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Arlindo Peixoto Gomes Rodrigues

DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO
PROCESSO PENAL

DOUTRINA / LEGISLAÇÃO
JURISPRUDÊNCIA / PRÁTICA

1ª Ed. 2017

Leme / SP
Supervisão, Diagramação e Capa:
Habermann Editora

ISBN: 978-85-89206-68-6

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS À


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19.02.1998, Lei dos Direitos Autorais).
SOBRE O AUTOR
ARLINDO PEIXOTO GOMES RODRIGUES é Doutor em Ciências
Jurídicas Públicas, em Direito Penal e Processo Penal, da Universidade do Minho,
na cidade de Braga em Portugal. É Mestre em Direito pela Universidade Paulista e
Bacharel pela Faculdade de Direito de São João da Boa Vista/SP;
Foi Professor de Direito Penal III, Direito Processual Penal V, Prática Jurídica
Penal da Universidade Paulista de Campinas - Campus Swift e Vitalli. Professor de
Direito Processual Penal e Direito Penal da Universidade Paulista Campus de São
José do Rio Pardo;
Foi Professor de Prática Jurídica Criminal e da Pós Graduação da Universidade
da Fundação de Ensino Octávio Bastos de São João da Boa Vista;
Foi Professor de Concurso Preparatório para Exames da Ordem dos Advogados
do Brasil e de Concursos Públicos;
Foi Professor da Escola Superior da Advocacia, Núcleo de Pirassununga;
Foi Professor do Curso de Pós Graduação em Direito Penal e Direito Processual
Penal da FAEP – Formação e Aperfeiçoamento Educacional e Profissional da ci-
dade de Araras – Estado de São Paulo.
Atualmente é professor de Direito Penal e Direito Processual Penal da Universi-
dade Paulista Campus de São José do Rio Pardo, e Coordenador de Prática Jurídica e
Estágio da Referida Instituição de Ensino.
Autor dos livros: “A Legítima Defesa como Causa Excludente da Responsa-
bilidade Civil”, publicado pela Editora Ícone; “Curso de Prática Jurídica Criminal”,
pela Editora Lawbook; pela Editora BH publicou “Teoria e Prática do Procedimento
Ordinário no Direito Processual Penal”, “Manual Prático dos Recursos no Direito
Processual Penal” e “Da Prova no Direito Processual Penal”.
Pela Habermann Editora publicou as obras “Das Prisões - Teoria e Prática e
meios impugnativos”, “Comentários às Alterações da Legislação Penal e Processual
Penal”, “A Defesa do Acusado no Processo Criminal, 1ª e 2ª edição”, “A Proteção da
Vítima no Processo Criminal”, assim como coordenou a obra “Soluções Práticas do
Dia a dia do Advogado”, e “Estudos Esquematizados de Processo Penal”.
Advogado Militante em São João da Boa Vista/SP e região.
Autor: Arlindo Peixoto Gomes Rodrigues
Editora: Habermann
ISBN: 978-85-89206-64-8
Edição: 1ª ano 2017
Quantidade de páginas: 624
Formato: 21cm x 30cm

Exame OAB 1ª e 2ª Fase


Questões Dissertativas e Objetivas
Concurso Público e Graduação
Dia a Dia do Advogado
Capítulo Especial - Provas 2ª Fase OAB
Prática Forense Fundamentada com Dou-
trina, Legislação e Jurisprudência

A obra Estudos Esquematizados de


Processo Penal é voltada aos graduandos,
concurseiros, aos profissionais do Direi-
to e a todos os operadores do Direito que
se mantém em um constante processo de
aprendizado e conhecimento.

Disserta sobre o Processo Penal de maneira descomplicada, proporcionan-


do uma visão ampla da matéria e interagindo por meio de questões objetivas e
dissertativas que deverão ser resolvidas por você ao final de cada capítulo.
Ademais, o conteúdo prático e jurisprudencial dá embasamento técnico
para elaboração de suas próprias peças, assim como ensina técnicas de elabora-
ção de defesas, para que você aperfeiçoe suas petições e que possa produzí-las
com excelência!
Trata ainda dos principais assuntos do Processo Penal com enfoque para
os temas mais cobrados em concurso e exame da OAB, inclusive, oferece um
capítulo especial para resolução de exames da Ordem dos Advogados do Brasil,
aplicados pela banca Fundação Getúlio Vargas, e ainda proporciona diversas di-
cas para realização de seu exame e sua consequente aprovação.
A utilidade desta obra para os estudantes não cessa com a sua formação na
graduação e aprovação no Exame da Ordem, ela continuará presente em sua bi-
blioteca como ferramenta de trabalho, visto que os operadores do Direito deve-
rão apoiar-se no conteúdo apresentado para continuarem atuando com destreza.
SUMÁRIO INTERATIVO
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PROIBIDO A REVENDA DESTE EBOOK


SUMÁRIO INTERATIVO

CAPÍTULO I
DIREITO PROCESSUAL PENAL
1 - Visão histórica......................................................................................................................10
2 - Conceito do direito processual penal..........................................................................11
3 - O ato ilícito.............................................................................................................................12
4 - O “Jus Puniendi”.................................................................................................................... 12
5 - Conteúdo do processo penal..........................................................................................13
5.1 - O processo penal tem suas finalidades, em duas grandes vertentes....13
6 - Relações do processo penal com as demais ciências...........................................14
7 - Relações do processo penal com outros ramos do direito................................14
8 - Fontes do direito processual penal............................................................................. 15
9 - Aplicação da lei processual no tempo e no espaço...............................................16
10 - A interpretação da lei processual..............................................................................16
11 - Princípios do processo penal...................................................................................... 17
11.1 - Principais princípios..............................................................................................18
11.2 - O interesse..................................................................................................................21
11.2.1 - O conflito de interesses.....................................................................................21
11.2.2 - A relação jurídica.................................................................................................21
11.2.3 - O processo.............................................................................................................. 22

CAPÍTULO II
NOÇÕES BÁSICAS DE ELABORAÇÃO DE PETIÇÕES

1 - Conceito.................................................................................................................................. 24
2 - Escrevendo uma tese defensiva: a técnica ANEFE................................................26
3 - A técnica ANEFE..................................................................................................................28
4 - Estrutura básica de uma petição..................................................................................31
5 - Esquema prático...................................................................................................................32
CAPÍTULO III
DA PRISÃO COM O TRÂNSITO EM JULGADO
(Lei 7.210/ 84 - EXECUÇÃO PENAL)

1 - A execução penal e os benefícios prisionais............................................................33


2 - Questões polêmicas na lei de execução penal.........................................................43
2.1 - O regime disciplinar diferenciado.......................................................................43
2.2 - Falta grave.....................................................................................................................44
2.3 - Revogação cautelar de benefício......................................................................... 45
2.4 - A regressão de regimes por salto........................................................................45
2.5 - A progressão por salto.............................................................................................46
2.6 - Prescrição da medida de segurança.................................................................. 46
2.7 - Ausência de vaga no estabelecimento de tratamento psiquiátrico......47
2.8 - Doença mental no decorrer do cumprimento de pena...............................47
2.9 - Prática de crime durante o período de prova do sursis ou do livra-
mento condicional e o prazo que o acusado estava em liberdade........49
2.10 - Revogação de benefícios...................................................................................... 49
2.11 - Progressão de regimes e os crimes hediondos...........................................50
2.12 - O alcance da expressão reincidente específico...........................................53
2.13 - Recurso de agravo e seu indeferimento.........................................................57
2.14 - Prescrição da medida de segurança................................................................57
2.15 - O prazo contado para fins de livramento condicional.............................58
2.16 - Anotação de antecedentes em folha criminal..............................................58
3 - Alterações na lei de execução penal e crimes hediondos.................................. 59
3.1 - Alterações na lei de crimes hediondos quanto a execução da pena
(Lei 11.464 de 28 de março de 2007).............................................................62
4 - Prática......................................................................................................................................65
4.1 - Progressão de regimes.............................................................................................65
5 - Do agravo em execução penal........................................................................................66
5.1 - Definição........................................................................................................................66
5.2 - Contrarrazões do recurso de agravo em execução penal......................... 66
5.3 - Jurisprudência.............................................................................................................68
6 - Prática......................................................................................................................................69
6.1 - Agravo em execução penal.....................................................................................69
6.2 - Contrarrazões de agravo em execução penal................................................75

CAPÍTULO IV
DO AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL
1. Considerações........................................................................................................................ 80
1.1. Contrarrazões do recurso de agravo em execução penal...........................81
2. Jurisprudência........................................................................................................................82
2.1. Questão não apreciada pela corte de origem, por ser cabível, na espé-
cie, agravo em execução desnecessidade, na espécie, de exame apro-
fundado da prova.........................................................................................................82
2.2. Agravo em execução interposto pelo conselho penitenciário..................83
2.3. Progressão para o regime aberto concedida pelo juízo das execuções
criminais..........................................................................................................................83
2.4. Habeas corpus. execução penal. indeferimento de livramento condi-
cional. questão não apreciada pelo tribunal a quo. exigência de inter-
posição de agravo em execução.............................................................................85
2.5. Agravo em execução de corréu provido por critério objetivo: abolitio
criminis. identidade de situações: incidência do art. 580 do código
de processo penal. recurso provido.....................................................................86
2.6. Ilegitimidade ativa do ministério público estadual. inicial ratificada
pelo procurador-geral da república. afastamento da incidência do
art. 127 da lep por órgão fracionário de tribunal estadual. violação
das súmulas vinculantes 9 e 10 do stf. procedência.....................................86
3. Prática........................................................................................................................................88
3.1. Agravo em execução penal.......................................................................................88
3.2. Contrarrazões de agravo em execução penal...................................................95

SÚMULAS DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.......................................................101


SÚMULAS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL............................................................113
SÚMULAS VINCULANTES...................................................................................................... 127
SEÇÕES E SUBSEÇÕES DA JUSTIÇA FEDERAL DO BRASIL......................................129
SUBSEÇÕES DO ESTADO DE SÃO PAULO.........................................................................131
REFERÊNCIAS.............................................................................................................................137
10
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

CAPÍTULO I

DIREITO PROCESSUAL PENAL

1 - Visão histórica
No Direito Romano os crimes eram divididos da seguinte forma: Deli-
tos Públicos - praticados contra a segurança da cidade e o parricídio, e os
Delitos Privados - praticados contra particulares. Já na antiguidade pre-
valecia a ideia de que os crimes seriam públicos ou particulares, o que até
hoje se mantém quando falamos ainda em ação penal pública e ação penal
privada. Os antigos ainda mantinham a ideia da existência de crimes que
afetavam toda a coletividade, os chamados delitos públicos, e os chamados
delitos particulares, que afetam tão somente a pessoa, que hoje são apura-
dos pela ação penal privada.
No primeiro delito, os delitos públicos, a aplicação da sanção era severa
e nenhuma garantia era dada ao acusado, ficando a punição a cargo do jul-
gador, que julgava apenas com o polegar. Já nos Delitos Privados, a função
do Estado era apenas de árbitro, onde se prestigiava a conciliação entre as
partes e a penalidade era aplicada apenas em último caso. Observe-se que
desde a antiguidade havia uma procura em relação a composição de danos,
da qual ainda hoje é preservada quando tratamos do instituto da transação
penal, que é tutelado pela Lei dos Juizados Especiais, quando prevê que a
indenização ou reparação dos danos é uma forma de transação penal, e no
caso de ação penal pública condicionada, uma vez reparado o dano, o direi-
to de representação também desaparece.
No Direito Germânico, os crimes privados eram punidos com a Vingan-
ça Privada e, mais tarde, pela Composição. A chamada vingança priva-
da, nada mais é do que a conhecida Lei de Talião, ou do olho por olho
e dente por dente, evoluindo posteriormente para a composição dos
danos como forma de reparação do dano e de despenalização, uma vez
que em determinados crimes a vítima não objetiva a prisão do cida-
dão, mas sim deseja ser ressarcida dos danos causados.

SUMÁRIO
11
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Vigorava a denominada ordália ou “juízo de Deus”, que nada mais era do


que punições corporais impostas aos acusados pelos juízes (água fervente,
ferro em brasa, fogo, etc.), caso em que, se o acusado sobrevivesse, significa-
ria que Deus o absolveu de seus pecados, sendo, em razão disso, perdoado
pela justiça humana.
Posteriormente, houve forte influência do Direito Canônico, em que o
processo e a consequente punição somente poderiam ser exercidos se fos-
sem apresentados pelos representantes da Igreja. Todavia, com o passar
dos anos, o processo também passou a ser inquisitivo, com o escopo de pu-
nir a heresia, o sortilégio e as bruxarias.
A colaboração da Igreja neste ponto da história é significativa, pois se
deve a Igreja a introdução no Direito da chamada pena de reclusão (onde
os religiosos ao se verem diante do pecado, recolhiam-se a uma cela para
purificarem seus pecados e ficavam reclusos em penitencia), observando o
atento leitor que a palavra reclusão e a palavra penitenciária, como regime
de cumprimento de pena, da qual já existia na antiguidade.
Finalmente, surgiu o Processo Penal Moderno, também denominado pe-
ríodo humanitário do Direito Penal, proibindo as torturas e os julgamentos
secretos, evitando que o juiz agisse como verdadeiro inimigo do acusado,
instituindo no processo a fase inquisitória (investigatória) e a fase de julga-
mento e produção de provas, também garantindo ao acusado o direito de
recorrer da decisão desfavorável e o cumprimento humano da pena.

2 - Conceito do direito processual penal


O processo, como é cediço, é maneira pela qual o Estado aplica sua juris-
dição para resolver os conflitos de interesses. Assim, o Estado atua na vida
em sociedade, buscando preservar a paz e o equilíbrio das relações sociais.
O Estado então é detentor exclusivo do direito de punir, sendo vedado ao
particular agir com suas próprias mãos, sob pena de cometer crime de exer-
cício arbitrário das próprias razões.
O Processo Penal encontra-se intimamente ligado com o Direito Penal.
Este descreve os atos punidos com a norma repressiva e aquele serve como
instrumento da aplicação das sanções jurídicas. O Direito Penal, em suma
prevê os fatos que são considerados como crime, sendo complementado
pelo Direito Processual Penal que disciplina a coordenação de todos os atos

SUMÁRIO
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DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

do processo desde a ocorrência do crime até seu julgamento, regulando,


inclusive, a execução da pena.
Assim, nada mais é do que uma série de atos coordenados, com a finalida-
de de aplicar a lei penal àqueles indivíduos que infringiram uma norma des-
crita como crime no Direito Material. Como se sabe, o Estado é o detentor do
“jus puniendi”, ou seja, o direito de punir, sendo o processo o meio pelo qual o
Estado aplica o Direito Material para atingir a composição da lide.
Para tanto, No Processo Penal temos a existência do sistema misto, que
engloba a primeira fase, denominada de INVESTIGATIVA, e a segunda fase,
denominada de CONTRADITÓRIO, sendo um processo ACUSATÓRIO, com
as funções bem definidas de Juiz, Acusador, Réu e seu defensor. Note-se ain-
da que o direito de defesa é considerado como um verdadeiro direito indis-
ponível, na qual a defesa deve ser exercida em toda a sua plenitude, com to-
dos os meios, sendo facultado ao Juiz destituir o defensor se o acusado não
for defendido a contento. No Direito Processual Penal Brasileiro, o sistema
utilizado é o acusatório.

3 - O ato ilícito
Como se sabe, um ato humano pode gerar consequências na órbita da
vida em sociedade, podendo conter uma sanção meramente moral, uma
sanção civil ou uma sanção de natureza penal. São com estes últimos atos,
os quais infringem dispositivos do Código Penal, amparados pelo Código
de Processo Penal, que dá às partes o caminho para a aplicação da pena
correspondente ao crime infringido. O ato ilícito, pois, pode atingir várias
esferas, sendo que uma tem direta interferência sobre a outra. Quanto à
sentença penal transitada em julgado, quando de natureza condenatória, se
transforma na esfera cível em título executivo, ao passo que, se o acusado
for absolvido por alguma excludente de ilicitude (legítima defesa, estado de
necessidade, estrito cumprimento do dever legal ou exercício regular de um
direito), uma vez reconhecida, retira da vítima o direito à ação civil.

4 - O “Jus Puniendi”
Como regra geral, o direito de punir pertence ao Estado, que o procura
através do Ministério Público nas ações penais públicas incondicionadas e

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13
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

condicionadas. Nestes tipos de ação penal, o interesse do Estado se sobre-


põe ao interesse do particular. Via de regra, as ações penais são sempre pú-
blicas incondicionadas; todavia, existem casos dentro de nosso ordenamen-
to jurídico em que o interesse da vítima se sobrepõe ao interesse estatal,
razão pela qual este delega a esta o “jus persequendi in judicio” e o exercício
do direito de ação passa a ser de responsabilidade destas.

5 - Conteúdo do processo penal


O processo penal nada mais é do que uma série de atos que compre-
endem quatro fases distintas:
a) a formulação da acusação, que se dá através da apresentação da
denúncia ou da queixa;
b) a produção das provas. Tanto a defesa quanto a acusação podem
requerer e produzir as provas que entendem necessárias ao exer-
cício da acusação e da defesa;
c) o exercício do direito de defesa, em alguns casos verbalmente, e
em outros através da defesa ou resposta preliminar; e
d) o julgamento da lide, no qual se exige que todas as decisões judi-
cias sejam fundamentadas, sob pena de nulidade.

5.1 - O processo penal tem suas finalidades, em duas


grandes vertentes
I - O PROCEDIMENTO: é uma série de atos pré ordenados que norteiam
o processo desde a sua proposição (com a denúncia) até a prolação de sen-
tença. É o caminho que se deve percorrer para chegar a um resultado fim
(MÉTODO). Temos assim, como exemplo o PROCEDIMENTO ORDINÁRIO,
SUMÁRIO, SUMARÍSSIMO, DO JÚRI, ou mesmo aqueles previstos em lei es-
pecial, como aquele previsto na lei de drogas;
Assim, este caminho é distinto para cada crime, que depende da quan-
tidade de pena aplicada a cada um deles (no caso o máximo da pena
cominada ao crime e/ou o tipo do crime como aqueles contra a vida ou
da lei de drogas), para que saibamos qual tipo de procedimento será
utilizado, como o procedimento sumário, ordinário ou sumaríssimo.

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14
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

II - UMA RELAÇÃO JURÍDICA: o processo é um ato formado pelo Juiz,


pelo Ministério Público, pelo Acusado (réu) e pelo seu Defensor. Cada uma
destas partes possuem direitos e obrigações, dentro dessa relação jurídica.

6 - Relações do processo penal com as demais ciências


Em razão de ser uma ciência, o processo penal está inter-relacionado a
outras, denominadas “ciências auxiliares”, visando a facilitar sua aplicabili-
dade prática.
Nessa esteira, o Processo Penal relaciona-se com as seguintes ciências:
a) Política Criminal: a fim de propiciar critérios para apreciação do
valor da norma vigente e propor modelo de norma a vigorar.
b) Criminologia: relaciona-se com o processo penal por ser uma
ciência se ocupa do estudo do crime, da pessoa do infrator, da ví-
tima e do controle social do comportamento delitivo.
c) Medicina Legal: auxilia a conclusão do resultado final do proces-
so, através de exames periciais que são elaborados pelos peritos
quando da averiguação da inimputabilidade do réu, focando tanto
sua sanidade mental, como as sequelas produzidas pelo crimino-
so na vítima.
d) Psiquiatria Forense: ciência auxiliar que se ocupa do estudo da
criminologia, como, por exemplo, o estudo das doenças mentais
que levam o agente ao delito, tendo fundamental importância na
aplicação do artigo 26 do Código Penal.
e) Polícia Judiciária: voltada para a descoberta dos autores do cri-
me, da materialidade e do “modus operandi” de cada um desses
agentes.

7 - Relações do processo penal com outros ramos do direito


Como o processo penal advém do Direito Público, onde predomina o in-
teresse público sobre o interesse privado, verifica-se que o mesmo relacio-
na-se também com outros ramos do Direito, quais sejam:

SUMÁRIO
15
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

a) Direito Constitucional: haja vista a Constituição ser a Lei Maior,


todas as matérias que disciplinam as condutas humanas são su-
bordinadas às normas constitucionais. Assim, a tutela da liberda-
de, por exemplo, relaciona-se com o processo penal como instru-
mento da realização da Justiça.
b) Direito Administrativo: através do processo são reguladas a
aplicação das sanções administrativas disciplinares e a respectiva
aplicação da pena.
c) Direito Comercial: reserva íntima ligação com o processo fali-
mentar, haja vista que a falência muitas vezes pode ser fraudulen-
ta e constituir delitos.
d) Direito Internacional: conduz a adoção de normas comuns en-
tre os países, visando a aplicação de uma só lei, buscando repri-
mir condutas criminosas. Temos como exemplo o Mercosul e a
Comunidade Econômica Europeia.
e) Direito Processual Civil: há uma tendência moderna de se uni-
ficar os ordenamentos processuais civis e penais em um só, haja
vista que em ambas as matérias existe uma que engloba os con-
ceitos básicos do processo: que é a Teoria Geral do Processo.

8 - Fontes do direito processual penal


A fonte é onde se origina a norma, é o seu modo de criação. Isto se chama
FONTE DE PRODUÇÃO.
As fontes classificam-se em:
Fonte de Produção Primária: são as normas de Direito Processual Pe-
nal criadas pelo Estado, pois cabe privativamente à União legislar sobre
direito processual. Frise-se que não pode ser instituída norma de direito
penal ou de direito processual por meio de Medida Provisória. As normas
de direito processual devem ser produzidas através de processo legislativo
regular, sendo competência da União legislar sobre o tema.
Fontes Formais ou Secundárias: são fontes pelas quais se exteriorizam
a aplicação da norma penal, servindo muitas vezes como elementos criado-
res de uma norma processual.

SUMÁRIO
16
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Fontes Formais Diretas: trata-se da legislação principal, ou seja, a existên-


cia da própria norma sem si, não necessitando ser criada. Tem-se como exem-
plo o Código de Processo Penal, as Legislações Extravagantes e Leis Orgânicas.
Fontes Formais Indiretas: na existência de lacunas, obscuridade ou falta de
lei, o que não exime o juiz de decidir, situação esta também conhecida como non
liquet, utiliza-se o critério ampliativo que busca a solução da lide através dos
Princípios Gerais de Direito, Analogia, Costumes e Jurisprudência.
Vale ressaltar dois requisitos: primeiramente, que a lei é a fonte do direi-
to processual penal e, secundariamente, o processo penal é uno em todo o
território brasileiro.

9 - Aplicação da lei processual no tempo e no espaço


No tempo: pelo princípio da imediatidade, a lei penal tem aplicabilidade
imediata, sem prejuízo da validade dos atos realizados.
A lei processual entra em vigência automaticamente, atingindo processos
em andamento. Isto aconteceu de forma recente com as novas leis processuais
que tiveram aplicabilidade aos processos em curso, com a concentração dos
atos em uma só audiência: interrogatório do acusado ao final e debates orais.
No espaço: foi adotado o princípio da territorialidade, pelo qual as leis
não ultrapassam os limites do estado que as promulgou.

10 - A interpretação da lei processual


a) Vista sob o aspecto subjetivo, pode ser:
I - Autêntica: quando realizada pelo próprio legislador. Ex.: Exposi-
ção de motivos.
II- Doutrinária: quando sua interpretação é realizada pelos doutrina-
dores e comentadores.
III- Judicial: quando realizada pelos juízes e Tribunais, ao aplicarem-
na a um caso concreto.

b) Vista sob o aspecto objetivo, pode ser:

SUMÁRIO
17
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

I- Gramatical: visando a compreender o sentido das palavras em-


pregadas. Ex.: Queixa, competência, parte.
II- Lógica: objetiva demonstrar a vontade ou a finalidade da lei. Vista
sob os aspectos sistemático, histórico, direito comparado, extra-
jurídico e sociológico.

c) Vista em relação ao resultado, pode ser:


I- Declarativa: quando esclarece alguma dúvida do texto.
II- Extensiva: amplia o alcance do texto.
III- Restritiva: quando restringe a aplicação da norma.
IV- Analógica: sua forma de interpretação serve para suprir certas
falhas, pela impossibilidade de descrição no texto penal, reme-
tendo a outro que os englobe.
V- Progressiva: para fins de adaptar a norma às necessidade atuais.

11 - Princípios do processo penal


Os princípios concernentes à aplicação do Direito Processual Penal vêm
consignados tanto na Constituição Federal, como também consagrados
dentro de legislações alienígenas.
Sabe-se que o processo tem dupla garantia: em primeiro lugar para o
autor, que socorre-se da norma penal para ver garantida a aplicabilidade
de sanção àquele indivíduo que infringiu uma disposição penal. Temos aí
consignada a garantia ativa.
Por outro lado, também o processo reveste-se de uma garantia passiva,
haja vista que o réu só será privado de sua liberdade após percorrido o de-
vido processo legal e depois de garantido o contraditório e ampla defesa.
Temos garantias constitucionais expressas, previstas na Constituição Fe-
deral, e garantias constitucionais implícitas, que são aquelas não menciona-
das expressamente em nossa Carta Magna.
Vê-se claramente, pela numeração de tantos princípios, que o Processo
Penal foi construído com base na perspectiva do réu em que se prestigia a
dignidade humana.

SUMÁRIO
18
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

11.1 - Principais princípios


Magistratura: o juiz deve ser sempre imparcial. O acusado, ao cometer
um crime, deve saber de antemão qual o juízo que vai processá-lo e julgá-lo.
Isso é o que se denomina “juiz natural” ou “juiz constitucional”. Vedada é a
criação dos tribunais de exceção – “criados ad hoc e post factum em situação
revolucionária para o julgamento de determinados casos”. O acusado tem
o direito de conhecer previamente o tribunal ou o juiz, no caso de infração
penal. Caso duvide da imparcialidade do julgamento, poderá se voltar con-
tra tal fato através da exceção de suspeição, ou, em caso de julgamento pelo
Tribunal do Júri, através do desaforamento. Para tanto, os juízes possuem
suas garantias como a vitaliciedade, a irredutibilidade de vencimentos e a
inamovibilidade, para não sofrerem pressões externas, pois sabemos que,
em muitos casos, na parte passiva, principalmente na área cível, a União, o
Estado e os Municípios são figuras constantes.
Princípio da Verdade Real: o juiz deve, através das provas e das averi-
guações, descobrir a verdade como fundamento de uma sentença. O prin-
cípio da verdade real vai além, pois o juiz muitas vezes, adota uma postura
verdadeiramente ativa. Quando não se sente convencido, por exemplo, e
necessita de maiores elementos de prova pode determinar a conversão do
processo em diligência, determinando a oitiva de alguma testemunha (tes-
temunha do juiz), de ofício, pode determinar a busca e apreensão de algum
documento, designar nova perícia etc.
Princípio da Imparcialidade do Juiz: traduz independência, deci-
sões livres, desprovidas de coação ou ameaças. Para tanto, os magistra-
dos têm garantias da irredutibilidade de vencimentos, inamovibilidade
e vitaliciedade.
Princípio da Igualdade das Partes: indica que o autor e réu, embora
em planos opostos, têm os mesmos direitos, ônus, obrigações e faculdades.
Paridade de armas.
Princípio do Livre Convencimento Motivado: consagrado no artigo
157 do CPP, impede que o Juiz julgue o processo utilizando-se de conheci-
mento que possua extra autos. O que não existe no processo, não existe no
mundo jurídico. Este convencimento do Juiz deve ser exteriorizado na sen-
tença, na motivação do julgador, sob pena de nulidade do julgado.
Princípio da Publicidade: vigora a publicidade absoluta, segundo a
qual todos os atos processuais são públicos. Alguns processos, todavia, mi-

SUMÁRIO
19
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

litam no foro em segredo de justiça, tal como ocorre, por exemplo, com os
delitos sexuais ou de drogas.
Princípio do Contraditório: diretamente relacionado com o princípio
do “due process of law”, segundo o qual o acusado goza do direito de ampli-
tude de defesa e contrapor-se a qualquer prova contra ele produzida.
Assistência Jurídica Gratuita: todo o acusado necessita de um defen-
sor. Este defensor pode ser contratado pelo acusado ou pode ser nomeado
pelo Estado. Esta é a defesa técnica que, ao lado da autodefesa, formam o
princípio constitucional da ampla defesa. Além de ter uma defesa por ad-
vogado inscrito nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, o acusado
tem o direito, mormente se preso estiver, de estar presente na audiência de
produção de provas, sob pena de nulidade do processo.
Princípio da Iniciativa das Partes: “Nemo judex sine actore”. Não há
juiz sem autor. Não existe prestação jurisdicional sem a movimentação da
máquina estatal judiciária por iniciativa das partes envolvidas, que se dá a
partir da propositura de denúncia, e o procedimento investigatório se inicia
após a ocorrência de um crime.
Princípio do Ne Eat Judex Ultra Petita Partem: o juiz não pode sen-
tenciar sobre aquilo que não foi pedido pela parte. Com a denúncia, a apre-
ciação do juiz apenas se dará sobre aquilo que foi pedido pela parte, pois o
PEDIDO delimita a atuação do órgão jurisdicional.
Princípio da Identidade Física do Juiz: o juiz que deu início à instru-
ção probatória deve julgar a lide. Pelas novas reformas do processo penal,
o juiz que conduziu a audiência de produção de provas fica vinculado ao
processo, devendo proferir a sentença. Aquele que presidiu a audiência de
colheita das provas, fica vinculado ao processo, e deve proferir a decisão.
Princípio do Devido Processo Legal: dogma constitucional, pois nin-
guém poderá ser condenado sem a existência do processo previsto em lei.
Princípio da Inadmissibilidade das Provas Obtidas por Meio Ilícito:
prova produzida por meio ilícito não é admitida em nosso ordenamento ju-
rídico. É a chamada Teoria da árvore dos frutos envenenados (Fruits of the
poisons tree). O nosso regramento processual sobre a prova ilícita proíbe
de forma expressa a utilização de provas produzidas por meios ilícitos ou
derivadas destas.

