidade (SALTA,1996).

Essas condições levam, portanto, o ambiente marinho a ser extremamente


hostil às estruturas em concreto armado, pois agrega grande umidade às
estruturas, muita concentração de íons cloreto devido á agua do mar, além da
corrosão física proveniente da mecânica das ondas e marés.

Padrão (2004) define que a deterioração das estruturas, causadas pela


corrosão no concreto armado é dividida em dois períodos: período de iniciação
e período de propagação. O primeiro corresponde ao tempo necessário para a
reunião das condições que levam à despassivação do aço, está relacionada
com a agressividade ambiental e as características próprias do concreto, visto
que a concentração de cloretos varia não so com o tipo de meio ambiente mas
também com o tipo de concreto. Já o período de propagação corresponde ao
tempo desde a despassivação até um estado inaceitável de deterioração da
estrutura, pois a corrosão forma uma reação em cadeia. Processo que está
estritamente ligado à quantidade de umidade, de oxigênio e das condições
climáticas.
A corrosão das armaduras podem ocorrer de forma localizada, generalizada e
sob tensão, que é uma forma de degradação localizada, como apresenta a
Figura 12 (SERRA, 2012).
44

Figura 12 Esquema do avanço da carbonatação do concreto e suas consequências

Fonte SERRA, 2012, p. 58


4.2. CORROSÃO

Define-se corrosão, em geral, como um processo espontâneo, a degradação


de um corpo qualquer, geralmente metálico, por ação química ou eletroquímica
proveniente do meio ambiente (composição química, pH, impurezas, teor de
oxigênio, pressão, concentração, temperatura, sólidos suspensos), podendo
ser associado ou não a esforços mecânicos (solicitações mecânicas, condições
de imersão do meio, contato com outro material, entre outros). Essa
deterioração acarretada pela reação físico-química do material com o meio que
o engloba, ocasiona em alterações químicas e modificações estruturais, que
são indesejadas, tornando o material impróprio para desempenhar a sua
função original (GENTIL,2007).

Para Callister(2002):

O estudo da corrosão dos materiais é de grande importância, os problemas de


corrosão são freqüentes e ocorrem nas mais variadas atividades; além disso,
em maior ou menor grau, a maioria dos materiais experimenta algum tipo de
interação com um grande número de ambientes diversos. Essas interações
comprometem a utilidade de um material como resultado da deterioração das
suas propriedades mecânicas, físicas ou da sua aparência.

Quimicamente, Gemelli (2001) descreve a corrosão como uma manifestação


de reações quimicas irreversiveis, com desprendimento ou não de gases,
seguidas pela dissolução de um elemento quimico do material para o meio
corrosivo. A corrosão é nada mais nada menos que uma reação de oxi-redução
(tranferência de elétrons) entre um elemento quimico e seu meio ambiente.
45

O termo corrosão se aplica a materiais não metálicos também, como, por


exemplo, a deterioração do cimento Portland por ação do sulfato, perda da
elasticidade da borracha pela oxidação, a madeira pela hidrólise da celulose, a
degradação do mármore pela poluição atmosférica, e até mesmo a corrosão de
tintas por fezes de andorinhas (GENTIL, 2007).

Figura 13 Exemplo de corrosão em tubos Figura 14 Exemplo de corrosão em concreto


metálicos

A corrosão é, portanto, uma patologia que converte o metal ou componente


metálico em óxido, hidróxido ou sal de grande relevância no estudo da
durabilidade, eficiência, dimensionamento, manutenção, e segurança de uma
edificação. Tais estudos têm um grande impacto econômico sobre o custo final
da obra, assim como o custo de manutenção. Os problemas de corrosão são
freqüentes e acontecem nas mais variadas etapas de uma construção com os
mais diferentes tipos de materiais. Atualmente como vem sendo veiculado nos
meios de informação em massa, o aumento da poluição atmosférica, com as
freqüentes chuvas ácidas (pH baixo, menor que 7), e, por conseqüência, o
meio ambiente suficientemente agressivo, o estudo desta patologia, é um fator
que deve ser considerado ainda na fase de projeto para evitar e minimizar os
processos corrosivos (GENTIL, 2007)

4.2.3.1 CORROSÃO ELETROQUÍMICA


No processo eletroquímico ocorrem reações químicas que envolvem
transferência de elétrons entre metal e eletrólito, esse processo eletroquímico
de corrosão pode ser dividido em três etapas, a saber:
46

• Corrosão anódica: transferência dos íons metálicos para a solução.

