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Estudando Cônicas e Quádricas

com o auxílio dos softwares


GeoGebra e Maple

Studying Conics and quadrics with the aid


of software GeoGebra and Maple

Ermínia de Lourdes Campello Fanti*


Augusto Sergio Furquim1
José Antonio Silveira Camargo2

Depto de Matemática, IBILCE, UNESP

1
Bolsista do Progr. Ciência na UNESP – Projeto: A Informática e o Ensino de Matemat.
2
Bolsista do Projeto do Núcleo de Ensino - UNESP - ProGrad
* Profa. Dep. Matemática – Coordenadora dos Projetos/Orientadora
Sumário
Introdução 01

1. Introdução ao Estudos das Cônicas com o GeoGebra 02


1.1 Cônicas – introdução 02
1.2 GeoGebra – noções básicas 05
1.3 Atividades como o GeoGebra 09

2. Introdução ao Estudos das Quádricas com o Maple 13


2.1 Quádricas – introdução 13
2.2 Maple – noções básicas 14
2.3 Atividades como o Maple 18

Referências 23
Introdução
Os softwares Geogebra e Maple são ferramentas poderosas no
estudo de vários conteúdos matemáticos. O objetivo deste trabalho é utilizar mais
diretamente o software Geogebra no estudo das cônicas e o Maple no estudo das
quádricas (porém o Maple pode também ser usado no estudo das cônicas). O
GeoGebra é um software livre, enquanto que o Maple não. Chama-se Cônica ao
conjunto dos pontos P = (x,y) em E2 tais que: G(x,y) = ax² + by² +cxy + dx + ey + f =
0, onde a, b, c, d, e, f, são números reais com a² + b² + c² > 0. É fácil obter a partir
da equação anterior exemplos de cônicas dadas por um ponto, o conjunto vazio,
uma elipse ou circunferência, a reunião de duas retas concorrentes, uma hipérbole,
uma parábola, uma reta ou duas retas paralelas. De fato, prova-se que estes são
todos os tipos possíveis de cônicas. Chama-se Quádrica ou Superfície Quádrica ao
conjunto dos pontos P = (x,y,z) em E3 tais que G(x,y,z) = ax² + by² +cz2+dxy + exz +
fyz + gx + hy +iz + j = 0, onde a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, são números reais, com a, b,
c, d, e, f, não simultaneamente nulos. Os exemplos mais interessantes de quádricas
são o elipsóide, hiperbolóide de uma folha, hiperbolóide de duas folhas, cone
elíptico, parabolóide elíptico, parabolóide hiperbólico ou sela. Usando os recursos
dos softwares podemos visualizar melhor as cônicas e quádricas e observar suas
propriedades. Em algumas situações pode-se notar também certa limitação dos
softwares.
O primeiro capítulo será dedicado ao estudo das cônicas com o
GeoGebra. No segundo capítulo trataremos das quádricas e o software utilizado será
o Maple.

Palavras chaves: Cônicas, Quádricas, softwares Geogebra e Maple, Ensino de


Matemática

1
Capítulo 1- Introdução ao Estudos
das Cônicas com o GeoGebra
1.1 Cônicas
Apresentamos uma breve introdução ao estudo das cônicas - incluindo o
Teorema de Classificação e alguns exemplos. O leitor interessado poderá ver mais
detalhes em Boulos e Camargo [1], Cap. 22 e 23.

Lugares geométricos: Denominamos lugar geométrico (l. g.) a um conjunto de


pontos tais que todos eles e só eles possuem uma dada propriedade.

Elipse: A elipse é o lugar geométrico dos pontos de um plano para os quais a soma
das distâncias a dois pontos fixos distintos F1 e F2 é uma constante 2a (maior que a
distância entre os dois pontos fixos). Mais precisamente, consideremos um plano π e
dois pontos F1 e F2 (de π) tais que d(F1,F2) = 2c > 0. Seja a > c. Ao conjunto de
pontos P ∈ π tais que d (P, F1) + d (P, F2) = 2a (1) dá - se o nome de elipse. Os
pontos F1 e F2 são denominados focos da elipse.
Equação reduzida : Tomando um sistema ortogonal, considerando os focos F1 = (-c, 0)
e F2 = (c, 0) (isto é, sobre o eixo OX), P = (x, y) e considerando b = a 2 − c 2 , deduz-
se, da igualdade (1), a equação na forma reduzida :
x2 y2
+ =1 (*).
a2 b2

Esboço da Elipse: Primeiro obtemos as interseções da elipse com os eixos


coordenados. Interseções com OX: fazendo y = 0, obtemos x = + a, logo os pontos
de interseção com o eixo x são A1 = (-a , 0), A2 = (a , 0). Com OY: fazendo x = 0,
vem y = + b, logo os pontos de interseção com o eixo y são B1 = (0, - b), B2 = (0, b).
b 2 2
Graças à simetria, podemos restringir-nos ao 1o quadrante, onde y = a −x ,
a
0 ≤ x ≤ a. Atribuindo valores a x entre 0 e a e calculando y, obtemos o esboço, onde a2
= b2 +c2. Esboço:

Figura 1.1.1 - Elipse


Nomenclaturas:
F1, F2 : focos (já mencionados),
2c : distância focal (= d (F1, F2)),
A1A2 : eixo maior (é o segmento de comprimento 2 a e contém os focos),
B1 B2 : eixo menor (B1 B2 ⊥ A1A2 no seu ponto médio),
O : centro (é o ponto médio do segmento F1F2 ),
A1, A2, B1, B2 : vértices,

2
F1F2 : segmento focal .

Observação: 1) Se adotamos um sistema ortogonal em que F1 e F2 estão no eixo


OY, então (1) fornecerá, de modo análogo, a seguinte equação reduzida:
x 2 y2
2
+ 2 = 1, (b = a 2 − c 2 ).
b a
2
y x 2 y2
Por exemplo, a elipse x 2 + = 1 tem focos no eixo OY, e a elipse + = 1 tem
4 4 2
focos no eixo OX.
x2 y2
2) Quando a = b, a elipse (centrada – equação reduzida + = 1 ) nada mais é
a2 a2
do que a circunferência de centro na origem e raio a: x2 + y2 = a2.

