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Espaço popular de formação de mão de

obra para o restauro e ofícios manuais.

Giovani Frandino Korman | 2018


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Oficina Aberta:
Espaço popular de formação de mão de obra
para o restauro e ofícios manuais.

Giovani Frandino Korman

Caderno de projeto, realizado sob orientação da Profª Ma. Ana


teresa Cirigliano Vilela, integrante ao trabalho final de graduação
do curso de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário
Estácio Uniseb.

Ribeirão Preto

2018
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Agradecimentos
Agradeço primeiramente aos meus pais, Jane Elisabete e Berco,
pelo apoio emocional e educacional necessário para eu me tornar
o que sou hoje. Sem o amor e o esforço de vocês eu não chegaria
aonde estou.
Por todos os professores, e incluindo meus pais também, por
terem me dado a base cultural que me permitiu ter o atual interes-
se que tenho nas áreas de história, incluindo da arquitetura, um
dos lenitivos da minha vida.
A minha orientadora Ana Cirigliano, pela paciência e dedicação
em me apoiar nos percalços que enfrentei e por reforçar meu inte-
resse na questão do patrimônio histórico e história da arquitetura.
Sua sabedoria me fez aprender muito do que foi necessário para
eu ter uma perspectiva maior sobre minha vida de acadêmico, e
profissional.
E finalmente, aos meus amigos Taís Danieli, Bárbara Siena, Rodrigo
Laoz, Bianca Carandina e Adriana Gandolfi, por todas as lembran-
ças dos bons momentos que compartilhamos juntos, e como aju-
damos uns aos outros em nossa jornada acadêmica.

Todo o meu carinho e agradecimento a todos que participaram


dessa jornada.

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SUMÁRIO

Introdução A formação de
8 mão de obra no
Brasil e os Liceus:
O Ensino Técnico
10

Estudo de Caso Análise do


48 Entorno
52

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O Desenvolvimento O Bairro República Referência Referência
Agradecimentos
de Ribeirão Preto O Solar Villa Lobos Projetual Projetual
19 23
-Vila Itororó -Escola Guignard
33 43

Oficina Aberta: Proposta


para o Solar Villalobos
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INTRODUÇÃO
Proposta e objetivo

Implantação de um espaço para a realização de cursos que visem o ensino das artes
manuais, incluindo o restauro, e também oficinas abertas ao uso de toda a
população no entorno do Solar Villalobos, atual “Casa da Caramuru”, uma edificação
histórica de estilo eclético construída outrora ao ano de 1883, que passou a ser
protegida pelo governo estadual no ano de 1986, e tombada pelo Condephaat no
ano de 1988.

O imóvel de partido tipicamente rural-urbano, trazido pelos imigrantes do Vale do


Paraíba, com casas de meia encosta térreas no fundo e assobradadas na frente,
introduzindo o uso de tijolos de barro, possui pinturas realizadas por diferentes
pintores, de influência do estilo rococó(ALTMAN apud BORGES, 2012), estilo
também presente nas ornamentações da fachada atualmente considerada a
frontal, sendo a dos fundos previamente ao desenvolvimento da urbe e chegada da
ferrovia em 1883.

A escolha da edificação proposta é o fato de ter características do estilo eclético,


sendo tombada em nível estadual, e a disponibilidade de áreas adjacentes vazias,
apropriado à construção de oficinas e anexos. Seu histórico tem grande relação ao
desenvolvimento de Ribeirão Preto, e apresenta ornamentações executadas por
artífices italianos, demonstrando assim sua importância na concepção do trabalho
manual e imigrante, cujo auge foi exatamente durante o período de construção e
execução dos ornamentos na residência. Com relação ao uso, justifica-se o tema
pela formação de mão de obra especializada, e a disponibilização de espaços
coletivos, valorizando e incentivando o trabalho de marceneiros, escultores, e
outros profissionais que trabalhem com as artes manuais, cujo histórico no Brasil
sempre foi de marginalização.

A proposta de se implantar oficinas e áreas para cursos direcionados a mão de obra


comprometida com as artes manuais, aborda desde a problemática da ausência de
profissionais especializados no Brasil, incluindo os direcionados para a área de
restauro, um dos focos da proposta, até o histórico da marginalização dos ofícios
artísticos e manuais no país. Nos últimos anos, principalmente a partir da década de
2000, houve um processo de inserção do Brasil nos chamados países em
desenvolvimento, mas a sua estrutura educacional continua apresentando grandes
deficiências, inclusive nos cursos superiores e direcionados a formação de mão de
obra especializada:

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“Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 90% dos novos empregos
gerados no Brasil exigem ensino médio completo. No entanto, 40% dos trabalhadores não
completam o ensino fundamental e 16% são os chamados “analfabetos funcionais”, que,
embora saibam ler, não conseguem interpretar um texto ou fazer operações matemáticas
básicas. Essas estatísticas afetam diretamente as empresas, com impactos diretos na
produção, no desempenho industrial e na competitividade da economia nacional.
Um dos indicadores da elevação na demanda na economia, apesar da escassez da mão de
obra, é, por exemplo, a elevação salarial. Só na indústria, a remuneração do trabalhador
subiu 169% entre 2001 e 2014. Em compensação, a produtividade caminha a passos bem
mais lentos. Na indústria de transformação, por exemplo, o aumento foi de apenas 1,1%
entre 2001 e 2012, segundo a Confederação Nacional da Indústria”(RESENDE, P. T. V.;
SOUZA, P. R, 2013).

O local de inserção do projeto, se localiza no contexto histórico do primeiro


momento de busca por uma mão de obra qualificada no Brasil, a segunda metade
do século XIX, onde houve a o surgimento de várias instituições de ensino
profissionalizante, como os Liceus de Artes e Ofícios e a vinda dos imigrantes com o
seu “saber fazer”. Por esses fatores podemos abordar a permanência da escassez e a
falta de incentivo à formação de trabalhadores especializados no Brasil, o histórico
do perfil elitista e distante da população existente nas primeira instituições de
ensino, e a importância da mudança no perfil e crescimento no número dessas
instituições após o segundo reinado, criando uma base para os cursos técnicos
e oficinas atuais. Ana Paula Farah aborda de forma incisiva essa problemática da
ausência de conhecimento e mão de obra, inclusive entre profissionais graduados,
com preparo necessário para abordar as questões arquitetônicas, incluindo no
campo do restauro:

[...]expõe que o campo das intervenções no preexistente é extremamente complexo, e há


um número considerável de profissionais com competências, concepções e linguagens
totalmente diversas e distanciadas entre si. Esse fato resulta na perda da percepção do
campo, que assume significados genéricos e ambíguos. Uma das causas, que resulta nesses
efeitos maléficos, é o problema da formação, não somente dos arquitetos, mas de todos os
profissionais que atuam no campo em questão.(FARAH, A. P.; apud LUMIA, 2013).

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A formação de mão de obra no Brasil e os Liceus: O Ensino Técnico

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HISTÓRICO - O exilo dos jesuítas do país em 1759, por iniciativa do rei português D. José I,
influenciado pelas reformas realizadas pelo Marquês de Pombal, que inseria
O ensino dos ofícios manuais no Brasil a metrópole, e posteriormente a colônia do Brasil, na esfera das mudanças
sociais e econômicas que passavam o restante da Europa, com a ascensão do
O primeiro expoente da formação dos “ofícios manuais” no Brasil foi a “homem burguês”(SHIGUNOV NETO, A.; MACIEL, L. S. B, 2008) e início da
partir das oficinas situadas nos primeiros engenhos de açúcar no que industrialização, marca o início da mudança no âmbito do ensino no Brasil.
então era a Terra de Santa Cruz, onde os artífices chegavam a gozar de
certos privilégios devido a necessidade de bens como artigos têxteis, A vinda da coroa portuguesa em 1808, e dos chefes da comitiva francesa, dão
móveis, utensílios, etc. pela classe dominante. força a esse processo, que inicia uma busca por um ensino da arte e desenho
em um país formado por uma elite pouco intelectualizada, servida por uma
Temos também nesse período a presença dos jesuítas, que por intermédio mão de obra escrava pouco especializada, que realizava os trabalhos
da Companhia de Jesus buscava não apenas expandir a fé cristã, mas artesanais e as poucas construções de grande ornamentação e materialidade
devido a necessidades materiais, incluindo para a construção de capelas, de maior durabilidade e imponência no país, como igrejas e edifícios
ensinava os ofícios inicialmente aos povos indígenas e posteriormente aos públicos: infelizmente a curto prazo o projeto da comitiva não se efetivou.
homens livres, incluindo os filhos de colonos.(SUCKOW, 1961).
Foi apenas após a Independência, que fundou-se a Academia Imperial de
Houve também, por parte dos portugueses, o surgimento das Belas Artes, cujo programa e filosofia não incluíam nenhuma forma de
corporações de ofício, nos modelos medievais, onde os artistas eram instrução popular voltada para as artes aplicadas, mas seguiam a tradição da
considerados meros artesãos especializados, cuja inserção na sociedade Academia de Pintura e Escultura de Paris, dedicada exclusivamente às
era apenas marginal. chamadas artes liberais. A Independência também trouxe a Constituição de
1824, que aboliu as corporações de ofícios, demonstrando seu cunho liberal,
Foi a partir do enriquecimento dos senhores de engenho que houve uma mas não abordava diretamente nenhuma solução para ausência do ensino
intensa e generalizada marginalizaçãodos trabalhos manuais, devido a profissional após a abolição(SUCKOW, 1961). Apesar disso, abria novos
ascensão do trabalho escravo proveniente do tráfico negreiro, que passa a horizontes para o desenvolvimento industrial do país, não mais dependente
exercer inúmeras atividades, desde a doméstica até a pintura, carpintaria e de uma filosofia de ensino e econômica tipicamente medieval.
construção das residências. Favorecendo esse panorama de
desvalorização do ensino e a prática desses ofícios, temos no século XVIII, A Missão Artística Francesa, protagonista da vinda do estilo neoclássico e
em plena ascensão do período aurífero em Minas Gerais e os primórdios toda a bagagem teórica que o compunha, juntamente com a fundação da
da urbanização nacional, as Cartas Régias, proibindo a frequente migração Escola de Belas Artes em 1826, inaugura uma era de ascensão do ensino
dos “homens de ofício”, que habitavam os antigos engenhos, para as acadêmico no país. A fundação da Escola de Ciências, Artes e Ofícios, em
regiões mineradoras(SUCKOW, 1961). 1816, usava metodologias mais populares do que os utilizados no Instituto
de França, maior expoente do neoclássico, seguindo os moldes do ensino de
Outros fatores foram o alvará de 5 de janeiro de 1785, que proibia a ofícios mecânicos existentes naquele país.
existência de indústrias no país, praticamente anulando a formação de
uma mão de obra especializada, e o preconceito existente em relação as Le Breton (1760-1819), chefe da Missão Francesa no país, buscava aliar as
corporações de ofício, principais difusoras dos trabalhos manuais nos belas artes e as indústrias, e a educação popular e a das elites, mas seu plano
centros urbanos do período, cujos membros não eram permitidos nas falhou quando a escola finalmente foi fundada no Rio de Janeiro, em 1826,
câmaras municipais, não sendo considerados “homens bons”, fora as taxas sob o nome de Escola Imperial das Belas-Artes, cujo enfoque era como local
limitadoras de lucros e posturas impeditivas de seu progresso.(SUCKOW para a formação de uma elite cultural, ligada ao meio da corte, vinda ao país
apud DURAND, 1989) na companhia de Dom João VI(BARBOSA, A. M.; COUTINHO, R. G, 2011).

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As mudanças trazidas pelo monarca e pelos intelectuais por ele
convocados foram de grande importância para o cenário nacional,
repercutindo por todo o século XIX:

“Com a vinda da Família Real para o Brasil, em 1808, resultando na transferência da


capital do Reino para o Rio de Janeiro, a cidade teve de ser repensada. Os portos
foram abertos, casa e igrejas foram reformadas e instituições foram criadas, em
suma, tinha de ser criada aqui, em meio a uma cultura provinciana e colonialista,
uma capital à altura das capitais européias. Assim, o então príncipe regente, D.
João, contrata a chamada Missão Artística Francesa (que traria em seu corpo não
só artistas, mas também cientistas [3]), que aporta no Rio de Janeiro no ano de
1816, a fim de estabelecer, aqui, uma Academia de Ciências, Artes e Ofícios”
(ALMEIDA, B. D; 2008).

Infelizmente as turbulências políticas, despotismo e problemas em sua


administração levaram a uma ineficiência no ensino proporcionado pela
Figura 1.1: Os Jesuítas foram a primeira forma de ensino institucionalizado no país, incluindo dos Escola de Belas Artes durante a primeira metade do século XIX, com
ofícios manuais. problemáticas que chegaram até mesmo no início da república, como a
Fonte: Jesuítas Brasil. falta de patrocínios, devido a uma elite predominantemente rural e
Disponível em http://www.jesuitasbrasil.com/newportal/2016/10/05/atuacao-e- escravocrata, desinteressada na produção artística e nos ofícios manuais,
ducativa-dos-jesuitas-no-brasil-e-tema-de-livro/
acessado em 10 de março de 2018.
onde seus filhos geralmente eram direcionados a cursar as recém formadas
faculdades de direito, medicina e engenharia militar.