SUMÁRIO
20
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Princípio da Inocência: por este princípio, ninguém será considerado


culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Trata-se
do Princípio do humanismo constitucional. Note-se que, dentro deste prin-
cípio encontra-se também o princípio de que o réu não é obrigado a produ-
zir prova contra si mesmo.
Princípio do Favor Rei: sempre em favor do réu. In dubio pro reo, o
ônus da prova é sempre da parte acusadora, exceto nos casos de alegação
de excludente da ilicitude ou de álibi. Temos como principais Direitos do
Cidadão Brasileiro:
a) direito a habeas corpus;
b) direito ao silêncio;
c) direito de identificar a pessoa que o prendeu;
d) não submissão à identificação criminal;
e) respeito à pessoa do preso;
f) direito de individualização da pena;
g) reserva legal;
h) direito de liberdade;
i) fiança e liberdade provisória;
j) Júri Popular.

Princípio da Separação da Apuração da Responsabilidade Civil e


Responsabilidade Criminal. As jurisdições civil e penal são independen-
tes, mas se relacionam. Pela nova reforma processual deve ser apontado
que o juiz na sentença penal condenatória pode fixar valor mínimo de inde-
nização. Também deve ser mencionado que a sentença penal condenatória
transitada em julgado, na esfera cível, é título executivo judicial. Também
é necessário se afirmar que a sentença penal que reconhece ter sido prati-
cado o fato sob qualquer excludente de ilicitude, faz desaparecer o direito
indenizatório, além disso, o juiz da vara cível poderá suspender a ação ci-
vil por um ano até o julgamento da esfera criminal. Insta salientar que não
corre a prescrição para a propositura de ação indenizatória enquanto não
transitar em julgado a sentença penal condenatória.

SUMÁRIO
21
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Princípio da Motivação das Decisões e o Livre Convencimento dos


Jurados (Não Motivado). Todas as decisões, como explicitado anterior-
mente, devem ser fundamentadas, havendo uma única exceção no direito
processual, que é o julgamento pelo tribunal do júri. Neste, os jurados deci-
dem sobre o destino do acusado por meio de votação secreta, com cédulas
“sim” e “não”, sem necessidade manifestarem as suas convicções.
Princípio do In Dubio Pro Societate - tal princípio é aplicado na pri-
meira fase do procedimento do júri, onde, havendo dúvidas sobre a ocor-
rência de situação exculpante (qualificadora), deve o júri popular decidir a
questão por força de mandamento constitucional.

11.2 - O interesse
Um dos principais elementos de sustentação do processo é o INTERESSE.
O interesse é uma relação existente entre os homens e os bens que, de-
pendendo das circunstâncias ou acontecimentos, pode ser maior ou menor.
O Estado, como se viu anteriormente, tem o dever de manter íntegra a
relação entre as pessoas que formam uma coletividade; para tanto, se vale
da imposição de normas sancionadoras para garantir a paz social.

11.2.1 - O conflito de interesses


Ocorre conflito de interesses quando um membro da coletividade in-
fringe um interesse comum, o que dá ensejo aos atos criminosos. Nesse
sentido, está implícito no conflito de interesses o princípio da segurança e
da estabilidade das decisões judiciais, não permitindo a repropositura de
demandas já julgadas.
Para que as relações sociais permaneçam estáveis, necessário foi que o
Estado ditasse normas comportamentais sancionadoras de atos praticados
que configurariam o crime. Estas normas de condutas tipificadas como cri-
me são chamadas de direito objetivo, eis que normatizados o policiamento
e punição das regras de conduta ilícitas.

11.2.2 - A relação jurídica


Surge então o que denominamos de Relação Jurídica, ou seja, a tutela
legal dos conflitos de interesses que possui a função de identificar entre

SUMÁRIO
22
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

dois posicionamentos, qual deve prevalecer. Trata-se de um conflito de in-


teresses compreendendo dois polos absolutamente distintos: um polo ativo
(quem pede) e um polo passivo (contra quem é dirigido o pedido).
Para regular o pedido e a resistência surge o direito subjetivo. O direito
subjetivo tem a árdua missão de tutelar essa relação jurídica formada entre
a parte ativa e a parte passiva. São os meios colocados à disposição dos ci-
dadãos (acesso à justiça), para que, através do Estado, faça atuar, no caso
concreto, o direito objetivo.
O direito subjetivo ou direito formal compreende uma série de atos
para atuar a lei (objetiva) ao caso concreto.
De ambos os lados, nota-se a presença da pretensão, que pode ser con-
ceituada como uma exigência de subordinação de um interesse próprio
sobre um interesse alheio. Neste diapasão, temos a forma consensual e a
forma resistencial.
Dessa forma, no campo do Direito Processual Penal, temos na parte ativa
de uma relação processual, o Estado, que tem o interesse de punir e, no outro
campo, temos a resistência do acusado, em não querer ser punido. Na parte
ativa, a grosso modo, quem acusa; e na parte passiva, quem se defende, o réu.
Forma-se a lide, que é o conflito de interesses (Estado X particular) qua-
lificado por uma pretensão resistida (o réu, no mais das vezes, resiste
bravamente através do direito de defesa a aplicação da pena).
A lide perturba a paz social e é dever do Estado preservar a concórdia;
em caso de violação ao direito objetivo, cabe ao ente estatal intervir, para
restabelecer o status quo ante.

11.2.3 - O processo
A paz social volta a reinar na sociedade com a aplicação do direito objetivo
ao caso concreto, através da pronta atuação do Poder Judiciário e isto se faz
através do que denominamos de PROCESSO.
Processo é o meio para a composição da lide, através da aplicação da lei
ao caso concreto, sendo seu instrumento indispensável.
Sabemos que o Estado é o detentor do monopólio da jurisdição e da admi-
nistração da justiça, chegando à inexorável conclusão de que ninguém pode
fazer justiça pelas próprias mãos, sob pena de responder pelo delito constan-
te do artigo 345 do Código Penal - exercício arbitrário das próprias razões.

SUMÁRIO
23
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Assim, uma visão moderna do processo pode derivar duas óticas diferen-
tes: a primeira de forma objetiva, que é identificada pelo procedimento
(caminhos ou atos coordenados a se conseguir um objetivo fim), e outra
visão subjetivista, ou seja, uma relação jurídica com a presença de duas
partes: uma ativa e outra passiva.
Na ótica subjetiva podemos destacar os sujeitos processuais, na visão
de Liebman, o processo é actum trium personarum, ou seja, constatamos
a presença de três pessoas juiz, autor e réu. Aqui se faz necessário um
apontamento, visto que no direito processual penal a defesa do acusa-
do é essencial, considerada até como um direito indisponível, que não
pode ser alijada sob qualquer pretexto.
A finalidade do processo é a preservação da paz social, com a proteção dada
pelo Direito Objetivo da vida, integridade física, moral, do Estado, da família,
aplicando-se ao violador a norma e a sanção previstas pelo Direito Objetivo.
Temos então a ação. Como se sabe, são três as condições da ação: Possi-
bilidade Jurídica do Pedido, Legitimação e Interesse de Agir. Ausentes
qualquer uma dessas condições, temos a carência da ação.
De outro lado, temos também para validação do processo os denomina-
dos Pressupostos Processuais, os quais têm grande importância porque
deles dependem o desenvolvimento válido e regular do processo.
Como todo o ato jurídico, o processo exige agente capaz (no processo
penal o réu deve ter idade igual ou superior a 18 anos e não pode ser
inimputável), objeto lícito (não há crime sem lei anterior que o defina
e nem pena sem prévia cominação legal) e forma prescrita em lei (no
caso o procedimento devidamente previsto em lei). O processo, portan-
to, deve estrita obediência a certas circunstâncias que, na sua ausência, cau-
sam a nulidade do processo.
Dividem-se os pressupostos processuais em duas grandes categorias:
pressupostos objetivos, que dizem respeito ao processo e os pressupos-
tos subjetivos, que guardam relação com as partes do processo.
Dentre os pressupostos objetivos, destacam-se: inexistência de litis-
pendência, coisa julgada, uma petição apta, a citação, e o mandado.
Temos por exemplos: a investidura do juiz, a delimitação de sua com-
petência e sua imparcialidade e em relação às partes: capacidade de ser
parte, capacidade de estar em juízo (ad processum), e a capacidade
postulatória.

SUMÁRIO
24
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

CAPÍTULO II

NOÇÕES BÁSICAS DE
ELABORAÇÃO DE PETIÇÕES

1 - Conceito
Como professor universitário, ao ministrar aulas de Prática Jurídica, per-
cebi que os alunos estavam “viciados” na utilização dos famosos livros de
modelos de petições. Constatei, ainda, que tal conduta é prejudicial ao alu-
no, pois sempre diante das dificuldades da vida prática, os alunos de ontem
e profissionais do hoje procuram nos livros de modelos a solução para os
diversos problemas do cotidiano forense e todos nós sabemos que não exis-
tem tantos modelos assim, mormente em situações especificas.
Observei que, quando ministrei as aulas, os alunos sempre pediam para
que eu adotasse um livro de preferência com os célebres “modelinhos” de
petição. Nas minhas aulas prego que o aluno deve sempre aprender a fazer,
pois os alunos e futuros profissionais do Direito não devem se pautar exclu-
sivamente em livros de modelo, pois, algumas vezes, não possuem a solução
para determinado problema prático, quando “bate o desespero”.
Após avaliar vários aspectos, os quais foram discutidos com os alunos e
profissionais do Direito, alcancei um método o qual atingiu tamanho sucesso
entre os alunos, e por esse motivo foi copiado por alguns professores de Prá-
tica Jurídica Penal, que indevidamente assumiram a “paternidade da criança”;
talvez porque o método seja extremamente eficiente e, afinal de contas, esta-
vam protegidos pela máxima “nada se cria, tudo se copia”. Porém, se essa téc-
nica facilita que o estudante aprenda e assimile, que seja adotada e copiada,
aliás, aqui é pouco relevante o mestre, mas o que importa é a lição.
Prego aos meus alunos que o importante não é decorar determinado mo-
delo de petição como se ele fosse uma verdade absoluta; o primordial que o
aluno e futuro profissional do direito saiba quais são os requisitos que de-

SUMÁRIO
25
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

vam ser colocados em uma petição, como se fosse um roteiro a ser seguido.
Esse roteiro possui nove passos, que são:
1) Endereçamento;
2) Numeração do processo e do cartório;
3) Nome do requerente;
4) Nome da peça;
5) Narração dos fatos;
6) Posição pessoal;
7) Fundamentação;
8) Pedido;
9) Encerramento da peça;

Requisitos estes que serão detalhados a seguir.


O primeiro passo para a elaboração de uma petição é observar o endere-
çamento da mesma, uma vez que toda a petição é endereçada a uma autori-
dade, seja ela Policial ou Judicial.
O segundo passo será mencionar o número do processo e o cartório, uma
vez que a petição será juntada em um inquérito policial ou processo criminal.
O terceiro será colocar na petição o nome do réu (requerente), não sendo
necessário colocar a sua qualificação, mas, em alguns casos (como pedido
de benefícios ou ação) a qualificação deve ser colocada uma observação im-
portante é que, nas petições, o nome do réu deve sempre ser destacado.
O quarto passo será colocar o nome da peça também sempre em desta-
que. A peça deverá estar fundamentada em algum artigo do Código de Pro-
cesso Penal, uma vez que é necessária a presença da possibilidade jurídica
do pedido.
A narração consistirá no quinto passo. O ocorrido deverá ser narrado de
forma sucinta, ou seja, “narra-se o fato e o juiz dará o Direito”.
Colocar a posição pessoal e defender a existência do Direito invocado
será o sexto passo a ser dado. Neste ponto coloca-se a defesa, o fato e essa
tese são fundamentados em livros de doutrina ou na jurisprudência.

SUMÁRIO
26
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

O sétimo será fundamentar a opinião pessoal em doutrina e jurisprudência.


O penúltimo passo será o pedido. Ao realizar o pedido, aconselha-se ser
claro e objetivo, especificando-se o que se busca e deseja. Não se pode dei-
xar de destacar no pedido aquilo que se deseja com a interposição da peça
ou do recurso.
O nono e último passo deverá ser o encerramento da peça processual
Alguns cuidados deverão ser tomados durante a elaboração da petição,
como, por exemplo, deve-se deixar espaço para o carimbo do protocolo e
para eventual despacho do magistrado. Este espaço deve estar entre o en-
dereçamento e o começo da petição.
Outro cuidado deve ser o de deixar espaço entre as linhas de pelo menos
uma linha e meia. Já a letra deve ter tamanho 12 ou 14.
A petição deve ser limpa, em papel decente e, se houver erros, é necessá-
rio refazê-la, pois um trabalho bem feito sempre é levado em conta pelo juiz
ou pelo tribunal.

2 - Escrevendo uma tese defensiva: a técnica ANEFE


Talvez seja estranho falar de uma técnica para elaboração de uma defe-
sa criminal, em uma monografia, em um texto ou mesmo em uma carta ou
e-mail. Primeiramente, é necessário lembrar que o estudante brasileiro não
tem o hábito da leitura. Poucos leem alguma coisa e somente o fazem às vés-
peras de uma prova importante. O brasileiro não lê muito e escreve menos
ainda. O escrever bem depende do ler bem. Fazer resumos, escrever, treinar
a escrita, são instrumentos essenciais ao bom profissional do direito.
O sistema educacional pautado nas aulas expositivas e com provas de
múltipla escolha faz com que o aluno não tenha o hábito de escrever corre-
tamente. Se um dia tivermos a coragem de ler as pérolas dos vestibulares ou
mesmo provas de cursos superiores de graduação, veremos que a realidade
é triste! Muito embora a realidade seja triste, ainda existe tempo de se mu-
dar, todavia, omitir-se é pior do que não ter posição alguma.
Para explicar a técnica criada por mim, vamos sair um pouco desta ma-
téria teórica e partir rapidamente a uma escola. Veremos na escola alunos
sentados, uns atrás dos outros, e na frente, em cima de um tablado, o profes-

SUMÁRIO
27
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

sor ministrando uma aula expositiva. Ali está o mestre, que pretensamente
sabe tudo e os alunos que pretensamente sabem nada. Aqui está o erro,
somos seres humanos, em constante aprendizado, e o ensino nada mais é
do que uma troca de experiências, de histórias de vida. Abandonar a arro-
gância e prepotência de saber tudo e ter a humildade de dizer que aquilo
não se sabe, adotando a humildade, e por outro lado perder a vergonha de
perguntar, tornando o ensino mais dinâmico, talvez seja a solução para a
falência da educação.
O primeiro erro é o tablado. Não deve haver entre alunos e professores a
distância; uns devem ser amigos e companheiros dos outros. O tablado ser-
ve de distanciamento, colocando o professor em um padrão inatingível de
inteligência, de autoridade; e o aluno, no patamar de baixo, já demonstran-
do de início quem manda, colocando-o em grau de inferioridade, que ficará
registrado na sua memória para o resto de seus dias. Muitos abandonam
brilhantes carreiras porque foram humilhados, situação esta que deixa no
limbo um profissional excelente.
O segundo erro, é a aula expositiva. O professor fala durante todo o tem-
po que compreende a aula; os alunos são apenas ouvintes, sem qualquer
participação, e quando surge alguma dúvida, a qual o aluno resolve questio-
nar ao professor, fica com medo de ser ridicularizado pelos seus colegas ou
até mesmo pelo mestre, causando outro problema sério, a timidez.
Vejamos: se o professor deseja mudar, deseja inovar. O que acontece? Os
alunos logo dizem que o professor não deu aula, que o professor ficou en-
rolando, que deu “trabalhinho” o qual nunca será lido e que será guardado
dentro do armário do mesmo, devidamente encaminhado para reciclagem
no final do ano letivo, quando arrumamos nossos armários.
A cultura da aula expositiva está arraigada aos costumes dos alunos e
passou a ser uma constante. Essa cultura produz professores estressados e
alunos tímidos, cerceando qualquer iniciativa do docente em querer mudar.
Professores não requisitam mais que os alunos leiam textos. Professores
não requisitam mais que alunos escrevam nas provas, optando pelas fami-
geradas provas de múltipla escolha que, de tão mal formuladas possuem,
às vezes, várias opções corretas. Alguns concursos públicos ainda seguem
esta opção, gerando uma nova espécie de alunos: os “concurseiros”, mais
temidos que os alunos orientais nos vestibulares de instituições públicas.

SUMÁRIO
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DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Saímos, então, da sala de aula e passamos a examinar este aluno nas lides
forenses. O futuro advogado terá dificuldades em escrever, será tímido em
audiências, deixando de questionar pontos fundamentais da demanda; será
ansioso, inseguro; com medo de errar, prejudicando seu cliente.
Diante disso, pensando e refletindo muito a respeito de como incutir no
aluno a técnica de colocar no papel suas ideias, criei a técnica da ANEFE,
que nada mais é do que uma observação dos aspectos simples da vida, afir-
mar ou negar, explicar, fundamentar e encerrar.

3 - A técnica ANEFE
Antes de explicar esta técnica, necessário lembrar que o aluno é um ser
humano, brilhante, com uma história de vida própria, com sua individua-
lidade, com seus erros e acertos. Alunos brilhantes, muitas vezes são cer-
ceados pelos professores despreparados que, com medo de responder às
perguntas, muitas vezes rotulam estes alunos de “complicados”, “aluno pro-
blema”, “indisciplinado” etc. Os pseudos-sábios que se travestem de profes-
sores deviam, primeiramente, se preparar adequadamente antes de exerce-
rem a profissão de docentes. Deviam ouvir mais, estimular mais a leitura,
deixar de lado os trabalhos escritos via computador (no qual um finge que
faz e o outro finge que lê), fazendo com que os alunos adquiram o hábito da
leitura e de escrever. Muitas vezes o professor assume a posição de pai, e
assim sendo deve ter carinho, afeto e paciência para com seus alunos.
A técnica ANEFE é composta de quatro fases principais:
a) afirmar ou negar algo (AN);
a) explicar a razão de sua afirmação ou negação (E);
b) fundamentar seu ponto de vista (F) e
c) encerrar a frase ou pensamento (E).

Vejamos isto em um aspecto prático de uma petição forense:


“O réu não praticou o delito descrito na denúncia (1). Não há nos au-
tos qualquer prova de sua participação no crime (2). Neste sentido
vale transcrever a lição de nossa jurisprudência:

SUMÁRIO
29
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Não é a defesa que incumbe demonstrar que o acusado não incidiu


em crime e sim a acusação provar que houve crime e que é o réu
o seu autor.” (Ap. 91.015, TACRIMSP, Rel. Azevedo Júnior) (3).

Face a todo exposto, requer a Vossa Excelência a absolvição do acusado


pela ausência de provas, tudo como forma de JUSTIÇA!! (4)”.
Legendas:
(1) afirme ou negue (AN);
(2) diga a razão disso, explicação (E);
(3) fundamente com base doutrinária, jurisprudencial etc. (F);
(4) encerre o pensamento ou a sua escrita (E).

A técnica ANEFE pode ser cristalinamente observada no texto acima:


a) Na primeira passagem: “o réu não praticou o delito descrito na
denúncia”, o leitor observará que foi utilizada a primeira parte da
técnica ANEFE, qual seja, ao escrever foi utilizada a negação, que
também poderia ser uma afirmação. A primeira fase do “AN – afir-
mar ou negar”, nada mais é do que tudo aquilo que fazemos em
nossa vida, afirmando fatos ou negando-os e que agora deve ficar
registrado no papel.
b) Na segunda passagem: “Não há nos autos prova de sua participa-
ção no crime”, o leitor observará a utilização da segunda técnica, que
é a do “E – de explicar”. Na segunda fase de construção da escrita,
sugiro que ao escrever explique ao destinatário a razão, o porquê de
sua afirmação ou negação anterior.

Exemplo de nossa vida cotidiana:


Uma pessoa lhe pergunta:
- Você deseja sair para comer uma pizza de calabresa?
Você responde:
- Não.
(essa é a primeira fase do ANEFE ), no caso, a negação.

SUMÁRIO
30
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Não ficou incompleto? Obviamente que sim, porque a pessoa que o con-
vidou deseja saber qual a razão de você não sair com ela para saborear a
pizza. Aí é que entra a segunda fase da técnica ANEFE, que é a justificativa:
- Não sairei com você hoje, porque já tenho um compromisso agendado
anteriormente.

a) Na terceira parte da técnica ANEFE é a hora de fundamentar a


sua negação ou sua afirmação, mais as razões que levaram você a
escrever isto. No exemplo dado, a citação da jurisprudência serviu
para que o escritor fundamentasse seu posicionamento com base
científica. Aqui é importante dizer que a terceira parte da técnica
ANEFE, qual seja, a fundamentação, deve ser alicerçada em doutri-
na, jurisprudências, provas dos autos etc.

d) a parte final da técnica ANEFE, é o E (encerramento). Lembre-se


que todos nós alunos, professores, advogados, juízes, promotores de
justiça e até mesmo na nossa vida cotidiana sempre fazemos pedi-
dos. Uma petição sem pedido é inepta. Sempre costumo brincar com
meus alunos que, ao pedir alguma coisa a alguém, o não já temos e,
se conseguirmos o sim, sairemos no lucro. A própria Bíblia nos diz:
“pedi e obtereis!”. Aqui lembro ao aluno que o verbo deve ser usado
na terceira pessoa do singular (pede, requer, solicita, roga), e
não na primeira pessoa (peço, requeiro, solicito, rogo), salvo se
você estiver fazendo um pedido para você mesmo.

Essa técnica pode ser usada em cartas, petições, recursos, ações, disser-
tações, TCC, e-mails, que, singelamente, possui os quatros itens necessários
à elaboração de um pensamento: afirmação ou negação de alguma coisa
(AN), a explicação de seu ponto de vista, de sua afirmação ou negação (E),
as razões, os fundamentos de sua negativa ou afirmação (F) e o pedido final
de seu texto – encerramento (E).
Passe, ao escrever uma petição, um recurso, um artigo ou uma carta, a
utilizar a técnica ANEFE da construção da frase, respondendo a quatro in-
dagações:

SUMÁRIO
31
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

1- Escrever a sua afirmação ou a sua negação - AN;


2- Qual a razão, motivo que o levou a afirmar ou negar isto? - E
3- Quais fundamentos usados para escrever isso? - F
4- Faça o seu pedido. - E

Agora, querido leitor, faremos um exercício simples (guarde na sua me-


mória a palavra ANEFE) e comece a usar esse recurso imediatamente e
você constatará que escrever corretamente é uma questão de treino. Lem-
bre-se do que escrevi na apresentação: 1% (um por cento) de inspiração, e
99% (noventa e nove por cento) de transpiração.

4 - Estrutura básica de uma petição


1- ENDEREÇAMENTO: uma petição sempre será endereçada a um
Tribunal, a um Juiz, a um Promotor de Justiça, a um Delegado de
Polícia. Lembre-se que o pronome de tratamento é EXCELENTÍS-
SIMO, e no corpo do texto, Vossa Excelência;

2- NÚMERO DO PROCESSO: qualquer petição deve ser juntada nos


autos de inquérito policial ou em processo judicial, e todo o pro-
cesso possui um número;

3- NOME DA PESSOA: o advogado é constituído para a defesa de


uma pessoa através de uma procuração ou nomeação;

4- FUNDAMENTO LEGAL: toda a petição possui um fundamento


legal e somente é possível formular um pedido se previsto em lei;

5- NOME DA PEÇA;

6- NARRATIVA DOS FATOS;

7- UTILIZAÇÃO DA TÉCNICA ANEFE;

8- PEDIDO FINAL;

9- ENCERRAMENTO (CIDADE, DATA E ASSINATURA)

SUMÁRIO
32
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

5 - Esquema prático
ENDEREÇAMENTO......

Referência processo número..............

Nome da pessoa................................................... com-


parece à presença de Vossa Excelência, (COLOCAR O FUNDAMENTO LE-
GAL...........), para apresentar/interpor (COLOCAR O NOME DA PEÇA), ........
pelos seguintes motivos:

1 – NARRAR OS FATOS;

2 – UTILIZAR A TÉCNICA ANEFE.

Diante o exposto, requer.......(PEDIDO).......

Cidade, data e assinatura.

SUMÁRIO
33
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

CAPÍTULO III

DA PRISÃO COM O TRÂNSITO EM JULGADO


(Lei 7.210/ 84 - EXECUÇÃO PENAL)

1 - A execução penal e os benefícios prisionais


O processo penal possui, como na esfera cível, o processo de execução.
Diferentemente do que ocorre na esfera cível, o processo de execução na es-
fera penal tem como objetivo primordial o cumprimento por parte do con-
denado da penalidade imposta, através, muitas vezes, do cerceamento do
seu direito de ir e vir. Trata-se, assim, de um conjunto de atos judiciais pelos
quais se dá efetividade à sentença judicial, fazendo com que o sentenciado
cumpra o comando emanado na sentença condenatória já transitada em jul-
gado, com o efetivo cumprimento da sanção imposta.
Na esfera penal o título executivo do Estado é a sentença penal condena-
tória transitada em julgado, uma vez que esta impõe ao acusado (senten-
ciado) o dever de cumprir a pena imposta. Também há o caso de execução
provisória da pena, onde o acusado, condenado e ainda a sua reprimenda
dependendo de confirmação junto a Instância Superior pela interposição
de recurso, pode obter os benefícios prisionais desde que cumpridos os re-
quisitos legais.
Neste sentido temos decisões favoráveis no sentido de que mesmo o pro-
cesso estando pendente de julgamento é possível ao acusado requerer be-
nefícios junto a Execução Penal, o que é considerado juridicamente como
sendo a execução provisória da pena:
A jurisprudência deste Supremo Tribunal não exige o trânsito em julgado
da condenação para que seja possível a progressão de regime. Precedentes.
(Supremo Tribunal Federal STF; HC 92.634-7; PE; Primeira Turma; Relª Min.
Carmen Lúcia; Julg. 27/11/2007; DJE 15/02/2008; Pág. 74).

SUMÁRIO
34
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

A execução provisória do julgado é plenamente possível, constituindo


mero efeito da condenação, razão pela qual, à luz do Enunciado nº 716 da
Súmula do Supremo Tribunal Federal, “admite-se a progressão de regime de
cumprimento da pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela
determinada, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória” (Supe-
rior Tribunal de Justiça STJ; HC 87.504; Proc. 2007/0171851-7; SP; Quinta
Turma; Relª Min. Laurita Hilário Vaz; Julg. 20/05/2008; DJE 09/06/2008).
A Vara das Execuções Criminais é um órgão especializado da Justiça Co-
mum que tem como finalidade fiscalizar os direitos e deveres dos presos,
bem como o cumprimento da pena. Perante esse órgão é que são requeridos
todos os benefícios devidos aos detentos. Compõe-se de um Juiz de Direito
e um órgão do Ministério Público.
Como é sabido de todos, no Brasil temos três regimes de cumprimento
de pena, a saber: regime fechado, regime semiaberto e regime aberto.

Condenado a pena superior a oito anos de reclusão ou


Regime fechado reincidente ou condenado a pena por pratica de crime
hediondo que impõe o regime fechado como sendo o início
do cumprimento da pena

Condenado a pena superior a quatro de reclusão, mas que


Regime semiaberto
não exceda a oito anos.

Condenado a uma pena que não exceda a quatro anos de


reclusão
Note-se que nas penas iguais ou inferiores a quatro anos,
cabe o pedido de substituição da pena privativa de liberdade
Regime aberto
pela pena restritiva de direitos e em caso de crime culposo
qualquer que seja imposta a pena caberá a substituição. No
caso de condenação a uma pena de até 02 anos em que a
substituição acima mencionada não seja possível caberá
ainda o pedido de suspensão condicional da pena.

No caso de crime hediondo existe a previsão legal de que aquele que


pratica crime hediondo deverá cumprir a pena pelo delito hediondo inicial-
mente em regime fechado.

SUMÁRIO
35
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Observações:
O regime fechado caracteriza-se pelo cumprimento da pena corporal em
estabelecimento prisional denominado penitenciária, onde o agente fica re-
cluso durante todo o tempo. Já no regime semiaberto, um pouco menos rígi-
do, o condenado cumpre a sua reprimenda em estabelecimento agrícola ou
industrial, onde trabalha durante o dia, sendo somente recolhido à noite. Já
no regime aberto, o agente cumpre a pena em estabelecimento aberto, tra-
balhando durante o dia, e recolhendo-se à noite na casa do albergado. Lem-
bre-se, ademais, que em nosso país adota-se o sistema progressivo, pelo
qual o sentenciado passa de um regime mais severo para um regime menos
severo, depois de cumprido pelo menos mais de um sexto da reprimenda
imposta e desde que possua bom comportamento carcerário. A título de
observação adota-se o sistema vicariante onde o juiz deve aplicar pena ao
imputável e medida de segurança ao inimputável sendo vedado a aplicação
de ambas de forma concomitante. No caso de prática de crime hediondo
para obter a progressão deverá cumprir 2/5 (dois quintos) da reprimenda
se primário ou 3/5(três quintos) se reincidente.
Lembre-se que no Brasil, quando da aplicação da pena, adota-se o siste-
ma vicariante ou unitário, segundo o qual o juiz deve aplicar a pena ou,
alternativamente, a medida de segurança. Com a reforma da parte geral do
Código Penal, foi abolido o regime do duplo binário ou dualista, pelo qual
o juiz, além de aplicar a pena, deveria também aplicar a medida de segurança.
Para os crimes culposos (pouco importa o quantum de pena aplicada) ou
dolosos cuja a pena não ultrapasse os quatro anos de reclusão há possibili-
dade de substituição da pena privativa de liberdade pela pena restriti-
va de direitos,1 conforme se observa do gráfico abaixo:

Condenação igual ou inferior a um ano: multa ou pena restritiva de direitos;

Condenação superior a um ano: uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas
penas restritivas de direitos;

1 As penas restritivas de direito são a prestação de serviços à comunidade, limitação de final


de semana, proibição do exercício de cargo ou função, proibição do exercício de profissão e
suspensão do direito de dirigir veículos. Existe também a limitação de final de semana, proibição
de frequentar determinados lugares, prestação pecuniária em favor da vítima, prestação
pecuniária inominada, perda de bens e valores.

