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Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP

Faculdade de Ciências e Letras – Câmpus Assis


Psicologia

Mariana Viotto Ugattis

A influência das mídias e da cultura do consumo na imagem corporal de


adolescentes

Docente: Paulo Tadeu Rabelo da Motta


Introdução

Dado o tema proposto, trataremos a priori o que consiste o conceito


de adolescência na pós-modernidade, levando em conta a construção histórica
dessa categoria.
Podemos notar um estereótipo acerca do que é ser adolescente,
relacionando essa fase da vida com rebeldia, mudanças físicas e biológicas
e conturbações emocionais para o jovem e a família, porém essa descrição não
se aplica a todos os adolescentes em diferentes contextos culturais. Calligaris
(2000) aponta que a adolescência é tida como um dado natural, e assim se
torna mítica pois engloba normas de funcionamento e de expressão.
A modernidade foi um período que compreendia uma busca por certezas
universais, e acabou por gerar uma crise da razão moderna pois percebeu-se
uma incapacidade de acomodar e de enquadrar a diversidade no que já era
conhecido e pré-estabelecido. Em contrapartida, o pensamento pós-moderno,
apresenta a perspectiva do conhecimento não universal, onde propõe que o
mundo e o conhecimento são socialmente construídos, ou seja, propõe
que todo sujeito é o agente da construção de sentidos e conhecimento,
fragmentando a ideia de universalidade proposta pela modernidade
e ressignificando o conhecimento como múltiplo, variável, e mutável.
Assim, a pós-modernidade passa a entender a adolescência como uma
construção social e histórica e não mais como um período transicional entre
a infância e a idade adulta, onde se observa a primazia dos fatores biológico
que compreendem a adolescência, passa-se a entender como um período não
padronizado, levando em conta a época, diferentes contextos culturais,
econômicos, geográficos, pessoais e sociais, permitindo-nos falar sobre
diferentes adolescências.
O estudo em questão tem como objeto a adolescência proveniente de
um sistema neoliberal, atravessada pela cultura do consumo, das mídias, das
novas tecnologias, dos novos padrões sociais, e da cultura de massa, e nos
permite afirmar que os adolescentes, bombardeados pela informação
proveniente desse contexto, se encontram em situação de vulnerabilidade,
como aponta Nascimento (2002), estas informações se destinam muito mais à
construção de modelos estereotipados de comportamentos para atender as
demandas de consumo.
O adolescente vive nesse período uma nova experimentação de si, onde
busca o reconhecimento, não só do próprio corpo, como também de si como
sujeito e tenta compreender o que é enquanto indaga o que pode vir
a ser. E nesse momento de importantes subjetivações é influenciado
gravemente por uma tentativa da mídia de imposição de padrões que atuam
em função da proposta capitalista de consumo, gerando assim certos dilemas
pessoais quando não se assume um posicionamento crítico.
As novas mídias e tecnologias, tem tido uma influência considerável, não
só no comportamento, como também na forma que o adolescente enxerga a si
mesmo. A padronização da beleza pregada pela mídia pode afetar de maneira
negativa os adolescentes que não se enquadram nesse
padrão, podendo, eventualmente, influenciar no desenvolvimento de
transtornos alimentares, como a anorexia e a bulimia.

Objetivo

O estudo, portanto, tem como objetivo uma reflexão teórica de cunho


especulativo sobre a influência da mídia sobre a imagem corporal
na adolescência, dentro de um sistema capitalista, buscando explanar o que
significa ser adolescente no contexto contemporâneo, visando como se da
constituição da subjetividade nessa fase da vida e como a mídia influencia
nesse processo, levando a introjeção de um padrão de beleza imposto pela
cultura do consumo. Busca ,também, verificar de que maneira o padrão de
beleza influencia no desenvolvimento de disturbios alimentares, e qual é o
papel da mídia nesse processo.
Com a finalidade de tratar tais informações, o texto foi baseado em uma
pesquisa teórica de diferentes autores contemporâneos, que em suas teses
abordam os temas adolescência, mídia, cultura do consumo, imagem corporal
e transtornos alimentares, em alguns casos separadamente, deixando o
tema passível de interpretação subjetiva.
Portanto o presente artigo é um apanhado de informações com o
objetivo de se aprofundar e tentar compreender melhor o que significa a
imagem corporal para o adolescente, dentro de um contexto específico e a
relação dos adolescentes com os transtornos alimentares, que vem tomando
novos sentidos na sociedade pós-moderna.

