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Acidente vascular cerebral (AVC).

Denomina-se acidente vascular cerebral, a lesão


resultante de uma anomalia em vaso sanguíneo ou artéria
presente no encéfalo. Podemos tomar como exemplo
destas anomalias vasos sanguíneos que tenham obstrução
à passagem sanguínea, diminuição do fluxo sanguíneo
devido a diminuição da luz do vaso sanguíneo ou até
mesmo um trombo ou ateroma que não permita a
passagem do sangue pelo vaso. A insuficiência de oxigênio
no sangue levado até o cérebro também pode causar danos
celulares e até mesmo morte celular. As possíveis seqüelas
resultantes de um AVC variam de acordo com cada área
cerebral afetada. Se afetada uma área responsável pela
fala, o paciente terá alterações funcionais relacionadas ao
mesmo.

Devemos ressaltar que um AVC pode ser isquêmico ou


hemorrágico, onde o isquêmico é a interrupção da
passagem do sangue pelo vaso sanguíneo ou artéria, e o
AVC hemorrágico é o rompimento do vaso sanguíneo ou
artéria ocasionando o extravasamento de sangue.

• Fatores de risco e predisposição ao AVC

Um dos principais fatores de riscos ao AVC, sem


dúvida é hipertensão arterial, causando danos às paredes
dos vasos sanguíneos lesionando o endotélio e diminuindo
a capacidade do vaso sanguíneo a se adaptar as variações

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da pressão arterial. Uma vez que o endotélio contribui
diretamente para regular o tônus vascular, liberando
substâncias vasodilatadoras e vasoconstritoras (Oxido
Nítrico e Endotelina).

A aterosclerose também considerada uma verdadeira


vilã, o acúmulo de gordura nas paredes dos vasos
sanguíneos e artérias causam uma obstrução à passagem
sanguínea, Aumentando a pressão arterial e podendo
ocasionar o rompimento do vaso ou artéria resultando em
uma hemorragia. Mesmo que o vaso sanguíneo não se
rompa o interrompimento da circulação sanguínea
implicará na morte celular do tecido que dependia da
irrigação do vaso sanguíneo afetado.

Pessoas com idade superiores há 60 anos, fumantes,


diabéticos, pessoas com colesterol alto, tem maior
probabilidade de desenvolver um AVC. O sedentarismo
contribui consideravelmente para o aumento de moléculas
gordurosas no sangue e aumento da pressão arterial.

Acidente Vascular Cerebral Isquêmico

• Acidente vascular cerebral isquêmico transitório


(AIT)

O AIT é causado por fragmentos de matéria gordurosa e


cálcio formados na parede arterial (Também chamados de
ateroma.). Os ateromas podem se desprender da parede
arterial e ganhar a corrente sangüínea, caso o ateroma
chegue ao cérebro existe a possibilidade de que ele obstrua
algum vaso sanguíneo ou artéria causando um AIT. Pessoas

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com problemas cardíacos, hipertensão, aterosclerose,
diabetes e perturbações sanguíneas possuem maior risco
de sofrer um AIT. À medida que se envelhece este risco
também aumenta.

Os sintomas de um AIT podem variar de acordo com a


área do cérebro afetada. Podem durar entre 2 a 30
minutos. Podemos tomar como exemplo de sintomas:

• Perda de sensibilidade ou perturbações da mesma


num braço ou numa perna num lado do corpo.

• Debilidade ou paralisia num braço ou perna ou em


todo lado do corpo.

• Perda parcial da visão ou da audição

• Visão dupla

• Enjôo

• Linguagem ininteligível (fala enrolada)

• Dificuldade em pensar na palavra adequada ou para a


exprimir

• Incapacidade em reconhecer partes do corpo

• Movimentos inabituais

• Incontinência urinária

• Desequilíbrio e queda

• Desmaio

Apesar de estes sintomas serem semelhantes aos de


um ICTO, estes são reversíveis e temporários, podendo
haver reincidência dos sintomas em crises diárias ou
apenas duas ou três crises.

