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TESTE MÓDULO 9 – ANO3

[RECUPERAÇÃO DOS MÓDULOS 7 E 8]

ESCOLA______________________________________________________ DATA ___/ ___/ 20__


NOME_______________________________________________________ N.O____ TURMA_____

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Parte A.1

José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

Leia o texto que se segue, de acordo com a obra que estudou.

Lídia fez grande festa quando viu a telefonia, que bonita, que bom poder ouvir música a
qualquer hora do dia e da noite, exagero seu, que esse tempo ainda vem longe. É uma alma
simples, que se alegra com pouco […]. O Rádio Clube Português passou a ter, desde há dias,
uma locutora espanhola, com voz de tiple de zarzuela, que lê as notícias dos avanços
5 nacionalistas na salerosa língua de Cervantes, que Deus e ele nos perdoem estas ironias sem
humor, mais fruto duma vontade de chorar que de um apetite de rir. Assim está Lídia, que tendo
feito a sua parte de ligeira e graciosa, junta às preocupações que lhe dá Ricardo Reis as más
notícias que vêm de Espanha, más segundo o seu modo de entender, que é coincidente com o de
seu irmão Daniel, como temos visto. E ouvindo anunciar na telefonia que Badajoz foi
10 bombardeada, começa a chorar ali mesmo como uma madalena, estranha atitude a sua, se a
Badajoz nunca foi, se não tem lá família nem bens que com as bombas possam ter sofrido,
Então por que choras, Lídia, perguntou-lho Ricardo Reis, e ela não soube como havia de
responder, isto devem ter sido coisas que o Daniel lhe contou, e a ele quem lhas terá dito, que
fontes de informação serão as suas, pelo menos não custa a adivinhar que muito se fala da
15 guerra de Espanha no Afonso de Albuquerque, enquanto lavam o tombadilho e dão lustro aos
metais passam os marinheiros uns aos outros as novidades, nem todas tão ruins como as pintam
os jornais e as telefonias, no geral péssimas […]. Mas Ricardo Reis, ao mesmo tempo que, com
um carinho desajeitado, ajuda Lídia a enxugar as lágrimas, vai argumentando, tentando trazê-la
ao redil da sua própria convicção, e repete as notícias lidas e ouvidas, Estás tu aí a chorar por
20 Badajoz, e não sabes que os comunistas cortaram uma orelha a cento e dez proprietários, e
depois sujeitaram a violências as mulheres deles, quer dizer, abusaram das pobres senhoras,
Como é que soube, Li no jornal, e também li, escrito por um senhor jornalista chamado Tomé
Vieira, autor de livros, que os bolchevistas arrancaram os olhos a um padre já velho e depois
regaram-no com gasolina e deitaram-lhe o fogo, Não acredito, Está no jornal, eu li, Não é do
25 senhor doutor que eu duvido, o que o meu irmão diz é que não se deve fazer sempre fé no que
os jornais escrevem, Eu não posso ir a Espanha ver o que se passa, tenho de acreditar que é
verdade o que eles me dizem, um jornal não pode mentir, seria o maior pecado do mundo, O
senhor doutor é uma pessoa instruída, eu sou quase uma analfabeta, mas uma coisa eu aprendi,
é que as verdades são muitas e estão umas contra as outras, enquanto não lutarem não se saberá
30 onde está a mentira […].
José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis, Alfragide, Editorial Caminho, 2013, pp. 543-546.

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1. Partindo do excerto, trace o retrato político da situação que se vivia em Portugal e em


Espanha, em 1936.

2. Caracterize a personagem Lídia, recorrendo a passagens textuais que considere


pertinentes.

3. Identifique, no texto, duas marcas do tom coloquial de Saramago.

Parte A.2

José Saramago, Memorial do convento

Leia o texto que se segue, de acordo com a obra que estudou.

