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Invasões Estrangeiras, período colonial.

No período que corresponde a “Era do Descobrimento ou as Grandes


Navegações” do séc. XVI, na chegada dos portugueses nas “terras do Pau-de-
Tinta” (Brasil), os reinos da Europa entram em “frenesi” com as notícias de
novas terras, assim no princípio dos anos de 1500, o Brasil começa a receber
incursões de piratas e aventureiros que se limitam a furtos e pilhagens.
As invasões francesas, holandesas, inglesas são ocasionadas implícita ou
abertamente com o mesmo ideal português de conquistar terras no novo
continente com a premissa de estabelecer colônias (salvo a Inglaterra).

Os Ingleses.
No séc. XVI, os seus primeiros 50 anos, o Brasil (pré-colonial) recebe visita
dos britânicos e sua primeira tentativa conhecida é de 1530-1532, neste
período os ingleses fazem à costa brasileira três incursões. E nesses primeiros
contatos tinha a intenção de estabelecer comercio com as colônias
portuguesas (Brasil e África- Guiné), pois Londres já mantinha negócios com
Portugal e seus ”tentáculos” comerciais alcançaram as terras de além-mar,
Sergio Buarque de Holanda confirma esta dinâmica neste trecho, “a parti de
1497, data da primeira viagem de João Caboto a serviço de Henrique VII,
começam os ingleses a interessar-se pela navegação no Oceano
Atlântico, cujas águas serão aos poucos sugadas por eles em todas suas
extensões”.
E sob está conjuntura, William Hawkins um negociante, inglês dá inicio as
viagens para o Brasil (1530-1532), totalizando em três viagens, numa prática
amistosa de contato com os nativos (índios), tanto que, na sua segunda
viagem, o navegador inglês, retorna para Inglaterra com chefe indígena
para apresentar corte, assim, dando inicio a um intenso comércio de Pau-
Brasil, que dura 12 anos, pois de 1542 até 1581 não há mais noticias de
invasões inglesas na costa brasileira.
E após um ano da implementação da União Ibérica (1581), sob a chancela da
rainha Isabel, a Inglaterra retorna ao Brasil com o navio Minion de Londres,
com o intuito de mapear os acidentes geográficos e as regiões meridionais
(sul) brasileiras, em especial São Vicente para usar como base de
abastecimento das suas embarcações que cortavam o Sul do Atlântico em
direção ao Estreito de Magalhães.
Além disso, os ingleses mantinham outra frente de interesse, na região mais
rica que competia com a Vicentina, área meridional (norte) de Tordesilhas, “foi
palco de um fato curioso”, no ano de 1583, o navio inglês Royal Maerchant,
está finalizando as negociações em Olinda, e é apreendido pelo Almirante
espanhol Diogo Flores Valdez que confisca suas mercadorias.
Mas o desejo de participar das riquezas das Américas e diminuir o poderio
castelhano no Oceano Atlântico, faz a Inglaterra autorizar e promover a
pirataria e se lança ao Mar o capitão Frances Drake, com seu galeão Golden
Hind (Corça Dourada) - antes conhecido como o Pelicano-, sendo o primeiro
britânico a realizar a volta ao mundo em 1577-1580, OBS- “na verdade sendo
a 2°, pois a 1° foi realizada pelos espanhóis com Fernão de Magalhães
que não a completou”.
Então, nessa circunavegação global, “Draqueana”, veio abrir outras grandes
navegações como:
 Eduardo Fenton 1582.
 Cristopher Lister 1586.
 Thomas Cavendish 1591.
 Jemes Lancaster 1595.
Assim a maior colônia lusa (Brasil), no século XVI ocupou lugar de
destaque nos interesses mercantis e marítimos ingleses e ponto de apoio
na sua expansão do Atlântico Sul.

Os Franceses.
Na conjuntura do Tratado de Tordesilhas (1494), a França discorda sobre a
divisão do mundo entre Portugal e Espanha e defende o direito de Uti
possidetis. E através deste princípio do direito romano, os franceses se fazem
presentes nas praias brasileiras, em dois momentos:
1°- com a França Antártica na segunda metade do século XVI (1555-1565), os
protestantes franceses (calvinistas) queriam fundar uma colônia no Brasil com
o intuito de fugirem da perseguição religiosa, assim em 1555, invadem as
praias “cariocas” liderados pelo almirante Nicolau Villegaignom e funda uma
colônia francesa com ajuda dos Tamoios, mas a tentativa de colonizar a
“cidade maravilhosa” como colônia de povoamento, não durou muito tempo,
em 1560, 3° Governador Geral Mem de Sá, desembarca na Baía da
Guanabara com a missão de expulsar os franceses e após cinco anos de
combates o sobrinho do Governador Geral, Estácio de Sá, expulsa os
franceses e funda a cidade do Rio de Janeiro (1565) pondo fim ao projeto
França Antártica.
E no decorrer de 57 anos, após a primeira tentativa, os franceses retornam em
1612, na extremidade norte da colônia lusitana, o Maranhão, tentando
estabelecer, a França Equinocial (1612-1615), invadindo a província para
construir, o Forte de São Luís com objetivo de participar do lucrativo e novo
mercado de exploração, agora em uma visão de colônia de exploração,
sendo liderado pelo general Daniel de La Tuche.
E na primavera de novembro de 1615, os franceses capitulam.
Então, concluímos que neste período de invasões francesas, houve a fundação
de RJ e MA, assim se tornando importantes cidades no processo de
colonização brasileira.

Os holandeses.
As invasões holandesas decorrem no período de 30 anos (1624-1654). Assim
no ano de 1624, acontece à primeira tentativa de invasão holandesa na região
da Bahia, sendo palco de um intenso combate os castelhanos e lusitanos parte
em socorro aos baianos com a esquadra “Jornada dos Vassalos” (a maior
Armada do século XVI, enviada ao Hemisfério Sul, integrada por
52 navios, transportando quase 14.000 homens) em 1625.
E com passar de cinco anos (1630) os holandeses retornam, mais ao norte na
Capitania de Pernambuco, e no período de 05 anos (1630-1635) de intensos
combates entre colonos e holandeses nasce o Quilombo de Palmares.
E findando este período de combate estilo “terra arrasada” promovida pelos
colonos, os holandeses derrota os pernambucanos e nos anos de 1637 até
1644, Pernambuco é administrado pelo governador e comandante-chefe
Mauricio de Nassau, que desenvolve a economia açucareira no
Nordeste com métodos aperfeiçoados de cultivo da cana-de-açúcar e do fumo.
No Recife, foi responsável pela drenagem de terrenos, construção de canais,
diques, pontes, palácios (Palácio de Friburgo e Palácio da Boa Vista), jardins
(botânico e zoológico), o museu natural, o observatório astronômico e
organiza serviços públicos como o corpo de bombeiros e a coleta de lixo. Mas
em 1644 os holandeses são expulsos novamente na Batalha dos Guararapes,
que expressa um sentimento de nacionalismo. Mas a expulsão definitiva dos
holandeses começou em 1645, com a Insurreição Pernambucana que dura
quase dez anos, e em 1654, a Capitulação do Campo do Taborda, fixou os
termos e condições pelas quais os membros do Conselho Supremo do Recife
entregavam ao Mestre de Campo, General Francisco Barreto de Menezes,
Governador da Capitania de Pernambuco, a cidade Maurícia (Recife) e os
lugares que tinham ocupado ao Norte.