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Faculdades Integradas de Patos


Curso de Medicina
v. 1, n. 1, mês./mar 2016, p. XX-XX.
ISSN: XXXXXXXXXXXXXXX
DOI: 10.3895/S2175-085820130001000XX

CONSUMO ALIMENTAR E ESTADO NUTRICIONAL EM PACIENTES COM DOENÇA Commented [MS1]: É fundamental rever as normas. O primeiro
RENAL CRÔNICA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA aotor citado, por exemplo, é o número 1 e não 7, e assim
sucessivamente

FOOD CONSUMPTION AND NUTRITIONAL STATUS IN PATIENTS WITH CHRONIC KIDNEY


DISEASE: A SYSTEMATIC REVIEW

Camila da Silva Carneiro


Centro Universitário de Patos – UNIFP – Patos – Paraíba – Brasil
camila_sb13@hotmail.com

Eulâmpio Dantas Segundo


Centro Universitário de Patos – UNIFP – Patos – Paraíba – Brasil
e.dantas.segundo@hotmail.com

Janaina Lúcio Dantas


Centro Universitário de Patos – UNIFP – Patos – Paraíba – Brasil
janainadantas@fiponline.edu.br

Miriam de Andrade Brandão


Escola Multicampi de Ciências Médicas/Universidade Federal do Rio Grande do Norte –
EMCM/UFRN- Caicó – Rio Grande do Norte - Brasil
Centro Universitário de Patos – UNIFP – Patos – Paraíba – Brasil
myryab@yahoo.com.br

RESUMO
Objetivo: O objetivo do estudo foi identificar publicações sobre o estado nutricional e consumo
alimentar de pacientes com Doença Renal Crônica nos últimos dez anos mediante uma revisão
sistemática.
Métodos: Foram utilizados artigos científicos provenientes da Biblioteca Virtual em Saúde
(BVS).
Resultados: A maioria dos periódicos analisados demonstraram que uma abordagem
nutricional e terapia apropriada melhora o estado nutricional do paciente com DRC, prevenindo
para um possível quadro de desnutrição; recomenda-se que o paciente passe por um processo Commented [J2]: Substituição de vírgula por ponto e vírgula;
de educação nutricional, que leve em consideração as particularidades de cada um e busque
sempre alternativas para nutri-lo adequadamente.
Conclusões: Nessa perspectiva, observou-se, nos últimos anos, que a doença renal crônica tem
ganhado bastantes proporções como um dos principais problemas de saúde pública, dessa
forma, a detecção precoce de alterações no estado nutricional e a realização de condutas
baseadas nas evidências encontradas podem contribuir para minimizar os efeitos das
complicações clínicas decorrentes da evolução da doença, diminuir o número de casos,
melhorando assim a qualidade de vida dos pacientes.

Palavras-Chave: Insuficiência Renal Crônica. Estado Nutricional. Consumo de alimentos.


2

ABSTRACT
Objective: The aim of this study was to identify publications on nutritional status and dietary
intake of patients with chronic kidney disease in the last ten years by means of a systematic
review.
Methods: This was a systematic review, which is a form of research that uses the literature on
a given topic as a source of data. Using scientific articles from the Virtual Health Library
(VHL).
Results: Most of the journals analyzed showed that a nutritional approach and appropriate
therapy improves the nutritional status of patients with CKD, preventing a possible
malnutrition, it is recommended that the patient go through an education process That takes into
account the particularities of each one and always seeks alternatives to properly nourish it.
Conclusions: From this perspective, it was observed in recent years that chronic kidney disease
has gained a lot of proportions as one of the main public health problems, thus early detection
of alterations in the nutritional status and the realization of conducts based on Found evidence
can contribute to minimize the effects of clinical complications resulting from the evolution of
the disease, decrease the number of cases, thus improving the quality of life of patients.
Keywords: Chronic kidney disease. Nutritional status. Food consumption. Dietotherapy.