“Este que por desafrontada aparência, sacudir da espada e desparelhadas vestes, ainda que
descalço, parece soldado, é Baltasar Mateus, o Sete-Sóis. Foi mandado embora do exército por
já não ter serventia nele, depois de lhe cortarem a mão esquerda pelo nó do pulso, estraçalhada
por uma bala em frente de Jerez de los Caballeros, na grande entrada de onze mil homens que
5 fizemos em outubro do ano passado e que se terminou com perda de duzentos nossos e
debandada dos vivos, acossados pelos cavalos que os espanhóis fizeram sair de Badajoz. […]
Por ser pouco o que pudera guardar do soldo, pedia esmola em Évora para juntar as moedas que
teria de pagar ao ferreiro e ao seleiro se queria ter o gancho de ferro que lhe havia de fazer as
vezes da mão. Assim passou o inverno […] Saiu Sete-Sóis de Évora […]
10 Veio andando devagar. Não tem ninguém à sua espera em Lisboa, e em Mafra, donde partiu
anos atrás para assentar praça na infantaria de sua majestade, se pai e mãe se lembram dele,
julgam-no vivo porque não têm notícias de que esteja morto, ou morto porque as não têm de
que seja vivo. […] Baltasar Sete-Sóis leva os ferros no alforge porque há momentos, horas
inteiras, em que sente a mão como se ainda a tivesse na ponta do braço e não quer roubar a si
15 próprio a felicidade de se achar inteiro e completo como inteiros e completos se hão de sentar
Carlos e Filipe em seus tronos, afinal haverá para os dois, quando a guerra acabar. […]
Passado pegões, à entrada dos grandes pinheirais onde começa a terra de areia, Baltasar,
ajudando-se com os dentes, ata ao coto o espigão, que fará, urgindo a necessidade, as vezes de
adaga, em tempo que esta foi proibida por ser arma facilmente mortal. […] Matará adiante um
20 homem, de dois que o quiseram roubar, mesmo tendo-lhes ele gritado que não levava dinheiros.
Lisboa ali estava […]
Com pouco dinheiro no bolsilho, umas só moedas descobre que soavam bem menos que os
ferros do alforge, desembarcado numa cidade que mal conhecia, tinha Baltasar de resolver que
passos daria a seguir, se a Mafra onde não poderia a sua única mão pegar numa enxada que
25 requer duas, se ao paço onde talvez lhe dessem uma esmola por conta do sangue perdido.
Alguém lhe tinha dito isto em Évora, mas também lhe foram dizendo que era necessário pedir
muito e por muito tempo, com muito empenho de padrinhos, e apesar disso muitas vezes se
apagava a voz e acabava a vida antes que se visse a cor ao dinheiro. Na falta, aí estavam as
irmandades para a esmola e as portarias dos conventos que proviam ao caldo e ao tassalho do
30 pão.
José Saramago, Memorial do convento, Alfragide, Editorial Caminho, 2013, pp. 45-54.

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1. Partindo do excerto, trace a caracterização de Baltasar Mateus.

2. Demonstre que Baltasar espelha a opressão infligida na época às classes desfavorecidas.

3. Identifique, no texto, duas marcas do tom -coloquial de Saramago.

Parte B

Fernando Pessoa – ortónimo e heterónimos

4. Associe os elementos da coluna A aos elementos da coluna B de modo a obter afirmações


corretas.

Coluna A Coluna B
A. Nos poemas “Autopsicografia” e “Isto”, 1. o recurso à imaginação e à razão.
encontra-se
2. para a ideia de mudança e durabilidade
B. Para Pessoa, a possibilidade de fugir a da vida.
uma realidade dolorosa leva-o 3. à linguagem simples, ao versilibrismo e
às frases coordenadas.
C. A arte poética, segundo o Pessoa 4. para a ideia da transitoriedade da vida.
ortónimo, exige
5. ao facto de este período da vida ter sido
D. A necessidade de Pessoa se refugiar na feliz e vivido na companhia da família.
infância deve-se 6. a evadir-se e a procurar alguma
felicidade nos sonhos e na imaginação.
E. Tendencialmente, na sua poesia, Caeiro 7. em atingir um estado de tranquilidade.
recorre
8. teorizado o fingimento artístico.
F. Na poesia de Reis, o rio que corre
remete 9. pela exaltação da energia, da velocidade
e da força de todas as dinâmicas.
G. A ataraxia, princípio de conduta 10. à multiplicação e, portanto, à criação
humana, consiste heteronímica.
11. à infelicidade provocada pelo uso
H. O Futurismo de Campos caracteriza-se excessivo da racionalização.

