Você está na página 1de 5

IV Simpósio Nacional de Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do Professor que ensina Matemática

IV Jornada de Estudos do GEEM


25 e 26/04/2018
Vitória da Conquista/Ba
http://2018.geem.mat.br

IDENTIDADE PROFISSIONAL: UM LEVANTAMENTO DE TRABALHOS DO


SIMPÓSIO NACIONAL DE GRUPOS COLABORATIVOS E DE APRENDIZAGEM
DO PROFESSOR QUE ENSINA MATEMÁTICA

Taynara Cristina Gaffo Fraga 1


Paulo Henrique Rodrigues 2
Márcia Cristina de Costa Trindade Cyrino 3

RESUMO
O objetivo desse trabalho é apresentar características de contextos formativos que privilegiam
o desenvolvimento de identidade profissional presentes em trabalhos apresentados em duas
edições do Simpósio Nacional de Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do Professor que
Ensina Matemática (SNGC). O corpus de artigos foi constituído pelos anais do III SNGC e
pelo E-book construído a partir da primeira edição do evento. Os resultados evidenciam que
os contextos formativos que permitem a mobilização da Identidade Profissional privilegiam
um ambiente reflexivo, colaborativo, crítico, assim como o compartilhamento e negociação de
saberes, significados e experiências, as discussões coletivas, bem como a reflexão sobre
conteúdos matemáticos. Comunidades de Prática e Grupos Colaborativos foram considerados
fecundos para o desenvolvimento da Identidade Profissional. Diferentes elementos dos
contextos formativos foram salientados, o que indica uma busca por superar os aspectos
tradicionais que permeiam as ações formativas.

Palavras chave: Educação Matemática; Formação de Professores que Ensinam Matemática;


Identidade Profissional; Contextos de Formação.

INTRODUÇÃO

O processo de formação do professor, tanto inicial quanto continuada, torna-se cada


vez mais complexo tendo em vista as demandas do ensino e as exigências às quais esse
profissional em formação tem que se adaptar ao longo de sua carreira.
Nesse sentido, considerando tais demandas contextuais, que influenciam na prática
do (futuro) professor, não faz sentido considerar que a formação deste profissional seja
restrita ao domínio de conteúdos e técnicas. Outros elementos precisam ser considerados em
um processo de formação, como as histórias dos (futuros) professores, suas emoções, suas
crenças, suas ansiedades, suas reflexões, seu compromisso político, dentre outros. É nessa

1
Mestranda, integrante do “Grupo de Estudos e Pesquisa sobre a Formação de Professores que Ensinam
Matemática” (UEL/Universidade Estadual de Londrina). Contato: fragataynara@gmail.com
2
Doutorando, integrante do “Grupo de Estudos e Pesquisa sobre a Formação de Professores que Ensinam
Matemática” (UEL/Universidade Estadual de Londrina). Contato: paulohr_91@yahoo.com.br
3
Doutora, integrante do “Grupo de Estudos e Pesquisa sobre a Formação de Professores que Ensinam
Matemática” (UEL/Universidade Estadual de Londrina). Contato: marciacyrino@uel.br

GEEM
IV Simpósio Nacional de Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do Professor que ensina Matemática
IV Jornada de Estudos do GEEM
25 e 26/04/2018
Vitória da Conquista/Ba
http://2018.geem.mat.br

direção que defendemos a perspectiva de considerar o desenvolvimento da Identidade


Profissional no processo de formação.
Segundo Cyrino, Identidade Profissional é “[...] um conjunto de crenças e
concepções interconectadas aos conhecimentos a respeito de sua profissão, associados à
autonomia (vulnerabilidade e sentido de agência) e ao compromisso político” (CYRINO,
2016, p.168, tradução nossa).
O domínio restrito de conteúdos e técnicas geralmente é utilizado como uma
estratégia para formar professores em massa, comumente em cursos de treinamento em largas
escalas. Estes cursos trazem poucas possibilidades para o desenvolvimento da Identidade
Profissional. Muitas vezes até comprometem esse desenvolvimento. Desta forma, discutir a
Identidade Profissional é contribuir para que o professor em formação seja crítico e reflexivo,
e tenha critérios para analisar suas próprias práticas.
Por esse motivo, investigamos características de contextos formativos que
privilegiam o desenvolvimento de identidade profissional presentes em trabalhos
apresentados no Simpósio Nacional de Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do
Professor que Ensina Matemática (SNGC), uma vez que esse evento, especificamente, discute
perspectivas alternativas de formação de professores.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A pesquisa, de natureza qualitativa e de cunho interpretativo, busca evidenciar


características de contextos formativos que privilegiam o desenvolvimento da Identidade
Profissional presentes em trabalhos apresentados em duas edições do SNGC.
Em uma primeira etapa, procuramos nos sites vinculados às diferentes edições deste evento,
nos anais ou outro material a ele associado. Nessa direção, o corpus inicial para análise foi
constituído por um E-book, produzido a partir da primeira edição (GONÇALVES JUNIOR;
CRISTOVÃO; LIMA, 2014), e pelos anais da terceira edição do evento. Tais materiais foram os
que encontramos disponíveis. Foram encontrados 38 trabalhos, sendo 15 artigos explicitados no E-
book (E) e 23 artigos nos anais (A) do III SNGC.
Em seguida, selecionamos excertos de cada um dos trabalhos que continham a palavra
Identidade e, dos 38 trabalhos, 10 deles faziam alguma menção a Identidade. De posse desses
excertos, identificamos características do contexto formativo de trabalho que discutiram
identidade profissional, que são apresentados na próxima seção.

