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02/08/2017

Departamento de Ciências e Engenharia de Materiais


Disciplina: Ciência dos Materiais I ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO
Profa Cristiane Xavier Resende
E=hc/λ Características da onda eletromagnética:
amplitude, comprimento de onda e
frequência.

DIFRAÇÃO DE RAIOS X

Raios X (1 a 100 Ǻ)

O espectro eletromagnético é a distribuição da intensidade da


radiação eletromagnética com relação ao seu comprimento de
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onda ou freqüência.

REGIÕES ESPECTRAIS
RAIO X Elétrons das camadas K, L

ULTRAVIOLETA AFASTADO Elétrons de camadas Os raios X são uma forma de radiação


intermediárias
eletromagnética com altas energias e
ULTRAVIOLETA PRÓXIMO E Elétrons de valência comprimentos de onda pequenos-
VISÍVEL comprimentos de onda da ordem do
INFRAVERMELHO PRÓXIMO Vibrações moleculares
espaçamento atômico nos sólidos
E MÉDIO

INFRAVERMELHO Rotações moleculares e


AFASTADO vibrações fracas

MICROONDAS Rotações moleculares


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Principais características dos raios X


HISTÓRICO  Sendo ondas eletromagnética, os raios X possuem todas as
 Os raios X foram descobertos no final do século XIX. propriedades gerais dessas ondas: reflexão, refração, interferência,
difração e polarização.
 O físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen foi o primeiro a
estudar os raios X, foi ele quem descobriu suas principais  Propagam-se em linha reta, com velocidade igual à da luz;
propriedades .
 Tornam fluorescentes muitos corpos sobre os quais incidem;

 Provocam ação química em certas substâncias. Por exemplo,


impressionam chapas fotográficas;

 Atravessam grandes espessuras de materiais.

 Ionizam as moléculas dos gases por onde passam, isto é, arrancam


elétrons dessas moléculas;

 Como são ondas eletromagnéticas, e portanto, não têm carga


Wilhelm Conrad Röntgen, físico que Clássica radiografia feita por elétrica, não são desviadas por campos elétricos, nem por campos
Röntgen, em 1895, mostrando a
primeiramente estudou os raios- X.
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magnéticos.
mão da sua esposa

PRODUÇÃO DE RAIOS X A NÍVEL COMPORTAMENTO DO ESPECTRO DE


ATÔMICO RAIOS X

Para cada diferente transição de


níveis de energia, um comprimento
de onda diferente é emitido.

λ?

(I) Elétron atinge o alvo; (II) Um elétron da camada K é liberado na


forma de fotoelétron, gerando uma vacância nessa camada; (III) Um
elétron de uma camada mais externa (L) ocupa o espaço deixado na Os níveis atômicos de energia e as
camada K; (IV) A energia é liberada na forma de um fóton de Raio-X emissões de radiação referente a
cada transição.
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FONTES DE RAIO X FONTES DE RAIOS X


 Vários materiais distintos podem ser empregados como
ânodo, sendo Cu, Cr, Fe e Mo os mais usuais.

 A seleção do tipo do ânodo está relacionada


Em torno de 98% da energia
principalmente com a natureza do material a ser
cinética dos elétrons é analisado, buscando-se sempre a conjugação
transformada em calor
ânodo/amostra que apresente o menor coeficiente de
absorção de massa, além da relação resolução X
intensidade dos picos do difratograma.
Características dos ânodos mais comuns

O alvo metálico é bombardeado por elétrons acelerados;


Ocorre a emissão de raios X;
Os elétrons são emitidos por um filamento aquecido pela passagem de
corrente elétrica e são acelerados pela aplicação de uma diferença de
potencial;
A radiação emitida representa a superposição de dois espectros: contínuo e 10
característico.

O Fenômeno da Difração de Raios X


O espalhamento de raios-X por um elétron pode ser coerente
ou incoerente.

No espalhamento coerente, a onda espalhada tem direção


definida, mesma fase e mesma energia em relação à onda
incidente. Trata-se de uma colisão elástica.

No espalhamento incoerente, a onda espalhada não tem


direção definida. Ela não mantém a fase nem a energia (é o
chamado Efeito Compton). A colisão é inelástica, e a energia
referente à diferença entre a onda incidente e a onda espalhada
traduz-se em ganho de temperatura (vibração do átomo).

