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UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DO PARÁ-UFOPA

INSTITUTO DE ENGENHARIA E GEOCIÊNCIA-IEG


ENGENHARIA FÍSICA

CAPACITÂNCIA

Disciplina: Teoria Eletromagnética I


Professor: Edson Akira Asano

Alunos:
Ingrid Davila de Oliveira Coelho Matrícula: 201300002
Leonam de Souza Cordeiro Matrícula: 20192025

SANTARÉM
2019
Introdução

Obviamente que não podemos discursar sobre a capacitância, sem mencionar e


descrever em detalhes, o dispositivo que origina tal parâmetro, o capacitor. Trata-se de
um componente largamente utilizado em circuitos eletrônicos e elétricos, tais como
computadores, televisores, aparelhos de GPS, flashes de máquinas fotográficas, start de
lâmpadas fluorescentes, em circuitos elétricos de ignição de motores de corrente
alternadas, e infinitas outras aplicações. Os capacitores servem para armazenar pequenas
quantidades de carga elétrica e por sua ampla aplicação tecnológica, o capacitor merece
ser estudado com mais atenção.

Contexto Histórico

Motivação

Depois que os físicos compreenderam a interação das cargas elétricas, o passo


seguinte seria obter uma forma de armazená-la. A realização dessa ideia teve um
importante registro na história da ciência e consequentemente, na engenharia também, o
que tornou propiciou às devidas aplicações tecnológicas, observadas por nós em dias
atuais.

O primeiro capacitor: a garrafa de Leiden

O título de primeiro capacitor é atribuído a um dispositivo que surgiu no ano de


1745. O mesmo, era capaz de armazenar cargas elétricas, e curiosamente foi inventado
de forma acidental por Ewald Georg von Kleinst (1700−1748), hoje conhecido como
Garrafa de Leiden ou Leyden (ilustrado na figura 1). A descoberta foi por acaso num
experimento com eletricidade, tocando seu gerador elétrico num prego preso à cortiça de
um frasco de remédio, sofrendo um grande choque ao tocar no prego. No entanto, os
créditos desta descoberta são atribuídos a outro inventor.

Logo em seguida, surge às contribuições de Petrus van Musschenbroek que nasceu


em 14 de março de 1692 em Leiden, Holanda e morreu em 19 de setembro de 1761.
Oriundo de uma família que fabricava instrumentos científicos, tais como bombas de ar,
microscópios e telescópios, o que explica em parte seu interesse pela ciência. Estudou na
Universidade de Leiden e doutorou-se em medicina em 1715, e mais tarde doutorou-se
em Filosofia Natural, o que hoje conhecemos como Física. Visitando a Inglaterra em
1717, conheceu Isaac Newton e tomou conhecimento de muito de seus trabalhos, que
foram transmitidos em sua obra Elementa physica (1726) por toda a Europa.

figura 1 – Garrafa de Leiden

Fonte: https://www.obaricentrodamente.com/2013/08/um-pouco-sobre-capacitores.html

figura 2 – Petrus e seu ajudante em experimentos com a garrafa de Leiden

Fonte: https://www.obaricentrodamente.com/2013/08/um-pouco-sobre-capacitores.html

Em janeiro de 1746, Petrus e seu ajudante Andreas Cunaeus, descobriram


exatamente o mesmo que Ewald von Kleinst tinha experimentado no ano anterior. Eles
carregaram eletricamente um pequeno jarro com água, através de uma haste metálica
ligada a um gerador. Nada parecia acontecer até que, ao tocarem na haste, receberam um
choque terrível, uma sensação até então desconhecida. A figura 2 acima ilustra Petrus e
seu ajudante realizando experimentos com a Garrafa de Leiden.

Petrus, então, escreveu ao naturalista francês Reaumur (1683−1757), descrevendo


a experiência e o seu resultado, salientando que pensara que iria morrer, e jurou que
jamais a repetiria "nem que lhe oferecessem o reino da França", por conta do tamanho
trauma diante do ocorrido. No entanto, a notícia da descoberta de Musschenbroek
espalhou-se rapidamente por toda a Europa e depois em todo o mundo. A experiência
ficou conhecida, mas não compreendida, recebendo o nome de Garrafa de Leiden,
referenciando a cidade natal de seu inventor.

A garrafa de Leiden tornou-se muito importante na investigação da eletricidade,


pois os pesquisadores podiam levar consigo eletricidade armazenada em seus frascos. Das
experiências que se seguiram, verificou-se que a água podia ser substituída por outra
substância condutora.

Posteriormente, Benjamim Franklin (1706−1790) usou garrafas de Leiden em


suas famosas experiências ao empinar pipas e parece que foi o primeiro a substituir a água
por um metal.