SUMÁRIO
36
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Nossa legislação penal adotou para a execução penal o sistema filosófico


da ressocialização do sentenciado, que busca a reintegração do preso ao
meio social, através da sua gradativa recolocação na sociedade. Diante dis-
so, encontramos tanto na legislação penal, quanto na legislação processual,
quanto na Lei 7.210/84, vários benefícios dentre os quais devemos citar:
a) Progressão de Regimes: baseia-se no mérito do condenado. Este
passa de um regime de cumprimento de pena em regime mais grave para
um menos grave - desde que tenha cumprido mais de um sexto da pena
imposta e que possua bom comportamento carcerário (LEP – ART. 112).
Com o advento da Lei 11.464 de 28 de março de 2.007, possibilita-se ao con-
denado pela prática de crime considerado como hediondo (Lei 8.072/90) a
possibilidade de obter a progressão de regimes, desde que cumpridos mais
de 2/5 (dois quintos) da pena se primário, e mais de 3/5 (três quintos) se o
crime for hediondo. O CONDENADO que pratica crime contra a Administração
Pública, deverá para obter este benefício ressarcir os danos causados.2
b) Livramento Condicional: trata-se de uma liberdade antecipada do
condenado, desde que tenha bom comportamento carcerário e demons-
tre que tem aptidão para o trabalho e que não mais irá delinquir. É cabível
quando a pena imposta exceder (for superior) a dois anos, nas seguin-
tes circunstâncias: a) réu primário: deve ter tenha cumprido mais de 1/3 da
pena; b) réu reincidente em crime doloso: deve ter cumprido mais da meta-
de da pena; c) réu em crime hediondo: que tenha cumprido mais de 2/3 da
2 RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO. DECISÃO DE CONCESSÃO DE PROGRESSÃO
PARA REGIME ABERTO NA MODALIDADE PRISÃO ALBERGUE DOMICILIAR SOB O
SISTEMA DE MONITORAMENTO ELETRÔNICO. INCONFORMISMO DO MINISTÉRIO
PÚBLICO. INADMISSIBILIDADE. Como cediço, a Lei de execuções penais surgiu junto com
a Lei de reforma da parte geral do Código Penal, tendo por objetivo efetivar as disposições de
sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do
condenado e do internado. O legislador conferiu um tratamento específico a cada um dos regimes
de pena, dispondo no art. 95 que “em cada região haverá, pelo menos, uma casa do albergado, a
qual deverá conter, além dos aposentos para acomodar os presos, local adequado para cursos e
palestras”. Por certo, diante da ineficácia do estado em ampliar a capacidade dos estabelecimentos
compatíveis com a execução do regime aberto já existentes, não podem os apenados suportar os
prejuízos, vindo a cumprir sua pena em local inadequado, como pretende o parquet, sob pena
de ofensa aos princípios da legalidade, individualização e humanidade da pena, corolários da
dignidade humana insculpida no art. 1º, III, da carta federal. Em sendo assim, correta a decisão
da magistrada que determinou o cumprimento da pena através de prisão albergue domiciliar,
a fim de propiciar não apenas o melhor desenvolvimento e ressocialização do apenado, mas,
também, ao próprio interesse público, pois as únicas duas unidades de casas de albergado em todo
o estado já se encontram lotadas. Recurso a que se nega provimento. (TJ-RJ; AG-ExPen 0007750-
63.2014.8.19.0000; Sétima Câmara Criminal; Relª Desª Maria Angelica Guimarães Guerra Guedes;
Julg. 25/03/2014; DORJ 28/03/2014) CF, art. 1.

SUMÁRIO
37
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

pena e que não seja reincidente específico (LEP, 131). O termo reincidente
específico está previsto na Lei de Crimes Hediondos e consiste na reinci-
dência de qualquer dos crimes previstos em referido mandamento legal.
Portanto, reincidente específico é aquele acusado que pratica qualquer cri-
me previsto na Lei de Crimes Hediondos e a finalidade de tal instituto é a de
impedir o livramento condicional. Caso o indivíduo pratique em concurso
de crimes um crime hediondo e outro crime que não seja hediondo, deverá
cumprir 2/3 (dois terços) do crime hediondo e 1/3 (um terço) se primário
ou metade, se reincidente, do crime remanescente.
Neste sentido temos que o reincidente específico é aquele indivíduo pra-
tica dois ou mais crimes, em que o crime anterior e o posterior são da mes-
ma natureza, isto é, ambos previstos na Lei de Crimes Hediondos, pouco
importando qual seja o bem jurídico atingido pela conduta delituosa. Tra-
ta-se de reincidência específica aquele que pratica qualquer crime previsto
na Lei de Crimes Hediondos, qual seja, depois de condenado por crime he-
diondo, vem a praticar qualquer outro crime hediondo.3
c) Detração: é o desconto, na pena imposta, do tempo de prisão que o
sentenciado ficou preso temporária ou preventivamente. É admissível a
detração da pena por prisão decorrente de outro processo em que o réu
foi absolvido, desde que o delito pelo qual o réu cumpre pena tenha sido
praticado anteriormente ao seu encarceramento.4 Outro entendimento con-
duziria à esdrúxula hipótese “(...) de ‘conta corrente’ em favor do réu, que,
absolvido no primeiro processo, ficaria com um ‘crédito’ contra o Estado, a
ser usado para a impunidade de posteriores infrações penais”. 5
d) Remição: trata-se de um direito do detento em descontar da pena os
dias que trabalhou. No Brasil, adota-se o seguinte critério: para três dias
trabalhados, descontar-se um dia de pena (LEP 126). Tem-se entendido
que, para obter este benefício deve o sentenciado efetivamente ter exercido
3 “Progressão de regime e livramento condicional. Apenado com duas condenações por tráfico
de entorpecentes, nas quais o regime fixado foi o integralmente fechado. Impossibilidade de
progressão em face da Lei nº 8.072/90. Impossibilidade também do livramento condicional, pois
reincidente específico segundo a regra do art. 83, inc. I do CP. Negaram provimento ao agravo.”
(TJ-RS; AG-Ex 70009360884; Ijuí; Primeira Câmara Criminal; Rel. Des. Marcel Esquivel Hoppe;
Julg. 08/09/2004).
4 (TJ-RS; AG-Ex 70013693601; Vacaria; Primeira Câmara Criminal; Rel. Des Manuel José
Martinez Lucas; Julg. 18/01/2006).
5 (in Luiz Régis Prado, Curso de Direito Penal Brasileiro, 3ª ED., Editora Revista dos Tribunais, São
Paulo, 2002, vol. 1, pág. 470). 3. Recurso improvido. (Superior Tribunal de Justiça STJ; REsp 650405;
RS; Sexta Turma; Rel. Min. Hamilton Carvalhido; Julg. 30/06/2005; DJU 29/08/2005; Pág. 455).

SUMÁRIO
38
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

alguma atividade laboral.6 Anote-se, por fim, que a prática de falta grave faz
com que o detento perca todos os dias remidos. Também cabe a remição
quando o condenado frequenta cursos profissionalizantes, estuda durante
o cumprimento da pena.
e) Suspensão Condicional da Pena – Sursis – Benefício previsto no
Código Penal. A pena é suspensa mediante o cumprimento de determinadas
condições, quando não for superior a dois anos (LEP 156).
f) Unificação de Penas – o tempo de cumprimento da pena corporal
no Brasil não pode ultrapassar trinta anos. Por esse instituto, as penas são
juntadas em um mesmo processo. Além disso, quando o agente pratica dois
ou mais crimes com as mesmas circunstâncias de lugar, tempo e modo de
execução, os crimes subsequentes podem ser considerados juridicamente
como continuidade do primeiro. É o que prevê o artigo 71 do Código Penal,
ao contemplar a figura do crime continuado.
g) Anistia – não é exercida pelo poder jurisdicional, mas concedida pelo
Congresso Nacional através de Lei, pela qual o Poder Público deixa de punir
certas condutas delituosas. É de caráter geral.
h) Graça – também não é exercida pelo Poder Judiciário. Trata-se de um
perdão de caráter individual concedido a determinada pessoa pelo Presi-
dente da República.
i) Indulto – é um ato de caráter geral do Poder Público, um perdão coleti-
vo ou uma redução de pena, concedido independentemente de provocação,
em certas ocasiões, por exemplo, às vésperas do Natal.

O INSTITUTO DA REABILITAÇÃO: temos também um instituto que pos-


sibilita ao sentenciado após o cumprimento de sua reprimenda que seja as-
segurado o sigilo sobre as suas condenações, com o intuito de preservar a
6 AGRAVO EM EXECUÇÃO. REMIÇÃO DA PENA. BENEFÍCIO PRETENDIDO POR
REEDUCANDO. AUSÊNCIA DE ATIVIDADE LABORAL. FALTA DE OPORTUNIDADE
DE TRABALHO PELO ESTADO. INADMISSIBILIDADE. Inexiste razão para o acolhimento
da pretensão do representante ministerial da instância singela, vez que o benefício da remição
somente pode ser alcançado ante a comprovação, pelo reeducando do exercício de qualquer
atividade laboral. Ausente prova nesse sentido e de rigor a manutenção da decisão guerreada,
máxime porque indemonstrado que ele tenha se interessado pelo exercício daquela atividade
ou tenha acionado a autoridade competente no sentido de garanti-la. Recurso conhecido e
improvido. (TJ-GO; AG 623-1/284; Proc. 200502150534; Bom Jesus de Goiás; Segunda Câmara
Criminal; Rel. Des. Aluízio Ataídes de Sousa; Julg. 20/04/2006; DJGO 05/05/2006).

SUMÁRIO
39
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

sua dignidade como pessoa humana e sua efetiva reintegração na socieda-


de. Trata-se de um instituto processual que visa a reintegrar o sentenciado
à coletividade, depois de cumprida ou extinta a sua pena, restabelecendo
seus direitos. O instituto visa a garantir o sigilo das condenações.
Para aqueles que não podem receber pena, em virtude de sua inimputa-
bilidade temos as medidas de segurança. Pode ser cumpridas de forma
reclusiva, que é a internação em hospital psiquiátrico, ou na forma ambula-
torial, dependendo das conclusões de laudo pericial.
A lei de Execução Penal prevê o instituto das recompensas. Estas são previs-
tas na Legislação de Execução da Pena, tendo em vista o bom comportamento
do detento ou recluso, a sua colaboração com o trabalho e a disciplina. São re-
compensas dadas aos presos o elogio, as regalias e as saídas temporárias.
Também prevê a Lei de Execução Penal a prisão albergue domiciliar. É
o cumprimento de pena na residência do condenado, quando se tratar de
condenado maior de setenta anos, condenado acometido de doença grave,
condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental, ou condenada
gestante, prevista no artigo 117 da LEP.
As permissões de saída tem cabimento para os condenados em regime
fechado ou semiaberto e para os presos provisórios. Estes podem obter au-
torização para sair do estabelecimento prisional, com escolta policial, em
casos de falecimento ou doença grave do cônjuge, ascendente, descen-
dente ou irmão, ou em caso de tratamento médico (LEP art. 120).
As saídas temporárias, são cabíveis para os condenados em regime se-
miaberto, (LEP 122), para visita à família, frequência a curso supletivo
ou profissionalizante etc. Prazo de sete dias. Requisitos:
a) comportamento adequado;
b) cumprimento de mais de 1/6 da pena (se primário) ou ¼ (se rein-
cidente).

Baseado na autodisciplina do condenado, além de benefícios, a lei


de execução também prevê a regressão de regimes (LEP ART. 118). Con-
siste na transferência do preso para regime mais grave, quando pratica cri-
me doloso ou falta grave, ou quando sofre condenação por crime anterior,
de modo que a soma das penas torne incompatível o regime.

SUMÁRIO
40
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

A execução da pena privativa de liberdade tem início com a prisão do sen-


tenciado, ordenando o juiz a expedição da guia de recolhimento. Formam-se
os autos de execução penal, com a elaboração do cálculo de liquidação da pena.
Já em relação a pena de multa esta deve ser realizada pela Fazenda Públi-
ca através de execução fiscal, uma vez que a multa criminal é considera dívi-
da de valor. Segue o procedimento de lançamento da dívida ativa e, após, o
ajuizamento de ação executiva fiscal, com a penhora de bens do executado.
E quando durante o cumprimento da pena o condenado adquire uma
doença mental? Como proceder? Neste caso, condenado será internado
em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. Se o condenado não
se recuperar, a pena considera-se extinta pelo seu cumprimento, devendo
ele ser posto em liberdade. Restabelecendo-se o condenado, volta ao efe-
tivo cumprimento da pena, devendo o tempo em que ficou internado ser
descontado do tempo de cumprimento da pena.
Todos estes benefícios que foram mencionados devem ser requeridos na
Vara das Execuções Criminais. A lei de Execução Penal prevê que, das decisões
proferidas em execução penal, cabe o recurso de agravo, sem efeito suspensi-
vo, nos prazos e na forma do recurso em sentido estrito (prazo de cinco dias
interposição no juízo das execuções, razões em dois dias endereçadas ao
Tribunal, presença do efeito regressivo).
l) Observações sobre o uso de algemas: Recentemente foi publicado
em 27 de setembro de 2016, o decreto Nº 8.858, DE 26 DE SETEMBRO DE
2016 que regulamenta o uso de algemas pelos presos. Assim somente será
permitido o emprego de algemas apenas em casos excepcionais onde o
detento possa colocar em risco a integridade das pessoas e da própria so-
ciedade. Dessa forma, o uso de algemas apenas será permitido em caso de
resistência à prisão ou de fundado receio de fuga ou de perigo à integrida-
de física própria ou alheia, causado pelo preso ou por terceiros, justificada
a sua excepcionalidade por escrito. Observe-se que a excepcionalidade do
uso da algema somente se justifica se houver justificativa por escrito.
Por outro lado, é vedado emprego de algemas em mulheres presas em
qualquer unidade do sistema penitenciário nacional durante o trabalho de
parto, no trajeto da parturiente entre a unidade prisional e a unidade hos-
pitalar e após o parto, durante o período em que se encontrar hospitalizada.
Tais medidas encontram assento no princípio constitucional da proteção
e a promoção da dignidade da pessoa humana e sobre a proibição de sub-

SUMÁRIO
41
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

missão ao tratamento desumano e degradante. Fundamenta-se também na


Resolução no 2010/16, de 22 de julho de 2010, das Nações Unidas sobre o
tratamento de mulheres presas e medidas não privativas de liberdade para
mulheres infratoras (Regras de Bangkok), e, por fim, no Pacto de San José
da Costa Rica, que determina o tratamento humanitário dos presos e, em
especial, das mulheres em condição de vulnerabilidade.
Sobre a matéria já havia entendimento anterior da SUMULA VINCULAN-
TE numero 11 que dispunha:
“Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado
receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia,
por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalida-
de por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e
penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do
ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilida-
de civil do Estado”. (DOU 22.8.2008 e DJe-STF divulg. 21.8.2008,
publ. 22.8.2008).

Neste diapasão o Decreto vem prestigiar o entendimento já sumulado


sobre a excepcionalidade da medida, cabível apenas em casos excepcionais,
onde se configura perigo sério e concreto a ordem pública. Aliás, conforme
pode ser conferido a seguir, já houve até casos no sentido da condenação
do Estado no pagamento de danos morais quando o agente público utilizas-
se, de maneira indevida, as algemas.7 Note-se ainda que o uso indevido das
7 APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. PRISÃO
EM FLAGRANTE. USO INJUSTIFICADO DE ALGEMAS. CONVERSÃO EM PRISÃO PRE-
VENTIVA. ABSOLVIÇÃO CRIMINAL. SUPOSTO ERRO JUDICIÁRIO. RESPONSABILIDADE
OBJETIVA DO ESTADO. DANO MORAL CONFIGURADO. QUANTUM INDENIZATÓRIO.
APELO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. É forte a jurisprudência no entendimento de que a aber-
tura de inquérito policial, oferecimento de denúncia e processamento criminal não justificam, por
si só, direito à indenização por danos morais. Tais procedimentos consistem em um direito/dever
do estado, inerente à sua função. 2. No caso dos autos, o apelante foi preso em flagrante, que pos-
teriormente fora relaxado e convertido em prisão preventiva. Cumpre assentar que esta objetiva
a garantia da ordem pública, da ordem econômica, da conveniência da instrução criminal, ou da
aplicação da Lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria.
3. In caso, merece destaque o fato de o apelante ter sido injustificadamente algemado durante
a prisão em flagrante, ocorrida no horário de expediente, sem seu local de trabalho, em total
afronta o disposto na Súmula vinculante nº 11, do STF, ensejando a responsabilidade civil do
estado. 4. Para a caracterização da responsabilidade objetiva do estado, é prescindível a demons-
tração do dolo ou culpa do agente público, sendo suficiente que o lesado demonstre a ocorrência
do ato administrativo omissivo ou comissivo; o dano e o nexo causal entre um e outro, além da
inexistência de culpa concorrente ou exclusiva da vítima. Registre-se que o estado responde objeti-

SUMÁRIO
42
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

algemas tinha causado ao Estado condenações em dano moral como a que


veremos a seguir:
“AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. MANDADO DE PRISÃO CUMPRIDO EM
FACE DE PESSOA DIVERSA. APRESENTAÇÃO ESPONTÂNEA. DE-
TENÇÃO EM ALGEMAS E GAIOLA DE VIATURA. MEDIDA DES-
PROPORCIONAL. DANO MORAL. ÔNUS SUCUMBENCIAIS DO
ESTADO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. 1. Em razão da
responsabilidade civil objetiva que enseja a obrigação do Esta-
do de indenizar os danos causados por seus agentes a terceiros
(ato comissivo), não é preciso investigar se o agente público agiu
ou não com culpa porque, nesse caso, basta que se estabeleça o
nexo de causalidade entre o dano sofrido e a conduta do servidor
público ou daquele que presta serviço público, como ocorreu no
caso vertente. 2. É incontroverso nos autos o uso de algemas e a
manutenção do apelante em gaiola de viatura policial, por cerca
de 6 horas, apesar de ter se apresentado espontaneamente no
DPJ de Cariacica, a fim de esclarecer equívoco da máquina es-
tatal, no tocante a processamento, condenação e expedição de
mandado de prisão contra pessoa diversa da que praticou ilíci-
to penal. 3. As consequências do fato em destaque são aptas a
abalar o acervo extrapatrimonial do recorrente, maculando gra-
vemente os direitos de sua personalidade, razão pela qual, num
exercício de ponderação, decorrente de um juízo de proporcio-
nalidade e razoabilidade, atento às peculiaridades do caso, repu-
to que a quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) seja suficiente
para assegurar ao lesado justa reparação, sem incorrer em en-
riquecimento ilícito. 4. Por conseguinte, por força do §4º do art.
20 do CPC/1973, é de se condenar o apelado ao pagamento de
honorários advocatícios, na quantia de R$ 500,00 (quinhentos
vamente pelos danos causados por seus agentes a terceiros assegurado o direito de regresso contra
o responsável nos casos de dolo ou culpa. 5. Sendo cabível a indenização a título de dano moral,
deve-se considerar a 14 rio branco-ac, quarta-feira 2 de março de 2016. Ano XXIV nº 5.592 juris-
prudência dos tribunais pátrios e ainda os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 6. O
valor da indenização por dano moral deve ser acrescido de correção monetária pelo ipca-e, a contar
da data do julgamento pela 2ª Câmara Cível, a teor da Súmula nº 362 do STJ e do julgamento das
adi’s 4.357 e 4425 pelo STF, bem ainda de juros de mora a contar do evento danoso (11/11/2010),
nos termos da Súmula nº 54 do Superior Tribunal de justiça, com base nos índices previstos no
art. 1º-f da Lei n. 9.494/97, com redação conferida pela Lei n. 11.960/2009, isto é, juros aplicáveis à
caderneta de poupança. 7. Apelo parcialmente provido. (TJ-AC; APL 0703124-89.2013.8.01.0001;
Ac. 2.841; Segunda Câmara Cível; Rel. Des. Roberto Barros; DJAC 03/03/2016; Pág. 13).

SUMÁRIO
43
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

reais). 5. Recurso conhecido e provido. (TJ-ES; APL 0012771-


87.2014.8.08.0012; Segunda Câmara Cível; Rel. Des. Fernando
Estevam Bravin Ruy; Julg. 07/06/2016; DJES 22/06/2016).”

Assim, a edição do Decreto vem a disciplinar a situação esclarecendo que


o uso de algemas é excepcional, podendo ser usado apenas em caso de re-
sistência ou fundado perigo à sociedade, prestigiando o entendimento su-
mulado e várias decisões jurisprudências que caminham em consonância
com a necessidade de justificação da medida por escrito.
Aliás já se tinha assentado que : “Em relação ao uso de algemas durante
a audiência de instrução e julgamento, é consabido que pode ser determi-
nado pelo magistrado quando presentes riscos concretos à segurança do
acusado ou das pessoas presentes ao ato”. (Superior Tribunal de Justiça STJ;
AgRg-RHC 63.626; Proc. 2015/0233582-7; SP; Sexta Turma; Rel. Min. Se-
bastião Reis Júnior; DJE 07/06/2016).

2 - Questões polêmicas na lei de execução penal


2.1 - O regime disciplinar diferenciado
Esta forma diferenciada de cumprimento da pena foi introduzida em
nosso ordenamento jurídico pela Lei 10.792 de 1 de dezembro de 2003.
O RDD - regime disciplinar diferenciado - possui as seguintes características:
1ª) duração máxima de 360 dias, sem prejuízo de repetição da sanção por nova
falta grave de mesma espécie, até o limite de um sexto da pena aplicada; 2ª) reco-
lhimento em cela individual; 3ª) visitas semanais de duas pessoas, sem contar as
crianças, com duração de duas horas; 4ª) o preso terá direito à saída da cela por
duas horas diárias para banho de sol.
Segundo o disposto no § 1º do art. 52, o regime disciplinar diferenciado
também poderá abrigar presos provisórios ou condenados, nacionais ou
estrangeiros, que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do es-
tabelecimento penal ou da sociedade. Por fim, dispõe o § 2º do mesmo dis-
positivo que estará igualmente sujeito ao regime disciplinar diferenciado o
preso provisório ou o condenado sob o qual recaiam fundadas suspeitas de
envolvimento ou participação, a qualquer título, em organizações crimino-
sas, quadrilha ou bando.

SUMÁRIO
44
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Da decisão que defere o pedido de inclusão do preso no regime discipli-


nar diferenciado ou nega tal pretensão, caberá o agravo em execução penal.
Também será disciplinado o uso de aparelho celular em presídio, o Pro-
jeto de Lei 7225/06, do Senado, que considera como falta grave o fato de o
preso ter em sua posse, usar ou fornecer aparelho telefônico, de radiocomu-
nicação e todos e quaisquer meio de comunicação eletrônico ou similar. Em
seu substitutivo, apresentado em Plenário pela Comissão de Constituição e
Justiça e de Cidadania, o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) ampliou o
texto para tornar mais explícita a proibição de o preso usar esses aparelhos.
A nova regra vale para as penitenciárias administradas pela União, pelos
estados ou pelo Distrito Federal.
O projeto acrescenta, ao Código Penal (Decreto-lei 2848/41), artigo para
tipificar o crime de omissão do diretor de penitenciária (e de outros agentes
públicos) em seu dever de vedar ao preso o acesso a esses tipos de apare-
lho. A pena será de detenção de três meses a um ano.
O Plenário da Câmara aprovou por unanimidade o Projeto de Lei 7227/06,
do Senado, que torna regra geral o uso da videoconferência nos interrogató-
rios e nas audiências judiciais das quais participe o juiz, o acusado preso e seu
advogado. Atualmente, a prática para ouvir o acusado é transportá-lo até o fó-
rum, devido à falta de segurança para o comparecimento do juiz ao presídio.
Outro projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional é que trata da
prescrição intercorrente. Esse projeto mantém a possibilidade de aplicação
da prescrição retroativa, prevista no Código Penal, com a contagem somente
a partir do recebimento da denúncia ou da queixa de um crime. A matéria
agora será votada pelo Senado.
Atualmente, esse tipo de prescrição pode ser contada a partir da data do cri-
me, o que acaba por isentar do cumprimento de penas os criminosos com sen-
tença transitada em julgado que demoraram em ser proferidas pela Justiça.

2.2 - Falta grave


A prática de conduta pelo detento ou sentenciado que se enquadre nas
hipóteses do artigo 50 da Lei de Execuções Penais é considerada pela legis-
lação como falta grave. Deve ser precedida para a sua aplicação de processo
administrativo disciplinar, garantindo-se ao sentenciado o direito à ampla

SUMÁRIO
45
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

defesa e ao contraditório com exercício pleno da autodefesa e da defesa técnica.


Uma vez comprovada através de processo administrativo disciplinar a ocorrên-
cia de falta grave, o sentenciado perderá alguns direitos como a remição, a pro-
gressão e o livramento, eis que ausente o bom comportamento carcerário. Este
processo disciplinar é realizado por Comissão Processante, dentro do Presídio,
e aplicação de penalidade é realizado pelo Diretor. Caso o condenado discorde
desta penalidade, deverá recorrer ao Judiciário através do mandado de segu-
rança ou mesmo através do habeas corpus. Na aplicação da pena disciplinar
deverá sempre ser observado o princípio da proporcionalidade.

2.3 - Revogação cautelar de benefício


Para revogação de algum benefício concedido pelo juiz da Execução Pe-
nal, deverá ser o condenado previamente ouvido e ser-lhe garantido o direi-
to a ampla defesa, contraditório e defesa técnica. Todavia, na prática tem-se
observado que o juiz da Execução, utilizando-se do poder geral de cautela,
tem revogado cautelarmente o benefício, até final decisão, para apuração
dos fatos que deram ensejo a revogação. A questão é bastante tormentosa
na doutrina e na jurisprudência, alguns entendendo que para que haja a
revogação cautelar, basta apenas a presença do fumus boni juris e do peri-
culum in mora.8

2.4 - A regressão de regimes por salto


Deve ser consignada a seguinte posição de nossos Tribunais no sentido
de que, se incabível a progressão por salto, também o é, a regressão por sal-
to. Isso significa que, se o reeducando pratica falta grave no regime aberto,
deve ser transferido para o regime semiaberto e não para o fechado, confor-
me vem ocorrendo na prática. Vejamos: REGIME PRISIONAL. REGRESSÃO.
SENTENCIADO QUE COMETE FALTA GRAVE NO REGIME ABERTO. TRANS-
FERÊNCIA DIRETA PARA O FECHADO. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊN-
CIA CITADA. O sentenciado que pratica falta grave durante o cumprimen-
to de pena no regime prisional aberto deve ser regredido ao semiaberto,
e não ao fechado, pois se é vedada a progressão por salto, imperativo
também se impeça a regressão pelo mesmo motivo. (TACRIM-SP; AG-Ex
1445055/1; Nona Câmara; Rel. Juiz Pedro de Alcântara; Julg. 17/11/2004).
8 Vide a este respeito o livro Curso de Execução penal, Renato Marcão, Saraiva, p. 152, que cita
julgados que exibem tendência positiva a revogação cautelar.

SUMÁRIO
46
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

2.5 - A progressão por salto


O condenado que cumpre pena no regime fechado não pode progredir di-
retamente para o regime aberto, sem antes passar pelo regime semiaberto,
daí o nome progressão por salto, saltando, ultrapassando o regime semiaber-
to (simplesmente porque não há vagas neste regime). Para obter a progres-
são deverá antes cumprir parte da pena no regime semiaberto, uma vez
que “não se admite a progressão por salto, do regime mais rigoroso para
o regime mais brando, sem estágio no regime intermediário”.9

2.6 - Prescrição da medida de segurança


A prescrição “é a perda do direito de impor a pena ao autor de uma in-
fração penal, ou do direito de executar a pena imposta na sentença penal
condenatória, devido ao seu não-exercício durante determinado tempo pre-
visto em lei”, conforme conceito de Paulo César Crivelaro.10
A medida de segurança, por sua vez, é espécie de sanção penal que fun-
damenta-se na periculosidade dos agentes, sujeitos estes inimputáveis ou
semi-imputáveis com necessidades especiais de tratamento, como interna-
ção em hospital de custódia, tratamento psiquiátrico ou sujeição a trata-
mento ambulatorial.
O parágrafo único do art. 96 do Código Penal prevê a prescrição da medi-
da de segurança, in verbis: “extinta a punibilidade, não se impõe medida de
segurança nem subsiste a que tenha sido imposta”.
Diante disso, o cálculo da prescrição quando há imposição de medida de
segurança, se faz com o máximo da pena imposta abstratamente ao tipo pe-
nal. Temos que: “Medida de segurança. Não havendo imposição de pena, a
contagem do prazo prescricional em relação a medida de segurança faz-
se pelo MÁXIMO DA PENA COMINADA EM ABSTRATO” (JTAERGS 100/43).
E ainda: “Como as medidas de segurança não se confundem com penas,
o trato prescricional não pode ter como parâmetro o quantum fixado
pela decisium para sua duração, mas sim o máximo da pena ABSTRA-
TAMENTE cominada ao ilícito pela lei nos termos do artigo 97, pará-
grafo único, e 109 do CP” (RT 680/355).
9 Vide a respeito TACRIM AE 583.843/5 – 9ª. Câmara, Relator Juiz Marrey Neto.
10 CRIVELARO, Paulo César. Prescrição Penal. Uma Abordagem Descomplicada. Leme:
Habermann, 2010. p. 5.

SUMÁRIO
47
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

A este respeito, vide JULIO FABRINI MIRABETE, Execução Penal, Atlas,


1993, p. 417.

2.7 - Ausência de vaga no estabelecimento de tratamen-


to psiquiátrico
Impossível o agente permanecer indefinidamente recluso aguardan-
do a efetivação de sua transferência para Hospital de Custódia e Tra-
tamento Psiquiátrico ou outro estabelecimento adequado, devido a
insuficiência de vagas no sistema de Coordenadoria dos Estabele-
cimentos Penitenciários do Estado de São Paulo (COESPE)” (RJDTA-
CRIM 14/187 e 17/184);
Neste sentido, já se se firmou entendimento que: “inadmissibilidade de
desconto de medida de segurança em Cadeia Pública. Se inimputável o
réu, no cárcere não pode permanecer por caracterizar ilegal constran-
gimento e mais ainda, por contrário aos interesses da sociedade, que
o quer curado, e não em contato com pessoas que poderão tornar pior
ainda o seu estado de saúde” (JTJ 155/334).
Com maior ênfase temos: “O Estado só poderá exigir o cumprimen-
to de medida de segurança de internação (detentiva), se estiver apa-
relhado para tanto. A falta de vaga pela desorganização, omissão, ou
imprevidência do Estado-Administração não justifica o desrespeito ao
direito individual, pois além de ilegal, não legitima a finalidade de tal
instituto” (RT 608/325);
“Estabelecimento adequado para cumprimento de medida de se-
gurança. Falta de vaga: ausência de vagas para internação
em Hospital psiquiátrico ou estabelecimento adequado não
justifica o cumprimento de medida de segurança em Cadeia,
por isso, concede-se liberdade provisória, mas condicionada
a TRATAMENTO AMBULATORIAL” (TJSP – RT 608/325).

