Comunicação Internacional de Negócios: Lusofonia, Oportunidades e Desafios Ricardo Salomão, Universidade Aberta Resumo Neste artigo procura-se fundamentar

teoricamente o domínio de investigação da Política de Línguas Estrangeiras, filiando-o no Planeamento Linguístico (da Aquisição). Posteriormente, procura-se caracterizar a Comunicação Internacional de Negócios como uma sua área aplicada, intervindo no domínio das Comunicações de Exportação, ao nível da empresa, entendida como planeamento de recursos linguísticos e culturais. Finalmente, apresenta-se o caso específico das comunicações de exportação Luso-Brasileiras, realçando a dicotomia entre a oportunidade da comunhão linguística, contrastada com o desafio apresentado por culturas de negócio distintas. Palavras chave: Política de Língua, Planeamento Linguístico, Política de Línguas Estrangeiras, Comunicação Internacional de Negócios, Comunicações de Exportação.

Abstract In this article we try to define the scientific domain of Foreign Languages Policy, routing its theoretical foundations to Language (Acquisition). Defined the theoretical framework, we try to characterize the International Business Communication as one of Foreign Languages Policy’s applied fields with special interest in Export Communications, a specially sensitive domain where the planning of linguistic and cultural resources is critical. Finally, it is exemplified by the case of Portuguese-Brazilian export communications, specifically pinpointing the dichotomy presented by a common language versus a distinct business culture.

na medida em que a realidade a obriga a uma série de opções sobre o conhecimento e utilização de línguas dos clientes assim como das respectivas culturas. podemos identificar claramente a sua ocorrência ao longo da História como resposta às mais diversas situações políticas. nos mercados onde deseja interagir. uma empresa em que a exportação constitui uma área importante dos seus negócios. Language Planning. nem que seja por omissão. por mais pequena que seja. suportada pela compatibilidade de recursos disponíveis. é forçada a adoptar uma estratégia de planeamento linguístico (e cultural). International Business Communication. Enquadramento teórico Considerando o Planeamento Linguístico e a Política de Língua no escopo alargado das actividades humanas. Foreign Language Policy. mas também a garantia de existência no seu espaço territorial de competências linguísticas e culturais diversas que permitam municiar a intensa rede de relacionamentos internacionais que é fundamental aos estados modernos. 2. A intensa e múltipla interacção transnacional que caracteriza o quotidiano actual impõe aos estados. já não apenas a defesa e divulgação da sua língua nacional dentro e fora das suas fronteiras. vieram colocar um claro desafio no domínio do Planeamento Linguístico e Política de Língua (PLPL). Por outras palavras. especialmente quando comunidades com línguas e . a necessidade de competências culturais e linguísticas que permitam entrar com sucesso em mercados estrangeiros. sociais ou naturais. Uma empresa exportadora. enquadradas no processo alargado de globalização.Keywords: Language Policy. Introdução As profundas transformações sociais que temos testemunhado nas décadas mais recentes. com a frieza dos números. Export Communication. As actividades de exportação são uma área clara (e vital) onde se apresenta. vai obrigatoriamente criando a sua estratégia de comunicações de exportação. 1.

1997) por exemplo] a década de 1950 como a de afirmação da sua origem. desta vez no âmbito de uma instituição. onde. Igualmente. constitui ainda outro exemplo. uma língua. no âmbito das línguas comunitárias e correspondentes opções de línguas nacionais. em detrimento do Latim.. constitui outro exemplo. vindo finalmente a ser alterado apenas na segunda metade do século XX. etc. prevalecendo o conceito de uma nação. nos âmbitos mais variados da dicionarização. por aplicar concepções políticas próprias do “ocidente”. e ainda no domínio . sendo unanimemente aceite pelos autores mais proeminentes [veja-se (Ricento. podem constituir exemplos claros. não era frequente o domínio de 4 ou 5 línguas diferentes. romanização. por exemplo. a afirmação da Política de Língua e Planeamento Linguístico (PLPL) é muito mais recente. no que muitas vezes é referido como uma necessidade de “construção de nações”. no âmbito da “construção de nações” e que já identificámos. de génese. seguida por um segundo. Como domínio científico. O estatuto do Latim definido pela Igreja Católica e discutido durante séculos. Neste segundo período surgiram críticas de natureza política. que contesta a orientação e a prática dominante na investigação até aí desenvolvida. (Wright. 2004) ou (Kaplan & Baldauf Jr. são identificados três períodos distintos na evolução do domínio científico do PLPL: o primeiro. Foram apresentados argumentos igualmente substantivos. Continuando no domínio da unanimidade dos autores. 2000). quer no domínio do corpus. acusando a orientação anterior de neocolonialismo.culturas diversas se defrontaram com a realidade de contactos frequentes e intensos. e não numa nação. As opções das coroas portuguesa e castelhana nas suas línguas nacionais como “companheiras do império”. crítico. a estratégia de Richelieu na implantação do Francês como língua verdadeiramente nacional. quer no domínio de questões de estatuto. motivada pela dinâmica do pós-guerra e da sua influência no surgimento de novas nações. um estado.

