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Curso Técnico em Aquicultura

Carlos Alberto Machado da Rocha

Biologia Aquática e Pesqueira

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARÁ

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Biologia Aquática e Pesqueira
Carlos Alberto Machado da Rocha

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARÁ

PARÁ
2011
Presidência da República Federativa do Brasil
Ministério da Educação
Secretaria de Educação a Distância

© Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – IFPA. Este Caderno foi elaborado
em parceria entre o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – IFPA e a
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) para o Sistema Escola Técnica Aberta do
Brasil – e -Tec Brasil.

Equipe de Elaboração Equipe de Produção


Instituto Federal de Educação, Secretaria de Educação a Distância / UFRN
Ciência e Tecnologia do Pará / IFPA
Reitora
Reitor Profa. Ângela Maria Paiva Cruz
Prof. Edson Ary de Oliveira Fontes
Vice-Reitora
Vice-Reitor Profa. Maria de Fátima Freire Melo Ximenes
Prof. João Antônio Pinto
Secretária de Educação a DistâncIa
Diretor Profa. Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo
Prof. Darlindo Maria Pereira Veloso Filho
Secretária Adjunta de Educação a DistâncIa
Coordenador Institucional Profa. Eugênia Maria Dantas
Prof. Érick de Oliveira Fontes
Coordenador de Produção de Materiais Didáticos
Coordenadores dos Cursos Prof. Marcos Aurélio Felipe
Prof. Marlon Carlos França
(Curso Técnico em Pesca) Revisão
Cristinara Ferreira dos Santos
Maurício Camargo Zorro Kaline Sampaio de Araújo
(Curso Técnico em Aquicultura) Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade
Thalyta Mabel Nobre Barbosa
Professor-autor Verônica Pinheiro da Silva
Carlos Alberto Machado da Rocha
Diagramação
Ana Paula Resende
Rafael Marques Garcia

Arte e Ilustração
Adauto Harley
Anderson Gomes do Nascimento

Projeto Gráfico
e-Tec/MEC

Ficha catalográfica
Setor de Processos Técnicos da Biblioteca Central - IFPA
Apresentação e-Tec Brasil

Prezado estudante,

Bem-vindo ao e-Tec Brasil!

Você faz parte de uma rede nacional pública de ensino, a Escola Técnica
Aberta do Brasil, instituída pelo Decreto nº 6.301, de 12 de dezembro 2007,
com o objetivo de democratizar o acesso ao ensino técnico público, na mo-
dalidade a distância. O programa é resultado de uma parceria entre o Minis-
tério da Educação, por meio das Secretarias de Educação a Distancia (SEED)
e de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC), as universidades e escolas
técnicas estaduais e federais.

A educação a distância no nosso país, de dimensões continentais e grande


diversidade regional e cultural, longe de distanciar, aproxima as pessoas ao
garantir acesso à educação de qualidade, e promover o fortalecimento da
formação de jovens moradores de regiões distantes, geograficamente ou
economicamente, dos grandes centros.

O e-Tec Brasil leva os cursos técnicos a locais distantes das instituições de en-
sino e para a periferia das grandes cidades, incentivando os jovens a concluir
o ensino médio. Os cursos são ofertados pelas instituições públicas de ensino
e o atendimento ao estudante é realizado em escolas-polo integrantes das
redes públicas municipais e estaduais.

O Ministério da Educação, as instituições públicas de ensino técnico, seus


servidores técnicos e professores acreditam que uma educação profissional
qualificada – integradora do ensino médio e educação técnica, – é capaz de
promover o cidadão com capacidades para produzir, mas também com auto-
nomia diante das diferentes dimensões da realidade: cultural, social, familiar,
esportiva, política e ética.

Nós acreditamos em você!

Desejamos sucesso na sua formação profissional!

Ministério da Educação
Janeiro de 2010

Nosso contato
etecbrasil@mec.gov.br

e-Tec Brasil
Indicação de ícones

Os ícones são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas de


linguagem e facilitar a organização e a leitura hipertextual.

Atenção: indica pontos de maior relevância no texto.

Saiba mais: oferece novas informações que enriquecem o


assunto ou “curiosidades” e notícias recentes relacionadas ao
tema estudado.

Glossário: indica a definição de um termo, palavra ou expressão


utilizada no texto.

Mídias integradas: remete o tema para outras fontes: livros,


filmes, músicas, sites, programas de TV.

Atividades de aprendizagem: apresenta atividades em


diferentes níveis de aprendizagem para que o estudante possa
realizá-las e conferir o seu domínio do tema estudado.

e-Tec Brasil
Sumário

Palavra do professor-autor 9

Apresentação da disciplina 11

Projeto instrucional 15

Aula 1 – A questão da sistemática biológica 17


1.1 Introdução 17
1.2 Nomenclatura 18
1.3 Os sete grupos básicos de classificação 19

Aula 2 – O que é um molusco? 33


2.1 Organização 33
2.2 Digestão 38
2.3 Circulação 38
2.4 Excreção 39
2.5 Respiração 40
2.6 Coordenação 40
2.7 Reprodução 41

Aula 3 – Quais moluscos você conhece? 47


3.1 A diversidade dos moluscos 47

Aula 4 – O que é um crustáceo? 61


4.1 Organização 61
4.2 Digestão 63
4.3 Circulação 64
4.4 Excreção 64
4.5 Respiração 64
4.6 Sistema nervoso 65
4.7 Reprodução 65

Aula 5 – Quais crustáceos você conhece? 69


5.1 A diversidade dos crustáceos 69

e-Tec Brasil
Aula 6 – Os cordados 83
6.1 Organização 83
6.2 Diversidade 85

Aula 7 – Os peixes 91
7.1 Introdução 91
7.2 Morfologia externa 92
7.3 Digestão 95
7.4 Circulação 96
7.5 Excreção 97
7.6 Respiração 99
7.7 Sistema nervoso 99
7.8 Reprodução 99

Aula 8 – Quais peixes você conhece? 103


8.1 Diversidade dos condrictes 103
8.2 Diversidade dos osteíctes 106

Aula 9 – Os anfíbios 115


9.1 Introdução 115
9.2 Morfologia externa 115
9.3 Reprodução 117
9.4 Diversidade 119

Aula 10 – Os répteis 125


10.1 Introdução 125
10.2 Morfologia externa 125
10.3 Reprodução 126
10.4 Diversidade dos répteis 127

Aula 11 – Conhecendo artes de pesca 133


11.1 Introdução 133
11.2 Principais artes de pesca 133

Aula 12 – Noções de estoque e sustentabilidade 143


12.1 Introdução 143
12.2 Estoque pesqueiro 144
12.3 Pesca e sustentabilidade 146

Referências 151

Currículo do professor-autor 154

e-Tec Brasil
Palavra do professor-autor

Biologia Aquática e Pesqueira é uma disciplina introdutória que deve contri-


buir para a inserção dos alunos no ambiente formativo e nas bases do co-
nhecimento específico que se inicia. Nesse sentido, a disciplina é organizada
em 12 aulas, compondo quatro unidades temáticas, de importância funda-
mental para a aquisição de bases de conhecimento e competências míni-
mas para o bom desenvolvimento futuro da sua formação como técnico. Os
quatro temas da disciplina são os seguintes: I. Nomenclatura e classificação
zoológica; II. Biologia dos grupos animais com representantes aquáticos; III.
Artes de pesca; IV. Estoques pesqueiros e sustentabilidade.

Na primeira unidade, será indicado como utilizar categorias hierárquicas para


classificar organizadamente os seres vivos e como identificá-los de maneira
precisa e singular para que as informações sobre eles possam ser convenien-
temente catalogadas e utilizadas.

A unidade II, maior e organizada em nove aulas, apresentará aspectos da


morfologia e reprodução de diferentes grupos animais, com ênfase nos mo-
luscos, crustáceos e peixes.

Na terceira unidade, serão apresentados: o conceito de artes de pesca, várias


das artes mais utilizadas na pesca brasileira, além das relações entre os ape-
trechos utilizados e as características das espécies capturadas.

Finalmente, a unidade IV desenvolverá noções de estoques pesqueiros e sua


explotação, com atenção para os modelos de avaliação pesqueira e susten-
tabilidade do setor.

Pretende-se que os alunos adquiram e exercitem a sua capacidade de deba-


ter esses temas de forma crítica, se mantenham receptivos a novos conheci-
mentos e dispostos a reinterpretar e ampliar os conhecimentos anteriormen-
te tidos como definitivos.

9 e-Tec Brasil
Apresentação da disciplina

Na Aula 1, você verá que, dependendo da localização, existem inúmeras ma-


neiras populares de identificar uma espécie. Isso pode ser observado quando
no Mercado Público do Ver-o-Peso, em Belém do Pará, você procurar pela
pescadinha-gó, um peixe bastante comum em toda a costa atlântica do nos-
so país, e facilmente ser entendido pelos comerciantes do local. No entanto,
o mesmo não ocorrerá no Mercado Público do Rio Grande, no estado do
Rio Grande do Sul, pelo menos se procurá-lo pelo nome pescadinha-gó.
Ocorre que a mesma espécie é mais conhecida nas regiões Sudeste e Sul do
Brasil como pescadinha real ou pescada-foguete. Por outro lado, é conheci-
da como King weakfish em inglês, pescadilla real em espanhol, acoupa
chaesseur em francês, considerando-se apenas alguns idiomas. Seu nome
científico, porém, Macrodon ancylodon, é o mesmo em qualquer lugar do
mundo.

Já na Aula 2, você vai ver que alguns animais, provavelmente já utilizados


na sua alimentação, como ostra, mexilhão, lula, polvo, ou mesmo escargot,
e que são alimentos de alto valor nutritivo, são animais do grupo dos mo-
luscos. Mas o que eles têm em comum para serem reunidos nesse filo do
reino animal? Ao longo dessa aula, você encontrará os detalhes da anato-
mia externa e interna que identificam um animal como molusco, bem como
informações básicas, porém indispensáveis, sobre o funcionamento de seus
diversos sistemas.

Na Aula 3, você vai ver que existem diversas espécies de moluscos importan-
tes em nossas vidas. Muitas dessas espécies se notabilizam pelo seu aprovei-
tamento como recursos naturais, principalmente no que se relaciona à área
alimentar. Algumas outras se destacam pelos danos diretos ou indiretos que
podem proporcionar ao homem. Ao longo dessa aula, serão apresentadas
informações sobre algumas das espécies de moluscos que foram seleciona-
das entre as que consideramos mais interessantes dentro do filo. Além dis-
so, você encontrará orientações que o auxiliarão a obter informações sobre
muitos outros moluscos.

Na Aula 4, você saberá que diversos animais, provavelmente muito apreciados


na sua alimentação, como camarões, lagostas, caranguejos e siris, são integran-
tes do grupo dos crustáceos. Mas o que eles têm em comum para serem reuni-

11 e-Tec Brasil
dos nesse grupo? E como se distinguem dos outros artrópodes? Ao longo dessa
aula, você encontrará os detalhes da anatomia externa e interna que identificam
um animal como crustáceo, bem como informações básicas, porém indispensá-
veis, sobre o funcionamento de seus diversos sistemas.

Complementando os conhecimentos da Aula 4, na Aula 5, você vai ver que


existem diversas espécies de crustáceos importantes em nossas vidas. A
maioria dessas espécies se notabiliza pelo seu aproveitamento como recurso
natural, principalmente relacionado à alimentação. Ao longo dessa aula, se-
rão apresentadas informações sobre algumas das espécies de crustáceos que
foram selecionadas entre as que consideramos mais interessantes dentro
do grupo. Além disso, você encontrará orientações que o auxiliarão a obter
informações sobre muitos outros crustáceos.

Na Aula 6, você verá algumas informações sobre animais que estão entre
os mais comuns à nossa volta. Na realidade, você conhece muitos deles e,
nessa aula, poderá relacioná-los por meio das principais características que
permitem reuni-los em um mesmo grupo. Estamos falando dos cordados,
dentre os quais são mais notáveis os vertebrados. Ao longo dessa aula, você
encontrará os detalhes embriológicos e anatômicos que identificam um ani-
mal como cordado, bem como informações básicas sobre alguns de seus
representantes (urocordados, cefalocordados e ciclóstomos). A maioria dos
vertebrados será abordada nas quatro aulas posteriores.

Na Aula 7, você vai ver que apesar da grande diversidade de tamanhos,


cores e hábitos, dentre outros aspectos, os vertebrados reunidos no grupo
dos peixes comungam diversas características. Mas o que eles têm em co-
mum para serem reunidos nesse grupo e como se distinguem dos outros
vertebrados? Ao longo dessa aula, você encontrará os detalhes da anatomia
externa e interna que identificam um animal como peixe; conhecerá as prin-
cipais diferenças entre peixes cartilaginosos e peixes ósseos, bem como terá
informações básicas, porém indispensáveis, sobre o funcionamento de seus
diversos sistemas e sua reprodução.

Já na Aula 8, você terá informações sobre as diversas espécies de peixes que


foram selecionadas entre as que consideramos mais interessantes dentro
do grupo e perceberá que já conhece ou pelo menos ouviu falar de algu-
mas delas, principalmente das que ocorrem na sua região. Todas as espécies
mencionadas se notabilizam pelo seu aproveitamento como recurso natural,
particularmente aquelas relacionadas à área alimentar. Além disso, você en-
contrará orientações que lhe auxiliarão a obter informações sobre muitos
outros peixes.

Na Aula 9, você vai conhecer informações sobre a anatomia externa dos anfí-
bios que facilitam sua identificação, bem como alguns aspectos relacionados à
sua reprodução. Também são apresentadas algumas espécies de anfíbios que
foram selecionadas entre as que consideramos mais interessantes dentro do
grupo, principalmente as relacionadas à alimentação. Além disso, você encon-
trará orientações que lhe auxiliarão a obter informações sobre outros anfíbios.

Na Aula 10, você estudará a anatomia externa dos répteis que facilitam sua
identificação, bem como alguns aspectos relacionados à sua reprodução. Tam-
bém são apresentadas algumas espécies de répteis que foram selecionadas
entre as que consideramos mais interessantes dentro do grupo, principalmen-
te as utilizadas na alimentação humana. Além disso, você encontrará orienta-
ções que lhe auxiliarão a obter informações sobre outros répteis.

Na Aula 11, você vai ver que “conhecer o equipamento a ser utilizado é fun-
damental na hora de pescar”. Nessa aula, você encontrará o significado da
expressão “artes de pesca”, algumas informações sobre a diversidade de ape-
trechos utilizados, bem como dados sobre a relação entre o tipo de aparelho
e o comportamento da espécie a ser capturada.

Por fim, na Aula 12, você vai ver o significado da expressão “estoque pes-
queiro”, bem como informações sobre as categorias de pesca e explotação
pesqueira. Além disso, são apresentados alguns comentários sobre esforço de
pesca e sobrepesca, como orientação no sentido de se alcançar o uso susten-
tável do recurso natural “peixe”.
Projeto instrucional

Disciplina: Biologia Aquática e Pesqueira (Carga horária: 45h)

Ementa: Noções de nomenclatura biológica; Características gerais e sistemas dos fi-


los: Mollusca, Arthropoda (subfilo Crustacea), Chordata: classe Chondrichthyes, classe
Osteichthyes, classe Amphibia, classe Reptilia (ordem Chelonia); Ecologia trófica em
peixes; Artes de pesca; Noções de estoque pesqueiro e captura máxima sustentável.

CARGA
AULA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM HORÁRIA
(horas)

1. A questão da Conhecer as principais regras de nomenclatura biológica e suas aplicações.


5
sistemática biológica Identificar os mais importantes grupos animais.

Conhecer as diversas características morfológicas e fisiológicas dos moluscos.


Entender a relação entre as estruturas morfológicas e sua fisiologia.
2. O que é um molusco? 4
Relacionar a morfologia e fisiologia dos moluscos com o seu modo de vida e
relações com os ambientes onde estão adaptados.

Caracterizar a diversidade de moluscos do Brasil.


3. Quais moluscos você
Identificar moluscos de maior frequência na fauna brasileira 4
conhece?
e de maior manejo humano.

Conhecer as diversas características morfológicas e fisiológicas dos crustáceos.


4. O que é um Entender a relação entre as estruturas morfológicas e sua fisiologia.
4
crustáceo? Relacionar a morfologia e fisiologia dos crustáceos com o seu modo de vida e
relações com os ambientes onde estão adaptados.

Conhecer um pouco da diversidade de crustáceos do Brasil, com ênfase em algu-


5. Quais crustáceos você mas regiões.
4
conhece? Identificar crustáceos de maior frequência na fauna brasileira e de maior manejo
humano.

Conhecer aspectos morfológicos dos cordados para identificar seus representantes.


6. Os cordados 3

Identificar a morfologia externa geral dos peixes.


7. Os peixes Conhecer a estrutura e o funcionamento dos diversos sistemas dos peixes. 5
Compreender a reprodução dos peixes.

Conhecer um pouco da diversidade de peixes do Brasil.


8. Quais peixes você
Identificar peixes de maior frequência na fauna brasileira e de importância para a 4
conhece?
pesca, cultivo e consumo humano.

Identificar a morfologia externa geral dos anfíbios.


Conhecer a reprodução dos anfíbios.
9. Os anfíbios 3
Entender um pouco a diversidade de anfíbios do Brasil.

15 e-Tec Brasil
CARGA
AULA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM HORÁRIA
(horas)

Identificar a morfologia externa geral dos répteis.


10. Os répteis Entender o processo reprodutivo dos répteis. 3
Conhecer um pouco da diversidade de répteis do Brasil.

11. Conhecendo artes Conceituar artes de pesca.


3
de pesca Conhecer as artes mais utilizadas na pesca brasileira.

12. Noções de estoque Conceituar estoque pesqueiro.


3
e sustentabilidade Analisar as estimações da captura máxima sustentável.

e-Tec Brasil 16
Aula 1 – A questão da sistemática biológica

Objetivos

Conhecer as principais regras de nomenclatura biológica e suas aplicações.

Identificar os mais importantes grupos animais.

1.1 Introdução
Olá! Nossa disciplina de Biologia Aquática e Pesqueira aborda generalidades
sobre sistemática biológica, enfatiza representantes aquáticos dos diferentes
grupos animais e analisa aspectos ligados aos estoques pesqueiros e à sele-
tividade dos apetrechos de pesca.

Nesta primeira aula, você verá, por exemplo, como utilizar categorias hierár-
quicas para classificar organizadamente os seres vivos. Se bem que organizar
os seres vivos de forma hierárquica é apenas parte da sistemática biológica.
É importante que você saiba ainda da necessidade de identificá-los de ma-
neira precisa e singular para que as informações sobre os mesmos possam
ser convenientemente catalogadas e organizadas.

Observe o a situação-exemplo no Box a seguir.

Ao entrar no Mercado Público do Ver-o-Peso, em Belém do Pará e procu-


rar pela pescadinha-gó, um peixe bastante comum em toda a costa atlântica
do nosso país, você facilmente será entendido pelos comerciantes de peixe.
Porém, o mesmo não ocorrerá no Mercado Público do Rio Grande, no estado
do Rio Grande do Sul, pelo menos se procurá-lo pelo nome pescadinha-gó.
A mesma espécie é mais conhecida, por exemplo, nas regiões Sudeste e Sul do
Brasil como pescadinha real ou pescada-foguete. Por outro lado, é conhecida
como King weakfish em inglês, pescadilla real em espanhol, acoupa chaesseur
em francês, considerando-se apenas alguns idiomas. Porém seu nome cientí-
fico, Macrodon ancylodon, é o mesmo em qualquer lugar do mundo.

Aula 1 – A questão da sistemática biológica 17 e-Tec Brasil


Agora você já pode facilmente entender que o uso de um nome científico
para cada espécie corresponde a uma padronização mundial, evitando pro-
váveis confusões geradas pela existência de diferentes termos populares que
variam de uma região para outra.

Você conhece algum caso em que o nome de um mesmo ser vivo é diferente
de uma região para outra, ou mesmo, algum caso em que um mesmo nome
é utilizado para diferentes seres vivos? Comente.

1.2 Nomenclatura
A designação de uma espécie é feita por dois termos latinos ou latinizados
(nomenclatura binominal).

• O primeiro nome, geralmente um substantivo, corresponde ao gênero e


deve ser escrito com letra inicial maiúscula.

• O segundo nome é um adjetivo que representa o epíteto específico, sen-


do grafado com inicial minúscula.

• O nome científico, a partir do gênero, deve ser grifado, ou seja, destaca-


do no texto onde aparece, podendo tanto ser impresso em itálico (letra
inclinada) como em sublinhado.

Ex.1: No nome científico do caranguejo-uçá Ucides cordatus, o termo “Uci-


des” designa o gênero e o termo “cordatus”, o epíteto específico.

Ex.2: No nome científico do tambaqui Colossoma macropomum, o termo “Co-


lossoma” designa o gênero e o termo “macropomum”, o epíteto específico.

Se o autor da descrição de uma espécie for mencionado, seu nome deverá


aparecer em seguida ao epíteto específico (termo específico) sem pontuação
e sem grifo; o ano em que ele descreveu a espécie virá após seu nome, pre-
cedido de uma vírgula:

Ex.3: Ucides cordatus Linnaeus, 1763.

Ex.4: Colossoma macropomum Cuvier, 1818.

e-Tec Brasil 18 Biologia Aquática e Pesqueira


O próximo exemplo será apresentado por você. Pesquise na internet uma espé-
cie de organismo aquático de seu interesse e a escreva, de acordo com as regras
de nomenclatura, acompanhada das referências de autor e ano da descrição.

1.3 Os sete grupos básicos de classificação


Agora que você já sabe a importância e a lógica do uso da nomenclatura,
Para ajudá-lo na sua leitura
vamos entender um pouco sobre os grupos hierárquicos de classificação dos desse texto, acesse o artigo
Glossário sobre ecossistema
seres vivos. Os termos caranguejo-uçá, camarão da malásia, tambaqui, e aquático – Zoologia, disponível
corvina referem-se a espécies diferentes. Uma espécie, segundo a definição no link <http://www.cadernos.
ecologia.furg.br/images/
mais usual, é formada por um grupo de indivíduos muito semelhantes e artigos/05_sandra_CAB.pdf>.
capazes de cruzar entre si, gerando descendentes férteis. Algumas espécies Acesso em: 15 out. 2010.

diferentes podem cruzar entre si, mas os filhos são geralmente estéreis.

Com base na espécie, foram organizados outros grupos taxonômicos, que


reúnem seres vivos com graus de semelhança cada vez menores.

Espécies muito parecidas podem ser reunidas no grupo gênero; neste, o


grau de semelhança é menor que na espécie. Gêneros afins formam famílias
e estas compõem ordens, que se reúnem em classes. Os filos (ou divisões)
são compostos por classes semelhantes. Os diversos filos ou divisões são reu-
nidos em reinos. Além dessas categorias, muitas vezes utilizamos táxons in-
Táxons
termediários, tais como subfilo, subordem, infraordem, superfamília, subfa- As unidades utilizadas em
mília, subgênero, subespécie. sistemática. São também
denominados taxa (plural de
taxon em latim) e podem ocupar
Utilizando o tambaqui como exemplo, teríamos a seguinte classificação hie- qualquer nível de um sistema
de classificação: reinos, ordens,
rárquica: Reino Animalia, Filo Chordata, Subfilo Vertebrata, Superclasse Pis- famílias, gêneros e subgêneros
são alguns táxons.
ces, Classe Osteichthyes, Ordem Characiformes, Família Characidae, Gênero
Colossoma, Espécie Colossoma macropomum.

I. Qual a ordem hierárquica (decrescente) dos sete grupos básicos de clas-


sificação biológica?

II. Se reunirmos as famílias Loricariidae (acaris), Ariidae (gurijuba),


Pimelodidae (piramutaba, dourada e filhote) e Ictaluridae (bagre-americano),
veremos que todos são peixes de corpo nu, envolto por pele espessa, ou
coberto por placas ósseas; portanto, pertencem a (ao) mesma (o):

Aula 1 – A questão da sistemática biológica 19 e-Tec Brasil


a) espécie.

b) ordem.

c) subespécie.

d) família.

e) gênero.

III. Se reunirmos as ordens Siluriformes (acaris, gurijuba, piramutaba e fi-


lhote), Perciformes (tucunarés, tilápias, pescadas e pargo) e Mugiliformes
(tainhas), veremos que todos são peixes de escamas dérmicas, com guelras
protegidas e com nadadeiras medianas e pares sustentadas por raios cartila-
ginosos ou ósseos; portanto, pertencem a (ao) mesma (o):

a) espécie.

b) classe.

c) ordem.

d) família.

e) gênero.

A vida surgiu na água há aproximadamente quatro bilhões de anos. Muitas


espécies se extinguiram e outras evoluíram até as formas atuais, que incluem
Por convenção internacional,
o nome oficial de uma família representantes aquáticos e terrestres. Em nosso curso precisamos estudar
animal sempre apresenta o espécies atuais que integram o reino animal, com ênfase nos seus represen-
sufixo IDAE. Já uma subfamília
animal tem seu nome tantes aquáticos.
terminando em INAE.

1.4 O reino Animalia

O reino Animalia ou Metazoa abrange todos os animais, seres eucariontes,


pluricelulares e heterótrofos. Como vimos anteriormente, nos grupos hie-
rárquicos, um reino é composto por filos. Assim, os componentes do reino
animal são organizados em numerosos filos, dos quais destacaremos os mais
interessantes quanto à biologia aquática.

1.4.1 Poríferos
Você provavelmente conhece esses animais como esponjas, a denominação
mais popular. São animais assimétricos ou radiais, sésseis (fixos ao substra-
to), filtradores, com numerosos poros na parede do corpo. Fazem parte da

e-Tec Brasil 20 Biologia Aquática e Pesqueira


macrofauna bentônica. As esponjas não possuem órgãos e têm como prin-
cipais células: coanócitos, amebócitos, arqueócitos, pinacócitos e porócitos.
Bentônica
relativa aos bentos, que são
comunidades de organismos que
vivem no fundo do mar, desde
as praias até as profundezas
abissais. Suas vidas estão ligadas
a algum substrato.

