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ÉTICA CONCORRENCIAL

4a edição

Rio de Janeiro
2015
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de partes dele,
sob quaisquer formas ou meios, sem permissão expressa da Escola.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da FUNENSEG

E73e Escola Nacional de Seguros. Diretoria de Ensino Técnico.


Ética concorrencial/Supervisão e coordenação metodológica da Diretoria de Ensino
Técnico; assessoria técnica de Aluízio José Bastos Barbosa Junior. – 4. ed. – Rio de Janeiro:
Funenseg, 2015.
78 p.; 28 cm

1. Ética. 2. Ética empresarial. I. Barbosa Junior, Aluízio José Bastos. II. Título.

0014-1437 CDU 174.8(072)

REALIZAÇÃO

Escola Nacional de Seguros


SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO METODOLÓGICA

Diretoria de Ensino Técnico


ASSESSORIA TÉCNICA

Aluizio José Bastos Barbosa Junior – 2015/2014


Keila Manangão – 2013
CAPA

Coordenadoria de Comunicação Social


DIAGRAMAÇÃO

Info Action Editoração Eletrônica


A
Escola Nacional de Seguros promove, desde 1971, diversas
iniciativas no âmbito educacional, que contribuem para um
mercado de seguros, previdência complementar, capitalização
e resseguro cada vez mais qualificado.

Principal provedora de serviços voltados à educação continuada, para


profissionais que atuam nessa área, a Escola Nacional de Seguros
oferece a você a oportunidade de compartilhar conhecimento e
experiências com uma equipe formada por especialistas que possuem
sólida trajetória acadêmica.

A qualidade do nosso ensino, aliada à sua dedicação, é o caminho


para o sucesso nesse mercado, no qual as mudanças são constantes
e a competitividade é cada vez maior.

Seja bem-vindo à Escola Nacional de Seguros.


4 ÉTICA CONCORRENCIAL
Sumário

1 ÉTICA
Introdução
7
9
Conceituando Ética 9
Ética na Filosofia – Correntes de Pensamento 11
Ética nos Negócios 12
Responsabilidade Social 13
Sustentabilidade 14
Atendimento ao Consumidor 14
Ética e Gestão de Pessoas 18
A Ética no Desempenho Profissional 18
O Corretor de Seguros e a Gestão de Pessoas 20
A Ética no Desempenho Profissional do Corretor de Seguros 22

2 ÉTICA CONCORRENCIAL
Sistema Concorrencial Brasileiro
25
27
CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica 27
SEAE – Secretaria de Acompanhamento Econômico 29
Modalidades de Burla à Ética Concorrencial 30
Cartel 30
Preço Predatório 31
Dumping 31
Truste 31
Venda Casada 32
Legislações Internacionais 32
Lei Sarbanes-Oxley 32
FCPA – Foreign Corrupt Practices Act 33
Convenção Interamericana contra a Corrupção 34
Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção 34
Convenção sobre o Combate da Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em 35
Transações Comerciais Internacionais
Código de Ética do Corretor 37
Nova Lei Anticorrupção 42

TESTANDO CONHECIMENTOS 47

ESTUDOS DE CASO 51

SUMÁRIO 5
ANEXOS 53
Anexo 1 – Código de Ética Profissional dos Corretores de Seguros, de Resseguros, 55
de Capitalização, de Previdência Privada, de Seguros de Pessoas, de Planos e de
Seguros de Saúde, e seus Prepostos
Anexo 2 – Resolução CNSP 233, de 2011 59
Anexo 3 – Lei 12.846, de 1o de agosto de 2013 67

GABARITO 75

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 77

6 ÉTICA CONCORRENCIAL
1
ÉTICA

Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:


• Compreender o conceito de ética em todas as suas nuances filosóficas, bem como diferenciar ética
de moral.
• Compreender a inserção da ética nos diversos campos corporativos, como gestão de pessoas,
publicidade, dentre outros.
• Compreender que da aplicação da ética nos negócios derivam outros conceitos como responsabilidade
social e sustentabilidade.

UNIDADE 1 7
8 ÉTICA CONCORRENCIAL
INTRODUÇÃO
Para iniciarmos os estudos sobre Ética Concorrencial é necessário, acima de tudo,
definirmos Ética e Concorrência, pois, somente a partir da compreensão de tais
conceitos de forma clara, será possível falarmos a respeito deles e entender de
que modo a ética deve ser praticada nas relações concorrenciais.

A Ética pode ser amplamente entendida como sendo a explicitação teórica do


fundamento último do agir humano na busca do bem comum e da realização
individual.

Já a Concorrência pode ser entendida, de maneira geral, como a disputa


entre produtores de um mesmo bem ou serviço com vistas a angariar a maior
parcela do mercado possível.

Passaremos, a seguir, a uma conceituação mais profunda da ética e da


concorrência.

CONCEITUANDO ÉTICA
Sob o ponto de vista filosófico, a Ética pode ser considerada como a ciência
que estuda os valores e princípios morais de uma determinada sociedade.

Luciano Zajdsznajder classifica a Ética a partir de seis elementos, quais


sejam:

“1. um conjunto de normas codificadas ou não sobre como devem se


conduzir as pessoas e as instituições nas diversas situações que Saiba mais
se apresentam na vida, servindo para distinguir o que é um bom ou A palavra Ética deriva do grego ethos,
que significa caráter ou hábito e também
um mau comportamento e estabelecendo de algum modo o que morada, e, quando foi traduzida pelos
seria um comportamento correto ou ideal; romanos, também ganhou a expressão
mores, que significa costumes.
2. um conjunto de ideias acerca de como deve ser conduzida a vida
humana para que seja considerada boa ou feliz;

3. a maneira como as pessoas e instituições comportam-se realmente


na prática;

4. a reflexão e o raciocínio que ocorrem quando se tomam decisões


ou se resolve agir, segundo o que é correto ou incorreto, no sentido
de bom ou mau;
5. os sentimentos das pessoas diante de seus próprios comportamentos
ou de outros, como vergonha, remorso, piedade, orgulho;

6. as reflexões sobre a origem das normas, o seu fundamento, a sua


justificativa.”

Desse modo, podemos dizer que a Ética se faz presente quando todos esses
seis elementos se apresentam de forma integrada, seja em aspectos pessoais
ou, até mesmo, para qualificar a condução de certas corporações em suas
atuações mercadológicas.

UNIDADE 1 9
Cada grupo social possui o seu sistema moral baseado em sua própria história,
em sua própria tradição, o que denota uma série de valores que cada um
desses grupos elegeu como importantes, o que não significa que, se algo é
importante para um grupo, será, necessariamente, importante também para
outro grupo.

Nesse sentido, a distinção entre Ética e Moral assume grande importância.

A Moral consiste num sistema de normas, valores e princípios, ou seja, num


conjunto de padrões de conduta, preceitos, comandos, proibições e ideais de
vida construídos por uma sociedade numa determinada época, e que rege as
relações entre os indivíduos que integram esta sociedade, ou entre estes e a
própria sociedade. Tais normas, valores e princípios não possuem natureza
coercitiva, sendo acatadas livremente pelos indivíduos.

A Ética, por sua vez, é a Ciência que estuda as relações entre o indivíduo e o
contexto social no qual ele se insere e, deste modo, procura enunciar e explicar
as regras sobre as quais se fundamenta a ação humana.

Enquanto a Moral é constituída exclusivamente dos valores assimilados por


uma determinada sociedade, os quais podem ter como fundamento, inclusive,
uma tradição religiosa, a Ética vai além ao atribuir a esses valores um caráter
normativo, capaz de impor a obediência a eles.

A Ética é eminentemente teórica e reflexiva, enquanto a Moral é prática.


Em um mundo hipotético, podemos imaginar que o ideal seria a interseção
“A Ética é teórica e reflexiva
enquanto a Moral é prática.” entre ambas, de modo que, antes da criação de uma determinada tradição,
de um certo costume, fosse realizada uma grande reflexão e adequação das
crenças e tradições ao tempo e espaço.

Vale a pena destacar que as normas morais possuem um sentido mais amplo
do que as normas éticas e não haverá, necessariamente, um correspondente
específico de uma na outra.

As normas morais possuem algumas características próprias, as quais podemos


Exemplo não encontrar, obrigatoriamente, de forma correlata na Ética.
Aquele que se embriaga até o ponto de
dormir numa calçada por não conseguir As normas morais são regras de convivência social e visam ao esclarecimento
ir para casa sozinho será visto por muitos daquilo que deve ou não ser feito; possuem valor por si mesmas e não sofrem
como alguém sem moral; se esse mesmo
indivíduo tomar a direção de um veículo, afetação do exterior; e sua validade é universal, sendo independentes de
ultrapassar um sinal vermelho e atropelar prêmios ou penalizações.
um pedestre que atravessava a rua, poderá
sofrer a aplicação de sanções criminais,
civis e administrativas estabelecidas No concernente às normas éticas, estas poderão ser inspiradas em normas morais,
em lei. passando a adquirir caráter de obrigatoriedade e, eventualmente, com respaldo
em algum tipo de sanção.

Quando um indivíduo assume determinado papel na sociedade, dependendo


“Em virtude do caráter da natureza deste papel, deverá obedecer às regras constituídas em torno de
subjetivo e social, o conceito sua função. Estas regras, por sua vez, são formalizadas por meio de eleição
de Ética se modifica com o
de preceitos morais à categoria de necessários ao caráter daquele que a
passar dos tempos.”
desempenha, tornando-se princípios ou requisitos éticos de conduta.

10 ÉTICA CONCORRENCIAL
ÉTICA NA FILOSOFIA –
CORRENTES DE PENSAMENTO
Muitos pensadores, durante toda a história da Filosofia e demais disciplinas
congêneres, preocuparam-se em estabelecer correntes de pensamento que
pudessem servir de base tanto ao estudo acadêmico quanto à estruturação
pragmática de condutas éticas.

Essas correntes de pensamento, apesar da necessidade de considerá-las no


âmbito de seu contexto histórico, certamente nos são muito úteis em pelo
menos dois aspectos. Num primeiro momento, servem-nos como material de
estudo no concernente à evolução do pensamento filosófico e pragmático,
e no tocante às questões morais e éticas; numa segunda etapa, sugerem
protocolos de pensamento capazes de nos permitir a solução de problemas
morais e éticos numa dada sociedade.

