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CORROSÃO EM ESTRUTURAS METÁLICAS – ESTUDO DE CASO

CORROSION IN METALLIC STRUCTURES – CASE STUDY

CORROSIÓN EN ESTRUCTURAS METÁLICAS – ESTUDIO DE CASO

Carlos Augusto Bonifácio Pires Filho 1, Matheus de Souza e Silva 2, William Júnior
Fonseca de Souza 3

1) Biografia: Mestre em Engenharia Civil com ênfase em Estruturas Metálicas,


Universidade Federal de Viçosa, Viçosa – MG, gutonacif@gmail.com
2) Biografia: Especialista em Ensino de Matemática e Física e especialista em Gestão de
Projetos, Faculdade do Futuro, Manhuaçu – MG, matheussouzas@yahoo.com.br
3) Biografia: Graduando em Engenharia Civil – Faculdade do Futuro, Manhuaçu – MG,
williamjrfdesouza@hotmail.com

CONTATO
William Júnior Fonseca de Souza, Rua Silvério Afonso, 08, Apto 402, bairro Pinheiro,
Manhuaçu - Minas Gerais, (33) 9 8409- 2408/9 9918-3930, williamjrfdesouza@hotmail.com.

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CORROSÃO EM ESTRUTURAS METÁLICAS – ESTUDO DE CASO

CORROSION IN METALLIC STRUCTURES – CASE STUDY

CORROSIÓN EN ESTRUCTURAS METÁLICAS – ESTUDIO DE CASO

Resumo

O aço é um material de características bem diferenciadas do concreto e da madeira, por


exemplo, desta forma algumas das manifestações patológicas que surgem a partir do seu uso
são bem específicos e restritos. Assim, se faz necessário conhecer e saber lidar com tais
problemas para que não se perca a vida útil do empreendimento. Este trabalho buscou por
meio do estudo de caso da Passarela Sebastião Carlota, localizada na cidade de Manhuaçu –
Minas Gerais, tratar especificamente da corrosão e propor possíveis soluções para os tipos de
corrosão específicos do objeto de estudo, que se aplicam também a estruturas de aço em geral,
destacando a importância da manutenção em construções metálicas.

Palavras-chave: Corrosão; estrutura metálica; manifestações patológicas; manutenção.

Abstract

Steel is a material with very different characteristics of concrete and wood, for example, in
this way some of the pathological manifestations that arise from its use are very specific and
restricted. Thus, it is necessary to know and know how to deal with such problems so that the
useful life of the enterprise is not lost. This work sought, through the case study of the
Passarela Sebastião Carlota, located in the city of Manhuaçu - Minas Gerais, to treat
specifically the corrosion and to propose possible solutions for the specific types of corrosion
of the object of study, that also apply to steel structures in general, highlighting the
importance of maintenance in metal constructions.

Keywords: Corrosion; metal structure; pathological manifestations; maintenance.

Resumen

El acero es un material de características bien diferenciadas del concreto y de la madera, por


ejemplo, de esta forma algunas de las manifestaciones patológicas que surgen a partir de su
uso son bien específicas y restringidas. Así, se hace necesario conocer y saber lidiar con tales
problemas para que no se pierda la vida útil del emprendimiento. Este trabajo buscó por
medio del estudio de caso de la Pasarela Sebastião Carlota, ubicada en la ciudad de Manhuaçu
- Minas Gerais, tratar específicamente de la corrosión y proponer posibles soluciones para los
tipos de corrosión específicos del objeto de estudio, que se aplican también a estructuras de
acero en general, destacando la importancia del mantenimiento en construcciones metálicas.

Palabras clave: Corrosión; estructura metálica; manifestaciones patológicas; mantenimiento.

