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TÉCNICAS RADIOLÓGICAS

Eleaonai Sâmek Rabêlo Simão de Araújo


Tecnóloga em Radiologia
Especialista em Proteção Radiológica
RADIOLOGIA
 Radiologia: ramo da medicina que se dedica ao estudo e emprego
dos raios X e de outras energias radiantes, com fins diagnósticos e
terapêuticos.

 Radiografia: processo de produção de imagem de estrutura interna


do corpo, para fins de diagnóstico, por meio de raios X.
BREVE HISTÓRICO
 Em 8 de novembro 1895, o físico alemão Wilhelm Conhad Roentgen,
descobriu radiação eletromagnética que também era capaz de
impressionar chapas fotográficas, o qual ele denominou de Raios-X.

Bobina de Indução Tubos de Leonard,


Ruhmkorf Hittorf e Crookes
 Em 22 de dezembro de 1895, Roentgen obteve a primeira chapa
radiográfica da história: a mão de sua mulher.
 Em 1896, o francês Antonie Henri Bacquerel tentando relacionar o
brilho (fluorescência) produzido pelos Raios -X à outras substâncias,
demonstrou que a radiação emitida era proporcional à concentração
dos sais de Urânio, estava descoberta a Radioatividade.

 Em 1898, Marie Curie e Pierre Curie, que trabalhavam com


Bacquerel observaram que certas substâncias eram capazes de
emitir radiações mais energéticas que as produzidas pelos sais de
Urânio, identificaram o Polônio e o Rádio mais energéticos que o
próprio Urânio.
 Em 1897 chegou ao Brasil o primeiro aparelho de raios X. Vários
trabalhos foram publicados pelo médico José Carlos Ferreira Pires,
pioneiro do uso dos raios X no Brasil. Naquela época, uma
radiografia de tórax demorava cerca de 30 minutos e uma de crânio
45 minutos.

 Em 1899, Ernest Rutheford estudando os elementos radioativos


percebeu que estas radiações eram de três tipos diferentes, as quais
nominou de Alfa ( α ), Beta ( β ) e Gama ( δ ).
CONCEITO DE RADIAÇÃO
 É um termo da área da Física e significa a propagação de energia de
um ponto a outro no espaço ou em um meio material, com uma
certa velocidade. Os elementos condutores de energia determinam
as formas de radiação eletromagnética ou corpuscular.
RAIOS X
 São ondas eletromagnéticas que possuem a capacidade de
atravessar corpos de baixa densidade e são absorvidos por materiais
de densidade maior.
 Cessado o estímulo elétrico, cessa a emissão de radiação.

Os principais componentes eletro-eletrônicos dos equipamentos


geradores de raios-x são:
 Geradores de energia, rede distribuição e subestações.
 Transformadores de energia .
 Retificadores de corrente.
 Painel de comandos.
 Aparelho de Rx.
APARELHO DE RX POSICIONADO PARA EXAMES
EM ORTOSTASE.
AMPÔLAS DE RAIOS-X
FATORES TÉCNICOS QUE MODIFICAM O
ESPECTRO DO RAIO-X

 Voltagem aplicada ( Kv) : A energia da radiação que sai da ampola, é


igual a máxima energia dos elétrons que atingem o alvo, e que
depende da voltagem aplicada a ampola ( 50 a 150 Kv usados para
diagnóstico). Penetração (qualidade do Raio X): depende do Kv.
 A Corrente no Tubo (mA): A emissão total dos raios X depende do Nº
de elétrons que colidem no alvo, quanto maior a corrente (mA), maior
o nº de elétrons, maior produção Raio –X. Quantidade de R-X
produzidos depende da quantidade de mAs (mA x tempo de
exposição em s) (Vistos no quadro em seguida.)
 Filtração: Remoção da radiação secundária e indesejável, usando
chapas metálicas (Al, Cu), diante do feixe de R-X, que modifica todos
os comprimentos de onda (λ) e retém as radiações de baixa energia (
não diagnosticas).
QUADRO TEMPO – MA ( MA.S)

