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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO - FAVENI

APOSTILA
PRINCÍPIOS E MÉTODOS DA
ORIENTAÇÃO, INSPEÇÃO, SUPERVISÃO E
GESTÃO ESCOLAR

ESPÍRITO SANTO
ORIENTADOR EDUCACIONAL

Nas concepções tradicionais, caracterizadas como liberais, a Orientação

Educacional tinha o papel de ajustar o aluno à escola, à família e à sociedade, levando

em consideração um modelo de homem, de sociedade, de escola e até de

Orientação.

Na pedagogia tradicional o orientador tinha a responsabilidade de aplicar testes

e instrumentos de medida. Já na pedagogia renovada o orientador tinha o papel de

consultor, identificando as mudanças no desenvolvimento do aluno através de

atividades de estimulo. Nas concepções progressistas, a orientação trabalha com

A realidade social do aluno, diante as contradições e conflitos, fazendo a mediação

entre indivíduo e sociedade. O indivíduo é construído no processo histórico e social

Da vida humana.

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Segundo Grinspun (2006, p. 55) “O orientador educacional dialetiza as relações

e vê o aluno como um ser real, concreto e histórico”. Dessa forma, ele assume uma

postura política, percebendo que a educação faz parte de um contexto sócio-

econômico-político-cultural e que o aluno é o principal sujeito desse contexto onde, o

mesmo está inserido em uma determinada sociedade. Por isso, o Orientador

Educacional é um profissional de grande importância na escola, pois, ele vai

articular/orientar e clarificar as contradições e confrontos, e nesse meio, buscar ajudar

o aluno a compreender as redes de relações que na sociedade se estabelecem.

Hoje, torna-se necessário que o Orientador Educacional, tenha uma boa

formação política-pedagógica, psicológica e cultural, pois o sujeito/aluno hoje, não é

o mesmo de ontem. Assim, é preciso nos questionar: Quem é o sujeito/aluno, hoje?

Como ele se forma? O que é preciso para se educar para o futuro, neste novo século

em que vivemos?

Para responder aos seguintes questionamentos, a Orientadora Alaíse Farias

concedeu a oportunidade de uma entrevista, para analisar a realidade atual. Segundo

ela o sujeito/aluno, “é um sujeito permeado por um mundo que têm por base a

negação do amor e dos valores humanos, gerando atitudes de violência e intolerância.

Um sujeito desprovido de otimismo, perspectivas, esperança, sonhos e ideais,

combustíveis essenciais para uma vivência cidadã”. Daí percebe o sujeito/aluno que

temos em nossas escolas, sendo preciso lançar novas perspectivas sobre o sentido

da formação da cidadania, “o que se faz necessário educar para participação social,

para o reconhecimento das diferenças entre vários grupos sociais, para a diversidade

cultural, para os valores e direitos humanos”. (LIBÂNEO, 2001 p. 38).

Esse mesmo aluno segundo Alaíse, se forma “nas relações de troca com o

outro, no acesso ilimitado de situações de comunicação e informação no espaço

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dentro e fora da sala de aula”. Esse olhar diante o cotidiano do aluno ‘como ele se

forma’, é importante porque o sujeito que está na escola tem direta ou indiretamente

a participação em outros meios tendo contato com diversos conhecimentos. Porém,

como diz Saviani, (2000, p. 41) “é preciso concretizá-lo no cotidiano, questionando,

respondendo, avaliando, num trabalho desenvolvido por grupos e indivíduos que

constroem o seu mundo e o fazem por si mesmos”. O orientador então, atua

possibilitando conhecimentos sistemáticos, levando o aluno a ter uma "consciência

crítica" como dizia o Educador Paulo Freire.

Educar, hoje, exige mais do que nunca olhar o sujeito/aluno de forma ampla,

um ser que é que constituído de história, crenças e valores, e por isso a escola deve

ter um projeto político-pedagógico, onde nele implícito ou explicitamente, deve ser

refletido a questão da formação do sujeito. O Orientador deve, portanto, buscar os

meios necessários para que a escola cumpra seu papel de educar, mediante ao seu

projeto político-pedagógico.

ATRIBUIÇÕES DO ORIENTADOR

EDUCACIONAL

Durante o planejamento o Orientador Educacional deverá ter disponível a

legislação específica que ao regulamentar a profissão, delimitou suas atribuições.

Trata-se da Lei nº 5564, de 21/12/1968, regulamentada pelo Decreto nº 72.846, de 26

de setembro de 1973. Os artigos 8º e 9º do referido Decreto definem mais

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especificamente, em âmbito nacional, as atribuições do Orientador Educacional dada

à importância de seu conhecimento, esses dois artigos são transcritos a seguir:

Artigo 8º - São atribuições privativas do Orientador Educacional:

a. Planejar e coordenar à implantação do Serviço de Orientação Educacional - SOE.

É muito importante que na implantação do SOE e no decorrer do seu trabalho,

o Orientador Educacional deixe bem claro para a comunidade escolar e local, as

respectivas funções e atribuições do Orientador Educacional, assim como a

intencionalidade do seu Plano de Ação, objetivando uma melhor compreensão

das ações envolvidas ao SOE, fortalecendo assim a identidade do Orientador e

a formação de parcerias.

b. Integrar o Plano de Ação do SOE aos Programas e projetos desenvolvidos na

escola; As ações do SOE não devem ser vistas na escola de forma reducionista,

desvinculada e isolada da dinâmica escolar, mais integrada e contextualizada

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ao currículo pleno da escola. Todo o projeto político da escola em especial, tem

que estar com seus objetivos entrosados. Precisamos nos juntar aos demais

profissionais da educação e em especial aos professores, afim de que dentro

das nossas especificidades possamos favorecer as relações entre o

desenvolvimento e aprendizado.

c. Coordenar o processo de sondagem de aptidões interesses e habilidades do

educando. Esse processo não é tarefa exclusiva do Orientador Educacional mas

é por ele coordenado, é um trabalho de importante relevância, uma vez que

viabiliza o diagnóstico geral dos educandos, ressaltando que se entende a

sondagem de aptidões como a exploração de características não só quanto às

aptidões, mas incluindo também os interesses e características físicas, sociais

e emocionais. Esse processo pode ser realizado de forma individual, grupal, por

amostragem para tabulação.

d. Coordenar o processo de informação educacional e profissional. Aqui se faz de

grande relevância que o Orientador Educacional colete, pesquise e busque o

máximo de informações possíveis sobre o aluno, a comunidade e o mundo do

trabalho articulando tais informações de forma contextualizadas. Tendo sempre

em vista a autonomia do educando no processo de escolha.

e. Sistematizar o processo de coleta, registro e intercâmbio de informações necessário

ao conhecimento global do educando. É fundamental que o Orientador

Educacional tenha todos os registros do desenvolvimento do seu trabalho,

assim como os resultados de forma sistemática e continua, e que sejam

organizados por série, turno e ano, de cada aluno. Ao passar de um ano para

outro é importante que todos esses dados sejam tabulados para arquivo uma

vez que o processo de ensino e aprendizagem não é realizado de forma

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fragmentada e sim continua. A tabulação da coleta de dados é fator

importantíssimo no acompanhamento do Orientador Educacional aos alunos

uma vez que possibilita a organização e obtenção de dados concretos da

realidade escolar.

f. Sistematizar o processo de acompanhamento dos alunos encaminhados a outros

especialistas aqueles que exigirem assistência especial. Este processo de

acompanhamento é responsabilidade coletiva de todos os educadores. Toda a

escola deve oferecer um clima propício ao desenvolvimento do aluno como

pessoa. Quanto ao Orientador Educacional cabe sistematizar o processo de

acompanhamento que é feito por todos.

g. Promover atendimento ao professor, ao aluno e a família, individualmente e ou em

grupo, aplicando técnicas adequadas; Nesse sentido o Orientador Educacional

deve ter muito cuidado, de que sua prática seja vista de forma isolada da

dinâmica escolar e sua função confundida com a de psicólogo ou aconselhador.

