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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

FACULDADE DE GEOLOGIA

BACIA DE SERGIPE-ALAGOAS

ALAN ARMELE
CAIO EDUARDO BARBOSA COUTINHO
FILIPE SILVA LIRA
MAURICIO HENRIQUE GARCIA
SALVADOR JOSÉ CHRISPIM

TRABALHO FINAL DE CURSO

Curso de Especialização em Projeto de Análise de Bacias


Módulo Geologia do Petróleo

RIO DE JANEIRO

2006
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

FACULDADE DE GEOLOGIA

TÍTULO:
BACIA DE SERGIPE-ALAGOAS:
HISTÓRICO EXPLORATÓRIO E POTENCIAL PETROLÍFERO

ALAN ARMELE
CAIO EDUARDO BARBOSA COUTINHO
FILIPE SILVA LIRA
MAURICIO HENRIQUE GARCIA
SALVADOR JOSÉ CHRISPIM

Orientador:
Prof. Hernani Aquini F. Chaves
Geólogo Alvaro Henrique Arouca de Castro

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PROJETO DE ANÁLISE DE BACIAS


MÓDULO GEOLOGIA DO PETRÓLEO

RIO DE JANEIRO

2006
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

FACULDADE DE GEOLOGIA

TÍTULO:
BACIA DE SERGIPE-ALAGOAS

ALAN ARMELE
CAIO EDUARDO BARBOSA COUTINHO
FILIPE SILVA LIRA
MAURICIO HENRIQUE GARCIA
SALVADOR JOSÉ CHRISPIM

Trabalho Final de Curso submetido ao corpo docente da Faculdade de Geologia do


Estado do Rio de Janeiro – UERJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção
de grau Especialista em Geologia do Petróleo

Aprovada por:

Prof. Msc. Alvaro H. A. de Castro (Petrobras – E&P-EXP/GEO/TGEO) - orientador

Prof. Hernani F. Chaves (UERJ) - orientador

Prof. Dr. Flavio Juarez Feijó (Petrobras – RH/UP/ECTEP)

RIO DE JANEIRO

2006
FICHA CATALOGRÁFICA

ARMELE, ALAN; COUTINHO, CAIO EDUARDO


BARBOSA; LIRA, FELIPE SILVA; GARCIA.
MAURÍCIO HENRIQUE; CHRISPIM, SALVADOR
JOSÉ.
Bacia de Sergipe-Alagoas: Estado da arte [Rio
de Janeiro] 2006
XII, 144p. 29,7cm (Faculdade de Geologia –
UERJ, Esp., Curso de Especialização em Projetos
de Análise de Bacias: Módulo Geologia do
Petróleo – 2006)
Tese – Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, realizada na Faculdade de Geologia.
1. Bacia de Sergipe-Alagoas. 2. Sistemas
Petrolíferos.
I – FGEL/UERJ II – Título (série)

iv
AGRADECIMENTOS

Expressamos nossos agradecimentos as seguintes pessoas e entidades:


À Universidade do Estado do Rio de Janeiro e a Universidade Petrobras pela
estrutura curricular montada;
Aos geólogos Dr. Álvaro Henrique Arouca de Castro, da Petrobras e Prof. Dr
Hernani Aquini Chaves da UERJ, pela orientação da monografia;
Ao coordenador Geólogo Wilson Lanzarini e toda a equipe da Universidade
Petrobras.
Aos colegas pelo convívio humano e trocas de experiências.

v
ÍNDICE

ÍNDICE............................................................................................................................ vi
LISTA DE ILUSTRAÇÕES ......................................................................................... viii
LISTA DE TABELAS ..................................................................................................... x
RESUMO ........................................................................................................................ xi
ABSTRACT .................................................................................................................. xiii
I. APRESENTAÇÃO................................................................................................... 1
II. HISTÓRICO DE E&P ................................................................................................. 2
II.1. HISTÓRICO ......................................................................................................... 2
II.2. DADOS FÍSICOS............................................................................................... 10
II.3. RESERVAS E PRODUÇÃO.............................................................................. 18
III. TECTÔNICA E GEOLOGIA ESTRUTURAL ....................................................... 23
III.1. INTRODUÇÃO................................................................................................. 23
III.2. EVOLUÇÃO ESTRUTURAL .......................................................................... 23
III.2.1. PRINCIPAIS FASES DA EVOLUÇÃO ESTRUTURAL......................... 24
III.3. ARCABOUÇO ESTRUTURAL ....................................................................... 25
III.3.1 ALTOS E BAIXOS ESTRUTURAIS DO EMBASAMENTO .................. 26
III.3.2 FALHAS...................................................................................................... 28
III.3.3 ESTRUTURAS DE MEIO-GRABEN ........................................................ 30
III.3.4 LINHA DE CHARNEIRA ALAGOAS ...................................................... 30
III.3.5. TECTÔNICA DE SAL............................................................................... 31
III.3.6. OUTRAS FEIÇÕES ESTRUTURAIS....................................................... 34
IV . ESTRATIGRÁFICA E SEDIMENTOLOGIA ....................................................... 35
IV. 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................... 35
IV. 2. SEQUENCIA LITOESTRATIGRAFICA ....................................................... 40
V. SISTEMA PETROLÍFERO ...................................................................................... 49
V.1. INTRODUÇÃO.................................................................................................. 49
V.2. GERADORES CONHECIDOS ......................................................................... 49
V.3. PROCESSO DE GERAÇÃO E MIGRAÇÃO ................................................... 51
V.4. SELO .................................................................................................................. 53
V.5. TRAPAS ............................................................................................................. 54

vi
V. 6. RESERVATÓRIOS........................................................................................... 54
V. 7. SINCRONISMO................................................................................................ 57
VI. MODELOS DE DESCOBERTA ............................................................................. 58
VI.1. PLAYS EXPLORATÓRIOS ............................................................................ 60
VII. PERSPECTIVAS EXPLORATÓRIAS PARA A BACIA SERGIPE-ALAGOAS E
DISCUSSÕES ................................................................................................................ 61
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA ............................................................................. 63

vii
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Mapa de localização da Bacia Sergipe-Alagoas (Modificado de Milani


et al., 2000).
Figura 2 - Classificação das bacias brasileiras pela sua atratividade, segundo
Link (1960) in Mendonça et al., (2004).
Figura 3 - Seção geológica entre os poços Rosário do Catete e São José, com
a concepção geológica que levaria à descoberta do Campo de
Carmópolis, na Bacia de Sergipe-Alagoas (Fernandes, 1961, in
Marques, 1965).
Figura 4 - Seção sísmica da locação 1-SE-1, Bacia de Sergipe-Alagoas,
descobridora do Campo de Guaricema, primeira acumulação
encontrada na plataforma continental brasileira (Mendonça et
al.,2004).
Figura 5 – Distribuição areal dos campos de petróleo e gás (fonte ANP/BDEP,
2006).
Figura 6 – Situação em maio/2006 dos blocos sob contrato de exploração na
Bacia de Sergipe-Alagoas (fonte ANP/BDEP, 2006).
Figura 7 a – Distribuição areal dos poços exploratórios (terra e mar) (fonte
ANP/BDEP, 2006).
Figura 7 b – Distribuição dos poços de produção (terra e mar) (fonte
ANP/BDEP, 2006).
Figura 8 a – Densidade dos levantamentos de sísmica 2D público (fonte
ANP/BDEP, 2006).
Figura 8 b – Densidade dos levantamentos de sísmica 2D confidencial (fonte
ANP/BDEP, 2006).
Figura 9 – Levantamento de sísmica 3D. Em cinza, levantamentos classificados
como confidencial. Em laranja são os levantamentos públicos (fonte
ANP/BDEP, 2006).
Figura 10 – Área com levantamentos gravimétricos na Bacia de Segipe-
Alagoas (inclui terrestre, marítimo e aéreo) (fonte ANP/BDEP, 2006).
Figura 11 – Divisão da bacia em setores terrestres (fonte ANP/BDEP, 2006).
Figura 12 – Divisão da bacia em setores marítimos (fonte ANP/BDEP, 2006).
Figura 13 - Localização dos campos produtores (contratos de concessão de
produção) na Bacia Sergipe-Alagoas (fonte ANP/BDEP, 2006).
Figura 14 a - Evolução das reservas provadas de gás, Bacia Sergipe-Alagoas
(Fonte: ANP/SDP).
Figura 14 b - Evolução das reservas provadas de petróleo, Bacia Sergipe-
Alagoas (Fonte: ANP/SDP).
Figura 14 c - Evolução da produção de petróleo, Bacia Sergipe-Alagoas (Fonte:
ANP/SDP).

viii
Figura 14 d - Evolução produção de gás, Bacia Sergipe-Alagoas (Fonte:
ANP/SDP).
Figura 15 – Linha sísmica mostrando feições estruturais presentes na bacia de
Sergipe-Alagoas (Mohriak,2003).
Figura 16 - Mapa regional de anomalia Bouguer da região nordeste do Brasil
(Mohriak et al., 1997).
Figura 17 – Arcabouço estrutural da bacia de Sergipe-Alagoas, com suas
principais feições tectônicas (Modificado de Falkenhein, 1986 in
Phoenix, 2002).
Figura 18 – Principais sistemas de fraturas da bacia de Sergipe-Alagoas (Oieda
& Fugita, 1974).
Figura 19 – Representação da Linha de Charneira Alagoas nas seções das
sub-bacias Sergipe e Alagoas.
Figura 20 – Seção sísmica da Bacia de Sergipe-Alagoas, entre a plataforma
continental e a porção distal do Baixo de Mosqueiro (modificado de
Bisol, 1992; in Mohriak et al., 1997). O poço A, na plataforma
continental, atravessou espessa seção de halita de idade Alagoas, o
poço B, na direção de águas profundas, registrou ausência de
evaporitos entre a seção rifte e a discordância da base da Formação
Calumbi. Em águas profundas, ocorre uma feição do tipo mound,
possivelmente localizada próxima da transição entre as crostas
continental e oceânica.
Figura 21 – Linha sísmica nas bacias de Sergipe e Alagoas mostrando plug
vulcânico (?) ao longo de zona de fratura, com rompimento do Moho
(Mohriak et al., 1997).
Figura 22 – Arcabouço tectono-sedimentar simplificado das bacias de Sergipe
e Alagoas e suas respectivas megassequências (Fonte ANP/Round
3).
Figura 23 – Carta estratigráfica simplificada da Bacia de Sergipe-Alagoas.
Figura 24 - Carta estratigráfica da Sub-bacia de Sergipe.
Figura 25 - Carta estratigráfica da Bacia de Alagoas.

ix
LISTA DE TABELAS

Tabela 1– Classificação dos poços da Bacia de Sergipe-Alagoas (maio/2006).


Tabela 2 – Contribuição das diferentes fases evolutivas da Bacia de Sergipe-
Alagoas para as reservas totais da Bacia de Sergipe-Alagoas (em
31/12/1989).
Tabela 3 - Campos em produção na Bacia de Sergipe-Alagoas (31/12/2004).

x
RESUMO

ALAN ARMELE, CAIO EDUARDO BARBOSA COUTINHO, FILIPE SILVA


LIRA, MAURICIO HENRIQUE GARCIA e SALVADOR JOSÉ CHRISPIM.

Bacia de Sergipe-Alagoas. Orientadores: Prof. Hernani Aquini F. Chaves e


Alvaro Henrique Arouca de Castro. Rio de Janeiro: UERJ/FGEL, 2005.
Monografia do Curso de Especialização em Geologia do Petróleo.

A Bacia de Sergipe-Alagoas é limitada a norte com a Bacia de


Pernambuco-Paraíba pelo Alto de Maragoji e a sul com a Bacia do Jacuípe
pelo sistema de falhas Vaza-Barris.
Os primeiros estudos geológicos datam da primeira metade do séc. XIX e
tiveram seu auge nas décadas de 1950/60 com a descoberta dos campos de
Carmópolis e Guaricema, marcos na história exploratória brasileira. O primeiro
por se tratar do maior campo em terra à época, contrariando a expectativa do
Relatório Link, e o segundo, por ser a primeira descoberta no mar, apontando o
caminho para a exploração offshore.
Sergipe-Alagoas é a bacia que apresenta a sucessão estratigráfica mais
completa dentre as bacias da margem leste brasileira podendo ser dividida em
quatro fases tectono-sedimentares: pré-rifte (sedimentos lacustres e fluviais),
sin-rifte (leques aluviais e deltáicos, folhelhos, margas lacustres e coquinas),
transicional (siliciclásticos, evaporitos e carbonáticos) e drifte, esta última
subdividida em transgressiva (carbonática) e regressiva (siliciclástica),
suportadas por um embasamento proterozóico.
Estruturalmente a bacia é composta por um conjunto de meio-grábens com
vergência principal das falhas para SE, condicionada pela abertura do Oceano
Atlântico, formada principalmente por falhamentos, basculamentos e
movimentação halocinética de baixo grau.
São reconhecidos pelo menos três geradores na bacia e diversos
reservatórios distribuídos ao longo do cretáceo inferior, do aptiano e do albo-
turoniano. Juntos, eles atestam a eficiência dos sistemas petrolíferos.
Os atuais modelos exploratórios, assim como a aplicação das modernas
técnicas de recuperação dos reservatórios devem manter os atuais índices de

xi
produção da bacia, porém é nas águas profundas que está o futuro exploratório
da Bacia Sergipe-Alagoas.

