SUBJETIVIDADE E CARTOGRAFIAS GRUPAIS: UMA PERSPECTIVA ÉTICO-ESTÉTICO-POLÍTICA.

Antonio Vladimir Félix da Silva

Existirmos: a que será que se destina? (Caetano Veloso, In: Cajuína)

Uns dizem fim Uns dizem sim. Uns Uns Uns Uns Uns Uns Uns amam Uns andam Uns avançam Uns também cem Uns sem Uns vêm Uns têm Uns nada têm mal uns bem Uns nada além bichos Uns deuses Uns azuis Uns quase iguais menos Uns mais Uns médios Uns por demais masculinos Uns femininos Uns assim meus Uns teus Uns ateus Uns filhos de Deus

(Caetano Veloso, In: Uns)

não não não não não

tem tem tem tem tem

um, tem dois, dois, tem três, lei, tem leis, vez, tem vezes, deus, tem deuses,

não há sol a sós somos o que somos inclassificáveis

(Arnaldo Antunes. In: Inclassificáveis)

Nós não existimos co-existimos, nós não vivemos convivemos

(Leonardo Boff)

Introdução Na história da psicologia. . às vezes. negando todo o histórico-cultural da evolução da espécie humana e do desenvolvimento ontológico do sujeito. parece superada a questão se a subjetividade é constituída individual e/ou socialmente. o biológico ao fisiológico e o social ao cultural. No entanto. ainda nos deparamos com representações teórico-metodológicas que tratam de restringir o individual ao biológico.

a mediação é feita estabelecendo-se vínculos de uns com os outros. significados. do enfoque histórico-cultural em psicologia. memória. 2005). concebemos a formação e desenvolvimento das funções psicológicas como processos complexos condicionados pela mediação do outro aprendentes e ensinantes e das vivências. a parte menos explorada pelos seguidores de L. Este gesto de escrita no ar é um gesto indicador para o outro. Desde esse enfoque. ao mesmo tempo. Para Vygotsky todo o social é histórico e todo o psicológico é social e histórico. este sentido dado ao significante pode marcar o corpo da criança em dada situação social de . representações e significações inconscientes. em outras palavras: produção de sentidos polifônicos. tais como a unidade do sistema de consciência: percepção. pois. Vygotsky (1896 . S. quem atribui sentido a esse gesto é o outro. emoções. Esta. somos feitos pela historia dada as condições sociais. As vivências são as experiências afetivo-cognitivas marcadas pela emoção e a situação social de desenvolvimento.Para contribuir com a noção de subjetividade como socius. Como exemplo. Ontologicamente. retomamos. esta tese parte da concepção materialista histórico-dialética de que nós fazemos culturalmente a historia e. por meio de artefatos culturais e dos processos psicológicos mais complexos. econômicas e políticas em que nos tocam viver. nós a definimos como a relação singular e única que cada ser estabelece com seu entorno e consigo mesmo em um dado contexto e em cada período de idade e fase da vida (VYGOTSKY citado por FÉLIXSILVA.1934). qual seja: a constituição da subjetividade. a primeira vez que a criança aponta para um objeto. pesemos com Vygotsky a questão do gesto indicador como a primeira inscrição da criança.

processos instituídos e instituientes nos cenários nos quais as cartografias grupais são constituídas. morais. enunciados científicos. 1995) vai adquirindo sentidos na convivência e coexistência de uns com os outros. Cartografias grupais e processos de subjetivação Partimos da noção de subjetividade como socius e do reconhecimento de que toda subjetividade é subjetividade de grupo (GUATTARI. leis. filantrópicas. mediada pelas vivências experiências afetivas ela aprenda a falar e/ou a saber caso dos surdos que o gesto indicador é um gesto indicador também para si (Vygotsky. O dispositivo é a rede que se . BARROS. tentado imitar o outro. O que é um dispositivo? Michel Foucault nomeia dispositivo: Um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos. tecnologias do conhecimento e da informação. citado por FÉLIXSILVA. multimídias. citado por PASSOS. o dito e o não dito são os elementos do dispositivo. se constituem e as constituímos enquanto paisagens psicossociais (PASSOS. Em suma. organizações arquitetônicas. 2007. depois imitando e repetindo a fala do outro par a nomear os signos lingüísticos. arte e instituições.desenvolvimento. medidas administrativas. 2005) A constituição da subjetividade como socius (DELEUZE e GUATARRI. 2007). escrita. até que. proposições filosóficas. das vivências e dos vínculos afetivo-cognitivos estabelecidos por meio de artefatos culturais: linguagem. pela mediação da experiência de vida. 2007). cálculo. e concebemos o grupo como um dispositivo para pensar relações de saber poder. decisões regulamentares. de maneira que a criança pode começar a balbuciar gestos de fala. trabalho. instituições.

