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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Curso de Especialização em Geriatria e Gerontologia


Módulo: Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças

PREVENÇÃO DO CÂNCER E PROMOÇÃO DA


ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
Thainá Alves Malhão
Área Técnica de Alimentação, Nutrição, Atividade Física e Câncer/ INCA
tmalhao@inca.gov.br; (21)3207-5971

Rio de Janeiro
30 de março de 2019
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

Evidências e recomendações
Relembrando o processo de do INCA para prevenção e
carcinogênese controle do câncer

Fatores que favorecem ou


Recomendações técnicas desfavorecem a prevenção e
versus constructos sociais controle do câncer

Desafios na comunicação do
risco em saúde
O QUE É O CÂNCER?
O QUE É O CÂNCER?

Conjunto de mais de 100 doenças

Perda do controle normal da proliferação


celular

Crescimento desordenado de células que


invadem os tecidos e órgãos

Pode espalhar-se (metástase) para


outras regiões do corpo
PROCESSO DE CARCINOGÊNESE
Vários anos para que uma célula cancerosa prolifere e dê
origem a um tumor visível
• Célula normal sofre mutação genética espontânea

 Independente da exposição a agentes carcinógenos


 Sem alteração do desenvolvimento normal das células

• Alterações no DNA dos genes podem ocorrer em genes especiais, denominados


proto-oncogenes

 Inativos em células normais

• Proto-oncogenes ativados  transformados em oncogenes (responsáveis pela


malignização das células normais)  células neoplásicas
Agentes adquiridos Célula normal
Reparo do DNA
que lesam o DNA
bem-sucedido
Lesão do DNA
Mutações hereditárias em:
Incapacidade de • Genes que afetam a
recuperação do DNA recuperação do DNA
• Genes que afetam o
Mutações no genoma crescimento celular ou
das células somáticas apoptose

Ativação dos oncogenes Inativação do gene Alterações nos genes que


promotores de crescimento supressor do tumor regulam a apoptose

Proliferação celular desregulada Diminuição da apoptose

Expansão clonal
Angiogênese
Mutações adicionais
Escapa da imunidade
Progressão do tumor

Neoplasia maligna Invasão e metástase


DETERMINAÇÃO DA CARCINOGÊNESE

Exposição e interação entre os agentes carcinogênicos

Características
Frequência Tempo de exposição
individuais*

Nota: * Devem ser consideradas características individuais, que facilitam ou dificultam a instalação do dano celular
QUAIS SÃO AS CAUSAS DE CÂNCER?
CARCINOGÊNESE

Genética, epigenética, Contaminantes


microbioma, idade, sexo, alimentares, vírus,
estado metabólico, Fatores do Fatores radiação UV,
estado inflamatório e hospedeiro ambientais carcinógenos
função imune, outros ambientais, outros
fatores do hospedeiro fatores ambientais

Fatores alimentares e
comportamentais

Nutrientes, consumo de energia, fitoquímicos,


outros componentes alimentares, álcool, atividade
física, fumar, outros fatores comportamentais
CARCINOGÊNESE

Genética, epigenética, Contaminantes


microbioma, idade, sexo, alimentares, vírus,
estado metabólico, Fatores do Fatores radiação UV,
estado inflamatório e hospedeiro ambientais carcinógenos
função imune, outros ambientais, outros
Apesar
fatores de o fator
genético exercer um importante papel
do hospedeiro na fatores
formação de
ambientais
tumores, são raros os casos de câncer que se devem exclusivamente a fatores
hereditários, familiares e étnicos (10-20%).
Fatores alimentares e
comportamentais

Nutrientes, consumo de energia, fitoquímicos,


outros componentes alimentares, álcool, atividade
física, fumar, outros fatores comportamentais
O CÂNCER PODE SER EVITADO?
É POSSÍVEL PREVENIR O CÂNCER COM
O AVANÇAR DA IDADE?
Aumento da incidência da maioria dos cânceres
com a idade. O risco cumulativo para todos os
cânceres combinados aumenta com a idade, até a
idade de 70 anos e então diminui ligeiramente

Menor propensão dos adultos com maior


longevidade a desenvolver câncer. Após os 90
anos, o câncer é incomum como causa de doença
ou morte
Envelhecimento: processo
natural, não patológico

Alguns mecanismos biológicos


que regulam o envelhecimento
podem estar envolvidos na
patogênese de doenças
relacionadas à idade, como o
câncer

Fonte: Aunan JR, Cho WC, Sreide K. The biology of aging and cancer: a
brief overview of shared and divergente molecular hallmarks. Aging
and Disease. 2017;8(5):628-42.
Processo multifatorial de transformação de células normais para câncer inclui:
acúmulo de danos no DNA + mutações ao longo do tempo + rupturas do reparo
do DNA e do sistema de regulação do crescimento celular.

Embora os padrões sequenciais de envelhecimento não possam ser alterados,


vários fatores relacionados à idade que contribuem para o risco de doença podem
ser alterados.

Removendo os fatores de risco é possível alterar ou reverter os processos de


doença que foram iniciados em fases anteriores da vida.

CÂNCER PODE SER EVITADO ENTRE OS ADULTOS MAIS VELHOS

Fonte: White MC et al. Age and cancer risk: a potentially modifiable relationship. Am J Prev Med. 2014;46(3 Suppl 1): S7-15.
Intervenções que apoiam ambientes saudáveis, ajudam as pessoas a lidar com
condições crônicas e promovem comportamentos saudáveis, os quais ​podem
ajudar as pessoas a fazer uma transição mais saudável da meia-idade para a
idade avançada e reduzir a probabilidade de desenvolver câncer.
Como o número de adultos que atingem idades mais avançadas está
aumentando rapidamente, o número de novos casos de câncer também
aumentará se as taxas de incidência atuais permanecerem inalteradas.
Assim, a necessidade de traduzir a pesquisa disponível em prática para
promover a prevenção do câncer, especialmente para adultos na meia-idade,
nunca foi tão grande.

Fonte: White MC et al. Age and cancer risk: a potentially modifiable relationship. Am J Prev Med. 2014;46(3 Suppl 1): S7-15.
Fonte: http://gco.iarc.fr/today/data/factsheets/populations/76-brazil-fact-sheets.pdf
CUSTO TOTAL DO CÂNCER NO BRASIL
Média de 1,7% do PIB por ano

• 49,48 bilhões de dólares


2010

• 59,76 bilhões de dólares


2015

• 81,74 bilhões de dólares


2020*

Fonte: http://www.hsj.gr/medicine/economic-impact-analysis-of-cancer-in-the-health-system-of-brazil-model-based-in-public-database.pdf
Conflito entre
provisão do
cuidado familiar,
carreira e lazer

Isolamento
social Tempo

E CUIDAR NO
AMBIENTE
DOMÉSTICO
CUSTA QUANTO?
Riscos para a
Dinheiro
saúde

Perda de
oportunidades,
principalmente
no mercado de
trabalho

Fonte: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/3288/1/Novo%20regime%20demogr%C3%A1fico.pdf
QUAIS SÃO AS RECOMENDAÇÕES PARA
PREVENIR O CÂNCER PELA
ALIMENTAÇÃO, NUTRIÇÃO E
ATIVIDADE FÍSICA?
2007 Relatórios do Projeto de
Atualização Contínua (CUP)
24 DE MAIO DE 2018

Acesso online: https://www.wcrf.org/dietandcancer


Rim (2015)

Pele (2017)
Bexiga (2015)
Ovário (2014)
Fígado (2015)
Pulmão (2017)

Próstata (2014)
Pâncreas (2012)

Colorretal (2017)
Estômago (2016)

Endométrio (2013)
Nasofaringe (2017)

Colo do útero (2017)


Vesícula biliar (2015)

Mama pré-menopausa (2017)


Boca, faringe e laringe (2018)

Mama pós-menopausa (2017)

Trato aerodigestivo (2016-2018)¹


Esôfago - adenocarcinoma (2016)

