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MEDICINA LEGAL

POLÍCIA CIVIL DO PARÁ


MEDICINA LEGAL
- LEI 5.810/94

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AÇÃO DOS INSTRUMENTOS


- Perfurantes;
MEDICINA LEGAL - Cortantes;
- Contundentes;
- Pérfuro-cortantes;
PROGRAMA - Pérfuro-contundentes;
MEDICINA LEGAL:
- Corto-cortundentes. (França, 2008)
1 Perícia médico-legal: perícias médico-legais, perícia,
peritos. 2 Documentos legais: conteúdo e importância. 3
Traumatologia forense. 3.1 Energia de ordem física. 3.2 I. INSTRUMENTO PERFURANTE
Energia de ordem mecânica. 3.3 Lesões corporais: leve,
grave e gravíssima e seguida de morte. 4 Tanatologia 1. DEFINIÇÃO: É todo instrumento capaz de produzir uma
forense: causas jurídica da morte, diagnóstico de lesão punctória.
realidade da morte. 5 Sexologia forense. 6 Imputabilidade 2. INSTRUMENTOS: Esses instrumentos propriamente
penal. ditos possuem forma cilíndrica-cônica, são alongados,
finos e pontiagudos.

1. TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 3. MECANISMO DE AÇÃO: Atuam por pressão através da


ponta e afastamento das fibras do tecido.
4. LESÕES: As lesões produzidas por estes instrumentos
são soluções de continuidade que se denominam feridas
CONCEITO
punctórias.
Estuda as lesões e os estados patológicos imediatos ou
tardios produzidos por violência sobre o corpo humano, 5. DIAGNÓSTICO: O tipo de instrumento será
em estado de repouso ou em movimento. (França, 2008) diagnosticado pela qualidade das lesões.
6. PROGNÓSTICO: É extremamente variável.
ENERGIAS 7. NATUREZA JURÍDICA: Geralmente homicídios, não é
- Energias de ordem mecânica; de se desprezar a possibilidade de acidente comum ou
- Energias de ordem física; do trabalho. Como meio de suicídio não é muito
frequente.
- Energias de ordem físico-química;
- Energias de ordem química; 8. PERÍCIA: A perícia envolve sempre o exame das lesões
em sua forma, aspecto, dimensões e demais caracteres
- Energias de ordem bioquímica;
que sirvam não só para a determinação diagnóstica, mais
- Energias de ordem biodinâmica; ainda para pesquisar o instrumento que as produziu.
- Energias de ordem mista.

LESÃO PRODUZIDA POR AÇÃO PERFURANTE: (feridas


ENERGIAS DE ORDEM MECÂNICA
punctórias).
(Instrumentos)
- Abertura estreita;

INSTRUMENTOS MECÂNICOS E SUAS RESPECTIVAS - Pouca nocividade na superfície;


LESÕES - Afastando as fibras do tecido e, muito raramente,
seccionando-as;
TIPOS DE ARMAS - São de raro sangramento;
- Armas próprias (punhais, revólveres, soqueiras);
- Quase sempre de menor diâmetro que o do
- Armas impróprias (faca, navalha, foice, facão, machado); instrumento causador, graças à elasticidade e à
= Armas naturais (punhos, pés, dentes). (França, 2008) retratilidade dos tecidos cutâneos;
- O estilete, a sovela, a agulha e furador de gelo.

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II. INSTRUMENTO CORTANTE III. INSTRUMENTO CONTUNDENTE
1. DEFINIÇÃO: É todo instrumento que atuando 1. DEFINIÇÃO: É todo instrumento ou objeto rombo
linearmente sobre o organismo. agindo traumaticamente.
2. INSTRUMENTOS: Navalha, bisturi, lâmina, canivete, 2. INSTRUMENTOS: São de natureza sólida, líquida,
faca de gume cerrado etc. gasosa, naturais, usuais e eventuais.
3. MECANISMO DE AÇÃO: Agem por pressão e 3. MECANISMO DE AÇÃO: Ativo, Passivo e Misto.
deslizamento produzindo a secção uniforme dos tecidos.
4. LESÕES: A resultante da ação desses instrumentos
4. LESÕES: Possuem bordas nítidas e regulares, há depende da intensidade do seu movimento e de sua
hemorragia geralmente abundante. dinâmica traumatizante (Rubefação, Edema, Escoriação,
Equimose, Hematoma, Bossa sanguínea, Bossa linfática,
5. DIAGNÓSTICO: É necessário estudar cuidadosamente
Luxação, Fratura e Ferida contusa).
os caracteres da lesão, não sendo omitido o exame
minucioso das vestes quando a região afetada era coberta 5.DIAGNÓSTICO: Na apreciação detalhada das
por ela. equimoses é preciso distingui-las das hipóstases,
equimoses espontâneas post mortem, pseudo-
6. PROGNÓSTICO: Depende da sede comprometida, da
equimoses e doenças.
extensão e profundidade do ferimento.
6. PROGNÓSTICO: O prognóstico depende da lesão em
7. NATUREZA JURÍDICA: Podem variar, é homicida
si, conforme a região, ferida seccionando ou dilacerando
frequentemente, mas pode tratar-se de lesão de defesa
órgãos importantes, e dependendo do peso da arma e
(indicativo de luta) ou mesmo suicida.
força viva com que esta é acionada.
8. PERÍCIA: Elemento cortante, número de lesões, sede,
7. NATUREZA JURÍDICA: Essas lesões podem significar
direção, características, profundidade, regularidade,
dependendo da sede, a natureza de uma violência.
lesões de defesa.
8. PERÍCIA: A importância de realização de uma perícia
bem feita, traduz a possibilidade da identificação do
agente da lesão e também, o tipo ou natureza do crime.
LESÃO PRODUZIDA POR AÇÃO CORTANTE: ferida incisa
- Age por mecanismo de deslizamento sobre os tecidos; Lesão produzida por ação contundente: contusões
- As extremidades são mais superficiais e a parte mediana abertas ou fechadas
mais profunda; - Rubefação;
- Presença de cauda de escoriação voltada para o lado - Edema traumático;
onde terminou a ação do instrumento;
- Escoriação;
- Hemorragia quase sempre abundante;
- Equimose;
- Afastamento das bordas da ferida;
- Hematoma;
- Predominância do comprimento sobre a profundidade;
- Bossa sanguínea;
- A navalha, a lâmina de barbear e o bisturi.
- Ferida contusa;
- Fratura;
E MAIS:
- Luxação;
- Esquartejamento: dividir o corpo em partes (quartos),
- Entorse;
por amputação ou desarticulação.
- Encravamento e empalamento.
- Decapitação: separação da cabeça do corpo e pode ser
oriunda de outras formas de ação além da cortante.
- Degolamento: secção quase total do pescoço feita pela
sua parte posterior.
- Esgorjamento: secção das partes anteriores do pescoço.

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RUBEFAÇÃO HEMATOMA
Caracteriza-se pela congestão repentina e momentânea Extravasamento de sangue de um vaso bastante
de uma região do corpo atingida pelo traumatismo, calibroso e a sua não difusão nas malhas dos tecidos
evidenciada por uma mancha avermelhada, efêmera e moles, formando-se no interior do tecido verdadeiras
fugaz, que desaparece em alguns minutos, daí sua cavidades, onde surge uma coleção sanguínea;
necessidade de averiguação exigir brevidade. Como
Em geral faz relevo com a pele, tem delimitação mais ou
exemplo podemos citar a bofetada, em que muitas vezes
menos nítida e é de absorção mais demorada que a
ficam impressos os dedos do agressor.
equimose.

EDEMA TRAUMÁTICO
BOSSA SANGUÍNEA
Alteração circulatória que vai além da rubefação, e o
A bossa sanguínea diferencia-se do hematoma por
líquido intercelular aumenta, produzindo distensão e
apresentar-se sempre sobre um plano ósseo e pela sua
elevação cutânea.
saliência bem pronunciada na superfície cutânea. É
comum nos traumatismos de couro cabeludo. França,
2008
ESCORIAÇÃO
É a exposição da derme devido ao arrancamento da
epiderme por ação tangencial de um instrumento FERIDA CONTUSA
mecânico.
Lesão aberta cuja ação contundente foi capaz de vencer
É o arrancamento da epiderme e o desnudamento da a resistência e elasticidade dos planos moles.
derme, das quais fluem serosidade e sangue.
Bordas irregulares, escoriadas e equimosadas;
Nas escoriações post-mortem, não há formação de
Presença de pontes de tecido íntegro ligando as
crostas; a epiderme é branca, não há serosidade e nem
vertentes;
sangue.
Pouco sangrantes.

EQUIMOSE
FRATURA
Infiltração hemorrágica nas malhas dos tecidos.
Solução de continuidade dos ossos, podendo ser diretas,
Quando em pequenos grãos, recebem o nome de
quando provêm do próprio local do traumatismo, e
sugilação e, quando em forma de estrias, são
indiretas, quando provêm de violência numa região
denominadas víbice.
distante do local fraturado. Podem ser simples ou
Petéquias são pequenas equimoses, quase sempre cominutivas, fechadas ou expostas, completas ou
agrupadas e caracterizadas por um pontilhado incompletas.
hemorrágico.

LUXAÇÃO
ESPECTRO EQUIMÓTICO DE LEGRAND ou SAULLE
Deslocamento de dois ossos cujas superfícies de
Avermelhada no primeiro dia; articulação deixam de manter suas relações de contato.
Violácea no segundo e terceiro dia; Perda de contato entre as suas superfícies articulares.
Azulada do quarto ao sexto dia; As articulações mais acometidas são as do ombro,
cotovelo, joelho e tornozelo.
Esverdeada do sétimo ao décimo dia;
Amarelada por volta do décimo segundo dia;
ENTORSE
Finalmente desaparece em 15-20 dias.
Lesões articulares provocadas por movimentos
exagerados dos ossos, incidindo apenas sobre os
ligamentos. (França, 2008)

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ENCRAVAMENTO - Foice, o facão, o machado, a enxada, a guilhotina, a
serra elétrica, as rodas de um trem, a tesoura, as unhas
Produzido pela penetração de um objeto afiado e
e os dentes.
consistente em qualquer parte do corpo de origem
geralmente acidental. (França, 2008)
V. INSTRUMENTO PÉRFURO-CORTANTE
EMPALAMENTO 1. DEFINIÇÃO: São aqueles que além de perfurar o
organismo exercem lateralmente uma ação de corte.
Essa forma especial de encravamento caracteriza-se pela
penetração de um objeto de eixo longitudinal, na maioria 2. INSTRUMENTOS: Facas, punhais, canivetes, baionetas
das vezes, consistente e delgado, no ânus e na região etc.
perineal. As lesões são geralmente múltiplas e variadas,
3. MECANISMO DE AÇÃO: Perfura = Pressão Corta =
sua profundidade varia de acordo com o impacto e as
Secção
dimensões do objeto contusivo.
4. LESÕES: Variável, dependem do tipo de instrumento.
5. DIAGNÓSTICO: Deve ser orientado no sentido de se
IV. INSTRUMENTO CORTO-CONTUNDENTE
caracterizar a natureza da lesão, condicionada ao
1. DEFINIÇÃO: São instrumentos que possuem gume instrumento que a produziu.
rombo, de corte embotado e que agindo sobre o
6. PROGNÓSTICO: Depende do local, profundidade e
organismo, rompe a integridade da pele, produzindo
largura da lesão.
feridas irregulares.
7. NATUREZA JURÍDICA: - Lesão Corporal – Suicídio –
2. INSTRUMENTOS: Machado, foice, facão, enxada, moto-
Homicídio – Acidente
serra, rodas de trem etc.
8. PERÍCIA: Dificilmente podemos calcular a largura do
3. MECANISMO DE AÇÃO: Agem por pressão e percussão
instrumento pelo tamanho do ferimento. Contudo o
ou deslizamento. A lesão se faz mais pelo próprio peso e
perito pode dar a idéia genérica do elemento cortante,
intensidade de manejo.
número de lesões, sede, direção, características,
4. LESÕES: A forma das feridas varia conforme a região profundidade, regularidade, lesões de defesa etc.
comprometida, a intensidade de manejo, a inclinação, o
peso e o fio do instrumento.
LESÃO PRODUZIDA POR AÇÃO PÉRFURO-
5. DIAGNÓSTICO: Feito com base no tipo de lesão,
CONTUNDENTE (PROJÉTEIS DE ARMA DE FOGO):
depende da lesão em si.
FERIDA PÉRFURO-CONTUSA.
6. PROGNÓSTICO: Geralmente grave quanto à vida ou em
- Ferimento de entrada
hipótese mais benigna, quanto à importância de um
dano. - Ferimento de saída
7. NATUREZA JURÍDICA: É mais freqüente no homicídio e - Trajeto
no acidente, sendo raro no suicídio.
8. PERÍCIA: o aspecto da escoriação é suficiente para
indicar se o ferimento foi feito num indivíduo vivo ou num
cadáver.

LESÃO PRODUZIDA POR AÇÃO CORTO-CONTUNDENTE:


FERIDA CORTO-CONTUSA.
- São influenciados pela ação contundente, quer pelo
próprio peso, quer pela força ativa de quem os maneja;
- Não apresentam cauda de escoriação e nem pontes de Provocam as zonas de queimadura, esfumaçamento e
tecidos íntegros; tatuagem.
- Geralmente provoca mutilações;

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TIRO ENCOSTADO EM CONTATO COM O CRÂNIO REVÓLVER E PISTOLA UTILIZADOS NO BRASIL


(DISTÂNCIA ZERO)
- O projétil abre caminho para o cone de explosão;
- Perfura a calota craniana;
- Com a pressão a pele não resiste e estoura de dentro
para fora;
- Formação de uma ferida de forma estrelada;
- “Buraco de mina” ou em “boca de mina” (câmara de
mina Hoffmann);
- Permite deixar impresso na pele o desenho da boca ou
da massa de mira do cano (sinal de Werkgaertner),
produzido por sua ação contundente ou pelo seu
aquecimento.

