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D I S C I P L I N A Energia

Energia cinética

Autores

José Ferreira Neto

Luiz Carlos Jafelice

aula

05
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Divisão de Serviços Técnicos


Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede”

Ferreira Neto, José.


   Energia: Interdisciplinar  /  José Ferreira Neto, Luiz Carlos Jafelice.  – Natal, RN: EDUFRN, 2007.
   336  p.: Il.

   1.  Energia.  2. Ondas.  3. Campo elétrico.  4. Campo Magnético.  I. Jefelice, Luiz Carlos.  II. Título

ISBN
CDD  333.79
RN/UF/BCZM 2007/53 CDU  620.91

Copyright © 2007  Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa da
UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Apresentação

N
esta aula, você estudará o conceito de energia cinética e terá oportunidade de
compreender as relações existentes entre o trabalho realizado por uma força sobre
um determinado corpo e a mudança que ocorre em sua velocidade devido à ação
dessa força, resultando numa variação de sua energia cinética. Nesse sentido, partiremos
de exemplos relacionados com as atividades práticas realizadas pelo ser humano no seu dia-
a-dia e de situações simples observadas nos fenômenos naturais.

Nossa finalidade, agora, é abrir uma janela para o mundo da energia, com ênfase no
movimento dos objetos, de modo que possamos construir juntos o conceito de energia
cinética em Física e você possa compreendê-lo e determinar o seu valor em vários tipos de
aplicações bem como no desenvolvimento das atividades propostas.

Objetivos
Compreender o conceito de energia cinética em Física a partir
1 de situações presentes no mundo vivencial e nos equipamentos e
procedimentos tecnológicos.

Calcular o valor da energia cinética de um corpo a partir das


2 ferramentas matemáticas apresentadas, bem como correlacionar
os valores das variações de energia cinética com os valores do
trabalho realizado.

Aula 05  Energia 


Energia cinética
Certamente, em algum momento, já dissemos ou ouvimos alguém dizer: “hoje estou
com muita energia”. Essa afirmação geralmente é dita durante ou após a realização de algumas
atividades bastante típicas, como as que listamos a seguir, a título de exemplificação:

n  quando criança, após ter jogado uma pedra mais distante que os companheiros de
brincadeira;

n  quando criança, ao ter ganho uma corrida entre amigos;

n  durante um jogo de futebol, ao ter realizado uma grande jogada individual;

n  durante a realização de uma atividade doméstica, ao sentir-se muito disposto(a).

Como podemos notar, em todas essas atividades, o movimento é essencial para que
possam ocorrer. Contudo, também sabemos, de forma intuitiva, que tais atividades só
podem ocorrer com consumo de energia. Quer dizer, se você está há muitos dias sem se
alimentar de modo adequado, dificilmente se sentirá muito disposto(a). Ter uma alimentação
apropriada às suas necessidades corporais (embora não baste por si mesma) é condição
necessária para que você disponha de uma reserva energética suficiente para poder se sentir
“com muita energia”.

Ora, já afirmamos na aula 1 (Energia em Física) que o tipo de energia associada ao


movimento dos corpos é denominado energia cinética. Portanto, quando aquelas atividades
são realizadas, outras formas de energia são transformadas em energia cinética e energia
cinética é transformada em outras formas de energia, segundo uma forma observada na
natureza que expressamos através do princípio de conservação da energia.

Entretanto, esse princípio só poderá ser entendido completamente e aplicado na prática,


se tivermos uma maneira de calcular cada uma das formas de energia e de conversão de uma
modalidade de energia em outra modalidade.

Com o objetivo de iniciar uma contextualização para encontrar uma maneira de


determinar a energia cinética envolvida em várias situações específicas, fazemos aqui um
convite para que você participe do jogo intuitivo proposto a seguir.

 Aula 05  Energia


Atividade 1

Jogo intuitivo-avaliativo - Nosso jogo consiste na ordenação (em ordem


crescente) da energia cinética envolvida nas dez situações observadas no nosso
cotidiano (atividades diárias, TV, cinema, livros etc.) e descritas a seguir. Use
sua intuição física para isso.