Provável de diminuir o risco


Convincente de diminuir risco
Tipo de câncer (ano da última atualização)

Limitado-sugestivo de diminuir o risco


Esôfago - carcinoma de células escamosas (2016)

Risco de ganho de peso, sobrepeso e obesidade (2018) 23,24


Cereais integrais

1
Grãos refinados

2
Alimentos contendo fibra dietética

3
Aflatoxinas

5
5
4

Hortaliças não amiláceas (maior consumo)

Provável de aumentar o risco


Classificação das evidências

Convincente de aumentar o risco


6
Hortaliças não amiláceas (baixo consumo)

Limitado-sugestivo de aumentar o risco


Hortaliças não amiláceas preservadas no sal
4

8
Frutas (maior consumo)
7

Frutas (baixo consumo)


9

Frutas cítricas

10
Hortaliças não amiláceas e frutas
12
12
11

Alimentos contendo carotenoides

14
13

Alimentos contendo beta-carteno


16
15

Alimentos contendo vitamina C


17

Alimentos contendo isoflavonas

Efeito substancial sobre o risco improvável


18
19
Hortaliças não amiláceas ou frutas (agregadas)

21
Carne vermelha

22
23

Carne processada
24

Alimentos contendo ferro heme

Peixe
25

Peixe salgado estilo cantonês


Carnes, peixes e laticínios

Carne e peixe grelhados sobre superfície muito quente em


um fogão ou em uma churrasqueira de carvão vegetal
28
27
26

Laticínios
Cereais integrais, hortaliças e frutas

Preservação e conservação de alimentos


Grupo de exposição

Dietas ricas em cálcio


29

Alimentos preservados no sal

Arsênico na água de beber

31
Mate (chimarrão)
33
32

Café
Bebidas alcoólicas

Chá
Bebidas não alcoólicas
34

Outras exposições dietéticas

Bebidas açucaradas

35
40
39
38
38
37
36
36
36

Bebidas alcoólicas
41

Padrão de dieta saudável


42

Padrão de dieta do tipo Mediterrânea


Atividade física
43

Padrão de dieta do tipo Ocidental


44

Fast foods
Altura e peso ao nascer
RESUMO DAS EVIDÊNCIAS SOBRE PREVENÇÃO DE CÂNCER POR MEIO DA ALIMENTAÇÃO, NUTRIÇÃO E ATIVIDADE FÍSICA

45

Carga clicêmica
Gordura corporal e ganho de peso
46

Alimentos e bebidas contendo frutose

Alimentos contendo ácidos graxos saturados


47

Alimentos contendo retinol


48

Vitamina D (alimentos, nível sérico, suplementos)

Baixas concentrações plasmáticas de alfa-tocoferol

Baixas conentrações plasmáticas de selênio


49

Suplementos de betacaroteno (alta dose)


58 exposições – 10 grupos de exposição – 21 desfechos avaliados
Lactação/ ter sido amamentado
50
51

Betacaroteno
52

Suplementos de cálcio
53

Suplementos multivitamínicos

54
58
57
57
56
55
55

Atividade física
57
57

Atividade física vigorosa

Caminhada
60
59

Comportamentos sedentários
61

Tempo de tela
62
70
69
68
67
66
66
62
65
64
62
63
62
62

Gordura corporal na idade adulta


71
71

Gordura corporal na idade adulta jovem


72

Ganho de peso na idade adulta


75

73,74
Altura alcançada na idade adulta
74
77
76

Alto peso ao nascer

78
79
79

Lactação
80

Ter sido amamentado


Rim (2015)

Pele (2017)
Bexiga (2015)
Ovário (2014)
Fígado (2015)
Pulmão (2017)

Próstata (2014)
Pâncreas (2012)

Colorretal (2017)
Estômago (2016)

Endométrio (2013)
Nasofaringe (2017)

Vesícula biliar (2015)

Mama pré-menopausa (2017)


Boca, faringe e laringe (2018)

Mama pós-menopausa (2017)

Trato aerodigestivo (2016-2018)¹


Esôfago - adenocarcinoma (2016)

Convincente de diminuir risco


Tipo de câncer (ano da última atualização)

Esôfago - carcinoma de células escamosas (2016)

Risco de ganho de peso, sobrepeso e obesidade (2018) 23,24


Cereais integrais
Alimentos contendo fibra dietética

Provável de diminuir o risco


Aflatoxinas
Alimentos contendo betacaroteno

3
Frutas ou hortaliças não amiláceas (agregadas)²
Carne vermelha
Carne processada
Peixe salgado estilo cantonês
4

Laticínios
Alimentos preservados no sal
Arsênico na água de beber

Convincente de aumentar o risco


Mate (chimarrão)
Café
Bebidas açucaradas
8
7
7
6
5
5

Bebidas alcoólicas
Padrão de dieta do tipo Mediterrânea
9

Padrão de dieta do tipo Ocidental


Fast foods
Carga clicêmica
10

Suplementos de betacaroteno (alta dose)


Provável de aumentar o risco
11

Betacaroteno
12

Suplementos de cálcio
14
13

Atividade física (moderada e vigorosa)


Atividade física vigorosa
Caminhada
15
Tempo de tela (crianças)
RESUMO DAS FORTES EVIDÊNCIAS SOBRE PREVENÇÃO DE CÂNCER POR MEIO DA ALIMENTAÇÃO, NUTRIÇÃO E ATIVIDADE FÍSICA

15
Tempo de tela (adultos)
16
18
17

Gordura corporal na idade adulta


19
Gordura corporal na idade adulta jovem
Ganho de peso na idade adulta
21
20

Altura alcançada na idade adulta


Alto peso ao nascer
Efeito substancial sobre o risco improvável

22
Lactação
Ter sido amamentado
FORTES EVIDÊNCIAS
NÃO MODIFICÁVEIS - NÃO GERAM RECOMENDAÇÕES
Direção de
Exposição Desfechos
efeito
1. Alto peso ao nascer Aumento do • Câncer de mama (pré-menopausa)
risco
2. Maior altura atingida na • Câncer de pâncreas
fase adulta • Câncer colorretal
• Câncer de mama (pré- e pós-menopausa)
• Câncer de ovário
• Câncer de endométrio
• Câncer de próstata
• Câncer de rim
• Câncer de pele (melanoma)
Nota: 1. O peso ao nascer é um marcador tanto do crescimento pré-natal, refletindo a nutrição fetal, quanto um preditor do
crescimento e amadurecimento posterior (ex.: idade na menarca). Quanto maior o peso ao nascer, maior o risco.
2. Improvável que a altura atingida na fase adulta influencie diretamente no risco de câncer. É um marcador para fatores
genéticos, ambientais, hormonais e nutricionais que afetam o crescimento linear durante o período de preconcepção até o
crescimento completo do comprimento das pernas.
FORTES EVIDÊNCIAS
NÃO MODIFICÁVEIS - NÃO GERAM RECOMENDAÇÕES
Exposição Direção de efeito Desfechos