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O FENÔMENO DA DIFRAÇÃO DE RAIOS X

Demonstração de como duas ondas que possuem o mesmo Demonstração de como duas ondas que possuem o mesmo
comprimento de onda  (onda 1 e onda 2) e que permanecem em comprimento de onda  (onda 3 e onda 4) e que se tornam fora de
fase após o evento de dispersão (onda 1’ e 2’) interferem de fase após o evento de dispersão (onda 3’ e 4’) interferem de
maneira construtiva uma na outra. As amplitudes das ondas maneira destrutiva uma na outra. As amplitudes das duas ondas
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dispersas se somam na onda resultante. 13
dispersas cancelam-se entre si.
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LEI DE BRAGG DERIVAÇÃO DA LEI DE BRAGG


1 1´
2 2´
D
A A´
B B´

Lei de Bragg
AB ? n= 2d sen θ
LEI DE BRAGG Derivação da Lei de Bragg usando a geometria da reflexão e aplicando-se
trigonometria. O feixe inferior deve viajar a distância extra (AB + BC) para
continuar viajando paralelo e adjacente ao feixe superior.
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ESPALHAMENTO DE RAIOS X SOBRE A


AMOSTRA
Para que haja uma interferência construtiva das ondas
espalhadas, é necessário que seja obedecida a seguinte
condição:
Lei de Bragg

 é o comprimento de
onda
n é um número inteiro de
ondas (ordem de reflexão)
d é a distância interplanar
 O ângulo de incidência
2 é conhecido como
17 ângulo de difração 18

SITUAÇÃO QUE SATISFAZ A LEI DE BRAGG SITUAÇÃO QUE NÃO SATISFAZ A LEI DE BRAGG

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REGRAS DE REFLEXÃO DA DIFRAÇÃO


LEI DE BRAGG
PARA AS ESTRUTURAS DOS METAIS
A lei de Bragg é uma condição necessária, mas
não suficiente, para difração por cristais
reais.

CÉLULAS UNITÁRIAS PRIMITIVAS

EX: Na estrutura CCC , a soma h+k +l deve ser par para que
ocorra a difração, enquanto para a estrutura CFC h, k e l devem ESSAS REGRAS DE REFLEXÃO MOSTAM QUAIS CONJUNTOS DE
ser todos pares ou impares. INDICE DE MILLER NÃO PRODUZEM DIFRAÇÃO CONFORME PREVISTA
PELA LEI DE BRAGG.

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ANÁLISE DE ESTRUTURAS CÚBICAS


Para as estruturas cúbicas vale a relação: (1)
Família de planos em estruturas cúbicas que
provocam difração

Família (h2+k2+l2) Planos de Difração A Lei de Bragg para ordem de difração igual a 1 é: (2)
Em estruturas Combinando as equações 1 e 2 pode-se obter:
CCC CFC
CCC, a difração é
possível quando a {100} 1 (3)
soma dos índices {110} 2 X
de Miller resulta em
{111} 3 X
um número par. (4)
{200} 4 X X Como  e a são constantes, então:
Para as estruturas
CFC, a difração {210} 5
ocorre quando
todos os índices
{211} 6 X Onde 1 e 2 estão associados aos primeiros planos de
são pares ou todos {220} 8 X X difração. A aplicação da equação 4 associada à tabela permite
são impares. prever que os dois primeiros planos de uma estrutura CCC
{221} 9
resulta no valor sen21/sen22=0,5. No caso das estruturas
23 {310} 10 X 24
CFC, a relação sen21/sen22=0,75.

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Resumindo........ a intensidade da difração


depende:
A magnitude da distância entre dois
planos de átomos adjacentes e paralelos
 da estrutura do cristal (espaçamento interplanar dhlk) é uma
função dos índices de Miller (h, k e l),
 da identidade dos átomos. assim como dos parâmetros de rede

ESTRUTURA
CRISTALINA
CÚBICAS

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PRIMEIRO EXPERIMENTO DE RAIO X EM


Fórmulas das distâncias interplanares dos

SISTEMA CRISTALINO RELAÇÃO


CÚBICO
CRISTAIS
TETRAGONAL
 A idéia de Max Von Laue “se muitos sólidos são um
HEXAGONAL arranjo periódico de átomos (cristais) e se os raios x são
ondas eletromagnéticas com comprimento de onda
ROMBOÉDRICO
comparável ao espaçamento interatômico, quando um feixe
ORTORRÔMBICO
de raios x incidir sobre um cristal deve,para determinadas
condições, ocorrer interferência construtiva (difração)”.
MONOCLÍNICO
sistemas cristalinos

TRICLÍNICO

V=Volume da célula;
Em 1914, Max Von Laue montou um experimento em que um
S11=b2c2sen2 feixe de raio X incidia em um cristal de sulfato de cobre e
por trás do cristal havia uma chapa fotográfica onde foi
S22=a2c2sen2
S33=b2c2sen2
S12=abc2(cos cos - seng) registrada a figura de difração.
S23=a2bc(cos cos - sen)
S13=ab2c(cos cos – sen) 28

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PRIMEIRO EXPERIMENTO DE RAIO X EM EXPERIMENTO DE MAX VON LAUE


CRISTAIS
O artigo cientifico descrevendo a experiência foi publicado em
junho de 1912. Por este trabalho, Max Von Laue foi laureado com
o premio Nobel da física em 1914.

