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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O valor da educação nas transformações sociais do Brasil

Introdução: A contextualização sobre Paulo Freire é rasa e contém poucas informações que contribuam
para interligar ao tema proposto, sendo preciso um maior aprofundamento de ideias. Além disso, ainda
que haja a presença da tese, o termo “dia-a-dia”, de acordo com a Nova Ortografia, passou a ser sem o
hífen e é muito clichê para ser utilizado na redação.

Desenvolvimento I: Não há tópico frasal no parágrafo de desenvolvimento e o termo “sala de aula” foi re-
petido três vezes, o que mostra falta de repertório vocabular do candidato. No segundo período, o caráter
argumentativo foi prejudicado porque não houve uma explicação sobre como algumas temáticas, ao serem
discutidas em classe, podem contribuir para o combate de estereótipos. A conjunção “nesta perspectiva”
possui valor explicativo e se opõe ao valor semântico que o candidato desejava transmitir: o de adversida-
de. Ademais, é importante interligar os períodos com o uso de elementos coesivos.

1 Nos anos 60, Paulo Freire criou um sistema de alfabetização di-


2 recionado ao público adulto e tal fato contribuiu para que os cidadãos
3 refletissem sobre o uso linguístico das palavras. Percebe-se que a edu-
4 cação pode ser uma boa ferramenta de transformação social no Brasil,
5 mas seu valor não é reconhecido no dia-a-dia.
6 A escola é um importante espaço de interação e os conhecimen-
7 tos transmitidos em sala de aula ultrapassam os conteúdos disciplina-
8 res; os debates em sala de aula, intermediados pelo professor, podem
9 estimular o estudante a refletir sobre a sua atuação em sociedade. Por
10 conseguinte, se temas como “o culto ao corpo” forem discutidos em sala
11 de aula, a escola combaterá estereótipos e incitará o senso crítico dos
12 alunos. Nesta perspectiva, a profissão docente ainda é muito desvalori-
13 zada.
14 Além disso, os cortes públicos na educação prejudicam o poder
15 transformador dessas instituições. A Proposta de Emenda Constitucio-
16 nal (PEC) 241 propôs o congelamento de gastos na área educacional
17 por vinte anos, o que é muito negativo para o panorama atual. Essas
18 intervenções podem afetar a qualidade e o alcance de ensino e, princi-
19 palmente, as camadas mais pobres do Brasil.
20 Faz-se preciso, portanto, a valorização do ensino a fim de pro-
21 mover mudanças sociais. Para isso, o governo deve investir no reconhe-
22 cimento dos professores, aumentando o seu salário e, junto ao Minis-
23 tério de Educação, oferecer novos cursos. Ademais, é imprescindível a
24 participação popular para cobrar uma atuação mais democrática das
25 reformas sociopolíticas. Só assim, a educação atuará de forma trans-
26 formadora.
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Desenvolvimento II: No segundo parágrafo, o candidato apresenta um conector aditivo, interligando


as ideias com o parágrafo anterior e há a presença de um tópico frasal. No entanto, o aprofundamento de
ideias omite algumas informações que são necessárias, como: por que esse panorama é negativo? Por que
as camadas mais pobres são as mais atingidas pela PEC 241? Quais serão as consequências? Ao final, seria
interessante a criação de um período que sintetizasse a necessidade de alterações no cenário.

Conclusão: O parágrafo de conclusão apresenta elementos interessantes, mas não ocorre o detalhamento da proposta interven-
tora, sendo necessário apresentar uma justificativa para implantação das propostas e como elas alterariam a problemática vigente.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O valor da educação nas transformações sociais do Brasil

Sugestão de reescrita:

1 Nos anos 60, o educador Paulo Freire criou um sistema de alfabetização dire-
2 cionado ao público adulto para combater as altíssimas taxas de analfabetismo no Nor-
3 deste brasileiro. Tal ação contribuiu para que os cidadãos aprendessem a relação entre
4 a palavra e o seu significado em um determinado contexto e, assim, refletissem sobre
5 o seu uso linguístico. Neste sentido, nota-se que a educação é uma forte ferramenta de
6 transformação social, mas seu valor não tem sido reconhecido na contemporaneidade.
7 É sabido, em primeiro lugar, que a escola é um importante espaço de interação.
8 Isso significa que os conhecimentos transmitidos em sala de aula ultrapassam os conteú-
9 dos disciplinares; os debates em classe, intermediados pelo professor, podem estimular o
10 estudante a refletir sobre a sua atuação em sociedade. Por conseguinte, se temas como
11 “o culto ao corpo” forem discutidos em classe a fim de desnaturalizar padrões de bele-
12 za, por exemplo, a escola também cumprirá com a função de combater estereótipos e
13 incitar o senso crítico dos alunos. Porém, a profissão docente é desvalorizada, desmoti-
14 vando-os a elaborarem novos métodos de ensino.
15 Além disso, os cortes públicos na educação prejudicam o poder transformador
16 dessas instituições. Em 2016, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 propôs o
17 congelamento de gastos na área educacional por vinte anos, sendo que escolas e univer-
18 sidades públicas sofrem, há décadas, com a falta de verbas e o sucateamento estrutural.
19 Essas restrições afetam não só a qualidade e o alcance ao ensino, como também, atin-
20 gem diretamente as camadas mais pobres, pois os investimentos são uma das principais
21 engrenagens para diminuir a desigualdade social brasileira. Nesta perspectiva, vê-se a
22 urgência de alteração do cenário vigente.
23 Faz-se preciso, portanto, a valorização do ensino a fim de promover mudanças
24 sociais. Para isso, o governo deve investir no reconhecimento dos professores, aumen-
25 tando o seu salário e, junto ao Ministério de Educação, oferecer novos cursos a fim de
26 ampliar sua qualificação profissional. Ademais, é imprescindível a participação popular
27 para cobrar uma atuação mais democrática das reformas sociopolíticas, visto que os
28 investimentos na educação são necessários para oferecer um ensino de qualidade, que é
29 um direito assegurado pela Constituição de 1988. Só assim, a educação potencializará
30 os indivíduos a exercerem a sua cidadania e prezarem pelo bem-estar social.
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O preconceito linguístico e seus efeitos em discussão no Brasil

Introdução: Parágrafo introdutório apresenta bem o tema, o expõe de forma clara, mas não
explicita tese. Uma dica: é interessante que se coloque como fechamento da introdução uma
miniproposta, como a iniciada por “com efeito

Desenvolvimento I: Os recursos coesivos são responsáveis por conferir fluidez ao texto e facilitar
seu entendimento. No parágrafo acima, eles são escassos.

1 Arte da Gramática da Língua mais usada no Brasil” é o nome da tentativa de


2 Padre Antônio Vieira de codificar a língua a fala da colônia, advinda da fusão do Portu-
3 guês e das línguas nativas. Sob essa perspectiva, infere-se que o trabalho do jesuíta não
4 se ateve puramente à realidade linguística, uma vez que a descrição dialetal ocorreu,
5 mas sob as luzes de normas europeias. Assim, a prevalência de determinada corrente
6 em detrimento de outra é uma realidade cristalizada na história do país, acarretando
7 impactos na sociedade. Com efeito, o Estado, por intermédio de instituições sociais, deve
8 promover ações a fim de que se atenue a segregação causada pela realização do registro
9 oral.
10 Impende ressaltar que o assédio linguístico é incondizente com a história da lín-
11 gua Portuguesa. Isso se deve ao fato de que o português advém do latim vulgar – moda-
12 lidade popular do idioma matriz. Negar as variações linguísticas correntes é a tentativa
13 frustrada e purista de negar o fato: a língua é viva e passível de mudança, tal qual seus
14 falantes. É importante lembrar que cada variante possui características intrínsecas e isso
15 é patrimônio cultural de determinado grupo, logo, discriminar algumas formas de rea-
16 lização configura etnocentrismo e falta de conhecimento da história de um país. Diante
17 disso, ficam evidentes a inconsistência do preconceito e a necessidade de proposição de
18 políticas públicas a fim de que se erradique essa problemática.
19 É necessário aceitar que o prestígio da norma culta é ferramenta eficaz para a
20 manutenção da segregação social. Sob esse prisma, é correto afirmar que sujeitos com
21 maior escolaridade e maior poder aquisitivo, por exemplo, sobressaem-se em detri-
22 mento daqueles que não tiveram as mesmas oportunidades, reforçando, assim, a lógica
23 meritocrática. Segundo Bechara – membro emérito da Academia Brasileira de Letras
24 – cada qual deve ser poliglota em sua própria língua, isto é, não é necessário pensar em
25 correções ou incorreções gramaticais, mas em adequação às situações de fala.
26 Impende, contudo, que o preconceito seja encarado como um ponto que requer
27 atenção. Cabe ao MEC ações que reformulem os cursos de letras nas instituições de en-
28 sino superior no país. Ainda ao mesmo órgão em conjunto com a mídia cabe a descen-
29 tralização da variante metropolitana em horário nobre ou em situações importantes e
30 de repercussão nacional, como por exemplo os telejornais, contemplando a diversidade.

Desenvolvimento II: No parágrafo acima, falta um conectivo que o introduza, bem como um
fechamento da ideia: elementos imprescindíveis para a progressão textual.

Conclusão: A proposta interventiva deve apresentar: o agente interventor, a ação interventiva, o meio da ação, a finali-
dade da ação e um detalhamento. O parágrafo acima mostra apenas os agentes e as ações. Além disso, há a confusão
do conectivo “contudo”, que indica ADVERSIDADE e não conclusão.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O preconceito linguístico e seus efeitos em discussão no Brasil

Sugestão de reescrita:

1 “Arte da Gramática da Língua mais usada no Brasil” é o nome da tentativa de Padre Antônio Vieira de

2 codificar a língua a fala da colônia, advinda da fusão do Português e das línguas nativas. Sob essa perspectiva,

3 infere-se que o trabalho do jesuíta não se ateve puramente à realidade linguística, uma vez que a descrição dialetal
4 ocorreu, mas sob as luzes de normas europeias. Assim, a prevalência de determinada corrente em detrimento
5 de outra é uma realidade cristalizada na história do país, acarretando impactos na sociedade. Portanto, não é
6 aceitável que a questão do preconceito linguístico continue sendo tratada com descaso. Com efeito, o Estado, por

7 intermédio de instituições sociais, deve promover ações a fim de que se atenue a segregação causada pela realiza-

8 ção do registro oral.

9 A priori, vale ressaltar que o assédio linguístico é incondizente com a história do idioma lusitano. Isso se
10 deve ao fato de que o português advém do latim vulgar – modalidade popular do idioma matriz. Por isso, negar
11 as variações linguísticas correntes é a tentativa frustrada e purista de negar o fato: a língua é viva e passível de
12 mudança, tal qual seus falantes. Além disso, é importante lembrar que cada variante possui características intrín-
13 secas e isso é patrimônio cultural de determinado grupo, logo, discriminar algumas formas de realização configura
14 etnocentrismo e falta de conhecimento da história de um país. Diante disso, ficam evidentes a inconsistência do
15 preconceito e a necessidade de proposição de políticas públicas a fim de que se erradique essa problemática.
16 Somado a isso, é necessário aceitar que o prestígio de norma culta é ferramenta eficaz para a manutenção
17 da segregação social. Sob esse prisma é correto afirmar que sujeitos com maior escolaridade e maior poder aquisi-
18 tivo, por exemplo, sobressaem-se em detrimento daqueles que não tiveram as mesmas oportunidades, reforçando,
19 assim, a lógica meritocrática. Segundo Bechara – membro emérito da Academia Brasileira de Letras – cada qual
20 deve ser poliglota em sua própria língua, isto é, não é necessário pensar em correções ou incorreções gramaticais,
21 mas em adequação às situações de fala. De certo, essa problemática reflete os erros das gestões públicas em relação
22 aos temas educacionais e por isso, é imprescindível que as autoridades tomem atitudes cabíveis para estancar esse
23 impasse.
24 Impende, portanto, que o preconceito seja encarado como um ponto que requer atenção. Cabe ao MEC
25 ações que reformulem os cursos de letras nas instituições de ensino superior no país, atuando na conscientização
26 dos corpos docente e discente para que não falem sobre o assunto apenas, mas o destrinchem a fim de formar
27 alunos que respeitem os variados registros. Ainda ao mesmo órgão em conjunto com a mídia cabe a descentrali-
28 zação da variante metropolitana em horário nobre ou em situações importantes e de repercussão nacional, como
29 por exemplo os telejornais, contemplando a diversidade, para que a maioria dos brasileiros seja representada. Só
30 assim todos aprenderão a ser poliglotas em português.
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Alimentação irregular e obesidade no Brasil

Introdução: Embora o texto esteja bem escrito e possua as funções necessárias, possui trechos pouco
coerentes. Como exemplo:” . Isso tem na forma que é encarada a alimentação nos dias atuais e a geração
de maiores níveis de obesidade.” Para que haja coerência na tese com o restante do texto, é necessário
desenvolver essas ideias no parágrafo seguinte de desenvolvimento.

Desenvolvimento I: O parágrafo de desenvolvimento possui boas ideias, entretanto não aprofundadas e


sem o que chamamos de tópico frasal. O tópico frasal serve como resumo das ideias que vão ser desenvol-
vidas na ampliação do parágrafo, sendo assim, seria imprescindível abordar quais são os fatores culturais e
econômicos e quais são os impactos sobre a temática.

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O ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele”. A frase de
2 Immanuel Kant, filósofo do século XVIII, apesar de histórica, reflete na
3 atualidade brasileira. Isso tem na forma que é encarada a alimentação
4 nos dias atuais e a geração de maiores níveis de obesidade.
5 Em primeiro lugar, é importante analisar que, segundo o mi-
6 nistério da saúde, mais de 18% da população chegou à obesidade até
7 2016, tendo aumentado 60% nos últimos dez anos. Isso se deve, além
8 dos fatores genéticos, aos fatores culturais e econômicos, como o avanço
9 tecnológico e a praticidade de pedir refeições por apenas um “clique”.
10 Essa facilidade, entretanto, aproxima o ser humano de uma vida
11 mais sedentária. Isso leva ao entendimento de que o processo de reno-
12 vação cultural do Brasil, além de imediatista, está pautado na busca
13 do menor esforço, presente desde a era neolítica e reforçada com os
14 avanços do homem.
15 Analogamente, como afirma Zigmunt Bauman, “o que se con-
16 some, o que se compra, são apenas sedativos morais que tranquilizam
17 seus escrúpulos éticos”, hoje, os sedativos morais encontram-se nos fal-
18 sos avanços tecnológicos, que facilitam a vida do homem e o tranquili-
19 zam das preocupações como a movimentação e a saúde. Dessa forma,
20 o governo, em contato com os grandes canais de mídia e informação,
21 deve promover propagandas que conscientizem a população sobre a
22 importância da atenção à saúde para incentivar geração a se desca-
23 racterizar desta identidade cultural pautada na despreocupação com o
24 peso e, principalmente, com a saúde.
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Desenvolvimento II: Apesar de haver uma conexão entre as ideias do desenvolvimento 1 e do desenvolvi-
mento 2, é necessário comprovar a argumentação levantada no texto. Como exemplo, como essa facilidade
aproxima o ser humano do sedentarismo? De que forma podemos convencer o leitor de que esse é um
ponto de vista válido? Para fortalecer a argumentação, uma boa dica é utilizar exemplos, conceitos, citações
ou outras formas para mostrar conhecimento de mundo e fugir do senso comum.

Conclusão: Em propostas modelo ENEM, devemos apresentar uma proposta de interven-


ção que haja meios para realizá-la e, para isso, é necessário responder às questões: “O
que deve ser feito?”, “Como deve ser feito?” e “Por quem deve ser feito?”. Desse modo,
trabalhar propostas que não aprofundem o tema, como “ propagandas que conscientizem
a população” devem ser substituídas por uma intervenção detalhada.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Alimentação irregular e obesidade no Brasil

Sugestão de reescrita:

1 O ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele”. A frase de Immanuel Kant, filósofo
2 do século XVIII, apesar de histórica, reflete na atualidade brasileira. Aprofundada nas ações efê-
3 meras devido às novas tecnologias, a percepção com a alimentação e vida saudável é substituída
4 pela rapidez de um fast-food, enfatizando os resquícios históricos populares sobre a “lei do me-
5 nor esforço” e progredindo para uma nação obesa.
6 Em primeiro lugar, é importante analisar que, segundo o ministério da saúde, mais de
7 18% da população chegou à obesidade até 2016, tendo aumentado 60% nos últimos dez anos.
8 Isso se deve, além dos fatores genéticos, aos fatores culturais e econômicos que ressignificam o
9 panorama brasileiro, como o avanço tecnológico e a praticidade de pedir refeições por apenas
10 um “clique”, a exemplo do aplicativo iFood, que disponibiliza refeições prontas, podendo ter al-
11 gumas entregues em até trinta minutos.
12 Essa facilidade, entretanto, aproxima o ser humano de uma vida mais sedentária. Como
13 aponta o IBGE, em 2012, cerca de 6% da população infantil não pratica atividades físicas, sendo
14 20% da população jovem, de 10 a 19 anos, encontra-se acima do peso. Isso leva ao entendi-
15 mento de que o processo de renovação cultural do Brasil, além de imediatista, está pautado na
16 busca do menor esforço, presente desde a era neolítica e reforçada com os avanços do homem.
17 Analogamente, como afirma Zigmunt Bauman, “o que se consome, o que se compra, são
18 apenas sedativos morais que tranquilizam seus escrúpulos éticos”, hoje, os sedativos morais en-
19 contram-se nos falsos avanços tecnológicos, que facilitam a vida do homem e o tranquilizam das
20 preocupações como a movimentação e a saúde. Dessa forma, o governo, sendo representado pelo
21 Ministério da Saúde, deve promover em ambientes diversos como hospitais e em reuniões escola-
22 res, o guia alimentar para a população brasileira, disponível também online, que contém diversas
23 dicas e sugestões para uma boa alimentação; além disso, promover “semanas da atividade física”,
24 periodicamente nas escolas, de modo a apresentar esportes diferenciados e a importância da
25 prática para incentivar a nova geração a se descaracterizar desta identidade cultural pautada
26 na despreocupação com o peso e, principalmente, com a saúde.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: A exploração trabalhista na sociedade moderna

Introdução: A contextualização sobre o filme “Tempos Modernos” poderia ser mais aprofundada, uma
vez que não há a exposição das péssimas condições vividas pelos trabalhadores no ambiente de trabalho,
principalmente, porque esses mesmos aspectos são confirmados como ainda presentes na contempora-
neidade. A relação entre o contexto e a exploração trabalhista ficou pouco esclarecedora.

Desenvolvimento I: Há dois pontos positivos: o uso de conectores no primeiro período e a presença


do tópico frasal. Em contrapartida, a ampliação do argumento possui pouco aprofundamento. Qual foi a
intenção da criação da PEC das Domésticas? Quais problemas elas combatem? Essas perguntas devem ser
respondidas. Além disso, o último período ficou “solto”, sem que o candidato explicasse o motivo de inserir
uma nova informação, ainda que dialogue com o que estava sendo apresentado. É preciso atentar-se, ain-
da, à ausência de vírgula no conectivo deslocado “por isso”.

1 No filme “Tempos Modernos”, Charles Chaplin retrata as péssi-


2 mas condições as quais os trabalhadores estavam submetidos durante
3 a Revolução Industrial. Infelizmente, tais características ainda predo-
4 minam na sociedade contemporânea, só que com outras formas de
5 exploração.
6 Em primeiro lugar, o medo de ficarem sem uma fonte de renda
7 faz com que muitas domésticas aceitem certas circunstâncias traba-
8 lhistas. As empregadas costumam ter uma carga intensa de trabalho e
9 recebem um valor que não condiz com a sua atuação e por isso foi cria-
10 da a PEC das Domésticas, aprovada em 2015, para combater diversos
11 problemas. Mesmo com tais melhorias, são inúmeros os casos de patrões
12 que ignoram a nova Lei.
13 As zonas rurais concentram grandes casos de trabalhos análogos
14 à escravidão, parecendo ecoar traços do período escravocrata brasilei-
15 ro. Os meios de comunicação denunciam fazendas e sítios que manti-
16 nham pessoas em condições análogas à escravidão, o que evidencia que
17 a sociedade se prende a influências históricas. É preciso fiscalizar essas
18 áreas, principalmente nas regiões ondem ocorrem a exploração da ca-
19 na-de-açúcar, pois as condições dos trabalhadores são precárias.
20 As domésticas devem ter seus direitos assegurados e cobrar seus
21 benefícios e, se ameaçadas, denunciem ao Sindicato de trabalhadores
22 para que as devidas providências sejam tomadas. Faz-se urgente que
23 o Governo atue na fiscalização de propriedades localizadas nas zonas
24 rurais, punindo os culpados e que o Ministério da Saúde preste auxílio
25 médico e psicológico às vítimas desse abuso. A mídia, com seu poder
26 persuasivo, pode também pode contribuir.
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Desenvolvimento II: Atenção ao primeiro e ao segundo períodos, pois, embora escritos de formas dife-
rentes, apresentam a mesma intenção comunicativa, o que promove a repetição de ideias e explicita a falta
de conhecimento argumentativo do candidato. A ausência de elementos coesivos dificulta a progressão
textual e, além disso, ao abordar sobre a exploração da cana-de-açúcar, esse item poderia ser ampliado
para relacionar-se com a ideia central do argumento.

Conclusão: O parágrafo de conclusão não apresenta um conectivo conclusivo e tampouco a retomada da tese, o que prejudica
a estrutura do texto. Mesmo com a apresentação das propostas interventoras, faltou interligar os períodos por meio de elementos
conclusivos, além disso, a última proposta não foi detalhada e faltou finalizar o parágrafo de conclusão com uma reflexão sobre as
consequências das intervenções apresentadas.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: A exploração trabalhista na sociedade moderna

Sugestão de reescrita:

1 O cair das máscaras


2 No filme “Tempos Modernos”, Charles Chaplin retrata a condição a qual estava
3 submetido o trabalhador durante a Revolução Industrial: jornadas exaustivas, ausência
4 de direitos básicos e a alienação trabalhista. Essas características, infelizmente, também
5 são identificadas na contemporaneidade, uma vez que a exploração trabalhista ganhou
6 novas “roupagens” e formas de delimitar a rotina de muitos funcionários.
7 Em primeiro lugar, o medo de ficarem sem uma fonte de renda faz com que
8 muitas domésticas aceitem certas circunstâncias trabalhistas. Historicamente, as em-
9 pregadas costumam ter uma carga intensa de trabalho e recebem um valor que não
10 condiz com a sua atuação; por conseguinte, tal fato incitou a criação da PEC das Do-
11 mésticas, aprovada em 2015, que visa assegurar os direitos trabalhistas, como o salário
12 mínimo e o direito a férias. Mesmo com tais melhorias, são inúmeros os casos de patrões
13 que ignoram a nova Lei e ameaçam funcionários de uma possível demissão, o que mas-
14 cara uma exploração indireta na modernidade.
15 Além disso, nas zonas rurais do Brasil concentram grandes casos de trabalhos
16 análogos à escravidão. A proposta da Lei Áurea parece ainda ecoar no âmbito social,
17 pois os meios de comunicação continuam denunciando fazendas e sítios que mantinham
18 cidadãos em condições de exploração trabalhista, o que evidencia a falta de fiscalização
19 de empresas que financiam o agronegócio, principalmente no campo da cana-de-açú-
20 car, onde os cortadores atuam abaixo de um sol tórrido e em condições precárias. Nesta
21 perspectiva, nota-se que o abuso trabalhista apresenta diversas facetas que precisam ser
22 extintas.
23 É imprescindível, portanto, a alteração desse cenário preocupante. As domésticas
24 devem ter seus direitos assegurados e cobrar seus benefícios e, se ameaçadas, denunciem
25 ao Sindicato de trabalhadores para que as devidas providências sejam tomadas. Ade-
26 mais, faz-se urgente que o Governo atue na fiscalização de propriedades localizadas nas
27 zonas rurais, punindo os culpados e que o Ministério da Saúde preste auxílio médico e
28 psicológico às vítimas desse abuso. A mídia, com seu poder persuasivo, pode alarmar a
29 população sobre tais casos, pois, só com uma sociedade que preze pela transparência, as
30 máscaras da exploração poderão cair.
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Internet sem riscos é possível?

Introdução: Apesar da ótima contextualização histórica, é necessário reformular integralmente


o propósito do texto (a tese). O recorte temático é o que apresentará ao corretor o que será
dito nos desenvolvimentos.

Desenvolvimento I: No primeiro desenvolvimento da redação há uma presença de argumentos


bem definidos sobre os riscos da exposição na internet. No entanto, a afirmação “exibição invo-
luntária do seu ser” necessita de uma comprovação que torne verdadeira a frase, sendo necessá-
rio um conhecimento geral (dados estatísticos, citação, notícias, entre outros).

1 A Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução


2 da Informação, foi o momento em que os artefatos eletrônicos trans-
3 formaram e aprimoraram a antiga indústria. Carregados de novas tec-
4 nologias, não só no ambiente de produção, esse período culminou para
5 que diversos mecanismos da nova era chegassem às residências, como
6 exemplo tem-se a internet. O mundo virtual, apesar de ter trazido
7 grandes benefícios às pessoas, hoje apresenta riscos à integridade.
8 O ambiente virtual conseguiu ampliar as comunicações huma-
9 nas, suprimindo as distâncias geográficas entre uma pessoa e outra. A
10 exemplo disso tem-se o Facebook, site de relacionamento, cuja ideia
11 principal é compartilhar conteúdos diversos com sua rede de amigos.
12 No entanto, até mesmo em um perfil que não seja público, é possível
13 perceber que não há uma segurança para os dados e informações dis-
14 ponibilizadas, o que traz ao homem uma exibição involuntária do seu
15 ser.
16 O que era para ser um ambiente de discussão, divertimento e
17 ensinamento, torna-se um local de extremo perigo para quem está
18 inserido. Assim, o Brasil garante, atualmente, leis que trazem certa
19 segurança ao consumidor, cuja pena se dá para quem invade, perturba
20 ou falsifica dados na web. Mas, apesar dos avanços legislativos, não é
21 possível acabar com todos os conteúdos disponibilizados na rede quando
22 a privacidade é violada, caso que reforça ainda mais um extremo cui-
23 dado para seu uso.
24 Assim, como pôde ser visto, a popularmente chamada “world
25 wide web” promove benefícios, quando usada de maneira consciente
26 e sem riscos aos seus usuários. Desse modo, faz-se necessário um in-
27 vestimento na educação de base, para a promoção de palestras que
28 incentivem o uso consciente da internet, para crianças, jovens e adul-
29 tos. Somente com informação a população não sofrerá riscos para sua
30 integridade e seu bem-estar.

