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Somos

mendigos
de coração.
Não importa o que façamos, é sempre com
egoísmo. Não damos nada aos nossos filhos,
ao nosso cônjuge, aos nossos familiares e
amigos sem esperar que eles nos retribuam.

O problema é que essa atitude, embora natu-


ral, é imperfeita. Como você deseja melhorar
como pessoa sem fazer o mínimo, que é não
esperar nada em troca?

Com o mendigo da sarjeta, algo surpreen-


dente acontece: esperar qualquer coisa dele
é um contra-senso. Ainda mais esperar que,
com a esmola, ele deixe sua condição mise-
rável para se tornar um diligente pagador de
impostos. Com o pedinte temos a oportuni-
dade de fazer esse mínimo. Ninguém está di-
zendo para você dar todos os seus bens aos
pobres. Mas, com essa nota de cinco reais na
sua carteira, surge a oportunidade de um ato
mínimo de amor sem esperança.
Não é o mendigo diante de você, por-
tanto, o beneficiado pela esmola. Você
é o beneficiado. Você, com o dinheiro
que lhe entrega, expande sua capaci-
dade de amar e cresce em humanida-
de e dignidade. Vendo por esse lado,
esse dinheiro que mofa no seu bolso
é um preço pequeno a se pagar para
que você abandone sua condição de
mendigo.
Toda segunda-feira, o seu Caderno de Ativação traz
sugestões de atividades ou reflexões baseadas em um dos
temas abordados nas lives da semana anterior. Se você
está chegando agora, não se preocupe: o Guerrilha Way
não é uma maratona em que você tenha de alcançar
quem chegou antes, mas um barco que o recolhe
onde você está e o impulsiona para frente. Atrasar o
GW não dá juros. Aliás: não se atrasa o GW. A hora certa
para se fazê-lo é a hora que se faz ele. A quantidade ideal
é a quantidade feita.
LIVE #82
Transmitida em 31 de agosto de 20191

Acesse o Portal GW para conferir os áudios


1

e vídeos das lives da semana passada.


O argumento de
que a esmola
deixará o
mendigo mais
preguiçoso
é bobagem.
Para entendermos a esmola, primeiro temos
de entender o que o filósofo Louis Lavelle
chamou de “ato desprovido de esperança”.
Esse é um ato que é só caridade, só amor, que
não espera nenhuma satisfação. É um ato
muito difícil para todos nós alcançarmos, já
que sempre esperamos uma recompensa por
aquilo que fazemos.

Em todas as relações humanas (pai e filho, es-


posa e esposa) temos a expectativa de que
a pessoa com a qual nos relacionamos aja
de determinada maneira, retribuindo nosso
amor. Nem sempre essa expectativa irá se
cumprir, pois somos falhos.
Na esmola, temos
a oportunidade
de realizar um
ato de amor sem
esperança.
Não temos como gerar expectativa com o
mendigo, pois ele está em situação de misé-
ria. Um mendigo está privado da beleza, do
brilho no olhar, da dignidade humana. Mui-
tas vezes nós também somos privados dessas
coisas e nos chafurdamos na miséria estética,
na miséria moral e até na miséria financeira.
Se quem nos surpreendesse nessa situação
não conseguisse enxergar nossa dignidade
para além da miséria, estaríamos ferrados.
Dando esmola, treinamos a capacidade de
ajudar alguém por sua dignidade intrínseca,
sem esperar que ela retribua de algum modo.

Nossos filhos, nosso cônjuge, nossos alunos


aparecerão diante de nós como mendigos
e precisaremos entregar-lhes o amor abne-
gado. Esse amor que não espera nem que o
mendigo se torne príncipe do dia para noite,
como o sapo dos contos de fada. Para chegar
a esse amor, precisamos nos livrar daquele
dinheiro que está mofando dentro do bolso e
do julgamento (“ah, mas o mendigo vai com-
prar cachaça, mas vai comprar droga”). Com
a esmola, aumentamos a nossa capacidade
de amar e a nossa dignidade, o que nos faz
menos mendigos.
Vivemos
num mundo
no qual o
ato humano
não é des-
provido de
esperança.
v

Aí é que mora o problema:


a vida aqui na Terra não se
desenvolve conforme nossas
expectativas. Sabemos que
todos nós somos falhos.
Eu e você não prestamos,
somos miseráveis e não
podemos exigir de nós ou dos
outros o cumprimento perfeito
de todas as expectativas.

ONDE ESTÁ
SUA FALHA?
Esse “suportemos uns aos outros” não é para
ser usado no momento em que tudo são flo-
res, em que todo o mundo está perfumadinho,
cheirosinho, inteirinho.