2.8 - Doença mental no decorrer do cumprimento de pena


Imagine a seguinte hipótese: um cidadão é condenado e começa a cum-
prir a sua pena. No curso de seu cumprimento é acometido de doença men-
tal e é internado em instituição de tratamento. Não se recupera e acaba por

SUMÁRIO
48
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

cumprir a pena que lhe foi cominada, mas ainda encontra-se doente. Deve
o juiz colocá-lo em liberdade ou deve esperar a sua recuperação? Neste
sentido temos que: EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO
DE RECURSO ORDINÁRIO. ART. 157, § 2º, INCISO I, DO CÓDIGO PENAL.
DOENÇA MENTALSUPERVENIENTE. MEDIDA DE SEGURANÇA SUBSTI-
TUTIVA. DURAÇÃO. Havendo medida de segurança substitutiva da pena
privativa de liberdade, a sua duração não pode ultrapassar o tempo de-
terminado para cumprimento da pena (Precedentes). Ordem concedida.
(Superior Tribunal de Justiça STJ; HC 54.057; Proc. 2006/0026902-8; SP;
Quinta Turma; Rel. Min. Felix Fischer; Julg. 12/09/2006; DJU 16/10/2006;
Pág. 394).
Neste sentido observe-se o entendimento do Superior Tribunal de Justiça:
HABEAS CORPUS. 1. SENTENÇA CONDENATÓRIA. EXECUÇÃO. SU-
PERVENIÊNCIA DEDOENÇA MENTAL. CONVERSÃO DE PENA PRI-
VATIVA DE LIBERDADE EM MEDIDA DESEGURANÇA. INTERNA-
ÇÃO. MANUTENÇÃO. TEMPO DE CUMPRIMENTO DA PENAEXTRA-
POLADO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 2. ORDEM CONCEDIDA.
1. Em se tratando de medida de segurança aplicada em substitui-
ção à pena corporal, prevista no art. 183 da Lei de Execução Penal,
sua duração está adstrita ao tempo que resta para o cumprimento
da pena privativa de liberdade estabelecida na sentença condena-
tória, sob pena de ofensa à coisa julgada. Precedentes desta Corte.
2. Ordem concedida.
Acórdão
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma do Superior Tri-
bunal de Justiça: “A Turma, por unanimidade, concedeu a ordem
de habeas corpus, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora.”
Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Alderita
Ramos de Oliveira (Desembargadora convocada do TJ/PE) vota-
ram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Mi-
nistro Og Fernandes.
Outras Informações
Não é possível que a medida de segurança, aplicada em razão da
superveniência de doença mental no decorrer da execução penal,

SUMÁRIO
49
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

tenha duração superior pena privativa de liberdade estabelecida


na sentença, pois caberá ao Ministério Público, se entender neces-
sário, em razão da não cessação da periculosidade do agente, des-
de que estritamente necessário à proteção dele ou da sociedade,
buscar a sua interdição perante o juízo cível.
(Superior Tribunal de Justiça STJ; HC 130162 / SP; 2009/0037291-
1; Ministra Maria Thereza de Assis Moura; Sexta Turma; DJe
15/08/2012).

2.9 - Prática de crime durante o período de prova do sur-


sis ou do livramento condicional e o prazo que o acusa-
do estava em liberdade
A questão que mais é presente na prática forense é a prática de crime du-
rante o prazo de duração do sursis ou do livramento condicional. Período de
prova, no sursis, é aquele prazo fixado pelo juiz que dura de 02 (dois) a 4
(quatro) anos. Já no livramento condicional o período de prova, é o prazo
que resta de cumprimento da pena. Caso haja prática de crime, no sursis,
durante o prazo de prova, este prazo que o acusado esteve em liberdade não
é contado para fins de cumprimento de pena ou detração. Já no livramento
condicional, a situação é diversa: se o crime é praticado antes da concessão
do livramento, o prazo que esteve em liberdade é contado. Se o crime foi
praticado depois da concessão do livramento condicional, este prazo não
é aproveitado para fins de detração ou efetivo cumprimento de pena.

2.10 - Revogação de benefícios


Constatada a prática de crime ou falta grave durante a vigência de um
benefício, a revogação deste benefício não é automática, dependendo de
prévia apuração através de procedimento na Vara das Execuções Criminais,
sendo assegurado ao condenado o direito de ser ouvido, produzir provas
de seu interesse, e ter direito a defesa técnica, sob pena de nulidade ab-
soluta do procedimento. É pacífico o entendimento desta Corte Superior
(Superior Tribunal de Justiça) no sentido de que a decisão acerca da re-
gressão de regime deve ser calcada em procedimento no qual se obedeça os
princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo, sempre que possível,
indispensável a inquirição, em juízo, do sentenciado, ex vi do art. 118, § 2º

SUMÁRIO
50
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

da Lei de Execução Penal (Precedentes). Recurso provido. (Vide a respeito -


Superior Tribunal de Justiça STJ; REsp 774957; RS; Quinta Turma; Rel. Min.
Felix Fischer; Julg. 07/02/2006; DJU 10/04/2006; Pág. 289).11

2.11 - Progressão de regimes e os crimes hediondos


a) a questão do habeas corpus que julgou inconstitucional a lei de
crimes hediondos no tocante a obrigatoriedade de cumprimento
da reprimenda em regime fechado de forma integral sem pos-
sibilidade de progressão. Habeas corpus número 82959 de 23
de fevereiro de 2006.
b) a lei nova que permitiu a progressão de regimes fixando o per-
centual de 2/5 para os primários e 3/5 para os reincidentes (Lei
11.464 de 28 de março de 2007).

Diante da declaração da inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º, com


a redação dada pela Lei n. 8.072/90, perfeitamente possível, aos conde-
nados por crimes hediondos ou equiparados, a fixação de quaisquer dos
regimes prisionais legalmente previstos, devendo a nova redação confe-
rida ao citado dispositivo legal pela Lei n. 11.464/07 atingir somente os
casos posteriores à sua entrada em vigor. (Superior Tribunal de Justiça
STJ; HC 103.734; Proc. 2008/0074192-5; MG; Quinta Turma; Rel. Min. Jorge
Mussi; Julg. 04/12/2008; DJE 23/03/2009).
Declarada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, na sessão de
23/2/06 (HC 82.959/SP), a inconstitucionalidade incidental do art. 2º, § 1º,
da Lei nº 8.072/90, que preconizava o cumprimento das penas decorrentes
de crimes hediondos em regime integralmente fechado, restou possibilita-
da a execução da sentença penal condenatória desses feitos pelos outros
11 No mesmo sentido vide EXECUÇÃO. COMETIMENTO DE FALTA GRAVE. INDISPENSÁVEL
REALIZAÇÃO DE AUDIÊNCIA PARA EFEITOS DE APLICAÇÃO DE PUNIÇÃO. É
indispensável, sob pena de nulidade da decisão, a realização da audiência prevista no § 2º,
do artigo 118, da Lei de Execução Penal, quando se examinar a possibilidade da aplicação de
punição ao apenado. Tal qual a regressão de regime e a cassação da remição por cometimento
de falta grave, a ampla defesa deve ser proporcionada, uma vez que há a possibilidade do
apenado justificar o fato a ele imputado e, deste modo, não ser ele considerado falta grave ou
não tão grave que implique em perda de direitos e benefícios presentes ou futuros. (TJ-RS;
AG-Ex 70009542218; Porto Alegre; Sétima Câmara Criminal; Rel. Des. Sylvio Baptista; Julg.
21/10/2004).

SUMÁRIO
51
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

regimes prisionais previstos no ordenamento jurídico para a pena de reclu-


são, disciplinados no art. 33 do Código Penal (fechado, semiaberto e aber-
to), bem como a progressão para o sistema mais brando, obedecidos os re-
quisitos estabelecidos pelo art. 112 da LEP. 2. Esse entendimento, todavia,
no que tange aos delitos relacionados ao tráfico ilícito de entorpecentes, só
tem aplicação àqueles cometidos anteriormente à vigência da Lei nº
11.464, de 28/3/07, haja vista que esse diploma legal preconizou que
nos crimes dessa espécie a pena deverá ser inicialmente cumprida no
regime fechado. 3. Considerando que, no caso concreto, a traficância ocor-
reu após a citada alteração legislativa, torna-se obrigatório o regime inicial
fechado. 4. Ordem denegada. (Superior Tribunal de Justiça STJ; HC 106.460;
Proc. 2008/0105932-3; GO; Quinta Turma; Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima;
Julg. 05/02/2009; DJE 09/03/2009).

REGIME PRISIONAL. CRIME EQUIPARADO À HEDIONDO. FIXAÇÃO


NO ABERTO. POSSIBILIDADE. DELITO COMETIDO ANTES DA VI-
GÊNCIA DAS Leis 11.343/06 E 11.464/07. IMPOSIÇÃO DO MODO
INICIALMENTE FECHADO NA PARTE DISPOSITIVA DO ACÓR-
DÃO. FUNDAMENTAÇÃO QUE ESTABELECE O CUMPRIMENTO
NO ABERTO. CONTRADIÇÃO SANÁVEL ATRAVÉS DA VIA ELEITA.
COAÇÃO ILEGAL EVIDENCIADA. 1. Diante da declaração da in-
constitucionalidade do § 1º do art. 2º, com a redação dada
pela Lei n. 8.072/90, perfeitamente possível, aos condenados
por crimes hediondos ou equiparados, a fixação de quais-
quer dos regimes prisionais legalmente previstos, devendo a
nova redação conferida ao citado dispositivo legal pela Lei n.
11.464/07 atingir somente os casos posteriores à sua entra-
da em vigor. 2. Tendo a sanção-básica sido estabelecida no míni-
mo legalmente previsto para o tipo, ante a ausência de qualquer
circunstância judicial desfavorável, e observada a quantidade de
pena definitivamente irrogada, assim como o equívoco no ares-
to impugnado, que em seu corpo estabeleceu o modo aberto e na
parte dispositiva impôs o fechado, de ser fixado o regime aber-
to para o resgate da sanção corporal. 3. Ordem concedida para,
afastado o óbice constante no § 4º do art. 33 e no art. 44 da Lei n.
11.343/06, determinar que o Tribunal impetrado examine a pos-

SUMÁRIO
52
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

sibilidade de substituição da pena privativa de liberdade imposta


à paciente por restritivas de direitos, e para fixar o regime aberto
para o cumprimento da sanção irrogada à condenada.
(Superior Tribunal de Justiça STJ; HC 96.672; Proc. 2007/0297515-
8; DF; Quinta Turma; Rel. Min. Jorge Mussi; Julg. 20/05/2008; DJE
16/06/2008).

Transferência do Detento Para o Regime Disciplinar Diferenciado:


EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS. 1. REGIME DISCIPLINAR DIFE-
RENCIADO (RDD). INOCORRÊNCIA DE QUALQUER DAS HIPÓTESES
LEGAIS. IMPOSIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 2. DECISÃO DO JUIZ DAS EXE-
CUÇÕES EM PROCESSO JUDICIAL. NECESSIDADE. 3. FALTA DE MANI-
FESTAÇÃO DA DEFESA. ILEGALIDADE. OCORRÊNCIA. 4. LIMITE TEM-
PORAL MÁXIMO DE 1 ANO. IMPOSIÇÃO SEM MOTIVAÇÃO. IMPOSSIBI-
LIDADE. INDIVIDUALIZAÇÃO DA SANÇÃO. NECESSIDADE. PRINCÍPIO
DA PROPORCIONALIDADE. 5. ORDEM CONCEDIDA. 1. Incabível a in-
clusão de preso em RDD se inocorrente no caso qualquer das hipóteses
legais, previstas no artigo 52 da Lei de Execuções Penais. 2. O Regime
Disciplinar Diferenciado é sanção disciplinar que depende de decisão
fundamentada do juiz das execuções criminais e determinada no curso
do processo de execução penal. 3. A decisão judicial sobre a inclusão do
preso em regime disciplinar será precedida de manifestação do Minis-
tério Público e da defesa, o que não foi propiciado no presente caso. 4.
Desproporcional a imposição do regime disciplinar diferenciado no seu
prazo máximo de duração, de um ano, sem uma individualização da
sanção adequadamente motivada (Inteligência do artigo 57 da Lei de
Execução Penal). 5. Ordem concedida para determinar a transferência
do paciente do regime disciplinar diferenciado, retornando para o Con-
junto Penal de Feira de Santana, onde se encontrava. Efeitos estendidos
aos demais presos na mesma situação. (Superior Tribunal de Justiça
STJ; HC 89.935; Proc. 2007/0208711-7; BA; Sexta Turma; Relª Min. Ma-
ria Thereza de Assis Moura; Julg. 06/05/2008; DJE 26/05/2008).

Revogação Cautelar de Benefício :


A suspensão cautelar do livramento condicional não ofende o
princípio constitucional da presunção da inocência. Precedentes
jurisprudenciais.

SUMÁRIO
53
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Agravo provido
(Agravo em Execução nº 70012821963, 8ª Câmara Criminal
do TJRS, Giruá, Rel. Des. Fabianne Breton Baisch. j. 30.11.2005,
unânime).
“não existe no CP ou na LEP a figura da suspensão do livra-
mento condicional por quebra de obrigação constante da
sentença concessiva, sendo ela admissível somente na hipótese
do artigo 145 da LEP – prática de outra infração durante o seu
curso”(TJPR, RT 704/378).
“PROCESSO PENAL. PENA. EXECUÇÃO. LIVRAMENTO CONDICIO-
NAL. COMPARECIMENTO TRIMESTRAL EM JUÍZO. DESCUMPRI-
MENTO. SUSPENSÃO CAUTELAR. MANDADO DE PRISÃO. EXPEDI-
ÇÃO. CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO. DEFESA. CERCEAMENTO. O
procedimento relativo à execução penal é judicial (art. 194 da LEP)
e, portanto, regido pelo princípio da legalidade, demanda, em favor
das partes e acusados em geral, o exercício do contraditório, para
assegurar ampla defesa. A jurisprudência desta Corte Superior é
iterativa no admitir a suspensão cautelar do livramento con-
dicional quando o liberado pratica nova infração. A suspensão
cautelar do livramento, com expedição de mandado de prisão,
sem a oitiva do liberado ou de seu defensor, porque lhe subtrai
direito subjetivo, constitui constrangimento ilegal. Ordem con-
cedida, para determinar o recolhimento do mandado de prisão e,
bem assim, que a Defesa Técnica seja ouvida, em prazo a ser fixado
pelo Juízo da Execução, sobre o descumprimento das condições do
livramento condicional.” (HC 28.503/RJ, Rel. Ministro PAULO MEDI-
NA, SEXTA TURMA, julgado em 02.03.2004, DJ 29.03.2004 p. 281).
Grifo nosso.

2.12 - O alcance da expressão reincidente específico


Sobre a reincidência específica, no que diz respeito aos crimes hediondos
e os equiparados a hediondos, comenta Julio Frabbrini Mirabete, in Manual
de Direito Penal, Atlas, 12ª edição, páginas 296/297:
“...de outro lado, a Lei n.º 8.072/90, ao dispor sobre a repressão
aos crimes hediondos, prática de tortura, tráfico ilícito de entor-

SUMÁRIO
54
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

pecentes e drogas afins e terrorismo, acrescentou o inciso V ao ar-


tigo 83 do CP, referindo-se a reincidência específica em crimes des-
sa natureza (art. 5º). Isso leva a uma situação de reincidência
especial quando ambos os crimes, pressuposto e posterior,
estejam incluídos no elenco do citado inciso para o único fim
de negar o livramento condicional. Não há que se cogitar aqui
da reincidência específica prevista originalmente no Código Penal
de 1.940, em que a lei se referia a crimes da “mesma natureza”
(os previstos no mesmo dispositivo ou que, embora previstos em
dispositivos diversos, apresentassem caracteres fundamentais co-
muns). Revogados há muito os dispositivos (antigo artigo 47, 1º, II
e 2º), deve-se deduzir novo conceito para a expressão do próprio
texto da lei. O que se fez, foi criar uma categoria especial de reinci-
dência, a qual a lei chama de “específica”, em que o crime antece-
dente e posterior são da “mesma natureza”, ou seja, estão ambos
entre os citados no inciso V, do artigo 83 do CP, criado com o artigo
5º da Lei n.º: 8.072/90”.

Detração e Crime Anterior:


RECURSO DE AGRAVO - DETRAÇÃO PENAL - PLEITO INDEFERIDO
PELO JUÍZO EXECUTÓRIO - IMPOSSIBILIDADE DE COMPUTAR O
TEMPO DE PRISÃO CAUTELAR RELATIVA A OUTRO PROCESSO EM
QUE O AGRAVANTE LOGROU A ABSOLVIÇÃO NA HIPÓTESE DE O
CRIME PELO QUAL RESTOU CONDENADO TER SIDO COMETIDO
POSTERIORMENTE À SEGREGAÇÃO PROVISÓRIA INDEVIDA - DE-
CISÃO MANTIDA - AGRAVO NÃO PROVIDO.
“É possível o abatimento da sanção, desde que o crime pelo
qual o réu restou posteriormente condenado tenha sido come-
tido antes do período da segregação indevida” (RT 779/557).
(TJPR - Ac. 2235 - 3ª Câmara Criminal - Rel. Des. Sonia Regina de
Castro - j. 22.06.2006, DJ: 04.08.2006).
(Recurso de Agravo nº 0361961-6 (3234), 4ª Câmara Criminal do
TJPR, Rel. Ronald Juarez Moro. j. 16.11.2006, unânime).

Remição e Estudo e Ausência de Trabalho:

SUMÁRIO
55
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

AGRAVO EM EXECUÇÃO. CRIME HEDIONDO PRATICADO ANTES


DA LEI Nº 11.464/07. PROGRESSÃO EM 1/6. IRRETROATIVIDADE
DA LEI POSTERIOR MAIS SEVERA. APLICAÇÃO DO ART. 112 DA
LEI DE EXECUÇÕES PENAIS. TRABALHO E ESTUDO REALIZADOS
NO MESMO PERÍODO. REMIÇÃO CONCEDIDA POR AMBAS AS ATI-
VIDADES. POSSIBILIDADE. De acordo com o majoritário entendi-
mento do TJMG, perfilhando o posicionamento adotado pelo STF
e STJ, os condenados por crimes hediondos praticados antes da
entrada em vigor da Lei nº 11.464/07 fazem jus à progressão de
regime com o cumprimento de 1/6 (um sexto) da pena. - Não há
óbice legal à concessão da remição pelo trabalho e estudo desem-
penhados em um mesmo período, desde que respeitados os limites
estabelecidos pelos artigos 33 e 126, §1º, da Lei de execução penal,
forma essa de se viabilizar a reinserção do condenado na comuni-
dade, através da maior qualificação intelectual. (TJ-MG; AgExcPen
1.0000.08.483599-0/0011; Governador Valadares; Segunda Câ-
mara Criminal; Rel. Des. Renato Martins Jacob; Julg. 02/04/2009;
DJEMG 22/04/2009).

Revogação da Medida de Segurança:


EMBARGOS INFRINGENTES. MEDIDA DE SEGURANÇA. FIXAÇÃO
DE TEMPO MÁXIMO DE INTERNAÇÃO. RECURSO PROVIDO.
1. O § 1º do art. 97 do Código Penal, com o fixar de prazo inde-
terminado para a internação, estabeleceu a probabilidade de sua
conversão em prisão perpétua, vedada pela Constituição Federal.
2. Tratando-se de doença mental ou perturbação da saúde mental,
superveniente à sentença condenatória, a medida de segurança
substitutiva da pena privativa de liberdade fica subordinada ao
prazo apurado na conta de liquidação.
3. Embargos infringentes providos para a prevalência do voto mi-
noritário, que fixava prazo mínimo para a internação.
(Emb. Infringentes na Apelação Criminal nº 19980210007964
(239242), Câmara Criminal do TJDFT, Rel. Getúlio Pinheiro. j.
23.11.2005, maioria, DJU 21.03.2006).

SUMÁRIO
56
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Ausência de Vagas em Regime Semiaberto:


Caracteriza constrangimento ilegal o preso beneficiado com o re-
gime penitenciário semiaberto estar cumprindo pena na Delega-
cia de Polícia, em regime fechado, por falta de vagas no sistema
penitenciário, devendo aguardar a remoção, em regime domici-
liar, excepcionalmente. Precedentes do STJ.
(Recurso de Agravo nº 0328303-0 (19329), 1ª Câmara Criminal
do TJPR, Rel. Mário Helton Jorge. j. 10.08.2006, unânime).

Ausência de Casa do Albergado na Cidade:


HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REGIME ABERTO. AUSÊNCIA
DE VAGA EM CASA DE ALBERGADO. CUMPRIMENTO DA PENA EM
PRISÃO DOMICILIAR ATÉ A DISPONIBILIZAÇÃO DE VAGA. POSSI-
BILIDADE. 1. Inexistindo vaga em casa de albergado, mostra-se
possível, em caráter excepcional, permitir ao sentenciado, a quem
se determinou o cumprimento da reprimenda em regime aberto,
o direito de recolher-se em prisão domiciliar. 2. Ordem concedida
para permitir a prisão domiciliar ao Paciente, enquanto não existir
vaga em estabelecimento prisional compatível com o regime aber-
to, restabelecendo a decisão do juiz da execução penal. (Superior
Tribunal de Justiça STJ; HC 118.207; Proc. 2008/0224543-4; RS;
Quinta Turma; Relª Min. Laurita Hilário Vaz; Julg. 24/03/2009;
DJE 20/04/2009).

Em se tratando de condenado que cumpre pena no regime aberto e não


havendo vaga em casa do albergado, pode o sentenciado cumpri-la em sua
residência, haja vista a impossibilidade de se cumprir o que determina a
Lei. (TJ-MG; AgExcPen 1.0000.08.481644-6/0011; Belo Horizonte; Quarta
Câmara Criminal; Rel. Des. Júlio Cezar Guttierrez; Julg. 25/03/2009; DJEMG
27/04/2009).

Ausência de Vaga em Manicômio Judiciário e Recolhimento Cautelar do


Condenado em Prisão:

SUMÁRIO
57
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

“Impossível o agente permanecer indefinidamente recluso


aguardando a efetivação de sua transferência para Hospital
de Custódia e Tratamento Psiquiátrico ou outro estabeleci-
mento adequado, devido a insuficiência de vagas no sistema
de Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários do Es-
tado de São Paulo (COESPE)” (RJDTACRIM 14/187 e 17/184);
“Inadmissibilidade de desconto de medida de segurança em Ca-
deia Pública. Se inimputável o réu, no cárcere não pode permanecer
por caracterizar ilegal constrangimento e mais ainda, por con-
trário aos interesses da sociedade, que o quer curado, e não em
contato com pessoas que poderão tornar pior ainda o seu estado
de saúde” (JTJ 155/334).

“O Estado só poderá exigir o cumprimento de medida de segu-


rança de internação (detentiva), se estiver aparelhado para
tanto. A falta de vaga pela desorganização, omissão, ou impre-
vidência do Estado-Administração não justifica o desrespeito ao
direito individual, pois além de ilegal, não legitima a finalidade
de tal instituto” (RT 608/325).

2.13 - Recurso de agravo e seu indeferimento


O agravo em execução penal deve ser interposto no prazo de 05 dias. As
razões do agravo em execução devem ser apresentadas em 02 dias. Caso
haja o indeferimento do agravo caberá por parte do interessado carta teste-
munhável ou correição parcial.

2.14 - Prescrição da medida de segurança


Neste sentido temos: “Medida de segurança. Não havendo imposição de
pena, a contagem do prazo prescricional em relação a medida de segu-
rança faz-se pelo MÁXIMO DA PENA COMINADA EM ABSTRATO” (JTAERGS
100/43).
E ainda: “Como as medidas de segurança não se confundem com penas, o
trato prescricional não pode ter como parâmetro o quantum fixado pela

SUMÁRIO
58
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

decisium para sua duração, mas sim o máximo da pena ABSTRATAMEN-


TE cominada ao ilícito pela lei nos termos do artigo 97, parágrafo único,
e 109 do CP” (RT 680/355).
A este respeito, vide JULIO FABRINI MIRABETE, Execução Penal, Atlas,
1993, p. 417.

2.15 - O prazo contado para fins de livramento condicional


Distinção crime cometido antes e crime cometido depois – o prazo não é
contado se na vigência do benefício o acusado vem a cometer o crime. Se o
delito é praticado antes da concessão do livramento condicional o prazo em
que o acusado está em liberdade é contado.

2.16 - Anotação de antecedentes em folha criminal


Reabilitação.
RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. DENUNCIAÇÃO CA-
LUNIOSA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. FOLHA DE ANTECE-
DENTES. CANCELAMENTO DE REGISTRO. POSSIBILIDADE. PRE-
CEDENTES DO STJ. RECURSO PROVIDO. 1. O Superior Tribunal de
Justiça firmou o entendimento no sentido de que, por analogia aos
termos do art. 748 do Código de Processo Penal, devem ser exclu-
ídos dos terminais dos Institutos de Identificação Criminal os da-
dos relativos a inquéritos arquivados, a ações penais trancadas, a
processos em que tenha ocorrido a reabilitação do condenado e a
absolvições por sentença penal transitada em julgado ou, ainda,
que tenha sido reconhecida a extinção da punibilidade do acusado
decorrente da prescrição da pretensão punitiva do Estado. 2. Re-
curso provido para que sejam canceladas as anotações realizadas
pelo Instituto de Identificação Ricardo Glumbenton-IIRGD relativas
ao Processo-Crime 240/92, em que ocorreu o trancamento da Ação
Penal nº 240/05. (Superior Tribunal de Justiça STJ; RMS 24.099;
Proc. 2007/0098329-6; SP; Quinta Turma; Rel. Min. Arnaldo Este-
ves Lima; Julg. 08/05/2008; DJE 23/06/2008) CPP, art. 748.

SUMÁRIO
59
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. PRESCRIÇÃO DA PRE-


TENSÃO PUNITIVA. FOLHA DE ANTECEDENTES. CANCELAMEN-
TO DE REGISTRO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DESTE TRIBU-
NAL. RECURSO PROVIDO. 1. Este Tribunal firmou o entendimento
no sentido de que, por analogia aos termos do art. 748 do Código
de Processo Penal, devem ser excluídos dos terminais dos Institu-
tos de Identificação Criminal os dados relativos a processos em que
tenha ocorrido a extinção da punibilidade do acusado decorrente
da prescrição da pretensão punitiva do Estado. 2. Recurso provido
para que sejam canceladas as anotações realizadas pelo Instituto de
Identificação Criminal-IIRGD relativas ao Processo-Crime 403/92,
em que ocorreu a extinção da punibilidade do recorrente. (Superior
Tribunal de Justiça STJ; RMS 13.156; Proc. 2001/0070432-0; SP;
Quinta Turma; Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima; Julg. 08/05/2008;
DJE 23/06/2008).

3 - Alterações na lei de execução penal e crimes hediondos


No dia 28 de março de 2007, foram sancionadas duas leis que alteraram
aspectos da Lei de Execução Penal, e também aspectos da Lei 8.072/90 que
trata da Lei de Crimes Hediondos. Com o objetivo de facilitar o estudo, bem
como visualizar as alterações as alterações são apresentadas no texto origi-
nal com o comentário dos autores abaixo de cada modificação.
O art. 50 da Lei no 7.210, de 11 de julho de 1984 – Lei de Execução Pe-
nal, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso VII:

“Art. 50........................................................
VII– tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefô-
nico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com ou-
tros presos ou com o ambiente externo.

Comentário: A lei 11.466 de 28 de março de 2007, considera falta grave


a ser aplicada ao detento que estiver portando, possuindo, utilizando ou

SUMÁRIO
60
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

fornecendo aparelho celular ou qualquer outro tipo de aparelho telefôni-


co dentro do estabelecimento prisional. Durante o cumprimento da pena
privativa de liberdade, a Lei de Execução Penal define uma série de normas
inerentes ao cumprimento da pena, inerentes à manutenção e preservação
da disciplina dentro do regime prisional, impondo sanções e recompensas
sempre tendo em conta o seu comportamento. Tendo em vista este princí-
pio, o uso de aparelho celular pelo detento pode ocasionar a aplicação ao
infrator de uma sanção disciplinar que pode ser advertência verbal, repre-
ensão, a suspensão ou restrição de direitos de visita, isolamento na própria
cela ou em local adequado), não se podendo aplicar tal sanção isoladamen-
te, sendo necessário para aplicação desta sanção, um processo administra-
tivo disciplinar, garantindo ao detento o direito a ampla defesa e ao con-
traditório. Este procedimento poderá ser revisto pela autoridade judiciária
(Juiz da Vara das Execuções Criminais), naquilo que se revele em afronta
aos direitos dos acusados.
Apenas a título de esclarecimento a prática de falta grave previstas no
artigo 50 e 51 da Lei de Execução Penal pode redundar a aplicação de ad-
vertência verbal, repreensão ou restrição de direitos, isolamento na pró-
pria cela ou em cela distinta, podendo ser aplicada pelo Diretor do próprio
estabelecimento prisional ou pelo Conselho Disciplinar. Deve se levada em
conta a pessoa do condenado, a circunstância do fato e as consequências da
falta disciplinar. Para aplicação desta sanção necessário se faz a instauração
de processo administrativo disciplinar, assegurando ao infrator o amplo di-
reito de defesa, e a decisão proferida deverá ser motivada sob pena de nu-
lidade. Há entendimentos de que havendo excesso na aplicação da sanção
pode o prejudicado impetrar o mandado de segurança ou o habeas corpus.
Também prevê a Lei de Execução Penal uma medida cautelar preparatória
antes da aplicação da sanção disciplinar que é o isolamento preventivo do sen-
tenciado pelo prazo máximo de dez dias, desde que o fato tenha violado o inte-
resse da disciplina e desde que necessário o isolamento para apuração do fato,
caso o sentenciado venha a interferir na coleta da prova, descontando-se este
tempo da sanção aplicada de forma definitiva.
Deve ser lembrado que a prática de falta grave pelo detento leva a perda
dos dias remidos (trabalhados), por força do artigo 50 a 52 da Lei de Execu-
ções Penais. Além disso, pode a falta grave ser considerada para fins e efeitos
de concessão, pelo Diretor do Presídio, do atestado de bom comportamento

SUMÁRIO
61
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

carcerário, fazendo consignar tal fato, sendo obstáculo a concessão de pro-


gressão de regimes ou do livramento condicional.
Trata-se evidentemente de novatio legis in pejus incriminadora e assim
sendo sua aplicabilidade fica restrita aos fatos praticados posteriormente à
sua vigência, não retroagindo. Para os fatos anteriores (posse de aparelho
celular em presídio) antes da edição desta Lei, aplica-se o entendimento su-
fragado pelo Superior Tribunal de Justiça que a posse de aparelho celular
em Presídio não constitui falta grave tendo em vista a ausência de previsão
legal a respeito, aplicando a máxima do nullum crimen nulla poena sine lege.
Vide a este respeito o voto do ministro Gilson Dipp do Superior Tribunal de
Justiça proferido no julgamento de um habeas corpus (HC 45278) em favor
de Celso Aparecido dos Santos.
O Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, passa
a vigorar acrescido do seguinte art. 319-A:
“Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente
público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a
aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comu-
nicação com outros presos ou com o ambiente externo.
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.”