Discussão

No âmbito geral, adolescência é tida como uma fase de transição


da infância a vida adulta , e afeta aspectos físicos, sexuais, cognitivos e
emocionais, é uma fase de reorganização emocional, onde o jovem passa
por turbulências ao deixar a infância rumo a idade adulta, por isso
a adolescência é considerada uma fase de instabilidade, pois demanda um
abandono das coisas já conhecidas para vir a lançar-se no desconhecido em
busca de si mesmo .
É nessa fase da vida que nos voltamos ao mundo interior, na tentativa
de refletir sobre os sentimentos experienciados. Segundo Vidigueira ,
atualmente não é possível delimitar um período de tempo que corresponde a
adolescência, pois assume uma variabilidade de individuo para indivíduo,
assim, a adolescência passa a ser considerada uma fase de construção e
consolidação da identidade, após diferentes períodos de maturação, onde o
jovem busca seus pontos de referência, planeja a vida profissional e passa
buscar autonomia perante a família.
Quando se trata da construção de identidade na adolescência
podemos citar dois conceitos importantes, o autoconceito e
a autoestima. O Primeiro, autoconceito, significa as percepções que
o indivíduo tem de si mesmo, tudo aquilo que é reconhecido como parte
do eu, é mutável, variando de acordo com o contexto social e individual, tendo
em vista que o sujeito só se dá na relação com o meio, em uma interação
dialética.
A autoestima, deriva do autoconceito e tem função de
juízo pessoal, ocasionando aprovação ou desaprovação de si mesmo,
e está intimamente ligada com a produção da imagem corporal, está muito
instavél e facilmente influenciavél pelo meio social.
Esses conceitos são fundamentais na formação da imagem corporal,
que representa o processo identitário e formacional do adolescente. Segundo
Dolto(1984, p. 15) A imagem do corpo é a síntese viva de nossas experiências
emocionais (…) é a memória inconsciente de todo o vivido relacional e, ao
mesmo tempo, ela é atual, viva, em situação dinâmica, simultaneamente
narcísica e inter-relacional” .
A cultura é uma das variavéis que influenciam a formação da imagem
corporal, e na contemporaneidade é impossível falar sobre cultura sem citar a
forte influência da mídia. Como exemplo disso vemos, na pós-modernidade,
uma substituição do meio social pelo universo midiático e cibernético,
acarretado pelo uso exacerbado das tecnologias. O meio social que era o
principal formador no processo de subjetivação, hoje tem cedido espaço as
mídias, ocasionando uma nova configuração na formação da subjetividade.
Durante esse processo de estruturação do eu, a mídia oferece inumeras
possibilidades de apropriação , e a publicidade se aproveita dessa situação
para além de vender o produto transmitir um "estilo de vida" esteriotipado, a
identificação com os ideais apresentados na propaganda causam prazer e
satisfação no individuo, levando-os a tomar como objetivo de vida certo
estereótipo, como ideal do “corpo perfeito”, e quanto mais distante desse ideal,
maior a possibilidade de conflitos, que podem comprometer a
autoestima.Damasceno (2006) afirma que a insatisfação com a imagem
corporal aumenta à medida que a mídia expõe belos corpos, fato que nas
últimas décadas tem provocado uma compulsão pela busca do corpo perfeito.
O adolescente é colocado em uma posição vulnerável pois apresenta
uma tendencia a seguir modismos, e a mídia faz com que jovens, mesmo
dentro do peso adequado ou abaixo do peso, enxerguem seus corpos acima do
peso, ou fora do padrão ideal, o que chamamos de distorção da imagem
corporal. Segundo alguns estudos essa distorção da imagem , ocorre mais
frequentemente em mulheres, pois há uma imposição maior do padrão “magro”
e também por haver uma publicidade maior direcionada ao genero feminino
esteriotipando e objetificando o corpo da mulher. Uma pesquisa do ano de
2005 aplicada pelo grupo francês Ipsos a jovens de 11 e 12 anos, em 13
países diferentes, mostrou que as meninas se preocupam com roupas e
produtos de beleza, enquanto os meninos buscam brincar de bola ou jogar
videogame (APETITE 2005).
Os homens tambem sofrem em função da busca pelo padrão, o corpo
malhado e forte, leva muitos a tomarem medidas prejudiciais, como o uso de
anabolizantes e suplementos alimentares e até mesmo as aplicações de
hidrogel, que simulam o formato do músculo.E essa preocupação pode levar ao
desenvolvimento de transtornos alimentares como a vigorexia, o desejo de ser
forte e musculoso, e a manorexia, que é a é a Anorexia Nervosa masculina.
No discurso publicitário,principalmente de revistas feminina, para ser
bonita é necessario ser magra, e dentro desse contexto qualquer tipo de
esforço é valido para alcançar o padrão, mesmo que prejudique a saude.
Rockenback (2009), afirma que os textos publicitários, em sintonia com o
contexto histórico, social e cultural, influenciam intensamente na formação e
transformação de hábitos e formas de pensar. Com seus poderes persuasórios
criam e impõem, direta ou indiretamente, ideais, valores, crenças, sonhos e
expectativas. Interferindo nos aspectos psicológicos, antropológicos e
sociológicos de uma sociedade.
Podemos notar que beleza esteriotipada, trabalha em função do
capitalismo, que por meio da publicidade, direciona os sujeitos a buscarem a
industria da beleza, que vende produtos para “tornar as pessoas mais
bonitas”,como a moda, maquiagens, cosméticos, drogas que prometem
diminuir o apetite, cirurgias plásticas, uma gama enorme de opções, com a
finalidade de lucrar com o esteriótipo de beleza infundado que os meios de
comunicação transmitem.
Como afirma (BORIS E CESÍDIO, 2007) ,o consumo, na
contemporaneidade, tenta preencher nescesidades subjetivas do ser humano,
que por estar inserido num contexto social cada vez mais individualista, causa
uma sensação de completude e realização pessoal no individuo. Mas esta se
configura como uma relação problematica, uma vez que é impossível alcançar
a satisfação por meio do consumo, pois ao adiquirir um objeto de desejo, esse
passa a ser obsoleto e e o individuo sai em busca de outro.
Assim tambem funciona a busca pelo padrão de beleza, a publicidade
prega que estar no padrão, significa estar feliz e completo, porém a aparencia
ideal não é sinonimo de felicidade, como prova disso vemos os transtornos
alimentares. Moreno (2008), coloca que e o desejo pelo padrão da “estetica
perfeita”, esta vinculado a angustias, baixa autoestima, podendo originar
quadros de bulimia e a anorexia, Serra e Santos (2003) apontam que a mídia é
o meio mais influente no desenvolvimento desses transtornos.