• Deslocamento dos elétrons e íons: transferência dos elétrons das regiões


anódicas para as regiões catódicas.

• Corrosão catódica: recepção de elétrons, na área catódica, por íons ou


moléculas existentes na solução (BOLINA, 2009)

A corrosão eletroquímica ocorrerá quando o sistema for não homogeneo entre


o material metálico-meio corrosivo, gerando uma diferença de potencial que
promoverá a formação de áreas anódicas e catódicas. Um material metálico
pode apresentar diferença de potencial devido a forma dos grãos dos materiais,
pois o limite entre dois grãos é uma região heterogênea comparada com o
grão, também em decorrência da orientação e diferença de tamanhos dos
grãos e igualmente devido aos tratamentos térmicos e metalúrgicos diferentes
(GEMELLI, 2011).

A diferença de potencial nos materiais metálicos pode ser motivada pelo


acabamento das superfícies, escoriações e abrasões, bordas de superfície
metálica, e etc. Nos meios corrosivos, a diferença de potencial, pode ser
motivada devido à diferentes parâmetros de processo, como aquecimento,
agitação, concentração e aeração (GENTIL, 1994).

A maioria das reações de corrosão ocorre por um processo eletroquímico.


Nesse tipo de processo ocorre a corrosão em água ou soluções aquosas,
corrosão atmosférica e corrosão no solo em meio úmido. A corrosão de
materiais metálicos em soluções eletrolíticas ocorre por um mecanismo
eletroquímico devido à formação de pilhas eletroquímicas (GEMELLI, 2001).
Logo quando duas partes de uma superfície metálica apresentam potenciais
eletroquímicos diferentes, elas podem formar uma (ou mais) pilha(s)
eletroquímica(s) com dissolução metálica em uma região específica. Tem-se
nesse caso o que se chama de corrosão localizada.
47

4.4 ANÁLISE DE PATOLOGIAS EM ESTRUTURAS CONSTRUÍDAS EM


AMBIENTE MARINHO
4.4.1 CORROSÃO INFLUENCIADA POR FATORES MECÂNICOS

4.4.2 MEIOS CORROSIVOS

Desde os meios mais comuns como as águas naturais (salinas ou doces), a


atmosfera, o solo e produtos químicos até os meios de menor influenciam
como solventes orgânicos, plásticos, entre outros, todos possuem um
importante papel na corrosão, por isso é muito importante saber a natureza do
agente corrosivo (SERRA, 2012).

Neste trabalho, vamos dar maior relevância ao ambiente marinho,


compreendido por águas marinhas e atmosfera marinha.

A ação corrosiva da atmosfera exerce grande influência no processo corrosivo


e depende de fatores como a temperatura, substâncias poluentes (partículas
sólidas e gases), intensidade e direção dos ventos (levam nevoa marinha a
grandes distancias), chuva, insolação, e umidade relativa do ar (acima de 70%
tem um poder de corrosão elevado) (GENTIL, 1996).

Segundo Meira (2004), é de grande importância o estudo das microrregiões de


agressividade atmosférica Marinha, e divide a Zona Atmosférica Marinha em
três microrregiões conforme o Quadro 4.1. Entretanto, essa classificação é
valida apenas para uma região com ventos de baixa velocidade, até 5m/s, o
que diminui a deposição de sal nas estruturas analisadas.

Quadro 1 Faixas de agressividade do aerossol marinho (MEIRA, 2004, p. 324).


48

Outro estudo realizado em uma região de maior intensidade de ventos, com


velocidades até 18m/s, constatou maior deposição salina. Foi referenciado
como agressividade baixa valores de deposição salina abaixo de 100 mgCl-
/m².dia e agressividade elevada valores acima de 400 mgCl-/m².dia
(MORCILLO et al., 2000).