Portanto deverá primar pelos trabalhos coletivos e interdisciplinares.

h. Coordenar o processo de escolha, acompanhamento e orientação de

representantes de classe e de professores orientadores de turmas; Durante o

processo de escolha, é fundamental que o Orientador realize um trabalho de

conscientização sobre as atribuições dos representantes de turmas e do

professor Orientador, registrando todo o processo e formalizando-o. Vale

ressaltar que o acompanhamento deverá ser realizado durante todo o ano letivo,

a fim de subsidiar a atuação dos mesmos assim como verificar se a respectiva

atuação corresponde ao perfil pré-estabelecido.

i. Supervisionar os órgãos e entidades estudantis existentes na escola;

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j. Emitir pareceres sobre matéria concernente à Orientação Educacional: No conselho

de classe, na supervisão de estágio de Orientação Educacional, na relação professor

x aluno, na avaliação da conduta do aluno.

k. Supervisionar estágios na área de Orientação Educacional

Além das atribuições privativas arroladas e comentadas, o Decreto 72.846

define atribuições que devem ser partilhadas com outros profissionais. Assim temos

no artigo 9º - Compete ainda ao Orientador Educacional:

a. Participar no processo de identificação das características básicas da comunidade;

Este trabalho poderá ser feito mediante instrumentos de diagnóstico onde

investigue a realidade social, econômica e cultural, por amostragem abarcando

no mínimo 10% da comunidade.

b. Participar no processo de caracterização da clientela escolar; É de suma

importância diagnosticar a realidade dos educandos para atingir o sucesso da

dinâmica educacional. Nesse sentido é relevante o levantamento dos dados

sócio- econômico afetivo e sociais dos alunos que poderá ser feito através de

aplicação de questionários por amostragem e posteriormente tabulados. Esse

documento certamente converterá em um instrumento importantíssimo para o

desenvolvimento do processo ensino e aprendizagem.

c. Participar no processo de elaboração do currículo pleno da escola; Nos dias atuais

é inadmissível desenvolvermos uma pratica de Orientação no contexto escolar

isolada e fragmentada. O Orientador só terá sua credibilidade conquistada,

quando sua pratica estiver em plena consonância com o currículo pleno da

escola por esta razão é fundamental que participe efetivamente da elaboração

do mesmo, ou seja, do seu Projeto Político Pedagógico, assegurando desta

forma uma proposta humanizada, que contemple o educando na sua totalidade.

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É preciso que a comunidade escolar compreenda que as atividades

desenvolvidas pelo Orientador são tão importantes e fundamentais para a sua

formação, quanto qualquer outra atividade desenvolvida pela escola, e esta

compreensão só será internalizada, quando a comunidade perceber que tudo

que o Orientador desenvolve estar integrada a proposta curricular, fazendo

parte de um processo avaliativo,

sistemático e continuo.

d. Participar na composição e

caracterização e acompanhamento

de turmas e grupos;

e. Participar do processo de

avaliação e recuperação dos

alunos. Como o desenvolvimento

educacional acontece de forma sistemática e contínua, toda a equipe

pedagógica deverá estar atenta ao máximo de informações possíveis a cada

educando; objetivando intervir em suas dificuldades de forma integral; o

Orientador Educacional deverá repassar informações, importante e não

sigilosas para equipe pedagógica e professores com o propósito de que os

critérios avaliativos sejam os mais justos possíveis respaldados na realidade de

cada aluno.

f. Participar do processo e acompanhamento dos alunos estagiários; g. Participar no

processo integração escolar/família/comunidade. A integração

família/comunidade/escola é uma responsabilidade de todos, só através de um

currículo integrado e coeso dividindo responsabilidades em prol de um só

objetivo que a escola efetivamente alcançará êxito. De nada adianta buscar a

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parceria escola x família, sem antes preparará o currículo da escola, assim como

toda a sua dinâmica escolar para esta integração.

O INSPETOR ESCOLAR

A Inspeção Escolar está ligada a vários fatores que contribuem com o processo

democrático da comunidade escolar. Evidentemente, nem sempre foi assim. A própria

expressão linguística nos remete à história, desde o Brasil colonial, de que o ato de

inspecionar nos lembra o ato de fiscalizar, observar, examinar, verificar, olhar,

vistoriar, controlar, vigiar…

Porém, atualmente, a figura deste profissional nas Instituições Escolares

proporciona uma estreita ligação entre os outros órgãos do Sistema Educacional, quer

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sejam Secretárias quer sejam Regionais e Unidades Escolares, para garantir a

aplicação legal do regime democrático. Por isso, o Inspetor tem uma grande

concentração nos aspectos Administrativos, Financeiros e Pedagógicos das Unidades

Escolares, trabalhando inclusive, como agente sócio-político.

Neste sentido, o Inspetor Escolar trabalha estreitamente com a gestão de

pessoal. Está sempre preocupado com a veracidade e atualização da escrituração e

organização escolar para proporcionar segurança no processo de arquivos e no

futuro, próximo e até cem anos, esteja resguardada para servir de acervo de

pesquisas históricas ou da situação funcional dos servidores que almejam a

aposentadoria.

Isto acontece, inclusive, com os documentos informativos da vida escolar dos

alunos. Em qualquer tempo, as pessoas poderão procurar a sua instituição escolar de

origem para requerer um novo documento, Histórico Escolar, por exemplo.

O Inspetor Escolar está sempre imaginando as possibilidades do futuro, pois

não se sabe quando alguém que conhece e trabalha na instituição Escolar ainda

estará ou nem se lembrará das situações, casos ou momentos ocorridos; ou seja, as

equipes de trabalhos estão sempre se renovando e acaba necessitando de uma

Escrituração dos fatos, ato na Organização escolar muito bem definida para

resguardar a integridade de todo arquivo (Atas, Diários de Classe, Fichas individuais

e entre outros).

Inclusive, como o Inspetor Escolar está sempre em contato com as

comunidades escolares e tem um papel importante na comunicação entre os órgãos

da administração superior do sistema e os estabelecimentos de ensino que o

integram, “volta-se para: organização e funcionamento da escola e do ensino, a

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regularidade funcional dos corpos docente e discente, a existência de satisfatórios

registros e documentação escolar…” (RESOLUÇÃO 305/83).

Por isso, este profissional, como prática educativa, se torna um importante

agente político e de caráter pedagógico do sistema, pois poderá sugerir mudanças de

estratégias nas decisões dos órgãos do sistema para promover uma implementação

organizacional mais ampla e democrática para garantir acesso de toda sociedade nas

Instituições Escolares, ao conhecimento e à cultura.

Pensando nisso, os estudos e aplicação das normas do Sistema observadas

pelo Inspetor Escolar, o faz posicionar diante de uma pragmática de educação,

sociedade, modelos de organização e funcionamento, prática pedagógica e valores

das práticas de conscientização e discussões.

As ações do Inspetor não se limitam, evidentemente, apenas nas aplicações

de normas, mas, também, nas ações de revisão ou mudanças na legislação, numa

perspectiva crítica adequada à realidade social a que se destina, dando conhecimento

à administração do Sistema das consequências da aplicação dessas mesmas normas.

Sob o ponto de vista Ideológico, o Inspetor Escolar quando age criticamente

nos aspectos educacionais no momento da aplicação da legalidade pode contribuir

nas reformulações das leis, fazendo o legislador legislar sob o ponto de vista do ato

de educar. Ou melhor, o Inspetor converte o conteúdo ideológico da legislação do

ensino em diretrizes capazes de orientar a ação dos agentes do Sistema. Por isso, é

um agente Político.