1. Introdução

A Doença Renal Crônica (DRC) caracteriza-se pela diminuição da função renal por um
período igual ou superior a três meses, sendo atualmente um problema de saúde pública
mundial. A redução da Taxa de Filtração Glomerular (TFG) pode ser de até 50% em relação ao
seu normal. Quando a perda funcional dos rins se agrava ocorrem várias manifestações, tanto
clínicas quanto laboratoriais, que tornam evidente o diagnóstico, tais como: anemia, anorexia,
distúrbios hidroeletrolíticos, metabólicos e hormonais, e também um déficit de crescimento de
pondero-estatura7.
O diagnóstico baseia-se na identificação dos grupos de risco, como também: presença
de microalbuminúria, proteinúria, hematúria e na redução do ritmo de filtração glomerular,
avaliado por um teste laboratorial chamado clearance de creatinina sérica12.
No decorrer dos últimos anos, houve um aumento significativo nas internações e
tratamentos decorrentes de complicações renais. No Brasil, o relatório do Censo de Diálise de
2012 expõe que 97.586 pessoas se encontram sob tratamento dialítico, desse total, 57,7% são
do sexo masculino e 42,3% do feminino18.
Dentre os fatores de risco para DRC está a hiperlipidemia, o consumo excessivo de
proteínas, hipertensão e diabetes, obesidade fator que preocupa, pois, no início do século XXI,
estimou-se cerca de 312 milhões de adultos obesos no mundo13.
Em um estudo feito em Goiânia, no ano de 2014, com 822 pessoas acima de 60 anos na
Estratégia de Saúde da Família onde 61,56% eram do sexo feminino, 92,2% brancos, verificou-
3

se que 13,63% dos idosos encontravam-se com taxa de filtração glomerular alterada6. A mesma
investigação foi feita com 371 adultos de 18 a 59 anos em Santa Catarina, mostrando que 76,8%
tinham TFG normal, sendo associada a maior idade e maior índice de massa corporal 16.
Um dos tratamentos para a Doença Renal Crônica (DRC) é a hemodiálise, que é o uso
de uma máquina que substitui a função do rim para remover as substâncias tóxicas do sangue,
com o objetivo de ajudar a restaurar os nutrientes e metabólitos aos níveis normais; a nutrição
desempenha papel muito importante no tratamento dos pacientes com DRC, entretanto, existem
grandes problemas nutricionais afetando esses pacientes, incluindo dietas muito restritas. Os
elementos da dieta renal incluem obtenção de calorias e proteínas adequadas, ao mesmo tempo
que se limitam determinados nutrientes, como cálcio, potássio e fósforo. Uma orientação
nutricional dietética correta auxilia no controle e na prevenção das complicações da DRC14.
Desta forma, foi objetivo desse estudo identificar como está o estado nutricional e o
consumo alimentar de pacientes com IRC, nas publicações nacionais e internacionais nos
últimos dez anos.

2.Métodos

Trata-se de uma revisão sistemática, para a qual foi considerada toda a literatura de
artigos científicos na base da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), que permite a localização
simultânea nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura
Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature
Analysisand Retrieval System Online (MEDLINE). Foram utilizados os seguintes descritores: Commented [J3]: “utilizando´foi substituído por “utilizados”;

estado nutricional, consumo alimentar e DRC. Os resultados desta busca encontram-se


sistematizados no esquema 1:

Esquema 1 - Busca na base de dados da BVS sobre estado nutricional e consumo


alimentar de portadores de IRC

Insuficiência renal Consumo


Estado nutricional
crônica alimentar

21
trabalhos
4

20 base 01 base
internacional nacional

17 artigos
completos

6
português 11 inglês

14 artigos de
2008 a 2018

Download
gratuito

6 artigos
analisados

Fonte: autor (2019).

Após a leitura dos resumos, foram selecionados 21 artigos para leitura, os quais
continham 17 para download completo e 6 artigos para baixar gratuitos que contemplaram os
critérios pré-definidos de inclusão e exclusão, que foram lidos por dois avaliadores, que
decidiram sobre a elegibilidade. Foram excluídos artigos não disponíveis para download
gratuitos e que, no título, resumo ou no texto completo não apresentam relevância para o
presente trabalho.

3.Resultados e discussão

Foram incluídos seis artigos publicados na íntegra no período de 2008 a 2018, escritos
na língua portuguesa com dados quantitativos sobre o consumo alimentar, estado nutricional e
atualizações referentes à avaliação nutricional realizada com pacientes portadores de IRC, todos
realizados no Brasil. Os objetivos, local, população e metodologia destes estudos estão
detalhados no quadro 1.
5

Quadro 1: Análise dos artigos publicados nos últimos dez anos sobre o estado nutricional e consumo
alimentar de pacientes com IRC

