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A n B l i ~PSicológi~(1988), 2 (Vi): 165-182

Modelos psicológicos
da Depressão e expectativas
de Controlo do Reforço

l O Á 0 DOS SANTOS RELVAS (*)

Na generalidade todas as escolas e cor- patológicos. Em certa medida existe alguma


rentes psiquiátricas e da psicologia clínica contradição entre esta abordagem e as de
aceitam que, entre outros aspectos, a saúde alguns modelos psiquiátricos que, na me-
mental está relacionada de forma bastante lhor tradição do modelo médico, preferem
directa com as percepções que cada um utilizar uma divisão categoria1 em entida-
vai desenvolvendo de si próprio, da reali- des distintas.
dade e do mundo envolvente, bem como Dentro da gama de utilizações dos me-
da capacidade de actuação psico-social de delos de aprendizagem social os comporta-
forma eficaz, controlada e autónoma. mentos anormais ou inadaptados, presentes
A teoria da aprendizagem e em parti- nas perturbações emocionais, são encara-
cular as diversas teorias da aprendizagem dos como aprendidos para obtenção de
social (que se aplicam ao estudo do desen- gratificações e minimização de punições,
volvimento da personalidade e aprendiza- sujeitos às mesmas leis de aquisição, mo-
gem de comportamentos socialmente rele- dificação e extinção dos outros comporta-
vantes) não fornecem indicações especifi- mentos. Existe assim uma aproximação
camente aplicáveis 2 psicopatologia, para teórica entre as áreas da psicopatologia e
além dos princípios referentes ao compor- da aprendizagem de forma que o que é
tamento social em geral. relevante para a aprendizagem humana em
Esta abordagem implica a noção de uma geral é também relevante para a psicopato-
certa continuidade dos comportamentos so- logia.
ciais entre os fenómenos designados como Na presente revisão, pretendemos abor-
normais, adaptativos ou desejáveis e os dar resumidamente a noção de expectativa
fenómenos anormais, inadaptados ou psico- de controlo, derivada da teoria da aprendi-
zagem social e a forma como as diferentes
teorias psicológicas da depressão integram
(*) Professor Auxiliar de Psiquiatria da Fa- este conceito, passando em revista alguns
culdade de Medicina de Coimbra e Assistente
Hospitalar de psiquiatria dos Hospitais da Uni- estudos experimentais e de índole clínica
versidade de Coimbra. efectuados nesta área.

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CONTROLO E PERCEPÇÃO evidente em muitas teorias e formulações
DO CONTROLO de psicologia social.
As pessoas diferem na percepção daquilo
O conceito de controlo é central na teo- que lhes acontece, que é percebido como
ria da aprendizagem social de Julian Rotter sendo o resultado dos seus próprios com-
e tornou-se mais importante e popular do portamentos e atributos (controlo interno)
que a teoria em que se integra. versus o resultado da sorte, destino, acaso,
A noção de Locus de Controlo (L. C.) ou da acção de outras pessoas ou institui-
refere-se ao estudo da percepção de uma ções poderosas ou influentes (controlo ex-
relação entre o comportamento e as suas terno) (Rotter, 1975).
consequências de uma atribuição causal do A externalidade pode ser dividida em
reforço. Constitui a expectativa generali- dois factores, conforme a atribuição é feita
zada mais importante desta teoria. Tem ao controlo de outros mais poderosos ou
sido empregue em numerosos estudos ex- ao acaso ou sorte. A externalidade atribuída
perimentais e clínicos e reflecte a prepon- à sorte ou ao acaso congruente ou genuína.
derância actual que as teorias de aprendi- O conceito de Locus de Controlo deve
zagem e as teorias cognitivas têm nas apli- distinguir-se do conceito de expectativa de
cações clínicas e nas formulações teóricas. auto-eficácia de Bandura (Bandura, 1977).
A expectativa de reforço diz respeito 2i O L. C. é uma expectativa ligada às con-
probabilidade, avaliada pelo indivíduo de sequências do comportamento. Diz respeito
que um determinado reforço ocorrerá em & probabilidade percebida pelo indivíduo
função, ou como consequência, de um com- de um dado comportamento conduzir a
portamento específico da sua parte, numa uma determinada consequência.
dada situação ou conjunto de situações. A expectativa de auto-eficácia de Ban-
Esta expectativa é de natureza subjectiva dura diz respeito 2i convicção de capacidade
e independente do valor ou da importância de execução e persistência nos comporta-
do reforço. mentos necessários para produzirem as
Esta probabilidade subjectiva ou interna consequências desejadas. Esta expectativa
depende em larga medida das experiências foi inicialmente enquadrada por Bandura
prévias e da forma como essas experiências num esquema teórico que procurava expli-
foram percebidas pelo indivíduo. Pode ser car as modificações psicológicas consegui-
diferente da probabilidade «real» e ser in- das por diferentes modelos e modos de
fluenciada, para além da percepção de ex- tratamento, através de um processo cogni-
periências prévias, por outros factores que tivo comum.
incluem a natureza ou categorização da
situação, padrão de apresentação, estímulos DEPRESSA0 E LOCUS DE CONTROLO
discriminativos presentes, generalizações,
singularidade dos acontecimentos e percep- As relações entre o L. C. e a depressão
ção da causalidade. têm sido investigadas numa perspectiva
As origens dos conceitos de controlo e cognitivo-comportamental. Esta abordagem
dos agentes do controlo são bastante anti- deriva da aplicação e extensão dos princí-
gos em psicologia. A noção de que as pes- pios do condicionamento clássico e ope-
soas tentam dominar e controlar o seu am- rante de forma a englobar as teorias de
biente não é nova e tem um papel impor- aprendizagem social e modelos derivados
tante e central em muitas formulações das teorias cognitivas.
teóricas. A importância da percepção do Os diversos modelos teóricos propostos
mundo como controlável e predictível é para uma análise funcional da depressão

