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2Q Semestre 2001

Temática: Ellen G. White e o Dízimo

Apresentação

Editorial

Artigos
Finanças Evangélicas: Trabalhando em Harmonia
Frank 8, Holbrook

Destaques do Começo do Sistema do Dízimó


na lgreja Adventista do Sétimo Dia
ATthuT L. Vmíte

0 Dízimo nos Escritos de Ellen G. White


Angel Manuel Rodriguez

Análise de Quatro Declarações Controvertidas


sobre o Dízimo em E11en G. White
A!beTto R. Tímm

0 Que Significa a "Casa do Tesouro?"


Moz.sc's Mcitos

Dízimo: Conselhos e Prática de E11en White


RogcT Wí Coon

Princípios e Diretrizes sobre o Dízimo 75


Associação GeTal dn lgTeja Aduentista do Sétimo Dia
APRESENTAÇÃO

RU¥ NAGEL
Presidente da Dívísão Sul-Americana da lgreja Adventista do Sétimo Dia

"o espírito de liberalidade é o espírito do


ivemos tempos difíceis. 0 texto bíblico
\? que, em minha opinião, melhor retrata
a realidade de nossos dias encontra~se nà
Céu."í Poderíamos receber quaisquer bên~
çãos em decorrência de nos apropriarmos
segunda carta de Paulo a Timóteo, onde daquilo cnie é de Sua propriedade exclusiva?
somos advertidos: "Sabe, porém isto: Nos últi~
mos dias sobrevirão tempos difíceis; pois os De acordo com E11en White, "ao dardes
homens serão egoístas, avarentos, jactancio~ à obra de Deus, estais ajuntando para vós
sos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes tesouros no Céu. Tudo o que ajuntais lá
aos pais, ingratos, irreverentes" (11 Tm. 3:1). em cima está livre de desastre e perda, e
aumenta, tornando~se bens eternos e dura~
Essas palavras proféticas se cumprem lite~ douros."2
ralmente em nossos dias. Nunca no passado
a lgreja de Deus enfrentou tantas dificulda~ Sendo assim, creio na divulgação desta
des e ataques como hoje, especialmente no revista, pois ela levará nosso povo a forta~
que se refere à sua estrutura organizacional e lecer e confirmar sua fé nos ensinamentos
ao seu sistema financeiro. Os ataques se origi~ bíblicos sobre a devolucão de nosso dízimo
nam geralmente com pessoas que ].á fizeram ao tesouro do Senhor. Sigamos as instruções
parte da lgreja, assentaram~se conosco nos contidas na Bíblia e no Espírito de Profecia.
mesmos bancos e ouviram as mesmas men, Deus tem incontáveis bênçãos para derra~
sagens. Essas pessoas têm conhecimento da mar sobre Seus filhos. Façamos nossa parte.
Bíblia e do Espírito de Profecia, mas decidem Permitamos que, ao ler os artigos aqui conti~
propagar suas idéias, muitas delas de caráter dos, o Espírito Santo nos ajude a entender
pessoal, atacando a lgreja com espírito de crí~ que Deus espera nossa incondicional fideli~
tica e contestação. dade.

Paulo, admoestando a lgreja, disse: "Eu Deus nos concedeu individualmente livre~
sei que, depois de minha partida, entre vÓs arbítrio para decidirmos o caminho a seguir.
penetrarão 1obos vorazes que não pouparão Mas não podemos nos esquecer das palavras
o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se do sábio Salomão em Eclesiastes 12:13-14:
"De tudo o que se tem ouvido, a suma é:
levantarão homens falando coisas perverti~
das para arrastar os discípulos atrás deles" Teme a Deus, e guarda os Seus mandamen~
(At. 20:29~30). tos; porque isto é o dever de todo homem.
Porque Deus há de trazer a juízo todas as
Em face desta realidade, Pz27.otÁsjcz apre~ obras até as que estão escondidas, quer sejam
senta neste número uma série de artigos boas, quer sejam más."
visando fortalecer nossa lgre].a e admoestá~1a
quanto aos perigos que se intensificarão cada Que Deus nos abençoe e nos `ájude a
vez mais, especialmente no que diz respeito à encontrá~Lo naquele dia glorioso, aprovados
devolução do dízimo do Senhor, assunto este entre os fiéis, para recebermos a recompensa
que tem sido questionado em alguns veículos da vida eterna.
de comunicacão.
REFERÊNCIAS
Muitos se preocupam com a maneira em
] E11en G. White, Consezhos sobre Mordomía (Santo
que a lgreja tem empregado o dízimo. No
André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1968),
entanto, Deus quer que nos conscientizemos
14.
de que o dízimo não é nossa propriedade,
2 ibidem, 342.
pois pertence a Ele. E11en White afirma que

3~
EDITORIAL

EDILSON VALIANTE
Professor de Teologia Sistemática no SALT (Brasil-Sul)
Coordenador Editorial de PaiToustia,

R epresenta uma grande vitória, para o


corpo editorial, poder colocar à dis~
posição dos líderes e formadores de opi~
analisar o problema por sua perspectiva,
tornando~o particular e distinto.

nião da lgreja Adventista do Sétimo Dia 0 artigo inicial, escrito por Frank Hol~
este quarto número de PcirowsícL. Com esta brook ("Finanças Evangélicas: Trabalhando
edição, reafirmamos nossa disposição em em Harmonia") serve como uma introdu~
responder objetivamente a questionamen~ ção ao assunto, especialmente pela aborda~
tos e ínquietações que se aventuram a dis~ gem bíblica e histórica que estabelece. A
trair a lgre].a de sua missão. Nossa busca seguir, apresentamos um estudo sobre o
incansável é pela "sã doutrina" (11 Tm. 2:3), desenvolvimento histórico do ato de dizi~
"verdade que promoverá piedade e devo~
mar na lgreja Adventista do Sétimo Dia,
ção, confirmando o povo de Deus na fé."L elaborado por Arthur L. White, cuja apre~
sentação pessoal sÓ carece galanteios por
Fugiríamos ao objetivo caso estivésse~ ter sido, reconhecidamente, um dos maio~
mos tentando responder a indagações que res conhecedores da história da lgreja.
não surgiram de nossas bases eclesiásticas.
É certo que nosso céu possui estrelas que Angel Manuel Rodriguez, no artigo "0
nos são próprias e peculiares, não tendo a Dízimo nos Escritos de E11en G. White,"
mesma relevância em outros lugares e vice- expõe com profundidade e sistematicidade
versa. Assim, precisamos discemir o firma~ a compreensão que Ellen White teve sobre
mento como ele se nos mostra, com seus o dízimo, bem como as orientações que ela
encantos e desafios. Por outro lado, PciTow- deixou à lgreja. Já Alberto R. Timm ana~
sjci nunca deverá se deixar absorver pela 1isa em detalhes quatro textos que têm des~
excitação excludente da apologética ou se pertado interesse nos escritos de E11en G.
obcecar por eliminar questionamentos legí~ White por serem identificados como con~
timos nascidos de uma sadia diversidade troversos.
em unidade. Com humildade e modéstia
nos aproximamos de temas teológicos per~ Alguns têm asseverado, devido a pressu~
tinentes à nossa realidade com a consciên~ postos congregacionalistas, que a "casa do
cia de que o "eu" deve estar fora de questão, tesouro" de Malaquias 3:10 se refere exclu~
pois este sempre se esforça erroneamente sivamente à igreja local. De forma direta
Pela supremacia.2 Moisés Matos deixa claro que a "casa," onde
o dinheiro do dízimo deve ser depositado,
Ao dedicarmos esta edição ao tema do tem uma aplicação de caráter universal.
dízimo em relação aos escritos de E11en No artigo de Roger W. Coon, as questões
G. White, estamos certos de que os arti~ mais significativas e contemporâneas sobre
gos contribuirão para nos manter diante o dízimo são respondidas de maneira franca
de um compromisso sério de fidelidade a e objetiva. Por fim, colocamos à disposição
Deus. Estamos disponibilizando em língua um documento bastante elucidativo, votado
portuguesa estes estudos recentes sobre pela Comissão Executiva da Associação
o assunto, escritos por conhecedores de Geral da lgreja Adventista do Sétimo Dia,
causa. Poderá parecer ao leitor que alguns contendo os princípios do ato de dizimar
dos tópicos se mostram repetitivos. Con~ fundamentados na Bíblia e em Ellen White,
tudo, não entendemos serem meras redun~ e diretrizes que nortearão a consciência dos
dâncias ou ecos de uma única mensagem, que desejam estar sob um pacto de fideli~
mas o observar atento de cada autor ao dade financeira com Deus.

~5~
Nossa gratidão sincera à administração responsabilidade e nos desafiam quanto
da Divisão Sul~Americana da lgreja Ad~ ao futuro. A Deus toda a glória!
ventista do Sétimo Dia, bem como das
uniões e associações brasileiras, por apoia~
rem este empreendimento. Estendemos REFERÊNCIAS
esse agradecimento aos secretários~minis~ [ Ellen G. White, ObTeíTos Eucmg€1jcos (Santo André,

teriais que têm aberto espaço para a revista SP: Casa Publicadora Brasileira,1969), 311.
no "Clube do Livro." A tiragem que PciTotÁ~ 2 Ellen G. V{/hite, Test€mwnhos Pc"cz Mjmsfros € Obreíros
sjci atinge neste número, bem como a Eucingélicos (Santo André, SP: Casa Publicadora
aceitação e a velocidade com que foram Brasileira, 1964), 70~71.
distribuídos os anteriores nos enchem de

~6~
Parousia 2°Semestre 2001, Vol. 2, N° 2, 7~11
Copyright © 2001 SAIT.

FINANÇAS EVANGÉLICAS :
TRABALHANDO EM HARMONIA
FRANK Bo HOLBR00K
Ex-Diretor-Associado do lnstituto de Pesquísas Bíblicas da Associação Geral da lgreja Adventista do Sétimo I)ia.

"Naqueles dias não havia rei em lsrael: cada


Numa forma direta e franca, este
artigo pretende responder algumas inda- um fazia o que achava mais reto" ~ comentou
gações quanto ao uso do dízimo na o cronista (Jz. 21:25). Havia pouca coopera~
lgreja Adventista do Sétimo Dia. Os ção para o bem comum.
principais elementos do sistema dizimal
são aqui expostos mediante uma aborda~ Em contraste com isso, o estabeleci~
gem bíblica e histórica. mento de uma monarquia trouxe um senso
de unidade, consciência nacional e propó~
This article intends to answer, in a sito. Trouxe identidade e coerência à fé reli-
direct and honest way, some questions giosa e às instituições civis de lsrael. Quando
regarding the usage o{ tithe by the os reis de lsrael governavam sob a direção
Seventh-day Adventist Church. The de Deus, seguindo o modelo organizacional
main elements oÍ the tithing system are estabelecido por Moisés, os interesses nacio-
here exposed through a biblical and his. nais eram melhor atendidos, e o povo pros~
torical approach. perava tanto espiritual como materialmente.
Essa prosperidade constituía um mostruá-
rio chamativo, atraindo as nações circunvizi-
tenho
Para ondemais confianca
enviarei o meuna dízimo?
liderancaNão
da nhas para o verdadeiro Deus (ver Dt. 4:5~8).
Igreja. Posso dá~1o a alguém que afirma A ordem é a lei do Céu; ela é vista em todas
pregar "o testemunho direto" da fé adven~ as obras de Deus.
tista? Posso ajudar com ele entidades de
manutenção própria? Em outras palavras,
estou livre, como membro da lgreja, para 0 SISTEMA DE SUSTENT0 DE ISRAEL
enca.minhar o meu dízimo a qualquer fina~
lidade que achar conveniente? Posso espe~ 0 governo monárquico de lsrael, como
rar que o Senhor aprove tal maneira de teocracia, sígnificava que a fé religiosa esta`'a
proceder? intimamente ligada à vida civil. 0 plano
financeiro divinamente designado do dízimo
Essas são perguntas práticas e sinceras. servia de reforço para a ministração sacerdc>
Refletem a incerteza, entre alguns de tal no Templo e para a religião nacional.
nossos membros, a respeito das atribuições
e função da lgreja Adventista do Sétimo A prática de devolver a Deus o dízimo
Dia mundial e organizada. Visto que somos (ou dez por cento) do aumento nos bens
uma igreja baseada na Bíblia, cremos que materiais aparece como parte definiti`'a da
a experiência de lsrael com a organização e religião patriarcal desde tempos remotos
o dízimo pode prover bons vislumbres para (ver Gn. 14:20; 28:22). Os patriarcas prova~
ajudar os adventistas modernos a resolve~ velmente usavam o5 dízimos em sacrificios
rem tais questões. e festas especiais ao Senhor, embora certa
vez Abraão desse o dízimo dos despojos de
guerra a Melquisedeque, sacerdote do Deus
EXPERIÊNCIA D0 ANTIG0 TESTAMENT0 verdadeiro em Canaã.

Começamos o nosso estudo com a Por ocasião do estabelecimento -da


experiência de lsrael no tempo dos juízes nação, do santuário e do sacerdócio israeli-
(1400~1050 a.C.), uma época de anarquia. tas, Deus reafirmou Seu direito ao dízimo:

11
Todas as dízimas da terra, tanto do grão do também os levou a assumir o compromisso
campo, como do fruto das árvores, são do Senhor:
de reavivar o sistema dizimal:
santas são ao Senhor .... No tocante às dízimas do
gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da Traríamos ... os di'zimos da nossa terra aos levi~
vara do pastor, o dízimo será santo ao Senhor (Lv.
tas, pois a eles cumpre receber os dízimos em todas
Z7:30-32).
as cidades onde há lavoura. 0 sacerdote, filho de
Arão, estaria com os levitas quando estes recebes~
Agora, porém, o Senhor ordenou que o sem os dízimos, e os levitas trariam os dízimos dos

dízimo deveria constituir a base principal dízimos à casa do nosso Deus, às câmaras da casa do
tesouro .... E assim não desampararíamos a casa do
do sustent.o financeiro da tribo de Levi, a
nosso Deus (Ne. 10:37~39; cf. 12:44).
qual, não recebendo território em Canaã,
foi designada para cuidar das necessidades
religiosas da nação (Nm. 18:21~24). No entanto, durante a ausência tem~
porária de Neemias, em Judá (Ne. 13:6),
Os levitas (habitando nas 48 cidades que o desígnio nacional falhou e o povo res~
lhes foram outorgadas em muitas partes valou. Por ocasião de seu regresso, Nee~
dos territórios das tribos ~ Nm. 35:7) perio~ mias repreendeu os dirigentes da nação,
dicamente recolhiam os dízimos do povo. perguntando: "Por que se desamparou a
Eles, por sua vez, dizimavam o que rece~ casa de Deus.7" (v. 11). Mais uma vez foi
biam e levavam esses "dízimos dos dízi~ restaurado o sistema dizimal, novamente
mos" a um depósito no santuário, onde foram nomeados oficiais para supervisio~
eram redistribuídos aos sacerdotes (e em nar a distribuição, e "Judá trouxe os dízi-
anos posteriores a outros grupos de levitas) mos do grão, do vinho e do azeite aos
que atuavam nos serviços e no ritual do depósitos" (v. 12).
santuário (ver Nm. 18:26~28).
No segundo período de Neemias como
Esse plano financeiro provavelmente governador, Deus desafiou Seu povo por
não funcionou no período dos juízes; e intermédio de Malaquias: "Roubará o
sabemos que, às vezes, falhou durante a era homem a Deus? Todavia vÓs Me roubais, e
monárquica. Mas, em períodos de aviva~ dizeis: Em que Te roubamos? Nos dízimos
mento espiritual, captamos vislumbres de e nas ofertas. Com maldicão sois amaldi-
sua vigência. Um deles ocorreu no reinado çoados, porque a Mim Mé roubais, vós, a
de Ezequias, de Judá (11 Cr. 31:2~19). nação toda" (Ml. 3:8 e 9)` ApÓs essa severa
desaprovação, Deus apela mais uma vez
Em atenção à ordem do rei, de que fosse para Seu povo: "Trazei todos os dízimos à
dada a "parte devida aos sacerdotes e levi~ casa do tesouro, para que haja mantimento
tas" (v. 4), "os dízimos de tudo" (v. 5) come~ na Minha casa" (v. 10).
çaram a fluir para o depósito do Templo.
Azarias, o sumo sacerdote, exclamou para Dessa recapitulação dos fatos bíblicos,
o rei indagador: "Desde que se começou a verificamos ser evidente que o culto leví~
trazer à casa do Senhor estas ofertas, temos tico era amplamente reforçado por um sis~
comida e nos temos fartado delas, e ainda tema dizimal que funcionava com base
há sobra em abundância" (v. 10). Essa notí- num princípio de armazenagem ou depó~
cia animadora impeliu Ezequias a ampliar sito. Ninguém escolhia dar o seu dízimo
as áreas de armazenagem e designar ofi- a um sacerdote ou a um grupo de sacer~
ciais para supervisionar a distribuição regu~ dotes, em particular. Pelo contrário, todos
1ar desse sustento "a seus irmãos [levitas], os dízimos de lsrael eram reunidos pelos
segundo os seus turnos, assim aos peque~ levitas, os quais, por sua vez, levavam o
nos como aos grandes" (v. 15; ver também dízimo desses artigos, gêneros alimentícios
vs. 11~19). e dinheiro às áreas de depósito do Templo.
Nesse local, oficiais designados distribu~
Quando Neemias ~ nomeado governa~ íam os meios de subsistência de maneira
dor da restaurada nação de Judá (século V regular e em quantidades apropriadas, aos
a.C.) ~ conduziu os judeus à renovação do sacerdotes e a outros servidores levíticos
seu concerto com Deus (ver Ne. 9:38), ele que ministravam diretamente no ritual do

~8~
Templo. Essa cooperação nacional provia tivos territórios. A associação era desig~
sustento coordenado ao pessoal do Templo, nada como a "casa do tesouro" para os
que dedicava tempo integral aos seus res~ dízimos. Por sua vez, a associação transfe~
pectivos ministérios espirituais. ria o dízimo desses dízimos à Associacão
Geral. No decorrer dos anos, esse princípio
da "casa do tesouro" tem sido aprimorado,
OS ADVENTISTAS, de modo que o dízimo flui agora das igre~
A 0RGANIZAÇÃO E 0 DÍZIM0 jas locais para a associação, que transfere
certa porcentagem para a união, e esta para
No começo, os primeiros observadores a Associação Geral, a qual supervisiona o
do sábado relutaram em avancar em dire~ campo mundial.
ção à organização. Mas, à médida que a
mensagem do sábado foi sendo propagada, 0 constante desenvolvimento e amplia~
tornou-se evidente que não poderia haver ção da lgreja Adventista do Sétimo Dia ~ de
verdadeiro avanco se "cada um fizesse o 3.500 membros nos Estados Unidos, em
que achasse corréto." Ellen White resumiu 1863, para mais de doze milhões no mundo
desta maneira a razão por que nossos pio- todo, hoje em dia; e de uma pequena
neiros organizaram a lgreja Adventista do região dos Estados Unidos, para a presença
Sétimo Dia, na década de 1860: em mais de 180 países ~ demonstra, sob a
bênção de Deus, a solidez do princípio da
``casa do tesouro," do sistema levítico. A
Aumentando o nosso número, tornou~se evi~
dente que sem alguma forma de organização, have~ lgreja é bem~sucedida quando avança em
ria grande confusão, e a obra não seria levada avante conjunto para um objetivo comum.
com êxito. A organização era indispensável para
prover a manutenção do ministério, para levar a
obra a novos campos, para proteger dos membros ENTIDADES DE MANUTENÇÃO PRÓPRIA
indignos tanto as igrejas como os ministros, para
E A 0BRA ORGANIZADA
a conservação das propriedades da igreja, para a
publicação da verdade pela imprensa, e para muitos Aproximadamente 40 anos após a orga~
outros fins.L
nização da lgreja Adventista, apareceu uma
nova forma de empenho da parte dos mem-
Sendo pressionados a manter os pasto- bros: entidades de manutenção própria.
res no campo em tempo integral, nossos Iniciada em 1904, o lnstituto Normal e
pioneiros procuraram desenvolver um ade- Agrícola de Nashville (a organização que
quado sistema financeiro para a lgreja que deu origem à Universidade Madison e ao
se organizava. Já em 1858, uma classe Hospital Madison) tornaram-se precurso~
bíblica, em Battle Creek, sob a direção de ras de dezenas de entidades similares que
J. N. Andrews, começou a buscar princí~ ajudaram a desenvolver a obra no Sul dos
pios bíblicos para o sustento do Evangelho. Estados Unidos. Hoje, cerca de 700 enti~
A classe acabou recomendando um plano dades de manutenção própria e empresas
conhecido como Benevolência Sistemática, independentes, com objetivos semelhantes
o predecessor do atual sistema de dízimos aos da Companhia Madison, funcionam
e ofertas. sob a tutela da ASI (Adventist~Laymen's Ser~
vices and lndustries lnternational) ~ organi~
No entanto, foi somente em 1876~1879 zação 1igada à Associação Geral.
que os adventistas instituíram um sistema
dizimal bem desenvolvido (adaptado ao As entidades de manutenção própria,
modelo levítico), como base para as finan~ em geralt consideram~se como estando liga~
ças denominacionais. Os dirigentes incen~ das à lgreja organizada. Na realidade, é
tivavam os membros a adotar o plano a própria lgreja Adventista que constitui
dizimal como providência ordenada por a razão de sua existência. Compostas de
Deus para o sustento do ministério e a dedicados e abnegados homens e mulhe~
obra da lgreja. Os dízimos recolhidos nas res, as entidades de manutenção própria
igrejas eram remetidos às associações, para ampliam e promovem a causa da verdade,
o sustento dos pastores em seus respec~ no deco'rrer dos anos, por uma variedade de

~9~
meios, como escolas e atividades médico~mis~ Nenhuma dessas exceções deve servir de
sionárias. base para os membros desviarem o dízimo
do Senhor, da -finalidade a que se destina,
Certamente, a intenção nunca foi que para ministérios independentes ou entida~
as entidades de manutenção própria gast'as- des de manutenção própria. E11en White
sem as energias volvendo~se contra a lgreja, tratou das questões formuladas no começo
para desafiar publicamente suas doutrinas, deste artigo, pois elas também foram susci~
criticar seus empenhos ou arrebatar seus tadas em seu tempo.
dízimos. Pelo contrário, a intenção era que
tais entidades enaltecessem a lgreja e dila~ Ninguém se sinta na liberdade de reter o dízimo,
tassem sua influência, como Arão e Hur, para empregá-lo segundo seu próprio juízo. Não
que sustiveram as mãos de Moisés na bata~ devem servir~se dele numa emergência, nem usá~lo
lha de lsrael contra os amalequitas (Êx. segundo lhes pareça justo, mesmo no que possam
17:8~16). considerar como obra do Senhor ....

Infelizmente, alguns ministérios inde~ Alguns se têm sentido mal~satisfeitos, e dito:


"Não devo[verei mais o dízimo; pois não confio na
pendentes (não sob a tutela da ASI) aceitam
maneira por que as coisas são dirigidas na sede da
abertamente recursos do dízimo de mem~
obra." Roubareis, porém, a Deus, por pensardes que
bros da lgreja e afirmam que o princípio da
"casa do tesouro" é nulo. Do mesmo modo a direção da obra não é correta? Apresentai vossa
queixa franca e abertamente, no devido espírito,
que as pessoas dissidentes que abandona~ e às pessoas competentes. Solicitai em vossas peti~
ram a fé adventista, os dirigentes desses
ções que se ajustem as coisas e se ponham em
ministérios apontam para as falhas e imper~ ordem; mas não vos retireis da obra de Deus, nem
feições na lgreja como razões para os mem~ vos demonstreis infiéis porque outros não estejam
bros entregarem os seus dízimos a eles - fazendo o que é correto.2
embora não sejam responsáveis a pessoa
alguma. Esses grupos independentes, às Lede o livro de Malaquias .... Não podeis ver
vezes, apelam para o exemplo de Ellen que, em quaisquer circunstâncias, o melhor não é
White como justificati\'a para aceitarem o reterdes os vossos dízimos e ofertas por não con~
dízimo do Senhor. cordardes com tudo o que vossos irmãos fazem?
... Ministros indignos podem receber alguns dos
recursos angariados desse modo, mas alguém ousa~
ELLEN G. WHiTE E 0 DÍZI`io ria, por causa disso, retê~los do tesouro e incorrer
na maldição de Deus? Eu não ousaria. Eu devolvo
Como um dos pioneiros` Ellen White os meus dízimos com prazer e voluntariamente,
incentivou a ç>rganização da lgreja Ad\'en~ dizendo como Davi: "Das Tuas mãos To damos."
tista e apoiou plenamen[e, pelo ensino e
Não cometais, porém, vÓs mesmos, algum
pela prática, o sistema di=imal, de acordo
com o plano da "casa do tesouro." \`os pri~ pecado, retendo de Deus o que Lhe pertence .... Não
aumenteis nossas dificuldades financeíras por vossa
meiros anos, antes que existissem planos
negligência do dever.3
médicos e de aposentadoria, por orienta-
ção do Senhor, ela ocasio.nalmente ajudou
com seu dízimo pessoal, pastores (tanto NOSSO DESAFIO GL0BAL
negros como brancos), que estavam em
grandes dificuldades, com o seu dízimo Os adventistas do sétimo dia reconhe~
pessoal. Em uma outra situação, ela adver~ cem a.boa obra que outros cristãos reali~
tiu um presidente de associação, para que zam. No entanto, estamos comprometidos
não fizesse caso da doacão do dízimo de com a orientação _divina que ocasionou o
alguns membros de seu'território para a nascimento e a organização do Movimento
Sociedade Missionária do Sul, que supervi~ Adventista, para cumprir a missão simbo-
sionava a penosa obra nos estados sulinos lizada pelos anjos de Apocalipse 14:6~14 e
dos Estados Unidos. Por fim, tornou~se 18:1~4.
uma prática regular que associações fortes
partilhassem certa porcentagem do seu Conquanto a verdade seja perfeita em
dízimo com associacões mais fracas. Jesus, nem a liderança nem os membros

~10~
deste movimento são perfeitos` 0 trigo harmonia, para '`alizar os Seus objetivos.
sempre estará mesclado com o joio (ver A tarefa global i lgreja é muitas vezes
Mt. 13:24-30, 36-43); a lgreja sempre terá maior do que- a uo antigo lsrael ao com~
os seus Judas. Mas as profecias não pre~ prometer~se com o Templo. Com um tão
nunciaram que viriam novas organizações, grande desafio diante de nós, que todo
nem mais "anjos" a voar. Este é "o tempo pastor e membro participe, de todo o cora~
do fim." 0 atual Movimento do Advento ção, do espírito de Neemias: "Não desam~
foi designado para realizar essa missão pararemos a casa do nosso Deus" (Ne.
delineada no Apocalipse. Nosso encargo 10,39).
urgente não deixa espaço para tentativas
desorganizadas e movimentos a esmo, em
REFERÊNciAS
que cada qual faça o que se].a correto aos
seus próprios olhos. Só há um lugar para ] Ellen G. White, Tesfem%7ihos Pcirc[ Mínis[ros c

depositar os dízimos do Senhor: a "casa do Obreíros Evcmgézjcos (Tatuí, SP: Casa Publicadora
tesouro" da lgreja. Para os adventistas do Brasileira, 1993), 26.

sétimo dia, não é admissível outro emprego Z Ellen G. White, Testimo".€s for th€ ChtÁrch (Montain
do dízimo. View, CA: Pacific Press, 1948), 9:247~249.
3 Ellen G. White, SPccjczz Tes[i.monjcs, Series A,
Deus espera que Seu povo se una espi~ n° 1, 52~53.
ritualmente, e avance financeiramente em

IEI
Parousia 2o Semestre 2001, Vol. 2, No 2,13~26
Copyright © 2001 SALT.

DESTAQUES DO COMEÇO
DO SISTEMA DO DÍZIMO NA
IGRETA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA

ARTHUR L. WHHTE #
Ex-Diretor do Patrimônio Literário Ellen G. White

Arthur L. White expõe neste artigo uma As mais baixas quantias estipuladas são tão

suscinta descrição histórica da doutrina peciuenas que aqueles que se encontram nas cir-
cunstâncias mais precárias (com mui poucas exce-
dos dízimos e ofertas. A partir de um
ções de algumas viúvas, doentes e pessoas idosas)
plano simples chamado de "benevolência
poderão pôr este plano em prática; ao pa_sso que os
sistemática," o sistema dizimal gradati-
que estão em melhores condições poderão desem-
vamente se desenvolveu, firmando-se em
penhar a sua mordomia, no temor de Deus, dando
sólidas bases bíblicas. desdé as menores até às mais altas quantias esti,
puladas, ou mesmo mais, como acharem ser o seu
Arthur L White exposes in this article dever.'
a brief historical description of the doc-
trine of tithing and offering. Beginning
with a simple plan called "Systematic Com apenas algumas modificações
Benevolence," the tithing system develo- insignificantes, esse plano foi adotado na
ped itself within the Seventh~day Adven- Assembléia da Associação Geral, em 4 de
tist Church over the years, until it was junho de 1859.Z
finally grounded on a solid biblical foun~
dation.
0 QUE SERIA FEITO COM 0 DiNHEiRo

 benevolência sistemática, como pri~


meiro foi proposta e adotada pelos
adventistas que observavam o sábado, em
Quando as igrejas começaram a pôr em
prática o plano adotado em Battle Creek`
1859, constava de um plano sistemático surgiu uma pergunta acerca do uso do
de dar não somente com base numa por~ dinheiro assim arrecadado. Tiago Whi[e
centagem, mas de dar também ofertas respondeu a essa pergunta:
voluntárias. Este plano foi recomendado
na reunião de janeiro de 1959, em Battle 0 irmão 1. C. Vaughan escreve de Hiilsjai€.
Creek: Michigan, dizendo que a igreja nesse lugar -esi2
agindo de acordo com o plano da Bene`-oléncia Si_-
1. Que cada irmão, dos dezoito aos sessenta temática e gostando muito dele," e pergunta= -Que
anos de idade, ponha de parte, no primeiro dia de deverá ser feito com o dinheiro no t-im dci mà.`-
cada semana, de cinco a vinte e cinco centavos de
dólar. Sugerimos que cada igreja guarde [`eiLi rimu+i 5
dólares na tesouraria para ajudar os pregadil{iEs que
2. Que cada irmã, dos dezoito ac>s sessenta anos ocasionalmente a visitam e trabalham entre elas.
de idade, ponha de parte, no primeiro dia de cada Isto parece ser necessário. A escassc= de dinhciro
semana, de dois a dez centavos de dólar. é tanta que os nossos bons irmãi`s raramente se
acham preparados para ajudar um men_ügeiro em
3. Além disso, qiie cada irmão e cada irmã sua viagem. Deve haver a[guns dólares em cada
ponha de parte, no primeiro dia de cada semana, tesouraria de igreja. Além dissii. a di`-ida do empre~
de um a cinco centavos para cada cem dólares de endimento da tenda, etc. rei\indica o produto da
propriedade(s) que possuem. Benevolência Sistemática neste Estado [Michigan].3

~13,
E em 29 de janeiro de 1861, Tiago Por que a palavra "dízimo" não apare~
White pôde relatar o seguinte da lgreja ceu de modo mais proeminente desde o
de Battle Creek: começo? Quando os pioneiros passaram a
fazer considerações sobre a organização, na
Como resultado de cumprir estritamente o década de 1850, isto sucedeu no âmbito
plano do Céu, há agora em nossa tesouraria (8. da "ordem evangélica." Eles olharam para
C.) 150 dólares à espera de algum objetivo plausí~ o Novo Testamento como modelo. Encon-
vel que realmente promova a causa da verdade.4 traram~no, em grande parte, na designação
dos sete diáconos, e não na designação dos
70 anciãos, por Moisés. Em 1854, E11en
INTRODUZID0 COMO White iniciou o seu primeiro artigo com~
o "DÍziMo" EM 1861 pleto sobre este
"0 Senhor temassunto com estas
mostrado que apalavras:
ordem
No mesmo mês em que se referiu à evangélica tem sido demasiado receada e
benevolência sistemática como o dízimo, negligenciada."
Tiago White escreveu:
Tiago White, em 1853, no seu primeiro
Propomos que os amigos dêem o dízimo ou a apelo para que os adventistas observado~
décima parte de sua renda, orçando essa renda em res do sábado apoiassem financeiramente
dez por cento do que possuem.5 o ministério, apresentou-o sob o título
"Ordem Evangélica." Ele valeu~se do Novo
Pouco depois disso, ele explicou Testamento para reforço. Declarações pos~
melhor o plano: teriores, que defendiam a continuação do
dever de dar o dízimo além da cruz, insi~
Nós nos referíamos apenas [na sua declaração nuam que, a princípio, supunha~se geral~
publicada no GoocZ Scmciíjtcm, n° 5] ao que as igre, mente que a responsabilidade do dízimo
jas estão adotando em Michigan, isto é, eles consi~ cessou com a morte de Cristo e, portanto,
deram o uso de sua propriedade como equivalente Malaquias 3 não impunha obrigações aos
a dinheiro a dez por cento. Estes dez por cento crentes de nosso tempo.8
são por eles considerados como o lucro de sua
propriedade. 0 dízimo disso seria um por cento, Em 1875, ao insistir na questão do
e corresponderia aproximadamente a 2 centavos
dízimo de um décimo da renda, E11en
por semana para cada cem dólares, que os nossos White reconheceu que: "Alguns classifi~
irmãos, por conveniência, são unânimes em pôr a
carão isto como uma das rigorosas leis a
Parte....
que os hebreus estavam obrigados."9 Mais
adiante ela declara:
Em seguida vêm as dádivas pessoais. Os rapa~
zes que não têm propriedades ponham~se nobre~
0 sistema especial de dízimos baseia-se em um
mente à altura neste pont.o, e também as moças.6
princípio tão duradouro como a lei de Deus. Esse
sistema foi uma bênção ao povo judeu, do contrá~
RAZÕES PARA A ESCOLHA DA rio o Senhor não 1ho teria dado. Assim será igual~
EXPRESSÃ0 "BENEVOLÊNCIA SisTEMÁHCA" mente uma bênção aos que o observarem até ao fim
do tempo. Nosso Pai celeste não instituiu o plano
da benevolência sistemática com o intuito de enri-
Conquanto a palavra "dízimo" não
apareça muitas vezes nas apresentações quecer~Se, mas para que o mesmo fosse.úma grande
bênção ao homem. Viu que o referido sistema era
dos planos para a benevolência sistemá~
exatamente o que o homem necessitava.í°
tica, a documentação completa indica que
a principal e mais vigorosa fase deste
plano baseou~se decisivamente no princí~ Por conseguinte, a força. da argumenta~
pio do dízimo e que as medidas tomadas cão em favor da manutencão da obra de
=uas décadas mais tarde foram somente beus adveio, primeiramenté' do Novo Tes~
i:rimoramentos e expansões do que se tamento; mas, ao avaliar as obrigações dos
_-_=`|a adc`tado em 1859. Eles não foram crentes, utilizou~se o princípio do dízimo.
=i.-:s f:anlls separados e distintos. Cumpre notar que, embora a benevolência

~14`
sistemática adotada por nossos antepassa- do que possuem, isso equivalerá a cerca de dois cen~
tavos de dólar por semana sobre cada cem dólares
dos fosse mais ampla do que o dízimo, ela
de propriedade. Além disso, qiie [odos os que pude-
incorporava o dízímo.
rem fazê~lo, dêem um donativo para cada semana,
mais ou menos, de acordo com sua capacidade. Isto
E11en G. White logo vinculou o dízimo
é necessário para inc[uir os que possuem apenas
à benevolência sistemática. Primeíro asse~
uma pequena ou nenhuma propriedade, mas têm
gurou à lgreja em junho de 1859: "0 plano aptidão para ganhar algo, e devem dar uma parte
da benevolência sistemática é agradável a de seus rendimentos. Conquanto algumas viúvas,
Deus." E, então, em janeiro de 1861, num ou pessoas idosas e enfermas devam ser dispensa~
artigo intitulado: "Benevolência Sistemá~ das [da contribuição pessoal], os jovens e as pessoas
tica," ela escreveu: "Não roubeis a Deus ativas que têm apenas uma pequena ou nenhuma
dEle retendo os vossos dízimos e ofertas."]2 propriedade, devem pôr a parte um generoso dona~
tivo pessoal semanal ....
As edições da ReujeuJ cmc! Hc7tzld durante
a década de 1860, continham dezenas de Aqueles cuja renda é maior do que dez por
artigos que faziam alusão à benevolência cento de sua propriedade podem pagar uma propor-
sistemática, relatavam o êxito do plano e ção mais elevada de seus rendimentos. 0 dízimo,
davam conselhos a respeito do seu funcio~ ou a décima parte, do seu aumento é apenas e exa-
namento. tamente um décimo do seu aumento patrimonial.
Se um irmão ou uma irmã teve, durante 1864, um
aumento patrimonial de mil dólares, o dízimo seria
de apenas cem dólares.]3
0 PLANO EXPOSTO
NoVAMENTE EM 1864
UM PLAN0 COM ALGUNS DEFEITOS
Tiago White expôs novamente o plano
em novembro de 1864 e, ao fazê~1o, ligou~o No sistema dizimal, assim como em
bem de perto ao dízimo: diversos outros aspectos da verdade que
passaram a fazer parte da doutrina adven~
Requeria~se que os filhos de lsi-ael dessem o tista fundamental, nossos pioneiros não
dízimo, ou a décima parte, de codos os seus aumen- discerniram toda a sua beleza e perfeição
tos .... E não podemos supor que o Senhor requeira desde o começo. Eles procuravam encon-
menos de Seu povo quando o tempo é enfatica~ trar um sistema financeiro que se harmoni-
mente breve, e uma grande obra deve ser realizada zasse com a Ordem Evangélica. 0 Senhor
no uso de seus recursos para transmitir a última os guiou de acordo com o que podiam `-er.
mensagem de misericórdia ao mundo. Diz o pro~
aceitar e seguir o desdobramento da `-er~
feta: [cítação de Ma_laquias 3:8-10].
dade baseada na Bíblia. Houve um desen-
volvimento gradual, tanto na base Fara
Se o profe[a Malaquias não está ensinando aí
determinar as obrigações dos cren[es como
que se ponha em prática o sistema dizimal israehta,
no uso exato que deveria ser dado a essu
ele certamente está impondo um dever da mesma
fonte de renda do Evangelho. A grande
natureza, e suas palavras poderão impressionar~nos
necessidade era o sustento do ministério.
com toda a força e o princípio ser posto em prática
e os fundos produzidos pela benti-|+érL-ia
pela obediência à linguagem de Paulo: "No primeiro
dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em
sistemática, que incluía tanto lis drimcu
casa," etc. Nosso Senhor declara: "Mas ai de vós, como as ofertas, iam quase que ex] [lusi`¥
fariseus! Porque dais o dízímo da hortelã, da arruda mente para o sustento ministeriàl. Ei[e[o
e de todas as hortaliças, e desprezais a justiça e o os empregados das casas pubhcadoias e.
amor de Deus; devíeis, porém, fazer estas coisas, depois de 1866, os obreiros do sanatório`
sem omitir aquelas." que obtinham o sustento das rendas dãsas
instituições, todos os demais c5[a`am nos
Como podemos pôr em prática essas excelentes setores ministeriais.
sugestões? Recomendamos o seguinte plano, que
todos, com bem poucas exceções, podem adotar: Houve muitas ret-erénlias à bene`Tolên,
cia sistemática e ao di.|mo durante a parte
Se os irmãos derem o dízimo, ou a décima parte, final da década de 1860 e na década de
cle sua renda, orçando sua renda em dez por cento 1870. E11en White, no Testermmho n° 24,

~15~
escrito em 1874 e publicado em janeiro por cento da renda real. Verificou~se que o
de 1855, dedicou 28 páginas a "Dízimos e plano anterior era defeituoso. Num caso,
Ofertas," seguidas de cinco páginas sob o segundo o plano antigo, o dízimo impor~
título de "Benevolência Sistemática."14 tou em dez dólares por mês, ao passo que,
sob o novo plano, de autênticos dez por
Em 1876, os dirigentes tiveram a convic~ cento da renda, o dízimo importou em 36
ção de que havia defeitos no plano, espe~ dólares por mês.
cialmente na maneira como era calculado o
dízimo. 0 trecho que segue provém de uma
assembléia especial da Associação Geral 0 PLAN0 APERFEIÇOAD0
realizada no começo daquele ano: DELINEADO NUM PANFLET0 i)E 1878

Então, foram feitas observações pelo irmão Can~ De acordo com o voto da assembléia,
right, sobre o assunto da Benevolência Sistemática. o plano aperfeiçoado foi exposto aos cren~
Tomando como base certos fatos bem determina~ tes num panfleto que, significativamente,
dos, ele mostrou que se todos correspondessem ao levava o título de Ben€uo[êncjci Sístcmá£jcct
plano bíblico da 8. S., o montante em nossas filei~ ou o Plano Bíblico de SustentaT o MinistéTio.
ras atingiria o total de 150.000 dólares anuais, em Ele era apenas um aprimoramento, com
lugar de cerca de 40.000 dólares atuais. 0 Senhor uma maneira melhor de calcular o dízimo
diz: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro," e a apresentação sob o título familiar
e enquanto isso não for feito, o Senhor não será
"provado" para vermos se Ele não derramará bên~ de "Benevolência Sistemática." Lemos na
declaração introdutória do panfleto:
çãos sem medida. Em seguida, o irmão White fez
prolongados e impressionantes comentários sobre o
0 assunto da benevolência sistemática está sob
mesmo assunto.
consideração prática, pelos adventistas do sétimo
dia, por um período de vinte anos ou mais. E não
0 irmão Canright propôs as seguintes resolu-
foram julgadas necessárias modificações substan-
cões sobre o assunto da Benevolência Sistemática,
ciais do sistema adotado antes, até dois anos atrás.
que foram unanimemente adotadas pela assembléia As razões para estas modificações são apresentadas
e congregação:
nas páginas que seguem.