ASSIM
É FÁCIL.
O treino do coração humano
se prova justamente quando
aquela pessoa que está na
nossa frente se apresenta
como um mendigo, porque ela
não está bem: um mendigo
moral, financeiro, estético.

Só então nosso amor é


recrutado a dar uma esmola
para aquele sujeito, para
que ele tente voltar a ter um
pouquinho de dignidade, mas
só um pouquinho mesmo. É
esse o esforço, do coração
e do amor, que a gente
consegue na prática.
AJUDANDO
O OUTRO A
CARREGAR
SEU FARDO
Você deve ter
percebido, com o
exercício anterior,
uma quantidade
enorme de falhas
que você tem.

Se é assim com você,


por que não admitir
que os outros
tenham suas falhas?

a u m s a b e o p eso de
Cad
r d o , e o s e u d ever
seu fa
a r o o u t r o a le var o
é ajud
e m p r e q u e p o ssível.
dele s
Sendo assim, pense em uma
pessoa (de sua família, de seu
trabalho ou de suas relações
pessoais) que esteja precisando
de sua ajuda.

Talvez ela não esteja


verbalizando sua
necessidade, mas esteja
precisando que você
lhe dê mais:
Paciência

Serviço

Dinheiro
Atenção

Por que, em vez de exigir


que o outro seja perfeito, não
sermos nós mais generosos?
Só nos contos de
fada um beijo faz o
sapo virar príncipe.
Na vida real, o sapo
continua sendo sapo,
e continuará sendo
sapo por um tempo - e
se não receber beijos,
jamais deixará de ser
assim. Aquele bicho
asqueroso não deixará
de ser asqueroso.

O beijo não o
transforma, mas é uma
manifestação daquele
afeto que se derrama
no outro.
Um beijo que é pouco,

mas é muito
Pior do que se apegar ao dinheiro
que mofa no seu bolso, é se
apegar ao juízo temerário. É não
dar a esmola de seu amor porque
o outro vai fazer “isso” ou “aquilo”
com ela.

Enumere três coisas supérfluas que


você costuma comprar com o seu
dinheiro (e faz bem em fazê-lo), como
Netflix, Coca-cola, jogos de PC ou
produtos de maquiagem. Se possível,
coloque, ao lado, a despesa mensal
que você tem com elas.

1 - ________________
Despesa mensal em R$ _____________

2- _________________
Despesa mensal em R$ ____________

3- _________________
Despesa mensal em R$ _____________
Se você
consome
esse dinheiro
com coisas
supérfluas, por
que você não
quer que o
mendigo invista
os R$5,00 que
você deu a ele
em cachaça?
O que você dá ao
mendigo é pouco para
tirá-lo da condição de
mendigo, mas é o
suficiente para
exercitar o seu
amor.
O ato humano perfeito
é o ato desprovido de
esperança. É o ato que é
só amor, que não espera
nenhuma...

...retribuição.
Com o primeiro exercício
você percebeu que
isso está muito distante
de nós, porque somos
falhos. Porém, podemos
exercitar nosso amor
ajudando o próximo
a carregar o seu fardo
e abstendo-nos de
qualquer julgamento
sobre sua conduta.

ESTÁ FALTANDO
ALGUMA COISA?
SIM, ESTÁ
FALTANDO TIRAR
ESSE ESCORPIÃO
DO BOLSO.
Está faltando você
encontrar um mendigo e,
sem nenhum julgamento
ou azedume, pegar os
cinco ou dez reais que
estão na sua carteira e
dar para ele.
EDITOR CHEFE
Arno Alcântara

REDAÇÃO E CONCEPÇÃO
Marcela Saint Martin
Marra Signorelli
Raul Martins

REVISÃO
Cristina Alcântara

DIREÇÃO DE CRIAÇÃO
Matheus Bazzo

DESIGN E DIAGRAMAÇÃO
Jonatas Olimpio
Vicente Pessôa

ILUSTRAÇÃO DA CAPA
André Martins

TRANSCRITORES
Edilson Gomes da Silva Jr
Rafael Muzzulon
Raíssa Prioste

SUPORTE
Pâmela Arumaa
Alessandra Figueiredo Pelegati
Márcia Corrêa de Oliveira
Rayana Mayolino
Douglas Pelegati

FINANCEIRO
William Rossatto
Joline Pupim
Douglas Pelegati

COORDENAÇÃO DE PROJETOS
Arno Alcântara
Italo Marsili
Matheus Bazzo

O CARA QUE NUNCA DORME


Douglas Pelegati

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