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UFCD

4360 FISCALIDADE
ufcd 4360 – Fiscalidade

Índice

Introdução .................................................................................................................. 2

Âmbito do manual..................................................................................................... 2

Objetivos ................................................................................................................. 2

Conteúdos programáticos .......................................................................................... 2

Carga horária ........................................................................................................... 2

1. Princípios da fiscalidade ......................................................................................... 3

2. Noção de imposto .................................................................................................. 10

3.Classificação dos impostos ....................................................................................... 18

4.Tipos de imposto ..................................................................................................... 22

4.1. IRS ................................................................................................................. 23

4.2. IRC ................................................................................................................. 32

4.3. IVA ................................................................................................................. 32

4.4. Imposto de selo ............................................................................................... 45

4.5. IMI ................................................................................................................. 52

Bibliografia ................................................................................................................ 57

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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de curta
duração nº 4360 - Fiscalidade, de acordo com o Catálogo Nacional de Qualificações.

Objetivos

 Interpretar e aplicar os principais aspetos e conceitos da fiscalidade

Conteúdos programáticos

 Princípios da fiscalidade
 Noção de imposto
 Classificação dos impostos
 Tipos de imposto
o IRS
o IRC
o IVA
o Imposto de selo
o IMI

Carga horária

 25 horas

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1. Princípios da fiscalidade

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O Direito Fiscal é o sistema de normas jurídicas que disciplinam as relações de imposto e


definem os meios e processos pelos quais se realizam os direitos emergentes daquelas
relações.

Este ramo do direito é composto por princípios e normas de diversos tipos de que se podem
destacar:
 Princípios gerais do direito fiscal, que se encontram consagrados na Constituição da
República;
 Normas fiscais de natureza substantiva ou material que regulam os elementos
essenciais do imposto (incidência, determinação da matéria coletável, os benefícios
fiscais, as regras de territorialidade, etc.);
 Normas fiscais de natureza adjetiva ou processual, relativas ao procedimento
tributário e ao processo judicial tributário;
 Normas fiscais sancionatórias, relativas ao direito fiscal sancionatório, de natureza
contraordenacional e de natureza criminal;
 Normas de direito fiscal internacional (tratados, convenções, etc.).

Constituição

A Constituição é a lei do país com a mais elevada hierarquia. Consiste num conjunto de
normas que limitam e organizam o poder político, estabelecendo e protegendo os direitos,
liberdades e garantias dos cidadãos. Nos termos do artigo 3.º 2 o Estado subordina-se à
Constituição.

Contém normas com relevância para o direito fiscal, a saber, normas sobre a igualdade
jurídica; normas sobre direitos, liberdades e garantias, normas sobre a validade interna do
direito internacional, etc. Contém também normas que integram a chamada Constituição
Fiscal.

Leis da Assembleia da República

Compete à Assembleia da República legislar sobre as seguintes matérias:

o Criação de impostos e sistema fiscal (elementos essenciais do imposto);

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o Regime geral das taxas;

o Regime geral das contribuições financeiras a favor das entidades públicas;

o Regime geral das contraordenações (ilícitos de mera ordenação social) e do processo


de contraordenação;

o Definição dos crimes, penas e medidas de segurança;

o Estrutura do processo criminal.

Decretos-Lei do Governo

O Governo legisla através de Decretos-Lei numa dupla qualidade:


a) No exercício de competências próprias.
 Em matéria fiscal temos:
o Todas as matérias do sistema fiscal não reservadas à Assembleia da
República (Normas de liquidação e cobrança, processo, etc.
o Regulamentação das leis fiscais.
b) No exercício de autorizações da Assembleia da República em matérias fiscais que lhe
são reservadas.

Resoluções da Assembleia da República

As resoluções são uma forma frequente de aprovar atos da Assembleia da República. Em


matéria fiscal é através da Resolução que são aprovados os tratados internacionais (que
versam matérias fiscais e outras matérias).

Regulamentos

Os regulamentos são atos normativos secundários, que geralmente dão execução a uma lei
da Assembleia da República ou a um Decreto-Lei emanado do Governo.

Face à complexidade de legislação fiscal, em que não seria possível ou até desejável prever
minuciosamente todos os aspetos necessários à sua aplicação, a própria legislação fiscal
emanada da Assembleia da República confere ao Governo a possibilidade de publicar

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decretos regulamentares tendo em vista o desenvolvimento de normas genericamente


definidas nessa legislação.

Princípios

Princípio da Legalidade Tributária concretiza-se na ideia da obrigação dos encargos


tributários serem votados nas assembleias representativas. Cabe à AR legislar sobre taxas,
incidência, garantias dos constituintes e benefícios fiscais. Portanto, sobre estes quatro
elementos fundamentais cabe apenas à AR legislar, a não ser que haja lei de autorização ao
Governo.

Este princípio no direito fiscal está dirigido em torno da ideia do auto tributação que
pretende dar a ideia de que os impostos devem ser aprovados pelas pessoas que os têm de
pagar, é como se as pessoas se auto tributassem.

Assim os impostos são aprovados pela A.R. e são aprovados pelos deputados eleitos pelo
povo, pois é o povo que elege os seus representantes, daí é o povo que aprova os impostos.

Os impostos são aprovados anualmente com o Orçamento do Estado, isto porque anualmente
a A.R. tem competência exclusiva para legislar sobre impostos (art. 165.º 1 i) CRP), mas esta
é uma competência relativa, pois a A.R. pode autorizar o Governo a legislar, mas com os
termos definidos pela A.R., assim a A.R. nunca perde o controlo das grandes linhas do ato
normativo que vier a ser produzido pelo Governo.

Outra coisa é a capacidade de iniciativa legislativa que não é exclusiva da A.R., pois tanto
pode ser dos deputados como do Governo e das Ass. Legislativa Regionais.

Artigo 103º nº.2 da CRP


“Os impostos são criados por lei que determina a incidência, a taxa, os benefícios fiscais e as
garantias dos contribuintes”.

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Do princípio da legalidade tributária decorre o princípio da tipicidade dos impostos


Assim, nullum tributo sine lege, ou seja, não pode haver tributo sem lei (como sucede no
Direito Penal, quanto aos crimes e penas). Assim, não há imposto sem que haja uma lei
anterior a consagrá-lo.

O Princípio da Igualdade Tributária está consagrado no art. 13.º CRP e o seu conteúdo,
em termos tributários, está concretizado nos arts. 103.º e 104.º CRP. Da análise destas
normas conclui-se que a CRP entende a igualdade num sentido dinâmico, como uma meta a
atingir, segundo uma conceção de justiça social, em que igualdade é igual a repartição
igualitária do rendimento e da riqueza.

Para se alcançar este objetivo, atendeu o legislador constitucional aos seguintes meios:
1. Personalização do imposto sobre o rendimento, o qual, além de único, deve atender
às necessidades do agregado familiar (é o que sucede com o IRS);
2. Adoção da tributação progressiva do rendimento pessoal e da tributação de bens;
3. Consideração das necessidades do desenvolvimento económico e da justiça social na
tributação da despesa (e consumo).

O Princípio da igualdade integra dois subprincípios:

Princípio da generalidade: todos estão à partida sujeitos a impostos, não pode haver
discriminações.

Princípio da uniformidade ou equidade: todos estão sujeitos ao mesmo critério


uniforme. Este subprincípio integra ainda duas vertentes:

o Igualdade horizontal: pessoas nas mesmas circunstâncias devem pagar o mesmo


imposto, integra o princípio do benefício (estariam na mesma situação aqueles que
tiverem os mesmos benefícios), princípio da capacidade contributiva (estariam na
mesma situação aqueles que tivessem a mesma capacidade contributiva avaliada
através do rendimento obtido, acumulado ou gasto).

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o Igualdade vertical: pessoas com maior capacidade produtiva devem pagar mais
impostos, integra o sistema proporcional (a mesma taxa é aplicada
independentemente do rendimento, tanto a 100 como a 1 000), progressivo (a taxa
vai subindo à medida que o rendimento sobe) ou regressivo.

Princípio da reserva de lei formal: os impostos são criados por lei da AR, das Assembleias
legislativas regionais ou pelas Assembleias Municipais (art. 238.º 3 CRP).

Princípio da reserva de lei material (art. 103.º 2 CRP): o que se tributa tem de estar
tipificado categoria por categoria; como se tributa: com base na lei regularmente criada; e
quando se tributa: dentro dos prazos de caducidade.

Princípio da capacidade contributiva: ninguém pode ser tributado se não tiver


capacidade contributiva. O imposto deve estar distribuído de acordo com a capacidade.
O artº 103.º 1 CRP consagra a justa repartição do rendimento e da riqueza. Quem tem mais
paga mais (justiça social). O artº 104.º 1 CRP determina que o IRS visa diminuir as
desigualdades tendo em conta as necessidades e os rendimentos.