Ressalte-se que o objetivo do presente estudo não é o de detalhar essas


correntes de pensamento, mas, sim, analisarmos sua importância para o Atenção
conceito de Ética Concorrencial. É impor tante avaliar cada uma das
correntes de pensamento não de forma
isolada, mas, sim, dentro de seu contexto
• Ética Naturalista – o pensamento naturalista pressupõe que todas as histórico e social.
normas tenham origem na própria natureza, a qual fornece os valores e
os critérios que regulam as ações humanas;

• Ética Aristotélica – para Aristóteles, o estudo da Ética deve partir de uma


concepção política de Homem, o qual deve ser considerado no âmbito
de uma sociedade concreta, sob o controle de determinadas formas de
governo. Para esta corrente, a felicidade somente poderia ser alcançada
por meio da virtude;

• Utilitarismo – corrente imediatista e pragmática. Seus adeptos entendem


que o maior valor ético é a busca do maior bem possível para um número
maior de pessoas. O seu foco está concentrado na ação;

• Corrente Kantiana – essa corrente idealiza os conceitos de vontade e


dever. Kant entende que tanto a virtude quanto a vontade devam ser
fundamentadas de acordo com o conceito de dever, no sentido de conceber
uma Ética formal, cuja ação moral possa ser universalizável;

• Contratualismo – corrente originada da filosofia grega. Para esta doutrina,


o Estado formou-se por meio de contratos entre os cidadãos, ou entre
eles e o soberano, procurando a valorização da liberdade individual.
Os seres humanos devem assumir entre si a obrigação de comportamento
mútuo, conforme regras morais, visando à convivência em sociedade;

UNIDADE 1 11
• Relativismo – para esta polêmica corrente, as verdades absolutas não
existem. No concernente à Ética, cada pessoa teria o direito de reconhecer
o que seria ou não ético, sendo que o que é ético para um pode não sê-lo
para outro.

ÉTICA NOS NEGÓCIOS


É comum entendermos que, no mundo capitalista e altamente competitivo em
que vivemos, e independentemente do mercado específico em que se atue, a
importância da Ética seja mitigada. Não por acaso, a expressão capitalismo
selvagem é frequentemente utilizada como sinônimo de “capitalismo” e,
para se referir, consequentemente, às relações comerciais dele derivadas,
como verdadeiros exemplos de situações em que a “sobrevivência” deve ser
conquistada a qualquer custo; nesse caso, “sobrevivência”, significando, na
realidade, a representação da obtenção de lucro.

Tal expressão tornou-se de uso comum, na medida em que, em prol da obtenção


do lucro e da necessidade de superar seus concorrentes, por muito tempo, algumas
corporações atuavam de maneira totalmente dissociada da Ética, e esse binômio
deveria ser atingido a qualquer custo, personificando a famosa expressão de
Maquiavel, segundo a qual: “Os fins justificam os meios”.

Nessa linha, expedientes como comercializar produtos falsificados ou de


qualidade duvidosa, vender bens fabricados com mão de obra infantil, escrava
ou em situação análoga à da escravidão, subornar autoridades governamentais,
dentre outros, eram, infelizmente, práticas comumente adotadas, e, até
mesmo, consideradas necessárias para a “sobrevivência” no mercado.

É certo que ainda nos deparamos, na imprensa, com diversas notícias que
ilustram práticas de mercado dissociadas da Ética.

Exemplo: Em agosto de 2011, a Zara, uma das marcas de roupas do grupo


espanhol Inditex, foi denunciada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT)
por suposto uso de mão de obra escrava em oficinas de costura terceirizadas.
As investigações iniciadas em maio daquele ano levaram os fiscais a duas
casas na periferia de São Paulo, onde 16 bolivianos recebiam R$ 2,00 por peça
produzida, num ambiente insalubre e sem mínimas condições de trabalho,
segundo o MPT (Fonte: http://www.portaldepaulinia.com.br/destaques/noticias-
em-destaque/12281-zara-e-acusada-de-usar-mao-de-obra-escrava.html).

Contudo, é inegável o fortalecimento de um movimento de Ética nos negócios


corporativos o qual se revela por meio de conceitos e práticas como o
desenvolvimento sustentável, a preocupação com a qualidade do atendimento
prestado ou do bem fornecido ao consumidor e a adoção de medidas voltadas
para a responsabilidade social.

12 ÉTICA CONCORRENCIAL
Responsabilidade Social “O objetivo da Ética é
promover o bem comum por
O objetivo da Ética é promover o bem comum por meio da reflexão a respeito meio da reflexão a respeito
dos valores que norteiam as escolhas das condutas consideradas corretas. dos valores que norteiam
Identificados, estes valores passarão a compor a base das condutas exigidas as escolhas das condutas
do indivíduo ou da organização em determinadas relações, no sentido de consideradas corretas.”
norteá-las, com a finalidade de não prejudicar ninguém, não deixar que
ninguém o(a) prejudique e não se prejudicar.

Toda essa bela conceituação de base filosófica se transforma quando


nos deparamos com o mundo dos negócios, que detém particularidades
que tornam difícil a forma de conceber relações sem prejuízos, haja vista
a grande variedade de interesses em jogo. Esta dificuldade de conceber
relações sadias é ainda mais acirrada quando os interesses recaem no
dinheiro e no poder.

Visando estabelecer parâmetros para a fundamentação da Ética no mundo


dos negócios, valemo-nos do modelo de ética nos negócios apresentado por
Roberto Patrus M. Pena, composto por três dimensões: a responsabilidade,
a convicção e a virtude.

• dimensão da responsabilidade – a prevenção, pela empresa, dos possíveis


resultados de suas ações, pois toda organização acaba afetando pessoas
ou grupos sociais. Esta dimensão encontra amparo na relação existente
entre as esferas econômica/social/ambiental da sustentabilidade do mundo
em que vivemos;

• dimensão da convicção – a adoção, pela empresa, de valores de


humanidade que, de alguma forma, possam limitar a busca dos resultados.
É natural que uma empresa se preocupe com os resultados, mas deve saber
o que não deve ser feito para realizá-los. Trata-se do estabelecimento de
limites à ambição imoderada da empresa ou da organização da sociedade
civil; e

• dimensão da virtude – a disposição firme, consciente e constante para Importante


a prática do bem: a decisão de fazer a coisa certa em cada processo O conceito de Ética nos negócios possui
estreito relacionamento com o conceito de
decisório. responsabilidade civil das organizações.
Nesse contexto, a Ética se verifica na
Ser ético, portanto, é preocupar-se, também com o coletivo, o que deve ser o tomada de decisões de gestão, tendo como
alicerce os princípios morais estabelecidos
princípio de toda e qualquer organização, haja vista que os avanços tecnológicos numa determinada sociedade.
e a busca do lucro têm afastado algumas empresas da responsabilidade social.
A empresa socialmente responsável traz mais valores para si, criando diferenciais
positivos em relação às concorrentes, o que pode ser visto, também, como
uma forma indireta de obtenção de lucro.

Os problemas surgem quando as organizações possuem interesses diversos dos


interesses da sociedade, principalmente pelo fato de buscarem atingir benefícios “A Responsabilidade Social
a qualquer preço, independentemente das consequências. É neste momento corporativa também é
que o Estado surge como mantenedor da ordem e impositor dos limites. conhecida como Cidadania
Empresarial e corresponde a
Ocorre que o legislador não consegue prever todas as situações nas quais um compromisso permanente
deve intervir, razão pela qual muitas empresas optam por criar Códigos das organizações com um
de Ética, exigindo a observância de seu conteúdo por seus empregados, e comportamento ético e
ainda, em alguns casos, tornando obrigatória a observância de seu teor por com um desenvolvimento
econômico que promova
seus parceiros e fornecedores, sob pena de que estes não sejam solicitados
também a qualidade de vida
a fornecer bens e a prestar serviços para aquela organização no caso de
da sociedade como um todo.”
descumprirem as premissas ali estabelecidas.

UNIDADE 1 13
A importância da Ética Corporativa não reside apenas no fato de se
estabelecer uma espécie de conexão social, visando à aprovação popular e,
consequentemente, respeitabilidade e lucro.

Na verdade, esse medidor e norteador de condutas serve, também, como


estabilizador de comportamentos, pois a mínima infração ética de uma
empresa pode ser desastrosa no mundo corporativo, o que faz dos códigos
de Ética, hoje, um importante instrumento de competitividade.

Sustentabilidade
O conceito de sustentabilidade veio para ficar nos mais diversos mercados
existentes.

Geralmente, associamos a sustentabilidade somente a questões ambientais,


sem termos noção de sua amplitude. Na verdade, o conceito de sustentabilidade
começou a ser utilizado na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio
Ambiente Humano realizada em Estocolmo no ano de 1972.

O conceito de sustentabilidade passou a ser internacionalmente reconhecido


por meio do relatório da Comissão Mundial para o Meio Ambiente e
Desenvolvimento das Nações Unidas, conhecido como Comissão Brundtland, e
intitulado “Nosso futuro comum”, publicado em 1987. A Comissão, presidida
pela então Primeira-Ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, definiu o
desenvolvimento sustentável como sendo “aquele que atende as necessidades
do presente sem comprometer as possibilidades de gerações futuras atenderem
suas próprias necessidades”.

A ECO-92, realizada no Rio de Janeiro, consolidou o conceito de desenvolvimento


sustentável como aquele em que representa a busca de um desenvolvimento
que atenda às necessidades atuais e que não prive as futuras gerações de
“A sustentabilidade não se terem condições de atenderem às suas necessidades.
limita a questões ambientais.
Sua abrangência engloba, Vale destacar os quatro pilares inerentes à sustentabilidade:
principalmente, o cumprimento
de todas as normas e leis além 1. ecologicamente correto;
da prática de fazer negócios 2. economicamente viável;
pautados pela ética.” 3. socialmente justo;
4. culturalmente diverso.

Assim, a sustentabilidade abrange a herança da natureza que transmitimos


para as próximas gerações, as realizações econômicas e as instituições sociais.
Além disso, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação,
a Ciência e a Cultura (Unesco), “a afirmação das culturas, assim como o
conjunto das políticas que foram postas em prática para seu reconhecimento
e viabilidade, constitui um fator essencial no desenvolvimento sustentável
das cidades e territórios no plano humano, econômico, político e social”.
O desenvolvimento sustentável, portanto, funda-se em cada um dos pilares
– ecológico, econômico, social e cultural.

Atendimento ao Consumidor
Não podemos conceber uma atuação profissional séria, seja em que ramo for,
se não empregarmos a Ética no atendimento ao consumidor.

O consumidor não quer se sentir enganado ou lesado, e, naturalmente, o


correto atendimento é fundamental para assegurar a satisfação do cliente e,
em especial, sua fidelização.

14 ÉTICA CONCORRENCIAL
Dificilmente iremos conseguir vislumbrar a existência de qualquer relação de
consumo sem o envolvimento da propaganda ou do marketing.

