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MANUAL

UFCD 2888
Cadernos de contabilidade agrícola
50 horas
INDICE

ÍNDICE
Objetivo geral
Objetivos específicos
Benefícios e condições de utilização do manual
0 – Introdução
Cap. 1 – Cadernos de contabilidade agrícola
Conclusão
Referências bibliográficas

Formação co financiada por: 2


Objetivo geral
✓ Realizar a contabilidade duma empresa agrícola através do preenchimento dos cadernos da RICA.

Objetivos específicos
Esta rede comunitária de informação tem como principais objetivos:

✓ Avaliar os níveis de rendimento dos principais tipos de exploração agrícola;


✓ Disponibilizar informação para preparação e acompanhamento das medidas de política
agrícola e de desenvolvimento rural, permitindo assim avaliar o impacto das medidas da
Política Agrícola Comum.

Benefícios e condições de utilização do manual


O presente manual de formação foi elaborado para a UFCD 2888 - Cadernos de
contabilidade agrícola. Tem por objetivo auxiliar o formando na aquisição de conhecimentos e
competências enunciados nos objetivos: gerais e específicos.

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0 - Introdução
A Rede de Informação de Contabilidade Agrícola (RICA) permite à Comissão Europeia
acompanhar a situação das explorações agrícolas na União Europeia (UE), disponibilizando, dados
sobre os rendimentos e as atividades económicas das explorações agrícolas. Estes dados são
utilizados para efeitos de análise no desenvolvimento e avaliação da Política Agrícola Comum.

Cap. 1 – Cadernos de contabilidade agrícola

A Rede de Informação de Contabilidades Agrícolas (RICA) foi criada, em 1965, pelo Regulamento CE
n.º 79/65, que estabelece as bases legais para a sua organização, apoiando-se na participação voluntária
dos empresários agrícolas. Este Regulamento foi revogado pelo Regulamento (CE) n.º 1217/2009 do
Conselho, cujas regras de execução estão estabelecidas no Regulamento de Execução (UE) 2015/220 da
Comissão.

A RICA é essencial para o desenvolvimento e melhoria da Política Agrícola Comum, fornecendo uma
visão abrangente da operacionalização das atividades das explorações agrícolas da UE uma vez que contém
dados relacionados com a atividade económica destas explorações.

Os serviços responsáveis pela RICA de cada Estado Membro recolhem anualmente informação
contabilística e técnica a partir de uma amostra de explorações agrícolas. A RICA é a única fonte europeia
de dados microeconómicos harmonizados, ou seja, os princípios metodológicos de registo são iguais em
toda a Comunidade.

Apenas as explorações, que pela sua dimensão económica podem ser consideradas comerciais, são
selecionadas para fazer parte da amostra, mediante um plano estabelecido para cada região.

A Rede de Informação de Contabilidades Agrícolas (RICA) é um sistema confidencial de recolha de


informação a dois níveis:

• Estrutural (efetivos, quantidade de trabalho, áreas e quantidades produzidas)


• Económico e financeiro (valor da produção das várias culturas, compras e vendas, custos
de produção, juros e subsídios)

Em Portugal, a recolha de informação é feita por técnicos das Direções Regionais de Agricultura e
Pescas (DRAP's) e das Regiões Autónomas (RA’s), por contacto direto com a exploração agrícola,
complementado de informação recolhida por entidades privadas, mediante aquisição de serviços. Todo o
sistema é coordenado a nível central pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP).

Os interessados podem aderir à rede, mediante contacto com a DRAP ou RA onde se localiza a
exploração agrícola.

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Objetivos

Esta rede comunitária de informação tem como principais objetivos:

• Avaliar os níveis de rendimento dos principais tipos de exploração agrícola;


• Disponibilizar informação para preparação e acompanhamento das medidas de política
agrícola e de desenvolvimento rural, permitindo assim avaliar o impacto das medidas da
Política Agrícola Comum.

Metodologia
• A metodologia aplicada tem por objetivo a representatividade em três dimensões: Região,
Dimensão Económica e tipo de Orientação Técnico Económica.

• O campo de observação da amostra em Portugal é composto por explorações orientadas para o


mercado com uma dimensão económica superior a 4000€ de Valor da Produção Padrão (VPP)
(Regulamento (CE) n.º 1242/2008).

As explorações são selecionadas para fazerem parte da amostra de acordo com um plano de
seleção, o qual, e de acordo com a metodologia utilizada, permitirá obter informação representativa ao
nível da região, da DE e tipo de OTE.

A amostra tem evoluído em Portugal desde 1983, sendo atingido o limiar pretendido das três mil
explorações em 1992. Foi também em 1992 que se passou a complementar a recolha de informação
recorrendo a entidades privadas.

• O plano amostral prevê, desde 2006, o acompanhamento de um total de 2300 explorações. Em


2013 o número de contabilidades acompanhadas foi de 2312.

• O processo de recolha de informação baseia-se na participação voluntária dos agricultores: são eles
os "fornecedores de dados".

• A informação recolhida é registada no programa de contabilidade simplificada - GESTAGRO.

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Variáveis recolhidas

A informação recolhida é agregada numa Ficha de Exploração.

A ficha de exploração RICA encontra-se dividida em 12 quadros, consoante o conjunto de


informação que os carateriza:

• Informações Gerais
• Repartição da Superfície
• Mão-de-obra
• Ativo de Conta Própria
• Valores a Pagar
• Impostos
• Subsídios e Prémios Correntes
• Efetivo e Valor dos animais
• Movimento de Animais
• Cálculo dos Encargos Reais (Variáveis e Fixos)
• Produtos Auto Utilizados
• Produção

Resultados

A informação presente na Ficha de Exploração permite o cálculo de uma série de variáveis que são
agregadas num ficheiro de resultados: MainData.