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Parte C

Fernando Pessoa – Mensagem

5. Elabore um texto expositivo, com o mínimo de 120 e o máximo de 150 palavras, sobre a
natureza épico-lírica da obra Mensagem.

A sua exposição deve incluir:


 uma introdução ao tema;
 um desenvolvimento em que apresente duas características da obra: uma
ilustrativa da natureza épica, outra da natureza lírica;
 uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema.

GRUPO II

Leia o texto.

Devemos ter vivido na rua Padre Sena Freitas uns dois ou três anos. Quando principiou a
guerra civil espanhola era aí que residíamos. A mudança para a rua Carlos Ribeiro terá sido
em 38, ou talvez mesmo em 37. Salvo que esta minha por enquanto ainda prestável
memória deixe vir à superfície novas referências e novas datas, é-me difícil, para não dizer
5 impossível, situar certos acontecimentos no tempo, mas tenho a certeza de que este que
vou relatar é anterior ao princípio da guerra em Espanha. Havia por essas alturas um
divertimento muito apreciado nas classes baixas, que cada um podia fabricar em sua própria
casa (tive pouquíssimos brinquedos, e, mesmo esses, em geral de lata, comprados na rua,
aos vendedores ambulantes), o qual divertimento consistia numa pequena tábua retangular
10 em que se espetavam vinte e dois pregos, onze de cada lado, distribuídos como então se
dispunham os jogadores no campo de futebol antes do aparecimento das táticas modernas,
à inglesa, dois atrás, denominados defesas, ou backs, e finalmente o guarda-
-redes, ou keeper. Podia-se jogar com um berlinde pequeno, mas, de preferência, usava-se
uma esferazinha de metal, das que se encontram nos rolamentos, a qual era
15 alternadamente empurrada, de um lado e do outro, com uma pequena espátula, por entre
os pregos, até ser introduzida na baliza (também havia balizas), e assim marcar golo. Com
estes pobríssimos materiais divertia-se a gente, tanto miúda como graúda, e havia renhidos
desafios e campeonatos. Observado a esta distância parecia, e talvez o tivesse sido por
alguns momentos, a idade de ouro. Mas não o foi sempre, como já se vai ver. Um dia,
20 estávamos na varanda das traseiras, meu pai e eu, a jogar (recordo que, nesse tempo, as
famílias de escassas posses passavam a maior parte do tempo nas traseiras das casas,
principalmente nas cozinhas), eu sentado no chão, ele num banquito de madeira, como
então se usavam e eram tidos por imprescindíveis, sobretudo para as mulheres, que neles
costuravam. Por trás de mim, de pé, a assistir ao jogo, estava o António Barata. Meu pai não
25 era pessoa para deixar que o filho lhe ganhasse, e, por isso, implacável, aproveitando-
-se da minha pouca habilidade, ia marcando golos uns atrás dos outros. O tal Barata, como
agente da Polícia de Investigação Criminal que era, deveria ter recebido treino mais que

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suficiente quanto aos diferentes modos de exercer uma eficaz pressão psicológica sobre os
detidos ao seu cuidado, mas terá pensado naquela altura que podia aproveitar a ocasião
30 para se exercitar um pouco mais. Com um pé tocava-me repetidamente por trás, enquanto
ia dizendo: “Estás a perder, estás a perder.” O garoto aguentou enquanto pôde o pai que o
derrotava e o vizinho que o humilhava, mas, às tantas, desesperado, deu um soco (um soco,
coitado dele, uma sacudidela de cachorrito) no pé do Barata, ao mesmo tempo que
desabafava com as poucas palavras que em tais circunstâncias poderiam ser ditas sem
35 ofender ninguém: “Esteja quieto!” Ainda a frase mal tinha terminado e já o pai vencedor lhe
assentava duas bofetadas na cara que o atiraram de roldão no cimento da varanda. Por ter
faltado ao respeito a uma pessoa crescida, claro está. Um e outro, o pai e o vizinho, ambos
agentes da polícia e honestos zeladores da ordem pública, não perceberam nunca que
haviam, eles, faltado ao respeito a uma pessoa que ainda teria de crescer muito para poder,
40 finalmente, contar a triste história. A sua e a deles.
José Saramago, As pequenas memórias, Lisboa, Editorial Caminho, 2006, pp. 44-47.

