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Suporte para o estudo de “Os Lusíadas”

Um poema épico, ou Epopéia é um poema heróico narrativo extenso, uma coleção


de feitos, de fatos históricos, de um ou de vários indivíduos, reais, lendários ou mitológicos.
A Epopéia eterniza lendas seculares e tradições ancestrais, preservadas ao longo dos
tempos pela tradição oral ou escrita. Os primeiros grandes modelos ocidentais de epopéia
são os poemas homéricos a Ilíada e a Odisséia, os quais têm a sua origem nas lendas sobre
a guerra de Tróia.
A Epopéia pertence ao gênero épico, mas embora tenha fundamentos históricos, não
representa os acontecimentos com fidelidade, geralmente reveste os acontecimentos
relatados com conceitos morais e atos exemplares que funcionam como modelos de
comportamento.

A obra “Os Lusíadas” se organiza em cinco partes fundamentais:

1 - Proposição (Canto I, Estrofes 1 a 3).


Apresentação da matéria a ser cantada: os feitos dos navegadores portugueses, em especial
os da esquadra de Vasco da Gama e a história do povo português

2 - Invocação (Canto I, Estrofes 4 e 5).


O poeta invoca o auxílio das musas do rio Tejo, as Tágides, que irão inspirá-lo na
composição da obra.

3 - Dedicatória (Canto I, Estrofes 6 a 18).


O poema é dedicado ao rei Dom Sebastião, visto como a esperança de propagação da fé
católica e continuação das grandes conquistas portuguesas por todo o mundo.

4 - Narração (Canto I, Estrofe 19 a Canto X, Estrofe 144).


A matéria do poema em si. A viagem de Vasco da Gama e as glórias da história heróica
portuguesa.

5 - Epílogo (Canto X, Estrofes 145 a 156).


Grande lamento do poeta, que reclama o fato de sua “voz rouca” não ser ouvida com mais
atenção.
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• Estrutura

Publicado em 1572, Os lusíadas é considerado o maior poema épico da língua portuguesa.


Constituído de dez cantos (canto é a maior unidade de composição da epopéia, estando para
esse gênero como o capítulo está para o romance).
Os lusíadas somam 1102 estrofes, em oitava-rima [ABABABCC]. Ao todo, são 8816
versos decassílabos.

• Título

Lusíadas - significa 'Lusitanos', ou seja, são os próprios lusos, em sua alma como em sua
ação.

• Herói

O herói de Os lusíadas não é Vasco da Gama, mas sim todo povo português [do qual Vasco
da Gama é digno representante].

• Tema

Camões cantará as conquistas de Portugal, as glórias dos navegadores, os reis do passado;


em outras palavras, a história de Portugal

• Ação

A ação histórica- a viagem de Vasco da Gama, onde são também apresentados fatos
importantes da história de Portugal;
A ação mitológica- a luta entre Vênus [protetora dos portugueses] e Baco [adversário
desses navegantes].

Partes:

1ª parte - Proposição do assunto [canto I, estrofes 1, 2 e 3]

É a exposição do assunto do poema. O poeta declara que espalhará por toda parte a fama
dos heróis lusitanos que fizeram a grande viagem de descobrimento da Índia; cantará,
também, a glória de reis conquistadores de África e Ásia, para onde levaram a fé cristã.

As armas e os barões assinalados


Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Trapobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
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2ª parte - Invocação às musas [canto I, estrofes 4 e 5]

Camões dirige-se às Tágides, as ninfas do rio Tejo, pedindo inspiração para a poesia.

3ª parte - Dedicatória a Dom Sebastião [canto I, estrofes 6 a 18]

Camões dedicou a sua epopéia a Dom Sebastião, rei de Portugal quando o poema foi
publicado.

4ª parte - Narração da viagem de Vasco da Gama [estrofes 19 a 1045]

Camões narra a viagem de Vasco da Gama às Índias. Em meio às peripécias da viagem,


relata episódios importantes da história de Portugal.