TIRO DADO À QUEIMA-ROUPA (GERALMENTE ATÉ


10CM)
- Somam-se às lesões produzidas pelo projétil as FERIMENTO DE SAÍDA
alterações causadas pelo cone de explosão gases - Forma irregular;
superaquecidos (queimadura), grãos de pólvora
incombusta (tatuagem) e fuligem que circunscreve a - Bordas reviradas para fora, ou seja, a derme e a
ferida de entrada (esfumaçamento); epiderme são impelidas de dentro para fora;
- Zona de queimadura ou zona de chamuscamento; - Fragmentos de tecidos internos exteriorizam-se pela
lesão;
- Zona ou orla de esfumaçamento ou tisnado;
- São mais sangrantes, pelo maior diâmetro, pela
- Zona ou orla de tatuagem.
irregularidade da forma e eversão das bordas;
- Não exibem orla de enxugo nem de contusão.
TIRO À CURTA DISTÂNCIA (GERALMENTE DE 10 A 50 CM)
- Somam-se às lesões produzidas pelo projétil as zonas de
esfumaçamento e tatuagem; TRAJETO
Caminho percorrido pelo projétil no interior do corpo.
Teoricamente é representado por uma reta interposta
TIRO À MÉDIA DISTÂNCIA (GERALMENTE DE 50CM ATÉ
entre o ferimento de entrada e o de saída.
60 A 70 CM)
Pode ser um canal fechado ou um canal aberto,
- Somam-se às lesões apenas a zona de tatuagem
dependendo de transfixa ou não o corpo.

FERIMENTO DE ENTRADA: TIROS À LONGA DISTÂNCIA


(GERALMENTE DE 60 A 70 CM EM DIANTE) TRAJETÓRIA

- Zona de contusão ou orla de Chavigny; Percurso desenvolvido pelo projétil desde a saída do
cano da arma até o seu repouso final, que pode ser ou
- Orla de escoriação;
não no corpo da vítima.
- Orla de enxugo ou de limpadura;
- Forma circular (perpendicular) e ovalar (obliquo);
PROJÉTEIS
- Orla equimótica;
Baixa Energia: velocidades de 100 m/s até 500 m/s, na
- Bordas invertidas; saída do cano da arma.
- Diâmetro geralmente menor em relação a saída. Alta Energia: velocidades de 500 m/s até 1.200 m/s, na
saída do cano da arma.

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CONCLUSÃO 8. AGENTES TRAUMATIZANTES: São Energias Físicas,
Mecânicas, Químicas, Físico-químicas, Bioquímicas,
Um mesmo instrumento poderá ocasionar vários tipos de
Biodinâmicas e Mistas.
lesão, dependendo apenas do seu modo de ação.

ENERGIAS DE ORDEM FÍSICA


CONCEITOS BÁSICOS
1. TRAUMATISMO (trauma): Qualquer lesão, por ação de
CONCEITO
um agente exógeno.
Todas as lesões produzidas por uma modalidade de ação
EX: FAF, FAB, etc. capaz de modificar o estado físico dos corpos e de cujo
2. LESÃO: resultado podem surgir ofensa corporal, dano a saúde ou
a morte. (França, 2008).
a) Medicina Curativa: Alteração morfofuncional de um
órgão.
b) Medicina Pericial: Qualquer modificação de ENERGIAS DE ORDEM FÍSICA
normalidade de origem externa, provocando dano • Eletricidade;
pessoal em decorrência de culpa, dolo ou acidente. • Temperatura;
c) Doutrina Penal: Consequência de um ato violento. • Pressão atmosférica;
d) Lesão Corporal: Atingem a integridade física e psíquica • Radioatividade;
de alguém. • Som;
e) Lesão Pessoal: Atingem ao corpo, saúde e à mente. • Luz.
f) CONCEITOS BÁSICOS
Classificação das lesões corporais: ELETRICIDADE
QUANTIDADE: Leves, Graves, Gravíssimas e Seguida de São frequentes as lesões e principalmente a morte por
morte. eletricidade. Atua, nestes casos, a eletricidade natural ou
industrial.
QUALIDADE: 1º. Ofensa a integridade física, 2º.
Incapacidade para ocupações habituais e 3º.
Incapacidade laboral. ELETRICIDADE NATURAL
3. VIOLÊNCIA: É toda ação material ou pressão moral É a energia originada nas descargas elétricas provocadas
exercida contra uma pessoa, visando submetê-la a pelos raios e pelos relâmpagos, resultantes de uma
vontade de outrem ( Física, Moral, Presumida). diferença de potencial entre a face inferior da nuvem e a
terra.
4. CAUSA: É o que leva a resultados imediatos e
• “fulminação” descargas elétricas que produzem a
responsáveis por determinada lesão, suscitando uma
morte.
relação entre causa e efeito.
• “fulguração” quando apenas provoca lesões
localizadas.
CONCEITOS BÁSICOS
5. CONCAUSA: São os fatores que se associam para o EXAME DO CADÁVER
agravamento ou melhora de uma lesão, geralmente são • Atentar para o estado das vestes e presença de
alegadas quando se produz agravamento. objetos metálicos fundidos e queimaduras da pele
6. FERIDA: É o retrato do ferimento e este é o ato, a ação adjacente a esses objetos nos bolsos, cintos etc.;
de ferir. • O exame interno, em geral, evidencia apenas sinais
Ex: Pedro foi atropelado (ferimento) e sofreu as seguintes gerais de asfixia. Nos que morrem dias depois do
lesões (feridas). acidente, encontram-se focos de necrose no cérebro,
na medula e em nervos periféricos.
7. SEDE DAS LESÕES: É a região anatômica da vítima onde
foi aplicado o trauma. É de interesse médico e jurídico.

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LESÕES ARBORIFORMES DE LICHTEMBERG CORRENTES ELÉTRICAS


Lesões na pele das vítimas, como desenhos ramificados • As correntes de baixa tensão, não passam de 120
de aspecto vermelho-escuro ou amarronzado, que são volts;
provocados, em função do efeito térmico sobre os vasos
• As correntes de média tensão, entre 120 volts e
superficiais da pele, provocando uma paralisia vascular
1.200 volts;
que pode desaparecer com a sobrevivência. Representa a
área de entrada da energia elétrica no corpo da vítima. A • As correntes de alta tensão, acima de 1.200 volts.
lesão de saída, normalmente situada no pé, ponto de
contato com o chão.
MECANISMO DE MORTE
• Parada Cardíaca. Explicada pelo efeito da corrente
MECANISMO DE MORTE elétrica sobre o coração, provocando fibrilação
As vítimas de fulminação morrem por parada ventricular, que acontece preferencialmente no lar;
cardiorrespiratória devido lesão dos neurônios dos • É quando a pessoa tem as mãos molhadas, está
centros respiratórios. descalça e toca num condutor abaixo de 120 volts;
ELETRICIDADE INDUSTRIAL • Na maioria das vezes ocorre no banheiro. Entre o
A ação dela se chama eletroplessão. É a energia produzida choque e a queda inconsciente passam-se cerca de 15
por geradores e destinada às atividades humanas na vida segundos.
cotidiana, em casa, no lazer, no trabalho, nas indústrias, • Insuficiência Respiratória. Pela asfixia secundária a
etc. tetanização dos músculos respiratórios, edema agudo
pulmonar e morte;
LESÃO DE ENTRADA • A observação tem demonstrado que a parada da
respiração antecede a parada do coração;
• Marca elétrica de Jellinek. Resultante do contato do
condutor da energia com o corpo da vítima. Neste • Ocorre nas tensões de 120 volts a 1.200 volts.
local forma-se uma lesão de contornos nítidos, • Morte Cerebral. Hemorragia intracraniana devido
esbranquiçada, endurecida, com o centro deprimido, lesão encefálica;
bordos elevados, por vezes, no formato do condutor.
• Ocorre num condutor acima de 1.200 volts;
• Metalização metálica. Pode ocorrer metalização por
deposição de partículas de fusão do metal, fazendo • Devido a alta tensão, surgem as lesões mistas, ou
uma tatuagem superficial na área de contato do seja, à marca elétrica e à queimadura elétrica.
eletroduto.
• Queimadura elétrica. Apresenta a forma de escara TEMPERATURA
pardacenta ou escura, bordas nítidas e não apresenta
flictenas, podendo ou não apresentarem as marcas do As modalidades:
condutor, sendo resultantes da transformação da • O frio (hipotermia);
energia elétrica em térmica, que é o efeito Joule.
• O calor (hipertermia).

SAÍDA
HIPOTERMIA
Eventualmente pode haver, uma marca de saída, mas é
• O frio pode atuar de maneira localizada ou difusa;
de maior amplitude e de consistência mole, contrastando
com a entrada. Quando a saída da eletricidade ocorre em • Admite-se que a compensação espontânea se dá,
uma extremidade que está imersa na água, diretamente automaticamente, até que a temperatura retal atinja
inexiste marca de saída, haja vista que a área de difusão 30ºC; por vezes, até 25ºC;
é muito grande.
• Embora a forma acidental seja mais constante, não é
raro o caráter doloso, principalmente em abandono
de recém-nascidos.

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FRIO LOCALIZADO DIAGNÓSTICO DE MORTE
Lesão conhecida como geladura, muito parecida com as • Distinguir as mortes por insolação das mortes
queimaduras pelo calor e tem classificação em graus. relacionadas ao calor;
(França, 2008).
• No caso de ser diretamente responsável pela morte,
o diagnóstico deve ser o de insolação ou
intermação.
QUEIMADURAS
• Mas, quando o calor promove a descompensação
• Primeiro grau – palidez ou rubefação local e aspecto
de uma patologia prévia cardiovascular,
anserino da pele;
cerebrovascular ou respiratória e leva ao óbito, sua
• Segundo grau – eritema e formação de bolhas ou ação é indireta.
flictenas de conteúdo claro e hemorrágico;
• Terceiro grau – necrose dos tecidos moles com
CALOR LOCALIZADO
formação de crostas enegrecidas;
Tem por consequência as queimaduras, advindas das
• Quarto grau - gangrena ou desarticulação.
ações da chama, do calor irradiante, dos gases
superaquecidos, dos líquidos escaldantes, dos sólidos
FRIO DIFUSO quentes e dos raios solares.

• Não existe uma lesão típica;


• A perícia deve orientar-se aos fatores individuais da QUEIMADURAS
vítima, tais como: fadiga, depressão orgânica, idade, • Primeiro grau – Eritema simples (Sinal de
alcoolismo e certas perturbações mentais, para Chistinson);
determinar a causa da morte;
• Segundo grau – Além do eritema, apresentam
• O resfriamento do corpo inicialmente reduz, e em flictenas (“bolhas”), existindo em seu interior
certos níveis inibe, a cessão do oxigênio, por parte das líquido, rico em albumina e cloretos (sinal de
hemácias, aos tecidos. Esse fenômeno explica à Chambert);
alteração do sistema nervoso central.
• Terceiro grau – Escarificação (necrose) dos tecidos
moles, geralmente ou chamas ou sólidos
HIPERTERMIA superaquecidos;

O calor pode atuar de duas formas: • Quarto grau – Carbonização do plano ósseo. Podem
ser locais ou generalizadas.
Difusa
• Insolação, em que a fonte de calor é natural, o sol;
LESÕES POR PRESSÃO ATMOSFÉRICA
• Intermação, em que a fonte de calor é artificial
(fornalha, caldeira, etc). Quando a pressão atmosférica alterna para mais ou para
menos do normal, pode importar em danos à vida ou à
Direta saúde do homem. Podemos chamar o conjunto dessas
• Queimaduras. alterações de baropatias. (França, 2008).

CALOR DIFUSO PRESSÃO ATMOSFÉRICA

• A exposição de um indivíduo a ambiente de • Diminuição da pressão ou rarefação – ocorre nas


temperatura elevada pode levar ao aparecimento de grandes altitudes. As perturbações resultantes são
distúrbios que são chamados genericamente de denominadas “mal das montanhas”;
doenças relacionadas ao calor. • Aumento da pressão – ocorre abaixo do nível do
Patologias preexistentes, principalmente as ligadas aos mar, principalmente sob a água. Os mergulhadores
sistemas circulatórios e respiratórios, o metabolismo expostos a descompressões bruscas podem sofrer
basal, hipofunção paratireoidiana e supra-renal do perturbações denominadas “mal dos caixões”.
indivíduo.

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RADIOATIVIDADE AÇÃO
• Onda eletromagnética utilizada na medicina para fazer • Coagulantes roubam água dos tecidos produzindo
diagnósticos (caso dos raios-x) e para tratar câncer escaras de colorido diverso e endurecidas na região
(radioterapia). Tem efeito cumulativo e provocam afetada(ácidos sulfúricos, nítrico, clorídrico) e sais
lesões denominadas radiodermites que em geral metálicos cáusticos (nitrato de prata e cloreto de
incidem sobre órgãos profundos, principalmente as zinco).
gônadas.
• Liquefacientes determinam escaras úmidas, moles
• Radiação de partículas (alfa, beta, prótons, deuteron, pela deliquescência que realizam na região afetada
meson) provenientes de ondas explosivas. Os efeitos (álcalis como a potassa, a soda e a amônia).
dessa modalidade de energia são de ordem
VITRIOLAGEM
traumática, térmica e radioativa.
Denominação genérica às lesões produzidas por todos os
cáusticos químicos.
SOM
A orelha humana suporta 90dB de ruído por 8 horas
diárias, cinco dias por semana, necessitando de silêncio VENENO
relativo no resto do tempo. Ultrapassando esses limites, São substâncias químicas que, na dependência da sua
haverá perda auditiva progressiva e irreversível (doenças dose, produzem lesões graves, podendo determinar o
ocupacionais, ruído urbano, discoteca, fones de orelha óbito da pessoa.
etc.)(França, 2008).
VIAS
• Gastrointestinal;
LUZ
• Respiratória;
A ação intensiva da luz sobre os órgãos da visão pode
levar a consequências graves, como a cegueira total. • Subcutânea;
• Infravermelho e ultravioleta; • Intramuscular;
• O raio Laser. • Venosa;
• Arterial;
ENERGIAS DE ORDEM QUÍMICA
• Pele;
• Mucosas.
CONCEITO
São as energias de ordem química que, em contato com
organismo, provocam lesões externas ou internas. São IMPORTÂNCIA JURÍDICA
representadas pelos caústicos e venenos.
O uso das energias químicas como ação vulnerante é
uma agravante criminal, pois as substâncias venenosas
DIVISÃO são consideradas meio insidioso ou cruel na prática do
crime.
• Energias químicas externas (cáusticos);
• Energias químicas internas (venenos).
CÓDIGO PENAL
CÁUSTICOS Art. 61, II, “d” – Com emprego de veneno, fogo,
• A lesão é destrutiva, de acordo com sua natureza explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou
química; de que podia resultar perigo comum
• Ao cicatrizar, normalmente produz sequela,
representada por deformidade permanente;
• Se ingeridos, produzem lesões nas mucosas,
ocasionando sequelas importantes o trato digestivo.