Observação - Mesmo que você já saiba como calcular a energia cinética dos
corpos em movimento, aqui não vale calcular, só vale pensar, avaliar usando a
sua intuição e responder no espaço entre parênteses ao lado de cada situação
seguinte qual vem antes de qual. Este é um exercício para estimular a intuição
e não seu conhecimento de “fórmulas” ou habilidade em cálculos. Numere as
situações na coluna da direita em ordem crescente, ou seja, a que envolve menor
energia correspondendo a 1 e a de maior energia correspondendo a 10.

1) Um automóvel com velocidade de 100 km/h . (  )

2) Um gato correndo atrás de um rato. (  )

3) Um atleta numa corrida de 100 metros rasos. (  )

4) Um ovo após cair de uma mesa, no instante imediatamente anterior ao


choque com o chão. (  )

5) Uma bola de futebol chutada a 100 km/h . (  )

6) A Lua em seu movimento de rotação em torno da Terra. (  )

7) Uma atleta durante uma corrida de maratona. (  )

8) Uma carreta carregada, com velocidade de 54 km/h . (  )

9) Um martelo no ato de pregar um prego, no instante imediatamente anterior


ao choque do martelo com o prego. (  )

10) Um navio transatlântico com velocidade de 27 nós. (  )

Aula 05  Energia 


Agora é só jogar. Ao longo da aula, você terá todas as informações necessárias à
determinação da energia cinética envolvida em cada um dos casos apresentados em nosso
jogo. Porém, empenhe-se em jogá-lo, antes de prosseguir.

É fácil perceber que na determinação da energia cinética de um objeto, seja ele chamado
de móvel, partícula ou corpo, é necessário saber o valor de sua velocidade. Percebemos,
também, de maneira intuitiva, que objetos com mesma velocidade e massas diferentes
devem ter energia cinética diferentes. Por exemplo: consideremos uma situação em que um
automóvel pequeno e vazio e um caminhão grande e carregado sejam abandonados, ladeira
abaixo, e se dirijam, com a mesma velocidade, rumo a um muro. Esperamos, intuitivamente,
que o caminhão fará maior “estrago” no muro. “Estrago”, neste caso, significa trabalho feito
sobre as partes que compõem o muro; trabalho este realizado às custas da energia cinética
que cada veículo possuía no instante imediatamente anterior à colisão com o muro. Embora
ambos tivessem a mesma velocidade, esperamos que o caminhão tenha maior energia
cinética que o automóvel na situação descrita.

Logo, na determinação da energia cinética de um objeto qualquer, além do valor da sua


velocidade é necessário o conhecimento do valor de sua massa.

Já avançamos bastante, mas não o suficiente, pois ainda não sabemos como quantificar
a relação entre energia cinética, velocidade e massa, isto é, ainda não temos uma expressão
matemática que possibilite determinar o valor da energia cinética dos objetos. Vamos,
agora, partir de uma situação bem corriqueira, que você deve observar freqüentemente, e
analisá-la em profundidade para chegarmos à expressão necessária ao cálculo da energia
cinética dos corpos.

Considere um objeto qualquer, mantido a certa altura y2 , nas proximidades da superfície


da Terra. Pode ser um caju no cajueiro, um coco no coqueiro, uma pedra no alto de uma
edificação ou outra situação semelhante. Se, num determinado instante, o objeto for solto e
começar a cair, sua altura em relação à superfície da Terra diminuirá, porém o objeto terá sua
velocidade gradativamente aumentada à medida que cai.

Já analisamos essa situação física do ponto de vista do trabalho, na aula 3 – Trabalho I.


Aqui vamos relacioná-la com o conceito de energia cinética.

Note que é muito comum, em Física, analisarmos uma mesma situação enfocando
diferentes aspectos dela, dependendo de nosso interesse ou necessidade em
cada caso. Ou seja, em geral, há mais de uma maneira de olharmos para os
fenômenos físicos e enfatizarmos um conjunto de processos ali presente ou
outro conjunto, também presente. A descrição de certos aspectos ou processos
não exclui a análise de outros. Na maioria das vezes, as diferentes descrições de
uma mesma situação, por assim dizer, se complementam e enriquecem nossa
compreensão acerca do que está sendo estudado do ponto de vista físico.

 Aula 05  Energia


A Figura 2 mostra um objeto caindo a partir de uma certa altura, ya, para uma altura, yb,
menor que ya.

ya

yb

Figura 2 - Um objeto caindo a partir de uma certa altura, ya, para uma altura, yb, menor que ya, sob a ação da
força gravitacional, que atua na direção e sentido do deslocamento.