mA
Segundos 100 150 200 300
0,05 5,0 7,5 10,0 15,0
0,064 6,4 9,6 12,8 19,2
0,08 8,0 12,0 16,0 24,0
0,1 10,0 15,0 20,0 30,0
0,125 12,5 18,8 25,0 37,5
0,16 16,0 24,0 32,0 48,0
0,2 20,0 30,0 40,0 60,0
0,3 30,0 45,0 60,0 90,0
PROPRIEDADES FÍSICAS DO RAIO X
1- Atravessam corpos densos opacos à luz;
2- São divergentes:
 Quanto maior distância foco-filme mais próxima do real é a imagem,

 Quanto maior a distância objeto-filme maior é a imagem,

 Quanto menor a distância foco-filme maior é a imagem,

 Quanto maior a distância, menor a propagação da radiação.

 Distâncias convencionadas: 1,0 metro, 1,5m ou 1,8m.

 Padrão > D Fo Fi e < D O Fi- melhor imagem.


3- Se propagam em linha reta ( não sinuoso).
4- Poder de propagação ( inverso à distância²).
5- Produzem radiação secundária, a qual prejudica na formação da
imagem, é lesiva e de efeito cumulativo.
6- Decompõem os Sais de Prata (Ag) radiografias.
FORMAÇÃO DA IMAGEM RADIOLÓGICA

A interação da radiação com a matéria viva provoca fenômenos


que interferem na produção da imagem são eles:
 Efeito Compton;
 Efeito Foto-elétrico;
DENSIDADES RADIOGRÁFICAS

DENSIDADE ABSORÇÃO IMAGEM

Metal Total Branca brilhante


Cálcio Grande Branca
Água Média Cinza
Gordura Pouca Quase preta
Ar Nenhuma Preta
DENSIDADES RADIOGRÁFICAS
CONTRASTES RADIOLÓGICOS
 Contrastes Naturais

Grupo 1- Densidade 0 :
Ar dos pulmões,vias aéreas superiores,
seios da face, vísceras ôcas abdominais.

Tenacidade Preta.
Grupo 2- Densidade 1 :
Tecido adiposo presente em tecido
celular subcutâneo, aponeuroses
musculares e peri-renal.

Tenacidade Cinza escura.


Grupo 3- Densidade 2:
Partes moles em geral, vísceras maciças,
músculos, cartilagens, líquidos orgânicos.

Tenacidade Cinza Clara.


Grupo 4- Densidade 3:
Tecido ósseo.

Tenacidade Esbranquiçada.
EQUIPAMENTO PARA RADIOGRAFIA
RAIOS X
 Filme radiográfico: placa de poliéster recoberta por emulsão de
gelatina e cristais de prata. A prata é sensibilizada pela luz ou
radiação, tornando-se negra após revelada.

 Chassis: estojo metálico ou de plástico onde o filme fica protegido da


luz.
RAIOS X
 Écran: Os chassis possuem duas telas intensificadoras
montadas nas suas superfícies internas. A introdução destas
telas em sua estrutura é devido a sua propriedade de
transformar os fótons de raios X em fótons de luz, que
sensibilizarão mais eficientemente o filme radiográfico. As
telas intensificadoras ou écrans são constituídos de um
material luminescente, o fósforo. Este material emite luz visível
ou ultravioleta em resposta a sua estimulação pelos fótons de
raios X em um processo chamado luminescência.
FILMES E CHASSIS
TÉCNICA UTILIZANDO RAIOS X
 A imagem é obtida em um único plano. Há sobreposição das
estruturas.
 Por isso, as radiografias são obtidas em pelo menos DUAS posições
padronizadas, geralmente ortogonais.
 Exemplos: Radiografia do tórax em PA e Perfil, Radiografia do
crânio em PA e Perfil.
 Posição ou incidência: tem o nome de acordo com o lado do corpo
voltado para a fonte emissora de radiação.