A Ficha de Exploração nacional é convertida numa outra de acordo com as especificações


aprovadas e publicadas em Jornal Oficial das Comunidades Europeias (Regulamento (UE) n.º 385/2012).

Ao nível comunitário, os resultados desta rede de recolha de informação comunitária são


agregados numa base de dados comunitária de acesso livre, a qual permite a seleção de variáveis bem
como a visualização de relatórios on-line e a sua exportação para uma folha de cálculo.

A informação microeconómica gerada pela RICA é a principal fonte de informação da Comissão


Europeia no apoio ao estabelecimento de linhas de orientação política para o futuro da agricultura
europeia, permitindo avaliar a eficiência, eficácia e relevância das medidas de apoio à agricultura.

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Existem assim, dois livros de registo de contabilidade:

Modelo I (Inventario de bens imobilizados e empréstimos)

Modelo II (Registos diários e apuramento de resultados)

O Modelo I, como o próprio nome indica, serve para registar o inventário inicial e final da empresa,
bem como as variações patrimoniais ocorridas relativamente aos elementos que contempla, ou seja, bens
imobilizados e empréstimos contraídos.

Estão previstas as seguintes contas:

1. Bens Imobilizados de Conta Própria

1.1 Terras agrícolas

1.2 Terrenos florestais

1.3 Culturas permanentes

1.4 Construções

1.5 Melhoramentos fundiários

1.6 Material e equipamento

1.7 Despesas de instalação

2. Participações financeiras e títulos agrícolas

3. Valores a pagar

4. Bens de conta alheia

O modelo II, integra o diário, o razão, os resultados por atividade, o balanço e a conta de
exploração.

O diário serve para registar todos os movimentos efetuados pela empresa quer com o exterior,
pagamentos, recebimentos, vendas e compras a crédito, quer internamente, encargos com as atividades,
produções, autoconsumo, Auto utilização e outras ocorrências.
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A parte correspondente ao razão contém, simultaneamente, contas de exploração e de situação.
Nas primeiras, são registadas as contrapartidas dos movimentos efetuados nas contas do diário, quer por
natureza, quer por atividade que originou o encargo ou o proveito. Nas segundas, as quais são coincidentes
com as anteriores, regista-se o inventário dos aprovisionamentos, produtos da exploração e avanços às
culturas, constituindo um inventário de tipo intermitente, na medida em que, para além do inventário
inicial e final, permite controlar constantemente as existências (entradas, saídas, saldo). São ainda
inventariados neste modelo as diversas espécies e categorias de animais, inclusive os adultos.

Se considerarmos uma conta do razão, por exemplo, fertilizantes e corretivos, podemos verificar,
de acordo com a figura n.º2 que é constituída por quatro partes fundamentais. A primeira relativa à
descriminação dos movimentos efetuados. A segunda relativa ao inventário inicial e final dos fertilizantes e
corretivos. A terceira para o registo das despesas efetuadas com os fertilizantes e corretivos, ou seja, as
contrapartidas dos registos efetuados no diário. A quarta parte corresponde às contas de gestão, nas quais
se imputa o encargo da atividade com fertilizantes e corretivos à medida que aquela os vai consumindo,
servindo esta imputação para no final do ano se poder calcular o resultado de cada atividade e não apenas
o resultado global da empresa. Desta forma, todos os encargos e produções são repartidos e atribuídos às
atividades que os consomem e produzem com o objetivo de obter resultados o mais analíticos possível,
bem como a informação relativa à sua obtenção.

Fig. 2

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Como já se referiu, este sistema foi concebido com base no método das partidas dobradas
ou digráfico, o que significa o registo duplo de um mesmo fato patrimonial, respetivamente no
débito de uma conta (ou mais) e no crédito de outra (ou outras) de modo a constituir uma
igualdade que conduza ao balanço.

Por exemplo, a compra de 5,00 € de adubo a pronto pagamento:

✓ Regista-se na conta 1.1 CAIXA/BANCOS, a crédito (pagamentos) = 5,00 €

Contrapartida :

✓ Regista-se na conta 2.1 FERTILIZANTES E CORRETIVOS a débito (despesas) = 5,00 €

Se a compra for a crédito:

✓ Regista-se na conta 1.3 FORNECEDORES, a crédito (compras) = 5,00 €

Contrapartida:

✓ Regista-se na conta 2.1 FERTILIZANTES E CORRETIVOS, a débito (despesa) = 5,00 €

Quando se pagar o crédito concedido pelo fornecedor, far-se-ão os seguintes movimentos:

✓ Regista-se na conta 1.1 CAIXA/BANCOS, a crédito, o pagamento efetuado = 5,00 €

Contrapartida:

✓ Regista-se na conta 1.3 FORNECEDORES, a debito o movimento equivalente ao anterior pagamento


de = 5,00 €.

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Os resultados por atividade são contas de resultado por atividade cujo interesse fundamental tem a
ver com a gestão da empresa. Através delas pode analisar-se a eficiência de cada atividade e o seu
interesse para o resultado final da empresa. O estudo da relação entre os encargos e consumos da
atividade e as produções e produtos gerados permite detetar os pontos fracos em cada atividade e
introduzir as correções necessárias para melhorar o seu resultado, bem como, por consequência, o da
empresa.

Por outro lado, estas contas permitem ainda obter o custo direto de cada atividade, o que permite
fazer a aferição dos preços de comercialização dos respetivos produtos. Todavia, o resultado mais
importante que se obtém é a margem bruta, valor que me permite verdadeiramente analisar o interesse da
atividade para a empresa.