Os transtornos alimentares são caracterizados pelo medo morbido de


engordar , e esse medo acarreta um comportamneto de risco entre os
jovens.Dentre todos os transtornos alimentares acarretados pela imposição de
um padrão estético, manteremos o foco na anorexia e na bulimia. A anorexia,
segundo o CID 10 se configura como um transtorno caracterizado pela perda
de peso intencional, induzida e mantida pelo paciente. Já a bulimia é uma
síndrome caracterizada por acessos repetidos de hiperfagia(injestão
exacerbada de alimentos) e uma preocupação excessiva com relação ao
controle do peso corporal conduzindo a uma alternância entre hiperfagia e
vômitos induzidos ou uso de purgativos e diuréticos. De acordo com Melin e
Araujo(2002) estimam que a incidencia desses transtornos no publico feminino
jóvem esta entre 0,5% e 1% para a anorexia nervosa e 1% a 3% para a bulimia
nervosa.
Na Anorexia, o sujeito apresenta o peso abaixo do normal para sua
estatura, porém tem uma visão distorcida sobre o seu corpo e se sente acima
do peso(dismorfia corporal), assim passam a buscar meios para perder peso,
como restrições alimentares, exercícios físicos em exesso, e até o uso de
medicamentos, prejudicando a saúde do organismo. É mais recorrente em
mulheres de 13 a 17 anos. (SAITO E SILVA, 2001).
Na bulimia nervosa há um descontrole na dieta, ingere-se muita comida
em um curto periodo de tempo , e após esses episódios adotam-se medidas
compensatórias como vômitos auto-induzidos, dietas e exercícios físicos em
exesso , uso de diuréticos , laxantes e inibidores de apetite, , de cafeína ou até
mesmo cocaína.
Segundo Saito e Silva (2001) a bulimia ocorre por um acesso súbito de
aumento de ingestão alimentar, e uma preocupação excessiva com o domínio
do peso corporal, induzindo o sujeito a adotar comportamentos extremos, a fim
de impedir o ganho de peso, e isso se da, geralmente,em pessoas que
passaram por algum episódio de constrangimento com o corpo, mesmo
estando dentro dos padrões e isso acarreta uma centralização de valores na
própria aparencia, e leva o sujeito a adotar dietas que não presam pela saude,
apenas pelo emagrecimento rapido, e passam exibir caracteristicas de baixa
auto estima e isolamento do meio social.