mas sim seguir um fio condutor que identifica o seu enquadramento teórico. mas inquestionavelmente nas agendas internacionais a partir da década de 90 do século passado. a alterar profundamente as premissas de reflexão no domínio do PLPL. dentro das suas fronteiras. uma vez que acrescenta um novo nível de necessidades de planeamento. Este terceiro. período da investigação no domínio científico da PLPL é dominado pela implantação. vindo. No entanto. especialmente. uma vez que as interacções se intensificam. e actual. pelas implicações no sistema educativo directamente ligadas às definições da Política de Língua Nacional. tratou de colocar um novo desafio aos investigadores. dentro e fora dos seus espaços territoriais. particularmente capacitados pelas tecnologias de informação e comunicação. assim. Na verdade. é exactamente neste ponto. Não é objectivo deste artigo explorar o quadro presente da reflexão neste domínio científico. que encontramos a sua clara justificação. políticos. e no domínio científico do PLPL determinou um novo período de investigação dominado por temáticas diferentes das anteriores. À medida que a globalização se acentuava. fortemente influenciado pelo processo de Globalização.da aquisição. a existência de competências linguísticas e culturais estrangeiras que lhe são necessárias para desenvolver os seus Decerto com origens bem anteriores. que através da sua evolução. Este processo de profunda transformação das sociedades que temos assistido nas últimas duas décadas1 tem sido identificado genericamente como Globalização. entre comunidades. deixou de ser suficiente que os estados planifiquem a defesa e difusão da(s) sua(s) língua(s) e cultura(s) nacional(/ais). A contestação aos métodos e mesmo as dúvidas levantadas quanto à própria essência dos propósitos do PLPL vieram a ser ultrapassados pela própria realidade. empresas e mesmo cidadãos. 1 . torna-se igualmente necessário que o estado acautele. económicos e sociais entre estados e. a intensificação dos contactos diplomáticos. crescimento e fortalecimento de instituições transnacionais.

na definição de Política de Línguas Estrangeiras. como por exemplo Portugal. Assim. na conferência “Borders Open! Mouths Shut?” (Tuin & Westhoff. o volume das suas exportações é um factor crítico para o seu desenvolvimento e para o bem-estar dos seus cidadãos.contactos transnacionais. Um destes casos cruciais é constituído pelas relações económicas. como campos de investigação do PLPL impostos pelos desafios que a realidade actual coloca. na circunstância da entrada da Holanda na então CEE. Em certos casos. Para a maioria dos estados economicamente abertos. mas beneficiando da herança teórica e metodológica própria do domínio do PLPL. A Política de Línguas Estrangeiras. 29) podemos mais facilmente obter uma visão panorâmica dos campos de actuação do PLPL: Figura 1 . pelo que foi atrás exposto.Quadro Integrativo de Ricento2 2 Destaque rectangular nosso. . a Comunicação Internacional de Negócios e as Comunicações de Exportação afiguram-se. Assim. chamando a atenção para a necessidade de equilibrar as competências linguísticas com as novas realidades políticas e económicas. a existência desses recursos são fundamentais. p. As comunicações de exportação constituem-se assim como um campo de investigação e acção cuja pertinência parece ser inquestionável. aparentemente é referida primeiro por Theo Van Els. 1997). se tivermos em conta o Quadro Integrativo de Ricento (2006.

da Comunicação Internacional de Negócios e das Comunicações de Exportação como actividades de Planeamento da Aquisição.Neste quadro podemos situar as actividades próprias da Política de Línguas Estrangeiras. uma das três grandes áreas do PLPL. Por outro lado. naturalmente. são metodologicamente fiduciárias das grandes linhas de enquadramento estabelecidas para a investigação neste domínio científico. como temos vindo a referir. .