Resolujcío: Que cremos ser o dever de todos os "Quanto devo dar para o sustento do evan~
nossos irmãos e irmãs, quer estejam ligados a igrejas
gelho?" Depois de examinar cuidadosamente o
quer vivam sÓs, em condições comuns, dedicar um assunto sob todos os aspectos, respondemos: "0
décimo de toda a sua renda, de qualquer fonte, à
dízimo de toda a nossa renda."
Causa de Deus. E mais:

Isto não significa um décimo de nosso aumento


ResoJudo: Que chamemos a atenção de todos os
patrimonial anual, depois de ser pago o custo do
nossos pastores para o seu dever, nesta importante
alimento e vestuário e de outras despesas, mas que
questão, de apresentá~1a, clara e fielmente, a todos nove partes de nossa renda devem cobrir todas essas
os seus irmãos, instando com eles para que corres-
despesas, ao passo que o dízimo de nossa renda é do
pondam aos requisitos do Senhor neste assunto. Senhor, para ser sagradamente dedicado para o sus~
tento do ministério. Consideramos o p[ano de nos
Proposto € ciprovciclo que o presidente designe
comprometermos a dar anualmente uma importân~
uma comissão de três pessoas, sendo ele mesmo
cia equivalente a um por cento de nossas proprieda~
um dos componentes dessa comissão, para prepa~
des defeituoso em vários aspectos:
rar um panfleto sobre o assunto da benevolência sis-
temática. 0 presidente designou D. M. Canright e
1. Não é dado o dízimo de nossa renda ....
U. Smith para atuarem junto com ele nessa comis~
Temos a convicção de que nosso povo tem roubado
são.`5
de Deus mais da metade dos dízimos que são Seus,
ao agir de acordo com o plano imperfeito de pagar à
Por volta do ano 1878 fora efetuada uma 8. S. apenas a importância de um por cento ao ano
sobre o valor de suas propriedades.
modificação no plano de calcular a porcen~
tagem da doação ou do dízimo, passando
2. As palavras de Paulo no tocante a este assunto
de aproximadamente um por cento ao ano ~ "conforme a sua prosperidade" ~ estão em estrita
da avaliação total da propriedade, para dez

16~
harmonia com o sistema no Antigo Testamento, que
primeiro ao Novo Testamento e, então, ao
reivindica um décimo de todas as rendas do povo do
Antigo Testamento - como a base de um sis~
Senhor como Seu. Consideramos o seguinte com~
terna financeiro para a lgreja.
promisso apropriado e bíblico para ser assumido
por todo o nosso povo:
Quando o plano das finanças evangéli~
cas foi adotado no fim da década de 1850,
Prometemos solenemente, diante de Deus e uns
os setores do trabalho da lgreja eram limi~
dos outros, pagar conscienciosamente, ao tesoureiro
da Benevolêncía Sistemática, o di'zimo de toda a
tados. Havia os que se empenhavam nas
nossa renda, para ser guardado, quando recebido, e atividades ministeriais e havia a obra de
pago no primeiro domingo de cada um ilos quatro publicações. Esta última era mantida pela
trimestres do ano; isto é, no primeiro domingo de venda de literatura e por donativos voluntá~
janeiro, no primeiro domingo de abril` no primeiro
rios.
domingo de julho e no primeiro domingo de outu,
bro. Quando a obra do sanatório começou
em 1866, formou~se uma sociedade anô~
3. Pelo plano defeituoso, os que tinham pequena nima, e no começo parecia que esse empre-
ou nenhuma propriedade, tendo no entanto consi~ endimento iria ganhar dinheiro, produzindo
derável renda, em alguns casos rouba\Tam o Senhor não menos de dez por cento de lucro sobre
em quase todos os dízimos de siias rendas reais. o investimento. A obra médica, embora não
Pelo plano bíblico, um dólar de cada dEz que são tão 1ucrativa como a princípio parecia, não
ganhos é assegurado para a Causa do Senhor. Só foi o recipiente da benevolência sistemática.
isso fará uma diferenca de muitos milhares de dóla~
res a serem lançados no tesouro do Senhor, para o As escolas também não buscaram por
sustento da Causa de Deus. essa fonte financeira quando nossa obra edu-
cacional foi iniciada no começo da década
E não podemos ver por que i.a=ão as nossas ins.
de 1870. Os três primeiros projetos edu-
tituições, como casas publicadoras` escolas, sana.
cacíonais da lgreja que surgiram antes do
tórios e associações locaís não de\'am colocar no
início do plano de benevolência sistemática,
tesouro do Senhor o dízimo de toda a sua renda.
buscaram auto sustento a partir das anuida~
Elas são devedoras ao Senhor e Seus se[\Tos por sua
des escolares. Foi exatamente o que aconte-
existência e prosperidade. Como rEcebem o amparo
da Assc)ciação Geral, seus dí:imc`s de\-em ser colo~
ceu com a escola que Bell iniciou em Battle
cados na tesouraria da Associação Geral. A quan~
Creek, no fim da década de 1860. A escola
tia anual a ser coletada, sÓ de niissas instituições fundada em Battle Creek, em 1872, com
em Battle Creek, não seria inferior a 4.000 dólares, o apoio da Associação Geral, funcionava
certamente uma quantia cons[derá\.el a ser lançada também com base na cobranca de taxa esco
numa tesouraria que não somente es[á \'a2ia, mas na lar. Essa escola era a única'realmente em
realidade, em dívida. E se nossas associações locais funcionamento quando houve a reorganiza~
também pagarem o dízimo de sua renda à tesouraria ção no plano de benevolência sistemática
da Associação Geral, será suprida uma necessidade de 1878. Foi somente em 1882 que o Colé-
que há muito tempo vem sendo notada.]6 gio Headsburg e o Colégio South Lancaster
foram estabelecidos, e não há indícios de
que eles, de algum modo, tenham recorrido
0 DESENVOLVIMENT0 DA à benevolência sistemática ou aos fundos
NOÇÃO D0 US0 CORRET0 DO DÍZIMO provenientes do dízimo. De fato, como mos-
tram os registros, a demanda dos setores
Não só houve um desenvolvimento na ministeriais da obra exerceram forte pressão
compreensão do que constituía um dízimo sobre os recursos da benevolência sistemá-
correto, mas também um desenvolvimento tica.
na compreensão do uso que lhe devia ser
dado. 0 padrão da história nessa questão é
semelhante ao de outros desenvolvimentos NENHUMA SEGREGAÇÃO DE FUNDOS
entre nós. 0 Senhor não especificou todos
os pormenores, 1ogo no início, por meio de Os fundos da benevolência sistemática
uma visão a E11en White. Ele preferiu con~ providos para a organização não eram divi-
duzir os nossos antepassados às Escrituras ~ didos pelos doadores ou pelas igrejas locais

IFI
entre fundos estritamente de dízimo e ofertas liberais" como meio de sustentar
fundos de ofertas, nem eram separados vários aspectos da obra da lgreja. Observe~
nos livros de contabilidade das associa~ mos alguns destaques desse artigo:
ções ou da Associação Geral. Os conselhos
do Espírito de Profecia recomendam com
freqüência que haja fidelidade, para que Instituições
o ,"tesouro seja constantemente reabaste~
cido," mas antes de 1880, as instruções não 0 egoísmo e a fraude são diariamente praticados
delineiam precisamente como os fundos da na igreja no reter de Deus aquilo que Ele reclama,
benevolência sistemática devem ser usados, roubando~O assim, e entravando Suas disposições
nem impõem as restrições apresentadas para difundir a luz e o conhecimento da verdade pela
anos mais tarde. extensão e largura da Terra.

Na R€uj€w cmcz H€7tzJc{ de 29 de novem~ Em Seus sábios planos, Deus fez com que o pro~

bro de 1864, Tiago White defende vigorosa~ gresso de Sua cibra t-osse dependente dos esforços
mente que todos os fundos da benevolência pessoais de Seu po\To, e de suas ofertas voluntárias.
Aceitando a cooperação do homem no grande plano
sistemática sejam colocados nas tesoura~
da sal\'ação, cont-eriu~lhe insigne honra. 0 ministro
rias locais ou na tesouraria da Associacão
não pode pregar a menos que seja enviado. A obra de
Geral ``para manter a proclamação da m'en-
comunicar a lu= não depende unicamente do minis~
sagem do terceiro anjo." Ele assevera: "Este tro. Toda pessoa` ao tornar-se membro da lgreja, com~
era o desígnio original para o nosso plano
prometeóe a ser representante de Cristo mediante o
de benevolência, e consideramos um erro \-i\.er a \-erdade que professa. Os seguidores de Cristo
muito grave afastar~se dele de algum modo." de\-em le\'ar a\'ante a obra que Ele lhes deixou a fazer
Reconhecia, porém, que havia exceções e quando ascendeu ao Céu.
que uma parte desses fundos poderia ser
usada localmente, de maneira própria, para Importa que se apóiem as instituições que são ins~
outras despesas além do sustento do minis- trumentos de Deus no promover Sua obra na Terra.
tério: Devem~se erigir igrejas, estabelecer escolas, e apare-
lhar as casas editoras com os meios necessários à
As igrejas que têm de construir casas de culto realização de uma grande obra na publicação da ver-
e cobrir as despesas de iluminação, combustível, dade a ser propagada por todas as partes do mundo.
etc., e não conseguem corresponder aos números Essas instituições são ordenadas por Deus, e devem
de nossa ilustração da benevolência sistemática, em ser mantidas com dízimos e ofertas liberais. À medida
adição a isso, poderão, na sua reunião anual, apro~ que a obra se dilata, necessitar-se~ão de meios para que
priar~se, por voto, de uma porcentagem de todos os ela avance em todos os seus ramos. Os que se con~
seus fundos da benevolência sistemática para tais verteram à verdade e se fizeram participantes de Sua
finalidades que acharem corretâs. Supomos, porém, graça, podem tornar~se coobreiros de Cristo mediante
que os casos em que semelhante procedimento se sacrifícios e ofertas a Ele feitos voluntariamente. E
torne necessário sejam muito raros." quando os membros da lgreja desejam, em seu cora~
ção, que não haja mais pedidos de meios, estão virtu~
almente dizendo que ficam satisfeitos com a falta de
Com as reconsiderações, em 1878, e a
progresso da causa de Deus."
adoção do plano de calcular o dízimo sobre
a "renda total," as tesourarias ficaram mais 0 plano da benevolência sistemática foi uma pro~
bem providas e os usos em que deveriam visão ordenada por Deus, mas o fiel pagamento de
ser aplicados os fundos da benevolência sis~ Suas reivindicações muitas vezes é recusado ou adiado,
temática tornaram~se assunto de estudo e como se solenes promessas não tivessem importância.
discussão. É Éorque os membros da lgreja deixam de pagar seus
dizimos e de cumprir seus compromissos que nossas
instituições não estão livres de dificuldades financei~
A DECLARAÇÃO DE ras. Se todos, ricos e pobres, trouxessem seus dízimos
ELLEN WHiTE EM 1879 à casa do tesouro, haveria suficíente provisão de recur-
sos para livrar a Causa. de dificuldades financeiras e
Perto do fim de 1879, E11en White redi~ nobremente levar avante a obra missionária em seus
vários departamentos. Deus requer que aqueles que
giu o artigo "A Santidade dos Votos."ís Nele,
são feitas diversas referências a "dízimos e crêem na verdade Lhe entreguem o que é Seu.2°

18~
0 Ministério Evangélico haviam feito. Uma conscienciosa minoria devolvia

e a Página lmpressa a Deus cerca de um terço de toda a sua renda


para benefício dos interesses religiosos e dos pobres.
Essas exigências não se limitavam a uma classe parti~
Ao comissionar os discípu[os a irem "por todo o
cular do povo, tocavam a fodos, sendo proporcionais
mundo" e pregarem "o Evangelho a toda criatura,"
às posses da pessoa. Além de todos esses donativos
Cristo designou aos homens a obra de propagarem
sistemáticos e regulares, havia objetivos especiais
o Evangelho. Enquanto, porém, alguns vão a pregar,
Ele pede. a outros que Lhe atendam às reivindi- que pediam ofertas voluntárias, como para o taber-
náculo construído no deserto, e o templo erigido
cações quanto aos dízimos e ofertas com que se
em Jerusalém. Esses saques eram feitos por Deus
possa sustentar o ministério e disseminar a verdade
sobre o povo, ao mesmo tempo que para manuten-
impressa pela Terra inteira. Este é o meio pelo qual
Deus quer exaltar o homem. É justamente a obra Ção de Seu serviço, para o próprio bem deles.22
de que Ele necessita; pois moverá as mais profundas
simpatias de seu coração, chamando à ação as mais
elevadas faculdades do espírito.2'
Nossa Obra Necessita Dez vezes Mais

Devemos fazer ao Senhor a primeira doação


Na Proporção da Renda e das Posses de todas as nossas receitas. No sistema de bene,
volência ordenado aos judeus, ou deles se exigia
Nesse mesmo artigo, ao tratar dos recla~ que levassem ao Senhor as primícias de todas as
mos sobre lsrael para benevolência, E11en suas dádivas, fosse aumento de seus rebanhos e
White escreveu: manadas como no produto dos campos, pomares
ou vinhedos, ou deveriam eles redimi~las, dando
Segundo a importância concedida, será a soma em substituição o equivalente. Quão diversa é a
requerida. Quanto maior o capital confiado, tanto ordem de coisas nos nossos dias! As reivindicações
maior a dádiva que Deus requer Lhe seja devolvida. e reclamos do Senhor são deixados para o fim, se
Caso um cristão possua dez ou vinte mil dólares, os é que recebem alguma atenção. No entanto, nossa
direitos de Deus sobre ele são imperativos no sen~ obra necessita de dez vezes mais meios agora do
tido de dar, não somente a proporção relativa ao sis~ que necessitavam os judeus. A grande comissãli
tema dizimal, mas de apresentar-Lhe as ofertas pelo dada aos apóstolos foi a de irem a todo o mundo
pecado e as ofertas de gratidão. A dispensação leví- pregar o Evangelho. Mostra isso a extensão da
tica foi distinguida de maneira notável pela santifi~ obra, e a crescente responsabilidade que repc`u_ü
cação da propriedade. sobre os seguidores de Cristo, nos nossos dias.
Se a lei exigia dízimos e ofertas milhares de an®s
atrás, quão mais necessários são eles agora! S€ rici`s
Quando falamos do dízimo como a norma de
contribuição dos judeus para fins religiosos, não e pobres deviam dar uma importância proç`irc:i+
falamos com compre-ensão. 0 Senhor colocava Seus nal a sua prosperidade, na economia judaica. issi
direitos como o primeiro dever, e em quase todos os agora, é duplamente indispensável.
artigos era~lhes lembrado o Doador mediante o pre~
ceito de fazer~Lhe doações. Exigia~se~1hes que pagas~ A maioria dos cristãos professos pamlh2 icii<
sem o resgate dos primogênitos, das primícias dos recursos com grande relutância. Muitc`s de!S =.+h-r
rebanhos e das colheitas. Cumpria~1hes deixar os dão a vigésima parte de sua renda par`a D=+i<. E
cantos de suas searas para os destituídos de bens. muitos dão muito menos do que isso: ao ç.as+sl` .irue
Qualquer coisa que lhes caísse das mãos ao fazerem há uma grande classe de pessoas qu€ rLi';E::2J= a
a sega, era deixado para os pobres, e a cada sete Deus do pequeno dízimo e oiitros que ai;`e.:tjis di`
anos, as terras deviam ser deixadas livres, ficando o dízimo. Se todos os dízimos de nl`ssc` F|`L` [lh+
para os necessitados o que elas produzissem espon~ íssem para o tesouro do Senhor corBii _ien=nam.
taneamente. Além disso havia as ofertas sacrificais, seriam recebidas tais bênçãos que as dádr`|< e ofer-
ofertas por ofensas, ofertas pelo pecado, e a remis~ tas para finalidades sagradas se multiFli`:ariam de=
são, a cada sete anos, de todas as dívidas. Havia vezes, e assim o conduto en[re Deus e il h{}mem
também numerosas despesas com hospitalidades e permaneceria aberto. Os seguidoreLs de Cri`=io não
dádivas aos pobres, e havia impostos sobre suas pro~ devem esperar que emocionan[es apelos missioná-
priedades. rios os despertem para a ação. Se esritrem espi-
ritualmente despertos` ou`irão m renda de cada
A determinados períodos, a fim de conservar a semana, quer seja muita ou pouca, a `-o= de Deus
integridade da lei, o povo era entrevistado quanto e da consciência, requerendo com autoridade os
a sua fidelidade no cumprimento dos votos que dízimos e as ofertas de`-idos ao Senhor.:3

19~
NECESSIDAI)E DE MAIS DEFINIÇÕES então teoricamente o princípio do dízimo e, até certo
Ponto, o tem posto em prática desde esse tempo.26
Por volta de 1880, o conceito geral
era que os fundos provenientes do dízimo Tratando sobre o dízimo, Butler expõe:
deviam ser dedicados exclusivamente para o
sustento do ministério evangélico. Nota~se As questões na Causa estão assumindo i[m novo
esta ênfase em Tiago White: aspecto. Cada vez mais, chegam novos reclamos, no
setor dos obreiros, e certamente chegou o tempo de
0 dízimo é do Senhor ~ desde a queda do homem sermos honestos para com Deus, dando a Ele o que
tem sido necessário que haja homens inteiramente Lhe pertence.27
dedicados ao serviço de Deus. Parece que desde o
princípio o Senhor ensinou Seu povo a dedicar um Então, ao salientar o que tornava isso
décimo para o sustento de Seus ministros.24 necessário, ele fez esta declaração:

Ainda em 1880, algumas igrejas locais Até alguns anos atrás, o dízimo era quase que
devem ter~se valido de fundos do dízimo para inteiramente usado para o sustento de ministros do
cobrir suas despesas. Pelo menos, é o que se evangelho - os que pregam no púlpito. De algum
deduz de um voto tomado em 6 de outubro, moclo, universa[mente parecia ser compreendido que
na Assembléia da Associacão Geral. outros não tinham direito a alguma parte do dízimo.
Mais recentemente, porém, tornou~se costumeiro
R€solujdo: que nenhuma igreja deve dedicar pagar os secretários de nossas Sociedades de Publica~
alguma parte do dízimo para a construçãc> ou o reparo ções e Sociedades Missionárias locais com o dízimo,
Je seu templo, sem o lívre consentimento da Comis- e nossas comissões revisoras ajustaram com eles o
sàl` |i .lssc`ciação estadua|.25 mesmo que com os ministros. Em muitos casos, efe~
tuar isso tem requerido considerável argumentação.
.\ Igreia esta\Ta agindo com cuidado.
EmboraL o -cc`nceito geral fosse que os recur~ No último ano, ou nos dois últimos anos, outra
classe também tem estado labutando na Causa, e
sos do dí=imo de\'iam ser reservados para o
surgiu a pergunta: "Como eles serão pagos?" Refe~
ministério c`.angélico` os reclamos de uma
rimo~nos aos colportores e obreiros missionários de
obra em desen`=ol`-imento e maior quanti~
diferentes espécies, labutando no campo ou em mis~
dade de recursos disponí\'eis conduziram
sões urbanas. Estes, em muitos casos, têm sido pagos
a uma atitude mais lit`eral` qiie também
com o dízimo. Em diversas situações, porém, isso
era defendida pelo presidente da Associação
tem exercido forte pressão sobre o tesouro, e em
Geral. George 1. Butler esi`re\-eu um pan~
alguns casos o ministério nã_o tem obtido razoável sus~
fleto que não contém a data de sua publica~
tento por esse motívo. A questão tem~se destacado de
ção, mas as evidências indicam que issli de\'e maneira tão incisiva que precisa ser enfrentada e resol~
ter ocorrido em 1884:
\,ida.

Antes de 1878, procuramos executar um plam


Muitos podem trabalhar tão eficientemente na
denominado"Benevolênciasistemática.'Cada[`esL+|a
ot`ra missionária como colportores e obreiros, como
avaliava o preço de sua propriedade, e de: p`)r i-en[o
||s que pregam do púlpito. Muitos, sem dúvida, irão
desse valor era orçado como sua renda; então` a
colportar e ganhar o suficiente para viver com os
décima parte desta última era o dízimo que ela de\-ia
lucros sobre as vendas, mas há muitos outros que não
pagar sobre sua propriedade. Além disso, ha`-ia dona-
tivos pessoais, semanais. Isto era, como seu nome podem ser sustentados dessa maneira, e cujos traba-
indica, benevolência sistemática; mas estava longe de lhos são necessários para transmitir a verdade. Como
ser a mesma coisa que o dízimo biblico. 0 dízimo serão mantidos.7

de modo algum é benevolência. Ele não nos pertence


para ser dado por nós; mas é do Senhor durante todo Depois de ponderar sobre o assunto, resolvemos
esse tempo. a questão em nossa própria mente. Cremos que o
dízimo é designado por Deus para o sustento, até
A questão do dízimo foi apresentada à Associação onde for possível, de todos os obreiros que são cha~
Geral em outubro de 1878, e nomeou~se uma comis~ mados pela Causa do Senhor para dedicar seu tempo
são de cinco [três] pessoas para preparar um estudo a esta obra. Não conhecemos outro sis[ema especial
sobre este assunto. Nosso povo, em geral, aceitou com esta finalidade.28

~20-
1izar trabalho missionário na pátria [EUA] e nas
Notem que os professores da escola da
missões estrangeiras, e a enviar missionários a
lgreja não são mencionados. Nesse tempo
todas as partes do mundo, os que manejavam inte,
não tínhamos um programa educacional
resses sagrados deveriam ter tido c[aro e santifi~
organizado.
cado discernimento para compreender como os
recursos deviam ser utilizados. Quando eles vêem
Até que ponto as opiniões expressas pelo
pastores labutando sem dinheiro para sustentá~los,
pastor Butler podem ter sido incorporadas e o tesouro está vazio, então esse tesouro deve ser
aos regulamentos da lgreja é uma questão rigorosamente guardado. Nenhum centavo deve ser
que ainda poderia ser investigada. retirado dele. Os pastores têm tanto direito ao seu
salário como os obreiros empregados no escritório
Houve considerações sobre o uso mais da Review and Herald e os funcionários da Casa
amplo do dízimo na Comissão da Associa~ Publicadora Pacific Press. Tem sido praticado um
ção Geral, em 13 de outubro de 1896, na grande roubo nos escassos salários pagos a alguns
Assembléia Outonal. Citamos apenas um dos obreiros. Se eles dedicam seu tempo, pensa-
trecho das Atas: mento e trabalho ao serviço de Mestre, devem
receber salário suficiente para prover alimento e ves-
0 pastor Breed pediu orientação sobre o conse- tuário à família.
lho que devia ser dado às igrejas a respeito do uso
do dízimo para pagar dívidas e despesas da igreja. Foi A luz que o Senhor me tem concedido sobre
mostrado que, embora nossas igrejas, em geral, tives- este assunto é que os recursos na tesouraria para
sem o costume de manter o seu dízimo no conduto sustento dos ministros nos diversos setores não
regular - o sustento do Evangelho ~ em alguns casos, devem ser usados para quaisquer outras finalidades.
especialmente entre duas ou três das maiores igrejas Se foi pago um dízimo honesto, e o dinheiro que
da denominação, a prática usual, a esse respeito, entrou na tesouraria foi cuidadosamente guardado`
não estava sendo seguida. Os membros da comissão os ministros receberão um salário justo .... 0 minis-
expressaram o seu pesar por semelhante situação, e tro que trabalha deve ser sustentado. Apesar disso`
sugeriram que fossem tomadas medidas para corrigi-la porém, os que exercem funções oficiais nesta obra
0 mais depressa possíve|.29 acham que não há dinheiro na tesouraria para pagar
esse ministro. Eles estão retirando o dízimo para
outras despesas - para suprir as necessidades da casa
Nossa pesquisa indica que em meados da de culto ou para alguma caridade. Deus não é glor+
década de 1890, o Senhor, por intermédio ficado em alguma obra dessa natureza .... De`'eir, s€r
de E11en G. White, deu instruções específi~ trazidas dádivas e ofertas pelas pessoas que tém o
cas, requerendo uma praxe rigorosa quanto privilégio de possuir casas de culto .... Seja et-etuadli
ao emprego do dízimo. Isso sucedeu numa trabalho de casa em casa, apresentando às t-amiliaL<
comunicação escrita de Cooranbong, Nova em Battle Creek e Oakland o seu de\'er de de`serrr
Gales, Austrália, em 14 de março de 1897. penhar uma parte para cobrir essas des[`t>sas. i`j€
Ela foi publicada pela Associação Geral num podem ser chamadas de comuns ou secul2res. r=|<
não se roube o tesouro.3°
panfleto de 39 páginas, em 21 de maio de
1897:
Embora tornasse claro que igrejas bem
Tenho recebido cartas de Oakland e Battle Creek, estabelecidas, como as de Oakland e Battle
pedindo informações sobre a distribuição que é feita Creek, não deviam usar os recurscis dLrt
do dízimo. Os tesoureiros supunham estar autoriza- dízimo para despesas de igrejas. Ellen
dos a usar o dinheíro do dízimo para cobrir as despe~ White, ao mesmo tempo (em ls9Tl rec®
sas da igreja, pois estas eram muito pesadas. Pe[o que nheceu que havia circunstânliaL` em que
me foi mostrado, o dízimo não deve ser retirado do tais recursos podiam ser usados para edifi-
tesouro. Todo centavo desse dinheiro é um sagrado cios de igrejas:
pecúlio do Senhor, para ser destinado a um uso espe~
cial. Há casos excepcionais` em que a ç`c.hre=a é tão
profunda que para conseguir {i imi` h'umik]e lugar
Houve um tempo em que era efetuado bem de culto, talvez seja necessaríi-i r-L-cr uso dos di=imos.
pouco trabalho missionário, e o dízimo se acumu~ Tal lugar não é, porém. BattlÉ Crei± nem Qkland.
lava. Em alguns casos, o dízimo foi usado para Considerem -os quc se rcúnen pan adorar a Deus -
finalidades similares às que agora são sugeridas. a abnegação e o espirito de sacTiricio de Jesus Cristo.
Quando o povo do Senhor se sentiu impelido a rea~ Que os irmãos que prot-6_üm scr filhos de Deus

~21~
estudem como podem negar~se a si mesmos, como A impressão de que a natureza sagrada do dízimo
podem desfazer~se de alguns dos seus ídolos e eco~ deixou de existir, está se tornando comum. Muitos
nomizar cuidadosamente em cada aspecto. Em cada perderam o senso dos requisitos do Senhor.34
casa deve haver uma caixa para a colocação de recur~
sos que sejam usados para as necessidades da ígreja.
MUDANDO A APLICAÇÃO DOS
RECURSOS PROVENIENTES DO DÍZIMO
Aqueles a quem são confiadas responsabilida~
des não devem permitir que o tesouro que Deus
Em muitas de suas declarações posterio~
designou para o sustento dos ministros, no campo
res acerca do uso do dízimo, Ellen White
de atividade, seja roubado para cobrir as despesas menciona como os recursos têm sido des~
em que se incorreu para manter em ordem e tornar viados para setores diferentes daquele para
confortável a casa de Deus. Milhares de milhares o qual o dízimo foi dedicado, isto é, o sus~
de dólares têm sido tirados dos dízimos e usados tento do ministério.
para essas finalidades. Isto não é como deveria ser.
As dádivas e ofertas que custaram alguma abnega, Ao examinar os antigos registros, verifi~
Ção devem ser trazidas à tesouraria. Convém que camos que em 4 de maio de 1898, a Comis~
em toda localidade na qual exista uma igreja, seja são da Associação Geral, numa reunião
criado um fundo separado, com a finalidade de a que compareceram os pastores lrwin,
pagar as despesas de que cada membro da igreja Jones, Evans e Moon, foi persuadida pelo
deve participar, de acordo com a sua capacidade.3t dr. J. H. Kellogg a permitir que o dízimo
pago pelos funcionários do sanatório fosse
Essa mensagem conduziu a uma troca de dedicado, sob a direção da Associação
correspondência. C. H. Jones, de Oakland, Médico~Missionária, para sustentar obrei~
escreveu imediatamente ao pastor Willian ros habilitados e enfermeiros, a fim de
White, dizendo que a igreja de Oakland transmitir a luz dos princípios da reforma
não estava usando o dinheiro do dízimo de saúde às diversas associações, para a edu~
para pagar as despesas da igreja, e E11en cacão da denominacão. Não está bem claro
White respondeu em 27 de maio de 1897, se ós recursos do dí;imo iriam diretamente
escrevendo minuciosamente, manifestando do sanatório para o campo, ou se o dízimo
aprovação e salientando outra vez a impor~ deveria ser pago à Associação Geral e esta
tância de reser\'ar os recursos do dízimo faria um estorno, provendo igual quantia
para a finalidade específica a que ele se para esse tipo de trabalho.
destina. Ela declarou: "Se hou\'er um exce~
dente de recursos na tesouraria, há muitos Em 27 de março de 1900, um relatório
lugares em que ele poderá ser usado estrita~ da Associacão Médico~Missionária e Bene~
mente da maneira designada." ficente, para a Comissão da Associação
Geral, forneceu "um relato das entradas e
No ano seguinte, Ellen White reafirmou dos desembolsos dos dízimos da família do
esse ponto, afastando qualquer dú\'ida: sanatório, de 25 de maio de 1898 a 31 de
dezembro de 1899." Junto havia uma cópia
Os ministros de Deus são Seus pastores. desig- do voto de 4 de maio de 1898, que dava
nados por Ele para apascentar o Seu rebanho. 0 autorizacão.
dízimo é Sua provisão para o seu sustento, e Ele
quer que seja considerado sagrado para essa t'inali- Em 4 de abril de 1900, surgiu a ques~
dade.33 tão acerca do procedimento aprovado em
4 de maio de 1898, e foi designada uma
Seis anos mais tarde, ela destacou nova- comissão que trouxesse uma recomenda~
mente este ponto de vista: ção sobre o rumo a ser seguido. A comis~
são apresentou o seu relatório em 6 de
0 dízimo deve ser usado para uma sÓ finali~ abril de 1900, assumindo a posição de
dade: sustentar os ministros a quem o Senhor desig~ que "eles não se sentiam livres para fazer
nou para realizarem Sua obra. Deve ser usado para uma recomendacão definitiva nessa oca~
manter os que proferem as palavras de vida para as sião." E o curios'o é que "a comissão, de
pessoas e assumem o encargo de cuidar do rebanho comum acordo, julgou prudente, por ora,
de Deus .... dar o assunto por encerrado." Evidente~

22,
mente, eles não estavam preparados para Os que trabalham díligente e abnegadamente,
entrar em atrito com o dr. Kellogg por causa sejam eles homens ou mulheres, trazem molhos

desse particular. para o Mestre; e as almas convertidas por seus labo-


res trarão seus dízimos ao tesouro.36

Há um relato indicando que, quando


o irmão Semmens foi enviado à Austrália, No ano seguinte, ela escreveu: "0
como obreiro médico-missionário, parte do dízimo deve ser para os que trabalham na
seu sustento véio do dízimo provido pela Palavra e na doutrina, sejam eles homens
família do Sanatório de Battle Creek. Entre~ Ou mulheres.37
tanto, o sentimento comumente refletido
em diversos documentos denota que a com~ Quando o volume 6 dos Testi.moní€s fo`r
preensão da lgreja era que o dízimo fora th€ ChtÁ7ich originalmente saiu do prelo,
reservado especialmente para o ministério. perto do fim de 1900, ele continha fortes
apelos para expansão da obra e a neces-
sidade de que isso fosse sustentado pelo
ANTIG0 VOTO DA COMISSÃO dízimo. No capítulo "A Direção e as Finan~
DA ASSOCIAÇÃO GERAL SOBRE ças da Escola," ela declarou:
RECURSOS D0 DÍZIM0 PARA
CONSTRUÇÕES DE IGREJAS Nossas associações olham para as escolas em
busca de obreiros educados e bem preparados, e
Em sua reunião do dia 28 de dezembro deviam dar a essas escolas um apoio mais caloroso e
de 1899, a que compareceram 0. A. inteligente. Tem sido comunicada positiva luz para
01sen, W. C. White, R. M. Kilgore, E. W. que os que ministram em nossas escolas ensinando
Farnsworth e A. T. Jones, a Comissão da a Palavra de Deus, explicando as Escrituras, edu-
cando os alunos nas coisas divinas, sejam susten~
Associação Geral tomou este voto:
tados com o dinheiro do dízimo. Estas instruções
foram dadas há muito tempo, e mais recentemente
Foi lida uma carta da irmã Gillett, de Grays~
têm sido aqui e ali repetidas.38
ville, Tennessee, pedindo permissão para eles rete~
rem os seus dízimos por um ano, a fim de ajudar na
construção de uma casa de culto. Um capítulo inteiro, intitulado "Dar a
Deus o Que Lhe Pertence," foi dedicado ao
Foi proposto e votado que o consenso desta dízimo e às ofertas, salientando vigorosa-
comissão é que de modo algum af)oíemos a retenção mente nossa responsabilidade em sustentar
de dízimos para tais finalidades.
com o dízímo os que transmitem a mensa-
gem de salvação ao mundo:
Segundo, que prometamos para os irmãos em
Graysville um donativo para ajudar na construção
[Deus] deposita Seus tesouros nas mãcE iH
de uma casa de cu|toá35 .
homens, porém requer deles que separem rieim±nEÊ
a décima parte para a Sua obra. Ordena que cs:+sa
0 DIZIM0 PARA 0S QUE TRABALHAM porção seja recolhida à casa do Seu tes++urci € 2
NA PALAVRA E NA DOUTRINA Ele entregue como propriedade Sua. Ela e saimia e
deve ser usada para fins santos, pa[a o su±iEn[Li ik
Perto do fim da década de 1890, Ellen que levam a mensagem de salvação ao muni-\. DEÜs
White, em diversas ocasiões, falou sobre a Se reserva essa parte para que não t~altEn iia:uis.LH

remuneração de mulheres na obra evangelís~ em Sua casa, e a luz da verdade possa scr -jE`ra3a a

tica, quer no púlpito sagrado, ou levando a todos os que estão distantes e os que esü: [`E.rtc`.

mensagem de porta em porta: Pela obediência escrupulosa dessa ordtm =Ê|-Lri-


cemos que todas as coisas pertencem ÍRI Scr:i:rh+H ....

Grande é a obra a ser feita no mundo, e todo


talento deve ser empregado em harmonia com os Deus, pondo a mão sobre aL< propria]2dt5 dos
retos princípios. Se uma mulher for designada pelo homens, lhes diz: "Sou Senhor de tc`3o ii l-nn-erso,
Senhor para fazer determinada obra, seu trabalho e esses bens são Meus. 0 dí:iml` que reti`-6tes. Eu o
deve ser estimado segundo c> seu valor. Todo o que reservei para sustento de Meus s€rus no seu tTaba-
trabalha deve receber o que lhe é devido, seja homem, 1ho de abrir as Escrituras acÉ que habitam nas regi-
seja mulher .... ões das trevas e aos que não entendem a Minha lei.

23~
Empregando o Meu fundo de reserva para satisfazer de expansão sem precedente na obra da
vossos próprios desejos, roubastes às almas a luz que
lgreja.
Eu lhes destinei. Dei~vos uma oportunidade, mas vós
a rejeitastes. Tendes~Me roubado a Mim, subtraindo as
Agora as ofertas da Escola Sabatina esta~
Minhas reservas. Por isto, `com maldição sois amaldi~
vam sendo arrecadadas de maneira regular. A
çoados' (Ml. 3:9)."
primeira ocorreu em 1878 ~ o ano da revisão
do plano dizimal ~ e foi usada para despesas
Enoseuapelopo+"Ajudaparaoscampos da escola sabatina local. Em 1885, as escolas
Missionários," ela especificou que o dízimo sabatinas deram os seus primeíros donativos
deve ser usado na obra missionária: para as missões. Em 1889 e 1890, as escolas
sabatinas proveram recursos para construir o
Todo converso à verdade deve ser instruído no barco missionário Pjtccii.m. Por volta de 1904,
[ocante às reivindicações do Senhor por dízimos e ofer~ a maior parte das ofertas da Escola Sabatina
tas. Ao se erigirem igrejas, esta obra precisa ser assu~ ia para as missões estrangeiras.
mida decididamente e levada avante no espírito de
Cristo. Tudo o que os homens desfrutam é por eles
recebido do grande empreendimento do Senhor, e 0 DÍziM0 E A
Ele Se deleita em que Sua herança desfrute os Seus MANUTENÇÃO DA ESC0IÁ
bens; mas todos os que estão sob o ensangüentado
estandarte do Príncipe Emanuel devem reconhecer sua
Foi nessa conjuntura, na virada do século
dependência de Deus e sua responsabilidade para com
XX, que empreendemos com seriedade a obra
Ele, devolvendo ao tesouro certa porção do que Lhe
educacional de nossa lgreja. Houve diversas
pertence. Essa parte de\Te ser empregada na otm mis~
sugestões a respeito de como devia ser susten~
sionária, em cumprimento da comissão que o Filho de
Deus confiou a Seus discípulos.+`
tado este ramo da obra. Em 29 de julho de
1901, Ellen White escreveu:

A década de 1890, assinalara uma impor~ 0 Senhor deseja que as igrejas, em todo lugar,
tante expansão em nossa obra educacional. assumam mais diligentemente a obra educacional da
Foram inaucq,urados colégios em Lincoln, lgreja, dando com liberalidade para sustentar os pro~
Nebraska; Walla Walla` Washington; e Coo~ fessores. Tem sido feita a pergunta: "0 segundo dízimo
ranbong, Austrália. É no \Tolume 6 dos Tcs- não poderia ser usado para manter a obra da escola
da lgreja?" Ele não poderia ser utilizado com melhor
íz.mo7ijes /or th€ ChitTich que encontramos a
finalidade do que esta.43
primeira declaração objeti\'a e definida a res~
peito de pagar prot-essores de Bíblia com o
dízimo: Em 29 de outubro de 1901, a Comissão
da Associação Geral tomou um voto sobre
0 que houver de melhor nil talento ministerial o segundo dízimo, determinando que certos
deve ser usado no ensino da B[blia em nilssas escolas. fundos do segundo dízimo fossem devolvi~
Os que são escolhidos para essa iit`ra prei-isam ser acu~ dos à União~Associação do Pacífico, mas sem
rados estudantes da Bíblia. € F||ssuidllres de profunda especificar o seu uso.
experiência crjstã, sendo seu salário pagll do t-undo do
dízimo.4i Por volta de 1904, quando houve a inau~
guração do Colégio de San Fernando, foi
Continuaria sendo dada ênfase à fiel mor- proposto que a escóla fosse mantida com
domia de cada membro da lgreja: o segundo dízimo, e mais ou menos nesse
tempo a Associação da Califórnia do Sul
Se todós devolvessem fielmente seus dízimos e publicou dois panfletos: 0 Segimc!o Dízz.mo,
devotassem ao Senhor as primícias de seus proventos, seu Fundamento Bíbtico e Uso Legítimo, escri.to
não escasseariam os fundos para a Sua obra. Mas a lei por R. S. Owen; e 0 Seg%7ido Dízjmo, escrito
de Deus deixou de ser respeitada ou obedecida, e daí por Clarence Santee e R. S. Owen. Contudo,
a premente necessidade que a caracteriza.42 E11en White assim escreveu em 27 de abril de
1904:
0 fator do cuidado que se deve ter no
emprego do dízimo tornou~se mais proemi~ Não vejo sabedoria no ato de a escola depender do
nente, e se intensificou na década seguinte, segundo dízimo para cobrir tão grande parte de suas

-24~
despesas. Receio que se os irmãos confiarem tanto
porou o parágrafo citado acima ao âmago do
nisso, surjam dit-iculdades. Deveis trabalhar pacien- manuscrito que ela iria ler. Finalmente esta
temente para desen\.olver as indústrias mediante as
palestra foi incluída na íntegra, em 1909, no
quais os estudantes consigam, em parte, fazer frente capítulo "Mordomia Fiel," em Tcst!.mo7iíes /or
a sua`< despesas escolares. Que cada família procure
Íhc Ch%tich, volume 9. Vemos, portanto, que
pagar `as despesas dos estudantes que envia para a
o parágrafo de que estamos tratando apare~
escola.JJ
ceu em três ocasiões: em 1904, 1907 e 1909.

Em 7 de abril de 1905, Ellen White escre~ A princípio não parece ter havido ques~
\-eu para E. S. Ballenger, que estava ligado a tões especiais ou crises que tenham sido res~
nossa obra educacional: ponsáveisporesseconselho.Contudo,alguns
têm perguntado se em 1904 ou 1907 houve
Com respeito à obra da escola, fui instruída de questões especiais ou crises em nossa obra
que o plano de não cobrar nada dos alunos pela taxa educacionalounoministériodacolportagem.
escolar, dependendo do segundo dízimo para manter Meticuloso estudo das atas da Associação
a escola, sempre deixará a escola em precárias con~ Geral, da correspondência entre o escritório
dições financeiras. Quando, pela primeira vez, ouvi de Ellen White e dirigentes da lgreja, e dos
falar desse movimento, pensei que devia deixar que se
próprios arquivos de Ellen White, não reve~
desenvolvesse, mas agora lhes declaro: A luz que me foi lou que houve alguma situação crítica espe-
dada é que terão de ser elaborados outros planos dife-
cial que a tenha levado a escrever isso.
rentes do plano de manter as escolas com o segundo
dízimo. Deve-se cobrar, dos estudantes, um preço razo~
Pode ser observado que o panfleto do
ável pelo seu estipêndio. Haverá muitas localidades
pastor Butler, de 1884, em que ele expressa
para aplicar o segundo dízimo m realização de dili~
a convicção de que o dinheiro do dízimo
gente obra missionária em lugares novos.45
devia ajudar a sustentar o recém-estabelecido
ministério da colportagem, est.ava, ainda em
E então, em 4 de outubro de 1905, Ellen circulação em 1904.
White escreveu ao pastor Clarence Santee:
Quanto ao pagamento de colportores, cB
Estamo§ 1utando agora com a dívida do Colégio registros de 1901 a 1904, examinados por
de San Fernando. Se nosso povo empreender diligen~ nós, não fazem nenhuma referência à sugesr
temente a venda do livro Ch7-ísc OZJy.ec[ Lessons [Pz"ábo- tão de que os colportores poderiam ser pagos
lcH de J€si4s], poderá ser efetuada muita coisa. Os planos com o dinheiro do dízimo.
para manter esta escola, no passado, não foram elabo-
rados sabiamente. Espero que ninguém procure per~ Esses fatos reforçam a conjetura de que
correr outra vez o mesmo terreno, cometendo erros a declaração de E11en White a respeito d€
Similares.4ó "interesses escolares" e dos "colportores- sÓ
aparece em termos gerais no comE][m de
Neste contexto, E11en White, em 1904, uma declaração que trata do dízimo e de sai
redigiu a declaração "0 Uso do DízimQ"onde uso, e foi escrita para salvaguardar o uÜ do
ela afirma: dízimo.