Princípio da simplicidade: os impostos devem ser simples para que sejam fáceis de
compreender e de cumprir pelo contribuinte e de administrar pelo Estado;

Minimização da Perda de Impostos: os impostos devem reduzir os encargos associados


à sua liquidação e cobrança quer do ponto de vista do contribuinte, quer do ponto de vista
da administração fiscal;

Princípio do Beneficio: deve pagar mais quem beneficia mais dos serviços públicos;

Outros princípios:
- Princípio da liberdade;
- Princípio da certeza;
- Princípio da não retroatividade dos impostos;
- Princípio da segurança;
- Princípio da imparcialidade;

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- Princípio da proporcionalidade;
- Princípio da participação;
- Princípio da boa-fé;
- Princípio da proteção da confiança;
- Direito à informação.

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2. Noção de imposto

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Conceito: o imposto é uma prestação pecuniária paga coercivamente ao Estado pelos


particulares e pelas empresas de forma unilateral e sem contrapartida imediata.

Consiste no financiamento que o sector público extrai do sector privado sob a forma coerciva,
como meio de contribuir para o financiamento geral da atividade pública.

O Estado para poder desempenhar com eficácia as suas funções, necessita de realizar gastos
quer para suportar os encargos decorrentes da administração do território (vencimentos dos
funcionários, compra de equipamentos, realização de obras públicas como pontes e estradas,
etc.) quer para satisfazer as necessidades coletivas (segurança, justiça, educação, proteção
social, etc.). Estes gastos efetuados pelo Estado denominam-se despesas públicas.

Para poder realizar estas despesas, o Estado necessita de assegurar, previamente, os


recursos que permitam o seu funcionamento: as receitas públicas. As receitas públicas
são os recursos obtidos pelo Estado durante um período financeiro, para fazer face à
despesas públicas.

Patrimoniais ou
voluntárias
Taxas

Diretos
Tributárias ou
Receitas públicas Impostos
coativas
Indiretos

Contribuições
à Segurança
Creditícias Social

O imposto é assim uma transferência coerciva, pecuniária, definitiva e unilateral dos


particulares para o Estado. Os impostos sem contrapartida designam-se por impostos. Os
impostos com contrapartida designam-se por taxas.

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Prestação coativa
O imposto é uma prestação coativa porque a obrigação de pagar imposto impõe-se ao
particular e é independente da sua vontade, no sentido de que não resulta de qualquer
acordo ou contrato existente entre ele e o Estado.

Pecuniária
Traduz-se numa obrigação de pagar uma quantia em dinheiro (ou equivalente em dinheiro),
característica esta que permite distinguir o imposto de outras prestações coativas que o
Estado, por vezes exige dos cidadãos, mas que não se analisam numa entrega em dinheiro.

É o caso, por exemplo, da prestação de serviço militar, ou das requisições administrativas.

Unilateral
A natureza unilateral do imposto reside na inexistência de uma contrapartida individualizada
por parte do credor do imposto (Estado) para com o devedor (contribuinte). Afasta-se pois,
o imposto da taxa (onde existe uma contrapartida individualizada) e do empréstimo público
(a contraprestação assume a forma de juro).

Definitiva
Não tem o prestador do imposto direito à sua restituição ou reembolso do imposto devido.
Por isso, se distingue imposto de empréstimo público, onde existe sempre reembolso.

Esta característica não é prejudicada com o reembolso do imposto que tiver sido pago em
excesso, ou daquele que resultou de um ato tributário que veio posteriormente a ser anulado.
O imposto anulado, ou pago em excesso é um imposto indevido.

Estabelecida por lei


A obrigação tributária decorre da verificação de um facto (conjugação de pressupostos
tributários) a que a lei, e só ela liga, como consequência a sujeição a imposto.

A favor de entidades que exercem funções públicas


Esta característica é uma consequência direta do facto de o imposto ser inerente à atividade
financeira: uma atividade de natureza política.

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Para satisfação de fins públicos


Não é inteiramente correto dizer-se que os impostos destina-se a cobrir as despesas públicas
ou se destinam a obter receitas. Existem impostos em que a finalidade de obtenção de
receitas está de todo ausente, pretende-se com eles, tão-somente, satisfazer mediante a sua
cobrança necessidades coletivas.

É o caso dos impostos extrafiscais de que se costuma dar o exemplo dos direitos
alfandegários protetores. A sua finalidade é a proteção da indústria de um país. Outro
exemplo será o dos impostos com finalidades ambientais, cujo objetivo é obter a redução de
certas produções a que se atribuem danos ambientais que se pretendem controlar.

Se o problema fosse o de cobrir as despesas públicas, sem mais considerações, não seriam
necessários impostos. Dispondo o Estado de soberania sobre os cidadãos, um meio fácil de
“financiamento” seria atribuir poder ao “soberano” de requisitar dos cidadãos o que
precisasse.

Esta situação conduziria a uma intolerável arbitrariedade, pois os que dispusessem ou


produzissem bens que mais interessam ao Estado seriam sobrecarregados relativamente
àqueles que dispusessem ou produzissem bens que ao Estado não interessam.

O meio de financiamento requisição seria intolerável pelo que toca à forma como os encargos
se distribuem pelos membros de uma coletividade política.

O mesmo se diria de um outro meio de financiamento, bem fácil e expedito – a emissão de


notas. Esse financiamento geraria inflação (subida geral dos preços) e esta opera uma
redistribuição dos rendimentos a dano dos titulares de rendimentos fixos ou pouco variáveis
e a benefício dos titulares de rendimentos variáveis ou especulativos.

Os impostos são então o meio escolhido para financiar as despesas públicas


porque, com eles se consegue uma distribuição dos encargos com os bens públicos que surge
como mais justa do que a resultante dos meios alternativos. São o meio por que se consegue
a produção de bens públicos sem inflação.

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Fases do imposto

Positiva

Incidência real

Negativa

INCIDÊNCIA

Positiva

Incidência
pessoal
Negativa

LANÇAMENTO

1º Incidência
LIQUIDAÇÃO

COBRANÇA

OBRIGAÇÕES
ACESSÓRIAS

INCIDÊNCIA

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Fase em que a lei determina o que vai estar sujeito a imposto (incidência real) e quem vai
estar sujeito a imposto (incidência pessoal).
Como elemento essencial do imposto, a incidência está sujeita ao princípio da legalidade
fiscal (art. 103.º 2 CRP).

A par da incidência positiva, temos que considerar a incidência negativa, integrada pelas
normas que estabelecem isenções de imposto, quer excluindo da tributação situações que,
a não ser a norma de isenção, caberiam no âmbito de previsão da norma real impositiva
(incidência real negativa), quer excluindo do universo dos contribuintes, sujeitos que, sem a
norma de isenção, se constituiriam normalmente como devedores do imposto (incidência
pessoal negativa).

LANÇAMENTO

É a fase em que do geral e abstrato da incidência, se passa ao individual e concreto; é a fase


em que se processam as operações conducentes à identificação particular dos sujeitos
passivos e à determinação concreta da matéria coletável sobre que vai incidir o imposto.

Nos principais impostos que compõem atualmente o sistema fiscal português (IRS, IRC, IVA),
as operações de lançamento são efetuadas pelo próprio contribuinte, por isso se fala em
autolançamento do imposto.

LIQUIDAÇÃO

É a operação aritmética de aplicação de uma taxa à matéria coletável apurada na fase do


lançamento, para determinação do montante exato de imposto devido pelo sujeito passivo
(coleta).

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Nos impostos em que a lei prevê a possibilidade de deduções à coleta, a liquidação abrange
também os cálculos decorrentes destas deduções.

Hoje generaliza-se a tendência para agrupar sob a mesma designação "liquidação", quer as
operações de liquidação propriamente ditas que acabámos de referir, quer as operações de
lançamento mencionadas no ponto anterior.

Ao usarmos agora a expressão "liquidação", temos, pois, que distinguir entre uma liquidação
em sentido estrito (a operação aritmética de aplicação de uma taxa à matéria coletável) e
uma liquidação em sentido amplo, que abarca tanto a dita operação aritmética, a liquidação
em sentido estrito, como todas as outras operações de lançamento.

COBRANÇA

A cobrança e pagamento são expressões que traduzem a mesma realidade jurídica. A


primeira assumida do ponto de vista da administração fiscal, que cobra o imposto; a segunda
encarada do ponto de vista do contribuinte, que o paga.

É a fase final da vida do imposto, para que tende toda a relação jurídica fiscal. Com a
cobrança (pagamento) os valores correspondentes ao imposto vão dar entrada nos cofres
do Estado e com isso a relação jurídica fiscal, normalmente, extinguir-se-á.

OBRIGAÇÕES
ACESSÓRIAS

Enquanto a obrigação principal tem por objeto o pagamento do imposto, as obrigações


acessórias têm por objeto as prestações positivas (de fazer) e negativas (de não fazer), no
interesse da fiscalização e arrecadação dos impostos.

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A obrigação principal tem cunho eminentemente patrimonial (dar dinheiro) e as acessórias


não têm natureza patrimonial (prestação de fazer ou não-fazer).

Por aqui se observa que a relação jurídico-fiscal não se esgota na obrigação central
(pagamento do imposto).