Na verdade, entendemos que grande parcela do sucesso de qualquer


negócio reside nas estratégias de propaganda utilizadas pelas empresas.
Contudo, é necessário salientar que tais estratégias serão ineficazes se
consideradas isoladamente quanto aos princípios éticos que norteiam as
relações negociais.
Antes de discutirmos a essencialidade da inter-relação entre essas estratégias
e a Ética, algumas definições devem ficar claras:

• marketing – as estratégias de marketing envolvem todo o conhecimento


e informação referentes ao mercado em que a empresa atua, no sentido
de atender às necessidades de seus clientes, de forma a estabelecer
competitividade no respectivo segmento. Desta forma, abarcam, por
exemplo, as pesquisas de mercado, pelas quais se obterão dados a respeito
dos interesses do consumidor, de sua relação com o produto, dentre outros.
Na maioria das vezes, essas estratégias são estabelecidas antes mesmo
do lançamento do produto ou serviço, objetivando avaliar a expectativa
e receptividade do consumidor;

• propaganda – trata-se de um dos instrumentos do marketing. É a


materialização das informações obtidas a respeito das necessidades e
dos anseios dos consumidores, em sintonia com os objetivos da empresa.
É a propagação das ideias da empresa no mercado, pelos diversos meios
de comunicação existentes. Atém-se à promoção da adesão a determinado
sistema ideológico; e

• publicidade – decorre do conceito de propaganda, mas com finalidade


persuasiva e objetivo comercial bem delineado. É a arte de despertar no
público o desejo pelo produto ou serviço, com o fim de levá-lo à ação – em
suma, à sua aquisição. Envolve um conjunto de técnicas com o objetivo
de promover o lucro de uma atividade comercial.

Não faz muito tempo que as empresas passaram a se preocupar não somente
com as estratégias de marketing, de propaganda ou de publicidade, mas
também com o impacto causado por essas ações na sociedade.

Exemplo disso é que, com o tempo, após a descoberta dos malefícios causados
pelo tabagismo, vários países, inclusive o Brasil, proibiram a veiculação de
publicidade de cigarros, charutos, cachimbos e assemelhados.

Além disso, tornou-se comum a recusa de artistas, atletas e outras pessoas


públicas a participar de peças publicitárias envolvendo fumo ou bebidas
alcoólicas, a despeito dos convidativos cachês.

Alguns se recusam por razões pessoais, evitando vincular seus nomes a


determinadas marcas ou determinados produtos; outros, contudo, recusam-se,
por razões éticas, tendo a consciência de que são formadores de opinião, e
temendo serem os responsáveis pela disseminação do hábito de fumar e de
consumir bebidas alcóolicas, principalmente entre os adolescentes.

Obviamente, por se tratarem de técnicas muito incisivas no que concerne


ao convencimento do consumidor, não há como descartar, atualmente, a
necessidade de uma avaliação ética dos meios publicitários e afins, principalmente
no que diz respeito às atividades de cunho técnico-profissionais.

UNIDADE 1 15
As profissões que requerem um mais profundo conhecimento técnico,
normalmente inacessível ao público em geral, demandam extremo cuidado
no que respeita à veiculação de peças publicitárias, haja vista que estas
podem, mais facilmente, propagar ideias equivocadas ou inverídicas ou gerar
expectativas falsas ou desproporcionais no consumidor, induzindo-o em erro.
Não bastasse isto, há que se controlar a concorrência entre esses profissionais,
evitando-se que o poder econômico de alguns induza o seu prevalecimento
sobre os demais.

Por exemplo, o Código de Ética dos Advogados, bem como o estatuto da OAB,
proíbem a veiculação indiscriminada dos serviços advocatícios. A publicidade de
tais serviços, nesse caso, deve ser discreta e apenas informativa, impedindo-se
a utilização de técnicas que possam induzir o público.

O próprio mercado de seguros, naturalmente, tem normas para controlar a


publicidade de forma adequada. Como exemplo, podemos citar a Resolução
CNSP 201/08, que dispõe sobre as regras de funcionamento e critérios para
operação das coberturas por morte e invalidez oferecidas em planos de
Previdência Complementar Aberta.

Essa Resolução, em seu art. 50, estabelece que as restrições aos direitos dos
participantes deverão ser informadas com destaque, em linguagem de fácil
compreensão, e permitindo seu imediato e amplo entendimento.

As atividades técnico-profissionais, sejam quais forem os seus campos de


atuação, independentemente da imposição de um Código de Ética, estão
intrinsecamente relacionadas à responsabilidade ética, pois, entre outras coisas,
estão fundamentadas em formação acadêmica, devendo trazer em seu bojo
todos os encargos morais.

Diante disso, não há necessidade da descrição típica da infração ética para


que haja punição pelo órgão superior, bastando a infração do princípio ético
para que o autor seja responsabilizado.

Não é vedada ao corretor de seguros a utilização da propaganda, desde que


pautada por princípios ético-profissionais. Como qualquer outro profissional,
o corretor de seguros irá se deparar com a concorrência, podendo atuar num
embate salutar.

Nesse sentido, o corretor de seguros deve estar ciente de que a propaganda ou


a publicidade podem lhe trazer clientes, mas, certamente, não serão elas que
irão mantê-los. A preservação de sua carteira de clientes estará diretamente
relacionada à sua postura e ao seu comprometimento. As promoções e
descontos têm a sua importância, mas, hoje em dia, depender do produto ou
serviço que busca, a clientela séria aspira a diferenciais como confiabilidade
e qualidade de atendimento, colocando o custo em segundo plano. Não é
por acaso que as empresas, há algum tempo, têm se preocupado com a
satisfação do cliente em todos os aspectos, principalmente no que concerne
ao atendimento.

O Código de Defesa do Consumidor, criado em 1990, é um bom exemplo


da normatização da Ética nas relações comerciais. Os artigos 36, 37 e 39 do
referido código, por exemplo, estabelecem os critérios para uma publicidade
Importante e conduta corretas e adequadas:
Com o passar do tempo, a própria legislação
evoluiu no sentido de estabelecer, de “Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o
forma normatizada, conceitos sobre o
atendimento correto ao consumidor. consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal.
(...)”

16 ÉTICA CONCORRENCIAL
“Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.

§ 1o É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de


caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro
modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a
respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades,
origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.

§ 2o É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer


natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição,
se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança,
desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o
consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua
saúde ou segurança.

§ 3o Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por


omissão quando deixar de informar sobre dado essencial do produto
ou serviço.” (n.g.)

“Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre


outras práticas abusivas:

I – condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento


de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites
quantitativos;
II – recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata
medida de suas disponibilidades de estoque, e, ainda, de conformidade
com os usos e costumes;
III – enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer
produto, ou fornecer qualquer serviço;
IV – prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em
vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-
lhe seus produtos ou serviços;
V – exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva;
VI – executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e
autorização expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de
práticas anteriores entre as partes;
VII – repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo
consumidor no exercício de seus direitos;
VIII – colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em
desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes
ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro); (...)” (n.g.)

Ou seja, ainda que de boa-fé, se a publicidade for enganosa ou omissiva,


induzindo o consumidor em erro, estaremos diante de uma ilegalidade.

Exemplo: Em novembro de 2012 a Hyundai CAOA foi advertida pelo CONAR


– Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária – por veicular na
revista Autoesporte propaganda que atribuía ao veículo ix35, da Hyundai, o
prêmio de melhor utilitário esportivo do ano dado pela mencionada revista.
Isto porque o vencedor foi o veículo Sportage, da Kia, já que o ix35 venceu
apenas a enquete feita no site da publicação. O CONAR considerou que a
propaganda era enganosa (Fonte: http://www.novasdodia.com/conar-adverte-
hyundai-caoa-por-propaganda-enganosa/).

UNIDADE 1 17
Outro aspecto que merece destaque diz respeito ao Decreto 6.523/08,
mais conhecido como “Lei do SAC”. Tal decreto foi criado, justamente, para
regulamentar um importante canal de contato entre as empresas e os clientes:
o SAC – Serviço de Atendimento ao Consumidor.

Seu texto estabelece obrigações que podem, perfeitamente, ser enquadradas


no conceito de socialmente justo, senão vejamos:

• as ligações para o SAC devem ser gratuitas;


• o consumidor não pode ter sua ligação finalizada antes de concluído o
atendimento;
• deve sempre ser oferecida ao consumidor a opção de contatar atendimento
pessoal.

A edição do citado decreto representou um importante avanço na busca da


Ética, ou seja, deparamos, sem dúvida, com uma grande preocupação em
relação ao consumidor, de modo a evitar ônus excessivos e sem sentido a ele,
o que, obviamente, representa uma preocupação com a manutenção da ética
no atendimento do consumidor.

ÉTICA E GESTÃO DE PESSOAS


A área de recursos humanos deve ser compreendida como o coração de uma
empresa. Sem desmerecer nenhuma outra área de qualquer corporação, se
não houver uma boa gestão de pessoas, todo o restante da organização
estará comprometido.

Equivoca-se a empresa que ainda insiste em administrar pessoas como


se fossem parte de seus recursos, como meros sujeitos passivos e inertes
da organização. Deve-se, acima de tudo, propor um modelo de atuação
em conjunto com os colaboradores, mediante a conscientização de que
incorporam a própria empresa.

Para tanto, é preciso manter com os funcionários uma relação humanista,


considerando suas necessidades e aspirações.

Apesar da diversidade de atuação das organizações, cada qual com o seu


produto e serviço, é possível assumir um modelo de gestão de pessoas que
seja abrangente.

A Ética no Desempenho Profissional


Em qualquer campo profissional, a competência pode ser vista sob duas
perspectivas: competência técnica e competência política.

Além dos conhecimentos e habilidades para o eficiente desempenho


profissional, isto é, “saber fazer bem” o seu trabalho, há um aspecto ético,
articulado a esta competência.

Não se trata de acrescentar mais um elemento aos já existentes.


Na competência, encontra-se implícita uma preocupação com o dever do
desempenho profissional. É fundamental o domínio do conhecimento e
das técnicas a ser articulado às características dos envolvidos no processo
e do contexto, aliado a uma vontade política e a um querer que determina
intencionalidade.

18 ÉTICA CONCORRENCIAL
Quanto deste aspecto ético pode ser demonstrado na competência profissional
e como ele pode contribuir para uma melhoria da qualidade do trabalho?

Não basta apenas o conhecimento correto de fatos e informações para o


bom desempenho do seu papel profissional. Desenvolver uma atitude crítica
a respeito da prática e dos procedimentos, sobre os meios e os fins de sua
atuação, poderá ajudar o profissional a caminhar mais seguramente na direção
de seus objetivos.

Do ponto de vista da Ética, tal atitude de reflexão crítica corresponde a


investigar se determinados valores estão presentes no comportamento humano
e na sociedade.

As inúmeras decisões tomadas pelos corretores de seguros nos negócios de que


participam determinarão, de maneira significativa, o seu sucesso profissional
e a imagem do mercado de seguros, tanto do ponto de vista ético, quanto
do econômico.

A missão do corretor de seguros, no processo de comercialização, é assessorar


o segurado na identificação, na análise, no diagnóstico e nas recomendações
dos produtos de seguros que atendam às necessidades do consumidor com
a melhor relação entre custo e benefício.

No processo de regulação e liquidação de sinistros, fase importantíssima


para a satisfação de cláusulas contratuais, a missão do corretor de seguros é
a defesa dos interesses dos consumidores de seguros. Para que este objetivo
seja atendido, é fundamental não só a desenvoltura, mas também a assessoria
adequada do corretor de seguros, em especial na orientação quanto ao
preenchimento da proposta, na prestação de informações sobre os riscos
cobertos e excluídos e sobre os limites de cobertura, bem como na orientação
quanto ao preenchimento do aviso de sinistro, instrução e fundamentação
da indenização pleiteada.