Palavras chave: Bacia de Sergipe-Alagoas, histórico exploratório, evolução


tectono-sedimentar, sistemas petrolíferos e perspectivas exploratórias.

xii
ABSTRACT

ALAN ARMELE, CAIO EDUARDO BARBOSA COUTINHO, FILIPE SILVA


LIRA, MAURICIO HENRIQUE GARCIA e SALVADOR JOSÉ CHRISPIM

The Sergipe-Alagoas Basin is limited to the north with the Pernambuco-


Paraíba Basin by the structural high Alto de Maragoji and to the south with
Jacuípe Basin by the fault system of Vaza-Barris.
The first geologic studies dated since the first half of sec. XIX and had had
its height in the decades of 1950/60 with the discovery of the Carmópolis and
Guaricema fields. Landmarks in the Brazilian exploratory history the first one
was the biggest field in land at that time, opposing the expectation of the Link
Report. The second one for being the first discovery in the sea, pointing the way
with respect to the exploration offshore.
Sergipe-Alagoas presents the most complete stratigraphic succession
amongst the Brazilian marginal basins. These sequences can be divided in four
tectono-sedimentary phases: pre-rift (lacustrine and fluvial sediments), sin-rift
(lacustrine and coquinas aluvial and deltaic, fans shale, marl), transitional
(siliciclastic, evaporitic and limestone) and drift, this last one subdivided in
transgressive (limestone) and regressive (siliciclastic), supported by a
proterozoic basement.
Structurally the basin is composed by a set of half--graben dipping
seaward, and formed mainly for faults, tilting blocks and halocinetic movement
of low degree.
At least three generators in the basin and diverse reservoirs distributed
from the lower cretaceous to the albo-turoniano are recognized. Together, they
certify the efficiency of the petroliferous systems. The current exploratory
models, as well as the application of the modern techniques of recovery of the
reservoirs must keep the current index of production of the basin. However it is
in the deep waters that are the exploratory future of the Sergipe-Alagoas Basin.

Key words: Sergipe-Alagoas Basin, exploratory history, tectono evolution,


petroleum system and petroleum potential.

xiii
I. APRESENTAÇÃO

Bacia Sergipe-Alagoas é caracterizada por um rifte assimétrico, alongado


na direção NNE/SSW e está localizada na costa leste brasileira, abrangendo
cerca de 35.000 Km² (2/3 na área marítima), sendo limitada a norte com a
Bacia Pernambuco-Paraíba, pelo Alto de Maragogi, e ao sul com a Bacia do
Jacuípe, pelo sistema de falhas de Vaza-Barris (Fig. 1). Está subdividida em
duas sub-bacias, Alagoas e Sergipe, separadas pelo alto de Jaboatã-Penedo,
nas imediações do Rio São Francisco (Aquino e Lana, 1990).

Formada durante a abertura do Atlântico Sul, é a bacia que registra a


sucessão estratigráfica mais completa, dentre as outras bacias da margem
leste, apresentando as megasseqüências sedimentares individualizadas por
discordâncias relacionadas às fases evolutivas pré-rifte, sin-rifte, transicional e
margem continental passiva (Asmus e Ponte, 1973; Asmus, 1982; Cainelli e
Mohriak, 1998; Cainelli e Mohriak, 1999b).

Este trabalho, administrado pelo convênio Petrobras/UERJ, faz parte do


curso de especialização intitulado “Geologia e Sistemas Petrolíferos das Bacias
Brasileiras” e tem por objetivo realizar uma revisão bibliográfica sobre a Bacia
de Sergipe-Alagoas expondo os principais aspectos referentes ao histórico de
exploração e produção, aspectos geológicos (estratigrafia e estruturação),
sistemas petrolíferos, além de dados básicos de reserva/produção e, a partir
desta, iniciar uma breve discussão referente às possíveis fronteiras
exploratórias da bacia.

1
II. HISTÓRICO DE E&P

II.1. HISTÓRICO

Dentre todas as bacias sedimentares da margem continental brasileira, a


Bacia de Sergipe-Alagoas é aquela que registra a sucessão estratigráfica mais
completa, incluindo-se remanescentes de uma sedimentação paleozóica, um
pacote do jurássico ao eo-cretáceo pré-rifte amplamente desenvolvido, e as
clássicas seqüências meso-cenozóicas sin-rifte e pós-rifte (Gamboa et.al.,
2000) (Figura 1).
A Bacia de Sergipe ocupa 5.000 Km2 em terra e 7.000 Km2 no mar, ao
passo que a Bacia de Alagoas são 7.000 Km2 emersos e 8.000 Km2 na
plataforma continental, até a cota batimétrica de 1.000 metros (Feijó & Vieira,
1991).

Figura 1- Mapa de localização da Bacia Sergipe-Alagoas (Modificado de Milani et al.,


2000).

2
De acordo com Feijó (1994), foram perfurados na Bacia de Sergipe-
Alagoas cerca de 4.035 poços, sendo que 3.617 nas suas partes terrestres e
registrados 60.000 Km de seções sísmicas (26.000 Km em terra). Os dados
mostram que o esforço exploratório na Bacia de Sergipe-Alagoas descobriu
507 milhões de metros cúbicos in situ de óleo e gás equivalente, sendo que a
produção gira em torno de 9.500 m3 diários de hidrocarbonetos (Feijó & Vieira,
1991).
As bacias de Sergipe e Alagoas foram individualizadas de acordo com
diferenças marcantes no seu arcabouço estratigráfico-estrutural (Feijó & Vieira,
1990; Feijó, 1992, in Feijó, 1994). Apesar de haver uma grande similaridade na
sedimentação neo-paleozóica e jurássica entre as duas bacias, a série
neocomiana está mais bem desenvolvida na Bacia de Alagoas, enquanto que a
sedimentação terciária é mais bem representada na Bacia de Sergipe (Feijó,
1994).
Dentre as bacias sedimentares brasileiras, a Bacia de Sergipe-Alagoas
foi uma das primeiras a serem pesquisadas, sendo os primeiros estudos
geológicos datados da primeira metade do século XIX, nos trabalhos realizados
por Handerson (1821) in Souza-Lima et al.; (2002).
Entre 1865 e 1866, um dos participantes da “Expedição Thayer”, o
naturalista canadense Charles Frederick Hartt, realizou os primeiros
levantamentos geológicos na área, onde delineou a estratigrafia regional da
bacia, cujos resultados foram publicados no clássico trabalho “Geology and
Physical Geography of Brazil” (Hartt, 1870). Entre os anos de 1875 a 1876, o
pesquisador J. C. Branner explorou muito a região (Souza-Lima et al., 2002).
Mas somente no século XX foi publicado o primeiro mapa geológico da
bacia (Ralph Sopper, 1914), cujos depósitos do Cretáceo e do Terciário
aparecem englobados em uma só unidade. Outro mapa, agora mais detalhado,
foi publicado em 1924 pelo Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil –
SGMB, (Moraes Rego, 1924) in Souza-Lima et al.; (2002).
Uma das primeiras menções sobre petróleo na região de Sergipe-
Alagoas foi feita por José Bach em 1912. Naturalizado brasileiro, ele encontrou
folhelhos pirobetuminosos ao longo do litoral de Alagoas, na localidade de São

3
Miguel dos Campos, e resolveu aproveitá-las economicamente, extraindo
petróleo em pequenas quantidades (Souza, 1997).
Ainda segundo Souza (1997), algum tempo depois, Edson de Carvalho
fundou a Cia de Petróleo Nacional, voltada especificamente para a pesquisa do
precioso combustível. O seu fundador, embora não sendo especialista em
geologia, acreditava piamente na presença de petróleo no litoral alagoano,
principalmente na área de Riacho Doce. O que o entusiasmava, e
posteriormente também ao escritor e pesquisador Monteiro Lobato, eram as
exsudações naturais que manchavam as areias da praia da região.
Euzébio de Oliveira, no início da década de 20, iniciou trabalhos de
reconhecimento geológico em diversas bacias, entre elas a de Sergipe-
Alagoas, à procura de petróleo. A primeira perfuração para petróleo do SGMB
foi o poço nº 1, na Bacia de Alagoas, segundo relatos de Moura e Oddone
(1961).
Entre os inúmeros pesquisadores que estudaram a região, podemos
citar R. Crandall, A. I. de Oliveira e C. J. Maury, este último, em 1936,
estabeleceu a criação de três novos andares para a área, que foram inseridos
na coluna geológica da bacia. Neste mesmo ano A. G. Duarte, publicou a mais
detalhada coluna estratigráfica da Bacia de Sergipe-Alagoas (Marques, 1965).
Em 1939 foi criado pelo então presidente do Brasil – Getúlio Vargas, o
Conselho Nacional do Petróleo (CNP), tendo como incumbência a
regularização de todas as atividades do setor, impulsionando os trabalhos de
mapeamento de detalhe e prospecção de petróleo nas bacias sedimentares
brasileiras.
Com o otimismo nascente das descobertas recentes de Lobato, neste
mesmo ano, O CNP efetuou uma intensa campanha geológico-geofísica na
Bacia de Sergipe-Alagoas, culminando com a perfuração de 10 poços
pioneiros, todos cheios de indícios, mas nenhum produtor de petróleo. De
acordo com Souza (1997), o CNP furou nos seus 17 anos de existência, cerca
de 6 vezes mais poços do que em 32 anos de existência dos órgãos SGMB e
DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).

4
A partir de 1941, os trabalhos de exploração tiveram como participantes
alguns empreendedores privados, em boa parte utilizando financiamento e
equipamentos do governo federal, governos estaduais, SGMB, DNPM e CNP.
Nesta época foram perfurados cerca de 162 poços exploratórios terrestres
rasos, principalmente nas bacias do Recôncavo, Paraná, Amazonas e Sergipe-
Alagoas (Gamboa et al., 2000).
Na Bacia de Sergipe-Alagoas, a atividade exploratória iniciada ao tempo
do CNP, teve um total de seis poços perfurados entre 1939 e 1943. Até 1948,
todas as pesquisas de petróleo realizadas em Sergipe, se limitaram ao
reconhecimento geológico, feito por vários geólogos de várias nacionalidades,
entre eles T. F. Campbell, W. T. O’Gara e Carlton (Marques, 1965).
Em 1949, uma equipe sísmica a serviços do Conselho Nacional do
Petróleo, efetuou um trabalho sísmico na região de Japaratuba e Pirambu, que
resultaram na interpretação de Peter J. Rusch, de um dobramento anticlinal,
que é considerado a primeira estrutura relacionada ao Campo de Carmópolis,
descoberto 14 anos depois (Marques, 1965).
A partir do pós-guerra, entra em cena a campanha “O petróleo é nosso”,
que culminaria na criação da Petrobras em 3 de outubro de 1953. No início das
atividades exploratórias da Petrobras, foi gerada uma grande quantidade de
relatórios técnicos internos com a finalidade de melhorar o conhecimento
estratigráfico das bacias sedimentares brasileiras, entre elas a Bacia Sergipe-
Alagoas, criando ferramentas que auxiliassem a prospecção de petróleo
(Cadernos Petrobras, 2004).
Em 1955, foi indicado para o Departamento de Exploração da Petrobras
– DEPEX, um ex-técnico da Esso, o geólogo Walter Link, que comandaria a
partir daí os trabalhos exploratórios da empresa. Apesar da grande
desconfiança de ter um estrangeiro comandando os trabalhos exploratórios, um
dos grandes méritos de Link, foi o de implantar, dentre outras coisas, uma
estrutura organizacional de exploração nos moldes das adotadas pelas maiores
empresas de petróleo do mundo (Mendonça et al.; 2004).
A equipe comandada por Link não se limitou apenas às bacias
paleozóicas, mas também as demais bacias. A partir destes trabalhos,

5
chegaram a identificar indícios de gás e óleo em algumas localidades, entre
elas a Bacia de Sergipe-Alagoas. Assim, em 1957, foi descoberto o Campo de
Tabuleiro dos Martins, portador de óleo em arenitos da Formação Coqueiro
Seco, estruturados em alto relativo, limitados por falhas. Neste mesmo ano foi
descoberta a acumulação de Jequiá, segundo Mendonça et al. (2004) e
Gamboa et al. (2000).
Ainda segundo Mendonça et al. (2004), durante os anos de 1957 e
1958, foi realizado o primeiro levantamento de reflexão sísmica na plataforma
continental brasileira, em áreas da plataforma do Espírito Santo, Bahia e de
Alagoas, dando assim, os primeiros passos em direção ao mar.
Em Sergipe foram delineadas as principais feições estruturais regionais
da bacia, incluindo o grande alto regional conhecido como Plataforma de
Sergipe e o grande baixo regional de Japaratuba. Em 1960, foram perfurados
alguns poços, entre os quais o de São José, que chegou a mostrar indícios de
óleo, porém apresentou-se seco e o poço de Riachuelo, produtor de óleo em
fraturas do embasamento, porém em quantidade muito pequena (Mendonça et
al.; 2004).
Ainda em 1960, no segundo poço da Plataforma de Sergipe, o PU-1-SE
(Pirambu), em um fechamento estrutural observado na sísmica, foi identificado
apenas indícios de óleo em folhelhos e carbonatos. No ano seguinte, foi furado
o poço RCst-1-SE (Rosário do Catete) em um alto gravimétrico, apresentando
fortes indícios de óleo vivo em fraturas (Marques, 1965).
Ao se afastar da Petrobras no início da década de 1960, Link deixou
relatos escritos dos trabalhos realizados nas bacias brasileiras, o chamado
“Relatório Link”, recomendando, entre outras coisas, a continuidade dos
esforços exploratórios em algumas localidades. A equipe de geólogos chefiada
por Link classificou as bacias sedimentares brasileiras segundo a sua
atratividade, e dentre elas, as que mais se destacaram foram as áreas
terrestres de Alagoas e Sergipe (Figura 2). Apesar disto, as declarações de
Link, foram tidas como pessimistas, pois contrariavam as expectativas
nacionalistas de que o subsolo brasileiro tivesse petróleo abundante
(Mendonça et al.; 2004).