Tomemos em consideração. mas. consequentemente. 46): Adequação Descritiva. como vimos. que apresentamos na Figura 2. p. por exemplo. como áreas de intervenção pertinentes à Política de Línguas Estrangeiras. aplicado ao Planeamento da Aquisição. . socorrendonos do Quadro Integrativo de Ricento. Onde. Podemos afirmar que será o somatório dos desafios colocados à generalidade das empresas que poderá influenciar a Política de Línguas Estrangeiras. Adopta. Quando. Adequação Preditiva. Cooper (Cooper. Planeamento de Estatuto e Planeamento de Corpus. Por outras palavras. uma vez que as Comunicações de Exportação. as estabelecidas por Robert L. Porquê e Como. podemos considerar a Política de Línguas Estrangeiras como uma área de investigação própria do domínio científico do Planeamento Linguístico e Política de Língua. tal como atrás definimos. 64) preconiza para as outras duas áreas do PLPL. ao passo que a Comunicação Internacional de Negócios se centra num escopo de abordagem mais geral. de uma forma muito simples. Neste aspecto. de forma similar à que Djité (1994. Obviamente. especialmente pertinente no quadro das novas realidades geradas pela actual dinâmica de Globalização e das transformações mais gerais que ela imprimiu à realidade e. se colocam no âmbito restrito de uma empresa exportadora. transparece aqui um exemplo da articulação entre Política de Língua e o Planeamento Linguístico. no nosso caso. 1989. Pelo que atrás ficou dito. Desta forma torna-se mais claro o âmbito diverso e multifacetado do trabalho neste domínio de investigação. p. como um entre outros factores. Adequação Explanatória e Adequação Teórica. Existe mesmo uma articulação macro-micro. Cooper enuncia o trabalho de PLPL: Quem. ao domínio científico. podemos também compreender a Comunicação Internacional de Negócios e. Por outro lado. especificamente as Comunicações de Exportação. O quê. independentemente da generalização desejável.

teríamos a Política de Línguas Estrangeiras no campo da determinação política. que centram esta questão no campo das Línguas na Educação. trata-se de uma opção estratégica que não segue a posição de vários autores consagrados. como vimos. Primeiro. parece ser justificável a necessidade da Política de Línguas Estrangeiras como resposta aos efeitos da Globalização e na sua natural influência no domínio do PLPL. Porém. como por exemplo Kaplan & Baldauf Jr. muito especificamente as Comunicações de Exportação.Figura 2 . no campo da implementação. No entanto. De facto. e . existe um factor determinante que não está esclarecido. etc.Quadro Teórico de Djité Assim. numa articulação macro/micro. Mas falta explicar a relevância do binómio Comunicação Internacional de Negócios e Comunicações de Exportação para a Política de Línguas Estrangeiras. como os negócios. não dispõe de informação suficiente. nem canais consagrados para a sua obtenção em inúmeros domínios críticos. apesar da lógica de encadeamento que temos vindo a expor. do planeamento. e. a Comunicação Internacional de Negócios e. Na verdade. Segundo. a diplomacia. como o próprio nome indica. (1997). mesmo que construísse esses laços. o sector da educação não parece dispor dos meios necessários para esta tarefa.

de planeamento de aquisição. e especialmente na exportação. existem tarefas fundamentais que parecem indiscutivelmente sedeadas no domínio da educação. 1996). incluindo associações. Parece muito mais eficiente partir da definição clara de necessidades do público-alvo para suscitar uma oferta adequada dos produtores de conteúdos de aprendizagem. tão importante quanto isso. apesar de ser. as Línguas na Educação têm um papel de relevo.obtivesse a informação. 1988). etc. A centragem na procura. mas não podem ser a base da Política de Línguas Estrangeiras. uma vez que este público tem uma noção clara do benefício económico desta aprendizagem e a possibilidade de a integrarem como valor acrescentado no custo dos seus produtos e das suas transacções. Outra estratégia é a de centragem na procura. 3. identificando a concepção que se centra nas Línguas na Educação. e ainda entidades oficiais com responsabilidade neste domínio. e também muito mais eficaz. sectoriais. ou melhor. nas empresas exportadoras. especificamente. baseado nos processos da Auditoria Linguística (Reeves & Wright. Por outro lado. regionais. um dos seus campos de acção. permite a convocação do poder económico para produzir soluções. mas. breve introdução ao caso lusobrasileiro . Comunicação Internacional de Negócios. sem dúvida. dificilmente disporia de mecanismos para intervir nesses domínios. Por outras palavras. permite uma informação objectiva das necessidades no domínio das Línguas e Culturas. Esta visão tem vindo a ser defendida por Stephen Hagen desde o seu trabalho seminal “Languages in British Business” (Hagen. definida como uma centragem na oferta. tendo desde então desenvolvido e aperfeiçoado um modelo de intervenção. Podemos também olhar para esta questão. na exportação de uma forma geral.