Por exercer um papel de intermediação, o corretor de seguros, nesse momento,


precisa dar ao consumidor de seguros informações e orientações que, caso
não estejam pautadas na Ética, poderão, ao contrário, provocar ou agravar
um conflito de interesses entre o consumidor e a seguradora, que poderá
ocorrer durante a fase de liquidação de sinistro.

O sucesso e a reputação profissional do corretor são obtidos não apenas por


meio de sua excelência técnica, mas também de seu espírito de justiça e,
principalmente, da transparência de suas atitudes.

Enquanto a Humanidade existir, ela tem a possibilidade de modificar sua


conduta e imprimir direção diferente às suas ações. Todos os seres humanos
orientam-se por um critério de valor, conferindo, assim, um sentido pessoal
e político às suas vidas.

Tal critério de valor depende da história individual ou coletiva. O valor


individual norteia a busca da própria felicidade, que não será integral se não
se harmonizar com a de todos.

Nos dias atuais, o pensamento ético está sendo abordado com muita
frequência e, para que um ser humano se socialize melhor, precisa ter uma
conduta baseada no respeito à sociedade.

UNIDADE 1 19
Podemos afirmar que, atualmente, Ética significa bem-estar social, e, com o
Importante desenvolvimento das gerações, os hábitos, os costumes, enfim, o modo de
A exigência ética fundamental, hoje,
viver das pessoas muda, e mudam também os conceitos e o novo modelo
consiste em recuperar a possibilidade de
reconstruir relacionamentos de comunhão que se faz da Ética.
de pessoas e comunidades.

O Corretor de Seguros e a Gestão de


Pessoas
Não há dúvidas de que o corretor de seguros deva assumir uma postura de
Atenção consultor, deixando para trás a imagem de mero vendedor de seguros, a qual,
Considera-se que a Ética é o comportamento infelizmente, ainda está arraigada na prática de alguns profissionais.
moral que o cidadão tem em relação à
sociedade e que essa relação, entre os
membros da sociedade, é regulada por Inicialmente, o consultor em seguros deverá definir qual a forma de atuação
lei. Não por acaso, a atividade do corretor que assumirá: autônomo ou empregador, pessoa física ou jurídica.
de seguros é regulada por um conjunto de
leis e normas.
Em quaisquer dessas formas, o consultor deverá ter em mente em que ramos
irá atuar, obrigando-o a definir-se durante a habilitação. Independentemente
de sua escolha, para que assuma uma postura Ética, este profissional deve
ter competência técnica para tal, não sendo ético que se proponha a dar
consultoria em ramo para o qual não esteja apto a atuar.

O cliente, ao procurar os serviços de um consultor em seguros, espera obter


esclarecimentos e não dúvidas.

Quem procura um consultor em seguros o faz porque acredita que está


amparado por alguém que, além de ser capaz de orientá-lo na contratação
do seguro, possa lhe dar respaldo no momento da ocorrência do sinistro.

Quando o consultor em seguros resolve atuar como empregador, a situação


Atenção se torna muito mais delicada, pois acabará, na maioria das ocasiões, como
A r elaç ão s e gur ado -s e gur ador a é
responsável pelas condutas de seus prepostos. Desta forma, num primeiro
extremamente impessoal; o consultor,
por sua vez, a torna mais humana, momento, o consultor deverá cuidar com esmero da contratação de seus
estabelecendo laços de confiança. colaboradores, pois estes irão representá-lo, considerando-se que atuarão
em nome de uma corretora.

Por tais razões, deverá ater-se, em certos momentos, à relação com seus
colaboradores, desde a contratação até a interrupção da colaboração.

O ato da contratação é muito importante, principalmente pelo fato de que


é nesse momento que se pode fazer uma primeira avaliação das aptidões
dos candidatos, com vistas à contratação de um profissional tecnicamente
bem preparado, no sentido não somente de se agregar um bom profissional,
mas também de se evitar o estresse de uma futura dispensa por falta de
competência.

O fato é que poucos gestores de pessoas se preocupam com a avaliação ética


dos candidatos no momento da contratação.

Esquecem-se de que a postura ética é elemento intrínseco da competência


profissional e que a sua ausência poderá provocar graves consequências à
corretora de seguros.

20 ÉTICA CONCORRENCIAL
Em segundo lugar, ainda no concernente à contratação, deverá o candidato
demonstrar deter os conhecimentos técnicos necessários ao desempenho
profissional.

Não seria boa ideia se considerar somente o fato de que possua grande
capacidade de aprendizado, pois isso implicaria a disponibilização de muito
tempo e recursos em treinamento.

O treinamento deve ocorrer, mas no sentido de adaptá-lo ao perfil da empresa


e às inovações, e não de capacitá-lo ao exercício da profissão; isto não impede
que se façam reciclagens periódicas.

A avaliação ética dos colaboradores deve ser periódica. Para se remediarem


falhas funcionais quanto à competência, basta a realização de reciclagem
ou programas de treinamento específicos.

Já o reparo de distorções éticas não se resolve por meio de simples


treinamento, pois requer, muitas vezes, mudanças de paradigmas.
Estes, por sua vez, são formados por estruturas complexas, enraizadas
na personalidade do indivíduo; para alterá-los, requer-se uma profunda
intervenção em conceitos morais adquiridos durante toda a formação
da pessoa. Ocorre que nem sempre a empresa dispõe de tempo e recursos
para tal, devendo, então, analisar a relação entre o custo e benefício de se
manter um funcionário nessa situação.

Não se pode esquecer, também, a possibilidade de a distorção ética já


ter provocado alguma consequência desastrosa. Remediá-la, mantendo o
colaborador nos quadros funcionais, poderá ser interpretado pelo mercado
como aceitação de conduta distorcida pela empresa.

Notícias sobre o desligamento de diretores de grandes empresas por meras


falhas morais não são incomuns, pois os gestores procuram evitar a todo o
custo, que uma conduta funcional negativa isolada seja confundida com o
próprio perfil da organização.

A interrupção do processo de colaboração também é um momento muito


preocupante na gestão de pessoas. Apesar de se tratar de desligamento do
colaborador do quadro funcional, isso não significa que deva ser um momento
traumático para ambas as partes.

Ao se decidir pelo desligamento, o gestor deverá assumir postura ética e,


sem rodeios, avaliar o momento e a forma menos traumática de realizá-la.
A franqueza ainda é a melhor maneira, procurando abordar tecnicamente as
razões pelas quais se tornou tal decisão.

Deve-se considerar que o desligamento, muita vezes, irá implicar grandes


alterações na vida d o colaborador e de seus dependentes, devendo o gestor,
tanto quanto possível, escolher o momento mais propício para se assegurar
de minimizar seus efeitos.

O cumprimento imediato das obrigações trabalhistas, além de ser um dever


legal do empregador, expressa a integridade da organização em materializar
seus princípios éticos.

UNIDADE 1 21
A Ética no Desempenho Profissional do
Corretor de Seguros
A atividade de corretagem e a profissão de corretor de seguros encontram-se
“A ética na gestão de pessoas
reguladas pela Lei 4.594/64, pelo Decreto-Lei 73/66 (artigos 122 a 128), bem
deve estar presente em todos
os momentos: na contratação, como no Código Civil (artigos 722 a 729), além de serem objeto de diversas
nas avaliações e feedbacks e normas regulamentares editadas pelo CNSP – Conselho Nacional de Seguros
no eventual desligamento.” Privados – e pela SUSEP – Superintendência Nacional de Seguros Privados.

É importante destacar que a observância das normas legais e regulamentares


pelo corretor de seguros, pessoa física ou jurídica, é objeto de fiscalização
não apenas pela SUSEP, mas também pelas entidades autorreguladoras de
corretagem de seguros, instituídas pela Resolução CNSP 233/11 (alterada
pela Resolução CNSP 251/12 e objeto de regulamentação pela Circular SUSEP
435/12), que, no art. 3o, deixa claro que o objetivo das citadas entidades, na
condição de auxiliares da SUSEP, é o de “zelar pela observância às normas
jurídicas, em especial pelos direitos dos consumidores, e fomentar a elevação
de padrões éticos dos seus membros associados, bem como as boas práticas
de conduta no relacionamento profissional com segurados, corretores, pessoas
naturais e jurídicas, e sociedades seguradoras, resseguradoras, de capitalização
e entidades abertas de previdência complementar”.

A par disso, o Código de Proteção e Defesa do Consumidor protege os interesses


do consumidor que adquire produto ou serviço sobre o qual não recebeu,
previamente, informação completa e adequada, impondo ao fornecedor de
produtos ou serviços o dever de informação. Na condição de prestador
de serviços, o corretor de seguros, pessoa física ou jurídica, subordina-se aos
preceitos daquele código.

O descumprimento do dever de informar pelo fornecedor é que está na origem


da maior parte dos processos judiciais envolvendo consumidores de seguros,
sociedades seguradoras e corretores de seguros.

Diversos são os motivos que conduzem a isso, entre os quais se insere, por
exemplo, o desconhecimento, pelo consumidor, da abrangência do seguro que
está contratando, dos riscos cobertos e excluídos, dos limites de garantia e, até
mesmo, das condições contratuais do seguro, gerando, inclusive, desconfiança
no momento do recebimento da indenização, em caso de sinistro.

Os corretores precisam ficar atentos a isso com o objetivo de se ajustarem a


essas situações, pois aqueles que não se preocuparem com o aprimoramento
pessoal e profissional, prestando serviços adequados e de qualidade, que
satisfaçam as expectativas dos consumidores, e, o que é fundamental,
pautando-se sempre numa conduta ética, valorizando a atividade e o
reconhecimento de princípios éticos, tendem ao insucesso profissional.

22 ÉTICA CONCORRENCIAL
A relação entre segurado e corretor se baseia na livre escolha, presumindo-se
que o corretor seja de confiança do segurado, isto é, que este elegeu aquele
para intermediar a contratação de um contrato de seguro junto a uma
seguradora.

Sua atividade profissional não se limita a aproximar as partes, cabendo a ele,


também, prestar assistência contínua ao segurado.
Atenção
Seguindo princípios éticos no acompanhamento de concorrências, A imagem do corretor de seguros é o
orçamentos, elaboração de propostas e regulação de sinistros de forma resultado das suas opiniões, decisões e
disciplinada e séria, o corretor se tornará mais confiável, mais atuante, ações. Se guiadas de acordo com a lei,
os regulamentos e a Ética, certamente o
cumprindo sua missão de intermediar o contrato de seguro, instrumento de corretor terá uma boa imagem.
tranquilidade econômico-social, conforme lhe assegura a lei.

UNIDADE 1 23
24 ÉTICA CONCORRENCIAL
2
ÉTICA
CONCORRENCIAL

Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:


• Perceber a aplicação da ética no sistema concorrencial brasileiro e internacional, tendo conhecimento da
legislação brasileira e internacional que versa sobre a matéria.