6
Figura 2 - Classificação das bacias brasileiras pela sua atratividade, segundo Link
(1960) in Mendonça et al., (2004).
Em março de 1961, o então Presidente da Petrobras, Geonísio Barroso,
no intuito de reavaliar as possibilidades petrolíferas do Brasil, encarregou o
geólogo Pedro de Moura e o geofísico Décio Savério Oddone a emitirem um
parecer sobre as conclusões apresentadas pelo DEPEX no Relatório Link e
sugerir medidas para um possível re-estudo destas localidades (Mendonça et
al.; 2004). A partir destes trabalhos, Moura e Oddone propuseram um novo
programa exploratório para todas as bacias sedimentares brasileiras. A Bacia
de Sergipe-Alagoas recebeu uma análise bastante aprofundada, pois para
eles, Alagoas era uma bacia geológica com todas as características de
província petrolífera e sugeriram a retomada da exploração da área do
Tabuleiro dos Martins, propondo a realização de linhas de refração para definir
as grandes feições estruturais e uma reinterpretação dos dados com auxílio do
laboratório de sedimentologia (Mendonça et al.; 2004).
Para a Bacia de Sergipe, a área de São Francisco apresentava interesse
devido aos excelentes indícios de petróleo lá constatados, além de
considerarem como área atrativa toda a costa sergipana (Mendonça et al.;
2004).
Os trabalhos de superfície foram incentivados por constituírem
importante controle para os trabalhos de exploração, devendo ter prioridade

7
sobre as atividades de geofísica e perfuração de poços. Foi salientado também
que a Bacia de Sergipe apresentava condições para trapas estratigráficas bem
como a presença de recifes calcários (Mendonça et al.; 2004).
O marco fundamental da administração Pedro de Moura na
Superintendência do Departamento de Exploração foi a descoberta na Bacia
de Sergipe-Alagoas do Campo de Carmópolis, em agosto de 1963, pelo poço
1-CP-1-SE. Este seria o 143º poço perfurado na bacia, dos quais 108 tinham
sido feitos pelos órgãos governamentais. A proposta de locação foi feita sobre
uma feição estrutural muito expressiva, localizada sobre um alto regional no
qual os poços São José e Riachuelo tinham mostrado expressivos indícios de
petróleo (Figura 3).

Figura 3 - Seção geológica entre os poços Rosário do Catete e São José, com a
concepção geológica que levaria à descoberta do Campo de Carmópolis, na Bacia de
Sergipe-Alagoas (Fernandes, 1961, in Marques, 1965).

A descoberta do Campo de Carmópolis foi o primeiro fora da Bahia,


sendo considerado, na época, um dos maiores campos de petróleo da América
Latina, com um volume de óleo de mais de 1.0 bilhão de barris (Marques,
1965).

8
A descoberta de Carmópolis representou um marco fundamental na
exploração de petróleo no Brasil, pois mostrava o potencial petrolífero das
bacias marginais brasileiras, além da capacidade dos técnicos brasileiros de
assumir estes trabalhos após a era Link. (Mendonça et al.; 2004). Outras
descobertas viriam com os campos de Riachuelo e Siririzinho, próximos a
Carmópolis.
Em 1967, ao assumir a superintendência do Departamento de
Exploração da Petrobras, o geólogo Carlos Walter Marinho Campos
intensificou as campanhas sísmicas que revelariam o arcabouço geológico da
plataforma continental (Mendonça et al.; 2004).
Foi, portanto, no ano seguinte que a Petrobras inicia a sua caminhada
em direção à plataforma continental, com a perfuração do poço 1-ESS-1 na
porção marítima da Bacia do Espírito Santo. Ainda neste mesmo ano, com o
segundo poço, é descoberto o Campo de Guaricema, em depósitos turbidíticos,
na Plataforma Continental de Sergipe, cujos testes de formação mostraram
entre 1.500 e 2.000 bbl/dia (Mendonça et al.; 2004) (Figura 4).

Figura 4 - Seção sísmica da locação 1-SE-1, Bacia de Sergipe-Alagoas, descobridora


do Campo de Guaricema, primeira acumulação encontrada na plataforma continental
brasileira (Mendonça et al., 2004).

Pela avaliação da equipe da Petrobras em 1971, as bacias do


Recôncavo e Sergipe eram as únicas terrestres que mereciam maiores
esforços exploratórios (Souza, 1997).
Após a identificação do depósito turbidítico de Guaricema, os conceitos
relativos à sua existência permearam rapidamente os grupos de interpretação

9
exploratória, que se valiam da sísmica para buscar os arenitos situados além
das zonas de by-pass, em diversas posições e idades no pacote sedimentar
das bacias costeiras. Este pensamento que levou às descobertas posteriores
dos campos gigantes na Bacia de Campos (Mendonça et al.; 2004).
Em 1981, na Bacia de Sergipe-Alagoas, foi descoberta com o poço 1-
PIR-1-AL, a maior acumulação de gás desta bacia, o Campo de Pilar. Este
campo é uma estrutura em rollover associada à grande falha normal da borda
da bacia. Os reservatórios de gás possuem reservas da ordem de 7 bilhões de
m³. Adicionalmente, o campo apresenta uma reserva de óleo de 41º API com
volumes da ordem de 20 milhões de barris (Mendonça et al.; 2004).
Em 1987, na porção sul da Bacia de Sergipe, foi encontrado com a
perfuração do poço 1-SES-92, situado no Baixo de Mosqueiro, a primeira
acumulação em águas profundas fora da Bacia de Campos, em turbiditos
maastrichtianos (Mendonça et al.; 2004).
Entre 2000 e 2001, estudos integrados de sedimentologia e análise de
sinal sísmico levaram à identificação de sismofácies consideradas favoráveis à
presença de reservatórios com petróleo (Mendonça et al.; 2004).
A perfuração dos poços 1-SES-129, 1-SES-130 e 1-SES-142, levou à
descoberta de acumulações em reservatórios arenosos do Cretáceo, trazendo
um novo alento à exploração na bacia (Mendonça et al.; 2004). A maior parte
das descobertas de óleo e gás, segundos dados de 1991, refere-se à
acumulação em sedimentos de idade cretácea, num total de 95% das reservas
(Feijó & Vieira, 1991).

II.2. DADOS FÍSICOS

As primeiras atividades exploratórias na Bacia de Sergipe-Alagoas


ocorreram na década de 40, perfurando-se inicialmente na região norte de
Alagoas. Contudo, a maioria das descobertas aconteceu nos anos 60 na Bacia
de Sergipe.

10
O início da exploração na plataforma continental no final da década de
60 resultou na descoberta comercial de óleo do Campo de Guaricema, a
primeira em toda a margem continental brasileira.
Existe na bacia um total de 30 campos na fase de produção, sendo 22
em terra 8 no mar (Figura 5). Atualmente (maio/2006) são 44 blocos sob
contrato de exploração em terra, 11 em águas rasas e 1 em águas profundas
(Figura 6).

Figura 5 – Distribuição areal dos campos de petróleo e gás (fonte ANP/BDEP, 2006).

11
Figura 6 – Situação em maio/2006 dos blocos sob contrato de exploração na Bacia de
Sergipe-Alagoas (fonte ANP/BDEP, 2006).
Até maio/2006 foram perfurados 4.574 poços, classificados de acordo
com a Tabela 1.
Tabela 1– Classificação dos poços da Bacia de Sergipe-Alagoas (maio/2006).
CLASSE DE POÇO NUMERO DE POÇOS
(maio/2006)
SERGIPE ALAGOAS
PIONEIRO 355 174
EXPLORATÓRIO

EXTENSÃO 11 12
ESTRATIGRÁFICO 206 113
PIONEIRO ADJACENTE 64 42
JAZIDA RASA 7 2
JAZIDA PROFUNDA 6 3
PRODUÇÃO 2072 424
PRODUÇÃO

INJETOR 378 8
ESPECIAIS 663 34
TOTAL 3762 812

As Figuras 7 a & b, mostram a densidade de poços exploratórios e de


produção sob concessão de produção, respectivamente.

12
Figura 7 a – Distribuição areal dos poços exploratórios (terra e mar) (fonte ANP/BDEP,
2006).

Figura 7 b - Distribuição dos poços de produção (terra e mar) (fonte ANP/BDEP,


2006).

13
Figura 8 a – Densidade dos levantamentos de sísmica 2D público (fonte ANP/BDEP,
2006).

Figura 8 b - Densidade dos levantamentos de sísmica 2D confidencial (fonte


ANP/BDEP, 2006).

14
Figura 9 – Levantamento de sísmica 3D. Em cinza, levantamentos classificados como
confidencial. Em laranja são os levantamentos públicos (fonte ANP/BDEP, 2006).

Até dezembro de 1999, a bacia foi coberta com levantamentos sísmicos


correspondendo a 31.120 km de linhas 2-D terrestres e 38.287 km de linhas 2-
D marítimas, além de 5.372 km2 de linhas 3-D terrestres e 14.363 km2 de
linhas 3-D marítimas.
A Figura 8a & b mostram a densidade da malha 2D (posição em
dez/2005), respectivamente para o levantamento público e confidencial. A
densidade dos levantamentos 3D pode ser visualizada na Figura 9.
Dados gravimétricos também foram adquiridos em campanhas terrestre,
marítima e aérea, nas porções terrestre e marítima da bacia até a profundidade
média de 1.500 metros (Figura 10). Existe ao menos uma aquisição de dados
magnetométricos, porém não foi possível encontrar essa referência.

15
Figura 10 – Área com levantamentos gravimétricos na Bacia de Segipe-Alagoas (inclui
terrestre, marítimo e aéreo) (fonte ANP/BDEP, 2006).

Para efeito de oferta e contrato de concessão exploratória, a ANP


subdividiu a Bacia de Segipe-Alagoas em 5 setores terrestres, a saber: 3 em
água rasa, 2 em águas profundas e 2 em águas ultra-profundas (Figuras 11 e
12).

Figura 11 – Divisão da bacia em setores terrestres (fonte ANP/BDEP, 2006).

16
Figura 12 – Divisão da bacia em setores marítimos (fonte ANP/BDEP, 2006).

O maior volume de hidrocarbonetos está nos reservatórios da fase


transicional da evolução da Sub-bacia de Sergipe, com óleo gerado nos
folhelhos associados aos evaporitos. Na Sub-bacia de Alagoas, os volumes
encontrados estão restritos aos folhelhos geradores, sendo produzido em
fraturas.

A Tabela 2 apresenta os percentuais de contribuição de cada fase


evolutiva da bacia para a reserva da bacia (situação obtida em 31/12/1989).
Posteriormente a essa data foram declaradas as comercialidades de dois
campos: Piranema em agosto/2004 no bloco offshore SEAL-100, Sub-bacia
Sergipe e; Anambé em abril/2005 no bloco BT-SEAL-2, na Sub-bacia Alagoas.

17
Tabela 2 – Contribuição das diferentes fases evolutivas da Bacia de Sergipe-Alagoas
para as reservas totais da Bacia de Sergipe-Alagoas (em 31/12/1989).
SERGIPE ALAGOAS
Fase Evolutiva TOTAL(%)
Óleo (%) Gás (%) Óleo (%) Gás (%)

Marinha 5,2 0,6 0,0 0,0 5,8


Transicional 68,2 2,6 0,7 0,0 71,5
Rift 9,3 0,4 4,5 4,0 18,2
Pré-rift 2,5 1,5 0,2 0,3 4,5
Total 85,2 5,1 5,4 4,3 100,0
Fonte: Relatório de Reservas da Petrobras em 31/12/1989.

II.3. RESERVAS E PRODUÇÃO

Os 30 campos em fase de produção na Bacia Sergipe-Alagoas (Tabela


3), contêm 272 milhões de barris de petróleo e 13 milhões metros cúbicos de
gás em reservas provadas (em 2004 - fonte ANP/SDP). A produção dos últimos
10 anos representou cerca de 3,6% da produção de petróleo e 12,1% da
produção de gás (1995-2005 - fonte ANP/SDP).
A produção atual é de 50.398 barris de petróleo/dia e 4.499 mil metros
cúbicos de gás/dia (fonte Petrobras - 07/2006), e refere-se aos 24 campos em
produção operados pela concessionária Petrobrás S.A. (80% dos campos da
bacia e aproximadamente 95% do volume total produzido nas bacias
brasileiras).

Tabela 3 - Campos em produção na Bacia de Sergipe-Alagoas (31/12/2004).


Campos Concessionários (%)

Aguilhada Petrobras (100)


Angelim Petrobras (100)
Área do SES-019D Petrobras (100)
Aruari Petrobras (100)
Atalaia Sul Petrobras (100)
Brejo Grande Petrobras (100)
Caioba Petrobras (100)
Camorim Petrobras (100)
Carmópolis Petrobras (100)
Castanhal Petrobras (100)
Cidade São Miguel dos Campos Petrobras (100)

18
Campos Concessionários (%)
Cidade Sebastião Ferreira Marítima (100)
Coqueiro Seco Marítima (100)
Dourado Petrobras (100)
Fazenda Pau Brasil Marítima (100)
Furado Petrobras (100)
Guaricema Petrobras (100)
Ilha Pequena Petrobras (100)
Jequiá Marítima (100)
Mato Grosso Petrobras (100)
Paru Petrobras (100)
Pilar Petrobras (100)
Piranema Petrobras (100)
Riachuelo Petrobras (100)
Salgo Petrobras (100)
São Miguel dos Campos Petrobras (100)
Siririzinho Petrobras (100)
Sul de Coruripe Marítima (100)
Tabuleiro dos Martins Marítima (100)
Tartaruga Anadarko (67,5), Petrobras (25,0) e TDC (7,5)
Fonte: ANP/SDP. Total de 30 campos

Os gráficos da Figura 13 mostram a evolução das reservas e da produção de


óleo e gás. Através deles podem-se extrair algumas conclusões, a saber:

i) historicamente as maiores reservas provadas de gás foram


descobertas na porção terrestre e em território alagoano;
ii) as reservas de gás declinaram de 12 bilhões m³ em 1995, para 4
bilhões m³ em 2004. Se comparado com o perfil de produção do
gráfico na Figura 14d, percebe-se que não houve descobertas que
agregassem volumes significativos às reservas, de modo que a
manutenção da produção foi as expensas da depreciação das
reservas provadas ou da parte não provada das reservas totais
(diferença entre a reserva total e a reserva provada). Ambos os casos
implicam num alto índice de reposição das reservas.