Hipérbole: Consideremos num plano π dois pontos F1 e F2 (chamados focos),


distantes 2c > 0 entre si. Seja 0 < a < c. Ao conjunto dos pontos P ∈ π tais que
|d(P,F1) – d(P,F2)| = 2a se dá o nome de hipérbole.
Equação reduzida: Tomando um sistema ortogonal e supondo que F1 =(-c, 0) e F2 =
(c, 0), isto é estão sobre o eixo dos x, como no caso da elipse, obtém-se que P = (x,y)
x2 y2
está na hipérbole se e somente se 2
− 2 2
= 1. Considerando b = c 2 − a 2
a c −a
temos 0 < b < c e c 2 = a 2 + b 2 . A equação na forma reduzida fica assim :
x2 y2
− =1 (**).
a2 b2

Esboço da hipérbole: Ao acharmos a interseção com os eixos vemos que neste


caso, o eixo OY não intercepta a curva enquanto que o eixo OX a intercepta nos
pontos A1 = (-a, 0) e A2 = (a, 0). Novamente graças à simetria, podemos restringir-nos
ao primeiro quadrante, e aí
b
y= x 2 − a 2 , x ≥ a.
a
b b
As retas r : y = x e s : y = - x são denominadas assíntotas da hipérbole. As
a a
assíntotas são retas das quais a hipérbole se aproxima cada vez mais, à medida que
os pontos se afastam dos focos. Atribuindo valores a x entre 0 e a e calculando y,
obtemos o esboço, onde c2 =a2 + b2.
Esboço:

Figura 1.1.2- Hipérbole

3
Nomenclaturas:
F1, F2 : focos,
2c : distância focal,
A1A2 : eixo transverso,
B1B2 : eixo conjugado,
O : centro ( é o ponto médio do segmento F1F2 ) ,
A1, A2 : vértices,
F1F2 : segmento focal,
r e s : assíntotas.

Observação: Se adotar um sistema ortogonal em que F1 e F2 estão no eixo OY,


x 2 y2  b = c 2 − a 2  ; r: y=
obteremos a equação reduzida é da forma - 2 + 2 = 1 , onde
b a  
a a
x e s: y = - x são, neste caso, as assíntotas da hipérbole.
b b
x 2 y2
Exemplo: x2 – y2 = 2 representa uma hipérbole com focos em OX e - + =1
4 100
representa uma hipérbole com focos em OY.

Parábola: Consideremos num plano π um ponto F e uma reta r, tal que F ∉ r, fixos.
A parábola é o lugar geométrico dos pontos de π equidistantes de F e r. O ponto F
chama-se foco e a reta r chama-se reta diretriz. Chamamos parâmetro da parábola, e
representamos por 2p, a distância entre o foco F e a reta r.
Equação reduzida: Tomemos um sistema ortogonal OXY e suponhamos que F
esteja sobre o eixo OX , que r seja paralela ao eixo OY, que a origem O seja o ponto
médio de HF, onde H é a projeção ortogonal de F sobre r (ou seja, O é o “vértice” da
parábola) e que F esteja à direita de r. Daí, como 2p = d (F, r), temos, nesse caso, que
F = (p , 0) e r : x = - p. Então x + p = 0. Logo, P = (x,y) está na parábola se e
somente se d (P,F) = d (P, r), isto é,
2 x + p
(x - p) + y2 =
12 + 02
que é equivalente a (elevando ao quadrado e simplificando), a:
y² = 4px (***)
Esboço da parábola (no caso y² = 4px, F=(p,0) e r: x=-p). ):

Figura 1.1.3- Parábola

4
Observação: São também equações reduzidas da parábola:
y2 = - 4px, (quando F=(- p, 0) e r: x=p, i.é, V = O, F ∈ ao eixo OX e está a esquerda de r),
1 2
y= x , (quando F=(0, p) e r: y = - p, i.é, V=O, F ∈ ao eixo OY e está acima de r),
4p
1 2
y=− x , (quando F=(0, -p) e r : y = p, i.é, V=O, F ∈ ao eixo OY e está abaixo de r).
4p

Definição (caso geral): Chama-se Cônica ao conjunto dos pontos P = (x, y) em E2,
onde E2 denota o plano euclidiano, tais que: g(x, y) = ax² + by² +cxy + dx + ey + f = 0,
sendo a, b, c, d, e, f números reais com a² + b² + c² > 0.

Exemplos de cônicas:
1- O conjunto vazio: g(x,y) = x² + y² + 1 = 0.
2- Um ponto: g(x,y) = x² + y² = 0.
3- Uma reta: g(x,y) = (x+y)² = x² + 2xy + y² = 0.
4- Reunião de duas retas paralelas: g(x,y) = (x+y)(x+y+1) = x² +2xy+y²+x+y = 0.
5- Reunião de duas retas concorrentes: g(x,y) = (x+y) (x-y) = x² - y² = 0.
6- Elipse: g(x,y) = x2 + 2y2 – 1 = 0.
7- Hipérbole: g(x,y) = x2 – y2 – 1 = 0.
8- Parábola: g(x,y) = x – y2 = 0.
9- Circunferência: g(x,y) = x² + y² - 1 = 0.

De fato, estes são todos os tipos possíveis de cônicas, mais precisamente, tem-se:
r r
Proposição: Fixemos um sistema ortogonal de coordenadas (O, i , j ) em E2. Seja Ω
um subconjunto de E2. Então Ω é uma cônica se e somente se Ω é de um dos tipos
listados acima (Boulos e Camargo [1], Apêndice C).