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dificilmente podem ser classificados duma sua abordagem. As teorias que salientam
forma rigorosa pois mantêm entre si bas- o papel do afecto como mediador referem-
tantes aspectos comuns. Alguns modelos -se h função da ansiedade condicionada
permitiram um enorme volume de estudos classicamente na indução e manutenção do
experimentais em que se investigaram algu- estado depressivo. As teorias operantes va-
mas alterações que se julgam características lorizam o papel das consequências e dos
da depressão e se tentou fazer a sua gene- esquemas de reforço, colocando assim a
ralização para situações clínicas. Outros ênfase nos aspectos ambienciais. Por úl-
modelos permitiram uma aplicação directa timo, as teorias do auto-controlo valorizam
h clínica, fornecendo princípios e processos a mediação dos processos cognitivos. Estas
que foi possível testar e validar directamente últimas aproximam-se muito de algumas
em doentes deprimidos. teorias cognitivas.
A teoria da aprendizagem social de Como algumas destas teorias estão muito
Rotter não fornece um modelo específico próximas umas das outras nos seus concei-
da depressão. No entanto, o conceito de tos fundamentais, parece preferível optar
L. C. pode ser identificado claramente em por uma descrição das contribuições dos
vários modelos teóricos e especialmente no diversos autores mais significativos nesta
modelo do «desamparo aprendido» de Se- área. Algumas abordagens não são propria-
ligman, tendo levado a um conjunto impor- mente teorias, mas sim formulações mais
tante de trabalhos experimentais e clínicos. ou menos restritas que só permitem uma
As várias descrições do comportamento visão parcial da depressão, mas que possi-
depressivo têm sido efectuadas usando o bilitam uma integração em modelos de com-
paradigma da aprendizagem social. A pre- plexidade crescente e também importantes
missa fundamental, subjacente a pratica- aplicações práticas.
mente todos os modelos, é ser a depressão A depressão tem sido conceptualizada
encarada como um conjunto particular de em quase todas as teorias comportamentais
comportamentos que são uma consequência como o resultado dum fenómeno de extin-
natural de condições anómalas de reforço. ção que explicaria os comportamentos em
Desta forma, a primeira tarefa na investiga- defeito e em excesso, as alterações do hu-
ção e na clínica será proceder a uma aná- mor e a baixa da motivação, bem como as
lise funcional do comportamento depressivo manifestações cognitivas.
de maneira a identificar, e se possível ava- Os modelos divergem nas vias propostas
liar, as alterações no sistema de reforços para conceptualizar a extinção e no papel
que desencadeiam e mantêm uma pertur- relativo dos factores mediadores.
bação afectiva. A primeira abordagem comportamental
é feita por Skinner que descreve a depres-
são como um comportamento que se extin-
TEORIAS COMPORTAMENTAIS gue devido h interrupção de contingências
DA DEPRESSA0 de reforço do ambiente social do deprimido.
Wolpe, no seu modelo de depressão sa-
As teorias comportamentais da depressão lienta o papel desempenhado pela ansiedade
podem ser divididas de forma esquemática, condicionada. Dado que certos estímulos
de acordo com o processo mais importante despertam respostas emocionais condicio-
ou mais saliente na sua indução ou manu- nadas o indivíduo passa a evitá-los. Quando
tenção. Assim, podem ser classificadas em estes estímulos estão também ligados a im-
três grandes grupos conforme salientam a portantes fontes de gratificação impedem
mediação de certos factores específicos na a obtenção de reforços, levando h depres-

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são. Na sua primeira formulação, Wolpe Ferster coloca a ênfase nas consequências
aceitava também que níveis excessivamente da resposta, valorizando sobretudo as con-
altos de ansiedade pudessem ser directa- sequências negativas, o controlo aversivo,
mente convertidos em depressão. A depres- a que o deprimido está exposto. Considera
são seria uma mera consequência de ini- a depressão como sendo caracterizada por
bicão protectora que actuava quando a lentificação do pensamento e dos processos
ansiedade se tornasse muito prolongada e psicomotores e por uma redução ou ausên-
intensa. Mais tarde, Wolpe aproxima o seu cia dos comportamentos que anteriormente
modelo do conceito de «desamparo apren- tinham sucesso na obtenção de reforços p~
dido» de Maier e Seligman (Wolpe, 1973). sitivos. Assim, a característica essencial dum
Explica a depressão reactiva ou a depres- deprimido é a seduzida frequência de emis-
são neurótica através de três tipos de cir- são de comportamenots reforçados positi-
cunstâncias : vamente. As situações que poderiam condu-
zir i depressão, seriam para Ferster:
a) como consequência de ansiedade pro-
longada e intensa; a) mudanças ambienciais súbitas que
b) como incapacidade de controlar si- originassem baixos níveis de reforços;
tuações interpessoais; b) altos níveis de punição ou controlo
c) como exagero e prolongamento duma aversivo;
reacção normal a uma perda. c) mudanças nas contingências de re-
forço tomadas possíveis pela remo-
Propõe como abordagens terapêuticas a ção de estímulos discriminativos para
dessensibilização sistemática, o treino de as sequências resposta-reforço.
auto-afirmação e aquisição de aptidões so-
ciais e programas de tarefas graduadas, re- A consequência última de todas estas
forçadas positivamente, idênticas às propos- situações seria a baixa da taxa e ritmo do
tas por Lewinsohn. comportamento. Ferster salientou também
Lazarus vê a depressão como função de que muitos deprimidos restringiam extraor-
reforços inadequados ou insuficientes. Con- dinariamente a gama de pessoas com quem
siderou também o deprimido como estando interactuam, tornando-se assim extrema-
num programa de extinção, com a baixa mente vulneráveis e sensíveis a qualquer
dos reforços a resultarem num enfraqueci- ausência ou mudança no comportamento
mento do reportório. A sequência temporal dos outros. Também, a actividade do de-
do que se passa quando um reforço impor- primido é sobretudo passiva, reactiva aos
tante e significativo é retirado é a seguinte: estímulos ambienciais e às iniciativas aver-
o indivíduo entra num estado de reacção sivas dos outros e poucas vezes emitida li-
psicológica & perda, que melhora quando vremente pelo próprio, Neste contexto a
reconhece e utiliza outros reforços ii sua interacção social tem poucas possibilidades
disposição. Se não possui as aptidões ne- de se tornar gratificante para o deprimido.
cessárias, se lhe falta a oportunidade ou a Ferster também considera a incapacidade
capacidade para reconhecer e utilizar outros para lidar com as consequências sociais
reforços disponíveis, resulta uma situação aversivas, para as evitar ou para escapar
aguda ou crónica de não obtenção de refor- delas, como um antecedente da depressão.
ços que pode levar a uma condição em Dois tipos de acções podem ocorrer quando
que o indivíduo se torna relativamente re- se está perante uma situação aversiva:
fractário a um grande número de estímulos acção directa, que pode alterar a situação
e entra num estado de depressão. ou actividade indirecta passiva, que unica-