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• Acidente vascular cerebral isquêmico transitório
(AIT) – Diagnóstico

Os primeiros sinais para se obter um diagnóstico de AIT,


são os sintomas transitórios ocorridos devido à disfunção de
uma área em específico no cérebro. Exames de específicos
para verificar a irrigação do cérebro também são
importantes para se poder diferenciar um ICTO de um AIT.
Podemos tomar como exemplo uma angiografia que é um
exame onde se administra meio de contraste radio - opaco
nas artérias ou veias a serem analisadas e se faz
radiografias para saber o estado das mesmas. Exames de
RM e TC também são de muita importância para o médico
visualizar a área do cérebro afetada e o grau de obstrução
do vaso
sanguíneo.

Esta é uma
imagem de uma
angiografia
cerebral, onde
podemos
visualizar um
estreitamento
(estenose) da
origem da carótida
interna.

Este tipo de
estreitamento não
está relacionado á

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um trombo ou ateroma. E sim por uma deformidade da
artéria.

Nesta
ilustração
observamos o
estreitamento de
um vaso
sanguíneo devido
ao acúmulo de
gordura na luz do
vaso sanguíneo.
Esta placa
gordurosa pode se
desprender a causar um AIT

• Acidente vascular cerebral isquêmico transitório


(AIT) – Tratamento

O tratamento baseia-se basicamente na prevenção de


acúmulo de placas de gordura evitando a formação de
ateromas. Evitando a má alimentação, sedentarismo, alta
pressão arterial, e outros agravantes, podemos prevenir um
AIT. O médico também pode receitar alguns fármacos como
anticoagulantes para se evitar formação de trombos.
Quando o estreitamento de um vaso sanguíneo é muito
grave indica-se a intervenção cirúrgica para corrigir o
problema.

• Icto

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Icto é o termo que se refere a acidente vascular. Quando
se diz icto é o mesmo que dizer acidente vascular. Iremos
abordar agora o Icto isquêmico, onde existe a obstrução de
um vaso sanguíneo ou artéria. No caso do AVC, esta
obstrução que impede a passagem de sangue ocasionará
lesão nas células cerebrais do qual este mesmo vaso é
responsável por irrigá-las. Os efeitos danosos de um Icto
cerebral irão varia de acordo com a região afetada.

• Icto – Sintomas

Os sintomas irão variar de acordo com a região do


cérebro afetada, geralmente são semelhantes a um AVC
isquêmico transitório, ocorrendo subitamente podendo
ocasionar um coma, desmaios e outras disfunções
funcionais. Os sintomas podem ser progressivos a cada
hora conforme a evolução do icto e a porção de tecido
cerebral necrosado. Um icto pode produzir um edema
cerebral aumentando significativamente a lesão em outras
áreas do encéfalo.

• Icto – Diagnóstico

O médico pode diagnosticar o um icto com exames


clínicos e físicos para se localizar em qual área o icto está
instalado. Exames de diagnósticos por imagem também são
determinantes para visualizar com clareza o tamanho da
área afetada pelo icto e sua localização exata. Testes como
a Tomografia Axial Computadorizada (TAC) e Ressonância
Magnética (RM) são comuns no diagnóstico. Contudo o
médico precisa saber qual a origem do icto, identificando se
sua origem é devido a uma embolia (Coágulo de sangue
obstruindo vaso sanguíneo), ou um ateroma, ou qualquer

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outra patologia que possa causar um icto. Ressaltando que
distúrbios cardíacos como válvulopatias podem ocasionar
coágulos na corrente sanguínea, e estes chegando até o
cérebro podem dar inicio a um icto.

Um fator importante que


devemos saber em relação aos
sintomas de um icto, é que o lado
do cérebro afetado ocasionará
disfunções ao lado oposto do corpo
em relação lado do cérebro
afetado. Ex: icto em lado direito do
cérebro afetará o lado esquerdo do
corpo. Isso é devido ao cruzamento
dos nervos em nível de ponte.

Na representação abaixo
visualizamos um icto impedindo a passagem de sangue em
determinada área do cérebro. A circulada representa a área
afetada devido à
ausência de sangue,
ocasionando morte
celular e
conseqüentemente
alteração funcional da
área afetada.

