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EXMO. SR. DR.

JUIZ DE DIREITO DO ___ JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE


JABOATÃO DOS GUARARAPES-PE
Com pedido liminar
TAL ME, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº __, com endereço sito à Rua
_________, por sua advogada infra-assinada, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência,
com fulcro nos artigos 186 e 927 do CC, propor
AÇÃO DE RESTITUIÇÃO DE VALOR c/c INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL,
em face de BANCO TAL S/A, com sede em _____, inscrito no CNPJ sob o nº ____, pelo que
requer citação e intimações no seguinte endereço: Rua _________; e em face de FULANO,
sobre o qual não possui quaisquer informações concretas, porém, em consulta à internet
verificou que o mesmo é microempresário com razão social ______ e endereço profissional
sito à Rua __________, São Paulo-SP, pelo que requer expedição de carta precatória, pelos
seguintes fatos e fundamentos:
DOS FATOS
No dia 22.02.2014 a requerente enviou seu portador até uma das sucursais da requerida
para efetuar um depósito na conta da fornecedora CICLANA, AG __, C/C ___, no valor de R$
300,00 (trezentos reais).
Tendo notado após alguns dias que este depósito não teria sido compensado como
esperado, uma vez que recebera ligação da fornecedora alegando não ter acrescido em sua
conta o valor depositado, procurou a gerência da instituição Requerida situada em ____, Sra.
______, para que pudessem, de comum acordo, solucionar este impasse, uma vez que a
Requerente tem em mãos o comprovante de depósito impresso confirmando que houve
erro material por parte do portador, ao passo que no ato da digitação não fora registrado
um dos números da conta e procedeu com seguinte digitação: AG __, C/C ___.
Ato contínuo foi informada pela gerente da repartição que, em casos como este, o
depositante não pode atribuir a responsabilidade à instituição, já que no momento do
depósito é a própria pessoa que o efetua. Ignorando completamente o documento que
comprova não ser aquele o destinatário do crédito. E para maior surpresa, a gerente
supramencionada informou que a recorrente deveria entrar em contato com o recebedor
do valor para caso o mesmo quisesse devolver o dinheiro, e que somente dessa forma a
requerente conseguiria dirimir o conflito, fornecendo nome e número de telefone: _______,
tentou fazer contato com o titular da conta, que resultou negativo.
Indignada com a situação, ainda realizou tentativa de contato via SAC, protocolo nº _________,
porém recebera mesma resposta negativa, e após ouvir a gerente e o SAC alegando não
poder ressarcir o cliente por se tratar de um erro de preenchimento, resta à Requerente
apenas recorrer-se às vias judiciais.
O erro seria de fácil constatação, bem como seu conserto instantâneo. Mas tal não ocorreu,
porque a pessoa depositante não teve o cuidado necessário de conferir o recibo que lhe foi
entregue, de modo a verificar a correção do depósito.
De outro modo, resta evidente que o depósito foi equivocado em razão do erro constante
na guia de depósito, relativo ao destinatário. Assim, é de ser acolhido o pedido no sentido
de determinar a transferência do valor depositado para a agência da credora
supramencionada.
Verifica-se, de outra banda, impossível ao autor obter a autorização do correntista FULANO
para a transferência, como quer fazer crer o banco demandado, posto que é pessoa
desconhecida. Contudo, não pode o requerente ser prejudicado por este fato, até porque o
correntista não tem qualquer relação com o dinheiro depositado na sua conta, não sendo
ele o destinatário da quantia.
Com efeito, é de ser reconhecido o direito à transferência do valor para a credora correta,
em face das evidências que atribuem verossimilhança aos argumentos do autor (números
de contas e agências semelhantes e boa-fé processual), aplicando-se, assim, o princípio da
equidade.
Tendo havido erro em relação ao credor da conta onde deveria ter sido efetuado o
depósito, é cabível a pretensão inicial, fins de evitar o enriquecimento indevido do banco
réu, e do próprio correntista, já que demonstrado que a destinatária do depósito era outra
correntista, CICLANA, do mesmo banco, qual seja, o Banco ____, ora réu, e que o beneficiário
do depósito era pessoa diversa de FULANO.
DA LIMINAR
Liminarmente se faz necessária a concessão da medida protelatória no sentido de que seja
determinado por este Juízo o bloqueio da quantia depositada equivocadamente, tendo em
vista a requerente se manter em débito com sua fornecedora, CICLANA, no valor de R$
300,00 (trezentos reais), com a consequente determinação para que o primeiro
demandado realize o depósito ou transferência do numerário despendido para a conta da
fornecedora supramencionada, sob pena de multa diária não inferior a R$ 1.000,00 (hum
mil reais em caso de descumprimento).
A tutela antecipatória pode ser concedida no curso do processo de conhecimento,
constituindo verdadeira arma contra os males que podem ser acarretados pelo tempo do
processo, sendo viável não apenas para evitar um dano irreparável ou de difícil reparação
(art. 273, I, CPC), mas também para que o tempo do processo seja distribuído entre as
partes litigantes na proporção da evidencia do direito do autor e da fragilidade da defesa
do réu (art. 273), II e § 6ª, CPC.
Em última analise, é correto dizer que a técnica antecipatória visa apenas a distribuir o
ônus do processo. É preciso que os operadores do direito compreendam a importância do
novo instituto e o usem de forma adequada. Não há motivos para timidez no seu uso, pois o
remédio surgiu para eliminar um mal que já está instalado, uma vez, que o tempo do
processo sempre prejudicou o autor que tem razão. É necessário que o juiz compreenda
que não pode haver efetividade sem riscos. A tutela antecipatória permite perceber que
não é só a ação (o agir, a antecipação) que pode causar prejuízo, mas também a omissão.
DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA
Vem requerer os benefícios da gratuidade da justiça, por ser Microempresa, o que se pode
considerar pobre na forma da lei e não tem condições de arcar com despesas processuais.
DO DIREITO
Determina o art. 186, do Código Civil: "Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito", o que acarreta a responsabilidade de reparação
do dano.
Segundo o art. 927 do CC, "aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo".
Assim sendo, tendo em vista que a instituição Requerida agiu com negligência ao se
esquivar de erro cometido, verifica-se, a sua evidente responsabilidade em reparar os
prejuízos suportados pela Requerente.
“O enriquecimento sem causa encontra-se regulado pelos artigos 884 a 886 do Código Civil. A pessoa física ou
jurídica que enriquecer sem justa causa, em razão de negócio jurídico realizado, dará ensejo ao lesado a ajuizar
ação visando à restituição do valor recebido indevidamente, atualizado monetariamente. A propósito da correção
monetária, transcrevo o conceito que o jurista Álvaro Villaça Azevedo dá a esse instituto: “A própria expressão
denota, correção monetária é um corretivo, que tem por objeto manter atualizada, no tempo, em seu valor,
determinada espécie de moeda”.

