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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

INSTITUTO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

ZOOTECNIA

EFEITO DA TEMPERATURA DA ÁGUA NO DESEMPENHO DE AVES DE POSTURA DA


LINHAGEM HIGH LINE BROWN NO SEMIÁRIDO

KARINE MATOSO ASSIS

KELLY CAROLINE DE OLIVEIRA PEREIRA

MATHEUS FERREIRA GONÇALVES

MATHEUS PEREIRA LIMA

PAULO HENRIQUE SOARES MAIA

THAISLANE MARIA LIMA DUARTE

TULIO CEZAR CAIAFA DE ALKMIM

MONTES CLAROS

MINAS GERAIS - BRASIL


2019
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

INSTITUTO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

ZOOTECNIA

EFEITO DA TEMPERATURA DA ÁGUA NO DESEMPENHO DE AVES DE


POSTURA DA LINHAGEM HIGH LINE BROWN NO SEMIÁRIDO

Projeto apresentado à Universidade Federal


de Minas Gerais, Instituto de Ciências
Agrárias, Campus Regional de Montes
Claros, como requisito avaliativo da
disciplina Bioclimatologia Animal.

Professor: Dr. Bruno Alexander Nunes Silva

MONTES CLAROS

MINAS GERAIS - BRASIL


2019
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 4
2. REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................................................... 5
2.1Panorama da avicultura de postura no Brasil ........................................................................................ 5
2.2 Mecanismos de dissipação de calor em aves ....................................................................................... 6
2.3 Estresse térmico por calor X Consumo de água ................................................................................... 7
2.4Efeitos da perda de calor via respiração em aves poedeiras ................................................................. 8
2.5 Efeito do resfriamento da água sobre o estresse calórico.................................................................. 10
4. HIPÓTESES ....................................................................................................................................... 11
5. OBJETIVOS ....................................................................................................................................... 12
5.1Objetivo geral ...................................................................................................................................... 12
5.2Objetivos específicos........................................................................................................................... 12
6. MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................................... 12
7. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO ................................................................................................. 14
8. ORÇAMENTO ................................................................................................................................... 15
9. REFERÊNCIAS ................................................................................................................................. 16
1. INTRODUÇÃO

A avicultura de postura no Brasil vem em constante crescimento. Segundo o


IBGE, a variação da produção de ovos produzidos no primeiro semestre de 2018 para o de
2019 é de 7,3% (TABELA 01).

Tabela 01 - Variação trimestral da produção de ovos no Brasil nos anos de 2018 e 2019
respectivamente
Produção de ovos de galinha (mil dúzias)
Mês Variação
2018 2019
%
Total do ano 1 740 602 1 867 195 7,3
Total do 1º Trimestre 861 067 924 748 7,4
Janeiro 292 446 316 209 8,1
Fevereiro 273 010 292 119 7,0
Março 295 611 316 420 7,0
Total do 2º Trimestre 879 535 942 447 7,2
Abril 292 410 314 967 7,7
Maio 297 813 318 605 7,0
Junho 289 312 308 875 6,8
Fonte: Adaptado de IBGE, 2019

Diferentemente dos frangos de corte, em que se busca aumento no desempenho


baseado principalmente em ganho de peso, aliado a uma idade de abate precoce que gira em
torno de 42 dias, nas poedeiras busca-se produtividade, postura iniciada mais rapidamente e
estendida, com o máximo de qualidade.
A linhagem Hy-Line Brown traz uma série de benefícios quando comparada à
outras, como: precocidade de postura, alta produtividade, excelente eficiência alimentar
dentre as pesadas, melhor qualidade interna de ovos e maior rentabilidade.
Sendo esta linhagem considerada pesada, como regra geral essas aves que se
caracterizam por produzir ovos marrons /vermelhos costumam consumir mais ração do que
aves leves produtoras de ovos brancos, há um reflexo financeiro no mercado brasileiro, onde
os ovos “vermelhos” são mais caros que ovos brancos, conforme tabela abaixo do CEPEA.
Eles são considerados, erroneamente, ovos caipiras ou de melhor qualidade (TABELA 02).