UNIDADE 2 25
26 ÉTICA CONCORRENCIAL
Na presente unidade, trataremos da Ética aplicada à concorrência mercadológica.

Falaremos sobre o Sistema Concorrencial Brasileiro, bem como sobre legislações


internacionais que versam sobre a necessidade da ética nas operações
corporativas no mundo inteiro.

SISTEMA CONCORRENCIAL
BRASILEIRO
O Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência é disciplinado pela Lei
12.529/12, sendo composto por dois órgãos:

• A Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE), do Ministério da


Fazenda; e

• O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), autarquia federal


vinculada ao Ministério da Justiça.

Podemos dizer que todo o sistema de defesa da concorrência atua baseado


em três pilares:

• ação preventiva – consiste na análise de operações de concentração em


que uma determinada empresa busca adquirir outros concorrentes de seu
mercado (fusões, aquisições e incorporações de empresas) e nas operações
de cooperação econômica, quando concorrentes fazem acordos de parceria
para atuar conjuntamente (denominadas joint ventures);

• ação repressiva – dá-se por meio da investigação e punição de condutas


anticompetitivas. São exemplos de práticas lesivas à concorrência o cartel
e as práticas abusivas de empresas dominantes (acordos de exclusividade,
vendas casadas, preços predatórios etc); e

• ação educativa – dá-se por meio da difusão da cultura da concorrência.


O SBDC promove seminários, palestras, cursos e publicações de relatórios
e matérias em revistas especializadas para difundir a importância da “O sistema brasileiro de defesa
concorrência para a sociedade. da concorrência atua baseado
nos pilares de ação preventiva,
Vamos, agora, discorrer sobre cada um dos principais órgãos que compõem ação repressiva e ação
o SBDC. educativa.”

CADE – Conselho Administrativo de


Defesa Econômica
O CADE é uma autarquia federal brasileira, criada em 1962, que tem como
objetivo orientar, fiscalizar, prevenir e apurar abusos do poder econômico.

Compete ao CADE julgar assuntos de natureza concorrencial encaminhados


pela Secretaria de Acompanhamento Econômico, do Ministério da Fazenda.

UNIDADE 2 27
O papel desempenhado pelo CADE no Brasil é comparável, no exterior, às
seguintes entidades:

• Federal Trade Commission (FTC), nos Estados Unidos;


• Office of Fair Trade (OFT), no Reino Unido; e
• Australian Competition and Consumer Commission (ACCC), na Austrália.

O CADE é composto pelos seguintes órgãos:

• Tribunal Administrativo de Defesa Econômica;


• Superintendência-Geral; e
• Departamento de Estudos Econômicos.

Tribunal Administrativo de Defesa Econômica


O Tribunal Administrativo tem como membros um Presidente e seis
Conselheiros.

Ao Presidente e aos Conselheiros é vedado:


Curiosidade
Seus membros são escolhidos dentre a) receber, a qualquer título, e sob qualquer pretexto, honorários,
cidadãos com mais de 30 anos de idade, percentagens ou custas;
notório saber jurídico ou econômico b) exercer profissão liberal;
e reputação ilibada, indicados pelo
Presidente da República depois de
c) participar, na forma de controlador, diretor, administrador, gerente,
aprovados pelo Senado Federal. preposto ou mandatário, de sociedade civil, comercial ou empresas de
qualquer espécie;
O mandato do Presidente e dos d) manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo
Conselheiros é de quatro anos, não
coincidentes, vedada a recondução, sendo pendente de julgamento, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou
que tais funções requerem dedicação sentenças ou acórdãos de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos,
exclusiva de seus ocupantes. em obras técnicas ou no exercício do magistério; e
Havendo renúncia, morte, impedimento,
e) exercer atividade político-partidária.
falta ou perda de mandato do Presidente
do Tribunal, assumirá o Conselheiro mais Podemos destacar como principais atribuições do Tribunal:
antigo no cargo ou o mais idoso.

a) decidir sobre a existência de infração à ordem econômica e aplicar as


penalidades previstas em lei;
b) decidir os processos administrativos para imposição de sanções
administrativas por infrações à ordem econômica instaurados pela
Superintendência-Geral;
c) ordenar providências para interromper a prática de infrações à ordem
econômica;
d) apreciar os processos administrativos de atos de concentração econômica; e
e) instruir o público sobre as formas de infração à ordem econômica.

Curiosidade
O Superintendente-Geral será escolhido Superintendência-Geral
dentre cidadãos com mais de 30 anos
de idade, notório saber jurídico ou
econômico e reputação ilibada, indicado
A Superintendência-Geral será composta por um Superintendente-Geral e
pelo Presidente da República depois de dois Superintendentes-Adjuntos.
aprovado pelo Senado Federal.
Podemos destacar como principais atribuições da Superintendência-Geral:
O Superintendente-Geral terá mandato de
dois anos, permitida a recondução para
um único período subsequente, aplicando- a) acompanhar, permanentemente, as atividades e práticas comerciais
se as mesmas vedações que se aplicam de pessoas físicas ou jurídicas que detiverem posição dominante em
aos Conselheiros e Presidente do Tribunal
Administrativo de Defesa Econômica. mercado relevante de bens ou serviços para prevenir infrações à ordem
econômica;

28 ÉTICA CONCORRENCIAL
b) promover procedimento preparatório de inquérito administrativo e inquérito
administrativo para apuração de infrações à ordem econômica;
c) instaurar e instruir processo administrativo para imposição de sanções
administrativas por infrações à ordem econômica, procedimento para
apuração de ato de concentração, processo administrativo para análise
do ato de concentração econômica;
d) realizar inspeção na sede, filial ou qualquer escritório de empresa
investigada, de estoques, objetos, assim como livros comerciais,
computadores e arquivos magnéticos;
e) remeter ao Tribunal, para julgamento, os processos administrativos que
instaurar quando entender configurada infração da ordem econômica; e
f) instruir o público sobre as diversas formas de infração à ordem econômica
e os modos de prevenção e repressão.

Departamento de Estudos Econômicos


O Departamento de Estudos Econômicos terá como função a elaboração de
pareceres e estudos econômicos, sendo dirigido por um Economista-Chefe.

O Economista-Chefe será nomeado conjuntamente pelo Superintendente-Geral


e pelo Presidente do Tribunal, entre brasileiros de ilibada reputação e notório
saber econômico, aplicando-se a ele as mesmas vedações dos Conselheiros
do Tribunal.

SEAE – Secretaria de Acompanhamento


Econômico
A SEAE é um órgão vinculado ao Ministério da Fazenda sendo responsável,
especialmente, por:

a) opinar, nos aspectos referentes à promoção da concorrência sobre


propostas de alterações de atos normativos de interesse geral dos
agentes econômicos, de consumidores ou usuários dos serviços
prestados submetidos a consulta pública pelas agências reguladoras e,
quando entender pertinente, sobre os pedidos de revisão de tarifas e as
minutas;

b) opinar, quando considerar pertinente, sobre minutas de atos normativos


elaborados por qualquer entidade pública ou privada submetidos à
consulta pública nos aspectos referentes à promoção da concorrência;

c) opinar, quando considerar pertinente, sobre proposições legislativas em


tramitação no Congresso Nacional, nos aspectos referentes à promoção
da concorrência;

d) elaborar estudos avaliando a situação concorrencial de setores específicos


da economia nacional;

e) elaborar estudos setoriais que sirvam de insumo para a participação do


Ministério da Fazenda na formulação de políticas públicas setoriais; e

f) propor a revisão de leis e regulamentos nas esferas federal, estadual e


municipal, que afetem ou possam afetar a concorrência nos diversos
setores econômicos do Brasil.

UNIDADE 2 29
MODALIDADES DE BURLA À
ÉTICA CONCORRENCIAL
Para ilustrar melhor as hipóteses de ferimento à ética concorrencial, detalhamos
a seguir as modalidades reprimidas pelo SBDC.

Cartel
Podemos definir cartel como sendo um acordo, explícito ou tácito, entre
Exemplo concorrentes de um mesmo mercado, de modo a estabelecerem a fixação
Um exemplo amplamente difundido de preços, cotas de produção, divisão de clientes, de mercados ou, ainda,
de cartéis, no que tange à repartição
de clientes, pode ser encontrado em
quando há acordo para a implementação de ações conjuntas visando eliminar
frequentes notícias mencionando que a concorrência com o consequente aumento de preços.
empreiteiras, ao participarem de licitações
de determinado governo est adual,
A formação de cartéis teve início na Segunda Revolução Industrial, na segunda
combinavam entre si qual licitação
seria vencida e por qual concorrente, metade do século XIX.
de modo que, ao par ticiparem dos
certames, faziam-no de forma combinada: Ao artificialmente limitar a concorrência, os membros de um cartel também
quando fosse certo que um cartelista
ganharia, outro sequer par ticiparia
prejudicam a inovação, impedindo que novos produtos e processos produtivos
da licitação, fazendo com que o maior surjam no mercado. Cartéis resultam em perdas de bem-estar do consumidor
preço fosse o vencedor até pela falta e, a longo prazo, na perda de competitividade da economia como um todo.
de concorrentes e assim sucessivamente.

De acordo com a legislação brasileira, no âmbito administrativo, uma empresa


condenada por prática de cartel poderá pagar multa de 0,1% a 20% de
seu faturamento bruto no ano anterior ao início do processo administrativo
que apurou a prática. Por sua vez, os administradores da empresa direta
ou indiretamente envolvidos com o ilícito podem ser condenados a pagar
uma multa de 1% a 20% daquela aplicada à empresa.

Outras penas acessórias podem ser impostas como, por exemplo, a proibição
de contratar com instituições financeiras oficiais e de parcelar débitos fiscais,
bem como de participar de licitações promovidas pelas administrações
públicas federal, estadual e municipal por prazo não inferior a cinco anos.

Além de infração administrativa, a prática de cartel também configura


crime punível com multa ou prisão de dois a cinco anos em regime de reclusão,
podendo tal pena ser aumentada em até 50% se o crime causar grave dano
à coletividade e for cometido por um servidor público ou se relacionar a bens
ou serviços essenciais para a vida ou para a saúde.