3. Aflatoxinas Aumento do risco • Câncer de fígado


4. Arsênico na água potável • Câncer de pulmão
• Câncer de bexiga
• Câncer de pele
Nota: 3. Alguns alimentos podem ser contaminados com aflatoxinas, substâncias que são produzidas por determinados fungos
quando os alimentos são armazenados por muito tempo em temperaturas quentes em ambiente úmido. Alimentos que podem
ser afetados incluem cereais, temperos, oleaginosas, frutas desidratadas e figos.
4. O arsênico pode contaminar o abastecimento de água como resultado das práticas agrícolas, de mineração e industriais.
Também pode ocorrer naturalmente. A dose semanal estabelecida pela ONU é de 0,015 miligramas por quilograma de peso
corporal.
FORTES EVIDÊNCIAS
QUESTÕES REGIONAIS - NÃO GERAM RECOMENDAÇÕES
Direção
Exposição Desfechos
de efeito
1. Alimentos preservados por salga Aumento • Câncer de estômago
2. Peixe estilo cantonês do risco • Câncer de nasofaringe
3. Mate • Câncer de esôfago (carcinoma de células
escamosas)
Nota: 1. Inclui vegetais, peixes e alimentos em geral conservados em sal. Fortes evidências, principalmente da Ásia. Aumento do
risco em indivíduos portadores da bactéria Helicobacter pylori.
2. Não faz parte da cultura alimentar brasileira. Faz parte da dieta tradicional consumida por pessoas que vivem na região do
Delta do Rio das Pérolas, no sul da China.
3. Quando consumido em temperatura extremamente quente. A bomba de chimarrão conduz a bebida diretamente à parte
posterior da língua e orofaringe, de onde é prontamente deglutida. Essa forma de consumo conduz a bebida em altas
temperaturas (acima de 65°C) diretamente ao esôfago, podendo aumentar o risco de carcinoma de células escamosas. O café é
consumido por meio de xícara/copo, sem utilização de bomba, entrando em contato com o lábio, a língua e cavidade oral antes
de ser deglutido. Essa porção anterior da cavidade oral é menos tolerante às temperaturas elevadas e dessa forma pode atuar
como uma barreira de proteção para a ingestão de líquidos muito quentes.
FORTES EVIDÊNCIAS
TEMAS DIVERGENTES – NÃO GERAM RECOMENDAÇÕES
Direção de
Exposição Desfechos
efeito
1. Café Diminuição • Câncer de fígado
do risco • Câncer de endométrio
2. Laticínios • Câncer colorretal

Nota: 1. Como ainda há perguntas não respondidas sobre as evidências relacionadas ao café, não há recomendação de níveis de
consumo para prevenção de câncer. Mais pesquisas são necessárias para melhorar a compreensão de como o volume, a
regularidade do consumo, tipo de café, formas de preparo e acompanhamentos (muitas pessoas acrescentam leite e açúcar),
bem como os mecanismos potenciais subjacentes, afetam o risco de câncer.
2. Apesar de haver evidências de proteção contra o câncer colorretal, há evidências limitadas-sugestivas de que o consumo de
laticínios aumenta o risco de câncer de próstata. O potencial para danos justifica a não recomendação.
FORTES EVIDÊNCIAS
ALEITAMENTO MATERNO
Direção de
Exposição Desfechos
efeito
1. Lactação Diminuição • Câncer de mama (pré- e pós-menopausa)
2. Ter sido amamentado do risco • Ganho de peso, sobrepeso e obesidade
Nota: 1. Evidência relacionada aos efeitos na mãe que amamentou e não do efeito da criança que foi amamentada. Relacionada
ao câncer de mama não especificado.
Associações positivas entre o IMC na infância, adolescência e fase adulta jovem
e o IMC na fase adulta

Fonte: Lauby-Secretan B et al. Body Fatness and Cancer – Viewpoint of the IARC Working Group. N Engl J Med. 2016; 375(8):794-798.
Associações positivas entre o excesso de peso corporal² na infância, adolescência e
fase adulta jovem e diversos tipos de câncer3 na fase adulta

Nota: 1. Fase adulta jovem: população com 25 anos ou menos de idade; 2. Avaliado por meio do IMC; 3. Tipos de câncer associados ao excesso de peso em adultos, exceto
câncer de mama na pós-menopausa
Fonte: Lauby-Secretan B et al. Body Fatness and Cancer – Viewpoint of the IARC Working Group. N Engl J Med. 2016; 375(8):794-798.
FORTES EVIDÊNCIAS
GORDURA CORPORAL
Direção de
Exposição Desfechos
efeito
1. Excesso de gordura corporal Aumento do • Câncer de boca, faringe e laringe
na fase adulta risco • Câncer de esôfago (adenocarcinoma)
• Câncer de estômago (cardia)
• Câncer de pâncreas
• Câncer de vesícula biliar
• Câncer de fígado
• Câncer colorretal
• Câncer de mama (pós-menopausa)
• Câncer de ovário
• Câncer de endométrio
• Câncer de próstata (avançado)
• Câncer de rim
• Câncer de tireoide
• Mieloma múltiplo
• Meningioma
Nota: 1. Avaliado por meio do IMC, e quando possível, circunferência de cintura e razão cintura-quadril
FORTES EVIDÊNCIAS
GORDURA CORPORAL
Direção de
Exposição Desfechos
efeito
2. Excesso de gordura corporal na fase adulta Diminuição • Câncer de mama (pré-
do risco menopausa)
3. Excesso de gordura corporal na fase adulta Diminuição • Câncer de mama (pré- e pós-
jovem do risco menopausa)
Nota: 2. Não há mecanismos bem estabelecidos por meio do qual a gordura corporal pode prevenir o câncer de mama na pré-
menopausa. O efeito protetor parece estar relacionado à distribuição de gordura, uma vez que uma maior circunferência da
cintura parece estar mais fortemente associada a um risco aumentado de câncer de mama na pré-menopausa, após considerar o
IMC. Mecanismos específicos relacionados à adiposidade abdominal incluem uma forte relação com inflamação crônica e
resistência à insulina.
3. Evidência a partir de mulheres com idade entre 18 e 30 anos de idade avaliadas pelo IMC. Resultados contrastam com o maior
risco de câncer de mama entre as mulheres na pós-menopausa que têm maior gordura corporal na idade adulta. No geral, os
mecanismos subjacentes à associação inversa de gordura corporal precoce e risco de câncer de mama são complexos,
provavelmente múltiplos e não bem delineados.
FORTES EVIDÊNCIAS
FAST FOODS, ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS E PROCESSADOS
RICOS EM GORDURA*, AMIDO OU AÇÚCAR
Exposição Direção de efeito Desfechos
1. Bebidas açucaradas Aumento do risco • Ganho de peso,
2. Fast foods e outros alimentos processados ricos sobrepeso e
em gordura, amido ou açúcar obesidade
3. Padrão de dieta do tipo Ocidental
4. Elevada carga glicêmica • Câncer de endométrio
Nota: * Apesar de serem ricos em gorduras, não se contraindica o consumo de certos óleos de origem vegetal, nozes e sementes.
Seu consumo não foi associado com ganho de peso e pela sua natureza eles tendem a serem consumidos em menores porções.
1. Definidas como líquidos que são adoçados com adição de açúcares livres, tais como sacarose, xarope de milho com alto teor de
frutose e açúcares naturalmente presentes no mel, xaropes, sucos de frutas e suco concentrado de frutas (ex.: refrigerantes,
bebidas esportivas, bebidas energéticas, águas açucaradas, e bebidas à base de café e chá com adição de açúcar ou xarope).
2. Inclui fast foods (alimentos de conveniência prontos para consumo que tendem a ser densos em energia e geralmente
consumidos com frequência e em grandes porções), muitos pratos pré-preparados, lanches, produtos de padaria e confeitaria.
3. Caracterizada por elevadas quantidades de açúcares livre, carne e gordura.
4. Carga glicêmica é a medida de quanto a quantidade de glicose (e insulina) no sangue de uma pessoa se eleva após o consumo
de alimentos.
VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DE ALIMENTOS
ULTRAPROCESSADOS?
GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA
CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS
Alimentos in natura ou minimamente processados
In natura são obtidos diretamente da natureza, proveniente de plantas ou animais,
tais como grãos, tubérculos, frutas, hortaliças, carne, leite e ovos. Quando os
alimentos in natura passam por alterações mínimas – limpeza, empacotamento,
secagem, moagem, congelamento, se tornam minimamente processados

Óleos, gordura, sal e açúcar


Substâncias extraídas de alimentos in natura ou diretamente da natureza usadas
para temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias

Alimentos processados
Produtos relativamente simples, fabricados com a adição de sal ou açúcar ou outra
substância de uso culinário a um alimento in natura. Exemplos: Conservas, queijos
e pães feitos com farinha de trigo, água, sal e fermento