O sistema integra duas contas do balanço, um de abertura e outro de encerramento, os quais se


podem apurar pelos totais do inventário inicial e final das contas dos modelos I e II. O balanço de abertura
identifica a situação financeira e patrimonial da empresa no início do exercício. O balanço de encerramento
permite fazer o mesmo tipo de análise, mas em relação ao fim do exercício. A comparação dos dois
balanços possibilita a avaliação da evolução da empresa.

A conta de exploração é uma conta de resultados pelo qual se apuram os resultados correntes e o
resultado líquido de exercício. Simultaneamente é uma conta de demonstração de resultados, onde se
descriminam todos os encargos e proveitos e a partir deles se obtém os resultados globais.

O modelo II prevê as seguintes contas:

Fig. 3

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Trabalhos contabilísticos no início do exercício

Os principais trabalhos contabilísticos a efetuar no início do exercício são resumidamente os


seguintes:

✓ ELABORARAÇAO DO INVENTARIO INICIAL

- Registo e avaliação dos seguintes elementos patrimoniais no modelo I:

• Terras agrícolas

• Terrenos florestais

• Culturas permanentes

• Construções

• Melhoramentos fundiários

• Material e equipamento

• Despesas de instalação

• Participações financeiras e títulos agrícolas

• Valores a pagar

• Bens de conta alheia

- Registo e avaliação dos seguintes elementos patrimoniais, no modelo II:

• Disponibilidades, CAIXA/BANCO

• Clientes

• Fornecedores

• Aprovisionamento em armazém

-Fertilizantes e corretivos
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-Sementes e plantas

-Fitofármacos

-Outros aprovisionamentos para culturas

-Forragens compradas

-Alimentos comprados

-Outros aprovisionamentos para a pecuário

-Carburantes e lubrificantes

-Combustíveis

• Produtos em armazém

-Produtos vegetais

-Produtos animais

-Avanços e culturas

-Animais

-Despesas e receitas antecipadas

-Subsídios ao investimento

-Custos plurianuais

• ELABORAÇAO DO BALANÇO DE ABERTURA

Passagem dos valores totais registados nas contas de inventário inicial dos modelos I e II,
anteriormente descritas, para o balanço de abertura. A soma dos elementos patrimoniais ativos, total do
ativo, deve ser exatamente igual à soma algébrica dos elementos patrimoniais passivos com os capitais
próprios, ou seja ao total do passivo e situação liquida.

No primeiro balanço da empresa, quando esta já dispõe de um património que não correspondeu a
um investimento inicial de capital próprio, mas a uma acumulação ao longo de vários anos, o capital
individual é calculado pela diferença entre o ativo e o passivo, constituindo aquela o capital individual ou
inicial.

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TRABALHOS CONTABILISTICOS DURANTE O EXERCICIO

Diários

Diariamente devem ser registados nas contas de registos diários, os movimentos com o exterior,
contas 1.1 CAIXA/BANCOS, 1.2 CLIENTES, 1.3 FORNECEDORES e os movimentos internos, conta 1.4 OUTROS
MOVIMENTOS.

As fichas de registo são as constantes da figura n.º4

Mensais

Mensalmente devem ser passados para as contas respetivas do Razão:

✓ Os movimentos relativos a despesas e receitas em operações com o exterior, registadas no diário


durante o mês, constituindo as contra partidas dos débitos e créditos nele lançados;

✓ Os movimentos internos de exploração relativos aos encargos das atividades, os quais são
repartidos pelas atividades, os quais são repartidos pelas atividades que os consumiram;

✓ Os movimentos internos da exploração relativos a produções da exploração;

✓ Os movimentos internos da exploração relativos a despesas e receitas antecipadas, venda e quebra


de valor dos bens do imobilizado, subsídios do investimento, custos plurianuais;

✓ Os movimentos internos da exploração relativos aos movimentos de animais, compras, vendas,


ocorrências;

✓ Se a empresa for sujeito passivo de IVA e apresentar declarações mensais de impostos, faz-se o
apuramento mensal daquele; se o regime de declaração for trimestral basta fazer aquele
apuramento com a mesma frequência.
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TRABALHOS CONTABILISTICOS NO FINAL DO EXERCICIO

No final do exercício devem efetuar-se as seguintes operações:

• Elaboração do inventário final

✓ Registo e avaliação dos elementos patrimoniais imobilizados existentes na empresa


considerados nas contas do modelo I, tendo em conta as vendas ocorridas de imobilizado,
os investimentos efetuados e os consumos havidos, sendo necessário para estes últimos
calcular as amortizações dos elementos sujeitos a tal, culturas permanentes, construções,
material e equipamento, etc.

✓ Registo e avaliação dos elementos patrimoniais considerados no modelo II e anteriormente


descritos para o inventário inicial

• Apuramento da conta de exploração

✓ Cálculo de encargos reais, totais e por natureza, apurando os encargos variáveis e os


encargos fixos totais, também por natureza, mais a variação do inventário.

✓ Cálculo das produções da exploração, apurando as vendas por produto ou atividade e a


respetiva variação de inventário. Cálculo de outras produções, Calculo do produto bruto da
exploração.

✓ Cálculo dos resultados correntes e líquidos, por diferença entre o produto bruto e os
encargos reais mais a soma algébrica do saldo da conta de ganhos e perdas extraordinárias
/eventuais.

• Elaboração do balanço de fecho do exercício

✓ Passagem dos valores totais registados nas contas de inventário final dos modelos I e II. O
total do ativo deve ser exatamente igual à soma algébrica do passivo mais a situação
liquida.

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• Calculo dos resultados por atividade

✓ Resultados de atividades vegetais, apurando os encargos variáveis por natureza, os


encargos fixos específicos e as produções respetivas. O resultado das atividades é expresso
pela margem bruta direta, a qual é igual à diferença entre a produção bruta da atividade e
a soma dos encargos variáveis e fixos específicos. A margem bruta corresponde ao
excedente que a atividade cria para a exploração depois de pagos os seus encargos diretos.