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NECROPSIA IMPORTÂNCIA
• Não abrir estômago ou os intestinos na cavidade • Problemas sociais, familiares, econômicos, e corrói
abdominal; o homem até anular sua própria dignidade;
• Ligar as extremidades do tubo digestivo no cárdia, no • Ao contrário do que se pensa, o álcool não é um
piloro e na parte mais distal do colo; estimulante, e sim um depressor do sistema
nervoso central, um inibidor, uma droga psicolética;
• Retirar sangue, sempre que possível, das cavidades
cardíacas; • Como causa, como concausa ou como mola
propulsora nos acidentes industriais.
• Não esquecer de descrever as lesões degenerativas do
fígado e dos rins, quando houver.
EFEITOS DO ÁLCOOL
ÁLCOOL ETÍLICO E A INTOXICAÇÃO ALCOÓLICA • Redução dos reflexos;
• Coordenação prejudicada;
INTRODUÇÃO • Trabalho mental reduzido;
• É a substância depressora mais consumida no mundo. • Aumenta a confiança em si mesmo;
Tem muita importância médico-legal porque grande
• Aumenta o desejo sexual, mas impede a realização.
parte dos homicídios, suicídios e a maioria dos
acidentes de trânsito estão relacionados com o seu
uso. EXAME CLÍNICO
• Para os estudiosos das drogas, é uma das piores • Manifestações físicas;
substâncias a causar dependência física e psíquica.
• Manifestações neurológicas;
• Manifestações psíquicas
CONCEITO
Intoxicação, aguda ou crônica, pelas liberações
imoderadas, ou discretas, das bebidas alcoólica, que MANIFESTAÇÕES FÍSICAS
produzem, por sua ação rápida ou lenta, depressão do
sistema nervoso central, ação esta progressiva, dose • Congestão das conjuntivas e face;
dependente, variável ainda com fatores individuais. • Desalinho dos cabelos, vestes e aparência geral;
• Frequência cardíaca e respiratória aumentadas;
EMBRIAGUEZ ALCOÓLICA AGUDA • Sudorese e palidez;
É o conjunto de manifestações somatoneuropsíquicas ou • Hálito com odor etílico.
psiconeurosomáticas resultantes da intoxicação etílica
imediata, de caráter episódico e passageiro. (França,
2008). MANIFESTAÇÕES NEUROLÓGICAS
• Equilíbrio estático e dinâmico;
ALCOOLISMO • Marcha alterada;
“Um elenco de perturbações resultantes do uso • Articulação das palavras alterada;
imoderado e contínuo do álcool, independendo, no
• Diminuição da sensibilidade tátil, dolorosa e
momento do exame, de um maior ou menor consumo de
térmica;
bebida.” (França, 2008.)
• Fenômenos vagais, como soluço, o vômito e o
embotamento, baixo rendimento da visão, audição,
gustação e olfação.

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MANIFESTAÇÕES PSÍQUICAS ABSORÇÃO


• Alterações do humor, do senso ético, da atenção, da A absorção do álcool é rápida porque é muito solúvel em
senso-percepção, do curso do pensamento e da água. Começa já na mucosa oral, mais é no estômago
associação de ideias; que se intensifica, para se tornar máxima no intestino
delgado. A velocidade de absorção varia na dependência
• Manifesta impulsos homossexuais, exagero e o
de vários fatores. Para uns, em 30 a 60 minutos, cerca de
ridículo;
80 a 90% já foram absorvidos. Outros afirmam que são
• Falastrão, inconveniente, soltando a língua sobre absorvidos 60% em uma hora e 90% em uma hora e
fatos muitas vezes comprometedoras. meia. Contudo depende do estado de plenitude do
estômago. (Hygino, 2005).

FASES DA EMBRIAGUEZ
• Excitação: o indivíduo se mostra loquaz, vivo, olhar SIMONIN
animado, humorado e gracejador, dando às vezes Afirma que a eliminação da alcoolemia se dá de forma
uma falsa impressão de maior capacidade progressiva e de 15 a 20 horas após a última ingestão da
intelectual; bebida, dependendo do coeficiente de etiloxidação
• Confusão: surgem as alterações nervosas e (quantidade de álcool oxidado por minuto e por quilo de
psíquicas. O indivíduo pode cometer infrações e peso), qualquer que seja o grau de concentração.
provocar acidentes. Há perda da atenção, memória,
juízo. Nessa fase ocorrem os atentados sexuais e
FATORES
tendência às agressões;
• Quantidade de álcool ingerido;
• Sono ou Comatosa: o paciente não se mantém em
pé. Caminha apoiando nos outros ou nas paredes e • Massa corporal;
termina caindo sem poder erguer-se, mergulhando
• Concentração do álcool contida na bebida;
em sono profundo.
• Presença ou não de alimentos no estômago;
• Capacidade maior ou menor de absorção do
GRAUS DE EMBRIAGUEZ
indivíduo;
Embriaguez incompleta: o bêbado perde a autocrítica e
• Os estados emotivos, a estafa, o sono, a
faz confissões comprometedoras, fica triste, melancólico,
temperatura, o fumo, as doenças e os estados de
ou, ao contrário, excessivamente eufórico e desinibido; a
convalescência.
memória embotada, o raciocínio lento e a atenção
instável.
PESQUISA DO ÁLCOOL
GRAUS DE EMBRIAGUEZ • Saliva;
Embriaguez completa: o bêbado torna-se confuso, • Urina;
desorientado, irritável, violento; a palavra é arrastada, os • Humor vítreo;
movimentos pesados e lentos, a marcha cambaleante, o
pensamento ilógico, a memória embotada, os reflexos • Bile;
atrasados, musculatura hipotônica e há intensa • Ar expirado;
sonolência.
• Sangue.

TOLERÂNCIA AO ÁLCOOL
Alguns se embriagam com pequenas quantidades e
outros ingerem grandes porções, revelando uma
estranha resistência ao álcool. Assim, tolerância é a
capacidade maior ou menor que uma pessoa tem de se
embriagar.

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LEI SECA Portanto, o ideal é a realização do exame clínico e a
análise laboratorial.
• O motorista flagrado com a concentração igual ou
acima de 0,3 miligramas de álcool por litro de ar
expelido no teste do bafômetro é detido;
TIPOS DE EMBRIAGUEZ
• Abaixo desse índice, paga multa de R$ 1.915,40 e
• Voluntária: a decisão de se embriagar tem um fim
perde a carteira nacional de habilitação (CNH), por
definido.
um ano, além de acumular sete pontos (infração
gravíssima). • Preterdolosa: o agente não quer o resultado, mas
sabe que, em estado de embriaguez, poderá vir a
Em caso de reincidência, a multa pode ser dobrada de
cometê-lo, assumindo, mesmo assim, o risco de
forma cumulativa.
produzi-lo. Não isenta de responsabilidade.
• Culposa: decorrente da imprudência ou negligência
DOSAGEM DE ÁLCOOL NO CADÁVER de beber exageradamente e de não conhecer os
efeitos reais do álcool. Também não isenta da
• Deve ser realizada antes do surgimento dos
responsabilidade.
fenômenos putrefativos;
• Por força maior: capacidade humana é incapaz de
• Nos casos de morte violenta, principalmente em
prever ou resistir. É possível a redução da pena.
acidentes de trânsito, de preferência no sangue
venoso periférico; • Fortuita: embriaguez ocasional, rara, em momentos
especiais como: aniversário, formatura ou outras
• Aconselha-se que, após 48 horas da morte, o sangue
comemorações especiais, por isso pode isentar o
para dosagem alcoólica deve ser colhido na veia
agente da responsabilidade.
femoral.
• Acidental: surge diante de engano da ingestão de
bebida de forte teor alcoólico, quando achava
RECUSA A SUBMETER-SE A EXAME exatamente o contrário, poderá ter isenção da
Ninguém está obrigado a depor contra si próprio, ou a responsabilidade;
oferecer provas que lhe condenem ou a confessar-se • Habitual: surge sobre o agente já dependente do
culpado. E mais: fere o princípio constitucional expresso álcool, que necessita dele para se desinibir e tomar
no artigo 5º. II que se anuncia afirmando: “ninguém é iniciativa.
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão
em virtude da lei”.
ALCOOLISMO
Um elenco de perturbações resultantes do uso
LEI SECA
imoderado e contínuo do álcool, independendo, no
O condutor suspeito continua tendo o direito de recursar momento do exame, de um maior ou menor consumo de
o teste do bafômetro,mas outras formas de provas são bebida. Ou seja, a embriaguez é um estágio e o
permitidas: vídeos, depoimentos, testes específicos e a alcoolismo um estado. (França, 2008).
própria fé pública garantida aos policiais ou agentes
trânsito. Fazer o teste pode ser a prova de que o
motorista não está bêbedo. OMS
Segundo a OMS, alcoólatras (hoje alcoolistas) são
“bebedores excessivos cuja dependência do álcool chega
NA PRÁTICA
a ponto de acarretar-lhes perturbações mentais
Um indivíduo poderá estar embriagado, porém, não evidentes, manifestações afetando a saúde física e
alcoolizado, se ingeriu outra droga que não o álcool. Por mental, suas relações individuais, seu comportamento
outro lado poderá estar alcoolizado, porém, não socioeconômico ou pródromos de perturbações desse
embriagado, se, apesar de estar com a dosagem gênero e que por si só necessitam de tratamento” (esse
sanguínea acima do permitido, não apresentar sintomas enunciado procura diferenciar alcoólatra de
ou sinais. embriagado).

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EMIL KRAEPELIN CLASSIFICAÇÃO


No começo do século, que há “alcoolismo crônico em
perspectiva toda vez que alguém venha a ingerir uma
Afrânio Peixoto
nova dose de bebida alcoólica (qualquer que seja), sem
que a anterior tenha sido devidamente eliminada”. ASFIXIA PURA: resultante da anoxemia e hipercapnéia.
a) Asfixia em ambientes por gases irrespiráveis:
IMPORTÂNCIA ✓ Confinamento;
• Por apresentarem seus portadores transtornos de ✓ Asfixia por monóxido de carbono;
conduta e relativo perigo a si próprios e aos outros; Asfixia por outros vícios de ambientes.
• Por serem tendentes a outras formas de transtornos b) Obstaculação à penetração do ar nas vias
mentais; respiratórias:
• Por apresentarem modificações do juízo crítico e da ✓ Sufocação direta (obstrução dos orifícios
capacidade de administrar seus interesses. respiratórios);
✓ Sufocação indireta (impedimentos da expansão
EXAME CLÍNICO pulmonar);
• Manifestações somáticas: hepatomegalia, edemas
palpebrais, tremores das mãos, ventre aumentado, CONTINUAÇÃO
pescoço fino, insegurança na marcha, congestão das
conjuntivas, vermelhidão da face com rede venosa c) Transformação do meio gasoso em meio líquido
capilar. (afogamento);

• Perturbações neurológicas: amnésia anterógrada e d) Transformação do meio gasoso em meio sólido ou


retrógrada. pulverulento (soterramento).

• Perturbações psíquicas: delírio de ciúmes (são mais


constantes à noite, pela maior concentração de ASFIXIA COMPLEXA : determinada pela interrupção da
álcool no organismo, e a discórdia conjugal vai circulação cerebral.
aumentando a ponto de levar ao crime). Delírium?
a) Constrição cervical passiva do pescoço
(enforcamento);
ENERGIAS DE ORDEM FÍSICO-QUÍMICAS (Asfixias). b) Constrição cervical ativa do pescoço
(estrangulamento).

ASFIXIA
“É a síndrome caracterizada pelos efeitos da ausência do ASFIXIA MISTA: ocorre pela superposição dos fenômenos
oxigênio no ar respirável por impedimento mecânico de circulatórios, respiratórios e nervosos (esganadura).
causa fortuita, violenta e externa em circunstâncias as
mais variadas. Ou a perturbação oriunda da privação,
completa ou incompleta, rápida ou lenta, externa ou ASFIXIA POR CONFINAMENTO
interna, do oxigênio”. (França, 2008). • Permanência de um ou mais indivíduos num
ambiente restrito ou fechado, sem condições de
renovação do ar respirável;
EXAME NECROSCÓPICO
• Além dos sinais encontrados nas asfixias em geral,
• O exame do cadáver seguirá a regra centrípeta, isto podem ser vistas algumas lesões de defesa;
é, do ambiente de encontro do cadáver até a
necropsia; • Na maioria das vezes é acidental, podendo, no
entanto, ser homicídio ou suicida.
• Do exame externo geral, para o exame interno geral.