pensar. enfermar- . atuar. ser. 2009) Conceber o grupo como um dispositivo e como uma paisagem psicossocial significa cartografar processos de subjetivação e produção de subjetividade. modos de ler-se ao ler. b) Processos de subjetivação que ora mostram o grupo em movimentos de assujeitamento ora como grupo-sujeito. a partir dos seguintes analisadores: a) Relações de saber poder estabelecidas e movimentos de resistência que tencionam essas relações nos grupos e na vida cotidiana. de inscrever-se ao escrever. (re)produzir a historia. modos de viver. sonhar. O que são cartografias grupais? Em psicologia. carta subjetiva cuja escrita corpo é a que se faz presente no espaço dos grupos e cuja composição é feita do acompanhamento dos processos de subjetivação e da produção de subjetividade na sociedade contemporânea. 2006). de odiar. desejar. sofrer. c) Produção de subjetividade. modo grupo-identidade e devir-grupo nos processos grupais. cartografias são paisagens psicossociais (ROLNIK. cartografias grupais são paisagens humanas. Que é subjetividade? E o que são processos de subjetivação? Compreendemos subjetividade como a produção dos modos de existência e invenção cultural do mundo.pode estabelecer entre esses elementos (FOUCAULT citado por KASTRUP e BARROS. E denominamos processos de subjetivação os modos de sentir. Sendo assim. produzir cultura e reinventar a vida. devir.

uma comunidade. técnicas de subjetivação do desejo [micropolítica do desejo] e estratégias de subjetivação do sistema vigente de poder [máquina capitalista. A diferença é a . Estado. Igreja. de produzir saúde. se diferenciando. ou seja. 2003). 2007) Devir não é um vir a ser. Neste sentido. viver. a cada momento da história. citado por BARROS. território hegemônico] e dos sistemas normativos do saber [epistemologia normativa] constituem a maneira pela qual. nem um vir-a-ser-sendo. Devir é ser em movimento e é liberdade de ser e também liberdade de ser diferente. Modos de subjetivação. mas um produto produtor da história: história e devir na história. citados por BAREMBLITT.. Não uma história que venha para dizer quem somos. Foucault dizia que a liberdade existe quando se pode rejeitar um modo de subjetivação em que se foi constituído para criar outros. desejos. prevalecem certas relações de poder-saber que produzem objetossujeitos. de cuidar de si e de inventar o mundo. 2007). afirmando estas diferenças.. Ser é Devir (DELEUZE e GUATARRI. necessidades e vontades (FOUCAULT citado por PASSOS. mas naquilo que nos diferenciamos (FOUCAULT. Escola. amar. um território.se. uma instituição: Família. 1995). Na contemporaneidade. um movimento social. a produção da subjetividade e dos processos de subjetivação se dá nas múltiplas formas de interação social dentro do capitalismo mundial integrado. uma cidade. a subjetividade não é um dado determinado por uma estrutura psicológica. Criar é se diferenciar. (GUATTARI. tanto dentro da sociedade global como dentro de um grupo. modos de fazer cultura.