Figura 1.1: Poríferos fixos a um substrato no fundo do mar


Disponível em: <http://www.cadernos.ecologia.furg.br/images/artigos/05_sandra_CAB.pdf>. Acesso em: 15 out. 2010.

1.4.2 Cnidários
Os animais deste filo podem ser muito perigosos devido às substâncias ur-
ticantes que fabricam e que podem causar queimaduras às pessoas que
entram em contato. Seus representantes mais característicos são as águas-
vivas, caravelas, hidras, corais e anêmonas-do-mar.

Os cnidários (do grego knidos = urticantes) são animais radiais, sésseis (“póli-
pos”) ou móveis (“medusas”). Caracterizam-se pelas células urticantes conhe-
cidas como cnidoblastos, úteis na defesa e na captura de alimentos (pequenos
animais). Outra importante característica é a grande cavidade gastrovascular
ou enteron. Os cnidários são os primeiros animais na escala evolutiva que
apresentam sistema digestivo (incompleto) e sistema nervoso (difuso).

Sistema Nervoso Difuso é o sistema constituído por uma rede de células


nervosas, mas sem que haja regiões com maior concentração de neurônios
e sinapses, ou seja, não há gânglios nem cérebro.

Os tipos morfológicos dos cnidários (pólipo e medusa) são apresentados nas


Figuras 8 e 9.

Aula 1 – A questão da sistemática biológica 21 e-Tec Brasil


Figura 1.2: Colônia de pólipos: cada indivíduo como uma haste cilíndrica, com uma
extremidade apoiada em um substrato e a outra livre, onde se encontra a
boca rodeada de tentáculos.
Disponível em:<http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/coelenterata/coelenterata.php> Acesso em: 28 out. 2010.

Figura 1.3: Medusa: arredondada ou em forma de guarda-chuva, deslocando-se livre-


mente. A boca localiza-se na face inferior; tentáculos ao redor da boca e
na periferia do corpo.
Disponível em:<http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/coelenterata/coelenterata.php> Acesso em: 28 out. 2010.

e-Tec Brasil 22 Biologia Aquática e Pesqueira


1.4.3 Ctenóforos
Estes animais provavelmente se originaram de cnidários medusóides (forma
de medusa), com os quais muito se assemelham. Os ctenóforos constituem
um pequeno filo de animais marinhos com cerca de apenas 80 espécies. A
cavidade gastrovascular tem a forma de um sistema de canais. O corpo é
esférico ou oval e dividido em secções iguais por oito eixos constituídos por
faixas ciliadas, característica a partir da qual deriva o nome do filo.

Cnidários e Ctenóforos podem ser reunidos sob a denominação de “Celen-


terados”, devido à grande cavidade gastrovascular que possuem.

Nesta atividade utilizaremos palavras cruzadas. Primeiramente, escreva na


coluna vertical em destaque o nome dado a um cnidário que vive fixo a
algum substrato.

Em seguida, responda às perguntas abaixo preenchendo as linhas corres-


pondentes.

1.

2.

3.

4.

5.

6.

1. Qual a denominação popular dos animais do filo Porífera?

2. De qual tipo morfológico de cnidários provavelmente se originaram os


ctenóforos?

3. De acordo com a hierarquia de classificação, qual a categoria formada


pela reunião de vários gêneros?

4. Qual o adjetivo utilizado para uma espécie ou toda uma comunidade que
vive no fundo de um ecossistema aquático, em contato com o substrato?

Aula 1 – A questão da sistemática biológica 23 e-Tec Brasil


5. Se o nome científico (a espécie) do camarão branco do Atlântico é Lito-
penaeus schmitti, qual é o seu gênero?

6. Como é chamada a célula urticante, característica dos cnidários?

1.4.4 Platelmintos
Você certamente já ouviu falar ou mesmo estudou sobre os vermes conhe-
cidos como tênias – as solitárias. Muito bem. Todos os vermes de corpo
chato, como as solitárias, pertencem ao filo dos platelmintos (do grego platy
= achatado; helminthes = verme). São, portanto, animais bilaterais, carac-
terizados como vermes de corpo achatado no sentido dorso-ventral. Nesse
grupo passamos a observar centralização do sistema nervoso na região cefá-
lica. Entre os platelmintos mais populares, além das solitárias, encontramos
as planárias (vermes achatados de vida livre) e os esquistossomos (parasitas
de veias do fígado e intestino).

Quanto aos platelmintos que parasitam peixes, diversas espécies do gênero


Diphyllobothrium são conhecidas também por infectar seres humanos, po-
rém o Diphyllobothrium latum é o mais freqüente. Suas larvas são encontra-
das em crustáceos e peixes. O homem e outros mamíferos, como os ursos,
são infectados ao ingerir peixes contaminados e passam a abrigar a forma
adulta do verme no intestino.

1.4.5 Asquelmintos
Agora vamos ver os asquelmintos. Você já ouviu falar sobre esses seres?
Bem, eles são animais bilaterais, caracterizados como vermes de corpo ci-
líndrico, revestido por uma cutícula protetora. É como se o verme estivesse
empacotado, dentro de um saco (asIkon = saco; helminthes = verme).

Na realidade o termo asquelmintos não corresponde a um filo, mas sim um


adjetivo aplicado a alguns filos de vermes. Dentre estes filos, merecem desta-
que Nematodas e Acantocéfalos, pelo fato de incluírem várias espécies que
podem parasitar peixes.

Um exemplo interessante é a espécie Anisakis simplex, pertencente ao filo


Nematoda. Suas larvas infectantes são encontradas em diversos peixes. Al-
guns mamíferos marinhos, e mais raramente (ou acidentalmente) o homem,
abrigam a forma adulta do verme. Alguns casos de anisaquíase (nome da
doença) já foram descritos na Europa.

e-Tec Brasil 24 Biologia Aquática e Pesqueira


1.4.6 Moluscos
Após os dois grupos de vermes, você passará a observar animais relativamen-
te mais complexos quanto à organização do corpo. O primeiro destes será o
grupo dos moluscos, animais com uma série de características interessantes.

Os moluscos (do latim mollis = mole) são invertebrados de corpo mole, não
segmentado, geralmente envolvido por uma concha calcária. Este filo com-
Um representante curioso deste
preende mais de 100.000 espécies, que se espalham pelos mais variados filo é o turu. O animal adulto
tipos de habitat. lembra a aparência de um
verme, porém na extremidade
anterior possui uma concha
Em sua maioria, vivem no mar, fixos sobre as rochas (ostras e mexilhões), com duas peças, chamadas
valvas. É um molusco bivalve,
deslocando-se ativamente (polvos e lulas) ou enterrados na areia (dentálios). como as ostras e habita troncos
podres do mangue. Também
Há, porém, alguns dulcícolas (vivem em água doce), como o caramujo Biom- conhecido como bicho-de-pau.
phalaria, hospedeiro do Schistosoma mansoni, e alguns terrestres que vivem Rico em cálcio e proteína, pode
ser comido cru com sal e limão,
em locais úmidos (caracóis e lesmas). cozido com vegetais, na sopa ou
refogado na frigideira à moda
provençal. Além de apetecer ao
paladar dos marajoaras, existe
a crença nas propriedades
afrodisíacas, do turu.

Figura 1.4: Representantes dos moluscos. A) ostra, B) caracol, C) dentálio, D) polvo, E)


quíton.
Disponível em: <http://cas.bellarmine.edu/tietjen/Laboratories/Bio%20Pix%204%20U/Image95.gif>. Acesso em: 15 out. 2010.

1.4.7 Anelidas
O termo anelida ou anelídeo (anelo = anel) indica uma das principais ca-
racterísticas desses animais: a segmentação do corpo, com repetições des-

Aula 1 – A questão da sistemática biológica 25 e-Tec Brasil


ses segmentos (em forma de anel). Esse fenômeno é chamado metameria
(meta = sucessão; meros = parte).
Metameria
significa segmentação em
metâmeros. De forma mais Os representantes mais populares deste filo são as minhocas e sanguessu-
simples, é quando uma parte
do corpo do animal se repete gas, entretanto há um número muito grande de anelídeos constituindo prin-
várias vezes. cipalmente a fauna bentônica de ecossistemas dulcícolas e marinhos. A figu-
ra 1.5, a seguir, mostra um anelídeo marinho pertencente ao gênero Nereis.

Figura 1.5: Nereis, um anelídeo marinho da classe dos poliquetas


Disponível em: <http://biology.unm.edu/ccouncil/Biology_203/Summaries/Protostomes.htm>
Acesso em: 15 out. 2010.

1.4.8 Artrópodes
Outro grupo que precisamos que você entenda é o grupo dos artrópodes.
Ele tem em comum com os anelidas o corpo segmentado (metameria), po-
rém se diferencia pelo exoesqueleto quitinoso (esqueleto externo no qual se
destaca uma substância chamada quitina) e principalmente pelos apêndices
articulados, como as pernas, por exemplo (daí o nome do filo: artro = arti-
culação; podos = patas).

Os artrópodes formam o mais numeroso e um dos mais diversificados gru-


pos de animais; há mais espécies de artrópodes que de todos os outros
animais reunidos.

Tradicionalmente, o filo Arthropoda era dividido em cinco classes:

Insecta (insetos: mosquitos, gafanhotos, barbeiros, borboletas, pulgas, abe-


lhas, formigas etc.);

e-Tec Brasil 26 Biologia Aquática e Pesqueira


Crustacea (crustáceos: camarões, lagostas, siris, caranguejos etc.);

Arachnida (aracnídeos: aranhas, escorpiões, carrapatos etc.);

Chilopoda (quilópodes: lacraia);

Diplopoda (diplópodes: piolho de cobra ou embuá).

Hoje, existem outras propostas de classificação. Em uma delas, considera-se


que os crustáceos formam um subfilo (Crustacea ou Biramia, por serem dota-
dos de apêndices birremes, ou seja, divididos em dois ramos na extremidade);
os aracnídeos formam uma classe do subfilo Chelicerata (quelicerados: “por-
tadores de quelíceras”); os insetos formam uma classe do subfilo Uniramia
(“dotados de apêndices unirremes”, isto é, sem ramificações), que também
inclui as classes Chilopoda e Diplopoda.

Figura 1.6 – Diversidade dos artrópodes.


Disponível em: <http://www.animalshow.hpg.ig.com.br/artrop.htm>. Acesso em: 15 out. 2010.

Aula 1 – A questão da sistemática biológica 27 e-Tec Brasil


Nesta atividade novamente utilizaremos palavras cruzadas. Então, responda
às perguntas abaixo preenchendo as linhas correspondentes.

1. A

2. Q

3. U

4. Á

5. T

6. I

7. C

8. O

1. Qual a outra denominação do subfilo Crustacea?

2. Se, acidentalmente, um homem for parasitado pelo verme Anisakis sim-


plex, como será chamada a doença?

3. Como é conhecido o molusco que parece um verme leitoso, mas é capaz


de perfurar troncos, principalmente no mangue?

4. Qual o grupo de artrópodes mais importante para a Biologia Aquática e


Pesqueira?

5. Qual a característica comum mais marcante entre anelídeos e artrópo-


des?

6. Qual a denominação popular do principal representante terrestre dos


anelídeos?

7. O que a maioria dos moluscos apresenta externamente ao corpo?

8. Qual a denominação popular comum aos vermes das espécies Taenia


solium, Taenia saginata e Diphyllobothrium latum?

e-Tec Brasil 28 Biologia Aquática e Pesqueira


1.4.9 Equinodermas
Os equinodermas (do grego echinos = espinhos; derma = pele) são animais
exclusivamente marinhos, deuterostômios, dotados de um endoesqueleto
Deuterostômios:
calcário, muitas vezes provido de espinhos salientes, que justificam o nome os animais nos quais a forma-
zoológico do grupo. Entre os equinodermas encontramos as estrelas-do- ção da boca ocorre em época
posterior à do ânus, durante
mar, os ouriços-do-mar, os pepinos-do-mar e os lírios-do mar, entre outros. o desenvolvimento. São deu-
terostômios os representantes
dos equinodermos e cordados.

Figura 1.7: Fotografia de uma estrela-do-mar.


Disponível em:<http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos3/Equinodermos.php>. Acesso em: 28 out. 2010.

O tamanho dos equinodermos varia bastante; o diâmetro da estrela-do-mar


(figura acima), por exemplo, medido de uma ponta a outra de seus braços,
pode ser de alguns centímetros a até um metro, dependendo da espécie.

1.4.10 Cordados
Os cordados são animais adaptados para a vida aquática e terrestre. São deu-
terostômios e bilaterais. Dividem-se em: protocordados e eucordados. Os pro-
tocordados são destituídos de coluna vertebral e de caixa craniana. Já os eucor-
dados, ou vertebrados, possuem coluna vertebral e têm crânio com encéfalo.

As características diferenciais e exclusivas, que permitem o enquadramento


de um animal no grupo dos cordados e que estão presentes pelo menos
no desenvolvimento embrionário, são a notocorda (um cordão de células

Aula 1 – A questão da sistemática biológica 29 e-Tec Brasil


que se forma acima do intestino primitivo, representando o primeiro eixo de
sustentação do animal), as fendas branquiais (pequenos orifícios que se
formam na faringe do embrião e que, quando persistentes, se prestam à res-
piração e, algumas vezes, filtração de alimentos) e o tubo nervoso dorsal
(do qual se origina o sistema nervoso central).

Apesar da grande variabilidade observada na figura a seguir, todos os ani-


mais apresentados são cordados, pois obedecem à descrição apresentada
acima quanto às três características exclusivas deste filo.

Figura 1.8: Diversidade dos cordados


Disponível em: <http://www.moderna.com.br/moderna/didaticos/em/biologia/temasbio/transparencias/organismos_13.pdf>.
Acesso em: 15 out. 2008.

Para muitos autores também devemos considerar característica diferencial


dos cordados a ocorrência de cauda pós-anal, ou seja, apenas neste grupo
Para ajudá-lo na sua
leitura desse texto, visite o de animais a cauda estende-se além do ânus (ou após o ânus).
endereço abaixo e encontre
informações interessantes
sobre classificação e regras de As noções de nomenclatura e classificação dos seres vivos que você estudou
nomenclatura zoológica: no início desta aula são aplicadas para facilitar o estudo dos diversos grupos
<http://www.avesmarinhas.
com.br/Nomenclatura%20 do reino dos animais. O objetivo da classificação é organizar grupos de orga-
zool%F3gica.pdf>
Nota: O material está nismos que, além de suas semelhanças na aparência, descendam, por evo-
disponível para download. lução, de um mesmo ancestral. Peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos,

e-Tec Brasil 30 Biologia Aquática e Pesqueira


por exemplo, pertencem ao mesmo filo, o que significa que esses animais
evoluíram de antepassados dos cordados atuais.

Resumo

Nesta aula, você viu que a classificação dos seres vivos é feita por meio de
categorias hierárquicas, conheceu as principais regras de nomenclatura bio-
lógica e constatou que a utilização de um nome científico para cada espécie
é uma tentativa de padronização, para evitar possíveis confusões geradas
pelo uso de diferentes nomes populares, que variam entre idiomas e mesmo
dentro de um idioma quando abordado em diferentes regiões. Viu ainda a
descrição geral dos maiores filos que integram o reino animal, com ênfase
nos seus representantes aquáticos. Em relação à nossa área de estudo, são
particularmente interessantes os filos dos moluscos; artrópodes, por conta
dos crustáceos; e cordados, principalmente por incluírem os peixes.

Atividade de aprendizagem

Estamos chegando ao final da nossa 1ª aula. E então? Você já consegue


aplicar as principais regras de nomenclatura biológica e identificar os grupos
de animais mais importantes para o seu curso?

1. Explique a expressão: “A espécie é binominal”.

2. Leptodactylus labyrinthicus é um nome aparentemente complicado para


um anfíbio que ocorre em brejos de diversos pontos do Brasil. Justifique
o uso do nome científico em vez de identificar o anfíbio como “rã-pimen-
ta”, como fazem os pescadores.

3. Pargo é a denominação popular para algumas espécies do gênero Lutja-


nus. Uma dessas espécies foi descrita por Poey, em 1875, e tem como
epíteto específico o termo purpureus. Vamos supor que você está escre-
vendo um relatório sobre a pesca dessa referida espécie de pargo em
um determinado ponto do litoral brasileiro. Como devem ser reunidas e
escritas as informações acima, de acordo com as normas internacionais
de nomenclatura?

Aula 1 – A questão da sistemática biológica 31 e-Tec Brasil


4. Explique com as suas palavras como são os moluscos.

5. Entre os artrópodes, a classe dos crustáceos é a mais importante para


nossa área de estudo. Então, como você diferencia os crustáceos dos
demais artrópodes?

6. Quais as três características diferenciais dos cordados?

e-Tec Brasil 32 Biologia Aquática e Pesqueira


Aula 2 – O que é um molusco?

Objetivos

Conhecer as diversas características morfológicas e fisiológicas dos


moluscos.

Entender a relação entre as estruturas morfológicas e sua fisiologia.

Relacionar a morfologia e fisiologia dos moluscos com o seu modo


de vida e relações com os ambientes onde estão adaptados.

2.1 Organização
Na primeira aula você teve contato com as noções de nomenclatura e clas-
sificação de seres vivos, além de um resumo de diversos grupos ou filos que
constituem o reino dos animais. Muito bem, a partir de agora passaremos a
destacar cada um dos filos animais que merecem maior importância na área
de recursos pesqueiros.

O primeiro destaque será para os moluscos, animais estudados na Mala-


cologia. Isso mesmo. Chamamos de Malacologia a ciência que estuda os
moluscos. Então, nesta aula, você verá que alguns animais, provavelmente já
utilizados na sua alimentação, como ostra, mexilhão, lula, polvo, ou mesmo
escargot, e que são alimentos de alto valor nutritivo, são animais do grupo
dos moluscos. Mas, o que eles têm em comum, para serem reunidos nesse
filo do reino animal? Ao longo desta aula você encontrará os detalhes da
anatomia externa e interna que identificam um animal como molusco, bem
como informações básicas, porém indispensáveis, sobre o funcionamento de
seus diversos sistemas.

Os moluscos são animais de corpo mole, não segmentado e geralmente


protegido por uma concha de material calcário. O corpo desses animais é
dividido em três regiões: cabeça ou região cefálica, pé e massa visceral. Ob-
serve a Figura 2.1 para entender melhor.

Aula 2 – O que é um molusco? 33 e-Tec Brasil


DIAGRAMA ESQUEMÁTICO DE UM GASTRÓPODE
Glândulas digestivas
Glândulas sexuais
Concha
Coração
Manto

Brânquia
Estômago Orifício urogenital

Rádula
(língua rugosa)
Gânglios nervosos Pé

Figura 2.1: Esquema geral de molusco semelhante a caracol.


Fonte: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/filo-mollusca/imagens/diagrama-esquem%E1tico-de-um-gastropodeg.
jpg>. Acesso em: 29 out. 2010.

Ao longo da evolução, essas partes sofreram mudanças e passaram a ser


diferentes em cada grupo de moluscos, principalmente como adaptação ao
modo de vida e ambiente ocupado pelo animal.

A cabeça ocupa uma posição anterior, onde se abre a boca, entrada do tubo
digestivo. Na cabeça também se localizam centros nervosos, como os gân-
glios cerebrais (equivalentes ao cérebro do animal) e estruturas sensoriais,
como os olhos.

O pé tem localização ventral (parte de baixo do animal) e corresponde à es-


trutura muscular mais desenvolvida dos moluscos, podendo ser usado para
deslocar, cavar, capturar presas ou mesmo fixar o animal.

Todo o restante do corpo recebe o nome de massa visceral, pois abriga a


maioria e os principais órgãos internos ou vísceras.

A massa visceral é revestida por uma dobra da epiderme chamada manto ou


pálio (você pode ver na Figura 2.1), que produz os componentes calcários
da concha. O manto também delimita uma cavidade entre ele e a massa
visceral, chamada cavidade palial ou cavidade do manto. Nela estão as aber-
turas dos sistemas digestivo e excretor, além de brânquias (ou pulmões, nas
espécies terrestres).

e-Tec Brasil 34 Biologia Aquática e Pesqueira


A concha calcária corresponde a um exoesqueleto, revestindo o corpo. No
caracol, ela é composta de uma peça só (univalve = uma valva = peça única)
e na ostra de duas (bivalve = duas valvas). Na lesma e no polvo, está ausente.
A lula tem uma concha interna e muito reduzida, sendo geralmente chama-
da de pena ou gládio.

Em geral, a ostra deixa sua concha aberta por pouco tempo. Quando algum
inimigo se aproxima, ela imediatamente a fecha graças à ação de um pode-
roso músculo adutor. Ele prende o corpo da ostra à parte interna das valvas
da concha e promove o fechamento até que o perigo passe.

O movimento dos moluscos depende da musculatura do pé, que pode ser


usado para rastejar, nadar ou cavar. No polvo e na lula, ele está transformado
em tentáculos. Por sinal, além de rastejarem, utilizando seus tentáculos, os
polvos e lulas deslocam-se por propulsão de jatos de água emitidos por um
sifão, formado pela cavidade do manto, como você pode ver na Figura 2.2.

Jato de água lançado


para a frente provocando
deslocamento para trás.

Jato de água lançado


para trás provocando
deslocamento para a frente.

Figura 2.2: Esquema da locomoção de uma lula


Fonte: Marczwski e Vélez (1999).

Aula 2 – O que é um molusco? 35 e-Tec Brasil


Em animais que vivem fixos a algum substrato, como os mexilhões, o pé
fabrica uma substância que endurece em contato com a água e forma fios
que aderem o molusco ao substrato. Essa região do pé formada pelos fios de
fixação é chamada bisso e pode ser vista na Figura 2.3, a seguir.

manto
sifão

bisso brânquias

Figura 2.3: Mexilhão Mytilus edulis fixa-se às superfícies por um conjunto de


filamentos chamado de bisso

Grande parte dos moluscos vive no mar (lulas, polvos e a maioria dos maris-
cos). Alguns vivem em terra (lesmas e caracóis); outros vivem em água doce
(caramujos dos rios).

Os moluscos são importantes para nossas vidas sob diversos aspectos. Muitos
deles, tais como ostras, mexilhões, polvos, lulas e escargots, são utilizados na
nossa alimentação há bastante tempo. Os moluscos participam de cadeias
alimentares, consumindo outros seres, como plantas e animais menores, e ser-
vindo de alimento para diversos peixes ou mesmo diretamente para o homem.

Em algumas ostras, pequenas partículas de areia e outros corpos estranhos


podem se instalar entre o manto e a concha. Parte do manto envolve a par-
tícula, formando uma cobertura circular que passa a depositar carbonato de
cálcio em camadas mais ou menos concêntricas ao redor da partícula. Grada-
tivamente mais e mais material se deposita, formando-se a pérola (Figura 2.4).

e-Tec Brasil 36 Biologia Aquática e Pesqueira


Figura 2.4: Ostra com pérolas formadas
Fonte: <http://img130.imageshack.us/img130/3120/islama38af7.jpg>. Acesso em: 15 out. 2010.

A formação da pérola pode ser induzida artificialmente com a introdução


de um fragmento de concha envolvido por um retalho de manto, entre a
concha e o manto de uma ostra. São as “pérolas cultivadas”.

Responda às questões que seguem.

I. I. O pé dos moluscos é uma estrutura muscular, de localização ventral,


que pode adaptar-se a variadas funções. Nesse sentido, identifique um
exemplo de molusco em que o pé desempenha cada uma das funções
abaixo.

a) Fixação:

b) Locomoção:

II. As ostras, pertencentes ao filo Mollusca e classe Bivalvia, são de grande


interesse econômico para o homem por diversas razões. As ostras perlí-
feras despertam interesse econômico pelo fato de poderem desenvolver
entre o manto e a concha as famosas pérolas. Sobre esses organismos,
responda:

a) Como são formadas as pérolas naturais?

b) Qual a importância do processo de formação de pérolas para as ostras?

Aula 2 – O que é um molusco? 37 e-Tec Brasil


2.2 Digestão
O tubo digestivo é completo: boca, estômago, glândula digestiva e intestino,
que se abre pelo ânus. Muitos moluscos apresentam na boca uma estrutura
característica do grupo, semelhante a uma língua com pequenos dentes de
quitina, a rádula (visível na Figura 2.1). Com esse órgão, o animal raspa algas
e outros alimentos presos nas pedras e nas conchas de outros moluscos e os
envia para o tubo digestivo. Apresentam, ainda, o hepatopâncreas (fígado +
pâncreas), uma importante glândula digestiva. Os moluscos filtradores, que se
alimentam de plâncton, como as ostras e o mexilhão, não apresentam rádula.

Que tal palavras cruzadas?

1. P

2. O

3. L

4. V

5. O

1. Epitélio que reveste a massa visceral e secreta a concha dos moluscos.

2. Glândula digestiva que acumula as funções de fígado e pâncreas.

3. Estrutura típica de moluscos, funcionando como uma língua com dentes.

4. Tipo de concha das ostras, de acordo com o número de valvas.

5. Músculo que conecta as duas valvas da concha dos mexilhões e ostras.

2.3 Circulação
O metabolismo de um animal requer o constante suprimento de alimento
e oxigênio molecular para as células. Por outro lado, o funcionamento das
células produz substâncias que devem ser excretadas. A difusão de partículas
entre as células não é suficiente para o trânsito das substâncias dentro do or-
ganismo. O aparelho circulatório realiza o transporte, entre longas distâncias,
de moléculas de um ponto a outro de um organismo multicelular.

e-Tec Brasil 38 Biologia Aquática e Pesqueira


Na maioria dos moluscos, a circulação é aberta. Isso quer dizer que o sangue
percorre vasos, mas também extravasa dos mesmos para cavidades denomi-
nadas hemoceles, nas quais banha diretamente os órgãos.