Para concretizar, efetivar e fiscalizar a obrigação principal, surgem relações de diversa


natureza, a que aquela obrigação principal dá origem e cujos sujeitos passivos não são só os
contribuintes, mas também outras pessoas, estranhas à obrigação do imposto (ex.: obrigação
de prestar declarações, de permitir exames, de não praticar certos atos).

As obrigações acessórias são o conjunto de relações, também de natureza obrigacional, que


podem atingir outras pessoas além do contribuinte, que estão ligadas direta ou indiretamente
aos pressupostos de facto da tributação.

São obrigações de fazer, distinguindo-se obrigações acessórias declarativas, de escrituração


e conservação de livros e documentos, de comunicação e cooperação em geral.

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3.Classificação dos impostos

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Impostos periódicos e instantâneos ou de obrigação única

O facto tributário forma-se instantaneamente. O IVA é um imposto instantâneo bem como o


IMI. Mas, há factos tributários que se vão formando com tempo, é o exemplo do rendimento
do merceeiro que se forma a cada momento que vai vendendo. Ele compra e depois vende,
há factos sucessivos. Periodicamente há a verificação do facto tributário.

O IRC é um imposto periódico. Com o rendimento do facto tributário nasce a obrigação de


imposto. Por sua vez o IVA é instantâneo porque incide sobre aquela transação, cada facto
é um facto, o que no IVA se faz periodicamente é o apuramento da conta corrente.

Esta classificação atende à natureza permanente ou acidental dos factos sobre os quais
incidem os impostos. Os impostos são periódicos se tributam situações ou atividades que
duram no tempo, dando origem a sucessivas obrigações tributárias. São impostos de
obrigação única os que recaem sobre factos isolados, sem carácter de continuidade.

o Impostos periódicos – cujo pagamento se processa periodicamente.

o Impostos de obrigação única – apenas há lugar ao pagamento do imposto quando o


facto que o origina acontece.

Impostos estaduais e não-estaduais

o Impostos estaduais são os impostos cujo sujeito ativo é o Estado.

o Impostos não-estaduais são os impostos cujo sujeito ativo não é o Estado.

Nem sempre o Estado é o sujeito ativo da relação jurídico-tributária ou seja, credor do


imposto. Esta relação constitui-se, muitas vezes, em benefício de uma autarquia local ou de
um instituto público. Daí a separação dos impostos estaduais dos não estaduais. A origem
de uns e outros é legal e, portanto, estadual, mas só em relação aos primeiros o Estado se
apresenta como credor.

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Os impostos não estaduais são estruturados no sentido da sua atribuição a uma entidade
diversa do Estado (impostos regionais, provinciais, municipais...). Mas acontece
frequentemente que a receita de um imposto estadual seja cedida pelo Estado a outra
entidade pública, fato que não altera a natureza estadual do imposto.

É o que acontece com os impostos lançados e cobrados pelo Estado nas áreas das Regiões
Autónomas, de que estas podem “dispor” (art. 229, i) CRP), porque o Estado lhes cede as
respetivas receitas.

De modo semelhante, o Estado cede aos Municípios, juntamente com parte da receita de
outros impostos, receitas do IMI, do IMT e do imposto municipal sobre veículos. Mas isso
não parece modificar a natureza estadual destes impostos.

Impostos diretos e indiretos

Os Impostos Diretos são aqueles impostos que incidem diretamente sobre o rendimento,
quer das pessoas singulares quer das pessoas coletivas.

o IRS (Imposto sobre o Rendimento Singular), e incide diretamente sobre o


rendimento das pessoas singulares.

o IRC (Imposto sobre o Rendimento Coletivo), e incide sobre o rendimentos das


empresas.

Os Impostos Indiretos são aqueles que incidem sobre o consumo ou a despesa, e incidem
sobre a generalidade dos bens que consumimos diariamente.

o IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado)

o IUC (Imposto Único de Circulação)

o IMT (Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis)

o ISP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos)

o IS (Imposto de Selo), etc.

Os impostos indiretos são os mais aplicados, pelos seguintes motivos:

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o Há uma menor resistência psicológica, pois os contribuintes quando veem os impostos


incidirem diretamente sobre o próprio rendimento são mais cautelosos.

o Há menor possibilidade de fuga aos impostos.

Impostos reais e impostos pessoais


o Impostos reais são os que não têm em conta as condições pessoais, económicas e
familiares dos contribuintes.

o Impostos pessoais são os que têm em conta as situações pessoais, económicas e


familiares dos contribuintes.

Impostos proporcionais, progressivos e regressivos

o Impostos proporcionais – são impostos de taxa fixa (23% 15%, etc).

o Impostos progressivos – impostos onde taxa aumenta à medida que a matéria


coletável aumenta.

o Impostos regressivos – taxa diminui à medida que a matéria coletável aumenta.

Impostos principais e acessórios

o Impostos principais – gozam de autonomia face aos restantes.

o Impostos acessórios – não são autónomos e acrescem aos impostos principais, de


que dependem, como por exemplo a derrama.

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4.Tipos de imposto

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4.1. IRS

O IRS é um imposto sobre o rendimento. Na ausência de uma definição legal de


rendimento tributável o Código prevê seis categorias de rendimentos, em regra
autónomas entre si.

Existe uma categoria com natureza residual, na qual se encontram abrangidos incrementos
patrimoniais não contemplados noutras categorias.

O IRS incide sobre o valor anual (ano civil) dos rendimentos das categorias
seguintes:

o Categoria A - Rendimentos do trabalho dependente.


o Categoria B - Rendimentos empresariais e profissionais.
o Categoria E - Rendimentos de capitais.
o Categoria F - Rendimentos prediais.
o Categoria G - Incrementos patrimoniais.
o Categoria H - Pensões.

Os rendimentos, quer em dinheiro quer em espécie, ficam sujeitos a tributação, seja qual for
o local onde se obtenham, a moeda e a forma por que sejam auferidos, mesmo que
provenientes de atos ilícitos.

O imposto sobre o rendimento pessoal (IRS) visa a diminuição das desigualdades e será
único e progressivo, tendo em conta as necessidades e rendimentos do agregado familiar.

Incidência pessoal ou subjetiva do IRS

Ficam sujeitas a IRS as pessoas singulares que residam em território português e as


que, nele não residindo, aqui obtenham rendimentos (art. 13.º CIRS).

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Distingue-se entre as pessoas singulares residentes em território português, as quais estão


sujeitas a imposto sobre a universalidade dos seus rendimentos, incluindo os obtidos fora
desse território e as pessoas singulares não residentes em território português, as quais
apenas estão sujeitas a imposto sobre os rendimentos obtidos neste território.

Caso uma pessoa seja simultaneamente residente em território português e num país com o
qual Portugal tenha celebrado uma convenção para evitar a dupla tributação, a residência
será definida nos termos da respetiva Convenção (que, em regra, estabelece como país de
residência o país onde habitualmente estão os seus interesses vitais, onde permaneça
habitualmente, o país da sua nacionalidade).

Os não residentes estão sujeitos a IRS quanto aos rendimentos considerados obtidos em
território português (por ex. pagamento de dividendos por sociedades residentes, mais-valias
mobiliárias e de imóveis sitos em Portugal), sem prejuízo do disposto em convenções para
evitar a dupla tributação celebradas por Portugal com o país de residência do indivíduo não
residente.

Existindo agregado familiar, o imposto é devido pelo conjunto dos rendimentos das
pessoas que o constituem, considerando-se como sujeitos passivos aquelas a quem incumbe
a sua direção.

O agregado familiar é constituído por:

a) Os cônjuges não separados judicialmente de pessoas e bens e os seus


dependentes;
b) Cada um dos cônjuges ou ex-cônjuges, respetivamente, nos casos de separação
judicial de pessoas e bens ou de declaração de nulidade, anulação ou dissolução
do casamento, e os dependentes a seu cargo;
c) O pai ou a mãe solteiros e os dependentes a seu cargo;
d) O adotante solteiro e os dependentes a seu cargo.

Estrutura do IRS / Categorias de rendimentos

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Rendimentos da categoria A

Consideram-se rendimentos do trabalho dependente todas as remunerações pagas


ou postas à disposição do seu titular, provenientes de:

a) Trabalho por conta de outrem prestado ao abrigo de contrato individual de


trabalho ou de outro a ele legalmente equiparado;
b) Trabalho prestado ao abrigo de contrato de aquisição de serviços ou
outro de idêntica natureza, sob a autoridade e a direção da pessoa ou entidade
que ocupa a posição de sujeito ativo na relação jurídica dele resultante;
c) Exercício de função, serviço ou cargo públicos;
d) Situações de pré-reforma, pré-aposentação ou reserva, com ou sem
prestação de trabalho, bem como de prestações atribuídas, não importa a que
título, antes de verificados os requisitos exigidos nos regimes obrigatórios de
segurança social aplicáveis para a passagem à situação de reforma.

As remunerações referidas compreendem, designadamente, ordenados, salários,


vencimentos, gratificações, percentagens, comissões, participações, subsídios ou prémios,
senhas de presença, emolumentos, participações em multas e outras remunerações
acessórias, ainda que periódicas, fixas ou variáveis, de natureza contratual ou não.