Quando a lei de
Graças as colaborações de Laue e Bragg, naquela mesma época a Bragg é obedecida ,
estrutura de vários compostos, tais como: NaCl, KCl, CaF2, NaNO3 há um pico de
e CaCO3, foram determinadas. Até então, as estruturas cristalinas intensidade ,
de metais, já extensivamente utilizados como Fe e Cu eram responsável pelos
desconhecidas pontos mais claros Padrão de difração
no padrão de Laue de Laue impresso na
Interferência entre chapa fotográfica
raios a nível planar.
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MÉTODOS DE DIFRAÇÃO MAIS UTILIZADOS PREPARAÇÃO DA AMOSTRA


Os métodos de difração de raios X utilizados para estudos de
monocristais e os utilizados para estudos de policristais diferem
basicamente quanto à fixação do ângulo de incidência e •Técnica do Pó
quanto à radiação incidente.

É bastante comum, o material a


 Análise de monocristais (método de Laue) - a radiação
ser analisado encontrar-se na
incidente é branca, isto é, contém todos os comprimentos de forma de pó (partículas finas
onda do espectro e o ângulo de incidência é fixo. orientadas ao acaso) que são
expostas à radiação X
 Analise de policristais (método do pó) - a radiação monocromática. O grande número
incidente é monocromática e o ângulo de incidência varia de partículas com orientação
durante a análise. diferente assegura que a lei de
Bragg seja satisfeita para todos
Os dois equipamentos mais utilizados no método do pó são o os planos cristalográficos
difratômetro e a câmara de Debye- Scherre
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Princípio de Funcionamento do Difratômetro de Raio X

O difratômetro é um aparelho usado para determinar os ângulos nos


Difratogramas típicos e esquemáticos de
quais ocorre a difração em amostras. alguns materiais
A plataforma e a amostra
estão acopladas
mecanicamente, de tal
modo que uma rotação da
amostra por um ângulo  é
acompanhada por uma
rotação do contador que
equivale a 2 ; isso
assegura que os ângulos de
incidência e reflexão sejam 2 2
mantidos iguais um ou
outro.

Diagrama esquemático de um difratômetro de raios X, onde T= fonte de radiação, S=


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amostra, C= detetor e O= o eixo em torno do qual a amostra e o detetor giram.

Difratômetro de Raios X

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Principais Aplicações da Técnica de Principais Aplicações da Técnica de


Difração de Raios- X Difração de Raios- X
 Empregadas na caracterização de materiais cristalinos:  Os raios-x também são usados em outros tipos de
metais, ligas metálicas, cerâmicas, minerais, polímeros, investigações de materiais. É possível determinar as
etc. orientações cristalográficas de monocristais usando
fotografias de difração de raios-x (Método de Laue)
 Informações: identificação de fases, tamanho de grãos, 
tamanhos de cristalitos e perfeição dos cristais.

Determinação da estrutura cristalina. Tamanho e a


geometria da célula unitária podem ser obtidos a partir de
posições angulares dos picos de difração, enquanto o
arranjo dos átomos no interior da célula unitária está
associado
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às intensidades relativas desses picos. 38

Principais Aplicações da Técnica de


Difração de Raios- X
 Determinação do tamanho dos grãos e dos cristais ou
partículas

When the size of the individual crystals is less than


about 100 nm (1000 A), the
term "particle size" is usually used

B = broadening of diffraction line


measured at half its maximum intensity
(radians)

39 t = diameter of crystal particle 40

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Exemplo 1: O difratograma do molibdênio mostrado na figura ao lado foi Exemplo 2: Para o ferro com estrutura cristalina CCC,
obtido em um equipamento com raios X com =0,1542x10-9 m. Sabendo-se calcule (a) o espaçamento interplanar , e (b) o ângulo de
que tal elemento exibe estrutura cúbica CCC ou CFC, determine:
difração para o conjunto de planos (220). O parâmetro de
•o tipo de estrutura cúbica; rede para o Fe equivale a 0,2866 nm. Ainda, admita que uma
•o primeiro plano a apresentar difração;
radiação monocromática com comprimento de onda de
•a distância interplanar relativa a esse primeiro plano;
•o parâmetro de rede dessa estrutura; 0,1790 nm seja usada, e que a ordem de reflexão seja de 1.
•o raio atômico do molibdênio.
Considere difração de 1a ordem.
Lei de Bragg
Sistemas cúbicos

2 = 41,0; 59,0; 73,6 e 87,4o


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Exemplo 3: O metal rubídio possui uma estrutura cristalina CCC. Se o Exemplo 4: Para qual conjunto de planos cristalográficos irá ocorrer um
ângulo de difração para o conjunto de planos (321) ocorre a 27,00 pico de difração de primeira ordem em um ângulo de difração (2) de
(reflexão de primeira ordem) quando é usada radiação X 46,21 para o ferro CCC quando for usada radiação monocromática com
monocromática com comprimento de onda de 0,0711 nm, calcule (a) o comprimento de onda de 0,0711 nm?
espaçamento interplanar para este conjunto de planos e (b) o raio para
o átomo de rubídio.

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