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Tabela 02 - Preços de ovos comerciais; caixa com 30 dúzias; à vista, média semanal.

BRANCO VAR./SEM (%) VERMELHO

27/09/2019 79,73 -0,02% 88,59


20/09/2019 79,74 -0,90% 88,9
13/09/2019 80,47 -0,22% 89,83
06/09/2019 80,65 5,17% 89,95
Fonte: Adaptado de CEPEA, 2019

Um dos fatores que causam a maior perda de água nas aves, é a produção de
ovos (PENZ, 2003). A produção da casca do ovo é dependente do cálcio hidrolisado livre
que é utilizado no processo de calcificação. Numa situação de desbalanço ácido-base, que
pode ocorrer quando a ave está sob estresse por calor, ela utilizará um mecanismo de troca
para se termorregular, aumentando sua frequência respiratória. Consequentemente ocorrerá
uma alcalose respiratória levando a uma alcalose metabólica, então o organismo passa a
aumentar a secreção de ácidos orgânicos para baixar o pH. No entanto, esse aumento de
ácidos orgânicos começa a complexar com o cálcio hidrolisado, o indisponibilizando para o
processo de calcificação.
Independente da linhagem genética, animais expostos à estresse térmico por
calor, que gera aumento na secreção dos ácidos orgânicos e interfere no processo de
calcificação, têm a espessura da casca do ovo diminuída, conhecida como o fenômeno do
ovo de casca mole. Por isso, é imprescindível ações que reduzam o estresse por calor e
melhorem a condição térmica para o animal.
Segundo Kirkpatrick & Fleming (2008), se a temperatura da água estiver menor
que a do ambiente, o seu consumo será maior. O resfriamento da água torna-se, portanto,
uma ação estratégica importante, já que favorece as trocas sensíveis.

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Panorama da avicultura de postura no Brasil

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e


a Agricultura (FAO, 2017), o Brasil se encontra em segundo lugar na produção de ovos em
toda a América latina, representando 50,943 bilhões. Segundo a associação brasileira de

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proteína animal (ABPA, 2016), São Paulo é o estado com maior atuação nesta área com
33,2% da produção nacional de ovos, e Minas Gerais se encontra em segundo lugar com
11,50% no ranking.
Em um comparativo com outras atividades agropecuárias, a avicultura se destaca
por representar alto nível tecnológico e digital, principalmente na avaliação de fatores
ambientais como por exemplo a temperatura, umidade, quantidade de dióxido de carbono,
amônia, barulhos e luminosidade nos galpões (Connolly,2018).
De forma geral, no Brasil é predominante o sistema intensivo, que utiliza gaiolas
convencionais em galpões abertos mais utilizado em granjas verticalizadas.
Consequentemente o uso frequente de galpões abertos nesse tipo de sistema tem o benefício
da ventilação natural, porém esse sistema sofre eventualmente grandes perdas econômicas
em decorrência da elevação média da temperatura, já que as zonas de latitudes baixas e zona
intertropical, são as que o clima geralmente é caracterizado por ser quente e úmido, e é onde
está situada a maior parte do território brasileiro, considerando que ao norte se passa a Linha
do Equador e ao sul o Trópico de Capricórnio.
As médias de temperatura no Brasil geralmente são muito superiores ao
desejável para o conforto térmico das aves. Especialmente no verão, a prioridade de manejo
deve ser voltada à situação de estresse por calor (SILVA et al., 2001). Por esse motivo,
grandes granjas produtoras de ovos, têm investido em mudança nas instalações aviárias, com
objetivo de climatizar o ambiente, proporcionando um maior conforto térmico para as aves
(BNDES, 2015).
Frente a isso, Barbosa Filho et al. (2007) e Costa et al. (2012) corroboram que
os altos níveis de produção alcançados na avicultura de postura se devem as várias mudanças
e inovações na nutrição e sanidade, sendo que para a consolidação da elevação desse status
produtivo, o monitoramento das variáveis bioclimáticas da instalação das aves e a
observação constante do comportamento das mesmas frente aos desafios e mudanças
climáticas, é fundamental para garantir resultados satisfatórios.