a música Flores Horizontais de Oswald de Andrade e Zé Miguel Wisnik3. Disponível em <http://www. Na escrita desse livro o ser do autor é puro devir.com. que é.pessoa. às vezes.htm 5 CARPINEJAR.eurooscar. aliás.que produz no mundo capacidade de provocar outras diferenças. deixando vazar a polifonia que habita as multiplicidades (FOUCAULT. a poesia Deixe-me seguir para o Mar . gerando poesias totalmente diversas. como se deve ler . aos 72 anos. sentimentos que nunca tive. escrevemos. Assim têm estes poemas de Caeiro. mesmo sem que cada um de nós possua uma identidade de músico. .br/?p=56 3> 2 http://www. os de Ricardo Reis e os de Álvaro de Campos que ser considerados. o poema Todas as Vidas de Cora Coralina2. Terceira sede: elegias . aos 37 anos (2009).br/coracoralina. inventa e vive a experiência de escrever um livro de 2045. p.art. é aquilo que consegue escapar a fala única. de Mário Quintana4.com.Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. os escreveria. nos meus sentimentos e idéias. 2007. sua temática poética singular e seu estilo específ ico. além de textos e artigos que publicamos e até músicas que tocamos com o corpo em oficinas que participamos. personagens essas a que atribuí poemas vários que não são c omo eu. Há simplesmen te que os ler como estão. Também estão relacionados ao devir nossas produções literárias ao acaso. pois muitos deles exprimem idéias que não aceito. 324) São exemplos relacionados a essa polifonia e à produção de sentidos da subjetividade em múltiplos devires: os heterônimos de Fernando Pessoa1. Cada um deles tem a sua própria biografia. então decidiu antecipar a velhice"5. O próprio Fernando Pessoa explicou: Por qualquer motiv o temperamental que me não proponho analisar. ele diz que poderá ter morrido antes. que. nem importa que analise. citado por BARROS. 2009.paralerepensar. as várias composições de Chico Buarque em seus múltiplos encontros com um devir-mulher e um devir-poesia de Carpinejar.terra. como poemas e contos que. Não há que buscar em quaisquer deles idéias ou sentime ntos meus. construí dentro de mim várias p ersonagens distintas entre si e de mim.com/poesoutros/mario_quintana1.br/elza-soares/476981/ 4 http://www. 1 Os heterônimos constituem vários poetas fragmentados e múltiplos que habitam Fernand o Pessoa.htm#TODAS_AS_VIDAS 3 http://letras.

Por tanto. De maneira que um agenciamento coletivo do . 2006). 2008. um devir animal. Desejo concebido como processo de produção do social.O termo devir é relativo à economia desejante: Assim. Direção e Roteiro: Daniel Barnz). Souleymane (Franck Keïta) é um exemplo de devir-fotografia. ao inconsciente maquínico. Esta concepção de desejo está associada diretamente à economia desejante. micropolítica do desejo é o processo de produção de paisagens psicossociais e ao mesmo tempo é o próprio movimento dessas paisagens (ROLNIK. Fotografia e Imagens: Maria Dias. pode estar atravessado de múltiplos devires. Roteiro: Vladimir Félix). Os fluxos de desejo procedem por afetos e devires. imagens. O personagem Jamie (Ian Colletti) é um exemplo de devir-mulher ao escolher vivenciar o papel da Rainha de Copas no musical apresentado no filme A Menina no País das Maravilhas (EUA. 1995. 2008. projeções. atropologicamente etiquetado de masculino. (GUATTARI. em aparência. identificações. desejo que quer ser só desejo e produzir-se desejante. significantes (GUATARRI. de suas técnicas de subjetivação e do próprio desejo (ROLNIK. 202). Roteiro: Robin Campillo). 1995). ao elaborar um auto-retrato no filme Entre os Muros da Escola (França. sublimações. 2006). faltas. um indivíduo. independente do fato de que essa produção desejante seja atribuída a pessoas. contraditórios: devir feminino coexistindo com um devir criança. Direção: Laurent Cantet. Maria Preta é um exemplo de devir-poesia ao recitar oralmente um poema de sua autoria no documentário BB Educar: Turma Maria Preta (Direção: Cristina Digo e Vladimir Félix. p. produção real de seus objetos. um devir invisível etc.