Portanto, o papel do Inspetor Escolar no processo democrático é de

fundamental importância social sob o ponto de vista educacional, pois se torna os

“olhos”, a presença ou a representação, a ação do Estado ou do órgão executivo e

Legislativo “in loco”, nas Instituições de Ensino. Inclusive, por causa da aplicação das

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normas que podem ser verificada a sua adequação na práxis operativa do Sistema

Educacional.

Por fim, o processo democrático, na função do Inspetor, é captar os efeitos da

aplicação da norma com o objetivo de promover a desejada adequação do “formal” ao

“real” e vice-versa com uma função Comunicadora, Coordenadora e Reinterpretadora

das orientações e informações das bases do sistema.

ATRIBUIÇÕES DO INSPETOR ESCOLAR

Os novos paradigmas da educação nacional encaminham a questão de ordem

prática: são desafios que colocam o Inspetor Escolar para a observância da legislação

da educação junto às escolas, pelo seu papel de legítimo representante da

administração central e regional do Sistema. Uma leitura mais atenta da LDBN e de


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alguns de seus artigos remete a algumas competências que o Inspetor Escolar pode

exercer, em ação solidária com as escolas e seus diretores, pedagogos e professores

e em interação com setores das secretarias estaduais e municipais e dos órgãos

regionais de educação.

A Inspeção Escolar é correção, auditoria, orientação e assistência técnica.

Esses profissionais são os olhos e os ouvidos do Poder Público na escola. O perfil

desse profissional deve ser:

 Função Verificadora: deve possuir domínio da legislação, ser pesquisador e

observador.

 Função Avaliadora: Educador

 Função Orientadora: ter boa comunicação oral e escrita. Conciliador.

 Função Corretiva: segurança e postura pedagógica.

 Função realimentadora: criatividade.

Além disso, o Inspetor Escolar deve ser orientado profissionalmente conforme

o Art. 4º da Resolução Secretaria Estadual de Ensino nº. 305/83:

I - comunicação entre os órgãos da administração superior do sistema e os

estabelecimentos de ensino que o integram;

II - verificação e avaliação das condições de funcionamento dos estabelecimentos de

ensino;

III - orientação e assistência aos estabelecimentos de ensino na aplicação das normas

do sistema;

IV - promoção de medidas para a correção de falhas e irregularidades verificadas nos

estabelecimentos de ensino, visando à regularidade do seu funcionamento e a

melhoria da educação escolar.

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V - informação aos órgãos decisórios do sistema sobre a impropriedade ou

inadequação de normas relativas ao ensino e sugestão de modificações, quando for

o caso.

Com relação à conquista da autonomia da escola são atribuições do Inspetor

Escolar:

A – Integrar-se na elaboração do Plano de Desenvolvimento da Escola;

. Sensibilizar a comunidade escolar para a importância do Plano de Desenvolvimento

da Escola;

. Participar das discussões dos usuários e profissionais da escola sob seu Plano de

Desenvolvimento, esclarecendo as funções da comunidade escolar;

. Auxiliar professores e especialistas a definir os componentes do Plano de

Desenvolvimento da Escola, orientando-os sobre sua elaboração.

B – Subsidiar e escola na elaboração e desenvolvimento do seu projeto pedagógico:

. Esclarecer a escola sobre os padrões básicos (currículo, recursos humanos e

insumos) indispensáveis à elaboração do processo pedagógico;

. Orientar a escola na definição de sua proposta curricular, adequando-se às

especificidades sócio culturais da região e às necessidades, prioridades e

possibilidades da comunidade à qual atende;

. Analisar o calendário escolar considerando as especificidades da escola, as

peculiaridades regionais e locais e as referências legais, zelando pelo seu

cumprimento;

. Participar da implementação do projeto pedagógico da escola, propondo a revisão

de suas práticas educativas, quando necessário;

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Orientar a escola na elaboração e revisão de normas regimental consoante as

diretrizes estabelecidas em seu próprio projeto.

C – Orientar a escola para a realização e a utilização de estudos e pesquisas que

visem à melhoria da qualidade do ensino:

. Encaminhar à escola os

resultados da avaliação externa,

orientando-a para a análise dos

mesmos;

. Subsidiar a escola na

elaboração de estudos e projetos

de pesquisa que visem à

melhoria de ensino e à inovação

pedagógica;

Promover o intercâmbio entre escolas e outras instituições para troca de experiências

pedagógicas.

D - Colaborar com a escola, orientando-a na definição de seu plano de capacitação

de recursos humanos:

. Subsidiar o levantamento e as necessidades de treinamento e capacitação dos

profissionais da escola, a partir dos resultados da avaliação;

. Promover a integração das propostas de treinamento e capacitação de conjuntos de

escolas de seu setor e da jurisdição;

. Tomar providências, junto à S.R. E, para que as propostas de capacitação se

efetivem.

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E – Orientar a direção da escola na aplicação das normas referentes à Assembleia

Escolar como instrumento de gestão democrática da escola.

F – Incentivar a integração das escolas entre si e destas com a comunidade.

O Inspetor Escolar deve ainda assegurar o funcionamento regular da escola,

interpretando e aplicando as normas do ensino. Nesse sentido o inspetor Escolar

deve:

A - Orientar a direção da escola na aplicação das normas referentes ao quadro

pessoal.

B – Tomar providências que assegurem o funcionamento regular da escola; e verificar

a regularidade do funcionamento da escola tomando as providências necessárias.

. Propor a instauração de sindicância ou inquérito administrativo.

C – Assegurar a autenticidade e a fidedignidade da escrituração escolar.

D - Fazer cumprir a legislação pertinente à gratuidade do ensino.

O Inspetor Escolar tem ainda como atribuição a orientação da Escola pública

na capacitação e aplicação de recursos financeiros. Dessa forma cabe ao Inspetor

Escolar:

A – Propor a criação e registro de caixa escolar para administrar os recursos

financeiros da escola:

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. Orientar a direção da escola sobre a organização e funcionamento de caixas

escolares;

. Informar e esclarecer a direção da escola sobre a necessidade da participação da

Assembleia Escolar, na composição da Caixa escolar, na aplicação de seus recursos

e na prestação de contas;

. Auxiliar a direção da escola na identificação de possíveis fontes de recursos ou de

estratégias para a obtenção e aplicação.

B – Propor a celebração de convênios que concorram para a melhoria do ensino

ministrado na escola:

. Interpretar com a direção da escola a legislação que trata da celebração de

convênios;

. Esclarecer a direção da escola quanto às exigências e procedimentos referentes à

celebração de convênios.

Quanto ao processo de

organização do atendimento

escolar em nível regional e local o

Inspetor Escolar tem também

atribuições definidas, tais como:

A – Orientar as escolas e órgãos

municipais de educação quando o

levantamento da demanda escolar:

. Informar a escola sobre os critérios, procedimentos e instrumentos necessários à

realização do cadastro escolar;

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. Articular a integração entre as escolas, órgãos municipais de educação e a

comunidade, buscando estratégias adequadas de divulgação e realização do cadastro

escolar.

B – Participar da definição da proposta de organização do atendimento à demanda

escolar do município:

. Analisar com as escolas e autoridades municipais as condições efetivas de

atendimento à demanda escolar do município;

. Auxiliar a direção da escola e o órgão municipal de educação, no levantamento de

estratégias diferenciadas de organização escolar, para atendimento à demanda nos

diversos graus de modalidades de ensino.