Enquanto o objeto cai, sob a ação da força gravitacional, que atua na direção e sentido
do deslocamento, há a realização de trabalho sobre o mesmo. Neste caso, o deslocamento
do objeto é dado pela diferença entre sua posição final e a inicial:

y b − ya

e a força que atua sobre o objeto, suposto de massa m, é a força gravitacional, isto é, seu
peso, P, dado por:
F = P = m · g;

em que g é o módulo do vetor campo gravitacional terrestre nas proximidades da superfície


da Terra, chamado, quase sempre, de aceleração da gravidade.

Logo, o trabalho realizado pela força gravitacional para deslocar o objeto da posição ya
para a posição yb pode ser determinado pela expressão:

τab = (força) × (deslocamento) = m · g · (ya − yb ),

uma vez que a força gravitacional atua na mesma direção e sentido que o deslocamento
do objeto.

Como já escrevemos, durante sua queda, o objeto perde altura e ganha velocidade, isto
é, ganha energia de movimento ou cinética. Aqui precisamos, então, relacionar o trabalho
realizado sobre o objeto com a variação ocorrida em sua velocidade. Neste ponto, teremos
que recorrer a conhecimentos básicos de cinemática para dar conta dessa tarefa.

Aula 05  Energia 


Consideremos que o objeto varie sua velocidade de va para vb enquanto realiza o
deslocamento (ya − yb ) . Faremos uso da equação do movimento para aceleração constante,
chamada equação de Torricelli, encontrada em quase todos os livros introdutórios de Física
Mecânica, dada por:

(v)2 = (v0 )2 + 2 · a · ∆x,

sendo v, v0, a e ∆x, respectivamente, a velocidade final, a velocidade inicial, a aceleração e


o deslocamento da partícula.

Aplicando essa relação à nossa situação problema, na qual a velocidade final será
representada por vb, a velocidade inicial por va, a aceleração por g e o deslocamento ∆x por
(ya − yb ), ficamos com:

(vb )2 = (va )2 + 2 · g · (ya − yb );

subtraindo (va )2 de ambos os lados da equação, isto é, fazendo:

(vb )2 − (va )2 = (va )2 − (va )2 + 2 · g · (ya − yb ),

teremos como resultado:

(vb )2 − (va )2 = 2 · g · (ya − yb );

multiplicando, agora, os dois lados da equação pela massa do objeto m, e dividindo ambos
os membros por 2, chegaremos a

[m · (vb )2 ]/2 − [m · (va )2 ]/2 = m · g · (ya − yb ).

No caso particular em que a velocidade inicial do objeto (partícula), va, é igual a zero, a
expressão anterior toma a forma:

[m · (vb )2 ]/2 − 0 = m · g · (ya − yb )

ou:

m · g · (ya − yb ) = [m · (vb )2 ]/2.

Ora, já mostramos que a expressão m · g · (ya − yb ) representa o trabalho realizado


sobre o objeto para deslocá-lo do ponto a até o ponto b. Logo, podemos escrever:

τab = [m · (vb )2 ]/2.

Em outras palavras, podemos interpretar o resultado anterior da seguinte forma:


inicialmente o objeto estava parado em relação à Terra, sem energia de movimento, e a ação
τab =
da força gravitacional realizou trabalho igual a [m · (vb )2 ]/2., fazendo com que tal objeto
adquirisse energia de movimento. De forma a garantir a conservação da energia, define-se a
grandeza denominada energia cinética, Ec ,= do[m
corpo, conforme a expressão a seguir:
· v 2 ]/2.

Ec = [m · v 2 ]/2.

 Aula 05  Energia


Voltemos à expressão:

[m · (vb )2 ]/2 − [m · (va )2 ]/2 = m · g · (ya − yb ).,

agora reescrita na forma:

τab = [m · (vb )2 ]/2 − [m · (va )2 ]/2;

ou ainda:
τab = ∆Ecab .

Isto é, o trabalho realizado para deslocar o corpo do ponto a até o ponto b é igual à
variação da energia cinética do corpo em seu movimento entre os referidos pontos.

Exemplo 1
Um automóvel, de massa igual a 800 kg, passa sobre uma lombada com velocidade
igual a 18 km/h. Logo após a passagem da lombada, ele é acelerado até que sua velocidade
atinja 162 km/h. Determine o trabalho realizado pela força de atrito da estrada sobre os
pneus do carro para elevar sua velocidade de 18 km/h para 162 km/h.