casal. Macropolítica se refere a relações mais complexas: Estado. Não mais pensada exclusivamente a partir de um centro do poder (o Estado. a política é a forma de atividade humana que. politikós diz respeito a tudo que se refere à cidade (polis). A subjetividade é esse socius que é produzido e que se produz na fronteira das relações. irmãos. Sistemas econômicos. ecológicos etc. educacionais. ecológicos. citado por PASSOS e BARROS. estabelecidas também por meio de vínculos afetivos: amizade. mãe e filho/filha. articula-os segundo regras ou normas não necessariamente jurídicas e legais. Com esse sentido ampliado. 2009. por microrrelações. 1995). TIC s. a política se faz também em arranjos locais. seja de ordem biológica. ROLNIK. sócios. pequenos grupos. gnosiológico [relativo à razão do conhecimento em relação ao sujeito cognoscente. de desejo. 151) . uma classe). social. epistemológico [relativo à construção do conhecimento e ao sujeito que aprende] etc. (BARROS. sendo a arte e a ciência de governar o Estado um de seus aspectos. p. na intercessão entre a macropolítica e a micropolítica. 2006). sistemas perceptivos. maquínico. de afeto. sociais. indicando esta dimensão micropolítica das relações de poder (FOUCAULT. ligada ao poder. Mídias. coloca em relação sujeitos. e micropolíticos: inconsciente maquínico. tecnológicos. A produção da subjetividade em múltiplos devires envolve componentes macropolíticos: sistemas maquínicos econômicos. sujeito que conhece]. Retomando a etimologia da palavra. na zona de jogo e na zona de sentidos. 2007. imaginário. professor aluno. territorial.desejo é constituído e movido por componentes heterogêneos. (GUATTARI. Sociedade global. religiosos. tecnológicos. pai e filho/filha. em uma palavra: institucionais. orgânicos etc. parceiros. E micropolítica se refere a relações mais elementares.

Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Cea rá. . 1994. Direção e Roteiro: Daniel Barnz). alunas e alunos de diferentes etnias.. Fotografia e Imagens: Maria Dias. na sala de aula. ao longo do ano letivo. de professores e da direção da escola. Roteiro: Vladimir Félix). mediado por Phoebe Lichten (Elle Fanning). compõem uma cartografia grupal que pôde devir-grupo por meio da produção de um autoretrato e da mediação do professor François Marin (François Bégaudeau). 6 SILVA.Se política é um dilema de onde nasce a crítica . Também. as mulheres e os homens que participam da oficina em dinâmica de grupo e do círculo de cultura sobre a problemática da água em Assaré-CE. com a participação dos colegas de sala. Antonio Gonçalves da. as cartografias grupais dos alunos de uma escola vão compondo um devir-grupo. no filme Entre os Muros da Escola (França. No filme A Menina no País das Maravilhas (EUA. basicamente no momento em que há um círculo de cultura sobre uma síndrome que afeta uma das personagens. implica fazer intervenção na realidade de um grupo por meio da problematização dos processos grupais instituídos. In: PATATIVA DO ASSARÉ: Aqui tem coisa Fortaleza: Multigraf/ Editora. como diz um dos versos do poeta Patativa do Assaré6. no teatro. enfrentando dificuldades de aprendizagem com o idioma francês. de familiares. Sabendo que o grupo pode romper com o modo grupo-identidade e devir-grupo no sentido de transvalorar normas instituídas e se reinventar outro grupo. durante os ensaios e apresentação de um musical: Alice no País das Maravilhas. tensões e conflitos na escola. mais no teatro do que na sala de aula. pensar a subjetividade como socius. Roteiro: Robin Campillo). Direção: Laurent Cantet. numa perspectiva ético-estético-política. 2008. Também. constituem um exemplo de devir-grupo no documentário BB Educar: Turma Maria Preta (Direção: Cristina Digo e Vladimir Félix. 2008. Miudinho e Curioso.