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1 INTRODUÇÃO

As primeiras obras em aço começaram em 1750, com a descoberta de como produzi-lo


industrialmente e em 1880 passou-se a utilizá-lo em edifícios. No Brasil a primeira obra em
aço foi uma ponte em Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro em 1857 e que está em pleno
funcionamento até os dias atuais. Hoje, o Brasil produz cerca de 40 milhões de toneladas de
aço, estando entre os dez maiores países produtores mundiais, sendo que as maiores
fabricantes de estruturas metálicas no Brasil se encontram em Minas Gerais e em São Paulo.
São inúmeras as vantagens associadas às estruturas de aço e dentre elas pode-se
destacar sua elevada resistência do material nos diversos estados de tensão (tração,
compressão, flexão etc.) o que permite aos elementos estruturais suportarem grandes esforços
apesar da área relativamente pequena das suas seções; a segurança no trabalho oferecida pelos
elementos de aço por se tratar de material homogêneo, com limite de escoamento, ruptura e
modulo de elasticidade bem definidos; maior agilidade no processo de fabricação diminuindo
o prazo final da construção; a facilidade dos elementos serem desmontados e substituídos e a
possibilidade de reaproveitamento do material que não seja mais necessário a construção,
favorecendo um canteiro de obras mais limpo e organizado.
Uma desvantagem dos elementos de aço, se é que esta pode ser tratada realmente
como uma desvantagem, é a suscetibilidade á corrosão, o que requer uma maior atenção ao
material, exigindo, por exemplo, uma camada de tinta ou algum outro método de proteção.
Algumas usinas já trabalham com a produção de aços com alta resistência a corrosão
atmosférica, visando minorar este problema.
São indiscutíveis as vantagens que o uso de aço na construção civil oferece se
comparados com outros modos de construção, entretanto o presente trabalho busca se
aprofundar em uma de suas pequenas desvantagens – a corrosão. E para isto utilizou como
objeto de estudo uma passarela em estrutura metálica, com apenas o seu tabuleiro em
concreto, denominada “Passarela Sebastião Carlota” na cidade de Manhuaçu, Minas Gerais.

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2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

Analisar a situação corrosiva atual da “Passarela Sebastião Carlota”, por meio de


levantamento de dados fotográficos e inspeção.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1. Definir o que é corrosão;


2. Identificar as possíveis causas de corrosão na “Passarela Sebastião Carlota”;
3. Identificar os tipos de corrosão encontrados na “Passarela Sebastião Carlota”;
4. Propor possíveis soluções para a minoração do processo corrosivo na “Passarela
Sebastião Carlota”;
5. Propor soluções para os perfis danificados na “Passarela Sebastião Carlota”.

3 METODOLOGIA

O presente trabalho é de natureza exploratória, buscando uma compreensão extensiva


e com maior objetividade acerca da atual situação em que se encontra a “Passarela Sebastião
Carlota”.

4 PASSARELA SEBASTIÃO CARLOTA

A passarela Sebastião Carlota está localizada as margens da BR 262 na cidade de


Manhuaçu, Minas Gerais. Não há relatos de quando foi feita a primeira construção da
passarela, mas sabe-se que inicialmente ela foi construída em concreto a aproximadamente
1,5 m de altura do leito do rio Manhuaçu para atender a necessidade dos moradores do bairro
Vila Deolinda. Após inúmeras chuvas e enchentes a passarela foi carregada pela água e em 05
de novembro de 2003 foi inaugurada a nova passarela, construída em estrutura metálica e com
o seu tabuleiro em concreto armado, já na altura das margens da BR 262 para não correr o
risco de enchentes danificá-la e/ou ocorrer transtornos mais graves.

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Com apenas 14 anos de inaugurada a passarela já se encontra em situação deplorável
por falta de manutenção e reparos. É necessário dizer que a passarela é a forma mais rápida
que os moradores do bairro Vila Deolinda tem de chegar aos centros urbanos da cidade de
Manhuaçu e por isso o fluxo de pedestres é grande.
A falta de manutenção preventiva na passarela fez com que esta chegasse a um nível
extremo de corrosão e em alguns pontos, acarretando a perda de boa parte da estrutura
metálica, sendo necessária uma substituição das peças. Outros pontos com o processo de
corrosão ainda inicial ou menos avançado, manutenções corretivas mais simples podem sanar
o problema já existente e minimizar a probabilidade de ocorrem novamente.

Figura 1: Passarela Sebastião Carlota


Fonte: Os autores

5 CORROSÃO

Segundo DIAS (1997), GENTIL (1996), RAMANATHAN (1990) e PANOSSIAN


(1993) em um aspecto mais expandido e aceito mundialmente pode-se definir corrosão como
a estrago de um material, normalmente metálico, por ação química ou eletroquímica do meio
ambiente aliada ou não a esforços mecânicos. A deterioração causada pelo contato físico-
químico entre o material e seu meio operacional representa mudanças indesejáveis e
prejudiciais ao material, como por exemplo, o desgaste, as variações químicas ou alterações
estruturais, fazendo com que o material se torne inutilizados para uso.