2.2 Mecanismos de dissipação de calor em aves

Borges et al. (2003) e Furlan, (2006) afirmaram que nas situações em que as aves
estão sob estresse térmico por calor, as reações fisiológicas tendem a acontecer para
maximizar a dissipação de calor corporal, através de mecanismos de perda de calor sensível
e latente.

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A troca sensível ocorre por mecanismos não evaporativos denominados
radiação, convecção e condução. Nesse tipo de mecanismo, as aves buscam eliminar o calor
excessivo, aumentando a área de contato da superfície corporal. Para tal, ela agacha, afasta
as asas do corpo induzindo a pilo-ereção, e através do aumento do fluxo sanguíneo para os
tecidos periféricos não protegidos por penas, como os pés, a crista e a barbela o sangue
transporta o calor do núcleo central, até a superfície corporal, otimizando a troca de calor com
o ambiente.
Outro mecanismo de dissipação de calor, sendo considerado principal, é o
resfriamento evaporativo respiratório, que ocorre quando as aves estão submetidas a altas
temperaturas. No caso de galinhas poedeiras, este mecanismo pode dissipar
aproximadamente 8% do calor metabólico produzido em um ambiente a 5ºC, e sob 35ºC,
cerca de 40% do calor é eliminado por via respiratória (SILVA, 2000).

2.3 Estresse térmico por calor X Consumo de água

Considerando que depois do oxigênio, a água é o nutriente mais importante para


o ser vivo, o seu consumo diário é vital para as aves de produção, as quais conseguem
sobreviver até 30 dias sem alimento e morrem assim que perdem 20% da água presente em
seu organismo (VOHRA, 1980).
Em resposta as normas de conduta adotadas para maximizar as troca de calor
sensíveis, a ave aumenta o seu consumo de água, aliando esta conduta a perda de calor
sensível. Quando a água está fria, ocorre o aumento da produção de urina, onde acontece a
perda de calor sensível via excreção ( Borges et al., 2003).
Em uma condição de estresse por calor, a água exerce a importante função de
auxiliar os mecanismos de termorregulação, visto que a ave aumenta o seu consumo hídrico
quando está desafiada termicamente. Por isso a qualidade e a temperatura dessa água, são
fatores determinantes para o aumento do seu consumo.
Para uma eficiente redução da temperatura corporal, a água deve estar em torno
de 20ºC (MACARI & FURLAN, 2001). Em ambientes quentes, os animais devem ter uma
ingestão de água com intervalos regulares, para o auxílio de seus mecanismos
homeotérmicos. No caso de aves, quando a temperatura da água está acima da temperatura
ambiente, o consumo cessa (CURTIS, 1983).
A energia da dieta ingerida pelas aves de postura, é destinada para a produção
de ovos minoritariamente, sendo que a sua prioridade energética é a manutenção fisiológica

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nos processos de homeotermia. Parte desta energia também pode ser dispersa através de
processos de transferência de calor, que são a condução, convecção radiação e evaporação
(SILVA & SEVEGNANI, 2001).
Devido a maximização destes processos frente á um estresse térmico por calor,
pode ocorrer a queda na produção de ovos, e isso está diretamente ligado à diminuição de
ingestão alimentar, culminando num déficit nutricional ocasionado principalmente pela falta
de apetite, consequência desse estresse térmico.
Em um contexto geral, as aves saudáveis têm um consumo médio de 1,5-2,0
vezes mais água do que ração. Segundo LEESON & SUMMERS (1991) após a ovoposição,
as aves têm pico de ingestão de água, pois se trata de um período de estresse calórico, sendo
por volta de 11-12 horas. Este pico de ingestão é mais acentuado em condições bruscas de
estresse, entretanto nem sempre há condições favoráveis de temperatura e qualidade da água
para consumo das aves. Quando em situação de estresse por calor onde ocorre a elevação
da temperatura, esse consumo tende a aumentar, demonstrando a relação existente entre o
consumo hídrico e consumo alimentar (Payne,1967).
Estes efeitos de alteração no consumo, estão relacionados com a resposta
desencadeada no nervo lingual da ave. Quando a temperatura da água está em torno de 24ºC,
este estímulo nerval é desencadeado. Ao ocorrer o aumento da temperatura para 36ºC, há
grande aumento da atividade nervosa, dez vezes maior do que à temperatura de 24 ºC. O
efeito neurofisiológico, mostra que o aumento da temperatura da água para acima de 24 ºC
é perceptível pela ave, sendo transmitida por informação térmica emitida pelo sistema
nervoso central.
Portanto, em uma situação em que o animal tenha possibilidade de escolha, a
água consumida será a com temperatura inferior a 24ºC (MACARI, 1996).