Alimentos ultraprocessados
Produtos fabricados com pouco ou nenhum alimento in natura, mas que levam
muitos ingredientes de uso industrial (de nomes pouco familiares). Exemplos:
Biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, refrigerantes e macarrão instantâneo

Fonte: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf
Excesso de peso
Alimentos
ultraprocessados

Associação bem
estabelecida
(Classificação criada em 2014)

Câncer
↑ de 10% na proporção de alimentos ultraprocessados
na dieta  ↑ significativo no risco para todos os tipos
de câncer e 11% para câncer de mama,
independentemente do peso corporal
Ganho de peso Excesso de sódio Excesso de açúcares livres Adoçantes não calóricos Conservantes

Promoção do excesso de peso e multiexposição à produtos ou substâncias que


podem estar presentes nos alimentos ou embalagens

Corantes alimentícios Contaminantes formados Substâncias presentes Resíduos de agrotóxicos*


durante processamento nas embalagens
de alimentos
* Base dos ultraprocessados é o açúcar, milho e soja. Volume elevado de agrotóxicos utilizado principalmente na soja (40%), seguido pelo milho (15%) e cana (10%)
Ganho de peso Excesso de sódio Excesso de açúcares livres Adoçantes não calóricos Conservantes

Não se conhece os efeitos a longo prazo da multiexposição e nem da exposição


cada vez mais precoce a esses alimentos

Corantes alimentícios Contaminantes formados Substâncias presentes Resíduos de agrotóxicos


durante processamento nas embalagens
de alimentos
ADOÇANTES NÃO CALÓRICOS
• Ciclamato de sódio e Sacarina sódica
(Grupo 3 IARC: Não classificável quanto à carcinogenicidade ) - Monografia feita em 1999

• Alta prioridade para avaliação – 2015/2019


Acesulfame-K

Aspartame

Adoçantes não calóricos


Neotame

Sacarina sódica

Ciclamato de
sódio

Sucralose

Stevia
Fonte: Iarc Monography v.73, 1999. IARC. Report of the Advisory Group to Recommend
Priorities for IARC Monographs during 2015-2019. Lyon, Frande: 7-9 April 2014
Aumento do risco
• Laringe
• Trato urinário
• Linfoma não Hodgkin
(homens)
• Mieloma múltiplo
(homens)
• Leucemia

Fonte: Mishra et al. Systematic review of the relationship between artificial sweetener consumption and cancer in humans: analysis of 599,741
participants. Int J Clin Pract, December 2015, 69, 12, 1418–1426
• Associação direta entre o consumo de edulcorantes e o ganho de peso corporal e/ou
índice de massa corporal (IMC)
• Aumento da palatabilidade
• Estímulo a ingestão alimentar
• Associação com aumento da intolerância à glicose

Fonte: The use of artificial sweeteners: does it really contribute to weight loss? Rev Med (São Paulo). 2013. A current and global review of
sweeteners; regulatory aspects. Nutr Hosp. 2013. Artificial sweeteners induce glucose intolerance by altering the gut microbiota. Lancet (2014);
Aspartame intake is associated with greater glucose intolerance in individuals with obesity. Appl Physiol Nutr Metab. 2016
RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS
Consumo nacional dos principais ingredientes ativos de agrotóxicos
(toneladas)
Ano
Classes de uso e principais ingredientes ativos
2005 2009 2012 2013 2014
Herbicida - Atrazina ... 8.180,7 27.139,6 28.394,9 13.911,4
Herbicida - 2,4-D ácido 13.753,8 9.472,0 32.164,0 37.131,4 36.513,5
Herbicida - Glifosato 69.178,1 90.591,0 186.483,4 184.967,2 193.947,9
Inseticida - Imidacloprido ... ... 5.476,1 ... 7.951,4
Inseticida - Metomil ... ... 6.376,0 8.533,3 9.801,1
Inseticida - Clorpirifós ... ... ... 13.084,6 16.452,8
Inseticida - Acefato ... 4.368,1 13.080,6 22.355,4 26.190,5
Inseticida - Endusolfan 6.664,9 2.832,5 ... ... -0,1
Inseticida - Metamidofós 13.449,2 5.857,1 ... ... ...
Inseticida - Parationa metílica 3.505,3 ... ... ... 1.383,7
Fungicida - Oxicloreto de cobre 2.538,7 3.019,5 3.854,9 3.214,4 3.284,2
Fungicida - Tiofanato-metílico ... 3.187,6 4.800,6 5.508,4 3.855,5
Fungicida - Mancozebe 5.761,1 2.995,3 7.134,8 8.419,0 12.273,9
Fungicida - Carbedazin ... 4.284,7 7.999,8 6.689,8 5.141,1
Fungicida - Tebuconazol ... 2.503,1 ... ... 2.532,5

Fonte: IBGE/SIDRA. Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – Edição 2017. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/pesquisas/ids/default.asp?o=8&i=P
Consumo nacional dos principais ingredientes ativos de agrotóxicos
(toneladas)
Ano
Classes de uso e principais ingredientes ativos
2005 2009 2012 2013 2014
Herbicida - Atrazina ... 8.180,7 27.139,6 28.394,9 13.911,4
Herbicida - 2,4-D ácido Em 2015, 13.753,8
IARC classificou o Glifosato
9.472,0 32.164,0 37.131,4 36.513,5
Herbicida - Glifosato 69.178,1 90.591,0 186.483,4 184.967,2 193.947,9
Inseticida - Imidacloprido
como provável agente
...
carcinogênico
... 5.476,1
para7.951,4
...
Inseticida - Metomil humanos (grupo ... 2A*) ... e o 2,4-D8.533,3
6.376,0 ácido 9.801,1
Inseticida - Clorpirifós ...
como possível agente ... ... 13.084,6
carcinogênico 16.452,8
para
Inseticida - Acefato ... 4.368,1 13.080,6 22.355,4 26.190,5
Inseticida - Endusolfan humanos
6.664,9 (grupo
2.832,5 2B**). ... ... -0,1
Inseticida - Metamidofós Acefato classificado
13.449,2 pela Agência
5.857,1 ... de
... ...
Inseticida - Parationa metílica 3.505,3 ... ... ... 1.383,7
Fungicida - Oxicloreto de cobre Proteção Ambiental
2.538,7 dos
3.019,5 Estados
3.854,9 Unidos
3.214,4 3.284,2
Fungicida - Tiofanato-metílico da América (EPA/USA)
... 3.187,6 como
4.800,6 possível
5.508,4 3.855,5
Fungicida - Mancozebe 5.761,1 2.995,3 7.134,8 8.419,0 12.273,9
Fungicida - Carbedazin
carcinógeno
...
humano***
4.284,7 7.999,8 6.689,8 5.141,1
Fungicida - Tebuconazol ... 2.503,1 ... ... 2.532,5

Fonte: IBGE/SIDRA. Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – Edição 2017. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/pesquisas/ids/default.asp?o=8&i=P
Distribuição das amostras analisadas segundo a presença ou
a ausência de resíduos de agrotóxicos (PARA 2013-2015)

12.051 amostras analisadas, coletadas no mercado varejista das capitais de todo país
232 agrotóxicos pesquisados
25 tipos de alimentos monitorados que representam mais de 70% do consumo de
alimentos de origem vegetal no Brasil
Total de agrotóxicos detectados: 134
Mais detectados irregularmente: acefato, carbendazim e clorpirifós

Nota: Não avalia os ditiocarbamatos (ex.: Mancozeb, Maneb, Zineb), o glifosato e nem o 2,4-D.
Fonte: ANVISA. Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) – Relatório de atividades de 2013-2015. Brasília, 2016.
Perfil de detecções de agrotóxicos em uma mesma amostra,
considerando os resíduos detectados como regulares e irregulares

Multiexposição

Nota: Os números de 1 a 11 correspondem ao número de ingredientes ativos detectados


Fonte: ANVISA. Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) – Relatório de atividades de 2013-2015. Brasília, 2016.
A soja foi a cultura que mais utilizou agrotóxicos no
Brasil, representando 63% do total, seguido do milho
(13%) e cana-de-açúcar (5%)