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mente confirma a situação. Esta actuação O modelo de Lewinsohn (1975) tal como
passiva leva a uma falta de clareza sobre a maior parte dos outros modelos, concep-
a realidade do ambiente social, Os deprimi- tualiza a depressão como um comporta-
dos apresentam uma visão limitada do mento em extinqão. A falta de reforços so-
mundo, negativa e relativamente estável e ciais desempenha o papel central no desen-
fixa. Para além do baixo nível de emissão cadeamento e na manutenção da depressão.
de comportamentos reforçados positivamen- A falta de reforços faz surgir um estado
te, Ferster acentua a passividade e as dis- disfórico que determina o aparecimento de
torções perceptivas e cognitivas do depri- novos sintomas que caracterizam o compor-
mido, estas últimas radicando na história tamento do deprimido. Além dos sentimen-
do desenvolvimento pessoal. Existem alguns tos disfóricos de tristeza e angústia o de-
dados experimentais que demonstram a primido apresenta comportamentos em ex-
sensibilidade dos deprimidos à estimulação cesso e em defeito e sintomas cognitivos
aversiva. (culpabilidade, auto-depreciação) e vegeta-
O comportamento depressivo pode repre- tivos (alterações funcionais várias, pertur-
sentar também uma estratégia que adquiriu bações das funções biológicas fundamen-
propriedades de reforço por facilitar o evi- tais).
tamento ou a fuga a estímulos sentidos O modelo proposto por Lewinsohn difere
como mais aversivos. Por outro lado, o dos outros por salientar a relação causal
evitamento de situações sociais resulta por entre a baixa taxa de reforço positivo con-
sua vez em maior isolamento e eventual- tingente 21 resposta e os sentimentos de dis-
mente menor aquisição e desenvolvimento foria, por acentuar o papel que o ambiente
de aptidões sociais (Lewinsohn, 1975; Ho- social exerce na manutenção do comporta-
Ilon e Beck, 1979). mento depressivo e a importância da falta
Costello propõe como causa da depres- de aptidões sociais como uma antecedente
são uma perda da efectividade do reforço. da baixa de reforço positivo. Defende que
Sugere que esta perda da efectividade do a baixa taxa de reforço positivo contingente
reforço pode ser devida a alterações endó- 5 resposta pode actuar como um estímulo
genas, bioquímicas, neuronais ou interrup- incondicionado para alguns sintomas de-
ções das cadeias ou sequências comporta- pressivos, como por exemplo, os sentimen-
mentais. Estas últimas referem-se às liga- tos disfóricos, a fadiga e outros sintomas
ções estreitas e recíprocas, mutuamente in- somáticos. O ambiente social, pelo menos
terdependentes que existem entre os com- nas fases iniciais, pode reforçar e manter
portamentos, os estímulos e os reforços. o comportamento mal-adaptativo apresen-
A perda de um componente da cadeia ou tado pelo deprimido através das preocupa-
sequência comportamental interrompe a ções expressas, do interesse e da simpatia
efectividade de todos os reforços subse- que lhe são dispensados. Este tipo de re-
quentes. forços é normalmente dispensado por um
E um facto bem conhecido a aparente pequeno segmento social do deprimido,
perda do interesse nos reforços que se normalmente a família. Contudo, ao fim de
observa na depressão. Lazarus refere a este algum tempo, mesmo a família mais pró-
propósito que a dificuldade consiste em de- xima pode começar a encarar o comporta-
terminar se este fenómeno é um efeito ou mento depressivo como altamente aversivo
uma causa da depressão. Provavelmente o e a procurar o evitamento, acentuando
agente mediador da efectividade do reforço assim o isolamento social do deprimido e
é constituído pelo esquema cognitivo (Car- diminuindo a sua possibilidade de obter
son e Adams, 1981). reforços positivos, agravando a depressão.

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As aptidões sociais, definidas como emis- Sentindo-se mal e sendo-lhe difícil rotular
são de comportamentos que são reforçados a maneira como se sente, tende a fazer atri-
positivamente pelos outros, são encarados buições que lhe são familiares («estou
como um deficite importante no desenvol- doente» - sintomas hipocondríacos; «SOU
vimento e manutenção da depressão. fraco e não presto» - baixa auto-estima,
A baixa da taxa de reforço contingente sintomas de culpabilidade, etc. (Lewinsohn,
?I resposta pode resultar duma lenta e insi- 1975; Lewinsohn e Hoberman, 1982).
diosa redução dos reforços disponíveis e ser A abordagem terapêutica proposta por
dificilmente detectável inicialmente, ou Lewinsohn tem como função restaurar um
pode ser causada de forma abrupta por um esquema adequado de reforços positivos
acontecimento vital precipitante, como uma modificando o nível, a qualidade e a gama
perda ou prejuízo importante. Os indiví- das actividades e interacções do deprimido.
duos que se deprimem neste último caso, Para isso recorre a várias estratégias da
depois de um acontecimento vital indutor intervenção terapêutica adaptadas especifi-
de stress, provavelmente não possuem as camente para cada caso, dependendo das
aptidões necessárias para despertarem um circunstâncias responsáveis pela baixa de
maior apoio e suporte de que passam a reforços. Uma análise funcional com fins
necessitar, sem induzirem sentimentos ne- diagnósticos e de intervenção é assim o pri-
gativos nos outros e que levam ao seu afas- meiro passo para identificar as actividades
tamento. Os reforços obtidos de forma não específicas e acontecimentos que são po-
contingente não parecem poder diminuir o tencialmente reforçadores para o indivíduo.
estado de depressão. Para Lewinsohn é de Lewinsohn faz uso de «programa de activi-
prever o aparecimento da depressão quando dades» em que o deprimido executa diaria-
a probabilidade de o comportamento indi- mente e regista comportamentos e activi-
vidual ser seguido por reforços contingentes dades potencialmente gratificantes. Existe
for baixa e também quando a probabilidade uma correlação entre actividades agradá-
de o indivíduo ser «reforçado» quando não veis e nível de humor. Também usa tarefas
emite o comportamento for alta (reforço graduadas que são progressivamente aumen-
não contingente). tadas no seu nível de exigência. O tera-
No deprimido surgem frequentemetne al- peuta e os familiares actuam como agentes
terações cognitivas que apresentam alguma fornecedores de reforços sociais ou outros
variação de indivíduo para indivíduo. Baixa quando as tarefas são completadas com
auto-estima, pessimismo e sentimentos de êxito. Quer nos «programas de actividade»
culpa são algumas das alterações ou distor- quer nas tarefas graduadas é importante a
ções cognitivas frequentemente encontra- escolha das que elicitam «afectos incompa-
das. Nas teorias cognitivas, sobretudo no tíveis» com a depressão. Para melhorar as
modelo de Beck (1967; 1976) têm uma im- dificuldades na obtenção de reforços sociais
portância centraI, sendo-lhes atribuído o Lewinsohn preconiza, quando necessário,
principal papel causador da depressão. Para o uso do treino de auto-afirmação, o treino
Lewinsohn têm unicamente um papel aces- de aptidões sociais e dessensibilização.
sório, resultante de elaborações secundárias Duas outras teorias da depressão mere-
a partir dos sentimentos disfóricos, que por cem um destaque ?I parte pela importância
sua vez resultam da baixa taxa de reforço de que se revestem no aspecto teórico, pe-
contingente resposta. Inicialmente o indi- las aplicações clínicas e pelos trabalhos de
víduo que fica deprimido experimenta um investigação em que se apoiam. Ambas va-
estado afectivo desagradável. Este estado lorizam os aspectos cognitivos. Uma, a feo-
disfórico é o fenómeno chave da depressão. ria do «desamparo aprendido» de Seligman