1.2 GeoGebra – noções básicas


A Interface do software é constituída de uma janela inicial (figura abaixo)
que se divide em uma área de trabalho (à direita – que referiremos também às vezes
como parte geométrica), uma Janela de Álgebra (à esquerda, que pode ser fechada
se necessário) e um campo de Entrada (que fica abaixo).

Figura 1.2.1 – Tela inicial do GeoGebra

5
O Geogebra é um software gratuito e pode ser obtido facilmente em sites de
busca ou nos endereço http://www.geogebra.org/cms/.
O campo de Entrada é usado para escrever as coordenadas de pontos a
serem marcados/representados na tela, equações, comandos e funções, diretamente;
e esses objetos serão mostrados na área de trabalho, imediatamente após pressionar
a tecla Enter.
Observamos que no Geogebra, o sistema decimal usa ponto ao invés de
vírgula, assim usa-se (na caixa de entrada) 3.4 ao invés de 3,4.
A área de trabalho possui um sistema de eixos cartesianos onde o usuário
pode fazer as construções geométricas (diretamente, com o uso do mouse, ou usando
a Entrada) e ao mesmo tempo as coordenadas e equações correspondentes são
mostradas na janela algébrica.
Ao clicar em um dos itens/comandos do menu: Arquivo, Editar, Exibir,
Opções, Ferramentas, Janela, ou Ajuda (que tem em geral funções coerentes com o
próprio nome) e mantendo o botão do mouse apertado aparecerão sub-comandos que
podem ser selecionados para serem aplicados. Por exemplo, se a janela de álgebra
não esteja ativada, para ativá-la basta clicar em Exibir, no menu, e selecionar Janela
de Álgebra. Neste mesmo item (Exibir) podemos também, ativar/desativar os Eixos,
a Malha, além de outras funções:

Figura 1.2.2 – Explorando o comando Exibir

A barra de ferramentas inicial é composta de 11 caixas de ferramentas


(ícones) cada uma delas é indicada por um quadradinho com uma figura, e é de fato
composta de outras ferramentas/ícones relacionadas com a função inicialmente
descrita na figura.

Figura 1.2.3 - Barra de ferramentas - inicial

Para fins didáticos enumeraremos as caixas de ferramentas, da barra inicial, de 01


a 11 (da esquerda para a direita). Para ter acesso a uma das ferramentas
(comandos/ ícones) dentro de uma caixa de ferramentas, basta clicar na seta do
canto inferior direito de cada caixa de ferramenta\ícone e manter o botão esquerdo
do mouse pressionado deslizando para baixo até o ícone/ferramenta de interesse.
Mostramos abaixo as ferramentas/comandos do ícone Polígono (caixa de
ferramenta no. 5):

Figura 1.2.4 – Ícone/caixa de ferramenta Polígono

6
É interessante observar que ao selecionar uma ferramenta/ícone obtemos no
lado direito da Barra de ferramenta inicial a informação de qual é a função desse

ícone, por exemplo, se selecionamos no penúltimo caixa o ícone , aparecerá à


informação: “Inserir Texto – Clique na área de trabalho ou em um ponto para criar
um texto”, como mostra a figura:

Figura 1.2.5 – Detalhes – Ícone Texto

Outro ícone, ainda na penúltima caixa, é o Seletor, que é mostrado na figura


seguinte. Esse ícone é muito usado para descrever, por exemplo, uma função que
depende de um parâmetro “a” que pode variar num certo intervalo. Mais
especificamente, após representar na área de trabalho um Seletor nomeado,
suponhamos de “a” (com as especificações desejadas), podemos definir, por exemplo,
na Entrada, a função y= a*x+2, ou o ponto (a, 0) e conforme movimentamos o Seletor
“a”, os objetos também se movimentam, de acordo com o intervalo selecionado (para
“a” variar).

Figura 1.2.6 – Ícone Seletor

Motivados por essa facilidade, não descreveremos aqui cada uma das
ferramentas/ícones, mesmo porque não é nosso objeto fazer um estudo dos
comandos/ícones do Geogebra, mas sim utilizá-lo no estudo de certos conteúdos
matemáticos como polígonos, funções reais, e cônicas, como já citado no início.
Ressaltamos também que em Ajuda obtemos importantes informações para o
estudo/desenvolvimentos de atividades com o GeoGebra.

Figura 1.2.7– Menu: Ajuda

Para mudar a cor e/ou espessura de um objeto: Clique sobre o objeto com o botão
direito do mouse, a seguir clique em Propriedades e em Cor, para mudar sua cor, e
em Estilo (selecionado a seguir o nível de espessura) para mudar a espessura do
objeto:

Figura 1.2.8 – Sobre Cor e Espessura

7
Observamos que essa janela também é obtida no menu - Editar – Propriedades).
Podemos adequar a área de trabalho para melhor visualização de uma
construção/figura apresentada, usando a ferramenta Zoom. Para isso clique na tela
(na parte geométrica) com o botão do mouse direito e aparecerá uma tela como a da
Figura 8, selecione então a melhor aproximação.