Os principais frequentadores da Escola eram proveniente das classes


populares, como os filhos de artesãos e pequenos comerciantes, que
dependiam do auxílio de homens influentes, muitas vezes tendo contato
ou sendo membros do governo, cujo subsídio para a ida e a estadia
provinha de uma pensão oferecida por Pedro II. Inicialmente boa parte do
quadro de catedráticos provinha da Europa, e poucos foram os concursos
para a contemplação dos melhores alunos para um período de
aperfeiçoamento na Europa, e assim como o salário dos professores, a
pensão fornecida a eles muitas vezes era insuficiente ou ocorria problemas
em seu recebimento(DURAND, 1989).

O Liceu de Artes e Ofícios de Bethencourt da Silva, fundado em 1856 no Rio


de Janeiro, pode ser considerada uma das primeiras instituições de ensino
mais receptivas às classes mais populares. A partir daí se inicia um processo
de busca pela democratização do ensino, com os crescentes movimentos
abolicionista e republicanos criticando o modo com a educação era feita
Figura 1.2: Uma grande parte da mão de obra nacional era formada por escravos.
no Império, e exigindo um ensino que proporcionasse a alfabetização e o
Fonte: Wikimedia Commons.
Disponível em https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Loja_de_Sapateiro_A-
quarela_Jac_by_Jean-Baptiste_Debret_1820-1830.jpg

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acessado em 10 de março de 2018.
preparo das classes populares para o trabalho , além da obrigatoriedade Esses métodos influenciariam no ensino de muitas instituições
do desenho nos níveis primário e secundário, incentivando a criatividade e educacionais do final do século XIX e início do XX, inclusiva no dos Liceus
individualidade do aluno com o uso de suas habilidades técnicas e de Artes e Ofícios que passam a se espalhar por todo o país após o
artísticas, algo que a rigidez e a exigência da reprodução e cópia dos crescimento econômico e início do desenvolvimento industrial
modelos clássicos europeus exigida pelas escolas anteriores, com o maior proporcionado pelo café: os grandes fazendeiros, muitos dos quais haviam
expoente a de Belas Artes do Rio, não abrangia. diversificado suas fontes de lucro, tornando-se banqueiros, industriais, etc.,
se inserem no contexto do mercado internacional, tendo maior contato
Podemos citar como a base do Liceu de Bethencourt os moldes do ensino com as grandes potências européias, o que os leva a assimilarem os
norte-americano do período, que prezava pela: modelos de sociedade daqueles países, no período dominados pelas idéias
positivistas e pelo progresso tecnológico e científico.
“[...]divulgação da educação feminina e da arte/educação. Impregnado da moral
protestante, apresentava a arte e o trabalho como veículo de educação e É a partir desse processo de “europeização” nacional que temos o início de
valorizava a educação para as artes industriais ao extremo”(BARBOSA, A. M.; uma certa valorização dos ofícios manuais no país, com a vinda inicial da
COUTINHO, R. G, 2011). estética neoclássica e posteriormente eclética nos produtos
manufaturados e na produção arquitetônica nacional, que exigiam um
Figuras como a de André Rebouças e Rui Barbosa defendiam esse modelo
maior “saber-fazer” dos artífices, que passam a contar, além do número
de ensino, cujo maior expoente era o inglês Walter Smith, que defendia o
crescente de escolas voltadas para esses ofícios, manuais, catálogos,
uso progressivo dos exercícios geométricos no ensino do desenho, e da
almanaques e periódicos ilustrativos, todos representando modelos de
arte adaptada a fins industriais, reforçando a lucratividade e a qualidade
ornamentos, fachadas, falando sobre regras, ordens e conceitos
dos produtos industrializados. Baseado na defesa de Rui Barbosa sobre os
arquitetônicos, etc. Essas publicações, somadas as inovações tecnológicas
métodos de Smith, o educador Abílio César Pereira Borges publica um
nos métodos construtivos, só se tornaram possíveis devido ao crescimento
estudo que:
urbano e vinda de novas tecnologias proporcionadas pela economia
cafeeira.
[...]propunha que o desenho começasse por linhas verticais, horizontais, oblíquas,
paralelas, enfim, pelo que Smith, citado por Borges, chamava de alfabeto do
desenho. Seguia-se o estudo dos ângulos, triângulos, retângulos, numa gradação
O café gerou a expansão da malha ferroviária, permitindo um fluxo mais
idêntica à proposta por Smith, acompanhando o traçado com definições rápido de idéias e produtos, e uma acumulação de riquezas e urbanização
geométricas como o próprio Smith recomendava. Seguiam-se ditados e que criou uma necessidade por bens manufaturados inexistente até então:
exercícios de memória idênticos aos do livro de Smith. Depois de estudar o que não era importado da europa, era produzido nas inúmeras institui-
quadrados e polígonos, ele introduzia ornamentos e análises de folhas em ções voltadas para os ofícios realizados por artífices, ou nas oficinas muitas
superfície plana. Os exemplos botânicos eram organizados em forma de vezes criadas pela multidão imigrante que chega ao país durante todo o
diagramas exatamente como o livro de Smith. Ele ainda propunha o traçado de século XIX, com enfoque aos italianos na região sudeste: muitos trouxeram
gregas, rosá- ceas, repetições verticais, repetições horizontais, formas técnicas e conhecimentos de seus países de origem, e os mestres de obras,
entrelaçadas. Alguns objetos simples (vasos de água, bacias etc.) tendo formas em sua maioria italianos, tiveram êxito na propagação da arquitetura eclé-
geométricas como Smith prescrevia, eram propostos para desenhar. Finalmente, tica por todo o estado de São Paulo(MACAMBIRA, Y. M. P., 1985).
eram apresentados ornamentos e elementos arquitetônicos em diagrama
(portais, arcos, colunas) de diferentes períodos, principalmente barrocos e
neoclássicos. Os ornamentos como motivos para o trabalho em ferro eram
também usados por Smith(BARBOSA, A. M.; COUTINHO, R. G, 2011).

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Dividindo espaço com os grandes arquitetos formados no exterior e de
maior renome, os italianos se destacam tanto na arquitetura quanto como
artífices, como é o caso de Samuele Malfatti, pai da pintora Anitta Malfatti,
vindo de Lucca, na Toscana. Trabalhou como engenheiro-arquiteto em
cidades como Campinas, onde projetou, em estilo neorrenascentista, o
edifício do Circolo Italiano campineiro, em parceria com Ramos de Azevedo,
obra concluída em 1886 e utilizada inicialmente como sede da associação
dos imigrantes italianos e instituição de ensino para seus filhos
(VERMEERSCH,201?). Outro exemplo é de Rosalbino Santoro, pintor e
professor italiano naturalizado no Brasil, que pintou várias cenas campestres
no interior paulista no final do século XIX e início do XX, havendo indício de
sua autoria nas pinturas existentes no objeto de estudo(ALTMAN, 2012).

Podemos considerar o período eclético como o auge dos Liceus de Artes e


Ofícios no país, devido a cornucópia de estilos que o formava, atingindo
desde o mobiliário, arquitetura, até mesmo equipamentos urbanos, onde as
obras de arte, o ornamento e a estética ganham uma função utilitária, a de Figura 1.3: Academia Imperial, Centro do Rio. Projeto de Grandjean de Montigny, demolida em
embelezar, trazer harmonia a monotonia a feiura das áreas urbanas, e atestar 1938.
o poder aquisitivo e grau de civilidade dos proprietários das obras que se Fonte: Escola de Belas Artes - UFRJ.
Disponível em http://www.composicaodeinterior.eba.ufrj.br/pop_academiaimperial.html
encontram em locais privados. Essas “exigências” trazidas pelo estilo exigem acessado em 20 de março de 2018.
a formação de profissionais que iriam além do antigo ideal da formação
artística como algo assistencial, ou de grau elementar, iniciando a ascensão
das artes aplicadas e do ensino industrial no país(DURAND, 1989).

Podemos destacar como um dos principais modelos nacionais nesse


período o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, fundado em 1874 como
Sociedade Propagadora da Instrução Popular por figuras proeminentes da
sociedade paulista, foi a primeira instituição a fornecer instrução de forma
gratuita nos moldes exigidos pela vinda do ecletismo ao país, sem o enfoque
no perfil assistencialista existente nas escolas anteriores. Seu funcionamento
dependia de doações monetárias e de materiais por parte da iniciativa
privada, juntamente com as verbas governamentais, que raramente eram
regulares. Seu auge foi durante a administração do renomado arquiteto
Ramos de Azevedo, quando a instituição consegue uma sede própria, que
permite atender à demanda cada vez maior de alunos e encomendas. Havia
além das oficinas, nas quais o aluno deveria frequentar além da sua área de
especialização, como as de serralheria, modelagem, desenho, etc., as aulas
teóricas, como as de arte, história da arquitetura, até mesmo Figura 1.4: Sociedade Propagadora de Belas Artes, criada por Bethencourt da Silva e institucionali-
música(MACAMBIRA, Y. M. P., 1985). zada para amparar o Liceu de Artes e Ofícios.
Fonte: Diário do Rio.
Disponível em https://diariodorio.com/historia-do-liceu-de-artes-e-oficios/
acessado em 20 de março de 2018.

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A proclamação da república em 1889 reforça o discurso liberal no país, e
juntamente com a industrialização, traz mudanças no ensino dos ofícios,
apresentando uma gradativa tendência a preparar o profissional para a
indústria, em detrimento das exigências artísticas e estéticas ensinadas
anteriormente. As escolas técnicas passam a oferecer uma formação mais
abrangente, direcionada ao uso de máquinas e ferramentas, iniciando a
decadência do profissional artífice dedicado a um único ofício(DURAND,
1989).

Em 1909 assumia a presidência Nilo Peçanha, que no mesmo ano assina o


Decreto nº 7.566, criando escolas de aprendizes artífices nas capitais dos
estados, iniciando o envolvimento do governo federal no ensino de ofícios:

“[...]Pena é que a penetração de seu espírito e a clarividência de seus atos viessem


ainda imbuídos do velho preconceito que emprestava à aprendizagem de ofícios
a feição secular que a destinava aos pobres e aos humildes e não evitasse, no
decreto que o ligaria à história da educação no Brasil, aquela preferência aos
candidatos desfavorecidos pela fortuna’. Entretanto, apesar dessa pequena
restrição, aquele documento pode ser tido como um decreto
benemérito[...]”(SUCKOW, 1961).

Assim como no caso dos Liceus de Artes e Ofícios, o início das Escolas de
Aprendizes Artífices foi precário, prejudicado pela falta de professores e
mestres especializados, tanto pelo fato de que os profissionais que
possuíam a didática necessária vinham do ensino primário, não tendo o
“saber-fazer” que os mestres provenientes de fábricas e oficinas teriam,
sendo que nesse segundo caso os profissionais não possuíam a base
teórica necessária. Apesar disso, essas escolas foram o embrião das futuras
escolas técnicas e industriais(op. cit., 1961).

Podemos entender melhor a problemática do ensino técnico e dos ofícios


manuais no Brasil pelo manifesto do Dr. Wenceslau Brás Pereira Gomes,
presidente da República de 1914 a 1918:

“A criminalidade aumenta; a vagabundagem campeia; o alcoolismo ceifa, cada


vez mais, maior número de infelizes, porque, em regra, não tendo as pobres
vítimas um caráter bem formado e nem preparo para superar as dificuldades da
Figura 1.5: Manuais do auge do período eclético, como o acima, Motifs d'architecture moder- existência, tornam-se vencidos em plena mocidade e se atiram à embriaguez e ao
ne(1920), de Noe, L., eram utilizados pelos profissionais como referência tanto no ensino quanto na crime. Dê-se, porém, outra feição às escolas primárias e às secundárias, tendo-se
produção de ornamentos. em vista que a escola não é somente um centro de instrução, mas também de
Fonte: AMS Historica. educação e para esse fim o trabalho manual é a mais segura base; instalem-se
Disponível em http://amshistorica.unibo.it/147#
acessado em 24 de março de 2018.

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escolas industriais, de eletricidade, de mecânica, de química industrial, escolas de
comércio, que os cursos se povoarão de alunos e uma outra era se abrirá para o
nosso país. Se não tivermos pessoal habilitado para essas escolas, o que não é de se
admirar, país novo que somos, contratamos no estrangeiro a missão industrial.
Conseguiremos, assim, remediar em parte os males do presente e lançaremos as
bases para um futuro melhor, bem como alcançaremos desviar a corrente impetuosa
e exagerada que atualmente existe para a empregomania e para o bacharelismo(SU-
CKOW apud FONSECA, 1986).