Exemplo: Em setembro de 2012, a Superintendência-Geral do CADE


encaminhou ao Tribunal Administrativo do Conselho sugestão de condenação
de dez redes de postos e de doze administradores das empresas pela
prática de cartel no mercado de revenda de combustíveis de Caxias do
Sul-RS. O processo administrativo que deu origem à recomendação foi
instaurado pela extinta SDE – Secretaria de Direito Econômico – com base
em representação encaminhada pela 3a Vara Cível da Comarca de Caxias do
Sul-RS. A Superintendência-Geral do CADE confirmou os indícios de que os
distribuidores de combustíveis tinham organizado um cartel para fixarem e/ou
uniformizarem preços praticados na revenda de combustíveis. O cartel visava
à elevação das margens de revenda e à eliminação da concorrência, assim
como à imposição de preços excessivos, possibilitados pela uniformização
de condutas comerciais e pela fixação de preços. Com isso, as margens de
revenda do município eram muito superiores àquelas de outras localidades
do estado. A conclusão da Superintendência é que houve infração à ordem

30 ÉTICA CONCORRENCIAL
econômica e que os postos de combustíveis e seus dirigentes adotaram uma
conduta comercial uniforme e concertada. O cartel era dotado de elevado
grau de organização, razão pela qual perdurou, no mínimo, entre os anos
de 2004 e 2006, causando imensos prejuízos aos consumidores finais (fonte:
http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI163726,71043-Cade+analisa+p
ratica+de+cartel+de+combustiveis+no+RS)

Preço Predatório
Atenção
Trata-se de prática verificada quando uma firma reduz o preço de venda Em muitos países, a prática de preços
de seu produto abaixo do seu custo, incorrendo em perdas no curto prazo, predatórios é considerada anticompetitiva
e ilegal sob a ótica das leis antitruste.
objetivando eliminar rivais do mercado ou criar barreiras à entrada de possíveis
competidores para, posteriormente, quando os rivais saírem do mercado, elevar
os preços novamente, obtendo, assim, ganhos no longo prazo.

Dumping
Dumping é uma prática comercial que consiste em uma ou mais empresas
de um país venderem seus produtos, mercadorias ou serviços por preços
extraordinariamente abaixo de seu valor justo para outro país (preço que
geralmente se considera menor do que se cobra pelo produto dentro do
país exportador), por um tempo, visando prejudicar e eliminar os fabricantes
de produtos similares concorrentes no local, passando, então, a dominar o
mercado e impor preços altos.

Truste
Por truste entende-se a formação de um oligopólio, o qual leva à fusão e
incorporação de empresas envolvidas de um mesmo setor de atividades a
abrirem mão de sua independência legal para constituir uma única organização,
com o intuito de dominar determinada oferta de produtos e/ou serviços.

Podemos classificar os trustes em dois tipos:

• trustes verticais – visam controlar de forma sequencial a produção de


determinado produto, desde sua matéria-prima até o produto acabado,
podendo ocorrer entre empresas de mercados distintos.

• trustes horizontais – são constituídos por empresas que trabalham no


mesmo mercado.

Exemplo: Em julho de 2011, o CADE aprovou, por quatro votos a um, a fusão
entre Sadia e a Perdigão, que deu origem à Brasil Foods (BRF), maior produtora
de alimentos processados do país. O relatório do conselheiro Carlos Ragazzo,
apresentado em junho daquele ano, havia defendido o veto à fusão entre a
Sadia e a Perdigão, alegando que a concentração de mercado da BRF geraria
aumento de preços de alimentos e de inflação. Desde então, a BRF e a CADE
fizeram 12 reuniões até chegarem ao acordo aprovado pelo CADE, que previu
a suspensão da venda de produtos da marca Perdigão, entre eles presunto,
pernil, tender, linguiça e paio (três anos), salame (quatro anos), lasanhas,
pizzas e congelados (cinco anos). Além disso, a Batavo terá que suspender
a venda, por quatro anos, de produtos derivados de carnes processadas,
entre eles hambúrgueres e salsicha. A BRF também ficou obrigada a alienar

UNIDADE 2 31
cadeias completas de produção, incluindo dois abatedouros de frangos e
outros dois de suínos. O acordo prevê ainda a proibição de que a BRF lance
novas marcas para substituir aquelas que estão sendo suspensas. De acordo
com o conselheiro Ricardo Ruiz, as alienações equivalem à produção de 730
toneladas/ano de alimentos ou 80% da produção da Perdigão voltada ao
mercado brasileiro. A decisão não afeta as exportações da BRF. Ruiz apontou
que as medidas aplicadas pelo CADE pretendem ser uma vacina contra
concentrações econômicas da BRF em mercados “problemáticos” e visam
dar a oportunidade de entrada de uma terceira empresa com condições de
competir no setor e de ser uma verdadeira concorrente da BRF (Fonte: http://
g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2011/07/brf-e-cade-selam-acordo-
e-fusao-sadia-e-perdigao-e-aprovada.html).

Venda Casada
Trata-se da venda de um produto ou serviço condicionada à aquisição de outro.
É expressamente proibida no Brasil pelo Código de Defesa do Consumidor
(art. 39, I).

Vários exemplos de venda casada estão presentes no nosso dia a dia


(aquisição de um empréstimo bancário condicionada à aquisição de seguro
ou capitalização; consumação mínima em estabelecimentos comerciais etc).

LEGISLAÇÕES INTERNACIONAIS
No mundo inteiro, a preocupação com anticorrupção e, consequentemente,
com a ética nos negócios profissionais é imensa, fazendo com que várias regras
internacionais tenham sido criadas e seguidas em todo o mundo.

A seguir, algumas das principais regras internacionais a esse respeito.

Lei Sarbanes-Oxley
A Lei Sarbanes-Oxley (em inglês, Sarbanes-Oxley Act) foi assinada em 30 de
julho de 2002, elaborada pelo senador Paul Sarbanes e pelo deputado Michael
Oxley, sendo, por conseguinte, usualmente chamada de SOX ou Sarbanes.

O objetivo dessa lei, cuja criação se deu em virtude de alguns escândalos


corporativos sobre maquiagem de demonstrações financeiras, é garantir a
criação de mecanismos de auditoria e segurança confiáveis nas empresas, além
de criar, inclusive, comitês para supervisão de atividades e operações.

Atualmente, grandes empresas com operações financeiras no exterior seguem


a Lei Sarbanes-Oxley. Esta lei também afeta dezenas de empresas brasileiras
que mantêm ADRs (American Depositary Receipts) negociadas na Bolsa de
Nova Iorque.

32 ÉTICA CONCORRENCIAL
“Em dezembro de 2001, o mundo, ainda abalado pelos atentados
terroristas ocorridos em, 11 de setembro, foi surpreendido por outro
evento com proporções globais: a descoberta de manipulações
contábeis em uma das empresas mais conceituadas dos Estados
Unidos: a Enron. Esta descoberta deu início a um efeito dominó, com a
constatação de práticas de manipulação em várias outras empresas, não
só norte-americanas, mas também no restante do mundo, resultando
em uma crise de confiança em níveis inéditos desde a quebra da bolsa
norte-americana em 1929. (...) Gigantes da área de auditoria deram
provas de total ausência de independência com relação aos atos
praticados pelas diretorias das empresas por eles auditadas. A reação
do mercado financeiro foi imediata, as bolsas caíram no mundo
inteiro. Como consequência da decorrente quebra das bolsas mundiais,
houve uma forte evasão dos investimentos estrangeiros no mercado
brasileiro, uma vez que os investidores não só começaram a buscar
oportunidades de investimentos mais seguros, mas também passaram a
necessitar de caixa para cobrir margens de investimentos já existentes.
Neste contexto, uma série de medidas regulatórias foi introduzida ao
longo de 2002, tanto nos Estados Unidos quanto no restante do mundo,
inclusive no Brasil. Entre estas medidas, destaca-se a Lei Sarbanes-Oxley,
de 30 de julho de 2002. O grande objetivo da Lei Sarbanes-Oxley é
restaurar o equilíbrio dos mercados por meio de mecanismos que
assegurem a responsabilidade da alta administração de uma empresa
sobre a confiabilidade da informação por ela fornecida.”
(Vania Maria da Costa Borgerth)

FCPA – Foreign Corrupt Practices Act


Trata-se de uma lei federal dos Estados Unidos que, em português, significa
Ato sobre Práticas de Corrupção no Exterior.

Tal lei foi criada em 1977, no contexto do famoso escândalo de Watergate,


estabelecendo sanções a empregados, administradores e representantes que
pratiquem atos de corrupção no exterior, seja diretamente ou através de suas
subsidiárias.

É muito comum empresas norte-americanas, ou que tenham como acionista


controlador empresas norte-americanas, inserirem em seus contratos cláusulas
que gerem obrigação de cumprimento do FCPA.

O FCPA estabelece as seguintes classes de entes abrangidos pela lei:

• emissores – qualquer empresa, norte-americana ou estrangeira, que tenha


valores mobiliários emitidos;

• domésticos – qualquer cidadão residente nos Estados Unidos e qualquer


empresa que tenha sede nos Estados Unidos; e

• qualquer pessoa – qualquer pessoa ou empresa.

Tal legislação estabelece diversos critérios e condutas para evitar subornos e


demais práticas corruptas sempre com foco em evitar pagamento a funcionários
públicos estrangeiros com o propósito de obter ou manter negócios para um
ou com, ou direcionar negócios para qualquer pessoa.

UNIDADE 2 33
Convenção Interamericana Contra a
Corrupção
Foi uma das primeiras normas internacionais sobre o tema.

Tal convenção foi ratificada no Brasil pelo Decreto Legislativo 152/02 e


promulgada pelo Decreto Presidencial 4.410/02.

Ela estabelece os seguintes atos de corrupção:

• a solicitação ou a aceitação, direta ou indiretamente, por um funcionário


público ou pessoa que exerça funções públicas, de qualquer objeto
de valor pecuniário ou de outros benefícios como dádivas, favores,
promessas ou vantagens para si mesmo ou para outra pessoa ou entidade
em troca da realização ou omissão de qualquer ato no exercício de suas
funções públicas;

• a oferta ou outorga, direta ou indiretamente, a um funcionário público


ou pessoa que exerça funções públicas, de qualquer objeto de valor
pecuniário ou de outros benefícios como dádivas, favores, promessas
ou vantagens a esse funcionário público ou outra pessoa ou entidade
em troca da realização ou omissão de qualquer ato no exercício de suas
funções públicas;

• a realização, por parte de um funcionário público ou pessoa que exerça


funções públicas, de qualquer ato ou omissão no exercício de suas
funções, a fim de obter ilicitamente benefícios para si mesmo ou para
um terceiro;

• o aproveitamento doloso ou a ocultação de bens provenientes de qualquer


dos atos a que se refere este artigo; e

• a participação, como autor, coautor, instigador, cúmplice, acobertador


ou mediante qualquer outro modo na perpetração, na tentativa de
perpetração ou na associação ou confabulação para perpetrar qualquer
dos atos a que se refere este artigo.

Convenção das Nações Unidas Contra a


Corrupção
Trata-se de convenção celebrada em 2003 em cujo preâmbulo, na exposição
de motivos que levaram à sua assinatura, há a menção expressa com a
preocupação de a corrupção enfraquecer diversos valores da sociedade, entre
eles a ética.

Essa convenção tem as seguintes finalidades:

• promover e fortalecer as medidas para prevenir e combater mais eficaz e


eficientemente a corrupção;

• promover, facilitar e apoiar a cooperação internacional e a assistência


técnica na prevenção e na luta contra a corrupção, incluída a recuperação
de ativos; e

• promover a integridade, a obrigação de render contas e a devida gestão


dos assuntos e dos bens públicos.

34 ÉTICA CONCORRENCIAL
Fica a cargo dos países que aderirem à convenção estabelecer políticas
de combate à corrupção.