Solução
Já sabemos que o trabalho realizado é igual à variação da energia cinética, logo:

τab = ∆Ecab = [m · (vb )2 ]/2 − [m · (va )2 ]/2.

Se o ponto a é a lombada e o ponto b o local onde o carro atinge a velocidade


de 162 km/h  , o trabalho realizado sobre o automóvel entre os pontos a e b será
determinado por:

τab = [800 × (162)2 ]/2 − [800 × (18)2 ]/2.

Como devemos utilizar o sistema internacional de unidades (SI), vamos transformar os


valores das velocidades de km/h (quilômetro por hora) para m/s (metro por segundo):

Vb = 162 km/h = 162 × 1.000/3.600 m/s,

pois, como 1km = 1.000m e 1h = 3.600s, então: 1 km/h = 1.000m/3.600s. Assim,

Vb = 162.000/3.600 = 45m/s.

Analogamente:

Vb = 18 km/h = 18 × 1.000/3.600 = 18.000/3.600 = 5 m/s.

Logo:
τab = [800 × (45)2 ]/2 − [800 × (5)2 ]/2;

τab = 400 × (2.025) − 400 × (324);

Aula 05  Energia 


τab = 810.000 − 129.600;

portanto, o trabalho realizado sobre o carro será:

τab = 680.400 kg · m2 /s2 = 680.400 J;


ou:
τab = 680, 4 kJ.

Podemos, agora, usar as expressões anteriormente obtidas para calcular a energia


cinética dos objetos em muitas aplicações práticas. Em particular, vamos utilizar um exemplo
bastante ilustrativo apresentado no GREF (Grupo de Elaboração do Ensino de Física, 1990, p.
97). Nesta atividade, além de calcular a energia cinética de um automóvel para várias de suas
velocidades, podemos tirar diversas conclusões de ordem prática.

Atividade 2
A tabela a seguir mostra quanto um carro percorre entre o instante em
que o motorista vê algo que exige uma freada e o instante em que o carro
para completamente.

Tabela 1 - Freadas e distâncias percorridas em função da velocidade inicial do veículo


Velocidade inicial Distância percorrida Distância percorrida
do carro, VC Distância total
antes do motorista com o carro
percorrida, d T (m)
(Km/h) (m/s) reagir, dA (m) freando, dF (m)

36 10 6 6 12

72 20 12 14 36

108 30 18 54 72

144 40 24 96 120

Vamos procurar entender cada um dos vários aspectos dessa situação específica.

a) Usando os dados da tabela, calcule o tempo de reação do motorista para


cada caso. Use, para isso, a expressão: tempo de reação, tR = dA /Vc .

 Aula 05  Energia


Observação - Esse tempo varia de pessoa para pessoa e aumenta quando o
motorista está sob efeito do álcool.

b)  Quais as conclusões que você pode tirar sobre o tempo de reação?

c) Na terceira coluna, estão os valores da distância percorrida após o motorista


ter acionado o freio do carro. De quantas vezes varia essa distância quando
a velocidade do carro dobra? E quando a velocidade do carro triplica?

A quarta coluna mostra que a distância total percorrida pelo veículo até parar
aumenta muito à medida que a velocidade do carro aumenta, isso significa que
a distância entre os carros, numa estrada, deve ser aumentada em muito para
evitar acidentes.

Sabemos que ao efetuar uma freada, até parar, o carro perde toda sua energia
cinética, porém, sabemos também que a energia cinética perdida pelo carro
deve se transformar em outras formas de energia.

d) A partir dessas considerações, em quais formas de energia é transformada


a energia cinética do carro?

Aula 05  Energia 


Observação - Se o carro estava em movimento e, a partir do acionamento dos
freios, sua velocidade foi diminuindo até parar é porque alguma força externa
passou a agir sobre o mesmo. Neste caso, a força responsável por realizar o
trabalho de parar o carro é a força de atrito entre seus pneus e o piso da estrada
(asfalto, terra batida, pedra, concreto etc.).

Olhando na tabela, vemos claramente que, quanto maior a velocidade do carro,


maior a distância percorrida durante a freada, indicando que o trabalho foi maior
porque o carro tinha mais energia cinética.

e) Use a expressão Ec = [m · v 2 ]/2 para determinar o valor da energia


cinética do carro para cada uma das quatro velocidades da tabela. Suponha
que a massa do carro seja igual a 1.000 kg.