C – Orientar e acompanhar processos de criação, organização de escolas:

. Orientar a direção da escola e a entidade mantenedora quanto às exigências e

requisitos necessários à criação e organização de escolas e participar da instrução do

processo;

. Elaborar o relatório de verificação “in loco”, para instruir o processo de criação,

organização e organização de escolas.

Além das atribuições constantes da Lei nº. 7.109/77 (art. 13, inciso IV), da

Resolução CEE no 305/83 e da Resolução SEE nº. 7.149/93; compete igualmente ao

Inspetor Escolar:

1 – Homologar o Regimento e o Calendário Escolar, inclusive o Calendário Escolar

Especial (Resolução SEE nº. 7.149/95 – art. 2º, § 2º, artigo 6º e Orientação SEE nº.

02/95).

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2 - Visar comprovantes de conclusão da 4ª série do ensino fundamental de candidatos

maiores de 14 (quatorze) anos, segundo o disposto na Instrução SDE nº. 01/95.

3 – Orientar e acompanhar o cumprimento das disposições da Portaria SD nº. 004/95,

bem como os dispostos nos artigos 58 e 59 da Resolução SEE nº. 7.762/95.

4 – Assinalar juntamente com o Secretário e o Diretor da Escola a relação nominal

dos concluintes dos cursos de ensino médio, candidatos à obtenção de diplomas ou

certificados de habilitações profissionais, conforme o disposto no at. 6º da Portaria

SAE nº. 639/95.

5 – Visar processo de autorização para lecionar, secretariar e dirigir estabelecimento

de ensino fundamental e médio.

6 – Convocar a atenção de diretores de estabelecimentos de ensino, sob sua

orientação, para o disposto no art. 6º das Medidas Provisórias, mensalmente

reeditadas, a saber:

“Art. 6º - São proibidas a suspensão de provas escolares, a retenção de documentos

escolares, inclusive os de transferências, ou a aplicação de quaisquer outras

penalidades pedagógicas, por motivos de inadimplemento”.

7 – E ainda: verificar, permanentemente, no que se refere à legislação do ensino, a

situação legal e funcional do pessoal administrativo, técnico e docente, encaminhando

relatório específico ao Órgão Regional de Ensino (SRE), de acordo com o disposto no

artigo 19 º, §4º, da Resolução CEE nº. 397/94.

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O TRABALHO DO INSPETOR ESCOLAR

NAS SUPERINTENDÊNCIAS REGIONAIS

DE ENSINO

As S.R. E (Superintendência Regional de Ensino) é uma repartição pública

responsável pelas instituições de ensino.

A finalidade das Superintendências Regionais de Ensino é exercer, em nível

regional, as ações se supervisão técnica, orientação normativa, cooperação e

articulações e integração Estado e Município em consonância com as políticas

educacionais.

A Superintendência Regional de Ensino de Pouso Alegre – M.G, por exemplo,

atende trinta cidades na região do Sul de Minas Gerais e possui 19 Inspetores

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Escolares. A organização dos Setores de Inspeção Escolar e a distribuição entre os

Inspetores são feitas pelo Diretor S.R. E, levando em conta a compatibilidade das

escolas, a distância entre os municípios, o perfil do Inspetor e o tempo de serviço.

Para que esse profissional possa ter sua sede na Superintendência ele necessita

atender profissionalmente pelo menos uma escola na rede estadual de Pouso Alegre

para depois, atender as unidades escolares das cidades da região.

As escolas municipais e particulares situados na cidade que estiver sob a

responsabilidade de visita do Inspetor Escolar, também receberão respaldo legal do

mesmo.

Na cidade de Pouso Alegre, o Inspetor também ficará responsável por escolas

municipais e particulares, mas a preferência de atendimento desse profissional será

sempre a escola estadual e as visitas nestas deverão ocorrer pelo menos uma vez

por semana. As viagens feitas pelo Inspetor Escolar até as cidades sob sua

responsabilidade, serão custeadas pelo governo do estado conforme legislação

pertinente. Mediante essa ajuda de custo e por uma questão de ética o Inspetor

Escolar não poderá exigir nenhum tipo de alimentação especial nas escolas e nenhum

tipo de transporte específico. A jornada de trabalho será de 40 horas semanais;

incluindo as viagens, visitas e reuniões na superintendência de ensino, sendo

considerado um cargo de dedicação exclusiva.

Durante as visitas nas unidades escolares o Inspetor Escolar utilizará a

comunicação escrita, o seu melhor instrumento de trabalho, assim sendo, “O Termo

de Visita” deve ser claro, objetivo, informativo e conter sugestões, análise e quando

necessário, determinar prazo para o cumprimento de medidas saneadoras sugeridas,

não se deve colocar opinião pessoal e atenção especial quanto aos elogios. O termo

deverá ser lido com o Gestor da Escola antes de ser assinado por este. Há outros

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registros que podem ser efetuados como, por exemplo, a Ata Técnica, que não deixa

de ser um Termo de Visita, porém é lavrado por técnicos da S.R. E, em atendimento

à Ordem de Serviço, quando a comissão não conta com a presença de Inspetor

Escolar.

Outro tipo de registro é o relatório Circunstanciado, uma explanação minuciosa

e descritiva de fatos e ocorrências. É utilizado nos processos de verificação preliminar

e sindicância; validação e convalidação de atos escolares, processos de regularização

de vida escolar e verificação “in loco” e documentos supostamente falsos. Além de

todos esses registros e de suas atribuições acima já citados, esse profissional deverá

estar sempre bem instruído sobre a legislação educacional que tem como objetivo

ajudar as instituições escolares e nossos alunos.

SUPERVISÃO

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Um dos assuntos mais polêmicos da atualidade e que vem sendo amplamente

discutido é a educação, no seu sentido de formação humana. Educar é uma tarefa

que exige comprometimento, perseverança, autenticidade e continuidade. As

mudanças não se propagam em um tempo imediato, por isso, as transformações são

decorrentes de ações. No entanto, as ações isoladas não surgem efeito. É preciso

que o trabalho seja realizado em conjunto, onde a comunidade participe em prol de

uma educação de qualidade baseada na igualdade de direitos.

Com base em tais considerações, o supervisor escolar representa um

profissional importante para o bom desempenho da educação escolar, o grupo

escolar, o qual deve opinar, expor seu modo de pensar e procurar direcionar o trabalho

pedagógico para que se efetive a qualidade na educação. Na atualidade o supervisor

se direciona para uma ação mais científica e mais humanística no processo educativo,

reconhecendo, apoiando, assistindo, sugerindo, participando e inovando os

paradigmas, pois tem sua “especialidade” nucleada na conjugação dos elementos do

currículo: pessoas e processos. Desse modo, caracteriza-se pelo que congrega,

reúne, articula, enfim soma e não divide.

Neste contexto, compreender e caracterizar a função supervisora no contexto

educacional brasileiro não ocorre de forma independente ou neutra. Essa função

decorre do sistema social, econômico e político e está relacionada a todos dos

determinantes que configuram a realidade brasileira ou por eles condicionada.

O desenvolvimento da sociedade moderna representa motivos de muita

reflexão, principalmente pelo fato de que a área educacional possui muitos problemas

e que diretamente vinculam-se as demais atividades sociais visto que são tais

profissionais que irão atuar junto ao mercado de trabalho.

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Existe uma preocupação com a formação humana e com a forma com que o

educando vem obtendo o conhecimento científico. Acredita-se na viabilidade de fazer

do ambiente escolar um espaço construtivo, que desperte o interesse do educando

para aprender e fazer do professor um mediador do saber.

Trata-se de ignorar as velhas práticas educacionais e acreditar na possibilidade de

construir uma sociedade onde o homem tenha consciência do seu papel e da sua

importância perante o grupo.