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/csc/v22n10/1413-8123-csc-22-10-3281.pdf
Alimentos ultraprocessados têm como principais ingredientes o açúcar, o milho e
a soja

A soja foi a cultura que mais utilizou agrotóxicos no


Brasil, representando 63% do total, seguido do milho
(13%) e cana-de-açúcar (5%)

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/csc/v22n10/1413-8123-csc-22-10-3281.pdf
Fonte: https://www.ewg.org/childrenshealth/glyphosateincereal/#.W5rBic5Kg2w
• Center for Science and Environment em Nova Deli
• Resíduos de pesticidas em 12 marcas de refrigerantes e outras bebidas
industrializadas vendidas por 2 grandes empresas multinacionais
M• Lindano (grupo 1 IARC): 100% das amostras – média de concentração 53,7 vezes
A acima do limite máximo recomendado pela Índia
I
S• Isômero delta do Hexaclorohexano (grupo 2B IARC): 100% das amostras -
C Concentrações médias superiores ao limite máximo recomendado:
O
M• Heptacloro (grupo 2B IARC): 72% das amostras - Concentrações médias superiores ao
U limite máximo recomendado:
N
S• Malation (grupo 2A IARC): 38,6% das amostras - Concentrações médias superiores ao
limite máximo recomendado:

Fonte: Centre for Science and Environment. Pollution Monitoring Laboratory. Analysis of pesticides residues in soft drinks. New
Delhi: CSE; 2006. Disponível em: http://www.indiaenvironmentportal.org.in/files/labreport2006.pdf
• Estudo realizado no Chile
• 3 de 5 produtos para bebês testados continham vestígios de agrotóxicos,
particularmente de Iprodione, um fungicida tóxico

Qual a quantidade
de resíduos de
agrotóxicos nos
alimentos
ultraprocessados
no Brasil?

Fonte: http://www6.rel-uita.org/companias/nestle/chile-agrotoxicos_hasta_en_la_sopa-por.htm
É POSSÍVEL REDUZIR O CONSUMO DE
AGROTÓXICOS NOS ALIMENTOS?
Fonte: Ministério da Saúde. O agente comunitário de saúde na prevenção das intoxicações por agrotóxicos. Brasília : Ministério da Saúde, 2018.
www.inca.gov.br/alimentacao
FORTES EVIDÊNCIAS
ATIVIDADE FÍSICA
Direção de
Exposição Desfechos
efeito
1. Atividade física (moderada e Diminuição • Câncer de colon
vigorosa) do risco • Câncer de mama (pós-menopausa)
• Câncer de endométrio
• Ganho de peso, sobrepeso e obesidade
2. Atividade física (vigorosa) • Câncer de mama (pós-menopausa)
3. Tempo de tela (criança e Aumento do • Ganho de peso, sobrepeso e obesidade
adultos) risco
Nota: *Atividade física moderada pode ser definida como aquela que varia de 3,0 a 5,9 MET (ex. caminhar), enquanto a vigorosa
é maior ou igual a 6,0 MET (ex. nadar, correr e ciclismo).
3. O tempo de tela é um marcador de comportamentos sedentários.
FORTES EVIDÊNCIAS
CEREAIS INTEGRAIS, HORTALIÇAS, FRUTAS E LEGUMINOSAS*
Exposição Direção de efeito Desfechos
1. Cereais integrais Diminuição do risco • Câncer colorretal
2. Alimentos contendo fibra • Câncer colorretal
dietética • Ganho de peso, sobrepeso e obesidade
3. Frutas e hortaliças não • Câncer do trato aerodigestivo -
amiláceas (agregadas) agregados os seguintes tipos de câncer:
boca, faringe, laringe, nasofaringe, esôfago,
pulmão, estômago e colorretal
Nota: * Meta: consumo de pelo menos 30 gramas de fibra por dia de fontes alimentares e pelo menos 400 gramas por dia de
uma variedade de frutas e hortaliças não amiláceas.
2. Excesso de gordura corporal é causa de diversos tipos de câncer.
3. Embora a evidência da associação entre tipos de câncer específicos e frutas ou hortaliças não amiláceas seja limitada, o
padrão de associação é consistente e na mesma direção e é forte a evidência de um efeito protetor.
FORTES EVIDÊNCIAS
BEBIDAS ALCOÓLICAS
Exposição Direção de efeito Desfechos
1. Bebidas Aumento do risco • Câncer de boca, faringe e laringe
alcoólicas • Câncer de esôfago (carcinoma de células escamosas)
• Câncer de estômago*
• Câncer de fígado e dutos biliares*
• Câncer colorretal**
• Câncer de mama (pré- e pós-menopausa)
Diminuição do risco • Câncer de rim***
Nota: Não há níveis seguros de ingestão. Abrange todos os tipos de bebida alcoólicas. Aumento do risco de tipos de câncer com
efeito dose-resposta.
* Para fígado e estômago, com base em evidências para a ingestão de álcool acima de 45 gramas (cerca de 3 doses) por dia.
** Para colorretal, com base em evidências para a ingestão de álcool acima de 30 gramas (cerca de 2 doses) por dia.
*** Para rins, com base em evidências de ingestão de álcool até 30 gramas (cerca de 2 doses) por dia.
FORTES EVIDÊNCIAS
CARNES
Exposição Direção de efeito Desfechos

1. Carne vermelha Aumento do risco • Câncer colorretal


2. Carne processada
Nota: 1. Carne vermelha se refere a todos os tipos de carne de músculos de mamíferos (ex. vaca, vitela, porco, cordeiro, cabra,
ovelha e cavalo). A quantidade recomendada de carne vermelha de no máximo 500 gramas de carne cozida por semana foi
estabelecida a partir de um balanço entre as vantagens de comer carne vermelha (boa fonte de macronutrientes e
micronutrientes essenciais) e as desvantagens (aumento do risco de câncer colorretal e outras doenças crônicas não
transmissíveis).
2. Carne processada se refere a qualquer tipo de carne que tenha sido transformada através de salga, secagem, defumação,
fermentação ou outro processo usado para realçar o sabor ou melhorar a conservação. Os estudos mostram que não há nível
seguro de ingestão para o câncer colorretal. Geralmente possuem alta densidade energética, contém altos níveis de sal e os
métodos usados para sua produção geram substâncias carcinogênicas.
FORTES EVIDÊNCIAS
SUPLEMENTOS DIETÉTICOS
Exposição Direção de efeito Desfechos

1. Suplementos de cálcio Diminuição do risco • Câncer colorretal


2. Suplementos de beta-caroteno Aumento do risco • Câncer de pulmão
Nota: 1. Evidência a partir de estudos que avaliaram uma dose de >200 miligramas por dia. Embora os suplementos de cálcio
protejam contra o câncer colorretal, alguns estudos para outros tipos de câncer mostraram potencial para efeitos adversos
inesperados.
2. Evidência a partir de estudos que utilizaram altas doses (20mg/dia) em fumantes e ex-fumantes.
* A discrepância entre os efeitos benéficos dos micronutrientes oriundos dos alimentos observados em estudos dietéticos de
longo prazo e a perda dos efeitos benéficos observados em ensaios clínicos de curto prazo podem levar a incertezas quanto ao
efeito dos suplementos dietéticos sobre o risco de câncer. Para a maioria das pessoas, é possível obter a nutrição adequada de
uma alimentação saudável.
E COMO ESTAMOS ENVELHECENDO?
Fonte: ftp://ftp.ibge.gov.br/Tabuas_Completas_de_Mortalidade/Tabuas_Completas_de_Mortalidade_2016/tabua_de_mortalidade_2016_analise.pdf
Prevalência de inadequação de consumo de açúcar livre, gordura saturada e fibras (1),
Nutrientes por grupos de idade e sexo
10 a 13 anos 14 a 18 anos 19 a 59 anos 60 anos ou mais

Masculino
Açúcar livre 80,0 74,0 67,0 50,0
Gordura saturada 83,0 80,0 82,0 80,0
Fibras 78,0 77,0 71,0 60,0
Feminino
Açúcar livre 82,0 83,0 67,0 53,0
Gordura saturada 89,0 90,0 87,0 84,0
Fibras 82,0 86,0 75,0 61,0

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009.