A industrialização das escolas de ofícios, permitindo que elas aceitassem


encomendas, realizadas no horário de aula, abarcando o ensino prático, ou
abrindo a área das oficinas tanto para alunos quanto para operários estranhos
exercerem seu trabalho fora do horário, além do fato que o aluno obtivesse
um porcentual do lucro obtido, teve grande êxito a partir das primeiras déca-
das do século XX, pois permitia uma certa margem de lucro tanto para os
professores e alunos, quanto para as escolas. Nesse mesmo período temos a
figura do parlamentar Fidélis Reis, que propunha tornar obrigatório o ensino
profissional no país, estendendo-o além do âmbito das classes menos favore-
cidas. Seu projeto foi sancionado, abstendo-se sua proposta de profissionali- Figura 1.6: Oficinas do Liceu de São Paulo, c. 1910.
zação compulsória, mas nunca chegou a ser aplicado de forma eficiente, Fonte: Wikimedia Commons.
devido as exigências financeiras resultantes de uma proposta de implemen- Disponível em https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Oficinas_do_Liceu_-
tação de cursos profissionais e escolas industriais por todo o país(SUCKOW, de_S%C3%A3o_Paulo,_c._1910.jpg
acessado em 25 de março de 2018.
1961).

Após esse período, temos um grande impulso no desenvolvimento industrial


nacional, com a Revolução de 1930 e a vinda da Era Vargas, que trouxe o fim
do domínio das oligarquias cafeeiras na política nacional. A Grande Depres-
são e posteriormente a Segunda Guerra Mundial obrigaram o país a produzir
o que antes importava, juntamente com as iniciativas de Vargas no âmbito
econômico, como a criação da Companhia Siderúrgica Nacional, fez com que
a indústria nacional crescesse de forma notável(BOULOS JÚNIOR, 2004).

Nos anos seguintes temos a descentralização das Escolas Técnicas Federais, e


no âmbito do ensino artístico uma certa busca pela liberdade da expressão e
desarticulação da identificação de arte e natureza, em um certo caráter
experimental que chega a ser prejudicado pelo início da ditadura em 1964,
mas retorna alguns anos depois. Temos na segunda metade do século XX, a
expansão dos SENAIs, SENACs e SESCs, a busca pela valorização do ensino
artístico e técnico além do tecnicismo e a democratização do ensino dos Figura 1.7: A Era Vargas trouxe a ascensão da indústria nacional, o que favoreceu um ensino mais
mecanizado, em detrimento aos artífices de outrora.
ofícios manuais no país(BARBOSA, A. M.; COUTINHO, R. G, 2011). Fonte: Educação Pública - RJ.
Disponível em http://www.educacaopublica.rj.gov.br/cultura/livros/0074.html
acessado em 25 de março de 2018.

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Escola Profissional de Artes e Ofícios de Ribeirão Preto(Etec
José Martimiano da Silva).

No auge do período de dispersão dos Liceus pelo país, próximo à transição


para o ensino técnico, temos o surgimento da Escola Profissional de Artes e
Ofícios de Ribeirão Preto, cuja obras tiveram início em 07 de setembro de
1922, como comemoração ao centenário da independência do Brasil, sendo
inaugurado 27 de junho de 1927. Assim como o caso das outras escolas técni-
cas do período, a de Ribeirão apresentava a divisão entre cursos femininos,
como o corte e costura, flores e chapéus e bordado, e os masculinos, como
marcenaria, entalhe, ferraria e fundição.

Atualmente chamada de Etec José Martimiano da Silva, a escola possui um


corpo docente com cerca de 150 professores e três mil alunos distribuídos
em diversos cursos profissionalizantes, como eletrotécnica, logística e mecâ-
nica, todos com registros em seus respectivos conselhos, possuindo um regi-
mento escolar interno em caráter complementar, tendo em vista as caracte-
rísticas e peculiaridades da Unidade Escolar, além de abordar questões éticas,
Figuras 1.8/1.9/1.10(esquerda): Fotos da Escola Profissional em uma data próxima à sua inaugura-
culturais e socioambientais. ção, com mostruário de peças e objetos produzidos pelos alunos de entalhe, e tornearia: nos anos
seguintes esse ensino arraigado no uso de ornamentos em técnicas tradicionais seria substituído
pelo enfoque na formação do profissional para a indústria.
Fonte: APHRP.
Figura 1.11(acima): Foto do local atualmente.
Fonte: Etec Ribeirão Preto - http://www.industrialrp.com.br/institucional/missao-e-visao
acessado em 30 de março de 2018.

17
18
2
O Desenvolvimento de Ribeirão Preto

19
HISTÓRICO -
O Surgimento e a expansão de Ribeirão Preto

A cidade de Ribeirão Preto surge a partir de fazendas de gado localizadas


no então chamado Distrito de São Simão, cuja primeira iniciativa para
formação da urbe proveio da fazenda Palmeiras, a partir de doação de 40
mil réis de seu proprietário para a construção de uma capela em louvor a
São Sebastião das Palmeiras.
A área da vila se expanda contando com a doação de outras fazendas,
como Barra do Retiro, Ribeirão Preto ou Pontinha, Retiro, Serrinha, Serra
Azul, Tamanduá, Capoeirinha, Braço Direito do Ribeirão Preto e
Sertãozinho(ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2013,
acessado em 04 de abril de 2018).

Em 2 de novembro de 1845, uma cruz é fincada onde futuramente seria


construída a capela, e a partir dessa delimitação surge o povoado de São
Sebastião do Ribeirão Preto, que em 1856 é legalmente fundado, quando o
Juiz Municipal dos Termos Reunidos José Antônio Rodrigues Mendes
aprova o pedido dos “fabriqueiros”(pessoa responsável pelo patrimônio de Figura 2.1: Foto da década de 1900, festa de cunho religioso, ao fundo se vê o perfil tacanho da
um santo) pela delimitação da área para a capela, entre os córregos do cidade, com a antiga Igreja Matriz e o largo entre as ruas General Osório (na esquerda) e Álvares
Retiro e Ribeirão Preto. A partir do terreiro da Matriz, que é atualmente Cabral.
onde se localiza a praça XV de Novembro, surgem as primeiras ruas, dando Fonte: APHRP.
início ao traçado urbano da futura cidade, que ainda não havia recebido as Na década de 1870, com o esgotamento do solo no Vale do Paraíba e a
benesses urbanizadoras vindas da economia cafeeira(SUNEGA, 2002). criação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro (1872) e queda na
produtividade na região cafeeira de Campinas, a produção do grão na
O povoado é elevado a freguesia em 1868, ano de construção de sua Igreja região de Ribeirão Preto entra em ascensão e a vila recebe as primeiras
Matriz, como citado nesse relato do jornal A Cidade na década de 1920: mudas do café de tipo Bourbon em 1876, por intermédio de Luiz Pereira
Barreto, médico, escritor e jornalista, proveniente de uma rica família de
[...]uma egreja tosca, semelhante a todas as egrejas que Watch Rodrigues cafeicultores fluminenses, que compra uma propriedade de 800 alqueires
encontrou pelo Brasil, estylo colonial decadente: duas duzias de ruas esburacadas, próxima a urbe e lá planta as mudas dessa variedade do grão, que passa a
poeira ou lama, conforme a estação; um pantano margeando o corrego.(JORNAL prosperar na região.(BEGLIOMINI, 2018)
A CIDADE, 2005, acessado em 06 de abril de 2018).
Luiz Pereira Barreto, juntamente com Martinho Prado Júnior, passaram a
Apesar de sua arquitetura simplista, tipicamente colonial, a Igreja Matriz
publicar artigos exaltando a excelência do solo e clima Ribeirão Pretano
tornou-se um marco para o início do traçado da cidade, que em 1869 é
para o cultivo de café, o que atrai ainda mais fazendeiros e imigrantes,
desmembrada de São Simão e se torna Vila.
buscando obter lucros não com a lavoura cafeeira, mas com as inúmeras
atividades econômicas que a sucedia. Entre as famílias cafeicultoras que
passam a ter grande influência na política e economia local, temos as

20
antigas famílias que já habitavam a região, como a Junqueira, os que em 1913, ambas fortaleceram a economia da cidade, principalmente após
vinham de regiões em que o cultivo do grão se encontrava em decadência, o café perder importância no cenário econômico nacional.
como a família Barreto e a família Dumont, os provenientes de regiões que
ainda se encontravam no auge da produção cafeeira, como a família Prado, O fluxo de capital e a fama de Ribeirão Preto como “Petit Paris”(SUNEGA,
e os imigrantes, como a família Schmidt(REVISTA CAFEICULTURA, 2009). 2002), sob a influência dos coronéis do café e seu poder sobre o Partido
Republicano Paulista, no qual a urbanização da cidade muitas vezes foi
O clima de euforia e otimismo trazido pelo café, trazendo um conjunto de realizada a partir das tramas e jogos de suborno e interesse provenientes
novas sensações e experiências, evidenciado pelos artigos de jornal do desse poderio, começa a findar-se na década de 1920, com a ascensão da
período, muitas vezes não se identificavam com o aspecto pacato e economia americana e queda da influência europeia sobre o mundo após
atrasado da cidade no período. Como nessa publicação do jornal Diário a Primeira Guerra, onde surge uma nova elite, cuja riqueza provinha da
da Manhã em 1912: indústria e do comércio, e não mais do famoso grão, cujo valor de
mercado vinha caindo desde o início do século, e que após o crash da
“Ribeirão Preto caminha! Vae desassombradamente adquirindo um renome bolsa em 1929, dá lugar á indústria na economia municipal(PAZIANI,
substancioso, firmando o seu conceito entre as populações cultas, capaz de 2001).
conquistar de um modo inconsusso (sic) o primeiro lugar, si não erramos no dizer
e, quiçá, rivalisar com algumas capitães de Estados da federação [...] Ribeirão Preto Juntamente com o crescimento da indústria, principalmente a de
caminha! Resae do ostracismo a que viveu amarrado e mais forte, mais altaneiro,
produção de bebidas alcóolicas, temos a ascensão de novas culturas além
olha com indiscutível superioridade o quanto é boa a elevação de princípios
do café, como o algodão, a laranja, milho, etc., com destaque para a cana,
contra o principio retrogrado; elle que sempre acalentou essa esperança
que atualmente domina o cenário econômico da cidade, que possui um
grandiosa de crescer bastante, de aprender muito. E ahi está o Ribeirão Preto de
hoje [...] Elegante e chic, a população se impõe; a educação, embora o governo forte setor sucroalcooleiro(ALTMAN, 2012).
não nos tenha dado nem uma Escola Normal primaria, é saliente nas diversas
camadas sociais. Cultiva-se todo o ramo de actividades humanas, como se dedica
ao prazer das artes – as primorosas irmãs das intelligencias fecundas – as artes,
que dia para dia vão encontrando no seio da nossa população, um altar condigno
para o seu culto [...].”(PAZIANI; NETO; DE MELLO, 2008).

Impulsionando esse processo de ascensão da urbe em importância no


cenário nacional, no ano de 1883, com a expansão da linha da Companhia
Mogiana de Estradas de Ferro até Minas Gerais, temos a chegada da
primeira estação à cidade, localizada defronte a Chácara Villalobos, onde
hoje se localiza a avenida Caramuru.

No ano seguinte a estação definitiva foi construída em uma área então


valorizada, defronte à avenida Jerônimo Gonçalves. A cidade ganha seu
próprio teatro em 1898, além de rede de água, esgoto e iluminação elétrica
nos dois anos seguintes, e passa a ter um pequeno polo industrial, com
fabriquetas sendo fundadas por iniciativa dos imigrantes provenientes das
Figura 2.2: Fazenda de Arthur Diederichsen em
lavouras de café, com destaque para as cervejarias, como a da Cervejaria 1900, vista da plantação de café e trabalhadores
Antarctica, fundada em 1911, e a Companhia Cervejaria Paulista, fundada Fonte: APHRP.

21
Figura 2.4: Vista aérea da
cidade em 1935. A médio
plano a Catedral e ao fundo a
saída para a rodovia Ribeirão
Preto-São Paulo. Nota-se que
a cidade ainda não havia
sofrido o processo de
verticalização
Fonte: APHRP.

Figura 2.5: Vista aérea da


cidade em 1968. Trecho entre
a Praça Carlos Gomes, Praça
XV de Novembro, páteo de
manobras e rotunda da Cia.
Mogiana, Praça Luis de
Camões e Rua Barão do
Amazonas. A partir da
década de 1950, a cidade
Figura 2.3: Companhia Antarctica Paulista, obras de construção da fábrica de bebidas, inaugurada
passa por um processo de
em 11 de agosto de 1911.
verticalização que culmina na
Fonte: APHRP.
demolição de inúmeros
edifícios históricos.
Fonte: APHRP.

Figura 2.6: Vista de Catedral


atualmente. Trecho entre a
Rua Tbiriçá, Florêncio de
Abreu e Visconde de
Inhaúma.
Fonte: WikiGOGO.
Disponível em http://en.wiki-
gogo.org/en/244073/.
acessado em 05 de abril de 2018.

22
3
O Bairro República
O Solar Villa Lobos

23
O BAIRRO REPÚBLICA - A antiga e única via de acesso para o bairro nos anos anteriores era o Beco
da Vitória, que se situava entre os terrenos da Cia. Mogiana e da antiga
Desenvolvimento da área de estudo chácara Villa Lobos, via que posteriormente passa para as mãos da
prefeitura e se torna a atual rua da Vitória em 1936. Em 1938 o presidente
O bairro onde se localizava a chácara Villalobos e a estação provisória da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro cede um terreno de sua
construída em 1883, que passou a ser chamado de República, teve um propriedade na rua Guatapará para a construção de seu stadium, que
desenvolvimento lento, devido a sua distância da região central da cidade posteriormente se torna o Esporte Clube Mogiana, local de convivência e
e sua proximidade com o córrego Ribeirão Preto, que causava lazer para o bairro e seu entorno(SILVA, GUAZZELLI, TINCANI et al., 2012).
alagamentos frequentes na região.