Santos e Haerter (2004:3) assinalam:

A necessidade de empreendermos tentativas de rompimento com

verdadeiros “receituários” que todos nós professores tínhamos no sentido de

“educar é assim”, “conhecimento é isso”, “é preciso cumprir o programa de

conteúdos”, o que não nos causa estranhamento, uma vez que somos frutos

de uma maneira bastante específica de ser, pensar, sentir e agir no mundo,

identificada com a concepção cartesiana de conhecimento, que orientou e

ainda orienta os conceitos e práticas relacionados à gestão e ao ensino na

educação.

Acredita-se que se existem falhas no sistema educacional a melhor maneira de

redimensionar o trabalho é assumir o compromisso de fazer do trabalho educacional

uma meta a ser atingida por todos. Nessa busca incessante por uma nova postura de

trabalho, o professor possui um papel fundamental, por isso, deve recuperar o ânimo,

a sede e a vontade de educar e fazer do ensino uma ação construtiva. Deve agir como

um verdadeiro aprendiz na busca pelo conhecimento e fazer desta ferramenta um

compromisso social.
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Diante das perspectivas de inovação o supervisor escolar representa uma

figura de inovação. Aquele profissional que assume o papel fundamental de

decodificar as necessidades, tanto da administração escolar, a fim de fazer com que

sejam cumpridas as normas e como facilitador da atividade docente, garantindo o

sucesso do aprendizado. Contudo, a ação supervisora tornar-se-á sem efeito se não

for integrada com os demais especialistas em educação, (Orientador Escolar,

Secretário Escolar e Administrador Escolar) respectivamente.

Medina (1997) argumenta que nesse processo, o professor e supervisor têm

seu objeto próprio de trabalho: o primeiro, o que o aluno produz; e o segundo, o que

o professor produz. O professor conhece e domina os conteúdos lógico-

sistematizados do processo de ensinar e aprender; o supervisor possui um

conhecimento abrangente a respeito das atividades de quem ensina e das formas de

encaminhá-las, considerando

as condições de existência dos

que aprendem (alunos).

O que de forma alguma é

admissível é manter as velhas

políticas de submissão, onde

toda a estrutura escolar

submetia-se aos interesses da

classe dominante. De certa forma, tem-se a impressão de ser esta uma postura

radical. No entanto, busca-se uma escola cidadã, onde haja comprometimento com o

ensino, com a aprendizagem, onde o professor seja valorizado enquanto profissional

e onde o supervisor consiga desenvolver com eficiência a sua função. A nova

26
realidade denota que a função do supervisor educacional assume um parecer

diferente do que era conceituada na escola tradicional.

Conforme Freire (1998), a educação libertadora passou a inspirar novos

conceitos que orientam uma nova sociedade baseada nos princípios de liberdade, de

participação e de busca pela autonomia.

Passerino (1996:39) estabelece alguns conceitos fundamentais da educação

libertadora, sendo que estes se tornam suporte desta nova concepção do supervisor

educacional:

 Práxis via análise do cotidiano: é preciso olhar a realidade presente em sala de

aula e os conceitos trazidos pela criança para refletir os métodos e modo como

devem ser trabalhos no espaço escolar;

 Diálogo inclui conflito: o diálogo representa uma possibilidade de

desenvolvimento das relações interpessoais de modo a permitir a análise e o

desocultamento da realidade. Ser dialógico é permitir que cada educando

exponha seu modo de pensar mesmo que este não seja coerente com a sua

visão. Todavia para administrar os conflitos que podem ser gerados o professor

precisa desenvolver uma série de dinâmicas em grupo;

 Conscientização a partir da dúvida e do questionamento: o supervisor deve atuar

na dinamização de um clima de análise das rotinas da escola para que as

mesmas possam ser confrontadas com as novas ideias que se almeja

desenvolver. Convém destacar que o processo de desenvolvimento da

consciência é lento e requer uma interpretação abrangente do todo;

 O método dialético supera a visão parcial: a aplicação do método dialético

proporciona uma visão objetiva de toda a realidade permitindo a compreensão

27
entre o velho e o novo. A partir destas o supervisor pode encaminhar estratégica

concreta para a superação das dificuldades encontradas.

 Participação crítica para a transformação: a escola segundo a visão de educação

libertadora, colabora para a emancipação humana à medida que garantem o

conhecimento às camadas menos favorecidas da sociedade. Assim sendo, o

supervisor, deve ser aquela pessoa que orienta e estimula a concretização de

um projeto transformador sob o qual são elaborados esforços coletivos para a

obtenção dos êxitos;

 Pela democracia, chega-se à liberdade: todo e qualquer trabalho desenvolvido

pelo supervisor deve partir dos conceitos de liberdade e democracia, conceitos

esses que serão desenvolvidos lentamente para que possa se efetivar a condição

de mudanças sociais.

Para Passerino (1996:40), “o trabalho do supervisor educacional deve ser

orientado pela concepção libertadora de educação, exige um compromisso muito

amplo, não somente com a comunidade na qual se está trabalhando, mas consigo

mesmo”. Trata-se de um compromisso político que induz a competência profissional

e acaba por refletir na ação do educador, em sala de aula, as mudanças almejadas.

Todavia, a tarefa do supervisor é muito difícil de ser realizada, exige participação para

a integração em sua complexidade.

Assim, descreve Ganhem (1983:89), esta ação não é fácil, por que:

 Exige compromisso pessoal de todos;

 Exige abertura de espaços para a participação;

 Há necessidade de crer, de ter fé nas pessoas e nas suas capacidades;

28
 Requer globalidade (não é participação em alguns momentos isolados, mas é

constante);

 Distribuição de autoridade;

 Igualdade de oportunidades em tomada de decisões;

 Democratização do saber.

No entanto, diante do exposto até aqui se conclui que a escola, como parte

integrante da totalidade social, não é um produto acabado. É resultado, dos conflitos

sociais que os trabalhadores vivem nas relações de produção, nas relações sociais e

nas lutas de classe. É também fruto das lutas sociais pela escola como lugar para

satisfazer a necessidade de conhecimentos, qualificação profissional, e de melhoria

de suas condições de vida enquanto possibilita melhores empregos e o acesso a uma

maior renda. Não se pode negar este direito aos trabalhadores, e, por isso, a escola

pública, apesar dos pesares, é um espaço de Educação Popular.

Contudo, caracteriza Brandão (1999, em seu artigo): A educação existe no

imaginário das pessoas e

na ideologia dos grupos

sociais e, ali, sempre se

espera, de dentro, ou

sempre se diz para fora,

que a sua missão é

transformar sujeitos e

mundos em alguma coisa

melhor, de acordo com as

29
imagens que se tem de uns e outros.

Para que a escola possa cumprir com este papel, será necessário investir na

mudança de atitude do seu professor, do supervisor, no sentido de criar condições

que favoreçam este elo, tendo como objetivo a valorização e a cultura do aluno e

busque promover o diálogo com a cultura erudita. Sem dúvida, é imprescindível a

presença do supervisor, como instigador da capacitação docente, destacando a

necessidade de adquirir conhecimento e condições de enfrentar as dificuldades

próprias de sua profissão, como também, estar preparado para administrar as

constantes mudanças, no contexto escolar.

Ressaltando que a LDB, no seu capítulo IX afirma: “quando se fala em uma

nova abordagem pedagógica (...) e avaliação contínua do aluno, tudo isto exige um

novo tipo de formação e treinamento ou retreinamento de professores”.

Medina (1997) aduz que o supervisor, tomando como objeto de seu trabalho a

produção do professor, afasta-se da atuação hierarquizada e burocrática - que sendo

questionada por educadores, e passa a contribuir para um desempenho docente mais

qualificado. Assim, torna-se desafio do professor a busca do conhecimento para poder

encaminhar e articular o trabalho nas diferentes áreas; reflexões permanentes sobre

os princípios que fundamentam os valores, objetivando a construção da cidadania no

espaço escolar.