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A deterioração de matérias não-metálicos, tais como concreto, borracha, polímeros e
madeira, devido à ação do meio ambiente, também é considerada por alguns autores como
corrosão. Sendo a corrosão, de modo geral, um processo espontâneo, está constantemente
transformando os materiais metálicos fazendo com que a durabilidade e o desempenho destes
deixem de satisfazer os fins aos quais se destinam. Em sua totalidade esse fenômeno tem uma
importância considerável na vida moderna, que não pode prescindir dos metais e suas ligas.
Algumas dessas ligas estão presentes nas estruturas metálicas enterradas, submersas,
no solo ou aéreas, nos meios de transporte, em equipamentos eletrônicos, em equipamentos
como reatores e assim por diante. Todos estes exemplos onde podem ser aplicadas as ligas de
metal são investimentos de alto valor e que exigem alto nível de durabilidade e,
consequentemente, alta resistência a corrosão que justifiquem os valores investidos e não
causem acidentes com danos materiais ou pessoais.
Em determinadas situações pode-se dizer que a corrosão é o processo inverso da
metalurgia, que tem como fim último extrair o metal a partir de outros minérios ou de outros
compostos, de modo que a corrosão tende a oxidar o metal. Assim, na maioria das vezes a
corrosão de um metal é bem parecida com o minério do qual o metal foi retirado.

6 CAUSAS DA CORROSÃO

Para haver corrosão, quatro elementos são essenciais: o ânodo, o cátodo, a ligação
elétrica e o eletrólito. O metal em si, na maioria das vezes, já é o elemento de ocorrência dos
três primeiros, porém o quarto elemento pode aparecer sob diversas condições. Os meios que
dão origem aos eletrólitos frequentemente encontrados são: atmosfera, águas naturais e solo.

6.1 CORROSÃO NA ATMOSFERA

Segundo GENTIL (1996), este é o meio mais comum de ocorrência de corrosão em


estruturas metálicas. O eletrólito tem sua origem relacionada com o local onde o
empreendimento se situa, com a umidade, com a pluviometria, temperatura etc. Obras que
estão mais próximas ao litoral têm maior propensão à presença de íons cloretos e outros
halogenetos. Enquanto as zonas industriais geram gases oriundos da queima de combustíveis
com alto nível de enxofre e vários outros tipos de contaminantes. Ambientes urbanos e semi-
industriais são caracterizados pela queima de combustíveis de veículos automotores e gases
industriais, com elevados níveis de óxidos de enxofre e dióxido de carbono. Somente em

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áreas rurais é que existe uma melhor condição ambiental para que não aconteça o processo de
corrosão devido a sua atmosfera relativamente limpa de contaminantes.
O eletrólito se constitui basicamente de água que se condensa na superfície metálica
(água de condensação da chuva, orvalho, neblina, etc.) juntamente com gases, sais de enxofre
e cloretos dissolvidos, além de poeiras e outros poluentes diversos que podem acelerar o
processo corrosivo.

6.2 CORROSÃO NA ÁGUA

Para GENTIL (1996), este tipo de corrosão é mais comum em piers, plataformas
marítimas, pontes ou qualquer outro tipo de estrutura que esteja submersa em água. Em geral
as edificações são construídas buscando evitar o contato diretamente com a água, ou seja, é
raro encontrar alguma edificação em que as peças metálicas estarão imersas em água.
Independente da natureza da água seja ela do mar, de água doce ou até mesmo da chuva, ela
contém sais dissolvidos que geram uma ação corrosiva sobre os corpos imersos. A melhor e
mais comum forma de buscar evitar a corrosão é justamente evitar o contato direto da peça
metálica com a água. Não sendo possível evitar esse contato, é primordial que seja feita uma
analise da água para determinar os seus contaminantes mais prejudicais a fim de adotar
materiais e métodos apropriados.