✓ Resultados de atividades animais, apurando os encargos variáveis por natureza mais as


compras dos animais, os encargos fixos específicos e as produções, incluindo a variação do
inventário. O resultado das atividades é expresso pela margem bruta direta, a qual é igual à
diferença entre a produção bruta e os encargos variáveis e fixos específicos.

• Calculo de dados técnicos da exploração referentes a :

✓ Efetivo pecuário e cabeças normais

✓ Mão-de Obra

✓ Ocupação cultural

Definição das Variáveis Usadas

Abelhas - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo,


pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário
de abertura, para abelhas e respetivos produtos produzidos na exploração.

Ativos Financeiros – Custos que devem ser reconhecidos nos exercícios seguintes (custos plurianuais e
despesas antecipadas).

Água - Despesas com a ligação à rede de distribuição e consumo de água na exploração, incluindo a água
de rega.

Alimentos Concentrados comprados - Misturas de produtos de origem vegetal ou animal no estado


natural, frescos ou conservados, ou derivados da sua transformação industrial, ou de substâncias orgânicas
ou inorgânicas, contendo ou não aditivos, destinados à alimentação animal por via oral, sob a forma de
alimentos completos ou complementares. Neste caso particular, os alimentos comprados para gado
incluem os suplementos minerais, produtos lácteos (comprados ou trocados), os produtos de preservação e
conservação dos alimentos.

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Amortizações - Depreciação total dos bens de capital fixo de conta própria durante o exercício.

Animais (Capital Fixo Vivo) – Animais adultos, incluindo equinos, asininos e muares, bovino com 2 ou mais
anos, vacas leiteiras, vacas de reforma e outra vacas, ovinos, caprinos, porcas reprodutoras e outros
porcos, galinhas poedeiras e outras aves, abelhas, coelhos e outros animais.

Arroz - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo, pagamentos
em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário de abertura,
para o arroz produzido na exploração.

Aves (inclui ovos) - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo,
pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário
de abertura, para frangos de carne, galinhas poedeiras, outras aves e respetivos produtos animais
produzidos na exploração.

Batata - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo, pagamentos
em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário de abertura,
para a batata produzida na exploração.

Bovinos (excluindo leite) - Somatório dos valores de inventário de fecho, vendas, autoconsumo e
pagamentos em natureza, deduzido do somatório dos valores de inventário de abertura e compras, para
vitelos de engorda, outros bovinos até 1 ano, bovinos machos de 1 a 2 anos, bovinos fêmeas de 1 a 2 anos,
bovinos machos com 2 anos e mais, bovinos fêmeas com mais de 2 anos (reprodução), bovinos fêmeas
mais 2 anos (engorda), vacas leiteiras, vacas leiteiras de reforma e outras vacas.

Capital Agrícola Total – Capital Agrícola Total = Capital Fundiário + Capital de Exploração

Capital de Exploração - Conjunto de bens de produção englobados no capital fixo de exploração inanimado
(máquinas, equipamentos e material de transporte), no capital fixo de exploração vivo (animais adultos) e
no capital circulante (aprovisionamentos ou existências, cativo ou valores a receber, de maneio ou
disponibilidades, acréscimos e diferimentos), propriedade do empresário, qualquer que seja a forma de
exploração. O valor contabilístico corresponde à média dos valores inventariados (inventários de abertura e
de fecho) dos bens que compõem esta categoria de capital (equipamento, valores a receber, caixa, etc.).

Capital Fundiário - Propriedade rústica de conta própria, constituída por um ou mais prédios rústicos,
englobando a terra e tudo o que nela se encontra incorporado com características de permanência, dela
não se podendo separar sem que a sua capacidade se altere significativamente. O valor contabilístico
corresponde à média dos valores inventariados (inventário de abertura e de fecho) dos bens de conta
própria que compõem esta categoria. Capital Fundiário = Terras Agrícolas + Melhoramentos Fundiários +
Culturas Permanentes + Construções

Caprinos (excluindo leite) - Somatório dos valores de inventário de fecho, vendas, autoconsumo e
pagamentos em natureza, deduzido do somatório dos valores de inventário de abertura e compras, para
cabras, bodes e outros caprinos.

Carburantes e Lubrificantes - Despesas com carburantes e lubrificantes das viaturas privadas


correspondentes à sua utilização ao serviço da exploração.

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Circulante – Engloba valores a receber, disponibilidades, acréscimos e diferimentos.

Coelhos - Somatório dos valores de inventário de fecho, vendas, autoconsumo e pagamentos em natureza,
deduzido do somatório dos valores de inventário de abertura e compras, para coelhos.

Conservação e Reparação de Construções e de Melhoramentos Fundiários - Despesas ocasionais com a


conservação das construções da exploração e melhoramentos fundiários, incluindo as estufas e armações.
Engloba as compras de material diverso (e.g. arreios, ferragem do cavalo, pneus, oleados de proteção,
roupa de proteção para execução de trabalhos insalubres, detergentes utilizados para limpeza, quota parte
dos custos das viaturas privadas correspondentes à sua utilização para fins de exploração).

Conservação e Reparação de Equipamento - Despesas ocasionais pela conservação do material e pequenas


reparações que não modificam o valor intrínseco do material reparado (e.g. despesas com o mecânico.
substituição de peças).

Construções – Construções propriedade do empresário qualquer que seja a forma de exploração das terras.
Os valores de inventário têm de ser sujeitos a amortização. Se a distinção entre o valor da construção e da
respetiva área coberta não for possível determinar, então o total deverá ser contabilizado sob esta
designação. A amortização deve ser registada e a terra coberta não incluída na superfície agrícola útil. As
construções são avaliadas pelo valor de substituição. Inclui o valor despendido ao longo do exercício na
construção e na grande reparação de imóveis dentro da exploração.