Essa zona ripária e majoritariamente rural contrastava com o trecho que


viria a ser canalizado na avenida Jerônimo Gonçalves, que já contava com
comércios e armazéns. Era ocupado por chácaras e pequenas
propriedades rurais, com os atuais bairros lindeiros, como a Vila Virgínia,
surgindo apenas da década de 1920(PRATES, 1979).

A partir do início do século XX, o desenvolvimento do bairro foi inerente ao


da Vila Virgínia, onde ambos surgiram a partir de áreas de antigas chácaras,
como a chácara Paraíso, tendo oito alqueires comprados e loteados por
Álvaro de Lima em 1923, segundo depoimentos ao MIS feito por Virgínia
Macorin de Lima, neta do comprador da antiga gleba.

Segundo Rubem Cione(1997), apesar da escassez de documentações


sobre a região, há indícios de que o surgimento do bairro República foi
posterior ao surgimento da Chácara Villalobos, entre os anos de 1883 e
1905, e incentivado pela instalação da linha férrea e a estação provisória,
com a vinda de levas de trabalhadores, em sua maioria portugueses, que Figura 3.1: Pedreira localizada (possivelmente) entre a Av. Caramuru e a Av. Santa Luzia, no ano de
1904. Fonte: APHRP.
passaram a comprar lotes por preços módicos próximos a área alagadiça
do córrego Ribeirão Preto, e juntamente com espanhóis e italianos,
passaram a fundar oficinas, alugueres, pequenos comércios e
principalmente pequenas chácaras.

As mudanças definitivas na urbanização da região vieram após o


crescimento da Vila Virgínia no final da década de 1920, com o surgimento
da avenida 1º de Maio em 1924, importante corredor comercial da região,
anteriormente ligado à atual Avenida Caramuru apenas por uma ponte de
madeira na rua Guatapará, construida em 1933.

Figura 3.2: Bairro República e rua Guatapará durante enchente do Ribeirão Preto, em 1927.
Fonte: APHRP.

24
O SOLAR VILLA LOBOS
Uma das edificações de maior destaque em umas das principais vias da região,
o Solar Villalobos, localizado na avenida Caramuru, nº232, foi símbolo da
transição de uma Ribeirão Preto rural e simplória, para a cidade que chegou a
ser conhecida como “Petit Paris”(SUNEGA, 2002), graças à riqueza trazida pelo
cultivo do café.

O ano de sua construção é incerto, mas há provas de sua existência no ano de


1883, quando parte da chácara foi adquirida para a construção da estação
provisória da Mogiana e instalação da linha férrea. Seu primeiro proprietário
foi o comerciante português André Maria Ferreira Villalobos, membro da
maçonaria e um dos fundadores do Comercial Futebol Clube e da Sociedade
Recreativa e de Esportes, que residiu no Solar até o ano de 1920, quando
retorna à Portugal.

Pertencente aos dois únicos imóveis do século XIX ainda existentes na cidade,
a casa é feita de alvenaria de tijolos de barro cozidos, assentados e revestidos
com o mesmo material, com estrutura de madeira para o telhado de quatro
águas com cobertura de telhas de barro, com forros em madeira do tipo saia e
camisa, ou paulistinha. Os pisos dos quartos, salas e varanda eram de tábua
corrida sobre barrotes, para as áreas molhadas a pavimentação era de ladrilho
hidráulico e do porão de ladrilho cerâmico(ALTMAN, 2012).

Nas paredes internas há pinturas retratando cenas italianas, construções


bizantinas, natureza morta, treliças e motivos florais, atribuídas por Maria Elizia
Borges(1983) à Rosalbino Santoro(1863-19?), que estava em Ribeirão Preto no
período citado pela neta de André Villalobos, Sônia de Lourdes Villalobos,
como provável data de feitio das pinturas, anteriores ao nascimento da
primogênita de seu avô, 27 de setembro de 1894. Há também pinturas em
Figura 3.3: Mapa de Ribeirão Preto em 1925, com delimitação da localização do bairro república e outro cômodos que denotam uma certa tendência oriental, onde se reproduz
da chácara Villalobos. tecidos acolchoados e arabescos dourados.
Fonte: APHRP.
O fundo da casa traz um misto da arquitetura colonial com influências euro-
peias trazidas pelos imigrantes na época: havia a presença de lambrequins e
colunas com capitéis clássicos e mísulas ornamentadas, e um guarda corpo,
todos de madeira. As janelas são de guilhotina e envidraçadas no exterior e de
duas folhas e de madeira no interior, característica típica de janelas coloniais.

25
A partir de 1920, o solar passa para as mãos da família Salomone, que lá Em 1986 o imóvel passa a ser propriedade de Roberto Leão da Costa, que
habita até o ano de 1961, período em que a chácara é loteada, no ano de constrói na antiga área das hortas e criações de animais da chácara um
1947, perdendo seu portão lateral, encimado por dois leões que eram um edifício comercial de três pavimentos, que não respeita o recuo exigido
dos símbolos da casa(há indícios que um dos leões estava situado no jardim pela legislação, bloqueando a incidência solar e ventilação necessária para
de uma residência próxima até o início da década de 2010), e quando surge evitar a ação de forças naturais que acelerem o processo de degradação da
a rua Antônio Salomone no local, em homenagem ao patriarca que adquiriu casa. Nota-se a intenção do proprietário na remoção do imóvel ao expulsar
a residência de Antônio Villalobos. Segundo um relato de Anna Carmen os inquilinos que o habitavam, acusação feita por uma artista plástico que
Salomone Lollato Pereira, ao lado direito, onde hoje há um edifício comercial habitava o entorno, que gera uma reação por parte do poder público a
fechado, havia tocas construídas para os coelhos, uma horta e um caminho partir da aprovação do artigo 19 da lei municipal nº4.881, que considera de
até um bambuzal nos fundos. Ao lado da entrada havia uma saleta para valor histórico e cultural para o município de Ribeirão Preto o imóvel nº232
chapeleira(GAZETA DE RIBEIRÃO, 2009, disponível em https://www.imobilia- da rua Caramuru, ou seja, o antigo Solar Villalobos.
r i a p i r a m i d e . c o m . b r / r i b e i r a o - p r e t o / N o -
t%C3%ADcias/Uma-casa-como-marco-2215 acessado em 29 de abril de
2018).

Figura 3.5: Fachada posterior do imóvel em 2008, nota-se os resquícios das colunas em madeira
com capitéis entalhados, e as janelas em guilhotina, ou em duas folhas, típicas da arquitetura
colonial. Nos últimos anos esse trecho teve um intenso processo de degradação.
Fonte: Arquivo pessoal - Wladimir Saburri.

Figura 3.4: Um dos projetos do empresário italano Vicente Lo Giudice realizados no Brasil, a
Chácara Villalobos é citada no livro Il Brasile e gli Italiani, de 1906.
Fonte: Casa da Caramuru - arquitetura e arte. ALTMAN, 2012.

Figuras 3.6, 3.7 : Afrescos nas paredes das áreas internas, danificados pela ação do tempo.
Fonte: Arquivo pessoal - Wladimir Saburri.

26
O tombamento pelo Condephaat veio pela resolução nº61, de 20 de outu-
bro de 1988, já observava:

"Este edifício, de construção anterior a 1894, figura como um exemplo documental da


arquitetura do 'Oeste Paulista', com relevante destaque para:
a. sua raridade como um dos dois únicos exemplares urbanos remanescentes do século
passado na cidade.
b. seu valor como amostragem do complexo urbano-rural da arquitetura do café nessa
região.
c. as pinturas decorativas de suas paredes internas, revelando o estilo ornamental
rococó"(Processo Secretaria da Cultura – CONDEPHAAT – Solicitação de Tombamento
Guichê: 00227 fls 147).

Atualmente o imóvel passou por um intenso processo de degradação,


perdendo sua cobertura, forro, pisos e aberturas, além das varandas, e
tendo suas pinturas originais sofrido danos. Em dezembro de 2004, uma
ação pública divulgada no Diário Oficial condenou a Prefeitura Municipal e
o Governo do Estado. Tombada como patrimônio histórico do Estado de
São Paulo, a Casa sofre com a falta de manutenção e com a ação do tempo.

Enquanto o prédio perde o primor que ostentava no final do século 19, seu
projeto de restauro, definido no início de 2013, não sai do papel, sendo
construído apenas um forro para proteger a casa das chuvas e suportes Figura 3.6: Foto da residência em 1984.
estruturais e fechamento das aberturas. Fonte: Acervo Pessoal.

Figura 3.5: Foto de 2012 mostrando


a provável localização de um dos
leões que ornavam o portão principal
da casa, na Avenida Caramuru,
nº368.
Fonte: Acervo Pessoal.

27
1 2

Como pode ser observado, a platibanda


Trecho da fachada principal com mostrada acima atualmente esta obstruída
Janelas da área de serviços(banheiro,
indício de modificação posterior à por uma cobertura metálica.
cozinha), daí sua concepção mais “simplis-
construção da casa. A janela de um
ta”, composta de peças escalonadas
dos quartos foi transformada em
simples.
acesso à casa. Nota-se essa modifi-
cação devido à simetria da fachada

3 e da moldura presente acima e no


entorno da esquadria.

3
2
Acesso principal da casa, cuja fachada foi reforma-
da aproximadamente após a instalação da estação
provisória da Companhia Mogiana de Estradas de
1
Ferro, em 1882. Apresenta ornamentos de rosetas
com motivos vegetais coroados por uma cornija
com folhagens de acanto. A porta possuía uma
bandeira com uma roseta central e volutas de
ferro. Suas duas folhas possuíam almofadas de
madeira ,encimadas por um arco e concha.
2
28
4 5

Os ornamentos sobre as vergas


superiores das janelas laterais são
diferentes das centrais, com
6
conchas flanqueadas por motivos
vegetais com referências ao estilo
rococó.

Segmento da fachada de
maior ornamentação, com
abertura para o avarandado,
bandeira de ferro ornamenta-
da, encimada por grinaldas,
motivos florais e volutas.

3
4
Colunas coríntias, que
juntamente com a simetria
na fachada, evidencia o
estilo neoclássico, predomi-

6
nante no período em que foi

5 construído imóvel.

29
O solar fazia parte de uma
chácara, cuja área abarca-
va as duas margens do
Fachada construída após córrego Ribeirão Preto.
a vinda da linha férrea e Posteriormente viria a se
consequente início da tornar os bairros Repúbli-
urbanização do entorno. ca e Vila Virgínia, que teve
Há indícios que anterior- seu desenvolvimento
mente a fachada principal tardio devido à proximi-
se situava no atual fundo dade com o córrego e
da residência. Construída distância do centro.
por Vicente Lo Giudice,
empresário italiano, na
data aproximada de 1890,
apresenta uma rica com- Segundo relatos feitos
posição ornamental, por moradores próximos,
contrastando com seu as edificações térreas
entorno no período. ainda existiam na década
de 1970, como residên-
cias, mas o que parece ser
Portão de acesso princi- uma torre central já havia
pal à casa, removido em sido removido. A área
1947, quando a chácara também chegou a ser
foi loteada e a via de utilizada como horta e
acesso foi aberta e trans- criação de animais.
formada na rua Antonio
Salomone.

Estação provisória da
Mogiana, inaugurada em Traçado não pavimen-
1883, utilizada até a inau- tado do que viria a ser a
guração da estação defi- Avenida Caramuru,
nitiva, no ano seguinte, surgida juntamente
na avenida Jerônimo com a extensão da linha
Gonçalves, núcleo econô- férrea da Companhia
mico da cidade. Mogiana em 1883.

30
Figura 3.7: Foto da família
Villalobos na lateral da
casa, provavelmente Portão original de acesso à casa, com dois leões
anterior à venda da erguidos por colunas em suas laterais, existente
residência à familia Salo- até a década 1940, quando a chácara foi lotea-
mone em 1920. Fonte: Casa da da. Atualmente há um anexo nessa área, que
Caramuru - arquitetura e arte. chegou a ser utilizado como bar.
ALTMAN, 2012.

Figura 3.8: Mesmo trecho da residência Figura 3.9: Foto não datada, mas provavelmente
atualmente, nota-se a remoção quase que anterior ao ano de 1947, quando o portão lateral foi
total da varanda, dos pilares e lambre- removido, mas posterior à foto da família Villalobos,
quins, além da construção de um anexo ao pois nota-se a remoção dos lambrequins existentes
lado da casa. Fonte: Acervo Pessoal. na outra foto. Fonte: APHRP.