Um raciocina que o dízimo pode ser aplicado Deve-se ter em mente que a idéia amml
para fins escolares. Outros argumentam ainda que de muitas das deçlarações de Ellm WhriíL
os colportores devem ser sustentados com o dízimo. sobre o uso do dízimo e sobre o des`io de
Comete~se grande erro quando se retira o dízimo do seus recursos, é que sempre haja o suírimüe
fim em que deve ser empregado ~ o sustento dos minis~ no tesouro para remunemr adequadainmte
tros. Deveria haver ho].e no campo, uma centena de os ministros e manter a vigorcm armrida
obreiros bem habilitados, onde agora existe apenas evangelística por todo o mun]o. Ela escie~
um.47
Veu:

Ao preparar-se para uma palestra a ser Devia haver abundante prchisão no tesairo do
feita em San José, Califórnia, em janeiro de Senhor, e haveria, se corações e mãcs egoistas não ho`r
1907, num simpósio sobre o "Sustento do vessem retido os dízimos, ou empiEgado ® m6mos
Reino de Deus na Terra," E11en White incor- para sustentar outTos ramcx5 de trabalho.

25,
Os recursos reservados de Deus não devem ser " Testemwnhos Seletos, 1:541-553. Aiíui o artigo

usados a esmo. 0 dízimo pertence ao Senhor, e todos aparece de forma abreviada. 0 artigo em sua
aqueles que``'tocam nele serão punidos com a perda totalidade aparece em Ellen G. White, T€sf£mo7ij€s
de seu tesouro celestial, a menos que se arrependam. /or Che Chw7ich (Montain View, CA: Pacific Press,
1948), 4:462-476.
Que a obra=ri.áo contínue mais a ser impedida porque
o dízimo foi desviado para vários fins diversos daquele ig ibidem, 542~543.

para que o Senhor disse que ele devia ir. Devem-se '-° r|Zestemories foT the ChuTch, 4..47 5476.
estabelecer provisões para esses .outros ramos da obra.
2L Tiestemunhos Sek3tos,1:55+-55Z.
Eles devem ser mantidos, mas não do dízimo. Deus
não mudou; o dízimo tem de ser ainda empregado 22 ibidem, 545-546.
para a manutenção do ministério. A abertura de novos
23 Tzestemonies f;oT the ChuTch, 4..474.
campos requer mais eficiência ministerial do que pos,
suímos agora, e é preciso haver meios no tesouro.48 24 Tiago White, Rcuj€w 47id Herci!d, 15 de janeiro
de 1880.
25 R€uj€w cind Hercik], 14 de outubro de 1880.
REFERÊNCIAS
] Rcujcw ctnd H€rczlc{, 3 de fevereiro de 1859, 84. 26 George L. Butler, Examination of the Tittring System

from a Bible Standpoint, 69.


2 Ibidem, 9 de junho de 1859, 20.
27 ibídem, 71.
3 Tiago White, Reujew cmd HeTczk], 3 de março de
Zs ibidem, 71~72.
1859.
29 Comissão da Associação Geral, 13 de outubro
4 Ibídem, 29 de janeiro de 1861.
de 1896.
5 Tiago White, Good Sctmczrjtczn, n° 5, janeíro de
3° Ellen G. White, SP€cíc[! T€stimonj€s fo Mjnjsc€rs
1861.
cmd Work% ng 10 (Battle Creek, MI: s.e.,1897),
6 Tiago White, R€q;j€w únd H€rci!d, 9 de abril de 16-19.
1861, 164. 3] Ellen G. White, Manuscrito 24, 1897.
7 Ellen G. White, PTímei+os Escritos (Tatuí, SP: Casa
3Z E||en G. White, Carta 81, 1897.
Publicadora Brasileira, 1988), 97.
33 Ellen G. White, Manuscrito 139, 1898.
8 Ver artigo de J. N. Andrews, ReqJjew 4nd Hcrakl,
" Ellen G. White, Manuscrito 82, 1904.
18.de maio de 1869.
9 Ellen G. White, Testemw7ihos S€J€tos (Santo André, 35 Atas da Comíssão da Associação Geral, 28 de

SP: Casa Publicadora Brasileira, 1970), 1:375. Ver dezembro de 1889.


também lbidem, 373~374. 36 E11en G. Whíte, Eq;ang€Jjsmo (Santo André, SP:
10 ibidem, 385. Casa Publicadora Brasileira, 1978), 491~492.

" Ibidem, 190. 37 ibidem, 492.

" Ibidem, 221~22Z. 0 artigo termina citando na 38 T€sccm%7ihos Scl€tos, 2:473. Originalmente publi'

íntegra Malaquias 3:8-11. c`ado r\o rlzestimonies foT the ChuTch, 6..Z\ 5.
" Ibidem, 3:37~38.
" Tiago White, R€v+.ew and Her4Jd, 29 de novembro
de 1869. 4° r||esti:monies foT the Church, 6..447.

'4 TesccmL4nhos Sclccos, 3:381413. 4L lbidem, 134,135. Ver também Tcst€mt/nhos S€Lecos,

" "Minutes of the Special Session of the General 2:415.

Conference," R€víew cind Hercizd, 6 de abril de 4Z lbidem, 385. Ver tarribém T€st€mtúnhos SeJ€fos,
1876, 108. 3:36.

t6 Dec[aração preparada pela comissão designada na 43 E||en G. Whíte, Manuscrito 67, 1901.
Assembléía da Associação Geral, 2~13 de outubro 44 E11en G. White, Carta 167, 1904. Esta carta foí
de 1878, formada pelas seguintes pessoas: Tiago
dirigida aos irmãos Santee e Owen.
White, D. M. Canright, S. N. Haskell, J. N.
Andrews e Urias Smith, sob o título "Systematic 45 E||€n G. White, Carta 103, 1905.
Benevolence; or the Bible Plan of Supporting 46 El|en G. White, Carta 279, 1905.
the Ministry."
- Tiago White, Reuí€w cmd H€r4LJ, 29 de novembro 47 E11en G. White, Manuscrito 82, 1904.

48 r||estimories foT the ChuTch, 9:Z49'Z50.


=c Í564.

~26,
Parousia 2° Semestre 2001, Vo[. 2, No 2, 27-50
Copyrigh[ © 2001 SALT.

0 DÍziMO NOS ESCRiTOS


DE ELLEN G. WHITE
ÂNGEL MANUEL Roi)RiGUEZ, TH.D.
Diretor do lnstituto de Pesquisa Bíblica da Associação Geral da lgreja Adventista do Sétimo Dia

Este artigo examina o conceito, a prática para estas perguntas: Quem é o Deus que
e o fundamento teológico para o ato de requer o dízimo dos seres humanos e com
dizimar nos escritos de Ellen G. \Vhite. base em que razões Ele o reivindica? Qual é
Pormenores históricos fazem parte da a natureza do dízimo? Qual é o significado
argumentação quando necessários, mas o do dízimo para a qualidade do relaciona~
enfoque principal está nos níveis concei. mento entre Deus e a pessoa?
tuais e pragmáticos. É deixado evidente
que os materiais bíblicos que tratam da
importância e do uso do dízimo exercem Conceitos Teológicos Gerais
a principal influência sobre a compreen.
são adventista do dízimo. No contexto de suas considerações sobre
o dízimo, há diversos lugares em que Ellen
The present article explores the concept, G. White se refere a Deus como Criador.2
practice, and theological foundation for Ao usar esse título para Deus, sua intenção
tithing in the writings of Ellen G. White. não é estimular especulações teológicas a
Historical details enter the discussion respeito de Sua natureza ou sobre o misté~
whenevei. necessary, but rio de Seus atos e poderes criativos, mas
focus is at the conceptua i*Prj=a;r:atic estabelecer ou definir claramente a relação
levels. It is made evident that the bibli- entre Deus e o Universo. Quanto ao Uni~
cal materials dealing with tithe are the verso, Ele, como Criador, é o seu proprie~
main source of the Seventh~day Adventist tário e pode declarar autorizadamente: "Eu
understanding of the subject. sou o dono do Universo."3 0 Criador não
abandonou o mundo criado por Ele, dei~

® s escritos de E11en G. White deno-


tam um desenvolvimento na compre-
ensão do assunto do dízimo, onde quase
xando~o sob o controle dos seres humanos
ou dos poderes do mal; Ele é o Senhor.
Divino domínio universal sÓ pode ser devi~
nenhuma modificação significativa é obser- damente reivindicado por Ele. Essa convic-
vada.í Neles não encontramos uma teolo- ção teológica específica irá determinar a
gia explícita do dízimo, elaborada de modo maneira pela qual E11en G. White compre~
sistemático, e sim conceitos que se relacio~ ende a função dos seres humanos para com
nam com ele e que nos servem de janela Deus e tudo o mais da criação.
para investigar os aspectos teológicos que
moldaram os pontos de vista de Ellen G. 0 direito de propriedade do Universo,
White e os conselhos que ela deu à lgreja. da parte de Deus, revela Seu poder sobre
tudo que Ele criou, mas não determina
necessariamente a natureza desse poder.
FUNDAMENTO TEOLÓGICO Simplesmente confirma que Ele ' tem o
direito de ser o Senhor sobre Sua criação
Examinar o fundamento teológico para e que "tem direito sobre nós e tudo o que
o dízimo nos escritos de E11en G. White temos."4 Por isso, E11en G. White apresenta
requer que seja identificada a conexão his- outro aspecto do caráter de Deus que atua
tórica e conceptual entre a própria pessoa
cle Deus e o dízimo e o tipo de relação que :os=boeí,ugedua=:::oetà:1fã;cdoeFÊr:=gí:::do:
o ato de dizimar pressupõe entre Deus e o da Sua "bondade e amor" que Ele nos tem
indivíduo. Precisamos encontrar respostas livrado de "terríveis desgraças e morte."5

2;J ,
Para ela, a própria essência do Proprie~ Conceitos Teológicos
tário do Universo não é o egoísmo, mas Específicos e o Dízimo
amor e bondade que se manifestam na
preservação da vida. No âmago desse Os conceitos da propriedade divina e do
amor está a constante disposição de Deus amor redentor provêem uma estrutura con~
para dar. Não há nada do que temos que ceptual de referência geral para o dízimo,
não encontre sua fonte ou origem em bem como para qualquer outro aspecto
Deus. Ela parece argumentar, porém, que da vida cristã. 0 que desejamos examínar
a maior dádiva que recebemos dEle, não agora é a razão da natureza específica e a
é algo que Deus criou e agora partilha particularidade da lei do dízimo nos escri~
alegremente conosco. Na obra redentiva tos de E11en G. White, o fundamento teo~
de Cristo em nosso favor, Deus deu-Se a 1Ógico mais específico em que se baseia
Si mesmo em Seu Filho. Ela pôde dizer, o próprio sistema do dízimo. Trataremos
então, que "para essa obra de redenção, aqui da legitimidade do dízimo; de sua
Deus deu o mais precioso Dom do Céu."6 justificativa legal mais específica, de seu
0 direito de propriedade da parte de caráter normativo e de sua perpetuidade.
Deus baseia-se, agora, em um amoroso ato Ela não comenta muita coisa sobre esse
de abnegação que resulta em redenção. assunto, mas o pouco que diz é signifi-
Fomos "comprados por preço" e somos, cativo para o nosso propósito. A teologia
portanto, "a propriedade do Senhor."7 do dízimo em E11en G. White está direta~
Pertencemos-Lhe não apenas em virtude mente relacionada com a origem da noção
do Seu poder criador, mas especialmente e prática do dízimo e suas funções específi~
devido ao poder de abnegado e redentivo cas. Para ela, o fato de que o ato de dizimar
amor. Todas as outras dádivas a nós con~ pode ser delineado até à benévola vontade
cedidas só se tornam possíveis em virtude de Deus é de grande importância concep~
e por meio desse desprendimento divino.8 tual e prática.
Por isso, o Doador,'''está presente em toda
dádiva que receb mos dEle. Na verdade, Nos escritos de Ellen G. White, não
Ele nos tem "da li` o tudo. Ao nos assen~ há nenhuma tentativa sistemática para
tarmos à nossa mesa, é Ele quem nos dá demonstrar pelas Escrituras que o dízimo
esta provisão; ela nos advém por meio de ainda é obrigatório aos cristãos. Encon~
Cristo. A chuva, a luz do Sol, o orvalho e tramos, porém, diversos argumentos bíbli~
tudo que constitui uma bênção para nós, cos usados para demonstrar a perpetuidade
é Ele quem nos dá." Com efeito, "Ele desse sistema. Com efeito, suas considera~
nos dá com abundância." 0 Proprietário ções sobre a origem e a perpetuidade do
do Universo é, para Ellen G. White, um dízimo têm uma função teológica que enri~
"benfazejo Pai."
quece a compreensão que ela tem a esse
respeito. De acordo com a Bíblia, as his~
Nos escritos de E11en G. White, o tórias dos patriarcas no livro de Gênesis
ato de dar o dízimo é relacionado com revelam que o ato de dizimar era praticado
dois dos principais aspectos da misteriosa antes da formacão da teocracia durante o
pessoa de Deus: Seu poder criador e Sua tempo de Mois'és. Abraão (Gn. 14:20) e
natureza de amor. 0 primeiro denota Jacó (28:22) já o praticavam. Essa informa~
que Ele é o Proprietário do Universo; o ção bíblica é usada por E11en G. White para
segundo aponta para Sua obra redentora afirmar que "desde os primitivos tempos o
por meio do abnegado sacrifício de Cristo. Senhor reivindicava como Seu o dízimo"
Como veremos mais adiante, estes aspec~ e que, portanto, "o sistema não se origi~
tos são usados tanto para defender Sua nou com os hebreus." No Sinai, a lei
reivindicação do dízimo, como para incen~ do dízimo foi simplesmente "confirmada"
tivar os seres humanos a aceitarem essa no contexto da aliança que Deus fez com
reivindicação divina. Estes importantes lsrael.í3 Mas, com discernimento profético,
postulados teológicos determinam e mode- ela vai além do que é claramente indicado
1am toda a teologia da mordomia nos nas Escrituras, a fim de revelar a verdadeira
escritos de E11en G. White e a funcão do origem do dízimo. Ela contesta implicita~
dízimo dentro deles. mente que es.sa prática foi instituída por

~28~
`,\.t
seres humanos, como resultado de modifi- que Deus disse para o primeiro casal. A
cações sociais, religiosas ou financeiras que dedução óbvia é que desde os albores da
possam ter ocorrido no mundo do antigo história hurnana, fora do Jardim do Éden,
Oriente Próximo. Ela situa a origem da o dízimo foi instituído por Deus com base
idéia e prática no próprio Deus. "0 sis~ em Sua autoridade como Criador e Reden~ '1
tema do dízimo foi ordenado" por E|e;L4 tor. A lei era uma expressão de Sua von~
"é divino em sua origem." 0 ajuste pecu~
tade para nós, e devia ser obedecida. No
1iar de devolver o dízimo a Deus "foi esta~ entanto, para Ellen G. White, a lei não foi
belecido pelo próprio Cristo" e remonta, arbitrariamente imposta aos seres humanos
segundo ela parece afirmar, "aos dias por um Senhor todo-poderoso. A vontade
de Adão," provavelmente após a queda. de Deus nunca é estabelecida arbitraria~
Assim como o casamento,[8 o sábado[9 e o mente, pois sempre visa ao bem de Suas
sistema sacrifical,2° o dízimo é por ela remo~ criaturas`25 Por conseguinte, o sistema dizi~
vido do âmbito do espírito inventivo e da mar9 é uma expressão da benévola von~
criatividade humana, e colocado no âmbito tade de Deus para a raça humana, visto
da mente divina. Por si mesma, nenhuma que Ele a originou "para ser uma bênção
explicação sociológica pode esclarecer devi~ ao homem." Qual era o bem que essa lei
damente a origem do dízimo. Isso, para ela, especial procurava produzir? Como a amo-
aponta à natureza singular e à perpetui~ rosa solicitude de Deus pelos seres huma-
dade da lei do dízimo, e também à bené~ nos é expressa por seu intermédio?
vola vontade de Deus nela expressa.
1. 0 P€cczdo, Det4s, o Dízjmo e cz lntc7it[~
A natureza permanente dessa lei foi ÇÕo DÍuÍ7io~Ht4mcincz: Respondendo a essa
defendida por Jesus, o qual, de acordo com pergunta, Ellen G. White nos conduz aos
E11en G. White, "reconheceu como dever efeitos imediatos e diretos do pecado sobre
o dar o dízimo." Depois de citar Mateus a raça humana. Com a entrada do pecado
23:23, onde Cr,isto condenou a escrupulo~ no mundo, um novo poder, de natureza
sidade com q}ié os fariseus davam o dízimo, perversa, passou a reivindicar o domínio
até mesmo de coisas não requeridas pela sobre o gênero humano. "Um demônio tor~
lei, ela comenta: "Nessas palavras Cristo nou~se o poder central no mundo. Onde
torna a condenar o abuso das obrigações devia estar o trono de Deus, colocou Sata~
sagradas. Não põe de [ado a própria obri. nás o seu trono."3+ Deus abriu um cami~
gação." Portanto, ou
o afrouxado
ato de darpor
o Aquele
dízimo nho para os seres humanos retornarem a
"não foi rejeitado
Ele pela obra salvífica de Cristo, possibili-
que lhe deu origem." 0 fato de que sua tando que todos sejam reintegrados como
origem precedeu a entrega da lei no Sinai Seus mordomos: "Foi então que o grande
denota que o dizimo não deve ser identifi~ amor de Deus manifestou~se a nós num só
cado com a lei cerimonial. Ele "não deveria Dom, o de Seu querido Filho." Contudo,
caducar com as ordenancas e ofertas sacrifi~ a natureza humana se corrompera e reivin~
cais que tipificavam a C£isto."24 Em outras dicava auto-suficiência e independência de
partes do Novo Testamento, dar o dízimo, Deus. "Um elemento discordante, oriundo
assim como a observância do Sábado, é con- do egoísmo, penetrou na vida humana. A
siderado um dever cristão,25 e ainda é tão vontade do homem e a vontade de Deus
"obrigatório ao povo de Deus, nestes últi~
não estavam mais em harmonia. Adão
mos dias, como era para o antigo lsrae|."26 unira~se às forças desleais e a obstinação
pÔs~se em campo." É no contexto dessa
Afigura~se que, poucc) depois da queda tragédia extremamente perturbadora que,
de Adão e Eva, a noção e prática do dízimo por razões muito específicas, o sistema de
foi instituída pelo próprio Deus. E11en G. dízimos e ofertas foi instituído por Deus.
White cita estas Suas palavras dirigidas
a nós: "Quando Eu vos confiei os Meus 2. Dczr o Di'zz.mo como R€conh€cimcnto dci
bens, especifiquei que uma parte deveria Sobeticmíci de D€ws: 0 desígnio de Deus,
ser vossa, para suprir as vossas necessida- por meio do dízimo, era "convencer o
des, e uma parte deveria retornar a Mim." homem de que Deus é o Doador de todas
Isso pode muito bem ser uma repetição do as suas bênçãos."4 Isso agora era neces~

29,
sário num mundo em que havia um con~ nos tornou mordomos a fim de usá~1os para
flito entre senhores, quanto à lealdade dos Sua glória." Ela está enfatizando aqui o
seres humanos. Por meio do dízimo, as pes~ grandioso privilégio que Deus nos conce~
soas deveriam ser lembradas da bondade deu ao escolher~nos como Seus mordomos.
de Deus para com elas, e reconhecê~1a, a Ele estava chamando os seres humanos de
fim de que mantivessem bem nítido na volta a um relacionamento pessoal consigo,
memória o fato de que Deus era o legí~ com todos os privilégios e responsabilida~
timo Senhor de sua vida. Por meio das des que tal relação envolvia. 0 propósito
muitas bênçãos que Ele vertia constante~ desse relacionamento era trazer glória a
mente sobre a raça humana, Deus pro~ Deus, e não a seres humanos. De acordo
curava "atrair os homens para Si," com com ela, a alternativa para usar o dízimo
a intenção de não somente salvá~1os, mas e tudo que temos para a glória de Deus,
também de ser reconhecido como o seu é a "condescendência egoísta," uma hor~
Senhor. Dar o dízimo denota que os seres renda e pecaminosa distorção do Seu amo~
humanos só podem encontrar o verdadeiro roso desígnio para nós.
centro de sua vida em Deus, num espírito
de voluntária e grata submissão a Ele. 5. 0 ACo c{c Dctr o Dízímo como lnst7.tt~
Mediante o sistema do dízimo, Deus estava m€7ico no Dese7wozujmc7ito do Ccmᣀr: 0
Se revelando a eles como seu Senhor. sistema do dízimo foi instituído por Deus
como "um ensino adaptado a extirpar toda
3. DczT o Dízjmo como T€stcmtÁnho do a estreiteza egoísta e cultivar largueza e
Poc]eT d€ D€tAs Pcirci P7.esewcir ci Vjdci.. Em nobreza de caráter."4° Inquestionavelmente ,
estreita relacão com os comentários ante~ diz E11en G. White, "o egoísmo constitui
riores, E11en' G. White declara que dar o a base do pecado,"4í e Deus está nos aju~
dízimo é um "testemunho [da parte dos dando constantemente, numa grande varie~
seres humanos] que reconhecem sua dade de maneiras, a vencê-1o em nossa vida.
dependência de A compreensão Um dos meios usados por Ele é a prática
de que a vida r e sua preservação de Lhe devolvermos nossos dízimos e ofer~
dependem diretamente de Deus, e não de tas. Fazendo isso, não retemos egoistica~
algum outro poder, era uma resposta direta mente para nós mesmos o que o Senhor
à falsa promessa de Satanás a Adão e Eva, nos provê em Sua amorosa bondade, mas
de que a realização pessoal só seria possível nos tornamos condutos de Suas bênçãos
na total independência de Deus. Ellen G. para os outros.42 0 desígnio de Deus para
White parece estar dizendo que a rejeição nós é que "sejamos Sua mão auxiliadora
dessa mentira é expressa concretamente Para abençoar a outros."43
no ato de dar o dízimo. No tocante aos
cristãos em particular, ela comenta que, E11en G. White atribui o dízimo dire~
por serem participantes da graça de Deus tamente à vontade de Deus, o qual origi~
mediante a obra da salvação em Cristo, nou essa idéia e prática pouco depois da
deveriam demonstrar seu apreço por essa queda de Adão e Eva. 0 Cristo pré~encar~
dádiva, dando um dízimo fiel.37 0 dízimo nado estabeleceu esse sistema, e durante
foi instituído por Deus para ensinar~nos a o Seu ministério na Terra confirmou~o
confiar nEle, para a preservação de nossa como expressão da vontade divina para os
vida, e não em nós mesmos ou em algum seres humanos. De acordo com ela, essa
outro poder. conexão entre o dízimo e a vontade de
Deus aponta não somente para a perpe-
4. 0 ACo dc Djzjmcir e ci R€s£citÁrciçáo tuidade do próprio dízimo, mas especial~
dci dígnjdcid€ H%mcmci D].cin£e dc Dct4s: Por mente para o fato de que ele foi instituído
meio do dízimo, Deus estava tornando os como expressão do amor de Deus para
seres humanos cientes do fato de que Ele benefício da raça humana depois da
lhes confiava novamente a responsabili~ queda. Tornou~se um instrumento didá-
dade de serem mordomos de Seus bens. Ao tico nas mãos de Deus para manter bem
trazermos o nosso dízimo, E11en G. White nítida na mente dos seres humanos a
comenta, estamos "declarando que Deus é importante verdade de que, a despeito da
o possuidor de todos os nossos bens e que presença do pecado e dos poderes do mal,

30,
neste planeta, Ele é quem nos abençoa e Visto que o dízimo é sagrado e santo,. :
tem o direito de ser o nosso Senhor. Ellen não foi colocado sob o controle humano,. .
G. White parece dizer que o sistema do mas sob o controle divino. Diante da san~ .
dízimo foi ínstituído por Deus a fim de tidade do dízimo, e afim de demonstrar
ajudar~nos a compreender que a preser~ respeito pelo que é sagrado, os seres huma -....
vação de nossa vida depende totalmente nos devem perguntar: "Que devo fazer com
da benévola e salvífica bondade de Deus ele?" A resposta dada por E11en G. White ..
para nós, e não da satânica alegação de é concisa e objetiva: Para conservá~1o santo
absoluta autonomia dEle. Dar o dízimo precisamos devolvê~1o a Deus. Ela encon~
também contribui para o desen\'ol`'i- tra apoio para essa posição na ordem de
mento de nosso caráter e auto~imagem. Deus registrada em Malaquias 3 :10: "Trazei
Ellen G. White argumenta vigorosamente todos os dízimos à casa do tesouro." Ela
que, pelo poder de Deus, o sistema do observa, com muita perspicácia, que na
dízimo procura destruir a hegemonia do ordem divina "não se apela para gratidão
egoísmo em nossa natureza pecaminosa, ou generosidade,'+9 o que quer dizer que o
auxiliando~nos a desenvolver nobreza de Senhor não está apelando para a gratidão
caráter. Instituindo este sistema, Deus ou generosidade das pessoas para incen-
estava confirmando permanentemente tivá~las a trazer o dízimo. Para ela, o fator
nossa designação como despenseiros de determinante no ato de dar o dízimo não
Seus bens neste planeta e, por conse~ é a gratidão ou a generosidade, mas algo
guinte, reintegrando-nos num relaciona- mais sério e significativo baseado na natu~
mento pessoal com Ele como proprietário reza sagrada do dízimo. Ela declara ine~
de tudo. 0 pecado não seria capaz de quivocamente: "É uma questão de simples
separar-nos permanentemente de Deus. honestidade. 0 dízimo é do Senhor; e Ele
nos ordena que Lhe devolvamos aquilo que
é Seu." Ela ergueu o dízimo do âmbito de
A Natureza do Dízimo uma prática cerimonial ou cultural para o
nível de uma responsabilidade moral que
É_1ià`n\G. White não redefine o con~ não deve ser controlada pelo estado das
ceito bíblico da natureza do dízimo, mas emoções ou tendências humanas, e sim
o reafirma e o desenvolve, esclarecendo pelo inabalável princípio e valor da hones-
algumas de suas implicações. A declaração tidade.5I
bíblica a respeito da natureza do dízimo ~
"santo é ao Senhor" (Lv. 27:30) - é muitas
0 dízimo recebido de todos os mem~
vezes repetida por E11en G. White.44 Ela bros da igreja, inclusive pastores e obrei~
usa o sábado para ilustrar a natureza do ros,52 é considerado por E11en G. White
dízimo: "Pois, como o sábado, um décimo como "um fundo sagrado."53 Isso tem algu-
da renda é sagrado."45 Menciona também: mas implicações importantes para os que
"Usa~se a mesma linguagem quanto ao
lidam com ele depois de ter sido entregue
sábado que se usa na lei do dízimo: `0 pelos membros. No nível da igreja local, a
sétimo dia é o sábado do Senhor teu natureza sagrada do dízimo é reconhecida
Deus.' ... De igual maneira, o dízimo de quando ele é remetido para a tesouraria
nossas rendas `santo é ao Senhor."46 A de Deus. Nem mesmo o pastor local tem
clara inferência é que "Deus reservou para autoridade para colocar a mão no dízimo.
Si uma porção especificada do tempo do E11en G. White acrescenta que os pastores
homem e de seus meios."47 Foi esse ato não devem apoiar nenhum plano, presumi~
divino que transformou uma fração de velmente de membros da igreja local, para
tempo e uma parte de nossos meios em desviar o dízimo a algum uso ilegítimo,
elementos sagrados; eles tornaram~se pro~ mas preservar~1he a natureza sagrada colo~
priedade exclusiva de Deus. 0 dízimo é, cando-o na tesouraria de Deus.54
em realidade, segundo ela declara, "a parte
de Deus, e de modo algum a propriedade Falando a administradores de igrejas,
do homem."48 0 dízimo Lhe pertence de ela declarou: "0 dinheiro do dízimo deve
um modo peculiar e único, que 0 distin~ ser mantido como sagrado."55 Transferir
gue do Seu domínio sobre o Universo. o dízimo da igreja local para as organiza-

-31~
• .ções superiores não altera a sua natureza;
perfeito companheirismo com Ele, e liber~
ele continua sendo santo. E os que admi~ tar da destrutiva incursão do pecado em
nistram o dízimo têm a responsabilidade sua existência. Isto é indicado pelo fato de
de preservar~lhe a natureza sagrada. Como que o dízimo foi instituído pelo próprio
• podem fazer isso? De acordo com ela, o Deus, pouco depois da queda de Adão e
dinheiro do dízimo é "um fundo consa~ Eva, e confirmado por Çristo durante o
grado a um P7.oPósjco scigticido" por Deus Seu ministério terrestre. E em virtude da
mesmo,57 e enquanto os administradores boa qualidade dessa lei como expressão
o usarem de acordo com esse Propósíco da vontade de Deus, que ela ainda deve
s¢g7tido, ele é mantido como tal.58 Parece, ser observada. Essa lei tem sido usada por
portanto, que a natureza sagrada do dízimo Deus para ajudar~nos a reconhecer que Ele
não está simplesmente relacionada com o é o nosso Senhor, que dependemos dEle
fato de pertencer a Deus, nem é somente para nossa existência, e não de algum outro
determinada por isso. Sua santidade se poder, e que Deus quer que preservemos
acha ligada ao propósito que Deus lhe atri~ Seu relacionamento conosco ao reintegrar~
buiu. De acordo com Ellen G. White, não nos na função de mordomos de Sua bon~
existe tal coisa como dízimo sagrado no dade e bênçãos. Mediante a expressão da
sentido abstrato; sua natureza e função, benévola vontade de Deus para nós, no
obviamente, são inseparáveis. É somente sistema do dízimo, Ele também está pro-
o uso impróprio do dízimo que tende a curando libertar~nos do escravizante poder
profaná~lo, e não, por exemplo, a pasta ou do egoísmo. 0 sistema do dízimo é fun~
bolsa usada para transportá-1o, ou tocá~lo damentalmente uma expressão da amorosa
com mãos por lavar. Essa compreensão da natureza de Deus para com os pecamino-
natureza do dízimo como santo no sentido sos seres humanos.
de que pertence exclusivamente a Deus,
para o propósito especial que Ele lhe desig~
nou, desempenha uma parte muito impor~ A MOTivAÇÃo PARA DAR o DÍziMo
que Ellen G. White tem a dizer
::`,'1`,',.:`. sistema do dízimo em seus escri~
',`: Ao tratar da motivação cristã para trazer
tos. o dízimo ao Senhor, Ellen G. White torna
claro que devolver o dízimo é essencial~
Em suma, a teologia implícita do dízimo, mente uma resposta à soberania e aos atos
presente nos escritos de Ellen G. White, salvíficos de Deus em nosso favor, e não o
baseia~ée em diversos conceitos teológicos meio pelo qual obtemos Sua aceitação. Não
importantes, que determinarão os aspec~ há vestígios de uma abordagem legalista do
tos mais pragmáticos do sistema dizimal. assunto do dízimo, no que ela tem a dizer
Ele se fundamenta primeiro no conceito de sobre ele. Isso é significativo porque, apesar
Deus que, como Criador, é o proprietário do fato de grande parte do que escreveu
do Universo e de tudo quanto se encontra sobre o assunto ter o objetivo de incen~
nele. Em segundo lugar, essa dimensão de tivar os membros da igreja a devolverem
Deus é acompanhada por outra, que des~ o dízimo ao Senhor, ela permaneceu cla~
creve a natureza desse poderoso Deus, sob ramente concentrada na função teologica~
o aspecto de Seu amor e bondade para com mente correta do dízimo na vida cristã.
Suas criaturas. Ele preserva e sustenta a Há diversas maneiras pelas quais aborda
todas elas, em virtude de Sua disposição o assunto da motivação, a começar com a
amorosa para dar não somente do que qualidade da vida espiritual do crente.
criou, mas também de Sua própria Pessoa.
Isso é especialmente assim na salvação que
Ele provê para os seres humanos, por meio A Qualidade da Viida
da obra de Cristo. Espiritual e o Dízimo

Em terceiro lugar, o sistema do dízimo De acordo com Ellen G. White, devol-


é uma expressão da benévola vontade de ver o dízímo requer, previamente, genuína
Deus para com os pecaminosos seres huma~ dedicação a Cristo como Salvador e Senhor
nos a quem está procurando restaurar o na vida e experiência dos membros da

~32-
Igreja. Do contrário, o ato de devolver Para ouvir essa voz, a pessoa precisa
o dízimo seria rejeitado ou poderia tor- ser espiritualmente sensível e atenta. Tal
nar~se uma formalidade destituída de pro- sensibilidade conduz ao ato de devolver o
funda significação espiritual. dízimo, e isso demonstra "que a graça de
Deus está operando no coração.''62
Em primeiro lugar, ela assinala que
deuoueT o dízimo Precisa seT Fwecedido de
v€rdcídcjrci co7we7.sÕo. Isso significa que A Motivação para Devolver o Dízimo
"o mero assentimento à verdade não é o
suficiente," e que devemos, com diligên. Há um conjunto de conceitos religiosos
cia e oração, "trabalhar com os que acei. e teológicos fundamentais que são usados
tam a verdade, até que se convençam de por E11en G. White para incentivar os cren~
seus pecados e busquem a Deus e se con- tes a devolver o dízimo. Examinaremos,
vertam. Então, devem ser instruídos no aqui, alguns dos mais importantes.
tocante às reivindicações de Deus quanto
a eles, nos dízimos e ofertas."59 A expe~ Primeiramente, há wmz motíuctçõo soC€~
riência da conversão é de fundamental n.ológjc4. De acordo com ela, na obra de
importância no contexto de devolver o redenção de Deus, por meio de Cristo, Ele
dízimo. deu "o mais precioso dom do Céu,"63 e o
mínimo que devemos fazer é mostrar "que
Segundo, dcuolu€T o dízímo €' o resw]~ apreciamos a dádiva do amado Filho de
tado de uma uida santiftcada. UmaL expe- Deus," que "0 amamos com não dividido
riência religiosa formal poderá incluir afeto," e que estamos dispostos a manifes~
o ato de devolver o dízimo, mas carece tar essa dedicação por nossos dízimos e
de significação espiritual. Ela argumenta ofertas.64 Portanto, a motivação apropriada
v[gorosaT¥ue para devolver o dízimo é o amor a Deus
pelo que Ele realizou em Cristo para nós.
a re[igião não consiste meramente num sis~ Obviamente, devolver o dízimo como res~
tema de áridas doutrinas, mas de fé prátíca, que posta à salvação que nos é concedida por
santifica a vida e corrige a conduta no círculo meio de Cristo é praticamente uma res-
familiar e na igreja. Muitos podem dizimar a hor-
posta insignificante. E11en G. White está
telã e a arruda, mas negligenciar as questões mais
plenamente ciente dessa resposta despropor-
importantes ~ a misericórdia e o amor de Deus.6° cional. É impossível ~ ela diz ~ "avaliar o pre-
cioso resgate pago para redimir o homem
Ela crê que uma vida santa se caracte~ caído. As melhores e mais santas afeicões
rizará por atos compassivos e amorosos, do coração devem ser dadas em agradeci~
como evidência da interiorizacão da ver~ mento a tão maravilhoso amor." Então, ela
dade. Ao mesmo tempo, essa vi'da propor~ menciona o sistema do dízimo e declara:
cionará o verdadeiro ambiente espiritual
dentro do qual o ato de dizimar funcio~ Quão escasso isso parece ser na minha opinião!
nará corretamente. Quão pequena a estimativa! Como é inútil o empe-
nho para avaliar, com regras matemáticas, tempo,
Por último, deuo[uer o dízi.mo rc4w€r dinheiro e amor, um amor e sacrifício que é inco-
s€ns].bj]jdc[de espjTíctÁci[. A sonolência espi~ mensurável e inca[culável! Dízimos para Cristo! Oh!
mísera bagatela, vergonhosa recompensa do que
ritual tende a tornar-nos inconscientes
tanto custou! Da cruz do Calvário, Cristo solicita
da voz e orientação de Deus, fazendo
uma entrega incondiciona|.Ó5
com que seja difícil reconhecê~Lo como
Senhor em todos os aspectos de nossa
vida. Ela escreve que se os crentes Essa declaração desconsidera toda tenta~
tiva de usar o dízimo a fim de contribuir
estivessem espiritualmente despertos, ouvi~ de algum modo para nossa aceitação por
riam na renda de cada semana, quer seja muita Deus. No entanto, "o pequeno dízimo,"66
quer pouca, a voz de Deus e a da consciência, como E11en G. White o chama, é dado
requerendo com autoridade os dízímos e as ofer~ como amorosa resposta a esse amor inson~
tas devidos ao Senhor.6[ dável.