Desenvolvimento II: Assim como no Desenvolvimento 1, o segundo parágrafo de argumen-


tação do texto possui uma falha em não exemplificar as afirmações ditas, como por exemplo
“quais avanços legislativos o Brasil garantiu sobre o tema? ”. Faz-se necessário, também, que
seja exemplificado quais tipos de ações que desvinculam a segurança do consumidor da web,
para trazer ao leitor mais enfoque sobre a temática.

Conclusão: Por fim, em uma conclusão com proposta de intervenção, deve-se responder às perguntas” Quem? O quê?
Como? Para quem?” Sobre as ações que iram solucionar a problemática. Desse modo, não há uma compreensão sobre
como ocorreria a intervenção, nem de qual modo ela seria efetivada, necessitando sua reescrita.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Internet sem riscos é possível?

Sugestão de reescrita:

1 A Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução da Informação, foi o mo-


2 mento em que os artefatos eletrônicos transformaram e aprimoraram a antiga indústria. Carrega-
3 dos de novas tecnologias, não só no ambiente de produção, esse período culminou para que diversos
4 mecanismos da nova era chegassem às residências, como exemplo tem-se a internet. O mundo vir-
5 tual, embora tenha promovido um amplo desenvolvimento para as relações sociais, como a facilidade
6 de compra e venda por apenas um clique, trouxe diversos riscos sobre exposição ao indivíduo, tendo
7 como consequência sua fragilidade em um cenário ilimitado.
8 Em primeiro lugar, o ambiente virtual conseguiu ampliar as comunicações humanas, supri-
9 mindo as distâncias geográficas entre uma pessoa e outra. A exemplo disso tem-se o Facebook, site
10 de relacionamento, cuja ideia principal é compartilhar conteúdos diversos com sua rede de amigos.
11 No entanto, até mesmo em um perfil que não seja público, é possível perceber que não há uma se-
12 gurança para os dados e informações disponibilizadas, o que traz uma exibição involuntária do ser;
13 como ocorreu em abril de 2018, quando próprio site admitiu o vazamento de dados de mais de 87
14 milhões de usuários sem consentimento, segundo o portal IG.
15 O que era para ser um ambiente de discussão e divertimento, torna-se um local de extre-
16 mo perigo para quem está inserido. Não somente nas redes sociais, mas em todo cenário virtual as
17 pessoas expõem suas informações que deveriam ser mantidas em sigilo, todavia são disponibilizadas
18 ao restante do mundo, por conta de vírus ou “hackers” (pessoas que modificam as informações da
19 internet). Desse modo, o Brasil garante leis que trazem certa segurança ao consumidor, como a Lei
20 Carolina Dieckmann, cuja pena se dá para quem invade, perturba ou falsifica dados na web. Apesar
21 dos avanços legislativos, não é possível acabar com todos os conteúdos na rede quando a privacidade
22 é violada, reforçando ainda mais a cautela em seu uso.
23 Assim, a popularmente chamado “world wide web” promove benefícios, quando usada de
24 maneira consciente e sem riscos aos seus usuários. Nesse parâmetro, faz-se necessário um investi-
25 mento governamental, em parceria com instituições virtuais (Google), para a promoção de palestras
26 para pais e filhos que explicitem os malefícios causados no uso indiscriminado de internet no ambien-
27 te escolar, de modo a promover a utilização consciente através de debates sobre casos já ocorridos.
28 Apenas com informação a população não sofrerá riscos para sua integridade e seu bem-estar.
29
30
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Os efeitos das fake news na sociedade brasileira contemporânea

Introdução: Mesmo que haja uma contextualização do assunto, ela não aborda claramente as palavras
chaves do tema. Além disso, a tese não fica definida devido à ausência de informações que delimitem o
espaço e o tempo para situar o leitor na leitura.

Desenvolvimento I: Mesmo que o fragmento acima não possuía o tópico-frasal, ou seja, a síntese das
ideias que vão ser desenvolvidas no parágrafo, essa é uma forma de organizar de forma lógica a argumen-
tação. Além disso, a melhor forma de organizar o pensamento é a apresentação de causas e consequências
sobre o problema, mas o fragmento resulta na falta de complementação de ideias para compreensão total
do sentido.

1
Machado de Assis sempre teve como objetivo promover o
2 senso crítico dos leitores, por meio da escrita, acerca do com-
3 portamento humano. Em Dom Casmurro, por exemplo, o autor
4
buscou instigar sobre o problema de ter a verdade estabelecida de
5 acordo com uma única perspectiva por causa da ausência da voz
6 de Capitu sobre sua suposta traição.
7 Recentemente, após o assassinato da vereadora Mariel-
8 le Franco, esse assunto se tornou um dos mais comentados na
9 internet. Além da comoção, houve também a disseminação de
10 informações falsas com o objetivo de difamar o caráter da parla-
11 mentar.
12 Entretanto, não é de hoje que boatos geram efeitos irrever-
13 síveis para a sociedade. Uma notícia compartilhada muitas ve-
14 zes, mesmo que seja falsa, acaba se tornando uma verdade. Em
15 2014, uma mulher morreu após ser espancada por moradores do
16 Guarujá a partir de mentiras contadas em uma rede social, acu-
17 sando-a de praticar magia negra com crianças.
18 Fica evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas
19 para coibir a proliferação de informações que não sejam verda-
20 deiras e prejudiquem a população. É dever do Governo Federal em
21 parceria com as Secretarias de Segurança de cada estado criar
22 setores nas delegacias para a denúncia de casos de “fake news”.
23 Dessa forma, os ensinamentos de Machado de Assis continuarão a
24 estimular a criticidade aos cidadãos e promover o bem.
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Desenvolvimento II: Vale destacar também que, quando o parágrafo só apresenta exemplos, ele se tor-
na um parágrafo expositivo e não cumpre e função da dissertação-argumentativa que é a junção de fatos
e opiniões para comprovar a opinião do autor.

Conclusão: A proposta de intervenção deve sempre apresentar uma solução para a proposta tema
além de apresentar o detalhamento sobre o que deve ser feito, além do agente de intervenção e
notificar qual é o efeito da proposta para o leitor do texto.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Os efeitos das fake news na sociedade brasileira contemporânea

Sugestão de reescrita:

1 Isso não é uma verdade


2 Machado de Assis sempre teve como objetivo promover o senso crítico dos leitores,
3 por meio da escrita, acerca do comportamento humano. Em Dom Casmurro, por exem-
4 plo, o autor buscou instigar sobre o problema de ter a verdade estabelecida de acordo com
5 uma única perspectiva por causa da ausência da voz de Capitu sobre sua suposta traição.
6 Entretanto, poucas décadas depois dos ensinamentos do bruxo do Cosme Velho, notícias
7 falsas – as fake news – se espalham cada vez mais na sociedade brasileira.
8 Cabe destacar a repercussão dessas notícias na internet. Recentemente, após o as-
9 sassinato da vereadora Marielle Franco, esse assunto se tornou um dos mais comentados
10 na internet. Além da comoção, houve também a disseminação de informações falsas com o
11 objetivo de difamar o caráter da parlamentar. Devido ao discurso de ódio nas mídias, me-
12 didas foram tomadas pelo PSOL, como uma seção no site para desmentir boatos e um local
13 para receber denúncias de notícias falsas com o objetivo de tentar punir os responsáveis.
14 Entretanto, não é de hoje que boatos geram efeitos irreversíveis para a sociedade.
15 Uma notícia compartilhada muitas vezes, mesmo que seja falsa, acaba se tornando uma
16 verdade. Em 2014, uma mulher morreu após ser espancada por moradores do Guarujá
17 a partir de mentiras contadas em uma rede social, acusando-a de praticar magia negra
18 com crianças. Dessa forma, fica claro que o leitor tanto de notícias quanto de mídias sociais
19 como o Facebook, por exemplo, deve assumir uma postura crítica e conferir a veracidade
20 das informações para evitar tragédias como essa.
21 Fica evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para coibir a proliferação
22 de informações que não sejam verdadeiras e prejudiquem a população. É dever do Gover-
23 no Federal em parceria com as Secretarias de Segurança de cada estado criar setores nas
24 delegacias para a denúncia de casos de “fake news” além de criação de disque-denúncia
25 especializado para fornecer meios em que a população possa erradicar esse problema na so-
26 ciedade e que possam ser criminaliza-los quando necessário. Dessa forma, os ensinamentos
27 de Machado de Assis continuarão a estimular a criticidade aos cidadãos e promover o bem.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: A xenofobia em discussão no século XXI

Introdução: É importante deixar mais claro o conceito de “Homem cordial” e o porquê de ele
contrastar com a realidade. Não necessariamente é preciso dizer explicitamente o conceito,
torná-lo compreensível ao leitor é suficiente. O primeiro parágrafo também está muito grande
se comparado aos outros (de desenvolvimento, principalmente). É necessário ou diminuí-lo ou
aumentar os outros (optamos por este último na reescrita).

Desenvolvimento I: O parágrafo foi escrito em um único período, o que torna mais difícil a com-
preensão do texto. O ideal aqui seria criar uma divisão, inserindo um tópico frasal.

1 Discussões envolvendo xenofobia têm sido levantadas há muito


2 tempo. Mas é fato que, nos últimos anos, em um contexto de mundo
3 globalizado, com tráfego cada vez maior de pessoas entre nações, este
4 problema tem se agravado. No âmbito brasileiro, essa questão é ainda
5 recente e vem ganhando espaço nas discussões com a vinda de refugia-
6 dos. Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, traz a ideia do
7 brasileiro enquanto “homem cordial”, mas essa ideia parece ser menos
8 válida quando se discute a xenofobia em âmbito nacional, já que os
9 estrangeiros são recebidos com frieza, são marginalizados e, frequente-
10 mente, sofrem violência.
11 Esta rejeição ao estrangeiro parece vir de generalizações, como
12 por exemplo com discursos como “muçulmanos são terroristas”, con-
13 tendo uma visão muito despersonificada de um grupo de pessoas, que
14 são cada vez mais comuns e contribuem para a disseminação da vio-
15 lência, tanto física, quanto verbal e estrutural - esta última, referente
16 à não inserção do estrangeiro nos espaços geográficos e sociais do país
17 para onde emigra.
18 O filme Era o Hotel Cambridge, da diretora Eliane Caffé, ilustra
19 muito bem esta última questão ao retratar, através de uma narrativa
20 que mistura ficção e documentário, o dia-a-dia de refugiados sírios
21 que, sem lugar para ir, acabam em uma ocupação do Movimento sem
22 teto.
23 Portanto, no ensino básico, seria interessante levar imigrantes de
24 diferentes países como palestrantes, conscientizando os alunos acerca
25 da problemática dos discursos xenofóbicos e dos efeitos negativos que
26 esses discursos representam no dia-a-dia daqueles que buscam refúgio
27 no Brasil.
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Desenvolvimento II: O primeiro problema aqui é a falta de conexão entre o exemplo e o tema.
Apesar de se tratar de uma boa escolha de argumento, não há relação lógica entre esse pará-
grafo e os demais. A sugestão aqui seria o acréscimo de um outro período, retomando alguma
ideia já exposta e reforçando a ligação entre filme e realidade.

Conclusão: Falta deixar clara a ideia de que se trata de uma proposta de intervenção. O “portanto” não cabe aqui, mes-
mo sendo ótimo para parágrafos conclusivos. Falta ainda aproximar esse parágrafo de algo já dito, recuperando alguma
ideia e reforçando o encadeamento lógico. O acréscimo de uma frase que indique o fechamento do texto também
pode ser interessante.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: A xenofobia em discussão no século XXI

Sugestão de reescrita:

1 Discussões envolvendo xenofobia têm sido levantadas há muito tempo. Mas


2 é fato que, nos últimos anos, em um contexto de mundo globalizado, com tráfego
3 cada vez maior de pessoas entre nações, este problema tem se agravado. No âmbito
4 brasileiro, essa questão é ainda recente e vem ganhando espaço nas discussões com
5 a vinda de refugiados. A ideia do brasileiro enquanto “homem cordial”, cunhada por
6 Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, parece ser menos válida quando se
7 discute a xenofobia em âmbito nacional: a hospitalidade e receptividade dão lugar
8 a à frieza, à marginalização e, frequentemente, à violência.
9 Esta rejeição ao estrangeiro parece vir de generalizações. Discursos como
10 “muçulmanos são terroristas”, contendo uma visão muito despersonificada de um
11 grupo de pessoas, são comuns e contribuem para a disseminação da violência, tanto
12 física, quanto verbal e estrutural - esta última, referente à não inserção do estran-
13 geiro nos espaços geográficos e sociais do país para onde emigra.
14 O filme Era o Hotel Cambridge, da diretora Eliane Caffé, ilustra muito bem
15 esta última questão ao retratar, através de uma narrativa que mistura ficção e
16 documentário, o dia-a-dia de refugiados sírios que, sem lugar para ir, acabam em
17 uma ocupação do Movimento sem teto. O que o filme apresenta são situações bem
18 próximas da realidade: uma tendência a rejeitar o estrangeiro e o marginalizar nos
19 centros urbanos.
20 A principal saída para essa questão está na educação. No ensino básico, seria
21 interessante levar imigrantes de diferentes países para palestrarem, conscientizan-
22 do os alunos acerca da problemática dos discursos xenofóbicos e dos efeitos negativos
23 que esses discursos representam no dia-a-dia daqueles que buscam refúgio no Brasil.
24 Somente assim seria possível retornar ao “homem cordial” e instaurar na menta-
25 lidade coletiva a ideia de que seres humanos não são ilegais.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Os perigos da obsolescência programada

Introdução: A exposição da tese anterior à contextualização não é ilícita, mas, nesse caso, faz
com que a tese perca força e fique menos interessante.

Desenvolvimento I: o parágrafo acima é mais expositivo do que propriamente argumentativo.


Além disso, ele se estrutura em apenas dois períodos, fugindo da estrutura padrão: tópico frasal
+ ampliação + fechamento.

1 A obsolescência programada não deve ser tratada com indiferença, uma


2 vez que causa impactos diretos no meio ambiente, no planejamento econômico do
3 indivíduo e até nas configurações de mercado. A Terceira Revolução Industrial é a
4 mais recente dinâmica de transformação dos sistemas produtivos, começada no
5 final da década de 60 e viva até os dias atuais. Uma de suas consequências foi a
6 lógica em que do produtor de um bem – propositadamente – desenvolve e fa-
7 brica um produto para consumo com o intuito de que ele se torne ultrapassado ou
8 não-funcional, em um curto espaço de tempo, para incentivar a compra da nova
9 geração da mercadoria.
10 Em primeiro lugar, é necessário reconhecer que esse sistema fomenta a
11 rotatividade de aparelhos tecnológicos. Nesse sentido, a problemática do lixo ele-
12 trônico emerge e ganha força em âmbito mundial, porque o descarte inadequado
13 desses materiais, que contêm substâncias químicas nocivas, como chumbo, berílio,
14 mercúrio etc., que podem contaminar o solo e água e adoecer faunas e floras, in-
15 clusive humanos.
16 A demais, a tecnologia que é utilizada a favor do homem pode causar se-
17 gregação social e tolher pessoas do acesso à informação. O sistema capitalista pri-
18 vilegia quem tem maior poder de compra. Num país em que o salário mínimo não
19 chega a mil reais, trabalhadores se veem diante de um impasse: a exclusão social
20 ou o endividamento a fim de obter um celular, por exemplo, que custa quase um
21 mês de trabalho ou até mais. Num país em crise, em que os juros são altíssimos, as
22 concessionárias de crédito lucram muito e o sujeito de classe média ou paga ou é
23 submetido às punições, como ter seu nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC)
24 – o que implica uma série de impasses e limita seu poder de aquisição de bens.
25 Contudo, a obsolescência programada não deve ser negligenciada. Cabe ao
26 governo aplicar medidas para regulamentar a produção de dispositivos a fim de que
27 se extinga ou se atenue o prazo de validade dos eletrônicos a fim de que todos pos-
28 sam ter as mesmas condições de inclusão. Além disso, é fundamental que as auto-
29 ridades ajam de forma mais enérgica na regulamentação e na legislação ambientais
30 para que os danos ao planeta sejam reduzidos e, quiçá, zerados, a longo prazo.

Desenvolvimento II: O conectivo “ademais” se constitui em apenas um vocábulo. Além disso, os


períodos não estão conectados por elementos de coesão cabíveis.

Conclusão: “Contudo” tem valor adversativo, portanto, não se deve confundi-lo com “Com tudo”. Além disso, prefira-se
a preposição “Em” precedendo “longo prazo”.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Os perigos da obsolescência programada

Sugestão de reescrita:

1 A Terceira Revolução Industrial é a mais recente dinâmica de transformação dos sistemas


2 produtivos, começada no final da década de 60 e viva até os dias atuais. Uma de suas consequên-
3 cias foi a lógica em que do produtor de um bem – propositadamente – desenvolve e fabrica um
4 produto para consumo com o intuito de que se torne ultrapassado ou não-funcional, em um curto
5 espaço de tempo, para incentivar a compra da nova geração da mercadoria. Portanto, a obsoles-
6 cência programada não deve ser tratada com indiferença, uma vez que causa impactos diretos no
7 meio ambiente, no planejamento econômico do indivíduo e até nas configurações de mercado.
8 Em primeiro lugar, é necessário reconhecer que esse sistema fomenta a rotatividade de apa-
9 relhos tecnológicos. Nesse sentido, a problemática do lixo eletrônico emerge e ganha força em âmbito
10 mundial. Isso se dá por conta do descarte inadequado desses materiais, que contêm substâncias quí-
11 micas nocivas, como chumbo, berílio, mercúrio etc., que podem contaminar o solo e água e adoecer
12 faunas e floras, inclusive humanos. Todavia, as formas de eliminação desses eletroeletrônicos não são
13 amplamente difundidas, bem como não há postos de coleta que atendam às demandas. Com efei-
14 to, é necessário que as autoridades tratem essa questão não só como um problema ambiental, mas
15 também como um caso de saúde pública.
16 Ademais, a tecnologia que é utilizada a favor do homem pode causar segregação social e
17 tolher pessoas do acesso à informação. O sistema capitalista privilegia quem tem maior poder de
18 compra. Entretanto, num país em que o salário mínimo não chega a mil reais, trabalhadores se veem
19 diante de um impasse: a exclusão social ou o endividamento a fim de obter um celular, por exemplo,
20 que custa quase um mês de trabalho ou até mais. Desta forma, num país em crise, em que os juros
21 são altíssimos, as concessionárias de crédito lucram muito e o sujeito de classe média ou paga ou é
22 submetido às punições, como ter seu nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) – o que implica
23 uma série de impasses e limita seu poder de aquisição de bens.
24 Portanto, a obsolescência programada não deve ser negligenciada. Cabe ao governo aplicar
25 medidas para regulamentar a produção de dispositivos a fim de que se extinga ou se atenue o prazo
26 de validade dos eletrônicos a fim de que todos possam ter as mesmas condições de inclusão. Além
27 disso, é fundamental que as autoridades ajam de forma mais enérgica na regulamentação e na le-
28 gislação ambientais para que os danos ao planeta sejam reduzidos e, quiçá, zerados, em longo prazo.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: A questão do índio no Brasil contemporâneo

Introdução: O parágrafo de introdução contém uma ótima contextualização do tema, de modo


a trazer uma obra literária para apresentar a situação do índio. Entretanto, não há uma formação
concreta sobre a tese, em relação ao livro. É importante trazer uma ligação sobre o tema de um
modo amplo e referente à tese.

Desenvolvimento I: Uma coisa importante a se ressaltar sobre os desenvolvimentos é que, ape-


sar de haver a necessidade de trazer evidências que comprovem a argumentação, se há a pre-
sença exacerbada desses mecanismos, o texto pode se tornar expositivo. No caso acima, não
há uma concretização argumentativa, apenas a fala do antropólogo, o que apenas demonstra os
fatos e não os relaciona.

1 Em sua obra modernista Macunaíma, Mario de Andrade descre-


2 veu a caracterização do povo brasileiro, sendo influenciada por traços
3 indígenas, afrodescendentes e europeia. Dessa maneira, o popularmente
4 conhecido como “herói sem nenhum caráter” é uma analogia ao re-
5 trato do início de uma nação, sendo primitiva quando se tratando dos
6 índios e, glorificada, com os europeus. Esse livro, apesar de ser ficcional,
7 não se distancia da realidade, uma vez que na contemporaneidade o
8 descaso com o povo indígena ainda ocorre.
9 Em primeiro lugar, é necessário descrever o processo de coloni-
10 zação do Brasil. Tendo nascido por meio de exploração, a dominação
11 de povos e culturas ocorreu da mesma forma. Assim como afirma o
12 antropólogo Darcy Ribeiro, a cultura do europeu se sobrepôs sobre a
13 identidade nativa, perdendo-se muitos traços indígenas. Esse compor-
14 tamento é visto até os dias atuais.
15 Esse comportamento, visto em programas de televisão, é ainda
16 mais reafirmado ao transformar a cultura e identidade desse povo em
17 fantasias e forma de diversão. Esse processo deu início ao trabalho da
18 artista indígena Katú Mirim “#índionãoéfantasia”, que defende que o
19 uso dos trajes, além de ser ofensivo, é modo de reforçar o preconceito.
20 Ao que é visto no cenário contemporâneo, o indígena é desvalorizado e
21 zombado.
22 Assim, que o Brasil atual é miscigenado e diversificado, quanto às
23 influências, é fato. Entretanto, não se pode desprender dos primeiros
24 influenciadores de identificação cultural. Por esse motivo, é necessário
25 que o índio seja, não somente valorizado, mas representado e aproxi-
26 mado da cultura atual, com participações midiáticas. Além disso, deve
27 haver uma conscientização no âmbito escolar para que as crianças e
28 jovens interpretem o indígena como parte da história brasileira para
29 uma valorização de quem iniciou a história há mais de 500 anos.
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Desenvolvimento II: Novamente, há a grande presença de conhecimentos gerais sobre o tema,


mas a argumentação se vê insuficiente. É necessária uma ênfase sobre a visão do autor, sobre
todos os fatos trazidos ao texto. “Por que o indígena é desvalorizado e zombado? , os questio-
namentos devem ser respondidos no desenvolvimento 1 e 2.

Conclusão: O autor, apesar de ter retomado à tese inicial em seu parágrafo de conclusão, não explicitou de forma
detalhada e coerente as propostas de solução. Deve-se atentar que a intervenção deve conter o agente, o público
alvo, o ambiente a ser promovida a ação e de que forma isso irá ocorrer. Assim, é necessário apresentar quais tipos de
participações midiáticas devem ocorrer e como seria essa conscientização no âmbito escolar.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: A questão do índio no Brasil contemporâneo

Sugestão de reescrita:

1 Em sua obra modernista Macunaíma, Mario de Andrade descreveu a caracterização


2 do povo brasileiro, sendo influenciada por traços indígenas, afrodescendentes e europeia.
3 Dessa maneira, o popularmente conhecido como “herói sem nenhum caráter” é uma ana-
4 logia ao retrato do início de uma nação, sendo primitiva quando se tratando dos índios e,
5 glorificada, com os europeus. Esse livro, apesar de ser ficcional, não se distancia da realida-
6 de, uma vez que na contemporaneidade a valorização cultural e representativa dos povos
7 indígenas é esquecida, devido ao descaso populacional e governamental sobre os nativos do
8 país.
9 Em primeiro lugar, é necessário descrever o processo de colonização do Brasil. Tendo
10 nascido por meio de exploração, a dominação de povos e culturas ocorreu, da mesma for-
11 ma. Assim como afirma o antropólogo Darcy Ribeiro, a cultura do europeu se sobrepôs so-
12 bre a identidade nativa, perdendo-se muitos traços indígenas. Esse comportamento é visto
13 até os dias atuais, de forma que o índio, além de esquecido pela sociedade, é ridicularizado
14 nos canais de informação e mídia.
15 Essa forma de ridicularizar, vista em programas de televisão, é ainda mais reafir-
16 mada ao transformar a cultura e identidade desse povo em fantasias e forma de diversão.
17 Esse processo deu início ao trabalho da artista indígena Katú Mirim “#índionãoéfantasia”,
18 que defende que o uso dos trajes, além de ser ofensivo, é modo de reforçar o preconceito.
19 Ao que é visto no cenário contemporâneo, o indígena, além de não ter reconhecimento his-
20 tórico sobre o processo de formação do Brasil, é desvalorizado e zombado pela disparidade
21 e sobreposição de culturas.
22 Assim, que o Brasil atual é miscigenado e diversificado, quanto às influências, é fato.
23 Entretanto, não se pode desprender dos primeiros influenciadores de identificação cultural.
24 Por esse motivo, é necessário que o índio seja, não somente valorizado, mas representado e
25 aproximado da cultura atual, com participações midiáticas, como programas de entrevis-
26 tas e novelas que representem essa população hodierna. Além disso, deve haver uma cons-
27 cientização no âmbito escolar para que as crianças e jovens interpretem o indígena como
28 parte da história brasileira, de modo a promover palestras para apresentar os costumes e
29 características, com representante de tribos e aldeias, para uma valorização de quem ini-
30 ciou a história há mais de 500 anos.
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O panorama de descrença no sistema político

Introdução: O primeiro problema a ser notado na introdução é o tamanho do primeiro período. Por ser
muito longo, a compreensão e a clareza das ideias acaba prejudicada. O ideal seria encurtá-lo, dividindo
em dois períodos.
O segundo problema é a falta de explicitação da tese. É muito importante que a introdução aborde com
clareza o tema a ser trabalhado ao longo da dissertação.

Desenvolvimento I: Não há, nesse parágrafo, conexão com o parágrafo anterior. Apesar das ideias terem
uma continuação - a retomada do tema da ditadura -, falta um elemento coesivo. Além disso, temos um
problema com repetições: as palavras “polítca”, “político” e “descrença” aparecem demais. O ideal seria
substituí-las por sinônimos. Falta também um tópico frasal que sintetize o que será tratado ao longo do
parágrafo.

1 O Brasil saiu, não faz muito tempo, do período da Ditadura Mi-


2 litar, cenário político conturbado que só teve fim em 1985, a partir
3 da mobilização popular e da atuação política de diversos setores da
4 sociedade, quando a democracia foi instaurada e o regime autoritário
5 caiu. Hoje, mais de 20 anos depois, o governo passa novamente por um
6 período de turbulências e instabilidade.
7 Enquanto no período ditatorial havia uma luta por um sistema
8 político considerado ideal - a democracia -, hoje, em um governo de-
9 mocrático, existe uma sensação generalizada de falência das institui-
10 ções públicas e, consequentemente, uma tendência crescente à inação.
11 As constantes crises políticas, os escândalos envolvendo nomes impor-
12 tantes e a perda direitos parecem criar, inclusive, uma descrença tão
13 grande a ponto de até mesmo a democracia ser questionada.
14 Portanto, temos uma uma situação ainda mais preocupante ge-
15 rada pela descrença no sistema democrático, já que a desmobilização
16 política cria espaço para a ascensão de governos autoritários e/ou de
17 extrema direita ao poder em âmbito mundial. Por exemplo: Donald
18 Trump na presidência americana, Putin na Rússia e um parlamento
19 português com maioria de representantes neofascistas.
20 Esse grupo de pessoas desmobilizadas que se mantêm distancia-
21 das da política, tem como maior desafio quebrar o monopólio do siste-
22 ma atual, dominado por políticos tradicionais que detêm o controle dos
23 partidos. O primeiro passo seria restabelecer o diálogo entre povo e as
24 instituições, assegurando assim a manutenção da democracia.
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Desenvolvimento II: O “portanto” não é uma boa escolha de elemento coesivo para esse momento do
texto, ele seria mais adequado à conclusão. O uso da primeira pessoa do plural em “temos” também é
problemática, uma vez que dá um caráter muito pessoal à dissertação.
A falta de referência ao cenário político brasileiro também pode ser trabalhada, uma vez que o tema foi
introduzido a partir de um exemplo da política nacional. É importante, assim, destacar que estamos saindo
do âmbito nacional para o mundial.
Por fim,a enumeração de exemplos pode ser menos explícita - tal mudança ajudaria na estética do texto.