31
32
4.1
Referência: Vila Itororó - Canteiro Aberto

33
Arquitetura: Francisco de
Castro

Localização: São Paulo - SP

Projeto: Décadas de 1910-1920

Construção: 1922

Área construída: 4212 m²

Vila Itororó
34
Obra do empreteiro português As residências adicionais foram
Francisco de Castro, durante as construídas como casas de N
décadas de 1910 e 1920, a Vila é aluguel direcionadas à classe
denominada Tororó devido ao média, devido ao seu apuro cons-
antigo córrego, hoje canalizado trutivo e tamanho, fora o fato de
sob a Avenida 23 de Maio, que que no período o bairro era uma
chegou a ser utilizado para abas- área ocupada tanto por artesãos
tecer a primeira piscina particular quanto por famílias burguesas.
da cidade, construída na área da
Vila. A edificação principal, antiga
moradia do empreteiro e
Atualmente a área, stiuada na empreendedor português, foi
região da Bela Vista, se constitui construída com a utilização de
de doze edificações acrescidas de materiais coletados em demoli-
um galpão industrial anexo ao ções de edificações como o
conjunto, datado de pelo menos antigo Teatro São José. Desta-
1930. Local de uma antiga cam-se essa moradia principal
propriedade rural em área panta- e a Casa das Carrancas, ambas
nosa, Francisco de Castro a restau- apresentando um certo cárater
rou e reformou, utilizando onírico em sua ornamentação.
elementos típicos do ecletismo.

Rua Martiniano de Carvalho 100m


Rua Monsenhor Passaláqua
Rua Pedroso

Rua Maestro Cardim

35
Casa
Casa 11
2
Casa
Casa
3
1
Casa Casa 10
9
Casa
4

Galpão Cultural Casa 5


RESTAURAÇÃO, CONSERVAÇÃO E AD

Casa VILA ITORORÓ

Piscina
ASSUNTO:

6 PROPRIETÁRIO :

LOCAL : RUA MARTINIANO DE CARVALHO, 269


BAIRRO: BELA VISTA - SÃO PAULO

CONTRIBUINTE :

SITUAÇÃO SEM ESCALA

Casa PR

8
Casa
LU

ÁREAS

VER PLANTA

7 MA

BE

ACESSOS
REV RESP DATA OBS

36
HISTÓRICO AS RESIDÊNCIAS -
O processo de restauro
A Vila Itororó ficou nas mãos de Francisco de Castro até 1932, período em
que ocorria na sua residência, o edifício de quatro pavimentos com orna-
Apesar das dificuldades devido ao lento processo de desapropriação, onde
mentação exótica
os arquitetos tiveram inúmeros empecilhos de acesso aos imóveis, que se
(Casa 1 - figura 1), festas e eventos com personalidades famosos no meio
encontravam em um avançado estágio de degradação e intervenção
artístico e intelectual do período, como Tarsila do Amaral e Oswald de
devido à ocupação irregular ocorrida por mais de meio século, após a desa-
Andrade(CORREIA, Vanessa. Folha de São Paulo, 2013).
propriação houve a oportunidade de se abordar as características históri-
cas da Vila além das suposições provenientes apenas de documentações.
Boa parte do capital de seu proprietário era proveniente do café, e com a
crise de 1929, Francisco falece deixando dívidas, o que faz com que a Vila
Por meio de inventários, prospecções, novas pesquisas históricas e uma
vá à leilão e seja adquirida por Augusto de Oliveira Camargo, que ao falecer
campanha de levantamento arquitetônico de todos os imóveis, observou-
a doa para Santa Casa de Indaiatuba, proprietária do local até sua recente
-se na tipologia e nas técnicas construtivas dos edifícios, tanto quanto a
desapropriação pela prefeitura.
ambiência das fachadas, importantes valores histórico-artísticos a serem
preservados. Há o uso de alvenarias portantes de tijolos, com eventuais
Com o tempo a situação fundiária ali se precarizou, denotando certo
reforços em estrutura de argamassas de baixa resistência, concreto
empobrecimento da população na área central, e chegando a produzir
armado, ou vigamento lígneo e metálico, em diferentes dimensões,
cortiços em algumas das casas, incluindo o palacete habitado pelo antigo
demonstrando o reaproveitamento de materiais ocorrido na vila. No site da
proprietário, que teve cada um de seus pavimentos transformado em apar-
iniciativa há relatórios do andamento do restauro na Vila, incluindo regis-
tamentos(Casa 1 - figura 2), com a construção de uma escadaria de concre-
tros fotográficos(Op. cit., 2017).
to ligando a área mais baixa da Vila à rua Martiniano de Carvalho.
Figura 4.1.3: Decapagem mecânica
DEQUAÇÃO Após um longo processo iniciado ainda na década de 1970, a Vila na casa nº5.
01/36
Itororó é tombada como conjunto arquitetônico pelo Conpresp, em Fonte: Vila Itoró Canteiro Aberto.
2002 e Condephaat, em 2005, respectivamente, onde as casas com- Disponível em http://vilaitororo.or-
g.br/wp-content/uplo-
9/271/277
- SP
preendidas possuem distintos níveis de proteção. A seguir, declarado ads/2018/02/16-RELA-
como de interesse público, o conjunto passa por um processo de
ZEPEC

TORIO-FOTOGRAFICO-BL-5-E-6-J
desapropriação que culmina com a conflituosa e polêmica remoção
ESCALA : 1:50

ANEIRO-2018.pdf*
dos moradores que ali viviam (2011 - 2013), passando à tutela do
REFEITURA MUNICIPAL DE SÃO PAULO
Estado de São Paulo que, em seguida, a concede à Prefeitura Munici-
pal de São Paulo com a condição de conservar os imóveis e imple-
mentar um centro cultural(SAVIANI, Benjamim M., 2017). Figura 4.1.4: Instalação dos pisos da
UIZ FERNANDO DE ALMEIDA - ARQUITETO varanda na casa nº11.
Fonte: Vila Itoró Canteiro Aberto.
A prefeitura encomenda no ano de 2012 um projeto arquitetônico ao Disponível em http://vilaitororo.or-
ARIANA VICTOR DE FARIA - ARQUITETA arquiteto Décio Tozzi realizado a partir dos estudos feitos desde 1974 g.br/wp-content/uploads/2018/02/10-
por sua equipe, mas a licitação não foi contratada após o projeto ser -RELA-
ENJAMIM MOTTA SAVIANI - ARQUITETO licitado. TORIO-FOTOGRAFICO-abr-2017_0
0.pdf*

37
Casa 1
Antiga residência do fundador da Vila, construída à partir da casa térrea de
uma antiga propriedade rural(Casa 1 - figura 3), onde o porão já era existen-
te devido ao entorno ser uma área de várzea, úmida. Houve a adição de três
pavimentos, delimitados por dezesseis colunas de ordem jônica, e uma
profusão de ornamentos provenientes de obras demolidas.

Assim como o restante da Vila, os vários anos de ocupação irregular trouxe-


ram inúmeras modificações e danos à tipologia original da casa, como
novos anexos, muros e acessos, construídos de forma precária, além de
vandalismo e danos aos elementos decorativos.

Figura 4.1.7: Estado do Palacete em 2014.


Fonte: Fabio Almeida Silva.
Disponível em https://casperlibero.edu.br/revista-arruaca/urbex-beleza-e-a-
ventura-em-lugares-abandonados/* acessado em 22 de abril de 2018.

Figura 4.1.5: Reforma de ampliação do Palacete (c. 1918).


Fonte: Acervo Pessoal Milu Leite.
Disponível em http://vilaitororo.org.br/wp-content/uploads/2016/02/VIT_Diario_LOW.pdf* acessado
em 22 de abril de 2018.

Figura 4.1.6: Estátua de divindade


greco-romana em bronze
Fonte: Evelson de Freitas.
Disponível em http://sao-paulo.es-
tadao.com.br/noticias/geral,restau- Figura 4.1.8: Uma das cariátides que adornam a casa, denunciando o estado de degradação que se
ro-da-vi- encontra a Vila.
la-itororo-comeca-a-sair-do-papel, Fonte: Acervo Hélio Bertolucci Jr.
854161* acessado em 22 de abril Disponível em https://www.flickr.com/photos/15295459@N07/4284832843* acessado em 22 de abril
de 2018. de 2018.

38
Casa 2
Conhecida como a “Casa das Carrancas”, foi construída de forma a aprovei-
GALPÃO CULTURAL -
tar a declividade do terreno, tendo quatro pavimentos, destinados à habi-
Centro Cultural Canteiro Aberto
tação, uam associação de futebol e depósito de materiais. Em sua platiban-
No início do projeto cultural proposto pelo Instituto Pedra, previa-se apenas a
da há ornamentos em forma de rosto(”mascarões”), provenientes de outras
a restauração das fachadas e reconfiguração estrutural dos imóveis, prevendo
obras, daí a denominação.
até mesmo a demolição de seus espaços internos para usos culturais, como
Figura 4.1.9: Carran- um museu, salas multiuso e biblioteca infantil, além de espaços de alimenta-
cas em uma das
ção. Mas com o início do financiamento e planejamento de obras, houve uma
laterais da casa.
Fonte: Acervo Hélio mudança de diretrizes por iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura.
Bertolucci Jr.
Disponível em Houve uma maior visão crítica nessas novas diretrizes, levando-se em
https://www.flickr.- conta também o fator financeiro, o tamanho do local a ser readequado e
com/photos/chegade-
restaurado, a presença de outro centro cultural nas proximidades e a
demolirs-
p/4284830191/in/albu segmentação de recursos em um local com vários espaços segmenta-
m-7215762323618245 dos. Utilizando-se das estruturas mais bem conservadas e amplas, que
8/ era o caso do galpão industrial, datado de pelo menos 1930 (Sara Brasil
acessado em 22 de abril de
2018.
S/A, 1930, fol. 51), houve a criação do Centro Cultural Canteiro Aberto,
que deve funcionar durante o período de obras, permitindo um maior
contato da população com as ações de restauro e adequação do local,
juntamente com as opções de cultura, lazer e educação disponibilzadas
pelo centro cultural.

Figura 4.1.10: A programação se divide em visitas guiadas ao canteiro de obras, dispo-


Mascarões provenien- nibilidade do espaço para usos espontâneos (onde o público é convida-
tes do antigo Teatro do a permanecer no espaço de forma livre, improvisada e desburocrati-
São José. zada) e oficinas de formação, muitas das quais utilizando as estruturas
Disponível em
https://asaopauloque-
do canteiro de obras quando disponíveis, como a marcenaria, por exem-
saopaulonaove.- plo. Há o enfoque na capacitação e valorização da população local e
com/2016/11/17/a-vila- nas pessoas que frequentam o Canteiro Aberto, com workshops, cursos
-itororo/ como dança de salão, oficinas, aulas de yoga e discussões e entrevistas
acessado em 22 de abril de
2018. envolvendo os antigos moradores da Vila.

Também há parcerias e compartilhamento do espaço físico com outras


entidades também com atividades abertas, como uma unidade FabLab,
que produziu módulos e equipamentos básicos para o local, tendo reali-
zado uma oficina com aproximadamente 50 participantes na marcenaria
do canteiro.

39
Pavimento Nível Intermediário Pavimento Nível Vila Itororó

REFEITÓRIO

SANITÁRIOS/ VESTIÁRIO

DEPÓSITO

ACESSOS

Escala 1:400

Escala 1:400

Figura 10: Área destinada à Marcenaria Aberta, onde ocorrem aulas de Figura 11: A oficina também fica disponível, em certos dias da semana, para
capacitação em marcenaria, ao mesmo tempo em que se produz elementos pessoas com conhecimento prévio e prática em carpintaria.
para o restauro. Fonte: Vila Itoró Canteiro Aberto.
Fonte: Vila Itoró Canteiro Aberto. Disponível em http://vilaitororo.org.br/marcenaria-aberta/
Disponível em http://vilaitororo.org.br/marcenaria-aberta/

40
Pavimento Nível Rua(Acesso
ao Galpão)

Figura 4.1.12/4.1.13/4.1.14/4.1.15/4.1.16: Fotos das


áreas do Galpão.
Fonte - Figura 12 e 13: Google Maps
Figura 13, 14 e 15: Vila Itororó Canteiro Aberto
acessados em 30 de abril de 2018.

Escritórios e área para restauros.


Rua Pedroso

Local de exposição dos mobiliários feitos pelo projeto da ConstructLab.


Entrada pela rua Pedroso.
Biblioteca e local para apresentações e performances.

41
42
4.2
Referência: Escola Guignard

43
Arquitetura: Gustavo Penna -
Adalgisa L. Mesquita, Afonso
Walace Oliveira, Délio M. B.
Cardoso, João Batista de Assis,
Fernando Arruda Guillen,
Norberto Bambozzi, Osmar
Fonseca Barros como colabora-
dores.