~33-
Em segundo lugar, há cz mo£i`uciçõo teo!ó~ Em quarto lugar, há ainda tÁmcz mo[j~
gjccz do tÁnju€Tsci! domínjo de DctÁs. Ela insi~ uczçáo mjssjo[Ógjcci. De acordo com E11en
nua que, neste caso, são combinadas duas G. White, essa motivação para devolver o
idéias importantes. 0 universal domínio dízimo baseia~se na junção da obra de sal~
de Deus denota que Ele possui tudo, inclu- vação da parte de Cristo e das abundantes
sive todos nós que fomos comprados pelo bêncãos de Deus a nós:
sangue de Cristo, e o fato de que Ele
nos designou como Seus mordomos.67 Em Aumencando~se as nossas bênçãos e privilégios
ambos os casos, a ênfase recai sobre a nossa • e' acima de éudo, tendo nós presente o sacrifício
responsabilidade para com Deus, o qual, sem par do glorioso Filho de Deus ~ não deveria a
como Proprietário, nos designou para atuar nossa gratidão ter expressão em dádivas [dízimos e
como Seus administradores. Em certo sen~ ofertas] mais abundantes, a fim de levar a outros a
tido, cada um de nós "pode-se tornar um mensagem da sa[vação?74

tesoureiro para o Senhor."68 Mas o Seu


domínio também significa que tudo o A pergunta retórica espera uma resposta
que temos provém dEle, e, por isso, deve~ positiva. 0 plano de Deus é que o evange~
mos, agradecida e alegremente, devolver~ 1ho eterno de salvação seja pregado por todo
Lhe nossos dízimos e ofertas. Ela escreveu: . o mundo. No cumprimento desse objetivo,
Deus tem chamado pessoas especiais para
A constante bondade de Deus requer a[go pregarem a Palavra; mas, por meio do sis-
melh(>r do que a ingratidão e o esquecimento que tema do dízimo, "tornou Ele privilégio de
os homens Lhe prestam. Não hcivemos de devolver toda a lgreja participar da obra pela con~
e apresentar nossos dízimos e of-ertas a Deus, com tribuição de seus meios para a sua manu~
coração agradecido?69 tenção+" Ela comenta que, pelo sistema
/
dizimal, "todos podem sentir que lhes é
Conquanto a gratidão não seja ci razão possível ter parte em promover a preciosa
para dar o dízimo, este deve ser devolvido obra de salvacão."76 Convida~nos a dar "de
com espírito de gratidão.7° nossos meios para salvar aqueles por quem
Cristo morreu." A motivação missiológica
Em terceiro lugar, há ct mociuaçáo 77wcil procura identificar o nosso interesse com o
Pczm deuolu€r o c[z'zi.mo. Deus apela para de Cristo na salvação de almas para o Seu
nossa percepção moral e senso de respon~ reino.78
sabilidade ética como razões fundamentais
para devolvermos o dízimo. 0 pagamento Finalmente, há ci mo£juciçõo c!ci bênçõo.
do dízimo é um dever religioso e moral.7[ É um pouco difícil definir essa motivação,
Isso se baseia na compreensão de Ellen porque devolver o dízimo pressupõe qiie já
G. White da natureza do dízimo conside~ fomos abençoados pelo Senhor. Isto é o que
rada mais acima, e, de acordo com a qual, E11en G. White quer dizer ao perguntar:
o dízimo pertence a Deus. Ele o reservou
para um propósito sagrado. Retê~1o é uma Havemos de receber todas as bênçãos da mão
violacão do oitavo mandamento: de Deus, sem que no entanto retribuamos ~ nem
mesmo o dízimo, a porção que Ele reservou para Si
"Não furtarás." (Êx. 20:15). Ela cita a mesmo? ... Havemos de receber continuamente Seus
Deus, dizendo: "Empregando o Meu fundo favores com indiferença, sem Lhe corresponder ao
amor?79
de reserva para satisfazer vossos próprios
desejos ,... tendes~Me roubado a Mim, sub~
traindo as Minhas reservas. Por isso, `com Deus não pode esperar que demos o
maldição sois amaldiçoados' (Ml. 3:9)." dízimo antes de abençoar~nos, pela simples
razão de que seria impossível fazermos isso
0 conselho que ela dá, é: "Estrita, sem Suas bênçãos precedentes. Deus toma,
honesta e fielmente, seja~Lhe devolvida portanto, a iniciativa e nos abençoa a nós,
essa parte."73 Evidentemente, para que essa pecadores indignos, esperando que reco~
motivação apele à pessoa, é necessário que nheçamos ser Ele a fonte dessas bênçãos,
tenha reconhecido a Deus como Salvador e mediante uma resposta de amor expressa
Senhor. por meio de nosso dízimo.8°

~34-
De acordo com E11en G. White, as rejeita a pobreza como justificativa. Visto
palavras do Senhor, registradas em Mala~ que o dízimo é dado em proporção à
quias 3:10, são dirigidas a um povo que renda, o dízimo do pobre
perdeu sua fé em Deus. Ele os encoraja a
confiarem nEle e levarem seus dí=imos ao será relativamente uma pequena quantia, e suas
templo. Se manifestarem fé nEle, expe~ dádivas estarão de acordo com a sua capacidade. Mas
rimentarão as bêncãos de Deus.Sí Preci~ não é o vulto da dádiva que torna a oferta aceitável a
sam ser lembrados de que "a condição de Deus; é o propósito do coração, o espírito de gratidão
e amor que ela expressa.S5
prosperidade depende de le\'ar à tesc`u~
raria do Senhor aquilo que é Seu."::
Como o que Lhe damos já pertence a A dí\'ida também não é uma razão válida
Ele, fundamentalmente a bênçãc` não é para reter o dízimo. Aqueles que usam o
o elemento motivacional no ato de de`.ol~ dinheiro pertencente a Deus para saldar
ver o dízimo. Essa conclusão parece ser suas dí`.idas têm` ela diz, um grave problema
apoiada pela maneira em que Ellen G. religioso e espiritual: não tomaram "a posi-
White correlaciona o ato de de`-ol`'er o cão sincera e decidida de obedecer a Deus."86
dízimo e a bêncão em outros contextos. Seu `'erdadeiro problema é o egoísmo.87
Notem o seu cohselho:
Ellen G. White também rejeita a falta
0 dízimo fiel é a parte do Senhor. Retê-lo, de confiança nos administradores da lgreja
é roubar a Deus. De\'e todo homem trazer livre, como razão válida para reter o dízimo ou
voluntária e a[egremente os i]izimos e ot-ertas à para não dá~lo de modo algum. Sua reação
casa do tesouro do Senhor, pois, em fazê-1o há diante do que sucedia na Associação de
uma bênçãoi,83 Michigan, em 1890, ilustra sua atitude para
com esta questão.88 Ela descreve a condição
A leitura` apressada dessa declaração do ministério em Michigan em termos
talvez dê a entender que a bênção é uma muito negativos e necessitando de reaviva~
motivação para dar. Notem, porém, que mento e reforma. A linguagem que ela usa é,
a razão para dar, a verdadeira motivação às vezes, vigorosa e direta, como por exem-
para o ato de plo: "Eles não são ricos em conhecimento
"0 dízimo é adevolver
parte do oSenhor.
dízimo,Retê-1o,
é moral ~
é
espiritual e sabedoria celestial, mas pessoas
roubar a Deus." Qual é, então, o papel áridas e destituídas de Cristo;" "o coração do
da bênção? Ela é um benefício acrescen~ orador não foi transformado pela graça."89
tado! Deus nos criou, diz E11en G. White,
e nos proporcionou "todas as bênção`s" Ela chegou a dizer que
que desfrutamos, mas quando devolve~
mos o dízimo, há uma bênção especial, as igrejas estariam muito melhor sem tais pas~
mediante a qual Deus faz com que os tores e ministros. É tirado dinheiro da tesouraria
nove décimos que guardamos valham do Senhor para sustentar pessoas não convertidas e
mais "do que os dez sem essa bênção."84 necessitando que alguém lhes ensine os principais
Deus aumenta os nossos benefícios para princípios do evangelho, que é Cristo formado no
Íntimo, a esperança da glória.9°
darmos mais a Ele. Buscando a bênção,
estamos buscando o privilégio de dar
mais para a Causa do Senhor. A condição espiritual dos pastores teve
um efeito adverso sobre os membros da
lgreja, que decidiram reter o seu dízimo.
Retendo o díz;Ímo Ela chamou~lhes a atenção para Malaquias,
e perguntou:
Há uma condição sob a qual seria cor~
reto reter o dízimo ou fazer mau uso dele? Não podeis ver que, sob quaisquer circunstân~
Havendo considerado as motivações para cias, o melhor não é reter os dízimos e as ofertas,
dar o dízimo, a óbvia resposta é nega~ por não concordardes com tudo o que vossos irmãos
tiva. Não há nenhum pretexto válido que fazem? Os dízimos e as ofettas não são propriedade
alguém possa apresentar para não trazer de homem algum, mas devem ser usados em fazer
certa obra para Deus.91
o dízimo ao Senhor. E11en G. White

~35~
Aqui, ela está usando a natureza do vos favoreceu pertence a Ele; e tendes
dízimo para expor o seu caso. Então, roubado a Deus ao usá~lo para os vossos
porém, passa a usar o argumento da res- próprios empreendimentos. Ele colocou a
ponsabilidade moral para reafirmar o dever questão acima de qualquer dúvida." 97
de os membros da lgreja darem o dízimo:
"Pastores indignos talvez recebam parte
Assim, de acordo com E11en G. White,
dos meios assim arrecadados ,... mas não a motivação da pessoa para devolver
cometais pecado, vÓs mesmos, retendo do o dízimo não se baseia meramente na
Senhor o que Lhe pertence." Os admi~ dimensão emocional do ser humano, mas
nistradores da obra de Deus serão consi~ nos aspectos espirituais, afetivos, morais
derados responsáveis ao Senhor pelo seu e racionais de sua personalidade. Devol~
próprio pecado,93 mas ninguém deve usar a ver o dízimo requer inteira dedicação a
sua falha para justificar o ato de roubar a Deus, mediante arrependimento e con-
Deus. versão, uma vida consagrada ao Senhor,
que seja sensível à orientação do Espírito
Ao tratar da questão de reter o dízimo, de Deus em nossa vida, ao conduzir~nos
E11en G. White menciona, muitas vezes, a para a obediência à revelada vontade de
maldição registrada em Malaquias 3:10. Ela Deus.
encara essa maldição com muita seriedade,
e a interpreta como a ausência da bêncão Ellen G. White dá a entender que a
prometida aos que devolvem o dízimo: É morte sacrifical de Cristo na cruz requer
a privação de um bem celestial ou do uma resposta de amor dos crentes, a
qual se expressa de muitas formas, inclu~
à?ze.=e5ícelopoasdsliàl.:.#';uqeuâeamd::T|nddead£rai: sive devolvendo o dízimo. A soberania de
ao Senhor. Por cons€guinte, ela pôde dizer: Deus e Sua boa vontade para designar~
"Quando roubamos a Deus no dízimo,
nos a uma posição de confiança, como
também roubamos a nós mesmos, pois per- Seus mordomos, devem levar-nos a cor~
demos o tesouro celestial. Privamos a nós responder a essa confiança devolvendo o
mesmos da bênção de Deus."94 A propó~ nosso dízimo a Ele, como despenseiros
sito, por que alguns que retêm o dízimo fiéis, reconhecendo assim a Sua sobera~
prosperam? Ela responde: "Algumas dessas nia. Ela acrescenta, porém, que o dizimo
pessoas estão, no entanto, em aparente também apela a nós como agentes morais
prosperidade. Em Sua grande misericór~ que, estando cientes da reivindicação de
dia, Deus ainda as está poupando para Deus sobre o dízimo, como Sua proprie~
que ve].am e abandonem seu pecado."95 Ele dade exclusiva, consideraríamos o roubo
ainda está procurando persuadi~las de que a Ele uma grande fraqueza moral e uma
essas bênçãos provêm de Sua bondosa mão. ofensa gravíssima.
Há outros, porém,
A proclamação do evangelho à raça
que já estão sentindo Sua maldição sobre eles. humana recai pesadamente sobre o cora~
São levados a circunstâncias probantes e percebem ção dos que já receberam seus benefícios,
que têm cada vez menos capacidade para dar, e deve incentivá~1os a prover os recursos,
quando, se houvessem dado a primazja às reivindi~ especialmente por meio do dízimo, para
cações de Deus, e, com coração vo[untário, trazído
possibilitar que muitos outros ouçam as
suas ofertas a Ele, teriam sido favorecidos com mais boas novas. Se a prometida bênção de
recursos para dar.96
Deus aos que Lhe devolvem o dízimo fun~
ciona como poder impelente para dar o
Nesse caso, a falta de abundantes bên- dízimo, deve~se dar a devida ênfase ao
çãos de Deus é designada para incentivá~1os desejo de receber mais do Senhor, para
a dar o primeiro lugar a Deus em sua vida. poder dar mais. Conquanto haja diver~
Notem que o objetivo da bênção, como já sas razões que nos incentivem a devolver
indicamos, é habilitar~nos a dar mais. nosso dízimo ao Senhor, não há razão
alguma para retê~1o dEle. Até mesmo o
Finalmente, de acordo com E11en G. mais grave caso de deficiência ou falha
White, "o dízimo de tudo com que Deus ministerial e administrativa no devido

~36,
uso do dízimo, não provê nenhuma justi~ de que reconhecem sua dependência de
ficativa para que os membros da lgreja o Deus,"[°2 denotando assim que seu pro~
retenham ou usem como julguem neces~ pósito não era obter o favor divino. Essa
sário. instrução devia ser reforçada pelo pastor,
"Por preceito e exemplo."°3

A LOGÍSTICA DE DEVOLVER 0 DÍZIM0


Arrecadando o Dízímo
0 sistema dizimal, assim como o pro~
cedimento desenvolvido durante o tempo 0 processo começa com a compreensão
de Ellen G. White para arrecadá~lo, era de que o dízimo pertence a Deus e que deve
bem simples e prático. 0 próprio sis~ ser reservado para Ele. Portanto, é necessá~
tema, da maneira descrita na Bíblia, era rio separar a parte do Senhor logo que se
"belo em sua simplicidade e eqüidade,"
recebe o rendimento. Ninguém, diz E11en
e não requeria "profundidade de saber" G. White, deve "ensinar que devemos gastar
para ser compreendido e executado.98 nossos recursos conosco mesmos e trazer o
resto para o Senhor, mesmo que de outro
modo fosse um dízimo honesto. Separai pri,
Ensinando o Sistema Dízimal meiro a parte do Senhor."L°4 A razão para isso
é provavelmente tanto teológica como prag~
0 primeiro passo no processo era mática. Separar primeiro o dízimo torna~se
instruir os membros no tocante ao fun~ um "ritual" por meio do qual expressamos
damento bíblico para devolver o dízimo, uma verdade teológica, a saber: que Deus
e nos seus aspectos práticos. E11en G. ocupa o primeiro lugar em nossa vida. No
White ip]±itas vezes lembra os pastores de nível pragmático, separar primeiro o dízimo
¥st:tuezm`t:: membros da lgreja quanto protege-o do mau uso ou da apropriação
ao seu dever de trazerem os dízimos e indébita. Ela esclarece que isso deve ser feito
ofertas ao Senhor. Evidentemente, ela no lar, com a participação tanto dos pais
estava ciente da relutância de alguns pas~ Como dos filhos.105
tores em apresentar esse assunto em suas
igrejas, especialmente a novos conversos, Uma vez separado o dízimo, ele deve ser
e identificou alguns problemas que pode~ levado à igreja. Para ela, a ocasião mais apro~
riam resultar disso. priada para apresentarmos nossos dízimos
e ofertas a Deus é durante o culto divino,
Se vem um segundo ministro, e apresenta no sábado. A idéia parece ser que o sábado
as reivindicações de Deus quanto a Seu povo, proporciona o ambiente espiritual necessá~
alguns voltam atrás, dizendo: "0 ministro que nos rio para adorarmos a Deus por meio de
trouxe a verdade, não mencionou essas coisas. nossos recursos, porque é um dia especial
E se escandalizam com a Palavra. Alguns recu-
para termos comunhão com Ele.
sam aceitar o sistema do dízimo; afastam~se, e não
se unem mais com os que crêem na verdade e a No sábado meditamos em Sua bondade. Con~
amam.99 templamos Sua obra na criação como evidência de
Seu poder na redenção. Nosso coração se enche de
A solução, ela disse, era que todo gratidão por Seu grande amor. E agora, antes que
mensageiro da verdade educasse "fiel e comece a labuta de uma nova semana, devolvemos~

cabalmente" esses conversos "quanto a Lhe o que pertence a Ele, junto com uma oferta para
demonstrar nossa gratidão."
todos os aspectos essenciais."

Ela ensinou que se esperava ensinas~ Devolver nossos dízimos e ofertas a Deus
sem os ministros do evangelho que o sis~ é realmente um ato de adoracão realizado
tema dizimal "é tão obrigatório ao povo durante o dia de culto, o sábado, quando o
de Deus, nestes últimos dias, como o era povo de Deus se reúne para adorá~Lo.
para o povo de lsrael,"° que tem de ser
um dízimo fiel e honestoL°L e que deve 0 dinheiro do dízimo devia, então,
ser dado ao Senhor "como testemunho ser enviado ao tesoureiro do escritório da

~37~
Associação, e o presidente tinha a res~ Assim, de acordo com E11en G. White,
ponsabilidade de certificar~se de que um o sistema do dízimo é intencionalmente
dízimo fiel era trazido para o tesouro.L°7 De simples, a fim de possibilitar que todos se
acordo com Ellen G. White, "mordomos sujeitem a ele. Os pastores devem ensinar
fiéis devem colocar o dinheiro do Senhor o sistema aos membros da igreja e instruí~
no Seu tesouro;"°8 de fato, ela diz: Deus 1os sobre a sua responsabilidade de trazer o
"requer que esta parte seja colocada no Seu
dízimo ao Senhor. Antes de usar uma parte
tesouro."í°9 Espera~se que os administrado~ da renda, deve~se separar o dízimo em casa,
res usem o dízimo trazido à tesouraria de quase como um ato de adoração. Depois,
acordo com o propósito de Deus para ele. então, deve ser levado à igreja, no sábado,
como ato de adoracão e reconhecimento de
nossa constante dependência das bênçãos e
Fontes Que São Diz,imáveís da graça de Deus. Deve~se devolver o dízimo
de todas as rendas e aumentos, ficando a
Quanto de dízimo a pessoa deve dar determinacão dos detalhes a critério de cada
e quais são as fontes de que devemos dar Pessoa.
o dízimo? Sua resposta é clara: "Quanto
à quantia requerida, Deus especificou um
décimo da renda como a parte que Lhe é USOS DO DÍZIMo
devida;"t° "o dízimo de tudo aquilo com
que Deus vos abençoou;"Líí "o dízimo de Muita coisa do que Ellen G. White escre~
toda a nossa renda é do Senhor."LL2 Escre~ veu sobre o dízimo trata de perguntas e dos
vendo a "homens ligados às instituições conselhos que ela deu a respeito de como
designadas por Deus," ela os aconselha a usar o dinheiro do dízimo. Sem dúvida,
"dar o dízimo de tudo o que possuem
nesse caso, houve um aumento na sua com~
preensão, pois, numa carta ao Pastor A.
:f:e:ruado£'squeespreeccí:-PceaT.':i[a3:ea[::fde:ed: G. Daniels, em 16 de março de 1897, ela
"consagração a Deus de um décimo de
mesma disse:
toda a renda, quer ... dos pomares quer
dos campos, dos rebanhos ou do trabalho Nunca compreendi tão plenamente este assunto
mental e manual."[[4 Sua ênfase principal como o compreendo agc>ra. Como me foram envia,
é sobre dar o dízimo de todas as rendas das perguntas, para que as respondesse, recebi espe~
e aumentos. No entanto, ela reconhece ciais instruções do Senhor, de que o dízimo é para
um propósito especial."
que as quantias variarão duma pessoa para
outra, não somente por serem proporcio~
nais às rendas ou aumentos," mas porque São essas instruções que consideraremos
os detalhes e, talvez, a definição do que é a8Ora.
renda e aumento "fica com a consciência e
benevolência dos homens, cujo ].uízo nesse
sistema dizimal deve ser livre."íí6 Contudo, Determinando o Uso
ela acrescenta imediatamente: "E ao passo
que isto fica com a consciência, foi esta~ Quanto a isso, a questão básica é 4%€m
belecido um plano bastante definido para decide como deve ser usado o dízimo. Essa
todos. Não se exige compulsão." 0 con- é, provavelmente, a questão mais difícil que
texto indica que o plano a que ela se refere enfrentamos ao. examinar o dízimo nos escri~
foi estipulado na Bíblia, e segundo o qual tos de Ellen G. White. Lendo o que ela
a décima parte de todas as rendas devia declara sobre o assunto, ficamos impressio~
ser devolvida ao Senhor. Alguns anos mais nados com a constante ênfase que é dada
tarde, ela comentou outra vez; Deus "deixa ao que o Senhor lhe revelou a respeito do
todos livres para dizerem quanto seja o uso do dízimo. Ela enfatiza esse ponto de
dízimo, e se querem ou não dar mais que diversas maneiras. Por exemplo: "Deus deu
isso."íís Seus escritos parecem mostrar uma instruções especiais quanto ao emprego do
espécie de esclarecimento progressivo das dízimo;"2° ele deve ser colocado na tesoura~
t-ontes de que damos o dízimo, mas não da ria de Deus e "mantido sagrado para o ser~
natureza dele` Viço dEle, de acordo com o que designou;"121

~38~
"Recebi especiais instruções do Senhor, de
1. PczTcz Swstcntcw os Mj".stTos do Eucznge~
que o dízimo é para um propósito espe~ lho: 0 dízimo deve ser usado para prover sus~
cial."t22 Isso está em perfeita harmonia com tento financeiro aos que se acham engajados
o ensino bíblico de que o dízimo pertence a no ministério,[28 isto é, "manter os obreiros
Deus, e é Ele quem decide sua finalidade e evangélicos em seu labor."t29 Estes obreiros
como deve ser usado. são definidos por Ellen G. White como
"aqueles que ministram na obra sagrada
Ellen G. White parece estar dizendo que, como os escolhidos do Senhor, para reali~
por intermédio do seu ministério profético. :ar Seu trabalho não somente pregando ser~
o S€nhor comunicou agora à igreja |`omo mões, mas ministrando,"° e ensinando as
Ele quer que o dízimo seja usado. Qualquer Escrimras aos que não compreendem a lei
tentativa de usar o dízimo de um maio que de Deus.`J[
não era compatível com o que o Senhor lhe
revelara foi imediatamente condenada por 2. Para SusteTi±aT PTofiessoTes de Bíbtia..
ela. Em 1901, até censurou alguns adminis- Este uso especial do dízimo se baseou nas
tradores na Associação Geral que esta`'am instruçõ€s que Deus lhe deu:
tomando decisões acerca do uso do dízimo.
Ela escreveu: Tem sido comunicada a luz de que os que minis-
tram em nossas escolas, ensinando a Palavra de Deus,
Não é o ... desi'gnio [de Deus] que dois ou três explicando as Escrituras, educando os alunos nas
homens planejem por toda a Associação e decidam coisas divinas, sejam sustentados com o dinheiro do
como deve ser usado o dí:imo, como se o dízimo dízimo.132

fosse um funJo que lhes pertencesse."


Ela escreveu isso em 1900, mas na
A Óbvia dedução é que os administrado~ mesma declaração, acrescentou o seguinte:
"Estas instrucões foram dadas há muito
res e ob,reiros da lgreja são protetores do sis~
tema do dízimo e, como tais, responsáveis tempo, e maié recentemente têm sido aqui
por certificar~se de que esteja sendo usado e ali repetidas." Entre esses professores de
de acordo com a revelada vontade de Deus. Bíblia, ela inclui mulheres que estão "ensi~
nando mocas a trabalhar com êxito como
visitadoras 'e instrutoras bíblicas."134
Uso Específico do Díz.Ímo
3. Pcm] StÁstcntciT EsPoscis d€ Pczs£or€s, 4t#
Em geral, E11en G. White ensina que T7tzbci}hcim m MZ7izsfe'rjo Eu4ngézjco: Ela fala
Deus "reclama o dízimo como Sua proprie~ em favor de uma esposa de pastor a quem
dade, e o mesmo deveria ser sempre conside~
rado uma reserva sagrada ci s€r dcposjtcidcz no o Senhc)r confere ... o encargo do trabalho, e se
Seu tesouTo, F)aTa o benefício de Sua causa."L24 ela dedica o tempo e as forças para visitar uma famí~
Em outro lugar ela escreveu: lia após a outra, abrindo~lhes as Escrituras, está reali~
zando uma obra que faz parte do setor do ministério,
Ele [Deus] tem um tesouro, esse tesouro deve ser embora não 1he tenham sido impostas as mãos da
abastecido pelo dízimo, e esse dízimo deve ser um ordenação,135

dízimo sagrado, o dízimo de Deus, e ser tão liberal


que sustente a obra em grande medida,[25 e deveria ser paga pelo seu trabalho com
recursos provenientes do dízimo.[36 Ellen
ou simplesmente "para que a obra possa G. White afirma claramente que "o dízimo
ser mantida."í26 No Antigo Testamento, deve ser para os que trabalham na palavra
Deus designou o dízimo aos levitas, para e na doutrina, sejam eles homens ou mulhe~
a sua obra no santuário, mas agora Ele o res.„'37
designou para ser usado na obra da igreja,
a qual consiste basicamente na proclama~ 4. Pcti'ci StÁstemczr Me'djcos~Mjssjo7iá7.jos:
ção do evangelho, ou, como E11en G. White Quando alguns estavam se opondo à idéia
declara, "para sustento do ministério evangé~ de usar o dízimo para sustentar médicos-
|ico."]27 Ela é, porém, muito específica sobre missionários, ela escreveu: "Sou instruída a
como o dízimo deve ou não ser usado. dizer que ... um ministro do evangelho que

~39~
seja também médico-missionário ... é um priada para ser usada em levar avante a obra
obreiro muito mais eficiente do que aquele missionária ligada ao sanatório.t43 A obra
que não o pode fazer."]38 Ela defendia, por~ consistia em ajudar os pobres. No entanto,
tanto, o uso do dízimo para pagar~1hes os ao dar sua aprovação, ela teve o cuidado
salários. de lembrar os dirigentes da lgreja de que a
nossa principal responsabilidade é a procla~
5. pCIMO stÁstc71tczT Mrijstros ApOS€71tcldos mação da mensagem do terceiro anjo."
e st/czs Fcmílícis: Em 1904, ela encorajou
os administradores a proverem benefícios Z. EdiftcaT Casas cle Culto.. T.sto sÓ deve
de aposentadoria para viúvas de pastores." ser feito em casos muito excepcionais. Ela
Quando, em 1911, a lgreja criou um plano escreve: "Há lugares excepcionais, em que
de aposentadoria para o qual cada Associa~ a pobreza é tão intensa que para conseguir
ção deveria contribuir com cinco por cento o mais humilde local de culto talvez seja
de seus dízimos, ela o apoiou plenamente+í4° necessário fazer uso dos dízimos."145

6. Pcmci Sws£emczr Djretor€s do D€Pcwtcr 3. Ptigcir %m Am€ccidcidoT de Dízhos: Este


mencoc!ep%b!jccições:Nãohánenhumadecla- uso do dízimo não é abordado por Ellen
ração direta de Ellen G. White apoiando G. White em parte alguma de seus escritos;
o uso do dízimo para pagar diretores do mas, de acordo com W. C. White, Ellen
Departamento de Publicações. Entretanto, e Tiago White o apoiaram. 0 arrecadador
há uma carta de W. C. White para W. S. do dízimo não sÓ era um tesoureiro, mas
Lowry, datada em 10 de maio de 1912, na tinha a clara responsabilidade de arrecadar
qual ele afirma: "Sempre que esta questão o dízimo dos membros da lgreja.
tem sido apresentada a Mamãe, ela tem dado
sua aprovação ao plano que geralmente é Tais exceções eram raras, e Ellen G.
adotado porri-ósso povo." White não tencionava que se tornassem
uma prática comum adotada por toda a
7. Usado Para SustentaT Camf]os Missio~ lgreja, mas cada caso envolvia determina~
náríos em Neccssjdcid€: Ela aconselha Asso~ das circunstâncias que requeriam medidas
ciações que têm excedentes de dízimos a especiais. 0 que é significativo aqui, é que
partilhá~1os com regiões situadas fora de suas os dirigentes da lgreja buscavam o seu con~
fronteiras na América do Norte e além~mar. selho para terem certeza de não estarem
Ela apela: violando a santidade do dízimo. Eles, eviden~
temente, reconheciam que era Deus quem
Há missões a serem mantidas em campos nos decidia como o dízimo devia ser usado.
quais não há igrejas e dízimos, e onde também os
crentes são novos e o dízimo é limitado. Se tiverdes
meios que não sejam necessários depois de acertardes Uso lncorreto do Díz.imo
as contas com vossos ministros, de maneira liberal,
enviai o dinheiro do Senhor para esses lugares priva~ Durante o seu ministério, Ellen G.
dos de recursos`142
White teve de responder a muitas pergun~
tas acerca do uso do dízimo e teve também
Uso Excepcíonal do Díz.imo de enfrentar algumas práticas específicas
nas igrejas e entre os obreiros. Seus con~
Há alguns casos em que E11en G. White selhos identificam certos usos do dízimo
estende o uso do dízimo a algumas situa~ que não se harmonizam com a natureza do
ções que não fazem parte dos usos anterio~ dízimo e o sagrado propósito que lhe foi
res, que acabamos de considerar. designado por Deus.

1. A Ob7itz M€'djco~Míssjonárzci no S47ia~ 1. Mciw Uso P€ssoci!: Escrevendo aos


Córz.o: E11en G. White aprovou um plano membros da igreja, ela diz:
que lhe foi submetido pelo Dr. John Harvey
Kellogg. De acordo com esse plano, uma A porção que Deus reservou para SÍ, não deve
quantia equivalente ao dízimo pago à Asso- ser desviada para nenhum outro desígnio que não
ciação pelos obreiros do sanatório foi apro~ aquele por Ele especificado. Ninguém se sinta

40~
na liberdade de reter o di'zimo, para empregá~lo
ponsabilidade de ter especial interesse nos
segundo seu próprio juízo. Não devem servir~se dele
fracos e nos idosos .... 0 dízimo não deve
numa emergência, nem usá~1o segundo lhes pareça
Ser reservado para esta obra."158
justo, mesmo no que possam considerar como obra
do Senhor.146
7. Pciscor€s " Pozítjcc[: 0 zelo político
expresso por meio de discursos políticos é,
Notem que seu conselho se baseia na segundo Ellen G. White, incompatível com
natureza do dízimo. a obra de um pastor, e "o dízimo não deve
ser empregado para pagar alguém a fim de
2. Mczw Uso Pcisco7tz!: Nas igrejas locais, discursar sobre questões po|íticas."159
os pastores tinham acesso imediato ao
dízimo trazido ao Senhor pelos membros Sumarizando, de acordo com E11en G.
da igreja e podiam, com facilidade, fazer White, o uso do di'zimo foi determinado
mau uso dele. 0 pastor não devia achar por Deus, o qual o santificou para um pro~
que podia "retê~1o e aplicá~1o de acordo pósito muito específico. Com freqüência,
com o seu próprio critério, porque era um ela indicou que o que tinha a dizer sobre
ministro. 0 dízimo não é seu. Ele não tem o emprego do dízimo lhe foi comunicado
liberdade para dedicar a si mesmo o que pelo Senhor, e quando administradores,
pensa ser~lhe devido." pastores ou membros da lgreja usavam o
dízimo incorretamente, ela falava contra
3. ColpoTCor€s: Alguns administradores isso. Os dirigentes da lgreja também reco~
da lgreja eram favoráveis à idéia de pagar nheciam que é Deus quem determina como
colportores com o dízimo. Ela escreveu: o dízimo deve ser usado, e eles demonstra~
"Comete~se grande erro quando se retira o
vam essa convicção buscando o seu conse-
±ízimo do fim em que deve ser empregado 1ho quando precisava ser tomada alguma
~ 0 Sustento dos ministros."148 decisão a respeito do uso do dízimo.

4. McitÁ LJso Pe[c(s lgrej.cis: De acordo Ela ensinava fundamentalmente que o


com Ellen G. White, o dízimo não de`Tia dízimo devia ser usado para o ministério
ser usado para prover melhorias ou con~ evangélico. Houve algumas exceções
igrejas,]49 para suprir as necessida~ quando isto se tornou necessário, mas não
âgiuà:
des \u o cuidado da casa de Deus," para deveriam tornar~se práticas permanentes.
prover suas necessidades comuns,L5[ para 0 emprego muito específico do dízimo,
pagar débitos de igrejas,í52 ou para custear, defendido por ela, talvez seja interpretado
lhes as despesas.]53 Também não devia ser sob o aspecto da situação econômica da
empregado na construção de edifícios insti- igreja durante o tempo em que ela viveu.
tucionais.i54 Visto que a igreja não tinha abundantes
recursos financeiros naquele tempo, poderá
5. D€spesczs czci Esco[c[: Ellen G. White ser que alguém afirme que a limitada quan~
declara inequivocamente que o dízimo não tidade de dízimo que chegava à tesouraria
'deve ser "aplicado para fins escolares,m5
era cuidadosamente guardada e usada para
nem como fundo de auxílio a estudan~ a proclamação do evangelho. Alterações
tes.156 na condição financeira da igreja poderiam
requerer um emprego diferente do dízimo,
6. Ajudar os Pobres e Doentes.. A res- que permitisse o que ela não aprovava.
ponsabilidade cristã de cuidar dos pobres
e ajudá~1os é constantemente defendida por Semelhante interpretação das evidên~
Ellen G. White. No entanto, ela indica que cias não seria aceitável para Ellen G.
o dízimo não deve ser usado com essa fina~ White. Ela insiste em que sua descrição do
1idade; ele "não deve ser considerado um emprego do dízimo é a maneira pela qual o
fundo para os pobres. Deve ser dedicado Senhor espera que a igreja o utilize. Visto
especialmente ao sustento dos que estão que o dízimo é sagrado e constitui exclu~
levando a mensagem de Deus ao mundo; e siva propriedade de Deus, Ele é a única
não deve ser desviado desse propósito."7 pessoa que pode determinar como deve ser
Ela aconselha cada igreja a "sentir sua res~ empregado. 0 apoio para essa interpreta~

~41~
ção das evidências provém do conselho que balho ministerial e se preocupavam com
ela deu a uma Associação que tinha dízimo a salvação de pessoas que não conheciam
excedente. Em vez de permitir que eles a mensagem.]67 Ela considerava uma injus~
fossem criativos no uso desse excedente, tiça deixar que tais pessoas dedicassem
ela recomendou que o partilhassem com todo o seu tempo à obra missionária sem
outros campos." receber pagamento, e achava que tinha "o
dever de criar um fundo, com o dinheiro
0 fato de que ela admitiu que houvesse do meu dízimo, para pagar essas mulheres
algumas exceções a suas instruções especí- que estão realizando uma obra tão essen~
ficas denota que há certa liberdade no uso cial como a que é efetuada pelos pasto-
`do dízimo. Entretanto, tais casos nào deve~
res."lós
riam passar a fazer parte da regra. Além
disso, ela ainda estava viva para orientar Quanto à sua prática, ela primeiro
os dirigentes da lgreja nos casos em que esclarece que
deveria haver exceções. Qualquer exceção,
hoje em dia, teria de ser estudada com durante anos, tem-me sido apresentado que
muito cuidado e oração, 1embrando que o meu dízimo devia ser apropriaclo por mim mesma
dinheiro do dízimo não é nosso, para ser para ajudar os pastores brancos e negros que esta-
usado como nos apraz." vam sendo negligenciados e não recebiam o sufi~
ciente para sustentar devidamente suas famílias.[69

0 US0 PESSOAL D0 Em outras palavras, como profetisa, ela


DÍZIM0 DE ELLEN G. WHITE fora orientada por Deus para fazer o que
estava efetuando. Essa era sua "obra espe~
cial." Em segundo lugar, ela declara que
/G.&Ê:ep,r:i:|d=e:.Z:To:apme:àot:Leg:uE'alâ: o dízimo "não era retido do tesouro do
por outras pessoas, tornando desnecessá~ Senhor,"7° pois o estava utilizando para o
rio que entremos em todos os pormenores sustento do ministério. Em terceiro lugar,
da questão.T62 É claro que ela enviava seus ela não aconselhava ou incentivava nin~
dízimos para a tesouraria da Associação, guém a pegar o dinheiro do dízimo e
mas em alguns casos apropriou~se dele utilizá-1o da maneira que achasse conve~
para uma necessidade específica. Ela estava niente.L7L Percebia que o que estava fazendo
muito preocupada com a obra nos Estados era singular para ela, devido às instruções
do Sul dos EUA e com a falta de ade~ que lhe tinham sido dadas por Deus. Em
quado apoio financeiro para os pastores quarto lugar, não solicitava o dízimo de
que labutavam ali. Por isso, apropriou~se outras pessoas para aplicá~1o em campos
do dinheiro de seu dízimo "para o campo necessitados. As evidências de que dis~
mais necessitado e mais desalentador no pomos indicam que algumas pessoas lhe
mundo."[63 Além disso, estava disposta a entregaram o dinheiro do dízimo, mas
aceitar o dízimo de outras pessoas que o não há indícios de que ela o tenha soli~
entregavam a ela, pedindo que o utilizasse citado.T72 Em quinto lugar, mantinha um
onde soubesse que era "mais necessário."164 registro de responsabilidade pelo dinheiro
Usava o dinheiro "para ajudar pastores que era entregue aos seus cuidados, dava
brancos e negros que estavam sendo negli~ um recibo dele, e contava como fora utili~
genciados e não recebiam o suficiente para zado aos que lho tinham entregue.Í73
sustentar suas famílias."]65 Em alguns casos,
ela indicou claramente que o dinheiro É evidente que E11en G. White, nas oca~
devia ser "aplicado em prol dos pastores siões em que se apropriou do seu dízimo e
negros, para ajudá~1os em seus salários."166 do que lhe foi entregue por outras pessoas,
tinha boas razões para fazê~1o, e o apoio
Ela também usou parte do seu dízimo do Senhor. 0 dízimo não estava sendo
para suprir as necessidades de algumas mal empregado, mas cumpria o desígnio
esposas de pastor que traba[havam tempo de Deus para esse fundo sagrado. Devido
integral, mas não eram pagas pela Associa~ ao seu ministério muito especial dentro da
cão. Essas mulheres estavam realizando tra~ igreja, sua prática nesse aspecto não pode

~42-
ser usada como modelo para que alguém Quando a obra educacional estava se
se aproprie do dízimo para projetos parti~ desenvolvendo, surgiu a questão de como
culares. Também devemos ter em mente financiá~1a, e perguntaram a Ellen G.
que suas utilizações do dízimo para susten~ White: "0 segundo dízimo não f oderíú
tar instrutores bíblicos e obreiros aposen~ ser usado para manter a obra da escola
tados tornaram~se práticas adotadas pela da lgreja?" Sua resposta imediata foi a
igreja. seguinte: "Ele não poderia ser utilizado
Com melhor finalidade do que esta."179
Quando, porém, os dirigentes procuravam
0 SEGUND0 DÍZIMO cobrir quase todas as despesas da escola
com o segundo dízimo, ela declarou:
0 livro de Deuteronômio legisla sobre
um dízimo que devia ser comido pelos Fui instruída de que o plano de não cobrar
israelitas no templo ou em suas próprias nada dos alunos pela taxa escolar, dependendo do
cidades e partilhado com os pobres e os segundo dízimo para manter a escola, sempre dei~
levitas (12:6,17; 14:22~29; 26:12~15). Ellen xará a escola em precárias condições finar`/=eiras.+8°

G. White faz distincão entre esse dízimo e


o dízimo regular tot'almente designado aos Nada mais foi escrito por ela sobre o
levitas e sacerdotes, para o seu trabalho segundo dízimo. Parece que não o conside~
no santuário. Ela o chama de "segundo rava obrigatório à igreja, mas não dissua~
dízimo."]74 Esse dízimo era levado ao san~ diu os que estavam dispostos a dá~1o para
tuário de dois em dois anos, como oferta projetos específicos.
de agradecimento, e comido numa festa
\religiosa de que participavam os levitas,

CONCLUSÃ0
/'3su::àrtaen:el::::e:.Soó:àãoo,S`fes::Vsleúgvua:á7:
dízimo devia ser usado em casa, hospe~ É claro para mim que os conselhos que
dando os levitas e os pobres" e era "um E11en G. White dá a respeito do dízimo,
fundo para fins de caridade e hospitali~ bem como os seus constantes apelos para
dade."[76 Ela esclarece que esse era "um que os membros da lgreja trouxessem seus
dízimo além do que era dado cada ano dízimos ao Senhor, não se baseiam origi~
para o serviço de Deus, e inteiramente nariamente em interesses financeiros prag~
distinto de|e."177 máticos, mas foram determinados por sua
especial compreensão teológica do dízimo.
Dar um segundo dízimo na época atual Seu conceito de Deus como justo proprie~
não é desaconselhado por Ellen G. White, tário do Universo, bem como Sua bondade
mas também não é fortemente promovido revelada nas constantes dádivas e bêncãos
por ela. Enquanto se encontrava na Aus- que nos tem concedido e que culminaiam
trália, ela incentivou os membros da lgreja no supremo Dom de Seu Filho Único,
a trazerem suas ofertas para aumentar o provêm uma sólida base teológica para as
fundo destinado à construcão do Sanató~ reivindicações de Deus sobre nós, sobre
rio de Sydney. Ela relata: tudo o que temos, e especialmente sobre o
nosso dízimo.
Nossos companheiros de trabalho na Austra~
1ásia responderam anímosa e entusiasticamente. 0 sistema do dízimo foi instituído pelo
0 segundo dízimo foi reservado para aumentar o próprio Deus, para que fosse uma bênção a
fundo de construção. Houve muitos donativos de uma raça decaída, dominada por incontro~
dinheiro, trabalho e materiais, representando indi, lável egoísmo+ A boa qualidade dessa lei é
zível abnegação.178 revelada pelo fato de que procedeu de Deus
e foi confirmada por Jesus, como tendo per~
Não nos é declarado se ela solicitara, manente valor para Seu povo. Por meio do
ou não, um segundo dízimo para o pro~ dízimo, Deus tencionava impressionar~nos
jeto. 0 importante é que, evidentemente,
pelo menos em algumas ocasiões, os mem~ ::dmasaarseanl:i:ásebdêenç:oes.EÉeÊ|:á::íorprdee~
bros da lgreja deram um segundo dízimo. serva nossa vida, e devemos reconhecê~Lo

43-
como nosso Salvador e Senhor. Ele também dela, nosso Senhor nos informou o que Ele
tencionava restaurar nossa dignidade pes- quer que façamos com o Seu dízimo. Ela
soal, reintegrando~nos como Seus mordo~ corrigiu abusos e confirmou o uso correto
mos, segundo é evidenciado no ato de dar o do dízimo. Ao mesmo tempo e em determi~
dízimo. Pelo poder de Deus, dar o dízimo nadas circunstâncias, Deus permitiu que
deveria ser um poderoso instrumento para ela utilizasse o seu dízimo para ajudar os
subjugar o nosso egoísmo natural. que trabalhavam no ministério com recur~
sos financeiros muito limitados.
Portanto, para E11en G. White, o dízimo
é um instrumento nas mãos de Deus para Embora E11en G. White não enunciasse
abençoar~nos. Ele é exclusivamente proprie~ sua teologia do dízimo de maneira siste~
dade de Deus, e santo. Devolvê~1o a Deus é mática, é Óbvio que possui'a tal teologia, e
que esta influiu sobre tudo o que tinha a
E=,dee:esrargerlàãloo.S:em=:::i,opaoslss|ierqt:::à: dizer acerca do dízimo. Há segurança para
os membros da lgreja o reservam para o a lgreja em atender ao que ela disse.
Senhor e o colocam em Seu tesouro, na
Associação. Este fundo sagrado é preser~
vado assim quando usado pelos adminis~ REFERÊNCIAS
tradores da lgreja para o propósito que ] 0 sistema do dízimo desenvolveu~se vagarosamente
Deus lhe designou. entre os pioneiros adventistas. À medida que
a lgreja ia crescendo, tornou~se evidente que
Para E11en G. White, devolver o dízimo havia necessidade de recursos financeiros para
é o resultado de um relacionamento pessoal proclamar a mensagem e pagar os obreiros de
tempo integral. Em 1858, um grupo, sob a direção
com o Senhor, baseado em uma completa
de J. N. Andrews, estudou os princípios bíblicos
dedicação a Ele. Ela incentiva os crentes
para o sustento do ministério. Como resultado,
a devolverem o dízimo com base no fato um plano chamado "benevolência sistemática"
de que Cristo deu Sua vida por eles, de foi formulado em 1859 e posto em prática para
que Deus é o Senhor do Universo, de que incentivar os membros da lgreja a proverem os
temos a responsabilidade moral de devol~ fundos necessários. 0 sistema bíblico do dízimo,
ver o dízimo e de que precisam ser provi~ originariamente, não fazia parte dele; mas foi-1he
dos recursos para levar o evangelho a um acrescentado mais tarde, em 1860. Nesse plano,
o dízimo se restringia à renda das propriedades, e
mundo que perece. Se somos abençoados,
esperava~se que os que não tinham propriedades
como Deus prometeu, isso acontece para
fizessem doações pessoais. Ta[ sistema rudimentar
habilitar~nos a dar mais para a Causa de foi apoiado por Ellen G. White, a qual, desde
Deus. 1857 vínha encorajando os membros da igreja a
serem liberais em suas doações para a Causa (Ellen
Os pastores e administradores têm a G. White, Testjmoní€s for the Ch%rch [Montain
responsabilidade de ensinar aos membros View, CA: Pacifíc Press, 1948], 1:170). Em 1859
da igreja que lhes compete trazer ao Senhor ela referiu~se ao plano da Benevolência Sistemática
um dízimo fiel. Ela sugere que ele seja como "agradável a Deus" (Ibidem, 190). Em 1861,
era claro para ela que o plano devia incluir o ato
separado em casa e levado à igreja no
de trazer a Deus dízimos e ofertas. Ela escreveu:
sábado. Deve basear~se em nossos lucros e "Não roubeis a Deus, retendo~Lhe vossos dízimos
rendas, mas cada pessoa deve estar livre •e ofertas. 0 primeiro dever sagrado é entregar a
para determinar os pormenores. Quanto Deus uma proporção adequada" (Ibidem, 221). Ela
ao seu emprego, o dízimo deve ser usado não definiu, porém, aquilo de que se deveria dar o
para a proclamação do evangelho pelos dízimo, nem especificou o seu uso. Na realidade,
os pioneiros, a príncípio, não faziam distinção
pastores e outras pessoas que dedicam a
entre o uso dos dízimos e o uso das ofertas. Por
vida ao ministério evangélico. Para Ellen
volta de 1876, os dirigentes da lgrej.a perceberam
G. White, a natureza do dízimo (ele é santo
que havia defeitos no plano, especialmente quanto
ç pertence a Deus) é inseparável de seu uso. ao que devia servir de base para calcular o dízimo.
E Deus quem determina como deve ser Então foi declarado e votado que se deveria dar um
usado o que Lhe pertence. Neste sentido, décimo de todos os rendimentos. Dessa ocasião
a função do ministério profético de Ellen em diante, E11en G. White muitas vezes escreveu
G. White, como instrumento de Deus, tem sobre o que constituía um dízimo apropriado e
sido uma bênção para a lgreja. Por meio o modo específico como devia ser usado. Para

~44~
mais detalhes a respeito da história do dízimo " Conselhos sobre MOTdomia, 69.
na lgre]a ASD, ver o artigo de Arthur L. White, [8 Ellen G. White, 0 112T Adventiscci (Santo André,
"Destaques do Começo do Sistema do Dízimo,"
SP: Casa Pub[icadora Brasileira, 1973), 25-26; Ellen
em Arthur L. White, EI!€n G. W7hi.te: The EcirJy
G. White, A Gêncjci cZo Bom V!.ver (Santo André,
Yecirs (Hagerstown, MD: Review and Herald, 1985),
SP: Casa Publicadora Brasíleíra, 1977), 356.
380-393; "Systematic Benevolence," SDA Enc)icb~
[9 Ellen G. White, SpírífwciJ Gfts (Washington, DC:
Pcdícz, editado por Don F. Neufeld (Hagerstown,
MD: Review and Herald, 1996), 735-738. Review and Herald, 1945), 3:254; e Ellen G.
2 Por exemplo, Ellen G. White, God's Ar"=mg G"cé White, Pro/€tcis e Reís (Tatuí, SP: Casa Publicadora
Brasileira, 1996), 183.
(Washington, DC: Review and Herald,19T3).151 ;
"Tithes and Offerings," Sottchem \rLzrchmdn. 14 de :L` Pamcmn € Pro/c£cis, 71 ; E11en G. White, Menscigens
fevereiro de 1905, par. 6. Esco[hi.dcis (Santo André, SP: Casa Publicadora
3 ELlerL G . White, Special liestimo'mes for Mi"steTs and Brasileira,1966),1:230.
•-\ 0 Desejado de liodas as Nações, 6L7.
Wrorkers no 9 (Battle Creek, MI: s.e., 1897), 71.