6.3 CORROSÃO NO SOLO

Segundo GENTIL (1996), este tipo de corrosão é mais comum em tubulações, cabos
subterrâneos, estacas metálicas, pilares enterrados, trilhos, etc. quando enterrados ou em
contato direto com o solo. Os solos por ser um material extremamente heterogêneo e
compostos por vários tipos de minerais, ácidos, sais e água formam um eletrólito favorável ao
desenvolvimento de corrosão. O nível de agressividade do solo no processo de corrosão
depende de sua constituição, sendo que os fatores mais importantes são a acidez, o teor de
umidade, o grau de aeração, a permeabilidade à água e a condutibilidade térmica.

7 TIPOS DE CORROSÃO ENCONTRADOS

O conhecimento dos tipos de corrosão é fundamental para se tomar medidas


adequadas de recuperação. As manifestações patológicas de corrosão podem ser decorrentes

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de fatores como falta manutenção, erros de projeto, mudança de ambiente, etc. Na passarela
objeto de estudo deste trabalho, é importante dizer que por se situar em uma localização de
acesso praticamente restrito aos moradores locais e ser de certa forma discreta, sofre também
com intempéries causadas pelo próprio homem, como por exemplo, a urina dos usuários
locais que fazem da passarela uma espécie de banheiro público a céu aberto e que,
consequentemente acelera ainda mais o processo corrosivo.
Na passarela “Sebastião Carlota” foi identificado quatro principais tipos de corrosão:
Corrosão uniforme, corrosão por pontos, corrosão por frestas e corrosão por ranhuras.

7.1 CORROSÃO UNIFORME

CASTRO (1999) em sua dissertação de mestrado diz que esta é a corrosão uniforme é o tipo
de corrosão que de caracteriza por apresentar uma superfície metálica tomada por uma
camada de óxido de ferro (ferrugem) pouco aderente. Recebe o nome de “uniforme” pela sua
característica de gerar perda de massa uniforme em toda a extensão do perfil e
consequentemente a redução gradual da espessura do metal. É a forma de corrosão mais
comum em estruturas metálicas e ao mesmo tempo a menos perigosa, por ser de fácil
visualização e detecção.
A corrosão uniforme é causada pela exposição direta do aço carbono a um ambiente
agressivo. Ocorre quando se faz uso aço carbono sem proteção, com proteção deficiente ou
inadequada, ou até mesmo pintura sem manutenção. E pode ser ainda mais grave me casos de
erros de projeto, tais como: disposição inadequada dos perfis possibilitando o acúmulo de
água e poeira; a inexistência ou insuficiência de furos de drenagem ou perfis semi-enterrados
ou semi submersos.

7.1.1 SOLUÇÃO

Como em qualquer outro tipo de manifestação patológica em uma estrutura, o


primeiro passo é avaliar o grau em que ela se encontra. No caso da corrosão, se a peça estiver
corroída apenas superficialmente, uma limpeza superficial e uma pintura nova podem
solucionar o problema. A limpeza deve ser feita com jato de areia, que é o único processo que
realmente proporciona uma limpeza superficial adequada, eliminando quase toda ferrugem.
Caso não seja possível o jateamento de areia, é necessário analisar a adesão do esquema com
limpeza mecânica, sendo necessário encontrar no mercado uma tinta compatível com a já
existente na estrutura e que seja de boa aderência com o esquema de limpeza mecânica.

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Figura 2: Trecho com corrosão uniforme da passarela Sebastião Carlota
Fonte: Os autores

Figura 3: Trecho com corrosão uniforme da passarela Sebastião Carlota


Fonte: Os autores

Em alguns pontos a corrosão na passarela chegou a um nível tão alto, que é


recomendável avaliar a segurança da estrutura, sendo possíveis duas opções de reparo: reforço
ou substituição dos elementos danificados. Em ambas as situações são necessárias uma
limpeza adequada da superfície corroída, sempre dando preferência para o jato de areia. Há
algumas considerações a se pensar antes de definir o procedimento a ser adotado no caso de
um grau mais elevado de corrosão.