Localização: Belo Horizonte -


MG

Projeto: 1989-1990

Construção: 1994

Área construída: 7.500m²

Escola Guignard

44
Nomeada em homenagem ao Construída junto à Serra do
artista e professor Alberto da Curral, a obra é um símbolo da N
Veiga Guignard, devido à sua arquitetura contemporânea
paixaão pelas paisagens minei- mineira. Atualmente oferece
ras, a Escola de artes Guignard é cursos de licenciatura em Educa-
uma unidade acadêmica da ção Artística e bacharelado em
Universidade do Estado de Minas Artes Plásticas.
Gerais(UFMG).
Sua origem data do ano de 1943,
quando o então prefeito Juscelino
Kubitschek convida Guignard para
dirigir a Escola de Belas Artes. Um
ano depois, a escola seria fundida
à Escola de Arquitetura no então
batizado Instituto de Belas Artes
de Belo Horizonte.

g a
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100m 400m
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Rua Ascânio Bur

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Rua O
dilon B

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45
HISTÓRICO
Uma característica marcante na identidade da instituição, principalmente
durante seus primeiros anos, foi a falta de ortodoxia no plano institucional
e educacional. Guinard, durante seu período de administração da esco-
la(1943-1962), evitou ao máximo envolve-la em questões burocráticas-ad-
ministrativas exigidas pelo governo.
A presença de cursos livres, muitos ao ar livre, buscando uma expressão
subjetiva e de uma dicção própria, além de uma relação mais flexível entre
professor e aluno foi o que diferenciou a escola em seu início. Apesar de no
período de construção e inauguração dessa nova sede essa didática não ser
mais empregada da mesma forma, a obra de Guignard na direção da insti-
tuição foi incutida na identidade instituição.

Segundo o arquiteto Gustavo Penna, autor do projeto:


“O que Guignard queria? Pintar as montanhas. Então, a Escola sobe as montanhas e fica do
alto, o que ele gostava, contemplação da distância, em um espaço neutro”

Podemos definir a instituição como uma escola oficina, pois além dos ateli-
ês e aulas, há exposições compostas pelo o que os alunos produzem, permi-
tindo uma avaliação e diagnóstico feito pelo público e profissionais que
frequentam esses eventos.
Figura 4.2.1: Panorama da escola.
Fonte: MDC - revista de arquitetura e urbanismo.
CONCEPÇÃO
O uso de aço, vidro e concreto denunciam o caráter contemporâneo da
edificação. A presença da curva cria um diálogo com seu entorno, já os
vazios, nas palavras do arquiteto:
“É um lugar para ver o longe que está longe ou que está dentro de si. Porque tem longe
que mora dentro da gente, não é?”

Nota-se um forte simbolismo na concepção do projeto, em uma área onde


Gustavo já havia obtido experiência, na construção da Escola de Arte e
Ofício de Contagem. Como principal partido arquitetônico, o uso da topo-
grafia gerando articulações no espaço, invertendo sua variação, criando
áreas para os programas de necessidades da escola, tais como: ateliês, espa-
ços para exposições, auditório, espaço de convívio, etc.

Figura 4.2.2: Croqui de concepção do projeto.


Fonte: MDC - revista de arquitetura e urbanismo.

46
N
IMPLANTAÇÃO GERAL PLANTA 1º PAVIMENTO

Figura 4.2.3/4.2.4/4.2.5: Plantas de implantação, 1º pavimento e corte,


não sendo possível obter as plantas e materiais dos outros pavimentos.
Fonte: MDC - revista de arquitetura e urbanismo

N
SALAS DE AULA

SANITÁRIOS

DEPÓSITO

ACESSOS

Figura 4.2.6: Planta 2º pavimento acima do solo.


Fonte: UEMG.

47
Estudo de Caso - Praça Rui Barbosa, 600 - N
MAO - Museu de Artes e Ofícios de Belo Horizonte. Centro, Belo Horizonte - MG

Inaugurado em 2005, por iniciativa do Instituto Cultural Flávio Gutierrez –


ICFG, com o apoio do Ministério da Cultura e da CBTU – Companhia Brasi-
leira de Trens Urbanos, o MAO preserva mais de dois mil objetos, instru-
mentos e utensílios de trabalho utilizados nas mais variadas profissões
entre os séculos XVIII ao XX, onde se pode entender toda a riqueza e a
evolução do trabalho no Brasil do período pré-industrial, incluindo o traba-

radas
lho dos artífices e artesãos.

nd

í
Instalado na Estação Central de Belo Horizonte, edifício eclético por onde

puca
dos A
chegou toda a matéria-prima utilizada na construção da nova capital de

a
Minas Gerais, no final do século XIX, e por onde passam milhares de pesso-

Rua S
id a
as diariamente e que convivem diretamente com sua arte e com sua histó-

Aven
ria, sendo o primeiro e único museu da América Latina dedicado integral-
mente ao tema.

Com 9.200m² de área construída, ocupa os prédios históricos da Praça da


Estação, restaurados no processo de implantação do museu, sendo um dos
mais bem estruturados do Brasil em termos de organização, estrutura para
as exposições e uso de recursos audiovisuais. 100m

Tombado pelo IPHAN, o acervo do museu remonta às origens dos proces-


sos fabris, em sua confluência com as artes manuais, artesanato e manufa-
tura, sendo dividido em setores tradicionais, como a mineração, lapidação
e ourivesaria, alimentício, tecelagem, energia e curtumes.
Figura 5.2(esquerda)/5.3(di-
reita): Panoramas do museu,
na Estação Central.
Fonte: vejadecima.
Disponível em https://vejade-
cima.com/2016/03/20/praca-
-rui-barbosa-praca-da-
-estacao-belo-horizonte-mg/
#jp-carousel-664
acessado em 01 de maio de 2018.

48
Figura 5.1: Mapa do
PRÉDIO A museu, com o acesso à
linha férrea.
Fonte: Museu de Artes e
A1 - Ofícios do Transporte Ofícios.
A2 - Ofícios Ambulantes Disponível em
http://www.mao.org.br/vi-
A3 - Ofícios do Comércio site/mapa-do-museu/
A4 - A Proteção do Viajante acessado em 01 de maio de
2018.

PRÉDIO B
B1 - Jardim das Energias
B2 - Ofícios da Mineração
B3 - Ofícios do Fogo
B4 - Ofícios da Madeira
B5 - Ofícios da Cerâmica
B6 - Ofícios do Comércio
B7 - Ofícios da Lapidação e Ourivesaria
B8 - Ofícios do Couro
B9 - Ofícios da Terra
Segundo Pavimento
B10 - Ofícios da Conservação e Trans-
formação dos Alimentos
B11 - Ofícios do Fio e do Tecido

A primeira exposição, no edifício A é relacionada a Ofícios do Transporte,


como tropeiros, canoeiros, carpinteiros de roda e carpinteiros navais. Em
seguida, estão os Ofícios Ambulantes, como os vendedores de rua, os fotó-
grafos, barbeiros e dentistas. Entre os Ofícios do Comércio, temos o carre-
gador e o comerciante. Ao passar pela linha do metrô e chegar ao
edifício B, temos o Jardim das Energias, com engenhos, moinhos, rodas
d’água engrenagens e outros equipamentos pré-industriais para se gerar
energia, seguido pelos Ofícios da Mineração, onde estão o garimpeiro e o
minerador. Representando os Ofícios do Fogo, temos o ferreiro e o funilei- Figura 5.4/5.5/5.6: Estandes representando os ofícios de
ro. A parte dos Ofícios da Madeira é extensa e mostra o carpinteiro, o mar- carpinteiro de roda, lapidador, sapateiro e chapeleiro, respectiva-
ceneiro e o tanoeiro, o fabricador de tonéis. O trabalho do ceramista e o do mente.
oleiro sao representados no setor Ofícios da Cerâmica. Lapidador e ourives Fonte: Mineiros Na Estrada.
Disponível em http://www.mineirosnaestrada.com.br/museu-de-
estão na seção Ofícios de Lapidação e Ourivesaria. Como exemplos de
-artes-e-oficios/ acessado em 02 de maio de 2018.
Ofícios do Couro temos o curtidor, seleiro, chapeleiro e sapateiro.

49
Estudo de Caso - Rua Mariz e Barros, 328
Recife Antigo, Recife, PE N
LAB74

Escola de design, artes e fazeres com duas sedes, uma São Paulo, e outra
construída posteriormente em Recife, que visa estimular o raciocínio indi-
vidual do aluno sobre processos construtivos capazes de transformar
Aven
matérias primas em objetos de desejo se utilizando de três meios: Projeto; ida R
io bran
Conhecimento técnico, processos e fundamental; e trabalho físico e co
manual.

Rua M
Há cursos como marcenaria, joalheria, moda e coquetelaria, abrangendo

ar
desde o processo criativo e a individualidade do aluno, até mesmo a mate-

iz e Ba
rialidade, concepção, estrutura e detalhamento, como citado por Bruno
Lima, um dos organizadores do projeto:

rros
“Nosso curso tem por objetivo oferecer ao aluno um panorama sobre todos os processos
230m
que compõem a criação e fabricação de uma peça de mobiliário autoral. O objetivo princi-
pal é o entendimento de processos conceituais e materiais, a fim de dar autonomia ao
aluno continuar trabalhando por conta própria, se aperfeiçoando, mas principalmente,
além do conhecimento prático e teórico, despertar o interesse do indivíduo para o raciocí- Rua Souza Lima, 318
nio projetivo e executivo de um objeto”(Portal Cultura PE, 2018) Barra Funda, São Paulo, SP

Ru
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ar Lim
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Fu S ou
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Figura 5.8,5.9(acima).
Fonte: Reprodução/Facebook.
Disponível em https://poraqui.news/reci- 100m
fe-antigo-centro/maos-a-obra-lab74-
-chega-ao-recife-com-curso-de-marcenar
ia-basica/
acessado em 20 de maio de 2018. Figura 5.10,5.11(acima): Localização em Recife, e em São
Paulo.
Figura 5.7: Fachada da escola em São Paulo. Fonte: LAB74.
Fonte: LAB74. Disponível em www.lab74.com.br
Disponível em www.lab74.com.br
acessado em 20 de maio de 2018.
50
5
Análise do Entorno/Oficinas

51
N
USOS FORMAIS
A área de estudo se situa em duas zonas
do macrozoneamento municipal, segun-
do o Plano Diretor de Ribeirão Preto:

Zona de Urbanização Preferencial(ZUP),


composta por áreas dotadas de infra-es-
trutura e condições geomorfológicas
propícias para urbanização, onde são
permitidas densidades demográficas
médias e altas.

Zona de Proteção Máxima(ZPM), com-


posta pelas planícies aluvionares (várze-
as); margens de rios, córregos, lagoas,
reservatórios artificiais e nascentes, nas
larguras mínimas previstas pelo Código
Florestal e pelo Código do Meio Ambien-
te do Município; áreas cobertas com
vegetação natural e demais áreas de
preservação que constem do Zoneamen-
to Ambiental, do Plano Diretor e do
Código do Meio Ambiente.

RESIDENCIAL
COMERCIAL
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
SEM USO/ABANDONADO
VAZIOS
INSTITUCIONAIS

Solar VillaLobos 50m

52
N
GABARITO
Nota-se o predomínio do uso residencial
com baixa densidade, com o predomínio
das edificações com mais de um pavi-
mento no uso comercial, que geralmente
se localizam na avenida Caramuru,
devido ao maior movimento.
A proposta da criação de um anexo
lateral ao Solar, no lugar de um sobrado
que já teve uso comercial, atualmente
fechado, que bloqueia a insolação e
ventilação do edifício histórico, irá retor-
nar esses elementos e permitir uma
harmonia entre os gabaritos do entorno
da edificação histórica.

TÉRREO

DOIS PAVIMENTOS

TRÊS PAVIMENTOS OU MAIS

VAZIO

50m Solar VillaLobos

53
N

CIRCULAÇÃO
A avenida Caramuru é a via de maior
destaque na área, sendo a que deu início
à urbanização da área após a vinda da
linha férrea, que era situada em sua pista
superior. A avenida liga bairros de desta-
que na cidade, como o Centro e a Vila
Tibério ao Alto da Boa Vista e Jardim
Califórnia.
Além dessa via arterial, predominam as
vias locais, algumas sem saída, vias de
acesso as pequenas residências e
galpões da região.

PONTOS DE ÔNIBUS

VIAS ARTERIAIS

VIAS COLETORAS

VIAS LOCAIS

Solar VillaLobos
50m

54
N FIGURA FUNDO
O entorno possui uma quantidade signi-
ficativa de comércios com oficinas,
predominando a produção de mobiliá-
rios de vime, restauro de móveis e carpin-
taria, além de estofados e mecânica.
A existência dessas oficinas em pequena
escala, com a presença dos ofícios manu-
ais, segue a proposta a ser realizado no
local do projeto, fornecendo mão de
obra e auxiliando o desenvolvimento
dessa forma de economia.

OFICINAS

MARCENARIA

ESTOFADOS

PINTURA

MOBILIÁRIO EM VIME

50m Solar VillaLobos

55
N

OFICINAS LOCAIS
O entorno possui uma quantidade signi-
ficativa de comércios com oficinas,
predominando a produção de mobiliá-
rios de vime, restauro de móveis e carpin-
1
taria, além de estofados e mecânica.
A existência dessas oficinas em pequena
3 2
escala, com a presença dos ofícios manu-
ais, segue a proposta a ser realizado no
local do projeto, fornecendo mão de
obra e auxiliando o desenvolvimento
dessa forma de economia.