A convenção estabelece, ainda, princípios inerentes a contratações com


órgãos públicos, código de conduta de servidores públicos, bem como as
instituições do Poder Judiciário e do Ministério Público devem atuar de forma
independente.

Outro ponto a se destacar é a preocupação na adoção de medidas relacionadas


à prevenção e repressão à lavagem de dinheiro, estabelecendo, inclusive, a
cooperação entre países membros para a repressão a esse tipo de ilícito.

De forma similar ao FCPA, a convenção estabelece que cada país membro


deverá adotar medidas contra subornos a servidores públicos.

No Brasil, a convenção foi ratificada pelo Decreto Legislativo 348/05 e


promulgada pelo Decreto Presidencial 5.687/06.

Convenção sobre o Combate da Corrupção


de Funcionários Públicos Estrangeiros em
Transações Comerciais Internacionais
Tal convenção foi promulgada pela OCDE – Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico –, que agrupa os países mais industrializados
do mundo, visando disciplinar o relacionamento de funcionários públicos em
transações comerciais internacionais.

É estabelecido, claramente, que constitui crime o pagamento, o oferecimento,


a promessa ou a doação de qualquer valor ou vantagem a funcionário público,
bem como a vedação a práticas de “caixa dois”.

Os países signatários deverão estabelecer que o crime de corrupção praticado


por funcionário público é passível de extradição.

A Controladoria-Geral da União estabelece as seguintes recomendações às


empresas privadas para cumprimento da convenção:

1. Aderir a Códigos de Melhores Práticas Corporativas


São recomendações de aplicação voluntária para melhorar a governabilidade
corporativa das empresas nacionais. Essas recomendações pretendem
melhorar o funcionamento do conselho administrativo das empresas,
assim como aperfeiçoar a comunicação das informações das empresas
aos acionistas. Para tanto:
• deve ser feita uma ampliação da divulgação das informações relativas
à estrutura administrativa e ao funcionamento de órgãos de controle
interno da empresa;

• é necessário contar com mecanismos que garantam a qualidade da


informação financeira;

• é necessário utilizar processos que promovam a participação e a


comunicação entre os conselhos administrativos e proporcionem uma
adequada divulgação de informações aos acionistas das empresas; e

UNIDADE 2 35
• é necessário preparar e divulgar informações em conformidade com
as normas contábeis e com os requisitos de divulgação de dados
financeiros e não financeiros.

2. Incentivar o desenvolvimento de Controles Internos


• as empresas devem incentivar o desenvolvimento e a adoção de
controles internos, incluindo padrões de conduta;

• deve-se estimular os dirigentes das empresas a declarar em relatórios


anuais os mecanismos de controle interno, incluindo aqueles que
contribuem para prevenir o suborno;

• deve-se incentivar a criação de órgãos de supervisão, independentes


dos responsáveis pelo gerenciamento, como os comitês de auditoria
das mesas diretoras e das mesas supervisoras; e

• deve-se estimular as empresas a oferecer canais de comunicação e


proteção para as pessoas que não desejam violar os padrões éticos ou
profissionais sob instrução ou pressão de superiores hierárquicos.

3. Oferecer cursos e seminários sobre temas ligados à corrupção


As empresas podem divulgar dados relevantes sobre a Convenção da
OCDE durante os cursos de capacitação de pessoal. Isso familiarizará os
empregados sobre as regras que entraram em vigor a partir da vigência
do tratado, a fim de que todos possam conhecer os impedimentos e suas
consequências. Durante os seminários, as empresas ainda devem estimular
que seus empregados denunciem aos órgãos competentes os casos de
corrupção de que tiverem conhecimento.

4. Executar programas de integridade centrados em códigos de conduta


As empresas deverão informar seus empregados sobre as regras e os
procedimentos da empresa e as possíveis sanções disciplinares em caso
de descumprimento. Para evitar o cometimento de más condutas, as
empresas poderão estabelecer o seguinte programa de integridade:

• contar com o compromisso da direção – nenhuma política ou


mecanismo estabelecido para melhorar o funcionamento da empresa
funcionará sem o compromisso total da alta direção;

• formar um comitê promotor da integridade – o comitê será


encarregado de conduzir todo o processo de preparação do programa
de integridade e elaborar o código de conduta da empresa;

• o comitê deve ser o mais representativo possível, com a finalidade de


integrar distintas opiniões e pontos de vistas;

• assegurar o sistema de controle interno – as empresas devem contar


com políticas contábeis claras e precisas que proíbam o “caixa dois”
e garantam a identificação de transações ilícitas. O uso de registros
precisos oferece uma base para detectar pagamentos ilícitos;

• definir a missão e os valores do grupo da empresa – antes de iniciar


o trabalho de definição dos valores e missão do grupo (caso não
existam), o comitê promotor da integridade deve preparar uma breve
justificativa que explique o que é o código de conduta, as razões que
tem a organização para elaborá-lo e a importância que tem o código
para o grupo;

36 ÉTICA CONCORRENCIAL
• redigir o código de conduta – todas as disposições que devem ser
incluídas em um código de conduta estão naturalmente relacionadas
aos objetivos e finalidades do grupo. Cada organização encontrará
atividades distintas que desejarão promover, assim como condutas que
desejarão evitar de acordo com suas prioridades;

• implementar um programa de comunicação permanente – é


imprescindível a existência de mecanismos que permitam a comunicação
constante entre os órgãos de controle interno e a alta direção das
empresas;

• estabelecer mecanismos para acompanhamento do cumprimento


do código de conduta – o comitê promotor da integridade deverá
acompanhar o cumprimento do código de conduta; e

• ele ficará responsável por responder às dúvidas que surgirem a respeito


da conduta dos empregados, além de receber queixas ou denúncias.
A simples existência do código não garante a sua efetiva aplicação; por
isso, é necessário criar mecanismos para garantir seu cumprimento.

5. Garantir que as pessoas que integram suas estruturas conheçam as


leis a que estão vinculadas

Para isso, as empresas podem se comprometer a implantar procedimentos


internos de divulgação, orientação e respostas a consultas sobre os
dispositivos que tratam de:

• corrupção ativa de atividades brasileiras e estrangeiras;


• corrupção passiva;
• concussão;
• improbidade administrativa;
• fraude em concorrência pública;
• crimes contra a ordem econômica e tributária; e
• limites e formas das contribuições a campanhas eleitorais.

CÓDIGO DE ÉTICA DO CORRETOR


O Código de Ética dos Corretores foi elaborado pela FENACOR – Federação
Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização,
de Previdência Privada, das Empresas Corretoras de Seguros e Resseguros –
em fevereiro de 2008.

Sua importância para o mercado segurador é indiscutível; tanto que o CNSP


– Conselho Nacional de Seguros Privados –, entidade máxima regulatória do “O código de ética dos
corretores foi elaborado pela
mercado segurador, expressamente reconheceu sua validade e aplicabilidade
FENACOR e referendado
através do Ato CNSP 11, de abril de 2008. pelo CNSP.”

A necessidade de um Código de Ética para a categoria dos corretores de


seguros já era antiga e remontava à década de 1960, quando, na promulgação
do Decreto 60.459/67, que regulamentou o Decreto-Lei 73/66, principal lei
do sistema de seguros privados do Brasil, foi estabelecida, em seu art. 119, a
necessidade da criação de organismos sindicais para o mercado de corretores,
bem como a necessidade da criação de seus respectivos códigos de ética.

UNIDADE 2 37
O Código de Ética estabelece como obrigações dos corretores:

I. orientar e assessorar os seus clientes, de forma transparente, para a


adequada proteção e cobertura dos seus riscos pessoais e patrimoniais,
formulando suas propostas, baseando-se no estudo dos riscos, dentro das
normas técnicas, informando-lhes aqueles excluídos e prestando-lhes todos
os esclarecimentos que possam, obter-se resultado útil na intermediação;

II. representar o cliente junto às sociedades seguradoras e resseguradoras,


sociedades de capitalização, entidades abertas de previdência
complementar e operadoras de planos de saúde, na defesa intransigente
de seus interesses;

III. fornecer às sociedades listadas no inciso II as informações precisas e


verdadeiras para que a avaliação, tarifação e aceitação dos riscos se
realizem adequadamente;

IV. colaborar com as sociedades listadas no inciso II, em caso de ocorrência de


sinistros, objetivando uma rápida tramitação do processo de regulação,
da justa indenização, prestando sempre a assistência adequada aos
segurados e beneficiários;

V. agir sempre com dignidade e lealdade, não fornecendo informações


enganosas ou improcedentes sobre as suas condições profissionais e,
em nenhuma hipótese, conceder aos seus clientes vantagens diretas ou
indiretas que contrariem a legislação;

VI. colaborar com os órgãos regulador e fiscalizador para melhor ordenação,


normatização e fiscalização do mercado de seguros;

VII. zelar pela proteção dos interesses dos corretores, das corretoras e dos
consumidores;

VIII. guardar absoluto sigilo em razão do exercício profissional, ressalvados


os casos previstos em lei ou quando solicitado por autoridades
competentes;

IX. declarar os impedimentos legais porventura existentes ou supervenientes


para o exercício da profissão, não a exercendo quando impedido e
nem facilitando, por qualquer meio, o seu exercício aos não habilitados
ou impedidos;

X. ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional e


zelar pelo exercício ético, profissional e seu aprimoramento técnico;

XI. repassar às sociedades listadas no inciso II os valores que, eventualmente,


lhe forem confiados referentes aos prêmios de seguros e prestar contas
aos seus clientes com documentos comprobatórios por elas emitidos;

XII. exercer a profissão com probidade, não cometer atos contrários às


disposições deste Código e não praticar atos definidos como infrações;

XIII. agir de boa-fé, não alterar nem deturpar o teor de documentos e não
fornecer informações que não sejam verdadeiras;

38 ÉTICA CONCORRENCIAL
XIV. abster-se de dar pareceres ou emitir opiniões, sem estar suficientemente
informado, autorizado e devidamente documentado;

XV. entregar aos clientes, imediatamente, os valores e os documentos a eles


destinados;

XVI. cumprir, fielmente, as obrigações e compromissos decorrentes de


contratos ou outros instrumentos, assumidos perante segurados e
seguradores, e responsabilizar-se, solidariamente, pelos atos praticados
pelos Prepostos por eles nomeados;

XVII. manter os dados cadastrais devidamente atualizados junto ao Órgão


Fiscalizador e entidades representativas, em consonância com a
legislação vigente;

XVIII. respeitar e cumprir, fielmente, as decisões e deliberações emanadas das


assembleias gerais e estatutos sociais dos Sindicatos da respectiva base
territorial;

XIX. cumprir as disposições contidas na Constituição Federal, no Código de


Defesa do Consumidor, no Código Civil, especialmente a parte que trata
da corretagem, e outras leis, regulamentos e atos normativos pertinentes.

É importante destacar que o inciso II deixa claro que o corretor deve agir na
qualidade de representante do segurado, e não da seguradora, como muitas
vezes a sociedade de forma geral quer confundir.