(1) Acima de 10% do total de energia para açúcar livre, acima de 7% para gordura saturada e menor ou igual a 12,5 g por 1 000 kcal para fibras.
Consumo alimentar
médio per capita (g/dia)
Alimentos
Adoles-
Adultos Idosos
centes
Carne bovina 59,9 66,3 52,6
Preparações à base de carne bovina 2,6 3,2 2,4 Máximo recomendado pelo
Carne suína 7,1 9,2 7,3 WCRF/AICR de carne vermelha:
Carnes salgadas 3,6 2,8 2,4
71,4 g/dia
Outros tipos de carne 0,5 0,7 1,8
Linguiça 3,2 3,5 2,2
Salsicha 2,9 2,0 1,8
Mortadela 1,8 1,4 0,8
Presunto 0,9 1,2 0,7
Outras carnes processadas 0,6 0,7 1,3
Vísceras 2,8 2,9 2,4
TOTAL 85,9 94,0 75,6
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009.
Proporção de pessoas de 18 anos ou mais de idade com consumo recomendado de hortaliças e frutas (%)

Grupos de idade
Total
Grandes Regiões, De 18 a 24 anos De 25 a 39 anos De 40 a 59 anos Com 60 anos ou mais
Unidades da Federação
Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo
e
de confiança de confiança de confiança de confiança de confiança
situação do domicílio Pro- Pro- Pro- Pro- Pro-
de 95% de 95% de 95% de 95% de 95%
por- por- por- por- por-
Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite
ção ção ção ção ção
infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe-
rior rior rior rior rior rior rior rior rior rior

Brasil 37,3 36,4 38,1 33,7 31,8 35,5 35,9 34,6 37,2 38,7 37,4 40,0 40,1 38,4 41,8

Proporção de pessoas de 18 anos ou mais de idade que consomem feijão regularmente (%)

Grupos de idade
Total
Grandes Regiões, De 18 a 24 anos De 25 a 39 anos De 40 a 59 anos Com 60 anos ou mais
Unidades da Federação
Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo
e
de confiança de confiança de confiança de confiança de confiança
situação do domicílio Pro- Pro- Pro- Pro- Pro-
de 95% de 95% de 95% de 95% de 95%
por- por- por- por- por-
Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite
ção ção ção ção ção
infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe-
rior rior rior rior rior rior rior rior rior rior

Brasil 71,9 71,2 72,6 71,8 70,2 73,5 71,2 70,0 72,3 72,9 71,7 74,0 71,3 69,9 72,7

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional de Saúde 2013.
Proporção de pessoas de 18 anos ou mais de idade que consomem refrigerante regularmente (%)

Grupos de idade
Total
Grandes Regiões, De 18 a 24 anos De 25 a 39 anos De 40 a 59 anos Com 60 anos ou mais
Unidades da Federação
Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo
e
de confiança de confiança de confiança de confiança de confiança
situação do domicílio Pro- Pro- Pro- Pro- Pro-
de 95% de 95% de 95% de 95% de 95%
por- por- por- por- por-
Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite
ção ção ção ção ção
infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe-
rior rior rior rior rior rior rior rior rior rior

Brasil 23,4 22,7 24,1 35,5 33,5 37,5 28,2 27,0 29,5 19,2 18,1 20,2 12,0 10,9 13,1

Proporção de pessoas de 18 anos ou mais de idade que substituem pelo menos uma das refeições por sanduíches,
salgados ou pizzas regularmente (%)
Grupos de idade
Total
Grandes Regiões, De 18 a 24 anos De 25 a 39 anos De 40 a 59 anos Com 60 anos ou mais
Unidades da Federação
Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo
e
de confiança de confiança de confiança de confiança de confiança
situação do domicílio Pro- Pro- Pro- Pro- Pro-
de 95% de 95% de 95% de 95% de 95%
por- por- por- por- por-
Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite
ção ção ção ção ção
infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe-
rior rior rior rior rior rior rior rior rior rior

Brasil 6,6 6,2 7,0 7,8 6,7 8,8 6,6 6,0 7,2 5,9 5,2 6,5 6,9 5,9 7,8

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional de Saúde 2013.
Proporção de pessoas de 18 anos ou mais de idade que consomem alimentos doces regularmente (%)

Grupos de idade
Total
Grandes Regiões, De 18 a 24 anos De 25 a 39 anos De 40 a 59 anos Com 60 anos ou mais
Unidades da Federação
Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo
e
de confiança de confiança de confiança de confiança de confiança
situação do domicílio Pro- Pro- Pro- Pro- Pro-
de 95% de 95% de 95% de 95% de 95%
por- por- por- por- por-
Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite
ção ção ção ção ção
infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe-
rior rior rior rior rior rior rior rior rior rior

Brasil 21,7 21,0 22,3 32,0 30,1 34,0 22,5 21,4 23,6 18,5 17,5 19,5 17,2 15,9 18,5

Proporção de pessoas de 18 anos ou mais de idade que referem consumo elevado de sal (%)

Grupos de idade
Total
De 18 a 24 anos De 25 a 39 anos De 40 a 59 anos Com 60 anos ou mais
Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo
de confiança de confiança de confiança de confiança de confiança
Pro- Pro- Pro- Pro- Pro-
de 95% de 95% de 95% de 95% de 95%
por- por- por- por- por-
Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite
ção ção ção ção ção
infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe-
rior rior rior rior rior rior rior rior rior rior

Brasil 14,2 13,6 14,7 17,7 16,2 19,2 17,3 16,4 18,2 12,9 12,1 13,8 7,9 6,9 8,9

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional de Saúde 2013.
Proporção de pessoas de 18 anos ou mais de idade que costumam consumir bebida alcoólica uma vez ou mais por mês
(%)
Grupos de idade
Total
De 18 a 24 anos De 25 a 39 anos De 40 a 59 anos Com 60 anos ou mais
Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo
de confiança de confiança de confiança de confiança de confiança
Pro- Pro- Pro- Pro- Pro-
de 95% de 95% de 95% de 95% de 95%
por- por- por- por- por-
Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite
ção ção ção ção ção
infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe-
rior rior rior rior rior rior rior rior rior rior

Brasil 26,5 25,8 27,2 30,1 28,2 32,0 31,6 30,5 32,8 25,9 24,8 26,9 15,6 14,4 16,8

Proporção de pessoas de 18 anos ou mais de idade que costumam consumir bebida alcoólica uma vez ou mais por
semana (%)
Grupos de idade
Total
De 18 a 24 anos De 25 a 39 anos De 40 a 59 anos Com 60 anos ou mais
Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo
de confiança de confiança de confiança de confiança de confiança
Pro- Pro- Pro- Pro- Pro-
de 95% de 95% de 95% de 95% de 95%
por- por- por- por- por-
Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite
ção ção ção ção ção
infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe-
rior rior rior rior rior rior rior rior rior rior

Brasil 24,0 23,3 24,6 27,1 25,2 29,0 28,5 27,4 29,7 23,4 22,4 24,4 14,2 13,1 15,3

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional de Saúde 2013.
Proporção de pessoas de 18 anos ou mais de idade insuficientemente ativos (%)

Grupos de idade
Total
Grandes Regiões, De 18 a 24 anos De 25 a 39 anos De 40 a 59 anos Com 60 anos ou mais
Unidades da Federação
Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo
e
de confiança de confiança de confiança de confiança de confiança
situação do domicílio Pro- Pro- Pro- Pro- Pro-
de 95% de 95% de 95% de 95% de 95%
por- por- por- por- por-
Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite
ção ção ção ção ção
infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe-
rior rior rior rior rior rior rior rior rior rior