Comentário: trata-se de crime próprio (uma vez que somente pode ser
praticado pelo Diretor de Presídio ou agente público). É um crime contra a
Administração da Justiça, sendo crime omissivo puro (que se perfaz com
a simples abstenção da realização do ato, independente de ocorrência do
resultado) e somente punido a título de dolo. Tem sua consumação aperfei-
çoada quando o agente público ou o Diretor do presídio tem conhecimento
de que o detento possui o parelho celular, e diante desta situação deixa de
coibir tal comportamento. Tem pena cominada de detenção de até um ano,
permitindo a suspensão condicional do processo e tem sua competência
fixada junto ao Juizado Especial Criminal, permitindo a transação penal.
Este crime visa proteger a Administração Pública. Deve ser consignado que
este crime não admite a tentativa, uma vez que se trata de crime omissivo
puro (ou pratica o ato ou não), permitindo o concurso de agentes. Trata-se
de crime apurado mediante ação penal pública condicionada. Trata-se de
novatio legis incriminadora, razão pela qual, somente tendo aplicabilidade

SUMÁRIO
62
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

aos crimes praticados posteriormente à sua vigência, não atingindo fatos


anteriores à edição da Lei.

3.1 - Alterações na lei de crimes hediondos quanto a exe-


cução da pena (Lei 11.464 de 28 de março de 2007)
O art. 2o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, passa a vigorar com a seguinte
redação:
“Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito
de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis
de:
...
II – fiança. (Inciso com redação determinada pela Lei 11.464/07).

Comentário: A nova lei suprimiu (retirou) da Lei 8.072/90 a expressão


liberdade provisória, levando o interprete da lei a concluir que a nova lei
apenas e tão somente permite a concessão de fiança. Assim, com a nova
lei, permite-se aos acusados de crimes hediondos postularem o direito de
requerer ao Juízo a liberdade provisória sem fiança, demonstrando a sua
primariedade, seus bons antecedentes, a residência fixa e o emprego lícito.
Deve ser argumentado que, pela nova lei, o acusado por crimes hediondos
poderá responder ao processo em liberdade, desde que não estejam pre-
sentes no caso concreto os requisitos da sua custódia preventiva (CPP, art.
312 do CPP). Como se trata de lei nova mais benéfica, referido benefício
pode ser requerido a acusados de crimes hediondos praticados antes do
advento da nova lei, uma vez que a lei nova mais benéfica retroage em favor
dos acusados.

§ 1o A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicial-


mente em regime fechado.

Comentário: A nova lei retirou do texto da Lei 8.072/90 a expressão


integralmente substituindo por inicialmente. Tal alteração, doravante,
possibilita aos condenados por crimes hediondos começarem a cumprir

SUMÁRIO
63
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

a sua pena em regime fechado, e possuindo bom comportamento carcerá-


rio, requererem o regime semiaberto e o regime aberto, conforme foi au-
torizado no parágrafo subsequente. Retira-se da lei de crimes hediondos a
obrigatoriedade de cumprirem toda a pena em regime fechado, impossibi-
litando a progressão de regimes. O mandamento legal prestigia a orienta-
ção do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional o artigo 2º.
da Lei 8.072/90, quando do julgamento do Habeas Corpus (HC) 82959. Na-
quela oportunidade, os Ministros do Supremo Tribunal Federal, por seis
votos a cinco, os ministros do Supremo decidiram que é inconstitucional o
parágrafo 1º do artigo 2º da Lei 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos) que
proíbe a progressão de regime para condenados por crimes hediondos. Os
ministros Marco Aurélio, Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes, Cezar Pelu-
so, Eros Grau e Sepúlveda Pertence votaram pela inconstitucionalidade da
proibição da progressão de regime de cumprimento de pena. Entretanto
os ministros Carlos Velloso, Joaquim Barbosa, Ellen Gracie, Celso de Mello e
Nelson Jobim divergiram deste entendimento e votaram pela constituciona-
lidade da proibição da progressão de regime de cumprimento de pena. Em
razão desta decisão, entendemos que foi realizada a alteração na Lei.

“§ 2o A progressão de regime, no caso dos condenados aos cri-


mes previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de
2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário, e de
3/5 (três quintos), se reincidente.”

Comentário: Em decorrência da alteração do parágrafo anterior, foi de-


ferida aos praticantes de crimes hediondos a possibilidade de requererem a
progressão de regimes. Devemos lembrar que nos demais crimes, o acusado
pode solicitar a sua transferência para o regime mesmo grave (do fecha-
do para o semiaberto e do semiaberto para o regime aberto) quando tiver
cumprido mais de 1/6 (um sexto) da pena e desde que tenha bom com-
portamento carcerário. A nova lei dividiu o sistema de progressividade do
cumprimento da pena em dois grandes grupos: a) acusados de crimes que
não sejam hediondos (mais de um sexto da pena); b) acusados de crimes
hediondos (2/5 dois quintos da pena – primários – 40% da condenação; e
3/5 três quintos da pena – 60% da condenação se reincidentes). Trata-
se de novatio legis in melius (lexmitior), razão pela qual tem aplicabilida-

SUMÁRIO
64
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

de aos processos e fatos praticados antes da vigência aos fatos posteriores


a sua vigência.

“§ 3o Em caso de sentença condenatória, o juiz decidirá fun-


damentadamente se o réu poderá apelar em liberdade.”

Comentário: Em regra se o acusado estiver em liberdade e não estiverem


presentes os requisitos para a decretação de sua prisão preventiva, em obedi-
ência ao princípio constitucional da inocência, poderá recorrer em liberdade.
Se preso estiver, e a situação que determinou sua custódia ainda permanecer
(flagrante, preventiva) deverá aguarda preso o desfecho de seu recurso. Nada
obsta ao condenado por crime hediondo, sem sentença passada em julgado,
requerer ao juiz o direito de aguardar o julgamento de seu recurso em liber-
dade, argumentando em seu favor o princípio constitucional da presunção
de inocência, demonstrando a sua primariedade e seus bons antecedentes,
e principalmente não estarem presentes os requisitos autorizadores de sua
custódia cautelar. Caso haja indeferimento pelo juiz desta pretensão, poderá
o prejudicado manejar habeas corpus junto ao Tribunal para obter tal benefício.

§ 4o A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei no 7.960,


de 21 de dezembro de 1989, nos crimes previstos neste arti-
go, terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual pe-
ríodo em caso de extrema e comprovada necessidade.” (NR).

Comentário: Neste caso, em se tratando de crime grave o prazo da pri-


são temporária será de cinco dias, conforme dispõe a Lei 7960/89. Em se
tratando de crimes hediondos, desde que presentes os requisitos para a de-
cretação da prisão temporária (imprescindibilidade para as investigações e
desde que o acusado não possua residência fixa e se recuse a fornecer dados
sobre a sua investigação), em se tratando de crimes hediondos o prazo de
duração da prisão temporária será de 30(trinta) dias, podendo ser prorro-
gado, por uma única vez, por igual prazo, por decisão fundamentada do juiz.

SUMÁRIO
65
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

4 - Prática
4.1 - Progressão de regimes
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DAS
EXECUÇÕES CRIMINAIS DA COMARCA DE ___________ – ESTADO DE
____________.
_ Referência Execução Criminal número_______

(vinte a trinta espaços para despacho)

______________________, nacionalidade, estado civil,


profissão, atualmente preso e recolhido no Presídio_______, neste ato devi-
damente representado por seus advogados, comparece com o costumeiro
respeito e acatamento forense à elevada presença de Vossa Excelência, para,
com fundamento no artigo 112 da Lei das Execuções Penais, requerer a sua
PROGRESSÃO DE REGIMES, alegando para tanto os fatos e fundamentos
seguintes:
1. O sentenciado está cumprindo reprimenda de 06
(seis) anos de reclusão, em regime inicial fechado, desde a data de ________.
2. Nesta ocasião, o sentenciado já cumpriu mais de
um sexto da reprimenda imposta, tendo bom comportamento carcerário,
conforme é demonstrado pelo documento em anexo.
(Se necessário colocar doutrina e jurisprudência).
Posto isto, requer a Vossa Excelência, após ouvido
e concorde o Ilustre Membro do Ministério Público, seja concedido ao sen-
tenciado o benefício pleiteado com a transferência do sentenciado para o
regime semiaberto, tudo como forma de JUSTIÇA!!!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.
Local e Data.
Advogado e OAB.

SUMÁRIO
66
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

5 - Do agravo em execução penal


5.1 - Definição
Trata-se de um meio impugnativo das decisões proferidas no curso da
execução criminal, ou seja, quando o Estado obtém o título executivo atra-
vés de uma sentença condenatória.
Este recurso não é previsto no Código de Processo penal, mas sim na Lei
de Execução Penal – 7210/84 – das decisões proferidas em sede do Juízo
das Execuções.
É semelhante ao recurso em sentido estrito, pois possibilita ao juiz das
Execuções Criminais reformar a sua decisão, tendo assim o denominado ju-
ízo de retratação.
Previsto no artigo 197 da Lei de Execuções Penais, sendo um recurso ca-
bível tanto para a acusação, quanto para a defesa.
O prazo para interposição deste recurso é de cinco dias, muito embora
não haja na lei prazo para este recurso. Processa-se da mesma forma que
o recurso em sentido estrito e tem seu cabimento somente nas questões
atinentes a benefícios, como por exemplo: da decisão que declara extinta a
punibilidade, decide a soma ou a unificação de penas, que determina a pro-
gressão ou a regressão de regimes, questões relativas a detração e remição
de penas, suspensão condicional da pena, livramento condicional, inciden-
tes de execução, saídas temporárias.
Vale salientar em questão de ordem prática que, uma vez indeferido qual-
quer pedido relativo a questão de execução da pena, cabe ao interessado recor-
rer, através do duplo grau de jurisdição, através do agravo em execução penal.

5.2 - Contrarrazões do recurso de agravo em execução penal


Para as questões inerentes à execução penal que são regidas pela Lei
7210/84 prevê a legislação a utilização do recurso de agravo em execução
penal. Sua sistemática é idêntica a do recurso em sentido estrito, com o pra-
zo de cinco dias para apresentação da interposição do recurso.12 O seu dife-
12 Ao agravo em execução aplicam-se as disposições do código de processo penal referentes
ao recurso em sentido estrito. Dessa forma, o prazo para a interposição do referido recurso
e de cinco dias (artigo 586 do código de processo penal) - (TJ-GO; AG-ExPen 77-3/352; Proc.
200700968100; Bom Jesus de Goiás; Segunda Câmara Criminal; Rel. Des. Paulo Teles; Julg.
19/06/2007; DJGO 03/07/2007). O prazo para a interposição do agravo previsto no artigo

SUMÁRIO
67
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

rencial é que o recurso aqui comentado não possui efeito suspensivo por
expressa disposição legal do artigo 197 da Lei de Execuções Penais.
Recebido pelo juiz da Vara de Execuções o agravo interposto pelo prejudi-
cado, o agravante terá o prazo de dois dias para apresentação das razões de
seu inconformismo. Posteriormente, será aberta vista dos autos, por igual
prazo, à parte contrária para apresentação de sua resposta e respectiva inti-
mação, em uma peça denominada de contrarrazões ou contra minuta de
agravo em execução penal.
Nesta peça, como em todas as peças de contrarrazões ao recurso, deve ser
requerida a MANUTENÇÃO da decisão proferida e o IMPROVIMENTO do re-
curso apresentado.
Com a resposta ao recurso, os autos vão conclusos ao juiz da Vara das
Execuções Criminais para que se decida se mantém ou reforma a decisão re-
corrida. Neste caso, caso o juiz mantenha a decisão os autos serão enviados
à Instância Superior. Reformando a sua decisão, a parte então vencedora
que agora com esta decisão se torna sucumbente, caso deseja a manutenção
da decisão deverá peticionar ao Juízo requerendo o envio dos autos ao Tri-
bunal, sem a necessidade de interposição de novo agravo, em homenagem
ao princípio da celeridade e da economia processual.
Aqui cabe uma observação: vários incisos do artigo 581 do Código de
Processo Penal cuidam de hipóteses e casos de competência da Vara das
Execuções Criminais (como o livramento condicional, medida de segurança,
conversão de pena de multa, unificação de penas, concessão de sursis pelo Juiz
da Vara das Execuções), estes incisos que tratam de matérias afetas a Lei de
Execução Penal estão revogados por esta lei. Na prática forense caso o re-
corrente apresente o recurso em sentido estrito ao invés do agravo em exe-
cução penal, pelo princípio da fungibilidade, não havendo má-fé e estan-
do o recurso no prazo, o recurso correto será recebido e processado como
se correto fosse ao caso concreto.

197, da Lei de execuções penais e de 05 (cinco) dias, pois a ele se aplicam, subsidiariamente,
as disposições referentes ao recurso em sentido estrito. (TJ-GO; AG-ExPen 27-1/352; Proc.
200603916451; Itumbiara; Primeira Câmara Criminal; Rel. Des. Geraldo Salvador de Moura;
Julg. 01/03/2007; DJGO 15/03/2007) CPP, art. 586 LEI 7210-1984, art. 197 Súm. nº 700 do STF.

SUMÁRIO
68
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

5.3 - Jurisprudência
Progressão para o Regime Aberto Concedida pelo Juízo das Execuções Cri-
minais.
HABEAS CORPUS. PROGRESSÃO PARA O REGIME ABERTO CONCE-
DIDA PELO JUÍZO DAS EXECUÇÕES CRIMINAIS. ACÓRDÃO PROFE-
RIDO EM AGRAVO EM EXECUÇÃO QUE DETERMINOU A REALIZA-
ÇÃO DE EXAME CRIMINOLÓGICO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE.
ORDEM CONCEDIDA. 1. Com a nova redação do art. 112 do Lei de
Execuções Penais, dada pela Lei n.º 10.792/03, para a progressão
de regime prisional basta atestado de bom comportamento car-
cerário, salvo quando o magistrado, com base nas peculiaridades
concretas do caso, exigir a realização de exame criminológico, o
que não ocorreu na espécie. Precedentes. 2. A necessidade do exa-
me criminológico não pode ser justificada apenas com base na
gravidade em abstrato do delito, devendo haver, na decisão que a
requer, demonstração, com base em dados concretos obtidos du-
rante a execução da pena, de que referida perícia se faz mister ao
processo de ressocialização do sentenciado. 3. “Se o Magistrado
singular não considerou necessário o exame criminológico, enten-
dendo presentes os requisitos indispensáveis à progressão de regi-
me, não pode o Tribunal a quo condicionar a concessão do bene-
fício justamente à realização do referido exame”. (STJ, HC 60181/
SP, 5.ª Turma, Rel. Min. GILSON DIPP, DJ de 05/02/2007.) 4. Ordem
concedida para restabelecer a decisão monocrática que deferiu a
progressão do Paciente para o regime prisional aberto.
Acórdão
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da
QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade
dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no jul-
gamento, por maioria, conceder a ordem, nos termos do voto da
Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Arnaldo Esteves Lima e
Jorge Mussi votaram com a Sra. Ministra Relatora. Votaram ven-
cidos os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho e Felix Fischer,
que denegavam a ordem. (Superior Tribunal de Justiça; HC 134967
/ SP; HABEAS CORPUS; 2009/0079075-0; Ministra LAURITA VAZ;
QUINTA TURMA; 06/10/2009; DJe 01/02/2010).

SUMÁRIO
69
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

6 - Prática
6.1 - Agravo em execução penal
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DAS
EXECUÇÕES CRIMINAIS DA COMARCA DE _____________ – ESTADO DE
____________.

_ Referência Execução Criminal nº______________

(vinte a trinta espaços para despacho)

__________________, nacionalidade, estado civil, profis-


são, atualmente preso e recolhido no Presídio_______, neste ato devidamente
representado por seus advogados, comparece com o costumeiro respeito
e acatamento forense à elevada presença de Vossa Excelência, para, com
fundamento no artigo 197 da Lei das Execuções Penais, interpor o presente
RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL, alegando para tanto os fa-
tos e fundamentos seguintes:

Inicialmente requer que sejam trasladas para os autos


de agravo ora interposto, cópias integrais do incidente que indeferiu o pedido
de progressão de regimes, mormente a petição inicial de requerimento do be-
nefício com todos os documentos, a manifestação do Ministério Púplico, a deci-
são deste Juízo, e, a certidão cartorária da intimação da decisão do defensor e
o mandado de intimação do sentenciado.
1. O AGRAVANTE foi condenado definitivamente às
penas de 06 (seis) anos de reclusão pela prática de crime contra a admi-
nistração pública praticado em 14 de setembro de 2002, em regime inicial
fechado.
Demonstrou ao Juízo a presença dos requisitos objeti-
vos (o agravante já cumpriu mais de um sexto da pena imposta) e subjetivos (o
agravante possui excelente comportamento carcerário), demonstrados pelos
documentos em anexo.

SUMÁRIO
70
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

2. O Juízo da Vara das Execuções Criminais indeferiu


o pedido formulado pelo agravante, alegando que como se trata de delito
contra a administração pública o agravante teria que, para ser contemplado
pelo benefício, ter reparado o dano causado.
3. O Juízo fundamentou a sua decisão no advento da
Lei 10.763/03, que exige a reparação do dano para a concessão do benefício
pleiteado.
a) Ocorre, preclaros Magistrados, que o crime prati-
cado pelo sentenciado ocorreu antes do advento da
Lei 10.763/03, razão pela qual não pode atingir fatos
passados (irretroatividade) mormente quando for
prejudicial ao acusado.
b) Além disso, a nova lei somente pode atingir fatos
futuros à sua vigência, não se aplicando aos fatos
ocorridos anteriormente, salvo quando mais benéfi-
ca, que evidentemente não é o caso dos autos.
c) Neste ponto colocar doutrina e jurisprudência so-
bre a irretroatividade da norma.
Ex: “as disposições mais severas da li nova
não se aplicam a fatos praticados anterior-
mente à sua vigência” (STF RT 608:443) E “NÃO
PODE HAVER RETROATIVIDADE PREJUDICIAL
AO RÉU” – (Celso Delmanto, Código Penal Comen-
tado, Renovar, p. 07).

4. DIANTE DO EXPOSTO, CASO VOSSA EXCELÊNCIA


MANTENHA A DECISÃO AGRAVADA EM SEDE DE JUÍZO DE RETRATAÇÃO,
requer o provimento do presente agravo em execução penal no sentido de
que seja concedido ao agravante o direito à progressão de regimes, trasla-
dando-se cópia integral do pedido de progressão de regimes para o presen-
te recurso, tudo como forma de JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.
Local e Data.
Advogado e OAB.

SUMÁRIO
71
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

RAZÕES DO AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL

Agravante: ___________
Agravada: ___________
- Referência Execução Penal número _________
Vara das Execuções Criminais da Comarca de _______– Estado de ______
EGRÉGIO TRIBUNAL!
COLENDA CÂMARA!
ÍNCLITOS JULGADORES!

Consoante se observa dos autos de agravo e das có-


pias trasladas aos autos, a decisão recorrida deve ser reformada uma vez
que não distribui ao caso concreto a costumeira Justiça, devendo a mesma
ser reformada, por entender o agravante que a mesma encontra-se em com-
pleta desarmonia com a doutrina, a jurisprudência e os próprios documen-
tos juntados nos autos. É o que verão Vossas Excelências dos articulados
seguintes:

I - PRELIMINARMENTE

VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL – AUSÊNCIA DE


INTIMAÇÃO DAS PARTES DO PARECER DO CONSELHO PENITENCIÁRIO:
O processo penal brasileiro prima pela obediência
estrita a princípios constitucionais da amplitude de defesa, do due processo
flawe do contraditório. O presente feito encontra-se eivado de nulidade, e
esta nulidade causou enorme prejuízo ao ora defendente. Trata-se de nuli-
dade insanável, podendo ser alegada em qualquer momento, em qualquer
grau de jurisdição, uma vez que fere o princípio do contraditório, do devido
processo legal e da ampla defesa.
O artigo 564 do Código de Processo Penal precei-
tua a ocorrência da nulidade quando por falta de fórmulas ou termos e

SUMÁRIO
72
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

omissão de formalidade que constitua elemento essencial do ato. Trata-se


de nulidade absoluta que não convalesce, matéria de ordem pública que
pode ser alegada a qualquer momento. Também é considerada como nu-
lidade relativa, uma vez que provada devidamente a sua ocorrência, anula
o ato e o prejuízo ao réu torna-se evidente. Certamente que esta Defensoria
devidamente constituída, impugnaria as conclusões do Conselho Peniten-
ciário uma vez que o crime em que o agravante responde é um HOMICIDIO
SIMPLES, que não está inserido no rol dos crimes hediondos.
Já se tem decidido que constitui cerceamento de de-
fesa a ausência de intimação para os atos processuais e impõe a nulidade do
processo. Constitui, pois, nulidade insanável.
O próprio Cartório lançou certidão nos autos INFOR-
MANDO que a defesa do agravante não havia sido intimada para se manifes-
tar sobre o laudo (cfr. fls. 31). O Juízo de Direito indeferiu o benefício sem
antes dar conhecimento as partes sobre a conclusão do laudo e sem dar as
mesmas oportunidade para dele tomar conhecimento e externar as suas
considerações. Trata-se, pois, de vício insanável, devidamente comprovado
nos autos pela certidão de fls. 31.
Padece ainda a decisão de manifesta ilegalidade por
ferir a decisão o disposto no artigo 564, inciso III, aliena “e”, tendo em vista
que não foi concedido à defesa prazo para manifestar-se sobre o Parecer do
Conselho Penitenciário.
Neste sentido temos;
“I- A falta de intimação da parte para tomar ciência
de laudo pericial- documento este que foi utilizado
para respaldar o acórdão objurgado - configura cer-
ceamento de defesa. II- Quando tratar-se de questão
de ordem pública - ou seja, matéria que pode ser co-
nhecida até mesmo de ofício pelo Magistrado - impõe
o reconhecimento da nulidade do acórdão recorrido.
III- Torna patente, portanto, a nulidade do decisum,
a falta de intimação da parte para ciência de laudo
pericial, de modo que impossibilita a manifestação
da recorrente, configurando a ofensa ao contradi-
tório e à ampla defesa. IV- Recurso Provido. (TJ-ES;

SUMÁRIO
73
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

EDcl-AI 024.04.901563-9; Quarta Câmara Cível;


Relª Desª Catharina Maria Novaes Barcellos; Julg.
26/07/2005; DJES 19/09/2005).

1) Constitui cerceamento de defesa, que leva à nulidade


do processo, a falta de intimação pessoal do defensor
público para manifestação acerca de laudo pericial,
máxime quando a referida prova tenha servido de úni-
ca motivação da sentença desfavorável à parte sob seu
patrocínio. 2) Recurso provido. (TJ-AP; AC 1178/02;
Ac. 6174; Câmara Única; Rel. Des. José Luciano de
Assis; Julg. 29/10/2003; DOEAP 28/11/2003).

Assim sendo, Excelências, estando devidamente


comprovado no caderno processual a ausência de intimação da defesa do
agravante para manifestar-se sobre o Parecer do Conselho Penitenciário,
impõe-se o reconhecimento da nulidade arguida e consequente decretação
da nulidade do processo por falta de requisito e formalidade que constitua
formalidade essencial do ato.
Caso Vossa Excelência não acolha a nulidade ora ofer-
tada, o que se admite apenas ad argumentandum tantum, a defesa passa a
analisar o mérito das imputações e desde já pugnando pelo provimento do
presente agravo, a reforma da decisão recorrida e a concessão ao agravante
do benefício do INDULTO, tal qual foi requerido anteriormente.

II – NO MÉRITO:

Consoante se observa do Parecer do Conselho Peni-


tenciário, encartado aos autos às fls. 29, observa-se claramente que o agra-
vante cumpriu o lapso temporal exigido por lei, apresentando bom compor-
tamento carcerário, e não há qualquer falta grave praticada pelo mesmo nos
últimos doze meses.
Todavia, por incrível que possa parecer, o benefício do
Indulto requerido pelo agravante não foi acolhido, uma vez que, segundo o

SUMÁRIO
74
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Parecer do Conselho Penitenciário do Estado de São Paulo, o agravante prati-


cou crime hediondo, fato este que não lhe permite a concessão do benefício.
Com o devido respeito, a motivação para a não conces-
são do benefício encontra-se totalmente equivocada, uma vez que conforme
se observa do documento em anexo o agravante foi condenado pela prática
de homicídio simples, e como é sabido, apenas o homicídio qualificado é con-
siderado como crime hediondo.
Como é sabido, a Lei 8.072/90 apenas classifica como
crime hediondo o homicídio qualificado, e não o homicídio simples e muito
menos o homicídio privilegiado qualificado.
Assim, são considerados hediondos os seguintes cri-
mes, todos tipificados no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940
- Código Penal, consumados ou tentados: Redação(ões) Anterior(es)

I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade


típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por
um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º,
I, II, III, IV e V); (Inciso acrescentado conforme deter-
minado na Lei nº 8.930, de 6.9.1994, DOU 7.9.1994).

Pela redação da lei, somente o homicídio simples


praticado em atividade típica de grupo de extermínio é considerado
como crime hediondo, e não é a hipótese ventilada nos autos.
Ensina o professor DAMASIO EVANGELISTA DE JE-
SUS: “quando o homicídio simples é crime hediondo: o homicídio sim-
ples, tentado ou consumado, é delito hediondo somente quando cometido
em atividade típica de grupo de extermínio ainda que por um só execu-
tor, nos termos do artigo 1º., I , da Lei 8.072/90” (Código Penal Anotado,
Saraiva, p.361).
Assim sendo, jamais poderia o indulto ser negado
ao agravante pelo motivo do crime perpetrado pelo mesmo ser hediondo.
Primeiro porque restou condenado por homicídio simples e não qualifi-
cado em segundo lugar o homicídio praticado pelo agravante não foi
resultante de atividade típica de grupo de extermínio.

SUMÁRIO
75
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

POSTO ISTO, pelas razões apresentadas no presente


inconformismo requer o provimento do presente agravo em execução
penal para que seja anulada a decisão de primeiro grau face a nuli-
dade apontada, e no mérito, seja provido para conceder o INDULTO
haja vista que o delito praticado pelo agravante não é tipificado como
hediondo, tudo como forma de JUSTIÇA!
Nestes termos,
Pede Deferimento.
Local e Data.
Advogado e OAB.

6.2 - Contrarrazões de agravo em execução penal


EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DAS
EXECUÇÕES CRIMINAIS DE___________– ESTADO DE ________________
- Referência Execução Penal número _____
- Cartório da Vara das Execuções Criminais.

________, já devidamente qualificado nos autos da


execução criminal, feito em epígrafe, cujo caderno processual tem regu-
lar marcha perante este Egrégio Juízo e r. cartório de execuções criminais,
neste ato devidamente representado por seus advogados que desta é sig-
natário, comparece com o costumeiro respeito e acatamento forense à ele-
vada presença de Vossa Excelência, para TEMPESTIVAMENTE, apresentar
sua CONTRARRAZÕES AO AGRAVO EM EXECUÇÃO, consubstanciado nas
razões em anexo apresentadas.
Requer a Vossa Excelência, que, desde já mantenha a
decisão recorrida, vez que a decisão combatida atende a todos os requisitos
legais, e a sua manutenção é a melhor distribuição de Justiça ao caso concreto.
Nestes termos,
Pede Deferimento.
Local e Data.
Advogado e OAB.

SUMÁRIO
76
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

CONTRARRAZÕES AO AGRAVO EM EXECUÇÃO

Referência: Execução Criminal n.º_______– Vara das Execuções Crimi-


nais da Comarca de _______________

Agravante: Ministério Público do Estado de_____________


Agravado: ______________

Egrégio Tribunal !
Colenda Câmara !
Nobres Julgadores !