O legislador esteve atento para que o enriquecimento sem justa causa em negócio jurídico
que tenha por objeto coisa determinada, dando ao prejudicado o direito de pleitear a sua
restituição, mediante o ajuizamento de ação própria, como foi referido acima, caso a coisa
dada no negócio encontre-se no mesmo estado que se encontrava quando foi entregue para
a parte que o lesou, réu na ação que tenha sido intentada para que restitua o que recebeu
indevidamente.
Caso não mais subsista a coisa que foi objeto do negócio jurídico, quem a recebeu deverá
restituir, não na coisa em si, já que esta não está em condições de ser restituída, mas o valor
do bem, tomando-se por base a sua avaliação na época em que foi entregue para a pessoa
que, com esse negócio, enriqueceu em detrimento ao empobrecimento de quem da coisa se
desfez, na forma estatuída pelo Código Civil, art. 884 e seu parágrafo único.
Cumpre lembrar que, na forma prevista pelo art. 885, a restituição é devida não apenas no
caso de enriquecimento sem causa, como foi mencionado acima, mas também se esta
deixou de existir, ou seja, se na época em que o negócio jurídico foi realizado a parte
enriqueceu com justa causa e depois desse ato algum fato novo ocorreu que veio modificar
a causa, passando, com isso, a configurar-se enriquecimento sem justa causa. Nesse caso,
deverá ser restituída a coisa ou quantia à parte prejudicada, aplicando-se para esse caso o
que preceitua o Código Civil, art. 884 e seu parágrafo único.
Há, no entanto, a exceção prevista pelo art. 866, no que diz respeito à de restituição da
quantia ou da coisa recebida, quando se verificar enriquecimento sem causa [contrariando
a regra disposta no art. Art. 884 e seu parágrafo único], ou seja, quando existir lei prevendo
outros meios para que o lesado possa ressarcir-se do prejuízo sofrido. Portanto, nesse caso,
não haverá a restituição da coisa ou da quantia recebida em razão do negócio jurídico, mas
o ressarcimento pela forma prevista em lei; não se fala, pois, nessa hipótese, em restituição
(art. 866).
A parte lesada que pretenda obter a restituição dos valores ou da coisa determinada por
quem o lesou, poderá ver atendido o seu pleito se o fizer no prazo de três anos, tempo
limite para que esse pedido seja feito, já que após esse lapso de tempo o direito a ação
estará prescrito, consoante estatui o art. 206, § 3º, IV, do Código Civil. Ajuizada a ação em
tempo hábil, com a produção de provas inerentes ao feito, o êxito da ação, com base nesses
preceitos legais, é praticamente certo, uma vez que a ninguém é permitido enriquecer-se
ilicitamente.”
DO DANO MORAL
Quanto ao pedido de indenização por danos morais, devem os demandados arcarem com
todos os transtornos, aborrecimentos e constrangimentos inequivocamente vivenciados
pela parte autora.
Convém esclarecer que por dano moral entende-se aquele que repercute nos sentimentos
internos da pessoa, ou seja, na sua esfera íntima, consistente em uma violação dos direitos
da personalidade, uma afronta à dignidade, devendo ser indenizado consoante autoriza o
art. 5º, inciso X da Constituição Federal.
A fixação da indenização por danos morais deve atender as peculiaridades do caso,
circunstâncias e extensão do evento danoso, visando evitar a repetição da conduta
indevida, para incutir-lhe o temor e o sentido de maior cautela, como efeito pedagógico,
motivo pelo qual deve ser estipulada a quantia não inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais).
Nobre Julgador, os atos praticados irregularmente pelos réus ensejam o direito à
indenização por dano moral, quando:
a) Conforme se pode comprovar, no caso descrito há erro grosseiro e inércia na
responsabilidade do banco requerido, tendo em vista ensejar provocação no judiciário com
circunstância que poderia ser solucionada administrativamente. Principalmente pela mora
no serviço prestado e pela afronta à ordem jurídica, tendo em vista a requerente ainda se
encontrar em débito com a fornecedora por não fazer parte dos seus planos orçamentários
tal circunstância tão incômoda e não ter condições de retirar valores de pagamento de
determinado credor para cobrir outra lacuna deixada não por sua vontade, mas por mora e
negativa do serviço bancário.
b) Tais fatos ainda ensejam indenização por parte do segundo demandado, tendo em vista
o mesmo ter recebido valor não relativo a si e mesmo assim ter se apoderado como se seu
fosse, tendo, inclusive, não respondido às diversas tentativas de contato por parte da
requerente, o que provavelmente poderia já prever a perda do numerário em sua conta,
diga-se de passagem, de propriedade de outrem.
Ademais, se faz necessária a garantia do beneficio do ônus da prova, pelo que reza o inciso
VIII, do artigo 6º, do CDC. Como também arcar com despesas e custas processuais, bem
como honorários sucumbenciais.
Corroborando com o supramencionado, esse é o entendimento dos tribunais:
Direito Processual Civil. Embargos de Declaração. Erro material. Liberação parcial de bloqueio judicial de depósito
em conta-corrente. Menção equivocada do Banco do Brasil. O correto é Banco de Brasília – BRB. Recurso
conhecido e provido. (Órgão 2ª Turma Cível, Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento
20130020048894AGI, Relator Desembargador WALDIR LEÔNCIO LOPES JÚNIOR, Acórdão Nº 696.743), Data:
24.07.2013).
NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. DEPÓSITO EQUIVOCADO EM CONTA-CORRENTE DE TERCEIRO. BLOQUEIO PELA
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DEVOLUÇÃO AO DEPOSITANTE. CABIMENTO. AGRAVO RETIDO E APELO DA PARTE RÉ
DESPROVIDOS. APELO DO AUTOR PROVIDO. (APELAÇÃO CÍVEL, DÉCIMA SEXTA CÂMARA CÍVEL, Nº 70045220852,
COMARCA DE PORTO ALEGRE. Relator: DES. PAULO SERGIO SCARPARO. DATA: 26.01.2012).
PROCESSUAL CIVIL. MULTA CONTRATUAL. REDUÇÃO. POSSIBILIDADE. LEGITIMIDADE DE PARTE. MATÉRIA DE
ORDEM PÚBLICA. PRECLUSÃO PROJUDICATO. IMPOSSIBILIDADE. 1 – Segundo iterativos precedentes desta Corte a
multa contratual pode ser reduzida, ao prudente critério do juiz, quando observada, no caso concreto, indevida
exacerbação que importe em verdadeiro enriquecimento sem causa. 2 – Legitimidade de parte é matéria de
ordem pública, analisável em qualquer grau de jurisdição. Inexistência de preclusão pro judicato. 3 - Agravo
regimental não provido”. (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 2005/0049950-0, em 21/08/2007,
Relator o Ministro Fernando Gonçalves, Quarta turma do STJ)