Sendo, portando de grande importância o regime de ventos da região para


saber quão agressiva é uma determinada área de interesse.

5 ESTUDO DE CASO – ILHA DE VITÓRIA


5.1 INTRODUÇÃO

O presente Capítulo tem como objetivo definir e caracterizar a zona que foi alvo
de análise neste trabalho e as estruturas escolhidas para estudo das patologias
observadas, e estabelecer a relação da influencia do ambiente marinho à
degradação das mesmas.

Para o estudo de caso analisado neste trabalho, foi escolhida a Ilha de Vitória
como área de interesse e algumas de suas estruturas de grande importância
para a infraestrutura, próximas ao mar e, consequentemente da névoa salina e
expostas às intempéries. Foi analisado o meio ambiente em que estão
inseridas, a adequação de suas formas, as patologias existentes e o grau de
deterioração. Para tal, foram feitas visitas aos locais estudados, registros
fotográficos que comprovem a relação da proximidade do mar com as
patologias com extração de corpos de prova para análise do pH e comprovar a
corrosão e, portanto, que a estrutura está de fato comprometida.

Ressalva-se, no entanto que a parte submersa destas estruturas não foi alvo
de estudo, podendo existir nas mesmas patologias não mencionadas neste
trabalho de conclusão de curso.

5.1.1 DEFINIÇÃO DA ZONA

Neste trabalho analisou-se a zona marítima da Ilha de Vitória, mais


precisamente a área compreendida entre a Ponte de Camburi e o Cais do
49

Hidroavião. Na Figura 15 apresenta uma imagem de satélite da zona costeira a


ser estudada.

Figura 15 Localização da Ilha de Vitória, no estado do Espirito Santo

Fonte Google Earth, 2017

5.1.1.1 CARACTERIZAÇÃO DA ZONA


5.1.1.1.1 TEMPERATURA

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia – INMET, o clima da Ilha de


Vitória é o tropical úmido, com temperatura média anual de 24 °C com
ocorrência de chuvas principalmente nos meses de outubro a janeiro. As
temperaturas variam muito no inverno, podendo chegar aos 30 °C em épocas
de grande seca, e 20 °C quando ocorrem tempestades. Devido à Corrente Fria
das Malvinas, Vitória possui uma das menores taxas de precipitação
pluviométrica do pais, de 1 250 milímetros. Vitória também é a cidade que
apresenta as menores amplitudes térmicas de todo o Espírito Santo, devido à
proximidade com o oceano.

5.1.1.1.2 REGIME DOS VENTOS

Segundo o INMET e o Atlas Eólico do Espírito Santo, o Estado está localizado


numa zona de predomínio da influencia do centro de alta pressão Anticiclone
Subtropical do Atlantico Sul. O que significa que predominam os ventos Leste e
Nordeste. Associada à essa zona, tem-se também a influencia das massas
50

polares, chamadas de frentes frias, resultando em uma relevante sazonalidade.


As regiões onde ocorrem ventos médios anuais de maior intensidade são nos
litorais sul e centro norte. No Espirito Santo, têm-se ventos mais intensos nos
meses de primavera e mais brandos nos meses entre o final do outono e início
do inverno. É relevante ressaltar que o Estado tem um bom potencial eólico,
resultado dos regimes de ventos, sendo assim um interessante ponto de
geração de energia eólica.

5.1.1.1.3 MARÉS

De acordo com a CODESA (2007) a cidade de Vitória, possui maré incidente


semi-diurna com duas baixa-mares e duas preamares bem definidas. Nas
sizígias (marés de águas vivas), a amplitude de marés chega a 1,70 m e nas
quadraturas a 0,70 m.

Segundo a Tábua das Marés e cartas náuticas da Marinha do Brasil, o nível


médio do mar para o Porto de Tubarão, na Baía do Espírito Santo, é de 0,8 m,
acima do nível de referência (NR), ou zero hidrográfico, adotado pela da
Marinha do Brasil. Com relação às ondas incidentes, as ondas mais efetivas
são formadas pelos ventos alísios, com direção Nordeste e Leste, com período
médio de 5 a 10 s e altura entre 1,0 e 2,0 m.