4 Ellen G. White, Cons€Jhos sobr€ Mo7idomíd (Santo :: Ibídem, 616.


André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1968),
" Ccmselhos sobTe Mordomia, T 5.
71+

5 "Camp Meeting at Williamsport, Pensilvânía," 24 ibidem, 67.

R€víew cmd H€rciH, 13 de agosto de 1889, par. 8. 25 ibjdem, 66.

6 Ellen G. White, Mcznt#crjpf R€I€ases (Silver Spring, 26 El|en G. White, Obrejros Et/crngéftos (Tatuí, SP:
MD: E11en G. W/hite Estate,1990-1995),12:228. Casa Publicadora Brasileira, 1993), 98.
7 "Tithes," Pcicj/jc Unjon R€corder, 10 de outubro 27 Con5eJhos soZ77.c Mordomú, 46. Nessa declaração,
de 1901, par. 4. ela está tratando de dízimos e ofertas, dando a
8 Ela escreveu o seguinte a respeito da conexão entre entender que a prática de dar ofertas também foi
instituída por Deus.
a dádiva de Cristo, da parte de Deus, e todas as
outras dádivas: "Dando~nos a Jesus, o Senhor nos 28 Ela escreveu: "Todas as coisas na Natureza testificam
concedeu o mais valioso tesouro clo Céu. Com do cuidado terno e paternal de nosso Deus, e de
Ele, nos tem dado gozar abundantemente todas as Seu desejo de tornar felizes os Seus filhos. Suas
coisas. Os produtos da terra, abundantes colheitas,
proibições e ordens terminantes não se destinam
os tesouros de ouro e de prata, são dádivas Suas. simplesmente a ostentar Sua autoridade; antes,
Casas e terras, o alimento e o vestuário colocou~os em tudo que Ele faz, tem em vista o bem~estar de
na posse dos homens. Pede que 0 reconheçamos Seus filhos. Ele não exige que estes abandonem
como o Doador de todas as coisas; e, por essa razão, coisa alguma que seria de seu máximo interesse
diz: `De todas as vossas posses reservo a décima conservar" (Pcztricirccis c Profetcts, 600).
parte para Mim, além das dádivas e ofertas, que 29 A expressão "sistema do dízimo" é muitas vezes
devem ser trazidas à casa do Meu tesouro" ("A Test
of Gratitude and Offerings," R€t;i.ew cmd Herci!d, usada por Ellen G. White para referir~se à lei e
4 de fevereiro de 1902, par. 4). Ver também "The prática de dizimar, mas às vezes ela parece usá~la
Duty of Paying Tithes and Offerings," Rcujcw cmd para designar o dever e a prática de trazer dízimos e
H€rciu, 17 de dezembro de 1889, par. 2. ofertas ao Senhor. Neste artigo nós a usaremos para
designar apenas a prática de dizimar.
9 "Work and Baptism of the Holy Spirit Needed,"
3o "Tithes," 7.
Semons and rl7atks,1.. LSZ.
t° Ellen G. White, T€sf€m4nhos ScJcCos (Santo André, 3L Ellen G. White, M€ntc, Ccirác€r c Pc7.sonctljdc[de

SP: Casa Publicadora Brasileira, 1970), 3:35. (Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira,
1985), 2:566.
" "Tithes," Pz2cz./íc U7iíon R€cord€T, 10 de outubro
32 Mensagens Escothidas, \..Z83.
de 1901, par. 3.
íz E||en G. White, PcicTjcirccis e PTofetcis (Tatuí, SP: 33 "Christ's Sacrifice for Man," Sjgns o/ th€ Tímes, 13

Casa Publicadora Brasileira, 1993), 525; cf. Ellen de junho de 1900, par. 3.
G. WL\Lte, 0 Desejado de rliodas as Nações (Ta:cuí, 34 McmtÁscript ReJeczs€s, 2: 133.
SP: Casa Publicadora Brasileira, 1990), 616.
35 "Camp Meeting at Williamsport, Pensilvânia,"
" PatriaTcas e PTofetas, 52,5 .
par. 8.
L4 0 Desejado de rliodas as Nações, 6L6.
36 ConseLhos sobTe MOTdomia, L05.
L5 Co"elhos sobre MOTdomia, 7 3.
37 Ela escreveu: "Quandó Ele vê um fiel cumprimento
\6 r|Zestemunhos Seletos, 3..35. do dever no pagamento do dízimo, muitas vezes,

~45~
em Sua sábia providência, abre caminhos pelos 54 r|iestimonies for the ChuTch. 9..247-Z48.

quais este possa aumentar. Os que se têm tornado 55 "The Church and lts Mission," 12 de abril de
participantes da graça de Deus não devcm ser
1905, par.1.
vagarosos em c]emons[rar seu apreço por i`ssa_
dádiva. Não devem considerar o dízimo comi] o 56 "The Tithe: lts Use and Abuse," Gen€rczI Co7if€Tenc€
límite de sua lil`eralidade" ("Laborers Toge{heT BL4lle[ín, 1 de julho de 1897, par. 3. Os itálicos
with God," Reui.ew cznd Herci;d, 24 de agostci de fazem parte do texto original.
1886, par. 9).
57 Ela escreveu: "Deus deu jnstruç`ões especiais quanto
38 "A Test of Gratitude and Loyalty," Revz.euJ 'c!
ao emprego do dízimo" (Conse!hos sobre Mordom.cJ,
Her4Jd, 4 de fevereiro de 1902, par. 8. A pah\i-a 101). Ver mais abaixo, para maiores informações
"mordomo," quando aplicada por Ellen G. White
sobre o uso do dízimo.
a seres humanos, denota sua responsabiliilade
58 "The Church and I[s Mission," par. 1. Ellen G.
para com Deus, bem como o reconhecimento de
White não diz muita coisa sobre a santidade
que "não são proprietários" ("Tithes," par. 4).
do dízimo depois que ele atingiu seu propósito
39 Consdhos sobi.e Mordomia, Z99.
sagrado. Ela raramente trata da questão de como
4° Ellen G. White, Edwcciçõo (Tatui, SP: Casa os pastores usam seus sa[ários. A única exceção
significativa parece clizer respeito ao uso do
Publicadora Brasileira, 1997), 44.
dinheiro, por pastores, para comprar alimentos
4t "Víctory Over Temptation," Síg7is oJ-th€ Thi€s, 11 nocivos, especialmente alimentos cárneos: "Não
de abril de 1900, par. 7. devemos dar um testemunho decídido contra a
42 Ela comenta: "0 Senhor criou este plano porque é transigência com o apetite pervertido? Porventura
os ministros do evangelho, que estão a proclamar
melhor para nós. Satanás [rabalha const{intemente
a verdade mais solene já enviada aos mortais,
para promover nos homens mundanidade, cobiça devem constítuir~se exemplo no regresso às panelas
e avareza, cle modo que possa arruinar~lhes a
do Egito? É lícito que os que são sustentados
alma e prejudicar a obra de Deus. 0 Senhor
pelos dízimos dos celeiros de Deus se permitam a
escá procurando cultívar em nós gratidão e
condescendência que tende a envenenar a corrente
liberalidade. Ele deseja liber[ar~m` do egoísmo,
vivificadora que lhes flui nas veias? Desprezarão a
que é tão ofensivo a Ele, por ser t:-Ü cc>ntrário ao luz que Deus lhes deu e as advertências que lhes
Seu caráter" ("A Test of Gratit`iile and Loyalty,"
faz? A saúde do corpo deve ser consíderada como
par. 6). essencial para o crescimento na graça e para a
43 "Tithes." 3. aquisição de bom temperamento" (T€sCc7"nhos
Sel€tc)s, 3:360).
44 Por cxemp\o, Conselhos sobre MOTdomia, 66-67 ,
59 "Address and Appea[: Setting Forth the lmportance
7L, 93., rliestimonies for the ChuTch, 3..395., 6..386.,
9:249. of Missionary Work," R€uícw cmd H€rczld, 12 de
dezembro de 1878, par. 9.
45 Testemunhos Sdetos, 1..374.
6° r||estimonies foT the Church, 4=337.
46 Co7isc]Jios sobr€ Mordomícú, 66; cf. "Will a Man
6i ibidem, 4:474.
Rob God?," Reuíew cmcz HcrczJc!, 16 de maio de
1882, par. 28. 62 E11en G. White, Consc!hos sobr€ Satíd€ (Santo
47 PatriaTcas e PTofetas, 5Z6. André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1971),
590.
48 "Nosso Dever Como Professores e Membros,"
63 Mcmwscript ReJeases, 12:228.
Indicmci Reporter, 15 de agosto de 1906, par. 6.
49 Edt%ciçõo, 138. 64 "How Much Owest Thou?," Sígns of the Tím€s, 6
de janeiro de 1890, par. 4.
5o ibidem, 139.
65 Têstimories fior the ChuTch, 4:L19.
5[ Esse conceito não é novo. Malaquias já havia
66 ibidem, 4:474.
considerado a retenção do dízimo um ato imoral,
um roubo cometído contra Deus, denotando que 67 Ver "Tithes," par. 4.
devolver o dízimo é uma questão de moralidade.
68 Conselhos sobre MOTdomia, 7 3.
Mas Ellen G. White expôs claramente a idéia,
desenvolveu~a e a expressou na [erminologia 69 "How Much Owest Thou?," par. 5.
moral modema.
7° T€stemwnhos S€!etos, 2:41: "A única maneira que
5.- SE)ecial Tlestimonies foT MinisteTs ar\d WorkeTs n° 10,
Deus ordenou, para fazer avançar Sua causa, é
16; Ellen G. White, Medjccil Mnis£ry (Montain
abençoar os homens com propriedades. Dá~lhes
View, CA: Pacifíc Press, 1963), 216.
a luz do Sol e a chuva; faz a vegetação medrar; dá
-S3 ManuscTipt Rehases, 13..L98.
saúde e habilidade para adquirir meios. Todas as

~46~
nossas bênçãos provêm de Suas munificentes mãos. 8Ó ibidem, 93.

Por sua vez, cleseja que os homens e mulheres 87 C{. r|iestimonies foT +i!.x ChuTch, L ..).25 .
mostrem sua gratidão devolvendo~Lhe uma parte
em dízimos i- ofertas ~ em ofertas de gratidão, 88 Ver "The Work in Michigan," SL'77no7u cmd Tct!ks,
ofertas volun[árias e ofertas pelo pecado." 2:71J79. G. Edwai-d Reid reimprimiu esse artigo
7` Ver 0 Dese]ado de rllodas as Nações, 617. e colocou proveitosos resuml)s na margem de
cada página.
72 r|Zestemunhos Seletos, 3..38.
89 |bíL|em, 73.
73 Conselhos sobTe MOTd()mia, 82. Elç\ escTc`-eu ess&
91` ldem.
declaração em 1896, mas modifícou~a em 19C\il` a
fím de reconhecer que poderá ha\'er circunstânlias ;L ibiJem, 74.

em que uma pessoa talvez não seia capa: de le`-ar `: Idem.


o dízimo imediatamentL` ao tesourLi (ci`ml` em
caso de doença): "Exata, hi`nesta e t-ielmer.[e. `-` ldem. De\-e ser salíentado qul`, ao mesmo tempo,
se possível sem alguma falha` o di`=imo je\'e ser El[en G. Whitc. inccnti\'oii os membros da ígreja
trazido ao tesouro de Deus" ("Hou' Much O\+.est a exp[essarem suas preocupaçõi`s aos que haviam
thou?," Rc.'jt'ui cznd Hcrcild, 25 ile de:embro de erradli \Ibidem, T5). Em 1907, ela deu alguns
1900, par. 5). cc)nselhos mais especít-icos: "Ruubareis ... a Deus,
74 PatriaTcas e PT(ifetas, 5Z8. por pensarJt=s que a direção Ja i)bra não é correta?
Aprl`sentai \'oss.a queixa t-ranl-a `` ibertamente, no
75 E11en G. White, Nos Lwg4r€s Cclcsíícijs (Santo
de\'ido espirito, e às pessoas competentes. Solicitai
André, SP: Casa Publicack)ra Brasileira, 1967), 303. em vossas petições que se ajustem as coisas e se
A palavra "meios" é usada p(]r Ellen G. White para ponham em ordem; mas não \'os retireis da obra
referir~se às vezes aos dízimos e ofertas. Isso não de Deiis, nem vos demonstreis infiéis porque
signifíca, porém, que os dois sejam equivalentes. outi-tis não estejam fazendo o que é correto"
Ela sempre considerava o dízimo como sem igual, (ObrL|.rí)s Eucmgel;cos, 227). [sso é tudo o que
e chamava~o de "uma oferta especial. para uma Dciis ct,pera dos membros da iLJreja, mas Ele os
obra especial" ("God's Claim Upon Us," R€ujew conforta, dizendo: "Mesmo que os meios assim
cind Hercild, 8 de dezembro de 1896, par. 2). Por con5aLmdos sejam ma] aplicados, de modo que
sua própria natiireza, o dízimo pertence a Deus e não sc ri`alize o objetivo qii.e o doador tinha em
deve "ser dedicado unícamente à manutencão dos vista - a glória de Deus e a salvação de almas -
que se entregam à pregação do evangelhó" (Nos os que fizeram o sacrifício i`m sincerídade de
LÁgciT€s Cel6'sti'c{Ís, 303). Mais adiante, diremos almci, \'ismido unicamente [i glória de Deus, não
algo mais sobre isso. pi-rdlTão sua. recompensa" \Tcjfímonies for thc
ló Conselhos st)bTe MOTdomia, 7 3. Cht{rcJi, 2:518). Ellen G. WhiTc` também salienta
a responsabilidaile clos diri:cntes da igreja no
77 "Laborers Together with God," Rcuj€w cincl Herc£U, trabalho que realizam e no uso dos di'zimos e
11 de junho de 1901, par. 7. ofertas: "0 tesouro de Deus deve ser abastecido
78 Ela escreveu: "0 Senhor nos tem dado o privilégio pelo ilízimc>, o qual deve ser considerado como
um fundo sagrado. Ele é de Deus e deve ser
de sermos cooperadores Seus, para que a verdade
daclo libemlmente, para que a obra possa ser
de origem celestial possa ser colocada ao alcance
su\itenti`da. Aqueles que ocupam posições de
de todas as pessoas, em todos os países. 0 homem
responsabihdadt3 devem agir ile tal maneira que
tem tido o privilégio de tornar~se um instrumento
as pessoas [enham firme confiança neles. Estes
para executar, não os seiis próprios pli`nos, mas os homens não dcveriam ter receio de trazer à luz
planos do Céu" ("The Duty of Paying Tithes and tuilo que ili2 rcspeito à administração da obra"
Offerings," par. 5).
(Mcmwscrjpt Rel€cises, 13: 198).
79 E||en G. White, M€nscigcns 4os Joucns (Santo
94 "Tithes," par. 3.
André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985),
95 "Holitlay Gifts," Reui€w cmd HeTciw, 26 de dezembro
306.
8° Ver Co'nselhos sobre MOTdomm, 97. de 1882, par. 16.
96 Idem.
8` Tzestimories for the ChuTch, 6..389.
97 "The Duty of Paying Tithes and Offerings," par.
82 E||en G. White, T€s£€m%rihos Pcirci Mi.m.st7.os e
1.
ObrejTos Evcmg€1jcos (Tatuí, SP: Casa Publicadora
98 Consclhos sobre Mordomjcz, 73; cf. "The Church
Brasileira, 1993), 305.
83 Conselhos sobre Mordomia, 67. and lts Mission N.`` 1," Ecist Mchjgcm Bcimcr, 18
de janeiro de 1905, par. 3.
84 Tiestimories foT the ChuTch, 3..404.
99 E||en G. White, Euczngcljsmo (Santo André, SP:
85 Conseu`os sobne Mordomia, 7 3-74. Casa Publicadora Brasileira, 1978), 321.

~47~
[°° Obreíros EvcirLgéítcos, 98 (1892). exemplos de Abraão e Jacó para apoiar o dízimo
\L" r|Zestimonies for the Church, 9..Z5L. moderno (372). Mas não fez distinção entre o
uso dos dízimos e o uso das ofertas. Em 1879, ela
LOZ ObreiTos Euangélicos, 370. escreveu sobre a propagação do evangelho por meio
de dízimos e ofertas (Tcste7"mhos Sezecos, 1:551),
L°3 ConseLhos sobre MOTdomia, +OL.
mas menciona alguns outros usos: "Importa que
[°4 "A Test of Gratitude and Loyalty," Rcvjew c[nd se apoiem as instituições que são instrumentos de
Herctld, 4 de fevereiro de 1902, par. 7. Deus no promover Sua obra na Terra. Devem~se
erigir igrejas, estabelecer escolas, e aparelhar as
]°5 |dem. Ela comenta que os princípios que se
casas editoras com os meíos necessários à realizacão
encontram em I Coríntíos 16:2 e 11 Coríntios 9:7 de uma grande obra na publicação da verdadé a
se aplicam ao dízimo. 0 princípio mais importante ser propagada por todas as partes do mundo. Essas
é que cada pessoa deve separá-1o antes de usar o instituições são ordenadas por Deus, e devem ser
resto do dinheiro. mantidas com dízimos e ofertas liberais" (543).
106 |bidem, par. 8. Aqui não é feita distinção entre o uso dos dízimos
e das ofertas` Foi na década de 1890 que ela
1°7 r||estemunhos tiaTa MínistTos e ObTeíTos Euangéticos , recebeu mais luz do Senhor, levando-a a esclarecer
305. Em outro lugar ela declara que "o dízimo o que escrevera em 1879. Por conseguinte, o uso
é pago à Associação," a qual, no contexto, é específico dos dízimos começou, então, a ser
identificada com "o tesouro" (Mc[mJscrz.Pt R€kcises, diferenciado do uso das ofertas. "0 relato torna
7:366). claro que na metade da década de 1890, o Senhor,
\08 r|iestimories f oT tlw Ch"ch, 9..59 , por intermédio de Sua mensageira, deu instruções
específicas requerendo praxes rigorosas acerca do
109 |bidem, 6:386. uso do dízimo" (Arthur L. White, "Destaques do
Começo dci Sístema do Dízimo," 1990).
L]° "The Bible System of Tithes and Offerings," SígTis
±Z° Conselhos sobre Mordomia, 10L., cf. ObreiTos
of thc T!mes,18 de março de 1886, par. 7; em 1875,
ela também declarara que "Deus especificou um Evangélicos, 224., e rllestimonies foT the Church,
décimo da renda" como dízimo (Testjmonjes foT 9:247.
the ChtÁrch, 3:394, 408) e repetiu~o em 1882: \2L ConseLhos sobre MOTdomia,101.
"0 dízimo de toda a nossa renda é do Senhor."
i22 Mcw"scripc Rel€cÚscs, 13:281.
Então, ela acrescenta: "Ele é santo. Nada menos
do que isso tem sido por Ele aceito em qualquer 123 "|n the Regions Beyond," GeneTc[Z Confer€ncc
dispensação" ("Will a Man Rob God?," R€uíew cind
Bwlktjn, 5 de abril de 1901, par. 8. A declaração não
H€rcz}d, 16 de maio d€ 1882, par. 27).
deve ser interpretada como significando que, se em
L" ``The Duty of Paying Tithes and Offerings," vez de duas ou três pessoas, houvesse oito ou nove,
par. 1. seria correto decidirem como deveria ser usado
\'Z Conselhos sobTe MOTdo'mia, 8Z., escrito em 1896. o dízimo. Semelhante conclusão é descartada
pela última frase, a qual salienta que o dízimo
113 |bidem, 66; escrito em 1899.
pertence a Deus, e não a três, nove ou cinqüenta
114 Edwcczçõo, 44; escrito em 1903. Pess0as.
124 E||en G. White, Pcirábobs d€ Jestts (Santo André,
\\5 CorLselhos sobre Mordo'mia, 8Z., escrLto em L875.
SP: Casa Publicadora Brasileira,), 300. Itálico
lL6 r|Zestemunhos Sek3tos , L..37 3. acrescentado.

ii7 |dem. \Z5 SDalding and Magan Collection, 166.

t[8 Testcmwnhos SeJecos, 2:40, escrito em 1882. [26 Mcmttscripf R€lecis€s, 13: 198.

Em 1880 ela repreendeu alguns que estavam L27 E\Ler\ G. Wt\ite, Conselhos sobTe a Escoki Sabatina
calculando "o dízimo o mais escassamente possível"
(Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira,
(Testemunhos Seletos, L..5 5 5). 1976), 130.
[í9 Mcmwscri.Pt RcZcczs€s, 13:281. Em um de seus LZS Conse|hos sobre Mordomia, 102.
primeiros artigos que tratam dos dízimos e ofertas,
i2g ibidem, 9_3.
não há instruções específicas sobre como usar o
dízimo; ela simplesmente admoesta os membros da \3° EL\er\ G. WL\ite, Sons and DaughteTs of God
igreja a trazerem seus dízimos e ofercas ao Senhor
(Washington, DC: Review and Herald, 1955),
e a r\ão roubà-:IJ) (rlzestimories for the ChuTch, L..32,L
256.
[1861J). Em 1874, ela incentivou os crentes a
\3L r|Zestemunhos Sehtos. 3..38.
trazerem seus dízimos e ofertas a fim de transmitir
a luz do evangelho a outros (Tes[€mw7ihos S€ktos, L3Z r||estimonies foT the Church, 6..ZL5.
1:360, 367, 370~372, 374). Usou também os

~48~
13' Idem. ]54 Carta 93, 1899.

" Manuscript Releases, 5:323. " Conselhos sobTe MOTdoria, 102.

i35 |dem. 156 Mensagens Escothidas ,1..ZO9 .

i3ó ibidem,12:160. 157 Conselhos sobre MOTdomia, L03.

°7 |bídem,1:263. \" ManuscriE)t Relecises , 3..Z18.

138 E||en G. White, Mec!i.cimz € Sc{Judçáo (Tatuí, SP: ]59 E||en G. White, Fwnc]cmentos da Educciçõo CT}stõ
Casa Publicadora Brasileira, 1991), 245. (Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira,
139 Mcm#scn.pc R€jccis€s, 1: 189; `'er também UThe L-se 1975), 477.

of Tithes," Echoes, 21 de junho de 19i`5, par. 6. -C+ Pcmphtet 004 , An APpeal for Missions, 24.
\4° Manuscript Releases` 3 ..Z7 Ziz7 3 .
-:- Rot`ert W. O[son fez alguns comentarios impor-
[41 Ver: Robert W. 0lson, "El[en G. White Comments tantes sobre as int'erências das instruções de Ellen
on the Use of Tithe Funds," manuscrito não G. Wmite acerca do emprego do dízimo ("Ellen G.
publicado, fevereiro de 1990, 19. 01son insínua White CommenLç," 24-25). Ele insinuou que "o
que, sob algumas circunstâncias, ela talvez tenha findamento lógico para dar a máxima priorídade
defendido o pagamento de um salário parcial para ao ministério e\.angélico no emprego dos fundos
alguns colportores evangelistas (20). Ele baseia oriundos do dí:jmo de`'e ser que os pastores,
sua opinião numa carta escrita por W. C. White evangelistas e admínistradores de Associações náo
em 11 de junho de 1902, na qual é descrito o qiie têm outra fonte adequada de renda disponí\'el para
era feito m Austrália, enquanto E11en G. White o seu sustento. Isso também é `.erdade a respeito
ainda estava ali, para ajiidar alguns colportores de outros componentes do pessoal dos escTitórios
evangelistas. Eles não recebiam mais do que das Associações, como secretárias, contadores,
"dois dólares e meio por semana ... do dízimo da
zeladores, etc." Obviamente, isso é certo; mas,
Associação, como auxílio em suas despesas" (Idem). conforme demos a entender, ela tem toda uma
Isso era efetuadc) em lugares "muito dificeis de teologia do dízimo que informava e determina\'a
trabalhar."
sua perspectiva do emprego do dízimo.
i42 McmÁscrip[ R€kctscs,1: 184.
" Ver, por exemplo: Arthur L. White, "Mrs. E11en G.
i43 ibidem, 7;366. White and the Tithe," documento do Patrimônio
144 Ver: Olson, 22.
Literário de Ellen G. White, 1990; e outros artigos
deste periodico.
145 Mcz"scr{Pt Rel€cis€s,1: 191.
" Mci"sc7ip£ R€}cci5cs, 2:99 (1902).
146 Conselhos sobTe MOTdoria,101.
i64 ibidem, 100.
\47 Tlestimonies for the Church, 9..Z47 .
165 |bidem, 99. Ela sentia verdadeira solicitude por
L+8 Consdhos sobTe Mordomia` L02.
pastores aposentados que estavam em necessidade
W3 Sons and DaughteTs of God` 257. financeira porque naquele tempo a lgreja não tinha
um ptano de aposentadoria. Ela escreveu: "Onde
t5° ObreiTos Evangélicos , 226. vejo obreiros nesta causa, que têm sido sinceros e
[5' "The Tithe: Its use and Abuse, " G€7ic7.czZ Conícr€nc€ leais à obra, deixados a sofrer, é meu de`'er falar
em seu favor. Se isto não leva os irmãos a ajudá~los,
BWJl€fíri, 1.° de julho de 1897, par. 3.
então eu precíso auxiliá~1os, mesmo que tenha
LSZ riiestimories foT the ChuTch, 3..103 . de usar parte do meu dízimo para fazer isso
153 PampTLlet 15 7 : Special Tzesti:rru)ny to the Oakland and (Citado por W. C. Whíte, em "Regarding the L'se
of the Tithe," manuscrito não publicado, DF 384,
Bcz[tze Cr€€k ChtÁrches, 12. Houve um tempo em
EGWRC~GC, [cerca de 1932]).
que o dinheíro clo clízimo foi usado, em algiimas
igrejas, para pagar as despesas dessas igrejas. A 166 Manuscript Releases , 2..101-10Z.
razão era que estava sendo realizado muito pouco
i67 |bidem, 5:29 (1898).
trabalho missionário, e o dízimo se acumulava. 0
que se fazia necessário, disse Ellen G. White, era 168 Idem.
maior envolvimento em atividades missionárias. A
verdadeira razão, porém, para não usar o dízimo 169 "Watson Letter," publicada no livro de Arthur L.

para cobrir despesas de igrejas era a seguinte: "A WhLte, The EaTby Et:mshauen VeaTs, 395.
luz que o Senhor me concedeu sobre esse assunto 170 Idem.
é que os meios no tesouro, para o sustento dos
ministros nos diversos campos, não deve ser usado 171 ldem.

para qualquer outra finalidade" (Specril Tcstjmonjcs i72 |dem.


foT MjnjsteTs cínd Workcrs 7io 10, 8.

~49-
i73 ibidem, 396. 11 de março de 1884, par. 3.
+74 Patriarcas e PTofetas, 530. 178 "The Need for the Cause in Australia," N€eds, 4

i75 |dem. de julho de 1903, par. 21.


L]9 Manuscript Releases, 7..L38 (L904).
176 Idem.
i80 [bidem, 139.
L77 "Exating Usury of Brethren," Rcuí€w cmd Hercild,

50~
Parousia 2° Semestre 2001, Vol. 2, No 2, 51~57
Copyright © 2001 SALT.

ANÁLISE DE QUATRO DECLARAÇÕES


CONTROVERTIDAS SOBRE 0 DÍZIMO
EM ELLEN G. WHITE

ÂLBERTO R. TIMMg PH.D.


Prg£::gpÁde Teologia Hístórica do SALT (Brasil-Sul)
Diretor do Centro de Pesquisas Ellen G. 11-hiie (Brasil)

Dentre as dezenas de declaracões de White, que se acha\'a na Austrália, per~


Ellen G. White sobre o dízimo, quatro guntando se era próprio desviar parte do
delas parecem indicar aplicações parti- dízimo para resolver a situação. Em 14 de
culares. Este artigo analisa esses textos março de 1897, Ellen White respondeu:
junto ao contexto em que foram escritos.
Daquilo que me tem sido mostrado, o dízimo
Among the many E11en G. White state. não deve ser retirado da tesouraria. Cada centavo
ments about tithing, four of them seem desse dinheiro pertence ao tesouro sagrado do
to indicate private applications of it. Senhor, a fim de ser empregado em uma t-inalidade
This article analyses those statements especial.

within the context in which they were


originally written. Houve um tempo em que era feito muito pouco
trabalho missionário, e o dízimo estava se acu,
mulando. Em alguns casos, o dízimo foi usado

E mbora o sistema de dízimo adventista


do sétimo dia já estivesse em vigência
nc> final do século XIX,t recentemente tem
para finalidades semelhantes às que são propostas.
Quando o povo do Senhor sentiu~se despertado
para fazer trabalho missionário na pátria e nas mis-
surgido controvérsias sobre sua aplicação
sões estrangeiras, e enviar missionários a todas as
prática. Membros que perdem a confiança partes do mundo, aqueles que lidavam com interes-
na administração da igreja desviam, às ses sagrados deveriam ter tido discernimento claro e
vezes, o dízimo para grupos e ministérios santificado para compreender como os meios deve-
independentes. Tal procedimento é justifi~ riam ser utilizados...
cado através de algumas citações de Ellen
White que descrevem suas práticas pesso~ A luz que o Senhor me tem dado sobre esse
ais de dizimar. assunto é que os meios da tesouraria para. o sustento
dos ministros nos diferentes campos não devem ser
Parece, entretanto, que seria conve~ usados para nenhum outro propósito.5
niente uma análíse direta dessas quatro
declarações específicas de E11en G.
White.2 Mas no dia seguinte ela acrescentou:

Há casos excet)ciomis, onde a PobTeza é tão


LUGARES HUMILDES I)E AI)ORAÇÃO extTema que a ftm de asseguraT o mais humikle lugaT
de adoTação, i>oáe ser necessáTio utílizar o dízimo. MaLs
A primeira declaração é de 1897. As esse lugar não é Battle Creek ou Oakland.6
igrejas de Oakland, na Califórnia, e de
Battle Creek, em MÍchigan, estavam enfren~ A primeira declaração mostra clara-
tando sérios problemas em face de suas mente que embora o dízimo havia sido
"volumosas" despesas.3 Sendo que algumas
usado anteriormente para despesas da
congregações estavam utilizando o dízimo igreja local, tal uso, porém, deveria cessar
para cobrir despesas operacionais,4 mem~ devido aos grandes desafios missionários7
bros dessas duas igrejas escreveram a E11en e também por causa da crescerite luz con~

51~
cernente ao dízimo. Mas a segunda decla~ Na sessão da Conferência Geral de
ração fala de "casos excepcionais" à regra, 1901, Ellen White enfrentou o problema:
"Eu disse ao Senhor que quando chegasse
envolvendo lugares de adoração muito
pobres. a Battle Creek desta vez, vos inquiriria
porque retivestes os meios da obra na Aus~
Uma análise cuidadosa sugere que trália.''L4 Somente com a reorganização da
E11en White está se referindo a uma genu~ Associacão Geral em 1901 veio "uma solu~
ína situação missionária em que o edi~ ção" para melhor sustento das missões."
fício da igreja é descrito como o "mais Sendo que às vezes a própria Organização
humilde lugar de adoração." 0 problema não provia meios adequados para seus mis~
não é a construção, renovação, melhoria, sionários, E11en White sentia ter um dever
ou manutenção de uma igreja em uma especial para com os obreiros que, con-
área estabelecida (o que no mesmo con~ quanto "fiéis e leais à obra," "eram deixa~
texto ela desaprova energicamente),8 mas dos a enfrentar privações e sofrimento."
o perigo de perder o próprio "1ugar de Sempre que encontrava obreiros em tais
adoração," prejudicando assim a missão da circunstâncias, primeiro tentava resolver o
igreja naquele lugar atingido pela extrema problema falando "em seu favor" aos admi~
pobreza. nistradores locais. Se isso "não comovia os
irmãos a ajudá~1os," então ela considerava
que era seu próprio dever ajudá~los, mesmo
AJUDAND0 0BREIROS NECESSITADOS que isso significasse usar uma parte do seu
dízimo.
Um segundo comentário relevante de
E11en White concernente ao dízimo é uma W: C. White, comentando sobre a
declaração verbal, que ela fez ao seu filho W. declaração a ele feita por Ellen White, faz
C. White: uma clara distinção entre os procedimen~
tos normais e os esporádicos. Explica que
0 Senhor tem~me mostrado que a experiência de embora "um dízimo integral" fosse "devol~
pobreza e privação pela qual seu pai [Tiago White] vido sobre o seu salário [ao] tesoureiro da
e eu passamos nos primeiros dias de nossa obra me igreja ou da Associação," usos ocasionais
tem dado uma clara apreciação e simpatia por outros do dízimo dos "direitos autorais" iam para
que estão passando por experíências semelhantes de satisfazer as necessidades desses obreiros
carência e sofrLmer\to. E onde uejo obreiros desta causa
que estavam sofrendo. W. C. White argu~
que têm sido ftéis e leais à obra, que são deixados a sofTeT, menta que conquanto sua mãe pudesse
é meu deueT falar em seu fauor. Se isto não comoue
fazer tais usos especiais do dízimo devido
os irmãos a ajudá-los, então eu de`io ajudá-k)s, mesrno
à "iluminação especial" que ela recebia do
que Para isso eu seja obrigada a usar uma E)arte do Tneu Senhor como parte de sua autoridade pro~
dízimo.9
fética, nem "os membros da igreja," nem
"ministros" estão autorizados a agir seme~

Embora a data específica dessa declara~ 1hantemente.16


ção não seja conhecida, W. C. White explica
que "essas experiências se relacionam prin~ É significativo que ela anunciou sua
cipalmente com os anos em que nós [ele e declaração com a expressão "o Senhor me
sua mãe] estávamos na Europa [1885~1887] mostrou." Para Ron Graybill, tal expressão
e Austrália [1891~1900], e com os anos significa "que o que foi escrito, foi escrito
de 1900 a 1906, em favor da obra nos Esta~ sob a inspiração do Espírito de Deus."
dos do Sul."[° Se analisarmos a realídade Assim, ao declarar que o Senhor lhe havia
da obra adventista na Europa,[[ Austrálial2 e mostrado que fizesse tais aplicações espe~
nos Estados do SulL3 durante estes respecti~ ciais do seu dízimo, E11en White está
vos períodos, veremos que cada um desses evidentemente enfatizando sua singular
lugares era, naquele tempo, um campo mis~ autoridade profética para agir de tal modo.
sionário sem adequada provisão financeira.
Por outro lado, os membros dos campos Portanto, Ellen White reconheceu clara~
estabelecidos não estavam suficientemente mente nesta segunda declaração .que: (1) fez
preocupados em ajudar as missões. alguns usos especiais de seu próprio dízimo;

~52~
se evitasse. Não me preocupo em dar publicidade
(2) tais aplicações eram feitas apenas em
a esta obra que o Senhor me indicou, bem como a
relação a problemas negligenciados pela
outros, a fazer.
Organização; e (3) ela fazia isto com base
em seu discernimento profético.
Estou tratando deste assunto para que você
não cometa um erro. As circunstâncias alteram os
casos. Eu não aconselharia ninguém a tornar um
ApoiANDo o SUL NEGLiGE`-Cni)o
hábito juntar o dinheiro do dízimo e não devolvê,1o
aos cofres da igreja. Mas dttMcz7icc 47ios t€m h4ui.do d€
Uma declaracão mais detalhada sobre \`e~` em quando Pessoas que E)eTderam a conf iança na
a utilização especial do dízimo encontra-se iitili~`ação do dízmo e o têm colocado em minhas mãos,
numa carta escrita por Ellen White` em at-irmando que se eu não aceitasse, elas mesmas
22 de janeiro de 1905, a G. F. Watson. il utili:ariam para as famílias dos ministros mais
Presidente da Associacão do Colorado. Ao necessitadc`s que pudessem encontrar. Et/ C€nho
reprovar a atitude críti'ca de Watson con[ra lz``ado o dmheiTo` dnndo-lhes um recibo e tenho dito a
o envio do dízimo para sustentar a obra no essas Pessoas ccmo o dmhem foi aplicado.+8
Sul, disse ela:

Tem-me sido apresentado durante anos que meu A reorganização da estrutura da lgreja
dízimo deveria ser utilizado por mim mesma para Adventista em 1901, com algumas revisões
auxiliar os pastores brancos e negros que foram em 1903,íg abriu novas fronteiras ao desen~
negligenciados e não receberam o suficiente para volvimento das missões em uma dimensão
sustentar suas famílias. Quando me foi chamada a mundial. Todavia, o campo do Sul ainda
atenção para os ministros idosos, brancos ou negros, continuava sendo "o campo mais neces~
era minha obrigação especial investigar sobre suas sitado e mais desanimador do mundo."2°
necessidades e supri-las. Esta era minha obra espe~ Além disso, somente a partir de 1910 a
cial e tenho feito isto em vários casos. Ninguém igreja ofereceu amparo sistemático "para
deveria dar notoriedade ao fato de que em casos o sustento dos obreiros enfermos e idosos
especiais o dízimo é usado deste modo. e das viúvas e filhos dos obreiros faleci~
dos."21
Quanto à obra entre os negros do Sul, aquele
campo tem sido e ainda está sendo despojado [em
Em tal contexto, Ellen White explica
1905] dos meios que deveriam ir para os obreiros
que "durante anos" o Senhor tinha colo~
daquele campo. Se tem havido casos em que nossas
cado sobre os seus ombros a "responsabili~
irmãs têm utilizado o seu di'zimo para o sustento
dade especial" de investigar as necessidades
dos ministros que tra_balham pelos negros do Sul,
dos "ministros brancos e negros que eram
que cada homem, se for sábio, t-ique calado.
negligenciados e não recebiam o suficiente
Eu mesma tenho utilizado rrLeu dízimo f)aTa os para sustentar suas famílias." "Ministros
idosos, brancos ou negros" mereciam aten-
casos de maioT necessidade tTazidos ao meu conheci-
mcnto. Tenho sido instruída a fazer isto; e como ção especial. E novamente ela apela para
o dinheiro não é retirado do tesouro do Senhor,
a sua autoridade profética declarando que
não é um assunto sobre o qual se deva comentar,
Deus a "instruiu" a suprir "suas necessida~
des com o dinheiro do dízimo."
pois seria necessário que eu tornasse conhecidos
estes assuntos, o que não desejo fazer, por não ser o
melhor. Conquanto haja uma estreita relação
entre o conteúdo da carta a Watson e a
Alguns casos têm sido colocados diante de mim anterior declaracão verbal feita a W. C.
por ç\r\os` e tenho suprido suas necessidades do dízimo,
White, esta cartá vai muito além da decla-
conforme Deus me tem instruído a fazeT. E se quahueT ração anterior. Ela explica que (1) não
f)essoa me disser: Irmã Vlíhite, a senhoTa utilizaTia o somente utilizou o seu próprio dízimo para
meu dízimo PaTa emFrregá,lo onde é mais necessário, a maioria dos casos de necessidade, (2) mas
ct{ di.reí; Sm, o fciT€j,. e tenho feíto isto. Louvo a também aceitou dízimo de outros para dis~
essas irmãs que têm destinado seu dízimo aos locais tribuí~1o a seu critério, e (3) também, em
mais carentes para ajudar a fazer uma obra que está alguns casos, os membros, em vez de devol~
sendo negligenciada, e se for dada publicidade a este ver o dízimo às suas próprias Associações,
assunto, criar~se~á uma prática que seria melhor que enviavam~no para os ministros que evange~