1) A decisão deve ser mantida em todos seus ter-


mos, pois distribuiu JUSTIÇA ao caso concreto, senão vejamos:
2) O sentenciado foi agraciado com o livramento con-
dicional, após cumprir todos os requisitos objetivos e subjetivos, tendo
sido imposta a condição de que o beneficiário somente pudesse deixar seu
domicílio a partir das 06h00min da manhã, INCLUSIVE AOS SÁBADOS E
DOMINGOS (FLS. _____ITEM “---”).
3) Ocorre que, na data de, mais precisamente um
domingo, o sentenciado foi surpreendido, fora de seu domicilio, às
05h50minutos, dez minutos antes do permitido.
Deve ser destacado, por oportuno, que não está em
análise o crime praticado pelo sentenciado, qual seja o crime de homicídio,
uma vez que o mesmo já foi condenado e as questões atinentes a gra-
vidade do crime e seus reflexos já foram efetivamente analisados pelo
Egrégio Tribunal do Júri da Comarca de___________________________.
4) Destaca-se que nas palavras do sentenciado, este
havia deixado sua residência para se encontrar com o genitor, que dei-
xaria o serviço às 6 horas da manhã, sendo que ambos iriam pegar ônibus
e visitar a avó do sentenciado no bairro________, para ali passarem o dia
de domingo;

SUMÁRIO
77
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

5) Cumpre destacar, como foi salientado pelo No-


bre Julgador e confessado pelo sentenciado, que o mesmo não estava no
horário determinado em sua residência, PORÉM, tal descumprimen-
to NÃO É CAUSA OBRIGATÓRIA PARA REVOGAÇÃO DO LIVRAMENTO
CONDICIONAL, AINDA MAIS, SE PENSARMOS QUE O SENTENCIADO JÁ
CUMPRIU quase a totalidade da PENA IMPOSTA EM REGIME FECHA-
DO, SEM QUALQUER DESVIO DE COMPORTAMENTO OU PRÁTICA DE
FALTA DURANTE SUA CUSTÓDIA.
7. Neste sentido tem-se anotado que: “não existe no CP
ou na LEP a figura da suspensão do livramento condicional por quebra de
obrigação constante da sentença concessiva, sendo ela admissível somente
na hipótese do artigo 145 da LEP – prática de outra infração durante o seu
curso” (TJPR, RT 704/378).
8. Além disso, tem-se firmado decisões a este respei-
to no sentido de que “a revogação do livramento condicional só é pos-
sível diante da prova cabal de má conduta do sentenciado, e assim em
caso de instauração de inquérito policial, deve o condenado usufruir
da medida até o deslinde final...Não há que se falar em suspensão do
benefício que é admitida somente para as hipóteses previstas no arti-
go 732 do CPP”  (vide a respeito Código Penal na Expressão dos Tribunais,
MOHAMED AMARO, EDITORA SARAIVA, p. 438).
9. Deve ser acrescido que a conduta do sentenciado
não é capitulada como crime ou mesmo como contravenção penal, sen-
do um descumprimento de uma condição imposta, que levou, ao prudente
arbítrio do Magistrado, o agravamento das condições impostas para o
cumprimento do restante da pena.
10) Cumpre mencionar ainda, como um fato impor-
tante, que a Defesa juntou declaração de trabalho (fls. 24) do sentenciado
demonstrando que o mesmo obteve ocupação licita como servente de pe-
dreiro, cumprindo horário de segunda a sábado das 07:00 as 17:00horas,
em período integral, demonstrando que o sentenciado se esforça em obter
a sua ressocialização, que é uma das funções primordiais da pena;
11. Deve ser levado em conta que este é o primeiro
e único ato praticado pelo sentenciado de descumprimento de sanção
imposta, que sequer se configura a prática de crime ou de contravenção pe-

SUMÁRIO
78
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

nal, sem qualquer gravidade e sem colocar em risco a paz e harmonia so-
cial e apenas e tão somente dez minutos antes do seu horário permitido;
12. Deve ser acrescido que esta conduta, pela ausên-
cia de lesividade a qualquer bem jurídico tutelado não pode e nem deve
ser levada pelo Poder Judiciário como uma causa obrigatória de revogação
do benefício, como já não foi em primeira Instância, devendo ser mantido o
agravamento das condições impostas, nos termos fixados em decisão fun-
damentada, ante a ausência de qualquer outra conduta do sentenciado
que evidencie que o mesmo tornará a delinquir.
13. Neste passo adverte o professor NEY DE MOURA
TELES: “ é de todo conveniente que ao juiz da execução penal seja concedida
a mais ampla liberdade de decisão, para determinar a revogação quando ab-
solutamente necessária para a realização dos fins da execução penal”
(Direito Penal, Volume 2, Editora Atlas, p. 1984).
14. Com o devido respeito, um atraso de dez ou
vinte minutos, não se revele como motivo ensejador de revogação de
um benefício, MORMENTE QUANDO O SENTENCIADO JÁ CUMPRIU QUASE
TODA A SUA PENA, e sem que este ato tivesse causado qualquer viola-
ção ou ameaça a qualquer bem jurídico tutelado.
Deve ser levado em conta que, para a aplicação de
pena, penalidade, sanção ou revogação, tanto no âmbito do Direito Penal,
quanto do Direito Administrativo, ou nossa vida em coletividade, deve ser
observado, sob pena de cometermos flagrantes injustiças o princípio da
proporcionalidade ou da razoabilidade, em que a punição nunca deve ser
maior que a falta cometida. Neste diapasão, o MM Juiz adotou posição cor-
reta em agravar as condições do benefício, deixando de advertir o senten-
ciado (uma punição branda) ou revogar o benefício (posição mais grave),
adotando a solução adequada que foi o agravamento das condições (posição
média, compatível com a falta cometida, que não teve nenhum reflexo crimi-
noso na conduta do sentenciado).
Adotando-se a postura do Ilustre Promotor de Justiça
estaríamos, com o devido respeito, incidindo no excesso de execução, qual
seja, indo além do decidido na sentença, no acórdão ou na lei, prejudicando o
sentenciado que cumpre a sua pena, procurando atentar-se a finalidade des-
ta, qual seja, a sua reinserção no convívio social, submetendo o agravado a

SUMÁRIO
79
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

tratamento mais rigoroso por uma falta leve e sem qualquer repercussão
social. Certamente, com o provimento do agravo, o sentenciado irá ser sub-
metido a sanção administrativa não prevista em lei, indo além do que
esta fixa, revogando-se um benefício por atraso de minutos.
Lembra o autor RENATO MARCÃO que: “é necessário
que a sanção seja individualizada e proporcional a conduta, aferindo caso a
caso a natureza e gravidade da infração praticada, a circunstâncias do fato
e a pessoa do faltoso” (Curso de Execução Penal, Editora Saraiva, 2007, p. 46).
Não se perca de vista que na aplicação de qualquer
sanção (como a revogação do benefício) a própria Lei de Execução Penal, em
seu artigo 57, recomenda ao juiz e ao aplicador do Direito, um temperamento
recheado de cautela, pois deve ser observado a natureza da infração pratica-
da, as circunstâncias e consequências do fato, a pessoa do faltoso e o tempo
que resta de cumprimento da pena.
O fato praticado pelo sentenciado não enseja a revoga-
ção obrigatória do livramento condicional, uma vez que a falta praticada não
se trata de crime praticado antes do benefício ou crime praticado durante
o período de prova.
A conduta do sentenciado não reflete, de maneira al-
guma, sua inaptidão para o retorno ao convívio social. Tampouco demonstra
a ausência de mérito para a continuidade do benefício, e tal decisão, como
foi tomada pelo Juiz, demonstrou estar cercada por parâmetros da individu-
alização da pena, qual seja: a imposição de sanção média, acima do mínimo
(repreensão ou advertência) e abaixo da máxima (revogação do benefício).
Portanto, Senhores Julgadores, não é qualquer con-
duta que enseja a revogação do benefício, sendo necessário que esta con-
duta reflita que o sentenciado não está apto ao retorno social, fato este que
não ficou demonstrado nos autos, cuja a prova fica a cargo do Ilustre Mem-
bro do Ministério Público que nada comprovou a respeito, batendo-se na
prática do crime (aliás já julgado) e pelo atraso de singelos minutos...
15. Assim sendo, requer as Vossas Excelência que
seja julgado IMPROVIDO O PRESENTE RECURSO E MANTIDA, VIA DE
CONSEQUÊNCIA A DECISÃO AGRAVADA, visto que, como já suscitado, não
existem elementos suficientes para a revogação do livramento condi-
cional do sentenciado, que já teve sua situação agravada, tudo como
forma de distribuição de Justiça.

SUMÁRIO
80
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

CAPÍTULO IV

DO AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL

1. Considerações
Trata-se de um meio impugnativo das decisões proferidas no cur-
so da execução criminal, ou seja, quando o Estado obtém o título executivo
através de uma sentença condenatória.
Este recurso não é previsto no Código de Processo penal, mas sim
na Lei de Execução Penal – 7210/84 – das decisões proferidas em sede do
Juízo das Execuções.
Este recurso é semelhante ao recurso em sentido estrito, pois
possibilita ao Juiz das Execuções Criminais reformar a sua decisão, tendo
assim o denominado juízo de retratação.
Este recurso é previsto no artigo 197 da Lei de Execuções Penais,
sendo um recurso cabível tanto para a acusação, quanto para a defesa.
O prazo para interposição deste recurso é de cinco dias, muito
embora não haja na lei prazo para este recurso. Processa-se da mesma
forma que o recurso em sentido estrito e tem seu cabimento somente
nas questões atinentes a benefícios, como por exemplo: da decisão que
declara extinta a punibilidade, decide a soma ou a unificação de penas,
que determina a progressão ou a regressão de regimes, questões relativas
a detração e remição de penas, suspensão condicional da pena, livramento
condicional, incidentes de execução, saídas temporárias.
Vale salientar em questão de ordem prática que, uma vez indeferi-
do qualquer pedido relativo a questão de execução da pena, cabe ao inter-
essado recorrer, através do duplo grau de jurisdição, através do agravo em
execução penal.

SUMÁRIO
81
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

1.1. Contrarrazões do recurso de agravo em execução penal


Para as questões inerentes à execução penal que são regidas pela Lei
7210/84 prevê a legislação a utilização do recurso de agravo em execução pe-
nal. Sua sistemática é idêntica a do recurso em sentido estrito, com o prazo de
cinco dias para apresentação da interposição do recurso.1309 O seu diferencial
é que o recurso aqui comentado não possui efeito suspensivo por expres-
sa disposição legal do artigo 197 da Lei de Execuções Penais.
Recebido pelo Juiz da Vara de Execuções o agravo interposto pelo
prejudicado, o agravante terá o prazo de dois dias para apresentação das
razões de seu inconformismo. Posteriormente, será aberta vista dos au-
tos, por igual prazo, à parte contrária para apresentação de sua resposta
e respectiva intimação, em uma peça denominada de contrarrazões ou
contra minuta de agravo em execução penal.
Nesta peça, como em todas as peças de contrarrazões ao recurso,
deve ser requerida a MANUTENÇÃO da decisão proferida e o IMPROVI-
MENTO do recurso apresentado.
Com a resposta ao recurso, os autos vão conclusos ao Juiz da Vara
das Execuções Criminais para que se decida se mantém ou reforma a de-
cisão recorrida. Neste caso, caso o Juiz mantenha a decisão os autos serão
enviados à Instância Superior. Reformando a sua decisão, a parte então
vencedora que agora com esta decisão se torna sucumbente, caso deseja a
manutenção da decisão deverá peticionar ao Juízo requerendo o envio dos
autos ao Tribunal, sem a necessidade de interposição de novo agravo, em
homenagem ao princípio da celeridade e da economia processual.
Aqui cabe uma observação: vários incisos do artigo 581 do Código
de Processo Penal cuidam de hipóteses e casos de competência da Vara
das Execuções Criminais (como o livramento condicional, medida de segu-
rança, conversão de pena de multa, unificação de penas, concessão de sursis
pelo Juiz da Vara das Execuções), estes incisos que tratam de matérias
13 Ao agravo em execução aplicam-se as disposições do código de processo penal referentes ao
recurso em sentido estrito. Dessa forma, o prazo para a interposição do referido recurso e de cinco
dias (artigo 586 do código de processo penal) - (TJ-GO; AG-ExPen 77-3/352; Proc. 200700968100;
Bom Jesus de Goiás; Segunda Câmara Criminal; Rel. Des. Paulo Teles; Julg. 19/06/2007; DJGO
03/07/2007) . O prazo para a interposição do agravo previsto no artigo 197, da Lei de execuções
penais e de 05 (cinco) dias, pois a ele se aplicam, subsidiariamente, as disposições referentes ao
recurso em sentido estrito. (TJ-GO; AG-ExPen 27-1/352; Proc. 200603916451; Itumbiara; Primeira
Câmara Criminal; Rel. Des. Geraldo Salvador de Moura; Julg. 01/03/2007; DJGO 15/03/2007) CPP,
art. 586 LEI 7210-1984, art. 197 Súm. nº 700 do STF

SUMÁRIO
82
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

afetas a Lei de Execução Penal estão revogados por esta lei. Na prática
forense caso o recorrente apresente o recurso em sentido estrito ao invés
do agravo em execução penal, pelo princípio da fungibilidade, não hav-
endo má-fé e estando o recurso no prazo, o recurso correto será recebido
e processado como se correto fosse ao caso concreto.

2. Jurisprudência
2.1. Questão não apreciada pela corte de origem, por ser
cabível, na espécie, agravo em execução desnecessidade,
na espécie, de exame aprofundado da prova.
HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME.
TESE DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. QUESTÃO
NÃO APRECIADA PELA CORTE DE ORIGEM, POR SER CABÍVEL, NA
ESPÉCIE, AGRAVO EM EXECUÇÃO DESNECESSIDADE, NA ESPÉCIE,
DE EXAME APROFUNDADO DA PROVA. QUESTÃO DE DIREITO. VI-
ABILIDADE DO WRIT ORIGINÁRIO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL
EVIDENCIADO. 1. Não há impedimento ao conhecimento do writ
pelo Tribunal a quo, nem se vislumbra, na espécie, inadequação da
via eleita, uma vez que a análise da questão sub examine prescinde
de qualquer incursão na seara probatória, tratando-se de questão
de direito, consubstanciada na tese do preenchimento dos requis-
itos legais, nos termos do art. 112 da Lei de Execução Penal, segun-
do a redação dada pela Lei n.º 10.792/2003. 3. Ordem concedida,
para determinar que o eg. Tribunal de origem aprecie o mérito do
habeas corpus originário, decidindo como entender de direito.
Acórdão
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da
QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade
dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, con-
ceder a ordem, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os
Srs. Ministros Arnaldo Esteves Lima, Napoleão Nunes Maia Filho,
Jorge Mussi e Felix Fischer votaram com a Sra. Ministra Relatora.
(Superior Tribunal de Justiça; HC 143510 / SP; HABEAS COR-
PUS; 2009/0147569-0; Ministra LAURITA VAZ; QUINTA TUR-
MA; 29/10/2009; DJe 30/11/2009).

SUMÁRIO
83
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

2.2. Agravo em execução interposto pelo conselho peni-


tenciário.
EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS. AGRAVO EM EXECUÇÃO IN-
TERPOSTO PELO CONSELHO PENITENCIÁRIO. ARGUIÇÃO DE ILE-
GITIMIDADE RECONHECIDA. ART. 577 DO CPP. ÓRGÃO APENAS
CONSULTIVO E FISCALIZADOR. NULIDADE DO DESPACHO QUE
RECEBEU O RECURSO E, POR CONSEGUINTE, DO JUÍZO DE RE-
TRATAÇÃO QUE REVOGOU O INDULTO ANTERIORMENTE CON-
CEDIDO. RECURSO PROVIDO. 1. A lei processual, em seu art. 577,
limita a legitimação dos recursos penais apenas às partes: no polo
ativo, o Ministério Público ou querelante e, no pólo passivo, o réu,
seu procurador ou seu defensor. 2. O Conselho penitenciário, órgão
consultivo e fiscalizador, não possui legitimidade ativa para interpor
agravo em execução, buscando a revogação de indulto. 3. Recurso
provido para determinar a anulação do despacho de admissibilidade
do agravo em execução, bem como a decisão que, proferida em juízo
de retratação, revogou o indulto concedido ao recorrente.
Acórdão
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tri-
bunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos
termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Napoleão
Nunes Maia Filho, Jorge Mussi e Laurita Vaz votaram com o Sr. Min-
istro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Felix Fischer.
(Superior Tribunal de Justiça; RHC 24238 / ES; RECURSO OR-
DINARIO EM HABEAS CORPUS; 2008/0169115-9; Ministro
ARNALDO ESTEVES LIMA; QUINTA TURMA; 13/10/2009; DJe
16/11/2009).

2.3. Progressão para o regime aberto concedida pelo ju-


ízo das execuções criminais.
HABEAS CORPUS. PROGRESSÃO PARA O REGIME ABERTO CONCE-
DIDA PELO JUÍZO DAS EXECUÇÕES CRIMINAIS. ACÓRDÃO PROFERI-
DO EM AGRAVO EM EXECUÇÃO QUE DETERMINOU A REALIZAÇÃO

SUMÁRIO
84
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

DE EXAME CRIMINOLÓGICO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE.


ORDEM CONCEDIDA. 1. Com a nova redação do art. 112 do Lei
de Execuções Penais, dada pela Lei n.º 10.792/03, para a pro-
gressão de regime prisional basta atestado de bom comportamen-
to carcerário, salvo quando o magistrado, com base nas peculiari-
dades concretas do caso, exigir a realização de exame criminológi-
co, o que não ocorreu na espécie. Precedentes. 2. A necessidade
do exame criminológico não pode ser justificada apenas com base
na gravidade em abstrato do delito, devendo haver, na decisão que
a requer, demonstração, com base em dados concretos obtidos
durante a execução da pena, de que referida perícia se faz mis-
ter ao processo de ressocialização do sentenciado. 3. “Se o Magis-
trado singular não considerou necessário o exame criminológico,
entendendo presentes os requisitos indispensáveis à progressão
de regime, não pode o Tribunal a quo condicionar a concessão
do benefício justamente à realização do referido exame”. (STJ, HC
60181/SP, 5.ª Turma, Rel. Min. GILSON DIPP, DJ de 05/02/2007.)
4. Ordem concedida para restabelecer a decisão monocrática que
deferiu a progressão do Paciente para o regime prisional aberto.
Acórdão
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros
da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformi-
dade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo
no julgamento,por maioria, conceder a ordem, nos termos do voto
da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Arnaldo Esteves Lima
e Jorge Mussi votaram com a Sra. Ministra Relatora. Votaram ven-
cidos os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho e Felix Fischer,
que denegavam a ordem.
(Superior Tribunal de Justiça; HC 134967 / SP; HABEAS COR-
PUS; 2009/0079075-0; Ministra LAURITA VAZ; QUINTA TUR-
MA; 06/10/2009; DJe 01/02/2010).

SUMÁRIO
85
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

2.4. Habeas corpus. execução penal. indeferimento de livra-


mento condicional. questão não apreciada pelo tribunal a
quo. exigência de interposição de agravo em execução.
HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. INDEFERIMENTO DE LIVRA-
MENTO CONDICIONAL. QUESTÃO NÃO APRECIADA PELO TRIBU-
NAL A QUO. EXIGÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM EX-
ECUÇÃO. MATÉRIA DE DIREITO. AUSÊNCIA DE REVOLVIMENTO
FÁTICO-PROBATÓRIO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIA-
DO. ORDEM CONCEDIDA. 1. A matéria não apreciada pela Corte a
quo, qual seja - indeferimento do livramento condicional ao argu-
mento de se tratar de crime grave - é exclusivamente de direito,
prescindindo de revolvimento fático probatório. Ademais, referida
questão interfere no ius libertatis do paciente. Logo, o objeto de
insurgência é compatível com a ação mandamental escolhida pelo
impetrante. 2. In casu, por ser dispensável a dilação probatória, a
previsão legal do recurso de agravo em execução não inviabiliza a
impetração de habeas corpus, remédio constitucional por excelên-
cia, cuja tramitação é notadamente mais célere. 3. Ordem conce-
dida para determinar que o Tribunal de Justiça do Estado de São
Paulo aprecie o habeas corpus originário, decidindo como entend-
er de direito.
Acórdão
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tri-
bunal de Justiça, por unanimidade, concedeu a ordem de habeas
corpus, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Minis-
tros Nilson Naves, Maria Thereza de Assis Moura e Og Fernandes
votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o
Sr. Ministro Haroldo Rodrigues (Desembargador convocado do TJ/
CE). Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Nilson Naves.
(Superior Tribunal de Justiça; HC 130010 / SP; HABEAS COR-
PUS; 2009/0035889-0; Ministro CELSO LIMONGI; SEXTA TUR-
MA; 01/10/2009; 01/10/2009).

SUMÁRIO
86
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

2.5. Agravo em execução de corréu provido por critério


objetivo: abolitio criminis. identidade de situações: inci-
dência do art. 580 do código de processo penal. recurso
provido.
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL
E PENAL. ALEGAÇÃO DE ABOLITIO CRIMINIS DO CRIME PREVIS-
TO NO ART. 12, § 2º, INC. III, DA LEI N. 6.368/76: INOCORRÊN-
CIA. PRECEDENTES. AGRAVO EM EXECUÇÃO DE CO-RÉU PROVIDO
POR CRITÉRIO OBJETIVO: ABOLITIO CRIMINIS. IDENTIDADE DE
SITUAÇÕES: INCIDÊNCIA DO ART. 580 DO CÓDIGO DE PROCESSO
PENAL. RECURSO PROVIDO. 1. O crime previsto no art. 12, § 2º,
inc. III, da Lei n. 6.368/76 não foi revogado pela Lei n. 11.343/06.
Precedentes. 2. Entretanto, tendo o Tribunal de Justiça carioca ju-
lgado extinta a punibilidade do crime em referência cometido por
corréu, em razão do reconhecimento da abolitio criminis, a dizer,
por critério objetivo, e não por motivo de caráter pessoal, aplica-se
à espécie a regra do art. 580 do Código de Processo Penal. 3. Recur-
so ordinário em habeas corpus provido.
Decisão
A Turma deu provimento ao recurso ordinário em habeas corpus,
nos termos do voto da Relatora. Unânime. Ausente, justificada-
mente, o Ministro Menezes Direito. 1ª Turma, 30.06.2009.
(Supremo Tribunal Federal; RHC 97458 / RJ - RIO DE JANEIRO;
RECURSO EM HABEAS CORPUS; Relator(a): Min. CÁRMEN LÚ-
CIA; Julgamento: 30/06/2009; Primeira Turma; DIVULG 20-
08-2009; PUBLIC 21-08-2009).

2.6. Ilegitimidade ativa do ministério público estadual.


inicial ratificada pelo procurador-geral da república.
afastamento da incidência do art. 127 da lep por órgão
fracionário de tribunal estadual. violação das súmulas
vinculantes 9 e 10 do stf. procedência.
RECLAMAÇÃO. ILEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO
ESTADUAL. INICIAL RATIFICADA PELO PROCURADOR-GERAL DA

SUMÁRIO
87
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

REPÚBLICA. AFASTAMENTO DA INCIDÊNCIA DO ART. 127 DA LEP


POR ÓRGÃO FRACIONÁRIO DE TRIBUNAL ESTADUAL. VIOLAÇÃO
DAS SÚMULAS VINCULANTES 9 E 10 DO STF. PROCEDÊNCIA. 1. Ini-
cialmente, entendo que o Ministério Público do Estado de São Paulo
não possui legitimidade para propor originariamente Reclamação
perante esta Corte, eis que “incumbe ao Procurador-Geral da Repúbli-
ca exercer as funções do Ministério Público junto ao Supremo Tribu-
nal Federal, nos termos do art. 46 da Lei Complementar 75/93” (Rcl
4453 MC-AgR-AgR / SE, de minha relatoria, DJe 059, 26.03.2009). 2.
Entretanto, a ilegitimidade ativa foi corrigida pelo Procurador-Geral
da República que ratificou a petição inicial e assumiu a iniciativa da
demanda. 3. No caso em tela, o Juiz de Direito da Vara das Execuções
Criminais de São Paulo/SP, reconhecendo a ocorrência de falta grave
na conduta do sentenciado, declarou perdidos os dias remidos, nos
termos do art. 127 da LEP. 4. Ao julgar o agravo em execução inter-
posto pela defesa do reeducando, a 7ª Câmara de Direito Criminal
do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em 31 de julho de
2008, deu provimento parcial ao recurso, para restabelecer os dias
remidos. 5. O julgamento do agravo ocorreu em data posterior à
edição da Súmula Vinculante n° 09, como inclusive foi expressa-
mente reconhecido pela Corte local. 6. O fundamento consoante o
qual o enunciado da referida Súmula não seria vinculante em razão
da data da decisão do juiz das execuções penais ter sido anterior à
sua publicação, não se mostra correto. 7. Com efeito, a tese de que
o julgamento dos recursos interpostos contra decisões proferidas
antes da edição da súmula, não deve obrigatoriamente observar o
enunciado sumular (após sua publicação na imprensa oficial), data
vênia, não se mostra em consonância com o disposto no art. 103-A,
caput, da Constituição Federal, que impõe o efeito vinculante a todos
os órgãos do Poder Judiciário, a partir da publicação da súmula na
imprensa oficial. 8. Deste modo, o acórdão do Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo, proferido em 31 de julho de 2008, ao não con-
siderar recepcionada a regra do art. 127, da LEP, afrontou a Súmula
Vinculante n° 09. 9. Além disso, o referido acórdão também violou
o enunciado da Súmula Vinculante nº 10, eis que a 7ª Câmara Crim-
inal - órgão fracionário do TJSP - afastou a incidência do art. 127
da LEP, sob o fundamento de que tal dispositivo afronta princípios

SUMÁRIO
88
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

constitucionais. 10. Ante o exposto, defiro a admissão do Sr. Procura-


dor-Geral da República como autor da demanda e julgo procedente
a presente reclamação para cassar o acórdão da 7ª Câmara Criminal
do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que restabeleceu os
dias remidos do reeducando.
Decisão
O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto da Relatora, ju-
lgou procedente a reclamação. Ausente, licenciado, o Senhor Minis-
tro Menezes Direito. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Gilmar
Mendes. Plenário, 25.06.2009.
(Supremo Tribunal Federal; Rcl 6541 / SP - SÃO PAULO; REC-
LAMAÇÃO; Relator(a): Min. ELLEN GRACIE; Julgamento:
25/06/2009; Órgão Julgador: Tribunal Pleno; DIVULG 03-09-
2009; PUBLIC 04-09-2009).

3. Prática
3.1. Agravo em execução penal
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DAS
EXECUÇÕES CRIMINAIS DA COMARCA DE _____________ – ESTADO DE
____________.

_ Referência Execução Criminal nº______________

__________________, nacionalidade, estado civil, profissão, atualmente


preso e recolhido no Presídio_______, neste ato devidamente representado
por seus advogados, comparece com o costumeiro respeito e acatamento
forense à elevada presença de Vossa Excelência, para, com fundamento
no artigo 197 da Lei das Execuções Penais, interpor o presente RECURSO
DE AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL, alegando para tanto os fatos e funda-
mentos seguintes:

SUMÁRIO
89
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Inicialmente requer que sejam trasladas para os autos de agra-


vo ora interposto, cópias integrais do incidente que indeferiu o pedido
de progressão de regimes, mormente a petição inicial de requerimento
do benefício com todos os documentos, a manifestação do MP, a decisão
deste Juízo, e, a certidão cartorária da intimação da decisão do defensor e
o mandado de intimação do sentenciado.

1. O AGRAVANTE foi condenado definitivamente às penas de


06 (seis) anos de reclusão pela prática de crime contra a administração
pública praticado em 14. setembro de 2002, em regime inicial fechado.
Demonstrou ao Juízo a presença dos requisitos objetivos (o agra-
vante já cumpriu mais de um sexto da pena imposta) e subjetivos (o agra-
vante possui excelente comportamento carcerário) demonstrados pelos
documentos em anexo.
2. O Juízo da Vara das Execuções Criminais indeferiu o pedido
formulado pelo agravante, alegando que como se trata de delito contra a
administração pública o agravante teria que, para ser contemplado pelo
benefício, ter reparado o dano causado.
3. O juízo fundamentou a sua decisão no advento da Lei 10.763/03,
que exige a reparação do dano para a concessão do benefício pleiteado.

a) Ocorre, preclaros Magistrados que o crime praticado pelo sen-


tenciado ocorreu antes do advento da Lei 10.763/03, razão pela
qual não pode atingir fatos passados (irretroatividade) mormente
quando for prejudicial ao acusado.
b) Além disso, a nova lei somente pode atingir fatos futuros à sua
vigência, não se aplicando aos fatos ocorridos anteriormente, salvo
quando mais benéfica, que evidentemente não é o caso dos autos.
c) Neste ponto colocar doutrina e jurisprudência sobre a irret-
roatividade da norma.

Ex: “as disposições mais severas da li nova não se aplicam a fatos


praticados anteriormente à sua vigência” (STF RT 608:443) E “NÃO

SUMÁRIO
90
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

PODE HAVER RETROATIVIDADE PREJUDICIAL AO RÉU” – (Celso


Delmanto, Código Penal Comentado, Renovar, p. 07).

4. DIANTE DO EXPOSTO, CASO VOSSA EXCELÊNCIA MANTENHA


A DECISÃO AGRAVADA EM SEDE DE JUÍZO DE RETRATAÇÃO, requer o
provimento do presente agravo em execução penal no sentido de que seja
concedido ao agravante o direito à progressão de regimes, trasladando-se
cópia integral do pedido de progressão de regimes para o presente recur-
so, tudo como forma de JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento

RAZÕES DO AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL

Agravante: ___________
Agravada : ___________
- Referência Execução Penal número _________

Vara das Execuções Criminais da Comarca de _______– Estado de ______


EGRÉGIO TRIBUNAL!

COLENDA CÂMARA!

ÍNCLITOS JULGADORES !

