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Desvendando a geometria dos

quadros
Os ângulos e as medidas dos quadros fazem toda a diferença na pilotagem. Mas hoje
em dia, os ciclistas querem outra coisa além disto: o conforto.

Não basta pedalar e entender das peças. Você que é ciclista, tem que saber das
principais medidas da sua bicicleta.

Neste artigo que o PEDAL apresenta, o sábio Igor Miyamura fala sobre cada detalhe
da geometria de uma bicicleta. Confiram!

P.S. Acompanhem o artigo com a foto ampliada ao lado que tem as referências das
letras.

:: A – Tamanho do centro ao topo: é a maneira mais comum hoje de definir o tamanho


de um quadro. É a medida que vai do centro do movimento central até o topo do tubo
do selim. Alguns fabricantes preferem a medição até o centro do parafuso da
braçaceira de selim. No ciclismo de estrada é medido em centímetros e no MTB em
polegadas.

:: B – Tamanho de centro a centro: era o método mais usado em bikes de estrada,


compreende à medida que vai do centro do movimento central até o topo do tubo do
selim. Apesar de hoje não ser a mais usual é o melhor modo de medir uma bike, pois
define a distância do top tube à virilha do ciclista. Quando você mede do centro ao
topo, pode haver variações na altura onde é soldado o top tube no tubo do selim.

:: C – Comprimento da bike: é a medida mais importante na hora de se escolher um


quadro, pois vai definir a sua posição de pilotagem. É medido do centro da caixa de
direção em seu topo, seguindo uma linha imaginária paralela ao solo até o tubo do
selim, como mostra a figura. Considero errada a fórmula de se achar o tamanho da
bike pelo tudo do selim, visto que o canote tem grande margem de ajuste e a distância
do pedal ao topo do selim não vai mudar de um modelo pro outro após o ajuste, ao
contrário da mesa que é limitado a poucos tamanhos e requer uma troca do
componente.
:: D – Comprimento da traseira: medida que onde se considera uma linha reta paralela
ao solo entre o centro do movimento central até o centro da roda traseira. Quanto mais
curta, melhor a qualidade de aceleração (devido a menor torção) e também melhor a
tração (devido ao fato do peso do ciclista ficar mais em cima da roda). A contra partida
é que a bike vai ser menos confortável (menor torção dos chainstays = menor
capacidade de dissipação de vibrações).

:: E – Comprimento entre eixos: quanto maior o entre eixos, mais estável será a bike;
quanto mais curto, mais arisca e rápida nas respostas será a bike.

:: F – Altura do movimento central: a melhor maneira de se medir é do centro dos eixos


da roda até o centro do movimento central. Medir do centro do movimento central até o
solo tem variações devido ao tamanho dos pneus. Quanto mais perto do solo, mais
baixo o centro de gravidade e também mais estável a bike será. Deve-se tomar
cuidado ao definir a altura do movimento central, pois se ficar muito baixo, mais fácil
será de bater a coroa da bike num obstáculo ou em caso de bikers mais inexperientes,
bater os pedais no chão numa curva.

:: G – Altura da caixa de direção: essa medida é importante pra definir o


posicionamento do biker. A grosso modo, quanto mais alto, mais relaxado o biker vai
ficar e, portanto, mais confortável; quanto mais baixa mais agressiva será a posição,
mas poderá ser mais desconfortável para o biker (isso é a grosso modo, pois somos
diferentes uns dos outros e isso tudo fica um pouco relativo). Hoje há uma tendência
em muitas marcas em aumentar essa medida nas bikes de estrada.

:: H – Ângulo do tubo do selim: varia entre 72º e 75º, mas há casos extremos. É uma
medida muito importante e que tem que sempre ser muito levada em consideração,
pois define a sua posição de pedalada quando sentado. Um ângulo errado, um selim
mais para frente ou mais pra trás do que deveria, pode trazer sérias lesões,
principalmente no joelho do biker.