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ASFIXIA POR MONÓXIDO DE CARBONO SOTERRAMENTO
• Provocada pela reação do monóxido de carbono com • Obstrução das vias respiratórias por terra ou
a hemoglobina dos glóbulos vermelhos, impedindo o substâncias pulverulentas;
transporte do oxigênio aos diversos tecidos;
• Presença de substâncias estranhas, no interior das
• O monóxido de carbono pode penetrar no sangue vias respiratórias, na boca, no esôfago e estômago e,
depois da morte; ainda, pelos sinais gerais de asfixia;
• É mais constante como forma suicida, e, mais • É na maioria, acidental e, muito raramente, homicida;
raramente acidental ou homicida.
• Presença de lesões traumáticas de várias espécies,
pelo desabamento ou desmoronamento.
OUTROS VÍCIOS
A morte pode advir em ambientes saturados por outros AFOGAMENTO
gases, tais como de iluminação, gases de esgoto e fossas,
• A forma rápida, morrendo em cinco minutos;
gases do pântano etc.
• A forma lenta, em que a vítima luta, reage, vai ao
fundo, retorna à superfície várias vezes, morrendo
SUFOCAÇÃO depois de grande resistência.
Provocada pelo impedimento da passagem do ar • O afogado passa por três fases: defesa, resistência e
respirável por meio direto ou indireto de obstrução. exaustão e posteriormente a morte.
• Afogamento homicida é muito raro, a não ser que a
vítima seja muito inferior em forças ao agressor.
SUFOCAÇÃO DIRETA
• Determinada pela oclusão da boca e das fossas nasais,
com as mãos, travesseiro, papel molhado, sacos AFOGADO BRANCO DE PARROT OU AFOGADO SECO
plásticos, goma de mascar, moedas, alimentos,
• O indivíduo, ao tocar na água, morre por inibição,
vômitos e prótese dentária;
necessitando para isso, de uma predisposição
• Há necessidade de acentuada desproporção de forças constitucional, lesões cardiovasculares agravadas
entre a vítima e o agente; pela ação térmica;
• A natureza jurídica pode ser de caráter criminoso, • Não se encontra nenhum sinal de asfixia.
acidental ou suicídio.

SINAIS EXTERNOS
SUFOCAÇÃO INDIRETA
• Temperatura baixa da pele: pelo contato com a água
A compressão, em grau suficiente, do tórax e abdome e o equilíbrio térmico;
impede os movimentos respiratórios, levando em
• Pele anserina: “pele de galinha”, pelas contrações dos
consequência, à asfixia.
delicados músculos erectores dos pêlos;
• Retração do mamilo, do saco escrotal e do pênis:
SUFOCAÇÃO POSICIONAL pelos mesmos motivos da pele anserina;
• Pela posição em que o indivíduo se encontra no • Maceração da epiderme: principalmente nas mãos e
momento da morte, capaz de impedir ou dificultar nos pés devido à maior espessura da epiderme,
seriamente a ventilação pulmonar, após a instauração destacando-se com se fossem verdadeiros dedos de
da fadiga e da falência muscular respiratória; luva, inclusive desprendendo-se junto com as unhas;
• Ausência de lesões traumáticas; • Livores cadavéricos mais claros: tonalidade rósea,
devido as modificações hemáticas;
• Um dos exemplos desse quadro seria a “crucificação”
ou o posicionamento demorado do indivíduo de
“cabeça para baixo”.

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SINAIS EXTERNOS ENFORCAMENTO


• Cogumelo de espuma: bolhas sobre a boca e narinas. • Constrição por laço que produz sulco oblíquo
Sua formação depende da entrada de água no situado na região cervical, há interrupção pelo nó;
interior das vias respiratórias, do muco e do ar;
• A causa jurídica da morte é geralmente o suicídio,
• Erosão nos dedos e presença de corpos estranhos podendo ser acidental, o homicídio e a execução
sob as unhas: na região palmar das extremidades dos penal.
dedos e sob as unhas;
• Lesões post mortem produzidas por animais
ENFORCAMENTO
aquáticos: principalmente nas pálpebras, lábios,
cartilagem do nariz e dos pavilhões auriculares. Observa-se três períodos:
a) Período inicial: sensação de calor, zumbidos,
sensações luminosas na vista e perda da consciência.
SINAIS INTERNOS
b) Segundo período: convulsões e excitação do corpo.
• Hemorragia temporal: pelo extravasamento
sanguíneo na orelha média; c) Terceiro período: surgem sinais de morte aparente,
até o aparecimento da morte real.
• Hemorragia etmoidal: pelo extravasamento
sanguíneo do osso etmóide;
• Diluição do sangue: devido a entrada de água no SINAIS EXTERNOS
sistema circulatório; • A sua maior importância está no sulco do pescoço;
• Presença de líquido nas vias respiratórias: presença • Na maioria das vezes, o sulco é único, podendo,
de corpos estranhos, fungos, lama ou material fecal, entretanto, apresentar-se duplo, triplo ou múltiplo
água doce ou salgada; quando esse laço envolve várias vezes o pescoço.
• Presença de corpos estranhos no líquido das vias • A consistência do sulco depende dos laços moles ou
respiratórias dos afogados: vegetais ou animais que duros.
possam existir no líquido, cujo conjunto se chama
plâncton;
SINAIS INTERNOS

SINAIS INTERNOS Lesões da artéria carótida:

• Lesões nos pulmões: pulmões aumentados, • Sinal de Amussat - secção transversal da túnica
crepitantes e distendidos; as manchas de Tardieu são íntima principalmente nas proximidades de sua
raras. As mais comuns são as manchas de Paltauf de bifurcação.
tonalidade vermelho-escuro, explicada pela rotura • Sinal de Étienne Martin - desgarramento da túnica
das paredes alveolares e capilares sanguíneos; externa.
• Presença de líquido no sistema digestivo: • Sinal de Friedberg - sufusão hemorrágica da túnica
principalmente no estômago e nas primeiras porções externa.
do intestino delgado;
• Lesão do aparelho laríngeo: fratura das cartilagens,
• Presença de líquido na orelha média: inclusive tireóide e cricóide, e do osso hióide;
corpos estranhos podem ser encontrados.
• Lesões da coluna vertebral: nos casos de queda
brusca do corpo, podem surgir fraturas ou luxações
AFOGAMENTO de vértebras cervicais, como acontece em alguns
dos enforcamentos por suplício.
Corpos estranhos na luz dos brônquios

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ESTRANGULAMENTO • Pode ainda ocorrer a morte por pressão de um
• Constrição por laço cervical apertado pela força de objeto duro, como cassetetes, bastão ou outro
terceiro, o sulco posiciona-se transversal. objeto similar sobre o pescoço.

• A causa jurídica de morte é geralmente o homicídio,


raramente suicídio e acidente. CARACTERÍSTICAS DIFERENCIAIS DO SULCO (BONNET)
• Normalmente, o estrangulamento passa por três
períodos: resistência, perda da consciência e Enforcamento Estrangulamento
convulsões, asfixia e morte aparente. Depois, a Oblíquo ascendente Horizontal
morte real. Variável segundo a zona Uniforme em toda a
do pescoço periferia do pescoço
SINAIS EXTERNOS Interrompido ao nível
Contínuo
do nó
• Aspecto da face e do pescoço: a face se mostra Em geral, único Frequentemente múltiplo
tumefeita e violácea pela obstrução completa da Por cima da cartilagem Por baixo da cartilagem
circulação. A língua se projeta além das arcadas tireóidea tireóidea
dentárias e é extremamente escura; Quase sempre Excepcionalmente
• Equimoses pequenas na face, nas conjuntivas, apergaminhado apergaminhado
pescoço e região anterior do tórax; De profundidade
De profundidade uniforme
• Sulco: pode ser único, duplo ou múltiplo; desigual

• O sulco se apresenta no sentido horizontal, podendo


ser ascendente ou descendente. A sua profundidade ESGANADURA
é uniforme.
• Constrição cervical apertada pelas mãos do
agressor.
SINAIS INTERNOS • A causa jurídica da morte é sempre homicida, sendo
• Infiltração hemorrágica: nos tecidos moles do impossível a forma suicida ou acidental.
pescoço;
• A esganadura vem sempre acompanhada de outras
• Lesões da faringe: podem acarretar lesões nas lesões, principalmente as traumáticas, decorrentes
cartilagens tireóide e cricóide e no osso hióide; da luta e, por isso, chamadas de lesões de defesa.
• Lesões das artérias carótidas: porém em ambos os
lados, pelos sinais de Amussat, Friedberg e de
Ètienne Martin. SINAIS EXTERNOS
• Os mais importantes são os produzidos pelas unhas
do agressor, teoricamente de forma semilunar,
ESTRANGULAMENTO ANTIBRAQUEAL conhecidas estigmas ungueais;
• Estrangulamento através da constricção do pescoço • Podem ser encontradas pequenas equimoses
pela ação do braço e do antebraço sobre a laringe, arredondadas produzidas pelas polpas dos dedos;
conhecida como “golpe de gravata”;
• Podem surgir escoriações, devido às reações da
• Em geral a morte se dá por oclusão das vias aéreas
vítima ao defender-se;
ou da obstrução da circulação das carótidas, por
ação da prega do cotovelo sobre a região lateral do • As marcas ungueais podem não existir se o agente
pescoço; conduziu a constricção do pescoço protegido por
objetos, como, por exemplo, lenços, toalhas ou
• A morte pode ser também por inibição (reflexo
luvas.
laríngeo-pneumogástrico), síndrome conhecida por
“estrangulamento branco de Claude Bernard- • Se o criminoso usou a mão direita, aparecem essas
Lacassagne”, em que, por vezes, pressões menos marcas em maior quantidade no lado esquerdo do
significativas do pescoço podem resultar em parada pescoço da vítima.
cardíaca e em que não se encontram os sinais
clássicos de asfixia;

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SINAIS INTERNOS
• Infiltrações hemorrágicas das estruturas profundas
do pescoço.
• Lesões do aparelho laríngeo por fraturas de
cartilagens tireoide e crinoide e do osso hioide,
mais frequentes que no enforcamento e
estrangulamento.
• Muito raramente ocorre fratura de cartilagens da
traqueia.

Lesões de vasos do pescoço: é muito raro, mas podemos


encontrar roturas da túnica íntima da carótida comum em
forma de meia-lua (Marcas de França).

LESÕES CORPORAIS SOB O PONTO DE VISTA JURÍDICO

LESÕES CORPORAIS À LUZ DO ART. 129 CP


Lesão Corporal: “Ofender a integridade corporal ou a
saúde de outrem”. LESÃO LEVE

a) Ofensa à integridade corporal: ocorrência de dano Não implica em grandes consequências para a vítima.
anatômico como: escoriação - equimose - ferida incisa O conceito de lesão corporal de natureza leve é
- luxação - fratura - cicatriz - mutilação - amputação estabelecido por exclusão, uma vez que as tipificações de
b) Ofensa à saúde: ocorrência de perturbações agravantes da lesão estão contidas nos parágrafos 1º, 2º
funcionais: e 3º do Art. 129 do CPP.

- motricidade = articulações Danos superficiais aos tecidos - ex: ferimentos em


tecidos moles, escoriações, hematomas, equimoses,
- funções vegetativas = digestão, respiração, circulação. contusões, edemas, luxações, fraturas dentárias de
- atividade sexual pequena extensão, entre outros.

- psiquismo Lesões de menor monta que não comprometam as


funções de caráter permanente e que não acarretem
maiores riscos ou recuperação demorada.
CLASSIFICAÇÃO
a) Lesões Leves (pena de até 01 ano) LESÃO GRAVE
b) Lesões Graves (pena de até 05 anos) Incapacidade (física ou psíquica) para ocupação
c) Lesões Gravíssimas (pena de até 08 anos) habitual por mais de 30 dias
d) Lesões Seguidas de Morte (pena de até 12 anos) - não exige incapacidade absoluta
- em 30 dias deverá ser reavaliada a necessidade de um
período maior, para o retorno da vítima às suas
ocupações habituais
- atividade profissional ou social (passeio, escola: não
somente o trabalho-conceito funcional e não
econômico)

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Perigo de vida LESÃO CORPORAL MORTAL
- Deve ser atestado mediante sintomas, como perda de Lesão corporal seguida de morte
consciência, desaparecimento do reflexo
- O agente, sem a intenção de matar, produz uma lesão
- As lesões com maior probabilidade de colocar em risco corporal dolosa e, esta, determina à morte da vítima
a vida da vítima são: feridas penetrantes do abdômen e
- A morte da vítima agrava a pena, pois se trata de uma
do tórax, hemorragias abundantes, estados de choque,
ação dolosa com resultado culposo.
queimaduras generalizadas, fraturas do crânio e da
coluna vertebral, traumatismo crânioencefálico,
infecções. Quesitos para Exame de Corpo de Delito
Lesões Corporais
Debilidade permanente (definitiva frente ao tratamento a) Houve lesão?
habitual) de membro, sentido ou função. b) Qual instrumento ou meio a produziu?
Membro: anquilose, paralisia muscular Sentido: tato, c) Há quanto tempo foi produzida?
visão, audição, paladar e olfato (redução ou diminuição
da capacidade sensorial) d) Resultou debilidade de membro, sentido ou função?

Função: rins, coração, mastigação e) Resultou perda ou inutilização de membro, sentido


ou função?
- perda de dente = função mastigatória
f) Foi produzida por meio de veneno, fogo, explosivo,
- perda de testículo = função reprodutiva Aceleração do asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel?
Parto
g) Resultou perigo de vida?
- Compreende traumas de toda ordem (física ou psíquica)
que pode antecipar o parto, não ocorrendo a morte do h) Impediu as atividades habituais por mais de trinta
feto dias?
i) Resultou deformidade permanente, enfermidade
incurável, aceleração de parto ou aborto?
LESÃO GRAVÍSSIMA
Incapacidade permanente para o trabalho
QUESTÕES SOBRE ART. 129 CP
- Dificilmente curada ou reparada. Ex.: um motorista de
ônibus perdeu a visão: (impossibilidade de trabalhar)
Enfermidade incurável - Consideram-se lesões corporais graves, se ocorrer
algum dos seguintes resultados:
- Estado patológico que tende a evoluir para a morte ou
que permaneça indefinidamente estacionário sem R. Debilidade permanente de membro, sentido ou
possibilidade de cura: lepra, tuberculose, epilepsia. função, aceleração de parto ou perigo de vida.