A narrativa, que abrange a viagem de ida e a de volta, não segue a ordem linear,
cronológica: quando se inicia esta parte, os navegantes já estão no meio do oceano, em
plena viagem.

Episódios importantes:

Inês de Castro [canto III].


Velho do Restelo [canto IV].
Gigante Adamastor [canto V].
Ilha dos Amores [cantos IX e X].
Canto V - O Gigante Adamastor

Uma tempestade ameaça a esquadra de Gama, quando ela se aproxima do Cabo das
Tormentas. Eis que uma figura gigantesca, horrenda e ameaçadora surge no ar. É
Adamastor, que ameaça os portugueses, dizendo-lhes que o preço de haverem descoberto
seu segredo seria alto. Profetiza os naufrágios que ocorreriam em suas águas, e os horrores
por que passariam os que àquela terra viriam a ter. Vasco interpela o Gigante, perguntando-
lhe quem era. Disse ser ele o Tormentório [Cabo das Tormentas]. Muito tempo atrás,
apaixonara-se pela bela ninfa [deusa das águas] Tétis, a quem vira um dia sair pela praia em
companhia das nereidas [deusas que habitam o mar]. Compreendendo que por ser gigante,
feio e disforme, não poderia conquistá-la por meios normais, ameaçou a mãe dela [a deusa
Dóris] para que essa lhe entregasse a ninfa. Caso isso não se realizasse, ele a tomaria
mediante o uso das armas.
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Dóris fez com que a bela Tétis lhe aparecesse nua... E ele, desesperado de desejo, começou
a beijar-lhe os lindos olhos, a face e os cabelos.
Mas, aos poucos, percebeu, horrorizado, que, na verdade, estava beijando era um penedo
[rochedo] e ele próprio se transformara noutro penedo. Aquela Tétis que ele vira era apenas
um 'arranjo' artificial que os deuses prepararam para puni-lo por sua audácia.

Desde então deixou de ser um gigante mitológico e passou a cumprir seu castigo
transformado num simples acidente geográfico. Continuava, para aumentar o rigor de sua
pena, a contemplar, petrificado, a bela Tétis passeando nua pela praia.
A única maneira que encontrava para desabafar o seu desespero e a sua frustração era
destruir, com fantásticas tempestades, os navios que por ele tentavam passar.

37. Porém já cinco sóis eram passados


Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca de outrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprando,
Quando uma noite, estando descuidados
Na cortadora proa vigiando,
Uma nuvem, que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.

39. Não acabava, quando uma figura


Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má e a cor terrena e pálida;
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.

40. Tão grande era de membros, que bem posso


Certificar-te que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo.
Co'um tom de voz nos fala, horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo,
Arrepiam-se as carnes e o cabelo,
A mim e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo!

5ª parte - Epílogo contendo um fecho dramático a respeito da cobiça [estrofes 1046 a 1102]
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1.(MACKENZIE-SP) Sobre o poema Os Lusíadas, é incorreto afirmar que:

a) quando a ação do poema começa, as naus portuguesas estão navegando em pleno Oceano
Índico,portanto no meio da viagem;
b) na Invocação, o poeta se dirige às Tágides, ninfas do rio Tejo;
c) na ilha dos Amores, após o banquete, Tétis conduz o capitão ao ponto mais alto da ilha, onde lhedescenda
a "máquina do mundo";
d) tem como núcleo narrativo a viagem de Vasco da Gama, a fim de estabelecer contato marítimo com as
Índias;
e) é composto em sonetos decassílabos, mantendo em 1.102 estrofes o mesmo esquemas de rimas.

2. (FUVEST) Leia os versos transcritos de Os lusíadas, de Camões, para responder ao teste.

Tu, só tu, puro Amor, com força crua,


Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.