Brasil 46,0 45,2 46,8 36,7 34,9 38,5 41,9 40,5 43,2 45,3 44,0 46,5 62,7 61,1 64,3

Proporção de pessoas de 18 anos ou mais de idade que assistem televisão por 3 horas ou mais por dia (%)

Grupos de idade
Total
De 18 a 24 anos De 25 a 39 anos De 40 a 59 anos Com 60 anos ou mais
Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo
de confiança de confiança de confiança de confiança de confiança
Pro- Pro- Pro- Pro- Pro-
de 95% de 95% de 95% de 95% de 95%
por- por- por- por- por-
Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite Limite
ção ção ção ção ção
infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe- infe- supe-
rior rior rior rior rior rior rior rior rior rior

Brasil 28,9 28,2 29,6 32,3 30,3 34,3 27,9 26,8 29,0 26,4 25,3 27,6 32,4 30,9 33,9
Prevalência de pessoas com a circunferência
Prevalência de excesso de peso de pessoas Prevalência de obesidade de pessoas de 18
da cintura aumentada de pessoas de 18 anos
de 18 anos ou mais de idade (%) anos ou mais de idade (%)
Grupos de idade ou mais de idade (%)
Total Total Total
% (1 000 pessoas) % (1 000 pessoas) % (1 000 pessoas)
Total 37,7 54 603 56,9 82 463 20,8 30 117

18 a 24 anos 14,2 3 242 32,8 7 473 10,3 2 348

25 a 29 anos 22,4 3 242 48,3 6 987 15,5 2 242

30 a 34 anos 29,1 4 784 55,4 9 104 18,4 3 015

35 a 44 anos 38,2 10 659 63,0 17 577 23,5 6 540

45 a 54 anos 47,0 12 036 66,7 17 063 25,3 6 477

55 a 64 anos 54,1 10 663 68,3 13 443 28,0 5 511

65 a 74 anos 56,3 6 358 64,4 7 281 24,2 2 734

75 anos e mais 54,1 3 619 52,8 3 533 18,7 1 250

Nota: cc>=102 cm para homens e cc>=88 cm para mulheres


Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional de Saúde 2013.
% de adultos obesos
% de adultos obesos

Vendas a varejo per capita de % de adultos que bebem 1+ bebida


alimentos ultraprocessados (kg) açucarada por dia

Vendas a varejo per capita de alimentos Consumo de bebidas açucaradas e


ultraprocessados e prevalência de prevalência de obesidade nos bairros de
obesidade (%) em adultos de 14 países Nova York, 2010
das Américas, 2013

Fonte: Ultra-processed food and drink products in Latin America: Trends, impact on Fonte: Reversing the epidemic: the New York City Obesity Task Force Plan to Prevent
obesity, policy implications. Washington D.C.: PAHO, 2015. and Control Obesity. May 31, 2012
Vendas a varejo anuais per capita de alimentos
ultraprocessados em 13 países latino-americanos

Crescimento:
América Latina: 26,2%
(102,8kg em 2000; 129,7kg em
2013)
Brasil: 30,6%
(86,0kg em 2000; 112,3kg em
2013)

Fonte: World Health Organization. Pan American Health Organization. Ultra-processed food and drink products in Latin America:
Trends, impact on obesity, policy implications. Washington D.C.: PAHO, 2015.
ESSES ALIMENTOS FAZIAM PARTE DOS
HÁBITOS ALIMENTARES DOS NOSSOS
IDOSOS NA INFÂNCIA E JUVENTUDE?
QUAL SERÁ O IMPACTO DA EXPOSIÇÃO
CADA VEZ MAIS PRECOCE A ESSES
ALIMENTOS NOS NOSSOS FUTUROS
IDOSOS?
Aleitamento materno em 7 inquéritos nacionais,
1974-2008

Nota: Classificação da OMS: duração mediana do AM: muito ruim (0 a 17 meses); Prevalência AME: ruim (12-49%)
Fonte: Venancio SI; Saldiva SRDM; Monteiro CR. Tendência secular da amamentação no Brasil. Rev. Saúde Pública. 2013;
47(6):1205-8.
II Pesquisa de Prevalência do Aleitamento Materno
em 2008, segundo parâmetros propostos pela OMS

Fonte: Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno em Municípios Brasileiros. Situação do Aleitamento Materno em 227 municípios
brasileiros. Brasília - DF, Ministério da Saúde, 2010
% de crianças com idade ≥9 meses e <12 meses, que
estão em aleitamento materno
(PNS 2013)

Brasil:
50,6%

Nota: * Número de casos menor que 30, insuficiente para determinar qualquer estimativa com precisão aceitável.
Fonte: http://brasil.mintel.com/blog/veja-como-jovens-consumidores-impulsionam-o-segmento-de-vitaminas-e-minerais-no-brasil
IMPACTO DA ADESÃO ÀS RECOMENDAÇÕES DO
WCRF/AICR

• ↓ 10% na incidência de todos os tipos de


CASOS NOVOS DE CÂNCER
câncer

• ↓ 61% na mortalidade por todos os tipos de


ÓBITOS POR CÂNCER
câncer

Fonte: Kohler LN, Garcia DO, Jacobs ET et al. Adherence to diet and physical activity cancer prevention guidelines and cancer outcomes: a systematic
review. Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention. June 23, 2016
A POPULAÇÃO RECONHECE QUE O
CÂNCER PODE SER PREVENIDO PELA
ALIMENTAÇÃO, NUTRIÇÃO E
ATIVIDADE FÍSICA?
RECONHECIMENTO SOCIAL
NOVA GALES DO SUL, AUSTRÁLIA, 2013
(n=3.301)

O quanto
determinados
hábitos
contribuem para
o risco de
desenvolver
câncer?

Fonte: Traduzido de Kippen et al. BMC Cancer (2017) 17:550


Fonte: https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/brasileiro-tem-conhecimentos-falhos-sobre-cancer-diz-pesquisa-21987662
Á ADESÃO

Longo percurso das


recomendações desde a
elaboração à concretização
comportamental e
consolidação social

DA RECOMENDAÇÃO
Á ADESÃO

Riscos e limites podem ser


questionados e/ou
ignorados pela população

DA RECOMENDAÇÃO
POR QUE AS PESSOAS NÃO ADEREM
AOS APELOS PARA MUDANÇA?
O QUE DISTANCIA SEU CONHECIMENTO
DE SUAS AÇÕES?
AS PREOCUPAÇÕES INSTITUCIONAIS E
POPULACIONAIS SÃO AS MESMAS?
O QUE DEVE SER ALVO DE
PREOCUPAÇÃO?
A QUEM PERTENCEM OS DESEJOS DE
ATINGIR ESSAS METAS?
QUE RISCOS SÃO ELEGÍVEIS?
QUE RISCOS SÃO ELEITOS?
A LACUNA ENTRE O CONTROLE E O DESEJO

• Influência da dimensão corporal sobre a forma com que os consumidores lidam


com o risco
• Identificação de dois polos espaciais

Controle • Relacionado com a disciplina, a ordem, a necessidade e a racionalidade

Desejo • Associado ao prazer, ao impulso e à liberdade do controle

Fonte: Gomes FS. Contribuições das Ciências Sociais e da Filosofia para a Construção de Recomendações Nutricionais. IN: Rosa Wanda Diez-Garcia; Ana Maria Cevato-
Mancuso (coord.) Mudanças alimentares e educação nutricional. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. Parte 1, Cap 4, p.43-52.
• Relação dos polos com o tipo de consumidor

Preocupado Irritado Pragmático

• Marginaliza o • Relação • Não reflete sobre


desejo a partir do conflituosa entre o os riscos,
controle desejo e o controle demonstrando
indiferença

EM QUAL PERFIL VOCÊ SE ENQUADRA?