Observação - Com o objetivo de facilitar a correção das contas em


caso de erro, use a expressão Ec = [m · v 2 ]/2 da seguinte maneira: i)
substitua os valores da massa e da velocidade; ii) divida a massa por
dois e calcule o quadrado da velocidade; iii) finalmente, multiplique esses
resultados e coloque a unidade da grandeza em questão. Por exemplo
Ec = [600 × 802 ]/2 = 300 × 6.400 = 1.920.000 J .

Calcule, agora, EC para os valores das grandezas relativos a esta atividade,


conforme fornecidos na Tabela 1.

10 Aula 05  Energia


Neste ponto, vamos retomar o jogo intuitivo-avaliativo proposto na atividade 1. Você
deve ter percebido que, propositalmente, não demos todos os dados necessários para a
determinação da energia cinética em cada um dos casos lá arrolados. Os objetivos dessa
omissão foram fazer você pensar um pouco antes de responder, exercitar sua intuição e
também evitar que os conhecedores da expressão para o cálculo da energia cinética tivessem
condições de efetuar os cálculos antes de responder.

Atividade 3
Para sistematizar e complementar aquelas informações solicitadas, você deverá resolver
nesta atividade as situações propostas de ordem ímpar, enquanto as de ordem par serão
resolvidas como exemplo.

Um automóvel com velocidade de 100 km/h.


1
Massa do automóvel aproximadamente igual a 800 kg.

Determine a energia cinética do automóvel.

Um gato correndo atrás de um rato.


2
Massa do gato aproximadamente igual a 3 kg.

Velocidade do gato igual a 54 km/h.

Determine a energia cinética do gato, enquanto ele corre atrás do rato.

Aula 05  Energia 11


Solução
Sabemos que:
Ec = [m · v 2 ]/2.

Porém, inicialmente devemos transformar o valor da velocidade do gato de


km/h para m/s, ou seja:
v = 54 km/h = 54 × 1.000/3.600 = 54.000/3.600 = 15m/s.
Logo:
Ec = [3 × (15)2 ]/2 = 1, 5 × 225 = 337, 5 J.

3 Um atleta durante uma corrida de 100 metros rasos.

Massa do atleta igual a 68 kg.

Supondo que o atleta corra os 100 metros em 10 segundos, sua velocidade média
será igual a 10 m/s.

Determine a energia cinética do atleta enquanto este corre com velocidade de 10 m/s.

Um ovo após cair de uma mesa, no instante imediatamente anterior ao choque


4 com o chão.

Massa do ovo (aproximadamente) igual a 60 g.

A velocidade do ovo no instante imediatamente anterior ao choque com o chão deve ser
calculada da seguinte forma:

a) proponha uma altura razoável para a mesa, por exemplo, oitenta centímetros de altura,
isto é, h = 0, 8 m ;

b) use a expressão para a determinação da velocidade de um corpo que cai de uma altura h,

com velocidade inicial igual a zero, v = 2gh,, e considere g = 10 m/s2 .

Determine a energia cinética do ovo no instante imediatamente anterior ao choque


com o chão.

12 Aula 05  Energia


Solução
Inicialmente, devemos calcular a velocidade com que o ovo chega ao chão, isto é:

v = 2gh,
sendo h = 0, 8 m ; logo:
√ √
v = 2 × 0, 8 × 10 = 16 = 4m/s .
Então:
Ec = [m · v 2 ]/2 = [0, 06 × (4)2 ]/2 = 0, 03 × 16 = 0, 48 J.

5 Uma bola de futebol chutada a 108 km/h .

Massa da bola igual a 450 g .

Determine a energia cinética da bola.

6 A Lua em seu movimento de rotação em torno da Terra.

Massa da Lua igual a 7, 4 × 1022 kg .

Distância do centro da Terra ao centro da Lua, dT L = 380.000 km .

Período do movimento de rotação da Lua em torno da Terra = 27,3 dias.

Aula 05  Energia 13


Para calcular a velocidade da Lua, lembre-se de que ela percorre uma distância igual a
2πdT L num tempo de 27,3 dias.

Determine a velocidade da Lua e sua energia cinética.