 Exemplo: em PA (póstero-anterior), paciente de costas para a ampola


e de frente encostado ao filme.
MEIOS DE CONTRASTE
 Utilizados para distinguir estruturas com mesma densidade
radiológica.
 Radiografias do interior dos órgãos ou vasos sanguíneos.
 Contrastes de iodo e bário apresentam densidade metálica, são
radiopacos.
 Contraste baritado: sulfato de bário, utilizado para contrastar o
aparelho digestivo, via oral ou enema.
 Contraste Iodado: utilizado via oral, intra-vascular ou em
mielografias.
 Gás e bário: duplo contraste
MEIOS DE CONTRASTE
MEIOS DE CONTRASTE
MAMÓGRAFO
PROCESSAMENTO MANUAL
PROCESSADORA AUTOMÁTICA
UNIDADE DE DIGITALIZAÇÃO - CR
DR
TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA
 É uma variação do método que utiliza Raios X.
 A radiação é captada por sensores acoplados a computador, que
decodifica a intensidade da radiação, e forma imagem em escala de
tons, desde o branco, vários tons de cinza até o preto (Unidades
Hounsfield).
 Permite a formação de imagem por planos, sem sobreposição das
estruturas.
 A imagem formada é descrita como hipodensa ou hiperdensa em
relação às partes moles.
 Se utilizado meio de contraste, a imagem será hipercaptante,
hipocaptante ou não captante.
TOMÓGRAFO
ULTRASSONOGRAFIA
 Utiliza ondas sonoras (mecânicas), com frequência acima das ondas
audíveis ao ouvido humano.
 Utiliza transdutor ou sonda, que contém cristais (quartzo ou
turmalina), com efeito piezoelétrico.
 O transdutor entra em contato com o paciente.
 Sinal elétrico estimula o transdutor que emite ondas sonoras. O som
se propaga nos tecidos, e parte dele é refletida, absorvida pelo
transdutor, transformada novamente em energia elétrica, que é
decodificada em imagem visualizada em monitor.
ULTRASSONOGRAFIA
 As imagens são obtidas em planos transversais, sagitais ou oblíquos,
avaliando estruturas superficiais e profundas.
 A imagem formada apresenta cor branca, preta e vários tons de
cinza.

Variação de ecogenicidade:
 Imagem ecogênica ou hiperecogênica ou hiperecoica: branca.

 Imagem hipoecogênica ou hipoecoica: tons de cinza.

 Imagem anecoica: preta.


ULTRASSONOGRAFIA
 A imagem será descrita conforme: textura heterogênea ou
homogênea, com forma regular ou irregular, com limites precisos ou
mal definidos.
RESSONÂNCIA MAGNÉTICA
 Utiliza radiação eletromagnética.
 Depende da presença de núcleos de hidrogênio nos tecidos, que
sofrerão influência de um campo magnético e da radiofrequência do
aparelho.
 Os sinais captados pelo aparelho serão transformados em valores
numéricos, reconstituídos por computador em imagens.
PRINCIPAIS INCIDÊNCIAS
As incidências mais utilizadas (rotina) em serviços de
radiodiagnóstico, de acordo com a região do corpo, são:
1)Tórax e Caixa Torácica
 PA: Póstero-Anterior (inspiração e/ou expiração forçadas)
 AP: Ântero-Posterior
 DL: Decúbito-Lateral com raios horizontais (Laurell) D ou E
 OAE: Oblíqua Anterior Esquerda
 OAD: Oblíqua Anterior Direita
 Lateral D ou E
 AP Lordótico
 OPE: Oblíqua Posterior Esquerda
 OPD: Oblíqua Posterior Direita
 AP e Lateral: Vias Aéreas superiores (traqueia e laringe)
RX TORAX PA E PERFIL ESQUERDO
2)Membros Superiores (MMSS)
- Dedos e Polegares
 PA