Figura 1.2.9 – Janela de Visualização - Ferramenta Zoom

Às vezes, para melhor visualização da área de trabalho (parte geométrica) é


interessante também deslocar os eixos, para tanto devemos selecionar Deslocar
Eixos na última caixa de ferramentas e depois clicar na área de trabalho e, mantendo
o botão esquerdo do mouse apertado, deslocamos “a tela/área de trabalho" de modo
conveniente.
Observamos que para obter grande parte dos elementos/representações
geométricas com o GeoGebra como, por exemplo, pontos, retas, polígonos, basta
selecionar o ícone adequado, na barra de ferramentas de acesso rápido e em seguida
clicar na parte geométrica da janela inicial do GeoGebra, que facilmente o elemento
desejado seja representado.
Para representar o gráfico das funções, e em geral, em atividades de
Geometria Analítica Plana, necessitamos de um sistema cartesiano ortogonal. Para
obter isso procedemos do seguinte modo (já mencionado antes):
Para obter os eixos: Clique em Exibir no menu e logo depois em Eixos.
Para obter a malha ou grade: clique novamente em Exibir e selecione agora Malha.
Na tela, na parte geométrica, irá aparecer uma grade (com distância de 1 cm entre os
seus pontos consecutivos alinhados – que pode ser alterada se usamos a ferramenta
Zoom), como mostra a figura:

Figura 1.2.10 – Eixos e Malha

8
Observação: Podemos copiar um trabalho feito na tela do GeoGebra e colar num
arquivo do Word, ou Paint, por exemplo. Isso pode ser feito abrindo o arquivo
desejado do GeoGebra, clicando em Arquivo, Exportar e selecionado, na tela que
aparece, Copiar para a Área de Transferência (Ctrl+Shift+C). Depois no arquivo (que
se pretende copiar – Word, por exemplo) use Ctrl+V para colar.

1.3 Atividades com o GeoGebra:


Atividade 1: Representar geometricamente as cônicas dadas pelas equações:
x 2 y2 (x - 1) 2 (y - 2) 2
(a) reduzida: + = 1, (b) + =1
9 4 9 4
(a):

Figura 1.3.1 – Elipse (dada por equação reduzida)


Conhecendo os focos e um ponto da elipse, podemos usar o ícone/ferramenta Elipse

para obter a sua representação geométrica. No caso os focos são F1=(- 5 ,0)
e F2=( 5 ,0), e tomaremos como ponto da elipse o vértice B2=(0,2). Para
representar os focos entre na Janela Algébrica com os pontos (-sqrt(5),0) e depois
(sqrt(5),0). Para renomear os pontos (ou objetos) clique com o botão do mouse
direito na letra/nomenclatura existente, selecione Renomear na
caixa que irá abrir e em seguida digite o novo nome/ letra desejada. Os focos
(vértices) podem ser ainda obtidos digitando no campo Entrada Foco[c] (Vértice [c]),
onde c é a letra que indica/nomea a elipse na tela de trabalho. Vejamos (b):

Figura 1.3.2 – Elipse (transladada)

9
Atividade 2: Representar geometricamente as cônicas dadas pelas equações:

x 2 y2 x2 y2 (x -1)2 (y - 2)2
(a) reduzida: − =( 2 − 2 ) =1 , (b) − = 1.
9 4 a c − a2 9 4
(a): 4 = b2 = c2-a2 = c2 – 9 ⇒ c2 = 9 + 4 =13 ⇒ c ~ 3.61

Figura 1.3.3– Hipérbole (dada por equação reduzida)

(b):

Figura 1.3.4 – Hipérbole (transladada)

Atividade 3: Representar as cônicas dadas pelas equações:


(a) reduzida: y2 -5x = 0, (b) (y-2)2 -5(x -1) = 0.

(a):

10
Figura 1.3.5 – Parábola (dada por equação reduzida)

Note que a equação é do tipo y² = 4px, e diretriz x = - p. Assim o foco é F= (5/4, 0) e


a reta diretriz é x = -5/4. Tendo o foco e vértice, a parábola pode ser então obtida

usando a ferramenta Parábola na caixa de no 7 .


(b):

Figura 1.3.6 – Parábola (transladada)

Atividade 4. Dada a parábola de equação y2 - 8x - 6y - 23 = 0. Represente


geometricamente: (1) usando a equação algébrica, (2) usando o ícone/ferramenta
Parábola, e o foco e a diretriz (para isso complete quadrados: y2 - 8x -6y – 23 = 0 ⇒
y2 -6y = 8x+23 ⇒ y2 - 6y + 9 = 8x+23+9 ⇒ (y-3)2 = 8(x+4) ⇒ V=(- 4, 3), foco F = (-2,3)
=(2,0)+(- 4,3) e diretriz r: x = - 6 = -2 +(-4)).

11
(aqui usamos a ferramenta Zoom)
Figura 1.3.7 – Parábola

Atividade 5. Representar e classificar a cônica de equação: 3x2 + 12xy + 8y2 –18x –


28y + 11 = 0.

Figura 1.3.8 – Cônica (hipérbole)

Pelo gráfico observamos que a cônica é uma hipérbole.

Alguns exercícios gerais

Representar e classificar as cônicas de equação:


1. 2x2 – 12xy + 7y2 + 8x + 20y – 14 = 0,
2. 9x2 – 4y2 – 18x – 16y – 7 = 0,
3. 16x2 – 24xy + 9y2 – 38x – 34y + 71 = 0,
4. 35x2 – 2xy + 35y2 – 34x – 34y – 289 = 0,
5. 4x2 – 4xy + y2 – 2x + y + 1/5 = 0.

12
Capítulo 2 - Introdução ao estudo
de Quádricas com o Maple.
2.1 Quádricas – uma introdução
Chama-se Quádrica ou Superfície Quádrica ao conjunto dos pontos P =
(x,y,z) em E3 tais que G(x,y,z) = ax² + by² +cz2+dxy + exz + fyz + gx + hy +iz + j = 0,
onde a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, são números reais, com a, b, c, d, e, f, não
simultaneamente nulos. Os exemplos mais interessantes de quádricas são o
elipsóide, hiperbolóide de uma folha, hiperbolóide de duas folhas, cone elíptico,
parabolóide elíptico, parabolóide hiperbólico ou sela.
Segundo Boulos e Camargo ([1], cap. 25), o nome quádrica vem do fato que
as equações que as descrevem são equações do segundo grau, ou equações
quadráticas.