Princípios Físicos

Capacitância

Segundo o que enuncia Hayt, (2013), a capacitância mede a capacidade de


armazenamento de energia em equipamentos e dispositivos elétricos. Podendo esta, ser
deliberadamente projetada para um propósito específico ou pode existir como um
subproduto inevitável da estrutura do equipamento que, naturalmente, deve operar com
esta capacidade de armazenar energia. A compreensão da capacitância e seu respectivo
impacto na operação de um determinado equipamento ou sistema são fundamentais em
todos os aspectos da engenharia elétrica e eletrônica.

Partindo dessa premissa Hayt, (2013), define o capacitor como; um dispositivo


que armazena energia, e a energia assim armazenada pode ser associada a uma carga
acumulada ou relacionada ao campo elétrico. De tal forma, que podemos imaginar o
capacitor como um componente que armazena fluxo elétrico e age de forma similar a um
indutor, outro componente eletroeletrônico bastante utilizado na indústria, que tem
propriedade de armazenar fluxo magnético (ou seja, a energia na forma de campo
magnético).

Explicação do fenômeno

Portanto a capacitância pode ser analisada da seguinte forma; consideremos dois


condutores imersos em um dielétrico (material isolante). O condutor M2 está carregado
com uma carga positiva Q, e M1 está carregado uma carga de igual valor, porém, negativa.
Pela figura 3 abaixo vemos que não há outras cargas presentes, logo, a carga total do
sistema é nula.

figura 3 – Dois condutores com cargas opostas imersos em um dielétrico uniforme

Fonte: Hayt (2013)

Segundo o que comenta Boylestad, (2013), quanto mais alta a capacitância de um


capacitor, maior a quantidade de carga armazenada nas placas para a mesma tensão
aplicada. A unidade de medida aplicada aos capacitores é o farad (F), em homenagem ao
cientista inglês Michael Faraday, que fez importantes pesquisas nesse campo.

Obs.: um capacitor possui uma capacitância de 1 farad se uma carga de 1 coulomb


(6,242 × 1018 elétrons) for depositada em suas placas por uma diferença de potencial de
1 volt entre elas.
Entretanto, Boylestad, (2013), relata que o farad é geralmente, uma medida de
capacitância grande demais para a maioria das aplicações práticas; assim, o microfarad
(10–6) ou o picofarad (10–12) são mais comumente encontrados na indústria. A relação que
conecta a tensão aplicada, a carga nas placas e o nível de capacitância é definida pela
equação 1 a seguir:

𝑸
𝑪= (𝟏)
𝑽

Onde:

𝐶 = farads (F)

𝑄 = coulombs (C)

𝑉 = volts (V)

Outra questão bastante importante é em relação aos materiais usados como


dielétricos nos capacitores, hoje, existe uma variedade considerável destes materiais. A
tabela 1 abaixo, descreve os mais utilizados e os valores de sua respectiva permissividade
relativa (ϵr), que é obtida pela razão entre a permissividade do ar (ϵ0) e a permissividade
(ϵ).

tabela 1 – Permissividade relativa (constante dielétrica) ϵr de várias substancias


dielétricas.

Fonte: Boylestad (2013)


Construção do Capacitor

Conforme anuncia Sadiku, (2013), até o momento estamos cientes dos


componentes básicos de um capacitor: placas condutivas, separação e dielétrico. No
entanto, uma questão permanece: como todos esses fatores interagem para determinar a
capacitância de um capacitor? Placas maiores permitem um aumento da área para o
armazenamento da carga, de maneira que a área das placas deve estar no numerador da
equação definidora. Quanto menor a distância entre as placas, maior a capacitância, de
maneira que esse fator deve aparecer no numerador da equação. Por fim, tendo em vista
que níveis mais altos de permissividade resultam em níveis mais altos de capacitância, o
fator (ϵ) deve aparecer no numerador da equação definidora. Assim temos a equação.

𝑨
𝑪=𝛜 (𝟐)
𝒅

Temos,

𝐶 = farads (F)

ϵ = permissividade

𝐴 = m²

𝑑=m

Tipos de capacitores

Capacitores, assim como os resistores, podem ser classificados em duas


categorias: fixo e variáveis. A simbologia usada para representar o capacitor fixo aparece
na figura (a) abaixo. Observe que o lado curvo é normalmente conectado ao terra ou ao
ponto de potencial CC mais baixo. O símbolo para capacitores variáveis

figura 4 – (a) Representação de capacitores fixos; (b) representação de capacitores


variáveis

Fonte: Boylestad (2013)


Capacitores fixos:

Capacitores do tipo fixo estão disponíveis em vários formatos e tamanhos. Em


geral, para o mesmo tipo de construção e dielétrico, quanto maior a capacitância
exigida, maior o tamanho físico do capacitor.