Conclusão: Faltam elementos coesivos que indiquem a conclusão do texto (assim e portanto são boas sugestões).
Além disso, seria interessante acrescentar algum elemento que indique que se trata de uma proposta de intervenção,
obrigatória no Enem. Por fim, “um gancho” que aproxime o último parágrafo dos demais é necessário para reforçar o
encadeamento lógico do texto.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O panorama de descrença no sistema político

Sugestão de reescrita:

1 Descrença, inércia política e desmobilização


2
3 Não faz muito tempo que o Brasil saiu de um cenário político conturbado: a dita-
4 dura militar. Em 1985, a partir da mobilização popular e da atuação política de diversos
5 setores da sociedade, a democracia foi instaurada e o regime autoritário caiu. Hoje, mais
6 de 20 anos depois, o governo passa novamente por um período de turbulências e instabi-
7 lidade, mas, ao contrário do que acontecia durante a ditadura, o que se vê é um processo
8 de despolitização preocupante.
9 Tal processo parece surgir de um panorama de descrença no sistema político atual.
10 Enquanto no período ditatorial havia uma luta por um sistema político considerado ideal
11 - a democracia -, hoje, em um governo democrático, existe uma sensação generalizada de
12 falência das instituições públicas e, consequentemente, uma tendência crescente à inação.
13 As constantes crises de representatividade, os escândalos envolvendo nomes importantes
14 e a perda direitos parecem criar, inclusive, uma incredulidade tão grande a ponto de até
15 mesmo a democracia ser questionada.
16 Isso leva a uma situação ainda mais preocupante, uma vez que a descrença no siste-
17 ma democrático e a desmobilização política cria espaço para a ascensão de governos auto-
18 ritários e/ou de extrema direita ao poder, cenário cada vez mais comum não somente no
19 Brasil, mas em âmbito mundial. Donald Trump na presidência americana, Putin na Rússia
20 e um parlamento português com maioria de representantes neofascistas são alguns exem-
21 plos.
22 A saída para tudo isso está no retorno à mobilização popular. O grupo de pessoas
23 desmobilizadas, que se mantêm distanciadas da política, tem como maior desafio quebrar
24 o monopólio do sistema atual, dominado por políticos tradicionais que detêm o controle
25 dos partidos. O primeiro passo, portanto, é restabelecer o diálogo entre povo e as institui-
26 ções, assegurando assim a manutenção da democracia, afinal, a ditadura só caiu devido às
27 pessoas dispostas a agir e, do mesmo modo, somente a ação pode recriar o cenário político
28 atual.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O poder do jovem na sociedade contemporânea

Introdução: A introdução de um texto possui duas funções: apresentar uma contextualização


sobre o tema e a apresentação da tese, ou seja, o ponto de vista do autor sobre o tema. En-
tretanto, mesmo que as duas funções tenham sido contempladas no fragmento, não há uma
ligação entre a apresentação do assunto com o recorte pedido pelo tema, partindo diretamente
para a opinião do produtor. Assim, há problemas em relação à coerência de ideias visto que falta
uma parte do texto.

Desenvolvimento I: Embora o primeiro parágrafo de desenvolvimento apresente um tópico fra-


sal acerca da utilização das redes sociais pelos jovens para auxiliar em questões da sociedade,
ao longo da ampliação é abordado um exemplo de atuação em prol da comunidade, mas não há
menção ao seu realizador. Assim, uma quebra na coerência textual visto que falta complemento
de ideias para dar sentido ao fragmento. Portanto, é importante que todas as partes do texto
estejam relacionadas ao tema.

1 No filme “Cidade de Deus”, Buscapé conta a história do crescimento


2 do crime organizado na favela que se tornou um dos lugares mais peri-
3 gosos do Rio de Janeiro no início dos anos 80. Assim, pode-se perceber o
4 poder do jovem na sociedade brasileira, visto que mesmo com adversida-
5 des enfrentadas no dia a dia é possível superá-las em busca de um futuro
6 melhor.
7 Em primeiro lugar, cabe destacar como as novas mídias sociais
8 auxiliam o jovem no combate a problemas da sociedade. Em 2010, houve
9 a invasão do Complexo do Alemão, pelos policiais do Rio de Janeiro, com
10 o objetivo de recuperar o território dominado pelo poder paralelo. Nesse
11 contexto, surge o portal chamado “Voz das Comunidades” que transmitiu
12 os primeiros registros da ocupação, não só com o compromisso de infor-
13 mar sua vizinhança, mas também de levar a voz da favela para fora dos
14 seus limites.
15 Desde que o novo presidente Jair Bolsonaro foi eleito, uma série de
16 ações desagradam à sociedade. O contingenciamento de verbas para as
17 universidades e institutos federais levou milhares de estudantes às ruas
18 com o objetivo de protestar contra a ação. Assim, de encontro à moder-
19 nidade líquida de Zygmunt Bauman.
20 Portanto, fica claro que a atuação do jovem na sociedade possui
21 papel importante para a mudança dos cenários contemporâneos. Dessa
22 forma, é necessária uma ação do Ministério da Educação e Cultura, orien-
23 tar os jovens a buscarem informações sobre o país e aprenderem sobre o
24 uso de mídias sociais, com o objetivo de desenvolver tanto o senso crítico
25 dos jovens quanto a capacidade de mobilização por meio das redes.
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Desenvolvimento II: No segundo parágrafo de desenvolvimento não há uma ligação entre as


partes do texto, visto que não há nem a presença de conectivo iniciando o período nem de
tópico frasal apresentando a ideia a ser ampliada no trecho. Além disso, há uma referência à
teoria de Zygmunt Bauman acerca da modernidade líquida, entretanto, não está relacionada à
discussão apresentada no excerto. Essa ausência se configura como um problema de coerência
textual, pois todo parágrafo deve ter início, meio e fim.

Conclusão: A conclusão de uma redação modelo ENEM deve possuir não só a retomada da tese por meio de uma
paráfrase, como também a apresentação de uma proposta de intervenção para amenizar o problema apresentado
pelo tema. Além disso, essa ação interventiva deve estar relacionada à discussão apresentada no texto e responder às
perguntas: “O que deve ser feito?”, “Por quem deve ser feito?”, “Para que deve ser feito?”, “Como deve ser feito?” e o
detalhamento de um dos elementos básicos (perguntas). Entretanto, no fragmento é possível perceber que falta o meio
de realização da ação e o detalhamento de um dos elementos. Destaca-se também a repetição excessiva da palavra
“jovem” no trecho.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O poder do jovem na sociedade contemporânea

Sugestão de reescrita:

1 No filme “Cidade de Deus”, Buscapé conta a história do crescimento do crime


2 organizado na favela que se tornou um dos lugares mais perigosos do Rio de Janeiro no início
3 dos anos 80. O protagonista, que cresceu em um ambiente violento, consegue mudar a sua
4 realidade e não seguir o caminho do tráfico ao retratar o cenário vivido na comunidade aos
5 jornais por causa de uma câmera fotográfica. Assim, pode-se perceber o poder do jovem na
6 sociedade brasileira, visto que mesmo com adversidades enfrentadas no dia a dia é possível
7 superá-las em busca de um futuro melhor.
8 Em primeiro lugar, cabe destacar como as novas mídias sociais auxiliam o jovem no
9 combate a problemas da sociedade. Em 2010, houve a invasão do Complexo do Alemão, pelos
10 policiais do Rio de Janeiro, com o objetivo de recuperar o território dominado pelo poder
11 paralelo. Nesse contexto, surge o portal chamado “Voz das Comunidades” que transmitiu os
12 primeiros registros da ocupação, não só com o compromisso de informar sua vizinhança, mas
13 também de levar a voz da favela para fora dos seus limites. Por esse motivo, hoje, Renê Silva,
14 criador do veículo de notícias é um dos jovens mais influentes do mundo por causa desse feito.
15 Além disso, outro aspecto importante em relação ao jovem é a atuação em manifestações
16 populares em busca de melhorias sociais. Desde que o novo presidente Jair Bolsonaro foi
17 eleito, uma série de ações desagradam à sociedade. O contingenciamento de verbas para as
18 universidades e institutos federais levou milhares de estudantes às ruas com o objetivo de
19 protestar contra a ação. Assim, de encontro à modernidade líquida de Zygmunt Bauman,
20 pode-se perceber que mesmo que as relações estejam efêmeras na sociedade, o brasileiro
21 ainda possui senso de coletividade em prol de uma causa.
22 Portanto, fica claro que a atuação do jovem na sociedade possui papel importante
23 para a mudança dos cenários contemporâneos. Dessa forma, é necessária uma ação do
24 Ministério da Educação e Cultura, que deve, por meio da oferta de oficinas e seminários nas
25 escolas, no contraturno das aulas, orientar os alunos a buscarem informações sobre o país e
26 aprenderem sobre o uso de mídias sociais, com o objetivo de desenvolver tanto o senso crítico
27 quanto a capacidade de mobilização por meio das redes. Assim, novos projetos poderiam ser
28 criados para beneficiar a comunidade, além de uma maior participação política dos jovens.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Mobilidade urbana no século XXI: o ir e vir em questão na sociedade

Introdução: A primeira coisa que chama atenção nesse parágrafo é o número de gerúndios (são
3, um seguido do outro). Esteticamente, o texto deixa a desejar e a compreensão fica prejudica-
da. Além disso, falta definir a tese a ser abordada ao longo da dissertação.

Desenvolvimento I: O parágrafo fala do contexto brasileiro, mas não indica isso. É importante
deixar claro que se trata do país, até porque o tema traz essa exigência. Além disso, o uso do
“portanto” é inoportuno, seria mais interessante usar essa conjunção no momento da conclusão.

1 O número de veículos individuais nas ruas dos grandes centros


2 urbanos brasileiros vem crescendo, o que vem promovendo um incha-
3 ço no trânsito e acaba dificultando a locomoção nas grandes cidades,
4 notadamente nas regiões que concentram a maior parte dos serviços e
5 empregos.
6 O aumento no poder aquisitivo da população de classes média e
7 baixa, a recente política de redução do IPI no mercado automobilístico
8 e a precarização do transporte coletivo acarretaram o crescimento do
9 número de carros nos centros urbanos e, consequentemente, do trân-
10 sito. Portanto, problemas com lentidão e engarrafamentos se tornam
11 recorrentes.
12 Houveram, principalmente após a década de 1960 e o governo
13 de Juscelino Kubitschek, um acúmulo de investimentos no transporte
14 rodoviário, sendo que outras formas de locomoção acabaram deixadas
15 de lado. Assim, o número de veículos pesados nos centros urbanos,
16 como caminhões, aumentou, o que dificulta ainda mais a fluidez do
17 trânsito.
18 É preciso, pois, que haja investimento nos transporte públicos de
19 massa, aumentando-se as linha de ônibus e o número de metrôs e ter-
20 minais. A construção de ciclovias também se mostra como uma saída
21 viável e inteligente. De qualquer forma, o primeiro passo para solucio-
22 nar o problema é entender que não há como promover uma melhora
23 na mobilidade urbana no Brasil enquanto o transporte individual for
24 privilegiado.
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Desenvolvimento II: É preciso ficar atento à norma padrão da língua portuguesa. O verbo haver
com sentido de existir não deve ser concordar em número com seus complementos (o correto,
no texto, seria “houve” e não “houveram”). Também seria interessante o acréscimo de um tópico
frasal que, ao mesmo tempo, retome o parágrafo anterior e introduza a ideia a ser trabalhada
no novo parágrafo.

Conclusão: O parágrafo está bom, mas a questão das ciclovias enquanto solução está muito superficial, é preciso deixar
claro o porquê de elas serem uma opção viável dentro da proposta de intervenção.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Mobilidade urbana no século XXI: o ir e vir em questão na sociedade

Sugestão de reescrita:

1 O crescente número de veículos individuais nas ruas dos grandes centros


2 urbanos brasileiros vem promovendo um inchaço no trânsitoe dificultando a lo-
3 comoção nas grandes cidades, notadamente nas regiões que concentram a maior
4 parte dos serviços e empregos. Tal situação fomenta o debate acerca da mobilidade
5 urbana, buscando assegurar a garantia de livre circulação de pessoas entre as áreas
6 de seu interesse .
7 No âmbito brasileiro, essa é uma questão particularmente delicada. O au-
8 mento no poder aquisitivo da população de classes média e baixa, a recente polí-
9 tica de redução do IPI no mercado automobilístico e a precarização do transporte
10 coletivo acarretaram o crescimento do número de carros nos centros urbanos e,
11 consequentemente, do trânsito. Assim, problemas com lentidão e engarrafamentos
12 se tornam recorrentes.
13 A herança histórica rodoviarista do Brasil também parece ser responsável
14 pelo problema. Houve, principalmente após a década de 1960 e o governo de Jus-
15 celino Kubitschek, um acúmulo de investimentos no transporte rodoviário, sendo
16 que outras formas de locomoção acabaram deixadas de lado. Assim, o número de
17 veículos pesados nos centros urbanos, como caminhões, aumentou, o que dificulta
18 ainda mais a fluidez do trânsito.
19 É preciso, pois, que haja investimento nos transporte públicos de massa,
20 aumentando-se as linha de ônibus e o número de metrôs e terminais. Além dis-
21 so, incentivos a meios de transporte como as bicicletas, além de contribuir para
22 essa questão, ajudam a reduzir a emissão de poluentes na atmosfera e melhorar
23 a qualidade de vida no meio urbano. A construção de ciclovias, então, também se
24 mostra como uma saída viável e inteligente. De qualquer forma, o primeiro passo
25 para solucionar o problema é entender que não há como promover uma melhora
26 na mobilidade urbana no Brasil enquanto o transporte individual for privilegiado.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Problemas das grandes cidades brasileiras

Introdução: A introdução precisa ter dois pontos importantes: contextualização do tema e


apresentação da tese. No parágrafo acima, não é vista a contextualização do tema, apenas uma
citação sobre a frase-temática, o que dificulta a filtragem do leitor sobre suas ideias. Ademais,
não é encontrada a tese, ou seja, o ponto de vista do texto, sendo necessário apresentar.

Desenvolvimento I: Para construir uma apresentação sobre o desenvolvimento, é necessário


apresentar o tópico frasal (ou seja, o que será falado no parágrafo). Assim, o tópico frasal se en-
contra insuficiente para entender o que irá ser dito. Não obstante, o texto não apresenta nenhum
conhecimento geral (como os processos históricos de urbanização, por exemplo) que comprove
a argumentação levantada, mesmo que necessário.

1 É perceptível os problemas das grandes cidades do Brasil atual ao


2 longo da história. Não somente no que tange à segurança, mas proble-
3 mas de mobilidade e habitação também acometem as grandes e pequenas
4 cidades do território nacional. Assim, faz-se necessário analisar as difi-
5 culdades da contemporaneidade e promover meios para erradicação da
6 problemática.
7 Em primeiro lugar, é necessário entender a história dos problemas
8 das grandes cidades. A migração de populações mais afastadas para os
9 grandes polos de progresso auxiliou para o mau desenvolvimento dos cen-
10 tros urbanos, atrelado à falta de auxílio e preparação governamental para
11 receber tantas pessoas. Assim, sem meios de estabilidade nos centros das
12 cidades, habitações às margens começaram a ser criadas, dando início ao
13 processo de “favelização”.
14 Segundo a Fundação Getúlio Vargas, o déficit habitacional chega
15 em torno de 7,7 milhões de brasileiros, ou seja, mais de 3% da população
16 nacional não possui moradia regularizada e ideal. Essa relação de desa-
17 tenção histórica apresenta reflexos no presente, uma vez que o aumento
18 dos índices de desigualdade social, desempregos, mobilidade urbana e vio-
19 lência também são frutos de grandes metrópoles sem infraestrutura para
20 a quantidade populacional e o abandono de regiões mais afastadas dos
21 centros industriais.
22 Portanto, é necessário rever os problemas das grandes cidades bra-
23 sileiras. Assim, faz-se necessário que o governo implemente novos polos
24 de moradia nas grandes cidades. Além disso, os órgãos estaduais podem
25 atuar no combate à violência, progredindo para que o resultado da histó-
26 ria não se repita nas futuras gerações.
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Desenvolvimento II: Apesar de bem argumentado e relacionado o ponto de vista do segundo


parágrafo argumentativo, é necessário utilizar recursos coesivos para garantir maior compreen-
são textual. Isto é, a utilização de conectivos, juntamente com a relação entre os parágrafos é
essencial para um maior desenvolvimento de ideias.

Conclusão: É necessário fazer uma breve reiteração do desenvolvimento para que o ponto de vista seja reforçado, isto
é, uma síntese das ideias já levantadas. Além disso, deve-se especificar o agente interventor, além da ação e do meio
para ser realizada a proposta de intervenção.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Problemas das grandes cidades brasileiras

Sugestão de reescrita:

1 Ocupando o terceiro lugar no ranking mundial de países mais violentos do mundo em 2015,
2 segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, é perceptível os reflexos da má administração
3 do Brasil atual ao longo da história. Não somente no que tange à segurança, mas problemas de
4 mobilidade e habitação também acometem as grandes e pequenas cidades do território nacional,
5 devido à falta de estrutura e apoio governamental perante os servidores públicos. Assim, faz-se
6 necessário analisar as dificuldades da contemporaneidade e promover meios para erradicação da
7 problemática.
8 Em primeiro lugar, deve-se observar os contextos históricos que refletiram nos problemas
9 das grandes cidades brasileiras. Antes do processo de urbanização, ocorrido no início do século XX, o
10 país era predominantemente rural, mudando com a chegada de grandes indústrias nas regiões Sul
11 e Sudeste. Essa movimentação ocasionou a migração de populações mais afastadas para os grandes
12 polos de progresso, sem o devido auxílio e preparação governamental para receber tantas pessoas.
13 Assim, sem meios de estabilidade nos centros das cidades, habitações às margens começaram a ser
14 criadas, dando início ao processo de “favelização”.
15 Não somente no quesito geográfico, como também socialmente, esse grupo populacional se
16 tornou marginalizado, uma vez que o descaso governamental tem sua existência até a atualidade.
17 Segundo a Fundação Getúlio Vargas, o déficit habitacional chega em torno de 7,7 milhões de
18 brasileiros, ou seja, mais de 3% da população nacional não possui moradia regularizada e ideal.
19 Essa relação de desatenção histórica apresenta reflexos no presente, uma vez que o aumento dos
20 índices de desigualdade social, desempregos, mobilidade urbana e violência também são frutos de
21 grandes metrópoles sem infraestrutura para a quantidade populacional e o abandono de regiões
22 mais afastadas dos centros industriais.
23 Desse modo, é imprescindível entender que as grandes cidades brasileiras possuem problemáticas
24 históricas exclusivamente por descasos governamentais, necessitando de auxílio de reparação no
25 presente. Assim, faz-se necessário que o Governo Federal, através do programa habitacional Minha
26 Casa Minha Vida, implemente novos polos de moradia nas grandes cidades, possibilitando habitações
27 confortáveis para as populações precárias. Combatendo um ponto da desigualdade, os órgãos estaduais
28 podem atuar no combate à violência, por meio de assistência social às famílias mais necessitadas,
29 progredindo para que o resultado da história não se repita nas futuras gerações.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O suicídio entre os jovens brasileiros: como enfrentar esse problema?

Introdução: A introdução precisa ter dois pontos importantes: contextualização do tema e


apresentação da tese. No parágrafo acima, não é vista a contextualização do tema, deixando
ampla a interpretação do leitor. Contudo, a tese está bem definida e contribui para que o dire-
cionamento do desenvolvimento seja mais linear.

Desenvolvimento I: Para construir uma apresentação sobre o desenvolvimento, é necessário


apresentar o tópico frasal (ou seja, o que será falado no parágrafo). Assim, o parágrafo, além
de não possuir este conhecimento prévio, não traz conhecimentos gerais que comprovem seus
argumentos.

1 Diferentemente de tempos passados, o índice de suicídio tem au-


2 mentado cada vez mais no cenário brasileiro do século XXI, tornando a
3 preocupação com o futuro de crianças e adolescentes como fato de saúde
4 pública, e evidenciando a necessidade de mudanças desse quadro.
5 É preciso entender o que causa o suicídio entre os jovens atualmen-
6 te. Por ser uma patologia, isto é, ser uma condição física que acomete o
7 ser humano, o advento das tecnologias trouxe ao indivíduo a sensação de
8 não pertencimento em seu próprio ambiente. O adolescente, ao necessitar
9 se encaixar em um padrão, busca nas redes sociais uma forma de fazer
10 parte de um grupo.
11 O ambiente familiar não deixa de auxiliar o distanciamento in-
12 dividual sobre seu problema psicológico. Entendida como a “doença do
13 século”, a depressão está entre um dos muitos distúrbios psíquicos que ga-
14 nhou protagonismo na atualidade, embora ainda vistas como um “tabu”
15 ou “frescura” para muitos brasileiros por falta de conhecimento. Dessa
16 forma, os adolescentes também deixam de ser ouvidos, buscando a auto-
17 mutilação como a única forma de sanar seus conflitos internos.
18 Portanto, faz-se necessário que o governo federal auxilie esses jo-
19 vens através de aulas nas escolas, possibilitando encontros semanais in-
20 dividuais e em grupos, para discutir os anseios e perigos dos conflitos da
21 faixa etária. Além disso, é necessário apoio dos responsáveis para que haja
22 maior atenção para com estas crianças, para que não haja mais casos de
23 morte e para que o ambiente familiar se torne mais acessível e empático.
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Desenvolvimento II: É necessário utilizar recursos coesivos para garantir maior compreensão
textual. Isto é, a utilização de conectivos, juntamente com a relação entre os parágrafos é es-
sencial para um maior desenvolvimento de ideias. Além disso, é necessário detalhar a argumen-
tação da “doença do século”, de modo a abordar suas motivações sobre a problemática.

Conclusão: É necessário fazer uma breve reiteração do desenvolvimento para que o ponto de vista seja reforçado. Além
disso, deve-se especificar o agente interventor, além da ação e do meio para ser realizada a proposta de intervenção.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O suicídio entre os jovens brasileiros: como enfrentar esse problema?

Sugestão de reescrita:

1 Na obra ficcional seriada, Os 13 porquês, a personagem principal Hannah narra, de forma


2 póstuma, suas razões para ter cometido suicídio. Ao relatar os envolvidos para sua decisão, é
3 apresentado os anseios que os jovens encontram na sociedade pós-moderna, de modo a encarar a
4 morte como uma forma de libertação. Lançado no início século XXI, sua obra é um retrato verossímil
5 da realidade vigente, uma vez que o índice de suicídio tem aumentado cada vez mais no cenário
6 brasileiro, tornando a preocupação com o futuro de crianças e adolescentes como fato de saúde
7 pública, e evidenciando a necessidade de mudanças desse quadro.
8 Em primeiro lugar, é necessário ressaltar as causas dos altos índices de suicídio por jovens
9 na sociedade brasileira atual. Por ser uma patologia, isto é, ser uma condição física que acomete o
10 ser humano, o advento das tecnologias trouxe ao indivíduo a sensação de não pertencimento em seu
11 próprio ambiente. O adolescente, ao necessitar se encaixar em um padrão, busca nas redes sociais
12 uma forma de fazer parte de um grupo, como exemplo o fenômeno de 2016, “Baleia-Azul”, um
13 jogo on-line realizado por desconhecidos que incitava o suicídio ao longo de 50 tarefas, causou
14 mortes por todo contexto global.
15 Não obstante das redes sociais, o ambiente familiar também auxilia o distanciamento individual
16 sobre seu problema psicológico. Entendida como a “doença do século”, a depressão está entre um dos
17 muitos distúrbios psíquicos que ganhou protagonismo na atualidade, embora ainda vistas como um
18 “tabu” ou “frescura” para muitos brasileiros por falta de conhecimento, o que dificulta o ambiente
19 de expressão dos jovens, iniciado pelo convívio com parentes. Uma vez não se sentido pertencente
20 de seu grupo virtual, os adolescentes também são distanciados de seus alicerceares, buscando a
21 automutilação como a única forma de sanar seus conflitos internos.
22 Desse modo, é possível compreender que o suicídio existe no como reflexo de uma sociedade
23 efêmera e ampla, sendo caso de saúde pública. Assim, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, em
24 parceria com a OMS, auxilie esses jovens através da inserção de profissionais da saúde especializados
25 em distúrbios psicológicos nas escolas, possibilitando encontros semanais individuais e em grupos,
26 para discutir os anseios e perigos dos conflitos da faixa etária. Além disso, é necessário apoio dos
27 responsáveis para que haja maior atenção para com estas crianças, para que não haja mais casos
28 como o de Hanna, em que a falta de auxílio ocasionou a morte, mas sim que o ambiente familiar e
29 escolar se torne mais acessível e empático.
30
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O sistema prisional brasileiro e seus efeitos no século XXI

Introdução: A tese é a opinião de quem escreve o texto acerca do tema, entretanto, no frag-
mento é possível perceber que só há apresentação do tema e não há um ponto de vista indi-
cado. Portanto, é necessário evidenciar de forma clara e evidente o posicionamento do autor.

Desenvolvimento I: O primeiro parágrafo de desenvolvimento possui diversas repetições da pa-


lavra “prisão” que pode ser substituída por sinônimos. Além disso, a argumentação foi desen-
volvida de forma superficial visto que não há fundamentação da opinião. Uma menção acerca
de uma pesquisa é feita, mas não há comprovação dos dados, inviabilizando assim, o caráter
verídico da informação.