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(learned helplessness), aplicada k depressão das vezes os ratos manuseados dentro da
e desenvolvida a partir de experiências labo- tina de água.
ratoriais, está conceptualmente muito pró- Estes procedimentos parecem fornecer ao
xima da noção de Locus de Controlo desen- rato um sentido de controlo sobre a situa-
volvida por Rotter na sua teoria da apren- ção causada pelo traumatismo a que não
dizagem social (Hiroto, 1974). Quer a teo- pode escapar e uma expectativa de que a
ria do «desamparo aprendido» quer o situação aversiva irá terminar, pelo que o
conceito de L. C. têm como variável fun- rato não desiste prematuramente de lutar.
damental o controlo sobre o reforço. A ou- O manuseamento é uma situação altamente
tra teoria que se destaca é a teoria cognitiva stressante em que não tem controlo e a
de Beck que, sendo uma teoria cognitiva, que o animal não pode responder da forma
utiliza no entanto conceitos e técnicas cogni- habitual, lutando ou fugindo (fight or
tivas e comportamentais, distinguindo-se flight), porque se encontra impossibilitado
assim das abordagens estrictamente cogniti- de dar respostas instrumentais, o que leva
vas ou cognitivo-semânticas como, por a um estado de desesperança (hopelessness)
exemplo, a terapêutica racional-emotiva de em que literalmente desiste completamente
Albert Ellis. Nesse sentido pode dizer-se sob todos os aspectos.
que a teoria de Beck é uma teoria cognitivo- Outro estudo sobre os efeitos de con-
-comportamental (Beck e col. 1979). trolo diz respeito h experiência do «macaco
executivo» de Brady.
Dois grupos de quatro macacos foram
A TEORIA DO «DESAMPARO APRENDIDO»
DE SELIGWN
dispostos de forma que um dos grupos tinha
controlo sobre choques eléctricos que eram
As primeiras experiências com animais sinalizados e podiam ser evitados premindo
sobre o controlo das contingências positivas uma barra. O outro grupo estava empare-
e negativas, iniciaram-se com Mowrer, ten- lhado com o primeiro não tendo qualquer
do este provado que os ratos mostravam controlo sobre os choques eléctricos, em-
menos medo dum estímulo aversivo quando bora estando exposto aos mesmos, quando
podiam exercer algum controlo para termi- o grupo «executivo» não dava respostas
nar a estimulação aversiva. com êxito. Os «executivos» desenvolveram
úlceras de estômago e morreram, a que já
Mais tarde, Richter descobriu acidental-
foi interpretado como um efeito da resposta
mente o fenómeno da morte súbita em ratos
ao stress e apontado como um exemplo tí-
selvagens depois do manuseamento. Depois
pico duma doença «psicossomática». No
de segurar os ratos até deixarem de se de-
entanto, estes resultados que aparentemente
bater, estes afogavam-se numa tina de água
contradizem o valor da percepção do con-
de paredes lisas ao fim de 30 minutos, en-
trolo e do controlo realmente experimen-
quanto que os ratos não manuseados só se
tado devem-se a um artefacto experimental
afogavam ao fim de cerca de 60 horas.
resultante da forma como se distribuiram
Descobriu também que podia prevenir esta
morte súbita por uma técnica de imuniza- os animais entre os dois grupos. Assim, to-
ção. Segurando o rato e libertando-o repeti- dos foram testados como «executivos» mas
das vezes antes de o colocar na tina de só os quatro mais rápidos a aprenderem a
água a morte súbita não acontecia e os ra- resposta de evitamento premindo a barra
tos nadavam o mesmo tempo que os não foram colocados na posição de «executi-
manuseados. Também podia prevenir a VOS». Mais tarde demonstrou-se que quanto
morte súbita se retirasse e colocasse repeti- mais emotivo um animal é, mais rapida-

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mente aprende a resposta de evitamento a man usou três grupos de animais. Um
um estímulo aversivo. Assim, os animais grupo foi exposto a estimulação aversiva
mais emotivos foram os «executivos» e os que pôde controlar. Um segundo grupo foi
mais estáveis os passivos. emparelhado com o anterior, só que não
Mais tarde Weiss repetiu esta mesma teve controlo sobre a situação, embora esti-
experiência com ratos, fazendo uma distri- vesse exposto mesma quantidade de esti-
buição aleatória dos animais pelos diferen- mulação aversiva. Um terceiro grupo não
tes grupos e variando as formas de sinali- recebeu qualquer pré-tratamento. Este pro-
zação do estímulo aversivo. Os animais jecto experimental permitiu garantir que
«executivos» apresentaram menos úlceras não foi o choque em si, mas a aprendiza-
do que os passivos e estes perderam mais gem de que o choque é incontrolável que
peso e apresentavam sinais de maior emo- é responsável pela indução do «desemparo
cionabilidade (Lefcourt, 1976, 1982). aprendido».
Este tipo de trabalhos conduziu Selig- Seligman descobriu que um animal podia
man e colaboradores a investigarem, a par- ser «imunizado» quanto & aprendizagem do
tir de 1976, os efeitos da não controlabi- desamparo. Se antes do tratamento de ex-
lidade da estimulação aversiva no animal posição i estimulação aversiva incontrolá-
e no homem. Os estudos a nível experimen- vel fosse previamente exposto & estimulação
tal foram efectuados usando o modelo de aversiva controlável, então o animal não
aprendizagem de respostas de fuga e evi- desenvolvia o estado de «desamparo apren-
tamento. dido» e respondia normalmente, como se
Quando o animal de experiência, neste nunca tivesse sido exposto & incontrolabi-
caso o cão, é exposto a estimulação aver- lidade. Por outro lado, um animal em es-
siva a que não pode escapar (choques eléc- tado de «desamparo aprendido» não apren-
tricos) e portanto incontroláveis, não de a dar a resposta instrumental de fuga
aprende posteriormente a dar respostas de ou evitamento na situação de controlabili-
fuga e evitamento perante estímulos aver- dade, sendo necessário forçá-lo a responder
sivos em situações de controlabilidade. repetidas vezes, arrastando-o ou puxando-o
Neste caso, quando o cão é colocado numa através da cancela na altura da estimula-
caixa com o fundo electrificado e em que ção aversiva, até que lentamente comece a
pode controlar o choque através duma res- iniciar e a manter com êxito as respostas
posta instrumental (saltar a cancela para de evitamento ou de fuga. É necessária uma
o outro lado) comporta-se como se não quantidade apreciável desta «terapêutica
tivesse controlo sobre a situação e recebe directiva» até que o animal se passe a com-
o choque passivamente. Foi induzido no portar normalmente, o que mostra os efei-
animal um estado de «desemparo aprendi- tos profundos e duráveis do «desamparo
do» pela exposição prévia a estimulação aprendido» (Seligman, 1975; Maier e Se-
aversiva sobre a qual não tinha qualquer ligman, 1976).
controlo. Um animal sem qualquer expe- A exposição & estimulação aversiva in-
riência prévia de estimulação aversiva in- controlável parece impedir a aprendizagem
controlável, quando colocado na caixa, ra- futura de respostas adaptativas em situa-
pidamente aprende a iniciar com êxito ções de controlabilidade. O animal aprende
respostas de fuga ou evitamento perante a que não existe qualquer ligação entre o seu
estimulação aversiva e nunca mais apanha comportamento (as respostas que possa
qualquer choque. Para separar os efeitos da emitir) e o terminar da estimulação aver-
controlabilidade sobre a estimulação aver- siva. Aprende assim que respostas e conse-
siva, da estimulação aversiva em si, Solig- quências são independentes e deixa de res-