Para os itens 1 a 7, selecione a opção que completa cada afirmação.

1. Segundo o narrador,
(A) é-lhe impossível situar no tempo o episódio que vai relatar.
(B) os acontecimentos narrados ocorreram durante a sua infância.
(C) a história que vai relatar decorre de um sonho que teve.
(D) os acontecimentos relatados ocorreram com um seu vizinho.

2. A atitude do pai da criança em lhe assentar duas bofetadas


(A) ficou a dever-se ao facto de estar a perder o jogo.
(B) resultou do facto de ter considerado a reação do filho desrespeitosa.
(C) ficou a dever-se às palavras insultuosas de António Barata.
(D) resultou como um castigo infligido pelo progenitor ao filho, pelo facto de este ter
perdido o jogo.

3. A modalidade presente na frase “Devemos ter vivido na rua Padre Sena Freitas uns dois ou
três anos.” (l. 1) é
(A) deôntica com valor de obrigação.
(B) deôntica com valor de permissão.
(C) epistémica com valor de certeza.
(D) epistémica com valor de probabilidade.

4. A função sintática desempenhada pelo segmento sublinhado em “Quando principiou a


guerra civil espanhola era aí que residíamos” (ll. 1-2) é
(A) complemento indireto.
(B) complemento oblíquo.
(C) modificador.
(D) predicativo do sujeito.

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5. O valor aspetual presente no enunciado “Havia por essas alturas um divertimento muito
apreciado nas classes baixas” (ll. 6-7) é
(A) iterativo.
(B) habitual.
(C) perfetivo.
(D) genérico.

6. O referente do pronome relativo em “a qual era alternadamente empurrada” (ll. 14-15) é


(A) uma esferazinha.
(B) uma esferazinha de metal.
(C) uma pequena espátula.
(D) baliza.

7. No segmento “que podia aproveitar a ocasião para se exercitar um pouco mais” (ll. 29-30)
está presente
(A) uma oração subordinada adjetiva relativa restritiva e uma subordinada adverbial final.
(B) uma oração subordinada adjetiva relativa restritiva e uma subordinada adverbial
causal.
(C) uma oração subordinada substantiva completiva e uma subordinada adverbial final.
(D) uma oração subordinada substantiva completiva e uma subordinada adverbial causal.

8. Identifique o processo fonológico ocorrido na passagem de TABULA- para “tábua” (l. 9).

9. Classifique, quanto ao processo de formação de palavras, os termos “backs” e “keeper”


(ll. 12-13).

10. Identifique a função sintática desempenhada pelo segmento sublinhado em “Com estes
pobríssimos materiais divertia-se a gente” (ll. 16-17).

COTAÇÕES

Item
Grupo
Cotação (em pontos)
1. 2. 3.
I–A
20 20 20 60
4.A 4.B 4.C 4.D 4.E 4.F 4.G 4.H
I–B
5 5 5 5 5 5 5 5 40
5.
I–C 30
30
II 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10.
7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 70
TOTAL 200