OFICINAS
6
MARCENARIA
7 5
8
ESTOFADOS

PINTURA

MOBILIÁRIO EM VIME

Solar VillaLobos 50m

56
1 2

OFICINAS LOCAIS
O entorno possui uma quantidade razoável de comércios com oficinas, predominando a produão de mobiliários de vime, restauro de móveis e
carpintaria, além de estofados e mecânica.

3 4
57
5 6

OFICINAS LOCAIS
A existência dessas oficinas em pequena escala, com a presença dos ofícios manuais, segue a proposta a ser realizado no local do
projeto, fornecendo mão de obra e auxiliando o desenvolvimento dessa forma de economia.

7 8
58
6
Oficina Aberta: Proposta para o Solar Villalobos

59
OFICINA ABERTA -
Proposta para o Solar Villalobos

Seguindo a linha de abordagem proposta na Vila Itororó, na cidade de São


Paulo, e da atividade do coletivo transnacional Constructlab no local,
onde ambos discutem o processo de concepção e produção arquitetônica Figura 6.1: Imagens da publicação sobre a
e de mobiliários, e formas de apropriação do espaço urbano, fugindo da atividade da Constructlab no galpão cultural
rigidez das escolas técnicas e dos objetos produzidos de forma da Vila Itoróro.
Fonte: Vila Itoró Canteiro Aberto.
massificada. Disponível em http://vilaitororo.org.br/marce-
naria-aberta/
Aproveitando-se do fato da região do entorno do edifício histórico possuir acessado em 20 de outubro de 2018.

várias oficinas, incluindo as de marcenaria, juntamente com o processo de


restauro do solar e sua inserção no histórico artístico-arquitetônico da
cidade de RIbeirão Preto, temos um panorama com muitas semelhanças
com o processo de restauro da Vila Itororó e seu canteiro aberto e galpão
cultural.

Se propõe a demolição do edifício comercial de dois pavimentos,


atualmente fechado, que se encontra anexado à fachada direita do Solar
Villalobos, e do antigo bar Casarão, atualmente abandonado, também
anexado à residência, no seu lado esquerdo, ambos impedindo sua
insolação e ventilação adequada. Haverá também a construção de um
anexo na área posterior à fachada principal do edifício, com três
pavimentos, cujo uso principal será como áreas livres para o uso tanto de
artífices, profissionais e proprietários de estabelecimentos como
marcenarias, quanto de leigos, interessados em aprender mais sobre o
processo de produção artesanal e em pequena escala, que durante as
últimas décadas tem sido desvalorizado.

Haverá tanto aulas e cursos, quanto a disponibilidade de se locar as


oficinas e os equipamentos a serem disponibilizados, permitindo um Figura 6.2: A efemeridade de todo o
processo construtivo dos mobiliários,
processo mais democrático e igualitário tanto no aprendizado quanto no até mesmo em sua montagem e uso,
incentivo econômico aos profissionais da região. foge da rigidez dos objetivos
produzidos em massa.
Fonte: Vila Itoró Canteiro Aberto.
Disponível em http://vilaitororo.or-
g.br/marcenaria-aberta/
acessado em 20 de outubro de 2018.

60
Figura 6.3: Delimitação dos dois anexos construídos no
N
entorno do solar no decorrer da segunda metade do século
XX, a serem demolidos. Pela vista abaixo, podemos ver a
área ocupada por ambos, e a zona ocupada pelo edifício
proposto.

EXISTENTE - Solar Villalobos

A SER CONSTRUÍDO - Oficinas abertas

A SER DEMOLIDO - Anexos não originais à casa

61
SOLAR VILLALOBOS

62
ACESSOS

PAVIMENTO TÉRREO

RUA ANTONIO
- Área original do piso térreo do Solar Villalobos, nível avenida Cara-
muru. Ligação entre o edifício histórico e as oficinas ao fundo.
- Pátio aberto para eventos no novo edifício.
- Secretaria, administração, área de exposição e memorial no Solar.

SALOMONE
PRIMEIRO SUBSOLO
- Área do porão do Solar, acesso ao anexo pela Avenida Caramuru,
descendo-se a rampa, ou pela rua Antônio Salomone.
- Primeiro pavimento do anexo, dedicado aos sanitários, refeitório e
espaços para oficinas e cursos.
- Secretaria, administração, área de exposição e memorial no Solar.

SEGUNDO SUBSOLO AVENIDA CARAMURU


- Área de enfoque no conceito de oficina aberta.
- Grande espaço aberto acessado por escadas que sobem no nível da
rua Antônio Salomone. Figura 6.4: Acessos ao anexo por diferentes níveis, pela Avenida Caramuru pela
- Local onde se localiza os máquinários de maior porte, para uso na rampa ou pelo Solar, e pela rua Antônio Salomono pela rampa lateral ou pelas
marcenaria/carpintaria. escadas que levam ao segundo subsolo.
Acesso Térreo Acesso 1º subsolo
Acesso 2º subsolo

EXISTENTE - Solar Villalobos

A SER DEMOLIDO - Anexos não originais à casa

63
ENTORNO -
Desenvolvimento da área de estudo

ESTOFADOS
EDIFICAÇÕES DO PROJETO -
Solar Villaobos e Oficina Aberta
PINTURA

OFICINAS LOCAIS MARCENARIA MOBILIÁRIO EM VIME

Como foi dito anteriormente, a proposta envolve a valorização das oficinas do entorno,
disponibilizando cursos que melhorem a eficiência e a experiência tanto do proprietário quanto de
seus funcionários, ao mesmo tempo em que se fornece equipamentos e áreas disponíveis para o
uso, permitindo o acesso a um local de trabalho e a máquinários que muitas das oficinas locais não
possuem.

Todo esse processo gera um fluxo de ganho e troca de conhecimento, tornando-o acessível aos
leigos, aprimorando a produção dos artífices e profissionais locais.

64
65
CONCEITO -
As características do Solar na sua relação com o anexo

Apesar de poder ser considerado um anexo, o edifício dedicado as oficinas


possui uma volumetria que procura respeitar o valor arquitetônico do
Solar Villalobos, indo na direção contrária ao seu histórico de degradação
devido a construção de anexos que o degradaram tanto fisicamente,
quanto esteticamente.

Apenas um acesso conecta o solar diretamente com a área das oficinas, no


nível do pátio. Os outros acessos procuram respeitar a singularidade do
edifício histórico, sem intervir em sua concepção ou em seus elementos
construtivos.

65
66
PEÇAS DE ENCAIXE - BRISE

BRISE

Com estrutura de aço corten, o brise foi A SER RECONSTRUÍDO EXISTENTE/A SER RESTAURADO
elaborado levando em conta a linearidade A SER CONSTRUÍDO
na composição das fachadas do casarão e
simetria dos componentes de estilo neo-
Devido ao avançado estado de degrada-
clássico na fachada frontal, como as cane-
ção do casarão(foto ao lado mostrando a
luras nas colunas coríntias.
fachada posterior do solar em 2015), será
necessária a reconstrução das áreas
avarandadas e da cobertura, na proposta
atual de restauro, evitando-se o falso
histórico,mas permitindo uma identifica-
ção com a existência original do local.
Figura 6.5: Fachada posterior do imóvel em 2015,
Nota-se a total perda da área avarandada, das colunas
com capiteis em madeira, da cobertura, e até mesmo das
esquadrias.
Fonte: Arquivo pessoal - Wladimir Saburri.

66
67
DEMOLIR/CONSTRUIR -
OFICINA ABERTA

- Demolição do do antigo edifício comercial de dois pavimentos e do bar,


ambos anexados à casa em lados opostos.
- Remoção do pavimento de concreto nos fundos da casa.

OFICINA ABERTA

- Construção do anexo em concreto escovado, com lajes e pilares em


concreto armado.
- Esquadrias em madeira.
- Parede cortina em estrutura de aço corten e vidro.
- Brise em aço corten.
- Guarda corpo em alumínio e vidro.

SOLAR VILLALOBOS

- Remoção da atual cobertura metálica instalada pela prefeitura.


- Remoção dos resquícios dos assoalhos, forro, área avarandada e elemen-
tos em madeira, incluindo esquadrias.

SOLAR VILLALOBOS

- Reconstrução da área avarandada, pilares, assoalhos, elementos em


madeira e esquadrias, utilizando a madeira, mas de variedade e coloração
diferenciada do que havia anteriormente.
- Azulejos hidráulicos serão mantidos.
- Estrutura em alvenaria de tijolos cerâmicos será mantida e recuperada
onde for necessário.
- Restauração dos elementos da fachada, de concreto com pinos de ferro.
- Recuperação dos elementos em ferro, como as bandeiras nas aberturas
da fachada e as janelas do porão.

68
MÁQUINÁRIOS -
Equipamentos de maior porte necessários para a
elaboração da proposta

Marcenaria e Carpintaria.

Plaina Desempenadeira E Tupia de Mesa.


Desengrossadeira.
Equipamento indicado Ideal para realizar traba-
para desempenar e lhos como encaixes, enta-
desbastar, fazendo ajus- lhes, chanfros, ranhuras,
tes de corte em peque- molduras, rasgos e deta-
nas peças de madeira, lhes arredondados.
compensados e até Mdf.
Dimensões:
Dimensões:
116,0 x 75,0 x 75,0 cm
45,0 x 81,5 x 42,5 cm

Serra Circular de Mesa. Furadeira de Bancada

Ideal para cortar e traçar Indicado para perfurações


vários tipos de materiais. em geral, utilizado em
pequenas oficinas de mar-
Dimensões: cenaria, serralheria, entre
outros.
66,0 x 44,5 cm
Dimensões:

57,5 x 19,0 x 31,0 cm

66
69
Torno para Madeira com Serra Tico-tico.
Copiador.
Este tipo de serra é
Tornos podem ser ideais para ideal para realizar
tornear objetos como ioiôs. cortes em curvas,
mobília funcionais, projetos que, dependendo da
decorativos de madeira, espessura da lâmina,
como castiçais e tigelas, e até podem ser mais ou
eixos usados em equipamen- menos fechadas.
tos e modelos de corrimão.
Dimensões: Dimensões:

114,1 x 48,6 x 171,3 cm 66,0 x 44,5 cm

Lixadeira de Cinta/Disco Exaustor.


de Bancada.
Desenvolvido para captar pó
Lixadeira de cinta e disco em máquinas de médio porte,
indicada para trabalhos como esquadrejadeira,
de artesanato em madei- seccionadoras, lixadeiras.
ra.
Dimensões:
Dimensões:
214,0 x 178,4 x 64,4 cm
60,0 x 29,0 x 50,0 cm

70 65
69
Segundo Subsolo -
Oficina aberta, equipamentos de maior porte para uso nas
oficinas, área para armazenamento.

E F
3

A 2
A
1

B B
C
C
2
4

D
D

1- Oficinas para equi-


pamentos de grande
porte e especializados

2 - Elevador
E
1 F
71
Primeiro Subsolo -
Espaços para cursos que exigem menores equipamentos,
sanitários, refeitório, depósito. Esc. 1:250

E F
3

A 2
1 1 1 A
3 3
4
B B
C
C
2
4
6 7 1- Espaços para
5 cursos e workshops.

D 2 - Elevador
D
3 - Sanitários

4 - Refeitório

5 - Depósito

6 - Despensa
E
1 F 7 - Almoxarifado

72
Térreo -
Pátio para eventos, administração, secretaria, sanitários,
biblioteca. Esc. 1:250

E F
3
3

A 2
1 A

1- Pátio para eventos.


B B 2 - Elevador

C 3 - Caixa d’água
C
2 4 -Biblioteca
4
5 - Recepção
4 6
6 - Administração
5
D 9 7 - Memorial
D
11 8 7 8 - Funcionários

10 9 10 9 - Secretaria

10 - Sanitários

11 - Espaço para
E exposições
1 F

73
Implantação/Cobertura -
Esc. 1:250

74
Cortes -
Esc. 1:250

A-A

B-B

75
Cortes -
Esc. 1:250

C-C

D-D

76
E-E

F-F

77
ELEVAÇÕES -
Esc. 1:250

1-1

2-2 4-4

3-3

78
79
Conclusão
O que começou como uma busca pela valorização dos ofícios ma-
nuais e do histórico da educação artística e arquitetônica no Brasil,
se tornou um projeto que abacou um dos locais que marcaram
minha infância e que iniciou meu interesse pelo campo do restau-
ro e da história da arquitetura: o Solar Villalobos.

Que essa proposta se torne uma referência da importância da


valorização da educação, não só técnica, mas do ensino da arte e
da valorização das pequenas oficinas e dos artesãos no Brasil. E da
valorização da nossa história e patrimônio arquitetônico, tão em
crise nos últimos anos.

80
Corte
F
Corte
E

N
Elev.
3

Corte
A
Corte
A

B
Corte
B
Corte

Corte
C
Corte
C

Elev.
4
Elev.
2

D
Corte
D
Corte

1
Elev.
Corte
E

Corte
F
Arquitetura e Urbanismo OFICINA ABERTA: Espaço Popular de formação de mão de obra para restauro e ofícios
Implantação/Cobertura
manuais
26/11/2018 1:100
Autor do Projeto: Giovani Frandino Korman Levantamentos: Wladimir Saburri Folha: 1
Nº Matrícula: 10745 Orientadora: Ana Teresa Cirgliano Vilella
Corte
F
Corte
E

N
Elev.
#toPZvalue 3
Caixa D'Água

-2,79

20
90
-6,40

32
Elevador

Corte
A
±0,00

±0,00
S

9,00

6,16
20 88 32 35,70 20 3,00 20

32 90
B
Corte
-3,20

Corte
C
21,11

Elev.
4
Elev.