Consideram-se ainda rendimentos do trabalho dependente:

a) As remunerações dos membros dos órgãos estatutários das pessoas


coletivas e entidades equiparadas;

b) As remunerações acessórias, nelas se compreendendo todos os direitos,


benefícios ou regalias não incluídos na remuneração principal que sejam auferidos
devido à prestação de trabalho ou em conexão com esta e constituam para o
respetivo beneficiário uma vantagem económica, designadamente:

1) Os abonos de família e respetivas prestações complementares;


2) O subsídio de refeição;

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3) As importâncias despendidas, obrigatória ou facultativamente,


pela entidade patronal com seguros e operações do ramo «Vida»,
contribuições para fundos de pensões, fundos de poupança-reforma ou
quaisquer regimes complementares de segurança social;
4) Os subsídios de residência ou equivalentes ou a utilização de casa
de habitação fornecida pela entidade patronal;
5) Os resultantes da utilização pessoal pelo trabalhador ou membro
de órgão social de viatura automóvel;
6) A aquisição pelo trabalhador ou membro de órgão social, por preço
inferior ao valor de mercado, de qualquer viatura que tenha
originado encargos para a entidade patronal;

Rendimentos da categoria B

Consideram-se rendimentos empresariais e profissionais:

a) Os decorrentes do exercício de qualquer atividade comercial, industrial, agrícola,


silvícola ou pecuária;

b) Os auferidos no exercício, por conta própria, de qualquer atividade de prestação


de serviços, incluindo as de carácter científico, artístico ou técnico, qualquer que
seja a sua natureza, ainda que conexa com atividades mencionadas na alínea
anterior;
c) Os provenientes da propriedade intelectual ou industrial ou da prestação de
informações respeitantes a uma experiência adquirida no sector industrial,
comercial ou científico, quando auferidos pelo seu titular originário.

Consideram-se ainda rendimentos desta categoria:

a) Os rendimentos prediais imputáveis a atividades geradoras de rendimentos


empresariais e profissionais;
b) Os rendimentos de capitais imputáveis a atividades geradoras de rendimentos
empresariais e profissionais;

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c) As mais-valias apuradas no âmbito das atividades geradoras de rendimentos


empresariais e profissionais;
d) As importâncias auferidas, a título de indemnização, conexas com a atividade
exercida, nomeadamente a sua redução, suspensão e cessação, assim como pela
mudança do local do respetivo exercício;
e) As importâncias relativas à cessão temporária de exploração de estabelecimento;

São excluídos de tributação os rendimentos resultantes de atividades agrícolas, silvícolas e


pecuárias quando o valor dos proveitos ou das receitas, isoladamente ou em cumulação com
os rendimentos ilíquidos sujeitos, ainda que isentos, desta ou de outras categorias que devam
ser ou tenham sido englobados, não exceda por agregado familiar quatro vezes e meia o
valor anual do IAS.

Rendimentos da categoria E

Consideram-se rendimentos de capitais os frutos e demais vantagens económicas, qualquer


que seja a sua natureza ou denominação, sejam pecuniários ou em espécie, procedentes,
direta ou indiretamente, de elementos patrimoniais, bens, direitos ou situações jurídicas, de
natureza mobiliária, bem como da respetiva modificação, transmissão ou cessação, com
exceção dos ganhos e outros rendimentos tributados noutras categorias.

Os frutos e vantagens económicas referidos compreendem, designadamente:

a) Os juros e outras formas de remuneração decorrentes de contratos de mútuo,


abertura de crédito, reporte e outros que proporcionem, a título oneroso, a
disponibilidade temporária de dinheiro ou outras coisas fungíveis;
b) Os juros e outras formas de remuneração derivadas de depósitos à ordem ou a
prazo em instituições financeiras, bem como de certificados de depósitos;
c) Os juros, os prémios de amortização ou de reembolso e as outras formas de
remuneração de títulos da dívida pública, obrigações, títulos de participação,
certificados de consignação, obrigações de caixa ou outros títulos análogos,
emitidos por entidades públicas ou privadas, e demais instrumentos de aplicação

27
ufcd 4360 – Fiscalidade

financeira, designadamente letras, livranças e outros títulos de crédito


negociáveis, enquanto utilizados como tais;
d) Os juros e outras formas de remuneração de suprimentos, abonos ou
adiantamentos de capital feitos pelos sócios à sociedade;
e) Os juros e outras formas de remuneração devidos pelo facto de os sócios não
levantarem os lucros ou remunerações colocados à sua disposição;
f) O saldo dos juros apurado em contrato de conta corrente;

Rendimentos da categoria F

Consideram-se rendimentos prediais as rendas dos prédios rústicos, urbanos e


mistos pagas ou colocadas à disposição dos respetivos titulares.

a) As importâncias relativas à cedência do uso do prédio ou de parte dele e aos


serviços relacionados com aquela cedência;
b) As importâncias relativas ao aluguer de maquinismos e mobiliários instalados no
imóvel locado;
c) A diferença, auferida pelo sublocador, entre a renda recebida do subarrendatário
e a paga ao senhorio;
d) As importâncias relativas à cedência do uso, total ou parcial, de bens imóveis,
para quaisquer fins especiais, designadamente publicidade;
e) As importâncias relativas à cedência do uso de partes comuns de prédios em
regime de propriedade horizontal;
f) As importâncias relativas à constituição, a título oneroso, de direitos reais de gozo
temporários, ainda que vitalícios, sobre prédios rústicos, urbanos ou mistos.

Rendimentos da categoria G

Constituem incrementos patrimoniais, desde que não considerados rendimentos de


outras categorias:

a) As mais-valias;

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ufcd 4360 – Fiscalidade

b) As indemnizações que visem a reparação de danos não patrimoniais,


excetuadas as fixadas por decisão judicial ou arbitral ou resultantes de acordo
homologado judicialmente, de danos emergentes não comprovados e de lucros
cessantes, considerando-se neste último caso como tais apenas as que se
destinem a ressarcir os benefícios líquidos deixados de obter em consequência da
lesão;
c) Importâncias auferidas em virtude da assunção de obrigações de não
concorrência, independentemente da respetiva fonte ou título;
d) Acréscimos patrimoniais não justificados.

Rendimentos da Categoria H

Consideram-se pensões:
a) As prestações devidas a título de pensões de aposentação ou de reforma, velhice,
invalidez ou sobrevivência, bem como outras de idêntica natureza, e ainda as
pensões de alimentos;
b) As prestações a cargo de companhias de seguros, fundos de pensões, ou
quaisquer outras entidades, devidas no âmbito de regimes complementares de
segurança social em razão de contribuições da entidade patronal, e que não sejam
consideradas rendimentos do trabalho dependente;
c) As pensões e subvenções não compreendidas nas alíneas anteriores;
d) As rendas temporárias ou vitalícias.

A remição ou qualquer outra forma de antecipação de disponibilidade dos rendimentos


previstos no número anterior não lhes modifica a natureza de pensões.

Taxas de IRS

As taxas de IRS para 2015, também conhecidas como escalões de IRS, são cinco.

As taxas do imposto (2015) para rendimentos auferidos a partir de 1 de Janeiro de 2014


são as constantes da tabela seguinte:

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ufcd 4360 – Fiscalidade

Taxas
Rendimento Coletável
Normal (A) Média (B)
até 7000 euros 14.50% 14,500
+ 7000€ a 20 000€ 28.50% 23,600
+ 20 000€ a 40 000€ 37% 30,300
+ 40 000€ a 80 000€ 45% 37,650

+ 80 000€ 48%

O quantitativo do rendimento coletável, quando superior a €. 7000, é dividido em duas


partes: uma, igual ao limite do maior dos escalões que nele couber, à qual se aplica a taxa
correspondente a esse escalão; outra, igual ao excedente, a que se aplica a taxa da coluna
respeitante ao escalão imediatamente superior.

Sobretaxa e Taxa adicional de solidariedade

Sobretaxa
Em 2015, mantém-se a sobretaxa extraordinária de IRS para todos os trabalhadores da setor
público e privado, com salários de valor superior ao salário mínimo nacional - 505€.

Ao rendimento coletável de IRS que exceda o valor da remuneração mínima mensal garantida
(7.070€) por sujeito passivo, é aplicada uma sobretaxa. A sobretaxa foi fixada em 3,5% e irá
incidir sobre todo o tipo de rendimentos englobados na declaração anual de IRS, auferidos
por pessoas residentes fiscais em território português.

Esta sobretaxa incidirá também sobre alguns rendimentos sujeitos a taxa especiais,
nomeadamente os rendimentos auferidos por residentes não habituais em Portugal.

Os sujeitos passivos que aufiram rendimentos de trabalho dependente e pensões serão


sujeitos a uma retenção na fonte mensal. Esta retenção será efetuada a título de pagamento
por conta da sobretaxa devida a final e que vier a ser apurada com a entrega da declaração
anual de IRS.