2.4 Efeitos da perda de calor via respiração em aves poedeiras

A energia destinada a produção é desviada para manutenção da homeotermia


corporal das aves, quando as mesmas passam por um estresse térmico, desencadeando ações
e processos fisiológicos. (MACARI; FURLAN; MAIORKA, 2004; YAHAV et al., 2005).
Quando o estresse térmico é decorrente do aumento da temperatura, as aves dissipam calor
por diferentes mecanismos de troca, sendo o aumento da frequência respiratória o mais
eficiente, dentre outros já mencionados anteriormente. Esses mecanismos agem de maneira
compensatória, para maximizar a dissipação de calor e alcançar o equilíbrio térmico,

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processo que envolve um gasto energético, refletindo na eficiência produtiva da ave.
Os mecanismos de perda de calor via respiração podem causar problemas para
as aves, quando este ocorre em excesso desencadeando quadros de hipertermia. Alguns deles
são: A geração de calor pela contração muscular devido ao aumento da frequência
respiratória (FR), desequilíbrio ácido-base pois com o aumento da FR, a hiperventilação
provoca uma eliminação excessiva de dióxido de carbono,(CO2) que é o produto final da
oxidação dos carboidratos, lipídeos e proteínas, sendo assim muito importante no
metabolismo, pois sua reação com água, através da enzima anidrase carbônica, forma o ácido
carbônico (H2CO3) que age no tamponamento do pH sanguíneo (FURLAN et al., 1994;
TAMIETTI, 2011), representado no esquema (FIGURA 01).

Figura 01 - Aumento na taxa respiratória, resultando em perdas excessivas de dióxido de carbono


(CO2 ). Assim, a pressão parcial de CO2 (pCO2) diminui, levando à queda na concentração de ácido
carbônico (H2 CO3 ) e hidrogênio (H+ ) levando ao aumento do Ph sanguíneo e consequente alcalose
respiratória.

CO2 H2CO3 H+ H+
H+ H+ H pH sanguíneo

Alcalose respiratória

Fonte: Borges et. al., 2003.

Este desequilíbrio eletrolítico causado pela alcalose, têm reflexo direto na


produção de ovos, pois com o aumento do pH, as ações eletrolíticas vão estar prejudicadas,
desequilibrando também a concentração de minerais para formação do ovo,como o cálcio
livre no sangue, que vai sofrer uma redução. O cálcio é depositado na casca sob a forma de
carbonato de cálcio e a redução de sua concentração pode resultar em ovos pequenos, de
casca fina ou até mesmo sem casca (TAMIETTI, 2011).
As aves também diminuem o consumo de ração quando estão sob estresse
térmico por calor. Isso ocorre devido a diminuição do calor interno, pois a digestão e
absorção de nutrientes provenientes da dieta geram calor metabólico e essa energia é liberada
na forma de calor, denominada “incremento calórico”.
Dessa maneira, as aves utilizam a gordura corporal como fonte de energia, que
em comparaçaõ à proteínas e carboidratos produz menor incremento calórico. Entretanto, no