No polvo e na lula, a circulação é fechada: o sangue circula sempre dentro de


vasos, e as trocas de alimento e gases ocorrem entre os capilares e os tecidos.

O pigmento respiratório no sangue dos moluscos é geralmente a hemocianina


(de cor azulada), mas existem alguns que possuem a hemoglobina (de cor
vermelha, como no nosso sangue).

2.4 Excreção
O sistema excretor dos moluscos é formado por estruturas chamadas nefrí-
dios, que quando reunidos formam rins primitivos. Cada nefrídio é consti-
tuído por três partes: nefróstoma, a extremidade ciliada voltada para a inti-
midade do animal; nefroduto, o canal que conduz o produto de excreção;
nefridióporo, a extremidade externa do órgão. Na Figura 2.5 você pode ver
um nefrídio isolado, porém não esqueça que na maioria dos moluscos essas
estruturas são numerosas e se agrupam para funcionar como rins.

Figura 2.5: Esquema de um nefrídio


Fonte: Marczwski e Vélez (1999).

Aula 2 – O que é um molusco? 39 e-Tec Brasil


2.5 Respiração
Como mencionado anteriormente, o metabolismo de um animal requer o
constante suprimento de alimento e gás oxigênio para as células. O aparelho
respiratório é o responsável pela obtenção desse gás a partir do ambiente,
bem como pela eliminação do gás carbônico proveniente das células. Na
maioria dos moluscos, a respiração se faz através de brânquias, chamadas
ctenídios (Figura 2.6). Essas brânquias são localizadas na cavidade palial e
retiram o oxigênio dissolvido na água, que é levado pelo sangue para todas
as células do corpo. O gás carbônico segue caminho inverso.

sifão exalante

fluxo da água

sifão inalante

Figura 2.6: Esquema da respiração branquial de uma ostra


Fonte: Marczwski e Vélez (1999).

Em alguns caracóis (terrestres) e caramujos de água doce, a cavidade palial


transforma-se em uma câmara cuja parede é irrigada de sangue. Essa câmara
funciona como um pulmão primitivo, retirando oxigênio do ar atmosférico.

Estatocistos 2.6 Coordenação


órgãos estáticos localizados no Os moluscos apresentam um sistema nervoso constituído por gânglios in-
pé ou na cabeça do molusco,
para a percepção da gravidade, terligados por condões nervosos. Esse sistema é particularmente desenvol-
capazes de detectar mudanças vido nos polvos e lulas. Na sua constituição destacam-se os gânglios ce-
na posição do corpo, o que
facilita a manutenção rebrais (ou cerebroides) diretamente ligados a estruturas sensitivas: olhos,
da postura e do equilíbrio.
estatocistos (relacionados ao equilíbrio), tentáculos e osfrádios (relacio-
Osfrádios nados à quimiorrecepção).
são como manchas de epitélio
sensorial localizadas na
margem posterior de cada uma Existem, ainda, massas de gânglios distribuídas pelas principais regiões do
das membranas branquiais
aferentes. Eles funcionam como corpo, como gânglios pediais (no pé) e gânglios viscerais (na massa visceral).
quimiorreceptores e também
determinam a quantidade de
sedimentos na corrente inalante.

e-Tec Brasil 40 Biologia Aquática e Pesqueira


O polvo e a lula têm olhos bem desenvolvidos, semelhantes aos dos verte-
brados e capazes de formar imagens. Em outros moluscos, como as ostras e
Os polvos e as lulas são dotados
mexilhões, os órgãos visuais são mais simples e capazes apenas de captar a de uma glândula produtora
presença de luz. de tinta escura, que pode ser
esguichada, turvando a água
e prejudicando a visão e o
olfato de eventuais predadores.
Apresentam, também,
2.7 Reprodução cromatóforos, que são estruturas
epidérmicas portadoras
A reprodução dos moluscos é sexuada. Nos representantes aquáticos, há es- de pigmentos capazes de
pécies monoicas (hermafroditas) e espécies dioicas (de sexos separados, como determinar a mudança de
coloração do animal, de maneira
o mexilhão), com fecundação externa. A forma mais comum de desenvolvi- a camuflá-lo no ambiente em
que se encontra. A emissão de
mento é o indireto, ou seja, com a ocorrência de estágios larvais. As larvas de tintas e a mudança de cor são,
moluscos mais conhecidas são a trocófora e a véliger (ou larva velígera), que portanto, mecanismos de defesa
do animal.
você pode ver no ciclo de vida de uma ostra mostrado na Figura 2.7.

Figura 2.7: Ciclo de vida de uma ostra


Fonte: Matias (2010). Disponível em: <http://ipimar-iniap.ipimar.pt/projectos/biotecmar/Documentos/2010/Apresenta-
cao%20BIOTECMAR_Domitilia_Matias.pdf>. Acesso em: 31 out. 2010.

O caramujo-de-jardim, por exemplo, é hermafrodita, com fecundação inter-


na e cruzada. Na cópula, dois indivíduos aproximam-se e encostam seus po-
ros genitais, pelos quais se fecundam reciprocamente. Os ovos desenvolvem-
se e, ao eclodirem, liberam novos indivíduos sem a passagem por fase larval
(desenvolvimento direto).

Aula 2 – O que é um molusco? 41 e-Tec Brasil


Que tal palavras cruzadas?

1. C

2. A

3. R

4. A

5. C

6. O

7. L

1. Proteína azulada que transporta oxigênio no sangue da maioria dos moluscos.

2. Como é chamado o tipo de mecanismo de defesa utilizado pelos polvos


por meio dos cromatóforos?

3. Um exemplo de molusco filtrador.

4. Qual o tipo predominante de respiração dos moluscos?

5. Nome de uma das principais larvas observadas no desenvolvimento de


mexilhões e ostras.

6. Como também são conhecidas as brânquias dos moluscos?

7. Um exemplo de molusco de sexos separados.

Os moluscos estão entre os invertebrados com maior nível de especialização


de organização do corpo, o que justifica sua adaptação por variados habi-
tats, bem como a existência de mais de 80.000 espécies nesse filo, o segun-
do maior no reino animal. Na Aula 3, destacaremos alguns dos moluscos de
maior interesse para os recursos pesqueiros.

e-Tec Brasil 42 Biologia Aquática e Pesqueira


Resumo
Você pode ler mais sobre a
Nesta aula, você viu que os moluscos são animais de corpo mole, não seg- anatomia e fisiologia dos
moluscos no seguinte endereço:
mentado e geralmente envolvido por uma concha de natureza calcária. Seus <http://malaconet.
representantes estão entre os animais invertebrados mais conspícuos e in- br.tripod.com/osmoluscos_
anatomia&fisiologia.htm>.
cluem formas bastante familiares. Esse filo é um dos poucos grupos de inver- Esse site também lhe permite
tebrados com certa popularidade entre leigos e colecionadores amadores. obter informações sobre
filogenia e classificação.
Várias espécies, principalmente do mar, são utilizadas como alimento (ostras,
mexilhões, polvos, lulas), porém há espécies dulcícolas comestíveis (mexi-
lhões) e outras que se destacam como hospedeiros intermediários de alguns
vermes (certos caramujos). Existem ainda espécies terrestres de caracóis e
lesmas. Algumas ostras destacam-se pela produção de valiosas pérolas.

Atividades de aprendizagem

Estamos chegando ao final da nossa 2ª aula. Então, é hora da autoavaliação.

1. Você pode ver na figura a seguir a organização geral de um molusco


gastrópode, em que se observa um corpo constituído por cabeça, massa
visceral (onde se concentram os órgãos) e pé. Com relação ao filo Mollus-
ca, é correto afirmar que:

Glândula digestiva

Concha
Massa visceral
Estômago

Tentáculo Cavidade do
manto
Cabeça

Rádula

a) não apresenta sistema digestivo completo, de forma que a digestão é


processada através de uma bolsa enzimática.

b) apresenta respiração exclusivamente branquial.

c) o sistema nervoso consiste de um anel situado em torno da boca.

Aula 2 – O que é um molusco? 43 e-Tec Brasil


d) a excreção é feita através dos túbulos de Malpighi e de glândulas locali-
zadas na base dos pés.

e) lesmas, ostras, mexilhões, lulas e polvos são moluscos.

2. Uma estrutura comum no tubo digestivo de várias classes de moluscos


é a rádula, que funciona como uma língua raspadora e trituradora de
alimentos. Porém, nos bivalves, a rádula está ausente. Por quê?

3. Para que serve o músculo adutor do mexilhão?

4. Diferencie moluscos gastrópodes e moluscos bivalves quanto à concha.

5. Descreva a locomoção de uma lula.

6. “... Os moluscos constituem um grupo muito bem sucedido na natureza.


Ocupam vários ambientes e exibem hábitos de vida bastante diversifi-
cados” (Trecho extraído do livro “Biologia” de Amabis e colaboradores,
1974, p.294).

Em relação a esse filo e baseado na observação dos diferentes hábitos mos-


trados na figura, assinale a(s) proposição(ões) VERDADEIRA(S).

( ) Como características embrionárias são celomados, deuterostômios e


apresentam simetria radial.

( ) Os gastrópodes possuem no assoalho da boca ou faringe a rádula, que


utilizam para raspar o alimento.

( ) A respiração é branquial nos animais aquáticos e pulmonar nos terrestres.

e-Tec Brasil 44 Biologia Aquática e Pesqueira


( ) O grupo dos bivalves compreende muitos animais comestíveis e importan-
tes economicamente, como os mexilhões, as ostras e os escargots.

( ) A figura representa o grupo dos bivalves, que se caracterizam por apre-


sentar uma concha formada por duas partes chamadas valvas.

( ) Baseado na figura, podemos constatar que enquanto o Pecten é um


animal de vida livre, a ostra e o Mytilus são fixos.

Aula 2 – O que é um molusco? 45 e-Tec Brasil


Aula 3 – Quais moluscos você conhece?

Objetivos

Caracterizar a diversidade de moluscos do Brasil.

Identificar moluscos de maior frequência na fauna brasileira e de


maior manejo humano.

3.1 A diversidade dos moluscos


Nesta aula, você verá que existem diversas espécies de moluscos importantes
em nossas vidas. Muitas dessas espécies se notabilizam pelo seu aproveita-
mento como recursos naturais, principalmente, no que se relaciona à área
alimentar. Algumas outras se destacam pelos danos diretos ou indiretos que
podem proporcionar ao homem. Ao longo desta aula, serão apresentadas
informações sobre algumas das espécies de moluscos que foram selecionadas
entre as que consideramos mais interessantes dentro do filo. Além disso, você
encontrará orientações que o auxiliarão a obter informações sobre muitos ou-
tros moluscos de interesse para o técnico na área de recursos pesqueiros.

O número de espécies conhecidas é realmente muito grande, menor apenas


que o de artrópodes. Distinguem-se três classes principais de moluscos: Gas-
tropoda, Bivalvia ou Pelecypoda e Cephalopoda. Além dessas, podemos
mencionar as classes Amphineura e Scaphopoda.

Como vimos na aula anterior, os moluscos são animais de corpo mole, não
segmentado e geralmente protegido por uma concha de material calcário. O
corpo desses animais é dividido em três partes: cabeça, pé e massa visceral.
Ao longo da evolução, essas partes sofreram mudanças e passaram a ser
diferentes em cada classe de moluscos, principalmente devido ao modo de
vida e adaptação ao ambiente ocupado pelo animal.

A seguir, faremos uma descrição resumida de cada classe de moluscos,


acompanhada da apresentação de seus exemplos mais representativos.

Aula 3 – Quais moluscos você conhece? 47 e-Tec Brasil


3.1.1 Gastrópodes
A classe Gastropoda é a maior classe dos moluscos, já tendo sido descritas
mais de 30.000 espécies viventes. Considerando a ampla variedade de habi-
tats que os gastrópodes invadiram, eles certamente constituem o grupo mais
bem-sucedido entre todas as classes de moluscos. O nome da classe deve-se
ao fato de o pé apresentar-se achatado em forma de palmilha recobrindo
o ventre do animal. São representados pelos caramujos (aquáticos), pelas
lesmas e pelos caracóis (terrestres).

A maioria possui uma concha enrolada em espiral (que você pode ver nas
Figuras 3.1, 3.2 e 3.2), mas outros, como certas lesmas terrestres, não têm
concha. Em outros, como a lesma-do-mar, a concha é interna e reduzida.

A cabeça é bem desenvolvida, com um ou dois pares de tentáculos sensoriais


(Figuras 3.1 e 3.2) e olhos. O pé possui uma glândula pedal ou numerosas
células glandulares, que produzem um muco para ajudar no deslocamento
do animal. A maioria possui brânquias; o caracol e o caramujo de água doce
possuem um pulmão primitivo.

Como representantes dos gastrópodes serão apresentadas duas espécies de


escargots: Helix aspersa e Achatina fulica, além de três gêneros de caramu-
jos de água doce: Planorbis, Australorbis, Biomphalaria.

3.1.1.1 Helix aspersa (escargot)


A helicicultura tem se destacado como opção de cultivo alternativo no Bra-
sil, especialmente na região Sul onde o clima é favorável a essa atividade. Os
Helicicultura
denominação utilizada para escargots do gênero Helix apresentam maior aceitação no mercado consu-
o cultivo de escargot. Deriva
do nome do principal gênero
midor e valor econômico para a comercialização, devido às suas característi-
cultivado: Helix. cas desejáveis, como a cor mais clara de sua carne.

Figura 3.1: Exemplar de Helix aspersa


Fonte: <http://correiogourmand.com.br/images/cg_escargot_10_470.jpg>. Acesso em: 15 out. 2010.

e-Tec Brasil 48 Biologia Aquática e Pesqueira


3.1.1.2 Achatina fulica (caracol gigante africano)
Espécie também conhecida como caramujo gigante africano (Figura 3.2).
Chega a pesar 200 g. Essa espécie de caramujo terrestre foi importada para
cultivo, visando à comercialização para consumo humano como escargot.

Porém, devido à perda de controle ou mesmo abandono de muitos cultivos,


A. fulica passou a se espalhar no ambiente de diversas cidades do Brasil. O
encontro de A. fulica em vida livre é importante por se tratar de espécie en- Nota: É importante frisar que
volvida na transmissão de Angiostrongylus cantonensis, verme nematódeo a zoonose (doença que se
transmite de outro animal para
causador da angiostrongilíase meningoencefálica no homem, que é uma o homem) conhecida como
angiostrongilíase, na forma
doença comparável às meningites. meningoencefálica, ocorre
principalmente no Sudeste
Asiático e que até o presente
não há nenhum registro de sua
ocorrência no Brasil
(Aquino, 2010).

Figura 3.2: Exemplar adulto de Achatina fulica


Fonte: <http://correiogourmand.com.br/images/cg_escargot_03_470.jpg>. Acesso em: 15 out. 2010.

3.1.1.3 Planorbis, Australorbis, Biomphalaria (caramujos)


Esses moluscos têm a concha em espiral, com as voltas ou giros no mesmo
plano (Figura 3.3) e, por isso, recebem a denominação de planorbídeo (famí-
lia Planorbidae). Os caramujos planorbídeos criam-se e vivem na água doce
de córregos, riachos, valas, alagados, brejos, açudes, represas ou outros lo-
cais onde haja pouca correnteza.

Destacam-se por sua participação como hospedeiros intermediários no ciclo


evolutivo da doença esquistossomose, causada por verme platelminto da
espécie Schistosoma mansoni.

Aula 3 – Quais moluscos você conhece? 49 e-Tec Brasil


Figura 3.3: Caramujo do gênero Biomphalaria, hospedeiro intermediário do verme
Schistosoma mansoni na América Latina
Fonte: <http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/img/caramujo.jpg>. Acesso em: 15 out. 2010.

Pesquisando na rede internacional (internet)

Nessa atividade, você deverá pesquisar na internet para obter respostas às


questões a seguir, relacionadas à helicicultura.

a) Como é feito o abate do escargot cultivado?

b) O manejo de escargot como alimento obedece aos ditames da tradição e


dos mais experientes chefes de cozinha franceses. Nesse sentido, o que
é “court bouillon”?

3.1.2 Bivalves
A classe Bivalvia, ou Pelecypoda, é formada pelos moluscos lateralmente
comprimidos e que possuem uma concha com duas valvas (como você pode
ver nas Figuras 3.4 e 3.5) articuladas na porção dorsal e que envolvem total-
mente o corpo.
Nota: Os bivalves são
os moluscos realmente
importantes em termos de O pé tem a forma de uma lâmina de machado, sendo esta a origem do
aquicultura, pois, na prática,
observamos apenas o nome Pelecypoda (pé em forma de machado; Pelekys = machado).
desenvolvimento de tecnologia
para o cultivo desse grupo
de moluscos. Nesse contexto, A cabeça é muito reduzida e as brânquias são geralmente muito grandes,
você precisa conhecer termos
como Mitilicultura (o cultivo desempenhando dupla função – retiram o oxigênio dissolvido na água (como
de mexilhões) e Ostreicultura qualquer brânquia) e filtram partículas alimentares e algas verdes microscó-
(para o cultivo de ostras).
Por outro lado, se quisermos picas, que são em seguida conduzidas à boca. Por essa razão, os bivalves são
fazer referência ao cultivo de considerados “animais filtradores”.
qualquer molusco, devemos
usar o termo Malacocultura.

e-Tec Brasil 50 Biologia Aquática e Pesqueira


Como representantes dos bivalves serão apresentados: uma espécie de ostra
(Crassostrea rhizophorae), duas espécies de mexilhões (Mytella guyanensis e
Mytella falcata), além de alguns turus.

3.1.2.1 Crassostrea rhizophorae (ostra-do-mangue)


Crassostrea rhizophorae é a espécie de ostra-do-mangue mais comumente
encontrada na costa do Brasil (Figura 3.4). Ocupa lugar de destaque nas raízes
aéreas dos manguezais de diversos estados brasileiros, na forma de extensos
bancos naturais nas regiões entremarés. Ocorre também em formações rocho-
sas que ficam submersas durante a maré alta. É utilizada como recurso tanto
para fins de cultivo quanto para alimentação das populações locais.

Nota: Crassostrea gigas é uma


ostra nativa das costas do Oce-
ano Pacífico na Coreia, China
e Japão. É também cultivada
em alguns estados brasileiros
(principalmente Santa Catarina
e São Paulo), e outros países,
como nos Estados Unidos da
América, Austrália e Nova
Zelândia (onde substituiu
comercialmente a ostra
nativa Crassostrea glomerata).
Também foi levada para o Mar
Frísio, na Europa, onde é uma
espécie invasora e compete,
com sucesso, com outras
espécies de bivalves, como o
mexilhão Mytilus edulis.

Figura 3.4: Valvas da concha de Crassostrea rhizophorae (ostra), município de Bra-


gança – Pará
Fonte: Foto de Carlos Fernandes (2003).

3.1.2.2 Mytella guyanensis e Mytella falcata (mexilhões)


Muitas espécies de mexilhões são largamente utilizadas na alimentação
humana. Entre elas estão as do gênero Mytella. A espécie M. guyanensis
(Figura 3.5), conhecida pelos nomes populares de sururu, mexilhão de estu-
ário, bacucu ou bico-de-ouro, pode apresentar comprimento máximo de 8
cm e distribui-se em bosques de mangue, situados na zona entremarés de
ambientes estuarinos. Enquanto isso, M. falcata, conhecido como sururu,

Aula 3 – Quais moluscos você conhece? 51 e-Tec Brasil


mexilhão de estuário ou bacucu, que pode crescer até 5 cm, é encontrado
da zona infralitoral até a zona entremarés.

Nota: Alguns bivalves de água


doce formam larvas chamadas
Figura 3.5: Valvas da concha de Mytella guyanensis (mexilhão), município de
gloquídios, que parasitam
Bragança – Pará
(geralmente peixes) até que
Fonte: Foto de Carlos Fernandes (2003).
sua metamorfose ocorra e
as transforme em adultos,
que se fixam em substratos e
passam a viver como moluscos
filtradores. Entre esses bivalves, 3.1.2.3 Teredo sp., Neoteredo reynei e outros (turus)
podemos destacar: Paxyodon
syrmatophorus dos rios
Os turus são importantes decompositores de madeira, especialmente em
Guamá e Tocantins, no Pará; manguezais, onde a produtividade é alta. Mas certamente chamam a aten-
Anodontites trapesialis do rio
Pardo, em São Paulo; Diplodon ção pelos prejuízos que podem causar perfurando o casco de embarcações
berthae do rio Sinos, no Rio (Figura 3.6). São como cupins de madeira molhada. Por outro lado, desta-
Grande do Sul.
cam-se ainda por serem utilizados como alimento.

Figura 3.6: Espécimes de turus do gênero Teredo


Fonte: <http://1.bp.blogspot.com/_esD6aRur2q0/R6r4dJzYT0I/AAAAAAAABDI/aBpYz8WbZNM/s400/turu+-+ele.jpg>.
Acesso em: 15 out. 2010.

e-Tec Brasil 52 Biologia Aquática e Pesqueira


Pesquisando na rede internacional (internet)

Nessa atividade, você deverá escolher uma espécie de molusco bivalve, de


preferência bastante valorizada no seu estado ou região, sobre a qual deverá
reunir informações através de pesquisas feitas na internet.

Em seguida, procure realizar sua atividade utilizando o seguinte padrão de


tópicos:

1. Taxonomia

2. Morfologia

3. Distribuição

4. Importância e curiosidades

5. Endereços consultados

Logicamente cada um desses tópicos deverá conter as informações que você


obteve sobre o animal que escolheu para a atividade.

3.1.3 Cefalópodes
Incluem os mais especializados e mais bem organizados de todos os molus-
cos. A maioria desloca-se ativamente, apesar dos polvos terem assumido se-
cundariamente um hábito menos ativo. A cabeça é geralmente bem desen-
volvida e a porção anterior do pé apresenta-se transformada em uma coroa
de tentáculos, que você pode observar nas Figuras 3.7 e 3.8. Os cefalópodes
atingiram o maior tamanho entre todos os invertebrados. Embora a maio-
ria tenha comprimento entre 6 e 70 cm, incluindo os tentáculos, algumas
espécies de lulas alcançam proporções gigantescas. Polvos gigantes existem
apenas em contos. Nessa classe, uma concha completamente desenvolvida
apenas é observada nas poucas espécies do Nautilus (Figura 3.9), que ocor-
rem no Pacífico Ocidental Tropical.

Como representantes dos cefalópodes serão apresentados: uma espécie de polvo


(Octopus vulgaris), uma espécie de lula (Loligo vulgaris) e o gênero Nautilus.

Aula 3 – Quais moluscos você conhece? 53 e-Tec Brasil


3.1.3.1 Octopus vulgaris (polvo comum)
Na Figura 3.7 você pode ver uma fotografia de polvo. Ele apresenta o corpo
globoso e dotado de oito tentáculos, do mesmo comprimento. O macho,
em geral, é maior que a fêmea, podendo atingir mais de 1 m e ultrapassar os
8 kg. Vive em tocas e faz excursões à procura de alimento ou então espera
na entrada da toca. Alimenta-se de crustáceos, peixes pequenos e outros
moluscos. Sua cor é geralmente cinza-esbranquiçada, mas ele pode mudar
de cor para camuflar-se.

A captura do polvo é feita com potes, que, do ponto de vista pesqueiro,


é considerada mais eficiente que o arrasto, em razão da reduzida fauna
acompanhante e do menor impacto sobre a biota bentônica. Essa espécie de
polvo é usada como alimento por várias comunidades, porém é interessante
ressaltar que existem polvos venenosos.

Figura 3.7: Espécime de Octopus vulgaris


Fonte:<http://www.okeefes.org/Marine_Life/marinelife.htm#Mollusks>. Acesso em: 10 nov. 2010.

3.1.3.2 Loligo vulgaris (lula vulgar)


O corpo é alongado. O comprimento dos machos é de aproximadamente
35 cm, podendo chegar a 50 cm, e o das fêmeas, 22 cm. Cabeça com dois
grandes olhos, situados lateralmente, boca central rodeada por cinco pares
de tentáculos, sendo os menores mais grossos com numerosas ventosas no
lado interno (http://www.vivaterra.org.br/moluscos.htm).

Os dois tentáculos restantes são bem mais longos, apresentando ventosas


apenas nas extremidades dilatadas (Figura 3.8). O resto do corpo é delgado,
cônico, com uma nadadeira triangular ao longo de cada lado da extremida-
de afilada, as quais equilibram o animal durante o deslocamento. Essa es-

e-Tec Brasil 54 Biologia Aquática e Pesqueira


pécie é comestível, fazendo parte de algumas receitas de sucesso em alguns
restaurantes brasileiros.

Figura 3.8: Espécime de lula do gênero Loligo


Fonte: <http://www.katembe2.com/images/lulart07f4.gif>. Acesso em: 15 out. 2010.

3.1.3.3 Nautilus (náutilos)


Os náutilos são os únicos cefalópodes dotados de concha, a qual é enrolada
acima da cabeça numa espiral plana bilateralmente simétrica (Figura 3.9).

Figura 3.9: Espécime de Nautilus pompilius em aquário


Fonte: <http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/73/Nautilus_pompilius.jpg>. Acesso em: 15 out. 2010.

Nos náutilos, apenas as duas últimas voltas da concha são visíveis, uma vez
que elas recobrem as voltas internas. Esses cefalópodes apresentam dois
pares de brânquias e numerosos tentáculos, porém não preênseis.