Objetivos do
Ano Autor Local/População Metodologia
Estudo
Avaliar o Unidade Avaliação antropométricas
estado hospitalar/Estado do (IMC, PCT, CB, CMB,
nutricional de Rio de Janeiro-Brasil ASG); consumo alimentar
pacientes com 15 pacientes maiores (recordatório de 24
VEGINE, DRC em HD de 18 anos horas); exames Commented [MS4]: vancouver
2011
et al. por meio de bioquímicos (albumina,
diferentes creatinina, colesterol,
parâmetros de ureia pré e pós dialise).
avaliação
nutricional
Unidade hospitalar O estado nutricional
Estado da Bahia- (antropometria, exames
Brasil bioquímicos e ASG).
Comparar o
74 pacientes adultos O consumo alimentar
estado
e idosos, divididos (registro alimentar de 3
nutricional de
CAMPOS em dois grupos, de dias)
2012 pacientes com
, et al. acordo com os níveis Dados clínicos (cálcio e
DRC em DPC
de PTH (maiores do fósforo séricos, e a
com e sem
que presença de inflamação
HPTS.
300 pg/ml e através da dosagem de
menores ou iguais a PCR.
300 pg/ml)
Analisar a Centro de Nefrologia Realizou-se avaliação
associação Estado do Espírito antropométrica, coleta dos
entre Santo/Brasil resultados de exames
qualidade de 30 pacientes adultos bioquímicos, aplicação do
vida e idosos questionário SF-36 e
SANTOS,
2013 Consumo anamnese alimentar
et al.
alimentar, (recordatório alimentar de
estado 24h).
nutricional em
pacientes com
DRC em HD
Serviço de Avaliação antropométrica
Avaliar o hemodiálise Rio (IMC CMB, AMB, PCT e
estado Grande do espessura do músculo
nutricional e Sul/Brasil. adutor do polegar). Os
DOBNER fatores Estudo transversal e exames bioquímicos
2014
, et al. associados em avaliados 90 (albumina, colesterol e
pacientes pacientes adultos. transferrina). Recordatório
renais alimentar aplicado para
crônicos em calorias totais e proteínas.
hemodiálise.
Avaliar o Unidade Básica de O estado nutricional foi
MAGALH
impacto de um Saúde no estado de avaliado por
ÃES;
programa de São Paulo/Brasil. antropometria, IMC e o
2016 GOULAR
intervenção Coorte prospectivo risco cardiovascular pela
T; e
nutricional com 64 pacientes CC. A qualidade de vida foi
PREARO.
sobre o estado idosos.
6

nutricional e a avaliada pelo WHOQOL-


qualidade de bref.
vida de idosos
com DRC não
dialítica.
Foi um estudo Os dados foram coletados
transversal com por meio dos prontuários
Avaliar a
dados secundários, médicos, os quais foram
associação
em Juiz de Fora, São analisados marcadores
ALVARE entre o tempo
Paulo/Brasil. Com antropométricos,
2017 NGA, et de
um total de 36 bioquímicos e dieta,
al. hemodiálise e
pacientes. considerando dois grupos:
parâmetros
tempo HD menor do que
nutricionais.
três anos e tempo de HD
maior ou igual a três anos.

Fonte: Autor (2019)


Legenda: DRC: Doença Renal Crônica; HD: Hemodiálise; DPC: Diálise Peritoneal Contínua; HPTS:
Hiperparatireoidismo Secundário; IMC: Índice de Massa Corporal; CMB: Circunferência Muscular do Braço;
AMB: Área Muscular do Braço; PCT: Dobra Cutânea Tricipital; CC: Circunferência da Cintura; PTH:
Paratormônio CB: Circunferência do Braço; ASG: Avaliação Subjetiva Global; PCR: Proteína C.

No primeiro artigo avaliado, Vegine et al., (2011), foram acompanhados por


nutricionistas e analisados através de marcadores antropométricos, bioquímicos e dieta.
Detectou-se redução de massa de proteína somática com aumento do tempo em HD. EM
Pacientes com maior tempo em diálise houve aumento no consumo médio de proteínas/kg de
peso, calorias, fósforo e potássio. Foi demonstrado que o Índice de Massa Corporal (IMC) e
Circunferência Muscular do Braço (CMB) estavam dentro da normalidade, ao ponto que a
Dobra Cutânea Tricipital (PCT) esteve baixo e o percentual de gordura esteve elevado,
evidenciando que todos os pacientes encontravam-se com Desnutrição Energético Protéica
(DEP) por algum dos métodos utilizado e a ASG foi o método isoladamente que conseguiu
detectar o maior número de pacientes com DEP21.
No estudo de Campos et al., (2012), foram avaliados dois grupos de pacientes em DPC
com e sem hiperparatireoidismo secundário, e foram avaliados dados antropométricos,
indicadores bioquímicos e Avaliação Subjetiva Global (ASG) e ingestão alimentar. Em relação
ao estado nutricional, 9,3% desses apresentam déficit de tecido adiposo e 34,9% apresentam
depleção do tecido muscular (Área Muscular do Braço (AMB) <P5). Os parâmetros
bioquímicos demonstraram hipoalbuminemia em 78,4% da população com níveis séricos
reduzidos de creatinina, os quais sugerem baixa ingestão proteica e diminuição da massa
muscular, e está associada com aumento das taxas de mortalidade em pacientes renais crônicos.
Observou-se, também, o consumo de cálcio e fósforo abaixo do recomendado para pacientes
em diálise2.
7