Consumo Intermédio – Somatório dos encargos com sementes e plantas, fertilizantes e corretivos do solo,
fitofármacos, outros encargos específicos das culturas, alimentos concentrados e forragens, outros
encargos específicos da pecuária, eletricidade, combustíveis e água, carburantes e lubrificantes, trabalhos
por empreitada e aluguer de máquinas, conservação e reparação de equipamentos, conservação de
construções e de melhoramentos fundiários e outros gastos gerais, tais como, despesas com comunicações
e despesas com material de escritório.

Cortiça - Somatório dos valores de avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo, pagamentos
em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário de abertura,
de cortiça produzida na exploração.

Culturas Permanentes - Plantações (à exceção de arbustos e árvores florestais) que propriedade do


empresário, qualquer que seja a forma de exploração das terras. A sua avaliação é feita pelo valor de
substituição das plantações obtido com base no custo de implantação (considerando apenas custos reais
até à fase de plena produção), excluindo o valor da terra. A amortização deve ser registada. Inclui o valor
despendido ao longo do exercício em culturas cuja permanência numa determinada área é superior a um
ano, e cuja produção ocorre ao longo de mais de um ano agrícola.

Diferimentos Ativos – Permite o registo de custos e proveitos nos exercícios a que respeitem e que não
pertençam ao ano em curso.

Dimensão Económica (DE) – A dimensão económica de uma exploração agrícola é determinada pelo valor
da Margem Bruta Total da exploração, que corresponde à soma das diversas Margens Brutas das atividades
desenvolvidas na exploração e é expressa em Unidades de Dimensão Europeia (UDE). Uma UDE equivale a
1200,00 euros; dividindo a Margem Bruta Total da exploração por este valor obtém-se a DE da exploração.
Calculada a DE da exploração, esta é classificada na correspondente de classe de DE.

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Eletricidade - Valor total da eletricidade consumida na exploração.

Encargos Específicos da Pecuária - Despesas relacionadas diretamente com a atividade animal que
dependem diretamente da dimensão física (nº de cabeças/ espécie). Distinguem-se os alimentos para gado
comprados e os Auto utilizados. Os alimentos comprados para herbívoros subdividem-se em alimentos
concentrados, por um lado, e em forragens por outro.

Encargos Reais Totais – Encargos Reais Totais = (Consumo Intermédio + Outros Encargos de Exploração) =
(Encargos Variáveis + Encargos Fixos).

Equídeos - Somatório dos valores de inventário de fecho, vendas, autoconsumo e pagamentos em


natureza, deduzidos dos valores de inventário de abertura e compras, para equinos, muares e asininos.

Equipamento (Capital Fixo Inanimado) – Equipamento importante e diverso, com o qual se realiza a
colheita, a extração, a armazenagem, a transformação ou elaboração de produtos agrícolas ou a prestação
de serviços. A avaliação é feita com base no valor de substituição. Inclui o valor despendido ao longo do
exercício em bens essenciais à obtenção da produção na exploração, relativamente perecíveis (vida útil
relativamente baixa) e normalmente de valor não muito elevado (comparado com as construções por
exemplo).

Fertilizantes e Corretivos do Solo - Conjunto dos adubos e corretivos incluindo terra vegetal, turfa e
estrume comprados, excetuando o estrume produzido na própria exploração.

Fitofármacos ou Produtos de Proteção das Culturas - Produtos utilizados na proteção das culturas contra
parasitas e doenças, predadores, intempéries (fungicidas. inseticidas e acaricidas, herbicidas e diversos
nematode Cidas, iscos, anti-abrolhantes, moluscicidas, raticidas, reguladores de crescimento, fertilizantes
foliares).

Flores - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo, pagamentos
em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário de abertura,
para as flores produzidas na exploração.

Florestas - Valor relativo ao conjunto de bens florestais (terra e arvoredo) de conta própria incluídos na
exploração agrícola, compreendendo as despesas de constituição correspondentes. Os valores
inventariados têm de ser sujeitos a amortização. Inclui o valor despendido ao longo do exercício na
aquisição ou beneficiação de terrenos e plantações de carácter exclusivamente florestal.

Forragens compradas - As forragens compradas incluem as despesas de utilização de pastagens coletivas,


não compreendidas na SAU, assim como as despesas de aluguer de superfícies forrageiras. Incluem-se,
igualmente, as camas e palhas compradas. Fruticultura - Somatório dos valores em avanços e armazém do
inventário de fecho, autoconsumo, pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de
avanços e armazém do inventário de abertura, para os produtos frutícolas produzidos na exploração; inclui
plantações de árvores de fruto e bagas, pomares de citrinos e culturas permanentes sob abrigo.

Horto-industriais e Melão - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho,


autoconsumo, pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém
do inventário de abertura, para os produtos horto-industriais e melão produzidos na exploração.

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Hortícolas de ar livre - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho,
autoconsumo, pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém
do inventário de abertura, para os produtos hortícolas ar livre produzido na exploração.

Hortícolas de forçagem - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho,


autoconsumo, pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém
do inventário de abertura, para os produtos hortícolas em forçagem produzidos na exploração.

Impostos e Taxas – Impostos, contribuições e taxas pagos pela exploração, incluindo os respeitantes à
proteção do ambiente, com exceção do IVA e dos impostos sobre a mão-de-obra. Não inclui os impostos
pessoais do empresário.