Aula 3 – Quais moluscos você conhece? 55 e-Tec Brasil


Nota: Além de gastrópodes,
bivalves e cefalópodes, outros
grupos de moluscos são os
anfineuros e escafópodes. Os
anfineuros, também chamados
quítons (Figura 3.10), medem
cerca de 5 cm e rastejam no
fundo do mar, raspando algas
das rochas com o auxílio da
rádula. A concha é formada
pela superposição de oito
placas produzidas pelo manto.
Já os escafópodes têm o corpo
protegido por uma concha
tubular, recurvada como um
grande canino, medindo cerca de Figura 3.10: Espécime de quíton do gênero Callistochiton. Há espécies desse gênero
6 cm de comprimento e aberta que ocorrem na plataforma continental de Pernambuco, Brasil
nas duas extremidades. Passam a Fonte: <http://cuhwww.upr.clu.edu/~cgarcia/quitones/shuttleworthianus/mohoso.jpg>. Acesso em: 1 nov. 2010.
maior parte do tempo enterrados
na areia das águas rasas. Um
exemplo é o gênero Dentalium,
que você pode observar na
Figura 3.11.

Figura 3.11: Representação esquemática de Dentalium enterrado na areia do mar


Fonte: <http://cas.bellarmine.edu/tietjen/images/scaphopoda.jpg>. Acesso em: 01 nov. 2010.

e-Tec Brasil 56 Biologia Aquática e Pesqueira


Que tal, palavras cruzadas?

1. Após encontrar as palavras de cada linha, defina a palavra que surgirá na


coluna em destaque.

1.

2.

3.

4.

5.

6.

7.

8.

9.

10.

11.

1. Molusco gastrópode sem concha.

2. Bivalves são também chamados pelecípodes porque seu pé tem a forma de...

3. Nome popular comum a moluscos dos gêneros Mytella e Mytilus.

4. Órgãos utilizados pelos bivalves para filtrar partículas alimentares trazidas


pela água.

5. Denominação utilizada para certos caracóis herbívoros terrestres; uma


iguaria presente nos melhores restaurantes do mundo.

6. Molusco cefalópode dotado de oito tentáculos.

7. Classe de moluscos à qual pertencem os turus.

Aula 3 – Quais moluscos você conhece? 57 e-Tec Brasil


8. O gênero da ostra-do-mangue e da ostra gigante do Pacífico.

9. O gênero da lula vulgar.

10. Nome dado ao cultivo de escargot.

11. Cefalópode dotado de concha externa normal.

Resumo

Nesta aula, você estudou alguns dos mais importantes animais do filo Mollus-
ca. Viu que eles se destacam pelos variados tipos de relações que mantêm
com a espécie humana. Assim, embora existam escargots, ostras, mexilhões,
polvos e lulas comestíveis, ostras produtoras de pérolas, há espécies prejudi-
ciais ao homem, como as lesmas que podem atuar como pragas em planta-
ções, caramujos hospedeiros de parasitas que causam enfermidades em hu-
manos, além de alguns polvos e outros moluscos venenosos. Você entendeu
por que precisamos conhecer esses animais para melhor aproveitamento das
espécies úteis e o adequado controle das nocivas.

Atividades de aprendizagem

Chegamos ao final da nossa 3ª aula. Então é hora da avaliação.

1. Como é chamado o cultivo de escargot?

2. Quais gêneros de escargot você conhece?

3. Qual importante verminose humana tem em seu ciclo evolutivo um mo-


lusco gastrópode como hospedeiro intermediário?

4. Como você identifica um molusco pelecípode?

5. Complete as lacunas no trecho a seguir com os termos técnicos corres-


pondentes.

“De acordo com a definição do IBAMA, o cultivo de organismos aquáticos


que tenham na água o seu normal ou mais frequente meio de vida é chama-

e-Tec Brasil 58 Biologia Aquática e Pesqueira


do _________________. Um de seus ramos é a _________________, respon-
sável pelo cultivo de moluscos. Entretanto, nesta prática apenas observamos
o desenvolvimento de tecnologia para o cultivo de moluscos bivalves. Assim,
de maneira mais restrita, utilizamos os termos _________________ para o
cultivo de mexilhões e _________________ para o cultivo de ostras.”

6. Alguns bivalves de água doce apresentam larvas que parasitam (geral-


mente peixes) até que sua metamorfose ocorra e as transforme em adul-
tos. Estes se fixam em substratos e passam a viver como moluscos filtra-
dores. Qual a denominação dessas larvas?

7. Cite uma importância positiva e outra negativa em relação aos bivalves


conhecidos como turus.

8. Apresente duas diferenças morfológicas entre o polvo (Octopus) e a lula


(Loligo).

Aula 3 – Quais moluscos você conhece? 59 e-Tec Brasil


Aula 4 – O que é um crustáceo?

Objetivos

Conhecer as diversas características morfológicas e fisiológicas dos


crustáceos.

Entender a relação entre as estruturas morfológicas e sua fisiologia.

Relacionar a morfologia e fisiologia dos crustáceos com o seu modo


de vida e relações com os ambientes onde estão adaptados

4.1 Organização
Olá pessoal! Nas aulas anteriores, você teve contato com as noções de no-
menclatura e classificação de seres vivos, além de um resumo de diversos
filos que constituem o reino dos animais. Em seguida, passamos a destacar
cada um dos grupos animais que merecem maior importância na área de
recursos pesqueiros. O primeiro destaque foi para os moluscos. Agora che-
gou a vez dos crustáceos, animais estudados na carcinologia. Isso mesmo,
chamamos de carcinologia a ciência que estuda os crustáceos.

Você verá nesta aula que diversos animais, provavelmente muito apreciados
na sua alimentação, como camarões, lagostas, caranguejos e siris, são inte-
grantes do grupo dos crustáceos. Mas, o que eles têm em comum para se-
rem reunidos nesse grupo e como se distinguem dos outros artrópodes? Ao
longo desta aula, você encontrará os detalhes da anatomia externa e interna
que identificam um animal como crustáceo, bem como informações básicas,
porém indispensáveis, sobre o funcionamento de seus diversos sistemas.

Os crustáceos são animais geralmente aquáticos e, em sua maioria, mari-


nhos. Seu corpo divide-se em cefalotórax e abdome, o que em um camarão
costumamos chamar de “cabeça” e “cauda”. O exoesqueleto quitinoso é
reforçado por sais de cálcio, vindo daí o nome crustáceo: crusta = pele gros-
sa ou crosta. Por outro lado, há espécies terrestres, como o tatuzinho-de-
jardim, que vive apenas em ambientes muito úmidos.

Aula 4 – O que é um crustáceo? 61 e-Tec Brasil


Como vimos na aula 1, Crustacea corresponde a um subfilo, dentro do filo
Arthropoda. Por outro lado, entre os crustáceos, a classe Malacostraca é bas-
tante diversificada, incluindo o maior número de espécies e a maioria das
formas maiores. Dentro da classe Malacostraca, a maior ordem é Decapoda,
distinguindo-se por seus integrantes possuírem os três primeiros pares de
apêndices torácicos modificados em maxilípedes (relacionados ao tato, pala-
dar e manipulação de alimentos). Os cinco pares restantes de apêndices do
tórax são pereiópodos ou pernas torácicas, que você pode ver na Figura 4.1,
das quais é derivado o nome Decapoda (= dez pernas).

Figura 4.1: Morfologia geral: vista lateral dos principais caracteres anatômicos no
estudo de camarões
Fonte: Rocha (2000).

Em diversos decápodes, como o da Figura 4.2, o primeiro par de pereiópo-


dos é muito mais forte que os pares restantes, e quando tem essa forma, é
chamado quelípodo. A cabeça e os segmentos torácicos são fundidos dor-
salmente e os lados da carapaça envolvem as brânquias dentro de câmaras
branquiais laterais.

Como na maioria dos animais, os órgãos do corpo de um crustáceo se as-


sociam e interagem, constituindo os sistemas e aparelhos, para a realização
de funções específicas e integradas. A seguir, você acompanhará um resumo
de cada função relacionada ao seu respectivo sistema responsável: digestão,
circulação, excreção, respiração, coordenação e reprodução.

e-Tec Brasil 62 Biologia Aquática e Pesqueira


Responda às questões a seguir.

1. Uma aula prática de Biologia tinha como objetivo conhecer a diversidade


dos artrópodes. Então, o professor entregou vários animais aos alunos
para que esses animais fossem reunidos em três grupos. Ao final da ativi-
dade, foram formadas as seguintes associações: I. aranha, abelha, carra-
pato; II. siri, formiga, mosca; III. camarão, lagosta, escorpião. O professor,
porém, constatou que foram cometidos alguns equívocos.

b) Reagrupe, então, os animais, corrigindo os erros.

c) Cite uma característica externa exclusiva de cada grupo que você formou.

2. Se considerarmos os ambientes em que vivem os camarões, podemos


dizer que eles fazem parte da macrofauna bentônica de diversos ecossis-
temas aquáticos.

Pesquise o que significa “macrofauna bentônica”.

4.2 Digestão
Na Figura 4.2, você pode visualizar um esquema da estrutura interna de um
crustáceo genérico. São apresentados órgãos dos sistemas: digestivo, circu-
latório, excretor e nervoso.

Figura 4.2: Esquema da estrutura interna de um crustáceo


Fonte: Marczwski e Vélez (1999).

Aula 4 – O que é um crustáceo? 63 e-Tec Brasil


A organização do sistema digestivo dos crustáceos é a seguinte:

a) boca, em posição anterior e ventral, entre as mandíbulas;

b) esôfago, bastante curto;

c) estômago, dilatado, no tórax e dividido em duas câmaras, a anterior (es-


tômago químico) e a posterior (estômago triturador);

d) intestino, longo, tubuloso, no dorso do abdome e terminando em ânus,


situado na base do télson;

e) hepatopâncreas (grande glândula anexa ao tubo digestivo) que lança se-


creções no estômago.

4.3 Circulação
Como em todos os artrópodos, a circulação é aberta, ou seja, o sangue em
algumas partes do corpo deixa os vasos e passa a fluir por espaços livres
entre os tecidos – as lacunas ou hemoceles. O coração muscular fica situado
dorsalmente (como mostrado na Figura 4.2) e bombeia o sangue para todo
o corpo. O sangue contém pigmentos transportadores de oxigênio, como a
hemocianina e, menos frequentemente, a hemoglobina.

4.4 Excreção
Os crustáceos apresentam um par de glândulas verdes (veja na Figura 4.2),
localizadas na região anterior do cefalotórax para a excreção de amônia e
outros resíduos. São constituídas por um túbulo excretor e saco terminal,
comunicando-se com o meio externo por um poro que se abre na base do
segundo par de antenas. Por esse motivo, recebem, também, o nome de
glândulas antenais.

4.5 Respiração
A respiração é feita por brânquias, que são ramificações laterais situadas na
base das pernas cefalotorácicas. Através do epitélio que recobre as brân-
quias, são feitas as trocas gasosas entre o sangue e o meio aquático. As
brânquias estão situadas em duas câmaras branquiais que ladeiam o tórax e
são recobertas por uma parte da carapaça.

e-Tec Brasil 64 Biologia Aquática e Pesqueira


4.6 Sistema nervoso
O sistema nervoso dos crustáceos é ganglionar e ventral. Dois gânglios su-
pra-esofágicos unem-se num gânglio cerebroide (ou cérebro), que envia ner-
vos para os olhos, antenas e antênulas.

O sistema nervoso dos crustáceos é centralizado em uma massa cerebral de


que parte uma cadeia ganglionar ventral, como nos insetos. Os olhos, as
antenas e várias cerdas tácteis espalhadas pelo corpo desempenham impor-
tante função sensorial. Os sentidos de olfato e paladar são percebidos por
receptores localizados nas antenas e na boca. Os estatocistos localizam-se na
base das antenas e estão relacionados com o equilíbrio.

4.7 Reprodução
Para o estudo da reprodução, vamos considerar o camarão rosa da espécie
Farfantepenaeus subtilis, a mais frequente nas capturas da costa Norte do Bra-
sil. Os sexos são separados, sendo a fêmea maior que o macho. No macho, o
primeiro par de apêndices abdominais entra em fusão, constituindo um tubo
chamado petasma (reveja a Figura 4.1), gerando a transferência de esperma-
tozóides para o corpo da fêmea. De cada testículo sai um canal deferente
enovelado que se abre na base do quinto par de pereiópodos. Dos ovários das
fêmeas, partem os ovidutos que desembocam no terceiro par de pereiópodos.

Durante a desova, ovos são liberados em águas profundas de alto mar e,


durante o desenvolvimento, as larvas náuplio, protozoea e mysis, vivem no
plâncton do ambiente marinho. As pós-larvas migram em direção à costa,
entrando geralmente à noite nas áreas de criadouros. O ciclo de vida pode
ser visto na Figura 4.3.

Nos estuários e lagoas costeiras de águas rasas e salobras, as pós-larvas se-


mibênticas e os juvenis encontram proteção e um ambiente rico que lhes
proporciona a alimentação adequada. Depois de alguns meses, os subadul-
tos migram para o mar, onde realizam sua primeira desova, completando,
dessa forma, o curto ciclo de vida que dura em média dois anos.

Aula 4 – O que é um crustáceo? 65 e-Tec Brasil


Figura 4.3: Ciclo de vida do camarão rosa Farfantepenaeus subtilis: (a) ovos; (b) náu-
plios; (c) protozoea; (d) mysis; (e) e (f) pós-larvas; (g) e (h) juvenis; (i) adulto.
Fonte: Rocha (2000).

Vamos trabalhar com palavras cruzadas?

1. P

2. L

3. E

4. Ó

5. P

6. O

7. D

8. O

9. S

e-Tec Brasil 66 Biologia Aquática e Pesqueira


1. Primeiro estágio larval do camarão Farfantepenaeus.

O camarão rosa da espécie


2. Estrutura pontiaguda, na extremidade posterior do exoesqueleto do ca- Farfantepenaeus paulensis
marão, com função de defesa. distribui-se ao longo da
plataforma continental brasileira,
a partir de Ilhéus, Bahia,
3. Estrutura do macho de Penaeidae, responsável pela transferência de es- estendendo-se pela plataforma
do Uruguai até o litoral nordeste
permatóforos para a fêmea. da Argentina. Trata-se de uma
das importantes espécies na área
de pesca. No endereço a seguir,
4. Os apêndices do 6o e último segmento abdominal, relacionados ao dire- você encontrará um artigo que
sugere uma alternativa de cultivo
cionamento da natação. para esse camarão.
KRUMMENAUER, Dariano.
Viabilidade do cultivo do
5. Órgão glandular dos crustáceos, que produz enzimas digestivas. camarão-rosa Farfantepenaeus
paulensis (Crustácea, Decapoda)
em gaiolas sob diferentes
6. Resulta da fusão de cabeça e tórax. densidades durante o outono no
sul do Brasil. Ciência Rural, Santa
Maria, v. 36, n. 1, p. 252-257,
7. Estruturas excretoras dos crustáceos. jan./fev. 2006. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/cr/
v36n1/a39v36n1.pdf>. Acesso
em: 26 nov. 2010.
8. Localizam-se na base das antenas e estão relacionados com o equilíbrio.

9. Uma espécie de espinho, geralmente com as duas margens serrilhadas,


na porção anterior do cefalotórax do camarão.

Resumo

Nesta aula, você viu que os crustáceos são artrópodes, devido aos apêndi-
ces articulados e o esqueleto quitinoso que reveste e sustenta o corpo. Viu
como podemos diferenciar os crustáceos dos demais artrópodes. Seus repre-
sentantes estão entre os animais invertebrados mais conspícuos e incluem
formas bastante familiares. Quase todas as espécies de crustáceos vivem no
ambiente aquático, podendo ser pescadas ou cultivadas para fins comerciais
e alimentares. Você também aprendeu nesta aula que os mais conhecidos
crustáceos pertencem à ordem Decapoda, apresentam um ciclo de vida com
um ou mais tipos de larvas e dependem geralmente de ambientes com dife-
rentes graus de salinidade.

Aula 4 – O que é um crustáceo? 67 e-Tec Brasil


Atividades de Aprendizagem

Chegamos ao final da nossa 4ª aula. E então? Você já consegue explicar com


suas palavras as características morfológicas e fisiológicas dos crustáceos?

1. A maioria dos crustáceos que conhecemos pertence à ordem dos Deca-


poda. Como você descreve a morfologia geral dos crustáceos decápodes?

2. Diferencie pereiópodos de pleópodos quanto à localização e funções es-


pecíficas.

3. O que é o télson de um camarão?

4. O que é quelípodo?

5. Qual a função do hepatopâncreas dos crustáceos?

6. Quais os estágios larvais no ciclo do camarão rosa?

e-Tec Brasil 68 Biologia Aquática e Pesqueira


Aula 5 – Quais crustáceos você conhece?

Objetivos

Conhecer um pouco da diversidade de crustáceos do Brasil, com


ênfase em algumas regiões.

Identificar crustáceos de maior frequência na fauna brasileira e de


maior manejo humano.

5.1 A diversidade dos crustáceos


Existem diversas espécies de crustáceos muito importantes em nossas vidas.
E, nesta aula, você verá que muitas dessas espécies se notabilizam pelo seu
aproveitamento como recursos naturais, principalmente na área alimentar. Há
também outras que se destacam pelos danos diretos ou indiretos que podem
proporcionar ao homem. Ao longo desta aula, serão apresentadas informa-
ções sobre algumas das espécies de crustáceos que foram selecionadas entre
as que consideramos mais interessantes dentro do grupo. Além disso, você
encontrará orientações que o auxiliarão a obter informações sobre muitos
outros crustáceos de interesse para o técnico na área de recursos pesqueiros.

Os crustáceos apresentam grande diversidade de formas, tamanhos e am-


bientes. O número de espécies conhecidas passa de 50.000. A ordem Deca-
poda é a maior e contempla os familiares camarões, lagostas, caranguejos e
siris. Dedicaremos, nesta aula, especial atenção a alguns representantes des-
sa ordem, a qual é dividida nas subordens Dendrobranchiata e Pleocyemata.

Os Dendrobranchiata são caracterizados por apresentarem a pleura do se-


gundo somito abdominal sobreposta à terceira, mas não à primeira (Figura
5.1), os três primeiros pares de pereiópodos com forma e tamanhos similares
e as brânquias são muito ramificadas, conhecidas como tipo dendrobrân-
quias. As fêmeas liberam os ovos diretamente na água, como é o caso dos
camarões da infraordem Penaeidea, por exemplo.

Aula 5 – Quais crustáceos você conhece? 69 e-Tec Brasil


As fêmeas dos Pleocyemata incubam seus ovos nos pleópodos. Incluem os
camarões restantes (infraordem Caridea); as lagostas (infraordem Astacidea);
Lembre-se de que você
conheceu os somiros siris e caranguejos (infraordem Brachyura); os paguros (infraordem Anomura).
abdominais do camarão na
aula anterior. Viu também
que os pereiópodos são as
pernas ligadas ao cefalotórax
do camarão e os pleópodos
são apêndices ligados ao
abdômen do animal (rever
Figura 4.1 da Aula 4).

Figura 5.1: Esquemas de abdômen de camarões, mostrando a organização das pleu-


ras dos diversos somitos: (A) Penaeidea; (B) Caridea
Fonte: Rocha (2000).

Na infraordem Caridea, você encontra a família Palaemonidae, que é cons-


tituída pela maioria dos camarões de água doce. Os populares lagostins e
pitus, por exemplo, pertencem a esta família, mais precisamente ao gênero
Macrobrachium.

5.1.1 Farfantepenaeus (camarão-rosa)


Segundo Lopes e colaboradores (2007), o gênero Farfantepenaeus, per-
tencente à família Penaeidae, possui um total de oito espécies em todo o
mundo, dentre as quais, apenas quatro existem no Brasil: Farfantepenaeus
notialis, F. subtilis, F. brasiliensis e F. paulensis, popularmente chamadas de
camarões-rosa. Em geral, não são diferenciadas entre si em avaliações de es-

e-Tec Brasil 70 Biologia Aquática e Pesqueira


toques pesqueiros a partir de desembarques em entrepostos de pesca. Devi-
do à sobrepesca dessas espécies, decorrente do seu elevado valor comercial,
seus estoques encontram-se colapsados.

Figura 5.2: Espécime subadulto de Farfantepenaeus subtilis. Município de Bragança – Pará


Fonte: Rocha (2000).

As quatro espécies de camarão-rosa que ocorrem no Brasil não apresentam


exatamente os mesmos limites de distribuição. No mapa da Figura 5.3, você
pode observar esses limites para cada espécie, bem como identificar as áreas
do nosso litoral em que coexistem duas ou três espécies de camarão-rosa.

Aula 5 – Quais crustáceos você conhece? 71 e-Tec Brasil


Figura 5.3: Distribuição das espécies de Farfantepenaeus que ocorrem no Brasil
Fonte: Elaboração de Rocha e Álvares-Rocha (2008).

a) Considerando a distribuição apresentada na Figura 5.3, qual é a espécie de


camarão-rosa que apresenta menor área de distribuição no litoral do Brasil?

b) Geralmente em uma mesma pescaria ocorre a captura de mais de uma


espécie de camarão-rosa.

b.1) De acordo com a Figura 5.3 e uma didática de divisão do litoral brasi-
leiro, assinale onde podemos capturar maior variedade de espécies de
camarão-rosa?

( ) Costa Norte

( ) Costa Nordeste

( ) Costa Sudeste

( ) Costa Sul

e-Tec Brasil 72 Biologia Aquática e Pesqueira


b.2) De acordo com a Figura 5.3, quais as espécies de camarão-rosa que não
poderiam ser capturadas em um mesmo ponto do litoral do Brasil?

5.1.2 Litopenaeus (camarão-branco)


Litopenaeus é outro gênero da família Penaeidae, contando com duas es-
pécies de valor comercial no Brasil: Litopenaeus schmitti e Litopenaeus van-
namei. A primeira espécie (L. schmitti), nativa, geralmente é capturada até
os 50 m de profundidade. Distribui-se pelo Atlântico ocidental (limite norte:
Baía de Matanzas, Cuba; limite sul: estuário da Lagoa dos Patos, Rio Grande
do Sul, Brasil).

Você pode perceber na Figura 5.4 a coloração mais clara (quando compara-
mos com o camarão-rosa, Figura 5.2), o que motivou a denominação popu-
lar de camarão-branco. A espécie apresentada na figura, Litopenaeus sch-
mitti, costuma ser referida como camarão-branco do Atlântico, em função
de sua distribuição.

Figura 5.4: Espécime de Litopenaeus schmitti. Município de Bragança – Pará


Fonte: Rocha (2000).

A espécie Litopenaeus vannamei, conhecida como camarão-branco do Pací-


fico, originalmente se distribui no leste do Pacífico, de Sonora (México) até
Tumbes, no Peru. Entretanto, foi introduzida no Brasil no início dos anos 1980
e é, atualmente, a principal espécie de camarão marinho cultivada no país.

Aula 5 – Quais crustáceos você conhece? 73 e-Tec Brasil


5.1.3 Macrobrachium amazonicum (camarão-
canela)
O camarão-canela é abundante nos ecossistemas de água doce das regiões
Norte e Centro-Oeste do Brasil, por preferir um clima mais quente. Pode
atingir 15 cm de comprimento. Corpo cinza claro, transparente, segundo
par de pereiópodos ligeiramente mais escuro e acastanhado.

Essa espécie é largamente explorada pela pesca artesanal do Pará e Amapá,


sendo utilizada em cultivos extensivos nessa região e no Nordeste do Brasil.

5.1.4 Macrobrachium rosenbergii (camarão da


Malásia)
É a espécie de água doce que se encontra melhor adaptada para a atividade
de cultivo (carcinicultura), devido às suas características como rápido cresci-
mento, ser onívora, apresentar alta fertilidade e fecundidade, além de regu-
lar a boa aceitação no mercado. Trata-se de uma espécie exótica, originária
da Ásia e foi trazida para o Brasil (e diversos outros países) com fins de cria-
ção em cativeiro, em tanques e viveiros. Muitos espécimes foram liberados
na natureza e, atualmente, existem em diversos estuários brasileiros.

Figura 5.5: Espécime de Macrobrachium rosenbergii. Município de Bragança – Pará


Fonte: Rocha (2000).

e-Tec Brasil 74 Biologia Aquática e Pesqueira


Como vimos na parte inicial desta aula, os camarões do gênero Macrobra-
chium pertencem à infraordem Caridea.

Identifique a característica morfológica típica da infraordem Caridea visível


no camarão da Malásia (Macrobrachium rosenbergii) na figura anterior.

Estudos de biologia molecular permitem novas percepções sobre a


história da introdução do Macrobrachium rosenbergii no Brasil.

O camarão gigante de rio, tradicionalmente classificado como Macrobra-


chium rosenbergii de Man, 1879, é uma espécie de água doce com muitas
das características mencionadas e é um exemplo clássico de uma espécie
que tem se tornado comum devido a sua popularidade em aquicultura co-
mercial. Já foi introduzido em mais de 40 países, em alguns dos quais esse
camarão é considerado uma espécie invasora, o que exige acompanhamento
de perto. No Brasil, os espécimes foram registrados na natureza nos estados
do Pará, Maranhão, São Paulo e Paraná. A distribuição natural relativamente
ampla desse camarão resultou na variação de algumas características, o que
tem gerado um debate considerável sobre o status taxonômico desta espé-
cie. Originalmente, foram reconhecidas duas subespécies, a M. rosenbergii
rosenbergii do leste asiático e a M. rosenbergii dacqueti, mais ocidental. No
entanto, um estudo recente de Bruyn e colaboradores (2004), que analisa-
ram o gene mitocondrial 16S rRNA, concluiu que estas duas formas podem
de fato representar espécies filogeneticamente distintas. Segundo Wowor e
Ng (2007), as análises morfológicas não só confirmaram essas conclusões,
mas também mostraram que as duas espécies podem ser facilmente distin-
guidas com base em algumas características de simples diagnóstico. Além
disso, M. dacqueti e não M. rosenbergii é a espécie mais espalhada e culti-
vada no mundo. Mais recentemente, ainda, Iketani e colaboradores (2010)
demonstraram que a espécie introduzida no Brasil foi M. dacqueti através de
dois eventos: um a partir de camarões originários do Vietnam e outro a partir
de Bangladesh e Tailândia. Essas origens diferentes realçam a necessidade de
confirmar a origem de outras populações exóticas ao redor do mundo. Por
outro lado, as populações de camarão gigante invasoras na Amazônia exi-
gem acompanhamento, principalmente porque a biodiversidade da região
pode ser afetada por esta introdução.