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ufcd 4360 – Fiscalidade

Relativamente aos rendimentos de outras fontes, a sobretaxa extraordinária será apurada


através da apresentação da declaração de rendimentos anual.

Taxa adicional de solidariedade

A taxa adicional de solidariedade aplica-se de forma progressiva à parte do rendimento


coletável que exceda 80.000€. Assim, aplica-se a taxa de 2,5% aos rendimentos coletáveis
entre 80.000 € e 250.000€. A parte do rendimento que exceda 250.000€ será tributada à
taxa de 5%.

Ao quantitativo do rendimento coletável superior a €.80 000 incidem as taxas adicionais de


solidariedade constantes da tabela seguinte:

Rendimento Coletável Taxa


De mais de 80.000€ até 250 000 2.5%
Superior a 250 000€ 5%

O quantitativo da parte do rendimento coletável que exceda 80 000€, quando superior a 250
000€, é dividido em duas partes: uma, igual a 170 000€, à qual se aplica a taxa de 2,5%;
outra, igual ao rendimento coletável que exceda (euro) 250 000, à qual se aplica a taxa de
5%.

Tratando-se de sujeitos passivos casados e não separados judicialmente de pessoas e bens,


a taxa referida no número anterior aplica-se à diferença positiva entre a divisão por dois do
rendimento coletável e o limite estabelecido no mesmo número, multiplicada por dois.

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4.2. IRC

É um imposto aplicado ao rendimento das empresas a trabalhar em Portugal.

O Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas (IRC) incide sobre pessoas com sede
ou direção efetiva em território português (totalidade dos rendimentos incluindo os obtidos
fora do território português) e pessoas com sede e direção efetiva em território português
com estabelecimento estável (rendimentos imputáveis ao estabelecimento estável) ou sem
estabelecimento estável (rendimentos considerados obtidos em território português nos
termos do CIRC).

O conceito de rendimento global que se pretende tributar, assenta na teoria do


rendimento acréscimo ou incremento patrimonial que consiste na diferença entre o valor
do património no início e no fim do período de tributação, incluindo as mais-valias e outros
ganhos fortuitos (por exemplo, os subsídios não destinados á exploração ou as
indemnizações).

Se atendermos às características específicas deste imposto, trata-se de um imposto:

o Sobre o rendimento: por contrapartida aos impostos existentes sobre a despesa


(exemplo: IVA) e sobre o património (exemplo: IMI).

o Direto: se atendermos ao critério económico poderemos dizer que o IRC é um


imposto direto na medida que incide sobre a manifestação direta ou imediata da
capacidade contributiva, isto é, incide diretamente sobre os rendimentos obtidos.

o Real: porque visa a tributação dos rendimentos das pessoas coletivas sem atender à
sua situação pessoal (princípio da tributação dos rendimentos reais).

o Periódico: porque se renova nos sucessivos períodos de tributação, que


normalmente são anuais, dando origem, consequentemente, a sucessivas obrigações
tributárias anuais independentes umas das outras, ou seja, tributa situações ou
atividades que duram no tempo, dando origem a liquidações periódicas.

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ufcd 4360 – Fiscalidade

o Estadual: porque é o Estado o sujeito ativo da relação jurídico-tributária.

o Proporcional: já que a taxa se mantém constante, independentemente da matéria


coletável apurada pelo contribuinte (taxa única, em que a coleta de imposto é
proporcional à matéria coletável).

o Global: porque incide sobre um conjunto de rendimentos provenientes de diversas


fontes.

o Principal: porque goza de autonomia quer ao nível normativo quer ao nível das
relações tributárias concretas.

Incidência do IRC

Conceito: A incidência define os pressupostos tributários que fazem nascer a obrigação de


imposto.

Doutro modo, a incidência determina a matéria coletável do imposto e identifica os sujeitos


passivos da relação jurídica fiscal a que o mesmo dará lugar. Trata-se da fase em que a lei
prescreve o que vai estar sujeito a imposto (incidência real) e quem vai estar sujeito a
imposto (incidência pessoal).

Enquanto elemento essencial do imposto, a incidência está sujeita ao princípio da legalidade


fiscal (art. 103.º 2 Constituição da República Portuguesa).

Os pressupostos da incidência em IRC consagrados no art. 1.º CIRC, dos quais a lei faz
depender o surgimento da relação jurídica do imposto, são de natureza objetiva (a obtenção
de rendimentos), subjetiva (por um sujeito passivo) e temporal (no período de tributação).

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ufcd 4360 – Fiscalidade

O âmbito da aplicação pessoal (quem está sujeito a imposto) vem previsto no art. 2.º CIRC,
a delimitação do objeto da sua incidência (rendimentos obtidos pelo sujeito passivo) é feita
no art. 3.º CIRC, e o período de tributação (elemento temporal do facto tributário) vem
definido no art. 8.º CIRC.

A incidência objetiva ou real determina o que está sujeito a IRC, ou seja, quais as
operações sujeitas a imposto (art. 3.º CIRC).

O IRC incide sobre os rendimentos resultantes de operações de qualquer natureza em


consequência de uma atividade de comercial, industrial ou agrícola, designadamente:

o Os relativos a vendas ou prestações de serviços.

o Os rendimentos de imóveis.

o Os de carater financeiro, tais como juros, dividendos, descontos e prémios de emissão


de obrigações.

o As mais-valias realizadas.

o As indemnizações auferidas a qualquer título.

o Os subsídios à exploração.

Neste sentido, estão sujeitos à incidência do IRC:

o O rendimento universal ou lucro das pessoas coletivas, com sede ou direção


efetiva em território português, que exerçam uma atividade de natureza comercial,
industrial ou agrícola (sociedades comerciais, cooperativas).

o O rendimento global (soma dos rendimentos das categorias conforme regras do


IRS) das pessoas coletivas, com sede ou direção efetiva em território português, que
não exerçam uma atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola
(associações, fundações, sociedades civis sem personalidade jurídica).

o O lucro imputável ao estabelecimento estável situado em território português das


pessoas coletivas não residentes em território português que exerçam a sua atividade
através de estabelecimento estável (sucursais).

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ufcd 4360 – Fiscalidade

o Os rendimentos das diversas categorias, consideradas para efeitos de IRS e os


incrementos patrimoniais obtidos a título gratuito pelas pessoas coletivas não
residentes em território português sem estabelecimento estável.

Consoante a forma de tributação, o IRC poderá incidir sobre os rendimentos reais ou sobre
os rendimentos presumíveis das empresas:

o Regime Geral em que se tributam os rendimentos reais da empesa.

o Regime Simplificado regime opcional de determinação da matéria coletável em que


se tributam rendimentos presumíveis. Ou seja, no período de início de tributação, o
enquadramento no regime simplificado faz-se em função do valor anualizado dos
rendimentos estimado, constante da declaração de início de atividade.
Direcionado para micro e pequenas empresas com um volume de negócios anual
inferior a 200 mil euros e um total de ativos abaixo dos 500 mil euros, este regime
ignora os gastos/ despesas, atribuindo coeficientes aos rendimentos obtidos.

Incidência pessoal ou subjetiva: determina quem é que está sujeito a IRC, ou seja,
quem é que são os sujeitos passivos de IRC.

O sujeito passivo da relação jurídica tributária é a pessoa ou a entidade titular de qualquer


situação jurídica regulada pelo Direito Fiscal. É a pessoa ou entidade sobre quem é suscetível
de recair o dever de cumprir uma obrigação de natureza tributária, designadamente a
obrigação principal - a obrigação do imposto.

Como o próprio nome indica, o imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas incide
sobre pessoas coletivas.

Conceito: uma pessoa coletiva é uma organização constituída por um agrupamento de


pessoas ou por um complexo patrimonial, tendo em vista a prossecução dum interesse
comum determinado e à qual a ordem jurídica atribui a suscetibilidade de ser titular de
direitos e sujeito a obrigações (personalidade jurídica).

São assim sujeitos passivos de IRC:

35
ufcd 4360 – Fiscalidade

o As sociedades comerciais: as que tenham por objeto a prática de atos de comércio


e adotem o tipo de sociedade: por quotas, anónima, em nome coletivo, em comandita
simples ou em comandita por ações.

o As sociedades civis sob a forma comercial: aquelas que não têm por objeto a
prática de atos comerciais.

o As cooperativas: são pessoas coletivas autónomas, de capital e composição


variáveis, que visam através da cooperação e entreajuda dos seus membros e na
observância dos princípios cooperativos, a satisfação, sem fins lucrativos, das
necessidades económicas, sociais ou culturais destes, podendo ainda, na prossecução
dos seus objetivos, realizar operações com terceiros (Código Cooperativo).

o As empresas públicas: são as empresas nacionalizadas e as criadas pelo Estado,


com capitais próprios ou fornecidos por outras entidades públicas para a exploração
de atividades de natureza económica ou social de acordo com o interesse público.

o As demais pessoas coletivas de direito público e privado: as pessoas coletivas


dizem-se de direito público quando prosseguem primariamente fins de interesse
público, os quais se refletem relevantemente na sua constituição ou no seu regime.
São pessoas coletivas de direito público, entre outras: o Estado, as Regiões
Autónomas dos Açores e da Madeira e as Autarquias Locais.