Nessa perspectiva ético-estético-política. 1995). como espaço objetivo-subjetivo que nos faz pensar em movimento e nos convida a colocar para funcionar os modos de expressão de subjetividade. de maneira que o grupo cria suas próprias regras e opera com autonomia (PASSOS. os momentos de insurreição na história e os pontos de inflexão dos discursos na composição de certas práticas e certas paisagens psicossociais (PASSOS. uma maneira de pensar a vida e uma forma de intervir na realidade. 2007). acompanhar a produção de subjetividade em um grupo é tratar de cartografar processos de subjetivação nas múltiplas formas de interação social dentro desse grupo e pensar o ser do . coexistem processos de subjetivação que marcam as cartografias grupais ora como grupo assujeitado ora como grupo sujeito. 2007). 2007.Nos contextos de produção de uma subjetividade capitalística (DELEUZE e GUATTARI. O ethos do grupo sujeito é o da fala irruptiva. BARROS. O ethos de submissão mostra o grupo submetido a regras externas e faz da posição subjetiva uma forma de assujeitamento. partindo de uma transformação da realidade para uma produção de conhecimento (PASSOS. as dicotomias naturalizadas. Situar o grupo entre a clínica e política. é o que nos mobiliza a operar processos de desindividuação. problematizando os saberes e os lugares instituídos. pressupõe fazer da resistência aos modos vigentes de saber-poder. experimentação e invenção. 2007). que trata de cooptar modos de vida que se configuram como resistência. movimento em uma ação transgressora de significantes sociais dominantes e das regras de assujeitamento. De maneira que tomar o grupo como dispositivo de intervenção da/na realidade.

Nesta perspectiva.grupo (modo-identidade) e o devir grupo (cartografias grupais em movimentos para além da identidade do grupo). singularizar as diferenças é criar caminhos entre impossibilidades e tocar virtualidades. a inclusão. a composição das cartografias grupais e recomposição de universos de subjetivação. os desvios e para a produção de novos sentidos. desvios que rompam com relações de saber e poder cristalizadas e potencializem a criação de novos modos de existência. as ressonâncias múltiplas. a postura do professor François Marin (François Bégaudeau) no filme Entre os Muros da Escola (França. 2007. p. fazendo proliferar ramos de rizoma em que o grupo se transforma para que a intercessão se faça entre estrangeiros-em mim em contato com os estrangeiros-no-outro (BARROS. Roteiro: Robin Campillo). são exemplos que podemos relacionar a uma postura ético-estético-política: a postura da professora Miss Dodger (Patricia Clarkson) no filme A Menina no País das Maravilhas (EUA. Neste sentido. trabalhando as matérias de expressão da subjetividade como a transformação da vida voltada para as diferenças. Direção: Laurent Cantet. a questão ética refere-se à desindividuação e à transvaloração na composição das cartografias grupais. 324). 2008. E estética refere-se à experimentação e à criação. 2008. De acordo com Barros (2007) e Passos (2007). por meio da problematização de segmentações e assujeitamentos nos processos grupais e por meio de intervenções na realidade que potencializem movimentos de singularização. Direção e Roteiro: Daniel Barnz). a postura do grupo de alfabetização de jovens e adultos ao inclinar-se para cuidar Maria Preta e escutar sua poesia no .

que experimente o encontro com o estrangeiro em si. Direção: Cristina Digo e Vladimir Félix. devir-editor de som. de maneira que os grupos em múltiplos devires interromperam com uma sucessão de fatos e produziram fraturas num modelo de produção de subjetividade que separava lutas políticas de movimentos do desejo. além de um devir-amizade relacionado às crianças que se envolvem com Mirco e Francesca e um devir-grupo dela e de todas na pesquisa. Em cada um dos exemplos anteriores e no exemplo abaixo. montagem. uma série de movimentos mundiais marcados por suas especificidades socioculturais. Direção Cristiano Bortone. Francesca (Norman Mozzato) devir-autora e devir-atriz. elaboração. de se organizar.. Cristiano Bortone e Monica Zapelli). que se produz heterogênea e está comprometida com os processos coletivos que a produzem (BARROS.. devir-ator. 2007). Fotografia e Imagens: Maria Dias. 2006. Mesmo sendo um acontecimento histórico determinado. 242).. devir-música. encontrar ressonância em .. de viver (p. Roteiro: Vladimir Félix).. Barros (2007) nos conta que maio de 1968 (século XX) escapa a historia. que se arrisca em outros modos de composição psicossocial. que se ligavam em uma crítica às formas instituídas de ser. Outros exemplos de múltiplos devires: Mirco (Luca Capriotti) devircinema. Este acontecimento traduz uma série de correntes de pensamento. produção e apresentação da peça de teatro no filme Vermelho Como o Céu (Itália. a ruptura que ele produziu pôde e pode se irradiar. Roteiro: Paolo Sassanelli.documentário BB Educar: Turma Maria Preta (Juriti Vídeo Produções.. trata-se de uma subjetividade que se põe a ouvir o estrangeiro que se produz no encontro com o outro.