:: I – Ângulo do tubo da direção: varia entre 67º a 78º, influencia diretamente na


capacidade de resposta da bike, quanto maior o ângulo mais rápido a bike vai
responder (como em curvas fechadas), mas mais instável será também. Quanto
menos, mais estável, mas também mais lenta a resposta.

:: J – Off set: é a distância entre o centro da roda até o centro, seguindo uma linha
paralela ao chão do eixo imaginário no centro da caixa de direção no sentido do seu
ângulo. Todos os garfos, mesmo os retos, tem off set. Quanto maior o off set, menor o
trail, mais lenta será a resposta da bike e maior o conforto (principalmente em garfos
curvados), quanto menos, maior o trail e mais rápida nas respostas e mais arisca vai
ser. Influência no entre eixos.

:: Equipe do artigo
Autor – Igor Miyamura
Colaborador – Alexandre Torres (AlexSP)
GEOMETRIA
DE QUADROS

Como os ângulos e medidas


influenciam na bike

Os ângulos e as medidas dos diversos tubos de uma bicicleta influenciam diretamente sobre o comportamento
dela. Assim, duas bikes de ciclismo do mesmo tamanho, porém com ângulos diferentes, terão reações e
comportamentos diferentes.

As principais medidas e ângulos de uma bike são:

Onde:

H - altura do quadro
L - comprimento do quadro
h - altura da caixa de centro
I - recuo do tubo de selim
Av - comprimeto da frente da bicicleta
Ar - comprimento da traseira
f - off-set
c - trail

OFF SET

Esta medida tem relação direta com o ângulo da caixa de direção. Já vem de fábrica definido pelo fabricante do
garfo ou suspensão, no caso das mountain bikes. Mesmo os garfos que parecem retos - como dita a moda hoje
em dia nas bikes de ciclismo top de linha -, na realidade tem um off-set (pequena diferença de alinhamento)
logo abaixo da caixa de direção.

Vale lembrar que a curvatura do garfo tem o papel de amortecer vibrações e impactos do solo, aliviando o
stress de demais pontos do quadro.

TRAIL

Também conhecido como "caça" em Portugal. É a medida da linha longitudinal do garfo projetada no chão, com
a linha do eixo projetada perpendicularmente ao chão. Em geral o trail da maioria das bicicletas fica em torno
dos 50 mm.

Um trail pequeno torna a bike mais rápida e arisca em curvas fechadas. Já um trail maior faz com que a bike
fique mais estável e confortável. Bikes de velódromo têm cerca de 30 mm de trail, para ser bastante ágil nas
manobras comuns nas competições de pista.

ÂNGULO DA CAIXA DE DIREÇÃO

É ângulo formado entre o tubo da caixa de direção e o solo. É o mais importante na construção de uma
bicicleta. Ele vai variar de 67º (em bikes de downhill) a 78º em bikes especiais para triathlon.
Bicicletas de ciclismo tem o ângulo da caixa de direção em redor dos 70,5 a 73º. Já uma mountain bike tem
esse mesmo ângulo que varia de 72 a 74º.
Quanto menor o ângulo da caixa de direção mais estável será a bike e, consequentemente mais difícil de mudar
de direção, pois a bike vai tender a ficar estável. São boas para andar em longos trechos de estradas
asfaltadas, em contrapartida não vai se adaptar bem no trânsito urbano.

Quanto maior o ângulo da caixa de direção, mais esperta e arisca será a bike. São boas para manobras rápidas
(vide as mountain bikes), em contrapartida serão menos confortáveis em longas pedaladas.

Nas bicicletas especiais para o downhill, esse ângulo fica em torno de 67-69º, para que a bike seja bem estável
nas altas velocidades em descidas.

ÂNGULO DO TUBO DE SELIM

É um ângulo imporatnte, pois ele coloca o ciclista posicionado sobre os pedais. O tamanho do fêmur influencia
nos influencia no tamanho desse tubo.