GEEM
IV Simpósio Nacional de Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do Professor que ensina Matemática
IV Jornada de Estudos do GEEM
25 e 26/04/2018
Vitória da Conquista/Ba
http://2018.geem.mat.br

CARACTERÍSTICAS DO CONTEXTO DE FORMAÇÃO

No Quadro 1 explicitamos as características do contexto de formação associadas a


Identidade Profissional salientadas nos trabalhos do E-book e nos anais do III SNGC.

Quadro 1: Elementos de contextos formativos relacionados a Identidade Profissional


Trabalho Característica do contexto formativo
Lima, Taminato e Ribeiro • Contexto colaborativo
(2014, E) • Identidade de cada sujeito relevante no processo de formação.
• Os professores em processo de formação foram incentivados a refletir
sobre a experiência de ensino da matemática em sala de aula
Melo, Bandeira e Bezerra • Criticidade e reflexidade
(2014, E) • Valorização das experiências e saberes
• Valorização docente.
Cristovão, Rizato e Zeraik
• Contexto de comunidades de prática.
(2014, E)
Grando e Nacarato (2014, E) • Contexto colaborativo, crítico e reflexivo
• Oportunidade de Compartilhar saberes
• Aproximação universidade e escola
Passos, Tanaka e Godeguez
(2015, A) • Contexto colaborativo
Baldini, Oliveira e Cyrino • Contexto baseado em comunidade de prática
(2015, A) • Reflexão
Barros, Cezar e Ferreira • Construção e Compartilhamento de significados
(2015, A) • Reflexão sobre conteúdos matemáticos
• Oportunidade de planejar, coletivamente, uma tarefa para ser aplicada em
sala de aula
Rodrigues e Cyrino (2015, A) • Comunidade de Prática
• Resolução e discussão coletiva de tarefas matemáticas
• Estudo teórico do raciocínio proporcional
• Exposição de experiências sem constrangimentos
• Professores possuem voz e representatividade em seu próprio processo de
formação
Santos, Silva e Lacerda (2015, • Negociação de significados
A) • Contexto colaborativo
Ramos e Manrique (2015, A) • Comunidades de Prática
Fonte: Os autores

Os contextos formativos caracterizados por serem colaborativos pareceram estar


associados a aspectos da Identidade Profissional. Algumas características desses contextos,
como o fato de os professores se comunicarem frequentemente com os formadores e seus
colegas, trazem potencialidades para Identidade Profissional. Tais características não foram
diferentes nos trabalhos que utilizaram como contextos formativos as Comunidades de Prática
(CoP).
Algumas ações específicas, tanto em contextos de grupos colaborativos quanto em
CoP, foram salientadas e associadas a questões da Identidade. Por exemplo, o fato de as

GEEM
IV Simpósio Nacional de Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do Professor que ensina Matemática
IV Jornada de Estudos do GEEM
25 e 26/04/2018
Vitória da Conquista/Ba
http://2018.geem.mat.br

Identidades Profissionais de cada professor ser considerada para a determinação do que seria
feito. Ou seja, suas histórias, seus conhecimentos, suas crenças, bem como outros aspectos, não
foram negligenciadas nos processos de formação analisados pelos trabalhos.
Outras características específicas também foram salientadas e associadas a
Identidade, como o contexto formativo ser como um ambiente reflexivo e crítico, assim como
o compartilhamento e negociação de saberes, significados e experiências, as discussões
coletivas, a reflexão sobre conteúdos matemáticos e planejamento coletivo de ações a serem
desenvolvidas em sala de aula.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Poucos aspectos foram salientados com relação às características da Identidade


Profissional, até porque não era objetivo de nenhum artigo. Porém, diferentes elementos dos
contextos formativos foram considerados, o que indica uma busca por superar os aspectos
tradicionais que permeiam as ações formativas.
Nossa investigação se limitou ao termo Identidade, mas isso não implica que os
trabalhos não investiguem aspectos da Identidade Profissional, ainda que não se refiram a esse
termo. Discussões sobre conhecimentos, aprendizagens, crenças, concepções, compromisso
político acontecem, frequentemente, em trabalhos que discutem perspectivas alternativas de
formação de professores.
Foi possível observar um aumento de uma edição do evento para outra de trabalhos
que explicitam aspectos do contexto formativo que potencializam a manifestação da
Identidade Profissional. Em nossa interpretação, isso configura a Identidade Profissional
como um tema a ser investigado em contextos de formação de professores alternativos ao
tradicional, que é o caso comum de todas as pesquisas.