Assinale a afirmação incorreta em relação aos versos transcritos:

a) A apóstrofe inicial da estrofe introduz um discurso dissertativo a respeito da natureza do sentimento


amoroso.
b) O amor é compreendido como uma força brutal contra a qual o ser humano não pode oferecer resistências.
c) A causa da morte de Inês é atribuída ao amor desmedido que subjugou completamente a jovem.
d) A expressão "se dizem" indica ser senso comum a idéia que brutalidade faz parte do sentimento amoroso.
e) Os versos associam a causa da morte de Inês não só à força cruel do amor, mas também aos perigosos
riscos que a jovem inimiga representava para o rei.

3. (POLI) Camões em alemão

"Nas pequenas obras líricas de Camões encontramos graça e sentimento profundo, ingenuidade, ternura,
melancolia cativante, todos os graus de sentimentos mais debilitados, indo do prazer mais suave até o desejo
mais ardente, saudade e tristeza, ironia, tudo na pureza e claridade da expressão simples, cuja beleza não
podia ser mais acabada, e cuja flor não podia ser mais florescente. Seu grande poema, "Os Lusíadas", é um
poema heróico no pleno sentido da palavra. Camões tira do poeta Virgílio a idéia de um poema épico nacional
que compreenda e apresente, sob a luz mais fulgurante, a fama, o orgulho e a glória de uma nação desde
suas mais antigas tradições."

(Esse trecho foi extraído do curso de Friedrich Schlegel (1772-1829), conceituado filósofo romântico alemão,
sobre história da literatura européia, e publicado no Caderno Mais da Folha de São Paulo, em 21 de maio de
2000.)

Tendo em vista o texto acima, seria incorreto afirmar que:

a) em Os Lusíadas, Camões resgata alguns episódios tradicionais portugueses, como o de Inês de Castro.
b) em Os Lusíadas, Camões invoca as Tágides, ninfas do rio Tejo, a fim de que lhe dêem inspiração na
construção deste seu poema heróico.
c) em Os Lusíadas, Camões canta a fama e a glória do povo português.
d) em Os Lusíadas, Camões narra a viagem de Vasco da Gama às Índias, sendo este navegador o grande
herói português aclamado no poema.
e) em Os Lusíadas, Camões dedica o poema a Dom Sebastião, e encerra tal obra um tanto quanto
melancólico diante da estagnação cultural portuguesa.
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4. (UNISA) Assinale a alternativa incorreta, em relação a Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões:

a) Foi publicada em 1572.


b) Contém 10 cantos.
c) Contém 1102 estrofes em oitava rima.
d) Conta a viagem de Vasco da Gama às Índias.
e) N.d.a.

5. (UNISA) A obra épica de Camões, Os Lusíadas, é composta de cinco partes, na seguinte ordem:

a) Narração, Invocação, Proposição, Epílogo e Dedicatória.


b) Invocação, Narração, Proposição, Dedicatória e Epílogo.
c) Proposição, Invocação, Dedicatória, Narração e Epílogo.
d) Proposição, Dedicatória, Invocação, Epílogo e Narração.
e) N.d.a.
6. (FUVEST) Leia os textos que seguem.

Texto I - Mar português

Ó mar salgado, quanto do teu sal


São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa

Texto II

“Em tão longo caminho e duvidoso


Por perdidos as gentes nos julgavam,
As mulheres co’um choro piedoso,
Os homens com suspiros que arrancavam.
Mães, esposas, irmãs, que o temeroso
Amor mais desconfia, acrescentavam
A desesperação e frio medo
De já nos não tornar a ver tão cedo."