1 O livro de Dráuzio Varela, “Estação Carandiru”, retrata a expe-


2 riência do médico a partir da década de 90 na Casa de Detenção de
3 São Paulo em que relata o que ouviu dos presos e, principalmente, o que
4 presenciou durante os anos de trabalho voluntário: a superlotação e a
5 má infraestrutura dos presídios. Mesmo que décadas tenham se passado,
6 deve-se analisar o sistema prisional brasileiro e seus efeitos no século XXI.
7 Em primeiro lugar, cabe destacar a precariedade das prisões brasi-
8 leiras. De acordo com uma pesquisa, alguns problemas crônicos nas prisões
9 são a superlotação e a saúde precária. Além de possuir a quarta maior
10 população carcerária do mundo e não haver perspectiva de melhora nas
11 prisões devido às celas sobrecarregadas, há, consequentemente, maior
12 proliferação de doenças devido ao ambiente insalubre ao qual estão ex-
13 postos por causa das celas sujas e da falta de recursos mínimos de higiene
14 nas prisões.
15 Assim, fica evidente que medidas são necessárias para diminuir a
16 situação precária do sistema prisional brasileiro. Dessa forma, o Governo
17 Federal, especificamente o Ministério da Educação e Cultura, deve in-
18 vestir amplamente no acesso à escola com ofertas de vagas e condições
19 necessárias para que crianças e adolescentes possam se qualificar profis-
20 sionalmente. Dessa forma, será possível resolver os problemas das prisões
21 brasileiras.
22 Além disso, há poucas instituições que reintegram o preso na so-
23 ciedade. A reincidência penitenciária é um fator preocupante no Brasil
24 visto que muitos saem das prisões sem opção para se sustentar e recorrem
25 novamente ao crime como forma de vida.
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Desenvolvimento II: O segundo parágrafo de desenvolvimento, além de ser muito pequeno em


relação aos demais, apresenta somente a justificativa sobre a tentativa de tese da introdução,
porém, não há fundamentação, ou seja, comprovação da argumentação, assim, tendo um pa-
rágrafo expositivo apenas.

Conclusão: A proposta de intervenção apresentada não estabelece relação com a discussão do texto. Nos parágrafos
de desenvolvimento foram apresentados argumentos acerca das más condições estruturais nos presídios e da ausências
de programas de reinserção do preso na sociedade, entretanto, a proposta apresenta uma solução sobre a qualificação
profissional de crianças e adolescentes que não foi mencionada no texto.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O sistema prisional brasileiro e seus efeitos no século XXI

Sugestão de reescrita:

1 O livro de Dráuzio Varela, “Estação Carandiru”, retrata a experiência do médico


2 a partir da década de 90 na Casa de Detenção de São Paulo em que relata o que ouviu
3 dos presos e, principalmente, o que presenciou durante os anos de trabalho voluntário: a
4 superlotação e a má infraestrutura dos presídios. Mesmo que décadas tenham se passado, a
5 situação do sistema prisional brasileiro continua precária no século XXI devido à estrutura
6 insatisfatória e à ausência de medidas ressocializadoras eficazes.
7 Em primeiro lugar, cabe destacar a precariedade dos estabelecimentos prisionais.
8 De acordo com uma pesquisa feita pela BBC Brasil, alguns problemas crônicos das prisões
9 brasileiras são a superlotação e a saúde precária. Além de possuir a quarta maior população
10 carcerária do mundo e não haver perspectiva de melhora devido às celas sobrecarregadas,
11 há, consequentemente, maior proliferação de doenças devido ao ambiente insalubre ao
12 qual estão expostos por causa das celas sujas e da falta de recursos mínimos de higiene.
13 Assim, a máxima de Rousseau de que “o homem é produto do meio” justifica a alta taxa
14 de reinserção no crime por causa das condições a que estão submetidos e da falta de
15 ressocialização do detento.
16 Além disso, há poucas instituições que reintegram o preso na sociedade. A Lei de
17 Execução Penal tem como um dos objetivos proporcionar condições para a integração social
18 do condenado, entretanto, a reincidência penitenciária é um fator preocupante no Brasil
19 visto que muitos saem das prisões sem opção para se sustentar e recorrem novamente
20 ao crime como forma de vida. Assim, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça,
21 ressocializar um detento custa menos que mantê-lo em presídios e, por isso, é necessário
22 integrá-lo a uma rotina de trabalho e educação durante o cumprimento da pena.
23 Assim, fica evidente que medidas são necessárias para diminuir a situação precária
24 do sistema prisional brasileiro. Dessa forma, o Governo Federal, especificamente o Ministério
25 da Justiça, deve ampliar a oferta de projetos de reintegração do detento na sociedade por
26 meio de cursos que promovam o ensino profissionalizante, dentro dos presídios. Além disso,
27 deve dispor de espaços em que eles possam trabalhar e colocar em prática os conhecimentos
28 adquiridos nas aulas. Dessa forma, será possível comprovar a máxima do filósofo, porém, de
29 maneira positiva.
30
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O atual panorama da impunidade no Brasil

Introdução: Em relação à contextualização utilizada no fragmento de introdução, o autor parte


do pressuposto que o conceito de “homem cordial” é amplamente conhecido e não estabelece
relação com a tese. Isso é um caso de incoerência visto que se o corretor não possuir o mesmo
conhecimento de mundo que o autor do texto, não fará sentido e, portanto, perderá ponto na
competência 3 pela má organização e relação das informações dos parágrafos.

Desenvolvimento I: O primeiro parágrafo de desenvolvimento possui uma incoerência, visto que


no primeiro período apresenta que há uma descrença do brasileiro em relação à política devido
ao não cumprimento das leis e consequente impunidade. Entretanto, no período seguinte é
utilizado um exemplo que fala sobre o sucesso da operação “Lava Jato” em relação à prisão de
governantes que usufruíram do dinheiro público em benefício próprio. Além disso, há também a
repetição das palavras “corrupção” e “operação”.

1 Em sua obra denominada “Raízes do Brasil”, o historiador Sérgio


2 Buarque de Holanda, em 1936, procurou definir o brasileiro por meio do
3 conceito de “homem cordial”. Portanto, fica evidente que embora décadas
4 tenham se passado, o atual panorama da impunidade no Brasil relacio-
5 nado à corrupção na política e ao “jeitinho brasileiro” pode ser explicado
6 pela origem do povo tupiniquim.
7 Em primeiro lugar, cabe destacar que há uma descrença do brasi-
8 leiro em relação à política por causa do descumprimento de leis relacio-
9 nados aos casos de corrupção. Porém, cabe destacar que atualmente há a
10 operação “Lava Jato”, que investiga esses casos de corrupção e lavagem de
11 dinheiro. Essa operação já prendeu diversos políticos brasileiros.
12 A Lei Seca, aprovada em 2008, tem como objetivo mudar os há-
13 bitos da população brasileira e impedir que associem bebidas alcoólicas à
14 direção de automóveis. Entretanto, há contas no “Twitter” com o intuito
15 de avisar motoristas sobre as “blitz” para que condutores embriagados
16 escapem da operação.
17 Fica evidente, portanto, que medidas devem ser propostas para a
18 resolução desse impasse. Assim, é dever do Estado, especificamente do Mi-
19 nistério da Justiça, por cuidar da proteção das leis e garantir a segurança
20 pública e a justiça do país. Assim, deve-se conscientizar a população dos
21 seus direitos e deveres por meio de aulas e palestras para mudar o cenário
22 nacional.
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Desenvolvimento II: O segundo parágrafo de desenvolvimento apresenta um outro argumento


em relação à impunidade no Brasil em relação ao “jeitinho brasileiro” como foi evidenciado na
introdução. No entanto, não a progressão textual está prejudicada visto que não há ligação
entre o início desse parágrafo com o conteúdo apresentado no parágrafo anterior, deixando
apenas implícito o que o autor queria dizer.

Conclusão: Em relação à proposta de intervenção, deve-se responder as perguntas: “O que deve ser feito?”, “Como
deve ser feito?”, “Por quem deve ser feito?” e “Para que deve ser feito?”, além de apresentar um detalhamento da pro-
posta, que é uma exemplificação ou uma especificação sobre algum desses elementos. Cabe destacar também que
a conscientização da população não é uma proposta válida e que as palestras e aulas são apenas o meio ou modo de
realização e não são consideradas como ação interventiva.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O atual panorama da impunidade no Brasil

Sugestão de reescrita:

1 Em sua obra denominada “Raízes do Brasil”, o historiador Sérgio Buarque de Holanda,


2 em 1936, procurou definir o brasileiro por meio do conceito de “homem cordial”. De acordo com
3 o autor, devido a uma herança de seus antepassados, o cidadão age mais com a emoção do que
4 com a razão e, por isso, tem dificuldade de dissociar o que é público do que é privado. Portanto,
5 fica evidente que embora décadas tenham se passado, o atual panorama da impunidade no Brasil
6 relacionado à corrupção na política e ao “jeitinho brasileiro” pode ser explicado pela origem do povo
7 tupiniquim.
8 Em primeiro lugar, cabe destacar que há uma descrença do brasileiro em relação à política
9 por causa do descumprimento de leis relacionados aos casos de corrupção. De acordo com uma
10 pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial, o brasileiro é um dos povos que menos confia em
11 seus governantes por causa dos desvios de recursos públicos. Isso ocorre devido às inúmeras notícias
12 veiculadas nos telejornais, diariamente, acerca dos escândalos envolvendo políticos brasileiros que
13 usufruem do dinheiro público em benefício próprio. Mesmo que atualmente haja a operação “Lava
14 Jato”, que investiga esses casos, ela ainda não é eficaz visto que muitos infratores ainda estão
15 impunes.
16 Por causa da ausência de punição a esses infratores que deveriam dar exemplo à sociedade,
17 os cidadãos brasileiros utilizam-se do “jeitinho brasileiro” para escapar de responsabilidades. A Lei
18 Seca, aprovada em 2008, tem como objetivo mudar os hábitos da população brasileira e impedir
19 que associem bebidas alcoólicas à direção de automóveis. Entretanto, há contas no “Twitter” com o
20 intuito de avisar motoristas sobre as “blitz” para que condutores embriagados escapem da operação.
21 Assim, fica evidente a frase de Rousseau de que “o homem é produto do meio” uma vez que esses
22 indivíduos não respeitam a legislação por causa da impunidade presente no país.
23 Fica evidente, portanto, que medidas devem ser propostas para a resolução desse impasse.
24 Assim, é dever do Estado, especificamente do Ministério da Justiça, por cuidar da proteção das leis e
25 garantir a segurança pública e a justiça do país, dar continuidade à operação “Lava Jato” e ampliar
26 a fiscalização do dinheiro público para que seja usado em benefício do povo, além de investigar os
27 governantes que estejam relacionados em casos de corrupção e tomar as medidas necessárias para
28 o cumprimento da legislação. Além disso, o Ministério da Educação e Cultura deve criar uma lei que
29 estipule o ensino obrigatório da Constituição em escolas com o objetivo de que os jovens conheçam
30 os seus direitos e deveres. Assim, será possível mudar o cenário nacional.
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Manifestações populares no Brasil como ferramenta de mudança

Introdução: Atenção à falta de vírgula ao longo do parágrafo, o que prejudica a progressão textual, e ao
erro gráfico “cidadões” > cidadãos. No primeiro parágrafo, não há uma explicação sobre o antecedente
que incitou o ato, além disso, a informação foi possui data ou qualquer referência que a situe em um
tempo. O termo “ALERJ” deveria vir, entre vírgulas ou parênteses, escrito por extenso. Importante dizer,
também, que não houve a apresentação da tese.

Desenvolvimento I: A ampliação do parágrafo ficou rasa e expositiva. O candidato só apresenta as con-


sequências do movimento “Diretas Já”, mas não explica a sua causa e a sua intenção política, prejudicando
o caráter argumentativo do texto. Além disso, a expressão “força” coletiva foi utilizada três vezes, o que
evidencia a falta de diversidade vocabular do candidato.

1 Milhares de cidadões se reuniram diante da ALERJ para um ato


2 em memória da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson
3 Gomes. A mistura de tristeza e indignação impulsionou manifestações
4 populares em várias regiões do Brasil, com o intuito de cobrar a apu-
5 ração do crime e prestar solidariedade num momento tão lastimoso.
6 Em primeiro lugar, a força coletiva tem enorme impacto no
7 âmbito social. A História comprova que a força coletiva contribuiu para
8 combater a opressão na sociedade brasileira, vide o que ocorreu duran-
9 te as “Diretas Já”. Tal fato, posteriormente, impulsionou a restauração
10 do poder civil e a retomada das eleições diretas, evidenciando que a
11 força coletiva é uma ferramenta de transformação política.
12 Em 2015 os professores do Paraná tentaram acompanhar a
13 votação de um projeto de lei que mudava o custeio do Fundo da Pre-
14 vidência do Estado, mas foram barrados na porta da Assembleia e
15 covardemente agredidos por policiais, o que confirma o abuso de poder
16 das autoridades, ferindo a liberdade de expressão garantida pela Cons-
17 tituição de 1988, visto que a sensação de medo se instaura e faz com
18 que muitos cidadãos tenham receio de manifestações.
19 É preciso, portanto, conter esse empasse e valorizar as marchas
20 populares em prol dos direitos democráticos. Para tal, políticas de se-
21 gurança pública são imprescindíveis para oferecer novos treinamentos
22 aos policiais. Na escola, os professores de ciências humanas devem in-
23 citar a reflexão por meio de documentários e promover debates sobre
24 a relevância das manifestações populares para a manutenção do bem-
25 -estar social.
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Desenvolvimento II: O parágrafo não apresenta tópico frasal e foi construído em um único período, o
que torna a leitura mais cansativa. Ademais, é preciso utilizar vírgulas para delimitar pausas e observar o
valor semântico dos conectivos, por exemplo, o uso da expressão “visto que” expressa uma noção causal,
entretanto, a relação lógica das ideias do texto é a de consequência.

Conclusão: Em primeiro lugar, é importante saber a diferença entre os termos “empasse” e “impasse”: o primeiro vem
do verbo “empar”, que significa suster ou regular; já o segundo apresenta a noção de obstáculo ou dificuldade, sendo
mais apropriado para o contexto. As propostas interventoras não apresentam detalhamento e é preciso, ainda, apre-
sentar uma frase final, isto é, criar uma sentença de cunho reflexivo ou que apresente as consequências positivas das
soluções expostas.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Manifestações populares no Brasil como ferramenta de mudança

Sugestão de reescrita:

1 Deitado eternamente em berço esplêndido?


2 Em março de 2018, milhares de cidadãos se reuniram diante da ALERJ (Assembleia
3 Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) para um ato em memória da vereadora Marielle
4 Franco e seu motorista, Anderson Gomes, assassinados quando voltavam de um evento.
5 A mistura de tristeza e indignação impulsionou manifestações populares que cobravam a
6 apuração do crime e prestavam solidariedade num momento tão lastimoso. Nesse sentido,
7 nota-se a importância das manifestações para alterar o cenário de inércia política dos in-
8 divíduos e incitar melhorias.
9 Em primeiro lugar, a força coletiva tem enorme impacto no âmbito social. A Histó-
10 ria comprova que a mobilização dos indivíduos contribuiu para combater a opressão, como
11 visto durante as “Diretas Já”, movimento que ocorreu na década de 80 em torno da luta
12 pela democracia frente ao período ditatorial no Brasil. Tal fato, posteriormente, impul-
13 sionou a restauração do poder civil e a retomada das eleições diretas, evidenciando que a
14 participação da comunidade é uma ferramenta de transformação política.
15 Por outro lado, a violência utilizada para reprimir protestos também é uma reali-
16 dade. Em 2015, por exemplo, professores do Paraná tentaram acompanhar a votação de
17 um projeto de lei que mudava o custeio do Fundo da Previdência do Estado, mas foram
18 barrados na porta da Assembleia e covardemente agredidos por policiais. Esse episódio foi
19 apenas um, dentre vários, que confirma o abuso de poder das autoridades, ferindo a li-
20 berdade de expressão garantida pela Constituição de 1988. Por conseguinte, a sensação de
21 medo se instaura e faz com que muitos cidadãos tenham receio de manifestações, sendo que
22 estas são uma forma legítima de preservar a cidadania.
23 É preciso, portanto, conter esse impasse e valorizar as marchas populares em prol
24 dos direitos democráticos. Para tal, políticas de segurança pública são imprescindíveis para
25 oferecer novos treinamentos aos policiais, a fim de que esses tenham uma perspectiva mais
26 humana e respeitosa acerca dos indivíduos. Ademais, na escola, os professores de ciências
27 humanas devem incitar a reflexão por meio de documentários e promover debates sobre a
28 relevância das manifestações populares para a manutenção do bem-estar social. Só assim,
29 os brasileiros se erguerão do berço esplêndido e caminharão em busca de mudanças.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O debate sobre a exploração animal em discussão no século XXI

Introdução: Apesar de um início de ponto de vista, esse é apresentado de modo embrionário,


uma vez que não há contextualização do tema, nem a apresentação explícita da tese. Para
isso, utilize conhecimentos gerais que sejam interligados à ideia principal, além de focar em
apresentar o que será dito no desenvolvimento.

Desenvolvimento I: É interessante iniciar o parágrafo de introdução com um tópico frasal, que


irá apresentar o que será desenvolvido no parágrafo. Neste caso, apesar de apresentado, é ne-
cessário desenvolver o ponto de vista, com base no repertório trazido.

1 A exploração animal no século XXI é um fato na atualidade. Esse


2 cenário, que não só é presente com os mamíferos aquáticos, acomete todo
3 reino animal e sua exploração por parte dos seres humanos.
4 Em primeiro lugar, é necessário observar o âmbito cultural da so-
5 ciedade que contribui para a persistência da exploração animal em pleno
6 século XXI. Desde a utilização de cães como “bombas-vivas” na Segunda
7 Guerra Mundial, até o teste de cosméticos em animais na atualidade, o
8 ser humano não visualiza sua própria imagem como parte de uma mesma
9 cadeia dos não-racionais.
10 Isso também pode ser visto no plano cultural, uma vez que faz
11 parte de muitas culturas do mundo os maus tratos com animais. Um
12 exemplo disso é o rodeio, evento típico da região central do Brasil, que
13 mesmo sendo forma de entretenimento, maltrata e inviabiliza os direitos
14 de liberdade dos animais. Pode-se perceber que a não há um acompanha-
15 mento da população sobre esses acontecimentos.
16 Sendo assim, é possível perceber que a exploração animal não é um
17 fato hodierno, mas precisa ser revisto para o bem das futuras gerações. É
18 necessário que haja a intensificação da atuação das leis nacionais, a partir
19 de pressão de grupos sociais protetivos, para que a cultura e mentalidade
20 populacional seja modificada, focando no bem-estar desses indivíduos.
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Desenvolvimento II: Diferentemente do primeiro parágrafo de desenvolvimento, o segundo


não possui tópico frasal, o que dificulta o entendimento do leitor sobre o que será dito. Além
disso, é necessário detalhar o que o exemplo traz de argumentação e ponto de vista sobre o
tema.

Conclusão: Faz-se necessário detalhar a proposta de intervenção. É imprescindível não esquecer do agente, ação, meio
e finalidade do que será apresentado. Além disso, é interessante finalizar o texto de modo criativo e cíclico, retomando
o que foi dito na introdução.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O debate sobre a exploração animal em discussão no século XXI

Sugestão de reescrita:

1 O documentário americano, Blackfish, narra a história da baleia orca performática,


2 Tilikun, responsável por três mortes sua vida em cativeiro. Privado de explorar o oceano, o
3 animal exerceu função de entretenimento para o público por mais de 20 anos, garantindo
4 sua liberdade apenas em 2017, com seu falecimento. Esse cenário, que não só é presente
5 com os mamíferos aquáticos, acomete todo reino animal e sua exploração por parte dos
6 seres humanos. Dessa forma, essa despreocupação histórica com os seres não-racionais
7 persiste na atualidade, uma vez que a lenta mudança do pensamento social acarreta a
8 desproteção desses por meio das leis.
9 Em primeiro lugar, é necessário observar o âmbito cultural da sociedade que contribui
10 para a persistência da exploração animal em pleno século XXI. Desde a utilização de cães
11 como “bombas-vivas” na Segunda Guerra Mundial, até o teste de cosméticos em animais
12 na atualidade, o ser humano não visualiza sua própria imagem como parte de uma mesma
13 cadeia dos não-racionais, fato que culmina não só para os maus-tratos, mas também para
14 uma mentalidade de superioridade e poder sobre aqueles que não possuem voz.
15 Essa relação hierárquica também pode ser entendida no plano cultural, uma vez que
16 faz parte de muitas culturas do mundo os maus tratos com animais. Um exemplo disso é o
17 rodeio, evento típico da região central do Brasil, que mesmo sendo forma de entretenimento,
18 maltrata e inviabiliza os direitos de liberdade dos animais. Nesse sentido, é possível perceber
19 que a falta de legislação resgatando a vida daqueles que não respondem por si mesmos é
20 extremamente falha, uma vez que não ultrapassa nem os processos industriais do sistema
21 capitalista, nem desintegra concepções históricas e culturais de um povo.
22 Sendo assim, é possível perceber que a exploração animal não é um fato hodierno,
23 mas precisa ser revisto para o bem das futuras gerações. Para isso, é necessário um
24 desenvolvimento midiático global, por meio de instituições como a World Animal Protection,
25 através de propagandas em canais abertos de televisão e espaços públicos, como metrôs
26 e pontos de ônibus, com o intuito de alertar a população sobre os efeitos desse tipo de
27 exploração. Além disso, faz-se necessário a intensificação da atuação das leis nacionais, a
28 partir de pressão de grupos sociais protetivos, para que a cultura e mentalidade populacional
29 seja modificada, focando no bem-estar desses indivíduos.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: A questão das drogas como desafio no Brasil

Introdução: O candidato inicia o texto com uma contextualização sociológica, o que é muito
positivo, porém, a relação entre a ideia de Durkheim e a afirmação consecutiva de que os jovens
usam drogas não foi bem justificada, prejudicando o teor argumentativo. Além disso, não é
evidenciado para o leitor o espaço de discussão do tema: o Brasil.

Desenvolvimento I: A ampliação do argumento poderia ser mais detalhada para a validação das
ideias apresentadas e fazer relação com o espaço pedido na proposta temática. Como se esta-
belece essa relação direta com a mídia? Além disso, a oração “ O público alvo passou a consumir
cigarro” ficou solta no parágrafo. Para aumentar ainda mais o teor argumentativo, é preciso as-
sociar o câncer de pulmão ao fumo, que é um dos seus principais causadores. Para interligar os
parágrafos, o uso de conectivos seria bem-visto.

1 Segundo o sociólogo Émile Durkheim o fato social consiste em ma-


2 neiras de agir e pensar que contribuem para que os indivíduos sigam um
3 comportamento coletivo generalizado. A partir disso muitos jovens usam
4 drogas mesmo sabendo de suas consequências que muitas vezes são igno-
5 radas por parte da população. Portanto, é preciso reconhecer as drogas
6 como um problema de saúde pública.
7 Primeiramente a mídia teve alta influência no estímulo às drogas
8 lícitas. Nos anos 90, vários países incentivaram o consumo ao tabaco: per-
9 sonagens de novelas e filmes que fumavam cigarros atrelavam-se a um
10 perfil de descontração e poder. O público alvo passou a consumir cigarro.
11 Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o câncer de pulmão é
12 uma das doenças que mais matam no mundo, revelando a necessidade de
13 políticas públicas para combater esse mal.
14 A frase popular “Tudo que é proibido é mais gostoso” parece fazer
15 se encaixar ao consumo de drogas lícitas e, de acordo com informações do
16 site BBC, o narcotráfico é a principal atividade do crime organizado e a
17 que mais rende faturamento no mundo, o que evidencia um enorme pro-
18 blema na sociedade. O Uruguai, em 2016, liberou a legalização da planta
19 Cannabis como estratégia para combater o tráfico e tal ação resultou na
20 diminuição de consumo.
21 Portanto, as drogas são desafiadoras no cenário mundial, mas há
22 formas de retê-las. Mesmo que, atualmente, vários países coíbam propa-
23 gandas televisas que incitem o tabagismo, é imprescindível que a mídia e
24 o Ministério da Saúde reforcem campanhas sobre o tema. Ademais, países
25 como o Brasil devem reforçar suas políticas públicas e se inspirar nas in-
26 tervenções internacionais, visto que o proibicionismo contém falhas e que
27 a redução do consumo pela legalização possui comprovações científicas.
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Desenvolvimento II: Não há tópico frasal no parágrafo de desenvolvimento e o primeiro perío-


do ficou com muitas informações, sem que houvesse um aprofundamento argumentativo. Além
disso, ao mencionar a política de intervenção do governo do Uruguai, o candidato não explicou
com detalhamento como se deu a redução do consumo das drogas e nem fez uma analogia
ao cenário brasileiro. Lembre-se sempre que se o tema delimita o espaço pedindo o contexto
relacionado ao Brasil, é necessário evidenciar ao longo da redação essa informação. Atenção à
diferença entre droga lícita e ilícita: a primeira é legalizada e, a segundo, é proibida para venda.
O candidato errou ao comparar “drogas lícitas” com a proibição. Para interligar os parágrafos, o
uso de conectivos seria bem-visto.

Conclusão: Ainda que o parágrafo conclusivo apresente elementos coesivos e a retomada da tese, a proposta inter-
ventora ficou rasa, porque não houve o detalhamento das ações de poderiam combater as drogas e as consequências
dessas ações não foram apresentadas. É válido destacar que a proposta apresenta soluções para o cenário mundial, mas
como o tema pedia medidas para o Brasil, a intervenção não está coerente ao pedido.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: A questão das drogas como desafio no Brasil

Sugestão de reescrita:

1 Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social consiste em maneiras de agir e pensar que contribuem

2 para que os indivíduos sigam um comportamento coletivo generalizado. A partir dessa ideia, muitos jovens

3 veem no uso de drogas uma forma de integração social, marcada pela fase da experimentação, fazendo com
4 que o indivíduo acredite ter poder e controle sobre si mesmo. Embora as consequências de seu consumo sejam
5 ignoradas por parte dos usuários, é preciso reconhecer as drogas como um problema de saúde pública no Brasil
6 e analisar alternativas para contê-la.
7 Primeiramente, a mídia teve alta influência no estímulo às drogas lícitas. Durante os anos 90, em
8 países do continente americano, como o Brasil, houve um “boom” na comercialização do tabaco: personagens
9 de novelas e filmes que fumavam cigarros atrelavam-se a um perfil de descontração e poder, o que propiciou a
10 glamourização da nicotina, vista pelos interlocutores como uma válvula de escape à realidade. Por conseguinte,
11 parte significativa da população aderiu ao consumo e, hoje, segundo a Organização Mundial da Saúde, o câncer
12 de pulmão – muitas vezes relacionado ao uso frequente de cigarro – é uma das doenças que mais matam no
13 mundo, revelando a necessidade de políticas públicas para combater esse mal.
14 Além disso, a proibição de substâncias ilícitas é o modelo mais adotado nos países, porém, o número
15 de usuários aumenta todos os anos. A frase popular “Tudo que é proibido é mais gostoso” parece fazer sentido
16 nesse contexto e, segundo o site BBC, o narcotráfico é a principal atividade do crime organizado e a que mais
17 rende faturamento no mundo. Neste sentido, medidas são necessárias para a sociedade brasileira com o objetivo
18 de melhorar esse desafio assim como foi feito no governo Uruguaio que, em 2016, liberou a legalização da
19 planta Cannabis como estratégia para combater o tráfico e diminuir o índice de criminalidade no país; tal ação
20 resultou na diminuição do consumo de drogas, tendo uma intervenção mais efetiva do que a do proibicionismo.
21 Portanto, as drogas são desafiadoras no cenário brasileiro, mas há formas de retê-las. Mesmo que,
22 atualmente, vários países coíbam propagandas televisivas que incitem o tabagismo, é imprescindível que a mídia
23 e o Ministério da Saúde reforcem campanhas que alertem sobre os prejuízos do cigarro e que haja mais postos
24 de saúde que ofereçam tratamento àqueles que queiram se livrar do vício. Ademais, o Brasil deve reforçar suas
25 políticas públicas com intensa fiscalização para conter o narcotráfico. Seria bem-visto, ainda, se o Governo se
26 inspirasse em intervenções internacionais, visto que o proibicionismo contém falhas e que a redução do consumo
27 pela legalização possui comprovações científicas.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: A cultura de assédio no Brasil

Introdução: O candidato apresenta duas contextualizações: a literária e a de argumento de au-


toridade, entretanto, não houve uma separação do contexto histórico ao interligá-las, visto que
a literatura do Romantismo é do século XIX, já Chimamanda é uma escritora contemporânea.
Outro fator prejudicial à construção da introdução foi a ausência da tese.