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- REFORÇO: Essa medida deve ser adotada apenas em localidades onde apenas um trecho
ou uma parte da superfície esteja corroída e este mesmo trecho não estiver muito
comprometido. Optando por esse procedimento pode-se pensar em soldagens com
características iguais ou superiores a do perfil danificado, assegurando que essa soldagem dê
continuidade física e as propriedades geométricas ao elemento.
- SUBSTITUIÇÃO: A substituição deverá ser realizada nos elementos onde o reforço não
garantir estabilidade a estrutura e/ou não for uma solução confiável e for menos onerosa para
o empreendimento. Como as peças de estruturas metálicas são de fácil substituição, isso faz
com que o custo diminua consideravelmente, sendo mais econômico que o reforço.

Figura 4: Perfil totalmente danificado e com perca de área da passarela Sebastião Carlota
Fonte: Os autores

7.2 CORROSÃO POR PONTOS OU PITES

Segundo CALLISTER (2013) e RETHWISCH (2013), a corrosão por pontos é outra


forma muito localizada de ataque corrosivo, na qual pequenos pites ou buracos se formam.
Normalmente, eles são formados a partir do topo de uma superfície horizontal para dentro do
material, em direção geralmente vertical. É um tipo de corrosão extremamente pérfido, que
frequentemente não é detectado e gera uma perda de material pequena até ocorrer alguma
falha.
O mecanismo de corrosão por pontos é bem similar ao de corrosão por frestas, uma
vez que as oxidações de ambos ocorrem no interior do próprio pite, com uma diminuição na

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superfície. Uma suposição é que a força da gravidade é que faz com que os pontos cresçam
para baixo, com a solução na extremidade do ponto se tornando mais concentrada de densa
conforme cresce.
Um pite pode ter início a partir de um defeito superficial localizado, como por
exemplo, um arranhão ou uma pequena variação na composição. As superfícies polidas, por
exemplo, têm maior resistência a corrosão, ao contrário dos aços inoxidáveis que são mais
propensos a essa forma de corrosão.

7.2.1 SOLUÇÃO

Para evitar o ataque de corrosões por pontos, as peças metálicas não devem acumular
substancias na superfície e todos os depósitos encontrados devem ser removidos durante as
manutenções periódicas.
Como nos casos de corrosão anteriores as medidas de correção devem ser tomadas
com base na situação em que o processo corrosivo se encontra, em casos iniciais e mais
simples, deve ser feito uma limpeza no local e cobrir o furo com uma aplicação de selante
especial posteriormente. Já em casos onde o comportamento estrutural da peça esteja
comprometido, é absolutamente necessário a experiência de um fiscal para avaliar a
necessidade de reforços ou até mesmo a substituição completa da peça metálica.

Figura 5: Trecho com corrosão por pontos ou pites da passarela Sebastião Carlota
Fonte: Os autores

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7.3 CORROSÃO POR FRESTAS

CASTRO (1999) em sua dissertação de mestrado diz que este é o tipo de corrosão que ocorre
predominantemente em pontos onde existam duas superfícies em contato ou muito próximas
entre si. Esse tipo de corrosão pode ser formado devido à: geometria estrutural de um sistema
(ligações em geral); contato com não metais (interfaces entre a estrutura e o concreto,
vedações, madeiras, plásticos, borrachas, etc.); depósitos de sujeiras ou produtos de corrosão.
As corrosões por frestas são mais perigosas que as uniformes por atuarem em áreas
relativamente pequenas da estrutura, dessa forma sendo mais difícil a percepção deste
fenômeno; alem de atuar diretamente na seção transversal da chapa ou perfil metálico. O
restante do elemento geralmente permanece intacto.
A principal causa de formação por frestas é a exposição continua ou intermitente desta a um
eletrólito. As frestas geralmente têm largura de 0,025 a 0,1 mm e nestas a probabilidade de
acúmulo de água é grande, formando um mecanismo de corrosão conhecido como pilha de
aeração diferencial.
O eletrólito, geralmente neutro, onde o oxigênio dissolvido atua como reagente catódico. Na
borda das frestas há uma região com maior concentração desse oxigênio enquanto que no
interior a concentração deste mesmo elemento é relativamente baixa. A corrosão ocorre
exatamente na parte de menor concentração do oxigênio. Ainda que tenha algum tipo de
revestimento, este acaba se deteriorando com o tempo propiciando o inicio das reações
químicas de corrosão.