Investimento Total - Valor das compras, grandes reparações e produção de bens imobilizados realizadas
durante o exercício (não inclui reavaliações). Quando os investimentos originam prémios e subsídios,
indica-se o valor bruto dos investimentos, incluindo os prémios e subsídios. Este valor é desagregado de
acordo com a natureza dos bens: Terras Agrícolas; Melhoramentos Fundiários; Culturas Permanentes;
Construções; Equipamento; Florestas; Quotas e Outros Direitos.

Juros e Encargos Financeiros pagos - Juros e encargos financeiros sobre empréstimos (capital alheio)
contraídos para fins das atividades desenvolvidas no âmbito da exploração.

Legumes Secos - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo,
pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário
de abertura, para os legumes secos produzido na exploração.

Leite ou Produtos Lácteos Bovinos - Somatório dos valores de avanços e armazém do inventário de fecho,
vendas, autoconsumo, deduzido do somatório dos valores de avanços e armazém do inventário de
abertura, para leite de vaca e produtos lácteos de bovinos.

Leite ou Produtos Lácteos Caprinos - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho,
autoconsumo, pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém
do inventário de abertura, para leite de cabra e produtos lácteos de caprinos.

Leite ou Produtos Lácteos Ovinos - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho,
autoconsumo, pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém
do inventário de abertura, para leite de ovelha e produtos lácteos de ovinos.

Mão-de-Obra Assalariada - Mão-de-obra remunerada (em espécie e/ou natureza) normalmente pela
prestação de serviços fornecidos e que, durante o exercício (excluindo os feriados normais), participou nos
trabalhos da exploração, quer de forma regular, isto é, pelo menos durante um dia completo por semana
(mão-de-obra assalariada permanente), quer de forma não regular (mão-de-obra assalariada temporária,
que inclui os trabalhadores contratados "à tarefa").

Mão-de-Obra Total - Conjunto de pessoas que, durante o exercício contabilístico, trabalharam na


exploração agrícola. As pessoas que participaram nestes trabalhos por conta de outra pessoa ou empresa
não se incluem na mão-de-obra da exploração. Expressa em UTA (unidades de trabalho-ano).

Mão-de-Obra Total = Mão-de-Obra Assalariada + Mão-de-Obra Não Assalariada

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Madeira - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo,
pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário
de abertura, para madeira (em pé ou cortada).

Margem Bruta Total – A Margem Bruta de uma atividade agrícola é um indicador que representa a
diferença entre o Valor de Produção e os Custos Variáveis Específicos dessa mesma produção. Os custos
específicos da produção agrícola (vegetal e animal) incluem os custos com sementes e plantas, fertilizantes
e corretivos, pesticidas e produtos protetores das plantas, alimentação animal (forragens e alimentos
concentrados adquiridos) e outros encargos diretamente relacionáveis com a produção vegetal ou animal
(análises de solos, coberturas plásticas das culturas, aluguer de terras por um período inferior a um ano,
assistência e medicamentos veterinários, cobrições, inseminação artificial e castrações, contraste leiteiro,
armazenagem e acondicionamento de produtos da exploração fora da exploração, embalamento,
transformação e comercialização de produtos da exploração, etc.). A Margem Bruta Total de uma
exploração obtém-se somando as margens brutas das diferentes atividades agrícolas desenvolvidas na
exploração no ano em causa. A Margem Bruta de cada uma das atividades desenvolvidas na exploração
num determinado ano determina-se aplicando-se à produção física dessa atividade nesse ano (área e/ou
efetivo pecuário) a respetiva Margem Bruta Padrão regional, pré-calculada segundo uma metodologia
definida pelo EUROSTAT.

Melhoramentos Fundiários - Melhoramentos fundiários (e.g. muros, instalações de drenagem)


propriedade do empresário, qualquer que seja a forma de exploração das terras. Os melhoramentos
fundiários são avaliados pelo valor de substituição. Os valores de inventário têm de ser sujeitos a
amortização. Inclui o valor despendido ao longo do exercício em ações de beneficiação de carácter
duradouro ou permanente efetuados na exploração em fatores utilizados no sistema de produção da
mesma.

Milho - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo, pagamentos
em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário de abertura,
para o milho produzido na exploração.

N.º de Explorações Representadas – Soma dos coeficientes resultantes da divisão do número de


explorações presentes em cada estrato do campo de observação RICA pelo número de explorações
presentes em cada estrato da amostra RICA.

N.º de Explorações da Amostra RICA - Número de explorações da amostra real. (como apenas se divulga
neste relatório resultados para classes com mais de 9 explorações, pode suceder que dentro duma OTE, a
soma do número de explorações das distintas classes de dimensão económica não coincida com o valor
que aparece na coluna correspondente ao total das classes).

Oleaginosas - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo,


pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário
de abertura, para as oleaginosas produzidas na exploração; inclui a produção de semente das plantas
herbáceas oleaginosas e têxteis com exclusão do algodão.

Olivicultura - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo,


pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário
de abertura, para os produtos da olivicultura produzidos na exploração; inclui azeitonas para conserva
(azeitonas de mesa), azeitonas para azeite, azeite e outros produtos e subprodutos da olivicultura.

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Orientação Técnico Económica (OTE) - Determina o grau e o tipo de especialização de uma exploração
agrícola e é baseada na relação entre as diferentes atividades da exploração (frações da Margem Bruta
Total da exploração). Se 2/3 da Margem Bruta Total da exploração provém de uma atividade apenas, essa
exploração é considerada especializada nessa atividade; se apenas 1/3 da Margem Bruta Total provém de
uma atividade, a exploração é considerada orientada nessa atividade; se nenhuma das atividades da
exploração tiver Margem Bruta que represente 1/3 da Margem Bruta Total da exploração, esta é
classificada como mista nessas atividades.

Outros Animais – Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo e
pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário
de abertura, para outros animais e respetivos produtos.

Outros Cereais - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo e
pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário
de abertura, para outros cereais produzidos na exploração.