Serão pessoas coletivas de direito privado, as restantes, nomeadamente: os Partidos


Políticos, os Sindicatos e Associações Sindicais e as Associações Patronais.

Lucro da empresa

Conceito: diferença entre os valores do património líquido no fim e no início do período de


tributação, com as correções estabelecidas no Código.

Trata-se de um conceito extensivo de rendimento que adota o conceito de rendimento-


acréscimo o qual abrange todo e qualquer incremento patrimonial.

Além do lucro, o art. 3.º 1 CIRC fixa como base do imposto:

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ufcd 4360 – Fiscalidade

o O rendimento global (entidades residentes que não exerçam a título principal uma
atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola). Considera-se rendimento
global a soma algébrica dos rendimentos das diversas categorias consideradas para
efeitos de IRS.

o O rendimento das diversas categorias consideradas para efeitos de IRS (não


residentes sem estabelecimento estável em território português ou, possuindo-o os
rendimentos não lhe sejam imputáveis).

Procede-se, desta forma, a uma discriminação qualitativa dos diversos sujeitos passivos em
função da sua natureza específica, fazendo-se incidir o imposto sobre realidades distintas (o
lucro, o rendimento global e os rendimentos das diversas categorias), consoante a
especificidade do respetivo sujeito passivo. Esta diferenciação dos sujeitos passivos e da base
do imposto assume especial relevância em toda a restante estrutura do Código.

Assim, foram concebidas regras próprias para os diferentes tipos de sujeitos passivos, na
determinação da matéria coletável, nas taxas, na liquidação e no pagamento do IRC.

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ufcd 4360 – Fiscalidade

SUJEITOS PASSIVOS Base do imposto

Exerçam a título
principal uma
atividade de natureza
comercial, industrial Lucro
ou agrícola
RESIDENTES
(Obrigação pessoal)
Não exerçam a título
principal uma
atividade de natureza Rendimento global
comercial, industrial
ou agrícola

Lucro imputável ao
Com estabelecimento estabelecimento estável
estável em Portugal situado em Portugal

NÃO RESIDENTES
(obrigação real)
Sem estabelecimento
estável em Portugal, Rendimento das
ou com rendimentos diversas categorias do
que não lhe sejam IRS
imputáveis

O imposto a pagar é calculado com base no lucro tributável anual apresentado por estas
empresas ou relativo à atividades desenvolvidas em Portugal. Por sua vez, o lucro tributável
é apurado com base na contabilidade da empresa.

O lucro tributável é o resultado obtido com o desenvolvimento da atividade durante cada


exercício fiscal. A este valor serão deduzidos determinados gastos, prejuízos ou benefícios
que permitirão obter a matéria coletável.

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ufcd 4360 – Fiscalidade

É a este resultado que será aplicada a taxa de imposto (atualmente 23%), determinando o
montante do imposto a pagar ao Estado.

O valor do lucro tributável é obtido pela diferença entre os rendimentos e os gastos do


exercício, corrigida pelas variações patrimoniais positivas ou negativas. Desta forma, para
apurar este valor analisam-se as receitas e as despesas e observam-se as regras e
procedimentos fiscais.

As parcelas a deduzir ao lucro tributável para achar a matéria coletável variam consoante a
empresa e, para este efeito, a contabilidade da empresa deve estar devidamente organizada,
registar todos as suas operações e refletir a sua situação.

Rendimentos da empresa

Constituem rendimentos da empresa, os valores obtidos em resultado de operações de


qualquer natureza, em consequência de uma ação normal ou ocasional, básica ou meramente
acessória, nomeadamente rendimentos direta ou indiretamente resultantes da sua atividade,
designadamente provenientes de:

o Vendas ou prestações de serviços.

o Descontos, bónus e abatimentos, comissões e corretagens.

o Rendimentos de imoveis.

o Rendimentos financeiros, como juros, dividendos, descontos, diferenças cambiais,


prémios de emissão, entre outros.

o Royalties e outros rendimentos da propriedade industrial.

o Prestações de serviços de carater científico ou técnico.

o Resultantes da aplicação do justo valor em instrumentos financeiros ou em ativos


biológicos consumíveis (que não sejam explorações silvícolas plurianuais).

o Mais-valias realizadas.

o Indemnizações recebidas por qualquer motivo.

o Subsídios ou subvenções de exploração.

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ufcd 4360 – Fiscalidade

4.3. IVA

Conceito

O IVA é um imposto geral sobre o consumo que incide sobre a generalidade das transmissões
de bens e prestações de serviços, efetuadas a título oneroso, no território nacional, por um
sujeito passivo, independentemente dos seus fins ou resultados, no quadro de uma atividade
económica.

Como operações tributáveis em sede de IVA temos as Transmissões de Bens, as Prestações


de Serviços, as Importações e as Aquisições Intracomunitárias de Bens.

Os conceitos das referidas operações encontram-se definidos pela positiva, à exceção do


conceito de Prestação de Serviços que terá um carácter residual. Assim, é possível tributar
todo o ato de consumo.

Uma operação para ser sujeita a IVA, deve reunir simultaneamente as seguintes condições:

o Constituir uma transmissão de bens, uma prestação de serviços, uma importação ou


uma aquisição intracomunitária.
o A operação deve ser efetuada a título oneroso porquanto o adquirente do bem ou do
serviço obriga-se a uma contraprestação seja qual for a sua natureza ou o seu valor.
As operações a título gratuito serão tributadas, pois são assimiladas a operações a
título oneroso.
o A operação tem de ser efetuada por um sujeito passivo agindo como tal.
o A operação tem de ser efetuada no território nacional.

Características

Imposto plurifásico não cumulativo

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ufcd 4360 – Fiscalidade

O IVA é um imposto plurifásico, incidente em todas fases do circuito económico, desde a


produção ao retalho, sendo suportado efetivamente pelo consumidor final, correspondendo,
em termos de receitas geradas, a um imposto monofásico na fase do retalhista, embora
utilizando uma técnica diferente, fracionando o pagamento por todos os intervenientes,
através do chamado ‘método do crédito de imposto’, conforme se explicita no ponto seguinte.

É também um imposto não cumulativo, na medida em que os operadores económicos


liquidam IVA a jusante, podendo deduzir o IVA suportado a montante (‘método do crédito
de imposto’), sendo entregue ao Estado por cada operador, apenas a parte relativa ao ‘valor
acrescentado’ em cada fase - o IVA suportado nos inputs, não constitui como tal, em
princípio, um custo para as empresas, daí a sua não influência na construção dos preços a
praticar entre operadores ao longo de todo o circuito económico.

Pode também considerar-se um imposto proporcional, porque o imposto a pagar varia


proporcionalmente à base tributável, por aplicação de uma taxa única, igual para todos.
Ainda assim, contempla 3 taxas distintas consoante os bens e serviços a tributar.

É um imposto regressivo, uma vez que o esforço efetuado pelos consumidores diminui à
medida que aumenta a sua capacidade contributiva (rendimento), verificando-se que
consumidores mais abastados suportam efetivamente mais IVA em valor absoluto (porque
consomem mais), porém, o esforço efetuado é tendencialmente menor à medida que
aumentam os rendimentos.

Neutralidade do imposto

Embora conexa com as anteriores, aponta-se também como característica do IVA a


neutralidade económica, consubstanciando-se na sua não influência na formação dos preços
(sem efeitos cumulativos e facilmente determinável), na estrutura (fases) do circuito
económico (maior ou menor concentração) e nas relações comerciais interestaduais (adoção
do princípio do destino). Porém, regressivo (não neutral) na ótica do consumidor.

É habitual distinguir-se a neutralidade dos impostos de transações relativamente aos efeitos


sobre o consumo e sobre a produção. Existirá neutralidade relativamente ao consumo quando

41
ufcd 4360 – Fiscalidade

o imposto não interfere nas escolhas dos diversos bens e serviços por parte dos
consumidores.

Por sua vez, será neutro na perspetiva da produção se não induz os produtores a alterações
na forma de organização do seu processo produtivo.

IVA e o princípio do destino

Obedece, num contexto internacional, ao princípio da tributação no destino, sujeitando-se a


tributação as importações e isentando-se as exportações, no caso de países terceiros,
exigindo-se no entanto a intervenção de uma autoridade alfandegária.

Entre países da CE, em homenagem ao mesmo princípio, sujeitam-se a IVA as Aquisições


Intracomunitárias de Bens (AIB), conferindo-se uma isenção às Transmissões
Intracomunitárias de Bens (TIB), sem recurso a fronteiras fiscais ostensivas (IVA liquidado
pelo adquirente).

Incidência real ou objetiva

A incidência objetiva ou real, prevista no artigo 1º do CIVA, determina o que é que está
sujeito a IVA, ou seja, quais são as operações que estão sujeitas a imposto.