~53~
1izavam o necessitado campo do Sul. Ela uma prática que seria melhor ser deixada
não via nenhum motivo para reprová~1os, como está."
porque "o campo do Sul tem sido e ainda
está sendo despojado dos meios que deve~ Então, finalmente, um dos principais
riam ir para os obreiros daquele campo." sonhos de E11en White tornou~se realidade
por meio do estabelecimento do plano de
0 uso de tais expressões como "isto assistência, que tornou-se efetivo em 1911.22
me tem sido apresentado durante an(`ç," Como resultado, em 7 de março daquele
"minha atenção foi chamada," "tenho siGo
ano, ela escreveu a E. R. Palmer, secretário
instruída a fazer isto," "alguns casos têm da Comissão do Fundo de Assistência:23
sido colocados diante de mim por anos" e
"conforme Deus me tem instruído a fazer" Tenho falado muitas vezes no passado sobre o
nosso dever de sustentar os necessitados entre os
parece confirmar a singular autoridade pro~
fética de E11en White, conforme a declara~ obreiros do Senhor que, por causa da idade, ou por
motivo de fraqueza causada por abandono ou tra~
ção verbal a W C. White sobre o mesmo
assunto. Mas a frase "esta obra que o ba[ho árc]uo na obra do Senhor, não podem mais
Senhor me tem indicado a fazer, bem como suportar os fardos que uma vez carregaram... Meus
irmãos, é correto que sejam lançados planos segu~
a outros para fazer" não é tão clara como
ros para o sustento de nossos obreiros ídosos, ou
as anteriores. Surge, naturalmente, a per~
dos obreiros mais jovens que estejam sofrendo por
gunta: 0 Senhor revelou a esses outros causa do excesst] de trabalho. É justo que seja criado
a responsabilidade de ajudar os obreiros
um fundo para amparar a esses fiéis soldados que
pobres do mesmo modo que o fez a E11en ainda anseiam dispor de todas as suas energias físi~
White? cas e intelectuais para dar a última advercência ao
munc|o.24
Respondendo a esta pergunta devemos
nos lembrar, primeiro, de que E11en White
mencionou que ela "louv[avaj essas irmãs" Pode~se afirmar que uma vez que
que aplicavam seus dízimos desta maneira. tais inadequadas circunstâncias financei~
Embora não tenhamos nenhuma base ras tenham sido remediadas, E11en White
para afirmar que todo o dízímo particular cessou sua aplicação especial do dízimo.
enviado para o Sul provinha do conselho
direto de E11en White, ela obviamente pre~
feria aceitar tal dízimo, dar um recibo, e SALÁRIO ÀS ESPOSAS DE PASTORES
enviá~1o para onde achava que era mais
necessário, em vez de permitir que indi- Um quarto exemplo em que E11en
víduos o aplicassem de acordo com seu White fala sobre uma utilização especial
critério pessoal. Embora E11en White afir~ do dízimo encontra-se em uma carta a G.
masse que pessoalmente aceitava o dízimo A. Irwin, 1. H. Evans, U. Smith e A. T.
de membros que queriam "ajudar a fazer Jones, de 21 de abril de 1898, em que ela
a obra que necessitava ser feita," também discute o assunto de algumas esposas de
advertia contra a prática de "juntar e reter pastores que trabalhavam em período inte~
o dinheiro do dízimo." Sendo que recebia gral sem salário.25 Este problema não era
o dízimo e aplicava~o somente em casos novo. Em 22 de março de 1898, enquanto
especiais e sempre em harmonia com ins~ tratava da si[uacão das mulheres como
truções recebidas diretamente de Deus, isto obreiras na caus'a de Deus, ela explicou
não podia ser considerado como uma reten~ que havia recebido "1uz sobre este assunto"
cão do dízimo "do tesouro do Senhor." Mas mesmo antes da sua ida para a Austrália
também reconhecia que embora estivesse em 1891:
fazendo uma "obra especial," alguns mem~
bros certamente compreenderíam mal. De Alguns assuntos têm sido apresentados a mim
sorte que acrescentou ao mesmo tempo com respeito aos obreiros que escão procurando
fazer tudo o que está em seu poder a fim de ganhar
que isto não era "um assunto sobre o qual
se devesse comentar" e "ninguém deveria almas para Jesus Cristo... Os ministros são pagos

dar notoriedade" a isto, porque "se fosse pelo seu trabalho, e isto está certo. E se o Senhor
dá à esposa bem como ao esposo a responsabi[idade
dada publicidade a este assunto, isto criaria

~54~
do trabalho, e ela dedica seu tempo e suas energias
estudos bíblicos e orar com as famílias"
para fazer visitas de família em família, abrindo~ e "educar" os novos crentes. Conquanto
lhes as Escrituras, apesar das mãos da ordenação
``não terem sido postas sobre ela, está reali:ando uma aquelas mulheres incorressem em despe,
sas pessoais ao se dedicarem em tempo
obra que está no ramo do ministério. Acasc` de\-em
integral ao ministério, permaneciam sem
seus labores ser considerados como nada, e o salário
salário. Ellen White considerava isto um
do seu esposo não ser nada mais do qiie o de um "erro" e uma "injustiça" que "o Senhor não
servo de Deus cuja esposa não se dedica à ot`ra` mas
fica em casa para cuidar de sua família?
t-avorece." Porque "digno é o trabalhador
de seu salário" (Lc. 10:7), e aqueles que
Fui instruída de que há assuntos que Jé\-em pregam o evangelho que vivam do evange~
ser considerados. Tem,se feitc> injustiça as mulhe- lho" (1 Co. 9:14), ela considerava seu "dever
res qiie trabalham tão devotadamen[e ci`mo seus criar um t-undo" do seu dízimo "para pagar
esposos e que são reconhecidas pc`r Deus como a essas mulheres."26 Talvez para retificar a
sendo tão necessárias à obra do ministério como situação` em 1900 a Comissão da Asso~
seus maridos. 0 método de pagar aos homens qiie ciacão Geral estabeleceu uma "Comissão
trabalham e não às suas esposas é um plano que sob're o Trabalho da Mulher." A Sra. S. N.
não está de acordo com a ordem do Senhor. Faz-se Haskell era um de seus membros.29
assim injustiça. Comete~se um erro. 0 Senhor não
favorece este plano. Este arranjo, se le\'ado a cabo A interrogação que agora permanece é
em nossas Associações, é capaz de desanimar nossas se essas declarações de Ellen White acerca
irmãs de se qualificarem para a obra na qual deve~ do pagamento de salário às esposas de
riam se empenhar.26
ministros se referem apenas aos exemplos
especi.ficos aqui mencionados, ou se elas
Um mês depois (21 de abril de 1898), também provêem um critério para solver
enquanto tratava do mesmo problema, ela casos injustos de hoje." Alguém poderia
foi mais longe mencionando alguns nomes encontrar algum tipo de endosso para uma
específicos: aplicação especial do dízimo na solução de
situações de extrema injustiça financeira
Há esposas de ministros, as irmãs Starr, Haskell, para com aqueles que trabalham "no ramo
Wílson e Robinson, que tem sido obreiras consagra~ do ministério." Mas o problema é definir
das, diligentes e sinceras, dando estudos bíbhcos e o que é verdadeiramente uma situação de
orando com as famílias, ajudando com seus esfor~ injustiça.
ços pessoais tão bem sucedidos como os de seus
esposos. Essas mulheres dedicam todo seu tempo,
e lhes é dito que não recebem nada por seus labores
CONCLUSÃO
porque seus esposos recebem salário. Digo~lhes que
continuem e que todas estas decisões serão revis~
Analisando as quatro principais decla~
tas.
rações de Ellen White quanto ao uso espe-
cial do dízimo, vemos que cada uma lida
Diz a Palavra: com um problema financeiro específico.
Conquanto a primeira permita a utilização
"Digno é o traba[hador do seu salário" (Lc.
do dízimo para evitar a perda do "mais
10:7). Quando for tomada qualquer decisão como humilde lugar de adoração" em um con~
esta, PTotestaTei em nome do Senhor. SentiTeí seT meu texto missionário, não endossa o emprego
deueT criar um fundo do dinheiro do meu dízimo PaTa do dízimo para construção, reforma, melho~
Pagar a essas mulheTes ciue estão Tealizando uma obTa ria, ou manutenção de uma igreja em uma
tão essencíal como a dos ministTos, e reservarei esse área estabelecida (o que no mesmo con-
dízimo para a obra do mesmo ramo que a dos minis~
texto E11en White desaprova fortemente)+
tros, que são caçadores e pescadores de almas.27
As outras três declarações tratam de encar~
gos financeiros singulares de obreiros sofre~
Ao analisar essas declarações, lembre~se dores negligenciados pela organização e
de que E11en White está escrevendo espec.i~ de algumas esposas de pastores que tra~
ficamente sobre esposas de ministros que balhavam como instrutoras bíblicas sem
assumiram "o fardo do trabalho," dedi~ receber salário. Ao passo que nas três pri~
cando todo o seu tempo e energias a "dar meiras declarações tanto o lugar de adora~

~55,
5 EIler\ G. WhLte, Special Tlestimonies for Ministers
ção quanto os obreiros são vistos em um
cznd Work€rs n9 jo (Batt[e Creek, MI: s.e.,1897),
claro contexto missionário, a quarta não
16,18.
se refere necessariamente a tais circunstân~
6 Mcm%sc.ripí R€!ecis€s,1: 189 (grifos acrescentados).
cias.
7 0s principais estudos sobre o pensamento missio~
Todos estes quatro usos especiais do nário adventista do sétimo dia são: P. Gerard
dízimo mostram um paralelismo perfeito Damsteegt Foimdations of the Seuenth-da:y Aduen:¢ist
entre a existência de um problema finan~ M€ssczgc cind Míssjon (Berrien Springs, MI: Andrews
ceiro e uma solução financeira para o University Press, 1977); e Borge Schantz "The
Development of Seventh~day Adventist Missionary
mesmo. Em parte alguma Ellen White
Thought: Contemporary Appraisal," (tese de
advoga a pressão financeira para forçar Ph.D., Fuller Theological Seminary, 1983).
uma mudança nas normas denominacio~
8 Special Tiestimonies for Miristers and WoTkeTs nQ
nais.
10,16-18.

Embora essas declarações provejam 9 Artt\ur L. Wt\Lte, Ellen G. W1"te: The EaTly
alguns princípios para uma distribuição Ezm5Jmucn Y€cirs (Washington, DC: Review and
correta do dízimo, elas não devem ser Herald, 1981), 393 (grifos acrescentados).
enfatizadas além do seu intento original. 10 ibidem, 393.
Conquanto aprovasse que outras pessoas LL Ver D. A. DelafLeLd, Ellen G. White in Eurof)e:
enviassem o seu dízimo para campos extre~
I 885~ I 887 (Washington, DC: Review and Herald,
mamente necessitados em algumas situa~ 1975); Píerre Winandy, ed„ Ell€n G. Whj[e cmcz
ções especiais, E11en White não recomenda Et/7.oPc (Newbold College, Inglaterra: Ellen G.
isto como uma prática regular. Ao contrá~ White Research Centre, 1987).
rio, escreveu ela em 1907: t2 Ver Milton F. Krause, "The Seventh~day Adventist
Church in Austrália: 1885~1900" (dissertação de
Que ninguém se sinta em liberdade de reter o M.A„ Sidney Universíty, 1968).
seu dízimo para usar segundo o seu próprio discer~
L3 Ver Ronald D. Graybill, M£ssjon Ío Bbck Amcr!.ccZ..
nimento. Não devem usá-lo para si mesmos em
uma emergência, nem aplicá~1o como acham con~ The Story of ]ames Edson Wh:ite arLd the RiueTboat
"Momjng S£cir" (Mountain View, CA: Pacific
veniente, mesmo no que possam considerar como
Press, 1971), 52~61; Louis 8. Reynolds, We H4vc
sendo a c)bra dc) Senhor... Que a obra não seja
TomoTTow: The StoTy of American Seuenth-Day
mais obstruída por causa do dízimo que tem sido
Aáuentist Wi¢h an African Heritage (Wast\íngtor\,
desviado para vários outros canais que não aquele DC: Review and Herald, 1984), 85~95.
para o qual o Senhor disse que deveria ir. Deve '4 E11en G. White, "ln the Regions Beyond," G€nemJ
ser feita provisão para estes outros ramos da obra.
Devem ser sustentados, mas não do dízimo. Deus ConfeTence Bulletin,1901, 84.

não mudou; o dízimo ainda deve ser usado para o 15 Cf. Arthur W. Spalding, Orjgjn cmd mstory o/
sustento do ministério.3[ Scu€mh~dciy Aduemjscs (Washington, DC: Review
and Herald, 1962), 3:44.
'6 W. C. White, "Regarding the Use of the Tithe."
REFERÊNCIAS
t7 Ron Graybill, "The `1 saw' Parallels in Ellen G.
[ Cf. Bert H. Haloviak e F. Donald Yost, "A Report
White Writings," Adv€ntz.s£ Reü3.cw, 29 de julho
on the Use of Tithe in the Seventh,day Adventist
de 1982, 4-6.
Church" (Washington, DC: Office of Archives ancl
Statistics of the General Conference of Seventh~ [8 Ellen G. White, em Arthur L. White, 395, 396
day Adventists, r'6), 19~22; Brian E. Strayer, (grifos acrescentados).
"Adventist Tithe[:. ying ~ The Untold Story,"
[9 Ver Barry D. 0liver, SDA Orgcim.zc[tjo7icil SC"ccwrc..
SP€cm/m, outubro d ` 1986, 46-48.
Pcisf, Pr€s€m cznc! Futt{7.c (Berrien Spríngs, MI:
Z Será considerado, ao longo deste artigo, que
Andi-ews University Press, 1989), 162~204.
onde E11en White discute seu uso do dízimo, ela
2° Ellen G. White, em Arthur L White, 394~395.
geralmente está se referindo aos primeiros 10°/o
de seus lucros. 2[ Ver W. A. Spicer, "General Conference Commitee
3 Ellen G. White, Mcmt/scripc ReJecús€s (Washington, Council," R€vjcw cmd H€rciJd, 22 de dezembro
de 1910, 13, 15; A. G. Daniells, The Sttstentcicíon
DC: E. G. White Estate,1981),1: 182.
Fwnc{ (Washíngton, DC: General Conference of
4 ibidem, 191.
Seventh~Day Adventists, [1910]),14~15.

~56-
22 Ver Spicer, "General Conference Committee ordenado que os maridos recebem, mesmo que
Council," 14. elas não o solicitem" (Ellen G. White, Obr€jros
Z3 Daniells, Thc S%sCc7itci£!o7i F%nd, 15.
Evci7ig€1ícos [Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira,
1993], 453).
24 Ellen G. White Mcmt#cript R€kcLs€s (Sil\'er Spring,
29 Ver "Proceedings of the General Conference
MD: E. G. White Estate,1990), 3:272.
CommLttee," GeneTaz ConfeTence Bulletin, 1900,
25 ibidem,12:160~161. 123.

26 ibidem, 5:323. 3. Ellen G. White não está defendendo aqui qualquer

27 |bidem,12:160~161 (grifos acrescentados). posição pró ou contra a ordenação de mulheres.


Sua preocupação era a injustiça financeira para
28 Ela escreve em outro lugar: "Deus é um Deus de com as esposas de ministros que trabalhavam em
regime de tempo integral sem remuneração.
justiça, e se os ministros recebem pagamen[o [`or
seu labor, as esposas, que se consag`Tam à ot`ra cllm -:: Ellen G. White, Tcstimonies /or chÁ3 Cht4rch (Mountain
o inesmo desinteresse, devem ser pagas além do \'iet`'. C++ Pacit-ic Press, 1948), 9:247~250.

~57,
Parousia 2o Semestre 2001, Vol. 2, No 2, 59~61
Copyright © Z001 SALT.

0 QUE SIGNIFICA A ``CASA DO TESOURO?"

MoisÉS MATToS
Departamental de Minístério Pessoal e Escola Sabatina da União Sul-Brasileira da lgreja Adventista do Sétimo Dia

Algumas dúvidas têm surgido quanto sobre vós uma benção tal que não haja lugar sufi~
ciente para a recolherdes.
ao significado atual da expressão bíblica
``casa do tesouro" de Malaquias 3:10.
Este artigo defende que a forma de admi- A exp.ressão "casa do tesouro" tem em
nistração eclesiástica congregacionalista nossos dias sido interpretada sendo a igreja
não reflete o sentido pleno do termo. local e onde os dízimos e ofertas devem ser
administrados e distribuídos.
Some questions are being asked regar-
ding the real meaning of the biblical Mas, o que realmente quer dizer a
expression "storehouse" of Malachi 3:10. expressão "casa do tesouro," onde Deus
This article argues that the Congregatio- pediu para os israelitas trazerem os seus
nalist form of ecclesiastical administra- dízimos e ofertas? Estaria o texto de Mala-
tion does not reflect the plain meaning quias discutindo ou aprovando uma prática
of the term. congregacionalista de governo eclesiástico?

Vale lembrar que no congregaciona~


1ismo, a igreja local é quem administra
Qgraunpdooá:ac:ààostà,ulel:e::Sot:ràaesdc:e::r
como era um elefante. Um deles, após o dinheiro doado pelos membros. Então
apalpar um lado musculoso do elefante, seria o congregacionalismo, segundo este
concluiu que ele era como um muro. 0 texto, a melhor forma de govemo? Estaria
segundo cego, após tocar nas pernas gros~ o sistema democrático representativo da
sas e roliças, protestou, dizendo: "Não, o lgreja Adventista do Sétimo Dia contrário
elefante tem uma forma diferente. Ele se ao texto de Malaquias 3:10?
parece com uma coluna." 0 terceiro abor~
dou o elefante de uma outra forma. ApÓs Bem, em primeiro lugar, temos que
apalpar a tromba, disse: "Vocês dois estão compreender o que significava a expressão
"casa do tesouro."
enganados, o elefante se parece com uma
grande cobra." E assim, cada um dos três
teve uma concepção diferente do mesmo Quando Salomão construiu o templo,
elefante. várias salas ou câmaras foram erigidas
para diversos fins (1 Rs. 6:5). Estas depen~
Às vezes, por desinformação ou por dências, por exemplo, eram usadas como
conhecerem apenas uma parte da verdade, abrigo para os cantores que apresentariam
algumas pessoas agem como estes cegos, suas músicas (Ez. 40:44). Os guardas ocu~
enfatizando um aspecto das coisas em detri~ pavam uma destas salas (1 Rs.14:18). Certa
mento de outros. ocasião, uma delas foi usada como escon~
derijo por Joás (11 Rs. 11:2 e 3).
Heresia não é apenas uma doutrina
errada, mas pode ser também um assunto Numa destas salas havia um local onde
ou doutrina onde é enfatizado somente um era entregue e armazenado o dízimo, que
lado. Um dos exemplos desta distorção é a não era composto apenas de moedas, mas
interpretação de Malaquias 3:10 que diz: também de produtos agrícolas. Neemias
usa a expressão "casa do tesouro" para
Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para falar de uma destas câmaras ou salas
que haja mantimento em minha casa, e depois fazei onde eram depositados os dízimos (ver
prova de mim nisto, diz o Senhor dos exércitos, se Ne. 10:38). Uma espécie de tesouraria do
eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar templo. Portanto, "casa do tesouro" é uma

~59~
expressão para designar primariamente o que passasse sob o cajado do pastor per~
lugar ou espaço físico onde o dízimo deve~ tencia ao Senhor, não importando sua
ria ser guardado. condição. 0 israelita também não dava
seus dízimos para simplesmente "pagar"
A famosa versão King James (KJV) tra~ o salário dos levitas. 0 dízimo era, na
duziu a expressão de Malaquias 3 como verdade, não~ofertas para os levitas, "mas
"celeiro" ou lugar onde cereais eram depo-
para o Senhor" (Nm. 18:26).
sitados, já que grande parte dos dízimos
eram entregues na forma de grãos. É bom Este aspecto é reforçado por Malaquias
que se diga que o autor não discute quem 3:8 quando Deus disse: "Vós me roubais."
deveria administrar o dízimo, pois sobre 0 roubo não é contra os levitas ou sacer~
isto Deus já havia falado e instruído o dotes, rrias contra Deus.
POVO.
Tendo isto como base, o dízimo era
Levar à "casa do tesouro" significa uma oferta para o Senhor a qual Ele deu
devolver o dízimo no lugar designado. No para o sustento e administração dos levi-
caso da lgreja Adventista do Sétimo Dia, tas e o sacerdócio. Um aspecto ignorado
à igreja a qual a pessoa é membro ou fre~ é que este ministério levítico era global,
qüenta. Mas, a questão crucial de nossos ou uma corporação. Não eram células iso~
dias não é esta. Todos sabem onde levar o 1adas (congregações independentes), mas
dízimo. A grande pergunta é: quem deve um corpo. 0 centro administrativo da
administrar este dinheiro? região de lsrael estava no templo. Eles
eram o que hoje chamamos de adminis~
Precipitadamente alguns afirmam que tração da igreja. Esta centralização no
a expressão "casa do tesouro" indica que templo permitia que dali saísse o sustento
a igreja local deve administrar os recur~ necessário para os homens que faziam a
sos do dízimo. Na prática, porém, muitos obra de Deus naquela época.
dos que defendem esta aplicação do texto,
nem isso fazem. Quando dão o dízimo, Ninguém trabalhava independente~
eles mesmos o administram, dentro do mente do todo. Reiteradas vezes o Velho
seu próprio ponto de vista, e sequer con~ Testamento fala de lsrael como um povo.
sultam a igreja local. Então surge uma dúvida: o Novo Tes~
tamento conceberia uma idéia da igreja
Temos que voltar à Bíblia para enten~ local administrar todos os recursos do
der a questão da distríbuição do dízimo. Senhor?
Em Gênesis 14:20, lemos que Abraão
entregou o dízimo a Melquisedeque, que Existem alguns que advogam que o
era não apenas o rei, mas também sacer~ sistema de governo do Novo Testamento
dote do Senhor. 0 ato de Abraão revela é congregacional. Uma leitura atenta do
que o receptor do dízimo deve ser alguém texto bíblico nos permite ver que as coisas
separado por Deus para uma tarefa santa. não são bem assim. Considerando que a
Abraão obedeceu (e note, ele poderia usar igreja ainda se iniciava, e portanto alguns
o dízimo para o que desejasse, mas não passos na organização ainda deviam ser
o fez). Ele cria no plano de Deus e deu o dados. Tomemos dois exemplos: o Concí~
dízimo a quem de direito. lio de Jerusalém é o primeiro deles (At.
15). Neste concílio as decisões não foram
No sistema israelita, Deus estabeleceu tomadas por uma pessoa ou congregação
regras ainda claras a respeito do dízimo. 0 local, mas por representantes da lgreja,
dízimo foi dado aos levitas como herança que neste caso eram os apóstolos e os
e deveria ser por eles administrado (Nm. anciãos (v. 6)+ Temos aqui um caso seme~
18:21-32). Tanto é que o doador não podia 1hante ao sistema de democracia represen~
manipular a décima parte. A pessoa não tativa. 0 Concílio de Jerusalém reflete
devia separar o bom do defeituoso ou que as tomadas de decisão foram feitas
fazer qualquer substituição (Lv. 27:33). Por por uma liderança internacional e inter-
exemplo, um rebanho, o décimo animal distrital (cf. At. 15:6; 16:4~5).

-60,
0 outro exemplo é o do apóstolo Paulo, todo o dízimo, amparam~se muito mais
um evangelista e plantador de igrejas em em idéias pessoais e textos não bem anali~
várias cidades. Ele sempre que podia voltava zados do que no "assim disse o Senhor."
àquelas congregações ou enviava alguém Alguns possuem uma certa revolta por
para trabalhar ali sob sua supervisão. Havia causa do erro de um ou outro pastor ou
entre estes líderes e igrejas um trabalho administrador imaginando fazer a Bíblia
harmônico. concordar com suas idéias pessoais. Não
devemos confundir as coisas. Se alguém na
Paulo era uma espécie de presidente de organização erra na aplicação do dízimo,
campo. As igrejas não decidiam tudo sozi~ deve ser reprovado e arcar com as conse-
nhas. Mesmo empiricamente se percebe qüências. Mas, jamais devemos usar raras
que havia uma organização central que ocorrêricias deste tipo para desestimular a
dirigia a obra naquela região do mundo devolução da parte pertencente a Deus e
(Tt.1:5; 2:15; 11 Tm. 4:5). que deve ser usada no ministério evangé~
1ico.
Em I Coríntios 16:1~3, temos o desafio
de Paulo para os membros da igreja separa~ 0 sistema adventista é o mais justo e
rem suas ofertas para os pobres da Judéia. equilibrado, pois permite à lgreja pensar
Ele pessoalmente passaria para pegar este de forma global nas necessidades da pre~
dinheiro e usá-lo para atender as necessida~ gação do Evangelho. Às vezes temos a
des propostas. tendência egoísta de olhar apenas para
nossa congregação e nos esquecemos que
Os que questionam a distribuição e o Novo Testamento concebe a lgreja como
administração dos dízimos pela associação um corpo (1 Co.12:13). E como um corpo
têm grande dificuldade com estes textos. ela deve ser dirigida. Primeiramente por
Por que Paulo não deixou que cada igreja Cristo e depois pelos homens e mulheres
administrasse o dinheiro? Esta é uma ques~ que Ele escolheu para serem líderes.
tão para se pensar!
Aqueles que têm dúvidas sobre a eficá-
É claro que as igrejas locais devem ter cia deste método deveriam buscar conhe~
dinheiro para fazer face às despesas. Mas, cer um pouco mais sobre os problemas
deveriam eles usar todo o dinheiro e esque~ que as igrejas congregacionais enfrentam,
cer da missão mundial que a igreja tem? e verão que a crítica feita ao movimento
É o dízimo do Senhor sua única fonte de adventista na maioria das vezes é infun~
recursos possível? dada. Todavia, se há algum desvio na
lgreja ele deve ser corrigido conforme
orienta a Palavra de Deus.
A RAIZ D0 PROBLEMA
Com amor, mansidão e de acordo com
Na verdade, a raiz do problema não é
teológica, mas é pessoal e, às vezes, admi~ :esEÍ::rit,Gq:6çl:às,t.oÉéseqmufreasútçlo:soa:hsee-
nistrativa. Podemos sugerir que os defenso- cer profundamente o que diz a Bíblia e
res da idéia de que a igreja local ou eles o Espírito de Profecia e como funciona a
mesmos devam administrar e distribuir lgreja, para, então, tomar decisões.

61~
Parousia 2°Semestre 2001, Vo[. 2, N° 2, 63~74
Copyríght © 2001 SALT.

DÍZIMO: CONSELHOS E
PRÁTICA DE ELLEN WHITE
ROGER W. COON, PHOD.
Ex-Secretário-Associado do Patrimônio Literário Ellen G. White

Este artigo fez parte de um suplemento Especificamente, os adventistas esfor-


mais amplo publicado originalmente çam~se .por seguir os conselhos de E11en G.
pela Advenfi.sf Revi.ew. 0 texto analisa a White, cujos ensinos bíblicos foram adap~
posição de Ellen White concernente ao tados para nossos dias. Portanto, nada mais
dízimo, respondendo às perguntas mais apropriado que formular perguntas sobre
freqüentes sobre o assunto. como ela entendia a questão do dízimo.
Mas, primeiro, vamos recapitular a pers~
This article is part of a larger supple- pectiva bíblica acerca do dízimo.
ment published originally in the Advien~
fi.sf Revi.ew. The text analyses Ellen
White's position on tithing, answering PERSPECTIVA BÍBLICA
the most frequent-asked questions on the
subject. 0 dízimo constituía a décima parte
de renda de uma pessoa (M1. 3:7~10; Lv.
27:30~32), devolvida a Deus como sinal de
®:nasçr:::àstbaíà[ÇcoasdéÉ[d=:oÇ5:rs:ã::Tm: sujeição e, ao mesmo tempo, uma socie~
parte de su'a renda ao Senhor. Contudo, dade com Ele. Deus era o proprietário reco-
surgiram recentemente algumas dúvidas nhecido e os homens, os administradores
acerca de afirmacões e atitudes de E11en de Sua propriedade. Nos dias de Mala-
White concernen'tes ao dízimo. Algumas quias, os dízimos eram entregues aos sacer~
pessoas acusam a lgreja de apostasia, e dotes. Eram armazenados num depósito
acham que Ellen White apoiou o desvio (uma série de dependências no templo em
do dízimo de seus canais preestabeleci~ Jerusalém) sendo, com freqüência, pagos
dos. com produtos agrícolas. Os dízimos cons~
tituíam o pagamento, ou a herança, para
Desde que Abraão devolveu o primeiro a tribo de Levi ~ aqueles que ministravam
"dízimo" a Melquisedeque ~ rei de Salém
diante de Deus no templo. Deus disse:
"Trazei todos os dízimos à casa do tesouro,
e sacerdote do Deus altíssimo (Gn. 14:18)
~ crentes de todas as eras buscaram saber para que haja mantimento na Minha casa"
honestamente como calcular o dízimo, (Ml. 3:10).
quando e onde devolvê-lo a Deus, e que
uso Deus quer que se faça dele. Muitas 0 dízimo a que nos referimos, não
dessas perguntas são lógicas e cada geração se tratava de uma "oferta," nem de um
"segundo dízimo" (uma décima parte adi~
deve buscar, por si mesma, as respostas.
cional separada por alguns israelitas como
0 Velho Testamento contém instru- uma oferta), mas uma décima parte com-
ções claras para a devolução e uso do pleta da renda de uma pessoa, entregue aos
dízimo. 0 Novo Testamento não apresenta sacerdotes.
novas explicações, mas endossa a necessi~
dade de dízimar. Sendo assim, a posição
da lgreja Adventista do Sétimo Dia acerca PERGUNTAS E RESPOSTAS
do dízimo se baseia nos princípios apre~
sentados no Velho Testamento, e suas apli~ 1. Se7ido 4w€ cm nossos djcis ndo tc7nos
cações para uma igreja cristã com pastores, saceTdotes leuitas, PaTa o que E[len Wh:ite
e não mais sacerdotes. recomendc[ o túso do dízz.mo.7

63~
Resposta: Na ampliação do conselho gastos em projetos dignos não diretamente
bíblico, E11en White afirma: subvencionados pela igreja. Escrevendo a
seu filho Edson, ela falou desse tipo de ofer~
0 dízimo é sagrado, reservado por Deus para tas: "0 Senhor não especificou qualquer
si mesmo. Deve ser entregue à Sua tesouraria a fim canal sistemático através do qual os meios
de ser usado para o sustento dos que trabalham na devam passar."
obra de pregação do evangelho.L
E, mais uma vez, ela falou sobre ofertas
Ellen White considerava apropriado ~ não sobre dízimo ~ quando, em 1908 escre~
apoiar "obreiros evangélicos" com os fundos veu "Àqueles que Têm Responsabilidades
dos dízimos, dentro das seguintes áreas: em Wash.ington e Outros Centros:"
pastores e instrutores bíblicos,2 professo,
res de Bíblia em nossas instituicões educa~ 0 Senhor opera por meio de várias atividades.
cionais,3 campos missionários càrentes (na Caso ha-ja alguém desejoso de ingressar em novos
América do Norte e fora),4 pastores~médi~ campos e assumir novas frentes de trabalho, que
cos5 e obreiros evangélicos aposentados.6 receba o estímulo para assim fazer...

Ela indicou que algumas atividades reli~ e acrescentou:


giosas e humanitárias, "apesar de boas
em si mesmas, não são o objeto para o Não fiquem preocupados com o fato de alguns
qual o Senhor determinou a aplicação do meios serem encaminhados diretamente às mãos
dízimo."7 Nestas atividades estão incluídos: daqueles que estão tentando realizar a obra missio~
o cuidado dos pobres, doentes e idosos,8 nária de maneira calma e eficiente. Não tencione
educação de estudantes dignos e necessita~ um único órgão ou organização 1idar com todos os
meios.is
dos,9 administração e outras despesas esco~
lares,L° salário de colportores,[í despesas de
uma igreja local,L2 construção de igrejas Mas, e o dízimo? Este é outro assunto.
ou prédios para necessidades institucionais Numa mensagem lida para os delegados de
(como escolas, hospitais e casas publica- uma associação em São José, na Califórnia,
doras),L3 trabalhos missionários em lugares em janeiro de 1907, E11en White usou a
novos,í4 caridade e hospitalidade,]5 e outros expressão "casa do tesouro" com tal clareza
Propósitos beneficentes.L6 que seus ouvintes entenderam o contexto de
suas observacões com relacão ao dízimo. Ali
Essas atividades devem ser apoiadas ela usou a pàlavra "tesour'aria" seis vezes (e
com ofertas voluntárias, além do dízimo. a expressão "casa do tesouro" uma vez para
E11en White nunca confundiu a expressão complementar as observações). ]9
"segundo dízimo" com o dízimo regular.
Um exame contextual desta mensagem,
2. Faz alguma dtfieTença o lugaT PaTa o e de outras, mostra que, para Ellen White,
"tesouraria" ou "casa do tesouro" eram sinô~
qual eTwio meus dízimos e minhas ofieTtas?
Exjscc mci].s de tÁmcí "cciscz do tesotÁro" hojc cm nimos de tesouraria denominacional - fosse
dzcl.7 em nível de igreja local, associação 1ocal,
união, divisão ou Associação Geral.
Resposta: Malaquias nos recomenda o
envio do dízimo à "casa do tesouro," mas 3. D€uo €ncregm mc% dízjmo a t4mcz i.gM€7.ci
não disse que todas as ofertas deveriam ir que acTedito estaT em apostasia?
para lá também. Deus nos deixou livres
para determínar "quanto," "onde," e "o Resposta: Existe uma tênue linha - mas
que" dar como ofertas voluntárias. Mas uma diferença significativa ~ entre "uma
isso não acontece com o dízimo. igreja em apostasia" e "apostasia na igreja."
Ninguém que conhece a lgreja Adventista
E11en White usa, geralmente, a palavra do Sétimo Dia negaria o fato de que através
"meios" como sinônimo para ofertas. E
de nossa história sempre existiram algumas
estas ofertas ~ "os meios" - podem ser enca- apostasias em nossas fileiras ~ e continua
minhadas pelos canais da igreja, para serem existindo hoje.

~64~
Ellen White fala de uma "sacudidura" Esses críticos também não comentam
cataclismática recaindo sobre a igreja no que devido a essa aparente ambigüidade e
fim, na qual muitos2° serão 1ançados fora. precauções de Ellen White, a lgreja nunca
Pode até ser que a "sacudidura" final já endossou oficialmente 4ttcil4tm um dos
tenha começado em alguns lugares. Mas três pontos de vista. Um posicionamento
sugerir, como o fazem alguns críticos, que a doutrinário sÓ pode ser estabelecido pela
"igreja está em apostasia," hoje, é tão irres~
lgreja mundial em sessão da Associação
ponsável como arbitrário. Geral. Nem mesmo a Comissão Executiva
da Associação Geral em suas sessões regu-
0 que é apostasia? A maioria dos dicio~ 1ares e, certamente, nem membros indivi~
nários religiosos define apostasia como duais ou um "ministério independente,"
sendo um afastamento da doutrina ou prá~ podem definir doutrinas da lgreja. Sendo
tica pura. Mas, quem define esta doutrina que a lgreja jamais definiu esta questão
ou prática? teo.lógica, como se poderia` strimar-que
alguém na lgreja (ou a própria lgreja) está
Alguns críticos, hoje, argumentam que em apostasia devido à posição que assumiu
a "igreja está em apostasia" porque não em relacão a natureza de Cristo?
advoga seu ponto de vista particular sobre
algum aspecto, como por exemplo a natu~ A lgreja como um corpo nõo está em
reza humana de Cristo com sua conse~ apostasia (apesar de haver apostasia na
qüente linha teológica. lgreja). Não é apenas apropriado, mas é
obrigação apresentada pelas Escrituras e
Existem, hoje, pelo menos três pontos por E11en White que, como membros da
de vísta sobre a natureza de Cristo nos cír~ lgreja, devolvamos nossos dízimos (se não,
culos adventistas: (1) que por ocasião da também nossas ofertas) à tesouraria da
encarnacão Cristo assumiu a natureza de lgreja.
Adão cm'tes da queda; (2) que Ele assumiu
a natureza de Adão dcpoz.s da queda; (3) 4. To7.7ictr~m€~íci Pcssoci]mcnte ctÁZPczdo
que Ele assumiu uma natureza, em alguns diante de Deus caso uiesse a apoiaT finan-
aspectos, semelhante à natureza de Adão ccjmmcnte esscs jrmõos 4t% €stõo ensíncz7ido
antes da queda, mas em outros, seme~ cngcznos, c!csvjcmdo ft/7idos c]cz igre7.cz, otÁ comc~
1hante à natureza de Adão depois da t€nc]o otÁtros €rros.7
queda.
Resposta: Jesus louvou a atitude da
Normalmente, esses criticos se identi~ viúva pobre que deu sua oferta a uma orga-
ficam com a segunda opção e declaram nização religiosa que estava à beira da rejei-
que qualquer outra posição constitui uma
"apostasia." 0 que eles 7i,õo dizem é que
ção do Céu (Lc. 21:2~4).

um grande número de pastores adventis~ Ellen White ensinou que: (1) mesmo
tas, professores de Bíblia e membros da
igreja, no mesmo nível de esGolaridade :rset.:dg;n.hài::dg:rig::àae.fi::s:.inmda:la:i:mni:
e comprometimento, acreditam preferên~ as bênçãos de Deus;23 (2) quando as coisas
cialmente, na terceira, em vez da segunda estão erradas em nível de liderança, temos
posição.2L Por quê? Porque (1) existe apa~ a obrigação de admoestar "clara e aber~
rente ambigüidade reconhecida tanto nas tamente, no devido espírito e às pessoas
Escrituras como nos escritos de E11en certas;"24 e (3) cissh m€smo temos que
White concernentes à natureza de Jesus, devolver nossos dízimos à tesouraria da
em virtude de sua peculiaridade, e (2) o assoclaçao.
Espírito de Profecia adverte claramente
contra a tentativa de humanizar total~ Alguns estão descontentes e dizem: "Já nãc`
mente a Cristo. Entretanto, esses pastores, devolverei mais meus dízimos... à sua tesouraria ...,

professores e membros adventistas crêem pois não tenho confiança na maneira como as coisas
tão verdadeiramente, que o exemplo de são administradas no coração da obra." Mas Joi<-
bciríe!s ci De%s por pensardes que a administração
Cristo demonstra ser possível viver uma
da obra está incorreta? Apresentai vossa queixa ....
vida de vitória absoluta sobre o pecado.22

~65~
Enviai vossos pedidos no sentido de que as coisas tudo E11en White jamais insistiu com os
sejam ajustadas e colocadas em ordem; não uos retj~
membros para que deixassem de entregar
Teis PoTém da obr& de Deus, PTouando serdes mftéis,
seus dízimos à tesouraria denominacional
pelo fato de outros não estarem agindo correta~
mente.25
por causa da "indignidade" de alguns de
nossos líderes.

Em 1890, E11en White foi mais adiante 5. Sendo que Ellen `White algumas uezes
em relação a esta prática incorreta: dejxotÁ c{€ €7wicm s€% czi'z[.mo Por mejo dci
igTeja local e Pelos canais da associação,
Os que recusam entregar os meios à causa de estou libeTado PaTa seguiT seu exemplo?
Deus, leiam o livro de Malaquias e observem o
que é dito ali quanto aos dízimos e ofercas. Não Respósta: Alguns ministérios indepen~
sois cap&zes de ver que não é a melhoT coisci, sob qual~ dentes, no esforço de ].ustificar o recebi~
queT que seja a ciTcunstância, TeteT uossos dízimos e mento e/ou a solicitação do dízimo de
ofertcis por não estardes de acordo com as atitudes membros adventistas, defendem sua prá~
de vossos irmãos? Os dízimos e ofertas não são pro~ tica baseando~se no fato de que, na virada
priedade de homem algum, mas devem ser usados do século, E11en White usou algumas
na realização do trabalho de Deus. Pztsto7.€s j7idíg~
vezes seu dízimo para assistir pastores
rLos taluez recebam algurLs dos meios assim angaTia,
brancos e negros em necessidades ~ mor~
dos; Tr.as ousaria alguém PoT essa Tazão TecusaT,se a
mente nos estados do Sul dos Estados
dar e enfrentaT a mddição de Deus? Bu rLào ousarLa.
Unidos, muitos dos quais eram aposenta~
Devolvo meus dízimos prazerosa e livremente ....
dos.
Se os negócios da associação não sã_o administra~
dos de acordo com a ordem do Senhor, este pecado É preciso compreender que naqueles
recaj sobre os que estão em erro. 0 Senhor não os dias não existia um programa denomi~
responsabilizará por isto, se fizerdes o que está ao nacional de aposentadoria (anteriormente
vosso alcance para corrigjr o mal. No entanto, 7iáo chamado de "plano de sustentação") e
Pequeis deixando de deuolveT t]ara Deus aquilo que Lhe nem a aposentadoria do governo (nos Esta~
PeTtence.Z6 dos Unidos chamada de "Seguro Social").
0 plano de aposentadoria da lgreja ainda
es[ava a seis anos no futuro (e o plano
Pelo contexto fica claro que Ellen White de aposentadoria do governo a 30 anos),
considera o ato de reter o dízimo e ofertas, quando Ellen White escreveu uma carta,
deixando de depositá-1os 7Tci [esow7iczTíci cza em 1905, a George F. Watson, presidente
cLssoc[.cZÇÕo, como pecaminoso e não justi~ da Associação do Colorado, falando do
ficável quando se tem como base o fato eventual uso de alguns de seus dízimos
de que "pastores indignos" poderiam rece~ para necessidades especiais da lgreja.
ber uma parte dos fundos assim deposita~
dos. Deus "não vos responsabilizará" pelos Essa breve carta de sete parágrafos
pecados da liderança da igreja, "se fizerdes pode ser lida hoje em sua íntegra na
o que estiver ao vosso alcance para corrigir biografia que Arthur L. White escreveu
o mal." sobre sua avó.27 Estou mencionando isso
porque algumas pessoas, ao reproduzirem
Pode ser útil relembrar que sempre a carta deixam de lado sentenças como
"Eu não aconselharia a quem quer que
existiram diferenças doutrinárias dentro
de nossa lgreja. Durante o período do seja a tornar o ato de coletar o dinheiro
chamado "Adventismo Histórico," Uriah do dízimo uma prática."
Smith acreditava que Cristo era Deus, mas
que não era eterno, e que o Pai era o pri~ Qual a base para esta declaração? 0
meiro "com respeito ao tempo." Os douto~ presidente Watson havia descoberto recen~
res John Harvey Kellogg e E. J. Waggoner temente que um representante da Socie~
mantiveram idéias panteístas. Líderes da dade Missionária do Sul havia vindo ao
lgreja divergiam quanto ao sentido do "cos~ seu campo com o fim de solicitar fundos
tumado" ("diário," na VARA) em Daniel para uma iniciativa missionária muito
s e de "rei do norte," em Daniel 11. Con~ necessitada. 0 representante havia rece~

~66,
bido cerca de 400 dólares de uma igreja, Para os que, hoje, justificam a aceita~
incluindo alguns dízimos. Em sua indigna~ ção e/ou solicitação do dízimo de seus
Ção, Watson estava para tomar pública essa irmãos adventistas, faríamos as seguintes
preeminente violação do protocolo denomi~ perguntas:
nacional.
(1) Deus os apontou diretamente para
No dia 22 de janeiro de 1905, E11en a realizacão da obra de coletar ou aceitar
White escreveu para Watson a fim de esses dízimos?
adverti~1o a não se preocupar tanto com esse
assunto. Mencionou o fato de ter usado, (2) A situação que levou E11en White a
vez por outra, alguns de seus dízimos` bem a,:roatdaaraaq.uesl:cpur|:gka£aeíiesteemaeirngâ:càao,re?
como o dízimo de mais algumas pessoas, a
fim de ajudar certos indivíduos` apontados Ou está anulada pelas aposentadorias for~
por Deus, que se encontra`Tam em situação necidas pelo governo e pela lgreja?
financeira desesperadora.
(3) Caso a situação seja a mesma de
Nessa cartã e no artigo publicado no 1905, entraram eles em contato com os
ano seguinte,28 E11en White deixou claro os líderes da associacão com antecedência
seguintes pontos acerca de sua prática: (como era costumé de E11en White) para
solucionar a situação, ao invés de tomar a
(1) Ela foi diretamente instruída` por iniciativa por conta própria?
Deus para ajudar certos pastores adventis~
tas brancos e negros que estavam em situa~ (4) Estão eles gastando o dinheiro do
cão de carência financeira. dízimo que coletam para o mesmo propó~
sito que motivou E11en White ~ especial~
(2) Foi instruída por Deus a notificar pri~ mente para pastores adventistas às portas
meiramente os líderes da associação acerca da pobreza?
da necessidade, e admoestá~los a a].udar. Se,
ou quando recusassem, eh deveria assumir (5) Os fundos que são coletados são
diretamente com a ajuda imediata. encaminhados a uma agência reconhe~
cida da lgreja Adventista do Sétimo Dia
(3) A situação era única e ela enfatizava e/ou para obreiros aposentados carentes
isso por meio de expressões como "minha que estiveram a serviço da lgreja antes da
obra especial" e "casos especiais." aposentadoria?