Outras Despesas Gerais - Todas as outras despesas da exploração não mencionadas nas rubricas anteriores
(e.g. contabilidade, despesas de escritório e administração, telefone, cotizações diversas, abonos).

Outros Encargos Específicos das Culturas - Despesas relacionadas diretamente com a produção vegetal
sempre que não estejam incluídas noutras rubricas: embalamento, análises de solos, coberturas plásticas
(e.g. para os morangos). Produtos para conservação e transformação, armazenamento e acondicionamento
fora da exploração, comercialização, montantes pagos pela compra de colheitas em “pé” de culturas
comercializáveis ou pelo aluguer de terras, por uma duração inferior a um ano, destinados a culturas
comercializáveis, valor das compras de produtos vegetais transformados (e.g. uvas) ocasionais e
complementares da produção da exploração.

Outros Encargos de Exploração – Encargos reais que não constituem consumos intermédios e que incluem
os salários e encargos sociais, os impostos e taxas, os encargos com seguros, as rendas, os juros e outros
encargos financeiros e as amortizações.

Outros Produtos Animais - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho,
autoconsumo e pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém
do inventário de abertura, para outros produtos animais tais como: estrume vendido, cobrições, outros
ovos para além dos de galinha, mel, hidromel e outros produtos e subprodutos da apicultura.

Outros Produtos Florestais - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho,
autoconsumo e pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém
do inventário de abertura, para resina, pinhas, pinhões, lenha, etc..

Ovinos (excluindo leite) - Somatório dos valores de inventário de fecho, vendas, autoconsumo e
pagamentos em natureza, deduzido do somatório dos valores de inventário de abertura e compras, para
ovelhas, carneiros e outros ovinos, acrescido do somatório dos valores de inventário de fecho, vendas,
autoconsumo e pagamentos em natureza, menos inventário de abertura para os respetivos produtos
animais.

Produção Agrícola Total – Somatório dos valores da produção vegetal, da produção animal e da produção
diversa.

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Produção Agrícola Total = Produção Vegetal + Produção Animal + Produção Diversa

Produção Animal – Somatório dos valores das compras menos vendas de animais, autoconsumo e
pagamentos em natureza de animais, variação de inventário de animais, vendas de produtos animais, auto
consumo e pagamentos em natureza de produtos animais (animais e produtos animais produzidos na
exploração), variação de inventário de produções animais.

Produção Diversa - Valores relativos às vendas, variações de inventário, autoconsumo, pagamentos em


natureza e produção de imobilizados. O valor aqui inscrito refere-se a investimentos em construções,
melhoramentos fundiários, etc. Estes montantes correspondem à estimativa dos valores dos fatores de
produção (trabalho, equipamento e capital circulante) que estão incluídos nos encargos do exercício.

Produção Florestal = Produção de cortiça + Produção de Madeira + Produção de outros produtos florestais.

Produção Total – Produção Total = Produção Agrícola Total + Produção Florestal.

Produção Vegetal – Valores relativos às vendas, variações de inventário, autoconsumo, pagamentos em


natureza e produção de imobilizados. A produção de imobilizados incluídos no produto bruto vegetal
referem-se ao investimento em plantações. Estes montantes correspondem à estimativa dos valores dos
fatores de produção (trabalho, equipamento e capital circulante) que estão incluídos nos encargos do
exercício.

Rendas - Rendas pagas (em valor monetário ou em natureza) pelas terras e construções em arrendamento.

Rendimento Líquido Empresarial (RLE) - Saldo contabilístico obtido adicionando ao excedente líquido de
exploração os juros recebidos pelas unidades agrícolas constituídas em sociedade e deduzindo as rendas
(isto é, rendas de terrenos e parcerias) e os juros pagos. Mede a remuneração do trabalho não assalariado,
das terras pertencentes às unidades e do capital. É semelhante ao conceito, usado na contabilidade das
empresas, de lucro corrente antes da distribuição e dos impostos sobre o rendimento.

RLE = VALcf – Salários e Encargos Sociais - Seguros – Rendas – Juros e Outros Encargos Financeiros

Salários e Encargos Sociais – Encargos com a mão-de-obra assalariada permanente, que incluem os salários
propriamente ditos, pagos em valor monetário (ao mês, à semana, ao dia, à hora ou à percentagem), os
salários pagos em natureza (produtos da exploração, alimentação, dormida, habitação), os prémios,
gratificações e gorjetas, os seguros contra acidentes de trabalho, os encargos sociais da responsabilidade
do empresário e aqueles que são pagos por este por conta dos assalariados e outras despesas referentes à
mão-de-obra assalariada permanente. Não inclui encargos com mão-de-obra assalariada eventual, nem os
encargos com a mão-de-obra não assalariada.

SAU de Conta Própria - Superfície agrícola utilizada (SAU), em ares - terras aráveis, prados e pastagens
permanentes e culturas permanentes - da qual o empresário é proprietário, usufrutuário ou enfiteuta e/ou
outra SAU explorada em condições semelhantes. Inclui as terras arrendadas prontas a semear. Os jardins
familiares não fazem parte da SAU.

SAU Total – Superfície agrícola utilizada (SAU) total em ares, corresponde ao somatório da SAU de conta
própria, com a de arrendamento e a explorada por outras formas.

SAU Total = SAU de conta própria + SAU de arrendamento + Outra SAU

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Seguros - Prémios de seguros que cubram os riscos de exploração tais como a responsabilidade civil do
empresário, incêndio, inundação, seguros de animais e culturas. Inclui prémios de seguros respeitantes a
construções da exploração de conta própria, que, em caso de arrendamento, são normalmente pagos pelo
proprietário.