Estão sujeitas a imposto sobre o valor acrescentado:


a. As transmissões de bens e as prestações de serviços efetuadas no território nacional,
a título oneroso, por um sujeito passivo agindo como tal;
b. As importações de bens;
c. As operações intracomunitárias efetuadas no território nacional, tal como são
definidas e reguladas no Regime do IVA nas Transações Intracomunitárias.

São sujeitos passivos do imposto, isto é, são devedores do imposto, entre outros:

 As pessoas singulares ou coletivas que, de um modo independente e com carácter


de habitualidade, exerçam atividades de:

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ufcd 4360 – Fiscalidade

o Produção,
o Comércio ou prestação de serviços,
o Atividades extrativas, agrícolas e as das profissões livres.
o As que pratiquem uma só operação tributável, desde que essa operação
preencha os pressupostos de incidência real de IRS e de IRC.

 As pessoas singulares ou coletivas que, segundo a legislação aduaneira, realizem


importações de bens.
 As pessoas singulares ou coletivas que mencionem indevidamente IVA em fatura.
 As pessoas singulares ou coletivas que efetuem operações intracomunitárias, nos
termos do Regime do IVA nas Transações Intracomunitárias;

Em todas as operações referidas, a liquidação do respetivo imposto é efetuada pelo


adquirente dos bens ou serviços (fazem a autoliquidação do imposto) e não pelos
fornecedores ou prestadores de serviços)

Taxas

As taxas de imposto são diferentes consoante as operações tributáveis sejam consideradas


localizadas no Continente ou nas regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

As taxas do imposto são as seguintes (art. 18.º CIVA):

Taxa Portugal Madeira Açores


Continental
Normal 23% 22% 18%
Intermédia 13% 12% 10%
Reduzida 6% 5% 5%

o 6% para as importações, transmissões de bens e prestações de serviços constantes


da lista I anexa ao CIVA, nomeadamente, aos bens alimentares essenciais.
o 13% para as importações, transmissões de bens e prestações de serviços constantes
da lista II anexa ao CIVA, designadamente a gorduras e óleos comestíveis, conservas

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ufcd 4360 – Fiscalidade

de carne, de peixe e de moluscos, fruta e frutos secos, café (em grão ou em pó),
vinhos comuns, águas minerais, flores e plantas, equipamentos agrícolas e serviços
de alimentação e bebidas.
o Para as restantes importações, transmissões de bens e prestações de serviços, ou
seja, àqueles que não constam das Listas I e II, a taxa de 23%.

As taxas a que se referem as alíneas a), b) e c) são, respetivamente, de:

a. 5 %, 10 % e 18 %, relativamente às operações que se considerem efetuadas na


Região Autónoma dos Açores.
b. 5 %, 12 % e 22 %, relativamente às operações que se considerem efetuadas na
Região Autónoma da Madeira.

Beneficiam da taxa reduzida alguns produtos alimentares, publicações periódicas, livros,


produtos farmacêuticos, alojamento hoteleiro, bens de produção agrícolas e transporte de
passageiros.

Beneficiam da taxa intermédia alguns produtos alimentares e entradas em espetáculos de


canto, dança, música, teatro, cinema, tauromaquia e circo.

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ufcd 4360 – Fiscalidade

4.4. Imposto de selo

O imposto de selo é o imposto mais antigo dentro do sistema fiscal português tendo sido
criado por alvará em 1660, sendo considerado pelo menos até 2000, um imposto anacrónico.

Hoje, o imposto de selo está disciplinado no Código do Imposto de Selo (CIS), aprovado pela
Lei nº 150/99, de 11.09, existindo uma Tabela Geral do imposto quanto às taxas a liquidar.

Incidência objetiva

O imposto de selo recai sobre todos os atos, contratos, documentos, títulos, livros, papéis e
outros factos previstos na respetiva tabela do imposto, (nomeadamente os previstos na verba
nº 1.2 da TG) incluindo ainda as transmissões gratuitas de bens. (cf. artigo 1º do
CIS)(Redação Lei 55-A/2012).

Para efeitos da verba 1.2 da Tabela Geral, são consideradas transmissões gratuitas,
designadamente, as que tenham por objeto, designadamente:

a) Direito de propriedade ou figuras parcelares desse direito sobre bens imóveis,


incluindo a aquisição por usucapião;
b) Bens móveis sujeitos a registo, matrícula ou inscrição;
c) Participações sociais, valores mobiliários e direitos de crédito associados, ainda que
transmitidos autonomamente, títulos e certificados da dívida pública, bem como
valores monetários, ainda que objeto de depósito em contas bancárias;
d) Estabelecimentos comerciais, industriais ou agrícolas;
e) Direitos de propriedade industrial, direitos de autor e direitos conexos;

Incidência subjetiva

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ufcd 4360 – Fiscalidade

O imposto de selo é devido por todos aqueles que tenham interesse económico nas
modalidades referidas no ponto anterior, concretamente todos os sujeitos e estão
identificados no artigo 2º do CIS, recaindo o respetivo encargo sobre os titulares do interesse
económico das situações que estão identificadas no artigo 1º do CIS.

São sujeitos passivos do imposto, designadamente:

a) Notários, conservadores dos registos civil, comercial, predial e de outros bens sujeitos
a registo, outras entidades públicas, incluindo os estabelecimentos e organismos do
Estado, bem como todas as entidades ou profissionais que autentiquem os
documentos particulares, relativamente aos atos, contratos e outros factos em que
sejam intervenientes, com exceção dos celebrados perante notários relativos a crédito
e garantias concedidos por instituições de crédito, sociedades financeiras ou outras
entidades a elas legalmente equiparadas e por quaisquer outras instituições
financeiras, e quando, nos termos da alínea n) do artigo 5.º, os contratos ou
documentos lhes sejam apresentados para qualquer efeito legal;
b) Entidades concedentes do crédito e da garantia ou credoras de juros, prémios,
comissões e outras contraprestações;
c) Instituições de crédito, sociedades financeiras ou outras entidades a elas legalmente
equiparadas residentes em território nacional, que tenham intermediado operações
de crédito, de prestação de garantias ou juros, comissões e outras contraprestações
devidos por residentes no mesmo território a instituições de crédito ou sociedades
financeiras não residentes;

No contrato de Prestação de Serviços, o imposto de selo é devido pelo sujeito que recebe a
prestação do serviço.

No contrato de trabalho, o imposto é devido pelo empregador.

Isenções

Isenções subjetivas

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Estão isentos (isenção subjetiva) do imposto de selo os seguintes sujeitos:

o Estado

o Regiões Autónomas

o Autarquias locais

o Associações de autarquias locais

o Federações de autarquias locais

o Serviços das autarquias locais

o Estabelecimentos e organismos das autarquias locais

o Institutos públicos

o Segurança Social e suas instituições

o Pessoas coletivas de utilidade publica

o Instituições de solidariedade social ou equiparadas.

Nos termos do disposto no artigo 8º do CIS, quando haja lugar a qualquer isenção, deve
averbar-se no documento ou no título a disposição legal que a prevê.

O nascimento do imposto verifica-se na data dos atos e dos contratos dos quais consta a
respetiva assinatura dos sujeitos intervenientes.

O imposto de selo é sempre pago por meio de guia no final do mês seguinte aquele em que
a obrigação tributária se constituiu.

Pelos contratos de prestação de serviços e de trabalho é devido o valor de 5,00€ de imposto


de selo – n.º 8 da tabela do imposto selo.

Valor tributável

O valor tributável do imposto do selo é o que resulta da Tabela Geral.

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Taxas

Taxa
Incidência
(%)

Aquisição onerosa ou por doação de


0,8
imóveis

Aquisição gratuita de bens por pessoas


10
singulares (sucessões e doações)

Arrendamento ou subarrendamento
10
(sobre um mês de renda)

Garantias (exceto se acessórias e Prazo < 1 ano – por cada mês ou


0,04
simultâneas de contratos especialmente fração
previstos na Tabela):
Prazo >= 1 ano 0,5

Sem prazo ou prazo >= 5 anos 0,6

Prazo < 1 por cada mês ou fração 0,04

Prazo >= 1 ano 0,5

Prazo >= 5 anos 0,6


Utilização de crédito:
Prazo não determinado (v.g. conta
corrente) – por mês sobre a média 0,04
mensal da dívida

Prazo < 1 por cada mês ou fração 0,07

Prazo >= 1 ano 0,9

Prazo >= 5 anos 1


Crédito ao consumo:
Prazo não determinado (v.g. conta
corrente) – por mês sobre a média 0,07
mensal da dívida

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ufcd 4360 – Fiscalidade

Juros, incluindo desconto de letras 4

Comissões por garantias prestadas 3


Operações efetuadas por instituições
Outras comissões por serviços
financeiras: 4
financeiros

Comissões por mediação de seguros 2

Direito de propriedade, usufruto ou Com afetação habitacional 1

superfície sobre prédios urbanos e Detidos por entidades residentes em


terrenos para construção com valor paraíso fiscal (exceto pessoas 7,5
patrimonial tributário >= 1.000.000€ singulares)

Letras e livranças sobre o valor com


0,5
mínimo de 1€

Trespasse de estabelecimento 5

Prémio de bingo (*)


25

Outros prémios (rifas, jogos do loto,


sorteios ou concursos, com exceção dos
prémios dos jogos sociais previstos na 35
verba 11.3 da Tabela Anexa ao Código
do Imposto do Selo) (*)

Parcela dos prémios Euromilhões,


Lotaria Nacional, Lotaria Instantânea,
20
Totobola, Totogolo, Totoloto e Joker
que exceda 5.000€

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ufcd 4360 – Fiscalidade

4.5. IMI

Conceito e Incidência

O IMI é um imposto municipal que incide sobre o valor patrimonial tributário dos prédios
rústicos e urbanos situados no território português, constituindo receita dos municípios onde
os mesmos se localizam.