Consoante se observa dos autos de agravo e das cópias trasladas


aos autos, a decisão recorrida deve ser reformada uma vez que não distribui
ao caso concreto a costumeira Justiça, devendo a mesma ser reformada, por
entender o agravante que a mesma encontra-se em completa desarmonia

SUMÁRIO
91
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

com a doutrina, a jurisprudência e os próprios documentos juntados nos


autos. É o que verão Vossas Excelências dos articulados seguintes:

I - PRELIMINARMENTE

VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL –


AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DAS PARTES DO PARECER DO CONSELHO
PENITENCIÁRIO:

O processo penal brasileiro prima pela obediência estrita a


princípios constitucionais da amplitude de defesa, do due process of law e
do contraditório. O presente feito encontra-se eivado de nulidade, e esta
nulidade causou enorme prejuízo ao ora defendente. Trata-se de nulidade
insanável, podendo ser alegada em qualquer momento, em qualquer grau
de jurisdição, uma vez que fere o principio do contraditório, do devido
processo legal e da ampla defesa.
O artigo 564 do Código de Processo Penal preceitua a ocorrência
da nulidade quando por falta de fórmulas ou termos e omissão de formal-
idade que constitua elemento essencial do ato. Trata-se de nulidade abso-
luta que não convalesce, matéria de ordem pública que pode ser alegada a
qualquer momento. Também é considerada como nulidade relativa, uma
vez que provada devidamente a sua ocorrência, anula o ato e o prejuízo
ao réu torna-se evidente. Certamente que esta Defensoria devidamente
constituída, impugnaria as conclusões do Conselho Penitenciário uma vez
que o crime em que o agravante responde é um HOMICIDIO SIMPLES, que
não está inserido no rol dos crimes hediondos.
Já se tem decidido que constitui cerceamento de defesa a ausência
de intimação para os atos processuais e impõe a nulidade do processo.
Constitui, pois, nulidade insanável.
O próprio Cartório lançou certidão nos autos INFORMANDO que
a defesa do agravante não havia sido intimada para se manifestar sobre o
laudo (cfr. fls. 31). O juízo de Direito indeferiu o benefício sem antes dar
conhecimento as partes sobre a conclusão do laudo e sem dar as mesmas
oportunidade para dele tomar conhecimento e externar as suas consid-

SUMÁRIO
92
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

erações. Trata-se, pois, de vício insanável, devidamente comprovado nos


autos pela certidão de fls. 31.

Padece ainda a decisão de manifesta ilegalidade por ferir a de-


cisão o disposto no artigo 564, inciso III, aliena “e”, tendo em vista que
não foi concedido à defesa prazo para manifestar-se sobre o Parecer do
Conselho Penitenciário.

Neste sentido temos;


“I- A falta de intimação da parte para tomar ciência de lau-
do pericial- documento este que foi utilizado para respal-
dar o acórdão objurgado - configura cerceamento de defesa.
II- Quando tratar-se de questão de ordem pública - ou seja,
matéria que pode ser conhecida até mesmo de ofício pelo Mag-
istrado - impõe o reconhecimento da nulidade do acórdão
recorrido. III- Torna patente, portanto, a nulidade do decisum,
a falta de intimação da parte para ciência de laudo pericial, de
modo que impossibilita a manifestação da recorrente, configu-
rando a ofensa ao contraditório e à ampla defesa. IV- Recurso
Provido. (TJ-ES; EDcl-AI 024.04.901563-9; Quarta Câmara
Cível; Relª Desª Catharina Maria Novaes Barcellos; Julg.
26/07/2005; DJES 19/09/2005)

1) Constitui cerceamento de defesa, que leva à nulidade do


processo, a falta de intimação pessoal do defensor público
para manifestação acerca de laudo pericial, máxime quando a
referida prova tenha servido de única motivação da sentença
desfavorável à parte sob seu patrocínio. 2) Recurso provido.
(TJ-AP; AC 1178/02; Ac. 6174; Câmara Única; Rel. Des. José
Luciano de Assis; Julg. 29/10/2003; DOEAP 28/11/2003)

Assim sendo, Excelências, estando devidamente comprovado no


caderno processual a ausência de intimação da defesa do agravante para
manifestar-se sobre o Parecer do Conselho Penitenciário, impõe-se o

SUMÁRIO
93
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

reconhecimento da nulidade arguída e consequente decretação da nuli-


dade do processo por falta de requisito e formalidade que constitua for-
malidade essencial do ato.
Caso Vossa Excelência não acolha a nulidade ora ofertada, o que
se admite apenas ad argumentandum tantum, a defesa passa a analisar o
mérito das imputações e desde já pugnando pelo provimento do presente
agravo, a reforma da decisão recorrida e a concessão ao agravante do ben-
eficio do INDULTO, tal qual foi requerido anteriormente.

II – NO MÉRITO:
Consoante se observa do Parecer do Conselho Penitenciário, en-
cartado aos autos às fls. 29, observa-se claramente que o agravante cum-
priu o lapso temporal exigido por lei, apresentando bom comportamento
carcerário, e não há qualquer falta grave praticada pelo mesmo nos últi-
mos doze meses.
Todavia, por incrível que possa parecer, o beneficio do Indulto re-
querido pelo agravante não foi acolhido, uma vez que, segundo o Parecer
do Conselho Penitenciário do Estado de São Paulo, o agravante praticou
crime hediondo, fato este que não lhe permite a concessão do beneficio.
Com o devido respeito, a motivação para a não concessão do
benefício encontra-se totalmente equivocada, uma vez que conforme se
observa do documento em anexo o agravante foi condenado pela prática
de homicídio simples, e como é sabido, apenas o homicídio qualificado é
considerado como crime hediondo.
Como é sabido, a Lei 8.072/90 apenas classifica como crime hedi-
ondo o homicídio qualificado, e não o homicídio simples e muito menos o
homicídio privilegiado qualificado. Assim:
São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipifica-
dos no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal,
consumados ou tentados: Redação(ões) Anterior(es)

I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de gru-


po de extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicí-

SUMÁRIO
94
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

dio qualificado (art. 121, § 2º, I, II, III, IV e V); (Inciso acrescentado
conforme determinado na Lei nº 8.930, de 6.9.1994, DOU 7.9.1994)

Pela redação da lei, somente o homicídio simples praticado em


atividade típica de grupo de extermínio é considerado como crime
hediondo, e não é a hipótese ventilada nos autos.
Ensina o professor DAMASIO EVANGELISTA DE JESUS: “quando o
homicídio simples é crime hediondo: o homicídio simples, tentado ou con-
sumado, é delito hediondo somente quando cometido em atividade típica
de grupo de extermínio ainda que por um só executor, nos termos do
artigo 1º. , I , da Lei 8.072/90”. (Código Penal Anotado, Saraiva, p.361).
Assim sendo, jamais poderia o indulto ser negado ao agravante
pelo motivo do crime perpetrado pelo mesmo ser hediondo. Primeiro
porque restou condenado por homicídio simples e não qualificado em
segundo lugar o homicídio praticado pelo agravante não foi resul-
tante de atividade típica de grupo de extermínio.

POSTO ISTO, pelas razões apresentadas no presente inconform-


ismo requer o provimento do presente agravo em execução penal para
que seja anulada a decisão de primeiro grau face a nulidade aponta-
da, e no mérito, seja provido para conceder o INDULTO haja vista que
o delito praticado pelo agravante não é tipificado como hediondo,
tudo como forma de JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento
_________________________________
Advogado/OAB__________

SUMÁRIO
95
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

3.2. Contrarrazões de agravo em execução penal


EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DAS
EXECUÇÕES CRIMINAIS DE___________– ESTADO DE ________________

- Referência Execução Penal número _____


- Cartório da Vara das Execuções Criminais.

________, já devidamente quali-


ficado nos autos da execução criminal, feito em epígrafe, cujo caderno
processual tem regular marcha perante este Egrégio Juízo e r. cartório de
execuções criminais, neste ato devidamente representado por seus ad-
vogados que desta é signatário, comparece com o costumeiro respeito e
acatamento forense à elevada presença de Vossa Excelência, para TEM-
PESTIVAMENTE, apresentar sua CONTRARRAZÕES AO AGRAVO EM EX-
ECUÇÃO, consubstânciado nas razões em anexo apresentadas.

Requer a Vossa Excelência, que,


desde já mantenha a decisão recorrida, vez que a decisão combatida
atende a todos os requisitos legais, e a sua manutenção é a melhor dis-
tribuição de Justiça ao caso concreto.

Nestes Termos,
Pede Deferimento

CONTRARRAZÕES AO AGRAVO EM EXECUÇÃO

Referência: Execução Criminal n.º_______– Vara das Execuções Crimi-


nais da Comarca de _______________

SUMÁRIO
96
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Agravante: Ministério Público do Estado de_____________


Agravado: ______________

Egrégio Tribunal !
Colenda Câmara !
Nobres Julgadores !

1) A decisão deve ser mantida em


todos seus termos, pois distribuiu JUSTIÇA ao caso concreto, senão vejamos:

2) O sentenciado foi agraciado


com o livramento condicional, após cumprir todos os requisitos obje-
tivos e subjetivos, tendo sido imposta a condição de que o beneficiário
somente pudesse deixar seu domicílio a partir das 06h00min da manhã,
INCLUSIVE AOS SÁBADOS E DOMINGOS (FLS. _____ITEM “---”).

3) Ocorre que, na data de, mais


precisamente um domingo, o sentenciado foi surpreendido, fora de seu
domicilio, às 05h50minutos, dez minutos antes do permitido.

Deve ser destacado, por oportu-


no, que não está em análise o crime praticado pelo sentenciado, qual seja o
crime de homicídio, uma vez que o mesmo já foi condenado e as questões
atinentes a gravidade do crime e seus reflexos já foram efetivamente
analisados pelo Egrégio Tribunal do Júri da Comarca de_______________.

4) Destaca-se que nas palavras


do sentenciado, este havia deixado sua residência para se encontrar
com o genitor, que deixaria o serviço às 6 horas da manhã, sendo que
ambos iriam pegar ônibus e visitar a avó do sentenciado no bair-
ro________, para ali passarem o dia de domingo;

SUMÁRIO
97
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

5) Cumpre destacar, como foi sa-


lientado pelo Nobre Julgador e confessado pelo sentenciado, que o mes-
mo não estava no horário determinado em sua residência, PORÉM,
tal descumprimento NÃO É CAUSA OBRIGATÓRIA PARA REVOGAÇÃO
DO LIVRAMENTO CONDICIONAL, AINDA MAIS, SE PENSARMOS QUE O
SENTENCIADO JÁ CUMPRIU quase a totalidade da PENA IMPOSTA EM
REGIME FECHADO, SEM QUALQUER DESVIO DE COMPORTAMENTO
OU PRÁTICA DE FALTA DURANTE SUA CUSTÓDIA.

7. Neste sentido tem-se anotado


que: “não existe no CP ou na LEP a figura da suspensão do livramento
condicional por quebra de obrigação constante da sentença conces-
siva, sendo ela admissível somente na hipótese do artigo 145 da LEP –
prática de outra infração durante o seu curso” (TJPR, RT 704/378).

8. Além disso, tem-se firmado


decisões a este respeito no sentido de que “a revogação do livramento
condicional só é possível diante da prova cabal de má conduta do sen-
tenciado, e assim em caso de instauração de inquérito policial, deve
o condenado usufruir da medida até o deslinde final...Não há que se
falar em suspensão do benefício que é admitida somente para as hipó-
teses previstas no artigo 732 do CPP” (vide a respeito Código Penal na
Expressão dos Tribunais, MOHAMED AMARO, EDITORA SARAIVA, p. 438).

9. Deve ser acrescido que a con-


duta do sentenciado não é capitulada como crime ou mesmo como
contravenção penal, sendo um descumprimento de uma condição im-
posta, que levou, ao prudente arbítrio do Magistrado, o agravamento
das condições impostas para o cumprimento do restante da pena.

10) Cumpre mencionar ainda,


como um fato importante, que a Defesa juntou declaração de trabalho
( fls. 24) do sentenciado demonstrando que o mesmo obteve ocupação
licita como servente de pedreiro, cumprindo horário de segunda a sábado

SUMÁRIO
98
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

das 07:00 as 17:00horas, em período integral, demonstrando que o sen-


tenciado se esforça em obter a sua ressocialização, que é uma das funções
primordiais da pena;

11. Deve ser levado em conta que


este é o primeiro e único ato praticado pelo sentenciado de descum-
primento de sanção imposta, que sequer se configura a prática de crime
ou de contravenção penal, sem qualquer gravidade e sem colocar em
risco a paz e harmonia social e apenas e tão somente dez minutos an-
tes do seu horário permitido;

12. Deve ser acrescido que esta


conduta, pela ausência de lesividade a qualquer bem jurídico tutelado
não pode e nem deve ser levada pelo Poder Judiciário como uma causa
obrigatória de revogação do benefício, como já não foi em primeira In-
stância, devendo ser mantido o agravamento das condições impos-
tas, nos termos fixados em decisão fundamentada, ante a ausência de
qualquer outra conduta do sentenciado que evidencie que o mesmo
tornará a delinquir.

13. Neste passo adverte o profes-


sor NEY DE MOURA TELES: “ é de todo conveniente que ao juiz da execução
penal seja concedida a mais ampla liberdade de decisão, para determinar
a revogação quando absolutamente necessária para a realização dos
fins da execução penal”( Direito Penal, Volume 2, Editora Atlas, p. 1984).

14. Com o devido respeito, um


atraso de dez ou vinte minutos, não se revele como motivo ensejador
de revogação de um benefício, MORMENTE QUANDO O SENTENCIADO
JÁ CUMPRIU QUASE TODA A SUA PENA, e sem que este ato tivesse cau-
sado qualquer violação ou ameaça a qualquer bem jurídico tutelado.

Deve ser levado em conta que,


para a aplicação de pena, penalidade, sanção ou revogação, tanto no âm-

SUMÁRIO
99
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

bito do Direito Penal, quanto do Direito Administrativo, ou nossa vida em


coletividade, deve ser observado, sob pena de cometermos flagrantes in-
justiças o princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade, em que a
punição nunca deve ser maior que a falta cometida. Neste diapasão, o MM
Juiz adotou posição correta em agravar as condições do benefício, deixan-
do de advertir o sentenciado (uma punição branda) ou revogar o benefício
(posição mais grave), adotando a solução adequada que foi o agravamento
das condições (posição média, compatível com a falta cometida, que não
teve nenhum reflexo criminoso na conduta do sentenciado).

Adotando-se a postura do Ilus-


tre Promotor de Justiça estaríamos, com o devido respeito, incidindo no
excesso de execução, qual seja, indo além do decidido na sentença, no
acórdão ou na lei, prejudicando o sentenciado que cumpre a sua pena,
procurando atentar-se a finalidade desta, qual seja, a sua reinserção no
convívio social, submetendo o agravado a tratamento mais rigoroso por
uma falta leve e sem qualquer repercussão social. Certamente, com o
provimento do agravo, o sentenciado irá ser submetido a sanção ad-
ministrativa não prevista em lei, indo além do que esta fixa, revogan-
do-se um benefício por atraso de minutos.

Lembra o autor RENATO MARCÃO


que: “é necessário que a sanção seja individualizada e proporcional a condu-
ta, aferindo caso a caso a natureza e gravidade da infração praticada,
a circunstâncias do fato e a pessoa do faltoso” (Curso de Execução Penal,
Editora Saraiva, 2007, p. 46).

Não se perca de vista que na apli-


cação de qualquer sanção (como a revogação do benefício) a própria Lei de
Execução Penal, em seu artigo 57, recomenda ao Juiz e ao aplicador do Di-
reito, um temperamento recheado de cautela, pois deve ser observado a
natureza da infração praticada, as circunstâncias e consequências do
fato, a pessoa do faltoso e o tempo que resta de cumprimento da pena.

SUMÁRIO
100
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

O fato praticado pelo sentencia-


do não enseja a revogação obrigatória do livramento condicional, uma
vez que a falta praticada não se trata de crime praticado antes do
benefício ou crime praticado durante o período de prova.

A conduta do sentenciado não


reflete, de maneira alguma, sua inaptidão para o retorno ao convívio so-
cial. Tampouco demonstra a ausência de mérito para a continuidade do
benefício, e tal decisão, como foi tomada pelo Juiz, demonstrou estar cer-
cada por parâmetros da individualização da pena, qual seja: a imposição
de sanção média, acima do mínimo (repreensão ou advertência) e abaixo
da máxima (revogação do benefício).

Portanto, Senhores Julga-dores,


não é qualquer conduta que enseja a revogação do benefício, sendo
necessário que esta conduta reflita que o sentenciado não está apto ao re-
torno social, fato este que não ficou demonstrado nos autos, cuja a prova
fica a cargo do Ilustre Membro do Ministério Público que nada comprovou
a respeito, batendo-se na prática do crime (alias já julgado) e pelo atraso
de singelos minutos...

15. Assim sendo, requer as


Vossas Excelência que seja julgado IMPROVIDO O PRESENTE RECUR-
SO E MANTIDA, VIA DE CONSEQUÊNCIA A DECISÃO AGRAVADA, visto
que, como já suscitado, não existem elementos suficientes para a revo-
gação do livramento condicional do sentenciado, que já teve sua situ-
ação agravada, tudo como forma de distribuição de Justiça.

Nestes Termos,
Pede Deferimento

_________________________________
Advogado/OAB__________

SUMÁRIO
101
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

CAPÍTULO XXXIII

SÚMULAS DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Súmula 3
Compete ao tribunal regional federal dirimir conflito de competencia verifi-
cado, na respectiva região, entre juiz federal e juiz estadual investido de juris-
dição federal.

Súmula 6
Compete ao tribunal regional federal dirimir conflito de competencia
verificado, na respectiva região, entre juiz federal e juiz estadual inves-
tido de jurisdição federal.

Súmula 7
A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.

Súmula 9
A exigencia da prisão provisoria, para apelar, não ofende a garantia con-
stitucional da presunção de inocencia.

Súmula 13
A divergencia entre julgados do mesmo tribunal não enseja recurso especial.

SUMÁRIO
102
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Súmula 18
A sentença concessiva do perdão judicial e declaratoria da extinção da
punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatorio.

Súmula 21
Pronunciado o reu, fica superada a alegação do constrangimento ilegal
da prisão por excesso de prazo na instrução.

Súmula 22
Não ha conflito de competencia entre o Tribunal de Justiça e Tribunal de
alçada do mesmo estado-membro.

Súmula 33
A incompetencia relativa não pode ser declarada de oficio.

Súmula 37
São cumulaveis as indenizações por dano material e dano moral oriun-
dos do mesmo fato.

Súmula 38
Compete a justiça estadual comum, na vigencia da constituição de 1988,
o processo por contravenção penal, ainda que praticada em detrimento
de bens, serviços ou interesse da união ou de suas entidades.

Súmula 40
Para obtenção dos beneficios de saida temporaria e trabalho externo,
considera-se o tempo de cumprimento da pena no regime fechado.

SUMÁRIO
103
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Súmula 41
O superior tribunal de justiça não tem competencia para processar e
julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de outros tri-
bunais ou dos respectivos orgãos.

Súmula 42
Compete a justiça comum estadual processar e julgar as causas civeis em
que e parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu
detrimento.

Súmula 51
A punição do intermediador, no jogo do bicho, independe da identifi-
cação do “ apostador” ou do “banqueiro”.

Súmula 52
Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangi-
mento por excesso de prazo.

Súmula 53
Compete a justiça comum estadual processar e julgar civil acusado de
pratica de crime contra instituições militares estaduais.

Súmula 59
Não ha conflito de competencia se ja existe sentença com transito em
julgado, proferida por um dos juizosconflitantes.

Súmula 62
Compete a justiça estadual processar e julgar o crime de falsa anotação
na carteira de trabalho e previdencia social, atribuido a empresa privada.

SUMÁRIO
104
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Súmula 64
Não constitui constrangimento ilegal o excesso de prazo na instrução,
provocado pela defesa.

Súmula 73
A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em
tese, o crime de estelionato, da competencia da justiça estadual.

Súmula 74
Para efeitos penais, o reconhecimento da menoridade do reu requer pro-
va por documento habil.

Súmula 75
Compete a justiça comum estadual processar e julgar o policial militar por
crime de promover ou facilitar a fuga de preso de estabelecimento penal.

Súmula 78
Compete a justiça militar processar e julgar policial de corporação estad-
ual, ainda que o delito tenha sido praticado em outra unidade federativa.

Súmula 81
Não se concede fiança quando, em concurso material, a soma das penas
minimas cominadas for superior a dois anos de reclusão.

Súmula 83
Não se conhece do recurso especial pela divergencia, quando a orien-
tação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida.

SUMÁRIO
105
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Súmula 86
Cabe recurso especial contra acordão proferido no julgamento de agravo
de instrumento.

Súmula 90
Compete a justiça estadual militar processar e julgar o policial militar
pela pratica do crime militar, e a comum pela pratica do crime comum
simultaneo aquele.

Súmula 91
Compete a justiça federal processar e julgar os crimes praticados contra a
fauna.
(*) Na sessão de 08/11/2000, a Terceira Seção deliberou pelo CAN-
CELAMENTO da Súmula n. 91.

Súmula 98
Embargos de declaração manifestados com notorio proposito de pre-
questionamento não tem carater protelatorio.

Súmula 104
Compete a justiça estadual o processo e julgamento dos crimes de falsificação
e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino.

Súmula 107
Compete a justiça comum estadual processar e julgar crime de estelion-
ato praticado mediante falsificação das guias de recolhimento das con-
tribuições previdenciarias, quando não ocorrente lesão a autarquia federal.

Súmula 122
Compete a justiça federal o processo e julgamento unificado dos crimes
conexos de competencia federal e estadual, não se aplicando a regra do
art. 78, II, “a”, do codigo de processo penal.

SUMÁRIO
106
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Súmula 140
Compete a justiça comum estadual processar e julgar crime em que o
indigena figure como autor ou vitima.

Súmula 147
Compete a justiça federal processar e julgar os crimes praticados contra
funcionario publico federal, quando relacionados com o exercicio da função.

Súmula 151
A competencia para o processo e julgamento por crime de contrabando
ou descaminho define-se pela prevenção do juizo federal do lugar da
apreensão dos bens.

Súmula 164
O prefeito municipal, apos a extinção do mandato, continua sujeito a
processo por crime previsto no art. 1. do Dec. Lei n. 201, de 27/02/67.

Súmula 165
Compete a justiça federal processar e julgar crime de falso testemunho
cometido no processo trabalhista.

Súmula 171
Cominadas cumulativamente, em lei especial, penas privativa de liber-
dade e pecuniaria, e defeso a substituição da prisão por multa.

Súmula 174
No crime de roubo, a intimidação feita com arma de brinquedo autoriza
o aumento da pena.

SUMÁRIO
107
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Súmula 191
A pronuncia e causa interruptiva da prescrição, ainda que o tribunal do
juri venha a desclassificar o crime.

Súmula 200
O juizo federal competente para processar e julgar acusado de crime
de uso de passaporte falso e o do lugar onde o delito se consumou.

Súmula 203
Não cabe recurso especial contra decisão proferida por órgão de segun-
do grau dos juizados especiais.

Súmula 208
Compete a justiça federal processar e julgar prefeito municipal por des-
vio de verba sujeita a prestação de contas perante orgão federal.

Súmula 209
Compete a justiça estadual processar e julgar prefeito por desvio de ver-
ba transferida e incorporada ao patrimonio municipal.

Súmula 211
Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição
de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo.

Súmula 216
A tempestividade de recurso interposto no superior *tribunal de justiça
é aferida pelo registro no protocolo da secretaria e não pela data da en-
trega na agência do correio.

SUMÁRIO
108
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Súmula 234
A participação de membro do ministério público na fase investigatória
criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o ofereci-
mento da denúncia.

Súmula 240
A extinção do processo, por abandono da causa pelo autor, depende de
requerimento do réu.

Súmula 243
O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às in-
frações penais cometidas em concurso material, concurso formal ou
continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo so-
matório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite

Súmula 244
Compete ao foro do local da recusa processar e julgar o crime de este-
lionato mediante cheque sem provisão de fundos.

Súmula 267
A interposição de recurso, sem efeito suspensivo, contra decisão conde-
natória não obsta a expedição de mandado de prisão.

Súmula 273
Intimada a defesa da expedição da carta precatória, torna-se
desnecessária intimação da data da audiência no juízo deprecado.

Súmula 280
O art. 35 do decreto-lei n° 7.661, de 1945, que estabelece a prisão administrativa,
foi revogado pelos incisos LXI e LXVII do art. 5° da constituição federal de 1988.

SUMÁRIO
109
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Súmula 304
É ilegal a decretação da prisão civil daquele que não assume expressa-
mente o encargo de depositário judicial.

Súmula 305
É descabida a prisão civil do depositário quando, decretada a falência da
empresa, sobrevém a arrecadação do bem pelo síndico.

Súmula 337
É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do
crime e na procedência parcial da pretensão punitiva.

Súmula 338
A prescrição penal é aplicável nas medidas sócio-educativas.

Súmula 342
NO procedimento para aplicação de medida sócio-educativa, é nula a de-
sistência de outras provas em face da confissão do adolescente.

Súmula 347
O conhecimento de recurso de apelação do réu independe de sua prisão.

Súmula 348
Compete ao superior tribunal de justiça decidir os conflitos de competência en-
tre juizado especial federal e juízo federal, ainda que da mesma seção judiciária.

Súmula 367
A competência estabelecida pela ec n. 45/2004 não alcança os processos
já sentenciados.

SUMÁRIO
110
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Súmula 376
Compete a turma recursal processar e julgar o mandado de segurança
contra ato de juizado especial.

Súmula 383
A competência para processar e julgar as ações conexas de interesse de
menor é, em princípio, do foro do domicílio do detentor de sua guarda.

Súmula 390
Nas decisões por maioria, em reexame necessário, não se admitem em-
bargos infringentes.

Súmula 415
O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo
da pena cominada.

Súmula 419
Descabe a prisão civil do depositário judicial infiel.

Súmula 428
Compete ao Tribunal Regional Federal decidir os conflitos de competência
entre juizado especial federal e juízo federal da mesma seção judiciária.

Súmula 438
É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão
punitiva com fundamento em pena hipotética, independentemente da
existência ou sorte do processo penal.

SUMÁRIO
111
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Súmula 439
Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde
que em decisão motivada.

Súmula 440
Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de re-
gime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção impos-
ta, com base apenas na gravidade abstrata do delito.

Súmula 441
A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional.

Súmula 442
É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a
majorante do roubo.

Súmula 443
O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo cir-
cunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para
a sua exasperação a mera indicação do número de majorantes.

Súmula 444
É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso
para agravar a pena-base.

Súmula 455
A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no
art. 366 do cpp deve ser concretamente fundamentada, não a justifican-
do unicamente o mero decurso do tempo.

SUMÁRIO
112
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Súmula 471
Os condenados por crimes hediondos ou assemelhados cometidos antes da
vigência da Lei n. 11.464/2007 sujeitam-se ao disposto no art. 112 da lei n.
7.210/1984 (lei de execução penal) para a progressão de regime prisional.

SUMÁRIO
113
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

CAPÍTULO XXXIV

SÚMULAS DO SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL
SÚMULA Nº 2
Concede-se liberdade vigiada ao extraditando que estiver preso por pra-
zo superior a sessenta dias.

Observação
- Verifica-se na leitura do acórdão do HC47663 (DJ de 27/11/1970), do
Plenário, que a aplicação da Súmula 2 está obstada pelo art. 95, § 1º, do
Decreto-Lei 941/1969. Em decisão monocrática exarada na Ext 890 (DJ
de 29/8/2003), o Ministro Relator entendeu que a Súmula 2 não mais
prevalece em nosso sistema de direito positivo, desde a revogação, pelo
Decreto-Lei 941/1969 (art. 95, § 1º), do art. 9º do Decreto-Lei 394/1938,
sob cuja égide foi editada a formulação sumular em questão. Nesse sen-
tido veja também as decisões monocráticas Ext 766 (DJ de 29/11/1999)
e Ext 870 (DJ de 8/10/2003), bem como os acórdãos HC 73552 (DJe nº
30/2009) e Ext 1121 AgR (DJe n° 71/2009), ambos do Plenário. - Regi-
mento Interno do Supremo Tribunal Federal de 1980, art. 213.

SÚMULA Nº 3
A imunidade concedida a deputados estaduais é restrita à justiça do estado

Observação
O Tribunal Pleno declarou superada a Súmula 3 no julgamento do RE 456679.

SÚMULA Nº 4
Não perde a imunidade parlamentar o congressista nomeado ministro de
estado

SUMÁRIO
114
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Observação
A Súmula 4 foi cancelada no julgamento do inq 104 (RTJ 99/477).

SÚMULA Nº 145
Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna im-
possível a sua consumação.

SÚMULA Nº 146
A prescrição da ação penal regula-se pela pena concretizada na sentença,
quando não há recurso da acusação.

SÚMULA Nº 147
A prescrição de crime falimentar começa a correr da data em que deve-
ria estar encerrada a falência, ou do trânsito em julgado da sentença que
a encerrar ou que julgar cumprida a concordata.

SÚMULA Nº 155
É relativa a nulidade do processo criminal por falta de intimação da ex-
pedição de precatória para inquirição de testemunha.

SÚMULA Nº 156
É absoluta a nulidade do julgamento, pelo júri, por falta de quesito obrigatório.

SÚMULA Nº 160
É nula a decisão do tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não ar-
güida no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício.

SÚMULA Nº 162
É absoluta a nulidade do julgamento pelo júri, quando os quesitos da
defesa não precedem aos das circunstâncias agravantes.

SÚMULA Nº 206
É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de jurado que
funcionou em julgamento anterior do mesmo processo.

SUMÁRIO
115
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

SÚMULA Nº 208
O assistente do ministério público não pode recorrer, extraordinaria-
mente, de decisão concessiva de “habeas corpus”.

SÚMULA Nº 210
O assistente do ministério público pode recorrer, inclusive extraordi-
nariamente, na ação penal, nos casos dos arts. 584, § 1º, e 598 do código
de processo penal.

SÚMULA Nº 245
A imunidade parlamentar não se estende ao co-réu sem essa prerrogativa.

SÚMULA Nº 246
Comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão
de cheque sem fundos.

SÚMULA Nº 344
Sentença de primeira instância concessiva de “habeas corpus”, em caso
de crime praticado em detrimento de bens, serviços ou interesses da
união, está sujeita a recurso “ex officio”.

SÚMULA Nº 351
É nula a citação por edital de réu preso na mesma unidade da federação
em que o juiz exerce a sua jurisdição.

SÚMULA Nº 352
Não é nulo o processo penal por falta de nomeação de curador ao réu
menor que teve a assistência de defensor dativo.

SÚMULA Nº 366
Não é nula a citação por edital que indica o dispositivo da lei penal, embora não
transcreva a denúncia ou queixa, ou não resuma os fatos em que se baseia.