Os estudos de Vegine et al., (2011) e Campos et al., (2012), constataram que a ASG é
utilizada como método importante para depleção precoce de desnutrição, apresentando uma
prevalência de 36,5 e 80% respectivamente nos dois estudos 21,2.
Santos et al., (2013), identificaram um IMC médio em torno de 25,04kg/m2, porém, ao
avaliar de acordo com as dobras cutâneas, obteve um elevado índice de desnutrição em torno
de 73% de acordo com PCT, que se justifica pelo consumo energético e proteico médio abaixo
do recomendado. Com base nos exames bioquímicos, estes foram adequados só para fósforo e
creatinina. A média obtida expõe déficit de pelo menos 10 kcal/kg de peso/dia (para maioria
dos pacientes), se o objetivo for atingir a meta inferior da recomendação para depleção de peso,
visto que 80% da amostra possuía algum grau de desnutrição15.
Dobner et al., (2014), obteve elevada prevalência de excesso de peso nos 90 pacientes
avaliados. Ao utilizar a PCT, o excesso de peso foi identificado em 20% da amostra. Com
relação à depleção das reservas musculares de acordo com a PCT, CMB e AMB, estas foram
de 58,9%,41,1% e 80%, respectivamente confirmado pelos dados de albumina e transferrina
alterados entre 87,5% e 82,2% dos pacientes avaliados. O elevado percentual de pacientes com
excesso de peso e diminuição da massa magra pode estar ligada ao processo inflamatório e a
inatividade física4.
Machado et al., (2014), encontraram média de idade de 59,4 anos e maioria do sexo
masculino (64,7%), com médias de idade próximas às encontradas nos estudos apresentados.
Estes achados mostram que as idades e o gênero desses pacientes variam e que parte importante
da população em hemodiálise são adultos que estão na quinta década de vida e idosos 8.
No estudo de Alvarenga et al., (2017), com pacientes renais crônicos sobre a relação ao
estado nutricional de acordo com o IMC, observa-se média de 25,2 ± 4,28 kg/m² (adulto 24,57
± 5,09 kg/m²; idoso 25,71 ± 3,57 kg/m²), sendo que 38,9% apresentam excesso de peso e 11,1%
de baixo peso. Ao analisar os resultados da área muscular do braço (AMB), dobra cutânea
tricipital (PCT) e circunferência do braço (CB), verifica-se que 22,3% apresentaram depleção
de tecido adiposo subcutâneo e 58,4% depleção de massa proteica somática. A média da
circunferência da cintura (CC) foi de 87,23 ± 12,27 cm, sendo que 44,4% dos participantes
apresentaram grau elevado ou muito elevado de risco doenças cardiovasculares (DCV) 1.
As recomendações nutricionais diárias para pacientes com doença renal crônica em
tratamento dialítico são de 35kcal/kg, proteínas 1,2g/kg, carboidratos de 50 a 60% do total de
quilocalorias, lipídios de 25% a 35%, fibras de 20g a 25g e potássio de 1g a 3g, estabeleceram,
para o mesmo grupo de pacientes, as seguintes recomendações de minerais: sódio 1g a 1,5g,
cálcio 10mg a 18mg15,3.
8