Valor patrimonial tributário

O valor patrimonial tributário dos prédios é o seu valor determinado por avaliação feita de
acordo com as regras do Código do IMI. Este valor está registado na matriz predial.

Prazo de pagamento de IMI

O IMI é pago anualmente através de um documento único de cobrança (DUC) em abril, caso
seja apenas uma prestação, para montantes iguais ou inferiores a 250 euros.

Se o valor estiver entre os 250 e os 500 euros, poderá ser paga em duas prestações, em
abril e novembro. Caso o montante seja superior a 500 euros, poderá ser paga em três vezes
(abril, julho e novembro).

Conceito de prédio

Prédio é toda a fração de território, abrangendo as águas, plantações, edifícios e construções


de qualquer natureza nela incorporados ou assentes, com carácter de permanência, desde
que faça parte do património de uma pessoa singular ou coletiva e, em circunstâncias
normais, tenha valor económico, bem como as águas, plantações, edifícios ou construções,
nas circunstâncias anteriores, dotados de autonomia económica em relação ao terreno onde
se encontrem implantados, embora situados numa fração de território que constitua parte
integrante de um património diverso ou não tenha natureza patrimonial.

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ufcd 4360 – Fiscalidade

Os edifícios ou construções, ainda que móveis por natureza, são havidos como tendo carácter
de permanência quando afetos a fins não transitórios.

Presume-se o carácter de permanência quando os edifícios ou construções estiverem


assentes no mesmo local por um período superior a um ano.

Cada fração autónoma, no regime de propriedade horizontal, é havida como constituindo um


prédio.

Distingue-se assim entre prédios rústicos e urbanos.

Prédios rústicos

São prédios rústicos os terrenos situados fora de um aglomerado urbano que não sejam de
classificar como terrenos para construção, nos termos do n.º 3 do artigo 6.º, desde que:
o Estejam afetos ou, na falta de concreta afetação, tenham como destino normal uma
utilização geradora de rendimentos agrícolas;
o Não tendo a afetação indicada na alínea anterior, não se encontrem construídos ou
disponham apenas de edifícios ou construções de carácter acessório, sem autonomia
económica e de reduzido valor.

São também prédios rústicos os terrenos situados dentro de um aglomerado urbano, desde
que, por força de disposição legalmente aprovada, não possam ter utilização geradora de
quaisquer rendimentos ou só possam ter utilização geradora de rendimentos agrícolas e
estejam a ter, de facto, esta afetação.

Prédios urbanos

Prédios urbanos são todos aqueles que não devam ser classificados como rústicos e dividem-
se em:
a) Habitacionais;
b) Comerciais, industriais ou para serviços;

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ufcd 4360 – Fiscalidade

c) Terrenos para construção;


d) Outros.

Habitacionais, comerciais, industriais ou para serviços são os edifícios ou construções para


tal licenciados ou, na falta de licença, que tenham como destino normal cada um destes fins.

Consideram-se terrenos para construção os terrenos situados dentro ou fora de um


aglomerado urbano, para os quais tenha sido concedida licença ou autorização, admitida
comunicação prévia ou emitida informação prévia favorável de operação de loteamento ou
de construção, e ainda aqueles que assim tenham sido declarados no título aquisitivo,
excetuando-se os terrenos em que as entidades competentes vedem qualquer daquelas
operações, designadamente os localizados em zonas verdes, áreas protegidas ou que, de
acordo com os planos municipais de ordenamento do território, estejam afetos a espaços,
infraestruturas ou equipamentos públicos.

Sujeito passivo

O imposto é devido pelo proprietário do prédio em 31 de Dezembro do ano a que o


mesmo respeitar.

Assim, mesmo que a 1 de janeiro o imóvel seja vendido, o IMI desse ano será da
responsabilidade do anterior proprietário, uma vez que em 2016 está a ser liquidado o IMI
de 2015.

Nos casos de usufruto ou de direito de superfície, o imposto é devido pelo usufrutuário ou


pelo superficiário após o início da construção da obra ou do termo da plantação.

Presume-se proprietário, usufrutuário ou superficiário, para efeitos fiscais, quem como tal
figure ou deva figurar na matriz, na data referida no n.º 1 ou, na falta de inscrição, quem
em tal data tenha a posse do prédio.

Isenções

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ufcd 4360 – Fiscalidade

Estão isentos de imposto municipal sobre imóveis os proprietários cujo rendimento coletável,
para efeitos de IRS, no ano anterior, não seja superior a €. 153.300.

A isenção é reconhecida pelo chefe do serviço de finanças da área, por um período de três
anos, se o valor patrimonial tributário do prédio não exceder 125 mil euros.

Os agregados familiares com rendimento bruto anual não superior a 2,3 vezes o valor do IAS
(15.295 euros) e o valor patrimonial do imóvel em questão não exceda 10 vezes o valor anual
do IAS (66.500 euros) também estão isentos do pagamento deste imposto.

De referir que até que o valor do IAS atinja o valor do ordenado mínimo nacional, aplica-se
o valor de €. 475 (Retribuição Mínima Mensal Garantida de 2010).

Estão isentos de imposto municipal sobre imóveis o Estado, as Regiões Autónomas e qualquer
dos seus serviços, estabelecimentos e organismos, ainda que personalizados,
compreendendo os institutos públicos, que não tenham carácter empresarial, bem como as
autarquias locais e as suas associações e federações de municípios de direito público.

Determinação do valor tributário

O valor patrimonial tributário dos prédios é determinado por avaliação, com base em
declaração do sujeito passivo, salvo se no Código se dispuser de forma diferente. Sempre
que necessário, a avaliação é precedida de vistoria do prédio a avaliar.

Tipos de avaliação

A avaliação dos prédios rústicos é de base cadastral, não cadastral ou direta.


A avaliação dos prédios urbanos é direta.

Taxas

As taxas do imposto municipal sobre imóveis são as seguintes:


a) Prédios rústicos: 0,8%;

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ufcd 4360 – Fiscalidade

b) Prédios urbanos: 0,3 % a 0,8 %;

Tratando-se de prédios constituídos por parte rústica e urbana, aplica-se ao valor patrimonial
tributário de cada parte a respetiva taxa.

As taxas previstas são elevadas, anualmente, ao triplo nos casos de prédios urbanos que se
encontrem devolutos há mais de um ano e de prédios em ruínas, considerando-se devolutos
ou em ruínas, os prédios como tal definidos em diploma próprio.

Para os prédios que sejam propriedade de entidades que tenham domicílio fiscal em país,
território ou região sujeito a regime fiscal claramente mais favorável, constantes de lista
aprovada por portaria do Ministro das Finanças, a taxa do imposto é de 7,5 %.

Os municípios, mediante deliberação da assembleia municipal, fixam a taxa a aplicar em cada


ano, dentro dos intervalos previstos nas alíneas a) e b) podendo esta ser fixada por freguesia.

Os municípios podem definir áreas territoriais correspondentes a freguesias ou zonas


delimitadas de freguesias e fixar uma redução até 20% da taxa que vigorar no ano a que
respeita o imposto a aplicar aos prédios urbanos arrendados, que pode ser cumulativa com
a definida no número anterior.

Podem ainda majorar até 30% a taxa aplicável a prédios urbanos degradados, considerando-
se como tais os que, face ao seu estado de conservação, não cumpram satisfatoriamente a
sua função ou façam perigar a segurança de pessoas e bens.

Ainda, podem majorar até ao dobro a taxa aplicável aos prédios rústicos com áreas florestais
que se encontrem em situação de abandono, não podendo da aplicação desta majoração
resultar uma coleta de imposto inferior a (euro) 20 por cada prédio abrangido.

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Bibliografia

AA VV., Código do IRS, Ed. Vida económica, 2012

Correia, Paulo, Fiscalidade – Manual de formação, Ed. Companhia própria, 2004

Américo Brás Carlos et al, Guia dos Impostos em Portugal, Ed. Quid Iuris, 2013

Sites consultados

Ordem dos Técnicos oficiais de contas


http://www.otoc.pt/

Portal das finanças


http://info.portaldasfinancas.pt

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Termos e condições de utilização

AVISO LEGAL

O presente manual de formação destina-se a utilização em contexto educativo.


É autorizada a respetiva edição e reprodução para o fim a que se destina.
É proibida a divulgação, promoção e revenda total ou parcial dos respetivos conteúdos.

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