São exemplos de quádricas:


1. Elipsóide: Um subconjunto S de E3 é um elipsóide se existe um sistema ortogonal
de coordenadas e números a, b e c positivos tais que:
S = { P = (x,y,z) ; x2/a2 + y2/b2 + z2/c2 = 1 }.
No caso particular em que a2=b2=c2, temos a equação de uma superfície esférica:
x2 + y2 + z2 = a2.

2.Hiperbolóide de uma folha: Um subconjunto S de E3 é um hiperbolóide de uma


folha se existe um sistema ortogonal de coordenadas e números a, b e c tais que:
S = {P = (x,y,z) ; x2/a2 + y2/b2 - z2/c2 = 1 }.
São também equações de hiperbolóide de uma folha, -x2/a2 + y2/b2 +z2/c2 = 1 e
x2/a2 - y2/b2 + z2/c2 = 1 (um dos sinais é negativo).

3. Hiperbolóide de duas folhas: Um subconjunto S de E3 é um hiperbolóide de


duas folhas se existe um sistema ortogonal de coordenadas e números a, b e c
positivos tais que: S = { P = (x,y,z) ; -x2/a2 + y2/b2 - z2/c2 = 1 }.
Como no caso de h. de 1 folha têm-se outras equações similares para o de 2 folhas.

4. Parabolóide elíptico: um subconjunto S de E3 é um parabolóide elíptico se existe


um sistema ortogonal de coordenadas e números a e b positivos tais que: S= { P =
(x,y,z) ; z = x2/a2 + y2/b2 }. Quando a=b, o parabolóide elíptico é um parabolóide de
rotação.

5. Parabolóide hiperbólico: um subconjunto S de E3 é um parabolóide hiperbólico


(ou sela) se existe um sistema ortogonal de coordenadas e números a e b positivos
tais que: S= { P = (x,y,z) ; z = -x2/a2 + y2/b2 }.

6. Cone elíptico (ou quádrica cônica elíptica): é uma superfície quádrica cuja
equação padrão é da forma: x2/a2 + y2/b2 - z2/c2 = 0 (ou equivalentemente, x2/a12 +
y2/b12 = z2 (Quando a = b, obtém-se uma quádrica cônica de rotação. Também é
equação de um cone elíptico uma equação do tipo x2/a2 - y2/b2 - z2/c2 = 0 ou -x2/a2
y2/b2 - z2/c2 = 0 (ou seja nem todos os sinais do lado esquerdo são iguais).

7. Quadricas cilíndricas: uma quádrica S é cilíndrica elíptica (também referida


como cilindro elíptico) ou cilíndrica hiperbólica (cilindro hiperbólico) ou cilíndrica
parabólica (cilindro parabólico) se existem números reais positivos e um sistema

13
ortogonal de coordenadas em relação a qual S pode ser descrita, respectivamente,
pelas equações:
x2/a2 + y2/b2=1 (a≠b); x2/a2 - y2/b2 =1; y2 = cx.
Se na primeira equação consideramos a = b (a equação fica x2 + y2 = a2) e obtemos a
quádrica é denominada quádrica cilíndrica de rotação (ou cilindro reto ou circular).

Outros exemplos de quadricas (chamadas degeneradas):


1- O conjunto vazio: G(x,y,z) = x² + y² + z2 + 1 = 0.
2- Um ponto: G(x,y,z) = x² + y² +z2 = 0.
3- Uma reta: G(x,y,z) = x² + y² = 0.
4 - Um plano G(x,y,z) = x² = 0.
5- Reunião de dois planos paralelos: G(x,y,z) = x² - 4=0.
6- Reunião de dois planos transversais: G(x,y,z) = x²/4 - y² /9= 0.

De fato, os exemplos de quádricas apresentados anteriormente, juntamente


com estes de quádricas degeneradas nos dão todos os tipos possíveis de quádricas
(Boulos e Camargo [1], cap. 25, p. 428). Pela rotação ou translação do sistema
coordenado de E3, é possível transformar uma equação geral de uma quádrica em
certas formas padronizadas, de modo a reconhecê-la.

2.2 Maple – noções básicas


O Maple é um software com vários recursos que pode auxiliar muito no ensino
e aprendizagem de Matemática do ensino básico à universidade, além de ser muito útil
em pesquisas. Não é um software gratuito como o GeoGebra.
Para iniciar o Maple clique duas vezes no ícone Maple. Para sair do Maple,
clique em Arquivo (file) e, em seguida, clique em Sair (exit). Para salvar o conteúdo,
após o término das tarefas, proceder da seguinte maneira:
* clicar em Arquivo/(file);
* clicar em Salvar como/ save us;
* nomear o arquivo;
* escolher a unidade de disco desejada;
* Para terminar, clicar em OK.

Observação: Sempre que alterado o conteúdo, deve-se usar a opção Salvar/Save


para salvar as alterações. Já existem várias versões do MAPLE. O MAPLE possui
um sistema de ajuda ao usuário. Para acessar basta clicar na barra de menu em
Ajuda (Help) e, em seguida, em um dos tópicos. No Maple 16, tem-se, por exemplo:
Ajuda do Maple, Excursão pelo Maple, Referência Rápida, Ajuda Rápida. Para ser
mais específico na busca, clique em Ajuda do Maple e, no espaço reservado para
busca a esquerda, sabendo o nome do comando sobre o qual se tem dúvidas, digite
"?nome" onde "nome" é o nome do comando desejado e em seguida a tecla enter
(por exemplo, digitando ?plot e selecionando procurar por texto, obtemos vários itens
relacionados ao comando plot). Uma descrição completa das opções do comando plot
pode ser obtidas através do Ajuda digitando-se ?plot[options].