+0,10 3,14
2

2,66
14,61
007 007 007 007
1,75 1,05 2,26 1,05 95 1,20
S
1,44 1,05 1,70 1,05 1,10
1

8,21
005
3
005 005 005
005

1,90
4
4,25

1,90

2,28
5

16P(0,30 m)
17E(0,17 m)
8

1,20
007

006
Biblioteca

008

5,12

1,20
006
Administração

008

1,05
007
10

11

7,15
12

13

14 +0,10

1,80
15 2,29 4,25
001

9,00
+0,10
16
5,50 25

15,89
2,89 15

3,31
17

Recepção

4,69
7,04 3,35 90

1,25
+0,10
-1,50

007

008
5,50
007
D

12,79
2,10 007
1,20 Secretaria

2,38
2,38 1,20 16
Corte

1,20
006
006

008

1,05
007
+0,10 ±0,00
15

008
006 008
006 Corte
1,53

1,94
+0,10 2,84

15 1,18
4,25
Fu

006

006
006
nc

2,81
3,34

1,20 15
8,18

io

2,57

2,62

7,49
1,20

006

rio

Memorial

15
s

+0,10 2,51 1,50


1,40
5,49

3,46
006 +0,05

006
Secretaria

1,20
006
3,41

2,10 1,20 16

005

1,20
W

3,41
2,76

.C

4,40
4,25
006

.
W
2,00

.C

+0,10
.

003 006

1,27
15 3,43 15 003 003

1,27
003 003 006
75 1,00 76
50

010 010 004 004 004 004 005

1,46 87 1,92 87 2,74 1,05 1,11 1,00 1,48 1,00 1,04 1,20 1,53 1,00 1,10 1,00 4,70

25,05

1
Elev.
Corte
E

Corte
F
Arquitetura e Urbanismo OFICINA ABERTA: Espaço Popular de formação de mão de obra para restauro e ofícios
Pavimento Térreo
manuais
26/11/2018 1:100
Autor do Projeto: Giovani Frandino Korman Levantamentos: Wladimir Saburri Folha: 2
Nº Matrícula: 10745 Orientadora: Ana Teresa Cirgliano Vilella
Corte
F
Corte
E

N
-3,20 Elev.
-3,20 3

10E(0,18 m)
9P(0,29 m)

2,26
1,93
1,78
50 6,00 75 50 25
6,00 50 50 25

S
6,50 25 50 6,00 50 50 6,00 50 25 3,25

15
19P(0,29 m)
20E(0,18 m)

20
1,50

S
01 01 01 01 01 01

01
01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 000 01 01 01

Elevador

01

2,50
4,00
-3,20
Corte

02

4,00
A

01
7,20 15 7,10 15 4,90 2,15 90 35 90 2,15
Corte
-6,40
A

01
03 03

30
S

9,00
Oficinas

01
10E(0,36 m)
1

9P(0,58 m)

01
Oficinas 3,00 3,00 2
Oficinas -3,20

7,50

01
3

S
W.C. W.C.

2,10
4

20

20E(0,16 m)
19P(0,31 m)
5

19
1,63 10 Cantina

6,20
6

01
18

4,00
7

17 8

4,55

10
-3,20 16 9

01
15 10

14
Câmara Fria
11

13

2,50
01

12
02 02 02 02 02 02 02 02

20
02 02 02 02 02
FG
04

15
B 1,00 6,00 1,00 6,00 1,00
Corte 4,50 50 1,50 1,65 1,50

2,00
7,50 4,00 1,57 3,27
B
Corte
-3,20

-2,85
-2,85
Corte
C

3,00
Corte
C

Elev.
1,50

4
58
Elev.
2

34
15,18

2,02 1,20 2,75 2,35 1,86 1,20 1,54 1,20 1,07

60

60
1

2,18
3
11
011 ,40

2,18
09
09
4
09
5 60 4,96 60

002

002
6

6,57
7

Despensa
16P(0,30 m)
17E(0,17 m)

8
Almoxarifado

1,20

09
4,65
9

1,20
09
4,58
10

11 -2,85
12

13
34
-2,85

1,93
60 4,05
5,29
14

9,05
000
15
001 001

8,64

3,00
16

1,47
17
-1,50

30
50

67
9,95 3,05

48
30

5,67
-1,45 Depósito
D -1,45

Corte
-2,85
D

3,00
Corte
60 3,77 60

31

1
Elev.
Corte
E

Corte
F
Arquitetura e Urbanismo OFICINA ABERTA: Espaço Popular de formação de mão de obra para restauro e ofícios
Subsolo
manuais
26/11/2018 1:100
Autor do Projeto: Giovani Frandino Korman Levantamentos: Wladimir Saburri Folha: 3
Nº Matrícula: 10745 Orientadora: Ana Teresa Cirgliano Vilella
Corte
F
Corte
E

N
Elev.
3

10E(0,18 m)
9P(0,29 m)
-4,60

15
15
19P(0,29 m)
20E(0,18 m)

20
S
01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01
60 6,00 1,25 6,00 1,25 6,00 1,25 6,00 1,25 Elevador

2,50
6,00
2

4,10
2
Corte

01
1 1
A
Oficina Aberta
Corte
4,00
1 - Torno para madeira A
com copiador.

20
3 4 5 3 4 5

8,70
2 - Serra circular de mesa.

10E(0,36 m)
2
S

9P(0,58 m)
-6,40 2
3 - Serra Tico-Tico
1

3 6 4 5 3 6 4
2
5 4 - Plaina desenpenadeira

S
3

e desengrossadeira. 20 4

5 - Lixadeira de cinta, de

20E(0,16 m)
19

19P(0,31 m)
5

6,20
bancada. 18 6

4,10
6 - Furadeira de bancada.

01
17 7

7 - Exaustor. 16 8

15 9

14 10

13 11

-6,40

12
15
7,00 25 7,00
7 25 7,00

30
30
7 25 7,00 25 3,25 25 77

B
Corte

30
B
Corte

Corte
C
Corte
C

Elev.
4
Elev.
2

D
Corte
D
Corte

1
Elev.
Corte
E

Corte
F
Arquitetura e Urbanismo OFICINA ABERTA: Espaço Popular de formação de mão de obra para restauro e ofícios
Segundo Subsolo
manuais
26/11/2018 1:100
Autor do Projeto: Giovani Frandino Korman Levantamentos: Wladimir Saburri Folha: 4
Nº Matrícula: 10745 Orientadora: Ana Teresa Cirgliano Vilella
Corte
A

15
3,40

1,10

1,50
20

90 20
1,24

3,00
Pavimento Térreo

2,10
0,00
1,76
20

25

20
1,24

3,55
2,95

2,80
1,76

26
Corte
B

Pavimento Térreo
0,00

-2,88 1º Subsolo
-3,20

Arquitetura e Urbanismo OFICINA ABERTA: Espaço Popular de formação de mão de obra para restauro e ofícios
Cortes A-A/B-B
manuais
26/11/2018 1:100
Autor do Projeto: Giovani Frandino Korman Levantamentos: Wladimir Saburri Folha: 5
Nº Matrícula: 10745 Orientadora: Ana Teresa Cirgliano Vilella
Corte
C

Assoalho em madeira
+0,10

-2,85

Corte
D

87
17
46

5,05
2,52
1,10

20
25
20
2,90

2,30
25

Mapa de Portas

ID 01 01 02 03 03 003 04 005 006 006 006


Nome Porta Porta de Garagem Bascula... Porta Deslizantes Multipain... Porta Deslizantes Multipain... Porta 21 Porta 21 Porta de Correr 21 Porta de Garagem Bascula... Porta Dupla 21 Porta Dupla com Travessa 21 Porta Dupla com Travessa 21 Porta Dupla com Travessa 21
Quantidade 2 2 1 1 1 1 1 2 4 4 5
Tamanho L x A 4,10×2,80 8,70×2,10 4,00×2,10 0,90×2,10 0,90×2,10 1,50×2,10 4,00×2,95 1,20×3,10 1,20×3,20 1,20×3,20 1,20×3,20
Orientação D E E E E E E D
Altura de soleira da Porta 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,10 0,00
Altura de padieira da Porta 2,80 2,10 2,10 2,10 2,10 2,10 2,95 3,10 3,20 3,30 3,20
Tipo de Abertura Não definido Abrir Simples Abrir Simples Abrir Simples Abrir Simples Correr 1 Folha Não definido Abrir Dupla Abrir Dupla Abrir Dupla Abrir Dupla
Material Aço Galvanizado; Madeira Madeira Madeira Madeira Madeira Alumínio Aço Galvanizado; Madeira Madeira Madeira; Vidro Madeira; Vidro Madeira; Vidro

Símbolo 2D

Vista Frente 3D

Arquitetura e Urbanismo OFICINA ABERTA: Espaço Popular de formação de mão de obra para restauro e ofícios
Cortes C-C/D-D
manuais
26/11/2018 1:100, 1:1
Autor do Projeto: Giovani Frandino Korman Levantamentos: Wladimir Saburri Folha: 6
Nº Matrícula: 10745 Orientadora: Ana Teresa Cirgliano Vilella
Corte
E

1,10
95 27

15
90
56

17
Forro em madeira

8 6

88 2

43
+4,17

38

1,15

1,10
2,55
2,10
2,95

2,10

92
Pavimento Térreo Assoalho em madeira

88

70

70
70
1,10

1,15
+0,10

88
0,00
6

40

80
80
70 5

40
61

92

90 20
10

2,10
10

80
1,25
1,10

2,80
2,30

1,65

2,10
1,15
-2,85

95
1º Subsolo
-3,20

20

20
25

20
15

20 80
20
2,83
2º Subsolo

1,60
-6,40

22
Corte
F
Det.
Escala: 1:50 Det. 1
15

4
19

1,14

Rebite aço
5

3,40

Caixa d'água
3,20
2,60

11000L
2,14

Pavimento Térreo
Det. 1 +0,00 +0,10 0,00

1,10
4
20

20

18
4,50

3,14

2,34
3,00

1,10
4,60

1º Subsolo -2,85
Det. 2 -3,20
70
15
20

Brise
1,20

-4,60

Det.
3,00

Det. 2
20

Escala: 1:50
2º Subsolo
-6,40
20

Rebite aço

Brise

Mapa de Janelas

ID 000 01 01 001 02 003 004 005 005 006 007 008 09 010
Nome Janela Janela 21 Janela 21 Janela 21 Janela 21 Janela 21 Janela 21 Janela 21 Janela 21 Janela Dupla de Simples-G... Janela Arco Topo 21 Janela 21 Janela 21 Janela Arco Três Centros n... Janela 21
Quantidade 1 20 35 1 13 4 4 1 4 1 10 6 4 2
Tamanho L x A 1,00×2,80 1,50×0,80 1,00×2,80 1,50×0,80 1,50×0,80 1,00×2,10 1,00×2,10 1,05×2,10 1,05×2,10 1,05×2,70 1,05×2,10 1,05×2,10 1,20×1,25 0,87×0,61
Tipo de Abertura Fixa Basculante Fixa Basculante Veneziana Móvel Abrir Dupla Abrir Dupla Abrir Dupla Gilhotina Abrir Dupla Abrir Dupla Abrir Dupla Fixa Fixa
Material Madeira; Vidro Madeira; Vidro Madeira; Vidro Madeira; Vidro Madeira; Vidro Madeira; Vidro Madeira Madeira Madeira; Vidro Madeira; Vidro Madeira Madeira; Vidro Não definido Madeira

Vista Frente 3D

Arquitetura e Urbanismo OFICINA ABERTA: Espaço Popular de formação de mão de obra para restauro e ofícios
Cortes E-E/F-F
manuais
26/11/2018 1:100, 1:1, 1:20
Autor do Projeto: Giovani Frandino Korman Levantamentos: Wladimir Saburri Folha: 7
Nº Matrícula: 10745 Orientadora: Ana Teresa Cirgliano Vilella
Elevação
1

Elevação
2

Arquitetura e Urbanismo OFICINA ABERTA: Espaço Popular de formação de mão de obra para restauro e ofícios
Elevações 1 / 2
manuais
26/11/2018 1:100
Autor do Projeto: Giovani Frandino Korman Levantamentos: Wladimir Saburri Folha: 8
Nº Matrícula: 10745 Orientadora: Ana Teresa Cirgliano Vilella
Elevação
3

Elevação
4

Arquitetura e Urbanismo OFICINA ABERTA: Espaço Popular de formação de mão de obra para restauro e ofícios
Elevações 3 / 4
manuais
26/11/2018 1:100
Autor do Projeto: Giovani Frandino Korman Levantamentos: Wladimir Saburri Folha: 9
Nº Matrícula: 10745 Orientadora: Ana Teresa Cirgliano Vilella

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