19
Figura 13 - Localização dos campos produtores (contratos de concessão de
produção) na Bacia Sergipe-Alagoas (fonte ANP/BDEP, 2006).

20.000
RESERVAS PROVADAS DE GÁS
18.000
SE - Mar
16.000
SE -Terra
14.000
AL - Mar
12.000 AL- Terra
MIL M³...

10.000

8.000

6.000

4.000

2.000

0
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Figura 14 a - Evolução das reservas provadas de gás, Bacia Sergipe-Alagoas (Fonte:


ANP/SDP).

20
300
RESERVAS PROVADAS DE PETRÓLEO

250

200
MIL BARRIS. .

150 SE - Mar
SE - Terra
100 AL - Mar
AlL - Terra
50

0
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Figura 14 b - Evolução das reservas provadas de petróleo, Bacia Sergipe-Alagoas


(Fonte: ANP/SDP).

18.000
EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO DE PETRÓLEO
16.000

14.000

12.000
MIL DE BARRIS.

10.000
SE - Mar
8.000 SE - Terra
AL - Mar
6.000
AL -Terra

4.000

2.000

0
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Figura 14 c - Evolução da produção de petróleo, Bacia Sergipe-Alagoas (Fonte:


ANP/SDP).

21
2000
EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO DE GÁS
1800

1600

1400

1200
MIL DE M³.

1000

800

600 SE - Mar
SE - Terra
400
AL - Mar
200 AL - Terra
0
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Figura 14 d - Evolução produção de gás, Bacia Sergipe-Alagoas (Fonte: ANP/SDP).

Já para o petróleo o quadro é um tanto diferente. Percebe-se que os


maiores volumes foram descobertos em Sergipe-terra e tanto as reservas
quanto a produção apresentam ligeiro aumento. Isto significa que as reservas
têm sido repostas não só para cobrir os volumes produzidos no ano anterior,
mas também para um aumento nominal.

22
III. TECTÔNICA E GEOLOGIA ESTRUTURAL

III.1. INTRODUÇÃO

Estruturalmente, a bacia de Sergipe-Alagoas consiste em um conjunto de


meio-grábens, com vergência das falhas de borda para SE (Figura 15). A
porção emersa é representada por uma estreita faixa de 20 a 50 km de largura,
com grande parte da extensão da bacia estando submersa. Esse conjunto é
limitado a norte pelo Lineamento de Pernambuco e a sul pela Falha de Vaza-
Barris.

Figura 15 – Linha sísmica mostrando feições estruturais presentes na bacia de


Sergipe-Alagoas (Mohriak, 2003).

III.2. EVOLUÇÃO ESTRUTURAL

A evolução estrutural da bacia de Sergipe-Alagoas se deu através de


falhamentos, basculamentos e, secundariamente, movimentação halocinética
de baixo grau evolutivo. Essas causas associam-se ao fraturamento e
migração dos continentes.

23
Durante a fase rifte, desenvolveram-se fraturas perpendiculares aos
esforços tencionais responsáveis pelo fenômeno e a elas corresponde o
sistema de falhas mais antigo da bacia, com direção N45E.
Iniciada a migração dos continentes africano e sul-americano, a fenda
progredia de sul para norte, mantendo-se o elo de ligação com a África através
do nordeste brasileiro. Com o alargamento da fenda ao sul e o engastamento
ao norte, criou-se um sistema binário responsável por fraturas de cisalhamento,
tensionais e compressionais, ao longo dos quais posteriormente ocorreria
basculamento e deslizamento dos blocos. O rompimento do último elo entre a
placa sul-americana e a placa africana fez cessar o sistema binário, e iniciou-se
um basculamento generalizado para leste, que promoveu um reajustamento
dos blocos ao longo das falhas pré-existentes (Ojeda & Fugita, 1974).

III.2.1. PRINCIPAIS FASES DA EVOLUÇÃO ESTRUTURAL

Segundo Schaller (1974), pode-se traçar uma evolução estrutural da


Bacia Sergipe-Alagoas em quatro fases:
1ª fase: Esta fase se caracteriza por subsidência suave numa área
extensa, incluindo não só as bacias de Sergipe-Alagoas, como também as
bacias de Almada, Recôncavo, Tucano e Jatobá. Nesta fase não há nenhuma
evidência de falhamento.
2ª fase: Esta fase é caracterizada pelos primeiros falhamentos e início
da formação de compartimentos individualizados durante as idades Rio da
Serra, Aratu e Buracica. A tectônica não se desenvolveu apenas nas margens
das bacias, mas também afetou algumas partes interiores, como por exemplo,
o Alto de Aracaju.
3ª fase: Esta fase se caracteriza por um novo pulso tectônico, dividido
em duas etapas. O primeiro pulso, durante a idade Jequiá, delineou os atuais
limites da bacia, quando foram criadas feições estruturais como os altos de
Igreja Nova e Palmeira Alta. Em contraste, ocorreram também grandes feições
depressivas, como os baixos de Mosqueiro, Japaratuba, São Francisco e
Alagoas, que iniciaram uma movimentação ativamente subsidente. Nesta

24
segunda etapa, de idade Alagoas, os elementos estruturais da etapa anterior
subsidiram em conjunto, quando grandes feições positivas, como o Alto de
Aracaju, passaram a acompanhar essa subsidência.
4ª fase: Esta é a fase de sedimentação marinha que se implantou após
a separação definitiva dos continentes africano e sul-americano. Porém, a partir
do Campaniano, a nova borda continental iniciou movimentos de basculamento
para o leste, implantando-se uma sedimentação normal de margem continental
com tendência progradacional, que persiste até os dias de hoje.

III.3. ARCABOUÇO ESTRUTURAL

O arcabouço estrutural da bacia de Sergipe-Alagoas é constituído


principalmente por falhas, além de estruturas de meio-gráben. Este arcabouço
formou-se através de falhamentos, basculamentos e, secundariamente,
movimentação halocinética de baixo grau evolutivo. Essas causas associam-se
ao fraturamento e migração dos continentes.
A bacia de Sergipe-Alagoas subdivide-se em blocos ou compartimentos
tectônicos, normalmente limitados por grandes falhas, diferenciados com base
na profundidade e configuração da superfície do embasamento, natureza da
cobertura sedimentar, intensidade do falhamento e padrão das anomalias
gravimétricas, esta compartimentação é bem evidenciada no mapa Bouguer
(Figura 16), que mostra a estruturação da bacia ao nível do embasamento.

25
Figura 16 - Mapa regional de anomalia Bouguer da região nordeste do Brasil. (Mohriak
et al, 1997).

III.3.1 ALTOS E BAIXOS ESTRUTURAIS DO EMBASAMENTO

A Bacia de Sergipe-Alagoas é constituída por uma série de


compartimentos estruturais, que conferem à bacia um mosaico estrutural
próprio (Figura 17). De acordo com Schaller (1974), os principais
compartimentos estruturais são:

Figura 17 – Arcabouço estrutural da bacia de Sergipe-Alagoas, com suas principais


feições tectônicas (Modificado de Falkenhein, 1986 in Phoenix, 2002).

26
BACIA DE SERGIPE
Plataforma de Estância: Esta feição estrutural positiva forma a margem sul da
bacia de Sergipe.

Baixos de Mosqueiro e Divina Pastora: Representam uma área fortemente


subsidente. Costa afora, a cobertura sedimentar pós-Alagoas foi forte o
suficiente para produzir movimentos halocinéticos incipientes, formando
algumas estruturas que se mostraram produtoras de hidrocarbonetos.

Horst de Itaporanga: É uma feição estrutural positiva que limita a borda oeste
dos baixos de Mosqueiro e Divina Pastora. Para oeste, é limitado por um
pequeno graben que se desenvolveu principalmente durante a idade Alagoas.

Alto de Aracaju: É uma feição estrutural que manteve tendências positivas


desde a idade Rio da Serra. A estrutura parece estender-se mar adentro, onde
os limites são formados pela falha de Atalaia do Sul e pelo prolongamento do
Horst de Pacatuba a nordeste.

Baixos de Japaratuba e do Rio São Francisco: São feições estruturais


negativas que se estendem para N-NE do Alto de Aracaju e que tiveram várias
fases de subsidência bastante ativa. Um pequeno horst, o Horst de Pacatuba,
se interpõe e separa estes dois baixos. Para o norte, terminam
respectivamente, contra os altos de Igreja Nova e Palmeira Alta.

Altos de Muribeca e Palmeira Alta: São feições estruturais que mantivera


tendências positivas desde a idade Jequiá e que se estendem ao norte dos
baixos de Japaratuba e do Rio São Francisco, e os horsts de Muribeca-Japoatã
e de Penedo separam-nas, respectivamente, dos mesmos. O sistema de falhas
do Pontal do Coruípe separa o alto de Palmeira Alta, bem como a Bacia de
Sergipe da Bacia de Alagoas.

27
BACIA DE ALAGOAS
Em termos gerais, a bacia de Alagoas pode ser considerada como um
grande gráben assimétrico, o Baixo de Alagoas, que é uma feição negativa
com direção SW-NE.
Para sudoeste, este baixo é limitado por um sistema escalonado, o
degrau de São Miguel constitui a feição mais alta deste sistema. Para oeste e
para norte, falhas de grande rejeito separam o baixo de Alagoas do
embasamento, e, sobre a plataforma continental, principalmente na parte norte
da bacia, uma série de altos estruturais forma o seu limite NE.

III.3.2 FALHAS

As principais falhas da bacia de Sergipe-Alagoas são predominantemente


do tipo normal, podendo ter rejeitos de até milhares de metros, e direções
preferenciais nordeste, norte, e leste, embora em algumas linhas sísmicas
existam fortes indicações da existência de falhas transcorrentes (Lana, 1985).
Segundo Ojeda & Fugita (1974), podem-se reconhecer quatro sistemas de
falhas nas bacias de Sergipe e Alagoas associados ao sistema binário citado
previamente (Figura 18).

28
Figura 18 – Principais sistemas de fraturas da bacia de Sergipe-Alagoas (Ojeda &
Fugita, 1974).

Sistema A: Possui direção predominantemente N45E, e constitui o limite


atual da bacia na borda noroeste. Apresenta rejeitos consideráveis em alguns
casos, sendo comum a presença de conglomerados sintectônicos nos blocos
baixos. A direção das falhas neste sistema é perpendicular às lineações do
embasamento nas margens centro e sul da bacia.
Sistema B: Apresenta direção predominantemente norte-sul, a maioria
das falhas com grande rejeito e bloco rebaixado para leste. Em alguns casos

29
nota-se a presença de conglomerados sintectônicos nos blocos rebaixados.
Estas falhas afetam os estratos do Grupo Baixo São Francisco, na Bacia do
Sergipe, e os estratos Muribeca na Bacia de Alagoas.
Sistema C: Mostra direção preferencial leste-oeste e ocorre apenas na
Bacia de Sergipe
Sistema D: Exibe direção predominantemente noroeste, paralela as
lineações do embasamento. Este sistema está ausente no nordeste da bacia e
se desenvolveu depois do sistema A, sendo possível observar o deslocamento
deste em relação ao sistema D.

III.3.3 ESTRUTURAS DE MEIO-GRABEN

Estas feições se formaram pouco antes da separação definitiva dos


continentes africano e sul-americano, e envolvem estratos dos grupos Igreja
Nova e Baixo São Francisco. Nesta ocasião, desencadearam-se falhamentos
com rejeitos em diversas direções e blocos rebaixados para leste. Como
resultado desta atividade, o mergulho deposicional dos estratos citados foi
invertido de leste para oeste, alcançando mergulhos superiores em 12º em
alguns casos, como no Alto de Paripueira, na Bacia de Alagoas (Ojeda & Fujita,
1974).

III.3.4 LINHA DE CHARNEIRA ALAGOAS

Os maiores rejeitos verticais normais na bacia não estão condicionados a


uma determinada direção, mas definem um nítido alinhamento N50E, sub-
paralelo à direção geral da bacia e composto por grandes falhas, com
orientações N-S, E-W e NE. Este alinhamento claramente separa duas regiões
da bacia: uma delas, a NW, formada pelo embasamento raso, e outra a SE,
com embasamento profundo (Lana, 1987). Apesar de não ser uma estrutura
contínua, a denominada Linha de Charneira Alagoas é uma feição
caracterizada por esses grandes rejeitos verticais e presente nas sub-bacias de
Sergipe e de Alagoas (Figura 19).

30
Figura 19 – Representação da Linha de Charneira Alagoas nas seções das sub-bacias
Sergipe e de Alagoas.

III.3.5. TECTÔNICA DE SAL

Nas cartas estratigráficas das bacias marginais do leste e sudeste


brasileiro, indica-se a presença de evaporitos (principalmente halita e anidrita)
na região da Bacia de Alagoas até a Bacia de Santos, à exceção da Bacia de
Jacuípe, sendo que nas regiões de águas profundas a halocinese é importante
como tectônica modificadora da evolução tectono-sedimentar das camadas
pós-aptianas.
Nas bacias de Sergipe e de Alagoas, além de a quantidade original de
sal estar restrita à região de plataforma e ser possivelmente inferior às das
bacias do sudeste, há evidências de grandes reativações pós-aptianas,
erodindo e mobilizando a camada evaporítica remanescente, que deve ter
sofrido modificações substanciais alterando estruturas originais e sua
assinatura sísmica (Mohriak et al., 1997).