Símbolos:
+ Adição, - Subtração, * Multiplicação, / Divisão, ^ Potenciação,
sqrt(x) x (Raíz quadrada de x), Pi Número Irracional π , exp(1), Número de
Euler e , abs(x) Valor absoluto de x (|x|), ! Fatorial.

Definindo Variáveis:
Para fazer a variável x receber um valor n, onde n é um número qualquer, digitamos o
comando de atribuição := (dois pontos seguidos do sinal de igual).

14
> x:=5;
x:= 5
Para remover o valor atribuído à variável x, digitamos o comando unassign.
> unassign('x');
Observação: As letras E e I não podem ser usadas para definir novas variáveis pois
elas já representam números pré-definidos.

Expressões Algébricas: x
As operações básicas que podem ser feitas numa calculadora podem também ser
feitas no MAPLE V. Observe:
> x:=1;
x: = 5
> y:=2;
y: =2
> z:=-2;
z:= -2

> z^y;
4
> sqrt(y);
2
Como visto, um comando só é executado quando finalizado por ";" (ponto e vírgula) ou
":" (dois pontos). No caso dos ":" , o resultado não é exibido na tela, fica armazenado.
Isso é útil para economizar espaço quando se tem vários comandos ou quando se faz
um programa.
Podemos digitar vários comandos numa mesma linha.
> x+y; y-z; x*z;
3
4
-2
Em uma expressão numérica a ordem de resolução das operações deve ser
explicitada pelo uso de parênteses ( ), colchetes [ ] e chaves { }, se necessário.
> (x+z)*y;
-2
Comando Restart: Este comando "limpa" os comandos anteriores o que é importante
para não sobrecarregar a memória do computador.O comando restart, no início,
permite por exemplo, que você use a mesma letra para definir uma nova função.
> restart;

Gráficos de Funções de uma Variável: Gráficos de funções reais de uma variável


real são obtidos no Maple com o comando plot. Na sua forma mais simples, uma
chamada do comando plot é assim: > plot(f(x), x=a..b); onde f(x) é a função e a..b
especifica o intervalo [a,b] do eixo horizontal no qual f será desenhada. A escala no
eixo vertical será tomada pelo Maple de modo a oferecer uma melhor visualização,
sendo em geral diferente da escala no eixo horizontal. É claro que a função f deve ser
conhecida do Maple. Existe uma série de funções que fazem parte do programa e
podem ser usadas livremente.
Por exemplo, a função cos(x) é conhecida pelo MAPLE, assim podemos usar
> plot(1+cos(x), x=-6..6);
Para a função seno, usa-se sin(x). Quando a função não é conhecida pelo Maple, isto
é, não faz parte do pacote de funções do Maple, ela precisa ser definida. Por exemplo,
a função f(x) = x - 1/x, pode ser assim definida :
> f:=x->x-1/x:
> plot(f(x),x=0..5);

15
Algumas opções do comando plot aparecem numa barra de menu exibida
quando o gráfico é selecionado. Por exemplo, para ver o gráfico com os eixos na
mesma escala, basta clicar no ícone [1:1] que aparece quando se seleciona o gráfico
através de um clique do mouse na região do mesmo. No entanto, a maioria das
opções, deve (e pode) ser colocada dentro do comando plot. Usando por exemplo a
opção scaling=constrained dentro do comando plot, o gráfico também será mostrado
com as mesmas escalas nos dois eixos. Exemplo:
> f: = x -> x-1/x:
> plot(f(x), x=0..5, scaling =constrained); (aqui uma função f(x) deve ser dada).
Devemos ter muita atenção/cuidado, pois o Maple é muito sensível à sintaxe. Não se
pode colocar, por exemplo: > plot(f(x), x=a..b), sem especificar um dos valores para a
ou b, que aparecerão mensagens de erro. Também o Maple não aceita x=a...b (três
pontos), novamente uma mensagem de erro será dada.
É interessante observar que, a não observação cuidadosa da escala vertical
pode levar a interpretações errôneas do comportamento da função. Às vezes é
necessário alterarmos a escala vertical, introduzindo a variação no eixo vertical y para
melhorarmos a visualização do gráfico como no exemplo:
> plot(f(x),x=0..5,y=0..9);
Quando as informações dadas a..b que especificam o intervalo [a,b] do eixo
horizontal x, e c..d do eixo vertical y, não são bem escolhidos a representação
geométrica fica prejudicada; torna-se necessário uma nova escolha.

Vejamos uma situação interessante:


> plot(3+sin(x), x=-Pi..Pi); nos fornece:

> plot(3+sin(x), x=-Pi..Pi, y= -1..5); nos dá a representação:

Gráfico de relações: Relações entre as variáveis x e y na forma implícita são


desenhadas usando o comando implicitplot.
O comando implicitplot (precedido do comando plot) é usado no caso bi-dimensional,
como por exemplo, para representar as cônicas:

16
> implicitplot(expr, x=a..b, y=c(x)..d(x), options)
onde expr indica uma expression or equation depending on x and y.
Representando uma elipse:
> restart: with(plots):
> implicitplot(x^2/9+y^2/4=1, x=-5..5,y=-5..5,thickness=2);
ou simplesmente,
> implicitplot(x^2/9+y^2/4=1, x=-5..5,y=-5..5,thickness=2);

O comando implicitplot3d (precedido do comando plot) é usado no caso tri-


dimensional, como por exemplo, para representar as quádricas:
>implicitplot3d(expr, x=a..b, y=c..d, z=p..q, options)
onde expr indica uma expression or equation depending on x, y e z.