REFERÊNCIAS

BALDINI, L. A. F.; OLIVEIRA, J. C. R.; CYRINO, M. C. C. T.. Constituição, Energia e Cultivo de uma
Comunidade de Prática: Um Contexto de Formação de Professores que Ensinam Matemática. In: Simpósio
Nacional de Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do Professor que Ensina Matemática, III, 2015, São
Paulo. Anais... São Paulo: Universidade Cidade de São Paulo, 2015.

BARROS, M. A. T.; CEZAR, F.; FERREIRA, K.. Contribuições de um Grupo Colaborativo para a
Formação do Professor de Matemática. In: Simpósio Nacional de Grupos Colaborativos e de
Aprendizagem do Professor que Ensina Matemática, III, 2015, São Paulo. Anais... São Paulo:
Universidade Cidade de São Paulo, 2015.

GEEM
IV Simpósio Nacional de Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do Professor que ensina Matemática
IV Jornada de Estudos do GEEM
25 e 26/04/2018
Vitória da Conquista/Ba
http://2018.geem.mat.br

CRISTÓVÃO, E. M.; RIZATO, S. M. L.; ZERAIK, S. M.. Trajetória e Prática de dois Grupos que se
Tornaram Um Só: GCEEM e GEPEMF. E-book, 2015. Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do
Professor que Ensina Matemática: Repensar a formação de professores é preciso! Disponível em
<https://issuu.com/marcosantoniogoncalvesjr/docs/
i_simp_gcapemat_140710_web_jul10>. Acesso em: mar/2018.

CYRINO, M. C. C. T. Mathematics teachers’ professional identity development in communities of


practice: reifications of proportional reasoning teaching. BOLEMA, 30(54) 165-187, 2016.

GONÇALVES JUNIOR, M. A.; CRISTOVÃO E. M.; LIMA, R. C. R.. Grupos Colaborativos e de


Aprendizagem do Professor que Ensina Matemática: Repensar a formação de professores é preciso!
Campinas, SP.: FE/ UNICAMP, 2014. Disponível em
<https://issuu.com/marcosantoniogoncalvesjr/docs/i_simp_gcapemat_140710_web_jul10>. Acesso
em: mar/2018.

GRANDO, R. C; NACARATO, A. M.; GRUCOMAT Como uma Comunidade de Aprendizagens e de


Investigações Compartilhadas. E-book, 2015. Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do Professor
que Ensina Matemática: Repensar a formação de professores é preciso! Disponível em
<https://issuu.com/marcosantoniogoncalvesjr/ docs/ i_simp_gcapemat_140710_web_jul10>. Acesso
em: mar/2018.

LIMA, R. C. R. de; TAMIATO, M.; RIBEIRO, M.. Desafios no processo de aprender e ensinar
matemática colaborativamente. E-book, 2015. Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do Professor
que Ensina Matemática: Repensar a formação de professores é preciso! Disponível em
<https://issuu.com/marcosantoniogoncalvesjr/docs/
i_simp_gcapemat_140710_web_jul10>. Acesso em: mar/2018.

MELO, J. R.; BANDEIRA, S. M. C.; BEZERRA, S. M. C. B.. Grupo de Estudos e Pesquisas sobre
Formação de Professores que ensinam Matemática. E-book, 2015. Grupos Colaborativos e de
Aprendizagem do Professor que Ensina Matemática: Repensar a formação de professores é preciso!
Disponível em <https://issuu.com/marcosantoniogoncalvesjr/docs/
i_simp_gcapemat_140710_web_jul10>. Acesso em: mar/2018.

PASSOS, L. F.; TANAKA, A. L. F.; GODEGUEZ, A. D.; Para que Servem os Grupos Colaborativos?
In: Simpósio Nacional de Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do Professor que Ensina
Matemática, III, 2015, São Paulo. Anais... São Paulo: Universidade Cidade de São Paulo, 2015.

RAMOS, W. R.; MANRIQUE, A. L.. Negociações de Significados sobre a Resolução de Problemas em


uma Comunidade de Prática de Professores e Futuros Professores que Ensinam Matemática. In: Simpósio
Nacional de Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do Professor que Ensina Matemática, III, 2015, São
Paulo. Anais... São Paulo: Universidade Cidade de São Paulo, 2015.

RODRIGUES, P. H.; CYRINO, M. C. C. T.. Pesquisas do GEPEFOPEM e o Desenvolvimento


Profissional de Professores que Ensinam Matemática em Comunidades de Prática. In: Simpósio
Nacional de Grupos Colaborativos e de Aprendizagem do Professor que Ensina Matemática, III, 2015,
São Paulo. Anais... São Paulo: Universidade Cidade de São Paulo, 2015.

SANTOS, F. O.; SILVA, H. W.; LACERDA, S. M. Aprendizagem Profissional Docente em um


Grupo de Professores e Estudantes. In: Simpósio Nacional de Grupos Colaborativos e de
Aprendizagem do Professor que Ensina Matemática, III, 2015, São Paulo. Anais... São Paulo:
Universidade Cidade de São Paulo, 2015.

GEEM
Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)