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PROPOSTA DE CORREÇÃO

GRUPO I

Parte A.1

O ano da morte de Ricardo Reis

1. De acordo com o excerto, é possível constatar que, em Espanha, tinha já deflagrado a guerra civil
após o golpe de Estado perpetrado pelas forças nacionalistas e encabeçado pelo General Franco,
como forma de derrubar o governo de esquerda que tinha resultado das eleições. Assim, o excerto
dá conta do caráter sanguinário desta guerra e das atrocidades cometidas contra a população por
parte das duas fações (os nacionalistas e os comunistas) que se encontravam em confronto. Já em
Portugal, vislumbram-se os primeiros passos daquela que virá, pouco tempo depois, a ser
conhecida como a revolta dos marinheiros, uma tentativa frustrada de colocar um término à
ditadura salazarista. É também evidente, através das referências feitas aos jornais, o clima de
censura e de propaganda promovidos pelo regime do Estado Novo.
2. Apesar de ser simples, humilde e iletrada “É uma alma simples, que se alegra com pouco” (ll. 2-3);
“eu sou quase uma analfabeta” (ll. 28-29), Lídia revela-se uma pessoa informada e preocupada
com os acontecimentos que a rodeiam “E ouvindo anunciar na telefonia que Badajoz foi
bombardeada, começa a chorar ali mesmo como uma madalena” (ll. 9-10). Além disso, e ao
contrário de Ricardo Reis que aceita como verdades absolutas aquilo que os jornais referem, Lídia
manifesta ter espírito crítico, a ponto de surpreender o seu interlocutor com as afirmações que faz
“O senhor doutor é uma pessoa instruída, eu sou quase uma analfabeta, mas uma coisa eu
aprendi, é que as verdades são muitas e estão umas contra as outras, enquanto não lutarem não
se saberá onde está a mentira” (ll. 28-30).
3. No texto, o tom coloquial é evidente na mistura de vários modos de relato do discurso “Lídia fez
grande festa quando viu a telefonia, que bonita, que bom poder ouvir música a qualquer hora do
dia e da noite” (ll. 1-2), bem como na presença de comentários do narrador “exagero seu, que esse
tempo ainda vem longe” (l. 2) ou de expressões populares “começa a chorar ali mesmo como uma
madalena” (l. 10).

Parte A.2

Memorial do convento

1. Baltasar Mateus apresenta-se como um homem miserável, esfarrapado e descalço, situação


decorrente do facto de ter sido dispensado do exército por ter perdido a mão esquerda na Guerra
da Sucessão Espanhola. É ainda um homem sujeito ao abandono, que se vê forçado a enfrentar as
dificuldades sozinho.
2. É evidente o estado de abandono e marginalização a que Baltasar foi votado, depois de ter perdido
a mão esquerda na guerra e de ser forçado a abandonar o exercício militar, sem qualquer
indemnização ou apoio. É, assim, obrigado a regressar à pátria a expensas próprias, sobrevivendo
da caridade.
3. No texto, são evidentes os comentários do narrador “afinal haverá para os dois, quando a guerra
acabar” (ll. 17-18) bem como o diálogo com o narratário “na grande entrada de onze mil homens que
fizemos em outubro do ano passado e que se terminou com perda de duzentos nossos” (ll. 4-6).

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Parte B

4. A – 8; B – 6; C – 1; D – 11; E – 3; F – 4; G – 7; H – 9

Parte C

5. Mensagem, sendo uma obra lírica, apresenta, efetivamente, marcas que lhe conferem uma
dimensão épica.
As referências à História de Portugal, nomeadamente através das individualidades que destaca, a
mitificação do rei D. Sebastião ou a divinização do Infante D. Henrique são características que
comprovam a natureza épica da obra. Recriando ações históricas passadas e exaltando figuras e
factos, Pessoa incita os portugueses do presente à construção de um novo império, de um Portugal
renovado que ponha fim à decadência em que se encontra.
Por outro lado, a subjetividade (visível, por exemplo, na seleção das personalidades históricas que
exalta e nas características que nelas destaca) e a visão emotiva que revela em alguns poemas
(como é o caso de “Mar português”) são marcas do discurso lírico.
Assim, Pessoa concilia, nesta obra de exaltação patriótica, lirismo e caráter épico, conferindo-lhe
uma dimensão simbólica.

(141 palavras)

GRUPO II

1. B
2. B
3. D
4. B
5. A
6. B
7. C
8. Síncope.
9. Empréstimo.
10. Sujeito.

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