Adaptado do Artigo “The history of the introduction of the giant river prawn, Macrobrachium cf.
rosenbergii (Decapoda, Palaemonidae). In: IKETANI, Gabriel et al (Colabor.). Brazil: New insights from
molecular data. Genetics and Molecular Biology, 2010.

Aula 5 – Quais crustáceos você conhece? 75 e-Tec Brasil


5.1.5 Ucides cordatus (caranguejo-uçá)
Esse caranguejo é um importante componente alimentar em toda sua área
de ocorrência nas regiões de mangue do Brasil, entre os estados do Amapá
e de Santa Catarina. Alcança altos valores de comercialização nas grandes
cidades, em função da sua elevada procura pelos turistas. É encontrado nos
troncos das árvores, em galerias sedimentares, ou andando pelo manguezal
durante o período de acasalamento, conhecido como “andada”.

Figura 5.6: Espécime adulto de Ucides cordatus


Fonte: <http://www.uesc.br/projetos/inventariocrustaceos/figura_5.jpg>. Acesso em: 26 out. 2010.

Questão de legislação referente ao caranguejo-uçá.

Em função de sua exagerada comercialização e seu ciclo de vida relativamen-


te longo, temos uma legislação que regulamenta a sua captura.

A legislação pode variar de um estado para outro. A Portaria nº 52, de 30 de


setembro de 2003 (IBAMA, 2003), por exemplo, regula a exploração da es-
pécie nos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e San-
ta Catarina. Essa portaria proíbe, em qualquer época do ano, a captura de
fêmeas ovígeras e de indivíduos de ambos os sexos com largura da carapaça
inferior a 6,0 cm, bem como o uso de armadilhas, petrechos, instrumentos
cortantes ou produtos químicos para sua captura.

e-Tec Brasil 76 Biologia Aquática e Pesqueira


O IBAMA tomou algumas medidas, visando ordenar a atividade, nos estados
do Nordeste e no Pará: estabeleceu um período de defeso; aumentou o ta-
manho mínimo para coletas autorizadas; proibiu a retirada de partes isoladas
(quelas, pinças, garras ou puans), durante a captura, e restringiu o método
de captura ao chamado braceamento, com auxílio de gancho ou cambito
com proteção na extremidade.

Em dezembro de 2010, foi publicada no site do Guia da Pesca <http://


www.guiadapesca.com.br> uma reportagem sobre a aprovação do calen-
dário nacional para o defeso do caranguejo-uçá no ano de 2011. Parte desta
reportagem é transcrita a seguir:

Durante a fase de proteção à reprodução da espécie, denominada “anda-


da”, quando os caranguejos saem das tocas para se acasalar, ficam proibi-
dos captura, transporte, beneficiamento, industrialização, armazenagem e
comercialização do crustáceo. Em 2011, as datas do defeso foram definidas
segundo as maiores amplitudes de maré e as fases da lua nova e cheia nos
meses de janeiro (05 a 10/01 e 20 a 25/01), fevereiro (03 a 08/02 e 19 a
24/02) e março (05 a 10/03 e 20 a 25/03). A proibição vale para todos os es-
tados onde há ocorrência do caranguejo-uçá: Amapá, Pará, Alagoas, Bahia,
Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe
e Espírito Santo. Os técnicos alertam, porém, que o calendário é apenas indi-
cativo. Se os caranguejos andarem, não poderão ser capturados, mesmo se
o fenômeno ocorrer antes ou depois da data oficial do defeso.

Devido às grandes diferenças entre os manguezais de diversas regiões do


Brasil, é praticamente impossível prever as datas precisas de andada em cada
local, mas é preciso proteger, para não faltar.

Você consegue identificar se um caranguejo é macho ou fêmea?

Agora vai ficar muito fácil. Basta comparar as duas fotos a seguir e perce-
berá as principais características que diferenciam fêmea e macho de Ucides
cordatus. Na Figura 5.7, observe os pleópodos, no abdômen da fêmea, os
quais ela utilizará para carregar os ovos quando estiver grávida. Na Figura
5.8, observe que o abdômen do macho é mais estreito que o da fêmea e que
somente os pleópodos anteriores estão presentes, os quais são utilizados
como órgãos copulatórios.

Aula 5 – Quais crustáceos você conhece? 77 e-Tec Brasil


Figura 5.7: Fêmea de Ucides cordatus, no município de São Caetano de Odivelas – Pará
Fonte: Foto de Marcos Brabo (2007).

Figura 5.8: Macho de Ucides cordatus, no município de São Caetano de Odivelas – Pará
Fonte: Foto de Marcos Brabo (2007).

5.1.6 Panulirus (lagostas espinhosas)


Gênero de lagostas distribuídas pelas águas tropicais e subtropicais de todo o
mundo. Quando adultas, essas lagostas são encontradas no leito oceânico, mui-

e-Tec Brasil 78 Biologia Aquática e Pesqueira


tas vezes escondidas entre as rochas, algas e corais. A cada ano, constata-se que
a captura da lagosta está em declínio, ocasionando problemas econômicos e
sociais como o desemprego e extinção de empresas no setor pesqueiro.

Saiba mais

Além da ordem Decapoda (camarões, lagostas, caranguejos e siris), o grande


grupo dos crustáceos (Crustacea) inclui organismos indesejáveis como os da
ordem Isopoda e alguns das ordens Cyclopoida e Calanoida. Os parasitos da
ordem Isopoda ocorrem tanto em peixes de água doce como nos marinhos
e são frequentemente encontrados na cavidade bucal, nas brânquias e na
superfície do corpo. A espécie Livoneca redmanni tem sido encontrada pa-
rasitando o peixe-serra Scomberomorus brasiliensis nas águas costeiras do
Rio Grande do Norte. Por outro lado, alguns Cyclopoida (como Cyclops) e
Calanoida (como Diaptomus) participam como hospedeiros intermediários
no ciclo evolutivo do verme Diphyllobothrium latum. Você provavelmente
conhece esse verme como “tênia do peixe”. Pois bem, as larvas jovens desse
verme hospedam-se em pequenos crustáceos (como Cyclops e Diaptomus);
peixes que se alimentam desses crustáceos tornam-se infectados e transmi-
tem essa verminose ao homem.

Que tal palavras cruzadas?

Após encontrar as palavras de cada linha, defina a palavra que surgirá na


coluna em destaque.

1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.

Aula 5 – Quais crustáceos você conhece? 79 e-Tec Brasil


1. As pernas ligadas ao cefalotórax do crustáceo.

2. Nome dado ao cultivo de camarões (criação de camarões em cativeiro).

3. A infraordem a qual pertencem os lagostins e pitus.

4. Ordem de crustáceos que inclui espécies parasitas, como Livoneca redmanni.

Para uma leitura complementar


sobre o caranguejo-uçá, visite o 5. O gênero de crustáceos que inclui todas as espécies de camarão-rosa.
site da referência a seguir.
SOUTO, Francisco José Bezerra.
Uma abordagem etnoecológica 6. A subordem que reúne caranguejos, siris, lagosta e alguns camarões.
da pesca do caranguejo-uçá
Ucides cordatus, Linnaeus,
1763 (Decapoda: Brachyura), 7. Migração do caranguejo no período reprodutivo.
no manguezal do Distrito de
Acupe (Santo Amaro-BA).
Biotemas, v. 20, n. 1, p. 69-80, 8. A principal ordem dos crustáceos, reunindo as espécies de importância ali-
mar. 2007. Disponível em:
<http://www.biotemas.ufsc. mentar.
br/volumes/pdf/volume201/
p69a80.pdf>. Acesso em: 8
dez. 2007. 9. Gênero de crustáceos conhecidos como lagostas espinhosas.

Resumo

Nesta aula, você estudou sobre diversidade dos crustáceos. Viu que se des-
tacam principalmente por sua importância alimentar. Mas que também há
espécies nocivas: algumas, por parasitarem organismos aquáticos que fazem
parte de nossa dieta; outras, por hospedarem formas jovens de parasitas que
poderão encontrar no homem seu hospedeiro definitivo. Então, precisamos
conhecer esses animais para o melhor aproveitamento das espécies úteis e o
adequado controle daquelas que podem nos ser danosas.

e-Tec Brasil 80 Biologia Aquática e Pesqueira


Atividade de Aprendizagem

1. Estabeleça duas diferenças entre os camarões das infraordens Penaeidea


e Caridea.

2. Cite dois gêneros de camarões da infraordem Penaeidea.

3. Quais as principais espécies da carcinicultura marinha e continental (água


doce), respectivamente?

4. Quais as espécies de camarão-rosa que podem ser capturadas na Costa


do Brasil?

5. Em relação ao comportamento reprodutivo, o que a fêmea de caranguejos,


siris e camarão-canela fazem, diferentemente da fêmea de camarão-rosa?

6. Qual a ordem de crustáceos parasitas frequentemente encontrada na cavi-


dade bucal, nas brânquias e na superfície do corpo de peixes e camarões?

Aula 5 – Quais crustáceos você conhece? 81 e-Tec Brasil


Aula 6 – Os cordados

Objetivo

Conhecer aspectos morfológicos dos cordados para identificar seus


representantes.

6.1 Organização
Depois de diversos grupos exclusivamente invertebrados, você verá nesta
aula os cordados. O filo Chordata constitui o grupo animal mais notável e
conhecido atualmente, por estar presente em todos os ambientes: mari-
nho, de água doce e terrestre. Provavelmente, a maioria dos animais que
você já viu pertence ao grupo dos cordados. Assim, é fácil notar que o
grupo dos cordados é bastante heterogêneo, incluindo animais muito di-
ferentes, principalmente porque costumamos observá-los quando adultos.

Todavia, há caracteres comuns em todos esses animais que justificam seu


agrupamento num mesmo filo. Todos os cordados são bilaterais, celoma-
dos, com o corpo segmentado, esqueleto interno, circulação fechada e
tubo digestivo completo. Além disso, e mais importante que isso, todos
apresentam, pelo menos na fase jovem da vida, as estruturas notocorda,
tubo nervoso dorsal e fendas branquiais, que você pode observar na
Figura 6.1.

Aula 6 – Os cordados 83 e-Tec Brasil


Fendas Somito
branquiais (músculo)

Epiderme

Tubo Nervoso
Notocorda Celona
Tubo Disgestivo

Cauda

Ânus

Figura 6.1: Estruturas embrionárias dos cordados. Acima e à esquerda, visão externa
do embrião; acima à direita, embrião em corte transversal; abaixo, em-
brião em corte longitudinal
Fonte: <http://www.conecteeducacao.com/escconect/medio/BIO/imagem/10_3_1.gif>. Acesso em: 28 out. 2010.

Notocorda - Uma haste de tecido conjuntivo que se desenvolve acima do


tubo digestivo do embrião, como o primeiro eixo de sustentação do animal.
Pode persistir durante toda a vida, como no anfioxo; ou ser substituída pela
coluna vertebral, como nos vertebrados.

Tubo nervoso dorsal - Um cordão único e oco, disposto ao longo da região


dorsal do corpo, ao contrário da maioria dos outros animais, que têm um cor-
dão nervoso duplo e ventral. Nos cordados vertebrados, a extremidade ante-
encéfalo rior desse tubo sofre dilatação e as especializações que originam o encéfalo.
um conjunto de estruturas
do sistema nervoso central,
protegido pelos ossos do crânio. Fendas branquiais - Aberturas que comunicam o interior da faringe com o
Os principais componentes
do encéfalo são o cérebro, o meio extraembrionário. Persistem e realizam função respiratória na maioria
hipotálamo, o cerebelo e o dos cordados aquáticos. Em todos os répteis, aves e mamíferos, elas só existem
bulbo raquidiano.
nas primeiras fases embrionárias, mas não são funcionais e cedo se fecham.

e-Tec Brasil 84 Biologia Aquática e Pesqueira


O esquema embriológico representa os cordados, que são animais triblásticos
e celomados. Observe a indicação dos números e assinale a afirmativa correta.

a) 2 é a notocorda, 5 é a mesoderme e 3 é o celoma.

b) 1 é a notocorda, 2 é a mesoderme e 4 é o celoma.

c) 5 é a notocorda, 1 é a mesoderme e 3 é o celoma.

d) 1 é a notocorda, 2 é a mesoderme e 4 é o celoma.

6.2 Diversidade
Existem cerca de 50 mil espécies de cordados, desde os mais simples, conhe-
cidos como ascídias e anfioxos (descritos a seguir), até as diversas classes de
vertebrados. Sistematicamente, o filo dos cordados pode ser dividido em três
subfilos: urocordados, cefalocordados e vertebrados.

Os urocordados (ascídias) têm seu nome derivado da existência de noto-


corda restrita à cauda da larva. Durante a metamorfose ocorre regressão
da cauda. Os adultos, sem notocorda, têm forma globosa ou tubular, apre-
sentam o corpo protegido por uma túnica, por isso o grupo é também de-
nominado Tunicata. Na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, é comum a
presença da espécie Phallusia nigra, que você pode observar na Figura 6.2.

Aula 6 – Os cordados 85 e-Tec Brasil


Figura 6.2: Espécimes de Phalusia nigra
Fonte: <http://www2.bishopmuseum.org/HBS/invertguide/species/phallusia_nigra.htm>. Acesso em: 28 out. 2010.

Já os cefalocordados, como os anfioxos, são assim chamados porque sua


notocorda estende-se da cauda à cabeça, persistindo por toda a vida. Trata-
se de pequenos animais marinhos com aspecto de “peixe”, com o corpo
achatado bilateralmente e afilado nas extremidades.

Esses animais sedentários, de alguns poucos centímetros e escavadores, pas-


sam a maior parte do tempo enterrados na areia, expondo apenas a extre-
midade anterior (Figura 6.3). Durante a noite, desenterram-se e saem para
nadar por meio de movimentos rápidos do corpo. São filtradores que se
alimentam de plâncton. As partículas alimentares trazidas pela água do mar
ficam retidas na faringe e são conduzidas por cílios para o intestino.

Figura 6.3: Anfioxo com a maior parte do corpo enterrada na areia do fundo do mar
Fonte: <http://www.asturnatura.com/Imagenes/articulos/cordados/wwwfig13.gif>. Acesso em: 28 out. 2010.

e-Tec Brasil 86 Biologia Aquática e Pesqueira


Os vertebrados (subfilo Vertebrata), também chamados eucordados, in-
cluem os cordados que possuem coluna vertebral e encéfalo protegido pelo
Em algumas propostas de
crânio. Neste grupo, encontramos os agnatos ou peixes sem mandíbula classificação, os vertebrados
(classe dos ciclóstomos), os peixes verdadeiros ou mandibulados (condríctes são divididos em dois grupos:
agnatos e gnatóstomos. Os
e osteíctes) e os tetrápodes (anfíbios, répteis, aves e mamíferos). primeiros correspondem aos
vertebrados desprovidos do arco
mandibular e de extremidades
6.2.1 Ciclóstomos locomotoras pares. Já os
gnatóstomos incluem todos
São vertebrados pisciformes sem mandíbula (agnatos), sem escamas, com os vertebrados mandibulados
a boca circular no fundo de um funil bucal, esqueleto cartilaginoso. Esses e dotados de extremidades
locomotoras pares.
animais vivem em água doce ou salgada e têm respiração branquial. Seus
representantes são as lampreias e feiticeiras.

As lampreias são parasitas de peixes e baleias. Fixam-se à superfície de suas


vítimas por meio de sua boca (Figura 6.4), que age como ventosa, raspando-
lhes a pele com os dentes do funil bucal, em seguida, sugam os tecidos jun-
tamente com o sangue, podendo causar a morte desses animais.

Figura 6.4: Lampreia parasitando uma cavala


Fonte: <http://www.anma.pt/galeria/d/2439-2/Lampreia+em+Cavala.JPG>. Acesso em: 28 out. 2010.

A maioria das espécies marinhas de lampreias sobe os rios na época da re-


produção. A fecundação é externa e o desenvolvimento passa por um está-
gio de larva, que em muito lembra o anfioxo.

Aula 6 – Os cordados 87 e-Tec Brasil


As feiticeiras (ou peixes-bruxas) são exclusivamente marinhas, carnívoras,
alimentando-se principalmente de pequenos poliquetos e peixes moribun-
dos. Sua boca, rodeada por 6 tentáculos, é reduzida, com dentes pequenos
usados para arrancar pedaços do corpo da presa. Esses animais são herma-
froditas, mas geralmente só o ovário ou só o testículo é funcional no indiví-
duo. Dos ovos eclodem indivíduos jovens, sendo o desenvolvimento direto.

Fonte: <http://biologia.ifsc.usp.br/bio2/apostila/bio2_apostila_zoo_03.pdf>. Acesso em: 7 jun. 2011.

Que tal palavras cruzadas?

1. C
2. O
3. R
4. D
5. A
6. D
7. O

1. Primeiro eixo de sustentação no desenvolvimento de um cordado.

2. Grupo de anfíbios em que a larva, conhecida como girino, sofre regres-


são da cauda durante sua metamorfose.

3. Diz-se de animais, como os cordados, cujo blastóporo do embrião origina


o ânus.

4. Aquisição dos gnatóstomos em relação aos agnatos.

5. Ciclóstomo encontrado como ectoparasita de peixe.

6. Cordados invertebrados com notocorda restrita à cauda da larva.

7. Cordado invertebrado que passa a maior parte do tempo enterrado na


areia, expondo apenas a extremidade anterior.

e-Tec Brasil 88 Biologia Aquática e Pesqueira


Resumo
Você pode ler mais sobre a
Nesta aula, você viu as características gerais dos cordados. Estes animais são biologia dos cordados em um
bastante diversificados na fase adulta, mas apresentam importantes carac- material didático disponível no
endereço abaixo:
terísticas em comum, pelo menos no estágio embrionário. Você também <http://www.upvix.com.
aprendeu que o grupo dos cordados é muito numeroso, incluindo desde os br/_admin/upload/exercicios/
wanderley_biologia_zoologia_
representantes invertebrados (ascídias e anfioxos) até todos os vertebrados. vertebrados_030808.pdf>.
Este site também lhe permite ler
Este filo é, certamente, o filo com maior popularidade entre nós. sobre a classificação de seres
vivos.

Atividade de aprendizagem

1. Cite as três características comuns a todos os cordados, presentes em


pelo menos uma fase de sua vida, que os diferenciam de todos os outros
animais.

2. Cite dois exemplos de cordados invertebrados.

3. Qual grupo de animais é também conhecido como “peixes sem mandí-


bula”?

4. Qual a grande vantagem da aquisição de mandíbula pelos peixes?

Aula 6 – Os cordados 89 e-Tec Brasil


Aula 7 – Os peixes

Objetivos

Identificar a morfologia externa geral dos peixes.

Conhecer a estrutura e o funcionamento dos diversos sistemas dos peixes.

Compreender a reprodução dos peixes.

7.1 Introdução
Muita atenção! Chegamos a um dos conteúdos mais esperados nesta disci-
plina: você verá, a partir de agora, os peixes! Para começar, iniciamos com
uma definição básica de peixes. Peixes (do latim pisces) correspondem a ani-
mais vertebrados, aquáticos, que possuem o corpo fusiforme, os membros
são nadadeiras sustentadas por raios ósseos ou cartilaginosos, respiram o
oxigênio geralmente pelas guelras e possuem, na sua maioria, o corpo co-
berto de escamas.

Peixes são vertebrados aquáticos, com o corpo fusiforme e nadadeiras


como membros; respiram geralmente por guelras e possuem, na sua maio-
ria, o corpo coberto de escamas.

A palavra “peixes” não tem valor taxonômico oficial, embora alguns consi-
derem designar uma superclasse. Sob a denominação de peixes são incluídos
os condrictes (ou peixes cartilaginosos) e os osteíctes (ou peixes ósseos), po-
rém muitos também consideram os ciclóstomos como peixes.

Aula 7 – Os peixes 91 e-Tec Brasil


7.2 Morfologia externa
Veja um esquema de um peixe mostrando sua morfologia externa.

Figura 7.1: Esquema de um robalo mostrando aspectos da morfologia externa


Fonte: Elaboração de Carlos Rocha (2008).

7.2.1 Linha lateral


A linha lateral (visível na Figura 7.1) é um sistema sensorial desenvolvido ao
longo das duas laterais do animal e formado por uma fileira de canais cheios
de água, que se comunicam através de poros com a água do exterior.

Essa linha é de extrema importância para a detecção e localização de ani-


mais em movimento – predadores, presas ou parceiros sexuais. Este sistema
também possui a vantagem de atuar em uma amplitude maior de condições
ambientais em relação às demais modalidades sensoriais, desde a água lím-
pida e transparente até águas barrentas e turvas.

7.2.2 Nadadeiras
Os peixes apresentam nadadeiras laterais pares – um par de peitorais e um
par de pélvicas – e nadadeiras medianas ímpares – uma ventral, uma caudal
e uma ou duas dorsais.

Em vários peixes, como os da família Characidae (tambaqui, pacu), a segun-


da dorsal recebe a denominação de nadadeira adiposa. Nos condrictes, as

e-Tec Brasil 92 Biologia Aquática e Pesqueira


nadadeiras pélvicas do macho são modificadas, formando, na face interna,
um órgão copulador: clásper ou pterigopódio, que você pode observar na
Figura 7.2, a seguir.

Figura 7.2: Vista ventral de arraia macho exibindo o clásper (seta) na porção interna
das nadadeiras pélvicas
Fonte: Foto de Marcos Brabo (2007).

Outro tipo de nadadeira que você também deve conhecer bem é a nadadeira
caudal que, como o nome sugere, faz parte da cauda dos peixes. Na Figura
7.3 você pode ver as formas mais comuns de nadadeira caudal.

Protocerca Dificerca

Heterocerca Homocerca

Figura 7.3: Tipos de nadadeira caudal


Fonte: <http://portalsaofrancisco.com.br/alfa/peixes/imagens/divisao1.jpg>. Acesso em: 28 out. 2010.

Aula 7 – Os peixes 93 e-Tec Brasil


Certamente, você se lembra da cauda dos tubarões e pode, então, comparar
com a Figura 7.3, concluindo que sua nadadeira caudal é do tipo heterocer-
cicloides
designação das escamas ca. Por outro lado, a maioria dos osteíctes (como robalo, o pargo e o tamba-
de origem dérmica com qui) tem nadadeira caudal do tipo homocerca.
semicírculos concêntricos em
toda sua superfície. Ex.: salmão,
truta, carpa. 7.2.3 Escamas
ctenoides As escamas são discos na pele em sobreposição como telhas para facilitar o
designação das escamas
de origem dérmica com
movimento dos peixes. Existem escamas de variados aspectos. Quase todos
semicírculos paralelos dispostos os osteíctes têm as escamas cicloides ou as ctenoides. Nos condrictes as
em sua área anterior; próximo
à borda livre, sua superfície escamas são placoides, também chamadas dentículos cutâneos.
apresenta numerosos
dentículos. Ex.: perca, robalo,
pescada amarela. 7.2.4 Opérculo
Quando você observa um peixe vivo, em um aquário, por exemplo, facilmen-
placoides
designação das escamas de te percebe duas peças ósseas se movimentando, uma a cada lado da cabeça.
origem dermo-epidérmica com
estrutura muito semelhante
São os opérculos. Eles cobrem as brânquias e são acionados por músculos,
aos dentes, mas com tamanho aumentando a eficiência da circulação da água e da troca de gases nas brân-
bastante reduzido.
quias. Os peixes cartilaginosos, entretanto, não possuem opérculos, exceção
feita às quimeras que são os únicos condrictes com opérculos.

Vamos trabalhar com palavras cruzadas?

1. P
2. E
3. S
4. C
5. A
6. D
7. O

1. Peças ósseas que cobrem as guelras da maioria dos peixes.

2. Peixes com escamas dérmicas e esqueleto predominantemente ósseo.

3. Especialização de machos de Chondrichthyes, responsável pela transfe-


rência de esperma para a fêmea.

4. Tipo de nadadeira caudal característica da maioria dos Osteichthyes.

e-Tec Brasil 94 Biologia Aquática e Pesqueira


5. Conjunto de receptores do peixe, que percebem a correnteza e a pressão
da água.

6. Escamas observadas em peixes como a pescada amarela, o robalo e a


perca.

7. Diz-se da nadadeira ímpar na parte superior do peixe.

Até o momento, tratamos de aspectos da morfologia externa dos peixes.


Agora, passaremos a analisar as funções e órgãos internos desses animais:
você verá, na sequência, informações sobre digestão, circulação do sangue,
excreção, respiração, sistema nervoso e reprodução.

7.3 Digestão
O sistema digestório, como você pode observar na Figura 7.4, é constituído
de boca, faringe, esôfago, estômago e intestino, além de glândulas anexas,
como o fígado e o pâncreas.

Figura 7.4: Esquema de peixe com destaque para os órgãos do sistema digestório
Fonte: Barros e Paulino (2006, p. 207).

Os peixes podem ser divididos, basicamente, em três grandes categorias, de


acordo com o tipo de alimento consumido: herbívoros, onívoros e carnívoros.

Aula 7 – Os peixes 95 e-Tec Brasil


Os herbívoros ingerem os itens de origem vegetal, disponíveis no ambien-
te – a maioria se alimenta de poucas espécies de plantas e, frequentemente,
possuem estruturas de mastigação especializadas, obtendo o máximo valor
nutricional através da completa trituração do alimento. Ex.: piau, carpa capim.

Os onívoros se alimentam de itens de origem animal e vegetal – possuem


uma dieta mista e estruturas pouco especializadas. Frequentemente conso-
mem pequenos invertebrados, plantas e frutos. Ex.: lambari, piraputanga,
pacu, tambaqui, tambacu, tilápia.

