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Durante o século XIX, Charles Darwin pesquisou acerca da evolução da vida e da

origem humana. Em 1831, quando viajou para diferentes regiões do mundo percebeu
que na Argentina havia fósseis de espécies gigantes que eram semelhantes às espécies
existentes naquele período e que também notava algumas diferenças destacadas de
acordo com a região em que eram encontrados, originando a dúvida entre as
semelhanças das espécies antigas fossilizadas e de espécies atuais.
No Equador, mais precisamente no arquipélago de Galápagos, havia inúmeras espécies
de uma mesma ave localizadas em diferentes regiões, o que levou Darwin a pensar
que tais diferenças partiram de um mesmo ancestral que após migrar para diferentes
regiões com diferenciações climáticas e ecológicas precisou se adaptar a estas,
originando novas espécies.

Seleção natural e artificial

Darwin começa a suspeitar a partir de descobrimentos acerca da idade da Terra e de


suas transformações, que a evolução estava relacionada à seleção artificial que
permitia selecionar a reprodução de espécies a partir de características julgadas
desejáveis, o que permitiria inúmeras espécies a partir de uma mesma raça. Sua
opinião a respeito da seleção artificial mudou quando conheceu as teorias de Thomas
Malthus que afirmava que o crescimento populacional das espécies selecionaria os
organismos com características mais fortes e vantajosas e que através destas
conseguiriam sobreviver e deixar descendentes.
A partir deste pensamento, Darwin então percebeu que o meio ambiente era o
responsável pela seleção dos organismos, marcando assim o processo de seleção
natural que fazia com que as espécies se diversificassem e se adaptassem para sua
sobrevivência.

Um processo darwinista requer as condições seguintes:

Reprodução: os agentes devem ser capazes de produzir cópias de si próprios e essas


cópias devem ter igualmente a capacidade de se reproduzirem;
Hereditariedade: As cópias devem herdar as características dos originais;
Variação: Ocasionalmente, as cópias têm que ser imperfeitas (diversidade no interior
da população);
Recombinação: Troca de informações genéticas entre pares de cromossomos;
Seleção Natural: Os indivíduos são selecionados pelo ambiente. A seleção natural
destrói, e não cria. O problema da existência de um objetivo não surge da eliminação
dos inaptos, e sim da origem dos aptos.

2. Fundamentos recolhidos por Darwin que lhe serviram de base á teoria que
apresentou:
2.1. Geológicos – obra de Lyell
Charles Lyell (1797 – 1875) foi um advogado e geólogo britânico e popularizador do
uniformitarianismo. Este geólogo, na época, admitiu que:

As leis são constantes no espaço e no tempo;


Se deve explicar o passado a partir de dados do presente;
Na longa história da Terra decorreram permanentemente mudanças geológicas lentas
e graduais.
Influenciado por Lyell, Darwin ao colecionar as espécies fossilizadas que se
encontravam nas diferentes formações rochosas, verificou que essas espécies também
teriam uma modificação num longo período de tempo e concluiu que um dos mais
importantes pré-requisitos para a sua Teoria da Evolução era o tempo que decorria
para as espécies se alterarem.

2.2. Crescimento da população humana – obra de Malthus


No Outono de 1838, Darwin leu um trabalho publicado pelo e economista e teólogo
Thomas Malthus.

De acordo com Malthus, a população humana tende a crescer para além das
possibilidades do meio para a sustentar. Então se os fatores externos, como doenças e
falta de alimento, não limitassem o crescimento da população humana, esta duplicaria
de 25 em 25 anos.

Darwin utilizou as ideias de Malthus relativamente à população humana e adaptou-as


as populações animais.
Por exemplo, os elefantes tem uma baixa taxa de reprodução, se um casal procriasse
dos 30 aos 90 anos e tivesse apenas seis crias neste período de tempo, os seus
descendentes poderiam originar

19 Milhões de elefantes em 750 anos. No entanto, isso não acontece, o número de


elefantes mantém-se constante.