Perda ou inutilização de membro, sentido ou função. - Uma mulher, grávida de oito meses, sofreu uma
agressão, em consequência da qual ocorreu a expulsão
Ex.: perda da fala pela amputação da língua, perda da do feto, que morreu minutos após esta. Do ponto de
audição, da visão, de uma mão, de um pé vista jurídico, verificou-se:
Deformidade permanente R. Lesão corporal com aceleração de parto.
- Dano estético irreversível, visível e permanente - Contém somente características de lesões graves:
(Visibilidade, permanência e extensibilidade da lesão)
R. Perigo de vida, aceleração de parto, debilidade
Aborto permanente de órgão.
- Morte fetal ou sua expulsão e morte consequente como
resultado do dano (agressão à integridade física ou à
saúde da mãe)

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1. Em consequência de uma agressão, a vítima teve MORTE APARENTE


perda de visão do olho direito. De conformidade com o
A tríade de Thoinot define, clinicamente, o estado de
art. 129, parágrafos e incisos do CP, a vítima sofreu lesão
morte aparente:
corporal de natureza:
- Imobilidade;
R. Grave, por debilidade permanente de sentido.
- Ausência aparente da respiração;
- Ausência da circulação.
- Um indivíduo agrediu uma gestante no oitavo mês de
gravidez, provocando a expulsão prematura do feto Historicamente, surgiram opiniões das mais dispares,
pesando 2.700 gramas, que, por falta de cuidados indo desde alguns minutos até dias de morte aparente,
médicos, faleceu cinco minutos após a expulsão. Diante inclusive em Belém do Pará.
disso, o agressor será indiciado por:
R. Lesão corporal com aceleração de parto. MORTE SÚBITA OU RÁPIDA
- As lesões deformantes, caracterizadas como de - É aquela que ocorre de forma inesperada e brusca, em
natureza gravíssima no Código Penal, para que possam um indivíduo de aparente bom estado de saúde, sempre
ser definidas pelo perito médico-legista como tal, de causa interna ou patológica, sem, portanto qualquer
deverão apresentar elementos essenciais como: influência externa ou violenta.
R. Extensibilidade, permanência e visibilidade. - É aquela que, pela brevidade de instalação do processo,
- As lesões deformantes, caracterizadas como de desde segundos até horas, não possibilita que seja
natureza gravíssima no Código Penal, para que possam realizada uma pesquisa profunda.
ser definidas pelo perito médico-legista como tal,
deverão apresentar elementos essenciais como:
MORTE AGÔNICA OU TARDIA
R. Extensibilidade, permanência e visibilidade.
- É aquela que se arrasta por dias ou semanas após a
- Indivíduo que perdeu completamente a visão do olho eclosão de sua causa básica.
direito, em decorrência de uma agressão, sofreu lesão
corporal da qual resultou: - É aquela que, em geral, vem de maneira esperada,
devagar, significando a culminação de um estado
R. Debilitação permanente de sentido. mórbido, isto é, de uma doença ou da evolução de um
traumatismo, ponto final de uma longa agonia, tal o caso
da emaciação, da caquexia, da presença de extensas
TANATOLOGIA MÉDICO LEGAL
escaras de apoio, entre outros.

DOCIMASIA HEPÁTICA QUÍMICA


TANATOLOGIA
Baseia-se na pesquisa do glicogênio e da glicose.
“É a parte da Medicina Legal que estuda a morte e o
A conclusão leva ao seguinte: um homem que morreu
morto, e as suas repercussões na esfera jurídica-social.”
com o fígado funcionalmente espoliado teve o
França, 2008. organismo sob o efeito da morte agônica. Se o fígado
apresenta toda a reserva de glicogênio, atribui-se-lhe
uma morte instantânea.
MORTE REAL Caracterizada pela suspensão total e
definitiva de todas as atividades vitais.
- Cessação da respiração.
- Cessação da circulação.
- Cessação de atividade encefálica.

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL
- LEI 5.810/94
DOCIMASIA HEPÁTICA HISTOLÓGICA MORTE SUSPEITA
Tem sua efetivação na identificação microscópica do Rotula-se como morte suspeita aquela que, mesmo com
glicogênio no tecido hepático. testemunhas, e com alguns dados de orientação
diagnóstica, se mostra duvidosa quanto à sua origem,
A presença de glicogênio, que poderá ser intra ou
desde a investigação policial sumária, quer por atitudes
extracelular em função dos fenômenos transformativos
estranhas do meio ambiente, quer por indícios que
que tenha sofrido o cadáver, ainda que em pequena
impeçam descartar de plano a violência (possibilidade de
quantidade, em todos os campos observados, será um
intoxicação, presença de ferimentos etc.).
indicativo de que a morte se deu em forma rápida ou
repentina (súbita), pois que de outra forma, a longa
duração do processo agônico permitiria que esta
MORTE PARA TRANSPLANTES
substância de reserva tivesse se exaurido.
Com os modernos processos de transplantação de
órgãos e tecidos, criou-se um novo conceito: morte
DOCIMASIA SUPRA-RENAL QUÍMICA encefálica, que vem substituindo dia a dia os critérios
cardíaco e circulatório, para todos os médicos, seguindo
Baseia-se na identificação da adrenalina presente nas
o Conselho Federal de Medicina através da Resolução
cápsulas suprarrenais do cadáver.
1480/97.
A presença expressiva, em quantidade, de adrenalina
oferecerá fortes indícios de que a morte se deu em forma
rápida. HOJE (Lei 10.211/2001)
- Através de uma Medida Provisória, o Governo sanou
esta distorção, tornando a doação post mortem um ato
DOCIMASIA SUPRA-RENAL HISTOLÓGICA
facultativo da família;
A presença, ou não, de adrenalina nos casos de
- Quanto a ordem de inscrição dos receptores, a
sobrevivência, principalmente das mortes violentas,
prioridade será dada aos casos de comprovada urgência.
mostra a maior ou menor solicitação às supra-renais
numa morte súbita ou agônica, constatada pela reserva
hormonal possivelmente encontrada nessas glândulas.
TANATOGNOSE
(Diagnóstico da realidade da morte)
MORTE NATURAL
A Declaração de Óbito fornecida pelo médico, por
É aquela que sobrevém como consequência de um ocasião do preenchimento do formulário oficial, só é
processo esperado e previsível. Isto pode acontecer, por possível quando este, após examinar pessoalmente o
exemplo, com o decorrer do tempo, quando é de se corpo, constata que a morte é uma realidade
prever que o envelhecimento natural, com o inquestionável.
esgotamento progressivo das funções orgânicas, que se
acompanham de processos de involução, esclerose e
atrofia de órgãos e sistemas, levará à extinção da vida. CERTEZA DA MORTE
- Sinais de cessação da vida ou sinais abióticos;
MORTE VIOLENTA - Sinais positivos de morte ou fenômenos cadavéricos.
Oposto das mortes naturais, encontramos as mortes de
causa violenta: FENÔMENOS ABIÓTICOS IMEDIATOS
- homicídios, suicídios e acidentes. - Perda da consciência;
- Perda da sensibilidade;
- Abolição da mobilidade e do tônus muscular;
- Cessação da respiração;
- Cessação da circulação;
- Cessação da atividade cerebral.

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL

PERDA DA CONSCIÊNCIA RESFRIAMENTO CADAVÉRICO


Principalmente quando se dispõe de um - Com a morte, a tendência do corpo é equilibrar sua
eletroencefalograma no ponto isoelétrico. temperatura com o meio ambiente. Os órgãos internos
mantêm-se aquecidos por 24 horas em média. Quanto
maior o panículo adiposo apresentado pelo indivíduo,
PERDA DA SENSIBILIDADE mais resistência oferece à baixa de temperatura.
Estão abolidas das sensações táteis, térmicas e dolorosas. - Na prática, admite-se que o esfriamento se faz, em
média, à razão de 1,5ºC por hora.
ABOLIÇÃO DA MOTILIDADE E DO TONO MUSCULAR
Injetar 1 ml de éter na região lateral da coxa. Quando MANCHAS DE HIPÓSTASE
estamos diante de um caso de morte real, o éter é - São encontradas de preferência, na parte de declive dos
expelido pelo orifício produzido pela agulha, e caso cadáveres e por isso chamadas de manchas de hipóstase,
contrário, será absorvido pelo tecido. variando logicamente, com a posição do corpo.
- Via de regra, começam a aparecer em torno de 2 a 3
CESSAÇÃO DA RESPIRAÇÃO horas após a morte. Durante as primeiras 12 horas após
A abolição da respiração pode ser evidenciada pela a morte, estas manchas podem mudar de posição
ausculta pulmonar com ausência dos murmúrios conforme a situação do cadáver, para, depois, se fixarem
vesiculares. Atualmente essa constatação é feita através definitivamente.
da radioscopia e com mais precisão por meio da
eletromiografia com registro gráfico das incursões RIGIDEZ CADAVÉRICA
respiratórias.
- Atualmente, acredita-se que a rigidez cadavérica é
resultante de muitos fatores, todos eles decorrentes a
CESSAÇÃO DA CIRCULAÇÃO supressão de oxigênio celular, impedindo a formação de
Na prática, é um sinal fácil e de grande valor. A ausculta ATP, fonte imediata de energia muscular.
do coração (Bouchut), a radioscopia do coração (Piga) e a - A rigidez começa entre 1 a 2 horas depois da morte,
eletrocardiografia com ou sem ativação adranalínica chegando ao máximo após 8 horas e desaparece com o
(Guérin e Freche). início da putrefação depois de 24 horas, iniciando-se o
processo inverso: a resolução da rigidez, que se completa
entre 48 e 72 horas (dois ou três dias).
CESSAÇÃO DA ATIVIDADE CEREBRAL
O eletroencefalograma não deve ser o único meio capaz
de definir esse diagnóstico. Midríase bilateral. ESPASMO CADAVÉRICO
Caracteriza-se pela rigidez abrupta generalizada e
violenta, sem relaxamento muscular que precede a
FENÔMENOS ABIÓTICOS CONSECUTIVOS
rigidez comum. Os cadáveres guardam a posição com
- Desidratação cadavérica; que foram surpreendidos pela morte, uma atitude
- Resfriamento do corpo; especial fixada da vida para morte.
- Livores cadavéricos ou de hipóstase;
- Rigidez muscular. FENÔMENOS CADAVÉRICOS TRANSFORMATIVOS
- Destrutivos;
DESIDRATAÇÃO CADAVÉRICA - Conservadores.
- Decréscimo de peso;
- Pergaminhamento da pele; FENÔMENOS TRANSFORMATIVOS DESTRUTIVOS
- Dessecamento das mucosas dos lábios; - Autólise;
- Modificações dos globos oculares; - Putrefação;
- Nos cadáveres adultos a perda de peso, por - Maceração.
desidratação, oscila entre 10, 0 e 18,0 g/kilo de peso por
dia.

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MEDICINA LEGAL
- LEI 5.810/94
AUTÓLISE - Os fetos retirados do útero post mortem sofrem a
maceração asséptica. Os cadáveres mantidos em meio
Processo autodestrutivo de células e tecidos, que se
líquido sob a ação de germes, como os afogados,
opera sem interferência externa, decorrente do aumento
marcham para maceração séptica.
da permeabilidade das membranas plasmáticas e que
possibilita a liberação de enzimas proteolíticas contidas
nos lisossomos. Isto leva a uma acidez temporária que,
FENÔMENOS TRANSFORMATIVOS CONSERVADORES
pela putrefação, se neutraliza e inverte pela alcalinização
progressiva com valores de pH da ordem de 8,0 a 8,5. - Mumificação;
- Saponificação ou Adipocerca;
PUTREFAÇÃO - Calcificação;
Depois da autólise, começa a se verificar a desordenação - Corificação;
do corpo provocada pela participação ativa de bactérias - Congelação.
cujas enzimas, em condições favoráveis, produzem a
desintegração do material orgânico. Daí que, nas
condições térmicas que impeçam a proliferação MUNIFICAÇÃO
bacteriana, ou pela ação de substâncias antissépticas, o
cadáver não se putrefaz. As bactérias encarregadas da É uma dessecação rápida, seu aparecimento depende
putrefação do cadáver, na sua maioria, são as mesmas exclusivamente das condições em que o corpo seja
que, em vida, formam parte da flora intestinal do colocado.
indivíduo. - Ambiente seco;
- Temperatura elevada;
FASES DA PUTREFAÇÃO - Abundante ventilação.
- Período cromático ou coloração: tem início com a SAPONIFICAÇÃO
mancha verde de tonalidade verde-enegrecida da pele,
Fenômeno cadavérico que depende de que o corpo, ou
originada pela combinação do hidrogênio sulfurado nas
parte dele, seja colocado em um meio que obedeça a
cente com a hemoglobina, formando a
duas exigências:
sulfometemoglobina, entre 18 e 24 horas após a morte,
durando em média 7 dias. - Ambiente muito úmido;
- Período enfisematoso: inicia-se por volta da 24ª hora, - Ausência de ar ou ventilação escassa.
sendo certo que o edema de face, genitália e circulação
póstuma de Brouardel aparecem entre as 48 e 72 horas.
CALCIFICAÇÃO
- Período coligativo: dissolução pútrida das partes moles
do cadáver pela ação conjunta das bactérias e da fauna - Ocorre mais frequentemente nos fetos mortos e retidos
necrófaga, tendo o início no fim da primeira semana e se na cavidade uterina, constituindo-se nos clamados
prolonga de maneira diversa, conforme o local em que se litopédios (criança de pedra).
encontra o cadáver. - O esqueleto começa assimilar uma grande quantidade
- Período de esqueletização: A ação do meio ambiente e de sais de calcários, tomando essa parte do corpo uma
da fauna cadavérica destrói os resíduos tissulares, aparência pétrea.
inclusive os ligamentos articulares que começa entre a 3ª
e 4ª semanas, podendo ocorrer muito mais rapidamente
nos cadáveres expostos. Este período vai de 3 a 5 anos. CORIFICAÇÃO
Ocorre em cadáveres conservados em urnas metálicas. A
pele do cadáver assume o aspecto, a cor e a consistência
MACERAÇÃO uniforme de couro recentemente curtido.
- É um processo de transformação destrutiva em que
ocorre o amolecimento dos tecidos e órgãos quando
submersos em um meio líquido e nele se embebem.