Considerando a bulimia e a anorexia como episódios vinculados a mídia


e as redes sociais, podemos constatar que são também difundidos pelas
mesmas. Acarretado pela influencia do padrão de beleza imposto pelo meio
social , vemos na contemporaneidade um fenomeno de resignificação dos
transtornos alimentares, passando de patologia a “estilo de vida”. Os adeptos
prezam pelo corpo extremamente magro,e difundem o ideal desse grupo,
desconsiderando qualquer opinião médica sobre a bulimia e a anorexia. Esses
transtornos encontraram através da mídia, um meio de propagação da sua
ideologia entre, principalmente, o publico jovem, protegidos pelo anonimato que
a internet propicia.
Dentro desse contexto vemos o surgimento de comunidades, blogs e
sites intitulados “Pró Ana e Mia” (apelidos para anorexia e bulimia), que se
configuram como fóruns e sites de relacionamento cujo tema é esses
transtornos, os usuarios contam como é sua relação com a comida e imagem
corporal, o que fazem para perder peso e suas metas de emagrecimento.
Esse movimento teve inicio nos anos 2000, a priori nos Estados Unidos
e na Inglaterra mas não demorou para espalhar-se pelo mundo. No Brasil, foi
no ano de 2002 que tomou grandes proporções, principalmente no Orkut, onde
comunidades reuniam adeptos que já apresentavam anorexia ou bulimia,
pessoas que visavam tornar-se e tambem individuos que estavam lutando
contra essas condiçoes.
Segunto Silveira e Reis(2009) , afirmam que os seguidores dessas
paginas sao jovens entre 13 e 17 anos, mulheres compoe a grade maioria, a
presença de homens é apenas em 10% dos casos, e isso pode ser justificado,
alem de fatores psicologicos e sociológicos por fatores hormonais, como a
propensão feminina a disturbios do metabolismo de serotonina.
Esse grupo de jovens , busca inspiração em figuras de mulheres
famosas que exibem silhuetas magerrimas, colocando essas imagens como
objetivos de vida, e para isso passam por periodos denominados NF e LF (no
food e low food), que significam respectivamente , passar dias sem injerir
nenhum alimento, e passar dias comento muito pouco e alimentos de baixas
calorias, a fim de perder peso instantaneamente. O método usado para avaliar
a eficacia da dieta consiste em perceber os sintomas que a inanição causam
ao organismo , como tremores corporais, desmaios, ressecamento da pele,
entre outros.
Os sites Ana e Mia fornecem informações necessarias para quem
pretende aderir a esse etilo de vida, possuem vocabulário próprio, dão dicas
de como “miar” (induzir o vomito), ensinam como proceder para evitar que as
famílias percebam suas atitudes e ensinam como manter a motivação, através
de lemas como “o que me alimenta me destrói”. Criou-se nesses grupos uma
rede de ajuda, onde nos comentarios as garotas pedem ajuda pra alcançar o
peso que desejam e apoiam umas as outras com discursos motivacionais.
O intitulado “estilo de vida ana e mia” vem sempre acompanhado por um
sentimento de culpa e punição, a culpa vem depois de ingerir algum alimento
fora da dieta e a punição significa, segundo uma autora anonima: “Quando
você tem uma compulsão e tenta achar uma forma de compensar, algumas
pessoas miam, outras tomam laxante, outras praticam a auto-mutilação ou
auto-flagelo, e outras se punem com a prática de exercícios.” Como podemos
ver nesse relato do blog “ane diet blog”, moderado por uma jovem carioca de
25 anos :
“ Estou tentando juntar todos os artifícios que me fizeram ter sucesso
nas dietas anteriormente, mas mesmo assim está difícil viu! Não sei o que tem
nessa minha cabeça imunda!!! Eu nunca vou conquistar o que quero,
cometendo os mesmos erros todo santo dia aff. Estou cansada de mim.
Cansada de ser uma porca gorda que só pensa em comida. Gente estou tão
desapontada comigo, vocês não tem noção! Sempre me admirei muito pela
minha força de vontade, sempre foi querer, fazer e sucesso. Agora estou nessa
merda. Enfim, desejem-me sorte para reencontrar minha Ana interior, está
flórida (fod*)! Maldita comida…”
Segundo Recuero(2005) a dinâmica dessas relações cibernéticas traz
indícios de um grupo forte e coeso, pois demonstra cooperação, organização e
adaptação(na ausencia de um meio de comunicação , buscam-se
outros).Nessas paginas instaurou-se uma rede de apoio mútua entre pessoas
com transtornos alimentares, onde se cultua a a magreza e a beleza e cria um
sentimento de “pertencimento a uma identidade coletiva, ao mesmo tempo em
que fortalecem suas identidades individuais”. Essa busca pode ser entendida
como “uma fuga do sofrimento vivido em seu meio social, especialmente
escolar, quando a magreza se configurou como determinante estético da
beleza”, como postula Mate e Farah(2015).
Concluimos então que o fenomeno “ana e mia” se configura como o
ápice da posição de vulnerabilidade ocupada pelo jovem dentro do sistema
capitalista, mediado pela mídia, a publicidade dita o padrão de beleza e o ideal
de que a magreza é sinonimo de realização social, e para se colocar nesse
padrão, assume-se comportamentos preocupantes a nivel de saude publica.

