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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO- UFOP

INSTITUTO DE CIRNCIAS HUMANAS E SOCIAIS- ICHS

DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA- DEHIS

Prova destinada a disciplina his199, ministrada


pela profª Drª Sabrina Magalhães Rocha. Por: Pedro H.
de Castro Falci. 19.1 3972

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Para o historiador Jorn Rusen, o saber histórico é capacitado de uma funcionalidade e


aplicação na vida prática humana. Tal característica se realiza por meio da produção
historiográfica, perpassando a relação entre experiência e público alvo. Essa relação é
possibilitada principalmente através da formatação linguística e literária na construção do
texto historiográfico.

Dito isso, as dimensões da formatação histórica atingem um poderio literário, seguinte


fazem parte da vida cotidiana de vários sujeitos, pois são concretizadas a partir da relação que
se desenvolve entre a experiência e o público alvo. Contudo, para que isso fique mais claro, a
estética e retórica há de serem melhores compreendidos, pois são conceitos estritamente
ligados um ao outro e fundamentais para compreendermos cada vez mais sobre o
desenvolvimento e os desdobramentos da semântica do saber histórico, desenvolvidos por
Rusen ao longo de seu texto.

Um texto quando escrito, contém nele um plano e uma intenção, como se fossem
subjetividades da existência dele mesmo. Esses elementos atuam como dimensões pré ou
extracognitivas do discurso histórico, podendo ser entendidas também como eficácia ou
potencial do texto na relação dele com o publico.

Da interação da estética com o público sai à retórica, como uma relação pragmática
com a realidade, produto de uma carga tanto da estética quanto do público. Os
direcionamentos que as dimensões pré ou extracongnitivas que o discurso histórico pode
tomar são denominados tipologia historiográfica tendo nela a função de orientação que possui
o saber histórico. Assim, a estética e consequentemente a retórica estão subordinadas a
tipologia historiográfica.
Como na questão proposta, nos foi requisitado discorrer sobre a historiografia de tipo
exemplar, caracterizada pelo princípio da regularidade, nos atemos aqui a ela, entendendo
primeiramente que há contido em suas delineações uma relação mais ampla com a experiência
e um grau mais elevado de abstração. A busca por regularidade se dá então por ela possibilitar
em certo grau uma normatização. Torna-se importante termos em mente o processo da
diferenciação da produção historiográfica colocada por Rusen no texto, sendo estes: a
afirmação, a regularidade, a negação e a transformação que também irão consolidar outras
tipologias historiográficas.

Em qualquer área da vida humana que a produção historiográfica de tipo exemplar se


debruce estará presente a normatização de fatos sociais. Por sua vez, a normatização indica o
tempo expressado como sentido e assim deixará exposto frutos de processos históricos
exemplares ou não. Como resultado o campo de experiência, dessa forma também é ampliado,
pois, como dito, diversas áreas da vida podem, através de práticas reguladas através do tempo,
culminar em uma normatização.

Fica assim, importante compreender que a historiografia de tipo exemplar vai


funcionar como uma espécie de exposição de uma realidade, em um sentido de serem pontos
de vidas, frutos e princípios gerados pelo tempo, e não realidade concreta, por isso seu nome
“exemplar”. Ela tem em seu carácter uma natureza expositiva, visando ampliar horizontes e
entender processos, mas não algo que lide com ordens fundamentais.

Para que isso aconteça, são demostrados uma série de exemplos históricos, com suas
raízes, causas e transformações, para que seja consolidada a abstração, normatização e
consequentemente uma exposição daquela decorrência no campo das ações e entendimento
humano. Uma estrutura de construção textual é utilizada para que isso seja possível,
conseguinte, por meio da unidade temporal, os acontecimentos do passado tem as suas ações
significadas no presente e derramadas em horizontes futuros. Contudo, essa continuidade está
indo em sentido de constituir uma generalidade de regras vigentes naquele recorte espaço
temporal, e não um dado concreto na sociedade.

O conceito de história magistra vitae, pode ser tido como um conceito que interpela as
produções historiográficas da Grécia, China e mundo islâmico, devido principalmente a forma
que essas obras são concebidas. No caso grego, o título da obra de Samósata já indicia isso,
“Como se deve escrever a história”, é um texto em que o autor vai buscar em diversos
referencias literários de seu tempo, e também em acontecimentos, mitos, posturas de
determinados indivíduos, um certo referencial ideal para que seja realizada a escrita da
história.

A “exemplaridade” da história se dá, nos formato proposto, pela percepção por parte
do autor, de características presentes nos diversos locais que possam ser usados como
referencial, e partindo dai uma reflexão sobre o que se situa como usual ou não na escrita da
história.

Na escrita da história chinesa, um olhar fundamental para os traços do passado foi


ponto característico para a produção de Confúcio. Para o pensador, uma reflexão e
aprendizagem com todo o tipo de acontecimento que já ocorreu proporciona um elevamento
do homem, todas as áreas da vida. Para que isso aconteça há uma necessidade de um olhar
pormenorizado dos fatos decorridos, suas nuanças e as coisas que as promovem na ação do
tempo. Se pensarmos bem, o próprio artigo que expõe essas questões na escrita da história na
China do sec III a.C, também se enquadra numa tipologia exemplar de historiografia, uma vez
que segue os pressupostos textuais discorridos.

A obra de Ibn Khaldun se enquadra numa perspectiva de historiografia exemplar já na


estrutura metodológica que o autor se propõe ao realizar seus escritos, como se tivessem nela
os princípios textuais dessa tipologia. Ao propor um exame e a verificação dos fatos, uma
investigação cuidadosa das causas, e um conhecimento profundo da maneira como os
acontecimentos se sucederam e como começaram, ele lança um olhar para o passado
consciente ou inconsciente contendo uma busca de uma normatização, regularidade e práxis
para que sua historiografia saia, ao seu termo, por meio de um procedimento correto, e
consequentemente uma história justa.

As práxis existentes, regentes dos homens encontrados nesse tempo/espaço, é


concebida à luz de uma identidade histórica, oriunda e identificada dos processos estruturais
comentados, que surge com uma competência reguladora. Essas identificações da práxis e da
maneira que foi concebida permitem que sejam, para quem as pensem, criticáveis e
perceptíveis à luz de fundamentação em princípios.

O tempo assim adquire uma dimensão experiencial, promovendo por meio dessa
percepção uma igualdade qualitativa em relação a sentidos propostos por qualquer passado e
também a particularidade de um para outro. Além disso, promove uma auto percepção, uma
vez que ao entrar em contato com processos sócio históricos de diferentes momentos e
sociedade, percebemos aqueles que nos toca.