 AP

 Oblíqua

 Lateral

- Mãos
 PA

 Oblíqua

 Lateral
- Punho
 PA

 Oblíqua

 Lateral

 Flexão Ulnar (desvio ulnar)

 Flexão Radial (desvio radial)

 Canal do Carpo
- Antebraço
 AP
 Lateral
- Cotovelo
 AP
 Oblíqua
 Lateral
 Axial lateral
- Úmero
 AP
 Lateral em rotações (interna e externa)
 Lateral para traumatismos
 Cintura Escapular (ombro, clavícula, escápula e articulação AC)
- Ombro
 AP com rotação (neutra, externa e
interna)
 Inferior – Superior (axial lateral)
 Oblíqua – Posterior
 Intertubercular
 Lateral
- Clavícula
 AP ou PA
 Axial AP
- Escápula
 AP
 Lateral
-Articulações AcromioClaviculares
 AP bilateral com e sem pesos
3)Membros Inferiores (MMII)
- Dedos
 AP

 Oblíqua

 Lateral

 Sesamóides

- Pé
 AP

 Oblíqua

 Lateral (com ou sem carga)

- Calcâneo
 Plantodorsal (axial ) lateral
- Tornozelo
 AP

 Oblíqua

 Lateral

 AP com estresse

- Perna
 AP

 Lateral

- Joelho
 AP

 Lateral

 Oblíqua AP ou PA com carga


- Patela
 PA
 Lateral
 Tangencial decúbito ventral
- Fêmur
 AP
 Lateral (transversa)
- Quadris
 Fêmur Proximal
 AP uni ou bilateral do quadril
 Lateral
 Perna de rã (Lavenstein)
 Axial Lateral
 Escanometria (1) + (2)+ (3)
- Pelve
 AP

 Axial da pelve

 Articulações Sacroilíacas

 AP axial

 Oblíquas posteriores
4)Coluna Vertebral
- Coluna Cervical
 AP (boca aberta) C1-C2 (transoral)
 AP e AP para dente (processo odontoide)
 Oblíquas
 Lateral
 Lateral com hiperflexão e hiperextensão
 Cervicotorácica lateral (nadador ) (nadador
modificado)
 Rotina para traumatismos
ALGUMAS IMAGENS DA COLUNA CERVICAL
- Coluna Torácica
 Ap,Lateral
 Oblíquas
- Coluna Lombar
 AP, Lateral, Lateral L5-S1
 Oblíquas
 Rotina para escoliose (Ferguson)
 AP com inclinação D e E
 Flexão e extensão lateral
- Sacro
 AP, Lateral
- Cóccix
 AP, Lateral
5)Abdome
 AP em decúbito dorsal
 AP em ortostase
 Decúbito Lateral
 Decúbito Dorsal Lateral

 + PA de tórax em abdome agudo


6)Rotina Crânio
 AP, Axial AP (Towne) 30º caudal

 PA 0º e 15º cefálico (Lom)

 Lateral (Cavum, sela turcica hipófise)

 Submentovértice (SMV) - (Hirtz)

 Lateral para traumatismos (RL Transv. Mesa)


- Face
 FNA, MNB (Níveis hidroaéreos)
 PA 15º Caldwell
 Parietoacantial
 Lateral
 Forames Ópticos- Parieto orbital
 Ossos do nariz- Lateral
 Mandíbula- PA, Oblíquas
axiais laterais
 ATM
 O.A.L. 15º caudal boca
aberta e fechada
- Mastoides
 Oblíqua axial lateral

 Oblíqua posterior em perfil (Stenvers)

 Oblíqua anterior em perfil

 Axial AP (Towne)

 Oblíqua axial posterior (Mayer)


Deus os abençoe.
Bom dia.