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ponder, aceitando passivamente a nova si- as definições do termo não são inteiramente
tuação, Esta aprendizagem e as expectati- coincidentes. No caso do Locus de Controlo
vas que forma impedem que faça uma ava- lida-se com a percepçáo do controlo, en-
liação correcta e uma percepção da nova quanto que o «desamparo aprendido» se
situação de controlabilidade quando esta refere à falta de controlo realmente experi-
surge. Existe assim um fenómeno de inter- mentado (Hiroto, 1974).
ferência proactiva que impede a percepção O «desamparo aprendido» provoca alte-
da contingência quando esta surge. A falta rações importantes a nível motivacional,
de controlo sobre o reforço e a expectativa cognitivo e emocional. Depois da resposta
de que resposta e reforço são independen- ter sido emitida a informação sobre a con-
tes parece ser o aspecto fundamental do tingência leva à representação cognitiva da
«desamparo aprendido». Depois de o ani- contingência, que Seligman designa como
mal aprender que não pode controlar o que a expectativa de a resposta e as consequên-
lhe acontece, a motivação para emitir res- cias serem independentes. Esta expectativa
postas de fuga ou evitamento está dimi- é responsável pelas perturbações motivacio-
nuída. Como emite menos respostas, tem nais, cognitivas e emocionais.
menos probabilidades de fazer uma correc- A nível motivacional deixa de haver in-
ção das suas expectativas e assim a situa- centivo para iniciar respostas voluntárias,
ção de «desamparo aprendido» tende a visto não haver expectativa de que a res-
manter-se. posta produza resultados. Esta baixa de mo-
O paralelo entre esta situação e o que tivação leva 5 passividade observada no
se definiu anteriormente como L.C. externo animal de experiência , que aparentemente
é evidente. O «desamparo aprendido» é a se generaliza a outras áreas.
aprendizagem de que resposta e reforço são A nível cognitivo a experiência de incon-
independentes e a interferência que este trolabilidade interfere com a capacidade de
facto tem nas respostas futuras. O L. C. aprender novas contingências quando elas
externo é a percepção do reforço como in- surgem. A incontrolabilidade, por fornecer
dependente do comportamento do próprio uma expectativa que se generaliza inapro-
e atribuído a factores externos como a sorte priadamente distorce a percepção do con-
e o acaso ou a influência de outros pode- trolo. A aprendizagem de que uma conse-
rosos. quência é independente da resposta pro-
Algum apoio para a semelhança concep voca uma interferência proactiva na nova
tua1 entre as duas formulações é fornecido aprendizagem de que uma dada resposta
pelos estudos experimentais referentes às produz uma consequência desejada.
expectativas de êxito em tarefas de aptidão A nivel emocional, a primeira resposta à
(Klein e Seligman, 1976). Os indivíduos estimulação aversiva incontrolável corres-
expostos a «desamparo aprendido» mostra- ponde a um aumento da ansiedade e acti-
vam mudanças menores de expectativa, o vação geral. Este estado diminui quando o
que sugere uma atribuição ao controlo in- animal de experiência aprende por fim que
terno. As tarefas dependentes de aptidão não tem qualquer controlo sobre a estimu-
ou perícia são percebidas pelos indivíduos lação traumática e é progressivamente subs-
em «desamparo aprendido» como se fossem tituído por um estado depressivo.
tarefas de sorte ou de acaso (Abramson e Em resumo, a expectativa de que uma
col., 1978; Garber e Hollon, 1980). contingência é independente da resposta
A noção de controlo é central, quer para reduz a motivação para controlar os resul-
o conceito de «desamparo aprendido)) quer tados, interfere com a aprendizagem de que
para o conceito de Locus de Controlo, mas a resposta controla as consequências e, se