(4) E11en White não tinha a intenção de Mais uma vez afirmamos que 7iõo €xz.5£€
tornar esse projeto especial um exemplo ou 4%414W€r r€gístTo sobre o fato de algum
um precedente, já que Deus havia dado ins~ dinheiro ter sido enviado por E11en White
truções só a ela, especificamente. para alguma agência "independente" ou
alguma pessoa além dos que tinham apoio
(5) 0 dinheiro não havia sido negado ao oficial da lgreja Adventista.
tesouro do Senhor, pois esses dízimos foram
dados a pastores adventistas ~ eram regu~ Õ. Ouui dizer que outTas mulheTes que se
1armente empregados pela Sociedade Mis~ uniTam ao f)rojeto do dízimo de Etlen White
sionária do Sul e, assim, credenciados pelo em fiauoT dos PastoTes do Sul, não enuiaTam
setor ministerial da Associação Geral,29 ou set4 dízímo Por m€ío d€lci, mczs o mcmdci7.4m
aposentados que possuíam credenciais de dÉ7.etcmenfc czos Pcistor€s em n€cessídc{de,
"jubilados," como as que os pastores adven~
e que ela apToud;ra tal atitude. É ueTdade
tistas do sétimo dia possuem, hoje, quando isso?
aposentados.
Resposta: Não. Alberto Timm, salienta
(6) Acentuou enfaticamente: "Eu não que:
aconselharia a quem quer que seja a tornar
o ato de coletar o dinheiro do dízimo uma Apesar de não termos base alguma para supor

prática.„ que todos os dízimos particulares enviados para

~67-
o Sul tenham sido enviados por direto aconselha- aos argumentos, e suponhamos que
mento de Ellen White, fica bem evidente que ela pre-
White, Daniells e Prescott tivessem real~
feriu aceitar seu dízimo, dar um recibo e enviá~lo para
mente sido os autores, será que sua reco~
onde ela sentia haver maior necessidade, ao invés de
nhecida proximidade com a profetiza
permitir que indivíduos o aplicassem como achassem
garantiria uma interpretação infalível da
Por bem...3o
posição de E11en White sobre a distribui~
ção apropriada do dízimo? Não. Um inci~
Na verdade, na "carta a Watson," Ellen G. dente ocorrido nos primórdios de nossa
White afirma francamente que (1) "peguei a história denominacional apóia essa nega-
dinheiro," (2) tinha um livro especial de reci- tiva.
bos que usava para provar o recebimento do
dinheiro e o fim a que se destinava, e, então, Em pêlo menos duas ocasiões no início
(3) voltava aos doadores a fim de dizer~1hes do seu ministério profético (novembro de
"como o dinheiro foi gasto."
1846, e outra vez em 1849), Ellen White
recebeu visões de "outros mundos" habi-
7. Owi di*er há Pouco tempo que existe tados. Tiago White e José Bates estavam
wm docwmc7tco no Ce7i£To cZ€ P€s4ttjscis EJ€n entre os que testemunharam a primeira
G. W7hí£€, nos Es£ciczos Unz.c!os, stÁPostcmc7itc dessas visões.
escrito PoT VV:. C. White, A. G. Daniells e Vl:.
`Xl:. Prescott, que fiarece indicaT que a Posição À medida que Ellen White ia descre-
de Ellen Wh;ite eTa de que o dízi:mo náo teria a vendo um planeta depois do outro, Bates ~
7icc€ssi.dcid€ cZ€ ser €7ic7i€g%c cicrcwc's dos ca7Tci!.s um capitão aposentado da Marinha, espe~
Tegulares da lgTeja. Isto é ueTdade? cialista em navegação astronômica ~ ficou
muito entusiasmado e ofereceu sua iden-
Resposta: 0 documento catalogado sob tificação pessoal de cada um dos corpos
o número DF 213, um memorandó -datilo~ celestes, a medida em que E11en White os
grafado de três pá-ginas que (1) não tem data descrevia: Júpiter, Saturno e Urano.
e (2) não tem assinaturas, sugere ser esta a
posição de Ellen White. Mas, nesse docu~ Posteriormente, Tiago White32 e o pri~
mento existe, também, uma observação do meiro historiador adventista, J. N. Lou~
arquivista do Centro de Pesquisas White, ghborough,33 imprimiram a história da
Timm L. Poirier, que parece ser uma nota visão, usando a identificação de Bates
acauteladora quanto a esse documento anô~ sobre os respectivos planetas vistos. Mas,
nimo: E11en White, nem na ocasião, nem mais
tarde, apoiou qualquer uma dessas identi~
Antes que se chegue a conclusões desautorizadas, ficações, como salienta F. D. Nicho|.34
deve~se lembrar que o memorando representa um
esboço de uma abordagem sugestiva (como resposta) Ho]'e sabemos que Bates identificou os
do mau uso que o Dr. Stewart faz da carta de Ellen
planetas errados, e Tiago White e Lough-
White ao pastor Watson. Não se apresenta nenhuma borough perpetuaram essa má aplicação
afirmação de Ellen White para apoiar a resposta pla~ na imprensa. Todos os três eram pessoas
nejada. Na realidade, não se pode "demonstrar por muito próximas à E11en White, e os três
seus escritos," o que o memorando parece sugerir. A
interpretaram erroneamente uma faceta
carta a Watson é a única afirmação de Ellen White
importante dessa visão. Assim, proximi~
de onde se pode tirar as conclusões, e esta, ao ser
dade com um profeta não garante exati~
lida com mais cuidado, nota-se que não sugere uma
dão.
posição tão vaga quanto a desse esboço. Para se fazer
justiça ao comítê, deve~se enfatizar o fato de que o
memorando, sendo anotações supostamente prepara~
Pode até ser que W. C. White, A. G.
das por seus próprios membros, provavelmente não é
Daniells e W. W. Prescott tenham sido os
uma afirmação completa e bem elaborada da conclu~ autores desse memorando anônimo que
são a que chegaram seus membros.3[ está nos arquivos do Centro de Pesquisas
E11en G. White. Mas o único caminho
seguro a ser seguido quanto à posição
Mas, mesmo que tratemos esse merio~ de E11en White em relacão ao dízimo é
rando como legítimo, só em consideração deixar que ela fale por si 'mesma.

68,
É fato inegável que Ellen White 7.cmcijs
czconsczhotÁ a quem quer que fosse a deposi~ valyâ:nÉedeDnut:mp:eesri:reontde.:roeii:s:i::::
tar seu dízimo em qualquer outro lugar que médico~missionário independente de Love~
não na "tesouraria" denominacional. 1and, Colorado), definiu como leais as
organizações de sustento próprio ~ outro
8. Rec€nt€me7t£c Jj 4w€ cz Zjdcrcmçci dci termo para descrever "ministérios inde~
lgTeja está decidida a resolueT o "Problema do pendentes" ~ desta maneira:
di'zi.mo" "esmcigcmdo" e "des£mjndo" os mjnís~
térjos jndepe7id€ntes 4t# rcczJjzcm wmú bocz (1) Aceitam o desafio de patrocinar
obTa. Isso é uerdade? missionários auto~sustentáveis.

Resposta: A resposta é não, e aqui estão (2) Es.tão dispostas ao sacrifício`


algumas provas:
(3) Unem seus esforços com os da
(1) A Associação Geral apóía e confia lgreja.
nos "ministérios independentes" que pro-
curam cooperar com a lgreja, ao invés de (4) Ajudam a levar a última mensagem
atacar e trabalhar em oposição a ela. de Deus ao mundo.

A própria existência do "Serviços e (5) Reconhecem e respeitam a lgreja.


lndústrias dos Adventistas Voluntários"
(Adventíst~Laymen's Services and lndus~ (6) Serão equilibradas nos princípios e
tries ~ ASI) como uma agência oficial da no estilo de vida adventista.
Divisão Norte-Americana35 é a prova mais
contundente do elevado valor que a deno~ (7) Trarão todos 'os dízimos à "casa do
minação deposita sobre esses ministérios tesouro" apontada por Deus.38
legítimos e responsáveis.
Concluindo, não seria bastante trá~
(2) Ellen White também confiava na gico e irônico, se, no fim, descobríssemos
obra leal de instituições de sustento pró~ tardiamente que aqueles que agora assu~
prio. De fato, a única função oficial que mem a posição de que a lgreja apostatou,
ela se permitiu aceitar em nossa denomi~ eram eles mesmos os culpados de aposta~
nação foi como membro, de 1904 a 1914, sia ao ensinarem outros de que a "casa
da comissão diretiva do lnstituto Normal e do tesouro" de Deus, hoje, é a tesouraria
Agrícola de Nashville (mais tarde denomi~ de qualquer lugar onde a obra de Cristo
nado Colégio Madison, hoje, Universidade está sendo realizada por guardadores do
Madison), uma instituição independente sábado, e que se poderiam reter seus
no Tennessee.36 dízimos da tesouraria denominacional e
colocá~1os em "ministérios independentes"
Seu cunhado, Stephen Belden, foi mis~ impunemente?
sionário auto~financiado no Sul do Pacífico.
Seu próprio filho, Edson White, passou Estamos certos de que quando Cristo
boa parte de sua vida trabalhando num retornar, "muitos dirão: `Senhor, Senhor!
ministério independente. Porventura não temos nós profetizado em
Teu nome, e em Teu nome não expulsa~
(3) Também os editores da ,4dve72fz.s/ mos demônios, e em Teu nome não fize~
Zzevz.cw, a revista geral da lgreja Adventis~ mos muitos milagres?" Já sabemos como
ta do Sétimo Dia, crêem em ministérios será Sua resposta, em tom de lamento ~
independentes responsáveis, ao darem des~ quando será tarde demais ~ "Então 1hes
taque, de quando em quando, a projetos direi explicitamente: `Nunca vos conheci.
e instituicões dessa natureza. Em dezem~ Apartai~vos de mim, os que praticam a ini~
bro de ló89, foi publicada uma série de qüidade" (Mt. 7:22-23).
quatro artigos na Adu€ntjst Reuícw mos~
trando como identificar "ministérios inde~ Em realidade, "aquele, pois, que violar
Pendentes" responsáveis.37 um destes mandamentos, posto que dos

• (`9 -
menores, e assim ensinar aos homens, será fim de usá~1o para cobrir emergências pesso~
considerado mínimo no reino dos céus..." ais em casa.
(Mt. 5:19).
(3) Algumas vezes, membros das igrejas
~ e não os líderes da associacão ~ achavam
RETENÇÃO OU USO INDEVID0 D0 DÍZIMO que eles é que deveriam escc;lher os proje~
tos onde seria gasto o dinheiro do dízimo.
Numa reunião campal, em uma asso~
ciação do Sudeste norte~americano, uma E11en White escreveu contra esses três
senhora me disse o seguinte: "Desaprovo tipos de irregularidades. E é necessário que
completamente a maneira como parte de reafirmçmos, hoje, o que ela declarou em
meu dízimo foi usada por alguns líderes da seus dias. Ao pesquisar os vários escritos de
lgreja. Foi usada como fundo de uma ação Ellen White sobre esse assunto, notamos
legal contra um adventista que fez mau uso que ela enfatizou três pontos específicos,
do nome da igreja." E para que eu não cor~ sempre dentro de seu modo franco e deci~
resse o risco de julgar mal a profundidade de dido.
seus sentimentos, ela ainda acrescentou: "Vá
dizer aos líderes da igreja de onde você vem,
que, se eles incorrerem neste erro mais uma Dews cibençoci o cJocidoT
vez, nunca mais verão um único centavo do
meu dízimo!" Em 1870, E11en White assim escreveu
aos líderes da lgreja ao mencionar os
Outro membro da lgreja da região central fundos mal aplicados:
dos Estados Unidos telefonou~me para recla~
mar que a administração de sua associação Os meios assim dedicados nem sempre são
havia destinado mais de vinte mil dólares do usados como o desejariam seus doadores. Homens
dinheiro do dízimo para ajudar na fundação cobiçosos, egoístas e sem espírito de renúncia ou
de um novo grupo, cujo estilo experimental sacrificio, manuseiam de maneira infiel os meios
de culto lhe era repugnante. 0 homem con~ assim trazidos à tesouraria.39

cluiu veemente: "Já parei de mandar meus


dízimos para aqueles sujeitos no escritório Apesar desse mau procedimento, E11en
da associacão." Outros relatos semelhantes White continuou encorajando os doadores
poderiam s'er ainda mencionados. com estas palavras:

Aqueles que, com espírito de sacrifício e consa-


Problemas no Tempo de Ellen White gração, devolvem a Deus as coisas que Lhe perten~
cem, como deles é requerido, serão recompensados
Alguns imaginam qual seria a atitude de acordo com suas obras. Mesmo que os meios
assim consagrados sejam mal empregados de modo
que E11en White assumiria diante desses
que não alcancem o objetivo do doador ~ a glória de
problemas, se ela vivesse hoje. Felizmente,
Deus e a salvação das almas ~ aqueles que fizeram
não precisamos esperar muito pela respos.ta,
o sacrifício com sinceridade de alma, visando uni~
pois, como diz o ditado: "Quanto mais as camente a glória de Deus, não perderão sua recom~
coisas mudam, tanto mais inalteradas per~
pensa.40
manecem." No tempo de E11en White, a
lgreja enfrentou três problemas em relação
aos dízimos e às ofertas: Que ânimo estas palavras devem ter
trazido ao coração daqueles membros da
(1) Alguns líderes nos escritórios das igreja, cujo dinheiro nem sempre foi apli~
associações desviaram fundos sob seus cui~ cado de maneira como o doador tencio~
dados. Ao invés de darem ao dinheiro o nava! Felizmente, é menos provável hoje
propósito destinado pelo doador, usavam~no que sejamos confrontados por uma situa~
para outros projetos da lgreja. ção semelhante, devido ao fato de termos
normas denominacionais claras e especí~
(2) Ocasionalmente, alguns membros da ficas que requerem que os fundos sejam
igreja retinham parte, ou todo o dízimo, a encaminhados como é especificado pelo

~70,
doador. Tesoureiros das igrejas ~ em todos não está €m o 4t . é feito, mas em como é
os níveis - controlam cuidadosamente tais feito.
procedimentos. Além do mais, hoje, todos
os fundos da lgreja, e seus responsáveis, são (3) "A 4wem c{e czjr€jto." Em Mateus
monitorados e auditorados periodicamente 18, Jesus especifica que, quando temos
em seus respectivos níveis, para reduzir a motivo de queixa com um irmão na igreja,
inciclência de mau gerenciamento em todos devemos ir a ele a sÓs, buscando melhorar
os níveis. a situação. Se esta iniciativa falhar, deve~
mos voltar a ele, com um ou dois cris-
tãos como testemunhas. Se isso também
Falar a quem de diTeito falhar, então ~ e sÓ então ~ "dize~o à igreja"
(v. 17). .
lsso quer dizer que, se meu dinheiro
for mal aplicado, não devo reclamar, Ellen White chama essa atitude de
"receita"42 de Cristo, e nos aconselha a
sendo que Deus vai me abençoar de qual~
quer forma? Não. Não é isso que Ellen seguir esse princípio "em todos os casos
White diz. e em todas as circunstâncias."43 E, no pro-
Cesso, -
E11en White enunciou o dever dos
membros que notam que seus dízimos e não devemos fazer disso assunto de comentá~
ofertas estão sendo usados inapropriada~ rios e críticas entre nós; nem mesmo depois de
mente. Ela aconselhou: isso haver sido comunicado à lgreja, achemo~nos
na liberdade de repetir aos outros."44
Algumas pessoas descontentes dizem: "Não
vou mais pagar meu dízimo porque não tenho 0 "irmão D," em 1885, criou um pro~
confiança na maneira como as coisas são feitas no blema em sua igreja, falando furtivamente
coração da obra." Roubareis, porém, a Deus por aos membros daquela congregação que
achardes que a administração da obra não está "os líderes nesta obra são homens ardilo~
correta? sos, desonestos, ocupando~se em enganar
o povo." E11en White escreveu que a ati-
Fazei vossa reclamação clara e abertamente, vidade do "irmão D" não levava o selo
dentro do espírito correto, a quem de díreito.
do Céu. Apresentou uma maneira muito
Envie vosso pedido para que as coisas sejam escla~
melhor. Ela disse:
recidas e colocadas em ordem; mas não vos afasteis
da obra de Deus, provando~vos infiéis, pelo fato
Ele não está em conformidade com a norma
de outros não estarem agindo corretamente.4[
biblica e não consultou os irmãos líderes .... Que
ele se coloque em pé de igualdade com seus
Ellen White não aconselha o silêncio irmãos; se tem alguma dificuldade com eles em

a preço de convivência. Depois de indicar relação à sua maneira de proceder, que lhes mostre
em que consiste seu pecado.45
que o membro da igreja deveria fazer sua
reclamação, ela continua especificando
como tais queixas deveriam ser feitas. 0 dízjmo 7i,Õo deue seT Tctjdo n€m desujcido

(1) "acmz € cibertcmc7itc." Sem insinua~ Mas, poderá surgir a pergunta: Será
ções; sem referências obscuras de enganos que não exístiriam circunstâncias sob as
misteriosos, terríveis demais para serem quais membros individuais da lgreja se
comentados à luz do dia. Nada de deixar sintam livres para administrar seu dízimo
escapar frases como: "Se você soubesse o da maneira que acharem mais conve~
que eu sei," etc. niente?

(2) "D€ntro clo espírjto coTTeco." As Resposta: Ellen White nunca, nem ao
críticas podem ser construtivas ou des- menos considerou esse tipo de opção.
trutivas. E11en White jamais sancionou
a última, mas aplaudiu e recomendou a No tempo de E11en White alguns ad~
primeira. Com freqüência, o fator~chave ventistas do sétimo dia, ou retinham total~

~71~
mente seus dízimos e ofertas, ou desviavam sustentados pelo dízimo? Conforme Ellen
seu dízimo aplicando~o em projetos de sua White, eles incluem:
própria escolha. Isso aconteceu porque os
negócios da associação, aos olhos desses (1) 0 cuidado do pobre, do enfermo e do
membros, estavam sendo mal administra~ idoso;48
dos e pastores indignos estavam sendo
pagos com o dízimo. (2) A educação de estudantes promisso~
res e pobres;49
Em um artigo escrito em 1890, entitu~
1ado "Males Existentes e Seu Remédio," (3) Despesas operativas de escolas;5°
Ellen White escreveu:
(4) Salários e despesas de colportores;5L
VÓs que tendes retido vossos meios da causa de
Deus,1ede o livro de Malaquias, e vede o que é dito (5) As despesas de uma igreja local;52e
ali com relação aos dízimos e ofertas. Não percebeis
que estão agindo mal, sob qualquer circunstância, (6) Prédios para culto congregacional ou
ao reterdes vossos dízimos e ofertas por não con- necessidades institucionais, tais como esco~
cordardes com tudo que vossos irmãos fazem? É 1as, hospitais e casas publicadoras.53
possível que pastores indignos estejam recebendo
dos meios assim levantados; mas teria alguém cora-
Ellen White escreveu:
gem, por essa razão, de se apoderar ilicitamente dos
tesouros de Deus, fazendo recair sobre si a ma[dição
0 dízimo é sagrado e reservado para Deus para Si.
do Senhor? Eu não teria coragem...
É para ser levado à Sua tesouraria para ser usado no
sustento dos obreiros do evangelho em sua obra.54
Se os negócios da associação não estão sendo
administrados de acordo com a ordem do Senhor,
isso é pecado dos que estão em falta. 0 Senhor não
Para que não ficasse dúvida na mente de
vos responsabilizará por isso, se fizerdes o que esti~
ninguém quanto ao que ela quis dizer, E11en
ver ao vcisso alcance para corrigir o mal. Todavia, White especificou as funções para as quais a
não pequeis contra Deus, recusando devolver~lhe o comissão administrativa de uma associacão
que lhe pertence.46 poderia regularmente aplicar os fundos 'do
dízimo. Essas incluem:

Quase duas décadas depois, as convic~ (1) Salários e despesas de ministros e ins~
cões de Ellen White continuavam inaltera~ trutores bíblicos;55
das. Em 1909 ela escreveu:
(2) Salários e despesas de professores de
Que ninguém se sinta na liberdade de reter Bíblia em nossas várias instituições educa~
seu cli'zimo, a fim de usá~1o como achar por bem. Cionais;56
Não devem usá~1o para si mesmos numa emergência,
nem aplicá~lo como acharem conveniente, mesmo (3) Salários e despesas de médicos missio~
em assuntos que consideiem como fazendo parte da nários;57
obra do Senhor ....

(4) Benefícios de aposentadoria para


Recebi uma mensagem muito clara e definitiva obreiros evangélicos ;58 e
para nosso povo. Foi~me ordenado dizer~1hes que
cometem grave erro ao aplicarem o dízimo em várias
(5) Campos missionários necessitados, na
finahdades que, apesar de boas em si mesmas, não
América do Norte e no estrangeiro.59
cumprem o propósito que o Senhor tinha em vista
Para e|e.47
0 conselho geral de E11en White é decla~
rado de forma tão clara que ninguém precisa
Maneiras Apropriadas e lmpróprias de interpretá~lo mal:
Usar os Fundos do Dízimo
Grande erro é cometido quando o dízimo é des~
Quais são os procedimentos que "embora viado do objetivo para o qual deveria ser direcionado
- o sustento dos ministros.6°
bons em si mesmos," não deveriam ser

`72,
0 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DO DÍZIM0 vando reduzir ao mínimo as deficiências e
suas trágicas conseqüências. Vamos seguir
A obra mundial da lgreja Adventista do o que E11en White chamou de "o melhor de
Sétimo Dia é posta hoje em perigo quando todos os caminhos." Logo a igreja militante
o sistema de distribuicão do dízimo sofre dará lugar à igreja triunfante. Naquele dia,
qualquer tipo de alteração. Cada associação todos os que agora são fiéis certamente fica~
coleta o dízimo de suas igrejas constituídas, rão orgulhosos por terem seguido integral~
retém uma quantia específica, estabelecida mente o conselho do Senhor.
pelas praxes, para atender às necessidades
do ministério local, e envia o restante para
a união, e essa, finalmente, para a Associa- REFERÊNCIAS
' Ellen G. .White, Manuscrito 83, 1904, citado
ção Geral. Assim, podem ser supridas as
necessidades de outros campos mundiais em Ellen G. White, McmwscTipí Rek4scs (Silver
mais carentes. Spring, MD: Ellen G. White Estate,1981~1993),
1:137.

Se os irmãos adventistas desviarem seus 2 Ellen G. White, Eucmg€lísmo (Santo André, SP:
dízimos, mesmo para projetos meritórios Casa Publicadora Brasileira, 1978), 492.
no país ou exterior, o "reservatório" básico 3 E11en G. White, Testjmom.es /or the Chi"ch (Moun~
para consolidar nossa obra mundial será tain View, CA: Pacific Press, 1948), 6:215.
posto em perigo. Era essa a posição que 4 Manuscript Rehases, L..L9Z.
Ellen White tinha em mente quando, em
1890, advertiu os membros e líderes de 5 Ellen G. White, Medricil Mnjstry (Mountain View,
nossa lgreja: CA: Pacific Press, 1963), 245.
6 Manuscript Rehases, L..189.
Irmãos, não sejam infiéis em sua parte. Perma-
7 r|Zestimo'n:ies for the ChuTch, 9:248.
neçam em seu lugar. Não sejam infiéis, pois sua
negligência na tarefa aumenta nossas dificuldades 8 Ma7"scríp[ RcZcc{s€s, 3:218; Ellen G. White,
financeiras.6[ ConscJhos sobre Mo7:domící (Santo André, SP: Casa
Publicadora Brasileira,1968),103.
Em 1911, o mesmo ano que a denomi~ 9 MmtAsc7ipt ReJc4ses, 1:99,193~194.
nação instituiu seu plano de aposentadoria \° Tiesti:monies for the ChuTch, 9..Z48.25C).
privada, Ellen White foi abordada quanto à
11 lbidem.
sua disposição de continuar recebendo dízi~
mos diretamente de membros da igreja. A \Z Consdhos sobTe MOTdomia, L03., rlzestimories foT the
pressão agora estava no passado, a necessi~ Chwrch, 9:248; Mci"scrip[ Reíeciscs,1:191.
dade original agora virtualmente não mais ]3 Mcmwscr!Pt Rclecises, 1:185,191. Para discussão
existia. Sua resposta continua útil como foi
mais completa, ver Robert W. 0lson, ``E11en G.
a instrução naquela época. Ela escreveu: White Comments on the Use of Tithe Funds," em
"History and Use of the Tithe," manuscrito não
Você pergunta se aceitarei o seu dízimo e o apli- publicado, Centro de Pesqui§as E. G. White, ed.
car€i na causa de Deus ónde estiver mais necessi~ fevereiro de 1990, 17-25.
tada. Em resposta direi que não recusarei fazer isso, [4 Ellen G. White, Carta 103, 7 de abril de 1905;
mas ao mesmo tempo direi a você que exis[e um
citada em M4"scripc ReJecües, 7: 139.
caminho que é o melhor de todos. É melhor deposi~
15 Ellen G. White, Pzicricirccü c Profe£cis (Tatuí, SP:
tar confiança nos ministros da Associação em que
voéê vive, e nos oficiais da igreja que você freqüenta. Casa Publicadora Brasileira,1993), 530.
procure,OS.62 [6 E11en G. White, Ecl%c4ÇÕo (Tatuí, SP: Casa
Publicadora Brasileira,1997), 44.
No mesmo espírito do apóstolo Paulo, L7 E11en G. White, Carta 136, 14 de agosto de 1898.
ao escrever à igreja de Corinto: "Porém Variar\te cLtad& em Spalding-Magam Collection,
eu vou mostrar a vocês o caminho que é 498.
melhor de todos" (1 Co. 12:31, BLH), E11en ts Ellen G. White, Carta 32, 6 de janeiro de 1908, 6;
White desejava que os irmãos seguissem rita.da em Spahding-MOTgan CoLhction, 4Z1.
o plano que melhor atendesse às amplas L9 r|Zestimories for the Clwrch, 9=Z45-Z5L.
necessidades mundiais da lgreja, objeti~

~73,
20 |bidem, 5: 136. 37 ]oe Engelkemíer, "Independent Mjnistries:

Zt Ver, para exemplo, Robert Olson, The Hwmcmi'Cy Should Wé Support Them?," Adv€míst Reuiew,
7 de dezembro de 1989, 10~12; "1ndependent
o/ Chrjst (Mountain View, CA: Pacific Press,
Ministries: Should They Receive Tithe?," Ibidem,
1989), 32.
11~13; "Independent Ministries: Should They
22 Ver, por exemplo, certas afirmações de E11en G. Cooperate Whit Church Leaders?," Ididem, 16~17;
"Independent Ministries: The Use and Misuse of
White em Francis D. Nichol, ed., S€uenf/t,Dci}
Adventjsc Commentci7) (Washington, DC: Review the `Straight Testimony," Ibidem, 13-15.
and Herald,1956), 5:1128,1129,1131. 38 Wayne Dull, "Self Supporting Work," Adu€n£jsc
23 r|iestimonies foT the Church, 2:5I8-5L9. R€v£€w,18 de setembro de 1991,11.

24 ibidem, 9:249. " r|iestimories for the Church, Z..518.

25 Idem. 40 |bidem,.518~519.

Z6 SPccícil Tes£jmonies, Série A, n° 1, 27; grifo 4i ibidem, 9:249.

acrescentado. 42 E||en G. White, Th€ UPwcmd Look (Washington,


Z7 ArttLur L. Wt\1te, Ellen G. White: The EaTly DC: Review and Herald,1982),106.
EJmshczQJ€n Yecms, 1900-1905 (Washington, DC: 43 ibidem, 136.
Review and Herald, 1981), 395~396.
44 E+lerL G. WhLte, 0 Desejado de rEodas as Nações
28 E||en G. White, Mc7Lsczg€m EscoJh[.dczs (Santo
(Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1988),
André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985),
441.
1:33.
45 r|iestimories for the ChuTch, 5..289-Z90.
29 "Southern Missíonary Society," em Don F.
Neu{eLd, ed., Seuenth-day, Aduentist Encyclopedta 4Ó Ellen G. White, SpecjciI T€scímonjes, Série A, n°

(Washington, DC: Review and Herald, 1976), 1' 27+

1396`
47 Téstimories for the Church, 9..Z47148.
3° Alberto Ronald Timm, artÉo neste número de
48 ManuscTipt Releases, 3..Z18., Conselhos sobTe
PaTousia.
Mordomíci, 103.
3t "A Memorandum of plans Agreed Upon in Dealing
49 MczmÁscr!P£ R€l€cis€s, 1: 193~194.
With the Blue Book," documento não publicado,
Centro de Pesquisas Ellen G. White, Arquivo de 5° r|Zestimories foT the ChuTch, 9..248-Z50.
Documentos 213, 1.
51 Idem.
32 Tiago White, ed., A Word to th€ "LjttJe F`ock"
C;Z CorLsdhos sobTe MOTdomia, 103., Tlestimories foT the
(Brunswick, ME: s.e.,1847), Z2.
Chwrch, 9:248; M47"script RcÍ€cis€s,1: 191.
33 ]. N. Loughborough, Rjsc cind Progr€ss of scucnth~dczy
53 Mcmwscrjpt Rel€cises,1:185,191.
Adv€n£jsfs (Battle Creek, MI: General Conference
Association of the Seventh~Day Adventists, C'4 T|estimonies for the ChuTch, 9..Z49.
1892), 126~131; J. N. Loughborough, The GTecit
55 Eua:ngelismo, 49Z.
Second Aduent Mouement: Its Rise and PTogress
(Washington, DC.. Review and Herald, 1909), t>6 r|iestimonies for the ChuTch, 6..215 .
258,259.
57 Medic.al MinistTy, 245.
34 Francis D. Nichol, Elj€n G. Whjf€ cmd H€r Crjtjcs
58 Mcz"sc7?.Pt Rc]eczses,1: 189
(Washington, DC: Review and Herald,1951),
91,101. 59 ibidem, 192.
35 Associação Geral da lgreja Adventista do Sétimo
60 rizestimories for the Church, 9..249.
Dia, Seuench~dciy Aducnfist YeczT Book (Silver Spring,
MD: Review and Herald,1991), 21. 6L Sf)ecial rlzestimories, Sérles A, r\° 1, 2728.

36 "Madson lnstitütions," em S€uen£h-dc[y Aduentjst 62 Manuscnf]t Rehases, L..196.


Encyck)Pedia, 8Z8., ALithur L. Whíte, ELlen G. White:
The Eariy Elmshauen YeaTs, 1900-1905 , 327.

~74,
Parousia 2°Semestre 2001, Vol. 2, N° 2, 75~87
Copyright © 2001 SALT.

PRINCÍPIOS E DIRETRIZES SOBRE 0 DÍZIMO


Associação Geral da lgreja Adventista do Sétimo Dia

Este documento, aprovado pela Comissão Em 1983 o Departamento Ministerial e


Executiva da Associação Geral (1984), de Mordomia da Associação Geral efetuou
apresenta uma síntese esclarecedora da um estudo sobre os métodos de dizimar.
posição da lgreja Adventista do Sétimo Um questionário abrangente foi enviado a
Dia quanto ao plano divino de dizimar. presidentes, tesoureiros e diretores de mor-
0 documento fornece diretrizes e princí~ domia de.Uniões e Associacões. As res~
pios fundamentais sobre a maneira de postas a esse questionário co'nfirmaram a
dizimar com base em referências bíblicas necessidade de estudo adicional, esclareci~
e nos escritos de Ellen G. White. mentos e orientacões sobre o assunto do
dízimo.
This document, approved by the Execu-
tive Committee of the General Confe- Em outubro de 1983 a Comissão da
rence of Seventh-day Adventists (1984), Associação Geral designou uma comissão
presents a clarifying synthesis of the especial para empreender esse estudo.
Seventh~day Adventist position on the Depois de diversas reuniões da comissão
divine plan of tithing. The document inteira e de numerosas reuniões de uma
presents e§sential guidelines and princi- sub~comissão, foi completado o primeiro
ples on the way of tithing, based on the rascunho do relatório da comissão. Na pri~
Bible and the writings of E11en White. mavera de 1984, esse rascunho, junto com
um questionário,-{foi enviado a 160 admi~

N a complexa sociedade hodierna


muitas vezes é difícil, para os que
ganham ordenados e salários, bem como
nistradores e diretores departamentais, e a
aproximadamente 60 pastores e 60 mem~
bros voluntários.
para os profissionais autônomos e pes~
soas de negócio, determinar qual é sua Solicitou~se que essas pessoas avaliassem
renda dizimável. Os membros perguntam os princípios e diretrizes sobre o dízimo
freqüentemente aos pastores ou escrevem propostos, e expressassem suas opiniões
aos oficiais das associações, buscando con~ e sugestões a respeito deles. Em geral, as
selho a respeito de questões relacionadas respostas das 120 pessoas que devolveram
com o dízimo que os preocupam. Os o questionário foram muito positivas. Foi
membros da igreja comumente relutam recebido um grande número de sugestões
em procurar prover respostas baseadas úteis, e muitas delas foram incorporadas
em suas opiniões pessoais. Achamos que no fraseado final deste documento.
devia haver material disponível para ser
enviado a tais pessoas que esteja baseado
no pensamento de uma "multidão de con~ PRINCÍPIOS DO DÍZIM0
selheiros."
1. Deus é nosso criador, proprietário,
0 cálculo do dízimo das pessoas tor~ sustentador e redentor.
nou~se mais complicado em anos recentes.
Os empregadores estão provendo cres~ Porque nele foram criadas todas as coisas que
cente número de benefícios adicionais, há nos céus e na terra, visíveis, sejam tronos, sejam
alguns dos quais não são relatados ao dominações, sejam principados, sejam potestades:
tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de
governo como renda, e alguns não são
todas as coisas, e todas as coisas subsistem a ele (Cl.
pagos ao empregado em dinheiro. Há
1:16~17 [Ver também ls. 13:1; Gn. 1:1; S1. 33:6~9;
diversas deduções da folha de pagamen~
100:3; Êx. 20:8~11; Ap. 14:6,7; ]o. 1:1,4; S1. 24:1,2;
tos requeridas legalmente, assim como de
50:10-12; Ag. 2:8; Tg.1:17; I Cr. 29:11-14; Dt. 8:18;
outros tipos, tais como programas de apo~
At.17:24~25; I Cr. 6:19~20]).
sentadoria, apólices de seguros, etc.

75-
Pertencemos a Deus; somos Seus filhos e filhas Não terás outros deuses diante de mim (Êx.
- Seus pela criação e Seus pelo dom de Seu filho 20:3).
unigênito, para a nossa redenção. `Não sois de vós
mesmos... fóstes comprados por bom preço; glorifi~ Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu cora~
cai pois a deus no vosso corpo, e no vosso espírito, Ção, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e
os quais pertencem a Deus.' A mente, o coração, de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como
a vontade, e as afeições pertencem a Deus; do a ti mesmo (Lc.10:27 [Ver também Mt. 6:33; 11 Co.
Senhor é o dinheiro que manuseamos. Todo bem 8:5; Pv. 3:9~10; Êx. 23:19]).

que recebemos e gozamos resulta da benevolência


divina.' Nosso Redentor demanda mais do que Lhe
damos. Nosso eu ínterpõe Seus desejos de ser o
primeiro; Enas o Senhor reclama a entrega de todo
2. 0 homem é um administrador ou o coração, de todos os nossos afetos; quando esta-
mordomo das coisas de Deus. mos em harmonia com Deus, o pensamento de Sua
honra e glória chega antes que qualquer outra coisa.
Fazes com que ele tenha domínio sobre as Nenhuma pessoa é preferida antes dEle em nossos
obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus presentes e ofertas. Sabemos o que significa ser cola~
pés (S1. 8:6 [Ver também: I Co. 4:1; Gn. 2:15; boradores com Cristo na sagrada sociedade com
1:26-28; I Tm. 6:7; At. 4:32; Lc.12:42~43]). Ele_4

0 mordomo identifica~se com o patrão. Aceita 5. 0 princípio do dízimo é divino em


as responsabilidades de um mordomo e deve agir sua origem
em lugar do amo, fazendo o que este faria se esti-
vesse presidindo. Os interesses do amo tornam-se Mas aquele cuja genealogía não é contada entre
seus. A posição do mordomo é uma posição de dig, eles tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que
nidade, porque o amo nele confia.2 tinha as promessas (Hb. 7:6).

3. Jesus é nosso exemplo no exercício Mas o sistema dos dízimos não se originou com
de uma mordomia fiel. Um mordomo se os hebreus. Desde os primitivos tempos o Senhor
reivindicava como Seu o dízimo; e tal reivindicação
identifica plenamente com os interesses
era reconhecida e honrada. Abraão pagou dízimos a
de seu senhor.
Melquisedeque, sacerdote do altíssimo Deus. Gêne-
sis 14:20. Jacó, quando em Betel, exilado e errante,
Porque eu desci do céu, não para fazer a minha
vontade, mas a vontade daquele que me enviou (Jo. prometeu ao Senhor: "De tudo quanto me deres, cer~
tamente Te darei o dízimo." Gênesís 28:22. Quando
6:38 [Ver também: Jo. 4:34; Mt. 26:39; 28:18~20;
os israelitas estavam prestes a estabelecer~se como
Is. 43:5~7; Mt. 5:16; Lc.11:42; Mt. 10:8; Pv. 21:26;
nação, a lei dos dízimos foí confirmada, como um
I Co. 3:9]).
dos estatutos divinamente ordenados, da obediên~
cia ao qual dependia a sua prosperidade.5
A grande obra que Jesus anunciou que viera
fazer, foi confiada a Seus seguidores na Terra.
Cristo, como nossa cabeça, serve de guia na grande
6. 0 homem é um colaborador junto a
obra de salvação, e pede~nos que Lhe sigamos o
Deus.
exemplo. Deu~nos uma mensagem mundial. Esta
verdade deve estender-se a todas as nações, línguas
De sorte que somos embaixadores da parte de
e povos. 0 poder de Satanás devia ser contestado,
Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo~vos
e ele vencido por Cristo e também por seus segui,
pois da parte de Cristo que vos reconcilieis com
dores. Ampla guerra devia ser mantida contra os
Deus. E nós, cooperando também com ele, vos exor~
poderes das trevas. E a fim de fazer essa obra com tamos a que não recebais a graça de Deus em vão (11
êxito, eram necessários meios. Deus não se propõe
Co. 5:20; 6:1 [Ver também M1. 3:10~12]).
a mandar recursos diretamente do Céu, mas põe
nas mãos de Seus seguidores talentos de meios
Em todos os vossos ensino não esqueçais nunca
para serem usados para o fim definitivo de manter
que a melhor lição a ser ensinada e aprendida é a da
esta iuta.3
união com Cristo na obra de salvar.6

4. Deus em primeiro lugar em todas as 7. 0 dízimo é santo assim como o


coisas. sábado é santo.