5.2 METODOLOGIA DE ANÁLISE

Este estudo foi baseado e adaptado da metodologia de SERRA(2012).

Semelhante ao que foi feito anteriormente por SERRA (2012), o presente


Trabalho Final de Graduação será dividido em duas etapas fundamentais. A
primeira consiste em uma vasta revisão bibliográfica sobre os principais
materiais de construção utilizados na região de Vitória, caracterização do
ambiente marinho, e mecanismos de deterioração do concreto armado.

A segunda etapa consiste no estudo de caso na Ilha de Vitória, Espirito Santo.


Será feita a definição e caracterização da zona de estudo, reunindo as
informações a respeito dos materiais utilizados nas obras anteriores,
temperatura local, regime pluviométrico, regime dos ventos, névoas marinhas,
51

e o comportamento das marés. Após a definição da área de interesse, serão


identificadas e caracterizadas as estruturas com diferentes graus de
degradação a serem estudadas neste trabalho. Para tal, serão adaptadas as
seguintes fichas de avaliação utilizadas anteriormente na dissertação de
SERRA (2012), apresentadas abaixo:

Quadro 2 Ficha tipo de avaliação das estruturas estudadas

FICHA DE AVALIAÇÃO

INFORMAÇÕES GERAIS

 Localização da construção_____________________________________
 Ano de construção __________________________________________
 Caracterização funcional______________________________________
 Revestimentos da fachada_____________________________________
 Intervenções anteriores_______________________________________
 Revestimentos de cobertura___________________________________
 Observações_______________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________

CARACTERIZAÇÃO
52

 Identificação do local_________________________________________
 Elementos_________________________________________________
 Materiais___________________________________________________
 Tipos de anomalias/patologias associadas
( ) Umidade ( ) Fissuras ( ) Eflorescências ( ) Erosão
( ) Deformação ( ) Fendas ( ) Oxidação ( ) Corrosão
( ) Desprendimentos ( ) Fissuras ( ) Organismos ( ) Sujeira
 Descrição das anomalias/patologias e observações
__________________________________________________________
__________________________________________________________
 Possui elementos metálicos? ( ) Sim ( ) Não
IMAGENS E/OU CROQUIS

Fonte Adaptado de Serra (2012)

A ficha de avaliação será dividida em três partes. A primeira parte denominada


de Informações Gerais reúne as principais informações quanto ao uso,
localização, ano da construção, revestimentos, intervenções anteriores, e,
ainda possui um campo para possíveis observações.

A segunda parte, chamada de Caracterização, identifica o local e os elementos


presentes nas estruturas analisadas, os materiais utilizados, os tipos de
53

anomalias e patologias presentes, a presença ou não de elementos metálicos e


um campo para observações.

A terceira parte, Imagens e/ou croquis, dispões de quatro espaços para


caracterizar visualmente, por meio de fotografias ou croquis, as estruturas e
suas patologias associadas.

Após visita ao local de estudo, reconhecimento e descrição dessas estruturas,


foi analisado o grau de degradação das mesmas, e preenchimento da ficha de
avaliação. E, quando possível, a retirada de amostras para análise.

5.2.1. IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS A SEREM


ANALISADAS

5.2.1.1 CARACTERIZAÇÃO DA INFRAESTRUTURA

A identificação e localização das infraestruturas que serão estudadas neste


trabalho serão feitas através de imagens aéreas pelo software Google Earth,
será feito, também, visita aos locais de interesse e registos fotográficos das
estruturas pela autora, evidenciando as principais patologias e anomalias.

E, por sua vez, o ano de construção, materiais utilizados e intervenções


anteriores serão fornecidos pela Prefeitura Municipal de Vitória – PMV, e pelo
Instituto de Obras Públicas do Estado do Espirito Santo – IOPES.

Grande parte dos campos da Ficha de avaliação serão preenchidos com base
na avaliação visual das estruturas, exceto os campos: ano de construção e
intervenções anteriores.