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ato de reduzir o consumo de ração na tentativa de diminuir a produção de calor endógeno,
há um déficit na ingestão de nutrientes que estariam presente na dieta (NASCIMENTO e
SILVA, 2010), prejudicando o desenvolvimento tanto da ave, quanto do próprio ovo.
A elevação da produção de calor, leva a ave à uma condição de estresse, e como
consequencia ocorre o aumento na concentração de corticosterona no organismo,
provocando um aumento do turnover protéico. Dessa forma, a taxa da quebra de proteína é
elevada, o que aumenta a produção de calor prejudicando o desempenho. (QUINTEI-RO
FILHO et al., 2010).

2.5 Efeito do resfriamento da água sobre o estresse calórico

Quando aves de postura se encontram sob estresse calórico, a sua produção sofre
um declínio, em relação aquelas que estão em zona termoneutra, ou seja sob conforto
térmico, onde não precisam perder nem produzir calor, minimizando seu metabolismo e
expressando seu potencial genético (BRIDI,?).
Bell (1987), demonstrou em seu tabalho que aves ingerindo água com
temperatura à 32ºC, obtiveram uma queda de desmpenho significativa em comparação às
aves que receberam água com temperatura à 27ºC. As aves avaliadas tinham idade entre 25
e 29 semanas.
Mais tarde, Leeson & Summers (1991) demonstraram a melhora no consumo de
ração pelas aves, considerando variação extrema na temperatura da água oferecida para as
poedeiras, sendo à 33 e 2ºC. Os melhores resultados de consumo de ração, produção e peso
dos ovos, foram observados pelos autores, nas aves que consumiram a água à 2ºC. Diante
do exposto, pode-se perceber que a temperatura da água afeta diretamente a produção das
aves.

3. PREMISSA

Em temperaturas normais, as aves consomem pelo menos o dobro de água que a


ração. Quando ocorre o estresse térmico, este consumo aumentará ainda mais podendo até
quadruplicar. (Carter e Sneed, 1987).
O estresse por calor nas galinhas poedeiras diminui a produção de ovos (Arima
et al., 1976; Muiruri e Harrison, 1991; Whitehead et ai., 1998; Mashaly et al., 2004), peso
do ovo (Miller e Sunde, 1975; Balnave e Muheereza, 1997), qualidade da casca (Miller e

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Sunde, 1975; Arima et ai., 1976; Emery et ai., 1984; Mahmound et al., 1996), peso corporal
(Scott e Balnave, 1988) e é geralmente acompanhada de uma redução na ingestão de
alimento, o que poderá reduzir a produção de ovos.
Para aliviar os efeitos do estresse térmico nas galinhas poedeiras, várias
abordagens foram examinadas ao longo dos anos (Deaton et al., 1981; Smith, 1981; Carr e
Carter, 1985; de Andrade et al., 1977; Balnave e Muheereza, 1997; Wolfenson et al., 2001;
Awoniyi, 2003; Balnave, 2004; Sete de 2008). São eles: isolamento do telhado, orientação
edifícios para maximizar a ventilação natural, a instalação de ventiladores para aumentar a
ventilação, o resfriamento evaporativo e melhorar as necessidades nutricionais da dieta.
Há pouca informação publicada disponível sobre o efeito da temperatura da água
potável fornecida as aves durante a exposição ao calor (Xin et al., 2002).
Por estes motivos, faz-se necessário o estudo para avaliar até que ponto a
temperatura da água fornecida para aves poedeiras, especificamente galinhas da linhagem
High Line Brown, irá influenciar na produção e desempenho destes animais.
O trabalho será em uma granja experimental localizada no norte de Minas
Gerais. Serão utilizadas 40 aves, com idade média de 18 semanas. Cada uma delas e seus
respectivos ovos produzidos serão um objeto de avaliação distinto.