Fonte: Gomes FS. Contribuições das Ciências Sociais e da Filosofia para a Construção de Recomendações Nutricionais. IN: Rosa Wanda Diez-Garcia; Ana Maria Cevato-
Mancuso (coord.) Mudanças alimentares e educação nutricional. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. Parte 1, Cap 4, p.43-52.
PRAZER?! DOENÇA?! O QUE TE MOBILIZA?
Pessoas que vivenciam e/ou vivenciaram situações adversas conduzem sua vida
por meio da provisão  focalização do olhar principal ao passado

Pressuposição da previsão por parte dos profissionais, como eixo estruturante das
estratégias de prevenção e controle  olhar para o futuro

Fonte: Gomes FS. Contribuições das Ciências Sociais e da Filosofia para a Construção de Recomendações Nutricionais. IN: Rosa Wanda Diez-Garcia; Ana Maria Cevato-
Mancuso (coord.) Mudanças alimentares e educação nutricional. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. Parte 1, Cap 4, p.43-52.
O QUE PODEMOS FAZER PARA REVERTER
ESSA QUESTÃO?
SISTEMAS COMPLEXOS (adaptativos)
“Coleção de agentes individuais com liberdade para atuar de
maneiras muitas vezes não previsíveis e cujas ações estão
interconectadas, de modo que as ações de um agente mudam
o contexto para outros agentes”

Características
• Heterogeneidade, diversidade de agentes
• Dinamicidade
• Não linearidade
• Interações entre os agentes
• Interações dos agentes com seus ambientes
• Ações dos agentes separadas de seus efeitos tanto no tempo quanto no espaço
Fonte: Plsek P, Greenhalgh T. BMJ 2001;323:625-8.
USAMOS A DINÂMICA DOS SISTEMAS
PARA TENTAR RESOLVER PROBLEMAS
ENORMES, DE GRANDE
COMPLEXIDADE...
... MAS COMO SABEMOS QUAL É O
PROBLEMA?

Um elefante
é como uma
ponte
Um elefante
é suave e
Um elefante pastoso
Um elefante
é como uma é como uma
serpente corda

Um elefante
é como um
tronco
CONSIDERANDO QUE NOSSO OLHAR
NUNCA É NEUTRO, ESTANDO SEMPRE
REPLETO DE PRENOÇÕES QUE VÊM DO
SENSO COMUM, QUE TAL AFASTARMOS
DESSA FORMA DE OLHAR A NOSSA
REALIDADE?
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
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Fonte: Zoom by Istvan Banyai
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Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
Fonte: Zoom by Istvan Banyai
QUAIS SÃO OS FATORES QUE
FAVORECEM OU DESFAVORECEM A
PREVENÇÃO DO CÂNCER?
VÍDEO:

OS CAMINHOS DA COMIDA
https://www.youtube.com/watch?v=BYw0EVdQbV8
NOSSO COMPORTAMENTO E ATITUDES NÃO SÃO UMA
SIMPLES QUESTÃO DE ESCOLHA PESSOAL

Fonte: Adaptado de Story M, Kaphingst KM, Robinson-O'Brien R, Glanz K. Creating healthy food and eating environments: policy and environmental
approaches. Ann Rev Public Health. 2008;29(1):253-72 pela CGAN/DAB/SAS/MS.
NOSSO COMPORTAMENTO E ATITUDES NÃO SÃO UMA
SIMPLES QUESTÃO DE ESCOLHA PESSOAL

O ACESSO A INFORMAÇÃO NÃO É SUFICIENTE PARA MUDANÇA


DE COMPORTAMENTOS E ATITUDES

Fonte: Adaptado de Story M, Kaphingst KM, Robinson-O'Brien R, Glanz K. Creating healthy food and eating environments: policy and environmental
approaches. Ann Rev Public Health. 2008;29(1):253-72 pela CGAN/DAB/SAS/MS.
NOSSO COMPORTAMENTO E ATITUDES NÃO SÃO UMA
SIMPLES QUESTÃO DE ESCOLHA PESSOAL

O AMBIENTE PODE APOIAR OU ENFRAQUECER A CAPACIDADE


DAS PESSOAS AGIREM EM SEU PRÓPRIO INTERESSE

Fonte: Adaptado de Story M, Kaphingst KM, Robinson-O'Brien R, Glanz K. Creating healthy food and eating environments: policy and environmental
approaches. Ann Rev Public Health. 2008;29(1):253-72 pela CGAN/DAB/SAS/MS.
EM QUE SISTEMA ALIMENTAR ESTAMOS INSERIDOS?

Estímulo ao
Produção Distribuição Comensalidade
consumo
QUAL O CENÁRIO BRASILEIRO?
Todo ser humano tem direito a uma Detectada a partir de diferentes
Segurança Alimentar e Nutricional alimentação saudável, acessível, de problemas, tais como:
qualidade, em quantidade suficiente, 1. Fome
e de modo permanente
2. Obesidade
Ela deve ser totalmente baseada em
3. Doenças associadas à má alimentação
práticas alimentares promotoras da
saúde, sem nunca comprometer o 4. Consumo de alimentos de qualidade

Insegurança Alimentar e Nutricional


acesso a outras necessidades duvidosa ou prejudicial à saúde
essenciais 5. Estrutura de produção de alimentos
Inclui respeito às particularidades e predatória em relação ao ambiente e
características culturais de cada bens essenciais com preços abusivos
região 6. Imposição de padrões alimentares
DIREITO HUMANO/ DIREITO SOCIAL que não respeitem a diversidade
cultural
7. Sistema alimentar centrado em
interesses privados em detrimento do
bem público
INSEGURANÇA ALIMENTAR = VIOLAÇÃO
DO DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA
O QUE É UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA?
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS DESAFIOS
NA COMUNICAÇÃO DO RISCO EM
SAÚDE?
VÍDEO:

SAUDÁVEL
https://www.youtube.com/watch?v=diGTCeHmVus
POR QUE HOJE TEMOS A SENSAÇÃO DE
QUE TUDO CAUSA CÂNCER?
É POSSÍVEL ENUMERAR TODOS OS
FATORES DE RISCO PARA O CÂNCER
AOS QUAIS SE ESTÁ EXPOSTO?
O QUE SE PODE FAZER COM ESSA
INFORMAÇÃO?
É POSSÍVEL EVITAR TODOS ELES?
QUAIS SÃO OS SENTIMENTOS QUE ESSA
INFORMAÇÃO PODE CAUSAR E COMO
LIDAR COM ISSO?
Relacionado
ao impacto
(extensão da perda ou
ganho resultante da Situacional
incidência do evento (não existe resposta
de risco) única/ incerto)
Baseado em
valores pessoais/
organizacionais/
culturais Interdependente
CARACTERÍSTICAS (um evento de risco
DO RISCO pode afetar/ causar
(probabilidade) outro)

Relacionado com a
vulnerabilidade
(capacidades para Altamente
enfrentar o risco)
Baseado no sinérgicos
(muitos pequenos
tempo riscos = grande risco)
(exclusivamente
futuro; o tempo afeta
nossa percepção de
risco)
QUAIS SÃO OS NOSSOS PRINCIPAIS DESAFIOS?
PREENCHER O GAP EXISTENTE NO
CONHECIMENTO CIENTÍFICO

PROMOVER O RECONHECIMENTO SOCIAL QUE


O CÂNCER É PREVENÍVEL POR MEIO DA
ALIMENTAÇÃO, NUTRIÇÃO E ATIVIDADE FÍSICA

“TRADUZIR” AS RECOMENDAÇÕES E
COMUNICAR O RISCO DE FORMA A
APROXIMAR O PÚBLICO-ALVO

PROMOVER MUDANÇAS COLETIVAS E


INDIVIDUAIS NO ATUAL SISTEMA ALIMENTAR
https://www.youtube.com/watch?v=NmBzq3mqh1I
“Comer é um ato agrícola, ecológico,
além de um ato político. O que e como
comemos determinam, em grande parte,
o que fazemos do nosso mundo e o que
vai acontecer com ele”
(Michael Pollan, 2007)

MUITO OBRIGADA!