Neste sentido, o professor passa a ser visto como um elemento fundamental

responsável pela construção da sociedade, tendo em vista resultados a curto, médio

e longo prazo. A LDB no seu art. 22 afirma: “a educação básica tem por finalidade

desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o

exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos

posteriores”. Lembrando que a escola deve trabalhar a educação, de maneira a ajudar

30
de forma intencional, sistemática, planejada e contínua para os alunos que a

frequentam. Esta educação deve ser diferente da forma como fazem as outras

instituições como: a família, os meios de comunicação, o lazer e os outros espaços

de construção do conhecimento e de valores para convivência social.

Deve, portanto, assumir explicitamente o compromisso de educar os seus

alunos dentro dos princípios democráticos. Ela precisa ser um espaço de práticas

sociais em que os alunos não só entrem em contato com valores determinados, mas

também aprendam a estabelecer hierarquia entre valores, ampliam sua capacidade

de julgamento e realizam escolhas conscientes, adquirindo habilidades de posicionar-

se em situações de conflito.

De acordo com os PCNs (1997), como princípio, o espaço escolar caracteriza-

se como um espaço de diversidade. O caráter universal do ensino fundamental,

definido em lei, torna a escola um ponto de convergência de diversos meios sociais,

traz para o seu seio os mais variados valores expressos na diversidade de atitudes e

comportamentos das pessoas que a integram. Como instituição permanente, defronta-

se com o desafio da constante mudança em seu interior. Coloca-se para a escola a

questão de como enfrentar o conflito entre suas normas e regras e aqueles valores

que cada um de seus membros traz consigo. Tal conflito traduz-se frequentemente

em problemas que, se não são novos, têm se tornado cada vez mais relevantes no

espaço escolar, como, por exemplo, a indisciplina e a violência, portanto, a

necessidade de problematizá-las na perspectiva de uma formação moral.

Logicamente o supervisor escolar, em suas ações, pode delinear o início de

uma nova era educacional, onde haja mais coletividade e o ensino seja buscado com

qualidade, priorizando o aluno e valorizando as experiências significativas.

31
AS ATRIBUIÇÕES DO SUPERVISOR

EDUCACIONAL

As atribuições do Supervisor Educacional, estão descritas no PLC 132/2005 e

na lei 132/1978.

Art. 4º São atribuições do Supervisor Educacional:

I – coordenar o processo de construção coletiva e execução da Proposta Pedagógica,

dos Planos de Estudo e dos Regimentos Escolares;

II – investigar, diagnosticar, planejar, implementar e avaliar o currículo em integração

com outros profissionais da Educação e integrantes da Comunidade;

III – supervisionar o cumprimento dos dias letivos e horas/aula estabelecidos

legalmente;

IV – velar o cumprimento do plano de trabalho dos docentes nos estabelecimentos de

ensino;

32
V – assegurar processo de avaliação da aprendizagem escolar e a recuperação dos

alunos com menor rendimento, em colaboração com todos os segmentos da

Comunidade Escolar, objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade

de ensino;

VI – promover atividades de estudo e pesquisa na área educacional, estimulando o

espírito de investigação e a criatividade dos profissionais da educação;

VII – emitir parecer concernente à Supervisão Educacional;

VIII – acompanhar estágios no campo de Supervisão Educacional;

IX – planejar e coordenar atividades de atualização no campo educacional;

X – propiciar condições para a formação permanente dos educadores em serviço;

XI – promover ações que objetivem a articulação dos educadores com as famílias e a

comunidade, criando processos de integração com a escola;

XII – assessorar os sistemas educacionais e instituições públicas e privadas nos

aspectos concernentes à ação pedagógica.

GESTOR

A construção da educação reinventada, instituinte da emancipação humana

pelo seu caráter intersubjetivo, num mundo que se engendra parceiro com o

conhecimento, como nova base material, demanda nova estrutura organizacional na

gestão da escola e gestores com novas aptidões cognitivo-atitudinais.

33
Competência necessária

A prática educativa emancipatória, universal e de qualidade exige uma escola

autônoma-cidadã, democraticamente gerida. Sua gestão, por exigências

sociohistórica e histórico-educativas, deverá ampliar os espaços de participação

efetiva, na perspectiva da autogestão. Isto demanda uma coordenação colegiada e,

dos responsáveis pela sua gestão, demanda competências de coordenação, a ponto

de poderem ser expressões e sínteses de todo processo educativo daquela unidade

escolar. Para tanto, a integração não é suficiente, pois ela poderia levar à diluição da

identidade e da responsabilidade, o que constituiria sua omissão funcional. Na função

coordenadora, a metanoica é indispensável. Para produzir-se ou forjar-se gestor, há

necessidade da conversão de olhar ou da revolução mental. Esta metanoica nos

habilita para podermos nos inscrever competentemente no mundo. Entretanto, esta

conversão não é, apenas, um instante de ruptura, um salto qualitativo momentâneo

que nos situa noutro patamar. Ela constitui um processo permanente.

34
Poderíamos dizer que o gestor, como educador-investigador, está em estado

metanoico. Os eventuais saltos qualitativos na competência pesquisante são sintomas

deste permanente processo de metamorfose. Não estamos felizes porque sorrimos,

mas sorrimos porque estamos felizes. Assim, também, não nos tornamos

competentes por rupturas ou saltos qualitativos, mas estes são sintomas de nossa

morfogênese cognitiva.

Este elemento da educação do gestor implica ou constitui-se pelo

desenvolvimento do conhecimento e produção de habilidades. O desenvolvimento do

conhecimento e da produção de habilidades não é anterior à ação, mas se realizam

na própria ação. Somos tratores que nós construímos no próprio ato da lavração. O

objetivo da formação do gestor da educação é o desenvolvimento do conhecimento e

das habilidades, que o qualificam como coordenador. Para tanto, na sua formação,

tanto universitária quanto em serviço e permanente, é necessário construir ecologias

cognitivas, meios desafiadores, para impulsionar o processo metanoico, na

autopoiese socioindividual da sua inscrição histórica e humana.

Os fundamentos básicos da formação e prática do gestor da unidade

escolar

35
O processo de construção das aptidões cognitivas e atitudinais necessárias ao

gestor escolar alicerça-se em três pilares ou eixos desta formação: o conhecimento,

a comunicação e a historicidade.

O conhecimento é o objeto específico do trabalho escolar. Portanto, a

compreensão profunda do processo de (re)construção do conhecimento no ato

pedagógico é um determinante da formação do gestor escolar.

O segundo eixo de sua formação é a competência de interlocução. A

competência linguística e comunicativa são indispensáveis no processo de

coordenação da elaboração, execução e avaliação do projeto político-pedagógico. É

fundamental a competência para a obtenção e sistematização de contribuições, para

que, no processo educativo escolar, a participação seja efetiva pela inclusão das

contribuições dos envolvidos, inclusive, em documentos (re)escritos.

O terceiro elemento essencial, fundante da competência do gestor de escola, é

sua inscrição histórica. A escola trabalha o conhecimento em contextos

socioinstitucionais específicos e determinados. O reconhecimento das demandas

educacionais, como também das limitações, das possibilidades e das tendências

deste contexto histórico, no qual se produz e se trabalha o conhecimento, é

fundamental para o seu impacto e o sentido da prática educativa e para sua qualidade.

Um gestor escolar tem, como um dos fundantes de sua qualificação, o conhecimento

do contexto histórico-institucional no qual e para o qual atua. Por isso, gestão da

escola é um lugar de permanente qualificação humana, de desenvolvimento pessoal

e profissional.