Camões

A partir dos trechos e de seus conhecimentos de Os Lusíadas, assinale a alternativa incorreta.

a) O texto II pertence ao episódio “O velho do Restelo”, de Os Lusíadas, em que Camões indica uma crítica às
pretensões expansionistas de Portugal, nos séculos XV e XVI.
b) Apesar das diferenças de estilo, tanto o texto de Camões quanto o de Fernando Pessoa indicam uma
mesma idéia: a de que o caráter heróico das descobertas marítimas exige e justifica riscos e sofrimentos.
c) O fato de Camões, em Os Lusíadas, lançar dúvidas sobre a adequação das conquistas ultramarinas – o
assunto principal do poema – contrapõe-se ao modelo clássico da epopéia.
d) Ainda que abordem uma mesma circunstância histórica e ressaltem as mesmas reações humanas, o texto
de Fernando Pessoa e o episódio “O velho do Restelo” chegam a conclusões diferentes sobre a validade das
navegações portuguesas.
e) Os dois textos referem-se aos sofrimentos que a expansão marítima portuguesa provocou.
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7. (PUC-PR) Sobre o narrador ou narradores de os Lusíadas, é lícito afirmar que:

a) existe um narrador épico no poema: o próprio Camões;


b) existem dois narradores no poema: O eu-épico, Camões fala através dele, e o outro, Vasco da Gama, que
é quem dá conta de toda a História de Portugal.
c) o narrador de Os Lusíadas é Luiz Vaz de Camões;
d) O narrador de os Lusíadas é o Velho do Restelo;
e) O narrador de Os Lusíadas é o próprio povo português.

8. (FUVEST) Em Os Lusíadas, as falas de Inês de Castro e do Velho do Restelo têm em comum:

a) a ausência de elementos de mitologia da Antigüidade clássica.


b) a presença de recursos expressivos de natureza oratória.
c) a manifestação de apego a Portugal, cujo território essas personagens se recusavam a abandonar.
d) a condenação enfática do heroísmo guerreiro e conquistador.
e) o emprego de uma linguagem simples e direta, que se contrapõe à solenidade do poema épico.

9. (UFRGS) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, relacionadas aos Cantos I a Vda
epopéia Os Lusíadas, de Camões:

( ) A presença do elemento mitológico é uma forma de reconhecimento da cultura clássica, objeto de


admiração e tmitacáo no Renascimento.
( )A disputa entre os deuses Vênus e Baco, da mitologia clássica, é um recurso literário de que Camões faz
uso para criar o enredo de Os Lusíadas.
( ) Do Canto I ao Canto V lêem-se as peripécias da viagem dos portugueses até a sua chegada á India,
quando eles tornam posse daquela terra.
( ) No Canto II, lê-se a narração da viagem dos portugueses a Melinde, cujo rei pede a Camões que conte a
história de Portugal:

a)V— V— V— F
b) V — F — F — V
c) F — V — F — V
d)F — F — V— F
e) V — V — F — F

10. (PUC-SP) Dos episódios Inês de Castro e O Velho do Restelo, da obra Os Lusíadas, de Luiz de Camões,
NÃO é possível afirmar que:

a) O Velho do Restelo, numa antevisão profética, previu os desastres futuros que se abateriam sobre a Pátria
e que arrastariam a nação portuguesa a um destino de enfraquecimento e marasmo.
b) Inês de Castro caracteriza, dentro da epopéia camoniana, o gênero lírico porque é um episódio que narra
os amores impossíveis entre Inês e seu amado Pedro.
c) Restelo era o nome da praia em frente ao templo de Belém, de onde partiam as naus portuguesas nas
aventuras marítimas.
d) tanto Inês de Castro quanto O Velho do Restelo são episódios que ilustram poeticamente diferentes
circunstâncias da vida portuguesa.
e) o Velho, um dos muitos espectadores na praia, engrandecia com sua fala as façanhas dos navegadores, a
nobreza guerreira e a máquina mercantil lusitana.

Observação:

Caros alunos, o Classicismo não é um conteúdo novo para vocês, pois é um dos primeiros
movimentos que o aluno no ensino médio entra em contato. Esse conteúdo fará parte do
Revisanglo. Favor trazer esse questionário, pronto e respondido, para a próxima aula, assim
como o questionário do livro.

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