Outras opções (importantes) do comando plot:


1) numpoints=n
Especifica o número de pontos n a ser tomado para gerar o gráfico. Às vezes é preciso
aumentar o número de pontos para se ter uma melhor avaliação do gráfico (ver por
exemplo, atividade 3, exemplo 5, abaixo), como mostra o exemplo seguinte:
> plot(sin(x), x = 0..4*Pi, y=-1..1, numpoints = 300);

2) Style=estilo.
O estilo usado em geral (para representação de curvas) é o line, em que os pontos
usados para gerar o gráfico são ligados por uma curva. Um outro possível é point, em
que só os pontos são mostrados. No caso de superfícies podemos usar, por exemplo,
style=patchnogrid, style=wireframe, style=contour,

3) title= ‘titulo’
Especifica o título do gráfico. O padrão é sem título. O titulo deve ser um conjunto de
caracteres colocados entre dois acentos graves. Exemplo:
> plot(f(x), x=-2..2, style=point, title = ‘Gráfico de f(x)’);

4) thickness= n
Especifica a grossura da linha do gráfico. O padrão é n=0, e outros valores possíveis
vão de 1 a 15 para exibição no vídeo (imprimível até n=5).

5) color=cor
Especifica a cor do gráfico. É útil quando se quer obter várias funções num mesmo
gráfico. A cor padrão é red. Algumas possíveis cores são aquamarine, black, blue,
cyan, brown, gold, green, gray, khaki, magenta, maroon, orange, pink, sienna,
turquoise, violet e yellow. Outras tonalidades podem ser criadas, consultando a
Ajuda/Help através do comando ?plot[color].

6) tickmarks=[m,n]
Especifica o número de marcas numeradas nos eixos horizontal (m) e vertical (n),
além da marca da origem. Pode-se usar ainda as opções xtickmarks=m ou
ytickmarks=n para alterar as marcas apenas em um dos eixos.

7) axesfont=[fonte, n]
Define o tipo de fonte e o tamanho n usados na numeração dos eixos ou no título do
gráfico. fonte pode ser times, courier, helvetica ou symbol. Admite ainda as opções
bold e italic.
8) linestyle=n
Indica o estilo da linha do gráfico. Os valores possíveis para n vão de 1 (linha sólida,
que é o padrão) até 4 (interrompida-pontilhada).

17
9) axes=eixo
Especifica o sistema de coordenadas. O padrão é eixo normal (no caso de figuras
planares). Já em superfície, em geral não aparecem os eixos. Algumas possibilidades
interessantes são axes=boxed e axes=framed. Se clicamos sobre uma
superfície/figura apresentada pelo Maple, aparecerá na barra acima várias
ferramentas, dentre elas (que nos fornecerá os vários estilos - Estilo de eixo em
caixa (boxed), em moldura (framed), normal e nenhum estilo de eixo). Clicando nessa
ferramenta, e selecionado um dos estilos, esse será aplicado/incorporado
imediatamente na figura que estava representada. No caso de representação no
plano, o procedimento é similar.

2.3 Atividades com o Maple:


Usando os recursos do Maple podemos visualizar melhor as quádricas e
observar determinadas propriedades. Analisaremos também algumas seções cônicas
em quádricas.

Atividade 1: Representar o elipsóide dado pela equação abaixo (colocar título):


x2 y2 z2
+ + = 15
4 5 2
Comandos:
>restart; with(plots): implicitplot3d(x^2/4 + y^2/5 + z^2/2 = 15, x= -10..10, y = -
10..10, z = -10..10, title = ‘Elipsoide’, thickness = 1, numpoints = 4000);

ou simplesmente:
> implicitplot3d(x^2/4 + y^2/5 + z^2/2 = 15, x= -10..10, y = -10..10, z = -10..10, title
= ‘Elipsoide’, thickness = 1, numpoints = 4000);

Observação: ao digitar x^2/4 + y^2/5 + z^2/2 = 15, na tela do Maple 16, aparecerá
x2 y2 z2
+ + = 15 .
4 5 2

Figura 2.3.1 - Elipsóide


(Os eixos foram obtidos, clicando no elipsóide e selecionando na caixa , como já
mencionado o item corresponde ao eixo axes=boxed).
Exercícios: 1) Representar o elipsóide de equação x2/4+y2/5+z2/16=15, utilizando a
mesma variação para x, y e z do exemplo anterior, o que ocorre com a superficie?

18
2) Representar o elipsóide de equação x2/4+y2/5+(z-4)2/2=15. Comparar com o
primeiro elipsóide, o que ocorreu?

Atividade 2: Representar o hiperbolóide de uma folha dado pela equação


x2/2+y2/2-z2/3 = 20.
Comandos:
> implicitplot3d(x^2/2+y^2/2-z^2/3 = 20, x = -15..15, y = -15..15, z = -15..15, title =
‘Hiperboloide1folha’, thickness = 2, numpoints = 1000);

Figura 2.3.2 – Hiperbolóide de uma folha

Atividade 3: Representar o hiperbolóide de duas folhas dado pela equação


-x2/2+y2/2-z2/3 = 20.
Comandos:
> restart; with(plots):implicitplot3d( -x^2/2 + y^2/2 –z^2/3 = 20, x = -60..60, y = -
60..60, z = -100..100, title = ‘Hiperboloide2folhas’, thickness = 2, numpoints =
4000);

Figura 2.3.3 - Hiperbolóide de duas folhas

Atividade 4: Representar o parabolóide elíptico dado pela equação x2/5+y2/6 = z.


Comandos:
> restart; with(plots):implicitplot3d(x^2/5 + y^2/6 = z, x= -10..10, y = -13..13, z = -
5..5, title = ‘ParaboloideEliptico’, thickness = 2, numpoints = 4000);

19
Figura 2.3.4 - Parabolóide elíptico

Atividade 5: Representar o parabolóide hiperbólico dado pela equação


-x2/2+y2/2=z.
Comandos:
> restart; with(plots):implicitplot3d(-x^2/2 + y^2/2 = z, x = -50..50, y = -30..30, z
= -200..200, title = ‘ParaboloideHiperbolico’, thickness = 2, numpoints = 4000);

Figura 2.3.5 - parabolóide hiperbólico (ou sela)


Exercício: Represente o parabolóide hiperbólico acima, usando style= patchnogrid e
color=blue.