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CONGELAÇÃO RIGIDEZ CADAVÉRICA


- Um cadáver submetido a baixíssima temperaturas e por - Regra de Bonnet: a rigidez se inicia logo após a morte,
tempo prolongado vai-se conservar integralmente por atingindo o seu total desenvolvimento até a 15ª hora, e
muito tempo. depois desaparece lentamente;
- Autores consideram que em temperatura de -40 graus - Regra de Fávaro: o processo se inicia logo na primeira
podemos obter uma preservação quase indefinida, hora e se generaliza entre 2 e 3 horas, atingindo o seu
inclusive permitindo a conservação de alguns materiais máximo após 5 a 8 horas;
orgânicos como ossos, tecidos e espermatozóides.
- Regra de Niderkon: rigidez precoce que ocorre até a 3ª
hora; é normal entre 3ª e 6ª horas e tardia, quando
ocorre depois da 9ª hora.
CRONOTANATOGNOSE
Estimativa do momento da morte
COMPRIMENTO DOS PÊLOS
- Mesmo após a morte, alguns fâneros, como pêlos e
ESTIMATIVA DO TEMPO DE MORTE unhas, continuam a crescer. Os primeiros crescem à
- Resfriamento do cadáver; razão de 21 micra por hora, daí utilizar-se sua medição
para determinar a hora do óbito;
- Manchas de hipóstase;
- Os pêlos da barba crescem 0,021 mm/h, bastaria dividir
- Rigidez cadavérica; o comprimento encontrado depois da morte por esta
- Crescimento dos pêlos; cifra.

- Gases de putrefação;
CONTEÚDO GÁSTRICO
- Conteúdo gástrico;
- Verificar em que estado da digestão se encontram os
- Fauna entomológica; alimentos;
- Mancha verde abdominal. - Os glicídios e carboidratos são os que apresentam uma
permanência mais breve;
- As proteínas ocupam um lugar intermediário;
RESFRIAMENTO DO CADÁVER
- Os lipídios os que oferecem um trânsito mais
Sabe-se que o corpo, uma vez cessadas as funções vitais, demorado.
passa a perder calor, por diversos mecanismos
(convecção, condução, irradiação e evaporação), à razão
de 1,5ºC por dia, igualando em termos gerais a FAUNA ENTOMOLÓGICA
temperatura do ambiente, no máximo, até 24 horas após - O estágio da metamorfose dos dípteros cujas larvas têm
o decesso. atividade necrofagia permite estabelecer uma
cronologia da morte.
- Existem estudos adaptando as observações dos autores
MANCHAS DE HIPÓSTASE
europeus para o Brasil, mas são pouco usados.
- Quanto ao aparecimento - surgem na primeira meia
hora, após o óbito, mas apenas se tornam evidentes entre
a 2ª e 3ª horas, sendo que podem não aparecer nas MANCHA VERDE ABDOMINAL
regiões comprimidas; - Quase sempre se localiza na fossa ilíaca direita, sendo
atribuída à sulfoxiemoglobina. Justifica-se esta região
- Quanto à fixação - tornam-se fixas, isto é, não mudam
devido ao ceco ser o segmento intestinal de maior
de localização quando se muda a posição do cadáver,
proporção, mais distendido e mais próximo à parede
após decorridas 12 horas.
abdominal e, ainda, pela maior concentração gasosa
nesta parte do intestino;
- Em média surge entre 24 e 36 horas depois da morte;
- Estende-se a todo corpo depois do 3º. ao 5º. dia.

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NECROPSIA MÉDICO-LEGAL EMBALSAMAMENTO
É a maior de todas as perícias médico-legais A prática mais simples de conservação artificial e
“A PERÍCIA DAS PERÍCIAS” permanente do cadáver, constituindo-se em lavagens e
fricções com substâncias aromáticas ou balsâmicas.
Oscar Castro.
NECROPSIA FACULTATIVA
A necropsia facultativa depende de autorização prévia
dos representantes legais do “de cujos” e só deve ser
realizada por médico patologista.

NECROPSIA OBRIGATÓRIA
Não depende da autorização dos representantes legais do
“de cujos” quando resulta de morte violenta ou suspeita
de crime.

FINALIDADES
- Identificação do morto;
- A causa mortis;
- A causa jurídica da morte;
- Tempo decorrido da morte.

REQUISIÇÃO
- Identificação;
- Justificativa do exame;
- A história do caso, a hora, o local e as condições da
morte;
- O atendimento hospitalar, se houver;
- Tudo em subsídio para o médico-legista.
INSPEÇÃO EXTERNA
- Exame das vestes;
DESTINOS DO CADÁVER
- Elementos de identidade;
Inumação simples
- Sinais de morte;
- Exame da cabeça; - Em caixões próprios, é inumado o cadáver em sepultura
comuns de 1,75cm de profundidade e 0,80cm de largura,
- Exame do pescoço; distantes umas das outras de pelo menos 0,60cm em
- Exame do tórax; todos os sentidos, ou em túmulos ou jazigos que
obedeçam às condições do Código Sanitário.
- Exame do abdome;
- O sepultamento não deve ocorrer antes de 24h nem
- Exame do ânus;
depois de 36h, a não ser por motivos especiais.
- Exame dos órgãos genitais;
- Nos membros superiores;
- Exame dos membros inferiores;
- Dorso.

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL

DESTINO DO CADÁVER PROCEDIMENTO


Cremação - Solicitação do exame;
- O cadáver é transformado em cinzas, em fornos elétricos - Cientificar a administração do cemitério quanto à hora
especiais que suportam uma temperatura de 800 a 1.000 e data da realização do exame;
C, constituído de uma grelha rotatória e de um coletor de - A identificação da cova, que será apontada pelo
cinzas, operação essa que varia de 1 a 2h o máximo. administrador do cemitério;
- Prévia manifestação da vontade do morto ou no - Abrir o local de sepultamento;
interesse da saúde pública, sendo necessário, ainda, que - Retirar o esquife e sua colocação sobre o local
o atestado de óbito seja firmado por dois médicos ou por apropriado;
um médico-legista, e no caso de morte violenta, após
- Abrir o ataúde;
autorização da autoridade judiciária.
- Certificar-se de que se trata, verdadeiramente, do
cadáver a que se propõe a perícia requisitada;
EXUMAÇÃO - Tudo deve ser descrito e fotografado.
“A exumação é a mais árdua e repulsiva das perícias
médico-legais”
QUEM PARTICIPA DE UMA EXUMAÇÃO?
França. 2008. - Autoridade Policial;
- Os Peritos;
CONCEITO - O Administrador do cemitério público ou particular
Consiste no desenterramento do cadáver e geralmente para indicar o local da sepultura, sob pena de responder
tem como finalidade atender aos reclamos da Justiça na pelo crime de desobediência, conforme art. 330 do CP;
averiguação de uma exata causa de morte passada - Familiares do “de cujos”; e
despercebida, no esclarecimento de um detalhe, numa - Testemunhas que estiveram presentes quando da
identificação, numa grave contradição ou na confirmação inumação.
de um diagnóstico.

NECROPSIA PÓS-EXUMAÇÃO
ADMINISTRATIVOS
- Retira-se o cadáver;
- Ser transferidos por razões sanitárias; - Examina-se com a mesma técnica do exame cadavérico
- Ser transferidos de local de sepultamento, para uma a céu aberto ou em necrotério anexo ao cemitério,
quadra diferente; quando houver;
- Ser mudados de urna funerária, uma vez completada a - Deve-se utilizar a fotografia e, quando necessário, os
fase de esqueletização. raios X;
- O exame interno deve ser completo, tendo o cuidado
JUDICIÁRIOS de distinguir com clareza as modificações post-mortem;
- Se necessário retirar material para exame;
Realizada por ordem judicial, diretamente, ou através de
determinação da Polícia Judiciária. Visando: - Terminada a perícia, o cadáver é novamente dado à
sepultura.
- O reconhecimento e identificação;
- A realização da necropsia médico-legal;
CONCLUSÃO
- A apuração de uma grave contradição entre os fatos;
A exumação, por ser uma perícia extremamente
- A confirmação de um diagnóstico; complexa, porquanto não é apenas um ato médico-legal,
- A recuperação de projéteis não localizados na necropsia. mas envolve a Polícia Científica como um todo.
Somente deve ser solicitada em caráter excepcional,
quando exauridos todos os outros meios de prova, sendo
executada, no dizer do Mestre Genival Veloso de França
(2001), “somente por sérias e imperiosas razões.”

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MEDICINA LEGAL
- LEI 5.810/94
EXERCÍCIO 04. O Geólogo V.S.I., doente de AIDS, entrou num
transporte coletivo e com uma seringa cheia de seu
próprio sangue injetou violentamente em quatro
pessoas. Estas foram encaminhadas ao I.M.L. para
01. O Sr. Francisco foi agredido por um vizinho com um exame de lesões corporais e posteriormente realizaram
soco no olho esquerdo que lhe causou uma retinopatia, exames complementares de lesões corporais quando
resultando na perda de visão do referido olho. Não houve ficou constatado que as pessoas vítimas estavam
alteração estética do globo ocular. Neste caso, o agente portadoras do vírus da AIDS.
cometeu, segundo o artigo 129 do C.P.B., crime de lesão Neste caso, trata-se de lesão corporal de natureza:
corporal de natureza:
A) Leve
A) Leve
B) Grave
B) Grave
C) Gravíssima
C) Gravíssima
D) Seguida de morte
D) Seguida de morte
E) Contágio venéreo
E) Tentativa de homicídio culposo

05. A faca é um instrumento cortante:


02. O Sr. J.A.S., foi agredido por elementos desconhecidos
A) Em qualquer circunstância
e teve como resultado das lesões, cicatriz queloideana de
8 cm na hemiface direita. Este crime de lesões corporais B) Sempre que seu gume participa na produção de um
é de natureza: ferimento
A) Leve C) Sempre que seu gume atua por deslizamento e
pressão sobre uma linha
B) Grave
D) Apenas se tiver ponta e gume muito afiado
C) Gravíssima
D) Seguida de Morte
06. As lesões denominadas figuras de LICHTEMBERG são
E) Média
encontradas nas pessoas vítimas de:
A) Asfixia
03. A incapacidade permanente para o trabalho e o perigo
B) Fulguração
de vida caracterizam, espectivamente, lesões corporais
de natureza: C) Eletroplessão
A) Gravíssima e grave D) Envenenamento
B) Leve e gravíssima E) Explosão
C) Grave e gravíssima
D) Gravíssima e leve 07. A lesão produzida por um instrumento que agindo
tangencialmente arranca a epiderme, denomina-se:
E) Grave e média
A) Equimose
B) Rubefação
C) Escoriação
D) Ferida contusa
E) Impressões epidérmicas

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL

08. As incrustações de pólvora incombusta na pele, em D) A cano encostado


torno do orifício de entrada do projétil de arma de fogo,
E) A longa distância
denomina-se:
A) Enxugo
13. Chama-se vitriolagem as lesões produzidas por:
B) Contusão
A) Calor
C) Tatuagem
B) Veneno
D) Chamuscamento
C) Agentes Mecânicos
E) Zona equimótica
D) Eletricidade
E) Substâncias cáusticas
09. Os sulcos oblíquos, descontínuos, de profundidade
desigual localizados no pescoço, são características das
asfixias por:
A) Sufocação GABARITO
01. B 06. B 11. E
B) Esganadura
02. C 07. C 12. D
C) Confinamento 03. A 08. D 13. A
D) Enforcamento 04. C 09. B
05. B 10. E
E) Estrangulamento

10. São características das feridas contusas, exceto: SEXOLOGIA MÉDICO


A) Pontes dérmicas
B) Cauda de saída ou cauda terminal
C) Sinais de contusão SEXOLOGIA FORENSE
D) Profundidade irregular ao longo da ferida “A Sexologia Forense é a parte da Medicina Legal que
estuda os problemas médico-legais ligados ao sexo”.
E) Bordas irregulares
GOMES, 1969.
IMPORTÂNCIA
11. São características das feridas incisas, exceto:
• Nos ensina tudo o que devemos saber a respeito
A) Bordas regulares dos problemas sexuais, de modo a nos habilitar a
B) Geralmente maior profundidade no centro seguir e respeitar as leis da natureza e a evitar os
tenebrosos desvios do instituto;
C) Cauda de saída ou cauda terminal
• Nos fornece elementos capazes de nos permitir
D) Secção de vasos orientar corretamente a educação e a iniciação
E) Pontes dérmicas sexual dos nossos filhos e de quem nos procura.

12. No exame cadavérico da vítima de instrumento CASAMENTO


pérfuro-contundente (projétil de arma de fogo), “É um contrato bilateral e solene, pelo qual um homem
localizado na região torácica com ferida de entrada tipo e uma mulher se unem indissoluvelmente, legalizando
boca de mina. Constatamos disparo: por eles suas relações sexuais, estabelecendo a mais
A) A curta distância estreita comunhão de vida e de interesse, e
comprometendo-se a criar e a educar a prole que de
B) A queima roupa ambos nascer.”
C) A média distância Clóvis Bevilaqua.

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MEDICINA LEGAL
- LEI 5.810/94
REQUISITOS ESSESNCIAIS PARÁGRAFOS
• Sexos opostos; 1º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza
grave ou se a vítima é menos de 18 (dezoito) ou maior de
• Consentimento livre de vontade; 14 (catorze) anos.
• Celebração perante a autoridade competente. Pena – reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.
2º Se da conduta resulta morte:
IMPEDIMENTOS Pena – reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.

• Absolutamente que acarretam nulidade absoluta


do casamento; CONJUNÇÃO CARNAL
• Relativamente que acarretam nulidade relativa do É a cópula vaginal, ou seja, o ato sexual convencional
casamento. (introdução do pênis na vagina).

VIOLÊNCIA
DEFEITO FÍSICO IRREMEDIÁVEL (IMPOTÊNCIA)
Quando existe o concurso da força física ou o emprego
• Generandi (esterilidade masculinas) de meios capazes de privar ou perturbar o entendimento
• Concipiendi (esterilidade feminina) da vítima, impossibilitando-a de reagir ou defender-se.