No total foram analisadas cinco estruturas: Ponte de Camburi, Terceira Ponte,


Segunda Ponte, Rodoviária de Vitória e Cais do Hidroavião, somando no total
cinco estruturas. A figura 16, representa a localização exata dessas estruturas.
54

Figura16 Identificação das estruturas a serem estudadas

Fonte Google Earth, 2017

5.2.1.1. PONTE DE CAMBURI

A ponte de Camburi liga os bairros Praia do Canto e Jardim da Penha, o ano


de construção não foi encontrado. Está em uma zona marítima, considerada de
grande agressividade tanto química, quanto mecânica, devido à amplitude de
marés na base dos pilares.

Figura 17 Ponte de Camburi

À partir dos registros fotográficos relativos à Ponte de Camburi, pode-se


constatar diversas patologias, sobretudo, corrosão do cobrimento do concreto
55

armado estrutural alcançando as armaduras, que por sua vez estão também
em estado avançado de oxidação. Percebe-se também, diversas fissuras e
fendas nas vigas que sustentam a Ponte, assim como a deposição de sais
marinhos cristalizados em algumas superfícies.

Figura 18 Camada de cobrimento corroída na Figura 19 Detalhe de uma fissura na Ponte de


Ponte de Camburi
Camburi

Figura 20 Detalhe da deposição de sais nas Figura 21 Detalhe da corrosão do concreto


vigas e fissuras armado com fissuras e desprendimento de
placas

Pode-se concluir que, á partir dos registros fotográficos e visita ao local foi feito
um cobrimento da armadura insuficiente e, portanto, precisa de reparos
urgentes, tanto da armadura estrutural quanto do concreto. Pois além de ser
uma ponte com trafego intenso de carros diariamente é uma importante
conexão entre a Ilha da Praia do canto com “Vitória continental”.

Durante a visita ao local verificamos que o trafego de embarcações de pesca e


de jetski é considerável, sendo que este ultimo, nos chamou a atenção pois ao
se deslocar ejeta um jato de água forte para o alto que atinge as estruturas de
concreto da ponte, provocando um deposito e acumulo de sais e por
conseqüência maior corrosão.
56

5.2.1.2. SEGUNDA PONTE

A Segunda Ponte foi construída ligando a cidade de Vitória a Cariacica, sendo


uma importante conexão entre as duas cidades.

Figura 22 Segunda Ponte

A Segunda Ponte está em zona de atmosfera marinha e parte da sua estrutura


na zona de amplitude de marés.

Nesta estrutura foi observada uma geometria impropria do bloco de ancoragem


dos pilares e, consequentemente patologias advindas desde erro de projeto
e/ou execução.

Para grandes pilares, principalmente em pontes, é recomendado um reforço


em forma de trapézio na base do pilar, para melhor escoamento da água da
chuva e outras substancias liquidas que venham escoar do topo, evitando a
corrosão do mesmo, como podemos observar nas Figuras 23 e 24.
57

Figura 23 Detalhe da corrosão do concreto Figura 24 Detalhe da corrosão da armadura de aço


armado e do aço dos tubulões com fissuras com fissuras

As figuras 24 e 25 retratam bem que a quantidade de cobrimento foi


insuficiente para a estrutura e o uso em questão.

Figura 25 Detalhe de corrosão na base inferior do pilar na Segunda Ponte

Detalhe da armadura de aço totalmente exposta e com corrosão acentuada em


base do pilar. Forte redução da seção reta do concreto armado.

5.2.1.3. TERCEIRA PONTE

A ponte Deputado Darcy Castello de Mendonça, conhecida como Terceira


Ponte. Por falta de recursos, a obra sofreu varias paralisações desde 1978 data
em que foi concretado o primeiro pilar, e só foi inaugurada em 1989. Segundo a
PMV (Prefeitura Municipal de Vitória), atualmente passam pela Terceira Ponte,
58

Figura 26, aproximadamente 70 mil veículos, sendo a principal conexão entre


Vitória e Vila Velha.

Figura 26 Terceira Ponte vista de Vitória

Observa-se que a estrutura da ponte encontra-se, aparentemente, em bom


estado, apesar do meio ambiente hostil em que se localiza, em zona marítima.