Esta tendência de alterações no estado nutricional e no consumo alimentar já vinha


sendo estudado no Brasil. Um dos primeiros estudos sobre o estado nutricional de pacientes
com DRC em HD foi realizado no Estado do Amazonas com 165 pacientes adultos em
hemodiálise em 1999, onde 45% apresentavam desnutrição, identificada por prega cutânea
tricipital e/ou circunferência muscular do braço, 61% dos pacientes apresentaram consumo de
energia reduzido (<30Kcal/Kg/dia) e 41% um baixo consumo de proteína (<1.2g/Kg/dia) 20.
A avaliação nutricional do paciente com DRC em tratamento dialítico requer uma
análise criteriosa, uma vez que o estado nutricional pode estar comprometido por fatores não
nutricionais. Para prevenção da desnutrição é importante avaliar o paciente no início da diálise
e acompanhá-lo periodicamente a cada 3 meses17.
A abordagem nutricional é a terapia apropriada para garantir um bom estado nutricional
do paciente. A este respeito, tem sido recomendado que o paciente passe por um processo de
educação nutricional que leve em consideração as particularidades de cada um e busque sempre
alternativas para nutrir adequadamente os pacientes. Uma vez que muitos desses pacientes
obtêm alguma recomendação nutricional em uma única sessão com um médico, eles acabam
buscando mais informações em folhetos impressos de nutrição, brochuras, ou diretrizes o que
leva a muitas dúvidas10,11.
Nesta perspectiva, Magalhaes et al., (2016), ao estudar o impacto de um programa de
intervenção nutricional voltadas para a Educação Alimentar e Nutricional, com idosos em
unidades básicas de saúde, com estratégias pedagógicas de palestras, rodas de conversa e
exposições orais demonstraram redução do IMC e da CC, diminuindo o risco de doenças
cardiovasculares e promoveu o aumento da satisfação dos idosos em relação ao estado de saúde
repercutindo na melhoria da qualidade de vida9.
Em um estudo experimental realizado em tratamento diálitico (hemodiálise), três vezes
por semana, que teve como proposta elaborar e executar uma proposta de programa de educação
nutricional como alternativa para prevenção e tratamento, em pacientes com insuficiência renal
crônica, após três meses de intervenção do programa de educação nutricional, foi observado
um decréscimo no risco de Desnutrição Energética Proteica (DEP) bem como de sobrepeso e
obesidade. Houve, ainda, uma melhora na aceitação da dieta e diminuição na retenção de
líquidos no período interdialítico, bem como dos níveis séricos de minerais e outros metabólitos
relacionados a complicações na DRC5.
Resultados semelhantes foram encontrados em estudo correspondente realizado no Commented [J5]: “semelhantes” foi substituído por
“correspondente”, termo sinônimo, como forma de evitar
Hospital Universitário de La Paz e, em um estudo prospectivo realizado na clínica de cuidados redundância;

médicos em hemodiálise da Universidade Católica de Murcia, também na Espanha, mostraram


9

que a orientação nutricional é um instrumento importante para o tratamento da DRC e mostram


a utilidade do uso de "programas de intervenção nutricional" dentro de um quadro
interdisciplinar nas consultas de doença renal crônica avançada19,11.

4.Conclusão

Nessa perspectiva, observa-se nos últimos anos que a doença renal crônica tem ganhado
bastantes proporções no grupo de adultos e idosos como um dos principais problemas de saúde
pública, evidenciando assim uma preocupação na sua detecção precoce, uma vez que doenças
crônicas não transmissíveis como diabetes, hipertensão e obesidade são fatores de riscos
importantes para o seu surgimento.
Portanto, a utilização de diferentes parâmetros na avaliação nutricional de indivíduos
com doença renal crônica pode propiciar a realização de diagnósticos mais adequados para
subsidiar a tomada de decisões no campo da terapia nutricional, detectando pacientes em risco
nutricional, já que se evidenciou nos artigos analisados altas taxas de desnutrição energético
proteica e depleção do tecido somático, avaliada por vários parâmetros antropométricos e
bioquímicos, acompanhada de ingestão deficiente de calorias e proteína. Sendo assim, as altas
taxas de mortalidade identificadas neste público podem ser minimizadas e os efeitos das
complicações clínicas decorrentes da evolução da doença melhoradas, contribuindo para
elevação dos padrões de qualidade de vida dos pacientes.
A avaliação do consumo alimentar deveria ser realizada de forma sistemática com o
objetivo de acompanhar o estado nutricional e compreender as mudanças que ocorrem na saúde
e no organismos destes pacientes, da mesma forma que outros parâmetros laboratoriais e
antropométricos deveriam ser incorporados na rotina de atendimento destes pacientes em todos
os centros de diálise distribuídos no país, assim como programas de educação alimentar e
nutricional no nível hospitalar e na atenção básica.

5.Referências Commented [MS6]: a revista é vancouver e não ABNT

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