4. HIPÓTESES

• As atuais linhagens de galinhas poedeiras são cada vez mais produtivas,


graças ao avanço do melhoramento genético, aliado aos planos nutricionais
aplicados. Entretanto, água de boa qualidade deve estar disponível às aves o
tempo todo.
• Água e consumo de ração estão diretamente relacionados - quando as aves
ingerem menos água, elas consomem menos ração e a produção cai rapidamente.
• Como regra geral, aves saudáveis consomem 1,5-2,0 vezes mais água do que
ração. Essa taxa aumenta em ambientes com altas temperaturas.
• A água resfriada tem influência sobre a eficiência de termorregulação, o que
melhora o desempenho produtivo em aves de postura sobre estresse térmico por
calor.

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5. OBJETIVOS

5.1 Objetivo geral

Avaliar o desempenho da produtividade e qualidade dos ovos em poedeira da


raça Hy-line Brow sob influência da temperatura da água na estação de verão no clima
semiárido norte mineiro.

5.2 Objetivos específicos

• Analisar temperatura corporal das aves;


• Observar níveis de T3 e T4 sanguíneos;
• Analisar qualidade da casca dos ovos;
• Análise comportamental das poedeiras;
• Produtividade em postura.

6. MATERIAL E MÉTODOS

A fase de experimentação será conduzida em uma granja experimental


localizada no município de Montes Claros, região norte do estado de Minas Gerais, que
apresenta altitude de 661 m, latitude -16.737º S e longitude -43.8647º W. Segundo a
classificação climática de Köppen-Geiger, o clima da região é Aw, caracterizando-o como
tropical com estação seca ou semiárido.
O experimento será realizado em Delineamento Inteiramente Casualizado
simples; serão utilizados 40 animais da linhagem Hy-Line Brown em fase inicial de postura
(18 semanas de vida), distribuídos casualmente entre dois tratamentos, sendo 20 animais por
tratamento: o primeiro consistirá no fornecimento de água refrigerada (20ºC) e o segundo,
água na temperatura ambiente. Considerando que no galpão experimental, onde o ensaio
ocorrerá, há duas linhas de gaiolas, sendo 10 gaiolas por linha, em cada gaiola serão alojadas
duas aves e cada linha de gaiolas receberá um tratamento diferente. A água, tanto refrigerada
quanto à temperatura ambiente, será fornecida através de bebedouros tipo nipple, acoplados
em um cano de PVC que servirá de linha d’água.

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A água utilizada no primeiro tratamento será armazenada em um reservatório em
tanque diferente do que é utilizado normalmente no galpão; ela será canalizada do tanque a
um bebedouro industrial, no qual estará inserido o cano de PVC que formará a linha d’água
do primeiro tratamento; o cano passará pelas gaiolas e voltará novamente para o tanque,
formando um sistema fechado. Serão instalados três sensores ao longo da linha d’água
refrigerada, para a detecção do aumento da temperatura da água, e um sensor no local de
refrigeração para controle da temperatuda da água que sairá do reservatório. Se houver
aumento, a água será enviada do cano para o tanque reservatório sob o estímulo de uma
bomba.
A metodologia utilizada será o teste de tolerância ao calor, através da aferição
da temperatura cloacal das aves (TC) e avaliação da frequência respiratória (FR), sendo que
estes parâmetros fisiológicos serão coletados diariamente, às 7, 14 e 19 horas do horário de
Brasília (BRT: UTC-3). Além disso, haverá coleta sanguínea das aves semanalmente para
exames de quantificação dos níveis dos hormônios T3, T4 e cortisol. Também será realizada
a avaliação da qualidade externa dos ovos postos pelas aves durante a execução do
experimento por meio da medição da resistência à ruptura, através de um texturômetro;
medição da espessura da casca, mediante um micrômetro; e método da gravidade específica,
por imersão do ovo fresco em água com salinidade de 1.065 a 1.100 m. Os parâmetros
relacionados à qualidade do ovo serão coletados semanalmente e os ovos serão enviados à
Universidade Federal de Minas Gerais para que as devidas análises possam ser feitas, assim
como as amostras sanguíneas para as quantificações hormonais. A temperatura ambiente
(TA) e umidade relativa do ar (UR) serão medidas diariamente, aos mesmos horários da
coleta dos parâmetros fisiológicos, e serão armazenadas através de um data logger
programado anteriormente para aferir os dados.