7.3.1 SOLUÇÃO

A corrosão por frestas é de difícil manutenção por ser um ataque localizado nas
ligações, bases de colunas, vedações, etc. Dessa forma é difícil avaliar o estado de
deterioração dos elementos, por ocorrerem dentro das frestas, que é de difícil acesso. Depende
muito da experiência do inspetor para se determinar o estado de deterioração do elemento
corroído.
Estando a corrosão em fase inicial, basta uma limpeza superficial e adequada para
eliminar quaisquer resquícios de umidade que possa existir no interior, aplicar um selante
adequado na entrada da fresta e posteriormente revesti-la com uma proteção adequada;
impedindo assim a entrada dos eletrólitos e eliminando o mecanismo de formação do mesmo.
Quando a corrosão estiver em estado mais avançado, comprometendo a segurança da
estrutura, é necessária uma intervenção mais ampla, ou seja, o reforço ou até mesmo a

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substituição do elemento comprometido. O reforço não pode ser uma solução definitiva por se
tratar de uma área relativamente pequena, de difícil acesso e estruturalmente importante.
Sendo assim, o ideal mesmo é fazer uma operação conjunta de reforço e substituição dos
componentes afetados.
Dependendo do estado de degradação em que o perfil metálico esteja, uma limpeza e
um reforço pode ser uma alternativa de reparo sem a necessidade de substituir o elemento por
inteiro. Ligações soldadas são uma boa alternativa para estruturas expostas a ambientes mais
agressivos.

Figura 6: Trecho com corrosão por frestas na passarela Sebastião Carlota


Fonte: Os autores

Figura 7: Trecho com corrosão por frestas na passarela Sebastião Carlota


Fonte: Os autores

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Figura 8: Perfil com corrosão por frestas na passarela Sebastião Carlota
Fonte: Os autores

7.4 CORROSÃO POR RANHURAS

Segundo definição do Portal Met@lica (2017), a corrosão em ranhuras pode acorrer


em todos os defeitos que contenham cantos vivos, locais para depósitos de solução aquosa ou
exposição de material não protegido. O seu tamanho é muito pequeno em comparação aos
demais tipos de corrosão, fazendo com que muitas vezes as ranhuras passem por
despercebidas e não recebam as manutenções. Dessa forma estas só se tornam visíveis quando
o material oxidado aflora na superfície.
Riscos, gretas, pontos aparafusados entre outros são enquadrados nesse tema e recebem uma
solução semelhante à corrosão por frestas.

7.4.1 SOLUÇÃO

Corrosões em ranhuras geralmente não são muito degradantes, não causando danos a
estrutura ou a segurança da mesma e consequentemente, possuem uma solução mais simples.
É importante a limpeza da superfície danificada e a remoção de todas as impurezas do local.
Pinturas e revestimentos também podem ser realizados e garantem a qualidade da peça e a
interrupção da corrosão.

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Figura 9: Trecho com corrosão por ranhuras na passarela Sebastião Carlota
Fonte: Os autores

8 MANUTENÇÃO

Independente do tipo de ataque e do estado de deterioração da estrutura, um estudo


sobre as condições ambientais a que está submetida deve ser realizado. Feito os estudos e
constados que o problema é localizado, tais como infiltração, vazamento, acumulo de água ou
similares, a manutenção será relativamente baixa e de simples execução. Mas se a origem for
de uma escolha errada do tipo de aço ou até mesmo do tipo de revestimento, será necessária
uma analise global de toda a estrutura para se estabelecer uma solução e que gerará um ônus
consideravelmente maior.
Manutenções devem ser feitas periodicamente e por profissionais capacitados. A
maioria dos problemas de corrosão encontrados e citados no presente trabalho poderiam ter
sido evitados e podem ser corrigidos em tempo hábil, desde que a estrutura passe por uma
inspeção periódica. A limpeza pode ser manual ou mecânica, e os revestimentos devem ser
recompostos de acordo com as especificações originais do projeto. Nessas condições os custos
de intervenção serão mínimos e a sobrevida estrutural conseguida significante.
A dificuldade ou falta de manutenção periódica pode vir a agravar ainda mais os
problemas já existentes, e isso deve ser previsto ainda na etapa de projeto para que se tenha
acesso fácil à estrutura. É importante dizer que gastos adicionais com a estrutura são
compensados pela minimização dos custos de proteção contra a corrosão e manutenção.

