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UNIVERSIDADE DO RIO GRANDE DO SUL

INSTITUTO DE ARTES
DEPARTAMENTO DE MÚSICA

ANÁLISE MUSICAL III


TRABALHO

Felipe Alysson Herbert da Silva


Felipe Alysson Herbert da Silva
ANÁLISE DE MÚSICA INSTRUMENTAL
Tema de ‘Round Midnight’, de Thelonious Monk

Trabalho apresentado como requisito para aprovação


na disciplina de Análise Musical III, do curso música
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS


Porto Alegre, setembro de 2015

1. APRESENTAÇÃO........................................................................................

2. CONTEÚDO PRINCIPAL..............................................................................
1. APRESENTAÇÃO

Este trabalho tem como objetivo realizar uma análise do tema de ‘Round Midnight’, de
Thelonious Monk, e do solo de Gerry Mulligan constante no disco Mulligan Meets
Monk.

Serão analisados os seguintes aspectos:

1. Análise harmônica e formal geral do tema;


2. Análise do solo de Gerry Mulligan:
● sua relação com o tema
● aspectos motívico e temáticos recorrentes no solo
● explicação das notas alteradas do solo
2. CONTEÚDO PRINCIPAL
Análise do Tema:

‘Round Midnight’ é composto por duas seções, A e B, em compasso quaternário (4/4)


com oito compassos cada. A forma da distribuição dos temas é: A|A|B|A. A tonalidade
original é Mi bemol menor, porém neste trabalho, visto que o solo está escrito em Dó
menor , toda a base harmônica foi escrita e será analisada nesta última tonalidade.

Análise Harmônica:

Seção A: O tema A será repetido, então, para isso, no final da primeira vez ele terá
uma cadencia suspensiva, e conclusiva na repetição. Do compasso 1 ao 8, a harmonia
segue a seguinte progressão, resumidamente:

Cm7 -> Fm7 -> G7

T S D

(comp. 5) (comp.8)

Para chegar no Fm7, temos o movimento comum do jazz que é ii – V7 - i (Gm7 - C7 –


Fm7). O mesmo ocorre no dominante de G7, porém o acorde de 5° grau V (que neste
caso seria D7) é substituído pelo SUBV de G:

Am7 (b5) - Ab7 - G7

ii -> Subv -> I

Nos compassos 5 e 6 tem novamente o ii – V – I, indo para o tom relativo maior Eb:

Fm7 – Bb7 – Eb7M

Na repetição do tema em sua resolução temos modal veja os dois últimos compassos:

Am7 (15) D7 Dm7 | C7M

O acorde Dm7 é um substituto de G7, sendo um empréstimo modal. E o C7M é uma


resolução picarda.

Seção B
O tema B termina suspensivo para fazer no retorno ao tema A. Mas vamos ao inicio:
nos quatro primeiros compassos há o movimento ii – V – I em G (Am7 (b5) – D7 – G7)
duas vezes. Depois ii – vii – I em Eb ( Fm7 – Dm 7(b5)-EbM). Nos três últimos
compassos ocorre a seguinte progressão: SubV7->V7->I7

Ab7-> G7->C7

E esta progressão será repetida em aparece um Bb7 para fazer a ponte para o Ab7.

Motivos dos Temas:

O tema A tem dois motivos que serão usados pra elaborar a melodia de todo o tema,
sendo variado e transformado.

O tema B começa com motivos diferentes, com ritmo em tercinas, e, na segunda


metade do tema, ocorrem fragmentos semelhantes ao motivo 2 do tema A.

Analise do Solo de Gerry Mulligan em Round Midnigth

Relação com o tema: A relação mais próxima se dá na parte harmônica, já que


Mulligan improvisa sobre a harmonia dos temas. A ordem temática é a seguinte:

|A A B A A A|

O “impulso” inicial do solo tem o contorno melódico semelhante ao primeiro compasso


do tema.

Outros casos possuem ritmo igual a fragmentos do tema:

(comp. 2 do tema)

(comp. 47-48 do solo)

A maior semelhança , enfim, está na rítmica. Frases em técnicas misturadas com


colcheias

(comp. 14 tema)

(comp. 54 solo)
2.2 – Aspectos motívicos e temáticos: a maior parte dos impulsos pera iniciar uma frase
são anacrústicos ou acéfalos.

(comp. 1 – 3)

(comp. 13 – 15 )

( comp. 29 -31)

( comp. 61-63)

Chama a atenção estes exemplos possuírem, novamente, contornos melódicos muito


próximos. O improviso sobre o tema B soa muito coeso.

As técnicas mais recorrentes para elaborar os motivos são arpejos, no geral com notas
do acorde, às vezes com alguns complementos harmônicos (nonas, sextas, décima
primeiras, blue notes) como notas de passagem ou bordadura. Também são usadas
escalas como a menor melódica e a pentatônica, ambas em dó menor.

Notas adicionadas: há uma utilização predominante adição de notas como décimas


terceiras, nonas e notas suspensivas (décimas primeiras) nos tempos fortes aos
acordes. No compasso 17, Mulligan sustenta um fá (décima primeira) sobre o acorde
de Cm7.

As décimas terceiras parecem ser as prediletas do saxofonista. Repare nos tempos


fortes de cada compasso, onde em todos têm uma décima terceira prolongada.

A maioria das notas alteradas do solo está de acordo com os acordes de empréstimo
modal ou que se relacionam com as escalas menores de dó. Também ocorre muito o
uso de blue notes, basta olharmos para diversos momentos do solo.

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