Desenvolvimento I: A falta de elementos coesivos entre os períodos prejudica a progressão tex-


tual, ademais, é preciso atentar-se aos erros de grafia: a expressão “com tudo” existe na língua
portuguesa, porém a ideia que o candidato deseja transmitir seria a noção de contrariedade,
sendo recomendável o uso da conjunção “contudo”. O termo “subjulga” também foi escrito er-
roneamente, sendo o correto: subjuga. No último período do desenvolvimento, é preciso apro-
fundar o teor argumentativo, apresentando os questionamentos gerados pelo público a partir
de conteúdo da entrevista.

1 No século XIX, as personagens da literatura romântica eram


2 submetidas aos valores morais da época, dentre eles, o de submissão
3 ao poder masculino. A escritora Chimamanda Adichie alega que o pro-
4 blema do gênero consiste em descrever como podemos ser, em vez que
5 reconhecer quem somos, comprovando um modelo arcaico enraizado
6 na sociedade.
7 Uma das causas dos assédios é a visão machista sobre a condu-
8 ta feminina. O Feminismo assegurou uma maior autonomia política e
9 social à mulher, com tudo, o patriarcalismo ainda a subjulga pela sua
10 vestimenta, reprimindo sua liberdade de escolha e fazendo com que os
11 ideais conservadores se sobreponham à realidade. Em 2016, a revista
12 “Veja” entrevistou a esposa do deputado Michel Temer, numa reporta-
13 gem intitulada como: “bela, recatada e do lar”, o que gerou uma série
14 de questionamentos ao público sobre o papel da mulher na sociedade.
15 Além disso, ocorre a banalização do assédio e as redes sociais se
16 tornaram uma ferramenta para tentar combatê-lo. Nas ruas, festas e
17 até no ambiente de trabalho, as puxadas no cabelo e as tentativas de
18 reprimir a vítima à violência sexual são ações que se naturalizaram, já
19 que acontecem cotidianamente na vida de muitas mulheres. Para en-
20 gajar jovens e adultas contra a sensação de impunidade, campanhas
21 virtuais surgiram a fim de engajar o público feminino à denúncia.
22 Para conter o assédio, as escolas podem promover a conscienti-
23 zação por meio de debates e aulas temáticas para que crianças e jovens
24 respeitem os direitos da mulher. Ademais, os meios de comunicação,
25 com seu impacto persuasivo, devem transmitir noticiários sobre a equi-
26 dade de gêneros e problematizar a banalização do assédio, induzindo a
27 reflexão e mudança na conduta dos indivíduos.
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Desenvolvimento II: O segundo parágrafo de desenvolvimento apresenta um aprofundamen-


to argumentativo maior do que o primeiro, validando as ideias apresentadas. O único erro se
encontra no último período, pois o trecho “Para engajar jovens e adultas contra a sensação de
impunidade, campanhas virtuais surgiram a fim de engajar o público feminino à denúncia” é re-
dundante e não possui nenhuma exemplificação ou detalhamento sobre as campanhas virtuais.

Conclusão: É preciso apresentar a retomada da tese no parágrafo de conclusão, como ainda, inserir expressões con-
clusivas, como “portanto” ou “é imprescindível, portanto, (...)”. As propostas interventoras estão detalhadas, mas seria
interessante acrescentar uma nova sentença ao final do parágrafo promovendo uma reflexão sobre as medidas apre-
sentadas.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: A cultura de assédio no Brasil

Sugestão de reescrita:

1 Um passado que insiste em permanecer


2 No século XIX, o Romantismo transmitia, pela representação de personagens literárias, uma
3 conduta de submissão feminina que compactuava com os valores morais da época. Nos dias atuais,
4 a escritora nigeriana Chimamanda Adichie alega que o problema do gênero consiste em descrever
5 como devemos ser, em vez de reconhecer quem somos; o que comprova um modelo arcaico enrai-
6 zado na sociedade. Neste sentido, a cultura de assédio no Brasil é fruto de reflexos históricos e, para
7 garantir o respeito e liberdade à mulher, intervenções fazem-se precisas.
8 Primeiramente, uma das causas dos assédios é a visão machista sobre a conduta feminina.
9 Mesmo que o Feminismo tenha assegurado maior autonomia política e social à mulher, o patriar-
10 calismo ainda a subjuga pela sua vestimenta, reprimindo sua liberdade de escolha e, desse modo,
11 os ideais conservadores se sobrepõem à realidade. Em 2016, a revista “Veja” entrevistou a esposa
12 do deputado Michel Temer, numa reportagem intitulada como: “bela, recatada e do lar”. Tal título
13 unifica o papel da mulher, pois o machismo justifica que aquelas que desviem deste padrão ao usarem
14 roupas curtas e saírem desacompanhadas estão propícias ao abuso.
15 Além disso, ocorre a banalização do assédio e as redes sociais se tornaram uma ferramenta
16 para tentar combatê-lo. Nas ruas, festas e até no ambiente de trabalho, as puxadas no cabelo e as
17 tentativas de reprimir a vítima à violência sexual são ações que se naturalizaram, já que acontecem
18 cotidianamente na vida de muitas mulheres. Para engajar jovens e adultas contra a sensação de
19 impunidade, campanhas virtuais como “Meu Primeiro Assédio”, “Me avisa quando chegar” e “Vamos
20 juntas?” percorreram o Facebook e o Twitter a fim de denunciar as opressões vividas, trocar expe-
21 riências e atrair a atenção da mídia e das pessoas para conterem esse mal.
22 Portanto, nota-se que a cultura de assédio se solidificou na sociedade brasileira. A fim de
23 alterar o olhar machista, debates e a aulas temáticas nas escolas incentivarão crianças e jovens a
24 respeitarem os direitos da mulher. Ademais, os meios de comunicação, com impacto apelativo, de-
25 vem transmitir noticiários sobre a equidade de gêneros e problematizar a banalização do assédio,
26 induzindo a reflexão e mudança na conduta dos indivíduos. O Governo, ainda, sendo mais punitivo
27 nas leis contra essa situação, garantirá o reconhecimento do livre-arbítrio feminino, como anseia
28 Chimamanda.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: A prática de bullying nas escolas do Brasil

Introdução: Apesar de definida a tese, é necessário contextualizar o tema. Em outras palavras,


o leitor precisa saber o motivo da temática ser um problema, para ele poder focalizar o real
interesse e a devida função do texto. Assim, a utilização de conhecimentos externos faz-se ne-
cessária, ou a conceituação, para que seja compreendida a mensagem.

Desenvolvimento I: É necessário atentar-se ao início do parágrafo, pelo fato de ter sido utili-
zado o termo “antes de mais nada”, indicando uma interação conversacional no texto. Não é
recomendado dar esse formato de interação, uma vez que se pode substituir por termos como
“em primeiro lugar”, “em primeira análise”, entre outros. Além disso, há a clara necessidade de
comprovação dos pontos de vista levantados.

1 É evidente que a prática do bullying não é uma temática recente


2 no contexto global. Na atualidade brasileira esse tipo de agressão também
3 é presente, sendo uma questão governamental a partir de 2016, ano
4 em que a prevenção e combate ao bullying se tornaram lei. Desse modo,
5 faz-se necessário evidenciar as motivações da prática, assim como cons-
6 cientizar a população, seja no ambiente familiar ou escolar, de uma luta
7 recente para o cenário nacional.
8 Antes de mais nada, é necessário compreender a importância das
9 escolas para o combate ao ato. Isso porque é por meio dela que a exposição
10 dos atos será dada, assim como a importância do diálogo para auxiliar os
11 jovens. Isso acaba acarretando à falta de espaço para que o jovem sinta
12 confiança em expor suas aflições; não obstante, também ressalta a impor-
13 tância de as instituições educacionais abordarem o assunto dentro e fora
14 da escola, para que o jovem se sinta seguro perante aos outros alunos e
15 até mesmo em relação aos professores.
16 Apesar da prática ser praticada, majoritariamente, no ambiente
17 escolar, a família também possui grande importância para o combate
18 desse ato. Para isso, porém, é necessário que haja atenção dos responsá-
19 veis sobre os jovens para a percepção dos sinais. De acordo com a pesquisa
20 feita em 2017 pela Escola de Enfermagem de Riberão Preto (USP), a má
21 relação com os familiares é um dos fatores que afetam o comportamen-
22 to das crianças e adolescentes dentro da sala de aula, gerando inúmeros
23 problemas para os jovens.
24 Fica claro, portanto, que por essa ser uma prática recente no con-
25 texto brasileiro, necessita ser abordada para sua real erradicação. De-
26 ve-se levar a discussão do assunto para o ambiente familiar, através de
27 orientações da própria escola, para que os responsáveis sejam alertados
28 e possam compreender o que se passa com suas crianças. Somente assim
29 será possível evitar que novas Carries sofrerão no ambiente escolar, possi-
30 bilitando-as o diálogo e melhores relações futuras.

Desenvolvimento II: Ao contrário do primeiro desenvolvimento, pode ser visto nesse parágrafo
a construção de conhecimentos gerais para evidenciar o argumento. No entanto, não há uma
conclusão do que o dado pode oferecer, o que pode influenciar para uma ineficiência do co-
nhecimento trazido, sendo necessária a complementação de ideias.

Conclusão: Uma vez abordado nos parágrafos de desenvolvimento a intervenção da escola e da família, deve-se levar
para a intervenção soluções com os mesmos agentes. Sendo assim, faz-se necessário evidenciar a importância da esco-
la para a erradicação da prática do bullying, além de detalhar como e para qual finalidade a ação será feita.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: A prática de bullying nas escolas do Brasil

Sugestão de reescrita:

1 É evidente que a prática do bullying não é uma temática recente no contexto global. Em 1977 já se

2 apresentava no contexto cinematográfico as consequências desse problema, através do filme Carrie, a Estranha,

3 em que a tímida jovem protagonista sofre uma armadilha pensada por seus colegas de classe para humilhá-la
4 no baile de formatura. Na atualidade brasileira esse tipo de agressão também é presente, sendo uma questão
5 governamental a partir de 2016, ano em que a prevenção e combate ao bullying se tornaram lei. Desse modo,
6 faz-se necessário evidenciar as motivações da prática, assim como conscientizar a população, seja no ambiente

7 familiar ou escolar, de uma luta recente para o cenário nacional.

8 Em primeiro lugar, é necessário compreender a importância das escolas para o combate ao ato. Isso

9 porque é por meio dela que a exposição dos atos será dada, assim como a importância do diálogo para auxiliar os
10 jovens. Segundo o IBGE, em 2015 a maior incidência dos casos desse tipo de agressão ocorre nas escolas, tendo
11 a aparência física como principal recorte. Isso é devido ao não comprometimento escolar em cumprir a lei do
12 combate ao bullying, acarretando à falta de espaço para que o jovem sinta confiança em expor suas aflições; não
13 obstante, também ressalta a importância de as instituições educacionais abordarem o assunto dentro e fora da
14 escola, para que o jovem se sinta seguro perante aos outros alunos e até mesmo em relação aos professores.
15 Apesar da prática ser praticada, majoritariamente, no ambiente escolar, a família também possui grande
16 importância para o combate desse ato. Para isso, porém, é necessário que haja atenção dos responsáveis sobre
17 os jovens para a percepção dos sinais. De acordo com a pesquisa feita em 2017 pela Escola de Enfermagem de
18 Riberão Preto (USP), a má relação com os familiares é um dos fatores que afetam o comportamento das crianças
19 e adolescentes dentro da sala de aula. Nesse sentido, uma vez que o espaço de acolhimento se vê corrompido, os
20 problemas externos tendem a se agravar e, consequentemente, trazendo mais problemas para a pessoa que sofre
21 com o bullying. Como no ambiente cinematográfico, por ter uma mãe e um ambiente familiar desequilibrado,
22 Carrie não possuía meios para expressar seus sentimentos sobre a escola e seus anseios em relação aos colegas.
23 Fica claro, portanto, que por essa ser uma prática recente no contexto brasileiro, necessita ser abordada
24 para sua real erradicação. Sendo assim, deve-se abordar o tema nas escolas, por meio de aulas informativas,
25 com a presença de um psicólogo, para que o jovem tenha segurança de expor seus sentimentos e apresentar seus
26 anseios, uma vez que um profissional da área da saúde conseguirá direcioná-lo para um melhor tratamento. Além
27 disso, deve-se levar a discussão do assunto para o ambiente familiar, através de orientações da própria escola,
28 para que os responsáveis sejam alertados e possam compreender o que se passa com suas crianças. Somente assim
29 será possível evitar que novas Carries sofrerão no ambiente escolar, possibilitando-as o diálogo e melhores relações
30 futuras.
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Os impactos da propaganda no Brasil contemporâneo

Introdução: Apesar de bem definida a tese, é necessário contextualizar o tema, além de desen-
volver uma conclusão que reitere a importância de questionar a problemática. Assim, a utiliza-
ção de conceitos e conhecimentos gerais pode ser útil para a criação da introdução textual.

Desenvolvimento I: Para se obter uma boa estrutura textual no desenvolvimento, é necessário


introduzir o tópico frasal, que nada mais é do que a prévia do que será discutido. Sendo assim,
não houve essa construção inicial. Além disso, não é vista a comprovação do argumento, por
meio de vozes de autoridade e outras áreas externas, que comprovem o que foi questionado.

1 A propaganda vem sendo uma problemática muito grande no con-


2 texto atual. Seja no papel, televisões e aparelhos celulares, a interação
3 apelativa que os anúncios geram têm como principal consequência o con-
4 sumo exagerado no consumidor, além da desestabilidade para o meio
5 ambiente. Nesse sentido, faz-se necessário analisar os impactos desse meio
6 de comunicação, além de promover melhorias.
7 Em primeiro lugar, é necessário falar sobre a mídia. Por meio dela,
8 a mídia constrói uma utópica “felicidade” garantida somente pela aquisi-
9 ção de um novo produto. Uma vez atingido o público alvo, a vontade de se
10 obter cada vez mais bens de consumo passa a ser uma realidade natural.
11 A propaganda, então, gera na sociedade a necessidade de compra, a par-
12 tir do momento que ela sai do plano da ideia e ganha as massas sociais, ao
13 tratar o poder de compra como forma de ascensão econômica e pessoal.
14 Contudo, essa líquida ascensão, criadas a partir de anúncios mais
15 chamativos e numerosos de objetos, estimulam cada vez mais o consumo,
16 fato que tem afetado o meio ambiente de modo acelerado. O mundo vem
17 jogando cada vez mais lixos, que pode ser explicado pelo valor apelativo da
18 publicidade, além do déficit da conscientização social em prol da venda,
19 acarretando para que a produção de resíduos, principalmente eletrônico,
20 aumente. Não obstante, os estímulos de produção desses objetos acar-
21 retam em emissão de gases poluentes e gastos de energia, contribuindo
22 ainda mais para o cenário em deterioração.
23 Fica claro, portanto, que a propaganda desencadeia problemas
24 para a sociedade e o meio ambiente. Sendo assim, é necessário educar a
25 população sobre o consumismo, cabendo à família e à escola conscientizar
26 a população. Além disso, o Ministério do Meio Ambiente deve investir mais
27 em desenvolvimento sustentável, para que possa ser descartado e recicla-
28 do o lixo em alta quantidade de modo adequado. Apenas dessa maneira
29 será minimizado os efeitos já apresentados pela propaganda no cenário
30 contemporâneo, poupando as futuras gerações.

Desenvolvimento II: Neste parágrafo, apesar de ser visto o tópico frasal bem definido, não é
encontrado o desenvolvimento do argumento. Deve-se questionar o motivo de se consumir e
jogar coisas no lixo cada vez mais. Além disso, novamente há a necessidade de comprovar o
argumento embrionário com conhecimentos externos.

Conclusão: Para produzir uma proposta de intervenção efetiva, faz-se necessário explicitar quem será o agente, o que
será feito, de que modo, para quem e qual é a finalidade, isso de modo detalhado. Sendo assim, o parágrafo acima usou
o termo “conscientizar”, no entanto ele é amplo e não consegue evidenciar uma possível solução.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Os impactos da propaganda no Brasil contemporâneo

Sugestão de reescrita:

1 Em meados do século XVII, surge na Inglaterra os primeiros anúncios com fins comerciais em

2 jornais. Com o intuito de chamar a atenção do leitor, na era globalizada e tecnológica a propaganda saiu

3 do suporte físico para estar em diversos meios de comunicação do cotidiano. No entanto, seja no papel,
4 televisões e aparelhos celulares, essa interação apelativa tem como principal consequência o consumo
5 exagerado no consumidor, além da desestabilidade para o meio ambiente. Nesse sentido, faz-se necessário
6 analisar os impactos de um meio de comunicação altamente incisivo, de modo a focar em possíveis
7 mudanças para a melhoria do contexto atual.
8 Em primeiro lugar, deve-se estabelecer os impactos da propaganda no consumidor hodierno,
9 tendo em vista que ela é mote para as desigualdades sociais. Por meio dela, a mídia constrói uma
10 utópica “felicidade” garantida somente pela aquisição de um novo produto. Uma vez atingido o público
11 alvo, a vontade de se obter cada vez mais bens de consumo passa a ser uma realidade natural. Assim,
12 segundo o sociólogo alemão, Karl Marx, “uma ideia torna-se uma força material quando ganha as massas
13 organizadas”, em outras palavras, é esse o efeito que a propaganda gera na sociedade, a partir do
14 momento que ela sai do plano da ideia e ganha as massas sociais, ao tratar o poder de compra como forma
15 de ascensão econômica e pessoal.
16 Contudo, essa líquida ascensão, criadas a partir de anúncios mais chamativos e numerosos de
17 objetos, estimulam cada vez mais o consumo, fato que tem afetado o meio ambiente de modo acelerado.
18 O Brasil, segundo Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, tornou-se o
19 quarto maior gerador de resíduos sólidos no mundo desde 2015, mesmo com o cenário nacional em crise
20 econômica. Além de ser explicado pelo valor apelativo da publicidade, o déficit da conscientização social em
21 prol da venda acarreta para que a produção de lixo, principalmente eletrônico, aumente. Não obstante,
22 os estímulos de produção desses objetos acarretam em emissão de gases poluentes e gastos de energia,
23 contribuindo ainda mais para o cenário em deterioração.
24 Fica claro, portanto, que a propaganda desencadeia problemas para a sociedade e o meio ambiente.
25 Sendo assim, é necessário educar a população sobre o consumismo, cabendo à família controlar e não
26 incentivar o consumismo em seus filhos desde cedo, além de ser papel da família instruir, por meio de
27 aulas educativas, sobre o impacto da compra desnecessária para o meio ambiente. Além disso, o Ministério
28 do Meio Ambiente deve investir mais em desenvolvimento sustentável, para que possa ser descartado e
29 reciclado o lixo em alta quantidade de modo adequado. Apenas dessa maneira será minimizado os efeitos
30 já apresentados pela propaganda no cenário contemporâneo, poupando as futuras gerações.
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Políticas afirmativas e sua eficácia no Brasil

Introdução: O parágrafo introdutório deve contextualizar o tema e apresentar uma tese clara e objetiva, o
que não acontece no parágrafo acima: só há a exposição do tema, mas não há presença de tese.

Desenvolvimento I: Há a ausência de recursos coesivos que deem fluidez ao texto. Os dois primeiros
períodos parecem justapostos e não sequenciais.

1
A República Federativa do Brasil é um Estado democrático cujo
2 terceiro artigo de sua Carta Magna visa a sociedade livre, justa e soli-
3 dária. Entretanto, os níveis de desigualdade são alarmantes e provam
4 o insucesso do poder público no cumprimento das normas. Desse modo,
5 as ações afirmativas – políticas públicas que pretendem reverter a
6 situação histórica de discriminação – são fundamentais para que os
7 direitos individuais sejam amplamente exercidos.
8 É imprescindível salientar que tais ações dividem opiniões e, às
9 vezes, são mal vistas por parte da população por haver desinformação
10 acerca do tema, restringindo-o apenas à questão das cotas universi-
11 tárias. É necessário que as minorias sejam repensadas e respeitadas,
12 não para receberem privilégios, mas para que possam gozar de direitos
13 básicos, bem como é vital que se entenda que a implementação de de-
14 legacias da mulher, por exemplo, é uma das muitas ações, na prática.
15 Assim, a não aplicação das medidas em questão é inconstitucional, por
16 reforçar os abismos entre as “castas” sociais.
17 Além disso, é inegável que a discriminação é estrutural em nosso
18 país. Segundo a visão meritocrática vigente, igualdade é tratar todos os
19 cidadãos da mesma forma. Todavia, as ações partem da necessidade de
20 ressignificação de justiça social, haja vista que os indivíduos não têm as
21 mesmas oportunidades devido a heranças de processos históricos dis-
22 tintos.
23 Por conseguinte é de extrema importância que as políticas afir-
24 mativas continuem sendo implementadas a fim de subsidiar a efeti-
25 vação da Constituição Federal. Cabe às autoridades, em conjunto com
26 a mídia e ongs devem propagar o conhecimento com a finalidade de
27 homogeneizar toda a população acerca das ações afirmativas e sua im-
28 portância para que se curem as mazelas do passado. De acordo com
29 Aristóteles, “deve-se tratar igualmente os iguais e desigualmente os
30 desiguais”, pois só assim a equidade se materializará.

Desenvolvimento II: O ideal é que o parágrafo tenha 3 períodos, no mínimo.

Conclusão: A proposta de intervenção poderia ser mais desenvolvida, aliando mais agen-
tes e deixando claro o fator COMO.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Políticas afirmativas e sua eficácia no Brasil

Sugestão de reescrita:

1 A República Federativa do Brasil é um Estado democrático cujo terceiro artigo de sua


2 Carta Magna visa a sociedade livre, justa e solidária. Entretanto, os níveis de desigualdade são
3 alarmantes e provam o insucesso do poder público no cumprimento das normas. Portanto, não é
4 razoável que a marginalização de grupos sociais minoritários seja tratada com indiferença. Desse
5 modo, as ações afirmativas – políticas públicas que pretendem reverter a situação histórica de
6 discriminação – são fundamentais para que os direitos individuais sejam amplamente exercidos.
7 Em primeiro lugar, é inegável que a discriminação é estrutural em nosso país. Segundo a
8 visão meritocrática vigente, igualdade é tratar todos os cidadãos da mesma forma. Todavia, as
9 ações partem da necessidade de ressignificação de justiça social, haja vista que os indivíduos não
10 têm as mesmas oportunidades devido a heranças de processos históricos distintos. Nesse sentido,
11 insistir no princípio da meritocracia acarreta na reprodução das dissemelhanças.
12 Além disso, é imprescindível salientar que tais ações dividem opiniões e, às vezes, são mal
13 vistas por parte da população por haver desinformação acerca do tema, restringindo-o apenas
14 à questão das cotas universitárias. Desta forma, é necessário que as minorias sejam repensadas e
15 respeitadas, não para receberem privilégios, mas para que possam gozar de direitos básicos, bem
16 como é vital que se entenda que a implementação de delegacias da mulher, por exemplo, é uma
17 das muitas ações, na prática. Assim, a não aplicação das medidas em questão é inconstitucional,
18 por reforçar os abismos entre as “castas” sociais.
19 Por conseguinte, é de extrema importância que as políticas afirmativas continuem sendo
20 implementadas a fim de subsidiar a efetivação da Constituição Federal. Assim, cabe aos minis-
21 térios o mapeamento das necessidades sociais para que se aja de forma precisa, criando políticas
22 públicas eficazes que visem sanar os abismos sociais para que se garanta a dignidade de cada
23 brasileiro. Outrossim, as autoridades, em conjunto com a mídia e ongs devem propagar o co-
24 nhecimento com a finalidade de homogeneizar toda a população acerca das ações afirmativas e
25 sua importância para que se curem as mazelas do passado. Segundo Aristóteles, “deve-se tratar
26 igualmente os iguais e desigualmente os desiguais”, pois só assim a equidade se materializará.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: A redução da maioridade penal e seus efeitos em discussão no Brasil

Introdução: O uso de clichês nas dissertações podem criar a sensação de falta de vocabulário
e/ou erudição por parte do aluno. Assim, o início da introdução com “atualmente” não é uma
boa escolha. Os coloquialismos têm o mesmo efeito e, portanto, a expressão “mas não é bem
assim” deve ser substituída. Além disso, faltou clareza no apontamento de que se está usando
um contra-argumento e o uso da primeira pessoa do plural torna o texto muito pessoal.

Desenvolvimento I: Novamente, temos um problema com o uso da primeira pessoa do plural.


Outra questão é o segundo período muito longo (ele pode facilmente ser dividido em dois perí-
odos). O uso do tópico frasal foi um acerto e possibilitou uma melhor compreensão das ideias.