Embora apresente um aparente bom estado estrutural, observou-se o


desprendimento de placas dos blocos das defensas contra abalroamento de
embarcações, como se pode observar nas Figuras abaixo. Com a corrosão da
camada de cobrimento, e a exposição da tela de aço, observou-se também a
corrosão da mesma.

Figura 27 Detalhe da corrosão do concreto Figura 28 Detalhe da corrosão do concreto


armado com fissuras e desprendimento de armado com fissuras e desprendimento de
placas placas

As patologias observadas nos blocos dos pilares da Terceira Ponte, são


relacionadas à ação mecânica das ondas do mar pela amplitude e força das
marés, associadas também aos ventos com a corrosão pelos ataques dos
cloretos presentes na agua do mar e névoa salina. Provocando ciclos de
59

molhagem e secagem, consequentemente alternâncias de temperatura


provocando dilatações e contrações do concreto.

Associadas também com a corrosão pelos ataques dos cloretos presentes na


agua do mar e névoa salina e a umidade elevada do ambiente, proporcionando
uma maior solubilidade dos sais e gases, acelerando ainda mais o processo de
corrosão.

Esse constante contato da estrutura com a zona de amplitude de marés é um


dos aspectos mais degradantes à mesma, pois a degradação mecânica, abre
fendas e processos de erosão, facilitando a infiltração e ainda mais a corrosão
química.

5.2.1.4. RODOVIÁRIA DE VITÓRIA

A Rodoviária de Vitória foi construída no ano 1979, localizada no bairro Ilha do


Príncipe, e, segundo o Site Rodoviária Online, foi nomeada Terminal
Rodoviário Carlos Alberto Vivacqua Campos em homenagem ao importante
arquiteto capixaba. Mensalmente, a Rodoviária recebe em média 125 mil
usuários por mês, e quase dois milhões de passageiros por ano, sendo
considerado o principal centro de locomoção para quem chega ao Estado.

A maioria dos elementos estruturais da Rodoviária encontra-se fora de contato


direto com a água do mar, estando portanto na zona de respingos e na zona
de atmosfera marinha.

Figura 29 Rodoviária de Vitória vista do mar

A zona mais degradada da Rodoviária, é, sem duvida a zona inferior da


estrutura que por sua vez é aonde têm-se o maior esforço mecânico e também
60

aonde apresenta a maior probabilidade de contato direto com a água do mar.


As estruturas inferiores estão bastante deterioradas, apresentando danos
característicos do ambiente marinho, como carbonatação do concreto e
armaduras aparentes, como pode-se perceber na Figura 30.
Devido à corrosão da guarda metálica, e outras estruturas anexas, percebe-se
manchas de oxidação em vários pontos, como é ilustrado na Figura 30.

Figura 30 Detalhe da parte inferior das estruturas da Rodoviária

5.2.1.5. CAIS DO HIDROAVIÃO

O Cais do Hidroavião, localizado no bairro Santo Antônio e foi o primeiro


aeroporto do Estado do Espirito Santo, e foi inaugurado em 1939. Foi
abandonado por muitos anos e atualmente está em discussão uma possível
transformação do espaço em museu pela Prefeitura.

Na Figura 31, pode-se observar o atual estado do Cais, bem como as


patologias aparentes principalmente nos pilares e nas demais partes do
edifício.
61

Figura 31 Cais do Hidroavião visto pelos fundos

Por estarem em zona de amplitude de marés, os pilares estão visivelmente


degradados em sua parte inferior, associado com marcas de colonização
biológica por fungos e algas na superfície da estrutura. Na zona de atmosfera
marinha, observa-se também marcas de oxidação na guarda metálica, e
manchas da mesma pela estrutura, assim como áreas mais comprometidas
com um grau elevado de carbonatação do concreto e oxidação das armaduras
expostas, pelos cloretos presentes na névoa marinha. Vigas e pilares expostos
a ação das ondas e da nevoa salina. Na Figura 32, grande parte da seção da
viga de apoio da passarela esta comprometida com exposição do aço em
estado avançado de oxidação.
Figura 32 Detalhes de patologias diversas no Cais do Hidroavião
62