Na figura 5(a) observamos capacitores eletrolíticos com diferentes valores de


capacitância e como as dimensões físicas do mesmo também aumentam,

figura 5 – Tamanhos de capacitores fixos de acordo com a capacitância

Fonte: Boylestad (2013)

Os capacitores fixos comumente utilizados são:

 Eletrolíticos
 Cerâmicos
 De Mica
 Imersos
 De Óleo
Capacitores variáveis:

Todos os parâmetros listados na equação 2, podem ser modificados até certo


ponto, com o intuído criar um capacitor variável. Onde, pela relação (ϵ = ϵr x ϵ0), e
considerando o valor de ϵ0 = 8,85x10-12 F/m e os valores de ϵr por meio da tabela 1, se pode
chegar a um valor desejado de capacitância. A exemplo disso, na figura 6(a), a
capacitância do capacitor de ar variável é modificada girando-se o eixo na extremidade
da unidade. Ao girar o eixo, você controla a quantidade de área comum entre as placas:
quanto menor a área comum, mais baixa a capacitância. Já na figura 6(b), temos um
capacitor de ajuste (trimmer) de ar muito menor. E funciona sob o mesmo princípio,
no entanto, as pás rotativas estão totalmente escondidas dentro da estrutura. E na figura
6(c) observa-se o capacitor de ajuste (trimmer) cerâmico que permite uma capacitância
variável a área comum, conforme mostrado anteriormente, ou por aplicar pressão sobre
as placas de cerâmica para reduzir a distância entre placas.

figura 6 – Capacitores variáveis: (a) ar; (b) trimmer de ar; (c) trimmer de compressão
dielétrico cerâmico.

Fonte: Boylestad (2013)

Aplicação tecnológica: telas capacitivas

De acordo com Riedel, (2016), telas touch capacitivas são utilizadas com
frequência em aplicações nas quais dois ou mais pontos simultâneos de contato devem
ser detectados. Vamos analisar dois projetos para uma tela multitouch (múltiplos toques).
O primeiro deles emprega uma grade de eletrodos, como a mostrada na figura 7 abaixo.
figura 7 – Tela multitouch com grade de eletrodos

Fonte: Riedel (2016)

Quando energizada, há uma pequena capacitância parasita, Cp, entre cada faixa
de eletrodo e a terra, como mostrado na figura 8(a). Quando a tela é tocada, por exemplo,
na posição x, y, há uma segunda capacitância devido à transferência de uma pequena
quantidade de carga da tela para o corpo humano, que age como um condutor. O efeito
consiste em introduzir uma segunda capacitância no ponto de contato em relação à terra,
como mostra a figura 8(b).

figura 8 – (a) Capacitância parasita entre eletrodo e terra,


sem nenhum contato; (b) capacidade adicional
introduzida por um toque.

Fonte: Riedel (2016)


O controlador da tela touch monitora continuamente a capacitância entre os
eletrodos na grade e a terra. Se a tela não está sendo tocada, a capacitância entre cada
eletrodo na grade x e a terra é Cp; o mesmo é válido para a capacitância entre cada eletrodo
na grade y e a terra.

Conclusão e Considerações Finais

O capacitor como um componente de circuito elétrico e eletrônico muito útil, vem


sendo amplamente aplicado em situações nas quais se precisa de reforço em termos de
alimentação energética. Suas características o definem e auxiliam na escolha certa do tipo
que é destinado a uma utilização prática, em que se pretende por exemplo dar partida em
motores conforme vimos, reforçando a corrente inicial suficiente para a produção de um
campo magnético que produz movimento no rotor. Pode ser empregado com outras
finalidades a exemplo dos circuitos de rádios como a sintonia ajustável da frequência.
Dispositivo comercial de bastante importância que também corrige fator de potência
gerando um melhor aproveitamento da energia aonde seja necessário seu emprego.
Referências

Alexander, Charles K.; Sadiku, Matthew N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos –


5ª ed. – Editora Ltda., 2013.

Boylestad, Robert L. Introdução à Análise de Circuitos – 12ª ed. – São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2012.

Hayt Jr, William H.; Buck, John A. Eletromagnetismo – 8ª ed. – Porto Alegre: AMGH
Editora Ltda., 2013.

https://blog.silvatronics.com.br/o-que-e-um-capacitor-e-para-que-serve/ - acesso em:


11/12/19.

https://www.obaricentrodamente.com/2013/08/um-pouco-sobre-capacitores.html -
acesso em: 11/12/19.

Nilsson, James W.; Riedel Susan A. Circuitos Elétricos – 10ª ed. São Paulo: Pearson
Education do Brasil, 2015.