1 Atualmente, discutimos muito acerca da questão da redução da


2 maioridade penal no Brasil. É muito frequente a ideia de que com a
3 consciência de que não podem ser presos, adolescentes sentem maior
4 liberdade para cometer crimes. Mas não é bem assim, uma vez que se
5 trata de uma questão bem mais profunda.
6 Devemos levar em conta, primeiramente, a realidade atual do
7 sistema prisional brasileiro. A superlotação é um problema crescente e
8 afeta diretamente o dia a dia dos presos - a infraestrutura é precá-
9 ria e os direitos humanos são constantemente infringidos, o que torna
10 inevitável que os índices de reincidência sejam altos. Por isso, permitir
11 que jovens menores de 18 anos sejam presos só agravaria a situação: a
12 superlotação seria ainda maior e um menor que poderia ser reabilitado
13 teria muito mais chances de continuar no crime.
14 Outra coisa é que com a diminuição da maioridade penal, as
15 pessoas mais necessitadas de assistência do Estado serão prejudicadas,
16 já que devemos levar em consideração o fato de que o perfil dos pre-
17 sidiários das penitenciárias brasileiras é majoritariamente de negros,
18 indivíduos provenientes de periferia e pessoas em situação de vulnera-
19 bilidade econômica.
20 Além disso tudo a Constituição brasileira diz que os menores de
21 18 anos são penalmente inimputáveis, ou seja, não podem ser conde-
22 nados a prisão como os adultos. Isso é inconstitucional pois trata-se de
23 uma cláusula pétrea, ou seja, um trecho da Constituição que não pode
24 ser alterado.
25 Assim, fica claro que trata-se de uma situação muito complexa.
26 É preciso que o olhar popular se distancie de uma análise prática e su-
27 perficial, que acredita que o problema da violência facilmente se resolve
28 com punição. Somente assim a discussão poderá levar a caminhos que
29 efetivamente se mostrem como soluções.
30 Desenvolvimento II: Observe que todo o parágrafo foi escrito em somente um período, tor-
nando as ideias confusas e deixando ao leitor muitas informações, sem tempo de processá-las
e compreendê-las. Aqui, isso poderia facilmente ser resolvido com a inversão da ordem em que
os argumentos foram colocados.
O uso de “outra coisa” no início do parágrafo pode soar muito coloquial, assim como o “já que”.
Seria interessante substituí-los.

Desenvolvimento III: Falta neste parágrafo um tópico frasal, que sintetize as ideias a serem desenvolvidas. Uma
forma de resolver isso seria trazer o argumento da inconstitucionalidade para o início do trecho. A repetição
do “ou seja” também pode ser evitada.

Conclusão: A proposta de intervenção está incompleta e se mostra insuficiente. Que tipo de pensamento dará lugar à
“análise prática e superficial”? Isso já foi tratado no texto e precisa ser recuperado na conclusão.
Há também um problema nas ideias. Está explícita a ideia de que violência não se trata com punição em um âmbito mais
geral, mas isso não foi tratado ao longo do texto. Seria importante especificar de que tipo punição se está tratando.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: A redução da maioridade penal e seus efeitos em discussão no Brasil

Sugestão de reescrita:

1 Muito se tem discutido acerca da questão da redução da maioridade penal


2 no Brasil. Aqueles que se posicionam a favor da mudança argumentam que com a
3 consciência de que não podem ser presos, adolescentes sentem maior liberdade para
4 cometer crimes. A questão é que se trata, na verdade, de uma discussão muito mais
5 profunda.
6 A primeira coisa a ser levada em conta é a realidade atual do sistema prisio-
7 nal brasileiro. A superlotação é um problema crescente e afeta diretamente o dia
8 a dia dos presos - a infraestrutura é precária e os direitos humanos são constan-
9 temente infringidos. Nesse contexto de precarização, é inevitável que os índices de
10 reincidência sejam altos. Por isso, permitir que jovens menores de 18 anos sejam
11 presos só agravaria a situação: a superlotação seria ainda maior e um menor que
12 poderia ser reabilitado teria muito mais chances de continuar no crime.
13 Outra coisa a ser levada em consideração é o fato de que o perfil dos presi-
14 diários das penitenciárias brasileiras é majoritariamente de negros, indivíduos pro-
15 venientes de periferia e pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. Com a
16 diminuição da maioridade penal, seriam esses os setores mais afetados - justamente
17 os que mais necessitam de assistência do Estado.
18 Além disso tudo, a diminuição da maioridade penal é inconstitucional. A
19 Constituição brasileira diz que os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis,
20 ou seja, não podem ser condenados a prisão como os adultos - trata-se de uma
21 cláusula pétrea, trecho da Constituição que não pode ser alterado.
22 Assim, fica claro que trata-se de uma situação muito complexa. É preciso que
23 se transfira o olhar popular de uma análise prática e superficial, que acredita que o
24 problema da violência facilmente se resolve com punições severas, para uma pers-
25 pectiva mais profunda, disposta a levar em conta os direitos humanos e a realidade
26 socioeconômica do Brasil Somente assim a discussão poderá levar a caminhos que
27 efetivamente se mostrem como soluções.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: A questão do lixo na sociedade brasileira

Introdução: Falta clareza na relação feita entre ou aumento no poder aquisitivo e o aumento na
produção de lixo. Seria interessante construir melhor o encadeamento lógico e coesivo entre
essas ideias.
Também ficou implícita a problemática a ser tratada ao longo do texto. Seria interessante o
acréscimo de mais um período para que a tese fosse definida.

Desenvolvimento I: É importante aqui identificar o significado da sigla Abrelpe. Outra coisa


importante é deixar explícito qual os destinos adequados e inadequados para o lixo, de modo a
tornar os argumentos mais sólidos e menos generalizados.

1 O Brasil passou, nos anos 2000, por um período em que o poder


2 aquisitivo da população em geral cresceu muito. O consumo de produ-
3 tos industrializados e de eletrônicos cresceu muito e também cresceu
4 a produção de lixo, sem que houvesse políticas de descarte consciente
5 capazes de dar conta da grande quantidade de resíduos eliminados nas
6 residências do país.
7 Pode-se dizer que o ponto fraco da gestão de resíduos sólidos no
8 Brasil está na coleta e destinação final do lixo que produzimos. Segundo
9 documento publicado pela Abrelpe, somente 58% dos resíduos sólidos
10 urbanos que são recolhidos têm o destino adequado. Os outros 42%
11 acabam descartados de maneira inadequada.
12 A coleta seletiva seria de grande auxílio para a diminuição do
13 descarte inadequado do lixo, mas parece ser negligenciada. Esta inicia-
14 tiva está presente em muitas prefeituras do país, mas muitas vezes elas
15 se resumem a disponibilizar pontos de entrega voluntária de material
16 reciclável ou então estabelecer convênios com cooperativas.
17 Sendo assim, fica claro que o problema do lixo no Brasil seria fa-
18 cilmente amenizado através de uma fiscalização maior sobre as prefei-
19 turas. Outra medida importante seria oferecer mais incentivos à coleta
20 seletiva, afinal, somente com políticas públicas existiria a garantia de
21 um descarte consciente do lixo.
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Desenvolvimento II: A conjunção “mas” repetida duas vezes pode ser substituída por outras
conjunções. Com relação à argumentação, não fica claro qual o ponto negativo de as prefeitu-
ras ficarem restritas aos pontos de entrega voluntários de material reciclável.

Conclusão: Apesar desta conclusão apresentar proposta de intervenção, as sugestões estão muito superficiais e pre-
cisam ser aprofundadas. Uma boa dica para resolver o problema é não indicar somente a medida necessária para a
mudança, mas também pontuar suas consequências esperadas.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: A questão do lixo na sociedade brasileira

Sugestão de reescrita:

1 O Brasil passou, nos anos 2000, por um período em que o poder aquisitivo da população em
2 geral cresceu muito. Como consequência, o consumo de produtos industrializados e de eletrônicos
3 cresceu muito e, na mesma velocidade, cresceu a produção de lixo, sem que houvesse políticas de des-
4 carte consciente capazes de dar conta da grande quantidade de resíduos eliminados nas residências
5 do país. Surge assim, assim, um problema gigantesco, com sequelas enormes para o meio ambiente.
6 Pode-se dizer que o ponto fraco da gestão de resíduos sólidos no Brasil está na coleta e
7 destinação final do lixo que produzimos. Segundo documento publicado pela Abrelpe - Associação
8 Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais -, somente 58% dos resíduos sólidos
9 urbanos que são recolhidos têm o destino adequado: os aterros sanitários. Os outros 42% acabam em
10 lixões, córregos ou valas sem qualquer tipo de tratamento.
11 Mesmo a coleta seletiva, que seria de grande auxílio para a diminuição do descarte inade-
12 quado do lixo, parece ser negligenciada. Embora essa iniciativa esteja presente em muitas prefeituras
13 do país, muitas vezes elas se resumem a disponibilizar pontos de entrega voluntária de material
14 reciclável ou então estabelecer convênios com cooperativas. Não existem programas que incentivem
15 a separação do lixo e o ato de descartar corretamente materiais reciclados esbarra na consciência
16 individual dos cidadãos.
17 Sendo assim, fica claro que o problema do lixo no Brasil seria facilmente amenizado através
18 de uma fiscalização maior sobre as prefeituras, impondo multas severas àquelas que não oferecem
19 tratamento aos resíduos descartados. Outra medida importante seria oferecer mais incentivos à
20 coleta seletiva, fazendo com que mais pessoas se sintam estimuladas a separar seu lixo reciclável.
21 Somente com políticas públicas existiria a garantia de um descarte consciente do lixo.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Os riscos da crise de representatividade para a democracia brasileira

Introdução: Atenção à falta de acento em “Arabe” > Árabe e o erro de grafia em “cidadões” > cidadãos.
Há, também, a repetição de “governos ditatoriais de vários/desses países” sem mencionar quais são, o
que prejudica na falta de informações apresentadas. No último período, mesmo com a presença de uma
tese, o candidato não explicita a crise da representatividade, incitada pela frase-tema.

Desenvolvimento I: Não há tópico frasal e a escrita se aproxima da língua falada, apresentando traços de
coloquialidade, como “acabam se dando mal”. Também não há o uso da vírgula de forma correta e não há
a acentuação para indicar o plural em “os eleitores não tem referências” > os eleitores não têm referências.
O caráter argumentativo do texto foi pouco aprofundado.

1 A chamada Primavera Arabe impulsionou cidadões a protes-


2 tarem contra governos ditatoriais de vários países. A força coletiva
3 resultou em revoltas sociais que conseguiram derrubar os governos di-
4 tatoriais desses países e ressaltou a importância da atuação cidadã. No
5 Brasil, mesmo com um governo democrático, as pessoas não acreditam
6 nas promessas públicas, o que evidencia um problema.
7 Há muitas propagandas políticas nos meios de comunicação que
8 traçam o perfil de um candidato político que seja popular, simpático
9 e que combata as mazelas sociais, mas muitos eleitores não pesquisam
10 sobre o seu passado político e acabam se dando mal. Neste sentido, tal
11 fato gera um agravante pois se os eleitores não tem referências sobre o
12 passado dos políticos, eles podem se decepcionar no futuro.
13 Outro fator determinante são as denúncias dos casos de corrup-
14 ção. Os meios de comunicação, frequentemente, denunciam governan-
15 tes que praticam o caixa 2 e tal fato tem direta relação com a falta
16 de investimentos na saúde e na educação. Além disso, dados do Lati-
17 nobarómetro mostram que 42% dos brasileiros que a política perdeu a
18 credibilidade com a população.
19 É necessário, portanto, que os cidadãos exerçam sua atuação
20 política para conter esse impasse. A mídia deve prestar campanhas que
21 incentivem o público a procurarem sobre o passado dos partidos polí-
22 ticos e o governo deve ser responsável por fiscalizar os gastos públicos.
23 Só assim, será possível lutar pela representação política.
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Desenvolvimento II: No segundo desenvolvimento, temos a presença do tópico frasal, mas a am-
pliação contém pouco teor argumentativo. Primeiramente, a expressão “caixa 2” deveria estar entre
aspas por ser um termo que não todos têm conhecimento, como também, ser justificada. É importante,
também, explicar qual a relação entre o “caixa 2” e a falta de investimentos nas áreas da saúde e da edu-
cação. No último período, a presença do dado estatístico do Latinobarómetro deixou o texto expositivo.

Embora o parágrafo conclusivo comece bem ao retomar a tese, a proposta interventora não foi detalhada. Além
disso, no primeiro parágrafo de desenvolvimento, o candidato falou sobre a participação política dos indivíduos e,
na conclusão, não retomou ao que foi abordado de forma explícita. Ao final, seria interessante apresentar as conse-
quências das ações interventoras para conter a problemática.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Os riscos da crise de representatividade para a democracia brasileira

Sugestão de reescrita:

1 Mudaram as estações, mas será que nada mudou?


2 Em 2011, a Primavera Árabe impulsionou cidadãos a protestarem contra o go-
3 verno ditatorial de países como a Tunísia e o Egito. A força coletiva resultou em revoltas
4 sociais que conseguiram derrubar os regimes que inibiam a liberdade da população, mos-
5 trando a importância da atuação cidadã. No Brasil, mesmo com um governo democrático,
6 vive-se uma sensação de descrença diante das promessas públicas, o que evidencia uma
7 crise de representatividade política e a necessidade de transformar esse cenário.
8 Primeiramente, é constante a quantidade de eleitores que votam sem pesquisar
9 sobre o partido político. Em muitos casos, as propagandas partidárias traçam o perfil do
10 candidato com características que se assemelham a um padrão: combatente de injustiças,
11 popular e simpático. Por conseguinte, as pessoas criam uma afinidade com o candidato
12 e, pela falta de senso crítico, não buscam referências sobre o seu passado político ou o do
13 partido. Tal fator é um agravante, pois os falsos compromissos estipulados pelos governan-
14 tes, se eleitos, geralmente, não são cumpridos, o que acarreta na decepção do eleitorado.
15 Outro fator determinante são as denúncias dos casos de corrupção. Frequentemen-
16 te, os meios de comunicação denunciam governantes que praticam o “caixa 2”, isto é, o
17 desvio de verbas públicas para detrimento próprio, o que parece justificar o porquê de a
18 maioria dos investimentos em saúde e educação nunca terem um resultado efetivo em
19 melhorias sociais. Além disso, segundo os dados do Latinobarómetro de 2015, 42% dos
20 brasileiros acreditam que a política perdeu a credibilidade com a população, neste sentido,
21 os indivíduos não se sentem representados pelos dirigentes vigentes, botando em risco a
22 desvalorização da participação civil.
23 É necessário, portanto, que os cidadãos exerçam sua atuação política para conter
24 esse impasse. Para tal, a mídia, com seu poder persuasivo, deve prestar campanhas que
25 incentivem o público a procurarem sobre os feitos dos partidos políticos; é dever, também,
26 de os indivíduos prezarem pelo bem-estar social e pesquisarem sobre os candidatos. Ade-
27 mais, é imprescindível que o Governo fiscalize com vigor os gastos públicos e puna aqueles
28 que cometerem irregularidades. Se a força do coletivo lutar por uma representação políti-
29 ca que preze pela transparência e democracia, a chegada de um Inverno Brasileiro poderá
30 ser freada.
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O problema da violência urbana no Brasil

Introdução: A introdução necessita ter contextualização do tema e apresentação da tese (ou


seja, o recorte da problemática que será abordada). Desse modo, é extremamente importante
exemplificar a primeira frase do texto, em que trabalha a ideia de uma violência histórica no
território brasileiro. Quanto à demonstração da tese, está coerente e objetiva.

Desenvolvimento I: Para o desenvolvimento 1, é necessário ressaltar a necessidade de aprofun-


dar os argumentos apresentados para garantir uma maior comprovação nas ideias. Desse modo,
este primeiro parágrafo não possui uma exemplificação da argumentação, como por exemplo:
pesquisas, citações, músicas, filmes, etc.

1 O Brasil é um país extremamente violento, desde a época de seu


2 descobrimento. Sendo assim, é possível perceber que esse dado refor-
3 ça a temática que, a criminalidade no país, apesar de extremamente
4 relevante nos debates midiáticos, ainda necessita de atenção no que se
5 refere à falta de infraestrutura do sistema carcerário, assim como po-
6 líticas efetivas de segurança pública.
7 Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a dificuldade do país em
8 estabelecer uma relação coerente com o sistema carcerário e suas possi-
9 bilidades de ressocialização. O Brasil não possui processos de ressocializa-
10 ção dos detentos e, com isso, a reincidência no cenário do crime se torna
11 uma opção, sendo um em cada quatro pessoas. Isso ocorre porque, além
12 do Estado não incentivar a população reclusa a novas oportunidades de
13 vida, não há um ambiente propício dentro dos presídios.
14 Essa despreocupação por parte do governo se estende, também,
15 no âmbito das ruas para com os profissionais da área da segurança pú-
16 blica, por não haver certa compreensão estatal de que a violência mútua
17 proporciona soluções para a problemática. Através desse dado, é possível
18 entender que a polícia também é um coletivo que sofre com a falta de
19 políticas que assegurem a efetivação do trabalho e, sobretudo, da segu-
20 rança dos indivíduos.
21 Sendo assim, é notório entender que a problemática da guerra
22 nas ruas é um ciclo vicioso que prejudica a população como um todo,
23 de modo a caracterizar um tema totalmente reflexivo sobre a atuação
24 governamental no país. Desse modo, políticas efetivas na melhoria do
25 sistema carcerário como um todo, desde a implementação da privati-
26 zação deste meio, para fins trabalhistas. Somente desta forma o país
27 começará a mudar suas perspectivas sobre uma temática histórica e
28 extremamente difícil de erradicar.
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Desenvolvimento II: O desenvolvimento 2, do mesmo modo que o primeiro parágrafo argu-


mentativo, não estabelece uma relação de aprofundamento de ideias, que pode ser feito através
de informações externas, ou seja, de própria autoria, ou de conhecimentos já existentes na
coletânea. Assim, é extremamente importante que haja essa relação.

Conclusão: A conclusão, por fim, deve apresentar uma síntese das ideias apresentadas no parágrafo de desenvolvi-
mento, juntamente com uma proposta de intervenção detalhada e objetiva, devendo conter o agente interventor (ou
seja, qual meio irá promover a ação), o objetivo principal e o público que receberá essa ação. Assim, é extremamente
importante que haja um detalhamento quanto a implementação da privatização do sistema carcerário. Além disso, no
parágrafo de desenvolvimento 2 foi levantado uma nova problemática, sendo necessário, também, que haja uma pro-
posta de solução para essa nova ideia.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O problema da violência urbana no Brasil.

Sugestão de reescrita:

1 Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2015, uma pessoa é assassinada a cada

2 nove minutos no Brasil, dentre eles estão civis e, também, policiais. Sendo assim, é possível perceber que esse

3 dado reforça a temática que, a criminalidade no país, apesar de extremamente relevante nos debates midiá-
4 ticos, ainda necessita de atenção no que se refere à falta de infraestrutura do sistema carcerário, assim como
5 políticas efetivas de segurança pública.
6 Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a dificuldade do país em estabelecer uma relação coerente com o

7 sistema carcerário e suas possibilidades de ressocialização. Compreendendo o quarto lugar no ranking dos países

8 com maior população carcerária do mundo, através do Ministério da Justiça, o Brasil não possui processos de

9 ressocialização dos detentos e, com isso, a reincidência no cenário do crime se torna uma opção, sendo um em

10 cada quatro pessoas. Isso ocorre porque, além do Estado não incentivar a população reclusa a novas oportu-

11 nidades de vida, não há um ambiente propício dentro dos presídios, uma vez que, além de superlotados, são

12 deliberadamente focos de doenças, como tuberculose, HIV e hepatite, por conta do descaso governamental.
13 Essa despreocupação por parte do governo se estende, também, no âmbito das ruas para com os
14 profissionais da área da segurança pública, por não haver certa compreensão estatal de que a violência mútua
15 proporciona soluções para a problemática. Isso pode ser visto pelo fato de que, no Rio de Janeiro, por exemplo,
16 um policial é morto a cada dois dias em decorrência da violência nas ruas, através do G1. Através desse dado,
17 é possível entender que a polícia também é um coletivo que sofre com a falta de políticas que assegurem a efe-
18 tivação do trabalho e, sobretudo, da segurança dos indivíduos.
19 Sendo assim, é notório entender que a problemática da guerra nas ruas é um ciclo vicioso que prejudica
20 a população como um todo, de modo a caracterizar um tema totalmente reflexivo sobre a atuação governa-
21 mental no país. Desse modo, políticas efetivas na melhoria do sistema carcerário como um todo, desde a im-
22 plementação da privatização deste meio, para fins trabalhistas, como empresas do setor têxtil, é imprescindível
23 para a construção de uma nova realidade. Além disso, a necessidade de uma atenção exclusiva, por meio de
24 assistentes sociais e psicólogos especializados em ex-detentos, deve ser mais enfatizada para a ressocialização
25 dessa parte da população na sociedade. Por fim, essa problemática social conseguirá ser diminuída e, a ocor-
26 rência de mortes de policiais também, além de impulsionar um aumento salarial nos cargos de profissionais
27 que, diariamente, também sofrem com o medo de serem acometidos pela violência. Somente desta forma o país
28 começará a mudar suas perspectivas sobre uma temática histórica e extremamente difícil de erradicar.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: As manifestações de violência nos estádios brasileiros de futebol

Introdução: O autor, apesar de ter trazido à introdução sua tese “ideia de uma nação pautada na compe-
tição por conta da cultura de violência”, não apresentou a contextualização para essa afirmação. Assim, é
necessário introduzir ao texto o que motivou o pensamento de uma tese, de modo a abordar a temática
de um modo geral.

Desenvolvimento I: Para um desenvolvimento, é necessário apresentar algumas evidências que compro-


vem que a argumentação é verdadeira. Desse modo, nesse primeiro parágrafo de desenvolvimento, não
há a confirmação de como essa caracterização do “jogo como forma de identidade cultural” é reforçado
pela mídia. Além disso, é necessário detalhar o que é esse “torcedor sentimental pelo time”, para não haver
amplitude de interpretações e, focalizar em uma única linha de progressão textual.

1 Segundo o sociólogo Maurício Murad, o Brasil é o país em que


2 mais morrem pessoas em função das brigas de estádio. Essa cultura da
3 violência reforça a ideia de uma nação pautada na competição e, so-
4 bretudo, intolerante.
5 Em primeiro lugar, é necessário entender a importância do es-
6 porte para o povo brasileiro. Como Gylberto Freire explicita, “O de-
7 senvolvimento do futebol, não um esporte igual aos outros, mas numa
8 verdadeira instituição brasileira, tornou possível a sublimação de vários
9 daqueles elementos irracionais de nossa formação e cultura”, o jogo se
10 torna uma forma identidade cultural. Esse tipo de caracterização é re-
11 forçado pela mídia, que torna o torcedor sentimental pelo time.
12 Entretanto, esse sentimento exagerado sobre o futebol, gera a
13 noção de superioridade, sobretudo com adversários e pensamentos
14 contrários à ideia esportista, fato inicia o surgimento de discriminação,
15 preconceito e, principalmente, violência.
16 Assim, é vista uma nação defasada de políticas que contribuam
17 para o melhor desenvolvimento das torcidas no Brasil. Dessa forma,
18 entende-se que a intervenção deve partir dos canais de informação,
19 que continuem transmitindo o sentimentalismo futebolístico, no entan-
20 to também demonstrem a importância de tolerância nos estádios, por
21 meio de propagandas.
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Desenvolvimento II: Apesar de haver o diálogo entre os dois desenvolvimentos, importantíssimo para
os níveis de coesão e coerência, há, novamente, a necessidade de detalhar o que quer ser passado com
“sentimento exagerado”, fato que comprova uma falta de embasamento das ideias do autor. Além disso,
é possível perceber uma ótima linha argumentativa, todavia, ela não se torna verdadeira pela falta de
comprovação de evidências. Desse modo, para haver uma argumentação fora do senso comum, é ne-
cessário trazer opinião + evidência.

Conclusão: Por fim, a conclusão consiste em uma síntese de ideias com proposta de intervenção sobre a problemática
apresentada. Desse modo, é visto um ótimo resumo das ideias trabalhadas no desenvolvimento, entretanto não há um
detalhamento na proposta de solução, quanto no quesito midiático. É importante ressaltar que a proposta deve haver
um agente solucionador, uma proposta detalhada, um público alvo e a forma de efetivação. Sendo assim, há a necessi-
dade de uma escrita mais afunilada sobre a parte final do texto.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: As manifestações de violência nos estádios brasileiros de futebol

Sugestão de reescrita:

1 Segundo o sociólogo Maurício Murad, o Brasil é o país em que mais morrem pessoas
2 em função das brigas de estádio. Essa cultura da violência, instaurada na época de Roma,
3 com a inauguração do Coliseu para eventos bárbaros em prol de uma satisfação do público
4 e retomada com o processo de colonização do país, reforça a ideia de uma nação pautada
5 na competição e, sobretudo, intolerante.
6 Em primeiro lugar, é necessário entender a importância do esporte para o povo
7 brasileiro. Como disse Gylberto Freire, “O desenvolvimento do futebol, não um esporte
8 igual aos outros, mas numa verdadeira instituição brasileira, tornou possível a sublimação
9 de vários daqueles elementos irracionais de nossa formação e cultura” explicita o jogo como
10 uma identidade cultural. Esse tipo de caracterização é reforçado pela mídia, que, ao im-
11 pulsionar o sentimentalismo exacerbado sobre cada time em áreas como canais de televisão
12 e lojas, transforma uma sociedade pautada em uma forma de “ufanismo futebolístico”.
13 Entretanto, esse orgulho exagerado sobre o futebol, gera o sentimento de superiori-
14 dade, sobretudo com adversários e pensamentos contrários à ideia esportista, fato inicia o
15 surgimento de discriminação, preconceito e, principalmente, violência. Isso pode ser enten-
16 dido pelos dados da IPEA, em que 106 mortes de torcedores foram causadas nos últimos
17 14 anos no Brasil.
18 Assim, é vista uma nação defasada de políticas que contribuam para o melhor de-
19 senvolvimento das torcidas no Brasil. Dessa forma, entende-se que a intervenção deve par-
20 tir dos canais de informação, que continuem transmitindo o sentimentalismo futebolístico,
21 no entanto também demonstrem a importância de tolerância nos estádios, por meio de
22 propagandas. Além disso, é necessária uma medida governamental para que essa cultura
23 seja mudada, como o desenvolvimento de palestras e cartilhas informativas para as tor-
24 cidas organizadas e torcedores de um modo geral, de modo a ser visto o impacto de uma
25 identidade violenta e discriminatória em um ambiente esportivo.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O impacto negativo das redes sociais em relação à saúde mental do brasileiro

Introdução: É possível perceber que há o conhecimento geral e externo presente no texto,


todavia ele não está relacionado com a problemática nacional. Para isso, faz-se necessário en-
trelaçar as ideias, por meio de conectivos e analogias.

Desenvolvimento I: Para comprovar os argumentos apresentados, é necessário que haja a rei-


teração com base em conhecimentos gerais. Como já demonstrado nas aulas do Descomplica,
essa amplitude pode ser desenvolvida por meio de alusões históricas, fatos, dados, etc.

