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Dialética:

A dialética tem sua origem nos tempo de Platão e Aristóteles, era entendida como a arte
da discussão, a base de perguntas e respostas, e como uma técnica capaz de servir para
classificar os conceitos e dividir os objetos em gêneros e espécies. Mas, desde os
tempos de Heráclito, começava-se a defender outra ideia básica da dialética: a da
mutabilidade do mundo e a da transformação de toda propriedade em seu contrário.

A consolidação da dialética e, em seguida do materialismo dialético tiveram uma


notável contribuição no século XVIII, com o idealismo clássico alemão. Kant, o
fundador do idealismo clássico alemão, seguindo Descartes, destacou a força dos
aspectos contraditórios no processo de desenvolvimento. Mas é Hegel que concebe todo
o mundo da natureza, da história e do espírito como um processo em constante
movimento, mudança, transformação e desenvolvimento.

As leis da dialética concebidas por Hegel são impostas à Natureza e a História, não
foram deduzidas como resultado de sua observação, mas sim como leis do pensamento.
Engels diz que as leis da dialética são extraídas da natureza, assim como da história da
sociedade humana e reduz o número das Leis da Dialética a três:

Lei da passagem da quantidade à qualidade;

Lei da unidade e da luta dos contrários, lei da contradição;

Lei da negação da negação.


Lei da Passagem da quantidade à qualidade:
A Lei da passagem das mudanças quantitativas às qualitativas estabelece, em primeiro
lugar, a maneira como se realiza, de que maneira, que mecanismos atuam-no processo
de desenvolvimento das formações materiais.

Qualidade – é o conjunto de propriedades que caracterizam o objeto, a qualidade


representa o que o objeto é e não outra coisa (primeira fase do conhecimento do objeto).

Propriedade – é um aspecto do objeto, isto é, o objeto tem várias propriedades. A


propriedade pode mudar e até mesmo desaparecer, e ainda assim o objeto pode
conservar sua qualidade. Por isso, conhecer as propriedades nem sempre é conhecer o
objeto.

Exemplo: O capitalismo formou-se sobre a livre iniciativa e a concorrência. Ambas as


propriedades estão desaparecendo ou já desapareceram em alguns locais para dar lugar ao
monopólio. Mas o capitalismo segue existindo, porque suas propriedades essenciais não foram
afetadas.

Esta característica que apresenta a propriedade, a de mudar, permite falar de propriedades


mais ou menos importantes do objeto.

A qualidade não é a simples soma de propriedades, a estrutura que tomam as


propriedades é determinante para definir a qualidade de um objeto.

Exemplo: Diferentes propriedades do capitalismo podem mudar, mas se não muda a estrutura
dos meios de produção, se não desaparecem a propriedade privada dos meios de produção e as
relações de capital e trabalho, o capitalismo segue sendo o que é, possuindo uma qualidade
específica constituída por um conjunto de outras propriedades menos importantes que as
assinaladas.

Quantidade – caracteriza objeto sob o ponto de vista do grau e desenvolvimento ou de


intensidade das propriedades que lhe são inerentes, assim como sob o ponto de vista das
suas dimensões, o peso e o volume. A quantidade é expressa por um número.

A quantidade e a qualidade estão unidas e são interdependentes, porém podem ser


apreciadas diferenças notáveis. Em primeiro lugar, a qualidade de um objeto não muda
por uma simples mudança da quantidade ou, por uma mudança de determinada
propriedade se esta não é essencial. Mas a mudança de qualidade depende, em
determinado momento, da mudança de quantidade. Para que esta dependência
concretize é preciso que se rompam certos limites das mudanças quantitativas.

Medida “unidade de quantidade e qualidade” – é uma dimensão, um quadro, um padrão.


Quando as mudanças quantitativas se realizam dentro dos limites desse padrão, o objeto
segue sendo o que é, isto é, não muda sua qualidade.

Exemplo: A água entre 0 e 100º conserva sua qualidade, é o que é, o que representa, ainda que
uma de suas características, por exemplo, a temperatura, sofra mudanças quantitativas
importantes, mas não essenciais. Mas rompendo-se a medida da temperatura da água, o padrão,
ferve e transforma-se em vapor, que é outra substância com propriedades diferentes. Ou se a
temperatura alcança 0º transforma-se em gelo, um novo corpo, um novo objeto que não tem, por
exemplo, a propriedade de dissolver o sal.

A passagem das mudanças quantitativas às qualitativas é uma lei geral do


desenvolvimento do mundo material. Já sabemos que estas mudanças se realizam
quando se rompem os limites da medida, mas as mudanças qualitativas, por sua vez,
produzem mudanças quantitativas. Por isso, expressamos que as mudanças quantitativas
e qualitativas estão ligadas entre si, são interdependentes.

Salto – violação da medida ou mudança de qualidade. Não deve se tomado como algo
instantâneo. Os saltos são frequentemente bastante lentos (as variações qualitativas da
superfície do nosso planeta, dos organismos vivos, dos fenômenos sociais têm lugar no
decorrer de muitos anos, de séculos e até milênios).

No social, um salto pode servir à revolução social, se ele afeta todos os elementos do sistema
antigo. Mas saltos ocorrem de outra maneira: gradualmente os elementos da qualidade antiga
vão desaparecendo, sendo substituídos pelos elementos novos.