31
O modelo conceitual mais aceito para a acumulação de evaporitos em
águas rasas nas bacias de Sergipe e Alagoas, adota um fluxo de água salgada
proveniente de um mar aberto, posicionado mais a leste, para lagunas restritas
localizadas na região mais continental, onde a evaporação resultou na
deposição de camadas de sal e anidrita contemporaneamente à deposição de
rocha siliciclástica em direção ao golfo, sendo que os evaporitos aparecem
isolados dentro de um sistema siliciclástico.
Há pesquisadores que atribuem possíveis feições halocinéticas em
águas profundas a blocos de rift basculados, escorregados e perfurados por
intrusivas, a intrusões e extrusões vulcânicas, e mesmo a difrações causadas
por canyons pretéritos e recentes. Em várias bacias sedimentares, como a do
Golfo do México, a interpretação de bloco de embasamento ou bloco de rift
basculado tem sido proposta para feições bastante semelhantes a diápiros.
(Weimer, informação verbal; in Mohriak et al., 1997).
Por outro lado, comprovou-se a ocorrência de tectônica de sal na região
de plataforma das bacias de Sergipe e Alagoas, devido ao fato de que vários
poços perfuraram camadas de evaporitos que atingem espessuras de dezenas
até centenas de metros (poço A no Baixo de Mosqueiro, Figura 20).

Figura 20 - Seção sísmica da Bacia de Sergipe-Alagoas, entre a plataforma


continental e a porção distal do Baixo de Mosqueiro (modificado de Bisol, 1992; in
Mohriak et al., 1997). O poço A, na plataforma continental, atravessou espessa seção
de halita de idade Alagoas, o poço B, na direção de águas profundas, registrou
ausência de evaporitos entre a seção rift e a discordância da base da Formação

32
Calumbi. Em águas profundas, ocorre uma feição do tipo mound, possivelmente
localizada próxima da transição entre as crostas continental e oceânica.

A compatibilização da ocorrência de sal na plataforma com a ausência


de evaporitos nos poços de águas profundas (poço B, Figura 20) pode ser
explicada por argumentos tectônicos e não puramente estratigráficos, o que
implicaria:
1. deposição de evaporitos em regiões atualmente sob batimetrias muito
elevadas;
2. que camadas evaporíticas originalmente depositadas em determinadas
regiões foram posteriormente mobilizadas ou erodidas.
Segundo Mohriak et al, 1997, há várias objeções à hipótese de tectônica
de sal em águas profundas nas bacias de Sergipe e Alagoas. Destacam-se as
principais:
1. Os evaporitos são relativamente "bem-comportados" em águas rasas, sem
estruturas complexas mesmo em situações em que grande espessura de sal foi
constatada;
2. Nos poços perfurados em águas profundas que atravessaram a seção pré-
albiana, não foi constatada presença de evaporitos acima da seção rift;
3. Possíveis evidências de feições halocinéticas estão geralmente associadas a
cortes de canyons atuais e pretéritos, resultando em difrações sísmicas, que se
propagam como hipérboles que podem apresentar grande semelhança com
falhas lístricas;
4. A maior parte dos possíveis diápiros em águas profundas está
especialmente relacionada a zonas de fraturas e atividade vulcânica;
5. Algumas anomalias gravimétricas e magnéticas, posicionadas nas
adjacências de alguns dos supostos domos de sal, são mais sugestivas de
rochas ígneas;
6. Regionalmente, essas feições parecem ocorrer junto à zona de transição
entre crosta continental e crosta oceânica;
7. Problema de espaço físico necessário para gerar diápiros de sal, uma vez
que grande parte dos blocos de rift está substancialmente erodida em águas
profundas por uma discordância de idade pós-sal.

33
III.3.6. OUTRAS FEIÇÕES ESTRUTURAIS

Várias estruturas positivas do tipo mound observadas em linhas


sísmicas da região de águas profundas das bacias de Sergipe e Alagoas têm
sido objeto de estudos tectônicos recentes, integrando métodos gravimétricos,
magnéticos, sísmicos e estruturais. Dentre as feições mais aceitas para essas
estruturas, sugere-se que os dois membros extremos da interpretação dessas
feições correspondam a diápiros de sal e a plugs vulcânicos. A seguir,
discutem-se essas interpretações alternativas para algumas feições das bacias
de Sergipe e Alagoas, utilizando-se perfis sísmicos regionais com resolução
profunda, além de correlações e analogias com outras bacias sedimentares da
margem brasileira.
Na figura 21, encontra-se trecho de linha sísmica em que aparece uma
feição positiva, em forma de mound ou plug, caracterizada por onlap dos
sedimentos depositados durante a fase termal de subsidência.

Figura 21 - Linha sísmica nas bacias de Sergipe e Alagoas mostrando plug vulcânico
(?) ao longo de zona de fratura, com rompimento do Moho. (Mohriak et al, 1997).

34
Elementos estruturais e estratigráficos comumente associados à
tectônica de sal permitem aventar a hipótese de que esses diápiros possam ser
causados por halocinese em região muito próxima a uma zona de transição
crustal. No entanto, deve-se salientar que antigas interpretações de diápiros de
sal nas bacias de Sergipe e Alagoas foram radicalmente modificadas com a
perfuração dos poços em águas profundas.
A partir da constatação de ausência de sal nos poços de águas
profundas, as feições com geometria de mound foram, desde então,
interpretadas como intrusivas vulcânicas, embora haja questionamentos devido
a certa incompatibilidade entre as interpretações oriundas de mapeamento
sísmico, e as oriundas da integração de dados de métodos potenciais (Mohriak
et al., 1997).

IV . ESTRATIGRÁFICA E SEDIMENTOLOGIA

IV. 1. INTRODUÇÃO

A história sedimentar das bacias costeiras brasileiras está registrada de


forma completa apenas nas bacias de Sergipe-Alagoas, Camamu-Almada e
Cumuruxatiba, sendo que a primeira é a única a apresentar toda a seqüência
aflorante (Garcia, 1991). A Bacia de Sergipe-Alagoas pode ser representada
por um rifte assimétrico, alongado na direção NNE/SSW, limitado a norte com a
Bacia Pernambuco-Paraíba, pelo Alto de Maragoji, e, a sul, com a Bacia do
Jacuípe, pelo sistema de falhas de Vaza-Barris. Sergipe-Alagoas divide-se em
duas sub-bacias, Alagoas e Sergipe, separadas pelo alto de Jaboatã-Penedo,
nas imediações do Rio São Francisco (Aquino e Lana, 1990)

O embasamento sob a Bacia Sergipe é formado por rochas metamórficas


proterozóicas de baixo grau dos grupos Miaba e Vaza Barris. Já a Bacia de
Alagoas desenvolveu-se sobre as rochas graníticas proterozóicas do Batólito
Alagoas-Pernambuco (Asmus e Ponte, 1973; Asmus, 1982). Alguns autores
gostam de destacar dois entes tectono-sedimentares distintos: as bacias de
Sergipe e Alagoas, separadas pelo alto de Jaboatã-Penedo. O comportamento

35
tectônico e o preenchimento sedimentar das duas bacias foram muito similares
a princípio, diferindo radicalmente a partir do Hauteriviano, sendo estas
individualizadas por diferenças importantes no caráter estrutural e estratigráfico
(Feijó e Vieira, 1990; Feijó, 1992).

O arcabouço estratigráfico adotado para a bacia em questão é o mesmo


das bacias da margem continental. Acomoda fases tectônicas com princípios
estratigráficos hierarquicamente agrupados em megasseqüências
deposicionais, superseqüências e seqüências (Cainelli e Mohriak, 1998).
Utilizando paradigmas desse modelo, as megasseqüências sedimentares,
normalmente separadas por discordâncias angulares e erosivas, são
intrinsecamente relacionadas às fases evolutivas pré-rifte, sin-rifte, transicional,
e margem continental passiva (transgressiva e regressiva) (Asmus e Ponte,
1973; Asmus, 1982; Cainelli e Mohriak, 1998; Cainelli e Mohriak, 1999b)
(Figura 22).

Figura 22 – Arcabouço tectono-sedimentar simplificado das bacias de Sergipe e


Alagoas e suas respectivas megassequências (Fonte ANP/Round 3).

A megasseqüência pré-rifte representa a fase intracratônica das bacias


brasileiras. É marcada pelo início dos processos extensionais, que culminaram
na separação entre os continentes sul-americano e africano. Conceitualmente,
esta fase admite um pequeno soerguimento astenosférico e um afinamento
litosférico, que dão origem a amplas e suaves depressões regionalmente
distribuídas, com falhas incipientes na crosta superior controlando seus
depocentros, locais associados a uma deposição sedimentar ampla e pouca
espessa. (Mohriak, 2003).

36
Essa fase é representada por uma ruptura continental na margem nordeste
brasileira e caracterizada por uma fase inicial de incipiente subsidência, com
sedimentos continentais lacustrinos e fluviais depositados durante o Jurássico
Superior-Cretáceo Inferior, associados às bacias de subsidência interior (sag
basins) (Garcia, 1991).

A espessura de sedimentos paleozóicos nesta fase pode atingir alguns


milhares de metros nas bacias intracratônicas. Na margem nordeste brasileira
essa seqüência é expressa apenas por remanescentes de rochas do Permiano
e Carbonífero, ocorrem nas bacias Sergipe-Alagoas, nos riftes de Recôncavo-
Tucano-Jatobá e nas bacias da margem continental da Bahia. (Cainelli e
Mohriak, 1998).

Uma nova seqüência inicia-se após um grande hiato deposicional.


Denominada megasseqüência sin-rifte, ela é caracterizada por um aumento do
estiramento litosférico. Esse aumento coincide com a extrusão de lavas
basálticas, seguida por grandes falhas, afetando a crosta continental e
resultando na formação de semi-grábens, preenchidos por sedimentos
continentais lacustrinos (Neocomiano-Barremiano). O rifteamento crustal está
associado à movimentação divergente entre as placas sul-americana e
africana, principalmente no Jurássico Superior a Cretáceo Inferior (Asmus e
Porto, 1980; Asmus e Baisch, 1983; Chang et al. 1992; Cainelli e Mohriak,
1998).

Os riftes ao longo da margem continental - que evoluíram até formar as


bacias sedimentares da margem passiva - formam um conjunto de bacias
sedimentares que se estende desde o limite com a Guiana até o limite com as
águas territoriais do Uruguai. A megasseqüência sin-rifte é normalmente
coberta por rochas do Cretáceo e do Terciário, aflorando apenas na região
Nordeste do Brasil (Bahia e Sergipe-Alagoas). A sedimentação inicial dessa
megasseqüência deu-se em depocentros alongados, controlados por falhas,
com preenchimento por espesso pacote de rochas siliciclásticas nas bacias
entre Sergipe-Alagoas.

37
A megasseqüência sin-rifte é composta por três principais associações de
fácies sedimentares e litológicas (Figueiredo 1985; Dias et al. 1988; Cainelli e
Mohriak, 1998): (i) leque aluvial/leque deltáico e depósitos transicionais; (ii)
folhelhos e margas lacustrinos; e (iii) carbonatos com pelecípodes lacustrinos
(coquinas). Ao final do episódio de rifteamento, há um novo aumento da
extensão litosférica, marcado por grandes falhas que rotacionam os blocos de
rifte anteriormente formados, sendo então cobertos por sedimentos menos
rotacionados (Mohriak, 2003).

A megasseqüência seguinte, denominada de transicional, é marcada pelo


término da fase de estiramento litosférico e rifteamento da crosta continental,
cessando a atividade de grande parte das falhas envolvendo o embasamento.
Este período de quiescência tectônica deu margem para que ocorressem as
primeiras ingressões marinhas. A sucessão litológica inicia-se com
siliciclásticos do Aptiano Inferior (Figueiredo e Mohriak, 1984; Mohriak et al.
1997), progredindo para uma cobertura de sedimentos evaporíticos no Aptiano
Superior. Posteriormente, a sedimentação torna-se carbonática, com o período
Albiano dominado por plataformas de águas rasas.

Antes de iniciar a deposição dos sedimentos evaporíticos, destaca-se a


ocorrência de um grande evento erosivo que resultou na formação de clásticos
grosseiros (arenitos e conglomerados), depositados sobre a discordância
angular nas regiões proximais e de carbonatos e siliciclásticos finos nas
regiões mais distais.

A passagem da megasseqüência transicional (evaporítica) para a


Megasseqüência pós-rifte ou marinha (carbonática a siliciclástica) é
gradacional, pontuada por várias pequenas discordâncias (Cainelli e Mohriak,
1998). O progressivo movimento da placas sul-americana e africana,
afastando-se do centro de espalhamento ativo na cordilheira meso-oceânica,
resultou no resfriamento e contração da litosfera e, como conseqüência
isostática, no aumento da subsidência termal na direção da bacia profunda. A
subsidência contínua levou à dissipação das barreiras de restrição no proto-

38
oceano, com o ambiente tornando-se marinho franco (Cainelli e Mohriak,
1998).

Ao final do Cretáceo, a margem sudeste é afetada por maciço aporte


sedimentar, relacionado ao soerguimento da Serra do Mar e da Serra da
Mantiqueira. Este aporte resulta em notável progradação de siliciclásticos,
formando grandes cunhas sedimentares que avançam na direção da quebra de
plataforma e forçando uma regressão marinha. Esses episódios são também
associados a reativações de falhas do embasamento e a episódios magmáticos
(Cainelli e Mohriak, 1998; Cainelli e Mohriak, 1999).

