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08/08/2019 – Aula 01

Elementos das Obrigações

 Relação jurídica formada entre CREDOR e o DEVEDOR – elementos sujetivos


 Em torno de uma prestação (dar, fazer ou não fazer) – elementos objetivos
 Vínculo entre credor e devedor - elementos virtual/espiritual

Do vínculo nasce a teoria DUALISTA

A obrigação é formada

 Débito
 Responsabilidade pelo pagamento do débito

Classificação segundo a teoria dualista

1. Obrigação civil : débito (debitum, schuld) + responsabilidade (obligatio, haftung)


Ex: resp civil é um dever sucessivo que surge em razão de um dever originário, baseado na
máxima nenimem laidere (causar o dano a outro) com o preenchimento dos pressupostos:

Pressupostos
 conduta lícita / ilícita subjetiva (186) ou objetiva (187-abuso de direito-origem lícita,
finalidade/consequencias ilícitas)
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral,
comete ato ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social,
pela boa-fé ou pelos bons costumes.

 Culpa
o resp. objetiva: ato ilícito sem culpa, qdo a lei dispuser ou a atividade
desenvolvida pela parte for de risco
o resp subjetiva: mediante culpa, em regra geral no CC.
o CC, 945 – culpa concorrente não é causa de exclusão, trata-se causa minorante
do valor indenizatória
Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.

Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, eqüitativamente, a indenização.

Art. 945. Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em
confronto com a do autor do dano.

 nexo causal - liame entre a conduta do agente e o resultado danoso

CC,403 – causa direta e imediata fundamenta o Nexo causal


Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do
disposto na lei processual.

 Dano – moral, material, estético, perda de uma chance, desvio produtivo do tempo..
o Emergente – perda do patrimônio já existente
o Lucro cessante – deixou de ganhar
o Moral – violação de um dos direitos da personalidade

Súmulas 37, 221, 370, 385, 387, 388, 402, 403, 595, STJ

2. Obrigação Natural: sem exigibilidade

Ex: Prescrição - Débito existe não pode ser exigido, tem obrigação sem
responsabilidade

588, CC – mutuo/empréstimo de consumo feito ao incapaz


CC, Art. 588. O mútuo feito a pessoa menor, sem prévia autorização daquele sob cuja guarda estiver, não pode ser reavido nem do mutuário, nem de seus fiadores.

3. Obrigação de garantia:
Ex: contrato de fiança –caução fidejussória – assume uma garantia sem que ainda aja
um débito, válido até para bem de família
Súmula 549, STJ

Ex: 932, ICC e 933 – responsabilidades objetivamente dos pais pelos danos dos seus
filhos, jamais tem direito de regresso
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:

I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;

II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;

III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;

IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e
educandos;

V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia.

Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali
referidos.

Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente
seu, absoluta ou relativamente incapaz.

4. Obrigação Propter Rem/ambulatoria : em razão da coisa/bem, persegue o bem como ele


estiver
Ex:compra imóvel e há débitos condominiais, o nome proprietário tem que pagar os
débitos do imóvel
Não se consubtancia apenas no pagamento de um valor pecuniário

5. Obrigação de Dar
Coisa Certa
o Transferir 233 ao 237,cc
o Restituir 238 ao 242,cc

o Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o
contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.
o ->Princípio da Gravitação Jurídica – acessório seguira o principal, em regra
o Principio da correspondência do pagamento/exatidão 313, CC
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa.
o 356, CC – -> dação em pagamento
Art. 356. O credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida.

234, CC PERDA

o Sem culpa
o Com culpa
o Res peret domino – as coisas se perdem para o dono
o Sem que houver culpa, haverá perda e danos

Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou
pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes (partes voltam ao estado
anterior); se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.

235, CC e 236, CC deterioração

o Sem culpa
o Com culpa

Art. 235. Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou
aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu.

Art. 236. Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em
que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização das perdas e danos.

Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos
quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação.

o A tradição pela entrega para bens móveis, e pelo registro para os bens imóveis.

Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes.

238-242 – Restituir - o dono do bem é o credor

Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da
tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá(credor assumirá a perda), ressalvados os
seus direitos até o dia da perda. (valor da locação- res peret domino)

Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e
danos.

Art. 240. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor, tal qual se ache,
sem direito a indenização; se por culpa do devedor, observar-se-á o disposto no art. 239.

Art. 241. Se, no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou trabalho do
devedor, lucrará o credor, desobrigado de indenização.

Art. 242. Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor trabalho ou dispêndio, o caso se
regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-
fé.

Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo modo, o disposto neste Código,
acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé.
96,CC – benfeitoria, diferente de pertenças 93, CC (USA)

1219,CC – boa-fé

1220,CC – ma-fe

1196,CC

Obrigação de Dar

Coisa incerta (genérica) 243 ao 246,CC – gênero e quantidade


o Se especificar o tipo, vira coisa certa
o A quem será cabivel a escolha/momento de concentração do débito? Em regra,
favor debitoris=em favor do devedor
Art. 243. A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade.

Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha pertence ao devedor, se o contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá
dar a coisa pior, nem será obrigado a prestar a melhor.

Art. 245. Cientificado da escolha o credor, vigorará o disposto na Seção antecedente.

Art. 246. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito(causas rompedoras do nexo causal)

6. Obrigações da Fazer
o Infungível 247,cc – de natureza personalíssima intuito personae
o Fungível 249, cc - pode ser cumprida por um terceiro
o Autotutela civil, 249,cc, PU
Art. 247. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exeqüível.

Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da
indenização cabível.

Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar
ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido. -> não havendo urgência, abuso de direito -> autotutela
civil
o Meio – a parte buscará o resultado, resp civil subjetiva
o Resultado – cirurgia estéticas=>resp. subjetiva, mediante culpa

7. Obrigações de Não Fazer


o Pactuado pela Lei
o Pactuado pelas Partes
251, PU, CC - Autotutela Civil
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.

§ 2o São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. -> atos enulativos,
animus nocendi
251, CC Parágrafo único. Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer, independentemente de autorização judicial, sem prejuízo do
ressarcimento devido

8. Obrigações Alternativas/disjuntivas
Composta: desde o inicio existe mais de um elemento prestacional – OU
o Devedor se exime de sua responsabilidade, cumprindo com quaisquer das prestações

o Obrigação Conjuntiva/cumulativa (composta): o devedor deve cumprir todas as


prestações para se eximir de sua responsabilidade, diferente de obrigação alternativa, é
uma obrigação composta

o Obrigação facultativa/faculdade de cumprimento (Simples): não tem fundamentação


legal, desde seu inicio, so existe um único elemento prestacional, obrigação simples.

o Tenho que entregar o carro, mas posso pagar com uma moto. Se aceitar a moto,
não é dação em pagamento, o devedor se resguarda entregar outra coisa antes
do cumprimento o vencimento da dívida.

253,CC

Art. 253. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou
se tornada inexeqüível, subsistirá o débito quanto à outra.

A quem será cabível a escolha/momento de concentração do débito??? Favor debitoris


Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou.

Obrigações divisíveis – suporta o fracionamento

Obrigações indivisíveis – não suporta o fracionamento


Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou
dada a razão determinante do negócio jurídico.

Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos.

§ 1o Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os devedores, responderão todos por partes iguais.

§ 2o Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e danos.

Obrigações Solidárias: não se presume, vem da lei ou da vontade entre as partes.


Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes.

o Pura e simples – não vinculadas à condição de termo e cargo, mas pode ser
condicional a elemento futuro e incerto, ou pode ser a prazo ou a termo vinculado a
elemento futuro e certo
o Ativa – 267 e 268 – mais de um credor no pólo ativo obrigacional
o Art. 267. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro.
o Art. 268. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar.

A, B, C – credores do devedor D, prestação de 60 mil reais. A pode cobrar de D 20mil ou 60 mil, D pode pagar como desejar antes de eventual proposta. Se um dos
credores demandar D, o pagamento so pode ser efetuado para quem D demandou

Art. 269. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago.

A,B, C são credores de D, divida de 60 mil reais. D faz Pagamento parcial ao credor B, no montante de 20 mil, os 40mil reais pode se cobrar de qqer credor A, C ou mesmo
B.

Art. 270. Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão
hereditário, salvo se a obrigação for indivisível.

A,B, C são credores de D, prestação e 60 mil reais, C faleceu e deixou C1 e C2. De herdeiros. C Sua cota parte seria de 20 mil reais. , cada herdeiro 10 mil reais. Refração
do crédito

Art. 271. Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a solidariedade.

A, B e C são credores de D, prestação de 60 mil reais. Culpa-> perda e danos.

O 263, CC , não ocorre soliedariedade, obrigação não divisivel

O 271, CC não perde a soliedariedade

Art. 272. O credor que tiver remitido (PEDOADO)a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba.

A,B,C são credores de D, 60 mil reais. A perdoou ou recebeu 60 mil, tem que pagar a B e C, 20 mil.

Art. 273. A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais (DEFESA DE MERITO) oponíveis aos outros.

A,B,C são credores de D, 60 mil reais. A coagiu D. Vicio de consetimento, há anulação do NJ. B foi cobrar divida de D. D so pode alegar coação frente a A e não a B e C.

Art. 274. O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais, mas o julgamento favorável aproveita-lhes, sem prejuízo de exceção pessoal que o
devedor tenha direito de invocar em relação a qualquer deles

08/08/2019 – Aula 02 – Cristiano sobral

o Soliedariedade Passiva – mais de um devedor, cada um deles obrigados o TOTAL da


dívida.
A credor, devedores B,C,D – A pode cobrar a totalidade ou a cota parte de cada um
Opção de demanda

275,CC

Se um dos devedores solidários falecer – soliedariedade é personalíssima, cabe ao


herdeiros cobrar a quota correspondente ao quinhão hereditário.

1792, 1997,CC

276,cc e 277 – refração de debito

A credor, B,C e D são devedores de 60mil. D falece e deixa herdeiros D1 e D2. Pode-
se cobrar 10mil reais de D1 e D2. -> refração de débito

Indivisivel 258,CC

Perdas e Danos - só responde quem for o culpado – não tem solidariedade

Juros – obrigação acessória- solidariedade


285, CC

Contrato de fiança/calção fidejussória – renuncia ao beneficio de ordem 827 e 828,CC

Súmula 549, STJ

Fiador - locador

No contrato de fiança é acessória ao contrato do locação, pode haver renuncia ao


benefício de ordem – contrato de adesão, acarreta anulidade

Benefício de ordem - primeiro vc executa os bens do devedor locatário, depois do


fiador.

Teoria da pagamento

 Pagamento direto:
 Quem paga?
o Devedor ou solvens
o Terceiro interessado – interesse jurídico - fiador, avalista – subrogação nos
direitos creditícios
o Terceiro não interessado – não jurídico – pai que paga divida do filho, afeto – tem
direito ao reembolso – 304, CC e ss
 Quem recebe?
o Credor ou accipiens
o Alguém que o represente
o Credor imaginário ou putativo – 309,CC, somente qdo realizado de boa-fé, o
pagamento é válido!!
 Onde paga?
 Como paga?
 O que se paga?

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