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Direito Penal - Quadro-Esquemático dos Crimes Contra a Administração da Justiça (Arts. 338 a 359)

Titulação do Crime

Capitulação Legal

Exemplo

Pena

Atenuate/Agravante

Art. 338 - Reingresso de estrangeiro expulso

Reingressar no território nacional o estrangeiro que dele foi expulso:

O tipo penal caracteriza-se pela reentrada do estrangeiro expulso no território nacional, entendendo-se este como o seu espaço aéreo e terrestre, não se incluindo pois o território nacional por disposição legal, tal como navio e avião.

Reclusão: de 1 a 4 anos, sem prejuízo de nova expulsão após o cumprimento da pena.

 
 

Dar causa à instauração de investigação policial,

   
  • - A pena é aumentada de sexta parte,

Art. 339 -

de processo judicial, instauração de investigação

se o próprio policial coloca droga na bolsa de alguém e a prende em flagrante, há crime de

Reclusão: de 2 a 8 anos, e

se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto.

Denunciação caluniosa

administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém,

denunciação caluniosa” e de “abuso de autoridade

multa.

  • - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de

imputando-lhe crime de que o sabe inocente

contravenção.

Art. 340 -

 
  • - o agente se limita a comunicar falsamente a

   

Comunicação falsa de crime ou de contravenção

Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado:

ocorrência de crime ou contravenção, não apontando qualquer pessoa como responsável por eles ou então apontando pessoa que não existe

Detenção: de 1 a 6 meses, ou multa.

Art. 341 - Auto-

 
  • - preso já condenado por vários crimes assume a

   

Acusar-se, perante a autoridade, de crime

autoria de crime que não cometeu para livrar

Detenção: de 3 meses a 2

acusação falsa

inexistente ou praticado por outrem:

outra pessoa da cadeia.

anos, ou multa.

       
  • - As penas aumentam-se de um sexto a

um terço, se o crime é praticado

Art. 342 - Falso

Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou

Consiste pois no fato de que, em processo judicial, administrativo, cível, criminal, a pessoa arrolada como testemunha, ao depor, ou o perito

mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal, ou em processo civil em que for parte

testemunho ou falsa perícia

intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral:

ou intérprete ao atuar no feito, pratica a falsa afirmação, a negativa de que sabe quando

Reclusão: de 1 a 3 anos, e multa.

entidade da administração pública direta ou indireta.

inquirido (negar a verdade) e a omissão ou silêncio.

- O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade.

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Atualizado em Julho/2010

Art. 343

Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução ou interpretação:

a conduta se caracteriza pelo falso testemunho ou falsa perícia mediante suborno, aqui o núcleo do tipo é o dar, oferecer ou prometer o suborno com fins de obter o falso testemunho ou a falsa perícia.

Reclusão: de 3 a 4 anos, e multa.

As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta.

Art. 344 - Coação no curso do processo

Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral:

Consiste este crime no fato do agente utilizar-se de violência ou grave ameaça a qualquer pessoa que venha a intervir no processo (juiz, partes, intervenientes, serventuários, testemunhas e peritos) com vistas a obter vantagem para si ou para outrem

Reclusão: de 1 a 4 anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

 

Art. 345 - Exercício arbitrário das

Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o

- Trata-se o crime em questão do agente que se julgando titular de um direito pretende realizá-lo sem a interferência da justiça;

Detenção: de 15 dias a 1 mês, ou multa, além da pena correspondente à

Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se procede

próprias razões

permite:

- resolver a questão de maneira particular.

violência.

mediante queixa.

Art. 346 - Subtração, supressão ou dano a coisa própria na posse legal de terceiro

Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou convenção:

Trata-se de crime assemelhado ao do artigo antecedente. No presente caso, o agente inconformado com a decisão judicial ou convenção que lhe tolhiu da posse do objeto tenta tirá-lo, suprimi-lo, destruí-lo ou danificá-lo sem buscar os meios judiciais adequados para tanto, entendendo que o judiciário se equivocou, busca resolver a questão com as próprias mãos.

Detenção: de 6 meses a 2 anos, e multa.

 

Art. 347 - Fraude processual

Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:

alterar características do objeto que será periciado; simular maior dificuldade auditiva ou qualquer outra redução da capacidade laborativa em ação acidentária; colocar arma na mão da vítima de homicídio para parecer que esta se suicidou, suprimir provas, eliminar impressões digitais; homem que faz vasectomia, para que ele fique impotente de gerar e consiga provar que o filho não poderia ser seu numa ação de reconhecimento de paternidade; fazer uma operação plástica para mudar a aparência etc

Detenção: de 3 meses a 2 anos, e multa.

Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro.

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Art. 348 - Favorecimento pessoal

Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a que é cominada pena de reclusão:

ajudar na fuga, emprestando carro ou dinheiro ou, ainda, por qualquer outra forma; esconder a pessoa em algum lugar para que não seja encontrada; enganar a autoridade dando informações falsas acerca do paradeiro do autor do delito (despistar) etc.

Detenção: de 1 a 6 meses, e multa.

Se ao crime não é cominada pena de reclusão: detenção, de quinze dias a três meses, e multa. Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena.

Art. 349 - Favorecimento real

Prestar a criminoso, fora dos casos de co-autoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime:

esconder o objeto do crime para que o autor do delito venha buscá-lo posteriormente, transportar os objetos do crime; guardar para o homicida dinheiro que este recebeu para matar alguém etc

Detenção: de 1 a 6 meses, e multa.