Na enorme diversidade do mundo do mundo vivo, e devido à escassez de recursos, vai


ocorrer uma luta pela sobrevivência e, como resultado dessa competição, a partir de
certa altura a mortalidade compensa a natalidade e crescimento da população
estabiliza.

2.3. Biogeográficos – dados recolhidos na sua viagem a bordo do Beagle


A grande diversidade de seres vivos e o aspeto exótico que, por vezes, assumem
algumas espécies, bem como a constatação de que a fauna e a flora diferiam de
continente para continente e das montanhas para os desertos, constituem elementos
relevantes na formulação da teoria de Darwin.

Darwin em meados de Setembro de 1835, chegou às ilhas das Galápagos. Tratava-se


dum arquipélago vulcânico, que apresentava uma fauna e uma flora peculiares.
Charles Darwin ficou sobretudo impressionado com as tartarugas e com um grupo de
aves, os tentilhões, que ficaram conhecidos por tentilhões de Darwin.

As tartarugas gigantes das ilhas Galápagos apresentam sete variedades diferentes,


cada uma delas correspondendo a uma ilha. Contudo apesar das diferenças, este
animais são extraordinariamente semelhantes entre si, fazendo supor que tenham tido
uma origem em comum.

Os tentilhões de Darwin são pequenas aves que apresentam uma grande diversidade à
volta de um padrão comum. As 14 espécies de tentilhões, apesar de muito
semelhantes, podem distinguir-se sobre tudo pela forma e tamanho do bico, o que
está associado ao que cada um come.

Depois de analisar todos os dados recolhidos na viagem do Beagle, Darwin concluiu


que as ilhas povoadas a partir do continente sul-americano e que as características
particulares de cada ilha condicionaram a evolução de cada e daí a sua diferenciação.
2.4. Da seleção artificial
Na procura de uma explicação para a evolução das espécies, Darwin pode contar com
a experiência que ele próprio possuía, como criador de pombos intervindo
diretamente em processos de seleção artificial.

Segundo o raciocínio de Darwin, se pode obter tanta diversidade por seleção artificial,
de um modo análogo é possível que ocorra na natureza uma seleção influenciada por
fatores ambientais, designada por Seleção Natural.

O princípio básico da seleção natural diz que as características hereditárias


favoráveis à vida na Terra tornam-se mais comuns em gerações sucessivas em uma
determinada população, enquanto que as desfavoráveis se tornam menos comuns
ou desaparecem. Isso pode acontecer porque os indivíduos com características mais
favoráveis têm mais chances de sobreviver e se reproduzir que os menos adaptados.

Segundo Darwin, as variações genéticas entre os indivíduos de determinada espécie


surgem ao acaso e a sucessão de gerações se encarrega de selecionar as melhores
para a sobrevivência. Mais tarde, estudos de genética comprovaram essa tese, com a
descoberta das combinações e mutações genéticas que são disseminadas por meio
da reprodução.
O exemplo mais conhecido é o do homem e do macaco. Ao contrário do que dizem, o
homem não descende do macaco, mas tem um ancestral comum a ele, muito
próximo na escala evolutiva. Isso é evidenciado pelas semelhanças entre as duas
espécies.
Hoje em dia, o estudo dos registros fósseis ajudou a reconstruir com precisão a
história evolutiva na Terra, desde as primeiras formas de vida. Analisar os fósseis
encontrados ajudou os cientistas a perceberem que todas as espécies, mesmo as já
extintas, estão cronologicamente relacionadas e que elas mudam ao longo do
tempo.

Numa viagem de cinco anos pela América do Sul, África e Austrália,


Charles Darwin fez observações que o levaram à ideia da evolução por
seleção natural. Segundo o darwinismo, a seleção natural é um processo
de longo prazo. Os indivíduos nascem com pequenas diferenças. Algumas
dessas diferenças facilitam sua sobrevivência. Ao se reproduzirem, esses
indivíduos transmitem a característica favorável a seus descendentes. O
meio ambiente não induz a nenhuma variação, apenas funciona como
“filtro”, que seleciona os organismos mais adaptados (mais aptos a
sobreviver). Mas Darwin não tinha ideia de como surgiam as
características a ser filtradas em cada organismo.