• Coeundi (impede a conjunção carnal) • Física (emprego da força);


• Psíquica (enfraquecimento das faculdades
mentais).
IMPOTÊNCIA COEUNDI
É a incapacidade absoluta para a cópula vagínica (por GRAVE AMEAÇA
parte do home ou da mulher) e que se considera por
É a promessa de mal maior, em que a vítima fica
meios médicos como definitiva.
impossibilitada, por angústia, medo ou pavor, de esboçar
• Fisiológica (na infância e na velhice); uma resistência. Muitos acham mais grave que a própria
violência. Bastam um olhar, um gesto, uma palavra.
• Física (anormalidades);
• Psíquica (frustação sexual).
ATO LIBIDINOSO
Toda ação destinada a obter prazer sexual ou
HÍMEN relacionada à libido, excluindo-se a conjunção carnal.
É uma mucosa que separa a vulva da vagina. Tem duas Ato libidinoso (coito anal, coito oral, introdução digital
faces: uma vagina ou profunda e outra vestibular ou ou objetos na vagina ou retal; heteromasturbação;
superficial. Apresenta duas bordas, uma aderente ou de manipulação genital, mamas ou nádegas; contemplação
inserção e outra livre, que limita a óstio vaginal. lascivas, de forma constrangedora).

ESTUPRO ESTUPRO VULNERÁVEL


Art. 217- A do CP. Ter conjunção carnal ou praticar outro
Art. 213 do CP. “Constranger alguém, mediante violência
ato libidinosos com menos de 14 (catorze) anos:
ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou
permitir que com eles se pratique outro ato libidinosos” Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.

Pena – reclusão, de seis a dez anos, (Lei dos crimes 1º Incorre na mesma pena quem prática as ações
descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou
hediondos 8072/1990).
deficiência mental, não tem o necessário discernimento
Constranger (violentar, coagir impedir os movimentos, para prática do ato, ou que, por qualquer outra causa,
compelir, obrigar por força a fazer o que não quer). não pode oferecer resistência.
2º - (VETADO).

30
POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL

3º - Se da conduta resulta lesão corporal de natureza • Bordas cobertas por tecido cicatricial,
grave: esbranquiçado;
Pena – reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. • Pode-se observar sinais de infecção nos locais
4º - Se da conduta resulta morte: onde há processo cicatricial em evolução.

Pena - reclusão, de 12 (doze3 a 30 (trinta) anos.


ENTALHES

VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTER FRAUDE • Pouco profundo. Não atinge a borda inserta
(aderente) da membrana;
Artigo 2015. Ter conjunção carnal ou praticar ou ato
libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio • Borda regular com ângulos abertos;
que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade • Bordas revestidas por epitélio igual ao que reveste
da vítima: a membrana;
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. • Não se observa infecção local e, quando há, é de
origem vulvo-vaginal.
AUMENTO DE PENA
Artigo 234 – A. A pena é aumentada: PERÍCIA NO CONTÁGEO VENÉREO
III – de metade, se do crime resultar gravidez; e • Colocação das mucosas anal, genital e oral;
IV – de um sexto até a metade, se o agente transmite à • Presença de gânglios linfáticos na região inguinal;
vítima doença sexualmente transmissível de que sabe ou • Lesões cutâneo-mucosas sugestivas ou típicas de
deveria saber ser portador. DST;
Artigo 234 – B. Os processos em que se apuram crimes
• Observação de genitais externos e internos.
sexuais correrão em segredo de justiça.

COLETA DE MATERIAL VAGINAL


PERÍCIA NA CONJUNÇÃO CARNAL
• Ideal até 72 horas após o fato;
• Presença de uma auxiliar, de preferência, da
enfermagem; • Pesquisa de espermatozóides;
• Anotar todas as lesões corporais se presentes; • Pesquisa de fosfatase ácida;
• Na mesa ginecológica, deve-se verificar os genitais • Pesquisa de proteína prostática p30 (PSA);
externos, períneo e as possíveis roturas hímenais; • Pesquisa de esporos vegetais;
• Diferenciar roturas de entalhes; • Pesquisa de silicones;
• Vestígios de atos libidinosos;
• Pesquisa de micro fragmentos de esteatita (talco);
• Verificar contaminação venérea profunda;
• Identificação do DNA;
• Sinais de gravidez;
• Bacterioscopia da secreção.
• Procurar os sinais deixados pelo crime na vítima.

SANGUE
ROTURAS
• Doenças sexualmente transmissíveis (VDRL)
• São lesões traumáticas, de forma proposital ou
• Beta-HCG
acidental, em geral profunda, atingindo a borda
inserta da membrana;
• Borda irregular com ângulo agudo;

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL
- LEI 5.810/94
OUTROS EXAMES MATERIAL ANO-RETAL
• Estudo comparativo dos pêlos da vítima • Na pele, boca ou ânus no tempo máximo de 24
(coletados 20 pêlos com a raiz da região pubiana), horas;
com os pêlos suspeitos encontrados;
• Pesquisa de espermatozoides;
• Material das regiões cutâneas ao redor de marcas
• Pesquisa de fosfatase ácida;
de mordidas;
• Pesquisa de proteína prostática p30 (PSA)
• Se necessário as vestes devem ser enviadas para
o laboratório. • Identificação do DNA

POSTERIORMENTE SANGUE
A vítima deverá ser encaminhada ao serviço ginecológico • Doenças sexualmente transmissíveis (VDRL)
de urgência para os procedimentos cabíveis nas primeiras
72 horas do ocorrido e para a realização dos exames
complementares. CORRUPÇÃO DE MENORES
Art. 218 do CP. “Induzir alguém menor de 14 (catorze)
anos a satisfazer a lascívia de outrem”.
PERÍCIA COITO ANAL
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.
• Vítima em posição genupeitoral;
• Descrever as lesões da região glútea, períneo e
ânus (equimoses, edema, hemorragia, LEGISLAÇÃO
escoriações e congestão); • Art. 130 do CP. “expor alguém, por meio de
• Diferenciar rágades e fissuras; relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a
contágio de moléstia venérea, de que sabe ou
• Verificação de contágio venéreo; deve saber que está contaminado”.
• Não esquecer que o relaxamento anal Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou
isoladamente não tem valor pericial, pois não multa.
traduz lesão, mas apenas mecanismo dinâmico
1º Se é intenção do agente transmitir a moléstia:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
RÁGADAS OU RÁGADES
• São soluções de continuidade traumáticas da
mucosa do ânus, de forma linear, disposição GRAVIDEZ
radial, múltiplas e de evolução aguda; Conceito: “A gravidez nada mais é que a somatória de
• São esgarçamentos longitudinais da cobertura uma série de modificações e de processos fisiológicos
epitelial, sem localização fixa, produzidos pela que ocorrem em relação ao ovo e seus anexos, ao longo
dilatação brusca do canal anal, que deixam em do desenvolvimento. Tanto o diagnóstico da gravidez
exposição a derme ou a hipoderme, no seu fundo. quando a localização e duração da mesma têm um
médico-legal significativo”.

FISSURAS
IMPORTÂNCIA
• É uma laceração ou fenda longitudinal do epitélio
da região anal, uma ulceração ovóide, crônica do • Nos crimes de estupro ou atentado violento ao
canal anal de localização preferencial na linha pudor que resulta em gravidez;
média posterior; • Para a expedição de alvará judiciário
• O sangramento da fissura anal, de regra, é autorizando a prática de aborto legal;
pequeno e acompanha o ato da defecação, que é • Na ação de alimentos;
sempre doloroso.

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL

• Na ação de inventário quando se deseja ressalvar • Demonstração da presença do feto pela


os direitos do nascituro; ecografia e pela radiografia;
• Para a concessão de licença especial para • Pesquisa pela ultrassonografia de imagem;
gestante
• Beta – HCG positivo.

PERÍCIA
CUIDADO
• A data do coito fecundante;
• Simulada: a mulher procura manifestar alguns
• A data do início da última menstruação; sinais de gravidez.
• Procuram-se os sinais de presunção, • Dissimulada: quando a mulher procura esconder
probabilidade e certeza de gravidez; os sinais de gravidez;
• Exames obstétricos e complementares • Metassimulada: quando a mulher altera
disponíveis propositalmente, para mais ou menos, o tempo
de gestação.

SINAIS DE PRESUNÇÃO • Pseudociese: a mulher acredita piamente estar


grávida, comportando-se, em todas as situações,
• Amenorreia; como realmente estivesse (perturbações
• Perturbações gastrintestinais: enjoos, náuseas, psicológicas).
obstipação, ptialismo, vômito;
• Modificações cutâneas: Máscara gravídica, PARTO
pigmentação da linha alba;
“Um conjunto de fenômenos fisiológicos e mecânicos
• Perturbações circulatórias: edemas, varizes, cuja finalidade é a expulsão do feto viável e dos anexos”.
lipotimias;
FRANÇA, 2008.
• Alterações mamárias: aumento de volume,
hiperestasia, secreção semelhante a colostro,
pigmentação. PUERPÉRIO
“O espaço de tempo variável que vai do desprendimento
da placenta até a volta do organismo materno às suas
SINAIS DE PROBABILIDADE condições anteriores ao processo gestacional”.
• Sinal de Kluge: arroxeamneto da vulva FRANÇA, 2008.
• Sinal de Jacquemier: arroxeamento na vagina;
• Sinal de Oseander: pulsação vaginal; INFANTICÍDIO
• Sinal de Haller: aparecimento da rede venosa Art. 123 do CP. “Matar, sob a influência do estado
visível nas mamas; puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após”.
• Sinal de noble: hipertrofia do útero; Pena - detenção, de dois a seis anos.
• Aumento da pigmentação das aréolas:
• Hipertrofia dos tubérculos de Mntegomery; ÓBITO FETAL – OMS
• Secreção de colostro. “A morte de um produto da concepção, antes da
expulsão ou da estração completa do corpo da mãe,
independentemente da duração da gravidez; indica o
SINAIS DE CERTEZA óbito o fato do feto, depois da separação, não respirar
• Batimentos cárdio-fetais audíveis; ou apresentar nenhum outro sinal de vida como
batimentos do coração, pulsações do cordão umbilical
• Movimentos fetais ativos; ou movimentos efetivos dos músculos de contração
voluntária”.

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL
- LEI 5.810/94
PROVAS DE VIDA EXTRA-UTERINA CRIMINOSO OU PROVOCADO
• Prova Hidrostática de Galeno • Social;
• Prova Diafragmática de Plauquet. • Eugênico
• Prova Gastrointestinal de Breslau.
NECESSÁRIO
PROVA HIDROSTÁTICA DE GALENO Art. 128 do CP. “não se pune o aborto praticado por
A prova de Galeno é feita em quatro tempos: médico”:
a) na primeira fase, mergulha-se o bloco (pulmão, I- se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
coração. Timo, laringe, língua) num vaso grande com água
II- se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido
limpa – havendo flutuação, fala a favor de respiração;
de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de
b) na segunda fase, separam-se, ainda dentro da água, os seu representante legal.
pulmões;
c) na terceira fase, continuando dentro da água, separam-
se os lobos pulmonares; PERÍCIA
d) na quarta fase, espremem-se pequenos fragmentos • Exame clínico geral: mucosas, palidez, cianose e
pulmonares contra a parede do vaso; quando bolhas de se houve lesão corporais;
ar com sangue sobem à superfície da água e os
• Exame físico especializado, ou seja, os sinais
fragmentos depois de soltos também vêm à superfície, a
clínicos da gravidez.
prova é positiva.

PROVA DIAFRAGMÁTICA DE PLAUQUET


PERÍCIAS E PERITOS
A cúpula diafragmática desce na direção abdominal
quando os pulmões se distendem com o ar.

PROVA GASTROINTESTINAL DE BRESLAU PERÍCIA MÉDICA


O tubo digestivo do feto que não respirou está vazio de
Segundo a doutrina “todo procedimento médico
ar. Liga-se na altura do cárdia e na altura da ampola íleo-
(exames clínicos, laboratoriais, necroscopia, exumação)
cecal; mergulha-se tudo num vaso com água, como na
promovido por autoridade policial ou judiciária por
prova de Galeno. Logo após, colocam-se essas vísceras
profissional de medicina visando prestar esclarecimento
num recipiente com água, observando-se se elas
à justiça\, denomina0-se perícia ou diligência médico-
sobrenadam ou se afundam. Em seguida, cortam-se entre
legal”.
as duplas ligaduras, seguidamente, as várias porções do
tubo digestivo. Se esses segmentos flutuam, a prova Exame realizado por médico perito, com a finalidade de
positiva. colaborar com as autoridades administrativa, policiais ou
judiciárias na formação de juízo a que estão obrigadas.

ABORTO OU ABORTAMENTO
É a interrupção da prenhez, com a morte do produto, MÉDICO- LEGISTA
haja, ou não expulsão, qualquer que seja o seu estado Perito legista em mostrar à polícia e à justiça as marcas
evolutivo, desde a concepção até o parto. que determinadas lesões de direito deixam na pessoa
(corpo) natural. O médico legista busca a compreensão
CLASSIFICAÇÃO do fato em sua totalidade, o como, o quando e o porquê.
LEGAL
• Necessário ou terapêutico;
• Sentimental ou piedoso ou moral.

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL

PERÍCIA MÉDICA COMPARECER À AUDIÊNCIA


Conjunto de procedimentos médicos e técnicos que tem• Art. 435 do CPC “A parte, que deseja esclarecimento do
como finalidade o esclarecimento de um fato de interesse perito e do assistente técnico, requererá ao juiz que
da Justiça. mande intimá-lo a comparecer à audiência, formulando
desde logo as perguntas, sob formas de quesitos”.
• Civil;
• Art. 278 do CPP “No caso de não comparecimento do
• Trabalhista;
perito, sem justa causa, a autoridade poderá determinar
• Criminal a sua condução”.