Atividade 6: Representar o cone elíptico dado pela equação x2/5+y2/6-z2/3=0.


Comandos:
> restart; with(plots):implicitplot3d(x^2/5 + y^2/6 – z^2/3 = 0, x = -50..50, y = -
30..30, z = -20..20, title = ‘Cone’, thickness = 2, numpoints = 4000);

Figura 2.3.6 – Cone Elíptico

20
Observe a falha do Maple (a figura inicialmente apresentada (1a) não parece um
cone). Repita, porém usando agora a opção numpoints= 800000 (2ª Figura).

Atividade 7: Representar o cilindro elíptico dado pela equação x^2/6 + y^2/16 = 1.


Comandos:
> restart; with(plots):implicitplot3d(x^2/6 + y^2/16 = 1, x = -5..5, y = -5..5, z= -
5..5, title = ‘Cilindro eliptico’, numpoints = 4000);

Figura 2.3.7 – cilindro elíptico

Seções em quádricas:
Usaremos as potencialidades do software Maple para poder visualizar algumas
seções em quádricas. As seções de uma superfície são as curvas de interseção da
superfície com planos paralelos aos planos coordenados. Por exemplo, as equações
das seções paralelas ao plano yz, são obtidas fazendo x = k, sendo k uma constante.
Seguem abaixo alguns exemplos de seções em quádricas. Para tanto temos que
plotar dois gráficos num mesmo sistema de coordenadas. Podemos obter também
seções intersectando com outros planos.

1) Seção em um elipsóide:
comandos:
> with(plots): graficos := implicitplot3d(x^2/4 + y^2/16 +z^2/9 = 1, x = -2..2, y = -
4..4, z = -4..4, numpoints = 4000), implicitplot3d(z = 0, x = -3..3, y = -5..5, z = -5..5,
thickness = 5, color = blue): display ([graficos]);

Figura 2.3.8 – seção em um elipsóide


As interseções pode ser obtidas também utilizando os comandos como no exemplo
seguinte:

21
> fig1: = implicitplot3d((x^2/4 + y^2/16 +z^2/9 = 1, x = -2..2, y = -4..4, z = -4..4,
axes=boxed, style=patchnogrid): fig2:= implicitplot3d(z = 0, x = -3..3, y = -5..5, z =
-5..5, style=patchnogrid , thickness = 5, color = yelow): display ({fig1,fig2});

1) Seção em um hiperbolóide de uma folha:


No exemplo que segue abaixo plotamos dois gráficos num mesmo sistema de
coordenadas, sendo um dos quais um hiperbolóide de uma folha e outro um plano. Vê-
se que a interseção dos dois gráficos produziu uma hipérbole

Comandos:
> graficos := implicitplot3d(x^2/4 + y^2/5 – z^2/7 = 1, x = -7..7, y = -7..7, z = -7..7,
numpoints = 4000), implicitplot3d(x+2*y = 1, x = -7..7, y = -7..7, z = -7..7, thickness
= 5, color = grey): display ([graficos]);

Figura 2.3.9 – seção de um plano em um hiperbolóide de uma folha

Mudando sensivelmente a inclinação do plano interceptor notamos que a interseção


obtida é uma elipse.
Comandos:
> gráficos:= implicitplot3d(x^2/4 + y^2/5 –z^2/7 = 1, x = -9..9, y = -9..9, z = -9..9,
numpoints = 4000), implicitplot3d(y+z = 1, x = -7..7, y = -7..7, z = -9..9, thickness =
5, color = grey, numpoints = 1500): display(graficos]);

Figura 2.3.10 – seção de um plano em um hiperbolóide de uma folha

Alguns exercícios gerais

1. Representar os hiperbolóides de uma folha e analisar características existentes


entre eles: -x2/4 +y2/4 + z2 /4 – 1 = 0; x2/4 - y2/4 + z2 /4 – 1 = 0; x2/4 +y2/4 -z2 /4 – 1 = 0.
2. Representar e classificar as quádricas de equação:

22
(1) 4x2 +4 y2+4 z2 +4xy + 4xz+4yz-8 = 0,
(2) 5x2 +11 y2+2 z2 +16xy + 20xz-4yz-36 = 0,
(3) x2 +y2 + z2 – 4yz – 1 = 0,
(4) 2xy+z=0.
3. (a) Represente um cilindro hiperbólico.
(b) Represente uma quádrica degenerada dada por dois plano paralelos e uma outra
dada por dois planos transversais
4. Represente um cone e seções cônicas de modo a obter elipse, hipérbole e
parábola.
5. Usando o comando animate do Maple, observe no exemplo seguinte, como a
variação do sinal de A, nos dá hiperbolóides de uma folha (para A > 0), um cilindro,
(para A=0) e elipsóides (para A>0).

> with(plots):animate(implicitplot(x^2/4 + A*y^2/4+z^2/4 =9, x = -9..9, y = -9..9, z =


-9 ..9), A = -2..4, scaling=constrained, style patchcontour);

(para obter a animação, clique na figura e depois na setinha a esquerda ou


movimente ).

Referências
[1] P. Boulos, I. Camargo, Geometria Analítica: Um Tratamento Vetorial. Prentice Hall,
São Paulo, 2005.
[2] E.L.C. Fanti, Utilizando o software GeoGebra no ensino de certos conteúdos
matemáticos, V Bienal da SBM, UFPB, C3, 2010.
[3] E.L.C. Fanti, Introdução ao Maple - notas de aula - Disciplina Informática no ensino
de Matemática – 2011.
[4] E.L. Lima, P.C.P Carvalho, Coordenadas no Plano. Rio de Janeiro, 1982.

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