Os carnívoros ingerem, sobretudo, itens de origem animal: invertebra-


dos de maior tamanho e outros peixes, podendo se especializar em algum
tipo em particular. Essas preferências podem mudar com a disponibilidade
sazonal dos alimentos. Ex.: robalo, salmão, tucunaré, dourado, pintado,
cachorra, piranha, traíra.

Os peixes podem ser, entre outras formas alimentares, carnívoros ou herbí-


voros. Quanto a essas duas formas de alimentação, como são os peixes mari-
nhos que vivem em grandes profundidades, nas chamadas regiões abissais?
Justifique sua resposta.

7.4 Circulação
Como em todos os vertebrados, a circulação nos peixes é fechada. Na Figura
7.5, você também pode ver que essa circulação é simples, pois no circuito
completo o sangue passa uma única vez pelo coração. Depois de passar pelo
coração, o sangue “não oxigenado” (sangue venoso; em azul na figura) vai
por meio de uma artéria aorta ventral para as brânquias, onde recebe gás
oxigênio. Em seguida, o sangue “agora oxigenado” (sangue arterial; em
vermelho na figura), é distribuído pela aorta dorsal para todos os órgãos do
corpo do animal.

e-Tec Brasil 96 Biologia Aquática e Pesqueira


Figura 7.5: Circulação simples em peixe
Fonte: Linhares e Gewandsznajder (2004, p. 328).

O coração dos peixes tem duas dilatações principais – um átrio e um ven-


trículo (mais musculoso), como mostrado na parte inferior da Figura 7.5.
Acompanhe as setas e veja que o sangue venoso (pobre em oxigênio), vindo
de todas as partes do corpo, é levado pelas veias para o átrio. Em seguida, o
átrio passa o sangue para o ventrículo e este bombeia para fora do coração,
em direção às brânquias.

7.5 Excreção
Os peixes apresentam um par de rins localizados no tórax (chamados rins
mesonefros), responsáveis pela excreção. A urina é eliminada pelo poro uro-
genital, que se abre na parte posterior do intestino, próxima ao ânus. Os
peixes de água doce produzem um grande volume de urina, quando com-
parados aos peixes marinhos, que perdem muita água para o meio externo
(mais rico em sais que o corpo), produzindo, portanto, uma urina bem con-
centrada e pouco volumosa.

Vale ressaltar que nos osteíctes você pode ver o poro urogenital e o ânus
como duas aberturas distintas. Enquanto isso, os condrictes você verá ape-

Aula 7 – Os peixes 97 e-Tec Brasil


nas uma cloaca, que é uma bolsa para a qual convergem as porções termi-
nais dos sistemas excretor (urinário), reprodutor e digestório.

Questões de múltipla escolha.

1. O coração de condrictes e osteíctes tem:

a) um átrio e um ventrículo.

b) um átrio e dois ventrículos.

c) dois átrios e um ventrículo.

d) dois átrios e dois ventrículos.

2. Depois de passar pelo coração do peixe, o sangue “não oxigenado” vai


por meio de uma artéria aorta ventral para __________, onde recebe gás
oxigênio. Em seguida, agora oxigenado, é distribuído pela aorta dorsal
para todos os órgãos do corpo do animal.

Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna.

a) o fígado.

b) o cérebro.

c) as brânquias.

d) os rins.

3. A função de excreção relaciona-se à eliminação de resíduos tóxicos do


metabolismo do animal, mas também representa uma importante contri-
buição à regulação do equilíbrio hidrossalino. Neste aspecto, qual a única
afirmativa correta sobre os peixes?

a) A urina é eliminada pela uretra.

b) Peixes de água doce produzem um volume de urina maior que o dos


peixes marinhos.

c) Os peixes possuem dois rins localizados no abdômen.

d) Os rins dos peixes são chamados metanefros.

e-Tec Brasil 98 Biologia Aquática e Pesqueira


7.6 Respiração
A maioria dos peixes respira por brânquias (guelras). A água entra continu-
Na maioria dos osteíctes ocorre
amente pela boca, banha as brânquias e sai pelas fendas existentes de cada uma bolsa de gás chamada
lado da cabeça. Por esse motivo aquelas peças chamadas opérculos (que bexiga natatória (“grude”,
no popular), que atua como
cobrem as guelras da maioria dos peixes) ficam abrindo e fechando quando órgão hidrostático, ajudando
na flutuação, permitindo que o
o peixe respira. animal mantenha o equilíbrio
em diferentes profundidades
sem muito esforço muscular.
Em um pequeno grupo de
7.7 Sistema nervoso osteíctes conhecidos como
peixes dipnoicos, a membrana da
O sistema nervoso, como em todos os vertebrados, é centralizado em en- bexiga natatória é vascularizada
e permite a realização de trocas
céfalo e medula. Os hemisférios cerebrais dos peixes são lisos (animais li- gasosas entre o ar e o sangue.
sencéfalos) e pequenos. Os lobos olfativos e ópticos e o cerebelo são bem Esses “peixes pulmonados”
podem resistir a longos períodos
desenvolvidos, o que permite bom olfato, boa visão e coordenação de mo- de seca, quando permanecem
vimentos rápidos. entocados em buracos no fundo
lamacento dos rios. É o caso do
peixe australiano Neoceratodus
e da piramboia (Lepidosiren),
encontrada na América do Sul,
7.8 Reprodução inclusive no Brasil.
Os peixes têm uma extraordinária variedade de formas de reprodução,
desde a partenogênese como em Poecilia formosa, até os machos
parasitas permanentemente fixos às fêmeas do peixe de profundidade
Partenogênese
Edriolychnus schmidti. desenvolvimento do gameta
feminino, originando o filhote
sem a participação do esperma-
Tal como nos vertebrados superiores, as primeiras células germinativas forma- tozoide.
das inicialmente nos testículos e ovários são chamadas de “gônias”. Reserva-
-se a denominação de espermatogônias para as produzidas nos testículos e
de ovogônias ou oogônias para as produzidas nos ovários. No início de cada
período reprodutivo, uma fração das “gônias” passa por uma série de divi-
sões mitóticas, seguida de crescimento, quando se tornam espermatócitos e
ovócitos. Os espermatócitos e ovócitos entram em meiose e depois seguem
seu desenvolvimento até gametas maduros: os espermatozoides e óvulos.

Na etapa de crescimento, os ovócitos de osteíctes (mostrados na Figura 7.6)


adquirem grande quantidade de vitelo que servirá de alimento para o em-
brião e para os primeiros momentos de vida da larva.

Aula 7 – Os peixes 99 e-Tec Brasil


Figura 7.6: Ovócitos de Hoplosternum litoralle (tamuatá), ricos em vitelo, observados
ao microscópio
Fonte: Foto de Carlos Rocha (2008).

A fecundação pode ser interna (maioria dos condrictes) ou externa (maioria


dos osteíctes). Nos osteíctes a fecundação é geralmente precedida de curio-
sos rituais de corte nupcial. Uma vez estimuladas pela “dança nupcial”, as fê-
meas eliminam os óvulos e os machos lançam sobre eles os espermatozoides.

A fecundidade varia entre os 300 milhões de ovos por ano em Mola mola até
uma descendência reduzida como em alguns tubarões. Da mesma forma,
o desenvolvimento pode ser direto (condrictes) ou indireto (osteíctes). Nos
Pelágicos osteíctes há um estágio larval conhecido como alevino. Os cuidados paren-
seres vivos que habitam as tais podem estar ausentes, como em muitos peixes pelágicos, ou envolver
águas oceânicas abertas, até a
profundidade de 200 metros. diversas formas de vigilância do ninho ou eclosão bucal.

Que tal palavras cruzadas?

1. P
2. E
3. I
4. X
5. E
6. S

e-Tec Brasil 100 Biologia Aquática e Pesqueira


1. Especialização na face interna das nadadeiras pélvicas de condrictes ma-
chos, para transferência de esperma à fêmea.
Você pode ler mais sobre a
alimentação e digestão em
peixes cultivados no Brasil, no
2. Tipo de nadadeira caudal da maioria dos condrictes, como os tubarões. artigo: ROTTA, Marco Aurélio.
Aspectos Gerais da Fisiologia e
Estrutura do Sistema Digestivo
3. Escamas com semicírculos concêntricos em toda sua superfície, como na dos Peixes Relacionados à
carpa e no salmão. Piscicultura. Documentos,
Corumbá, RS, n. 53, dez. 2003.
Disponível em: <http://www.
cpap.embrapa.br/publicacoes/
4. Órgão hidrostático dos osteíctes, popularmente chamado de grude. online/DOC53.pdf>. Acesso
em: 28 out. 2010.
5. Órgãos protegidos pelos opérculos nos peixes ósseos.

6. Sentido bem desenvolvido nos peixes, graças aos lobos ópticos.

Resumo

Nesta aula, você viu as características gerais dos peixes: tanto os aspectos
que identificam o grupo, quanto o que se refere à morfologia externa e in-
terna, possibilitando a melhor exploração de sua diversidade. Você obteve
informações sobre várias características distintas entre peixes cartilaginosos
e peixes ósseos, e agora pode diferenciá-los não apenas pela constituição de
seus esqueletos. Quanto aos hábitos variados dos peixes, nesta aula, você
identificou aspectos da alimentação e reprodução, ambos importantíssimos,
principalmente quando observarmos espécies de interesse para a piscicultura.

Atividade de aprendizagem

Chegamos ao final da nossa Aula 7. E então? Você já consegue explicar com


suas palavras as características gerais dos peixes?

1. Como você descreve uma nadadeira caudal do tipo heterocerca? Esse


tipo de nadadeira é característica de condrictes ou de osteíctes?

2. Qual a importância da linha lateral para os peixes?

3. Como distinguir um macho de uma fêmea de peixe cartilaginoso?

4. Descreva as escamas ctenoides (encontradas no robalo e na pescada amarela).

Aula 7 – Os peixes 101 e-Tec Brasil


5. Como são classificados, respectivamente, o robalo, o tamuatá e a carpa
capim, de acordo com o tipo de alimento consumido?

6. Cite duas possíveis funções para a bexiga natatória (“grude”) dos teleósteos.

7. Cite duas características frequentes da reprodução de osteíctes, mas que


não sejam comuns na reprodução de condríctes.

8. Dos comportamentos observados nos diversos peixes, cite duas ativida-


des que podem ser consideradas como medidas de proteção aos filhotes.

e-Tec Brasil 102 Biologia Aquática e Pesqueira


Aula 8 – Quais peixes você conhece?

Objetivos

Conhecer um pouco da diversidade de peixes do Brasil.

Identificar peixes de maior frequência na fauna brasileira e de im-


portância para a pesca, cultivo e consumo humano.

Na aula anterior, você acompanhou as características gerais dos peixes. Va-


mos começar mais uma aula sobre peixes, mas agora serão abordados as-
pectos da diversidade dentro desse grupo, um dos mais importantes na área
de sua atual formação técnica. O conteúdo desta aula será apresentado
em duas seções: a primeira sobre os condrictes e a segunda referente aos
osteíctes.

8.1 Diversidade dos condrictes


A classe dos condrictes (Chondrichthyes, em latim) é formada pelos peixes
cartilaginosos e apresenta duas subclasses: Elasmobranchii e Holocephali. Os
elasmobrânquios são também chamados de seláquios e incluem os condric-
tes mais conhecidos: tubarões, cações e raias (ou arraias). A subclasse Holo-
cephali inclui uma pequena e única ordem – Chimaeriformes – que abriga as
espécies conhecidas como quimeras.

Os condrictes apresentam grande diversidade de formas, tamanhos e am-


bientes. O número de espécies conhecidas está acima de 800, com apenas
cerca de 30 espécies de água doce. São predadores ativos. Alimentam-se ge-
ralmente de peixes, embora lulas, polvos e crustáceos também façam parte
da dieta de algumas espécies menores. Uma exceção é o tubarão-baleia, o
maior peixe conhecido, que se alimenta de plâncton. Algumas interessantes
espécies de condrictes foram selecionadas e serão apresentadas a seguir.

Aula 8 – Quais peixes você conhece? 103 e-Tec Brasil


8.1.1 Prionace glauca (tubarão-azul)
Os tubarões-azuis (“blue sharks”) pertencem à ordem Carcharhiniformes e
estão entre os mais comuns e bem distribuídos, sendo normalmente vistos
no alto-mar e, em certas ocasiões, em águas costeiras. Eles são famosos pela
sua capacidade migratória. Há registros de alguns exemplares que nadaram
milhares de quilômetros entre dois continentes em apenas alguns meses.

8.1.2 Carcharhinus leucas (tubarão cabeça chata)


O tubarão cabeça chata é o mesmo tubarão touro ou simplesmente cabeça
chata, é o mais perigoso para o homem, muito numeroso e bem-sucedido. O
cabeça chata é um dos tubarões que mais ataca os seres humanos. Ele possui
duas características de hábitat particulares: se encontra com mais facilidade
em mares tropicais; possui uma glândula que evita perda de sal do corpo,
podendo nadar em águas doces, subindo cabeceiras de rios, o que seria fatal
à maioria de seus parentes. Pode ser encontrado perto de costas das praias,
mas pode viver por um tempo em rios e lagoas. Ele já foi encontrado 3 km
acima no rio Mississipi (nos EUA) e 4 km acima do rio Amazonas. Vive numa
profundidade de até 30 m. Encontrada no Brasil, principalmente em Recife,
essa espécie de tubarão, juntamente com o tubarão-tigre, é responsável por
diversos ataques na praia de Boa Viagem.

Figura 8.1: Espécime de Carcharhinus leucas, a espécie associada à maior parte dos
acidentes na costa brasileira
Fonte: <http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3748&bd=1&pg=1&lg>. Acesso em: 28 out. 2010.

e-Tec Brasil 104 Biologia Aquática e Pesqueira


8.1.3 Manta birostris (arraia manta)
A arraia manta é também conhecida como jamanta ou morcego do mar e
corresponde à maior espécie atual de arraia. Ocorre nas regiões tropicais de
todos os oceanos, perto de recifes de corais. A arraia jamanta alcança até
5 metros de comprimento por 8 metros de largura e 3 toneladas de peso,
chegando a viver no máximo 20 anos.

8.1.4 Potamotrygon motoro (arraia pintada)


Os espécimes dessa arraia são solitários e apresentam o corpo em formato
discoide, cujas bordas são flexíveis para facilitar a locomoção; os olhos es-
tão localizados na região dorsal. Apresentam variação de diversas cores e
tonalidades para facilitar a camuflagem, sendo manchas em tons de ocre e
amarelo na face dorsal, as quais podem variar de acordo com o ambiente. É
também conhecida como arraia de fogo. Embora sejam animais de natureza
dócil, quando se sentem ameaçadas acabam se tornando agressivas, usando
seu ferrão terminal como instinto de proteção.

Figura 8.2: Fêmea de Potamotrygon motoro, a arraia pintada. Peso: 510 g. Largura
do disco: 28 cm
Fonte: <http://www.scielo.br/img/revistas/bn/v7n1/22f3.gif>. Acesso em: 28 out. 2010.

Aula 8 – Quais peixes você conhece? 105 e-Tec Brasil


Vamos trabalhar com palavras cruzadas?

1. T
2. U
3. B
4. A
5. R
6. Ã
7. O

1. Os órgãos que constituem o esqueleto dos condrictes.

2. Denominação popular dos peixes da subclasse Holocephali dos condrictes.

3. Maior e mais importante grupo de peixes dentro da classe Chondri-


chthyes.

4. Denominação popular da maior espécie atual de arraia.

5. Tubarão______________e tubarão-tigre são responsáveis por diversos


ataques na praia de Boa Viagem, em Recife.

6. Enorme peixe cartilaginoso que se alimenta apenas de plâncton.

7. A função do ferrão das arraias.

8.2 Diversidade dos osteíctes


Os osteíctes (peixes ósseos) apresentam grande diversidade de formas, ta-
manhos e ambientes, correspondendo a mais de 95% dos peixes e mais da
metade do número de vertebrados. O número de espécies conhecidas está
acima de 21.000. Alguns têm aspecto bastante peculiar, como o cavalo-
marinho e a enguia. O poraquê ou peixe-elétrico da Amazônia é capaz de
produzir descargas elétricas de até 500 volts, dependendo do seu tamanho.
Outros (sardinha, truta, bacalhau, atum, enchova, salmão, pargo, cioba,
bagres, tucunaré, pintado, pescada-amarela etc.) são fontes de alimento
para o ser humano. Alguns, entretanto, são predadores temidos, como a
piranha e a moreia.

e-Tec Brasil 106 Biologia Aquática e Pesqueira


A classe Osteichthyes apresenta duas subclasses: Sarcopterygii e Actinop-
terygii. Os sarcopterígios possuem nadadeiras carnosas (sarcos = carnoso;
pterígio = nadadeira), com suporte ósseo no centro da nadadeira. Atualmen-
te, o grupo é representado apenas por algumas espécies, que incluem os
peixes dipnoicos e o celacanto (Latimeria), este o único sobrevivente de uma
ordem que se supunha extinta, o crossopterígios. A subclasse Actinoperygii
(actinopterígios) inclui a maioria dos peixes, os quais possuem nadadeiras
raiadas (actino = raio), com um feixe de ossos finos, em forma de leque. En-
tre os actinoperígios destaca-se a infraclasse dos teleósteos. Nela encontra-
mos quase todos os peixes ósseos mais conhecidos. Todos os representantes
dos osteíctes que serão apresentados a seguir são teleósteos.

8.2.1 Colossoma macropomum (tambaqui)


De hábito alimentar onívoro, nativo da Bacia Amazônica, Orinoco e seus rios
afluentes, o C. macropomum, pertencente à família Characidae, constitui-
se num dos maiores peixes de valor econômico da região Amazônica. É o
segundo maior peixe de escamas e o maior Characiforme do rio Solimões/
Amazonas que, no ambiente natural, pode chegar a cerca de 1 metro de
comprimento total e mais de 30 kg. Por possuir carne bastante apreciada
pela população local e por apresentar certo declínio na captura em ambiente
natural, o tambaqui é a principal espécie cultivada na região Norte, desta-
cando-se na piscicultura de seis dos sete estados da região. Dependendo da
quantidade e do tipo de alimento usado no cultivo, seu ganho de peso varia
de 65 g/mês a 90 g/mês.

A piscicultura é uma atividade zootécnica em plena expansão e economica-


mente rentável, desde que se adotem técnicas de cultivo adequadas a cada
espécie. Atualmente, são cultivadas no Brasil 48 espécies de peixes de água
doce. Segundo Ostrenski et al. (2000), o tambaqui é a espécie cultivada em
maior número de estados brasileiros (25), seguido pelas tilápias (22 estados)
e carpa comum.

8.2.2 Cichla spp. (tucunarés)


Os tucunarés são espécies sedentárias, ou seja, não realizam migrações.
Vivem preferencialmente em lagos e lagoas, entrando na mata inundada
durante as cheias. Alimentam-se de diversos peixes, camarões e insetos
aquáticos. A taxonomia do gênero Cichla tem sido avaliada apenas com
dados morfológicos. Mais de 15 formas diferentes têm sido sugeridas e,
pelo menos, cinco espécies válidas já são aceitas pelos taxonomistas atu-
ais: C. temensis, da Amazônia Ocidental (rios Orinoco, Negro e Tapajós); C.

Aula 8 – Quais peixes você conhece? 107 e-Tec Brasil


monoculus da Amazônia Central (rios Solimões e Amazonas); C. ocellaris,
Amazônia Venezuelana; C. orinocensis, da bacia do rio Orinoco e rio Negro;
C. intermedia do alto rio Negro e médio Orinoco.

Figura 8.3: Espécime de Cichla ocellaris


Fonte: <http://213.180.95.58/artregister/artbild/c_ocellaris_michael_persson.jpg>. Acesso em: 28 out. 2010.

8.2.3 Brachyplatystoma rousseauxii (dourada)


Bagre A dourada é um bagre migrador de interesse econômico para a Amazônia,
Termo aplicado a grande
número de espécies da sendo geralmente consumida fresca. Sua distribuição vai desde a Bolívia,
ordem Siluriformes na maior passando pelo médio Amazonas (rios Negro e Madeira) até a parte doce da
parte da América do Sul que
se caracteriza por possuir foz amazônica. É uma espécie essencialmente fluvial, mas pode também
"barbilhões" (ou bigodes) em ser pescada em estuários, até 20 metros de profundidade. Alimenta-se de
suas mandíbulas.
peixes e camarões nas várzeas à noite e volta para o canal do rio durante o
dia; é um predador voraz.

1. A maioria dos peixes dotados de esqueleto ósseo, denominados osteíc-


tes, está reunida atualmente na classe Actinopterygii (actinopterígios, em
português).

a) Qual a característica mais marcante dos actinopterígios, capaz de distin-


gui-los dos demais peixes?

b) Cite quatro exemplos de actinopterígios encontrados no estado do Brasil


em que você mora.

e-Tec Brasil 108 Biologia Aquática e Pesqueira


8.2.4 Lutjanus analis (cioba)
Várias espécies do gênero Lutjanus são conhecidas como vermelhos ou cio-
bas. Inclusive o pargo eventualmente recebe essas denominações. O termo
cioba é mais apropriado e difundido para a espécie L. analis, a qual possui
o corpo com coloração verde oliva no dorso, que se torna gradualmente
vermelho em direção à barriga. Atinge 1 metro e pouco mais de 15 kg. Uma
mancha preta característica está presente nos flancos logo abaixo dos raios
moles da nadadeira dorsal.

Figura 8.4: Espécime de Lutjanus analis


Fonte: <http://www.barcodinglife.org/pics/MEFM/MEFM311-06+1144953556.jpg>. Acesso em: 28 out. 2010.

8.2.5 Netuma barba (bagre-branco, bagre marinho)


Apresenta o corpo robusto, cabeça moderadamente deprimida, boca gran-
de e inferior, rodeada por 3 pares de barbilhões. A nadadeira dorsal e as pei-
torais possuem acúleos rígidos e serrilhados; a nadadeira adiposa é estreita.
O dorso é cinza azulado escuro, com as laterais prateadas; o ventre é branco,
com pigmentos escuros esparsos. É um dos maiores bagres do litoral brasilei-
ro, alcançando 50 cm de comprimento total médio, podendo atingir até 90
cm com 30 kg. Distribui-se das Guianas ao Rio da Prata, na Argentina. Vive
no fundo lodoso ou arenoso na zona litorânea. Tem ciclo de vida anádromo,
isto é, migra do mar para o estuário entre agosto e setembro, para desovar
em águas menos salinas, como da Lagoa dos Patos (RS), por exemplo, onde
os juvenis se desenvolvem, retornando ao mar quando adultos.

Aula 8 – Quais peixes você conhece? 109 e-Tec Brasil


Figura 8.5: Espécime de Netuma barba
Fonte: Leal e Bemvenuti (2006).

Que tal palavras cruzadas?

1. O
2. S
3. T
4. E
5. Í
6. C
7. T
8. E

1. Peixe-elétrico da Amazônia capaz de produzir descargas elétricas de até


500 volts.

2. O gênero do peixe cultivado em maior número de estados brasileiros.

3. Maior e mais importante grupo de peixes dentro da classe Osteichthyes.

4. Tecido predominante no esqueleto dos osteíctes.

5. Osteíctes que possuem nadadeiras carnosas, como o celacanto.

6. Gênero que inclui as várias espécies de tucunaré.

e-Tec Brasil 110 Biologia Aquática e Pesqueira


7. Gênero de peixes conhecidos como “vermelhos”, como a cioba e o pargo.

8. Gênero de um grande bagre que migra do mar para o estuário, para de-
sovar em águas menos salinas, como da Lagoa dos Patos (RS).

Pesquisando na internet

Nesta atividade, você deverá escolher uma espécie de peixe, de preferência


bastante valorizada no seu estado ou região, sobre a qual deverá reunir in-
formações através de pesquisas feitas na internet.

Em seguida, procure realizar sua atividade utilizando o seguinte padrão de


tópicos:

1. Taxonomia

2. Morfologia

3. Distribuição

4. Importância e curiosidades

5. Endereços consultados

Logicamente, cada um desses tópicos deverá conter as informações que


você obteve sobre o animal que escolheu para a atividade.

Você deve ter percebido que a maioria das espécies de peixes que conhece-
mos tem sua importância na área de alimentação humana. Entretanto, há
outros produtos naturais fornecidos por peixes, como a cartilagem de tuba-
rões, já usada para auxiliar nos processos de osteoartrite, artrose e degene-
ração muscular. Atualmente, substâncias obtidas da cartilagem do tubarão
Squalus acanthias encontram-se em testes clínicos para o tratamento de
tumores. Outro exemplo interessante é a proteína do colágeno, uma espécie
de gelatina obtida da bexiga natatória ou “grude”.

Acompanhe, no trecho a seguir, algumas interessantes informações sobre


o aproveitamento da bexiga natatória de alguns peixes, chegando a atingir
importância comercial até maior que a de sua carne.

Aula 8 – Quais peixes você conhece? 111 e-Tec Brasil


Em 2005, a região Norte produziu 135.596,5 toneladas de pescado. Detém
a maior produção da pesca extrativa continental do Brasil. Os estados do
Pará e Amazonas são os maiores produtores. A produção da pescada ama-
rela, com 21 mil toneladas, e a gurijuba, com oito mil toneladas, se presta a
uma gama tão vasta de aplicações que seus quilos de carne saborosa e de
bom valor econômico praticamente ficam em segundo plano.