Existem, no processo de concretização da Lei da passagem da quantidade à qualidade, e


vice-versa, dois conceitos que precisam se esclarecidos:

Evolução – manifesta-se pelas mudanças que sofre o objeto sem que afetem sua
estrutura essencial. As mudanças referem-se a traços que não alteram o objeto no que
ele é, no que ele representa.

Exemplo: Podem mudar as forças e relações de produção (o trabalho manual feito por
ferramentas é substituído por máquinas, a livre concorrência é substituída pelo monopólio etc.),
conservando-se as características básicas e as leis que regem o capitalismo.

Revolução – afeta os traços essências da formação social. Esta se transforma em outra


formação material diferente; portanto, com uma nova qualidade.

Exemplo: a revolução socialista: través dela surge a propriedade social ao invés da propriedade
privada e a ditadura do proletariado ao invés do poder político da burguesia.
Lei da unidade e da luta dos contrários

Lei da contradição:
No desenvolvimento existem elementos chamados contrários. Estes, no processo de
transformação, são opostos. Mas não podem existir um sem o outro, apesar de
possuírem algum aspecto importante ou essencial que o outro não possui.

Não é possível, por exemplo, conceber a existência da burguesia sem o proletariado. E por
outro lado, todos sabemos que a classe social privilegiada é a proprietária dos meios de
produção.

Contradição ou luta dos contrários: Os opostos estão em interação permanente, desta


maneira, a contradição é a fonte genuína do movimento, da transformação dos
fenômenos.

Unidade dos contrários: Os contrários não podem existir independentemente de estar


um sem o outro.

Os contrários interpenetram-se, porque em sua essência tem alguma semelhança,


alguma identidade, que se alcança quando se soluciona a contradição, quando se
realiza a passagem dos contrários de um para o outro. Quando se atinge a identidade
dos contrários, na interação, surge um novo objeto, um novo fenômeno, com qualidade
diferente da que apresentavam os fenômenos opostos, é o desenvolvimento, a
transformação.

Na sociedade apresentam-se contradições de acordo com o tipo de propriedade, privada


ou social, dos meios de produção. Se estes dão privados, como é característico do
escravagismo, do feudalismo e do capitalismo, o tipo de contradição se denomina
antagônico. Ele não encontra solução dentro do sistema estabelecido. O sistema tem de
ser substituído por outro que elimine a contradição. A luta, por exemplo, entre o
proletariado e a burguesia não pode ser resolvida no seio do capitalismo.

As contradições não antagônicas apresentam-se na sociedade na qual os meios de


produção têm sentido social, constituem propriedade social. As contradições são
resolvidas, porque todos os grupos que existem na sociedade têm, em geral, os mesmos
interesses, que se identificam com o bem-estar coletivo. As contradições não antagônicas
são próprias da sociedade socialista.

O materialismo dialético reconhece que a contradição é uma forma universal do


ser. Por isso, esta Lei da Unidade e da Luta dos Contrários constitui a essência
dialética.
Lei da negação da negação
Se a “Lei da Unidade e da Luta dos Contrários” nos explica por que ocorre o
desenvolvimento e a “Lei da Transformação das Variações Quantitativas em
Qualitativas (e inversamente)” nos diz como, qual é o mecanismo do desenvolvimento,
esta terceira Lei da Dialética, a “Lei da Negação da negação”, nos faz saber quais as
relações entre o antigo e o novo no processo de desenvolvimento dos fenômenos.

A negação dialética se baseia na evolução e estuda todas as classes de movimento, como:


desenvolvimento, regressão e o movimento circular.

A negação dialética é resultado da luta dos contrários, é objetiva e significa a passagem


do inferior para o superior e também do superior para o inferior. O novo que surge da
luta dos contrários não elimina o velho de forma absoluta. O novo significa um novo
objeto, uma nova qualidade, mas o novo possui muitos elementos do antigo.

Exemplo: A sociedade primitiva foi substituída pela sociedade escravagista. Esta


aproveitou daquela tudo o que tinha de útil para o novo regime. Sem dúvida, foram
consideradas as suas experiências, as suas ferramentas, talvez algumas regras de vida
etc., mas a ideia da propriedade social, essa pratica do “comunismo primitivo”, não foi
incorporada ao novo estilo de vida social. Os meios de produção foram privatizados. O
sistema escravagista foi substituído pelo feudalismo. Este conservou a propriedade
privada dos meios de produção. O feudal envelhece e surge o capitalismo que
desenvolve ao máximo a propriedade privada dos meios e produção. Só com o
socialismo volta-se à ideia da propriedade social dos mios de produção.

Esta volta à prática da propriedade social se realiza em outro nível, profundamente mais
complexo, apoiando-se na ciência, empregado tecnologia, planejamento, cuidando
melhor, sem dúvida, dos seres humanos. Este processo é denominado pelo marxismo
“progresso espiral”. Nele se reconhece que o desenvolvimento tem um caráter
contraditório, isto e, que é possível que em determinadas etapas se repitam, com nova
qualidade, fases do fenômeno que já foram passadas. Por isso se aceita no marxismo
também que o desenvolvimento não pode se nem retilíneo nem circular.

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