173
estas forem traumáticas, produz inicialmente Esquema cognitivo negativo, que im-
medo, enquanto o indivíduo tem dúvidas pede a aprendizagem de novas con-
quanto ii incontrolabilidade e posterior- tingências,
mente depressão (Seligman, 1975). Duração no tempo - o «desamparo
O modelo do «desamparo aprendido» foi aprendido» dissipa-se ao fim de al-
também longamente experimentado no ho- gum tempo quando induzido por
mem e proposto como modelo laboratorial uma Única sessão, mas tende a per-
da depressão (Hiroto, 1974; Klein e Selig- sistir com sessões múltiplas.
man, 1976; Seligman, 1975). No caso dos Baixa da agressividade - quer o de-
estudos no homem a estimulação aversiva primido quer o animal de experiên-
e incontrolável a que se recorreu revestiu cia iniciam menos respostas agressi-
várias formas desde choques eléctricos, vas e competitivas e o seu estado de
ruído desagradável, tentativa de resolução dominância tende a baixar.
de questões de discriminação impossível Perda de apetite-o animal de ex-
ou tentativa de solução de problemas, periência come menos, perde peso e
«puzzles» ou anagramas sem solução. O é menos activo nas áreas sexual e so-
«desamparo aprendido », induzido em con- cial.
dições experimentais em indivíduos não Alterações fisiológicas -depleção da
deprimidos, produziu defeitos motivacio- noradrenalina demonstrada em ratos
nais e cognitivos equivalentes aos apresen- e hiperactividade colinérgica demons-
tados por doentes deprimidos no contexto trada em gatos.
clínico e que não tinham sido expostos ii
indução de «desamparo aprendido» (Klein, Dado que todas as pessoas experimen-
Fencil-Morse e Seligman, 1976). tam ocasionalmente alguma incontrolabili-
No conceito de «desamparo aprendido» dade nas suas vidas e que alguns factos
determinantes são por si próprios incontro-
aplicado 2i depressão, é de importância cen-
tral a noção de que é a perda do controlo láveis, Seligman especula a razão pela qual
sobre o reforço o fenómeno fundamental o «desamparo aprendido» não é comum a
que determina este quadro clínico. Não é todas as pessoas. O elemento crucial é o
a perda do reforço, mas sim a expectativa salto entre a experiência de incontrolabilí-
de não ter controlo sobre o mesmo, o me- dade e a formação da expectativa que os
canismo mediador da depressão. acontecimentos são incontroláveis.
Há três factores que impedem a forma-
Seligman (1975) salienta que o «desam-
ção duma expectativa de incontrolabili-
paro aprendido» não caracteriza, provavel-
dade:
mente, todas as depressões, mas só aquelas
que se iniciam por uma reacção ii perda do
controlo sobre a gratificação e minimiza- 1) «Imunização» por expectativas an-
ção da punição. teriores resultantes de experiências
reais de controlabilidade;
Vários sintomas da depressão são equi-
2) G Imunização» pelo controlo discrimi-
valentes dos observados no «desamparo nativo entre situações diversas,, o que
aprendido» induzido no animal de expe- leva a expectativas e actuações dife-
riência. renciadas;
Seligman refere seis aspectos: 3) A importância relativa das conse-
quências, o que impede a generaliza-
1) Baixa da iniciativa de respostas vo- ção do «desamparo» dumas situações
luntárias, para outras (o «desamparo» pode ge-

174
neralizar facilmente de situações a um desamparo curto no tempo e espe-
mais traumáticas ou importantes para cífico para certas situações. Assim, no «de-
situações menos traumáticas ou me- samparo aprendido» humano, além das per-
nos importantes, mas não vice-versa). turbações motivacionais, cognitivas e emo-
cionais há que considerar a baixa da auto-
O modelo do «desamparo aprendido» foi -estima,
reformulado para integrar uma revisão da O modelo reformulado do «desamparo
teoria da atribuição, o que o torna mais aprendido» tem aplicações e implicações
adequado para aplicação ao «desamparo importantes na depressão, ou pelo menos
aprendido» no homem (Abramson e col., num sub-grupo de depressões, as causadas
1978; Peterson e col., 1982; Alloy e col., pela expectativa duma independência entre
1984). as respostas e os reforços. Os indivíduos
A contribuição de Weiner (1972) na deprimidos tendem a atribuir o fracasso ou
atribuição causal do comportamento de consequências negativas a causas internas,
realização levou-o a incluir uma dimensão globais e estáveis e a atribuir o êxito ou
de «estabilidade» que interage com o L. C. consequências positivas a causas externas,
Assim, as causas internas dividem-se nas específicas e instáveis. Por outro lado, os
que se mantêm constantes, como a aptidão, indivíduos não deprimidos tendem a atri-
e as que podem variar por diferentes ra- buir o fracasso a causas externas, específi-
zões, como o esforço. As causas externas cas e instáveis e a atribuir o êxito a causas
podem também ser variáveis, tais como a internas, globais e estáveis. Nem todos os
sorte ou azar e fixas ou estáveis, como a estudos experimentais são inteiramente
dificuldade de tarefa. A realização depen- consistentes com esta formulação, não se
de, em maior ou menor proporção, dos tendo encontrado algumas vezes diferenças
quatro factores seguintes: aptidões, esforço significativas entre deprimidos e não depri-
dispendido, dificuldade da tarefa e sorte. midos. No entanto, no seu conjunto, os es-
I2 esta formulação que aplicada ao mo- tudos que examinam as atribuições dos de-
delo do «desamparo aprendido» e ii depres- primidos para o êxito e o fracasso sugerem
são o torna mais flexível. De acordo com que os deprimidos fazem com frequência
ela, logo que a não-contingência é perce- atribuições internas, globais e estáveis para
bida, o indivíduo atribui o seu desamparo o fracasso e atribuições externas, específi-
a uma causa. Esta causa pode ser estável cas e provavelmente menos estáveis para o
ou instável, global ou específica e interna êxito.
ou externa. A atribuição feita influencia Em síntese, o modelo reformulado da de-
as características do futuro estado de «de- pressão salienta:
samparo aprendido», nomeadamente se será
crónico ou agudo, generalizado ou especí- 1) A depressão caracteriza-se por qua-
fico e se atingirá ou não a auto-estima. tro tipos de deficites -motivacio-
Atribuir a falta de controlo a factores in- nais, cognitivos, afectivos e da auto-
ternos conduz a uma baixa de auto-estima -estima;
enquanto que a atribuição a factores exter- 2) Quando consequências altamente de-
nos não. A atribuição a factores estáveis sejadas são percebidas como impro-
origina um desamparo prolongado no tem- váveis ou consequências altamente
po, enquanto a atribuição a factores globais aversivas são percebidas como pro-
leva a uma grande generalização através váveis e o indivíduo não espera en-
de várias situações. A atribuição feita a contrar no seu reportório respostas
factores específicos e instáveis dá origem que alterem as probabilidades, então