Solução
A velocidade da Lua deve ser determinada dividindo-se a distância percorrida
numa volta completa pelo tempo gasto para isso, daí:

Distância percorrida
= 2πdT L = 2 × 3, 14 × 380.000 = 2.386.400 km = 2.386.400.000 m.

Ou melhor:

Distância percorrida = 2, 4 × 109 m.

O tempo será dado pelo período, em segundos, por:

Período = 27,3 dias = 27, 3 × 24 horas = 27, 3 × 24 × 60  minutos =


27, 3 × 24 × 60 × 60 s

Período = 2.358.720 s = 2, 4 × 106 s.

Logo, a velocidade será dada por:

Distância percorrida em metros/Período em segundos = v;


v = 2, 4 × 109 /2, 4 × 106 = 1, 0 × 109−6 = 1, 0 × 103 = 1.000 m/s.

E a energia cinética da Lua será determinada por:


2
2 22 3 22 6 28
EC = [m.v ]/2 = [7, 4 × 10 × (10 ) ]/2 = 3, 7 × 10 × 10 = 3, 7 × 10 J,
2
22 3 22 6 28
2 = [7, 4 × 10 × (10 ) ]/2 = 3, 7 × 10 × 10 = 3, 7 × 10 J,

ou:
19
EC = 3, 7 × 10 GJ,

onde G é a sigla para giga = 109.

14 Aula 05  Energia


7 Uma atleta durante uma corrida de maratona.

Massa da atleta igual a 54 kg.

Durante uma maratona a atleta percorre 42.200 metros num tempo de aproximadamente
2 horas e 40 minutos.

Determine a velocidade média da atleta e sua energia cinética.

Uma carreta carregada com velocidade de 54 km/h.


8
Massa da carreta carregada igual 35 t.

Determine a energia cinética da carreta.

Solução
A velocidade da carreta, em m/s, será:
v = 54 km/h = 54 × 1.000/3.600 = 54.000/3.600 = 15 m/s.
Logo, sua energia cinética será dada por:
2 2
EC = [m.v ]/2 = [35.000 × (15) ]/2 = 17.500 × 225 = 3.937.500 J = 3, 94 M J,
2 2
EC = [m.v ]/2 = [35.000 × (15) ]/2 = 17.500 × 225 = 3.937.500 J = 3, 94 M J,
onde M é a sigla para mega = 106.

Aula 05  Energia 15


Um bate-estaca, no instante imediatamente anterior ao choque, no ato de fincar
9 uma estaca no solo.

Considere a massa do bate-estaca igual a 200 kg e que este foi levantado de uma altura
de 6 metros.

Determine a velocidade e a energia cinética do bate-estaca no instante imediatamente


anterior ao choque.

10 Um navio transatlântico com velocidade de 27 nós.

1 nó = 1, 85 km/h. Logo, a velocidade do transatlântico, em quilômetros por hora, será


de: 27 nós = 24 × 1, 85 ∼ 50 km/h .
8
Massa do transatlântico igual a: 150.000 t = 150.000.000 kg = 1, 5 × 10 kg.

Determine a energia cinética do transatlântico.

Lembre-se de transformar a velocidade de km/h para m/s; a razão de transformação


pode ser escrita como: 1 km/h = 1/3,6 m/s.

Solução
A velocidade do transatlântico, em m/s, será:
v = 50 km/h = 50 × 1/3, 6 m/s = 13, 9 m/s.
E sua energia cinética será:
2 8 2 7
EC = [m.v ]/2 = [1, 5 × 10 × (13, 8) ]/2 = 7, 5 × 10 × 193, 2 = 1.449 × 10
2 8 2 7 7
EC = [m.v ]/2 = [1, 5 × 10 × (13, 8) ]/2 = 7, 5 × 10 × 193, 2 = 1.449 × 10 J
ou:
EC = 14, 5 GJ.

16 Aula 05  Energia


Agora, de posse dos resultados para cada uma das dez situações trabalhadas, podemos
concluir nosso jogo intuitivo preenchendo a tabela seguinte. Preencha-a.

Tabela 2

Ordem
Situação EC
crescente

01 Um automóvel com velocidade de 100 km/h.

02 Um gato correndo atrás de um rato. 337, 5 J


03 Um atleta numa corrida de 100 metros rasos.

04 Um ovo após cair de uma mesa. 0, 48 J


05 Uma bola de futebol chutada a 100 km/h.
19
06 A Lua em seu movimento de rotação. 3, 7 × 10 GJ
07 Uma atleta durante uma corrida de maratona.

