Você está na página 1de 3

PPGEL 2019/2

Aterramentos Elétricos
Professor: Rafael Alípio
Aluna: Isabella Duane

Estudo Dirigido 02: Avanços recentes na modelagem e avaliação do comportamento


impulsivo de aterramentos elétricos: melhoria do desempenho de malhas de subestação frente
a descargas atmosféricas.

Leia o artigo [Rafael Alipio, Renan Segantini, and Silverio Visacro, “Impact of multiple earthing
connections of the LPS on the lightning efficiency of substation grounding grids,” 2017
International Symposium on Lightning Protection (XIV SIPDA). Com base nesse artigo, responda
os itens a seguir.

1. Porque as malhas de subestações elétricas usualmente apresentam dimensões superiores


à do comprimento efetivo, considerando correntes típicas de descargas atmosféricas e valores
usuais de resistividade do solo?
Porque as malhas de subestações elétricas são usualmente projetadas considerando
solicitações de curto-circuito (baixa frequência), nas quais os requisitos são os controles dos
potenciais de toque e passo (visando a segurança de seres vivos), e uma baixa resistência de
aterramento, os quais são alcançados com uma malha mais densa (controle das ddps) e de
dimensões maiores (maior área para a dispersão da corrente). No caso de solicitações de maior
conteúdo de frequência (como descargas), a atenuação da onda de corrente limita a eficiência da
área coberta até o comprimento efetivo, e logo outras ações devem ser tomadas para reduzir a
impedância impulsiva, nesses casos.

2. Explique de forma fisicamente consistente qual é a influência da posição do ponto de


injeção de corrente em um sistema de aterramento, no comportamento dos seguintes dois
parâmetros: a) impedância impulsiva de aterramento (𝒁𝑷 ); b) resistência de aterramento
(𝑹𝑳𝑭 ).
A posição do ponto de injeção de corrente em um sistema de aterramento tem influência
direta no comportamento da impedância impulsiva de aterramento, uma vez que a impedância de
entrada vista pela onda de corrente varia significativamente com a posição do ponto de injeção.
Para fenômenos impulsivos, a área de dispersão de corrente fica limitada à região próxima ao ponto
de injeção Sendo assim, os pontos de injeção devem ser distribuídos tendo em conta a área de
abrangência do comprimento efetivo específico, de forma a reduzir 𝑍𝑃 .
Já para a resistência de aterramento, a posição do ponto de injeção de corrente não
influencia no seu comportamento, uma vez que nesse caso toda a malha é vista pela corrente
injetada, independentemente do ponto de injeção.

3. Considerando os resultados apresentados no artigo supracitado, explique porque para o


caso 2, em comparação com o caso 1, a saturação na redução de 𝒁𝑷 ocorre para um número
menor de pontos de injeção de corrente.
No artigo supracitado, para o caso 2, em comparação com o caso 1, a saturação na redução
de 𝑍𝑃 ocorre para um número menor de pontos de injeção de corrente, porque no caso 2 o primeiro
ponto de injeção ocorre no centro da malha, no qual encontra-se a maior densidade de eletrodos.
Essa maior densidade de eletrodos no centro é responsável por cobrir uma maior área efetiva para
a dispersão da onda de corrente durante uma resposta transitória rápida do aterramento, em
comparação com uma corrente injetada no canto da malha. Uma área efetiva aproximadamente
duas vezes maior é vista do ponto de injeção central, em comparação com a área efetiva vista de
um ponto no canto da malha, contribuindo para a saturação na redução de 𝑍𝑃 para um número
menor de pontos de injeção de corrente.

4. Considerando um mesmo caso (1 ou 2), explique porque a saturação na redução de


𝒁𝑷 ocorre para um número menor de pontos de injeção de corrente no caso de primeiras
descargas de retorno, em comparação com as descargas subsequentes.
A saturação na redução de 𝑍𝑃 ocorre para um número menor de pontos de injeção de
corrente no caso de primeiras descargas de retorno porque o comprimento efetivo, e logo a área
efetiva ao redor de cada ponto de injeção, é maior para primeiras descargas de retorno, devido ao
seu menor conteúdo de frequências, quando comparado às descargas subsequentes. Com os efeitos
de propagação menos pronunciados, um menor número de pontos de injeção de corrente é
necessário para cobrir toda a área da malha.

5. As curvas das Figuras 5 e 6 mostram uma redução da impedância impulsiva de


aterramento para um aumento do número de pontos de injeção de corrente, até que ocorre
uma saturação e 𝒁𝑷 para de diminuir. Qual seria o comportamento esperado da resistência
de aterramento para um aumento do número de pontos de injeção, considerando as mesmas
condições apresentadas no artigo? Explique.
No caso da resistência de aterramento, para um aumento do número de pontos de injeção,
não se observaria variação no valor da resistência, considerando as mesmas condições do artigo.
Isto devido à própria definição de resistência de aterramento, que é um parâmetro de baixa
frequência, e cujo valor seria o mesmo, já que a corrente percorreria toda a extensão dos eletrodos
da malha, independentemente do ponto de injeção da corrente.
6. Seja uma malha de aterramento de subestação, projetada de acordo com a NBR 15751,
com uma área quadrada de 50 m de lado e reticulados quadrados de 5 m de lado. Suponha
que, considerando a resistividade local e as descargas atmosféricas de maior interesse, o
comprimento efetivo seja 15 m. Considerando um esboço da malha de aterramento, distribua
8 pontos de injeção de corrente de modo a otimizar o desempenho da malha frente a
descargas atmosféricas. Nesse projeto, em decorrência das limitações construtivas e de
posicionamento de equipamentos na SE, o ponto central da malha não pode ser utilizado.
Justifique a distribuição dos pontos de injeção de corrente.

Na Figura 1, a seguir, observa-se a distribuição dos oito pontos de injeção de corrente, de


modo a otimizar o desempenho da malha frente a descargas atmosféricas. Apesar de haver
sobreposição das zonas de influência de cada ponto, o mais importante é que todos os pontos
conseguem abranger a área efetiva total.

Figura 1. Pontos de injeção de corrente (em vermelho) distribuídos sobre o esboço da malha de aterramento.