As mudanças permitem dividir a megasseqüência pós-rifte ou marinha em


duas super-seqüências, uma transgressiva e outra regressiva (Cainelli e
Mohriak, 1998). A super-seqüência marinha transgressiva compreende uma
espessa seção sedimentar mais restrita, carbonática (ambiente marinho raso
na plataforma e marinho profundo na bacia). A Super-seqüência Marinha
Regressiva inclui espessa seção sedimentar siliciclástica, em ambiente
marinho aberto (Koutsoukos, 1984). A Super-seqüência Marinha Transgressiva
é marcada por sedimentação francamente oceânica, sendo caracterizada por
uma relativa estabilidade ambiental (Koutsoukos, 1984; Koutsoukos, 1987).
Parte da megasseqüência marinha, englobando idades de Albiano Inferior a
Cenomaniano Superior, é marcada por condições de maior restrição à
circulação oceânica, com ambiente deposicional caracterizado por
hipersalinidade e anoxia (Dias-Brito, 1987), definindo-se uma seqüência
marinha restrita. Caracteriza-se uma típica transgressão até o Santoniano-
Campaniano, quando começa a ocorrer um aumento do aporte sedimentar,
formando uma típica regressão marinha. A Super-seqüência Marinha
Regressiva instala-se no Cretáceo Superior (Pereira e Feijó, 1994) e no
Terciário Inferior em grande parte das bacias da margem divergente,
registrando-se notável discordância separando as duas super-seqüências
(Cainelli e Mohriak, 1998).

O preenchimento das bacias sedimentares da margem divergente é


semelhante entre si e caracteriza-se por um estilo retrogradacional no Cretáceo

39
Superior, com ambiente de deposição marinho profundo, seguido por uma
progradação geral no Terciário, com feições offlap nas seqüências sismo-
estratigráficas e vários cortes de cânions (Ricci e Becker, 1991).

IV. 2. SEQUENCIA LITOESTRATIGRAFICA

Seguindo estes conceitos, pode-se definir uma separação simples e


muito clara para os sedimentos da Bacia Sergipe-Alagoas, onde se identificam
seis fases tectono-sedimentares, bem definidas e distintas (Figura 23). Estas
fases comportam várias formações que foram inicialmente descritas e definidas
por Schaller (1969) e posteriormente reclassificadas segundo Feijó (1994), a
saber:

Formação Estância – definida por Barnner (1913), é composta por meta


arenitos finos e meta siltitos arenosos de cor avermelhada a esverdeada,
intercalados com ardósias, calcário e conglomerados.

A base desta formação possui rochas dolomíticas. Sobre elas, teria se


instalado um sistema deposicional complexo, composto por vários ambientes,
dentre eles: rios entrelaçados, meandrantes, anastomosado, deltas, intermaré
e nerítico. Essa formação está restrita à Bacia de Sergipe e possui uma idade
deposicional provavelmente cambriana, em contato direto e discordante com o
embasamento proterozóico (Schaller, 1969; Feijó, 1994).

40
1) Sinéclise paleozóica, com reman escentes
de sedimen to s glacio -marinho s carbon íferos
Batin ga e d e sedimentos co steiros permiano s
Aracaré;
2) Depressão pré-rift, representadas por
folhelhos vermelho s lacustres Bananeiras, arenitos
fluviais en trelaçados Thitonianos Serraria e o s
folhelhos mais basais lacustres Barriasianos Barra
de Itiuba;
3) A fas e rift est á rep resen tada p or
co nglomerados aluv iais Rio Pit in ga e arenitos
fluviais en trelaçados Penedo e arenito s e folhelh os
deltaicos Barremian os/Eo ap tianos Barra do Itiuba,
posteriormente co m espessos con glomerad os
aluv iais Po ção, arenitos e folhelhos deltaicos e
carb onato s Aptiano s Coqu eiro Seco;
4) Uma fase tran sicional, que o co rre
ap en as na b acia Sergipe, representad a por
co nglomerados e arenitos alu viais, carbonatos e
ev ap orito s n eo apitiano s Muribeca;
5) Margem passiva in icial, composta p or
aren itos deutaico s Maceió e pro ssegu in do co m
carb onato s n eríticos e batiais Neocretáceos, co m a
in clusão de cong lo merado s aluviais, calcaren itos
oncolítico s e pelito s lagunares Albian os
Riach uelo, pro ssegu in do por carbon atos de talu de
ceno manianos e turo niano s Cotin guiba;
6) Sistema regressivo de arenito s -
carb onato s-folhelhos na b acia de Alag oas e
Fig u ra 3 .2- C art a est rati gráfica s im pl i fi cad a d a B aci a Sergi p e- tu rbiditos d a fo rmação Maritu ba, Mo squeiro e
A lag oas , com in d icaçõ es d os elem ent o s d os s is tem as Calumbi, do Camp an iano ao recente.
p etrol í fero s at uat e na área.(m o di ficad o d e M il an i e Th o mas
Fil h o, 2 00 ).

Figura 23 – Carta estratigráfica simplificada da Bacia de Sergipe-Alagoas.

Grupo Igreja Nova – é inicialmente classificado como um subgrupo


(Schaller, 1969), posteriormente redefinido como grupo, contendo agora
apenas duas de suas unidades primordiais. Apenas aquelas compostas de
sedimentos clásticos neopaleozóicos, sendo eles (Feijó, 1994): i) Formação
Batinga - constituída de paraconglomerados com seixos de tamanhos variados,
estes de rochas ígneas e metamórficas, imersos em uma matriz siltico-arenosa,
arenito grosso, esbranquiçados, caolínico e imaturo e, finalmente, siltitos
laminados. Estas rochas estão interdigitadas entre si, foram depositadas em

41
um ambiente glácio-marinho, possuem idades neocarbonífera e estão em
contato discordante tanto com o embasamento (Bacia Alagoas) quanto com a
Formação Estância (Bacia Sergipe) (Schaller, 1969; Feijó, 1994); ii) Formação
Aracaré – composta por intercalações de arenitos avermelhados, folhelhos,
calcários e sílex, depositados provavelmente em um ambiente costeiro
influenciado por tempestades e com retrabalhamento eólico (Feijó, 1994),
contato discordante com as rochas na qual estão sobrepostas e possui idade
eopermiana (Schaler, 1969).

Grupo Perucaba – Como já explicitados anteriormente, existia um


grande subgrupo denominado Igreja Nova (Schaller, 1969), mas este recebeu
uma nova definição, baseado em seus componentes sedimentares e sua idade.
Os sedimentos clásticos neopaleozóicos já foram definidos e rearranjados no
grupo anterior e agora iremos destacar as demais unidades. Estas reúnem
rochas clásticas fluvio-lacustre neojurássicas e eocretáceas (Feijó, 1994): i)
Formação Candeeiro – composta de arenitos finos a médios de cor branca a
cinza avermelhada, provavelmente depositada em uma ambiente fluvial
entrelaçado, está discordante com as rochas mais antigas e concordante com
as unidades mais jovens (Formação Bananeira) definidas por Schaller (1969)
de idade neojurássica; ii) Formação Bananeiras – formada por folhelhos e
argilitos vermelhos, depositados em ambiente lacustre, está em contato
concordante com as outras unidades do grupo e discordante com o
embasamento. Esta formação, por meio de ostracodes não-marinhos, teve sua
idade determinada como neojurássica (Schaller, 1969; Feijó, 1994); iii)
Formação Serraria – composta por arcóseo e quatzoarenito de médio a grosso,
branco cinza e vermelho, com estratos cruzados tabulares e acanalados,
depositados por rios entrelaçados, com retrabalhamento eólico. Encontra-se
concordante tanto com as unidades mais antigas (Formação Bananeiras)
quanto com a formação mais jovem que a sobrepõe (Formação Barra de
Itiuba). Foi depositada no período neojurássico e eocretáceo (Schaller, 1969;
Feijó, 1994).

42
Grupo Coruripe – Este grupo é formado por rochas clásticas e
evaporíticas, com uma continua e rápida variação de fácies, corresponde a
fase rifte e transicional da bacia. Composta pelas formações Barra de Itiuba,
Penedo, Rio Pitinga, Coqueiro Seco, Ponta Verde, Poção, Maceió e Muribeca
(Feijó, 1994). Na delimitação primordial da unidade, Schaller (1969) descrevia
esta unidade como subgrupo, sendo que não pertenciam a este grupo as
unidades químicas da fase transicional (formações Poção Maceió e Muribeca):

Formação Barra do Itiúba - depositada por deltas com retrabalhamento


eólico em ambiente lacustre, sedimentos de idade eocretácea, está em contato
concordante com as unidades na qual é sobreposta e sotoposta (Perucaba e
Penedo) e interdigitada com a Formação Penedo (Schaller, 1969). Formada
por uma sucessão de folhelhos cinza-esverdeados, com intercalações
delgadas de arenitos muito finos, cinza e branco e calcilutito acastanhado
(Schaller, 1969; Feijó, 1994). Formação Penedo - depositada ainda na fase
rifte por rios entrelaçados novamente com retrabalhamento eólico, esta unidade
foi gerada no Eocretáceo, está concordante com as unidades adjacentes e,
como já foi dito anteriormente, interdigitada nas porções mais laterais com a
Formação Barra do Itiuba (Feijó, 1994). Composta por um espesso pacote de
arcóseos fino a grossos, mal selecionados, brancos, cinza e amarelos, com
estratos cruzados acanalados com intensas e grandes fluidizações (Schaller,
1969).

Formação Rio Pitinga - depositada por leques aluviais associados aos


falhamentos da borda da bacia, ativos durante a idade Aratu, Buracica e
Jequié, grada lateralmente para as formações Penedo e Coqueiro Seco e
sotoposta em discordância com a Formação Muribeca. Composta por
conglomerados e brechas policompostos, de coloração avermelhada e
esverdeada (Schaller, 1969).

Formação Coqueiro Seco - as rochas desta unidade foram depositadas


por deltas curtos e ambientes lacustres no Eoaptiano. Encontra-se em contato
concordante com a Formação Penedo, Formação Ponta Verde e Formação
Maceió (Schaller, 1969), grada lateralmente para as formações Rio Pitinga e

43
Poções nas bacias Sergipe e Alagoas, respectivamente. Composto por
arcóseos finos a grossos, castanho e micáceos, folhelho síltico castanho e por
calcirruditos presentes na base da unidade, pertencente no passado a
Formação Morro do Chaves, hoje membro desta unidade.

Formação Poção - unidade restrita à Bacia de Alagoas. Era


anteriormente um membro da Formação Muribeca (Schaller, 1969), mas Feijó
(1994), devido a suas características, passou a considerá-la uma unidade
independente. Os estratos sedimentares depositados em ambiente de leques
aluviais sin-tectônicos de idade Jiquiá-Alagoas gradam lateralmente para as
formações Penedo, Coqueiro Seco e Maceió. Composta por conglomerados
com seixos e matacões de granitos de tamanhos variados, imersos em uma
matriz arcoseana muito mal selecionada, estas rochas alcançam sua maior
espessura junto às falhas de borda da bacia.

Formação Ponta Verde - depósitos lacustres de idade Eoaptiana,


ocorrendo concordante as formações Coqueiro Seco e Maceió, na Bacia
Alagoas, constituída por folhelhos cinza esverdeados (Schaller, 1969; Feijó,
1994).

Formação Maceió - esta unidade distribui-se por todas as duas bacias


de uma forma muito ampla. Já pertenceu à Formação Muribeca (Schaller,
1969), mas foi promovida a formação (Feijó, 1994). Encontra-se concordante
com as formações Coqueiro Seco e Ponta Verde, diretamente abaixo, e a
Formação Riachuelo, diretamente acima, por vezes gradando lateralmente
para a Formação Poção. Está inteiramente dentro da fase transicional, sendo
suas rochas fruto da deposição em leques aluviais sin-tectônicos, inicialmente
continentais, mas no fim do Aptiano tornam-se marinho. A idade dos
sedimentos é Mesoaptiano e Eoalbiano (Abreu, 1989; Falkenheim, 1984).
Composta por intercalações de arcóseo fino a grosso cinza e castanho,
folhelhos betuminosos castanhos com inter-laminações de anidrita e dolomita e
camadas de halita (evaporitos) (Schaller, 1969; Feijó, 1994).

44
Formação Muribeca – está exatamente na fase transicional no momento
das grandes ingressões e calmarias marinhas. Seus sedimentos retratam uma
deposição em ambiente transicional para marinho restrito, com características
de uma planície de sabkha. Koutsoukos (1989) determinou uma idade neo-
aptiana para esta unidade. Ela encontra-se discordante das unidades mais
antigas e também da Formação Riachuelo, que a sobrepõe. Composta por
conglomerados policompostos cinza e castanho, filarenitos médio a grossos,
evaporitos intercalados a calcarenitos e calcirruditos de origem algálica,
calcilutito maciço e laminados, folhelhos e siltito castanho.

Grupo Sergipe – Composto principalmente por carbonatos marinhos de


idade albiana-cenomaniana e subdividido em duas unidades: i) Formação
Riachuelo, composta de por arenitos brancos finos a conglomeráticos,
intercalações de calcilutitos e folhelhos cinza, calcarenitos e calcirruditos
oncolíticos e oolíticos de cor creme, recifes algálicos isolados(Schaller, 1969) e
carbonatos de alta energia dolomitizados (Feijó, 1994). Encontra-se
concordante com as formações Muribeca e Cotinguiba. Representa a primeira
sedimentação essencialmente marinha de idade Albiana; ii) Formação
Cotinguiba, constituída de carbonatos com interestratificações clásticas,
subdivididos em argilitos cinza a verde, folhelho castanho, marga amarelada e
calcilutito cinza maciço ou estratificado (Schaller, 1969). Concordante com as
formações mais antigas (Maceió e Muribeca) e com a unidade mais jovem
(Formação Calumbi), em contato discordante erosivo. Estes sedimentos,
marinho franco, foram provavelmente depositados em ambiente de talude e de
bacia oceânica, do Cenomaniano ao Eoconiaciano.