I 75
desenvolve um estado de desamparo 2) A consequência é percebida como
(depressão); tendo um grande valor, positivo ou
3) A generalidade dos deficites depressi- negativo;
vos depende da globalidade da atri- 3) Existe expectativa de incontrolabili-
buição que provoca o desamparo; a dade;
cronicidade depende da estabilidade 4) A atribuição da incontrolabilidade é
da atribuição e a baixa da auto-es- feita a um factor global, interno e
tima depende da internalidade da estável.
atribuição;
Cada um destes quatro aspectos conduz
4) A intensidade dos deficites depende a quatro estratégias correspondentes:
da força ou convicção da expectativa
de incontrolabilidade e no caso dos 1) Alterar a probabilidade de ocorrên-
deficites afectivos e da auto-estima, cia do acontecimento relevante, atra-
da importância das consequências. vés de modificações ambienciais;
2) Modificar o valor atribuído às con-
Existem diferenças individuais no estilo sequências; redução do valor das
das atribuições. Vários autores (Abramson consequências altamente desejadas
e col., 1978; Seligman e col., 1979) defen- (obtenção de objectivos alternativos,
dem a existência de um estilo depressivo reavaliação de objectivos inalcançá-
através dum mecanismo de desamparo. Os veis); redução do valor aversivo das
indivíduos que habitualmente tendem a consequências não desejadas (forne-
atribuir o fracasso a factores globais, inter- cer metas e normas mais realistas,
nos e estáveis estão mais predispostos a modificar a atenção selectiva, forne-
desenvolver uma depressão por desamparo cer reinterpretações menos aversivas);
crónico e generalizado. O modelo cognitivo 3) Alterar as expectativas de incontrola-
de Beck salienta precisamente como me- bilidade para controlabilidade; quan-
diador da depressão a existência de con- do o indivíduo não possui as apti-
teúdos cognitivos aberrantes, o que parece dões necessárias, proceder a treino de
estar de acordo com a existência de um es- aptidões (treino de aptidões sociais,
tilo cognitivo depressogénico que é activado treino de auto-afirmação, treino de
em função de determinados precipitantes. solução de problemas, etc.); quando
O paralelo entre as duas formulações o indivíduo possui as necessárias
parece evidente. O estilo atribucional pode aptidões, mas não as põe em prática
criar uma vulnerabilidade para a depressão por causa das expectativas distorci-
ou mesmo ser um componente importante das, proceder a:
da personalidade pré-mórbida (Seligman e a) prescrição de execução de tarefas
col., 1979; Sober-Ain e Kidd, 1984). graduadas, relevantes para o in-
As implicações terapêuticas do modelo divíduo;
surgem como resultado dos aspectos domi- b) promover a generalização através
nantes na sequência dos acontecimentos de outras respostas com êxito;
que levam 2i depressão, nomeadamente: c) promover e reforçar um aumento
da actividade geral;
Estimativa de baixa probabilidade de d ) mudar as atribuições de fracasso
ocorrência duma consequência posi- por falta de aptidão; para esforço
tiva ou estimativa de alta probabili- insuficiente;
dade de ocorrência duma consequên- e) repetição de sequências compor-
cia negativa; tamentais com reforço positivo

2 76
em imaginação e ao vivo (role está posta em causa. Por outro lado, uma
playing) . expectativa de consequência diz respeito à
4) Modificar as atribuições erróneas fei- estimativa de que um dado comportamento
tas para o fracasso orientando-as no conduzirá a determinada consequência. A
sentido de atribuições externas, ins- relação entre a possibilidade de o indivíduo
táveis e específicas. Modificar as atri- executar o comportamento e a sua execução
buições erróneas feitas para o êxito com êxito (eficácia) não está posta em
orientando-as no sentido de atribui- causa. O que pode ser problemático é a
ções internas, estáveis e globais. relação entre o comportamento (resposta) e
as consequências da resposta (reforço).
DEPRESSAO, DESAMPARO APRENDIDO Neste sentido, Locus de Controlo externo
E LOCUS DE CQNTROLO e desamparo aprendido são de facto equi-
valentes, podendo ser usados como percep-
Alguns estudos efectuados para investi- ção do controlo sobre o reforço (Hiroto,
gar a relação entre a percepção do reforço 1974). Como Bandura refere: «um indiví-
e a depresão empregaram indistintamente duo pode desistir de tentar por ter perdido
o conceito de L. C. tal como foi definido o sentido de eficácia em atingir o compor-
por Rotter ou o conceito de desamparo de tamento requerido, ou pode estar certo das
Seligman, para avaliarem a expectativa ge- suas capacidades mas desistir de tentar por-
neralizada de reforço (Evans e Dinning, que espera que o seu comportamento não
1978). tenha efeito num ambiente que não res-
Para Rotter podem existir dois tipos de ponde ou ainda por ter sido consistente-
expectativas: as específicas e as generaliza- mente punido». No primeiro caso será ne-
das. A expectativa generalizada definida cessário desenvolver as competências, apti-
como L. C. diz respeito à expectativa, man- dões e expectativas de eficácia pessoal. No
tida pelo indivíduo em diferentes situações, segundo será necessário modificar as con-
de que o reforço será contingente ao seu tingências ambienciais prevalecentes que
comportamento (L. C. interno) ou depen- restabeleçam o valor instrumental das com-
dente de outros factores resultantes do petências que o indivíduo já possui.
acaso ou sorte (L. C. externo). Para Selig- A maior parte dos trabalhos efectuados
man, um indivíduo em desamparo apren- para investigar as relações entre o L.C. e
dido adquiriu a expectativa de que as res- a Depressão encontraram uma correlação
postas não afectam as consequências. E por- positiva entre o L. C. externo e a Depres-
que não espera consequências positivas das são.
suas respostas, não as inicia em situações Alguns destes trabalhos foram efectua-
que são, na realidade, controláveis pelas dos em meios académicos com indivíduos
respostas. que não procuraram apoio para os proble-
Para Bandura (1977), os dois conceitos mas psicopatológicos que eventualmente
são de facto equivalentes, considerando-os pudessem apresentar e a depressão foi ava-
como expectativas ligadas às consequências liada através de escalas clínicas (Molinari,
da resposta e separando-os do conceito de 1979).
auto-eficácia. Uma expectativa de eficácia Outros estudos idênticos efectuados em
diz respeito à convicção de que se é capaz crianças obtiveram resultados semelhantes
de executar com êxito o comportamento re- (Lefkowitz e col. 1980).
querido para obter as consequências dese- Alguns estudos tiveram um carácter cla-
jadas. A relação entre o comportamento ramente experimental através da indução
(resposta) e as consequências (reforço) não prévia de um estudo de «desamparo», con-