5.2.2. ENSAIOS QUÍMICOS

Para os ensaios químicos de verificação de pH das estruturas em concreto,


será adaptada a metodologia presente Felske, Guarenti, Rodrigues,
Guimarães, 2004 e em Silva et al., 2009)

Para a verificação do pH das estruturas em concreto, serão feitos ensaios


químicos utilizando o extrato de Brassica oleracea L. var. capitata (repolho
roxo), em solução. Justifica-se o uso desse indicador, visto que a o extrato de
repolho roxo é um excelente indicador caseiro de pH, pois apresenta seis
trocas de cor, consequentemente em um meio de pH inferior a 3,5 apresenta
coloração vermelha, entre 3,5 e 6,5 cor-de-rosa, entre 6,5 e 9 roxo, entre 9 e 11
azul, entre 11 e 13 verde, e, acima de 13, amarelo. Constatando a corrosão do
concreto, o que justifica a queda do seu pH ótimo entre 12,5 e 13,5 para abaixo
de 10 (ALMEIDA,2009). Essas mudanças de cores de acordo com o pH das
amostras são melhor observadas na Figura 33.

Figura 33 Faixas de mudança de pH na solução de repolho roxo

Fonte 2 Site Clube Ciência, 2011


De acordo com o site Clube Ciência (2011):

“O suco de repolho roxo passa do roxo para o verde quando se adiciona uma
base, e passa da cor verde para o vermelho quando se junta a um ácido. A
mudança de coloração se deve ao fato, destes compostos serem dotados de
propriedades halocromicas, que é a capacidade de mudar de coloração em
função do pH do meio. Quando adicionamos a uma solução, os indicadores de
pH ligam-se aos íons H+ ou OH- que consequentemente, provoca uma
alteração da configuração eletrônica dos indicadores resultando-se assim, na
alteração de cor. A mudança de coloração ocorre numa estreita, porem, bem
definida faixa de pH.”

Após os ensaios químicos, foi feito o registo fotográfico, a fim de associar os


resultados dos ensaios químicos às imagens dos diferentes graus de corrosão.
63

5.2.2.1. TESTE DO INDICADOR ÁCIDO-BASE

Para a comprovação da eficácia do método indicador de pH adotado, serão


feitos testes de pH, em diferentes concentrações, para utilizar os resultados
como referência (faixas de troca de cor) para os ensaios posteriores de pH com
as amostras obtidas in loco.

Para a extração do extrato de repolho roxo caseiro, será adaptada a


metodologia utilizada nos estudos de Santos et al (2012), a extração será feita
com 100 gramas do material fresco e ralado com água destilada 5 minutos no
micro-ondas, pois é o método que melhor preserva as antocianinas que são as
substancias responsáveis pela mudança de cor em diferentes concentrações
de íons hidrogênio.

Para a experiência, foi extraído o extrato de repolho roxo com 200 gramas do
material fresco com água destilada à 100ºC, e deixado em infusão por 10
minutos, como mostra a Figura 33.

Figura 33 Preparação do estrato de Repolho Roxo em laboratório

À título de experiência para com a eficácia do repolho roxo como indicador de


pH, foi extraído o extrato de repolho roxo utilizando folhas do mesmo em
infusão em água quente. Depois de feito este procedimento, foram avaliadas as
diferentes cores relativas às mudanças de concentração de hidrogênio,
caracterizando a acidez ou basicidade do elemento a ser estudado. Nesta
64

experiência utilizamos Ácido Clorídrico 1M (pH= 0-1) e Hidróxido de Sódio 1M


(pH= 13-14) para que seja demonstrada as diferentes faixas de pH e a
mudança de cor, comprovando a aplicabilidade deste indicador ácido-base nos
ensaios químicos posteriores neste trabalho.

Na imagem abaixo, temos seis amostras com diferentes concentrações de


hidrogênio, com pH variando de 1 ao 14, demonstrando as faixas de viragem
do indicador utilizado nas amostras retiradas das estruturas estudadas.