SUMÁRIO
116
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

SÚMULA Nº 367
Concede-se liberdade ao extraditando que não for retirado do país no
prazo do art. 16 do decreto-lei 394, de 28/4/1938.

SÚMULA Nº 388
O casamento da ofendida com quem não seja o ofensor faz cessar a qual-
idade do seu representante legal, e a ação penal só pode prosseguir por
iniciativa da própria ofendida, observados os prazos legais de decadên-
cia e perempção.

Observação
A Súmula 388 foi revogada pelo Tribunal Pleno no julgamento do HC
53777 (RTJ 83/735).

SÚMULA Nº 394
Cometido o crime durante o exercício funcional, prevalece a competên-
cia especial por prerrogativa de função, ainda que o inquérito ou a ação
penal sejam iniciados após a cessação daquele exercício.

Observação
- Na sessão plenária de 25/8/1999 a Súmula 394 foi cancelada, com
efeito “ex nunc”, nos seguintes julgamentos: Inq 687 QO (RTJ 179/912),
AP 315QO (RTJ 180/11), AP 319 QO (DJ de 31/10/2001), Inq 656 QO (DJ
de 31/10/2001), Inq 881 QO (RTJ 179/440), AP 313 QO (RTJ 171/745).
- Veja Súmula 451.

SÚMULA Nº 395
Não se conhece de recurso de “habeas corpus” cujo objeto seja resolver
sobre o ônus das custas, por não estar mais em causa a liberdade de lo-
comoção.

SÚMULA Nº 396
Para a ação penal por ofensa à honra, sendo admissível a exceção da ver-
dade quanto ao desempenho de função pública, prevalece a competência

SUMÁRIO
117
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

especial por prerrogativa de função, ainda que já tenha cessado o exer-


cício funcional do ofendido.

SÚMULA Nº 423
Não transita em julgado a sentença por haver omitido o recurso “ex offi-
cio”, que se considera interposto “ex lege”.

SÚMULA Nº 431
É nulo o julgamento de recurso criminal, na segunda instância, sem
prévia intimação, ou publicação da pauta, salvo em “habeas corpus”.

SÚMULA Nº 448
O prazo para o assistente recorrer, supletivamente, começa a correr ime-
diatamente após o transcurso do prazo do ministério público

Observação
No julgamento do HC 50417 (RTJ 68/604), o Tribunal Pleno, por maio-
ria de votos, resolvendo questão de ordem, decidiu pela revisão prelim-
inar da redação da Súmula 448.

SÚMULA Nº 451
A competência especial por prerrogativa de função não se estende ao
crime cometido após a cessação definitiva do exercício funcional.

SÚMULA Nº 452
Oficiais e praças do corpo de bombeiros do estado da guanabara respon-
dem perante a justiça comum por crime anterior à Lei 427, de 11/10/1948.

SÚMULA Nº 453
Não se aplicam à segunda instância o art. 384 e parágrafo único do códi-
go de processo penal, que possibilitam dar nova definição jurídica ao

SUMÁRIO
118
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

fato delituoso, em virtude de circunstância elementar não contida, ex-


plícita ou implicitamente, na denúncia ou queixa.

SÚMULA Nº 497
Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena impos-
ta na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação.

SÚMULA Nº 498
Compete à justiça dos estados, em ambas as instâncias, o processo e o
julgamento dos crimes contra a economia popular.

SÚMULA Nº 499
Não obsta à concessão do “sursis” condenação anterior à pena de multa.

SÚMULA Nº 521
O foro competente para o processo e julgamento dos crimes de este-
lionato, sob a modalidade da emissão dolosa de cheque sem provisão
de fundos, é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado.

SÚMULA Nº 522
Salvo ocorrência de tráfico para o exterior, quando, então, a competência
será da justiça federal, compete à justiça dos estados o processo e julga-
mento dos crimes relativos a entorpecentes.

SÚMULA Nº 523
No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a
sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.

SÚMULA Nº 524
Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do
promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.

SUMÁRIO
119
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

SÚMULA Nº 554
O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebi-
mento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação penal.

SÚMULA Nº 555
É competente o tribunal de justiça para julgar conflito de jurisdição en-
tre juiz de direito do estado e a justiça militar local.

Observação
- No julgamento do CJ 6155 (RTJ 90/20), em sessão plenária, o Senhor
Ministro Relator propôs revisão da Súmula 555. Da leitura do acórdão
referente ao CJ6195 (RTJ 94/1034), proferido em sessão plenária, veri-
fica-se que, em face da Emenda Constitucional 7/77, passou esta Corte a
entender que não mais vigora o princípio contido na Súmula 555, quan-
do haja, no Estado-Membro, Tribunal Militar de segundo grau, caso em
que cabe ao Tribunal Federal de Recursos julgar conflitos de jurisdição
entre juiz de direito e auditor da Justiça Militar local. - Sobre conflito de
competência veja Constituição Federal de 1988, art. 102, I, “o”; art. 105,
I, “d” e art. 108, I, “e”.

SÚMULA Nº 564
A ausência de fundamentação do despacho de recebimento de denúncia
por crime falimentar enseja nulidade processual, salvo se já houver sen-
tença condenatória.

SÚMULA Nº 568
A identificação criminal não constitui constrangimento ilegal, ainda que
o indiciado já tenha sido identificado civilmente.

Observação
A Súmula 568 está superada, considerando que a Constituição Federal de
1988, em seu art. 5º, LVIII, determina que o civilmente identificado não

SUMÁRIO
120
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

será submetido à identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em


lei. Nesse sentido veja RHC 66881 (RTJ 127/588), da Primeira Turma.

SÚMULA Nº 592
Nos crimes falimentares, aplicam-se as causas interruptivas da pre-
scrição, previstas no código penal.

SÚMULA Nº 594
Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos, indepen-
dentemente, pelo ofendido ou por seu representante legal.

SÚMULA Nº 603
A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz sin-
gular e não do tribunal do júri.

SÚMULA Nº 604
A prescrição pela pena em concreto é somente da pretensão executória
da pena privativa de liberdade.

SÚMULA Nº 608
No crime de estupro, praticado mediante violência real, a ação penal é
pública incondicionada.

SÚMULA Nº 609
É pública incondicionada a ação penal por crime de sonegação fiscal.

SÚMULA Nº 610
Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não
realize o agente a subtração de bens da vítima.

SUMÁRIO
121
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

SÚMULA Nº 611
Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das
execuções a aplicação de lei mais benigna.

SÚMULA Nº 690
Compete originariamente ao supremo tribunal federal o julgamento de “ha-
beas corpus” contra decisão de turma recursal de juizados especiais criminais

Observação
- Embora na publicação da Súmula 690 conste como precedente o HC
79570, trata-se do HC 79570 QO (DJ de 1º/8/2003). - Verifica-se na lei-
tura do acórdão do HC 86834 (DJ de 9/3/2007), do Tribunal Pleno, que
não mais prevalece a Súmula 690. Nesse sentido veja HC 89378 AgR (DJ
de 15/12/2006) e HC 90905 AgR (DJ de 11/5/2007).

SÚMULA Nº 691
Não compete ao supremo tribunal federal conhecer de “habeas corpus”
impetrado contra decisão do relator que, em “habeas corpus” requerido
a tribunal superior, indefere a liminar.

SÚMULA Nº 692
Não se conhece de “habeas corpus” contra omissão de relator de ex-
tradição, se fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não con-
stava dos autos, nem foi ele provocado a respeito.

SÚMULA Nº 693
Não cabe “habeas corpus” contra decisão condenatória a pena de multa,
ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecu-
niária seja a única cominada.

SÚMULA Nº 694
Não cabe “habeas corpus” contra a imposição da pena de exclusão de
militar ou de perda de patente ou de função pública.

SUMÁRIO
122
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

SÚMULA Nº 695
Não cabe “habeas corpus” quando já extinta a pena privativa de liberdade.

SÚMULA Nº 696
Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional
do processo, mas se recusando o promotor de justiça a propô-la, o juiz,
dissentindo, remeterá a questão ao procurador-geral, aplicando-se por
analogia o art. 28 do código de processo penal.

SÚMULA Nº 697
A proibição de liberdade provisória nos processos por crimes hediondos
não veda o relaxamento da prisão processual por excesso de prazo.

SÚMULA Nº 698
Não se estende aos demais crimes hediondos a admissibilidade de pro-
gressão no regime de execução da pena aplicada ao crime de tortura.

Observação
No julgamento do HC 82959 (DJ de 1º/9/2006) o Plenário do Tribunal
declarou, “incidenter tantum”, a inconstitucionalidade do § 1º do artigo
2º da Lei 8072/1990. Nova inteligência do princípio da individualização
da pena em evolução jurisprudencial. Nesse sentido veja HC 86194 (DJ de
24/3/2006), HC 88801 (DJ de 8/9/2006) e RE 485383 (DJ 16/2/2007).

SÚMULA Nº 699
O prazo para interposição de agravo, em processo penal, é de cinco dias,
de acordo com a lei 8038/1990, não se aplicando o disposto a respeito
nas alterações da lei 8950/1994 ao código de processo civil.

SÚMULA Nº 700
É de cinco dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do
juiz da execução penal.

SUMÁRIO
123
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

SÚMULA Nº 701
No mandado de segurança impetrado pelo ministério público contra de-
cisão proferida em processo penal, é obrigatória a citação do réu como
litisconsorte passivo.

SÚMULA Nº 702
A competência do tribunal de justiça para julgar prefeitos restringe-se
aos crimes de competência da justiça comum estadual; nos demais casos,
a competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau.

SÚMULA Nº 431
A extinção do mandato do prefeito não impede a instauração de proces-
so pela prática dos crimes previstos no art. 1º do decreto-lei 201/1967.

SÚMULA Nº 704
Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido pro-
cesso legal a atração por continência ou conexão do processo do co-réu
ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados.

SÚMULA Nº 705
A renúncia do réu ao direito de apelação, manifestada sem a assistência
do defensor, não impede o conhecimento da apelação por este interposta.

SÚMULA Nº 706
É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência penal
por prevenção.

SÚMULA Nº 707
Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer con-
tra-razões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo
a nomeação de defensor dativo.

SUMÁRIO
124
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

SÚMULA Nº 708
É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da
renúncia do único defensor, o réu não foi previamente intimado para
constituir outro.

SÚMULA Nº 709
Salvo quando nula a decisão de primeiro grau, o acórdão que provê o recur-
so contra a rejeição da denúncia vale, desde logo, pelo recebimento dela.

SÚMULA Nº 710
No processo penal, contam-se os prazos da data da intimação, e não da
juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem.

SÚMULA Nº 711
A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanen-
te, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.

SÚMULA Nº 712
É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da com-
petência do júri sem audiência da defesa.

SÚMULA Nº 713
O efeito devolutivo da apelação contra decisões do júri é adstrito aos
fundamentos da sua interposição.

SÚMULA Nº 714
É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do
ministério público, condicionada à representação do ofendido, para a
ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do
exercício de suas funções.

SUMÁRIO
125
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

SÚMULA Nº 715
A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento,
determinado pelo art. 75 do código penal, não é considerada para a con-
cessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime
mais favorável de execução.

SÚMULA Nº 716
Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a apli-
cação imediata de regime menos severo nela determinada, antes do
trânsito em julgado da sentença condenatória.

SÚMULA Nº 717
Não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada em sen-
tença não transitada em julgado, o fato de o réu se encontrar em prisão
especial.

SÚMULA Nº 718
A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não con-
stitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que
o permitido segundo a pena aplicada.

SÚMULA Nº 719
A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena apli-
cada permitir exige motivação idônea.

SÚMULA Nº 721
A competência constitucional do tribunal do júri prevalece sobre o foro
por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela constitui-
ção estadual.

SUMÁRIO
126
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

SÚMULA Nº 723
Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continu-
ado, se a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento
mínimo de um sexto for superior a um ano.

SÚMULA Nº 727
Não pode o magistrado deixar de encaminhar ao supremo tribunal fed-
eral o agravo de instrumento interposto da decisão que não admite re-
curso extraordinário, ainda que referente a causa instaurada no âmbito
dos juizados especiais.

SUMÁRIO
127
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

CAPÍTULO XXXV
SÚMULAS VINCULANTES
SÚMULA VINCULANTE Nº 9
O disposto no artigo 127 da Lei nº 7.210/1984 (lei de execução penal)
foi recebido pela ordem constitucional vigente, e não se lhe aplica o lim-
ite temporal previsto no caput do artigo 58.

SÚMULA VINCULANTE Nº 10
Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão
fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a incon-
stitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua
incidência, no todo ou em parte.

SÚMULA VINCULANTE Nº 11
Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio
de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte
do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob
pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da auto-
ridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem
prejuízo da responsabilidade civil do estado.

SÚMULA VINCULANTE Nº 14
É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo
aos elementos de prova que, já documentados em procedimento inves-
tigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, di-
gam respeito ao exercício do direito de defesa.

SUMÁRIO
128
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

SÚMULA VINCULANTE Nº 24
Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º,
incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.

SÚMULA VINCULANTE Nº 25
É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modali-
dade do depósito.

SÚMULA VINCULANTE Nº 26
pPra efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime
hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucio-
nalidade do art. 2o da Lei n. 8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo
de avaliar se o condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e
subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo fun-
damentado, a realização de exame criminológico.

SUMÁRIO
129
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

CAPÍTULO XXXVI
SEÇÕES E SUBSEÇÕES DA
JUSTIÇA FEDERAL DO BRASIL

TRF DA 1ª REGIÃO
No Estado do Pará: Belém, Santarém, Altamira, Castanhal e Mar-
abá. No Maranhão: São Luiz, Caxias e Imperatriz. Em Minas Gerais: Belo
Horizonte, Juiz de Fora, Uberaba, Divinópolis, Governador Valadares, Ip-
atinga, Lavras, Montes Claros, Passos, Patos de Minas, Pouso Alegre, São
João Del Rey, São Sebastião do Paraíso, Sete Lagoas, Varginha e Uberlân-
dia. Em Goiás: Goiânia, Araguaína, Anápolis, Luiziânia, Rio Verde e Apa-
recida de Goiânia. Na Bahia: Salvador, Feira de Santana, Vitória da Con-
quista, Jequié, Guanambi, Barreiras, Campo Formoso, Eunápolis, Itabu-
na, Juazeiro, Paulo Afonso e Ilhéus. No Acre: Rio Branco. No Amapá:
Macapá. No Amazonas: Manaus e Tabatinga. Em Mato Grosso: Cuiabá,
Cáceres, Sinop e Rondonópolis. No Piauí: Teresina e Picos. Em Tocan-
tins: Palmas. Em Rondônia: Porto Velho e Ji-Paraná. Em Roraima: Boa
vista. No Distrito Federal: Brasília. Nos Estados em que houver Varas
Federais apenas nas Capitais, os Juízes federais exercem sua jurisdição
em todo o território estadual. E, pelo visto, apenas os Estados de Tocan-
tins, Acre, Amapá e o Distrito Federal.

TRF DA 2ª REGIÃO
No Estado do Espírito Santo: Vitória, Linhares, e Cachoeiro de
Itapemirim. No Estado do Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Angra dos
Reis, Barra do Piraí, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Campos,
Itaboraí, Itaperuna, Magé, Niterói, Nova Friburgo, Petrópolis, Rezende,
São João do Meriti, Teresópolis e Três Rios.

SUMÁRIO
130
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

TRF DA 3ª REGIÃO
No Estado de São Paulo há, atualmente, 27 Subseções: 1ª) São Pau-
lo; 2ª) Ribeirão Preto; 3ª) São José dos Campos; 4ª) Santos; 5ª) Campinas;
6ª) São José do Rio Preto; 7ª) Araçatuba; 8ª) Bauru; 9ª) Piracicaba; 10ª) So-
rocaba; 11ª) Marília; 12ª) Presidente Prudente; 13ª) Franca; 14ª) São Ber-
nardo do Campo; 15ª) São Carlos; 16ª) Assis; 17ª) Jaú; 18ª) Guaratinguetá;
19ª) Guarulhos; 20ª) Araraquara; 21ª) Taubaté; 22ª) Tupã; 23ª) Bragança
Paulista; 24ª) Jales; 25ª) Ourinhos 26 ª) Santo André; 27 ª) São João da Boa
Vista. Além disso, criaram-se Varas Federais em Avaré, Mogi das Cruzes,
Caraguatatuba, Registro, Americana, Andradina e Jundiaí.
Ao que tudo indica, em breve será instalada a Subseção de Botucatu.
Em Mato Grosso do Sul, temos: Campo Grande, Coxin, Ponta
Porá, Naviraí e Dourados.

TRF DA 4ª REGIÃO
No Estado do Paraná: Curitiba, Londrina, Campo Mourão, Cas-
cavel, Foz do Iguaçu, Maringá, Francisco Beltrão, Guarapuava, Lajeado,
Paranaguá, Ponta Grossa, Apucarana, União da Vitória, Jacarezinho, Pato
Branco, Toledo e Umuarama. No Estado de Santa Catarina: Florianópo-
lis, Blumenau, Chapecó, Criciúma, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joaçaba, Joinville,
Lages, Caçador, Mafra, Brusque, Concórdia, Rio do Sul e Tubarão. No Rio
Grande do Sul: Porto Alegre, Bagé, Bento Gonçalves, Canoas, Canoas do
Sul, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Rio Grande, Santa Cruz do
Sul, Santa Maria, Santana do Livramento, Santo Ângelo, Erechim, Caraz-
inho, Cachoeira do Sul, Santa Rosa, Cruz Alta, Santiago e Uruguaiana.

TRF DA 5ª REGIÃO
No Estado de Pernambuco: Recife, Caruaru, Garanhuns, Goiana,
Salgueiro, Palmares, Petrolina, Serra Talhada, Ouricuri e Petrolina. No
Estado de Alagoas: Maceió, Arapiraca e União dos Palmares. No Esta-
do de Sergipe: Aracaju, Estância e Itabaiana. No Estado do Ceará: For-
taleza, Crateús, Juazeiro do Norte, Limoeiro do Norte, Sobral, Quixadá,
Iguatu e Tauá. No Estado da Paraíba: João Pessoa, Campina Grande e
Souza. No Estado do Rio Grande do Norte: Natal, Mossoró e Caicó.

SUMÁRIO
131
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

CAPÍTULO XXXVII
SUBSEÇÕES DO ESTADO
DE SÃO PAULO

1ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE SÃO PAULO (CAPITAL)


São Paulo, Barueri, Caieiras, Carapicuíba, Cotia, Embu, Em-
bu-Guaçu, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itapecerica da Serra,
Itapevi, Jandira, Juquitiba, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Ribeirão Pires,
Santana de Parnaíba, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra, Taboão
da Serra e Vargem Grande Paulista.

2ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE RIBEIRÃO PRETO


Ribeirão Preto, Altinópolis, Aramina, Barretos, Barrinha, Batatais,
Bebedouro, Brodósqui, Buritizal, Cajuru, Cássia dos Coqueiros, Colina,
Colômbia, Cravinhos, Dumont, Guairá, Guará, Guariba, Guatapará, Ibitiúva,
Igarapava, Ipuã, Ituverava, Jaborandi, Jaboticabal, Jardinópolis, Luiz Antô-
nio, Miguelópolis, Monte Alto, Monte Azul Paulista, Morro Agudo, Nupo-
ranga, Orlândia, Pirangi, Pitangueiras, Pontal, Pradópolis, Sales de Oliveira,
Santa Cruz da Esperança, Santa Rosa do Viterbo, Santo Antônio da Alegria,
São Joaquim da Barra, São Simão, Serra Azul, Serrana, Sertãozinho, Taiaçu,
Taiúva, Taquaral, Terra Roxa, Viradouro e Vista Alegre do Alto.

3ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS


São José dos Campos, Caraguatatuba, Igaratá, Ilhabela, Monteiro
Lobato, Jacareí, Paraibuna, Santa Branca e São Sebastião.

SUMÁRIO
132
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

4ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE SANTOS


Santos, Barra do Turvo, Bertioga, Cajati, Cananeira, Cubatão, Eldo-
rado, Iguape, Guarujá, Ilha Comprida, Itariri, Itanhaém, Iporanga, Juquiá,
Jacupiranga, Monguaguá, Miracatu, Peruíbe, Pedro de Toledo, Pariquera-
Açu, Praia Grande, Registro, Sete Barras e São Vicente.

5ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE CAMPINAS


Campinas, Águas de Lindóia, Amparo, Arthur Nogueira, Campo
Limpo Paulista, Cajamar, Cosmópolis, Conchal, Capivari, Engenheiro
Coelho, Elias Fausto, Holambra, Hortolândia, Itobi, Itatiba, Indaiatuba,
Itupeva, Louveira, Lindóia, Jundiaí, Jarinu, Jaguariúna, Monte Alegre do
Sul, Mombuca, Morungaba, Monte-Mor, Pedreira, Paulínia, Rafard, Santo
Antônio de Posse, Sumaré, Socorro, Serra Negra, São Sebastião da Grama,
Valinhos, Várzea Paulista e Vinhedo.

6ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO


São José do Rio Preto, Adolfo, Altair, Álvares Florence, Américo de
Campos, Bálsamo, Bady Bassit, Ariranha, Cajobi, Cosmorama, Cedral, Cat-
iguá, Catanduva, Cardoso, Gastão Vidigal, Floreal, Embaúba, Elisiário, Icem,
Ibirá, Guaraci, Guapiaçu, Itajobi, Irapuã, Ipiguá, José Bonifácio, Jaci Monte
Aprazível, Monções, Mirassolândia, Mirassol, Mendonça, Marapoama, Mag-
da, Macaubal, Orindiúva, Onda Verde, Olímpia, Novo Horizonte, Novais, Nova
Luzitânia, Nova Granada, Nova Aliança, Nipoã, Nhandeara, Neves Paulista,
Pindorama, Paulo de Faria, Parisi, Paraíso, Palmares Paulista, Palestina,
Planalto, Poloni, Potirendaba, Pontes Gestal, Riolândia, Sales, Santa Adélia,
Sebastianópolis do Sul, Severínia, Tabapuã, Tanabi, Ubarana, Uchoa, União
Paulista, Urupês, Valentim Gentil, Votuporanga e Zacarias.

7ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE ARAÇATUBA


Araçatuba, Alto Alegre, Andradina, Avanhandava, Barbosa, Dento
de Balbinos, Bofete, Boracéia, Borebi, Botucatu, Cabrália Paulista, Cafelân-
dia, Conchas, Duartina, Getulina, Guaiçara, Guaimbê, Guarantã, Iacanga,
Itatinga, Lençóis Paulista, Lins, Lucianópolis, Macatuba, Pederneiras, Pau-

SUMÁRIO
133
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

listânia, Pardinho, Promissão, Presidente Alves, Pratânia, Pongaí, Piratin-


inga, Pirajuí, Reginópolis, Sabinos, São Manuel, Ubirajara e Uru.

9ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE PIRACICABA


Piracicaba, Águas de São Pedro, Americana, Analândia, Araras,
Charqueada, Cordeirópolis, Corumbataí, Ipeúna, Iracemápolis, Itirapina,
Leme, Limeira, Nova Odessa, Rio Claro, Rio das Pedras, Saltinho, Santa
Bárbara do Oeste, Santa Gertrudes e São Pedro.

10ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE SOROCABA


Sorocaba, Alambari, Alumínio, Angatuba, Apiaí, Araçariguama,
Araçoiaba da Serra, Barra do Chapéu, Boituva, Bom Sucesso do Itararé,
Buri, Cabreúva, Campina do Monte Alegre, Capão Bonito, Capela do Alto,
Cerquilho, Cesáreo Lange, Guapiara, Guareí, Ibiúna, Iperó, Itaberá, Itao-
ca, Itapetininga, Itapeva, Itapirapuã Paulista, Itararé, Itu, Jurumirim, Lar-
anjal Paulista, Mairinque, Nova Campina, Piedade, Pilar do Sul, Pereiras,
Paranapanema, Quadra, Porto Feliz, Porangaba, Salto, Salto de Pirapora,
Ribeira, Ribeirão Grande, Ribeirão Branco, São Miguel Arcanjo, Sarapuí,
São Roque, Tapiraí, Taquarivarí, Tatuí, Tietê, Torre de Pedra e Votorantim.

11ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE MARÍLIA


Marília, Álvaro de Carvalho, Alvinlândia, Gália, Garça, Fernão, Echaporã,
Júlio Mesquita, Lupércio, Ocauçu, Oriente, Quintana, Pompeia, e Vera Cruz.

12ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE PRESIDENTE PRUDENTE


Presidente Prudente, Alfredo Marcondes, Álvares Machado, An-
humas, Caiuá, Caiabu, Flora Rica, Euclides da Cunha Paulista, Estrela
do Norte, Emilianópolis, Dracena, Iepê, Indiana, Irapuru, João Ramalho,
Junqueirópolis, Marabá Paulista, Martinópolis, Mirante do Paranapane-
ma, Monte Castelo, Nantes, Narandiba, Nova Guataporanga, Ouro Verde,
Panorama, Pauliceia, Piquerobi, Pirapozinho, Presidente Bernardes,
Presidente Epitácio, Presidente Wenceslau, Rancharia, Regente Feijó,
Ribeirão dos Índios, Rosana, Sandovalina, Santa Mercedes, Santo Anas-

SUMÁRIO
134
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

tácio, Santo Expedito, São João do Pau d’Alho, Taciba, Tarabaí, Teodoro
Sampaio e Tupi Paulista.

13ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE FRANCA


Franca, Cristais Paulista, Itirapuã, Jeriquara, Patrocínio Paulista,
Pedregulho, Restinga, Ribeirão Corrente, Rifaina e São José da Bela Vista.

14ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE SÃO BERNARDO DO


CAMPO
São Bernardo do Campo, Diadema, E Rio Grande da Serra.

15ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE SÃO CARLOS


São Carlos, Descalvado, Dourado, Ibaté, Porto Ferreira, Pi-
rassununga, Santa Cruz das Palmeiras, Santa Cruz da Conceição, Santa
Rita do Passa Quatro, Ribeirão Bonito e Tambaú.

16ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE ASSIS


Assis, Bora, Cândido Mota, Cruzália, Florínia, Maracaí, Lutécia,
Oscar Bressane, Pedrinhas Paulista, Paraguaçu Paulista, Palmital, Quatá,
Platina e Tarumã.

17ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE JAÚ


Jaú, Barra Bonita, Bariri, Brotas, Dois Córregos, Mineiros do Tietê,
Igaraçu do Tietê, Itaju, Santa Maria da Serra e Torinha.

18ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE GUARATINGUETÁ


Aparecida, Guaratinguetá, Bananal, Areias, Arapeí, Cachoeira
Paulista, Canas, Cunha, Cruzeiros, Lorena, Lavrinhas, Piquete, Queluz,
Potim, Roseira, São José do Barreiro e Silveiras.

SUMÁRIO
135
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

19ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE GUARULHOS


Guarulhos, Biritiba-Mirim, Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Guararema,
Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Mairiporã, Poá, Suzano, Salesópolis e
Santa Isabel.

20ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE ARARQUARA


Araraquara, Américo Brasiliense, Borborema, Boa Esperança do
Sul, Cândido Rodrigues, Gavião Peixoto, Fernando Prestes, Dobrada, Ib-
itinga, Itápolis, Matão, Nova Europa, Motuca, Rincão, Tabatinga, Trabiju,
Taquaritinga, Santa Lúcia e Santa Ernestina.

21ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE TAUBATÉ


Taubaté, Caçapava, Campos do Jordão, Lagoinha, Jambeiro, Na-
tividade da Serra, Pindamonhangaba, Redenção da Serra, São Bento
do Sapucaí, São Luiz do Paraitinga, Santo Antonio do Pinhal, Ubatuba e
Tremembé.

22ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE TUPÃ


Tupã, Pacaembu, Adamantina, Bastos, Arco-Íris, Flórida Paulista,
Iacri, Herculândia, Inúbia Paulista, Lucélia, Mariápolis, Osvaldo Cruz,
Parapuã, Queirós, Pracinha, Salmourão, Sagres e Rinópolis.

23ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE BRAGANÇA PAULISTA


Bragança Paulista, Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Joanópolis,
Nazaré Paulista, Pinhalzinho, Pedra Bela, Piracaia, Tuiuti e Vargem.

24ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE JALES


Jales, Aparecida D’Oeste, Auriflama, Aspásia, Dirce Reis, Fernandópo-
lis, Estrela D’Oeste, Dolcinópolis, Guzolândia, Guarani D’Oeste, Ilha Soltei-
ra, Itapura, Indiaporã, Mira Estrela, Mesópolis, Meridiano, Marinópolis,
Macedônia, Nova Castilho, Nova Canaã Paulista, Pereira Barreto, General

SUMÁRIO
136
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Salgado, Pedranópolis, Paranapuã, Ouroeste, Palmeira D’Oeste, Populina,


Pontalinda, Rubineira, São José das Duas Pontes, São Francisco, Santana da
Ponte Pensa, Santa Salete, Santa Rita D’Oeste, Santa Fé do Sul, Santa Alber-
tina, Urânia, Turmalina, Três Fronteiras e Vitória Brasil.

25ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE OURINHOS


Águas de Santa Bárbara, Ourinhos, Bernardino de Campos, Barão
de Antonina, Campos Novos Paulista, Coronel Macedo, Chavantes, Cer-
queira César, Canitar, Fartura, Espírito Santo do Turvo, Ibirarema, Iaras,
Itaporanga, Itaí, Ipauçu, Manduri, Óleo, Piraju, Salto Grande, Riversul,
Ribeirão do Sul, Santa Cruz do Rio Pardo, Sarutaiá, São Pedro do Turvo,
Timburi, Tejupá, Taquarituba e Taguaí.

26ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE SANTO ANDRÉ


Santo André, Mauá e Ribeirão Pires.

27ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA


São João da Boa Vista, Aguaí, Águas da Prata, Caconde, Casa Bran-
ca, Divinolândia, Espírito Santo do Pinhal, Estiva Gerbi, Itapira, Mococa,
Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Santo Antonio do Jardim, São José do Rio Par-
do, São Sebastião da Grama, Tapiratiba e Vargem Grande do Sul.

SUMÁRIO
137
DA EXECUÇÃO AO AGRAVO NO PROCESSO PENAL

Referências
ABREU, Florêncio. Comentários ao Código de Processo Penal. v.5. Rio de
Janeiro: Forense, 1945.
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