importa agora apresentar. o espaço lusófono representa uma oportunidade de diálogo que não passou despercebida às empresas exportadoras de todos os países e regiões da CPLP. através dos organismos relevantes. na Lusofonia ou. mas também para a fundamentação da Política de Línguas Estrangeiras. Porém. não contando. Por esta razão. O facto de poderem comunicar na sua língua é assumido como uma vantagem. existem igualmente testemunhos de empresários exportadores que identificam claramente a existência de barreiras culturais que têm de ser 3 Acessível na Internet no Repositório da Universidade Aberta. nas relações Luso-Brasileiras. do estado. Naturalmente. constitui uma ferramenta de intervenção privilegiada. o IAPMEI. 2002). em http://repositorioaberto. verifica-se que em Portugal o tecido empresarial é formado em cerca de 95% por empresas com menos de 10 trabalhadores (Ministério da Segurança Social e do Trabalho. possam suportar o investimento num curso de língua criado especialmente para si.RSALOM%C3%83O. o papel que poderá desempenhar no tema que aqui nos traz.pt/bitstream/10400. que. como tive oportunidade de definir na minha tese de doutoramento (Salomão. uma análise efectuada de acordo com uma metodologia rigorosa e abrangente. são o produto de uma análise das suas necessidades concertadas com a sua prática e com o seu plano de internacionalização. etc. apesar de não se restringir ao domínio da economia. definidas para uma empresa em particular. aspecto essencial para a economia de um país como Portugal. & Silva. encontra nela um seu aspecto fundamental. muito especialmente. como vimos. 2000). a sua articulação com a Comunicação Internacional de Negócios e as Comunicações de Exportação. ou seja. mais especificamente. As Comunicações de Exportação. pelo menos a nível de exemplo. com muitas empresas que. releva a importância do papel das associações. e.2/1386/1/TESE. Apresentado que está o quadro teórico do domínio da Política de Línguas Estrangeiras. Alves. sectoriais. e não faltam testemunhos disso (por exemplo: Brito. regionais. etc. como o AICEP. assim.Infelizmente.pdf . não só na internacionalização das suas empresas. 2007)3. isoladamente.univab.

estes não parecem constituir uma barreira aos negócios. p. Por outro lado. caracteriza as 4 Em itálico no original. que representa “a medida do grau de aceitação. que o autor tem vindo a complementar. como poderíamos caracterizar este problema de forma que pudesse trazer informação pertinente e útil para os exportadores. Há mesmo exportadores portugueses de destaque que consideram ser mais fácil fazer negócios com europeus através do inglês do que no Brasil com a mesma língua (INTERCOMM. cada um deve ocupar-se de si mesmo e da sua família mais próxima. O colectivismo. Índice de Distância do Poder.”4 (Hofstede. suscitando a definição de estratégias dos empresários. as diferenças culturais constituem um problema claramente identificado. 2003. cuja obra seminal “Culture Consequences” (Hofstede. 2002).devidamente tidas em conta. ((Power Distance Índex). pelo contrário. • IDV. . (Individualism/Colectivism). informação que produza maior facilidade na interacção? Um dos autores mais respeitados no domínio da caracterização das culturas nacionais com um enfoque específico nos negócios é Geert Hofstede. 2002). considerando a fluidez do(s) conceito(s) de cultura. patrocinado pela IBM. São os resultados desse estudo. aliada à forma como as “barreiras culturais” são facilmente atribuídas pelos empresários a outros factores. por aqueles que têm menos poder nas instituições e organizações de um país. Hofstede baseou o seu estudo num inquérito a nível mundial. 2001) identifica 5 dimensões culturais que poderão sustentar uma abordagem de grande utilidade para o problema que aqui discutimos. actualizar e aprofundar ao longo das últimas décadas. de uma repartição desigual do poder. 42). que fundamentam a identificação das seguintes cinco dimensões: • PDI. No entanto. Individualismo/Colectivismo: “o individualismo caracteriza as sociedades nas quais os laços entre os indivíduos são pouco firmes. Apesar de serem mencionados alguns problemas de comunicação verbal derivados das diferenças entre as normas brasileira e portuguesa (Pais.