1 No episódio Nosedive da série britânica distópica Black Mirror, vive-se em uma


2 realidade pautada nas imagens pelas redes sociais; são os índices de fama nas mídias
3 que te fazem conquistar aquisições reais como casa, carros e relacionamentos, causan-
4 do comportamentos destrutivos para aqueles que não atingem os números específicos.
5 A realidade brasileira vive em um cenário inserido de modo demasiado no o ambiente
6 virtual, fator capaz de gerar uma irreal imagem sobre o mundo, assim como também
7 muitos problemas psicológicos quando essa visão não é atingida. Nesse sentido, faz-se
8 necessário analisar o ambiente hodierno na óptica do problema, garantindo meios de
9 solucioná-lo.
10 Faz parte dos principais aplicativos e de famosos perfis a valorização de cur-
11 tidas, assim como a espetacularização de momentos cotidianos para apresentar ao
12 público seguidor uma realidade inexistente, tornando medíocre aquilo que não está nos
13 holofotes. Assim, é possível perceber que os indivíduos vivem, na atualidade, em prol
14 de uma visão de mundo inexistente, vista somente pelas redes sociais. Essa relação traz
15 consequências no que tange à saúde e a relação do ambiente real.
16 Tais impactos podem ser vistos em problemas psicológicos e de reinserção à
17 vida fora das mídias, que cada vez mais crescem no Brasil. Segundo uma pesquisa
18 realizada pelo Royal Society for Public Health, somente 10% das pessoas jovens entre-
19 vistadas não utilizam redes sociais, ao passo que doenças como ansiedade e depressão
20 também cresceram em quase 80% nesse grupo populacional. A internet, que chegou
21 no final do século XIX para ampliar o conhecimento, hoje traz malefícios devido ao seu
22 uso em excesso e irresponsável.
23 Desse modo, é perceptível que a sociedade precisa desenvolver mecanismos
24 para não se atingir aos malefícios das redes sociais. Assim, faz-se necessário que a es-
25 cola, juntamente com o apoio familiar prévio, promova o ensino da utilização midiáti-
26 ca consciente, a fim de diminuir problemáticas sociais e psicológicas que essa realidade
27 distópica causa. Além disso, as aulas de sociologia e filosofia devem também ser um es-
28 paço para que os jovens possam refletir sobre suas ações comportamentais e o mundo.
29 Somente dessa maneira será possível que todos saiam de suas cavernas, vivenciando o
30 mundo virtual com cautela e aproveitando a realidade.

Desenvolvimento II: Ao contrário do que esperado no primeiro parágrafo de desenvolvimento,


nesse há a exemplificação por meio de dados pesquisados, no entanto não há a relação que
eles trazem sobre o texto, sobretudo sobre a problemática. Torna-se evidente a necessidade de
desenvolver esse impacto para a realidade.

Conclusão: Por fim, a conclusão deve responder às seguintes perguntas “Quem deve realizar a ação? O que seria?
Como seria realizada? Com qual finalidade? Tudo detalhado”. Desse modo, falta a representação dos meios para a ação
ser efetiva, não garantindo nota máxima na competência final do ENEM.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O impacto negativo das redes sociais em relação à saúde mental do brasileiro

Sugestão de reescrita:

1 No episódio Nosedive da série britânica distópica Black Mirror, vive-se em uma realidade pautada nas

2 imagens pelas redes sociais; são os índices de fama nas mídias que te fazem conquistar aquisições reais como

3 casa, carros e relacionamentos, causando comportamentos destrutivos para aqueles que não atingem os números

4 específicos. Apesar de ficcional, a realidade brasileira não se vê longe do contexto apresentado no seriado, uma

5 vez que faz parte da construção social a inserção demasiada do ambiente virtual, fator capaz de gerar uma irreal

6 imagem sobre o mundo, assim como também muitos problemas psicológicos quando essa visão não é atingida.

7 Nesse sentido, faz-se necessário analisar o ambiente hodierno na óptica do problema, garantindo meios de

8 solucioná-lo.

9 Em primeiro lugar, é necessário ressaltar a utópica felicidade que é demonstrada nas redes sociais. Faz

10 parte dos principais aplicativos e de famosos perfis a valorização de curtidas, assim como a espetacularização de

11 momentos cotidianos para apresentar ao público seguidor uma realidade inexistente, tornando medíocre aquilo

12 que não está nos holofotes. Analogamente, percebe-se que a sociedade vive atualmente em sua platônica carverna,

13 em que os indivíduos se tornaram de desacreditar naquilo que veem, reconhecendo sua própria sombra como

14 miserável perante aos grandes momentos que desfrutam os outros. Essa relação traz consequências no que tange

15 à saúde e a relação do ambiente real.

16 Tais impactos podem ser vistos em problemas psicológicos e de reinserção à vida fora das mídias, que

17 cada vez mais crescem no Brasil. Segundo uma pesquisa realizada pelo Royal Society for Public Health, somente

18 10% das pessoas jovens entrevistadas não utilizam redes sociais, ao passo que doenças como ansiedade e depressão

19 também cresceram em quase 80% nesse grupo populacional. Fruto de negligências por parte da família e escola,

20 que transmitiram os valores da socialização para o aprendizado no mundo on-line, cada vez menos esse grupo

21 se torna capaz de dialogar, fato que não só os fragiliza, como também incentiva ao desenvolvimento de déficits

22 psicológicos. A internet, que chegou no final do século XIX para ampliar o conhecimento, hoje traz malefícios

23 devido ao seu uso em excesso e irresponsável.

24 Desse modo, é perceptível que a sociedade precisa desenvolver mecanismos para não se atingir aos

25 malefícios das redes sociais. Assim, faz-se necessário que a escola, juntamente com o apoio familiar prévio, promova

26 o ensino da utilização midiática consciente, por meio de palestras com psicólogos e psicopedagogos que auxiliem e

27 implementem a necessidade de atenção ao uso demasiado, a fim de diminuir problemáticas sociais e psicológicas
28 que essa realidade distópica causa. Além disso, as aulas de sociologia e filosofia devem também ser um espaço para
29 que os jovens possam refletir sobre suas ações comportamentais e o mundo. Somente dessa maneira será possível
30 que todos saiam de suas cavernas, vivenciando o mundo virtual com cautela e aproveitando a realidade.
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O perigo do aumento das doenças sexualmente transmissíveis no Brasil

Introdução: Para depreender de uma boa apresentação textual, é necessário iniciar o texto com
contextualização. Nesse caso, houve uma plena execução do que se espera do candidato, no
entanto, falta desenvolver a tese, ou seja, apresentar as problemáticas que serão desenvolvidas
ao longo da produção dissertativa. Para isso, é necessário focar em dois pontos para serem
resolvidos e dialogados durante a reflexão.

Desenvolvimento I: Com o tópico frasal, fica evidente a expectativa de análise do parágrafo,


entretanto é necessário comprovar os argumentos já apresentados por meio de conhecimentos
gerais. Isso pode ser feito com a ajuda de fatos, dados estatísticos, alusões históricas, citações,
etc. Dessa maneira, vê-se a necessidade de entrelaçar as ideias com o embasamento.

1 A autobiografia de 1999, Depois Daquela Viagem, apresenta a his-


2 tória de Valéria Polizzi, que descobriu ter sido infectada pelo HIV na dé-
3 cada de 80, período em que a infecção era pouco conhecia e o incentivo à
4 proteção individual não existia em amplitude. Analogamente, apesar dos
5 avanços médicos e tecnológicos, a realidade atual do cenário brasileiro se
6 encontra ainda em defasagem, uma vez que cada vez mais os números de
7 Infecções sexualmente transmissíveis crescem, sendo necessário analisar a
8 problemática, e garantindo meios para cessá-la.
9 Em primeiro lugar, é necessário ressaltar o histórico conservado-
10 rismo presente na questão da sexualidade brasileira. A persistência de
11 um patriarcado na sociedade corrobora para a desvalorização do diálogo
12 sobre o corpo humano, assim como suas relações. Nesse sentido, vê-se que
13 não há uma construção de acolhimento sobre o tema, tampouco sobre
14 seus modos de erradicação.
15 Tal afastamento da temática é acentuado com a negligência estatal
16 em não buscar desenvolver a educação sexual nas escolas. Enquanto em
17 países como EUA e Holanda a matéria é apoiada pela maioria dos respon-
18 sáveis, no contexto nacional ela não possui fortalecimento adulto, devido
19 ao errôneo pensamento de que seria inapropriado. Nesse sentido, deve-se
20 atentar que o despreparo escolar somente corrobora para uma ignorância
21 em massa, que auxilia na piora da erradicação do problema.
22 Assim, é possível perceber que as doenças sexualmente transmis-
23 síveis ainda são um tabu na sociedade, devido ao conservadorismo e ao
24 despreparo governamental. Cabe, então, ao Ministério da Educação, como
25 órgão responsável pela amplitude do conhecimento de crianças e jovens,
26 a implementação da conscientização sexual nas escolas. Além disso, cabe
27 também ao governo a criação de propagandas em canais abertos que
28 informem sobre o tema. Somente assim será possível desvincular do tra-
29 dicionalismo e caminhar para uma sociedade mais compreensiva.
30

Desenvolvimento II: Ao contrário do que se demonstra com o primeiro parágrafo de desenvol-


vimento, nesse é possível perceber que há, de fato, uma exemplificação em busca de autoria
argumentativa, ao comparar o cenário brasileiro com outros países. Todavia, não há desenvol-
vimento de maneira correta. É extremamente importante questionar ao texto o reflexo desse
conteúdo para a delimitação do tema.

Conclusão: Para o candidato conseguir nota máxima na competência 5 do ENEM, é necessário responder às perguntas
“quem deve realizar a ação? Que tipo de ação? Quais são os meios de realizá-la? Para qual finalidade?”. Além do deta-
lhamento, que deve contemplar as cinco perguntas. No caso do parágrafo acima, os meios não estão explícitos, assim
como também não há plena compreensão sobre a finalidade, o que dificulta o entendimento do leitor.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O perigo do aumento das doenças sexualmente transmissíveis no Brasil

Sugestão de reescrita:

1 A autobiografia de 1999, Depois Daquela Viagem, apresenta a real história de Valéria Polizzi,
2 que descobriu ter sido infectada pelo HIV na década de 80, período em que a infecção era pouco
3 conhecia e o incentivo à proteção individual não existia em amplitude. Analogamente, apesar dos
4 avanços médicos e tecnológicos, a realidade atual do cenário brasileiro se encontra ainda em defasagem,
5 uma vez que cada vez mais os números de Infecções sexualmente transmissíveis crescem. Isso se deve ao
6 fato da questão sexual no Brasil ainda ser um tabu, atrelada à negligência educacional sobre o tema.
7 Sendo assim, faz-se necessário analisar a problemática, garantindo meios para cessá-la.
8 Em primeiro lugar, é necessário ressaltar o histórico conservadorismo presente na questão da
9 sexualidade brasileira. A persistência de um patriarcado na sociedade corrobora para a desvalorização
10 do diálogo sobre o corpo humano, assim como suas relações. Isso pode ser exemplificada por meio
11 da pesquisa do Ministério da Saúde de 2016, em que apenas 56% das pessoas entre 18 e 24 anos
12 que descobriram uma IST buscaram tratamento. Nesse sentido, vê-se que não há uma construção de
13 acolhimento sobre o tema, tampouco sobre seus modos de erradicação.
14 Tal afastamento da temática é acentuado com a negligência estatal em não buscar desenvolver
15 a educação sexual nas escolas. Enquanto em países como EUA e Holanda a matéria é apoiada pela
16 maioria dos responsáveis, no contexto nacional ela não possui fortalecimento adulto, devido ao errôneo
17 pensamento de que seria inapropriado. Sem estruturas no ambiente escolar, o jovem chega a idade
18 adulta sem conhecer as adversidades que carregam o sexo, aumentando a falta de informação e
19 também o número de idosos vulneráveis às doenças desse tipo. Dessa maneira, deve-se atentar que
20 o despreparo escolar somente corrobora para uma ignorância em massa, que auxilia na piora da
21 erradicação do problema.
22 Assim, é possível perceber que as doenças sexualmente transmissíveis ainda são um tabu na
23 sociedade, devido ao conservadorismo e ao despreparo governamental. Cabe, então, ao Ministério
24 da Educação, como órgão responsável pela amplitude do conhecimento de crianças e jovens, a
25 implementação da conscientização sexual nas escolas, por meios de aulas de educação e sexualidade,
26 com professores especializados, psicólogos e psicopedagogos, com a finalidade de sanar as dúvidas
27 e abranger o diálogo. Além disso, cabe também ao governo a criação de propagandas em canais
28 abertos que informem sobre o tema. Somente compreendendo esses fatos, será possível desvincular do
29 tradicionalismo e caminhar para uma sociedade mais compreensiva.
30
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O excesso de lixo no cenário brasileiro e os problemas para o meio ambiente

Introdução: Embora haja uma contextualização pertinente acerca do tema com o documentário
“Lixo Extraordinário”, não foi bem articulado à discussão do texto, visto que a tese não está
evidenciada no parágrafo, apenas o encaminhamento argumentativo.

Desenvolvimento I: Sempre que um dado estatístico for utilizado, deve-se citar o local em que
foi retirada determinada informação, visto que é uma estratégia argumentativa que precisa estar
pautada em fontes confiáveis. Além disso, todo parágrafo deve ter a ampliação do parágrafo
com o início, meio e fim das ideias, porém, no fragmento anterior, não há uma boa articulação
acerca do exemplo sobre as pilhas e baterias, necessitando de uma conclusão acerca do que foi
dito anteriormente.

1 O documentário “Lixo extraordinário” retrata o trabalho do ar-


2 tista plástico Vik Muniz no Jardim Gramacho, maior aterro sanitário da
3 América Latina. Assim, evidencia-se o excesso de dejetos como um pro-
4 blema para o meio ambiente no cenário brasileiro devido a fatores políti-
5 cos e sociais.
6 Segundo dados divulgados, 85% dos brasileiros não têm acesso à
7 coleta seletiva. Dessa forma, devido à falta de incentivo e ao desconhe-
8 cimento sobre a separação de resíduos, muitas pessoas descartam irre-
9 gularmente determinados produtos que podem contaminar os solos, por
10 exemplo, as pilhas e baterias.
11 Além disso, a ineficácia do controle e da fiscalização do descarte
12 irregular de dejetos prejudica o meio ambiente. Desde 2014, a Política
13 Nacional de Resíduos Sólidos estabeleceu o fechamento de lixões a céu
14 aberto, entretanto, essa proposta ainda não é eficaz.
15 Fica evidente, portanto, que o excesso de lixo é um problema no
16 cenário brasileiro. Dessa forma, o Ministério do Meio Ambiente deve fisca-
17 lizar e proibir a atuação de lixões a céu aberto e substituí-los por aterros
18 sanitários. Isso pode ser feito a partir de operações de órgãos públicos e
19 fiscais da natureza com o objetivo de multar, fechar espaços irregulares e
20 preservar o meio ambiente.
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Desenvolvimento II: O excerto anterior amplia de forma superficial a informação acerca da
Política de Resíduos Sólidos e não articula com a opinião para concluir os fatos apresentados.
Dessa forma, o parágrafo se torna expositivo visto que só desenvolve apenas uma função da
argumentação e não a sua articulação entre opinião e evidência.

Conclusão: Mesmo que a proposta de intervenção pareça estar completa, ainda falta um elemento necessário: o
detalhamento. Para receber a pontuação máxima na competência 5, é necessário responder às perguntas básicas: O
que deve ser feito? (AÇÃO); Por quem deve ser feito? (AGENTE); Como deve ser feito? (MEIO/MODO); Para que deve
ser feito? (EFEITO). Além disso, o detalhamento deve ser uma exemplificação ou especificação sobre qualquer um dos
elementos básicos.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O excesso de lixo no cenário brasileiro e os problemas para o meio ambiente

Sugestão de reescrita:

1 O documentário “Lixo extraordinário” retrata o trabalho do artista


2 plástico Vik Muniz no Jardim Gramacho, maior aterro sanitário da América
3 Latina. Embora a arte feita com resíduos de material reciclável tenha encantado
4 diversos espectadores no mundo, o excesso de dejetos ainda é um problema
5 para o meio ambiente no cenário brasileiro devido a fatores políticos e sociais.
6 Em primeiro lugar, cabe destacar a ausência de políticas públicas acerca do
7 descarte sustentável de lixo. Segundo dados divulgados pela revista Época, 85%
8 dos brasileiros não têm acesso à coleta seletiva. Dessa forma, devido à falta de
9 incentivo e ao desconhecimento sobre a separação de resíduos, muitas pessoas
10 descartam irregularmente determinados produtos que podem contaminar os
11 solos, por exemplo, as pilhas e baterias. Isto de torna um problema à medida
12 que modelos de celulares são lançados anualmente e a população compra sem
13 necessidade.
14 Além disso, a ineficácia do controle e da fiscalização do descarte irregular
15 de dejetos prejudica o meio ambiente. Desde 2014, a Política Nacional de
16 Resíduos Sólidos estabeleceu o fechamento de lixões a céu aberto, entretanto,
17 essa proposta ainda não é eficaz visto que o território brasileiro ainda possui
18 diversos ambientes inadequados para destinar o lixo. Além disso, segundo
19 dados da WWF, o Brasil é um dos maiores produtores de lixo do mundo.
20 Assim, medidas são necessárias para consolidar as resoluções governamentais
21 sustentáveis.
22 Fica evidente, portanto, que o excesso de lixo é um problema no cenário
23 brasileiro. Dessa forma, o Ministério do Meio Ambiente deve fiscalizar e proibir
24 a atuação de lixões a céu aberto e substituí-los por aterros sanitários, visto que
25 são locais mais apropriados para o descarte de resíduos. Isso pode ser feito a
26 partir de operações de órgãos públicos e fiscais da natureza com o objetivo de
27 multar, fechar espaços irregulares e preservar o meio ambiente.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O legado da cultura funk para o processo de identidade brasileiro

Introdução: Na introdução, foi apresentado uma alusão cultural de uma série denominada “Sin-
tonia”. Mesmo que a referência seja pertinente em relação ao tema, a questão do funk, é ne-
cessário que haja uma ligação entre a contextualização e a apresentação do tema. Além disso, a
tese não foi evidenciada de forma satisfatória porque se mescla com a frase tema.

Desenvolvimento I: No primeiro parágrafo há uma fuga ao tema e, consequentemente, um pro-


blema de coerência textual porque a temática aborda a questão do funk como legado da identi-
dade cultural do brasileiro e o desenvolvimento apresenta o samba como exemplo.

1 A série da Netflix denominada “Sintonia” retrata a história de


2 amadurecimento de três jovens que possuem os bailes funks da cidade de
3 São Paulo como pano de fundo para suas descobertas. Portanto, nota-se
4 que o legado do funk faz parte da construção da identidade cultural do
5 brasileiro, visto que é uma manifestação que representa um povo.
6 Em primeiro lugar, destaca-se o preconceito que alguns estilos mu-
7 sicais sofrem na sociedade mesmo que sejam elementos culturais brasilei-
8 ros. Antigamente, o samba era estigmatizado por estar ligado à cultura
9 negra e só passou a ser mais valorizado a partir de compositores brancos
10 e de classes sociais mais valorizadas, por exemplo, com Noel Rosa.
11 Além disso, outro aspecto importante sobre o funk é que esse es-
12 tilo musical se tornou produto de importação e valorização da cultura
13 brasileira no exterior. De acordo com Pierre Bourdieu, sociólogo francês,
14 o conceito de “capital cultural” estabelece que os ativos sociais de uma
15 pessoa promovem a sua ascensão social em uma sociedade estratificada.
16 Dessa forma, é necessário que o Ministério da Educação, inclua na
17 Base Nacional Comum Curricular a valorização das manifestações artísti-
18 cas de língua portuguesa, por meio da utilização do repertório musical de
19 funk nas aulas de artes, produção, sociologia, entre outras, com o objetivo
20 de incluir a música popular brasileira nas salas de aulas de forma que haja
21 representatividade aos alunos que vivem essa realidade.
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Desenvolvimento II: Todo parágrafo deve possuir uma lógica entre as partes, por exemplo:
introdução, desenvolvimento e conclusão das ideias em cada parágrafo. Entretanto, a citação
de Pierre Bourdieu torna o parágrafo expositivo porque não há articulação com a opinião para
tornar o parágrafo argumentativo. Lembre-se: se o parágrafo só apresentar opinião ou só apre-
sentar evidências, não há argumentação.

Conclusão: O ideal em uma conclusão modelo ENEM é a retomada da tese antes da proposta de intervenção. Além
disso, por mais que a proposta tenha os quatro elementos básicos (agente, ação, efeito e meio), ainda falta o detalha-
mento de um dos elementos.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O legado da cultura funk para o processo de identidade brasileiro

Sugestão de reescrita:

1 A série da Netflix denominada “Sintonia” retrata a história de amadurecimento


2 de três jovens que possuem os bailes funks da cidade de São Paulo como pano de fundo
3 para suas descobertas. Dessa forma, mesmo que o funk ainda não seja efetivamente
4 valorizado na sociedade, por ser um estilo musical da periferia, aos poucos, a cultura,
5 o som e as críticas sociais têm se difundido fora das comunidades. Portanto, nota-se
6 que o seu legado faz parte da construção da identidade cultural do brasileiro, visto
7 que é uma manifestação que representa um povo.
8 Em primeiro lugar, destaca-se o preconceito que alguns estilos musicais sofrem
9 na sociedade mesmo que sejam elementos culturais brasileiros. Antigamente, o samba
10 era estigmatizado por estar ligado à cultura negra e só passou a ser mais valorizado
11 a partir de compositores brancos e de classes sociais mais valorizadas, por exemplo,
12 com Noel Rosa. Por esse motivo, nota-se que o funk também é discriminado por estar
13 relacionado às populações menos privilegiadas e de periferia, sendo mecanismo de
14 resistência e de denúncia social acerca dos problemas das comunidades.
15 Além disso, outro aspecto importante sobre o funk é que esse estilo musical
16 se tornou produto de importação e valorização da cultura brasileira no exterior.
17 De acordo com Pierre Bourdieu, sociólogo francês, o conceito de “capital cultural”
18 estabelece que os ativos sociais de uma pessoa promovem a sua ascensão social em
19 uma sociedade estratificada. Dessa forma, nota-se que o funk funciona como uma
20 forma de ascender na sociedade por conta das letras de música, do estilo musical, do
21 vestuário e, consequentemente, muitos também se desenvolvem internacionalmente
22 levando a cultura brasileira para o mercado estrangeiro.
23 Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para que o funk continue
24 a ser transmitido nacional e internacionalmente como patrimônio cultural da
25 identidade brasileira. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Educação, órgão
26 regulador da educação nacional, inclua na Base Nacional Comum Curricular a
27 valorização das manifestações artísticas de língua portuguesa, por meio da utilização
28 do repertório musical de funk nas aulas de artes, produção, sociologia, entre outras,
29 com o objetivo de incluir a música popular brasileira nas salas de aulas de forma que
30 haja representatividade aos alunos que vivem essa realidade.
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: O porte de armas no legado brasileiro: negligência ou progresso?

Introdução: A introdução, apesar de possuir a contextualização, ligação entre contexto e tese


e apresentação de ponto de vista, não traz a finalização do parágrafo. Isso significa que o tex-
to não irá sugerir, de início, os caminhos seguidos ao longo do processo de escrita. Deve-se,
desse modo, apresentar a tese necessária para desenvolver o restante do texto.

Desenvolvimento I: Para o primeiro parágrafo de desenvolvimento, é possível perceber que há


a presença de recursos coesivos. No entanto, não há a reflexão sobre o dado trazido, o que o
aumento da taxa de homicídios significa para o contexto? Deve-se argumentar sobre o contexto
brasileiro e sua relação paradoxal com o porte de armas.

1 As ditaduras classificadas dentro do espectro direita/esquerda toma-


2 ram como ponto de partida o desarmamento da população para a disse-
3 minação do medo: um povo indefeso é mais fácil de ser adestrado. O artigo
4 3º da Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que todo cidadão
5 deve ter direito à segurança pessoal. Aliado a isso, o Código Penal Brasileiro
6 reconhece o princípio da legítima defesa, que deixa claro que, se o indivíduo
7 age para se proteger, não há crime. Nesse sentido, deve-se analisar a pro-
8 blemática.
9 Em primeiro lugar, é necessário analisar os índices de violência em
10 relação ao porte de armas. Ainda que o armamento civil seja legal em al-
11 guns países, os números de homicídios em Estados que proíbem o porte só
12 aumentam, como é o caso do Brasil, que em 2016 teve seu maior valor de
13 mortes nos últimos 10 anos, de acordo com o Fórum Nacional de Segurança
14 Pública.
15 Além disso, os EUA registram anualmente sete vezes menos homi-
16 cídios do que o Brasil - lá os americanos podem ter armas. A proibição e
17 não-regulamentação desses instrumentos acarretam outros problemas so-
18 ciais nocivos ao povo brasileiro, mas não evitam que malfeitores continuem a
19 operar ilegalmente armas clandestinas. Então, apesar de a ideia de aumento
20 da violência ser erroneamente vinculada ao porte de armas, é perfeitamente
21 possível diminuir a criminalidade sem restringir a liberdade da população,
22 mas libertando-a dos grilhões de pavor.
23 Portanto, para que o direito individual não seja violado, é impres-
24 cindível que países discutam e repensem as leis armamentistas. Aos gover-
25 nantes, cabe a regulamentação e aprovação dos projetos de lei, bem como
26 o incentivo a campanhas de conscientização em consonância com as forças
27 armadas. O MEC deve reformular os currículos escolares para que contem-
28 plem noções básicas de direito civil, constitucional e penal. Assim, a sociedade
29 do impávido colosso daria um tiro certeiro rumo à ordem e ao progresso.
30

Desenvolvimento II: Novamente, há a mesma problemática quanto ao parágrafo de desenvolvi-


mento 2. Como o exemplo registrado nos Estados Unidos reflete na questão brasileira? Deve-se
desenvolver mais o exemplo supracitado, de modo a comprovar o ponto de vista favorável ao
armamento civil.

Conclusão: Por fim, cabe à proposta de intervenção apresentar o agente, a ação, os meios para realizá-la e sua finalida-
de. No exemplo acima, não há a demonstração exata da finalidade necessária para comprovar a concretude da solução.
Faz-se necessário, assim, complementar essa parte da produção escrita.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O porte de armas no legado brasileiro: negligência ou progresso?