36
PAPEL DO GESTOR

Nas escolas eficazes, os gestores agem como líderes pedagógicos, apoiando

o estabelecimento das prioridades, avaliando os programas pedagógicos,

organizando e participando dos programas de desenvolvimento de funcionários e

também enfatizando a importância de resultados alcançados pelos alunos. Também

agem como líderes em relações humanas, enfatizando a criação e a manutenção de

um clima escolar positivo e a solução de conflitos, o que inclui promover o consenso

quanto aos objetivos e métodos, mantendo uma disciplina eficaz na escola.

Deve-se ter em conta que a motivação, o ânimo e a satisfação não são

responsabilidades exclusivas dos gestores. Os professores e os gestores trabalham

juntos para melhorarem a qualidade do ambiente escolar, criando as condições

necessárias para o ensino e a aprendizagem mais eficaz, identificando e modificando

37
os aspectos do processo do trabalho, considerados adversários da qualidade do

desempenho.

A prática de liderança em escolas altamente eficazes inclui: apoiar o

estabelecimento com objetivos claros, propiciar a visão do que é uma boa escola e

encorajar os professores, de modo a auxiliá-los nas descobertas dos recursos

necessários para que realizem adequadamente o seu trabalho.

Luck (1996), elenca as dimensões de liderança relacionadas com as escolas

eficazes, que são: enfoque pedagógico do diretor, ênfase nas relações humanas,

criação de ambiente positivo, ações voltadas para metas claras, realizáveis e

relevantes, disciplina em sala de aula garantida pelos professores, capacitação em

serviço voltada para questões pedagógicas e acompanhamento contínuo das

atividades escolares.

Nas escolas, onde há integração entre professores, tendem a ser mais eficazes

do que aquelas em que os professores se mantêm profissionalmente isolados. A

escola, os professores, tudo flui e tudo “rende” e a comunidade percebe que naquele

ambiente acontece à gestão participativa. As escolas bem dirigidas, exibem uma

cultura de reforço mútuo das expectativas: confiança, interação entre os funcionários

e a participação na construção dos objetivos pedagógicos, curriculares e de prática

em sala de aula.

Segundo Vieira (2003), diante do novo perfil do gestor, as demandas por

transformação e quebras de paradigmas devem continuar intensas, passando a ser a

tônica de uma sociedade em constante evolução.

A postura crítica na adoção de novas perspectivas deve somar-se a novas

formas de facilitar sua introdução no sistema escolar, o que exigirá uma cultura em

constante processo de auto-organização, um estado de experimentação, pesquisa e

38
análise de novos processos e, ao mesmo tempo, a consolidação via resolução

consistente de problemas encontrados no dia-a-dia.

O papel principal do gestor é saber acompanhar essas mudanças e tentar

ampliar a capacidade de realização da organização escolar, levando-a a atingir seu

potencial pleno e a tornar-se uma instituição que traga orgulho profissional a seus

integrantes. Segundo Lück (1990),

o gestor escolar tem como função

precípua coordenar e orientar todos

os esforços no sentido de que a

escola, como um todo, produza os

melhores resultados possíveis no

sentido de atendimento às

necessidades dos educandos e a

promoção do seu desenvolvimento.

Dentro desta concepção o gestor, deve revestir-se de esforços voltados para o

desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes, para que a sua atuação

participativa torne-se gradativamente mais eficiente. O gestor assume a

responsabilidade quanto à consecução eficaz da política educacional do sistema e

desenvolvimento pleno dos objetivos educacionais, organizando, dinamizando e

coordenando todos os esforços nesse sentido e controlando todos os recursos para

tal.

Devido a sua posição central na escola, o gestor, no desempenho de seu pape,

exerce forte influência sobre todos os setores e pessoas da escola. Lück (1990), relata

ainda, que o gestor deve ter a habilidade de influenciar o ambiente que depende, em

grande parte, da qualidade e do clima escolar, do desempenho do seu pessoal e da

39
qualidade do processo ensino-aprendizagem. A vivência de uma metodologia

participativa em que as relações solidárias de convivência pontificam, provocam,

mesmo que lentamente, a concretização de uma nova ordem social, iniciando pela

parcela menor, que é a escola. Faz-se necessário propiciar à comunidade escolar a

vivência de uma nova dimensão da vida social, na qual não participe só da execução,

mas também da discussão dos rumos da instituição escolar. Em outras palavras,

sendo presença ativa e criativa no ambiente escolar.

O clima relacional de uma escola provém, basicamente, dos educadores que

nela atuam. São eles que determinam as relações internas, através do acolhimento,

da aceitação, da empatia, da real comunicação, do diálogo, do ouvir e do escutar, do

partilhar interesses, preocupações e esperanças.

A gestão participativa preocupa-se em promover um clima de amor, de

fraternidade e de diálogo, que alimente o convívio, não só entre os professores, mas

destes com seus alunos, procurando estabelecer comunhão e compromisso. Propicie

integração e coesão, isto é, a vivência da comunhão entre o grupo de educadores,

podendo assim estabelecer atividades integradas, tais como: partilhas, debates,

reflexões sobre textos específicos, confraternizações, amigo secreto, manhãs ou

tardes de formação, atividades coletivas, sempre com vistas a criar e a desenvolver

um clima integrador e dialógico.

O processo participativo visa envolver todas as pessoas da instituição escolar

na busca comum e na responsabilidade pelo todo da instituição. A ação grupal reflete

constantemente uma metodologia participativa, em que todos têm condições de se

envolver ativamente no trabalho, com reflexos nos resultados alcançados pelo grupo.

(DALMÁS, 1994, p.58).

40
Sabe-se que o grupo de professores pode transformar ou manter a dinâmica

de uma instituição. A força transformadora de uma escola está em seu corpo docente

e isto tudo dependerá do rumo e do auxílio do gestor.

FUNÇÕES DO GESTOR

A efetividade do processo de ensino e de aprendizagem implica em garantir

o acesso dos educandos à escola e, sobretudo, sua permanência e sucesso no

processo educativo, propiciando condições favoráveis para o fortalecimento de sua

identidade como sujeita do conhecimento. Para que isso aconteça, são funções do

gestor:

41
• Coordenar a elaboração e implementação da proposta pedagógica e sua

operacionalização através dos planos de ensino, articulando o currículo com as

diretrizes da Secretaria.

• Incentivar a utilização de recursos tecnológicos e materiais interativos para o

enriquecimento da proposta pedagógica da escola.

• Estimular e apoiar os projetos pedagógicos experimentais da escola.

• Assegurar o alcance dos marcos de aprendizagem, definidos por ciclo e série,

mediante o acompanhamento do progresso do aluno, identificando as

necessidades de adoção de medidas de intervenção para sanar as dificuldades

evidenciadas.

• Garantir o cumprimento do Calendário Escolar, monitorando a prática dos

professores (regentes e coordenadores pedagógicos) e seu alinhamento com a

proposta pedagógica, organizando o currículo em unidade didática.

• Acompanhar as reuniões de atividades complementares – AC, avaliando os

resultados do processo de ensino e de aprendizagem, adotando, quando

necessário, medidas de intervenção.

• Articular-se com as Coordenadorias Regionais e setores da SMEC na busca de

apoio técnico-pedagógico, socioeducativo e administrativo, visando elevar a

produtividade do ensino e da aprendizagem.

• Acompanhar a frequência e avaliação contínua do rendimento dos alunos através

dos registros nos Diários de Classe, analisando, socializando os dados e

adotando medidas para a correção dos desvios.

• Assegurar o cumprimento do sistema de avaliação estabelecido no Regimento

Escolar.

42
• Monitorar a rotina da sala de aula através da atuação do Coordenador

Pedagógico.