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7. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO

CRONOGRAMA

2019/2020

Atividades
Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul

Escolha do tema X

Revisão
X X X
Bibliográfica

Orçamento X

Coleta de Dados
X X
na Granja
Analise dos
X X X
dados

Tabulação dos
X X X
dados obtidos

Publicações X

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8. ORÇAMENTO

Item Material Quantidade Preço unitário Preço total


1 Caneta 2 R$ 1,00 R$ 2,00
2 Papel para 1 pacote R$ 8,00 R$ 8,00
ficha
3 Fita adesiva 1 R$ 2,50 R$ 2,50
4 Grampeador 1 R$ 5,00 R$ 5,00
5 Pasta fichário 1 R$ 15,00 R$ 15,00
6 Pasta 1 R$ 2,00 R$ 2,00
convencional
7 Balança de 1 R$ 50,00 R$ 50,00
precisão
8 Animais 40 - Fornecidos pela
granja
9 Ração - Fornecidos pela
granja
10 Cano de8 pvc 20 metros R$ 1,50 R$ 30,00
11 Sensor de 4
temperatura
12 Nipple 20 R$ 1,50 R$ 30,00
13 Gaiola 20 - Fornecidos pela
granja
14 Bebedouro 1 R$ 600,00 R$ 600,00
industrial
15 Termômetro 1 R$ 20,00 R$ 20,00
16 Agulha 1 caixa R$ 15,00 R$ 15,00
17 Seringa 1 caixa R$ 18,00 R$ 18,00
18 Eletrobomba 1 R$ 20,00 R$ 20,00
19 Data logger 1 R$ 300,00 R$ 300,00
20 Texturômetro 1 R$ 50.000,00 R$ 50.000,00
21 Micrômetro 1 R$ 150,00 R$ 150,00
22 Sensor de 1 R$ 80,00 R$ 80,00
temperatura
Total R$ 51.347,50

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9. REFERÊNCIAS

AMARAL. Tarcísio Franco. Cenário da avicultura de Minas Gerais, Exclusivo. Avicultura


industrial, abril.2016. Disponível em:
<https://www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/cenario-da-avicultura-de-minas-gerais-
exclusivo/20030715-163603-0122>Acesso em: 26 out.2019.

BARBOSA, José Antonio Delfino. Avaliação do bem-estar de aves poedeiras em diferentes


sistemas de produção e condições ambientais, utilizando análise de imagens.2004.191 p,
tese mestrado em agronomia. Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”,
Universidade de São Paulo, São paulo. Disponível em:
<https://teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11131/tde- 11052005144156/publico/jose.pdf>
Acesso em: 01 nov. 2019

BARBOSA, T.M. et al. A importância da água na avicultura. PUBVET, Londrina, V. 8,


N. 19, Ed. 268, Art. 1785, Outubro, 2014.Disponível em:
<http://www.pubvet.com.br/uploads/86c0d5e33ab6cfd6a2177d6d227720dd.pdf>, acessado
em: 21 out.2019

BORGES, S.A et al. Fisiologia do estresse calórico e a utilização de eletrólitos em frangos


de corte. Ciência Rural, v. 33, n. 5,p, 975. set-out, 2003. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/cr/v33n5/17148.pdf> Acesso em: 04 nov. 2019

BRIDI. Ana Maria. Adaptação e aclimatação animal. 2001?.15 p. Disponível em:


<http://www.uel.br/pessoal/ambridi/Bioclimatologia_arquivos/AdaptacaoeAclimatacaoAni
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CONNOLLY, Aidan. Era digital: O futuro da tecnologia avícola. Maio.2018. Disponível


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avicola/20180522-093843-w047> Acesso em: 28 out. 2019.

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em:< http://www.pubvet.com.br/uploads/fe2366b3bee041c79690dfe74f637380.pdf>
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