Figura 34 Demonstração das faixas de viragem Figura 35 Demonstração das faixas de viragem,
do Indicador de pH feito com Repolho Roxo com uma amostra da pasta de cimento em
contato com o Indicador

Na figura 35, são apresentadas as faixas de viragem de pH do indicador


proposto, chamando atenção para as duas nuances de azul (pH entre 9 e 11),
o azul mais escuro, da amostra da esquerda, ligeiramente mais ácido (com pH
menor) que o azul da amostra da direita. Essa diferença de nuances foi
utilizada para posterior comparação com os prováveis resultados das amostras
extraídas nos estudos de caso. Nesta mesma figura, pode-se observar a
amostra (7) de pasta de cimento fresca em contato com o indicador,
comprovando o pH aproximado do concreto em torno de 12,8 – 13,8 (amarelo-
esverdeado).

5.3. RESULTADOS

As cinco amostras extraídas dos estudos de caso, Terceira Ponte (1), Segunda
Ponte (2), Rodoviária (3), Ponte de Camburi (4) e Cais do Hidroavião (5),
respectivamente, foram separadas em cinco béqueres e colocadas em contato
com o indicador de Repolho Roxo por dez minutos, como mostra a Figura 36.
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Figura 36 Amostras dos estudos de caso com o indicador

Após o tempo decorrido, para melhor análise dos resultados do Indicador foram
colocados os conteúdos dos béqueres em tubos de ensaio numerados:
Terceira Ponte (1), Segunda Ponte (2), Rodoviária (3), Ponte de Camburi (4) e
Cais do Hidroavião (5), respectivamente.

Figura 37 Resultado das amostras com o indicador mostrando as diferentes nuances de azul

Observa-se que há diferentes nuances do azul o que significa que pode-se


afirmar que todas as amostras estudadas encontram-se dentro da faixa de pH
compreendida entre 9 e 11, ou seja possui um pH básico.

Porém, admitindo-se que o pH do concreto são, esteja compreendido entre


12,8 e 13,8, como foi visto na literatura apresentada anteriormente, pode-se
comprovar que houve corrosão das amostras pela acidificação do pH das
mesmas.
66

Ainda nesta mesma análise, pode-se observar que obtemos diferentes nuances
de azul, o que também comprova que as amostras estão em diferentes pHs
compreendidos dentro desta faixa (9-11). À titulo de comparação entre os
resultados alcançados, a Figura 38 mostra os resultados alcançados e ao
fundo três faixas próximas do experimento anterior para melhor observar
visualmente as diferenças de concentração do ion Hidrogenio, nas amostras do
estudo de caso.

Figura 38 Resultados das amostras em contato com o Indicador, e ao fundo as amostra de


referência para comparação

Pode-se concluir que as amostras (2), (4) e (5) encontram-se mais ácidas que
as amostras (1) e (3), justificadas pela coloração azul mais escura como no
tubo de ensaio (A), mais próxima da faixa de pH neutro (entre 6,5 e 9)
representado na Figura 35, pela cor lilás. Portanto, pelas amostras referentes à
Segunda Ponte (2), Ponte de Camburi (4) e Cais do Hidroavião (5), podemos
concluir que estas estão mais debilitadas, e precisam de atenção, manutenção
regular e reparos.
67

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante este Trabalho, foram estudadas as principais patologias do concreto


armado relacionadas com o hostil ambiente marinho, tanto física como
quimicamente agressivas às estruturas em contato direto com a água do mar
ou apenas na zona de atmosfera marinha.

Ao analisar as estruturas em concreto armado em ambiente marinho na Ilha de


Vitória, e suas respectivas patologias, pode-se concluir que além da qualidade
do material utilizado é muito importante também ter uma geometria adequada
ao uso e ao meio em que está inserida a construção, e, associando esses dois
fatores na hora da execução é possível amenizar os efeitos degradantes da
agua do mar.

Quanto a eficácia do uso do repolho roxo como indicador orgânico de pH,


durante o presente Trabalho de Conclusão de Curso e os experimentos
realizados, pode-se constatar que além de viável, o indicador utilizado é
bastante confiável e mais preciso que os indicadores tradicionais, pois possui
seis faixas de troca de cor, representando com mais exatidão qual o pH
aproximado da amostra (e não apenas sinalizar se a amostra está ácida ou
básica como a maioria dos indicadores convencionais, exceto a fita de pH).
68

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