• Assegurar um ambiente escolar propício, estabelecendo as condições favoráveis

para a educação inclusiva de forma produtiva e cidadã.

• Identificar as ameaças e fraquezas da unidade escolar, a partir da sua análise

situacional, adotando medidas de intervenção para superar as dificuldades.

• Acompanhar a execução dos projetos em parcerias com outras instituições,

adequando-os à realidade da sua escola.

As instalações e materiais considerados como infraestrutura básica para o

pleno funcionamento da escola envolvem ações de conservação, manutenção e

mobilização da comunidade escolar para atuar de forma consciente e multiplicadora,

consolidando a valorização da cultura de preservação do bem público. Neste sentido

são atribuições do Gestor Escolar:

• Identificar necessidades e acionar mecanismos, a fim de proporcionar um

ambiente físico adequado ao pleno funcionamento da escola.

• Assegurar o tombamento e responsabilizar-se pela guarda, conservação e

manutenção dos móveis e equipamentos da escola.

• Otimizar o uso dos recursos financeiros repassados à escola, destinados à

aquisição de materiais, manutenção das instalações e dos equipamentos.

• Suprir a escola com materiais adequados, que permitam aos professores e alunos

desenvolverem atividades curriculares diversificadas.

• Promover campanhas, programas e outras atividades para conscientização da

comunidade escolar e local de preservação e conservação da escola.

43
A gestão participativa de processos está concebida como um gerenciamento

fundamentado nos princípios de co-gestão com o Conselho Escolar e com as

representações das organizações associativas da escola, legitimando a tomada de

decisões numa ação colegiada com diferentes níveis de responsabilidades da equipe

gestora da escola e do Sistema

Municipal de Ensino. Neste

sentido são atribuições do

Gestor Escolar:

• Coordenar a elaboração e

implementação do

Regimento Escolar.

• Gerenciar o funcionamento da escola em parceria com o Conselho Escolar,

zelando pelo cumprimento do Regimento Escolar, observando a legislação

vigente, normas educacionais e padrão de qualidade de ensino.

• Garantir o alcance dos objetivos da escola, identificando obstáculos,

reconhecendo sua natureza e buscando soluções adequadas.

• Desenvolver as ações educativas pertinentes a cada segmento de ensino, de

acordo com as normas e diretrizes do Conselho Municipal de Educação.

• Elaborar e implementar o Plano da Gestão Escolar alinhado ao PDE, Proposta

Pedagógica, Regimento Escolar e Diretrizes do Sistema Municipal de Ensino,

discutindo com a comunidade escolar e incorporando as contribuições.

44
• Administrar a utilização dos espaços físicos da unidade escolar e o uso dos

recursos disponíveis, para a melhoria da qualidade de ensino como: bibliotecas,

salas de leitura, laboratório de tecnologias, entre outros.

• Administrar, otimizando os recursos financeiros, conforme os procedimentos e

rotinas de execução orçamentária e financeira, determinados pelas fontes de

repasses, acompanhando e monitorando as despesas e o fluxo de caixa.

• Organizar coletivamente as rotinas da escola e acompanhar o seu cumprimento.

• Estimular a formação de organizações estudantis, atividades esportivas, artísticas

e culturais na unidade escolar.

• Aplicar instrumentos de registro de matrícula e de acompanhamento da

movimentação escolar do alunado, sistematizando os dados e emitindo relatórios.

• Monitorar o desenvolvimento das ações gerenciais, em parceria com o Conselho

Escolar, com vistas à identificação dos resultados, propondo as intervenções

necessárias.

• Promover a construção do PDE, bem como a sua execução e replanejamento,

através de um trabalho coletivo em parceria com o Conselho Escolar, mediante

processo de análise dos resultados e proposições adequada

O clima escolar refere-se a um

ambiente estruturado, de tal forma

que expresse a responsabilização

coletiva de todos os participantes da

comunidade escolar em relação ao

sucesso de ensinar e de aprender,

resultando num clima harmônico e

45
produtivo, onde todos unem esforços para atingir os objetivos propostos para a

efetividade. Neste sentido são atribuições do Gestor Escolar:

• Adotar estratégias gerenciais que favoreçam a prevenção de problemas na

unidade escolar.

• Gerenciar o funcionamento da escola, zelando pelo cumprimento da legislação,

normas educacionais e pelo padrão de qualidade de ensino.

• Proporcionar um ambiente que permita à escola cumprir sua missão, objetivos e

metas, fundamentado nos seus valores, supervisionando o funcionamento e a

manutenção dos diversos recursos de infraestrutura.

• Possibilitar o bom funcionamento da escola através do estabelecimento de

normas regulamentadas no Regimento Escolar, favorecendo a melhoria da

qualidade do trabalho.

• Promover o envolvimento da comunidade escolar, fazendo uso da liderança e dos

meios de comunicação disponíveis, com base na cooperação e compromisso,

favorecendo a qualidade das relações interpessoais.

• Manter o fluxo de informações atualizado e regular entre a direção, os professores,

pais e a comunidade.

• Coordenar as ações socioeducativas desenvolvidas na unidade escolar.

• Assegurar visibilidade às ações da unidade escolar.

• Socializar os resultados das ações gerenciais, reconhecendo os níveis de avanço

e dificuldades da escola.

• Expressar confiança na capacidade de eficácia da escola.

O envolvimento dos pais e da comunidade decorre de um processo de

mobilização e organização, de forma responsável e consciente, que possibilita canais

46
de participação com representações de organizações associativas de pais, alunos e

professores, contribuindo para o aperfeiçoamento do trabalho educativo e o

relacionamento da escola com a comunidade. Neste sentido são atribuições do Gestor

Escolar:

• Promover o envolvimento dos pais na gestão da escola, em atividades

educacionais e sociais, incentivando e apoiando a criação das associações de

pais e as iniciativas do Conselho Escolar.

• Estimular a participação dos pais na educação dos filhos, envolvendo-os no

acompanhamento do desempenho dos alunos e fortalecendo o relacionamento

entre pais e professores.

• Administrar os programas compensatórios direcionados ao aluno e à família de

acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos promotores.

• Manter comunicação frequente com os pais, mediante o repasse de informações

sobre o processo educativo, normas e orientações do funcionamento da escola.

47
• Viabilizar a integração entre a escola e a comunidade, criando e monitorando

projetos em parceria com as diversas organizações, visando apoio às atividades

educacionais, sociais, culturais e de lazer.

• Maximizar a atuação da comunidade junto à escola, identificando os recursos e

sendo hábil nas relações com os seus diversos segmentos.

• Promover campanhas educativas e programas com temas que despertem o

interesse da comunidade escolar.

O desenvolvimento do patrimônio humano envolve a criação de ambiente

favorável e oportunidades para a formação profissional, auto formação, pesquisa,

experimentos, debates e reflexão pedagógica e gerencial no interior da escola,

estudando e analisando a prática educativa viabilizando a introdução legítima de

novos padrões de gestão e de ensino. Neste sentido são atribuições do Gestor

Escolar:

48
• Oportunizar e facilitar o acesso a programas de aperfeiçoamento profissional para

os recursos humanos da escola.

• Identificar as necessidades de desenvolvimento dos recursos humanos da escola,

estabelecendo estratégias de intervenção em articulação com a SMEC.

• Identificar e otimizar o potencial dos recursos humanos da escola, assegurando a

integração e adotando uma postura participativa nas ações de planejamento e

execução das atividades curriculares.

• Proporcionar ao professor momentos de autoavaliação, pesquisa, experimentos,

debates e reflexão da prática pedagógica em uma perspectiva crítico reflexiva.

• Promover a efetividade do processo de avaliação de desempenho do grupo

magistério, junto ao Conselho Escolar.

49
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