Grupo Piaçabuçu – definido inicialmente por Schaller (1969) como uma


formação, foi posteriormente promovido a grupo por Feijó (1994). Nele, é
possível encontrar sedimentos clásticos e carbonáticos, marinhos neocretáceos
e terciários das formações:

i) Formação Calumbi, composta por argilitos e folhelhos cinza a


esverdeados, com intercalações de arenito fino a grosso (Schaller, 1969), como
já descrito anteriormente, esta formação possui contato discordante erosivo

45
com a unidade inferior e está gradando lateral e verticalmente para as
formações Mosqueiro e Marituba. Depositadas em taludes e bacias oceânicas,
com arenitos desta unidade resultantes da ação de correntes de turbidez (Feijó,
1994). Todos estes eventos marinhos importantes são de idade neoconoaciana
e holocênica;

ii) Formação Mosqueiro, composta por calcarenito bioclástico


(foraminíferos e moluscos), anteriormente classificado como Membro Marituba
da Formação Piaçabuçu (Schaller, 1969). Grada lateralmente para as
formações Marituba e Calumbi, representando uma plataforma carbonática
ativa (Feijó, 1994) do Campaniano ao Mioceno e do Holoceno nas bacias de
Alagoas e Sergipe, respectivamente.

iii) Formação Marituba, anteriormente considerada um membro da


Formação Piaçabuçu (Schaller, 1969), foi reclassificada por Feijó (1994) como
formação após a retirada dos sedimentos carbonáticos de seu arcabouço.
Composta hoje, essencialmente, por arenito médio a grosso de cor cinza,
gradando lateralmente para as outras unidades deste grupo. Estas rochas
foram depositadas por leques costeiros do Campaniano ao Holoceno.

iv) Formação Barreiras, unidade neocenozóica que serviu de


cobertura para a maioria dos registros sedimentares da costa litorânea
brasileira, composta por clásticos finos a grosso de cor variada, compactação
insignificante, gerados a partir da erosão do continente (Schaller, 1969).

46
Figura 24 - Carta estratigráfica da Sub-bacia de Sergipe.

47
Figura 25 - Carta estratigráfica da Bacia de Alagoas.

48
V. SISTEMA PETROLÍFERO

V.1. INTRODUÇÃO

O conceito de Sistema Petrolífero pode ser definido como um conjunto


de elementos e processos, cuja rocha fonte e os reservatórios preenchidos
estão geneticamente relacionados através do tipo de hidrocarboneto
encontrado. Magoon e Dow (1994) o definem como um sistema natural que
compreende um local (pod) da rocha fonte ativo como gerador de
hidrocarboneto, e todo o óleo e gás à ele relacionado, o que inclui todos os
elementos e processos que são essenciais para a formação de uma
acumulação petrolífera. Além disso, o conceito de Sistema Petrolífero
pressupõe a existência de caminhos de migração que conectem ou tenham
conectado a fonte de petróleo com a acumulação em algum momento da
história da evolução desse sistema petrolífero.
Neste trabalho será dada ênfase aos horizontes geradores e aos
reservatórios, complementando-se a concepção dos demais elementos do
sistema(s) petrolífero(s) com as informações sobre os modelos geológicos de
descoberta dos campos produtores de hidrocarbonetos conhecidos. Deve ser
destacado que, comparativamente aos reservatórios, são poucos os dados
geoquímicos publicados.

V.2. GERADORES CONHECIDOS

Na Bacia de Sergipe-Alagoas, as principais acumulações de óleo e gás


conhecidas são geoquimicamente relacionadas a três importantes geradores
da fase rifte e transicional. Em Mello & Maxwell (1991) podem ser encontradas
as caracterizações por geoquímica e biomarcadores para os óleos das rochas-
fonte dessas duas fases evolutivas.
Abaixo são descritas as principais características desses cinco
geradores, encontrado na literatura, a saber:

1 - Formação Riachuelo / Membro Taquari - Albiano/Turoniano;


2 - Formação Maceió / Membro Ibura - Aptiano;

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3 - Formação Coqueiro Seco - Barremiana/eo-Aptiano;
4 - Formação Barra de Itiúba, de idade neocomiana a barremiana;
5 - Formação Aracaré - período Permiano;

1 – MEMBRO TAQUARI – FORMAÇÃO RIACHUELO


Rochas geradoras marinhas da seção albiana/turoniana, com valores de
carbono orgânico total de até 6% (Mello et al., 1988). São os folhelhos do
Membro Taquari, com índice de hidrogênio igual a 900 mg HC/g rocha e grau
API 40. Óleos com essas características foram recuperados do Baixo de
Mosqueiro (Frota et al., 1994).

2 - FORMAÇÃO MACEIÓ / MURIBECA – MEMBRO IBURA


Geradores dessa idade são formados por folhelhos pretos, margas e
calcilutitos do andar Alagoas, com as seguintes características:
- valor médio de carbono orgânico total é de 3,5%, com picos de até 12%
(Mello et al,1994);
- espessura média é de 200m, podendo atingir até 700m;
- valores de S2 nos intervalos mais ricos com 9 mg HC/g de rocha;
- valores médios de índice de hidrogênio: 300 mg HC/g COT;
- matéria orgânica caracterizada como do tipo II.

As modelagens de maturação indicam que a janela de óleo é alcançada a


partir de uma profundidade média de 2.500m de soterramento.
Na porção proximal da Bacia de Sergipe, no bloco alto da Linha de
Charneira Alagoas, esse horizonte correlato é denominado de Formação
Muribeca, Membro Ibura – uma suíte evaporítica- , porém encontra-se imaturo
onde foi amostrado. Contudo, óleos desse gerador são os responsáveis pelo
preenchimento dos reservatórios da maioria dos campos em terra na Bacia de
Sergipe, provavelmente por migração dos pods de geração no lado baixo da
Charneira Alagoas. Essa rocha-fonte apresenta a seguinte caracterização:
- COT de 12%
- potencial gerador de 175 mg HC/g de rocha;
- API de 13 à 45;

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3 - FORMAÇÃO COQUEIRO SECO - BARREMIANA/EO-APTIANA
O gerador dessa formação pertence ao andar Jiquiá, sendo caracterizado
por folhelhos lacustres da fase rift, com possível influência marinha.

4 - FORMAÇÃO BARRA DE ITIÚBA - BARREMIANA/NEOCOMIANO


Também são considerados como geradores os folhelhos lacustres, das
fases pré-rift e rift, dos Andares Rio da Serra/Aratu/Buracica, da Fm. Barra de
Itiuba.

Essa rocha-fonte apresenta a seguinte caracterização:


- COT de 5%;
- potencial gerador de 50 mg HC/g de rocha;
- API 31;
- matéria orgânica tipo I

5 - FORMAÇÃO ARACARÉ
São os folhelhos pretos de idade permiana. Segundo Cruz e Gasperi
(1994), esses folhelhos encontram-se dentro da janela de geração na maioria
dos compartimentos da bacia. A geoquímica apresentou os seguintes
resultados:
- teores de COT entre 2% e 5%;
- potencial gerador estimado entre bom e muito bom;
- índice de hidrogênio (IH) acima de 500, indicando provavelmente matéria
orgânica de boa qualidade.

V.3. PROCESSO DE GERAÇÃO E MIGRAÇÃO

O complexo mosaico do arcabouço estrutural da Bacia de Sergipe-


Alagoas conduz à percepção de que provavelmente tem-se vários
compartimentos, cada qual com seus pods de geração, sobretudo para os
geradores da fase rifte. Além disso, as falhas mais conspícuas relacionadas a
esse mosaico estrutural se propagam para as seqüências superiores, podendo

51
conectar ou servir de mesmo caminho de migração de diferentes óleos para um
mesmo reservatório.
Estudos de modelagem de bacia indicam que as rochas geradoras
neocomianas e barremianas (Barra de Itiúba) iniciaram a geração no Aptiano
(115 M.a.) e, segundo Gaglianone et al. (1994) continuam gerando até o
presente.
Para os geradores do Aptiano, as modelagens indicam que a geração
teria se iniciado no Eo-albiano (108 M.a.) à Neomaastrichtiano (67 M.a.),
continuando até o presente.
Com relação a migração, dois mecanismos teriam funcionado para o
preenchimento dos reservatórios:
a) migração vertical por falhas normais e;
b) migração lateral e de longa distancia relacionada a superfícies
transportadoras capeadas por superfícies selantes.

As falhas normais se distinguem em duas famílias. Uma delas é formada


por falhas normais relacionadas à estruturação rifte, via de regra, reconhecidas
até a base da seqüência albiana ou um pouco abaixo (topo da fase transicional
ou próximo a isso). Algumas delas se propagam para as seqüências da fase
drifte, sobretudo nas porções proximais da bacia, onde a maior densidade de
dados permite seu reconhecimento.
Uma das falhas mais eficientes quanto a migração, é a denominada
Charneira Alagoas, que foi a responsável pela migração vertical diretamente
para alguns campos produtores e fonte para as superfícies estratigráficas, ou
esteiras transportadoras para longas distancias.
O outro conjunto compreende as falhas de caráter lístrico. As seções
geológicas, dentre elas as de Cainelli et al. (1988), sugerem que essas falhas
estejam ancoradas tanto na base da fase evaporítica quanto no topo (base da
fase drifte). Em ambos os casos elas se propagam para as seqüências
superiores, não raro afetando a morfologia do fundo do mar.
Para os reservatórios mais jovens da Formação Calumbi, esse conjunto
de falhas, de origem gravitacional em sistema extensivo, desempenhou um
papel importante, uma vez que conecta as partes mais profundas da bacia

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diretamente aos reservatórios da Formação Maceió (reservatórios Carmópolis,
Coqueiro Seco, entre outros).

Apesar de mais novas, as falhas lístricas podem ter se originado por


reativação estrutural do rifte ou até mesmo por irregularidades da
paleogeografia, ao tempo do final da fase rifte. Neste último caso funcionaram
como um “gatilho” que promoveu uma transferência para as seqüências
superiores dessas condições mecânicas do falhamento rifte sem, contudo
estarem unidas fisicamente acima e abaixo desse horizonte.
O caso de reativação é exemplificado pela Falha de Itaporanga, que
funcionou como duto de migração para acumulações da Fm. Calumbi.
Considera-se, portanto, que para os sistemas petrolíferos,
especialmente aqueles que envolvem geradores e reservatórios da fase rift, as
falhas normais foram muito importantes e atuantes para a migração dos
hidrocarbonetos gerados nos baixos adjacentes, para os altos produtores.
Nas partes rasas, as falhas lístricas não se limitam a transportar
verticalmente o hidrocarboneto gerado, mas também promovem a migração
horizontal, através do suprimento das camadas transportadoras de petróleo a
longas distâncias, até alcançar as estruturas trapeadoras. A principal dessas
camadas transportadoras é o Membro Carmópolis, capeado por folhelhos e
evaporitos do Membro Ibura da Formação Muribeca. Essa unidade litológica da
Formação Barra de Itiúba, conecta grande parte da superfície da discordância
pré-Muribeca. É o caso do maior campo da bacia - Carmópolis, com 1,2
bilhões de barris de óleo in place (Mello et al,1994) - suprido por gerador rifte,
com migração lateral a longa distância.

V.4. SELO

Os reservatórios do Mb. Carmópolis e do embasamento fraturado são


capeados por folhelhos e evaporitos do Mb. Ibura. Arenitos da Fm. Serraria são
selados por folhelhos basais da Fm. Barra de Itiúba, da mesma maneira que
arenitos da Fm. Penedo o são pelos folhelhos basais da Fm. Coqueiro Seco.

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Também são comuns os selos formados por folhelhos intraformacionais
capeando os reservatórios das formações Barra de Itiúba, Coqueiro Seco,
Maceió, turbiditos do Calumbi, e os reservatórios fraturados das formações
Muribeca, Riachuelo e Cotinguiba.

V.5. TRAPAS

Via de regra, as trapas formadas nas seqüências pré-Rift e Rift são


estruturais. São feições dômicas, como nos campos de Pilar e São Miguel dos
Campos, ou do tipo bloco falhado, como nos campos de Atalaia Sul e Coqueiro
Seco. Na seqüência transicional, as trapas relacionadas aos reservatórios da
Formação Muribeca / Membro Carmópolis são principalmente
paleogeomórficas, relacionadas à discordância pré-neo-aptiana, como
exemplificados pelos campos de Carmópolis, Mato Grosso, Riachuelo/Treme.
Para a Fm. Maceió, as trapas são do tipo bloco falhado, como o Campo de
Tabuleiro dos Martins, ou associados a movimentações salinas. Na seqüência
de subsidência termal, em que os principais reservatórios são os turbiditos
cretáceos e terciários da Fm. Calumbi, as trapas são mistas e estratigráficas,
associadas a calhas e arqueamentos provocados por halocinese ou a
preenchimento de canais, às vezes controlados por falhas.

V. 6. RESERVATÓRIOS

A bacia apresenta uma variedade de reservatórios, os quais estão


distribuídos desde o embasamento fraturado aos turbiditos do Terciário,
incluindo-se reservatórios das fases pré-rifte, rifte, transicional e marinha
cretácea. Essa ampla variedade de reservatórios preenchidos por
hidrocarbonetos deve-se a forte estruturação por falhas, que, em grande
escala, compartimentaram a bacia, e em meso escala criaram diversos altos e
baixos estruturais reconhecidos, sobretudo na parte emersa e marinha rasa da
Bacia de Sergipe. Essas falhas, conjugadas com as intercalações
estratigráficas com características porosas e selantes, foram muito eficientes

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quanto ao preenchimento dos reservatórios, tanto por migração vertical quanto
por longas distâncias.

Os principais reservatórios estão relacionados as seguintes


formações/membros:
- clásticos do Mb. Carmópolis da Fm. Muribeca;
- turbiditos cretáceos da Fm. Calumbi;
- arenitos da Fm. Serraria;
- o embasamento fraturado;
- a fase rift;
- carbonatos porosos e fraturados das formações Riachuelo e Cotinguiba.