Elas são capturadas com os apetrechos artesanais: espinhel e rede de ema-


lhar, principalmente no município de Vigia de Nazaré, no Pará, e no Amapá,
o maior produtor dessas espécies. São peixes que formam cardumes nu-
merosos em alto-mar. Os pescadores comercializam também a bexiga na-
tatória, conhecida como “grude”, mais valiosa do que o próprio peixe. Ele
é industrializado para a obtenção de gelatinas de alta qualidade. É utilizado
na indústria de bebidas, principalmente de cerveja e vinho, como agente
clarificante, pois atua no sequestro das partículas em suspensão. Tem finali-
dade também na indústria como espessante, emulsificante, dispersante, ge-
lificante e adesivo base. Novas aplicações estão sendo investigadas, porém,
a mais importante delas talvez seja o uso desse órgão para a fabricação de
fios cirúrgicos biodegradáveis, que evitam nova operação para a retirada dos
pontos, em muitas intervenções complexas.

Fonte: Corrente Contínua: a revista da Eletronorte, agosto/setembro, 2007. Disponível em: <http://www.eln.gov.br/open-
cms/export/sites/eletronorte/modulos/correnteContinua/arquivosCC/CorrenteContxnua216.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2011.

Resumo
Você pode conhecer mais sobre
as características dos peixes
mais frequentes no Mercado Nesta aula, você estudou detalhes sobre alguns condrictes e osteíctes, dos
Público do Rio do Grande (RS)
lendo o artigo com a seguinte quais a maioria se destaca principalmente como recurso alimentar, sendo
referência: muito apreciados em várias regiões. Se bem que alguns, como o “tubarão
LEAL, Lizabeth Carolina
Nobre; BEMVENUTI, Marlise cabeça chata”, são mais temidos do que apreciados. Viu que as arraias ape-
de Azevedo. Levantamento e
caracterização dos peixes mais nas usam seu ferrão para se defender. Viu também que algumas espécies
freqüentes no mercado público apresentadas são importantes na pesca de diferentes regiões, como a dou-
do Rio Grande. Cadernos de
Ecologia Aquática, v. 1, n. rada, o pargo, a cioba e o bagre Netuma. Além da importância alimentar,
1, p. 45-61, jan./ jul. 2006. alguns peixes podem fornecer outros produtos naturais, como a bexiga na-
Disponível em: <http://
www.ceac.furg.br/revista/ tatória (popularmente “grude”), importante na extração de colágeno para
artigos/01_01_04_Lizabeth.
pdf>. Acesso em: 28 out. 2010. diversas indústrias.

e-Tec Brasil 112 Biologia Aquática e Pesqueira


Atividades de aprendizagem

1. Estabeleça duas diferenças entre os condrictes e osteíctes, com base na


morfologia externa.

2. Cite dois gêneros de condrictes da subclasse Elasmobranchii.

3. Cite dois exemplos de peixes da família Lutjanidae que se destacam na


pesca do litoral nordeste do Brasil.

4. Quais os principais peixes da piscicultura de água doce no Brasil?

5. Em relação à bexiga natatória dos osteíctes:

a) Qual sua principal importância (função) para o peixe?

b) Qual sua denominação popular?

c) A bexiga natatória de alguns bagres e da pescada amarela é utilizada


industrialmente. Cite um uso industrial desse órgão.

Aula 8 – Quais peixes você conhece? 113 e-Tec Brasil


Aula 9 – Os anfíbios

Objetivos

Identificar a morfologia externa geral dos anfíbios.

Conhecer a reprodução dos anfíbios.

Entender um pouco a diversidade de anfíbios do Brasil.

9.1 Introdução
Você certamente conhece animais como sapos, rãs e pererecas, mesmo que
provavelmente nem saiba diferenciá-los perfeitamente. Pois esses três gru-
pos de vertebrados, mais as salamandras e cobras-cegas, constituem a classe
dos anfíbios, que veremos a partir de agora.

Anfíbios, do grego amphibios (de amphi, “de um e de outro lado” + bios,


“vida”), foram os primeiros vertebrados a ocupar o ambiente terrestre, princi-
palmente graças à presença de pulmões e dois pares de pernas. Entretanto, ain-
da são muito dependentes da água, principalmente em relação à reprodução.

9.2 Morfologia externa


Em função de sua maior importância em relação aos humanos, serão enfati-
zados os anfíbios anuros (sem cauda na fase adulta). Os termos rãs, sapos e
pererecas não são científicos e cada um deles pode ser aplicado a diferentes
espécies de anuros. As principais diferenças visíveis entre esses anfíbios são
apresentadas no Quadro 1.

Aula 9 – Os anfíbios 115 e-Tec Brasil


Quadro 9.1: Principais diferenças entre rãs, sapos e pererecas.
RÃS SAPOS PERERECAS

Tamanho Pequeno a grande Médio Pequeno

Cor Verde a marrom Marrom Diversas

Corpo Esguio e liso Troncudo e rugoso Frágil

Veneno Sem Com glândulas Geralmente sem

Patas Longas e musculosas Pequenas Longas com ventosas

Desova Espalhada Em cordão Em espuma

Gênero (exemplo) Rana Bufo Hyla

A pele dos anfíbios tem uma fina camada de queratina e não possui esca-
mas, exceto na cobra-cega. Numerosas glândulas mucosas mantêm a pele
úmida, o que é importante para a difusão dos gases respiratórios.

Você já prestou atenção nas glândulas citadas no quadro? São as chamadas


glândulas paratoides, que ficam atrás dos olhos dos sapos. Nelas, realmente
há uma substância venenosa, porém, o bicho não tem capacidade de lançá-
la em ninguém. O que pode acontecer é outro animal, mais comumente um
cachorro desavisado, morder o sapo nesse local. Quando acontece isso, a
glândula é espremida e o líquido sai – um mecanismo de defesa do anfíbio.

Rãs aquáticas possuem membranas interdigitais nas patas traseiras, lem-


brando os pés de pato. As pererecas vivem próximas aos lagos, e possuem
em suas patas pequenas ventosas, utilizadas para subir em pedras altas,
árvores etc.

1. Um anfíbio sem cauda, de coloração amarela, sem glândulas de veneno


e dotado de longas pernas, deve ser:

( ) um sapo

( ) uma rã

( ) uma perereca

( ) uma salamandra

e-Tec Brasil 116 Biologia Aquática e Pesqueira


2. Os sapos têm sido considerados popularmente animais perigosos por seu
veneno, por sua urina e por “trazerem azar”. São inofensivos, entretan-
to, apresentam um par de glândulas de veneno que só é liberado quando
essas glândulas são comprimidas.

a) Como são chamadas essas glândulas?

b) Qual a função ou funções da secreção dessas glândulas?

9.3 Reprodução
Os anfíbios são dioicos. O óvulo é liberado no ambiente aquático e envolto
por uma camada gelatinosa. A partir dele, após a fecundação, eclode o gi-
rino, que permanece na água, onde sofre a metamorfose e origina a forma
adulta, que em muitas espécies vive em ambiente terrestre. O desenvolvi-
mento é, portanto, indireto, com poucas exceções.

A fecundação é geralmente externa, com cópula. Os sapos e rãs machos


atraem as fêmeas com o coaxar e se acasalam à beira da água. O macho
agarra-se às costas da fêmea, prendendo-a com as patas anteriores. Esse
abraço sexual é chamado amplexo. À medida que a fêmea libera os óvulos,
eles são fecundados pelos espermatozoides liberados pelo macho. Do ovo
forma-se o girino, uma larva com cauda, sem pernas e de respiração bran-
quial, que evolui para o estado adulto através de metamorfose, ocorrendo
a regressão da cauda e das brânquias, o desenvolvimento das pernas e dos
pulmões, o encurtamento do intestino, o alargamento da boca e o apareci-
mento da língua e das pálpebras. Essas transformações são controladas prin-
cipalmente pela tiroxina, hormônio produzido pela tireoide e que contém
iodo na sua constituição.

Aula 9 – Os anfíbios 117 e-Tec Brasil


Figura 9.1: Rãs por ocasião do amplexo
Fonte: <http://media-2.web.britannica.com/eb-media/57/42157-004-2706C93D.jpg>. Acesso em: 20 jun. 2011.

Questões de múltipla escolha.

1. As palavras que completam corretamente as seguintes frases são respec-


tivamente:

A larva do sapo denomina-se _______.

As mudanças de forma durante a transformação da larva em adulto chama-


se _______.

Os sapos são anfíbios da ordem _______.

a) Girino, metamorfose, Anura.

b) Girino, metamorfose, Urodela.

c) Girino, metamorfose, Gymnophiona.

d) Miracídio, desenvolvimento hemimetábolo, Anura.

e) Lagarta, desenvolvimento hemimetábolo, Urodela.

e-Tec Brasil 118 Biologia Aquática e Pesqueira


2. Veja que a figura representa a metamorfose de um girino; essas transfor-
mações sofridas pelos anfíbios dependem de um importante elemento
químico, o iodo.

Então, pode-se afirmar que a ausência total desse elemento químico:

a) prejudicará ou retardará a metamorfose, dada a sua importância para as


glândulas paratireoides, cuja função é controlar o metabolismo de cálcio
e iodo.

b) não trará prejuízo para o desenvolvimento, pois a glândula hipófise con-


tinuará produzindo o hormônio tireotrofina que através de um mecanis-
mo de compensação suprirá a falta de iodo.

c) prejudicará o desenvolvimento desse girino por deficiência do hormônio


de crescimento. Logo, a metamorfose ocorrerá lentamente e o anfíbio
adulto terá tamanho reduzido.

d) prejudicará a formação do hormônio tiroxina, cuja função é promover o


crescimento e a metamorfose completa do girino.

9.4 Diversidade
De maneira simplificada, podemos falar em anfíbios ápodes (sem pernas), an-
fíbios com cauda e anfíbios sem cauda. A classe apresenta três ordens: Ápoda
(cecílias ou cobras-cegas); Urodela (salamandras); Anura (rãs, sapos e pererecas).

Os chamados anfíbios saltadores (rãs, sapos e pererecas) constituem a ordem


Salientia ou Anura (sem cauda). Trata-se da maior ordem de anfíbios, com
33 famílias e quase cinco mil espécies. Entre as numerosas famílias dessa
ordem, merecem nosso destaque Ranidae, Leptodactylidae e Bufonidae. A
seguir, você encontrará um resumo das características de duas interessantes
espécies que foram selecionadas.

Aula 9 – Os anfíbios 119 e-Tec Brasil


9.4.1 Rana catesbeiana (rã-touro)
A rã-touro é o maior anfíbio anuro encontrado na América do Norte, poden-
do pesar até 0,5 kg e medir até 20 centímetros de comprimento, embora
o comprimento típico varie de 9 a 15 centímetros. A cor varia de marrom
a tons de verde, muitas vezes com manchas de uma cor mais escura sobre
a parte traseira. As patas traseiras são totalmente aladas (com membrana
interdigital).

O sexo de uma rã-touro adulta pode ser facilmente determinado através da


análise do tamanho do tímpano em relação ao do olho. O tímpano é um
círculo localizado no lado da cabeça próximo ao olho, e no sexo masculino
é muito maior do que o olho. Nas fêmeas, o tímpano é do mesmo tamanho
ou menor do que o olho. Além disso, durante a época de reprodução, a gar-
ganta da rã macho fica amarela, enquanto a da fêmea fica branca.

Figura 9.2: Espécime macho de Rana catesbeiana


Fonte: <http://www.fs.fed.us/r8/el_yunque/wildlife-facts/2003/wildlife-facts_images_2003/rana_catesbeiana.jpg>.
Acesso em: 20 jun. 2011.

Rana catesbeiana é uma espécie exótica, pois é originária da América do


Norte (nordeste dos EUA e sudeste do Canadá), onde vive em temperaturas
muito baixas durante vários meses do ano. Ao ser introduzida no Brasil, para
Ranicultura a ranicultura, adaptou-se perfeitamente às condições climáticas, o que fa-
Cultivo de rãs em cativeiro
voreceu seu desenvolvimento em relação à reprodução e engorda.

Atenção

A rã-touro (bullfrog) é assim chamada porque o macho, na época da repro-


dução, emite um som potente como vocalização, o coaxar, muito parecido
com o mugido de boi. Por outro lado, essa espécie recentemente passou a
ser identificada cientificamente como Lithobates catesbeianus.

e-Tec Brasil 120 Biologia Aquática e Pesqueira


9.4.2 Leptodactylus labyrinthicus (rã-pimenta)
Uma rã de grande porte, conhecida como rã-pimenta, generalista quanto à
utilização de habitat, adapta-se facilmente aos ambientes antropizados, sen-
do o seu status de conservação definido como de menor preocupação pela
União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN – International
Union for Conservation of Nature). Ocorre nos cerrados e caatingas do Bra-
sil central e sudeste, costa da Venezuela, leste do Paraguai, Bolívia e norte
da Argentina. Sua pele e carne apresentam potencial econômico. Syphaxin,
laticeptin e ocellatins são peptídeos antimicrobianos extraídos de diferentes
espécies do gênero Leptodactylus.

Figura 9.3: Espécime de Leptodactylus labyrinthicus


Fonte: <http://www.geocities.com/geckoides/pics/Leptodactylus_labyrinthycus.jpg>. Acesso em: 20 jun. 2011.

Que tal palavras cruzadas?

1. A
2. N
3. F
4. Í
5. B
6. I
7. O

Aula 9 – Os anfíbios 121 e-Tec Brasil


1. O abraço sexual, na cópula das rãs.

2. Denominação da larva dos anfíbios anuros.

3. Reorganização anatômica e fisiológica que ocorre nos anfíbios na passa-


gem da fase de larva para adulto.

4. Câmara cardíaca dos anfíbios em que se verifica mistura de sangue arte-


rial e venoso.

5. Tipo de respiração característico das larvas de anfíbios.

6. Hormônio principal responsável pelas alterações durante a metamorfose


de anfíbios.

7. Denominação técnica para o som produzido por animais, que popular-


mente chamamos de canto.

Apesar de muita gente ainda ter um pouco de aversão ao animal, as rãs têm
uma das carnes mais saborosas que existem. Além da carne, muita coisa se
aproveita da rã. Sua pele, depois de curtida, pode ser utilizada em peças de
vestuário, como cintos e bolsas e na cicatrização de queimaduras.

Resumo

Nesta aula, você observou que os anfíbios são vertebrados geralmente com
uma fase jovem aquática e uma fase adulta terrestre. Notou que mesmo sen-
do o primeiro grupo de vertebrados a enfrentar a vida fora da água, desta
ainda depende muito, particularmente para a reprodução e respiração. Viu
ainda que a metamorfose sofrida pela maioria desses animais durante o seu
desenvolvimento implica em mudanças significativas em órgãos externos e
em alguns sistemas internos, para permitir boa adaptação ao novo modo de
vida assumido. Constatou também que os anfíbios se notabilizam por sua
importância como recurso natural, ligados à alimentação ou à obtenção de
produtos como cintos e bolsas, bem como na extração de drogas de interes-
se medicamentoso.

e-Tec Brasil 122 Biologia Aquática e Pesqueira


Atividades de aprendizagem

1. Cite uma característica dos anfíbios que justifique por que a maioria des-
ses animais tem vida restrita a ambientes úmidos.

2. As glândulas paratoides ocorrem em sapos ou em rãs? E qual sua impor-


tância?

3. Cite duas alterações que você considera marcantes durante a metamor-


fose de um girino para a fase adulta.

4. Qual a principal espécie utilizada na ranicultura brasileira?

5. Além da carne, que outros produtos podem ser obtidos das rãs?

Aula 9 – Os anfíbios 123 e-Tec Brasil


Aula 10 – Os répteis

Objetivos

Identificar a morfologia externa geral dos répteis.

Entender o processo reprodutivo dos répteis.

Conhecer um pouco da diversidade de répteis do Brasil.

10.1 Introdução
O nome desse grupo de animais refere-se ao seu modo característico de
deslocamento (do Latim, reptum = rastejar). Inclui quatro ordens: os cro-
codilianos (crocodilos e jacarés), os escamosos (serpentes e lagartos), os
quelônios (tartarugas, cágados e jabutis) e os rincocéfalos (tuataras da
Nova Zelândia).

A tartaruga é uma espécie de réptil que vive na água doce ou marinha sain-
do somente quando necessário, os cágados são espécies semiaquáticas e os
jabutis são espécies terrestres. A desova desses animais é terrestre. O termo
tartaruga também pode ser usado para todos os animais pertencentes ao
grupo dos quelônios.

10.2 Morfologia externa


Quando você olha para um réptil, facilmente percebe que a pele é espessa,
sem glândulas. Dizemos que a pele dos répteis é bastante queratinizada,
ou seja, contém grande quantidade de queratina. Nas cobras e lagartos, há
escamas córneas; nos crocodilos e jacarés, há placas córneas; nas tartarugas,
essas placas se unem a placas ósseas, formando uma carapaça protetora. Em
muitos casos (cobras e alguns lagartos), ocorrem mudas, com eliminação das
camadas mais superficiais da epiderme.

No sistema ósseo das tartarugas, existem duas partes: o endoesqueleto,


composto pelos ossos internos, como em qualquer vertebrado, e o exoes-

Aula 10 – Os répteis 125 e-Tec Brasil


queleto, composto pela carapaça (dorsal) e o plastrão (ventral). Por causa do
plastrão, as pernas são projetadas para os lados e não para baixo.

10.3 Reprodução
Alguns aspectos da reprodução foram fundamentais para o sucesso dos rép-
teis na conquista do ambiente terrestre. A fecundação é interna, havendo
nos machos da maioria das espécies um órgão (pênis) para lançar gametas
no interior da fêmea.

O desenvolvimento do embrião ocorre em um ovo com casca, que fornece


proteção mecânica e suporte. Além do saco vitelino, que contém alimento
para o desenvolvimento do embrião, os répteis possuem três outros anexos
embrionários: o âmnio, o alantoide e o córion. O âmnio, também chamado
de bolsa de água, protege o embrião contra a desidratação (ele está presen-
te também nas aves e nos mamíferos; por isso esses animais são chamados
amniotas). O ovo dos répteis (também o das aves) é chamado ovo amniótico.

O alantoide acumula as excretas do embrião e participa das trocas de gases


respiratórios entre o ovo e o meio externo. O córion fornece uma proteção
adicional e colabora com a alantoide na respiração.

Questões de múltipla escolha

1. Na história da conquista do ambiente terrestre pelos vertebrados,


os répteis apresentam soluções definitivas para alguns “problemas”
que ainda mantinham os anfíbios dependentes do ambiente aquáti-
co. Dentre as soluções dos répteis, podemos citar: a pele queratiniza-
da, o pulmão com maior superfície de trocas gasosas e a eliminação
de catabólitos nitrogenados de baixa toxicidade e de baixa solubilidade.
Em relação à reprodução, assinale a alternativa que apresenta duas con-
quistas evolutivas que conferiram aos répteis a independência do am-
biente aquático.

a) fecundação externa, desenvolvimento indireto

b) fecundação interna, ovo com âmnio e com casca

c) fecundação externa, ovo com alantoide

d) fecundação interna, desenvolvimento indireto

e-Tec Brasil 126 Biologia Aquática e Pesqueira


2. Assinale a afirmação correta em relação aos répteis.

a) São os primeiros animais amniotas na escala animal.

b) Algumas ordens apresentam fecundação externa.

c) São animais agressivos, mas só entre os ofídios encontramos indivíduos


peçonhentos.

d) Não fazem parte do ecossistema marinho.

10.4 Diversidade dos répteis


Por conta do maior interesse em nosso curso, dedicaremos especial atenção
aos quelônios e jacarés. 

10.4.1 Podocnemis expansa


(tartaruga-da-Amazônia)
Habita rios e lagos no Norte da América do Sul, nas bacias dos rios Amazo-
nas e Orinoco. Desova entre 40 e 160 ovos por postura, que eclodem após
45 a 80 dias de incubação. É o maior quelônio da América do Sul. Atinge
facilmente 50 kg, mas algumas chegam a até 75 kg e um casco de 90 cm de
comprimento. Por isso, foram muito caçadas, e ainda são por povos ribeiri-
nhos, pela sua carne e pelos seus ovos.

Hoje, busca-se equilibrar o quanto se pode caçar desse animal com a re-
posição de indivíduos pela reprodução, e a apanha de ovos foi proibida.
Inclusive, alguns projetos estabelecem formas de criação em cativeiro para
aumentar o número de tartarugas-da-Amazônia. Apesar de serem muito
prolíficas, botando por volta de 120 ovos em covas cavadas à beira dos rios,
e de milhares de tartarugas colocarem seus ovos juntas no período de postu-
ra, são poucas as que conseguem atingir a idade adulta, pois muitos animais
se alimentam das jovens tartaruguinhas-da-Amazônia.

Aula 10 – Os répteis 127 e-Tec Brasil


Figura 10.1: Espécime de Podocnemis expansa
Fonte: <http://www.ethnobiomed.com/content/figures/1746-4269-4-3-1-l.jpg>. Acesso em: 21 jun. 2011.

Chamamos de quelonicultura o cultivo de tartarugas em cativeiro. A Porta-


ria 142/92 de 30 de dezembro de 1992 normatiza a criação de Podocnemis
expansa (tartaruga-da-Amazônia) e Podocnemis unifilis (tracajá) em cativei-
ro, na Amazônia.

10.4.2 Podocnemis unifilis (tracajá)


O tracajá é uma espécie comum na Amazônia, possuindo ampla distribuição
geográfica, ocorrendo em rios e florestas inundados das regiões Norte e
Centro-Oeste do Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Equador, Venezuela e Guia-
nas. Seu habitat natural é formado por rios que possuem águas escuras com
correntes fracas. Espécie de porte médio, atingindo em torno de oito quilos
e até 68 cm de comprimento de carapaça.

Apresenta casco levemente convexo com manchas amareladas bem eviden-


tes na parte dorsal da cabeça e nas bordas das placas marginais da carapaça,
melhor observadas em filhotes, que desaparecem em fêmeas adultas. Pode
viver até 90 anos e sua maturidade sexual ainda não está definida, supõe-se
que ocorra com sete anos de idade, aproximadamente.

e-Tec Brasil 128 Biologia Aquática e Pesqueira


Figura 10.2: Espécime de Podocnemis unifilis
Fonte: <http://www.tartarugas.avph.com.br/jpg/podocnemis%20unifilis5.jpg>. Acesso em: 21 jun. 2011.

10.4.3 Caiman latirostris


(jacaré-de-papo-amarelo)
Além das tartarugas, como as espécies aqui apresentadas, também merecem
destaque os jacarés, cujo cultivo já começa a ser realizado no Brasil. Do ponto
de vista nutricional, a carne do jacaré é rica em proteínas, possui baixo teor
calórico, baixa taxa de gordura, não contém gordura trans e nem carboidra-
tos. Na dieta dos animais em cativeiro não são utilizados aditivos químicos e
nenhum tipo de medicação, tornando o alimento totalmente natural.

O jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) alimenta-se de peixes e outros


vertebrados aquáticos, e de invertebrados, como caranguejos, caramujos e
insetos. Pode chegar a 3 metros. Nidifica construindo um ninho com folhas
e fragmentos de plantas, nas bordas de capões de cerradão e mata, ou sobre
tapetes de vegetação flutuantes. Desova de 20 a 30 ovos em uma câmara no
interior do ninho. Os jacarés são ecologicamente importantes porque fazem
o controle biológico de outras espécies animais ao se alimentarem daqueles
indivíduos mais fracos, velhos e doentes, que não conseguem escapar de
seu ataque. Suas fezes servem de alimento a peixes e a outros seres vivos
aquáticos. Essa espécie está classificada na categoria ameaçada de extinção.

Aula 10 – Os répteis 129 e-Tec Brasil


Figura 10.3: Espécime de Caiman latirostris.
Fonte: <http://www.bouzada.d2g.com/galeria/292.jpg>. Acesso em: 20 abr. 2011.

Você sabe como diferenciar um crocodilo de um jacaré? Na prática, é preciso


olhar de perto, de modo que muita gente prefere ficar sem saber. Os jaca-
rés têm focinho largo e arredondado, enquanto os crocodilos têm a cabeça
mais afilada. A diferença mais visível, porém, está nos dentes. No crocodilo,
o quarto dente de cada lado da mandíbula inferior se encaixa num chanfro
da mandíbula superior, permanecendo visível mesmo de boca fechada. Já no
jacaré (Figura 10.3), o mesmo dente se esconde num buraco da mandíbula
superior, sumindo de vista ao fechar a boca.

Vamos trabalhar com palavras cruzadas?

1. R
2. É
3. P
4. T
5. I
6. L

e-Tec Brasil 130 Biologia Aquática e Pesqueira


1. Nome popular da espécie Podocnemis unifilis.

2. Grupo de répteis restrito da Nova Zelândia.

3. Gênero que inclui a tartaruga-da-Amazônia e o tracajá.

4. Parte ventral do exoesqueleto dos quelônios.

5. Ordem de répteis que inclui os jacarés.

6. Denominação dada ao cultivo de tartarugas em cativeiro.

Resumo

Nesta aula, você observou que os répteis são vertebrados melhor adaptados
que os anfíbios à vida terrestre. Seu ovo com casca e âmnio em muito con-
tribuiu para essa conquista. Percebeu ainda que os quelônios e jacarés são
os répteis de maior interesse para o nosso curso. Constatou também que a
tartaruga-da-Amazônia e o tracajá já têm o seu cultivo (quelonicultura) nor-
matizado pelo IBAMA.

Atividades de aprendizagem

1. Cite uma característica que garante melhor adaptação dos répteis ao


ambiente terrestre, quando comparados com os anfíbios.

2. Por que Podocnemis expansa tornou-se espécie ameaçada de extinção?

3. Como é chamado o cultivo de tartarugas em cativeiro?

4. Estabeleça diferenças entre crocodilo e jacaré.

5. Identifique as principais interações ecológicas estabelecidas pelo jacaré-


de-papo-amarelo com outras espécies em seu ambiente natural.

Aula 10 – Os répteis 131 e-Tec Brasil


Aula 11 – Conhecendo artes de pesca

Objetivos

Conceituar artes de pesca.

Conhecer as artes mais utilizadas na pesca brasileira.