Sementes e Plantas compradas - Conjunto de sementes e plantas compradas, incluindo bolbos e


tubérculos. Os custos das árvores e arbustos correspondentes a uma nova plantação constituem um
investimento. Os custos das árvores e arbustos para um repovoamento de pouca importância consideram-
se como encargos do exercício, com exceção dos custos respeitantes às florestas pertencentes à exploração
agrícola

Subprodutos - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo e


pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário
de abertura, para os subprodutos das produções vegetais (palhas, coroas de beterraba, outros
subprodutos) produzidos na exploração, excluindo os subprodutos da viticultura e da olivicultura.

Subsídios ao Investimento - Aumento significativo do capital individual da empresa através de fundos


financeiros exteriores à empresa agrícolas (Estado Português e União Europeia), obtido por
comparticipação em despesa de investimento elegível.

Subsídios Correntes - Somatório dos valores das ajudas públicas (do Estado Português ou da UE), normais
ou de calamidade, que constituem uma receita da exploração e que se destinam a cobrir parte dos custos
de produção e/ou a fazer baixar os preços de venda da produção, a compensar os produtores por perdas
de rendimento ou a compensá-los pela manutenção de boas práticas ambientais. Incluem subsídios a
bovinos, a ovinos e caprinos, ao leite e a produtos vegetais, ajudas agroambientais e ajudas do Regime de
Pagamento Único (RPU). Não incluem os subsídios ao investimento.

Suínos - Somatório dos valores de inventário de fecho, vendas, autoconsumo e pagamentos em natureza,
deduzido do somatório dos valores de inventário de abertura e compras, para leitões, porcas reprodutoras,
porcos de engorda e outros porcos.

Terras – As terras agrícolas (onde se inclui equipamento de rega fixo), que são avaliadas pelo preço de
mercado (livres de encargos de constituição) estabelecido para as terras não alugadas, com potencialidades
e localização semelhantes, e suscetíveis de comercialização para fins agrícolas. Estes bens não sofrem
depreciação.

Trigo - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo e pagamentos
em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário de abertura,
para trigo produzido na exploração.

UTA (Unidade de Trabalho Anual) - Unidade de medida equivalente ao trabalho de uma pessoa a tempo
completo realizado num ano medido em horas.

1 UTA = 1920 horas/ano = 240 dias/ano X 8 horas/dia

Valor Acrescentado Bruto a custo de fatores (VABcf) - Valor de produção deduzido das compras de bens e
serviços (excluindo as mercadorias) mais ou menos, consoante a variação positiva ou negativa dos stocks
de matérias primas subsidiárias e de consumo, e deduzidos de outros impostos sobre a produção ligados ao
volume de negócios mas não dedutíveis. Representa a fração que fica para distribuição do VAB, após o

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pagamento de todos os impostos sobre a produção e o recebimento de todos os subsídios sobre a
produção.

VABcf = VABpm - Impostos + Subsídios

Valor Acrescentado Bruto a preços de mercado (VABpm) – VABpm = Vendas + Variação de existências +
Trabalhos para a própria empresa + Proveitos suplementares - Custos das mercadorias vendidas e das
matérias consumidas - Fornecimentos e serviços externos.

VABpm = Valor de Produção – Consumo Intermédio

Valor Acrescentado Líquido a custo de fatores (VALcf) – Valor acrescentado bruto a custo de fatores,
deduzido do consumo de capital fixo (amortizações) de bens de equipamento, edifícios, construções e
plantações. Este valor destina-se a cobrir os custos com mão-de-obra assalariada, seguros, rendas, juros e
outros encargos financeiros e, ainda, a remunerar a atividade empresarial (lucro). VALcf = VABcf –
Amortizações

VALcf = Salários e Encargos Sociais + Seguros + Rendas + Juros e Outros Encargos Financeiros + RLE

Viticultura - Somatório dos valores em avanços e armazém do inventário de fecho, autoconsumo,


pagamentos em natureza e vendas, deduzido do valor do somatório de avanços e armazém do inventário
de abertura, para os produtos da viticultura produzidos na exploração; inclui uva de mesa, uva de vinho de
região demarcada, de região não demarcada, mostos, aguardentes, vinagre, sumos, vinho de região
demarcada, de região não demarcada, passas de uva, subprodutos da viticultura (bagaço, borras, etc.).

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CONCLUSÃO
Ao nível comunitário, os resultados desta rede de recolha de informação comunitária são
agregados numa base de dados comunitária de acesso livre, a qual permite a seleção de variáveis
bem como a visualização de relatórios on-line ou a exportação de ficheiros para uma folha de
cálculo.
Ao nível nacional, a RICA é utilizada na realização de estudos e relatórios sobre a
agricultura em Portugal. São frequentes utilizadores, além das direções de serviços do GPP, o INE,
o IFAP e até pelo próprio Ministro da Agricultura e universidades.
O organismo responsável pela RICA comunitária consegue antever, todos os anos, o
panorama geral da economia agrícola baseando-se nos fatores económicos e financeiros
recolhidos em cada EM. Procede a análises da situação das explorações agrícolas e estuda a sua
evolução, por área de produção bem como a estudos sectoriais que abrangem, entre outros, os
cereais, leite, suínos e bovinos, verificando a margem existente por unidade de produto e por
unidade de rendimento agrícola. São também produzidos relatórios com a evolução do
rendimento agrícola, da atribuição de pagamentos diretos bem como das Zonas Desfavorecidas.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
✓ http://www.gpp.pt/images/Agricultura/RICA/PubRICA.pdf
✓ http://ec.europa.eu/agriculture/rica/
✓ A contabilidade e a gestão na empresa agricola de FERNANDO VENTURA MENDES DA COSTA
✓ https://www.mbia.pt/guia-pratico-do-empreendedor-agricola/capitulo-2.html

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