Nesta imagem
visualizamos um
cérebro que sofreu
AVC isquêmico, é
perceptível a área
afetada de coloração
mais escura devido à

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falta de sangue na região ocasionando a morte celular
neste tecido.

Nesta Tomografia
Axial
Computadorizada a
área com tom mais
escuro representa a
área cerebral
infartada devida a um
ataque isquêmico

• Icto – Tratamento

Os sintomas de um icto implicam em uma emergência


médica onde as intervenções serão predominantes na
prevenção de danos adicionais. O médico administrará
oxigênio e alimentação adequada via endovenosa.

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O diagnóstico preciso é muito importante para saber qual
o tipo de icto está causando os sintomas no paciente. Para
cada tipo existem procedimentos diferentes. No caso de um
icto isquêmico em evolução pode se administrar
anticoagulantes para reduzir a evolução e preservar áreas
que poderiam ser afetadas.

• Acidente vascular cerebral hemorrágico

Como o próprio nome diz, denomina-se AVC hemorrágico


o extravasamento de sangue no interior do crânio. O AVC
hemorrágico é classificado de acordo com a região em que
ocorre o derramamento de sangue, podendo ocorrer no
interior do cérebro, ou envolta dele, entre as camadas que
revestem o cérebro...

Podemos classificar o AVC hemorrágico em 4 tipos:

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• Intracerebral, hemorragias que ocorrem no interior
do
cérebro

• Subaracnóidea, hemorragias que ocorrem entre o


espaço subaracnóideo

• Subdura
l,

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hemorragias que ocorrem entre as camadas que
revestem o cérebro.

• Epidural, hemorragias que ocorrem entre o crânio e


as camadas que revestem o cérebro.

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Independente de onde se localiza a hemorragia, as
células cerebrais sofrerão danos, uma vez que o espaço
interno do crânio é muito restrito e não há lugar para
expansões. Sendo assim uma hemorragia intracraniana
aumentara a pressão no interior do crânio causando danos
ao encéfalo. Além desse fator, a região afetada pela
hemorragia implicará em disfunções de acordo com a
função que a área afetada exerce.

• Acidente vascular cerebral hemorrágico - Causas

O traumatismo craniano é a causa mais freqüente em


pessoas com menos de 50 anos de idade. Má formação
arteriovenosa, anomalia nas artérias ou veias do cérebro
também podem causar um AVC hemorrágico. O aneurisma
também é considerado uma das causas de um AVC
hemorrágico, quando há obstrução de uma veia ou artéria
cerebral a pressão nas paredes do vaso sanguíneo pode
causar a sua ruptura.

• Acidente vascular cerebral hemorrágico –


Intracerebral

Um AVC hemorrágico intracerebral se inicia subitamente


com uma cefaléia seguida de disfunções neurológicas
como: Náuseas, debilidade, perca de visão, reações
convulsivas, perda da fala ou dificuldade de expressão,
paralisia em um dos lados do corpo ou membro. Pode haver
perca de consciência em poucos minutos após a ocorrência
de um AVC hemorrágico intracerebral.

O médico pode diagnosticar a presença de um AVC


hemorrágico intracerebral através de exames clínicos,
porém para maior detalhamento é utilizado exames de TAC
e RM, para se saber a localização exata da lesão e o quanto
de tecido encefálico foi afetado com o AVC, determina-se

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também se não há pressão em outras áreas do cérebro
podendo causar maiores danos. Uma pulsão lombar é
recomendável apenas em suspeitas de infecção na região
entre as camadas que revestem o cérebro (Ex: meningite).

O tratamento para este caso é a intervenção cirúrgica,


necessária para salvar a vida do paciente. Eliminando o
sangue liberado na hemorragia e diminuindo a pressão
intracraniana, porém haverá seqüelas neurológicas graves,
variando da quantidade de tecido cerebral afetado e a
região que foi afetada. Pessoas que sofreram AVC
hemorrágico e que também possuem uma hipertensão
crônica têm maiores taxas de mortalidade devido à
extensão do sangramento intracraniano.

Apesar da gravidade do AVC hemorrágico, pessoas que


sofreram pequenos sangramentos podem se recuperar de
maneira gradativa conforme o organismo absorve o sangue
extravasado no cérebro.