11.1 Introdução
A expressão artes de pesca é utilizada na Engenharia de Pesca, nas ciências
e na legislação pesqueira para designar os instrumentos ou aparelhos usa-
dos para pescar, também chamados apetrechos de pesca. A seguir, você vai
encontrar informações sobre tarrafa, espinhel, redes de emalhar, mazuás e
matapis, dentre outros apetrechos.

11.2 Principais artes de pesca


Os diversos tipos de artes de pesca foram desenvolvidos para capturar es-
pécies aquáticas com diferentes comportamentos: as redes de emalhar, por
exemplo, são mais apropriadas para capturar peixes que vivem em cardu-
mes; linha e anzol são mais empregados na captura de peixes predadores.

11.2.1 Tarrafa
Consiste em uma rede de forma cônica, com pesos de chumbo nas bordas e
uma corda no centro do saco para retirá-la da água (Figura 1). Geralmente é
de malha fina e lançada a partir de uma embarcação pequena ou das mar-
gens de um corpo d’água. É usada na pesca de peixes pequenos e camarões
que ocorrem junto à superfície ou a pouca profundidade (Espírito Santo &
Isaac, 2005).

Aula 11 – Conhecendo artes de pesca 133 e-Tec Brasil


Figura 11.1: Tarrafa
Fonte: <http://www.fipesca.com.br/img/fotos/47.jpg>. Acesso em: 4 jul. 2011.

11.2.2 Redes

São apetrechos retangulares, de malha e comprimentos variados. Podem ser


empregadas de várias maneiras, recebendo nomes diferentes para cada uso.
Observe os exemplos no quadro a seguir.

Quadro 11.1: Apetrechos de pesca utilizados na pesca do tamoatá na região


de Santa Cruz do Arari, Ilha de Marajó, Pará.
Arrasto de lanço – pescaria realizada com uma única rede.

Rede de cerco Rede de fio Arrasto de encontro – pesca realizada com duas Arrasto de encontro no lago.
redes, podendo ser denominada de ‘cacuri’. Arrasto de encontro no rio.

Arrasto – método de pesca ativo.

Sozinha – rede de 100 a 200 m.


Rede de emalhar Rede de fibra
Espera – método de pesca passivo. Em bateria – redes de 1.500 m, com ma-
lhas de 25 a 40 mm entre nós adjacentes.
Fonte: Modificado de Albuquerque e Barthem (2008).

O termo cacuri também é aplicado a um instrumento de tapagem feito de


lianas atadas com cordões de fibras naturais que se coloca nas margens dos
rios e canais.

Tapagem
11.2.3 Puçá de arrasto
armadilha confeccionada de
madeiras regionais, em forma
de esteiras ou cercas, ou
Você já viu um apetrecho de pesca que é arrastado por dois pescadores em
construída de linhas, tipo rede, áreas de pouca profundidade? É o puçá de arrasto, uma rede em forma de
colocadas de forma a impedir
a circulação ou migração saco, com as laterais presas a hastes (estacas) de sustentação.
biológica de cardumes.

e-Tec Brasil 134 Biologia Aquática e Pesqueira


Trata-se de uma rede móvel, confeccionada com linha de algodão ou náilon
seda, semelhante a um cone, pois se estreita da boca para a extremidade
terminal e serve principalmente para capturar peixes pequenos e camarões.

11.2.4 Curral

Chamamos de curral uma arte fixa de grandes dimensões, como um cercado


construído por estacas de madeira fixas (“espia”) e dispostas de maneira a
permitir que os peixes nadem para o interior da armadilha, através de um cor-
redor, e não encontrem mais a saída. O local onde os peixes ficam presos cha-
ma-se depósito ou “chiqueiro” e o corredor até lá é conhecido como “sala”.
Através de currais capturam-se peixes de hábitos costeiros e, ocasionalmente,
também camarões e outros crustáceos (ESPÍRITO SANTO; ISAAC, 2005).

Fuzarca ou puçá de estaca


é parecido com o puçá de
arrasto, porém, é fixo e de
maiores dimensões. O curral
e a fuzarca, como armadilhas
fixas, são semelhantes,
construídas na maioria das
vezes com madeira retirada do
mangue, facilitando a entrada
e obstruindo a saída dos
peixes. Diferenciam-se quanto
ao interior, já que no curral
os peixes ficam armazenados
numa área denominada
chiqueiro, enquanto na fuzarca
eles são levados a uma rede
cônica. A seletividade, nesse
caso, depende do tamanho
da malha. Normalmente, há
uma diversidade de espécies
Figura 11.2: Curral de beira no formato “centro” no município de São Caetano de capturadas.
Odivelas/Pará
Fonte: Brabo (2007).

1. Assinale a alternativa que apresenta um apetrecho adequado para a cap-


tura de cardumes.

a) rede de emalhar

b) manzuá

c) linha e anzol

d) puçá de arrasto

Aula 11 – Conhecendo artes de pesca 135 e-Tec Brasil


2. O puçá de arrasto, mostrado na figura a seguir, é um apetrecho melhor
apropriado para explorar qual dos recursos relacionados?

a) cardumes de tainhas

b) camarão-rosa em alto-mar

c) pequenos peixes de regiões pouco profundas

d) grandes peixes migradores

3. Os métodos de captura estão associados tanto ao hábito quanto ao hábi-


tat de cada espécie. Dessa forma, na pesca de peixes pequenos e cama-
rões em áreas de pouca profundidade, são utilizados:

a) rede de espera e fuzarca

b) espinhel e puçá de arrasto

c) manzuá e curral

d) puçá de arrasto e tarrafa

e-Tec Brasil 136 Biologia Aquática e Pesqueira


11.2.5 Espinhel
A pescaria com espinhel é realizada pelas frotas espinheleiras nacionais e
arrendadas baseadas nos portos das regiões Sul e Sudeste (Rio Grande – RS,
Itajaí – SC e Santos – SP) e Nordeste (Recife – PE, Cabedelo – PB e Natal –
RN). Essa atividade iniciou-se no Brasil em 1958, introduzida por japoneses.
Hoje, porém, o modelo japonês de espinhel vem sendo substituído pelo mo-
delo norte-americano. O espinhel é um apetrecho formado por um extenso
fio ou corda (linha mãe), no qual se prendem, de espaço em espaço, linhas
armadas de anzóis. A distância entre os anzóis pode ser variada, mas geral-
mente fica entre 1,5 e 3 metros.

Figura 11.3: Espinhel


Fonte: <http://www.geocites.com/j.aldeia/barcos/espinhel.gif>. Acesso em: 4 jul. 2011.

Uma variação de espinhel é a linha pargueira. Esse espinhel é um apetre-


cho vertical com 200 metros de comprimento de linha principal, linhas par-
gueiras com 9 a 10 metros com ramos de 0,5 metro de comprimento com
chumbada e 10 a 15 anzóis de número 3 a 6. Inicialmente, era totalmente
operada de forma manual. Mais recentemente, tem sido operada com auxí-
lio da “bicicleta”, roldana manual fixada à borda da embarcação (FONTELES
FILHO, 1972), que você pode ver na Figura 11.4.

A pargueira é um artefato direcionado principalmente a cardumes e o seu


posicionamento na coluna d’água depende da localização das espécies-alvo.
Entre os alvos de valor comercial estão espécies como: xarelete (Caranx cry-
sos), enxova (Pomatamus saltator), barracuda (Sphyraena barracuda), robalo
(Centropomus sp.), corvina (Micropogonias furnieri), pargo (Lutjanus purpu-
reus) e cioba (Lutjanus analis).

Aula 11 – Conhecendo artes de pesca 137 e-Tec Brasil


Figura 11.4: Pesca com uso da linha pargueira com bicicleta a bordo
Fonte: Modificado de Souza (2002).

11.2.6 Manzuá
É uma armadilha para peixes feita de varas finas de madeira de mangue.
O modelo mais comum tem aspecto semicilíndrico, com duas entradas. Os
peixes que entram não conseguem sair. Para atrair os peixes para o manzuá
são colocadas iscas, como peixes ou frutas.

Existe outro tipo de manzuá,


feito de palha para a pesca da
lagosta. Do mesmo modo, o
animal entra e não consegue
sair. É também chamado covo
e a malha deve ser quadrada e
ter no mínimo 5 cm de espaço Figura 11.5: Manzuás
entre nós consecutivos. Fonte: Espírito Santo e Isaac (2005).

e-Tec Brasil 138 Biologia Aquática e Pesqueira


11.2.7 Matapi
Na pesca artesanal de camarões, uma das artes de pesca utilizadas é o ma-
tapi. Trata-se de uma armadilha cilíndrica para pegar camarão, que muito se
assemelha ao manzuá, sendo feito de talas de bambu ou fibras de palmeiras,
as quais são amarradas em corda e colocadas nas beiras de rios e igarapés.
Tal como no manzuá, nos dois lados do matapi existem uma espécie de funil
por onde o camarão entra e depois não consegue sair facilmente, ficando
preso no interior da armadilha.

11.2.8 Linha de mão


A linha de mão é o método de captura que consiste simplesmente em uma
linha com um ou mais anzóis iscados na ponta, operada manualmente. Cap-
tura peixes predadores de tamanhos diversos. Sua seletividade depende do
tamanho das partes componentes do anzol; distância entre anzóis numa
linha; tipo, tamanho e poder de atração da isca; tempo de permanência da
isca no anzol.

Que tal palavras cruzadas?

1. P
2. E
3. S
4. C
5. A
6. R
7. I
8. A

1. Apetrecho utilizado para a pesca do camarão feito de talas de algum tipo


de palmeira, as quais são amarradas em corda e colocadas nas beiras de
rios e igarapés.

2. Roldana manual fixada à borda da embarcação para lançar e recolher o


espinhel.

3. Método passivo de pesca, com a utilização de rede de emalhar.

Aula 11 – Conhecendo artes de pesca 139 e-Tec Brasil


4. Instrumento de tapagem feito de lianas atadas com cordões de fibras
naturais que se coloca nas margens dos rios e canais.

5. Apetrecho fixo de grandes dimensões, como um cercado construído por


estacas de madeira fixas, dispostas de maneira a permitir que os peixes
nadem para o interior da armadilha através de um corredor e não encon-
trem mais a saída.

6. Linha e anzol são mais empregados na captura desses peixes.

7. Apetrecho constituído por uma linha mãe que fica horizontal e desta
partem várias outra linhas dotadas de anzóis iscados.

8. Rede de forma cônica, com pesos de chumbo nas bordas e uma corda no
centro do saco para retirá-la da água.

Dentre as pescarias atuantes no Brasil, o arrasto de profundidade é reco-


nhecido mundialmente como sendo o método de pesca mais destrutivo,
devido, principalmente, a não seletividade de seus apetrechos. São sempre
bem-vindas as tentativas de utilização de apetrechos seletivos para limitar
pelo menos o tamanho mínimo de captura, tanto nas pescarias industriais
quanto artesanais.

Um trabalho de pesquisa que focaliza a importância da seletividade na sus-


tentabilidade da pesca de camarões é apresentado, a seguir, como sugestão
Para uma leitura complementar de leitura.
sobre a seletividade de duas
modalidades de matapi, acesse
a referência a seguir.
CAMARGO, Maurício et al.
Matapi pet: uma nova proposta Resumo
para a exploração sustentável
do camarão amazônico
Macrobrachium amazonicum Nesta aula, você observou que as artes de pesca são os diferentes aparelhos
(Heller, 1862). Uakari, v. 5, n. 1, usados para pescar. Variam de complexidade e de acordo com o tipo de
p. 91-96, jun. 2009. Disponível
em: <http://uakari.org.br/ pescado que deve ser capturado. Podem ser também chamadas apetrechos
index.php/UAKARI/article/
view/58/70>. Acesso em: 8 de pesca. Algumas são fixas como o curral e a fuzarca; outras podem ser
dez. 2009. deslocadas para variados locais.

e-Tec Brasil 140 Biologia Aquática e Pesqueira


Atividades de aprendizagem

1. Estabeleça diferenças entre o puçá de arrasto e a fuzarca.

2. O que há de semelhante e qual a diferença entre o curral e a fuzarca?

3. Cite um apetrecho adequado para a captura de cardumes.

4. O pargo (Lutjanus purpureus) é uma espécie do Atlântico Ocidental,


ocorrendo em quase todo o mar do Caribe e ao longo de toda a costa
Nordeste da América do Sul. Sua captura é realizada, principalmente,
pelo sistema industrial de pesca, através de grandes empresas com sede
em Fortaleza-Ceará, mas operando nos portos base de Belém, Vigia e
Bragança, todas no estado do Pará. Descreva a principal arte de pesca
utilizada nessa captura de pargo.

5. A respeito da seletividade da pesca com linha e anzol, cite duas caracte-


rísticas (ou fatores) que devem ser levadas em consideração.

Aula 11 – Conhecendo artes de pesca 141 e-Tec Brasil


Aula 12 – Noções de estoque
e sustentabilidade

Objetivos

Conceituar estoque pesqueiro.

Analisar as estimações da captura máxima sustentável.

12.1 Introdução
Você já consegue perceber que há muita diferença, em termos de nível de
exploração de recursos pesqueiros, quando comparamos alguns membros
de uma família que ganham seu sustento pescando no leito do rio em cujas
margens residem e uma grande embarcação altamente equipada e com tri-
pulação qualificada para capturar recursos pesqueiros marinhos. E note que
neste exemplo consideramos apenas duas das modalidades de pesca que
existem: artesanal e industrial. Na realidade, a pesca pode ser classificada em
cinco categorias: tradicional de subsistência, recreacional, artesanal, indus-
trial e captura em estoques introduzidos por programas de repovoamento.

A pesca industrial, isto é, baseada em frotas de capturas modernas e tecno-


logia de ponta, é praticada em sua maioria em águas marinhas, cujos esto-
ques suportam este nível de exploração extrativista. Os recursos pesqueiros
em águas continentais são geralmente explotados por comunidades que Explotar
Explorar economicamente os
vivem ao longo de rios, lagos e reservatórios. Em muitos casos, tais comuni- recursos naturais de uma deter-
dades fazem da pesca sua única fonte de renda, sendo o pescado a base de minada área

sua alimentação.

Segundo a FAO (2004), o pescado provê a mais de 2,6 bilhões de pessoas,


pelo menos vinte por cento de seu consumo médio per capita em proteína
animal. Suas estimativas mostram que o pescado proveniente da captura
atingiu um volume, em 2003, de 90,3 milhões de toneladas, sendo 81,3
de águas marinhas e 9 de águas continentais. De 1998 a 2003, a média da
produção global de pescado, incluindo aquela proveniente da aquicultura,
foi de 128,7 milhões de toneladas, já a do pescado advindo da pesca conti-
nental foi de 8,6 milhões de toneladas, o que representa 6,5% deste total.

Aula 12 – Noções de estoque e sustentabilidade 143 e-Tec Brasil


Existe uma tendência mundial de redução da capacidade de exploração de
diversas espécies de peixes. A informação é do Instituto de Pesca do Estado
de São Paulo. Segundo dados do órgão, os números apontam que das espé-
cies capturadas no mundo, 50% estão dentro de sua capacidade limite de
exploração, 25% já são consideradas estoques esgotados, enquanto apenas
25% ainda podem ter alguma possibilidade de aumento de captura.

Pesquisando na rede internacional (internet)

1. Nesta atividade, você deverá pesquisar na internet para obter respostas


às questões a seguir, relacionadas aos tipos de pesca e capacidade de
exploração.

a) Cite um exemplo de pescado que seja explorado principalmente (ou ex-


clusivamente) pela pesca tradicional de subsistência.

b) Há espécies de pescado no seu estado ou região, que já sejam considera-


das de estoques esgotados? Em caso positivo, exemplifique.

12.2 Estoque pesqueiro

De acordo com Carvalho e Hauser (1994), a conceituação de estoques abran-


ge uma ampla gama de definições, dependendo de quem os define e para
que propósito. Por exemplo, em termos práticos, para aqueles que manejam
estoques pesqueiros para fins comerciais, o estoque pode ser considerado
como um grupo de peixes explotados em uma área específica ou por um
método de captura específico.

Aspectos políticos e socioculturais também podem influenciar na definição


de um estoque, pois a pesca comercial nem sempre leva em consideração
os benefícios de sua preservação em longo prazo, devido à pressão pela am-
pliação de cotas por novos recursos e locais de captura. Pode-se dizer que
estoque pesqueiro corresponde a um grupo de peixes da mesma espécie, os
quais habitam uma mesma área e que estão dentro da faixa etária (ou de
tamanho) permitida para serem pescados. Portanto, a exploração indiscrimi-
nada de um estoque pesqueiro pode estar comprometendo várias popula-
ções de uma mesma espécie. Na Figura 12.1, a seguir, você pode observar
diversos fatores que influenciam o conceito de estoque pesqueiro.

e-Tec Brasil 144 Biologia Aquática e Pesqueira


Aspectos Aspectos
Biológicos Práticos

Manejo
Estoque Acessibilidade
a longo prazo genético dos locais de
Estoque
(conservação) captura
de pesca
alta
Grau de
integridade
dos Estoques baixa Disponibilidade de
Manejo dados sobre o estoque
a curto prazo Estoque
explotável Unidade de Manejo
(SY) “Estoque”
Complexidade
da pesca

Interesses
políticos na Considerações
estrutura dos socioeconomicas
estoques

Disponibilidade de
fundos para pesquisa
e coleta de dados

Aspectos
Políticos

Figura 12.1: Esquema representando fatores que afetam o conceito de estoque


Fonte: Carvalho e Hauser (1994).

Explorando a figura sobre conceito de estoque

2. Nesta atividade, com base na Figura 12.1, você deverá organizar os di-
versos fatores que afetam o conceito de estoque em seus três diferentes
aspectos:

a) Aspectos biológicos:

b) Aspectos práticos:

c) Aspectos políticos:

Aula 12 – Noções de estoque e sustentabilidade 145 e-Tec Brasil


12.3 Pesca e sustentabilidade
Em 1995, a FAO - Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Ali-
mentação lançou em Roma o Código de Conduta para a Pesca Responsável,
documento que pretende lançar uma nova estratégia para a pesca no mun-
Sobrepesca do, ameaçada em muitos lugares pela sobrepesca e pela marginalização
Expressão usada em Ciências
Náuticas para a situação em dos milhões de pescadores artesanais.
que a atividade pesqueira
sobre uma espécie ou em
determinada região deixa A avaliação de recursos pesqueiros é uma área científica em constante desen-
de ser sustentável, ou seja, volvimento, onde são aplicados conhecimentos de Biologia Pesqueira de modo
quanto mais esforço de pesca
se utilizar, menores serão os que seja feita uma exploração racional e sustentada dos recursos da pesca.
rendimentos, seja do ponto
de vista biológico, seja do
econômico. 12.3.1 Esforço de pesca

Chamamos de esforço de pesca a quantidade de operações ou de tempo de


operação das artes de pesca numa determinada pescaria, durante um perío-
do determinado, sendo normalmente representado pela sigla f nos manuais
de Ciências Pesqueiras

O esforço de pesca é diferente para cada pescaria e depende do tipo de artes


de pesca utilizado e do nível tecnológico das operações. Assim, na pesca à
linha, por exemplo, o f total pode ser representado pelo número total de
operações de pesca multiplicado pelo número de anzóis utilizados por todos
os pescadores que operaram numa determinada área, durante o período de
estudo (semana, mês, ano, ou campanha de pesca); quando os números de
anzóis e de tempo no pesqueiro são uniformes, o f pode ser simplificado,
contabilizando apenas o número de pescadores envolvidos e os dias de pes-
ca que cada um operou.

Para os biólogos pesqueiros, o f é um índice da mortalidade por pesca (nor-


malmente representado nos manuais pela sigla F), parâmetro indispensável
para avaliar o estado de exploração duma pescaria. O f máximo é o nível de
exploração que permite obter a captura máxima sustentável de uma pesca-
ria. Já para os economistas, o esforço de pesca corresponde aos custos de
operação da pescaria. Da mesma forma, o f máximo é a despesa necessária
para obter a receita ou o lucro máximo que a pescaria pode fornecer.

Para a administração pesqueira, o f traduz o número de barcos ou de opera-


ções de pesca associados à determinada pescaria. O controle do esforço dessa
atividade é uma das formas de gerir uma pescaria, para evitar a sobrepesca.

e-Tec Brasil 146 Biologia Aquática e Pesqueira


12.3.2 Tipos de modelos mais usados
na avaliação pesqueira

Segundo Pitcher e Preikshot (2001), os modelos de avaliação de estoques


tentam prever mudanças na biomassa e produtividade baseadas em dados
de produção coletados em uma pesca alvo. Avaliação de estoque depende
da estimativa de vários parâmetros, que requerem muitos dados de pescas
históricas e avaliações independentes de biomassa.

Entre os modelos mais usados na avaliação pesqueira estão os modelos de


produção e modelos estruturais, que você conhecerá a seguir.

12.3.2.1 Modelos de produção

Os modelos de produção também são designados por modelos de Produ-


ção Geral, modelos Globais, modelos Sintéticos ou ainda modelos do tipo
Lotka-Volterra. Esses modelos consideram o manancial na sua globalidade,
em particular a abundância total (em peso ou em número) e estudam a sua
evolução, os efeitos do esforço de pesca, etc. Não consideram a estrutura
por idades ou por tamanhos do manancial.

12.3.2.2 Modelos estruturais


Coorte
Estes modelos consideram a estrutura do manancial por idades e a evolu- Termo adotado para designar a
classe ou o grupo de indivíduos
ção dessa estrutura com o tempo. Mas, principalmente, reconhecem que o que apresentam o mesmo
manancial num determinado período de tempo é composto por indivíduos fenômeno em dado período de
tempo. Em nosso contexto, seria
de diferentes coortes e, portanto, de diferentes idades e tamanhos. Deste o conjunto dos indivíduos de
modo, permitem analisar os efeitos nas capturas e biomassas, de mudanças um recurso pesqueiro nascidos
de uma mesma época de
do nível de pesca e também do padrão relativo de exploração. desova.

Vamos trabalhar com palavras cruzadas?

1. E
2. S
3. T
4. O
5. Q
6. U
7. E

Aula 12 – Noções de estoque e sustentabilidade 147 e-Tec Brasil


1. A situação em que a atividade pesqueira sobre uma espécie ou em deter-
minada região deixa de ser sustentável.

2. Pesca baseada em frotas de capturas modernas e tecnologia de ponta.

3. A retirada, extração ou obtenção de recursos naturais para fins de apro-


veitamento econômico.

4. Um conjunto de indivíduos de um recurso pesqueiro nascidos de uma


mesma época de desova.

5. Depois da pesca, a outra atividade de produção de pescado.

6. Modelos de avaliação pesqueira que reconhecem que o manancial num


determinado período de tempo é composto por indivíduos de diferentes
coortes.

Em um estudo de Victoria Judith


Isaac-Nahum (2006) encontramos: 7. Pesca caracterizada principalmente pela mão de obra familiar, com em-
“Em decorrência do estado
atual de exploração dos recursos
barcações de porte pequeno.
pesqueiros no litoral amazônico
e seus conflitos e entraves,
considera-se fundamental o
delineamento de um plano
de ação que garanta o seu
Resumo
desenvolvimento racional no futuro
mais próximo. Nesse sentido, para
a implementação de um modelo
Nesta aula, você conheceu o significado de explotação pesqueira e sobrepes-
mais sustentável de gestão dos ca e acompanhou diferentes formas de abordar o estoque. Também pôde se
recursos pesqueiros do litoral
amazônico será necessária uma familiarizar com as noções sobre esforço de pesca e modelos para avaliação
mudança no paradigma clássico pesqueira, conhecimentos básicos para a avaliação da sustentabilidade da prá-
sobre a forma e as estratégias de
manejo”. ISAAC-NAHUM, Victoria tica pesqueira.
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ça individual para os ecossistemas marinhos é a sobrepesca”. O que você
entende por sobrepesca?

2. Existe uma tendência mundial de redução da capacidade de exploração


de diversas espécies de peixes. Neste sentido, em que condições estão
os estoques da maior porcentagem das espécies capturadas no mundo?

e-Tec Brasil 148 Biologia Aquática e Pesqueira


3. De que maneira os aspectos políticos e socioculturais podem influenciar
na definição de um estoque pesqueiro?

4. Dos modelos usados na avaliação pesqueira, qual efetivamente utili-


za a noção de coortes? E qual seu diferencial em relação ao(s) outro(s)
modelo(s)?

Aula 12 – Noções de estoque e sustentabilidade 149 e-Tec Brasil


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153 e-Tec Brasil


Currículo do professor-autor

Carlos Alberto Machado da Rocha

Licenciado pleno em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará -


1987, com especialização em Ecologia e Higiene do Pescado pela Faculdade
de Ciências Agrárias do Pará (atual Universidade Federal Rural da Amazônia) –
1996; mestrado em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do
Pará – 2000; doutorado em Neurociências e Biologia Celular pela Universidade
Federal do Pará - 2009. Tem experiência nas áreas de Genética e Ecologia, com
ênfase em Genética Animal, atuando principalmente nos seguintes temas: bio-
logia molecular, citogenética, ecologia e mutagênese ambiental.

Professor do Quadro Permanente do Instituto Federal de Educação, Ciência


e Tecnologia do Pará (IFPA) desde 2003.

• Professor de Ecologia e Educação Ambiental nos Cursos Técnicos de


Aquicultura e de Pesca (2003-2005).

• Coordenador de Recursos Pesqueiros e Agronegócio (2006-2007).

• Atualmente, é responsável pelas disciplinas: 1. Biologia Aquática e Pes-


queira, 2. Controle da Qualidade do Pescado, 3. Fundamentos de Nu-
trição e Patologia em Aquicultura, nos Cursos Técnicos de Aquicultura
e de Pesca, 4. Citogenética Geral, 5. Genética e Evolução, no Curso de
Licenciatura Plena em Biologia.

e-Tec Brasil 154


Curso Técnico em Aquicultura
Carlos Alberto Machado da Rocha

Biologia Aquática e Pesqueira

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARÁ

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