(posicionamento a favor)

Sugestão de reescrita:

1 Tiro: a arma ou da arma?


2 As ditaduras classificadas dentro do espectro direita/esquerda tomaram como ponto
3 de partida o desarmamento da população para a disseminação do medo: um povo indefeso
4 é mais fácil de ser adestrado. O artigo 3º da Declaração Universal dos Direitos Humanos
5 afirma que todo cidadão deve ter direito à segurança pessoal. Aliado a isso, o Código Penal
6 Brasileiro reconhece o princípio da legítima defesa, que deixa claro que, se o indivíduo age
7 para se proteger, não há crime. Nesse sentido, embora o Estado tenha a responsabilidade
8 de garantir a segurança pública, o direito de autodefesa é natural e inviolável e, por isso, a
9 população deve ser armada.
10 Em primeiro lugar, é necessário analisar os índices de violência em relação ao porte de
11 armas. Ainda que o armamento civil seja legal em alguns países, os números de homicídios em
12 Estados que proíbem o porte só aumentam, como é o caso do Brasil, que em 2016 teve seu
13 maior valor de mortes nos últimos 10 anos, de acordo com o Fórum Nacional de Segurança
14 Pública. Isso é reflexo da desproteção que o cidadão se encontra em situações de instabilidade,
15 quando longe de um objeto balístico.
16 Além disso, os EUA registram anualmente sete vezes menos homicídios do que o Brasil-
17 -lá os americanos podem ter armas. A proibição e não-regulamentação desses instrumentos
18 acarretam outros problemas sociais nocivos ao povo brasileiro, mas não evitam que malfeitores
19 continuem a operar ilegalmente armas clandestinas. Sendo assim, as pessoas de bem vivem
20 coagidas, reféns do medo e à deriva nesse mar sanguinolento que é a nossa realidade. Então,
21 apesar de a ideia de aumento da violência ser erroneamente vinculada ao porte de armas,
22 é perfeitamente possível diminuir a criminalidade sem restringir a liberdade da população,
23 mas libertando-a dos grilhões de pavor.
24 Portanto, para que o direito individual não seja violado, é imprescindível que países
25 discutam e repensem as leis armamentistas. Aos governantes, cabe a regulamentação e
26 aprovação dos projetos de lei, bem como o incentivo a campanhas de conscientização em
27 consonância com as forças armadas, a fim de ministrar treinamentos para a utilização
28 adequada e responsável desses letais instrumentos. O MEC deve reformular os currículos
29 escolares para que contemplem noções básicas de direito civil, constitucional e penal. Assim,
30 a sociedade do impávido colosso daria um tiro certeiro rumo à ordem e ao progresso.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: O porte de armas no legado brasileiro: negligência ou progresso?


(posicionamento contra)

Sugestão de reescrita:

1 Todos os dias, ao acompanharmos as notícias nos jornais, nos deparamos com o fato
2 de que a violência já é parte da nossa rotina. Assaltos, assassinatos, sequestros, tudo isso nos
3 deixa com uma sensação de insegurança permanente, já que as tentativas de diminuir a
4 frequência desses episódios têm sido ineficazes. Esse contexto gera debates sobre o armamento
5 civil, o que diminuiria a falta de segurança e, mais ainda, a sensação de impotência do
6 cidadão. No entanto, esse recurso se mostra eficiente somente na teoria, já que, na prática,
7 não solucionaria o problema, gerando outros, ainda mais preocupantes.
8 É importante, primeiramente, pensar que a questão da violência no Brasil é muito
9 profunda e está calcada em outras questões, como a desigualdade social, o sucateamento da
10 educação pública e o mau tratamento que o tráfico de drogas recebe pelo nosso governo. Isso
11 significa dizer que armar a população não resolve nem um terço do gigante problema que
12 temos em mãos, já que o indivíduo que comete um crime representa somente a ponta de
13 um enorme iceberg. Defender-se de um assalto, por exemplo, não significa, necessariamente,
14 estar seguro, uma vez que a nossa insegurança não é causada por crimes isolados, mas por
15 uma estrutura que os sustenta.
16 Além disso, quando analisamos as possíveis consequências desse recurso, encaramos
17 uma série de problemas que agravariam o estado de violência que estamos vivendo, já que,
18 fatalmente, usaríamos as armas em outros contextos além da defesa pessoal. Nos EUA, por
19 exemplo, onde o porte e compra desses artigos não tem grande restrição, são comuns os casos
20 de assassinatos ou mesmo de chacinas promovidas por civis. Casos como o recente assassinato
21 coletivo na Carolina do Sul, em que nove pessoas negras foram vítimas de racismo, levado às
22 últimas consequências, provam que facilitar o acesso da população não é uma boa alternativa.
23 Fica claro, portanto, que o armamento de civis não deve ser uma opção a ser
24 considerada, já que se mostra um recurso perigoso e nocivo a toda a sociedade, além de não
25 representar uma solução para o problema da violência. Desse modo, cabe a nós, cidadãos,
26 e ao Estado pensar coletivamente nessa solução, buscando resolver a questão desde a raiz,
27 desfazendo sua estrutura por meio da escola, das polícias e das políticas públicas e sociais. Só
28 assim deixaremos de mascarar o problema e passaremos a solucionar.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Desafios para a população LGBT no Brasil

Introdução: Para garantir um entendimento completo da tese, deve-se contextualizar o tema,


relacionar tal contextualização com a tese e explicitá-la. Sendo assim, não há uma construção
do que será argumentado ao longo dos parágrafos, fazendo necessária essa relação.

Desenvolvimento I: Para relacionar o argumento ao tema, é importante desenvolver suas ideias


por meio de conhecimentos gerais. Sendo assim, deve-se utilizar de autorias argumentativas de
modo a entrelaçar ambas as ideias, mostrando a reflexão da autoria sobre o tema.

1 No período da 2ª Guerra Mundial, a perseguição contra a popula-


2 ção judia era extrema, no entanto, outros grupos marginalizados, como os
3 LGBTS, também sofreram com a busca. Embora passados mais de 50 anos,
4 a atualidade ainda enfrenta problemas quanto à causa minoritária. Nesse
5 sentido, faz-se necessário desenvolver meios para analisar o tema, assim
6 como para solucioná-lo no cenário nacional.
7 Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que a desproteção dos
8 LGBTS na atualidade faz parte de um preconceito histórico. Essa demons-
9 tração global corrobora para o pensamento preconceituoso, uma vez que não
10 se modificaram as ações culturais acerca do tema. Marginalizados desde os
11 tempos remotos, a atuação tardia enraizou um pensamento preconceituoso
12 e conservador, inibindo a liberdade de expressão.
13 Tal forma de expressividade ainda é mais diminuída com a rela-
14 ção governamental sobre o tema, tendo em vista que o STF criminalizou a
15 LGBTFobia somente no ano de 2019, que ainda não está em vigor, o que
16 demonstra a lentidão do Estado para temáticas de extrema importância.
17 Faz-se necessário, desse modo, não somente ampliar a rapidez legal, mas
18 reformulá-la para melhor atender à população.
19 Sendo assim, é possível perceber que a desproteção da população
20 LGBT no Brasil é reflexo de uma construção histórica e legislativa, que man-
21 tém esse ambiente inerte. Faz-se necessário que o Estado não tarde nas
22 decisões iniciadas no ano de 2019, e que promulgue a lei da criminalização
23 da LGBTfobia. Somente assim será possível visualizar um país com menos
24 preconceito e maior proteção aos grupos marginalizados.
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Desenvolvimento II: Para o segundo desenvolvimento, deve-se realizar a reflexão do conheci-


mento geral trazido. O que o caso do STF agrega para a reflexão? Como buscar fazer tal relação
entre os argumentos? É necessário responder às perguntas indiretas, de modo a sintetizar o
motivo de trazer tal autoria.

Conclusão: Para a conclusão, é necessário responder aos questionamentos: Quem deve realizar a ação? O que deve ser
feito? Como? Para Quê?. Nesse sentido, há a falta da explicação dos meios necessários para realizar a solução, o que
implica o seu detalhamento necessário.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Desafios para a população LGBT no Brasil

Sugestão de reescrita:

1 No período da 2ª Guerra Mundial, a perseguição contra a população judia era extrema,


2 no entanto, outros grupos marginalizados, como os LGBTS, também sofreram com a busca.
3 Embora passados mais de 50 anos, a atualidade ainda enfrenta problemas quanto à causa
4 minoritária, uma vez que o conservadorismo histórico, atrelado à insuficiência na prática
5 legislativa, gera a desproteção social desse grupo. Nesse sentido, faz-se necessário desenvolver
6 meios para analisar o tema, assim como para solucioná-lo no cenário nacional.
7 Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que a desproteção dos LGBTS na
8 atualidade faz parte de um preconceito histórico. Somente em 1990, essa manifestação
9 natural deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde, fato que se
10 torna recente para o entendimento hodierno. Essa demonstração global corrobora para o
11 pensamento preconceituoso, uma vez que não se modificaram as ações culturais acerca do
12 tema. Marginalizados desde os tempos remotos, a atuação tardia enraizou um pensamento
13 preconceituoso e conservador, inibindo a liberdade de expressão.
14 Tal forma de expressividade ainda é mais diminuída com a relação governamental
15 sobre o tema, tendo em vista que o STF criminalizou a LGBTFobia somente no ano de
16 2019, que ainda não está em vigor, o que demonstra a lentidão do Estado para temáticas
17 de extrema importância. Nesse sentido, os direitos são tardiamente inseridos e de modo
18 negligente dispostos no país, uma vez que o pensamento social ainda não foi reformulado e
19 a lei ainda não se encontra em funcionamento, reforçando a desproteção em massa. Faz-se
20 necessário, desse modo, não somente ampliar a rapidez legal, mas reformulá-la para melhor
21 atender à população.
22 Sendo assim, é possível perceber que a desproteção da população LGBT no Brasil é
23 reflexo de uma construção histórica e legislativa, que mantém esse ambiente inerte. Deve
24 haver, portanto, por incentivo das escolas, um projeto de conscientização social para a
25 normalização da expressão de gênero e sexualidade, por meio de aulas sobre o assunto,
26 juntamente com psicólogos e psicopedagogos que irão compreender o ambiente escolar e
27 garantir o melhor diálogo. Ademais, faz-se necessário que o Estado não tarde nas decisões
28 iniciadas no ano de 2019, e que promulgue a lei da criminalização da LGBTfobia. Somente
29 assim será possível visualizar um país com menos preconceito e maior proteção aos grupos
30 marginalizados.
REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Superlotação da população carcerária no Brasil

Introdução: Para o melhor entendimento da tese, deve-se contextualizar o tema, relacionar


tal contextualização com a tese e explicitá-la. Sendo assim, não há uma construção do que
será argumentado ao longo dos parágrafos, fazendo necessária essa relação.

Desenvolvimento I: Para relacionar o argumento ao tema, é ideal desenvolver suas ideias por
meio de conhecimentos gerais. Sendo assim, deve-se utilizar de autorias argumentativas para
comprovar os argumentos pré-estabelecidos no parágrafo.

1 O autor brasileiro Graciliano Ramos, em seu período de reclusão devi-


2 do a censura ditatorial do século XX, relatou as dificuldades de viver em um
3 ambiente provado de liberdade, como também mencionou as precariedades
4 do sistema como um todo. Embora sua obra, Memórias de um cárcere, seja
5 verossímil, os escritos se relacionam com a realidade atual, gerando muitos
6 problemas. Nesse sentido, faz-se necessário analisar a temática, assim como
7 garantir meios para resolvê-la.
8 Em primeiro lugar, deve-se compreender que a causa da superlota-
9 ção prisional é a negligência estatal. A cultura conservadora de ser punir em
10 condições precárias remete a um legado histórico de impunidade legal. Não
11 somente o descaso se faz presente, como também a consciência às condições
12 desumanas, sem futuras mudanças.
13 Essa desumanização em massa reflete nas consequências de presídios
14 aglomerados, uma vez que as péssimas condições são os catalizadores de vio-
15 lências e reincidência. Isso se comprova com o último massacre presenciado
16 do contexto nacional, no presídio de Altamira em 2019, devido a uma briga
17 entre facções em um presídio lotado.
18 Desse modo, percebe-se que a questão da superlotação carcerária se
19 dá ao descaso governamental, que exclui essa população e não mais as insere
20 para uma ressocialização. Nesse sentido, faz-se necessário que o Ministério
21 da Justiça garanta melhores condições aos presos, a fim de garantir maior
22 reinserção social. Além disso, é dever do Estado ampliar os locais de cárcere,
23 assim como promover uma qualidade de vida mais humana para os presos.
24 Somente assim, poderão ocorrer mudanças no panorama brasileiro.
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Desenvolvimento II: Para o segundo desenvolvimento, deve-se realizar a reflexão do conheci-


mento geral trazido. O que a notícia sobre Altamira nos traz como reflexão? Como ela agrega
para o decorrer da tese? É necessário responder às relações feitas.

Conclusão: Para a conclusão, é necessário responder aos questionamentos: Quem deve realizar a ação? O que deve ser
feito? Como? Para Quê?. Nesse sentido, há a falta da explicação dos meios necessários para realizar a solução, o que
implica o seu detalhamento necessário.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Superlotação da população carcerária no Brasil

Sugestão de reescrita:

1 O autor brasileiro Graciliano Ramos, em seu período de reclusão devido a censura


2 ditatorial do século XX, relatou as dificuldades de viver em um ambiente privado de liberdade,
3 como também mencionou as precariedades do sistema como um todo. Embora sua obra,
4 Memórias de um cárcere, seja verossímil, os escritos se relacionam com a realidade atual,
5 uma vez que a superlotação das prisões, ocasionadas pela negligência governamental, causam
6 diversas problemáticas como violência, não-reinserção social e reincidência. Nesse sentido,
7 faz-se necessário analisar a temática, assim como garantir meios para resolvê-la.
8 Em primeiro lugar, deve-se compreender que a causa da superlotação prisional é a
9 negligência estatal. A cultura conservadora de ser punir em condições precárias remete a um
10 legado histórico de impunidade legal, que se reflete ao contexto hodierno, em que o Brasil é
11 o terceiro país com a maior população carcerária do mundo em 2016, segundo o Infopen.
12 Não somente o descaso se faz presente, como também a consciência às condições desumanas,
13 sem futuras mudanças.
14 Essa desumanização em massa reflete nas consequências de presídios aglomerados,
15 uma vez que as péssimas condições são os catalizadores de violências e reincidência. Isso se
16 comprova com o último massacre presenciado do contexto nacional, no presídio de Altamira
17 em 2019, devido a uma briga entre facções em um presídio lotado. Sem a devida atenção
18 governamental, os detentos são deixados à margem de uma reestruturação social, e o Brasil
19 se torna ambiente para casos cada vez mais frequentes de tais consequências, uma vez que a
20 relação de ferocidade se torna a única forma de sobrevier ao contexto privado.
21 Desse modo, percebe-se que a questão da superlotação carcerária se dá ao descaso
22 governamental, que exclui essa população e não mais as insere para uma ressocialização.
23 Nesse sentido, faz-se necessário que o Ministério da Justiça garanta melhores condições aos
24 presos, como o incentivo a empresas terceirizadas disponibilizarem cursos profissionalizantes
25 e vagas de empregos em troca de diminuição fiscal, a fim de garantir maior reinserção social.
26 Além disso, é dever do Estado ampliar os locais de cárcere, assim como promover uma
27 qualidade de vida mais humana para os presos. Somente assim, poderão ocorrer mudanças
28 no panorama brasileiro.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Militarização das escolas como combate à violência

Introdução: Ainda que haja uma contextualização, ela não está bem desenvolvida, pois não
explica o que foi o Massacre de Suzano e não relaciona ao tema. Além disso, falta a vírgula
separando o adjunto adverbial de tempo “Em março de 2019”.

Desenvolvimento I: Ausência do tópico frasal: o parágrafo já inicia trazendo dados. Além disso,
é possível dizer que é um parágrafo predominantemente expositivo. A repetição da palavra “con-
texto” é desnecessária.

1 Em março de 2019 o Brasil indignou-se com um ato de violência ocorri-


2 do em uma escola estadual no interior de São Paulo: o Massacre de Suzano. Dessa
3 forma, além dos diversos problemas que assolam a educação brasileira – como a
4 falta de investimento e infraestrutura, a violência escolar tem se mostrado um
5 verdadeiro obstáculo. Nesse cenário, surge como alternativa a militarização das
6 escolas brasileiras; porém, é importante questionar se essa é, de fato, a melhor
7 solução.
8 Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
9 (Inep), em 2015, 50% dos professores haviam presenciado algum tipo de agres-
10 são por parte dos alunos contra os servidores e entre os próprios estudantes.
11 Nesse grave contexto, é importante destacar que, muitas vezes, esse contexto de
12 violência apresenta-se por meio do bullying, consequência da dificuldade – cada
13 vez maior – dos indivíduos em lidar com as diferenças. O sociólogo polonês Zyg-
14 munt Bauman descreve as relações contemporâneas como “líquidas” e frágeis,
15 em que predominam a falta de empatia e o individualismo.
16 É imprescindível destacar, nesse panorama, que a militarização das es-
17 colas aparece como uma resposta a crescente violência no âmbito estudantil.
18 Entretanto ainda que as Escolas Militares tenham mostrado bons resultados em
19 diversos concursos, e que a disciplina seja necessária para a formação do indi-
20 víduo, é necessário, questionar a rigidez de algumas práticas disciplinares dessas
21 instituições, como a obrigação de continências e cortes de cabelo padronizados.
22 Dessa forma, é importante pontuar que a existência de Escolas Militares não são
23 o problema, mas sim impor essas condições a todas as escolas públicas e seus
24 alunos, sendo ideal, portanto, escolha de cada indivíduo estar em uma escola
25 militarizada ou não.
26 É necessário que o Ministério da Educação invista em programas que bus-
27 quem disciplinar de maneira equilibrada os alunos. Além disso, a família e a escola
28 devem estar integradas para punir os alunos que praticarem atos violentos, a fim
29 de que essas ações não se repitam e o ambiente escolar seja agradável a todos.
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Desenvolvimento II: A argumentação do parágrafo está boa, mas há diversos erros gramaticais.
Falta a crase antes do termo “crescente violência no âmbito estudantil”. Há problemas relaciona-
do ao uso da vírgula: falta uma vírgula depois de “entretanto” e há uma vírgula separando sujeito
de predicado (“é necessário, questionar a rigidez de algumas práticas disciplinares dessas insti-
tuições”). Há, também, problema de concordância verbal no final do parágrafo em “a existência
de Escolas Militares não são o problema”: existência de Escolas Militares está no singular; por-
tanto, o verbo “ser” deve estar também.

Conclusão: Além de não ter retomado a tese, a proposta de intervenção não detalha como esses programas que bus-
cam disciplinar de maneira equilibrada devem acontecer.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Militarização das escolas como combate à violência

Sugestão de reescrita:

1 Em março de 2019, o Brasil indignou-se com um ato de violência ocorrido em uma escola estadual no
2 interior de São Paulo: o Massacre de Suzano. Nesse episódio, dois ex-alunos da escola mataram cinco estudantes
3 e duas funcionárias, motivados, principalmente, pelo histórico de bullying e isolamento social que viveram
4 enquanto alunos. Dessa forma, além dos diversos problemas que assolam a educação brasileira – como a falta
5 de investimento e infraestrutura, a violência escolar tem se mostrado um verdadeiro obstáculo. Nesse cenário,
6 surge como alternativa a militarização das escolas brasileiras; porém, é importante questionar se essa é, de fato,
7 a melhor solução.
8 Convém analisar, inicialmente, as causas da violência no ambiente escolar. As agressões têm se manifestado
9 de muitas maneiras: segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em 2015,
10 50% dos professores haviam presenciado algum tipo de agressão por parte dos alunos contra os servidores e entre
11 os próprios estudantes. Nesse grave contexto, é importante destacar que, muitas vezes, esse cenário de violência
12 apresenta-se por meio do bullying, consequência da dificuldade – cada vez maior – dos indivíduos em lidar
13 com as diferenças. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman descreve as relações contemporâneas como “líquidas”
14 e frágeis, em que predominam a falta de empatia e o individualismo. Dessa forma, os alunos manifestam essa
15 dificuldade a partir de atos de violência física, moral e psicológica, fazendo necessárias medidas que combatam
16 essas práticas.
17 É imprescindível destacar, nesse panorama, que a militarização das escolas aparece como uma resposta
18 à crescente violência no âmbito estudantil. Entretanto, ainda que as Escolas Militares tenham mostrado bons
19 resultados em diversos concursos, e que a disciplina seja necessária para a formação do indivíduo, é necessário
20 questionar a rigidez de algumas práticas disciplinares dessas instituições, como a obrigação de continências e
21 cortes de cabelo padronizados. Dessa forma, é importante pontuar que a existência de Escolas Militares não é o
22 problema, mas sim impor essas condições a todas as escolas públicas e seus alunos, sendo ideal, portanto, escolha
23 de cada indivíduo estar em uma escola militarizada ou não.
24 Fica claro, então, que a violência no ambiente escolar deve ser combatida e a militarização das escolas
25 não é, necessariamente, uma solução para essa problemática. Nessa perspectiva, é necessário que o Ministério da
26 Educação invista em programas que busquem disciplinar de maneira equilibrada os alunos, por meio de dinâmicas
27 que visem a combater as agressões por com ajuda de psicólogos e assistentes sociais. Além disso, a família e a
28 escola devem estar integradas para punir os alunos que praticarem atos violentos, a fim de que essas ações não
29 se repitam e o ambiente escolar seja agradável a todos.
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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Culto à aparência no mundo contemporâneo

Introdução: Atenção aos erros gráficos: “norteamericana” > norte-americana e “repecursão” > repercus-
são. Além disso, a canção em inglês “Pretty Hurts” deveria ser traduzida para aumentar a compreensão tex-
tual e o teor argumentativo vinculado à frase-tema. A palavra “canção” foi repetida duas vezes em períodos
muito próximos e a tese ficou superficial, sendo preciso deixar explícito o ponto de vista do candidato
acerca da problemática.

Desenvolvimento I: O parágrafo apresenta poucos conectores para interligar os períodos e aprofundar


o caráter argumentativo do texto. Ademais, há falta de pontuação (vírgula) e; no último período não há
um detalhamento: quais seriam os “impactos negativos” mencionados pelo candidato? É preciso apresen-
ta-los. Ao final do texto, atenção ao erro de concordância verbal: “podem haver impactos” > pode haver
impactos, pois o verbo “haver” é impessoal e o verbo auxiliar concorda com este.

1 A cantora norteamericana Beyoncé lançou uma canção que al-


2 cançou repecursão mundial: “Pretty Hurts”. Tal canção reflete sobre os
3 padrões estéticos impostos pela mídia e alerta sobre os frequentes casos
4 de bulimia entre os jovens que cultuam o corpo. Faz-se urgente resolver
5 essa problemática.
6 É preciso entender que os padrões de beleza foram moldados
7 pela história. Na década de 50 a atriz Marilyn Monroe tornou-se refe-
8 rência: seios fartos e curvas voluptuosas caracterizam sua beleza física
9 e ainda hoje alguns meios de comunicação insistem em unificar essa
10 aparência. Parte do público feminino enxerga nas cirurgias plásticas e
11 na musculação uma forma de integração social, mas podem haver im-
12 pactos negativos.
13 Os chamados influenciadores digitais interferem no comporta-
14 mento da sociedade e são vários os perfis fitness que predominam nas
15 redes sociais e expõem diariamente um estilo de vida saudável e har-
16 monioso. As referências fitness são positivas, pois incitam o bem estar
17 corporal, inclusive, há postagens que estimulam dietas e treinos inten-
18 sos que não condizem com a rotina e a condição física da maioria dos
19 internautas, que muitas vezes tentam segui-las sem um acompanha-
20 mento médico.
21 O poder midiático deve, por meio de campanhas, descontruir
22 os padrões e apresentar a coexistência dos diversos modelos físicos de
23 beleza, trazendo representatividade à população. Para dialogar com os
24 jovens, a escola deve incitar debates e a reflexão sobre a temática. Os
25 influentes digitais podem reforçar a necessidade de as atividades ins-
26 truídas serem acompanhadas por um profissional, tal como o indivíduo
27 ter discernimento na hora de exercê-las.
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Desenvolvimento II: O tópico frasal ficou muito extenso e a ausência de elementos coesivos ao longo
dos períodos prejudicou a progressão textual. Além disso, o termo em inglês “fitness” não foi explicado
no texto, implicando que o leitor conheça a palavra ou saiba o seu significado. O termo “bem estar” deve
vir acompanhado do hífen: bem-estar e, ao final do texto, seria interessante apresentar as consequên-
cias do comportamento dos indivíduos.

Conclusão: Para enriquecer o parágrafo conclusivo, é necessário apresentar a retomada da tese, o uso de um conec-
tor conclusivo e outros elementos coesivos entre os parágrafos para interligar as ideias apresentadas. Ao final das
propostas, seria interessante criar um período que sintetize e/ou reflita as ideias apresentadas na conclusão.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Culto à aparência no mundo contemporâneo

Sugestão de reescrita:

1 Qual o preço da beleza?


2 A cantora norte-americana Beyoncé, em 2014, lançou uma canção que alcançou re-
3 percussão mundial: “Pretty Hurts”, a beleza machuca, em português. Tal música reflete sobre
4 os padrões estéticos impostos pela mídia e alerta, ainda, sobre a necessidade de atentar-se aos
5 casos de bulimia entre os jovens que cultuam o corpo em detrimento da própria saúde. Nesta
6 perspectiva, faz-se urgente avaliar as consequências da supervalorização da aparência na con-
7 temporaneidade.
8 É preciso entender, primeiramente, que os padrões de beleza foram moldados pela his-
9 tória. Na década de 50, por exemplo, a atriz Marilyn Monroe tornou-se referência: seios fartos
10 e curvas voluptuosas caracterizam sua beleza física e, ainda hoje, alguns meios de comunicação
11 insistem em unificar essa aparência. Neste contexto, parte do público feminino enxerga nas ci-
12 rurgias plásticas e na musculação uma forma de “ascensão”, porém, o perigo se alastra quando
13 os indivíduos encaram as mudanças estéticas como a única maneira de atingir a felicidade.
14 Além disso, os chamados influenciadores digitais interferem no comportamento da so-
15 ciedade. São inúmeros os perfis “fitness” (de aptidão física) que predominam nas redes sociais
16 e expõem, diariamente, um estilo de vida voltado à pratica de atividades físicas, tratamentos
17 estéticos e de uma alimentação saudável. Muitas dessas referências são positivas, pois incitam o
18 bem-estar corporal, entretanto, há postagens que estimulam dietas e treinos intensos que não
19 condizem com a rotina e a condição física da maioria dos internautas, que muitas vezes tentam
20 segui-las sem um acompanhamento médico. Os resultados, por conseguinte, podem ser frus-
21 trantes e, novamente, nota-se que as pessoas são atraídas pelos conteúdos que veem na internet.
22 É imprescindível, portanto, alternativas para solucionar esse impasse. O poder midiático
23 deve, por meio de campanhas, descontruir os padrões e apresentar a coexistência dos diversos
24 modelos físicos de beleza, a fim de trazer representatividade à população. Para dialogar com os
25 jovens, a escola deve incitar debates e a reflexão sobre a temática. Ademais, os influentes digitais
26 podem reforçar, em seu discurso, a necessidade de as atividades instruídas serem acompanhadas
27 por um profissional, tal como o indivíduo ter discernimento na hora de exercê-las. No sistema
28 capitalista vigente, as influências externas não deixarão de existir, mas é possível contê-las a
29 partir do desenvolvimento do senso crítico da sociedade.
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