Na parte marinha profunda da Bacia de Sergipe:


- turbiditos do Cretáceo e Terciário da Formação Calumbi;
- reservatórios da seqüência transicional.

Na parte emersa da Bacia de Alagoas, os principais reservatórios são:


- arenitos da Formação Serraria;
- arenitos da Formação Barra de Itiúba;
- Formação Coqueiro Seco;
- Formação Maceió;

Na parte marinha profunda da Bacia de Alagoas, os principais são:


- turbiditos cretáceos e terciários da Fm. Calumbi;
- clásticos da Formação Maceió.

A seguir, são descritos alguns desses reservatórios.

RESERVATÓRIOS DA FORMAÇÃO SERRARIA


Os arenitos da Fm. Serraria, datados do Neocominiano, são de
composição quartzo-feldspática e foram depositados em ambiente de
sedimentação fluvial entrelaçado que, amalgamados, atingem grande
continuidade lateral. Arenitos de alta energia intercalados com arenitos de
baixa energia compartimentados por folhelhos definem a textura e a geometria
dos corpos porosos e, consequentemente, controlam o fluxo de fluidos.

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Os fatores controladores da porosidade e permeabilidade destes
reservatórios estão associados à complexa evolução diagenética condicionada
aos eventos de subsidência, soerguimento e erosão durante o estágio rifte. Os
principais processos atuantes foram:
Eo-diagênese: infiltração mecânica de argilas nos aluviões semi-
consolidados; cimentação precoce de quartzo, K-feldspato e carbonatos;
precipitação de óxidos de ferro e caulinita;
Meso-diagênese: dissolução e re-precipitação dos cimentos
carbonáticos; saturação precoce dos poros por hidrocarbonetos;
Telo-diagênese: durante a exposição pré-aptiana (discordância pré-
Muribeca) decorrente do soerguimento e basculamento da unidade, ocorreu
infiltração de águas meteóricas que promoveu a degradação do óleo que já se
encontrava no reservatório, oxidação de fases ferrosas (dolomita ferrosa e
pirita) e significativa ampliação da porosidade através da dissolução do cimento
carbonático e dissolução/caulinização de feldspatos;
Uma segunda fase de subsidência gerou o último estágio meso-
diagenético que proporcionou abundante cimentação por crescimentos
secundários de quartzo, responsável pela obliteração final da porosidade nos
reservatórios.

RESERVATÓRIOS CARMÓPOLIS
Os conglomerados do Mb. Carmópolis/Fm. Muribeca, com espessura
média de 60 metros, depositados em ambiente transicional numa fase de
quiescência relativa, são formados por seixos e matacões de quartzo, quartzito
e filito e envolvidos em matriz arenosa mal selecionada gradando a arenitos
conglomeráticos argilosos. A estratificação mal definida e a distribuição
irregular dos elementos do arcabouço sugerem o processo de deposição por
debris flow.
Estes reservatórios, de idade aptiana, estão separados por uma camada
de folhelho em dois corpos distintos denominados Carmópolis “A” e “B” e foram

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submetidos a dois estágios diagenéticos principais: estágio eodiagenético e
estágio mesodiagenético compactacional.
Estágio eodiagenético: intensa fase de dolomitização precoce,
crescimento de quartzo e feldspatos, infiltração de argilas e compactação
mecânica o que resultou na perda rápida da permoporosidade e inibiu o fluxo
de soluções percolantes interrompendo a seqüência diagenética.
Estágio mesodiagenético: geração de porosidade secundária,
cimentação por dolomita ferrosa/anquerita, crescimentos de quartzo tardio,
caulinita, interestratificados de clorita/esmectita, minerais de titânio (anatásio e
rutilo) e sulfetos como pirita e blenda.

RESERVATÓRIOS DA FORMAÇÃO CALUMBI


As areias do Mb. Calumbi/Fm. Piaçabuçu portadoras de hidrocarbonetos
foram distribuídas sob forma de barras submarinas e ocorrem,
estratigraficamente, imersas numa espessa seção de argilitos e folhelhos
sílticos o que confere características de acumulações tipicamente
estratigráficas, envolvendo apenas processos primários no deslocamento do
óleo.

V. 7. SINCRONISMO

As diversas acumulações na Bacia de Sergipe-Alagoas atestam que


existe ao menos um sistema petrolífero eficiente e, conseqüentemente, o
sincronismo entre os fatores que contribuíram para as acumulações. Dentre
eles estão os reservatórios do cretáceo e terciário, que foram depositados após
ou imediatamente após o início da expulsão do hidrocarboneto de seus
respectivos geradores: 115 ma para o gerador Aptiano, 108 ma para o Albiano
e 67 ma para os geradores do cretáceo superior (Maastrichtiano) (Figura 26,
retirada do texto).

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VI. MODELOS DE DESCOBERTA

Campo de Caioba
Localizado a 18 km a sudeste da cidade de Aracaju e a 13 km da foz do rio
Sergipe, a acumulação de hidrocarbonetos deste campo se dá em um “horst”
alongado na direção NE-SW, levemente basculado para nordeste.
O reservatório é constituído por arenitos finos, essencialmente grãos de
quartzo subarredondados, seleção moderada, empacotamento normal
tendendo a frouxo com porosidade intergranular da ordem de 30 a 40% (Lamas
da Silva e Della Favera, 1972).
A cimentação variável dos arenitos possibilitou subdividir o reservatório
Serraria em duas seções: uma superior, com amplo domínio de cimento
silicoso, e outra inferior, onde predominam os carbonatos.
Pirita e marcassita variam de 0 a 10% e o teor médio de argila é 1.9%
predominando clorita ferrífera e interestratificados do tipo Illita-Montmorilonita.
Na parte mais alta da estrutura, o reservatório ocorre entre as
profundidades de -1926 e -2014m com espessura máxima de 92m.
Aparentemente, apresenta capa de gás, com contato gás/óleo à -1991m. A
espessura permeável máxima, com hidrocarbonetos, é de 69m, média de 50m,
porosidade de 18% e saturação de água de 10%. A produção média de
petróleo por poço é da ordem de 500m³/dia (Carvalho et al.).

Campo de Camorim
Localizado a 10 km a sudeste de Aracaju e a 5,5 km da foz do Rio Sergipe
geologicamente situa-se na projeção submarina do Alto de Aracaju (Alto de
Atalaia). A acumulação de hidrocarbonetos, tipicamente estrutural, limita-se a
sul e a oeste por falhamentos e a norte e leste por mergulhos da coluna
sedimentar (Figueiredo e Morales).
O reservatório é constituído por conglomerados polimíticos e arenitos
conglomeráticos que apresentam porosidades médias na faixa de 7 a 15%,
argilosidade em torno de 35% e permeabilidade entre 2,5 mD até 577 mD. A
microporosidade contribui com cerca de 10 a 15% da porosidade total e está

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relacionada ao alto teor de litoclastos micáceos presentes ou aos intervalos
com caulinita mesodiagenética.
O contato gás/óleo para o Carmópolis A ocorre em -1836m, já o contato
óleo/água devido as grandes variações laterais de permoporosidade e as
várias acumulações independentes não pode ser definido como único e
extensivo. Estimativas iniciais prevêem uma produção diária de 600m³ de óleo
para o campo de Camorim.

Campo de Guaricema
Primeiro campo de petróleo descoberto na plataforma continental brasileira,
em setembro de 1968, o Campo de Guaricema está localizado nas águas rasas
do litoral sergipano a 26 km ao sul da cidade de Aracaju. Geologicamente
situa-se em um dos altos relativos existentes no prolongamento do Baixo de
Mosqueiro, representado por um “horst” bem delineado que se estende na
direção NW-SE. Trata-se de uma trapa estratigráfica.
O óleo foi encontrado em arenitos terciários da Formação Piaçabuçu,
Membro Calumbi, e o reservatório é formado por vários corpos de arenitos
ortoquartzíticos com espessura máxima de 13,5m, fino a muito fino,
inconsolidados, seleção moderada, localmente lentículas de cimento
carbonático. O teor de argila é muito baixo, concedendo ótima
permoporosidade.
O arenito apresenta as seguintes características de reservatório: porosidade
de 27 a 33%, permeabilidade ao óleo (40.3 API) de 500 a 1000 mD,
argilosidade de 15 a 55%, saturação de água de 16.6 a 39.6% e 26% fator de
recuperação. Volume original provado de 11,12M m³.

Campo de Carmópolis
O modelo de Carmópolis consiste num domo aparentemente deposicional
das formações aptianas e albianas, sobreposto discordantemente a um
complexo de blocos falhados de idade pré-aptiana. As trapas, portanto,
envolvem blocos falhados e inclinados nas partes inferiores, enquanto que nas
formações superiores são caracterizadas por flexuras sobre altos erosionais,

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resultando em domos alongados. O selo da acumulação é formado por
folhelhos. Abaixo dele estão os conglomerados do Mb. Carmópolis/Fm.
Muribeca. A carga de petróleo foi governada pela discordância da base da
Formação Muribeca, importantíssima feição estratigráfica regional.

VI.1. PLAYS EXPLORATÓRIOS

Plays exploratórios são definidos por um conjunto de acumulações que


compartilham das mesmas características geológicas responsáveis pelas
descobertas econômicas. Segundo Fischer et al. (1990), para a Bacia Sergipe-
Alagoas, os plays para exploração estariam relacionados a arenitos em leques
submarinos, sobretudo relacionados a foz do Rio São Francisco. De acordo
com os autores, os leques são depositados na parte inferior do talude, com
erosão nas partes superiores desses canyons devido a passagem das massas
de areias. Nesta situação, os arenitos acunham-se em direção as porções
superiores, caracterizando o trapeamento estratigráfico.
Um outro modelo de acumulação seria as fácies distais dos leques
costeiros (Formações Piaçabuçu), muito embora esses arenitos sejam de
natureza maciça. O risco desses plays refere-se as rochas capeadoras
impermeáveis adequadas. Problemas de selo, contudo, não ocorrem nos plays
representados arenitos imersos nos folhelhos da Formação Calumbi.
Um outro tipo de modelo de acumulação seria as fácies carbonáticas da
Formação Mosqueiro do período Terciário.

Em resumo, os principais modelos de descoberta a serem pesquisados na


Bacia Sergipe-Alagoas, são:
- Embasamento fraturado, capeado por evaporitos do Mb. Ibura;
- Seqüência pré-rift, onde os arenitos fluviais, com retrabalhamento eólico,
da Fm Serraria, estejam estruturados em horsts, blocos basculados, ou
anticlinais;

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- Seqüência rift, objetivando principalmente os arenitos das formações Barra
de Itiúba e Coqueiro Seco, em trapas estruturais semelhantes aos da
seqüência anterior.
- Seqüência transicional, visando arenitos e conglomerados do Mb.
Carmópolis, em trapas geomorfológicas ou pinch-outs contra paleoaltos do
embasamento, e carbonatos fraturados do Mb. Ibura e Mb. Oiteirinhos e ainda
objetivando os arenitos da Fm. Maceió, em trapas estruturais, relacionadas a
falhas do embasamento ou a estruturas halocinéticas.
- Seqüência de subsidência termal, os principais objetivos seriam os
turbiditos do Cretáceo Superior e Terciário, da Fm. Calumbi, em armadilhas
estratigráficas e estruturais relacionadas a halocinese, ou em canais
controlados por falhas do embasamento reativadas no Cretáceo e/ou Terciário
e secundariamente, carbonatos fraturados da Fm. Riachuelo e Cotinguiba.

VII. PERSPECTIVAS EXPLORATÓRIAS PARA A BACIA SERGIPE-


ALAGOAS E DISCUSSÕES

A complexidade estrutural da bacia, arquiteturada com milhares de


pequenos blocos e falhas não identificadas na sísmica, nos coloca duas
vertentes principais a serem discutidas: reservatórios e fronteiras exploratórias.
Vale ressaltar que não se descartam os pequenos volumes de reservas que
caracterizam as estruturas na porção onshore, uma vez que a infra-estrutura de
produção e transporte existente é um dado que viabiliza economicamente
grande parte desses prospectos.

1 – Reservatórios
Modernas técnicas de produção, que inclui a reinterpretação dos dados
estruturais e o potencial dos novos softwares, objetivando otimizar e prolongar
a vida útil dos campos maduros. Além disso, faz-se necessário um melhor
entendimento dos mecanismos de acumulação na porção de águas rasas, a
exemplo dos campos de Caioba e Guaricema localizados no lado alto da
Charneira de Alagoas que estão sobre a rota de migração vertical e lateral do
hidrocarboneto.

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2 – Fronteiras Exploratórias
O esforço exploratório aplicado à porção offshore da bacia na década de
60/70 foi muito tímido em vista da limitação tecnológica (sísmica de qualidade)
e, pode-se especular, da concentração das atenções e recursos para as áreas
mais promissoras, notadamente para a Bacia de Campos.
Assim como em todo país, conquistar a exploração de águas profundas é
um fator essencial para dar continuidade econômica à Bacia Sergipe-Alagoas.
O primeiro grande passo é a aquisição sísmica de qualidade para então se
iniciar o processo de exploração com o objetivo de revelar novos plays
exploratórios, não só de acordo com os modelos estruturais, mas sobretudo
estratigráficos. Neste último caso, as chances seriam de descobertas com
volumes de hidrocarbonetos significativamente maiores que a média dos
tamanhos de campos existentes.
Para águas profundas, onde é grande a incerteza sobre a extensão do rifte
e sua relação com as SDRs (seaward deep reflectors), esse entendimento é
fundamental para as chances dos potenciais plays do rifte, cretáceo inferior,
dos plays em sistemas petrolíferos caracterizados por geradores marinhos
turonianos e plays da fase drifte.
Outra questão é a distinção entre sal e vulcânicas, o primeiro como fator
de estruturação de trapas e condicionador dos locais de deposição das fácies
reservatório, sobretudo as turbidíticas.

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