• Acidente vascular cerebral hemorrágico –


Subaracnóideo

Os AVC’s hemorrágicos que ocorrem na área


subaracnóidea não costumam dar sintomas antes que
ocorra a ruptura principal, os aneurismas que causam este
tipo de AVC, podem comprimir algum nervo ou causar uma
pequena hemorragia. Os sintomas mais comuns nesta
situação são: visão dupla, cefaléia, do no rosto. Ao se
apresentar estes sinais deve-se procurar assistência médica
o mais breve possível.

A “ruptura principal” ocasiona dor de cabeça repentina e


intensa, sensação de sonolência, perda de consciência por
alguns instantes, algumas pessoas podem entrar em estado
de coma, mas geralmente despertam apresentando
sensação de sonolência. 25% das pessoas apresentam
problemas neurológicos, ou paralisia em um dos lados do

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corpo. A presença de sangue e líquido cefalorraquidiano em
volta do cérebro ocasiona irritação entre as membranas
que revestem o cérebro, devido a isso apresentam-se os
sintomas citados.

• Acidente vascular cerebral hemorrágico –


Subaracnóideo – Diagnóstico/ Prognóstico

O diagnóstico é dado através de exames de TAC


revelando o tamanho hemorragia e sua localização, a
pulsão lombar também é considerada um meio de
diagnóstico para se verificar a presença de sangue no
líquor. A angiografia pode ser usada após 72 horas, para
que seja confirmado o diagnóstico e para orientar o médico
em caso de uma intervenção cirúrgica.

Cerca de um terço das pessoas que sofreram um AVC


hemorrágico na região subaracnóidea chegam ao óbito na
primeira manifestação, devido à extensão das lesões
causadas ao cérebro. 15% dos pacientes entram em óbito
algumas semanas depois vítimas de uma nova hemorragia.
É possível que um pequeno sangramento se estanque por si
mesmo, sendo imperceptível no exame de angiografia.
Entretanto é necessária a intervenção para se corrigir o
aneurisma causador do AVC. Muitos pacientes conseguem
recuperar grande parte das funções neurológicas e
funcionais, porém algumas seqüelas permanecem. É
importante o acompanhamento médico para se verificar
uma possível reincidência de um AVC.

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• Acidente vascular cerebral hemorrágico –
tratamento

O tratamento para este tipo de AVC é a intervenção


cirúrgica, o paciente é internado imediatamente após
confirmação do diagnóstico, pode-se administrar
analgésicos a fim de diminuir a dor de cabeça, ou até
mesmo colocar um tubo de drenagem no cérebro para se
diminuir a pressão. A cirurgia é de alto risco, principalmente
em pacientes que se encontre em estado de coma, a
cirurgia tem como objetivo isolar ou eliminar o aneurisma
causador do AVC.

Conclusão

O Acidente vascular cerebral é um dos problemas


neurológicos mais graves. Podendo trazer sérios danos aos
tecidos cerebrais, conseqüentemente percas funcionais
variando de acordo com a área cerebral afetada. A
recuperação do paciente varia de acordo com o tipo de
lesão e extensão da área afetada. Devem-se levar em conta
os fatores de risco e as predisposições a um AVC. A
prevenção é sempre melhor do que qualquer tipo de
intervenção na tentativa de correção do problema. Em
todos os casos é importantíssimo saber a classificação do
acidente vascular, somente assim poderá ser tomada as
medidas específicas para cada caso.

Para nós estudantes da área de radiologia é


importante o conhecimento das formas de diagnóstico de
um AVC, e principalmente conhecimento anatômico para
podermos identificar a extensão de uma lesão causada por

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um AVC. Somos os profissionais “Braço Direito” do
neurocirurgião, pois graças a nossa atuação poderemos
visualizar o problema através dos exames que efetuamos
(Ex: TAC, RM, Angiografia).

Bibliografia
• Contexto: Todo contexto desta pesquisa teve como
fonte de dados o site do Manual Merck Para a família,
http://www.manualmerck.net

• Imagens: As imagens desta pesquisa foram retiradas


no site Google images e Manual Merck para a família.

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