 

Art. 349-A.

Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional.

 

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

 
 

Ordenar ou executar medida privativa de liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder:

     

Na mesma pena incorre o funcionário que:

Art. 350 - Exercício arbitrário ou abuso de poder

I - ilegalmente recebe e recolhe alguém a prisão, ou a estabelecimento destinado a execução de pena privativa de liberdade ou de medida de segurança; II - prolonga a execução de pena ou de medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de executar imediatamente a ordem de liberdade; III - submete pessoa que está sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei; IV - efetua, com abuso de poder, qualquer diligência.

ordenar a prisão, no caso o agente é o superior, ou receber e encarcerar a vítima, aqui o agente é o subordinado, ou manter encarcerado quem já era para estar em liberdade

Detenção: de 1 mês a 1 ano.

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  • - Se o crime é praticado a mão

armada, ou por mais de uma pessoa, ou mediante arrombamento, a pena é

de reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.

  • - Se há emprego de violência contra

Art. 351 - Fuga de

Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente

  • - o fato pode dar-se em penitenciárias ou cadeias públicas, ou em qualquer outro local (viatura em

pessoa, aplica-se também a pena correspondente à violência.

pessoa presa ou

presa ou submetida a medida de segurança

que o preso é escoltado, hospital onde recebe

  • - A pena é de reclusão, de um a quatro

submetida a medida de segurança

detentiva:

tratamento etc.).

Detenção, de 6 meses a 2 anos.

anos, se o crime é praticado por pessoa sob cuja custódia ou guarda está o preso ou o internado.

  • - No caso de culpa do funcionário

incumbido da custódia ou guarda, aplica-se a pena de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.

Art. 352 - Evasão mediante violência contra a pessoa

Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa:

 

Detenção: de 3 meses a 1 ano, além da pena correspondente à violência.

 

Art. 353 - Arrebatamento de

Arrebatar preso, a fim de maltratá-lo, do poder de

arrebatar significa tirar o preso, com emprego de violência ou grave ameaça, de quem tenha sob custódia ou guarda, a fim de maltratá-lo - ex.:

Reclusão, de 1 a 4 anos, além da pena

 

preso

quem o tenha sob custódia ou guarda:

tirar o preso do interior da delegacia de polícia para ser linchado por populares.

correspondente à violência.

   
  • - motim é a revolta conjunta de grande número

   

Art. 354 - Motim de presos

Amotinarem-se presos, perturbando a ordem ou disciplina da prisão:

de presos em que os participantes assumem posição de violência contra os funcionários, provocando depredações com prejuízos ao Estado e à ordem e disciplina da cadeia.

Detenção: de 6 meses a 2 anos, além da pena correspondente à violência.

Art. 355 - Patrocínio infiel

Trair, na qualidade de advogado ou procurador, o dever profissional, prejudicando interesse, cujo patrocínio, em juízo, lhe é confiado:

 

Detenção, de 6 meses a 3 anos, e multa.

 

Patrocínio simultâneo ou tergiversação

Incorre na pena deste artigo o advogado ou procurador judicial que defende na mesma causa, simultânea ou sucessivamente, partes contrárias.

consiste no dolo dirigido do advogado que constituído para defender o seu cliente, não cumpre eticamente seu mandato, causando efetivo prejuízo ao seu constituinte, em processo em curso no judiciário, seja cível, seja trabalhista, criminal, etc.

Detenção, de 6 meses a 3 anos, e multa.

 

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Art. 356 - Sonegação de papel ou objeto de valor probatório

Inutilizar, total ou parcialmente, ou deixar de restituir autos, documento ou objeto de valor probatório, que recebeu na qualidade de advogado ou procurador:

trata-se de conduta em que o agente, intencio- nalmente, após receber na qualidade de procurador ou advogado, objeto de prova, ou autos de processo, os danifica total ou parcialmente, ou não os restitui.

Detenção: de seis a três anos, e multa.

 

Art. 357 - Exploração de prestígio

Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha:

Trata-se de conduta de quem intencionalmente pretende auferir vantagem da vítima, diz-se gozar de influência junto a juízes, promotores, jurados, peritos, testemunhas, intérpretes e delegados, sob esta condição solicita ou obtém vantagem sob o argumento de que convencerá algumas das pessoas indicadas a influenciar na decisão de acordo com os interesses da vítima.

Reclusão, de 1 a 5 anos, e multa.

As penas aumentam-se de um terço, se o agente alega ou insinua que o dinheiro ou utilidade também se destina a qualquer das pessoas referidas neste artigo.

Art. 358 - Violência ou fraude em arrematação judicial

Impedir, perturbar ou fraudar arrematação judicial; afastar ou procurar afastar concorrente ou licitante, por meio de violência, grave ameaça, fraude ou oferecimento de vantagem:

 

Detenção: de 2 meses a 1 ano, ou multa, além da pena correspondente à violência.

 

Art. 359 - Desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito

Exercer função, atividade, direito, autoridade ou múnus, de que foi suspenso ou privado por decisão judicial:

o crime consiste na conduta dolosa, em que o agente tem contra si decisão judicial com trânsito em julgado, determinando que se abstenha de exercer uma das prerrogativas acima, e não obstante, o mesmo desconsidera a ordem judicial e as exerce. Não é necessária a intenção em desobedecer a decisão, bastando que não a cumpra.

Detenção: de 3 meses a 2 anos, ou multa.

 

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