08 Uma carreta carregada com velocidade de 54 km/h. 3, 94 M J


09 Um bate-estaca, fincando uma estaca no solo.

10 Um navio transatlântico com velocidade de 27 nós. 14, 5 GJ

Compare os resultados obtidos com as suas respostas à atividade 1.

Note que, embora alguns valores da energia cinética apresentem a mesma ordem de
grandeza, quando a situação de menor energia é comparada com a de maior energia, várias
ordens de grandeza as diferenciam. Isso realça a grande diferença que existe entre os valores
da energia cinética dos objetos cotidianamente observados.

A resposta correta para nosso jogo intuitivo–avaliativo é apresentada na tabela


a seguir.

Confira os seus resultados só depois de ter feito a sua tabela.

Tabela 3

Tabela 2 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10

Ordem crescente 7º 3º 5º 1º 2º 10 º 4º 8º 6º 9º

Em nosso jogo não há perdedor, nele todos são ganhadores, pois, observando
atentamente os dados apresentados e realizando todos os cálculos solicitados, você terá
exercitado habilidades intuitivas e perceptivas que certamente lhe darão segurança para
enfrentar novos desafios.

Aula 05  Energia 17


Resumo
Nesta aula, mostramos que quando um trabalho é realizado por uma força sobre
um corpo há uma mudança na sua velocidade, o que se constitui numa variação
de sua energia cinética. A partir de uma situação observada corriqueiramente –
a queda de um objeto sob ação da força gravitacional –, introduzimos o conceito
energia cinética de um objeto e o relacionamos com o trabalho realizado
sobre tal objeto pela referida força. Apresentamos e trabalhamos, também,
exemplos relacionados com as atividades práticas realizadas pelo ser humano
no seu dia-a-dia e de situações simples observadas nos fenômenos naturais.
Propositalmente, resolvemos, ou propusemos, exercícios envolvendo contextos
em que as situações de menor e de maior energia estão diferenciadas por várias
ordens de grandeza uma da outra. Explicitamos, por fim, a grande diferença
entre os valores da energia cinética dos objetos cotidianamente observados,
que nos exemplos dados vão desde 0, 48 J , para a energia cinética de um ovo
19
que caiu de uma mesa antes do choque com o chão, até 3, 7 × 10 GJ , para
a energia cinética da Lua em seu movimento de rotação em torno da Terra.

Auto-avaliação
Com base no que você aprendeu nesta aula, resolva as seguintes questões e problemas.

Em quais das situações mostradas nas figuras a seguir podemos dizer que os
1 objetos em destaque têm energia cinética? Explique sua resposta.

1 2

Homem sobre um cavalo Homem sobre um cavalo


em relação à Terra em relação ao cavalo

18 Aula 05  Energia


3

Duas bolas de bilhar com velocidade v e -v

Responda às questões seguintes baseando-se nesta situação: “Um touro de 600 kg


2 e um garrote de 150 kg estão correndo, ambos com a mesma energia cinética”.

a) Qual dos dois tem maior velocidade? Explique sua resposta.

b) O trabalho que deve ser realizado para fazer parar o garrote é menor, igual ou maior do
que o trabalho para fazer parar o touro? Explique sua resposta.

c) Se ambos são freados pelos chifres, até pararem, por um vaqueiro que faz uma força
de mesmo valor em ambos os casos, a distância percorrida pelo garrote durante o
freamento será maior, igual ou menor que a percorrida pelo touro na situação similar?
Explique sua resposta.

Referências
CARMONA, Humberto de Andrade. Energia e movimento. Fortaleza: Demócrito
Rocha, 2002.

GASPAR, Alberto. Física: mecânica 1. São Paulo: Ática, 2000.

GRUPO DE REELABORAÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA. Física 1: mecânica. São Paulo:


EDUSP, 1990.

MÁXIMO, Antônio; ALVARENGA, Beatriz. Curso de física. São Paulo: Scipione, 2000. v 1.

YOUNG, H.; FREEDMAN, R. A. Física I: mecânica: Sears e Zemansky. 10. ed.São Paulo:
Addison Wesley, 2003.

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Anotações

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