200) Esta última dimensão foi identificada num momento posterior. após a elaboração de um inquérito culturalmente adaptado às culturas orientais. seguidos pelos resultados referentes ao conjunto da Europa. que mede “o grau de inquietude dos seus habitantes face às situações desconhecidas ou incertas. de forma semelhante. Itálicos no original. (Masculin/Feminin). Maculino/Feminino. 2003. • LTO. respectivamente. 5 6 Em itálico no original. na Figura 3 temos os quadros referentes ao Brasil seguidos por um quadro idêntico referente à América Latina. definido da seguinte forma: “serão ditas masculinas as sociedades onde os papéis são nitidamente diferenciados (o homem deve ser forte. p. 103). impor-se e interessar-se pelo sucesso material. tendo em conta o contexto da América do Sul e da Europa. ternos e preocupados com a qualidade de vida). onde a informação foi actualizada com novos dados. desde o nascimento. e.”7 (Hofstede. terna e preocupada com a qualidade de vida). enquanto a mulher deve ser mais modesta. são femininas aquelas onde os papéis sociais dos sexos se sobrepõem (tanto os homens como as mulheres devem ser modestos. 2003.”6 (Hofstede. 2003. (Hofstede. p. Assim.sociedades nas quais as pessoas são integradas. em grupos fortes e coesos. 7 Em itálico no original . Analisemos então os resultados do autor mencionado para o Brasil e para Portugal.”5 (Hofstede. Por ter sido identificado posteriormente. Orientação a Longo Prazo. 69). apenas aparece nos resultados referentes ao Brasil. na Figura 4. 135). p. que “pode ser interpretado como a busca da Virtude por parte de uma sociedade”. que as protegem para toda a vida em troca de uma lealdade inquestionável. 2003. • MAS. Índice de Controlo da Incerteza. (Uncertainty Avoidance Index). (Long Term Orientation). os dados respeitantes a Portugal. • UAI. p.

Figura 3 .

. enquanto que nos índices IDV e MAS a diferença é bastante mais acentuada. imediatamente se constata que o índice PDI é ligeiramente superior no Brasil.Figura 4 Da análise das Figuras 3 e 4. os valores portugueses são consideravelmente mais altos. Relativamente ao índice UAI. com Portugal a apresentar um valor muito mais baixo.

Nomeadamente. então. amigos. o bem estar. Isso poderá ser importante até nas mudanças funcionais dos trabalhadores. . sendo nos postos mais altos que se situa a capacidade de decisão. onde reside a capacidade de decisão. os valores do indicador UAI parecem afirmar que a mudança é muito melhor aceite no Brasil. têm mais importância. sem dúvida úteis para os exportadores. caso estejam em posição de gerir equipas de trabalho no Brasil. esbatendo o papel da equipa. Por outro lado. Poder-se-ia. os valores sugerem que a sociedade brasileira é mais individualista que a portuguesa. apostando na competitividade. ou mesmo colectivo. Relativamente ao índice IDV. etc. especialmente em comparação com Portugal. que tem valores extremamente altos neste indicador. o que sugere que a hierarquia pode funcionar bem com vários níveis até ao topo. acções experimentais. Este indicador também revela uma maior facilidade em introduzir novos produtos ou serviços no mercado brasileiro. os valores apresentados poderão permitir traçar algumas linhas de força. onde valores como a humildade. na retribuição financeira e na promoção como incentivos individuais. por exemplo. têm maior importância. por exemplo. em detrimento da situação em Portugal. aconselhar os exportadores portugueses. Esta informação também é pertinente para os contactos de negócio entre portugueses e brasileiros: ambos têm vantagens em encetar negociações directamente com os níveis mais altos da hierarquia. para apostar mais claramente no desempenho individual. os valores apresentados no índice MAS parecem indiciar uma sociedade mais empenhada em valores concretos como a carreira e o dinheiro. uma vez que a incerteza é muito melhor suportada do que em Portugal. de forma genérica. uma vez que não será (tão) difícil promover alterações. a família. é aceite uma grande distância em relação ao poder. ou seja. Será muito mais aceitável no Brasil. onde o colectivo. que a percepção dos brasileiros em relação ao comportamento das chefias é semelhante ao que se encontra em Portugal.De uma forma genérica. às tomadas de decisão. Por outro lado. a qualidade de vida. a nível individual. etc.

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