Conclusão

Com a discussão proposta nesse trabalho podemos concluir que a


adolescência deve ser entendida como uma categoria históricamente
construida portanto é importante desnaturalizar essa fase da vida , para poder
melhor compreende-la dentre todas suas faces assumidas em diferentes
contextos. No ambito pós-moderno com a nova configuração dos meios de
subjetivação, as mídias e as redes ciberneticas, o processo de formação
identitaria é constantemente atravessado pelo marketing.
A mídia assume dessa maneira uma postura problemática, visto que
atinge o jovem com imposições de padrões de beleza em uma fase de
construção do eu, podendo acarretar uma insatisfação com a imagem corporal,
e consequentemente levar a patologias como a anorexia e a bulimia, como
uma tentativa de enquadramento na ditadura da magreza pregada pela
industria da beleza. Podemos ver, dessa forma como o capitalismo afeta
diretamente a vida dos individuos, colocando o lucro a cima do bem estar
social, e levando jovens a adotarem comportamentos destrutivos para
alcançarem o corpo que supostamente se deve ter para serem aceitos
socialmente.
Podemos dizer que a família tem papel primordial nesse processo vivido
pelo jovem, por meio de vínculos saudaveis a família auxilia na construção de
uma nova imagem corporal, e também ajuda na formação do pensamento
crítico perante as mídias e a publicidade por ela propagada.
Como resposta a esse culto da magreza, vemos cada vez mais na web
discursos de empoderamento e aceitação do proprio corpo, tambem vemos
paginas de moda com modelos consideradas plus sizes, que servem de fonte
de inspiração e suporte para quem não se encaixa no padrão magro, temos
essa cultura como forma de resistência, onde encontramos milhares de
mulheres provando que não precisam ser magras para serem lindas.
O objetivo do texto foi tentar compreender mais afundo a relação dos
jovens com a mídia e sua influencia na imagem corporal porem podemos notar
que ainda são poucas as publicações que abordam esse assunto,
considerando as proporções do desafio que estamos enfrentando. Há uma
necessidade urgênte de buscar uma solução multidisciplinar que se oponha
aos padrões implantados pelo capitalismo.

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