76~
Também todas as dízimas do campo, da semente Faz parte de vosso trabalho ensinar os que con-
do campo, do fruto das árvores, são do Senhor; quistais para a verdade a que tragam para o tesouro
santas são ao Senhor (Lv. 27:30 [Ver também: Lv. o dízimo como reconhecimento de sua subordina~
27:32]). Cão a Deus.11

Usa~se a mesma linguagem quanto ao sábado


10. 0 dízimo é devolvido a Deus,
que se usa na lei do dízimo: "o sétimo dia é o
em proporção aos lucros, como reconheci~
sábado do Senhor teu Deus." Não tem o homem o
mento de que tudo o que temos é Seu.
direito nem poder para substituir o sétimo dia pelo
primeiro... De igual maneira, o dízimo de nossas
Porém não aparecerá vazio perante o Senhor.
rendas "santo é ao Senhor." 0 Novo Testamento
Cada qual , conforme ao Dom da sua mão, con~
não dá novamente a lei do dízimo, como também
forme a bem;ão que o senhor teu Deus te tiver dado
não dá a do sábado; pois pressupõe a vahdade de
(Dt. 16:16, 17 [Ver também: Dt. 14:22,23; 11 Co.
ambos, e explica sua profunda importância espiri-
8:12]).
tual.7

No sistema bíblico de dízimos e ofertas, as quan-


tias pagas por várias pessoas certamente variarão
8. A regularidade e sistematização ao
muito, visto serem proporcionais às rendas.L2
devolver a Deus o que é Seu.
No trato de Deus com os judeus e com o Seu
Também no mesmo dia se nomearam homens
sobre as câmaras, para os tesouros, para as ofertas povo até o fim dos tempos, Ele requer beneficência
sistemática proporcional aos rendimentos.[3
alçadas, para as primícias, e para os dízimos, para
ajuntarem nelas, das terras das cidades, as porções
designadas pela lei para os sacerdotes e para os levi- 11. Devolver o dízimo e dar ofertas é
tas; porque Judá estava alegre por causa dos sacer~
parte da adoração, uma expressão gozoza
dotes e dos levitas que assistiam ali (Ne.12:44 [Ver de louvor, amor e adoração.
também: Ne.10:32~39; 11 Cr. 31:11~21; I Co.16:1~2;
11 Co. 8,9]).8
E eis que agora eu trouxe as primícias dos frutos
da terra que tu, ó Senhor me deste. Então as porás
Essa questão do dar não é deixada ao impulso.
perante o Senhor teu Deus, e te inclinarás perante o
Deus nos deu instrução a esse respeito. Especifi~ Senhor teu Deus. E te alegrarás por todo o bem que
cou os dízimos e ofertas como sendo a medida de o Senhor teu Deus te tem dado a ti e à tua casa, tu e
nossa obrigação. E ele deseja que demos regular e o levita, e o estrangeiro que está no meio de ti (Dt.
sistematicamente... Examine cada qual suas rendas 26:10,11 [Ver também 11 Co. 8:7~9; 9:12~13]).
com regularidade, pois são todas uma bênção
de Deus, e ponha de parte o dízimo como um Deus nos comunica Suas dádivas para que
fundo separado, para ser sagradamente do Senhor..` também demos, e deste modo revelemos Seu caráter
Depois de ser o dízimo posto a parte, sejam as dádi~
ao mundo. Na dispensação judaica as dádivas e ofer-
vas e ofertas proporcionais: "segundo a sua prospe~
tas formavam uma parte essencial do culto a Deus.
ridade."9
Os israelitas eram ensinados a consagrar ao serviço
do santuário o dízimo de toda a renda. Além disso
deviam trazer ofertas expiatórías, ofertas voluntá-
9. 0 dízimo deve ser trazido à tesoura- rias e ofertas de gratidão. Estes eram os meios para
ria do Senhor. sustentar o ministério do evangelho naquele tempo.
Deus não espera menos de nós do que do povo anti-
Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para gamente. A grande obra da salvação das almas pre-
que haja mantimento na minha casa, e depois fazei cisa ser levada avante. Pelo dízimo, ofertas e dádivas
prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu fez Ele provisão para esta obra.t4
não vos abrir as janelas do céu, e não derramar
sobre vÓs uma benção tal, que dela voz venha maior
abastança (Ml. 3:10 [Ver também: Êx. 23:19]). 12. No sistema do dízimo a pessoa
determinará o que é lucro.
0 dízimo é sagrado, reservado por Deus para
Si mesmo. Tem de ser trazido ao Seu Tesouro, para Cada um contribua segundo propôs no seu cora~
ser empregado em manter os obreiros evangélicos
ção; não com tristeza ou por necessidade; porque
em seu labor.[° Deus ama ao que dá com alegria (11 Co. 9:7).

IiÉI
Deus é o Criador do homem, instituindo o nar nossa habilidade para a vida futura. Nenhum
plano da beneficência sistemática, fez com que a daqueles cujo caráter estiver maculado com a nódoa
obra pesasse igualmente sobre todos, segundo as imunda do egoísmo, poderá entrar no Céu. Por~
diversas aptidões que possuem. Cada um tem de tanto, Deus nos prova aqui, concedendo+ nos posses
decidir suas próprias contribuições, sendo deixado temporais, para que o uso que disso fizermos possa
na liberdade de dar segundo se propôs em seu ci)ra- revelar se nos poderão ser confiadas as riquezas eter~
cão.15 nas.20

Ao determinar a proporção da oferta a dar p i ra


a causa de Deus, deveis de preferência exceder às
15. É um dever fundamental dos líde~
exigências do dever a não cumpri~las."
res da igreja, membros e pais praticar a
fidelidade no dízimo como um dos requisi~
tos de De.us.
13. A Bíblia e o Espírito de Profecia
aclamam e definem que bençãos espiritu~ Tra=ei todos os dízimos à casa do tesouro, para
ais e temporais são conseqüência de uma que haja mantimento na minha casa, e depois fazei
mordomia fiel. pro`'a de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não
\'os abrir as janelas do céu, e não derramar sobre
E Deus é poderoso para. fazer abundar em vós \-Ós iima benção tal, que dela vos ad\Jenha a maior
toda a graça, afim de que tendo sempre, em tudo, abastança (Ml. 3: 10 [Ver também: Lv. 27:30,32; Nm.
18:21; Dt. 6:6~9; 8:11~18; Lc.11:42]).
toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra (11
Co. 9:8 [Ver também Dt. 28:1~13; Ml. 3:10-12; 11
Co. 9:8~11]).
Nomeie a igreja pastores ou anciãos que sejam
dedicados ao Senhor Jesus, e cuidem esses homens
de que se escolham oficiais que se encarreguem fiel~
Sempre que o povo de Deus, em qualquer perí-
mente do trabalho de recolher o dízimo. Se os pas~
odo do mundo, seguiu voluntária e alegremente o
tores não se demoscrarem aptos para o cargo,
plano dEle quanco à beneficência sistemática e às
se deixarem de apresentar à igreja a importância
dádivas e ofertas, verificaram Sua permanente pro~
de devolver ao Senhor o que lhe pertence, se não
messa de que todos os seus labores seriam seguidos
cuidarem de que os oficiais que estão sob suas
de prosperidade proporcional à obediência que dis,
ordens sejam fiéis, e que o dízimo seja trazido,
pensavam ao que deles requeria.[7
estão em perígo. Estão negligencia_ndo uma ques~
tão que envolve uma benção ou maldição para a
A saúde espiritual e a prosperidade da igreja
igreja. Devem ser alijados de sua responsabilidade, e
dependem, em alto grau, de sua beneficência siste~
outros homens devem ser experimentados e prova-
mática. É como o sangue vital que deve fluir por
clos.2l
todo o ser, dando vida a cada membro do corpo.[8

14. 0 propósito supremo do dízimo é DIRETRIZES SOBRE 0 DÍZIMO


desenvolver o caráter e provar nossa leal~
dade a Deus. Nas diretrizes que seguem, a comissão
esforçou~se diligentemente para apresentar
Tornai vós para mim, e eu tornarei para vós, em forma concisa uma compreensão dos
diz o Senhor dos Exércitos. Mas vós dizeis: Em que princípios do dízimo da Bíblia, do Espí~
havemos de tornar? ... Ti-azei todos os dízimos à casa rito de Profecia, de posições anteriores da
do tesouro, para que haja mantimento na minha lgreja e do conhecimento pessoal e expe~
casa, e depois fazei prova de mim, díz o Senhor dos riência de dizimar de seus membros. Ela
Exércitos (M1. 3:7~12).
procurou traçar um rumo entre prover res~
postas completas e autorizadas para toda
Deus planeou o sistema de beneficência, a fim
pergunta específica sobre o dízimo, por um
de que o homem se pudesse torna.r como o seu Cria~ lado, e a sucessão de vagas generalidades
dor: de índole benevolente e abnegada, e ser final-
por outro lado.
mente co-participante de Cristo, da eterna, gloriosa
recompensa." A comissão não pretende ter as respos~
tas finais para todas as questões acerca
Jamais nos devemos esquecer de que somos da maneira de dizimar. 0 objetivo deste
`-i`locados sob prova, no mundo, a fim de determi~
estudo foi enunciar princípios e orienta~

~78~
ções que, sob a bênção do Espírito Santo, (tesouraria da Associação), através da igreja
possam ser úteis para os membros na deter~ da qual a pessoa é membro, como ato
minação do que é renda dizimável. de adoracão. Onde houver circunstâncias
incomun;, os membros da igreja devem
A comissão deseja salientar que estas consultar os oficiais da sua Associacão
diretrizes não se destinam a ser regular~ local.
mente dogmáticas, rígidas e inflexíveis a
respeito da maneira de computar o dízimo,
e que sejam obrigatórias para os membros Renda Pessoal
da lgreja. Em vez disso, são orientações e
conselhos, e representam o consenso de Dcfj7ijçõo -Renda pessoal é o salário, ou
um grupo de administradores de igreja, ordenado. por horas de trabalho, gratifica~
pastores e membros voluntários (bem como Ções, comissões, subsídios, mesadas, bene~
a opinião de muitas pessoas que responde~ fícios, lucros individuais de um negócios
ram ao questionário). Foram gastas muitas ou atividade profissional, rendas de inves~
horas lutando com as complicadas e difí~ timentos, pensões e heranças, para citar
ceis questões do dízimo que a maioria dos apenas alguns. As orientações que seguem
membros de nossa lgreja têm de enfrentar provêem informações adicionais sobre esses
nestes dias em sua relacão de mordomia componentes da renda pessoal.
para com Deus.
R€7idci BrtÁCcz ~ 0 dízimo deve ser calcu~
A comissão procurou desenvolver dire~ 1ado sobre a quantidade total do ordenado
trizes no tocante aos principais tipos de ou salário de uma pessoa, antes dos des~
renda pessoal que os membros possam contos requeridos legalmente ou de outras
receber durante sua existência. deduções autorizadas pelo empregado. Isto
abrange os impostos federais ou estaduais
Todas as decisões sobre o dízimo devem sobre a renda que provêem serviços e
ser decisões pessoais tomadqs depois de outros beneficios da cidadania responsável.
séria reflexão e muita oração. E a esperança As contribuições para a Previdência Social
da comissão que este material estimule o podem ser subtrai'das.
pensamento de todos os membros da lgreja
e conduza a uma compreensão mais cabal I;ucTos ComeTciais e Proftssíonais ~ Ao
e uniforme das responsabilidades e dos pri~ determinar a renda pessoal de atividades
vilégios da Mordomia Cristã. comerciais ou profissionais, devem ser ado~
tados processos de contabilidade aceitos
oficialmente e aplicadas de maneira coe~
0 Díz.imo rente, ano após ano. 0 1ucro líquido de
uma companhia pessoal ou de uma socie-
Dízimo é 10°/o da renda pessoal. dade de capital fechado, de comerciantes
ou profissionais, também é renda pessoal.

Devolvendo o Dízimo S%bsz'díos c Be7icfícíos - Os subsídios e


benefícios geralmente pertencem a dois
QtÁcmdo Devo[u€r ~ 0 dízimo deve ser setores: os que são proporcionados com a
devolvido como as primícias quando é rece~ finalidade de aumentar a renda e os que
bida a renda pessoal. Nos casos em que são proporcionados para cumprir os requi~
a renda real só é determinada no fim de sitos do trabalho. Os subsídios e benefí-
um período de contabilidade, embora seja cios são renda pessoal até o ponto em que
recebida numa base contínua, o dízimo não sejam contrabalançados pelas despesas
deve ser desenvolvido sistematicamente de reais relacionadas com o trabalho.
acordo com as projeções e ajustado no fim
do período. Benefícios que não são Pagos em DinheiTo
- Os benefícios recebidos, como a moradia
07id€ Deuozu€r ~ 0 dízimo é do Senhor gratuita provida pelo empregador e o uso
e deve ser levado à "casa do tesouro" pessoal de um automóvel, constituem renda

79,
pessoal até o ponto em que é determinado gado poderá decidir devolver o dízimo do
um valor razoável. Outros benefícios, tais valor do prêmio que seria necessário para
como as contribuições do empregador para promover semelhante cobertura.
a Previdêncía Social e para o plano de
pensão da companhia, pagamentos ao A%xílío Edwcczcjoncil ~ Auxílios educa~
Fundo de Garantia dos trabalhadores e cionais providos pelo empregador para os
ao Seguro de Desemprego, não constituem filhos de um empregado são renda pessoal
renda pessoal até que sejam recebidos bene- do empregado. Bolsas de estudos para
fícios dessas provisões. ajudar a cobrir as despesas com o sustento
são renda pessoal para o recebedor. 0 reem~
Prog7itmcis de APos€ntczdoTjci ~ Pagamen~ bolso do empregador das despesas educa~
tos efetuados por indivíduos ou importân~ cionais de um empregado que não estão
cias retiradas do salário para programas de relacionadas com o atual trabalho deste
aposentadoria, tais como Contas lndividu~ último constituem renda pessoal.
ais de Aposentadoria, Anuidades lsentas
de lmpostos ou outros planos de aposenta~ J7tvcstz.mentos - A renda recebida de
doria, incluindo a Previdência Social, não investimentos numa base periódica, como
reduzem a renda pessoal. Quando a pessoa renda líquida de propriedades alugadas,
começa a receber benefícios desses planos juros e dividendos, deve ser considerada
de aposentadoria, pode ser subtraída uma renda pessoal quando é recebida. 0 1ucro
importância equivalente às contribuições de tais investimentos como ações e pro~
pessoais antes que se comece a devolver o priedades, por valorização que se estende
dízimo dos benefícios recebidos. Uma exce~ por determinado período de tempo, não
ção talvez seja necessária para a Previdência é normalmente considerado renda pessoal
Social, se não for mantido um registro das até que o investimento seja alienado e rece~
importâncias acumuladas retidas ou pagas bido o lucro.
pelos indivíduos através dos anos.
Vcilorjzaçáo de Propríedcid€s ~ 0 1ucro da
Bcne/ícjos dc Segwos ~ Há dois tipos bási~ venda de propriedades que se valorizaram
cos de apólices de seguros à disposição dos é normalmente reconhecido como renda
indivíduos: (1) Os que provêem proteção pessoal. A pessoa que precisa mudar~se ou
contra possíveis perdas ou despesas cau~ que, por motivos pessoais, decide mudar~se
sadas por desastres ou calamidades; e (2) e obtém um lucro na venda de sua casa,
os que protegem a renda futura. Os paga- pode dizimar o lucro. Se o total for usado
mentos oriundos do primeiro tipo não são para comprar uma casa semelhante na nova
renda pessoal, a menos que superem as localidade, a pessoa pode adiar o dizimar
perdas ou despesas reais e contanto que o do lucro. Se a pessoa não reinveste a soma
prêmio tenha sido pago com a renda dizi- total, a diferença é renda pessoal. Indiví~
mada. Os pagamentos oriundos de segundo duos e famílias são estimulados a fazer pro~
tipo são renda pessoal quando superam os visões para o dízimo da valorização numa
prêmios acumulados que foram pagos pes~ ocasião apropriada, talvez num plano patri-
soalmente com a renda dizimada. Se os monial.
benefícios de seguros de vida, acidentes e
invalidez foram providos como beneficio Hercmçcis ~ As heranças recebidas em
concedido aos empregados, a importância dinheiro são renda pessoal. 0 valor atual
do prêmio deve ser dizimada, assim como de propriedades ou outros bens herdados
outros subsídios e benefícios. constitui renda pessoal na ocasião em que
é recebido. Nalguns casos, como herança
Auxílio PaTa TTatamento de Saúde - Prê- de terras, talvez não seja possível que a
mios de Garantia de Saúde e/ou auxílios pessoa devolva o dízimo até que uma parte
de despesas médicas pagas pelo empregador seja transformada em dinheiro.
devem ser considerados renda pessoal. Nos
casos em que as despesas com o tratamento Assístêncici Socjciz, Doncicívos € Conccs~
de saúde são cobertas pelo empregador sões ~ 0 ideal seria que todos os membros
numa base de segurQs próprios o empre~ estivessem em condicões de devolver o

~80~
dízimo do total de sua renda pessoal, indi~ com os teus bens, e com as primícias de
ferentemente da fonte ou de sua situacão toda a tua renda". Prov. 3:9. "De toda a
pessoal. No entanto, os que recebem ajuda nossa renda devemos dedicar a primeira
do governo ou de assistência de institui~ parte a Deus."25 "Não 1he devemos consa~
ções de caridade, os que recebem auxílio grar o que resta de nossas rendas, depois
de parentes ou amigos, ou os que recebem que todas as nossas necessidades reais ou
concessões educacionais do governo, talvez imaginárias tenham sido satisfeitas; mas
sÓ consigam devolver o dízimo da parte de antes de qualquer parte ser gasta devemos
sua renda sobre a qual tem pc>der discrimi~ pôr de parte aquilo que Deus especificou
natório. como seu."26

Mesmo que um membro "separe" o


Observações Signif icativas dízimo ao receber sua renda, mas não o
leva à "casa do tesouro" a intervalos regu.
Rendcz PessocL1 ~ Estas orientacões de lares, ele não está de acordo com a ins~
baseiam na premissa de que o díziriio deve trução inspirada e se expõe à tentação de
ser calculado sobre o total da "renda pes~ tomar emprestado o dízimo para uso pes~
soal," e não sobre o aumento do capital. soal. "0 Senhor pede que seu dízimo seja
entregue em Seu tesouro. Estrita honesta e
Sob a simples cultura agrária de lsrael, fielmente, seja~Lhe devolvida esta parte."
o dízimo era calculado sobre a produção
total das sementes ou dos rebanhos. Não Aquilo que, de acordo com as Escrituras, foi
pareciam se levadas em conta ou conside- posto à parte, como pertencendo ao Senhor, consti,
radas as despesas comerciais. 0 trabalho tui a renda .do evangelho, e não mais nos pertence.
era comunal e os bois movíam os arados e Não é nada menos que sacrilégio, um homem lançar
mão do tesouro do Senhor a fim de servir a si ou a
grades manuais. Estes não eram avaliados
outrc)s, em seus negócios temporais.28
em termos monetários.

A sociedade hodierna apresenta, porém, Alguns talvez tenham boas intenções


ao agricultor empresário e ao profissional de finalmente devolver o dízimo, mas resol~
uma complicada estrutura de produção, vem fazê~lo num tempo mais conveniente
despesas gerais e outras despesas comerciais ~ talvez no fim do ano. Tais pessoas não
que precisam ser consideradas ao determi- somente estão pondo suas necessidades na
nar a parte dizimável como fruto de seus frente das reivindicações de Deus, como
trabalhos. Parece ser melhor usar, portanto, correm o risco de ficarem tão atrasadas
a expressão mais contemporânea: "renda em suas obrigações para com Deus que se
pessoal," com essa finalidade. E11en White torne muito difícil porem~se em dia.
usou a palavra i.nc7i€czs€ (aumento) e, mais
comumente, z.ncome (renda) em suas decla~ Homens há a quem Deus tem abençoado e a
racões sobre c> dízimo. quem está provando, para ver que resposta darão
aos Seus benefícios. Têm retido seus dízimos e ofer,
Alguns exemplos: "Examine cada um tas até sua dívida para com o Senhc)r Deus dos
regularmente sua renda."22 "0 dízimo de Exércitos se ter tornado tão grande que eles empa~
1ideceram ao pensar em dar ao Senhor o que lhe
toda a nossa renda é do Senhor."23 Uma
antiga resolução da Cc)missão da Asso~ pertence ~ dízimo justo. Apressai~vos, irmãos, tendes
agora a oportunidade de ser honestos para com
ciação Geral também apoia o uso da pala-
Deus; não demoreis.29
vra "renda." "Resolvido: Que cremos ser o
dever de todos os nossos irmãos e irmãs...
dedicar o décimo de todo a sua renda de 0ndc Devolver o Dízjmo - A admoesta~
qualquer fonte, para a Causa de Deus."24 cão bíblica é: "Trazei todos os dízimos à
éasa do tesouro' para que haja mantimento
Qwcmdo Dcuoíuer o Di'z[.mo ~ A Bíblia e o na minha casa" (M1. 3:10).
Espírito de Profecia salientam a importân~
cia de devolver o dízimo a Deus numa base A declaração que segue faz parte do
adequada e sistemátíca. "Honra ao Senhor Manual da lgreja: "A prática da denomina~

~81~
Ção é que o dízimo seja entregue à igreja ções ou projetos de sua própria escolha.
local, da qual a pessoa é membro."3° A pessoa a quem talvez entreguem real~
mente poderá estar necessitando, e o pro~
Devolver o dízimo à igreja local da qual jeto poderá ser digno, mas permanece o
a pessoa é membro dá andamento ao plano fato de que esse não é o plano de Deus.
denominacional de partilhar de maneira Quando é seguida essa prática será que a
justa e eqüitativa esses recursos financeiros pessoa está mesmo devolvendo o dízimo a
com a lgreja Mundial. Deus? 0 Senhor reivindica o dízimo como
Seu: "Todas as dízimas da terra, tanto do
Os membros da lgreja são animados, no reco~ grau do campo, como dos frutos das árvo~
nhecimento do plano bíblico e da solene obrigação res, são do Senhor: santas são ao Senhor"
que sobre eles repousa como filhos de Deus e mem (Lv. 27:30).
bros de Seu corpo, a lgreja, a entregarem à tesoura~
ria da denominação um dízimo fiel, a décima parte A porção que Deus reservou para Si, não deve
de todas as suas rendas. ser desviada para nenhum outro designio que não
aquele por Ele especificado. Ninguém se sinta
Idearam~se procedimentos para o reconheci~ na liberdade de reter o dízimo, para empregá-1o
mento e a distribuição dos fundos em todo o mundo segundo seu próprio juízo. Não devem servir~se dele
e para dirigir os assuntos econômicos da Causa. 0 numa emergência, nem usá~lo segundo lhes pareça
aspecto financeiro da obra de nossa denominação justo, mesmo no que possam considerar como a
é cle grande importância. Não pode ser separado obra do Senhor.32
da proclamação da mensagem de salvação; é sem
dúvida uma parte integrante dela. Uma mensagem muito clara, definida, me foi
dada para nosso povo. É-me ordenado dizer~1hes que
0 dízimo não é usado nem gasto pela igreja estão cometendo um erro em aplicar os dízimos a
local, mas é enviado ao tesoureiro da Associação ou vários fins, os quais, embora bons em si mesmos,
Missão. Assim o dízimo de todas as igrejas flui para não são aquilo em que o Senhor disse que o dízimo
a tesouraria do Campo local. Esta envia um décimo devia ser aplicado. Os que assim o pregam, estão~se
de sua renda total de dízimos à União. Por sua vez afastando do plano de Deus.'3
a União entrega à Associação Geral um décimo de
sua renda total de dízimos. Assim, a Associação ou
Missão 1ocal, a União e a Associação Geral ficam Por motivos pessoais, alguns membros
providas de fundos com os quais suster os obreiros preferem enviar uma parte de seu dízimo
empregados e atender aos gastos de dirigir a obra diretamente à sua Associação 1ocal. Tais
de Deus em suas respectivas esferas de responsabili~ ajustes devem ser feitos com o tesoureiro
dade e atividade. da Associação.

Deve mencionar~se que mui[as de nossas Asso- Trazer o dízimo à casa do tesouro -
ciações ou Missões locais, além de entregarem à a tesouraria da lgreja (a Associação 1ocal
União uma décima parte de sua renda de União,
através da igreja local) - prevê um eqüi~
uma porcentagem convencionada de dízimo (20%
tativo e contínuo apoio financeiro para
na Divisão Norte Americana).31
o programa mundial da lgreja Adventista
do Sétimo Dia e constitui um importante
Deus designou um plano que, se for fator que contribui para a unidade mun~
seguido, proverá abundante sustento para dial da lgreja.
Sua lgreja. 0 dízimo deve ser apresentado
perante Deus como experiência de culto. . R€ndcz B"tci ~ Através dos anos, a lgreja
Quando cada membro cumprir sua obriga~ Adventista do Sétimo Dia tem adotado a
ção, a lgreja terá recursos em abundância posição de que os membros devem devol~
para cumprir sua missão - na igreja local, ver o dízimo sobre sua renda bruta, antes
na Associação, na União e no campo mun- das deduções para a Previdência Social,
dial. lmposto de Renda, etc. Em 1879, Tiago
White fez a seguinte observação:
0 sistema do dízimo é debilitado e pre~
judicado quando um membro individual A palavra renda significa a renda bruta de tudo
decide enviar seu dízimo para organiza~ que chega às mãos de alguém ,... ou indica a renda

82~
líquida?... Depois de examinar meticulosamente o Com relação a isto, cumpre notar que o governo
assunto de todos os pontos, respondemos: 0 dízimo calcula o imposto a ser pago sobre o salário básico
de toda a nossa renda. Isto não significa um décimo daquele que o recebe. E embora a Providência Social
do aumento anual de nossas posses depois de ter sido e outras deduções sejam feitas pelo empregador, o
pago o custo do alimento e do vestuário e outras des~ governo calcula sua porcentagem sobre o salário~
pesas, e, sim, que nove partes de nossa renda devem base original. Como mordomos de Deus, podemos
cobrir todas as despesas, ao passo que um décimo é ser menos fiéis em relacão financeira com Deus clo
do Senhor.34 que sc)mos com o governo? A admoestação que Deus
nos faz é a seguinte: "Honra ao Senhor com os teus
bens, e com as primícias de toda a tua renda." Por~
A Comissão da Associacão Geral estu~ tanto como mordomos dos bens do Senhor, deve~
dou esta questão no Conéílio Anual de mos sepa.rar toda a parte que lhe pertence logo que
1943, e foi aprovada a seguinte recomenda~ ela nos chega às mãos.35
cão:

Avisamos a todos os nossos crentes que, de ac()rdo Alguns impostos, tais como o lmposto
com o que nos é dado a saber, devemos aderir ao prin~ de Renda, são retidos do salário dos assa~
cipio sob o qual esta denominação tem levado avante 1ariados. Outros impostos, como sobre as
sua obra desde os primeiros dias, e nã_o permitir que o vendas, propriedades e automóveis, são
lmposto cle Renda ou qualquer outra despesa do salá~
pagos diretamente pelo indivíduo. Con~
rio afete a parte que Deus reservou para Si. Isto signi,
quanto nem sempre aprovemos a maneira
fica o pagamentt) do dízimo sobre o salário e ganhos como o governo em vários níveis gasta as
totais a.ntes que tenha sido feita qualquer dedução e
receitas oriundas dos impostos, recebemos
pagamento como forma de lmpostci de Renda. muitos serviços úteis deles. Esses impostos
têm prioridade sobre a nossa renda e cons-
Num artigo intitulado: "Deve~se Dizimar tituem uma parte significativa de nossas
o Salário Total?", o pastor 0. A. Troy Sr. despesas pessoais.
expressou claramente a posição da lgreja
nestas palavras: StÁbsídjos e B€nefícjos ~ Além do paga-
mento pelas horas de serviço ou do salá~
Israe[ clava o dízimo de suas receitas - quer dos rio, a maioria das organizações concedem
rebanhos ou do campo. Se o rebanho tinha um subsídios e benefícios a seus empregados.
aumento de dez cabeças de gado, o décimo animal A maioria desses subsídios e beneficios são
pertencia ao Senhor. Era Seu, sem que fossem feitas para o proveito pessoal do empregado e
quaisquer deduções. Se a renda clo campo era de cem constituem outra forma de remuneracão.
unidade, dez pertenciam ao Senhor. Isto era dado ao Alguns subsídios, porém, são providos para
Senhor sem qualquer dec]ução (Lv.27:30). cobrir as despesas relacionadas com a exe~
cução do trabalho.
Como adventistas do sétimo dia, temos seguido
este princípio com respeito ao di'zimo de nossos salá-
Alguns subsídios relacionados com o
rios. Sempre que recebemos nosso salário - díário,
trabalho são concedidos como importância
semanal ou mensal - separamos o dízimo como per~
mensal fixa. Estes não constituem renda
tencendo ao Senhor e o levamos à casa do Tesouro do
Senhor, à igreja. Com os nove décimos restantes paga~ pessoal, a não ser quando o subsídio supera
mos o aluguel ou prestação de nossa casa, o alimento,
as despesas relacionadas com o trabalho.
o vestuário, os impostos, etc. Este tem sido nosso cos~
Exemplo: Um empregado recebe um sub-
tume consagrado pelo tempo. sídio de viagens de 300 reais por mês.
Suas despesas durante um determinado
Em anos recentes, porém, como conveniência e mês importam em 250 reais. Nesse mês ele
como medida de exatidão, nosso governo tomou as teria renda pessoal de 50 reais no subsídio
providências para descontar seu imposto na fonte de viagens.
de nosso salário. Embora a pessoa não tenha tanto
dinheiro em mãos no fim da semana ou do mês, Múitas organizações, incluindo a lgreja
este método não a[tera a quantia real do salário que Adventista do Sétimo Dia, compensam
o indivíduo ganha. Essencialmente, sua renda é a seus empregados pelas despesas adicionais
mesma, quer impostos sejam cobrados na fonte ou em que incorrem por usarem seus auto~
pagos numa ocasião posterior. móveis pessoais em seu trabalho. Tal com~

`83~
pensação, se estiver baseada no número Um tipo básico de seguro provê prote~
real de quilômetros percorridos, não cons~ ção contra as principais perdas ou despe~
titui renda pessoal. A compensação de sas que podem ser causadas por desastres
outras despesas relacionadas com o traba~ ou calamidades. Exemplos deste tipo são
1ho, como passagens de avião, não consti~ as garantias de saúde, o seguro de uma
tui renda pessoal. residência contra fogo, o seguro de um
automóvel contra colisões e riscos, etc. A
ProgTtzmcts dc APos€ncczdorjci ~ Reconhe~ recomendação é que os prêmios para este
cemos que é difícil manter registro ou obter tipo de seguro sejam pagos com a renda
informações acerca das contribuições para dizimada.
a Previdência Social durante um período
de até quarenta anos ou mais. Devido a Nesta.base, os pagamentos recebidos de
essa dificuldade, alguns membros dizimam qualquer dessas coberturas não constitui~
a importância total da remuneração antes riam renda pessoal, a menos que excedes~
de descontarem os pagamentos feitos para sem as perdas e despesas reais.
cobertura da Previdência Social, e quando
recebem os benefícios da Previdência Social Outro tipo básico de seguro protege a
têm dizimado a importância total dos bene~ renda futura. Exemplos desse tipo são os
fícios recebidos como aposentadoria. Os seguintes: Compensação do Trabalhador,
membros podem considerar duas outras Seguro de vida, Acidentes, Desemprego e
opções, a saber: lnvalidez. A recomendação é que as provi~
sões de seguros dessa espécie que são efe~
1. Devolver o dízimo sobre a importân~ tuados pelo empregador não constituam
cia total da remuneracão antes de descontar renda pessoal até que sejam recebidos bene~
os pagamentos feitos para a cobertura da fícios dessas provisões. Se uma pessoa parti~
Previdência Social, e ao receber benefícios cipa do custo, ou paga um prêmio completo
começam a dizimar os benefícios depois de de qualquer uma dessas coberturas, a reco~
ter sido recuperada a importância total dos mendação é que os pagamentos recebidos
pagamentos feitos para a cobertura da Pre~ constituam renda pessoal quando excede~
vidência Social dizimados em anos anterio~ rem os prêmios que foram pagos pessoal~
res. mente com a renda dizimada.

2. Devolver o dízimo da importância da Auxílio Ê)ara Tratamento de Saúde - Se


remuneração depois da dedução dos paga~ um empregador provê um plano saúde, a
mentos feitos para a cobertura da Previdên~ fim de cobrir as despesas com a hospitali~
cia Social, e quando recebem os benefícios zação e outras despesas médicas de vulto,
começam a dizimar imediatamente o total e concede assistência direta a outras des-
dos benefícios recebidos como aposentado~ pesas para tratamento de saúde, como ser~
ria. viços para pacientes externos, em que o
empregado incorreu numa base de seguro
Em relação com a Previdência Social, os por conta própria, a recomendação é que
membros devem ter em mente que a Previ~ o membro considere como renda pessoal
dência Social não é somente um plano de o prêmio do seguro para tratamento da
aposentadoria, mas pode abranger também saúde, e dizime também a assistência pro-
os seguintes elementos de renda: benefí~ vida pelo empregador.
cios de invalidez e benefícios de viuvez e de
filhos dependentes. Nas situações em que o empregador
provê toda a assistência para tratamento
B€7iefi'ci.os c!e S€gt"os ~ Os membros fre~ de saúde numa base de plano próprio, o
qüentemente ficam em dúvida, querendo membro poderá preferir o custo aproxi~
saber como relacionar~se com numerosos mado do prêmio que seria requerido para
tipos diferentes de coberturas de seguros de cobrir as tais despesas médicas de vulto.
que participam - alguns dos quais são pro~ Tanto numa base como na outra, pagamen~
vidos como benefícios por seus empregado~ tos para cobrir tais despesas médicas de
res e outros são pagos por eles mesmos. vulto que comumente seriam feitas ao hos~

84,
pital por um plano de saúde não consti~ de despesas médicas. Os empregados que
tuem renda pessoal. recebem auxílio educacional pagam a dife~
rença das despesas educacionais de seus
Exemplo: Um empregador provê cober~ filhos com renda dizimada, e os membros
tura de hospitalização por meio de um que não recebem nenhum auxílio educa~
plano de saúde. A despesa mensal para cional pagam todas as despesas educacio~
cobrir o membro e sua família é de 150 nais de seus filhos com a renda dizimada.
reais. 0 membro devolve o dízimo sobre os Nos casos em que em que o auxílio é outor~
150 reais. No ano passado ele foi subme~ gado uma vez por trimestre ou por semes~
tido a uma cirurgia do coração. 0 total das tre, os empregados poderão dizimar uma
despesas atingiu 25.000 reais, e foi pago parte.do auxílio cada mês.
pelo plano de saúde. 0 membro não seria
obrigado a dizimar o pagamento de 25.000 Há dois tipos de reembolso para as des~
reais se realmente estivesse dizimando o pesas educacionais de um empregado: (1)
custo do plano de saúde que lhe deu a pro~ Quando um empregado decide os cursos
teçao. que irá seguir sem nenhuma exigência do
empregador de que o curso (ou os cursos)
Durante o mesmo ano, o membro estejam relacionados com a atual função
recebeu um auxílio de 2.200 reais para do empregado; e (2) Quando o emprega-
tratamento dentário e diversos outros ser~ dor estimula o empregado a elevar suas
viços como paciente externo. Ele pagaria o qualificações e especifica cursos que estão
dízimo desse auxílio direto. relacionados com a atual função do empre~
gado, tal auxílio poderá resultar em bene~
Nas situações em que o empregador fício mútuo, mas o principal objetivo é
provê hospitalização e proteção contra beneficiar o empregador. Se o preparo
outras despesas médicas de vulto, numa adicional resulta num aumento de remu~
base de plano próprio, o princípio seria neração, o empregado reconhecerá esse
o mesmo. Em cada uma das situações, o benefício dizimando a remuneracão adicio-
empregador poderá fornecer informações nal recebida.
sobre as despesas se a cobertura é efetuada
por um plano de saúde, ou uma estima~ Vczzorjzciçõo d€ Prop".edcicl€s ~ 0 valor das
tiva, se a cobertura é provida numa base de propriedades residenciais podem aumentar
plano próprio. significativamente. No entanto, essa valori~
zação que tem sido ocasionada pela inflação
Talvez muitos membros não tenham e/ou outros fatores, não tem aumentado a
considerado o plano de saúde provido pelo utilidade de uma residência pessoal para
empregador ou o auxílio de despesas médi~ o seu proprietário. Muitos membros têm
cas como renda pessoal. No entanto, isto vivido na mesma casa por muitos anos.
inclui um importante benefício que as
pessoas autônomas têm de pagar por si Por outro lado, outros membros da
mesmas. Supõe~se que a maioria dos mem~ igreja têm mudado uma ou mais vezes em
bros estão pagando sua parte do plano de anos recentes. Muitas dessas pessoas têm
saúde ou das despesas para tratamento de ficado perplexas, desejando saber se devem
saúde de sua renda dizimada. Parece ser devolver o dízimo sobre o lucro de sua casa,
lógico que a importância total desses bene~ embora tivesse de reinvestir imediatamente
fícios seja considerada renda pessoal. o produto da venda numa casa similar na
nova localização.
AtÁxílios EdtÁccicíoncijs ~ A ajuda provida
pelo empregador para cobrir as despesas Tem~se adotado a posição de que a
com a instrução dos filhos de um empre- pessoa éuja mudança ocorre a pedido de
gado é benefício pessoal para este último, seu empregador, ou que, por motivos pesso-
quer seja ou não relatada na declaração do ais, decide mudar~se, talvez não tenha mais
lmposto de Renda como renda tributável. obrigação de dizimar a valorização eqüita-
Acontece a mesma coisa com outros bene~ tiva de uma residência pessoal do que a
fícios isentos de impostos, como o auxílio pessoa que continua morando numa resi~

~85~
dência que aumentou o valor. Contudo, as Emprcgczdos D€7iomínczc[.o7icijs ~ Os
respostas dos questionário indicam que há empregados denomirLacionais deuem deuol-
duas escolas de pensamentos quanto a esta vcr o dízjmo d€ toc!cz ci st/cz r€m%ne7.czÇõo
questão. Alguns acham que se o lucro foi me71Sczi.7
realizado por ocasião da venda, ele devia
ser dizimado nessa ocasião, mesmo que seja Resposta: Sim. A remuneração denomi~
reinvestido noutra residência. Cada pessoa nacional inclui subsídios que são renda pes~
terá de tomar sua própria decisão sohre soal, a não ser que sejam contrabalançados
isso. por despesas reais relacionadas com o tra~
balho.

Respostas Sugestivas CaTás de ÍgTeja , A Ígreja aheTou Sua


Posição sobre a fidelidade no dízimo como
Crítérios do Gouemo ~ Com respcíto czo Tequisito t]aTa teT Um CaT8O na i8reja?
di'zho, c!evc tÁm j7icííüídtm s€gwjr os crítc'rjos
c]o goverm Pmcz d€C€rmi.7icir o qt% c' T€nd4? Resposta: Não. "Os obreiros da Asso~
ciacão ou Missão e os anciãos e outros ofi~
Resposta: Não necessariamente. Os ciai's da igreja, bem como os diretores das
governos podem classificar alguns subsí~ instituições, devem reconhecer que é prin~
dios como benefícios não tributáveis. No cípio de boa direção na obra de Deus, que
entanto, alguns desses subsídios benefi~ se dê um bom exemplo nesse assunto da
ciam uma pessoa ou família de modo entrega do dízimo. Ninguém que não se
monetário, constituindo assim uma parte conforme com esta norma da igreja deve
da renda pessoal. ser mantido no seu cargo, seja como ofi~
cial da igreja local ou obreiro da organiza~
Renda BTuta Ajustada ~ A renda bTuta cão.„36
ajustada PaTa fins de Pagamento de imf]ostos
é a mesma que a Tenda Pessoal Para fins de
deuolução do dízimo? REFERÊNCIAS
[ Ellen G. White, Cons€Ihos sobre Mordom.cz (Santo
Resposta: Nem sempre. Há alguns André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1968),
tipos de renda que podem ser excluídos 72.

para fins de pagamento de impostos, mas 2 ibidem,113.


continuam sendo renda pessoal do indiví~ 3 Ellen G. White, Tcscemtnhos Sczctos (Santo André,
duo.
SP: Casa Publicadora Brasileira,1970), 1:367.

4 Ellen G. White, Tcsti.monjes foT C7i€ Chw7.ch (Mon~


CôTTjuges Não Aduentistas - Qual áeue
ser ci cz£jtttdc Pcmcz com o dízz.mo cZos mcmb7.o tain View, CA: Pacific Press,1948), 6:103~104.

cujo cônjuge não é aduentista? 5 E11en G. White, Pcicrícircas c Profefc{s (Tatuí, SP:

Casa Publicadora Brasileira, 1993), 558.


Resposta: A renda recebida pelo côn~ 6 E+ler\ G. WhLte, Consdhos aos ProfessoTes, Pais e
juge que é membro da igreja do cônjuge Estwczcmt€s (Santo André, SP: Casa Publicadora
que não é membro deve ser dizimada, se Brasileira, 1975), 392.
isto for possível. ] Consdhos sobre MOTdomia, 66.

Pessoas intemadas em Asilos - Qual é a 8 Tlestimonies for the ChuTch, 3..41L., Reuiew and

responsabilidade PaTa com o dízimo das E]es- H€rczzd, 19 de maio de 1893.

socis cw7.o í7itcmcim€7i£o €m c]sÍ]os o% €m hos~ 9 Conselhos sobTe MOTdomia, 80-81.

Pitais PaTticulaTes está sendo subsidiado i]oT io ibidem, 93.


czgênc].cLs do gov€mo c qt# sÓ reccb€m tÁ7Ticú
11 |bidem, 250.
|)equena ajuda PaTa seu uso Pessoal?
i2 ibidem, 73.
Resposta: Elas devem devolver o dízimo
±3 r|Zestemunhos Sehtos, 1..385.
sÓ da ajuda.

~86~
]4 Ellen G. White, Pc[rábo`czs dc JestÁs (Santo André, Z6 Conselhos sobTe Mordomía, 81.

SP: Casa Publicadora Brasileira, 1976), 300. 27 ibidem, 82.


L5 Lestemunhos Seletos, L..548.
28 ibidem, 79.
i6 ibidem, 563.
Z9 ibídem, 97.
+7 Conselhos sobTe Mordomía, 347.
3° Ellen G. White, Mc[7"4l dci Jgrejci, Edição de 1981
Is r|iestemunhos Seletos, L..386.
(Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira,
1981), 165.
L9 Conselhos sobre MOTdomia, +5.
3i ibjd€m, 164.
20 |bidem, 22.
32 Téstimonies foT the ChuTch, 9..Z47.
Zi ibidem, 106.
33 ibideh, 248.
22 Rcui.€w c3nd H€rcild, 9 de maio de 1893.
34 Revíew ctnd H€rczJd, 31 de julho de 1879.
23 Rcuíew cmd Herci]d, 1o de dezembro de 1896.
35 0. A. Troy Sr., "Deve,se Dizimar o Salário Total?,"
24 R€ví€w cmd Hercz!d, 6 de abril de 1876, 108.
Reuiew and HeTald, 7 de £everelro de +957.
25 r|ZestimorLies for the ChuTch, 4:474.
36 Manua| da lgTeja, 165.

~87~