Darwin propôs uma nova explicação para o fenômeno aceito de


evolução:

Uma população de uma determinada espécie, em um

determinado momento, inclui indivíduos com características


variadas (qualitativamente diferentes uns dos outros);

A evolução da espécie como um todo resulta de taxas

diferentes de sobrevivência e de reprodução dos vários tipos


de indivíduos, de modo que as frequências relativas dos tipos
mudam com o tempo;

A população da geração seguinte conterá uma frequência

maior dos tipos que são mais bem-sucedidos em sobreviver e


se reproduzir sob as condições ambientais existentes
(Seleção Natural);
Segundo esta visão, a evolução é um processo aleatório.

Pode ser resumida em três princípios:

Princípio da variação: entre os indivíduos de qualquer

população, há variações quanto à morfologia, à fisiologia e ao


comportamento

Princípio da hereditariedade: os descendentes se

assemelham aos seus genitores mais que a indivíduos não


aparentados

Princípio da seleção: algumas formas são mais bem sucedidas do que


outras em sobreviver e se reproduzir em
um determinado ambiente (Seleção Natural)

Para que ocorra evolução por um mecanismo variacional, os

princípios de Darwin de variação, hereditariedade e seleção devem


se manter.

Evidentemente, um processo seletivo só pode produzir uma mudança


na composição de uma população se existirem algumas variações
dentre as quais selecionar. Se todos os indivíduos forem idênticos,
nenhuma intensidade de reprodução diferencial dos indivíduos
poderá afetar a composição da população

Além disso, a variação deve ser em parte herdável, para que a

reprodução diferencial altere a composição genética da população

As espécies não só devem mudar, mas também originar novas e

diferentes espécies no curso da evolução


As variações herdáveis fornecem a matéria-prima para as mudanças

sucessivas dentro de uma espécie e para a origem de novas


espécies.

Ao analisar os seres vivos, verificamos, com certa frequência, estruturas


que nos fazem crer em alguma ancestralidade em comum e no processo
de evolução. Entretanto, nem sempre essas características refletem as
relações evolutivas entre os organismos.

→ Órgãos homólogos

Os órgão homólogos são aqueles que podem ou não realizar a mesma


função, porém apresentam uma estrutura básica igual e mesmo
desenvolvimento embrionário. Isso quer dizer, portanto, que os indivíduos
que apresentam esses órgãos possuem ancestralidade compartilhada.

Como exemplo de homologia, podemos citar os membros dos tetrápodes.


Analisando os membros de anfíbios, répteis, aves e mamíferos,
percebemos que o número e a disposição dos ossos são bastante
semelhantes, o que nos mostra a relação de parentesco ali presente (Veja
figura abaixo). Nesse caso, temos uma estrutura semelhante, porém com
funções distintas, as quais refletem os diferentes estilos de vida.

Como as homologias são semelhanças resultantes de um ancestral em


comum, a análise delas fornece informações importantes sobre a relação
existente entre as espécies. Sendo assim, consideramos as homologias
uma das evidências da evolução biológica.

→ Órgãos análogos

Os órgãos análogos, por sua vez, não refletem as relações de


ancestralidade e dizem respeito apenas às funções semelhantes. Essas
semelhanças ocorrem devido à evolução convergente, que leva ao
surgimento de características semelhantes mesmo em indivíduos de
grupos bastante diferentes. Isso se deve ao fato de que essas
características favoreceram a sobrevivência em ambientes similares,
representando, portanto, adaptações ao ambiente.

Como exemplo de analogias, podemos citar as asas de aves e insetos.


Esses animais apresentam asas que garantem seu voo, entretanto, as
estruturas são bastante diferentes. Sendo assim, as funções são similares,
mas não possuem a mesma origem embrionária, nem indicam
ancestralidade.