Uma mountain bike tem essa medida bem relaxada e gostosa para a pedalada. Nas mountain bikes esse ângulo
fica ao redor dos 73º, em média. Nas bikes de ciclismo este ângulo é de mais ou menos 74º. "No passado,
Greg LeMond pedalava uma bike com 72º graus, bem mais relaxado em relação às bikes atuais.

Bikes de ciclismo com grandes ângulos de tubo de selim (75º ou mais) são indicadas para provas de contra-
relógio, critério (provas de quarteirão, comuns no Brasil) e para provas
de triathlon.

Alguns modelos como a Quintana Roo Kilo (foto) têm até 78º de
inclinação. São bikes especialmente desenvolvidas para provas de
triathlon e que segundo o fabricante, poupam a musculatura das
pernas do ciclista para o momento da corrida.

Bikes especiais para downhill têm o ângulo com cerca de 60º, que faz
com que o peso do ciclista se desloque para trás e mantém a bike
firme em sua trajetória de descida, mesmo em velocidades altas.

COMPRIMENTO TOTAL

O comprimento de um quadro está diretamente ligado ao seu nível de conforto. Klaus Poloni explica que a
relação entre comprimento e conforto é a mesma de um automóvel. "Se imaginarmos dois automóveis, um
Celta e um Ômega, qual dos dois é o mais confortável? Logicamente é o Ômega, pois é mais longo". A lógica
funciona da mesma forma para as bicicletas. Quanto mais longa uma bicicleta, mais confotável, pois ela vai
absorver mais energia do impacto.

Da mesma maneira, uma bike mais curta será mais ágil nas curvas e vai acelerar mais rápido, pois tem menos
massa para ser colocada em movimento. Em contrapartida, será menos confortável, pois tem menos massa
para absorver impactos.

Logicamente, uma bike menor, tem menos massa e, portanto, pesa menos que uma bike mais comprida.

COMPRIMENTO DA TRASEIRA

O mesmo princípio se aplica aqui. Uma bike com traseira curta vai acelerar mais rápido, pois vai torcer menos e
assim desperdiçar menos energia do ciclista. São excelentes para provas de contra-relógio, velódromos e
também para subidas. Perdem no conforto, justamente pelos motivos
explicados anteriormente.

Alguns fabricantes europeus, como a Colnago, desenvolveu uma


traseira com duas pequenas barras no chain stay (foto).

A função delas é flertir durante a passagem de obstáculos para dar


mais conforto ao ciclista. Outra solução adotada recentemente é a
adoção da traseira em carbono, que absorve melhor os impactos que o
alumínio e o titânio e é igualmente leve.
COMPRIMENTO DA DIANTEIRA

A distância do eixo de centro até a roda dianteira também vai


determinar o comportamento da bike em relação à sua agilidade.

Quanto mais curta esta distância, mais rápida e arisca será a bike.
Entretanto, esta medida deve sempre permitir que o ciclista faça uma
curva fechada sem tocar o pé na roda dianteira. Bikes de triathlon com
rodas de 26" podem ter essa distância menor, e portanto, pode ser
mais ágil em curvas que uma bike com aro 27".

ALTURA DA CAIXA DE CENTRO

Uma caixa de centro mais próxima ao solo dá estabilidade, pois baixa o centro de gravidade, que com o ciclista
montado sobre a bike, fica mais ou menos na altura do umbigo do biker. Com o biker em pé, o centro de
gravidade é na altura do pedivela.

A altura da caixa do centro é de mais ou menos 26-27 cm em relação ao chão. Nas mountain bikes esta
distância é de 30 cm, para poder superar obstáculos.

DICA: Klaus Poloni (foto) já viu muitos casos em que um ciclista troca o garfo, muda a caixa de direção por
uma mais baixa e também troca o pneu por um menor. O resultado pode ser desastroso.

"Uma bike sai de fábrica projetada para uma determinada função. Se você alterar a frente da bike com um
garfo mais curto ou uma suspensão de menor curso, você alterou esta relação. O ângulo da caixa de direção
quando é alterado, vai interferir no comportamento geral da bike. Isso pode dar tombos incríveis.

Compilado por E.R.Kinas em 06/07/2010