177
siderado o modelo laboratorial da depres- valores mais altos na sub-escala P e os indi-
são (Natale, 1978). víduos com L. C. externo congruente teriam
Alguns trabalhos que investigaram as re- valores mais altos na sub-escala C. De facto,
lações entre o L. C. e a depressão em doen- os resultados mostraram uma correlação
tes alcoólicos deprimidos e não deprimidos positiva entre a depressão (avaliada através
obtiveram correlações idênticas entre a ex- da Zung Self-Rating Depression Scale) e o
ternalidade e a depressão (O’Leary e col., L. C. externo congruente (C). Não existia
1977). correlação entre depressão e L. C. externo
Em estudos feitos com deprimidos em defensivo (P). Depressão e internalidade
contexto clínico, usando também escalas apresentavam uma correlação negativa.
clínicas para avaliação da depressão (Beck Firestone (1978), usando o «desamparo
Depression Znventory, Zung Self-Rating De- aprendido» como modelo laboratorial da
pression Scale, Escala D. do MMPI) os re- depressão reactiva no homem, investigou
tultados têm sido algo contraditórios, em- as relações entre a percepção da perda do
bora a tendência geral seja no mesmo sen- controlo sobre o reforço e a depressão, em
tido dos estudos referidos anteriormente. 48 doentes a que foi administrada uma es-
Goldney (1982) não encontrou resultados cala de L. c. (ANSIE -Adult Nowicki-
conclusivos num grupo de mulheres jovens -Strickland Internal-Externa1 Locus of Con-
com tentativas de suicídio quando compa- trol Scale de Nowicki e Duke) e o Beck
radas com um grupo de controlo. Evans e Depression Inventory, entre outros testes.
Dinning (1978), em deprimidos hospitali- Os resultados obtidos não confirmaram a
zados não encontraram qualquer relação relação esperada entre desamparo e L. C.
entre o L. C. e as medidas clínicas de de- No entanto, mostraram uma correlação po-
pressão, propondo que em estudos futuros sitiva entre a depressão avaliada pelo B.D.I.
deste tipo se utilizem medidas de expecta- e o L. C. externo avaliado pelo ANSIE.
tivas generalizadas. Peterson e col. (1978), Também não se encontrou a relação espe-
num estudo em deprimidos internados em rada entre o nível de depressão e as medi-
que usaram a Escala I-E de Rotter e a es- das usadas para avaliar o desamparo. Os
cala D. do MMPI não encontraram uma resultados só apoiam parcialmente o mo-
relação geral entre a depressão e o L.C. delo do desamparo aprendido como pro-
Sugerem que os resultados em estudos deste cesso aplicável i depressão clínica. Estes
tipo podem depender do tipo de deprimi- resultados estão de acordo com os encon-
dos e dos graus de depressão nas amostras trados anteriormente por Roth e Bootzin
estudadas. Por outro lado, vários estudos (1974). O modelo do desamparo seria apli-
confirmaram as relações entre depressão e cável e generalizável a todas as formas de
L. C. externo (Costello, 1982). depressão (Abramson e col., 1978).
Duma maneira geral, a correlação posi- Firestone salienta que enquanto uma
tiva encontrada entre a depressão e o L. C. orientação no sentido da externalidade cor-
externo tem sido relativamente baixa, em- relaciona, em vários trabalhos, com índices
bora significativa. No sentido de tentar se- de mau ajustamento, algumas vezes a ex-
parar melhor os indivíduos com L. C. ex- pectativa de controlo externo pode ser adap-
terno, Molinari (1979), Molinari e Khanna tativa. A percepção do controlo como in-
(1981) empregaram a escala IPC de Leven- terno ou externo pode ser menos importante
son para avaliar o L. C. Esta escala divide do que a percepção adequada a uma situa-
o L. C. externo em defensivo e congruente, ção específica. O que levanta a questão do
como já foi anteriormente referido. Os in- uso de medidas generalizadas de controlo,
divíduos com L. C. externo defensivo teriam em vez de medidas específicas adaptadas

178
às situações e que se poderiam revelar mais ou colorido depressivo eram retiradas da es-
apropriadas em trabalhos clínicos. De fac- cala de avaliação do L. c. não se observava
to, em circunstâncias em que o reforço é a correlação anterior entre depressão e L.C.
realmente incontrolável, uma expectativa externo.
de controlo externo pode ser considerada Num trabalho de índole clínica efectuado
mais adaptativa, do que a tentativa de con- em doentes deprimidos onde se procurou
trolar o incontrolável. estudar a relação entre o Locus de Controlo
Rotter (1966), já tinha chamado a aten- e a depressão, procurando esclarecer in-
ção para a possibilidade duma relação cur- fluências etiopatogénicas e patoplásticas
vilinear entre a patologia apresentada e o obtiveram-se alguns resultados curiosos ex-
L. C. Assim, os indivíduos com L. C. in- ternalidade e mais baixos da internalidade
terno ou externo em graus extremos pode- do que a população em geral, aumentado a
riam apresentar uma menor expectativa de gravidade da depressão com o aumento da
êxito na obtenção de objectivos valorizados externalidade. A melhoria da depressão não
e por isso serem mais vulneráveis à depres- induzia alterações no Locus de Controlo
são. Phares (1976) salienta a complexidade da generalidade dos indivíduos, o que pode
possível das relações entre depressão e apontar para a importância destes aspectos
L. C. Sugere que a depressão pode também como factores de maior vulnerabilidade psi-
surgir em indivíduos com L. C. orientado cológica para a depressão. Por outro lado,
no sentido da internalidade mas que não um número restrito de deprimidos, quando
têm expectativas de alcançar objectivos va- recuperam, apresentam um aumento da in-
lorizados. ternalidade (casos de internalidade alta e
Um aspecto crítico que leva a encarar externalidade alta atribuída ao controlo de
com reservas alguns estudos, sobretudo os outros mais poderosos) podendo correspon-
realizados com populações não psiquiátri-
der, no plano clínico, ao modelo de depres-
cas e que não solicitaram expressamente
são por «desamparo aprendido».
apoio terapêutico para a depressão, é sa-
lientado por vários autores (Aiken e Bau-
com, 1982). Refere-se à possibilidade da
existência de tonalidade ou conteúdo afec- REFERBNCIAS
tivo em cada uma das questões que consti-
tuem as escalas para a avaliação do L. C. ABRAMSON, L. P.; SELIGMAN, M. E. P.;
As questões que pontuam para a externa- TEASDALE, J. E. (1978) - «Learned helpless-
lidade apresentam em geral um conteúdo ness in humans: critique and reformula-
tion», Journal of Abnormal Psychology, 87:
ou colorido mais depressivo do que as que 49-74.
pontuam para a internalidade e assim a AIKEN, P.; BAUCOM, D. (1982)-«Loc~s O f
tendência encontrada em deprimidos para control and depression: that confounded rela-
responderem num sentido de externalidade tionship», Journal of Personality Assessmcnt,
pode ser função deste colorido afectivo e 46: 391-395.
ALLOY, L. B.; PETERSON, C.; ABRAMSON,
não reflectir uma crença genuína num con- L. Y.; SELIGMAN, M. E. P. (1984)-Attribu-
trolo externo. Assim, a correlação frequen- tional style and the generality of learned
temente encontrada entre depressão e L. C. helplessness», Journal of Personality and
externo poderia corresponder a um arte- Social Psychology, 46,3: 681-687.
facto, resultante mais do colorido afectivo BANDURA, A. (1977) - «Social learning theorym.
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do que do conteúdo das respostas de exter- BANDURA, A. (1977) -«Self-efficacy: toward a
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1 UMA REVISTACOM12ANOS

1 de professor para professor

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