DOS PEDIDOS
Ante o exposto, requer de Vossa Excelência:
a) Seja concedida, inaudita altera partes, a liminar para determinar-se o bloqueio da
quantia constante da conta do segundo demandado, bem como a determinação ao
demandado __ S/A seja efetuado depósito ou transferência do numerário para a conta da
verdadeira credora do valor ora discutido, com aplicação de multa diária não inferior a R$
1.000,00 (hum mil reais em caso de descumprimento);
b) A citação da instituição Requerida, na pessoa de seu representante legal, para, se assim
quiser, contestar a presente ação, sob pena de revelia e de confissão, nos termos dos arts.
285 e 319 do Código de Processo Civil;
c) A citação do demandado FULANO através de expedição de carta precatória;
d) Seja julgada procedente a presente ação, condenando os requeridos ao pagamento de
indenização por dano moral na quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), bem como à
restituição do valor despendido pela requerente, qual seja, R$ 300,00 (trezentos reais);
e) A garantia do beneficio do ônus da prova, pelo que reza o inciso VIII, do artigo 6º, do
CDC;
f) Seja condenada ao pagamento das despesas e custas processuais, bem como honorários
sucumbenciais a serem arbitrados por este MM. Juiz em valor não inferior a R$ 1.000,00
(hum mil reais);
g) A concessão dos benefícios da gratuidade da justiça.
Pretende provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidos.
Dá-se a causa o valor de R$ 5.300,00 (cinco mil e trezentos reais).
Termos em que,
Pede deferimento.
Recife, 13 de maio de 2014.
(assinado digitalmente)
ADVOGADO
OAB

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