De maneira que um ente um ser pode devir outro por meio de processos de singularização que produzam outros modos de existência. ecologistas. protestos contra o Vietnã. fracasso por meio do qual construímos nossa fracassada e vitoriosa trajetória (Clarice Lispector citada por SANT ANNA. coexistem processos de subjetivação que ora são capturados pela produção de subjetividade vigente em um dado sistema econômico e ora produzem desvios nos modos de vida estabelecidos. greves e guerrilhas. A situação nos Estados Unidos. que era igual ao que dizem. na composição das cartografias . 242). 1968 começou a acontecer antes e. experiências com LSD e toda sorte de drogas. Nesta zona de sentidos. houve um recrudescimento da direita. 2008). A produção desses modos de subjetivação conectados ao devir e à multiplicidade implica uma aposta no coletivo. México e Brasil era totalmente diversa. Sem lembrar dos Hippies (1965). homossexuais. aconteceu depois: um surto de passeatas. Tchecoslováquia. é um fato a posteriori. França. 1968 é a história de um fracasso. É o ano que nunca existiu ou o ano que a gente inventou . que surgiram no fim dos anos 1950 e em 1964 já eram internacionalmente conhecidos. Um não lugar . é penoso reconhecer após 1968. caixa de ressonância que foi Paris. índios. Para Sant anna (2008). 2008) Nosso estilo de vida. Naqueles anos. hippes. que se apoderaram das ruas de São Francisco. os Estados Unidos eram um caldeirão de protestos: negros. que esperavam a invenção de formas para sua atualização (p. Paradoxalmente.uma multiplicidade de acontecimentos invisíveis. E o mais desnorteante é como a história se constrói por meio dos fracassados (SANT ANNA. como todo feito histórico. nosso modo de viver e de produzir nossa existência vão adquirindo sentidos na convivência com os outros mediados pelas vivências e também pelos jogos de saber poder estabelecidos nas relações micro y macropolíticas. É impossível pensar nessa data sem citar os Beatles. sendo totalmente diferente.

p. 8 Brasília. Grupo: a afirmação de um simulacro. In: BARROS. Procesos de subjetivación en el aprendizaje de la lectura y la escritura.grupais como dispositivos para produzir novos processos de constituição de subjetividade. Buenos Aires: Editorial Paidós. 1972). domingo. Cartografia Sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Dinâmica de Grupo. Porto Alegre: Sulina Editora da UFRGS. 2006. 1995. Félix. Capitalismo y esquizofrenia. Suely. FÉLIX-SILVA. Editora da UFRGS. Recurso Didático. Traducción: Francisco Monge.2 julho a dezembro. Afonso Romano de. El Anti Edipo. Tesis (doctorado) Universidad de La Habana. 2010. Porto Alegre: Sulina. Regina Benevides de. 2005. PASSOS. Gilles. 2007. Quando o grupo é afirmação de um paradoxo (11 19). Regina Benevides de. ROLNIK. Maio de 68. Subjetividade e Cartografias Grupais: uma perspectiva ético-estético-política. Antonio Vladimir. Regina Benevides de. Capitalisme et schizophrénie (Éditions de Minut.) Porto Alegre: Sulina. Título Original: L'Anti-Oedipe. DELEUZE. París. SAICF. Como citar (provisoriamente) este texto: FÉLIX-SILVA. acessado em abril de 2008. 6 de abril de 2008. In: Auto-Atendimento UnP.com. Eduardo. Editora da UFRGS. Entrada grupal: uma escolha ético-estéticopolítica (317 .br>. Antônio Vladimir. 2007 PASSOS. Bibliografia: BARROS. Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade / Eduardo passos. Liliana da Escóssia (Orgs. y GUATTARI. 2009. Disponível em <cultura@correioweb. Porto Alegre: Sulina Editora da UFRGS. SANT ANNA. Natal: Universidade Potiguar.In: Grupo: a afirmação de um simulacro. 2010. Virgínia Kastrup. BARROS. Eduardo. In: Correio brasiliense caderno C. .

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