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Os custos de intervenção envolvidos em qualquer situação devem ser levados em
consideração. Deslocamento, instalação e funcionamento de equipamentos de limpeza,
reparos e suprimentos (jatos de areia, maquinas de solda, chapas e perfis diversos) podem
gerar um custo maior do que simplesmente substituir o elemento inteiro. Em contrapartida,
esse processo de substituição em dadas situações pode acarretar demolições, atrasos e outros
contratempos, podendo prejudicar as atividades cotidianas desenvolvidas no local.

Figura 10: Passarela Sebastião Carlota parcialmente pintada e protegida da corrosão


Fonte: Os autores

Figura 11: Trecho da passarela Sebastião Carlota pintada e protegida da corrosão.


Fonte: Os autores

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9 CONCLUSÃO

Construções em estrutura metálica vêm se tornando desde os últimos tempos uma excelente
saída para atender a necessidade de obras mais rápidas, mais limpas e com preço final menos
oneroso. Porém, pouca atenção se tem dado as manifestações patológicas que podem surgir
nesse tipo de estrutura e a necessidade de manutenção que estas exigem.
A passarela Sebastião Carlota, objeto de estudo deste trabalho é de pequeno porte se
comparada a diversas outras estruturas em aço existentes ao redor do mundo, e
consequentemente, de fácil manutenção.
As manifestações patológicas que foram observadas na passarela Sebastião Carlota poderiam
ter sido evitadas se o órgão municipal fizesse periodicamente inspeções e manutenções
preventivas, tais como pinturas, aplicação de selantes, jateamento de areia ou lixar os perfis
em processo de corrosão.
Acreditamos que vários outros tipos de corrosão podem estar em processo na passarela
Sebastião Carlota, mas por falta de informações mais detalhadas não foi possível uma análise
mais criteriosa, dessa forma sendo apresentadas ao longo deste trabalho apenas as patologias
mais claras e visíveis a olho nu.
Concluímos então, que o fator principal para a ocorrência de manifestações patológicas na
passarela Sebastião Carlota foi a falta de manutenção preventiva, fazendo que com os perfis
metálicos ficassem expostos as intempéries, sem a devida proteção, e outra possível causa,
seria o uso de perfis com baixa proteção anticorrosiva na construção da passarela.
Espera-se que este trabalho contribua para a elucidação das manifestações patológicas as
quais estruturas metálicas estão submetidas e que isso de alguma forma possa refletir de
alguma maneira para a minoração destas patologias.

10 REFERÊNCIAS

BELLEI, Ildony H. Edifícios industriais em aço: projeto e cálculo. 6. ed. São Paulo: PINI,
2010.

CALLISTER, William D.; RETHWISCH, David G. Ciência e engenharia de materiais: uma


introdução. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013.

CASTRO, Eduardo Mariano Cavalcante. Patologia dos edifícios em estruturas metálica. 1999.
204 f. – Dissertação de Mestrado – Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 1999.

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CORROSÃO EM ESTRUTURAS METÁLICAS. Portal Met@lica. Disponível em
<http://wwwo.metalica.com.br/corrosao-em-estruturas-metalicas>. Acesso em: 15 dez 2017.

DIAS, Luis Andrade de Mattos. Estruturas de Aço: conceitos, técnicas e linguagem. São
Paulo: Zigurate Editora, 1997.

GENTIL, Vicente. Corrosão. 3ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 1996.


PANOSSIAN, Zehbour. Corrosão e proteção contra corrosão em equipamentos e estruturas
metálicas”. 1. ed. São Paulo: [s.n.], 1993. 2 v.

PIRES FILHO, Carlos Augusto Bonifácio. Estruturas metálicas e de madeira. 18 de dez de


2017. 35 slides. Material apresentado para a disciplina de Estruturas Metálicas e de Madeira
no curso de Engenharia Civil da Faculdade do Futuro.

PFEIL, Walter; PFEIL, Michèle. Estruturas de aço: dimensionamento prático. 8. ed. Rio de
Janeiro: LTC, 2014.

RAMANATHAN, Lalgudi V. Corrosão e seu controle. 1. ed. São Paulo : Hemus editora ltda,
1990. 342 p.

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