AUTORIDADES REQUISITANTES JUIZ


• Magistrados; • Art. 437 do CPC “O juiz não está adstrito ao laudo
pericial, podendo formar a sua convicção com outros
• Promotores de Justiça;
elementos ou fatos provados nos autos”.
• Delegados de polícia federal;
• Art. 182 do CPP “O juiz não ficará adstrito ao laudo
• Presidentes de inquérito da polícia militar, dos podendo aceita-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte”.
bombeiros;
• Comandantes militares;
PERÍCIA TRABALHISTA
• Oficiais de serviço “oficiais de dia”.
A perícia, em juízo, para fins trabalhistas, é feita por
perito, nomeado pelo Juiz, de preferência escolhido
entre o médicos-legistas da jurisdição.
PERÍCIA CIVIL
Na esfera civil não existem peritos oficiais, mas perito do
juízo e assistentes técnicos das partes que percebem FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA
honorários das(s) parte(s).
Normas de Direito Processual do Trabalho (Lei 5.584/70)
Art. 3º “Os exames periciais serão realizados por peritos
FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA único designado pelo Juiz que fixará o prazo para entrega
do laudo”.
Art. 145 do CPC “Quando a prova do fato depende de
conhecimento técnico ou científico, o juiz será assistido Parágrafo único. “Permitir-se-á a cada parte a indicação
por perito, segundo o disposto no art. 421”. de um assistente, cujo laudo terá que ser apresentado
no mesmo prazo assinado para o perito, sob pena de ser
desentranhado dos autos”.
PRAZO DE ENTREGA
Art. 421 do CPC “O juiz nomeará o perito, fixando de
PERÍCIA CRIMINAL
imediato o prazo para entrega do laudo”.
O exame de corpo de delito, procura identificar os
vestígios materiais deixados pelo crime no corpo
PRORROGAÇÃO DO PRAZO humano (vivo ou morto). O exame deve realizar-se o
Art. 432 do CPC “Se o perito, por motivo justificado não mais rapidamente possível, logo que se tenha
puder apresentar o laudo dentro do prazo, o juiz conhecimento da existência do fato.
conceder-lhe-á, por uma vez, prorrogação, segundo o seu
prudente arbítrio.

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL
- LEI 5.810/94
PERÍCIA NO VIVO LEI DOS JUIZADOS ESPECIAIS
• Lesão corporal; • Lei 9.099 de 26/09/1995.
• Verificação do parto, aborto e puerpério; Com a promulgação desta Lei, o atestado médico
assumiu a posição de substituto eventual da perícia
• Exame sexológico (conjunção carnal, ato libidinoso
médico-legal nos casos de lesão corporal leve.
diverso da conjunção carnal, verificação de
gravidez, contágio venéreo e doenças sexualmente• Art. 77 parágrafo único.
transmissíveis); Essa é mais uma razão para o esmero e o cuidado ao se
• Exame clínico de embriaguez. emitir um atestado médico.

PERÍCIA NO MORTO DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS


• Necropsia do cadáver; Conjunto de declarações, orais ou escritos, firmadas por
médico, no exercício da profissão, para servir como
• Identificação do morto; prova, que pode ser utilizada na esfera jurídica.
• Determinar a causa básica da morte;
• Estabelecer o tempo da morte; NOTIFICAÇÃO
• Determinar lesões intra-vitam e post-mortem; Uma comunicação obrigatória, feita pelo médico às
• Dosagem alcoólica; autoridades competentes de um fato profissional, por
necessidade social ou sanitária, como acidentes de
• Exame toxicológico. trabalho, doenças infectocontagiosas, a morte encefálica
à autoridade pública, quando em instituições de saúde
pública ou privada.
REQUISIÇÃO POLICIAL
FRANÇA, 2008.
O modelo de requisição do exame médico-pericial
classicamente é feito por ofício para IML, no qual a
autoridade competente requer a perícia, orienta através CÓDIGO PENAL
de breve histórico, a finalidade da mesma, e apresenta a
pessoa a ser submetida ao exame, qualificando-a. Art. 269 – Deixar o médico de denunciar à autoridade
pública doença cuja notificação é compulsória.
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA multa.
Art. 158 do CPP “Quando a infração deixar vestígios, será
indispensável o exame de corpo de delito, direto ou
indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado’. CLT

Art. 159 do CPP “O exame de corpo de delito e as outras Art. 169 – Será obrigatória a notificação das doenças
perícias serão feitos por perito oficial, portador de profissionais e das produzidas em virtude de condições
diploma de curso superior”. especiais de trabalho, comprovadas ou objeto de
suspeita, de conformidade com as instruções expedidas
1º Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 pelo Ministério do Trabalho.
(duas) pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso
superior preferencialmente na área específica, dentre as
que tiverem habilitação técnica relacionada com a ATESTADO MÉDICO
natureza do exame.
Uma declaração pura e simples, por escrito, de um fato
2º Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de médico e suas possíveis consequências, fornecido por
bem e fielmente desempenhar o encargo qualquer médico que esteja no exercício regular de sua
profissão,
FRANÇA, 2008.

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL

FINALIDADE RELATÓRIO OU LAUDO


ADMINISTRATIVA, quando são exigidos pelas autoridades Segundo Flamínio Fávero, é a narração escrita e
administrativas (serviço ou do servidor público); minuciosa de todas as operações de uma perícia médica
determinada por autoridade policial ou judiciária a um
JUDICIÁRIA, são atestados requisitos por solicitação da
ou mais profissionais anteriores nomeados e
administração da justiça;
comprometido na forma da lei, sendo redigido pelo
OFICIOSO, são atestados solicitados por quaisquer pessoa próprio perito.
cujo interesse atendem (ausência das aulas).
Hercules, 2005.
FRANÇA, 2008.

CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA


STF
É vedado ao médico:
Constitui constrangimento ilegal a exigência de revelação
Art. 86 – Deixar de fornecer laudo médico ao paciente ou
do sigilo e participação de anotações constantes das
seu representante legal quando aquele for encaminhado
clínicas e hospitais, admitindo apenas ao perito o direito
ou transferido para continuação do tratamento ou em
de consultá-las, mesmo assim, obrigando-o ao sigilo
caso de solicitação de alta.
pericial, como forma de manter o segredo profissional.
CEM, 2009.
PARTES DE UM LAUDO
CÓDIGO PENAL
Art. 302 do CP. “Dar o médico, no exercício de sua • Preâmbulo;
profissão, atestado falso”: • Quesitos;
• Histórico;
Pena – detenção de um mês a um ano.
• Descrição;
Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de
• Discussão;
lucro, aplica-se também multa.
• Conclusão;
• Respostas aos quesitos de lei.
CONSULTA
A solicitação na qual o(s) interessado(s) ouve(m) a opinião
de um ou mais especialistas a respeito do valor científico PREÂMBULO OU INTRODUÇÃO
de determinado relatório ou laudo, quando o mesmo • Identificar da autoridade solicitante;
deixa dúvidas a respeito de seu conteúdo.
• Local, data e hora do exame;
Vanrell, 2007. • Identificação do(s) perito(s);
• Identificação e qualificação do examinado;
PARECER • Tipo de perícia realizada.

Um esclarecimento mais aprofundado a uma instituição


cujo corpo técnico tem competência inquestionável, ou a
um perito ou professor cujo autoridade na matéria seja QUESITOS DE LEI
reconhecida. • São as perguntas cuja finalidade é a caracterização de
Hercules, 2005. fatos relevantes que deram origem ao processo.
• No foro PENAL, são padronizados de modo a facilitar a
caracterização dos diversos delitos e de circunstância
DEPOIMENTO ORAL atenuantes ou agravantes. Mesmo assim, podem, à
São os esclarecimentos dados pelo perito acerca do laudo vontade da autoridade competente, existir quesitos
apresentado perante o júri ou em audiência de instrução acessórios;
e julgamento. • No foro CÌVEL, não existem quesitos de lei.
Vanrell, 2007.

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL
- LEI 5.810/94
HISTÓRICO OU COMEMORATIVO • Deve o perito resumir em poucas palavras o que foi
concluído, de modo a tornar a informação concisa e clara
• Responsabilidade exclusiva de quem informa;
para a autoridade solicitante.
• Relato do fato pela vítima ou acompanhante;
• Não se devendo imputar ao perito nenhuma
RESPODTAS AOS QUESITOS DE LEI
responsabilidade sobre seu conteúdo;
• Parte mais importante para as autoridades
• Periciando internados sem acompanhantes: às
informações são colhidas da papeleta hospitalar solicitantes;
• Respostas sucintas e clara;
• Sim, Não, Prejudicado “sem elementos”, não temos
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL elementos para afirmar ou negar a ofensa;
Art. 429 – Para desempenho de sua função, podem o • Dependendo de exame complementar;
perito e os assistentes técnicos utilizar-se de todos os • Não deixar escapar nenhum quesito sem respostas;
meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo • Quesito é par ser respondido e não questionado;
informações, solicitando documentos que estejam em
poder de parte ou em repartições públicas, com como • Quantificação do dano.
instruir o laudo com plantas, desenhos, fotografias e
outra quaisquer peças.
LESÃO CORPORAL
• Há ofensa à integridade corporal ou à saúde do(a)
DESCRIÇÃO
periciado(a)?
• Parte mais importante do relatório ou laudo;
• Qual o instrumento, ação ou meio que a produziu?
• Minuciosa, precisa em linguagem técnica, mas
• Foi produzido por meio de veneno, fogo, asfixia,
compreensível em seus elementos fundamentais;
explosivo ou por meio insidioso ou cruel? (resposta
• Se possível, se anexem esquemas ou fotografias especificada);
das ofensas físicas;
• Resultou perigo de vida?
• Além do Visum et repertum.
• Resultou ou resultará incapacidade para as
ocupações habituais por mais de 30 dias?
DISCUSSÃO
• Debate entre histórico e a descrição; FINALIDADE DO LAUDO
• Opinião do perito sobre as várias possibilidades; A verdadeira finalidade do laudo médico-legal é oferecer
à autoridade julgadora elementos de convicção para
• Raciocínio lógico e coerente, afastando hipóteses
aquilo que ela supõe, mas necessita se convencer.
confusas;
• Inclusive citar autoridades recomendadas sobre o
assunto; CÓDIGO PENAL
• É a parte em que os elementos colhidos nos dados LEVE
do histórico são comprovados com os achados do Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de
exame médico. outrem:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
CONCLUSÃO
• Posição final após análise dos dados descritos e
discutidos;
• Síntese do ponto de vista do(s) perito(s);
• Baseada em elementos objetivos e comprovados;

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL

GRAVE Art. 6º do CC. “A existência da pessoa natural termina


com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos
1º Se resulta
casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão
I- incapacidade para as ocupações habituais, por mais de definitiva”.
30 (trinta) dias;
Art. 9º do CC. “Serão registrados em registro público”.
II- perigo de vida;
I- os nascimentos, casamentos e óbitos.
III- debilidade permanente de membro, sentido ou
Art. 8º “Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma
função;
ocasião, não se podendo averiguar se algum dos
IV- aceleração de parto: comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão
Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos. simultaneamente mortos”.

GRAVISSÍMA RESOLUÇÃO CFM 1.601/2000

2º Se resulta: Art. 1º O preenchimento dos dados constantes na


Declaração de Óbito são responsabilidade do médico
I- incapacidade permanente para o trabalho; que o atestou.
II- enfermidade incurável; Art. 2º Os médicos no preenchimento da Declaração de
III- perda ou inutilização de membro, sentindo ou não Óbito obedecerão a seguintes normas:
função;
IV- deformidade permanente; MORTE NATURAL
V- aborto: I – Morte sem assistência médica:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos. a) Nas localidades com Serviço de verificação de Óbito
(SVO): a declaração de óbito deverá ser fornecida pelos
médicos do (SVO);
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
b) nas localidades sem serviço de verificação de óbitos
É através do atestado de óbito que se estabelece o fim da (SVO): a declaração de óbito deverá ser fornecida pelos
existência humana e da personalidade civil. É uma forma médicos do serviço público de saúde mais próximo do
de garantir à família e à sociedade que não há local onde ocorreu o evento, e na sua ausência qualquer
possibilidade de alguém estar vivo, podendo-se processas médico da localidade.
legalmente a inumação.
CFM, 2005.

COMORIÊNCIA
II- Morte com assistência médica:
Se duas ou mais pessoas morrem na mesma ocasião, não
se podendo provar quem faleceu primeiro, presume-se, a) A declaração de Óbito deverá ser fornecida sempre
que elas tiveram mortes simultâneas. que possível pelo médico que vinha prestando
assistência.
b) A declaração de óbito do paciente internado sob
PRIMORIÊNCIA regime hospitalar deverá ser fornecida pelo médico
Havendo condições de provar que uma delas faleceu assistente e na sua falta por médico substituto
momentos antes. pertencente à instituição.
c) A declaração de óbito do paciente em tratamento sob
regime ambulatorial, deverá ser fornecido por médico
FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA
designado pela instituição que prestava assistência ou
Art. 2º do CC. “A personalidade civil da pessoa começa do pelo (SVO);
nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a
concepção, os direitos do nascituro”.

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POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
MEDICINA LEGAL
- LEI 5.810/94
d) A declaração de óbito do paciente em tratamento sob
regime domiciliar (PSF). Internação domiciliar ou outros
deverá ser fornecida pelo médico pertencente ao
programa ao qual o paciente estava cadastrado, ou pelo
SVO, caso o médico não consiga correlacionar o óbito
com o quadro clínico concernente ao acompanhamento
do paciente.
CFM, 2005.

MORTE FETAL
Em caso de morte fetal os médicos que prestarem
assistência a mãe ficam obrigados a fornecer a declaração
de óbito do feto, quando a gestação tiver duração igual
ou superior a 20 semanas ou o feto tiver peso corporal
igual ou superior a 500 (quinhentos) gramas e/ou
estatura igual ou superior a 25 cm.
CFM, 2005.

MORTES VIOLENTAS
A declaração de óbito deverá obrigatoriamente ser
fornecida pelos serviços médico-legais. Nas localidades
onde existir apenas 1 (um) médico, este é o responsável
pelo fornecimento da declaração de óbito.
CFM, 2005.

SERVIÇO DE VERIFICAÇÃO DE ÓBITO


Serviços criados pela legislação de diversos Estados com
a finalidade precípua de verificar ou esclarecer, mediante
exame necroscópico, a causa real da morte, nos casos em
que esta tenha ocorrido de forma não violenta sem
assistência médica, ou com assistência médica quando
houver necessidade e apurar a exatidão do diagnóstico.

NOVO FORMULÁRIO
I- Preenchido pelo cartório;
II- Identificação do morto;
III- Residência do morto;
IV- Local da ocorrência do óbito;
V- fetal ou menor que 1 ano de idade;
VI- Condições e causa do óbito;
VII- Identificação do médico;
VIII- Causas externas;
IX- Localidades sem médico.

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