O papel do corretor é, com base em seu conhecimento específico, orientar o


consumidor, com total ética e imparcialidade, sobre qual o melhor produto
que deve ser adquirido, bem como qual seguradora atende melhor às suas
necessidades.

O art. 4o do Código de Ética diz respeito ao relacionamento entre corretores,


o qual, naturalmente, deve se pautar por ética e concorrência leal e justa.

Vejamos o que diz o artigo:

“Art. 4o. O Corretor e a Corretora devem desenvolver suas atividades


profissionais norteados pelos princípios da concorrência leal e honesta,
observando estritamente o seguinte:

I – abster-se de formular juízo depreciativo e de fazer comentários que


possam desprestigiar ou prejudicar outros profissionais;

II – recusar intermediação que já esteja entregue a outro Corretor ou


Corretora, a não ser que haja anuência do segurado e respeitada a
legislação pertinente;

III – respeitar as parcerias associativas quando houver co-corretagem;

IV – solicitar a participação do Sindicato de Corretores de Seguros, da


respectiva base territorial, quando houver controvérsia ou litígio com
outro Corretor ou Corretora, utilizando a mediação, a conciliação ou a
arbitragem, como meio alternativo para solução de conflitos.”

UNIDADE 2 39
Passamos, agora, a comentar cada um desses incisos.

I – Abster-se de formular juízo depreciativo e de fazer comentários que


possam desprestigiar ou prejudicar outros profissionais.

Tal ponto aplica-se, é bem verdade, a todo e qualquer tipo de relacionamento


profissional.

Não se pode aceitar um mercado sadio e ético no qual seus participantes


tenham por princípio denegrir uns aos outros na expectativa de que tal conduta
favoreça sua captação de clientes em detrimento dos concorrentes.

O que deve ser utilizado como mecanismo de atração e fidelização de clientes


é o esforço e comprometimento do corretor com um bom atendimento,
conhecimento técnico, estrutura, histórico de satisfação, entre outros.

II – Recusar intermediação que já esteja entregue a outro corretor ou


corretora, a não ser que haja anuência do segurado e respeitada a
legislação pertinente.

Um dos papéis mais importantes do corretor é o de aproximar segurado e


seguradora. É inegável que, não fosse a intermediação feita de forma adequada
e profissional pelo corretor, o segurado não conseguiria descobrir o produto
ofertado pela seguradora, e a seguradora não conseguiria ter acesso àquele
risco considerando viável de ser aceito.

É evidente que o papel do corretor não se limita à intermediação para


a celebração do contrato de seguro, mas continua após a contratação
na administração da apólice, na assessoria e auxílio ao consumidor de seguros na
ocorrência de sinistros, na negociação de eventual renovação, entre outros.

Assim, uma vez estabelecido esse vínculo, é natural que somente o consumidor
de seguros, que escolheu seu intermediário, tenha a prerrogativa de, querendo,
trocá-lo.

Não é lógico que a seguradora, que somente teve contato com esse cliente
graças à atuação do corretor original, determine ou incentive a troca de um
corretor por outro, que, eventualmente, tenha um relacionamento comercial
mais próximo do que aquele responsável pela intermediação original.

Desse modo, é papel fundamental do corretor saber identificar a eventual


existência de corretor anterior e, de forma impreterível, somente aceitar ser
o intermediário daquele contrato mediante a anuência expressa daquele que
contratou o seguro.

40 ÉTICA CONCORRENCIAL
III – Respeitar as parcerias associativas quando houver co-corretagem.

É muito comum, em grandes canais de distribuição, como, por exemplo, os


canais bancários, já existir uma corretora principal que, a pedido do proprietário
daquele canal, tenha lá sua atuação.

Nesse caso, até mesmo por força de contratos e/ou acordos vigentes, já
existem regras relacionadas à co-corretagem caso outro corretor participe
intermediando determinados clientes específicos através desse canal.

Então, nessas situações, é fundamental que o corretor respeite e cumpra


os acordos já existentes evitando, assim, qualquer prática que prejudique o
corretor principal que já atue naquele canal.

IV – Solicitar a participação do sindicato de corretores de seguros, da


respectiva base territorial, quando houver controvérsia ou litígio com
outro corretor ou corretora, utilizando a mediação, a conciliação ou a
arbitragem, como meio alternativo para solução de conflitos.

O principal ponto a se destacar nesse item é o ideal de sempre buscar solucionar


eventuais conflitos entre corretores de outra maneira que não a judicial.

O incentivo à mediação é tônica cada dia mais comum nas relações bi e


multilaterais, visando, de uma forma mais econômica e efetiva, solucionar
conflitos evitando-se, com isto, litígios que onerem ainda mais o Poder
Judiciário.

A utilização do sindicato dos corretores como participante da mediação é


fundamental. Primeiro, para assegurar isenção; afinal, a preocupação principal
dos sindicatos de corretores é defender o corretor de seguros; portanto,
evita-se, assim, que um dos lados seja favorecido na disputa. Em segundo
lugar, assegura-se, nessas hipóteses, o adequado conhecimento técnico do
mercado de seguros e de corretagem de seguros para uma solução mais justa
o que, não necessariamente, ocorreria na via judicial, haja vista o risco de o
magistrado em questão não ter todo o conhecimento técnico e mercadológico
que o sindicato dos corretores possui.

O Código de Ética dos Corretores estabelece, como penalidades ao seu


descumprimento, as sanções de advertência, censura e cancelamento do selo
de adesão ao Código de Ética.

Naturalmente, sanções mais rigorosas, como multa, suspensão temporária e


cancelamento de registro, somente serão aplicadas pela SUSEP – Superintendência
de Seguros Privados –, órgão legalmente constituído pelo Decreto-Lei 73/66,
para ser o fiscalizador do mercado ou, ainda, pelas entidades autorreguladoras
do mercado de corretagem de seguros, instituídas pela Resolução CNSP 233/11,
alterada pela Resolução CNSP 251/12, e objeto de regulamentação pela SUSEP
por meio da Circular 435/12.

UNIDADE 2 41
A adesão ao Código de Ética é voluntária, e, obviamente, aquele corretor que
aderir a ele terá, sem dúvida, uma melhor imagem perante seus clientes na
medida em que demonstre preocupação em sempre pautar suas atividades
de forma ética e justa.

A adesão ao Código é feita de forma eletrônica, através do acesso ao site


www.fenacor.com.br com o respectivo aceite virtual de seu conteúdo.

Após tal adesão, é estimado um prazo de 15 dias para que o selo de adesão ao
Código de ética daquele corretor esteja disponível no SINCOR ou na delegacia
do respectivo sindicato quando, então, poderá ser retirado pelo corretor.

NOVA LEI ANTICORRUPÇÃO


Foi publicada em 2 de agosto de 2013 a Lei 12.846/13, que passou a ser
conhecida como Lei Anticorrupção Brasileira, cuja vigência se iniciou no dia
30 de janeiro de 2014.

Publicada dentro do contexto em que as diversas manifestações populares,


iniciadas durante o mês de junho de 2013, geraram um amplo debate da
sociedade acerca de vários temas, dentre os quais a necessidade de um maior
rigor contra aqueles que utilizam indevidamente o dinheiro público, esse novo
diploma legal tem por objetivo regulamentar a responsabilidade administrativa
e civil de pessoas jurídicas que pratiquem atos contra a Administração Pública
nacional ou estrangeira.

Essa lei define Administração Pública Estrangeira como sendo os órgãos


e entidades estatais ou representações diplomáticas de país estrangeiro,
de qualquer nível ou esfera de governo, bem como as pessoas jurídicas
controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público de país estrangeiro1
sendo equiparadas, ainda, às organizações públicas internacionais2.

Por não estabelecer uma definição acerca de Administração Pública Nacional,


remetemo-nos à definição da Lei 8.666/933 que classifica Administração
Pública como a administração direta e indireta da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, abrangendo, inclusive, as entidades com
personalidade jurídica de direito privado sob controle do poder público e das
fundações por ele instituídas ou mantidas.

A primeira grande mudança diz respeito ao estabelecimento da responsabilidade


objetiva, civil e administrativa, da pessoa jurídica pela prática de atos contra a
Administração Pública, ou seja, haverá responsabilidade pelos danos causados
mesmo que não haja dolo ou culpa por parte de dirigentes, administradores
ou terceiros que agiram em nome da empresa.

A regra do Direito brasileiro é a de responsabilidade subjetiva, na qual,


necessariamente, deve ser avaliado se o ato praticado está eivado de dolo ou
culpa. A responsabilidade objetiva é exceção a essa regra e, como tal, necessita
de expressa previsão legal para existir.

1
Art. 5o, § 1o.
2
Art. 5o, §2o.
3
Art. 6o, XI.

42 ÉTICA CONCORRENCIAL
Carlos Roberto Gonçalves4 ensina que a responsabilidade é legal ou objetiva
porque prescinde da culpa e se satisfaz apenas com o dano e o nexo de
causalidade. Esta teoria, dita objetiva, ou do risco, tem como postulado que
todo dano é indenizável e deve ser reparado por quem a ele se liga por um
nexo de causalidade, independentemente de culpa.

Logo, cabe ao legislador definir quais situações devam ser caracterizadas


como excepcionais, a ponto de serem enquadradas como de responsabilidade
objetiva.

É importante destacar que a Constituição Federal já previa a responsabilidade


objetiva das pessoas jurídicas, públicas e privadas, prestadoras de serviços
públicos, pelos danos causados por seus agentes, no exercício da função, a
terceiros5; contudo, a responsabilidade das pessoas jurídicas privadas por danos
causados à Administração Pública permanecia sendo subjetiva.

Obviamente, essa mudança implica o aumento da possibilidade de punição,


visto que não será mais necessário provar o dolo ou culpa de quem causou
o dano, mas, tão somente, o dano causado e o nexo de causalidade entre a
ação ou omissão e o prejuízo sofrido pela Administração Pública.

Deve-se frisar que esse espírito fica muito claro nas mensagens de veto de
alguns artigos dessa lei por parte da Presidente da República. Como exemplo
pode ser destacado o art. 19, que estabelece o rol de sanções passíveis de
serem aplicadas judicialmente.

A redação original de seu § 2o previa que dependerá da comprovação de


culpa ou dolo a aplicação das sanções previstas nos incisos II a IV do caput
do artigo mencionado.

Naturalmente, caso houvesse a manutenção dessa regra, todo o espírito


de responsabilidade objetiva cairia por terra, e, de maneira extremamente
adequada, a Presidente da República expôs em sua mensagem de veto:

“Tal como previsto, o dispositivo contraria a lógica norteadora do


projeto de lei, centrado na responsabilidade objetiva de pessoas jurídicas
que cometam atos contra a administração pública. A introdução
da responsabilidade subjetiva anularia todos os avanços apresentados
pela nova lei, uma vez que não há que se falar na mensuração da
culpabilidade de uma pessoa jurídica.”

Assim, prevalece, sem que haja qualquer contradição na própria lei, o objetivo
delimitado no caput de seu art. 2o:

“Art. 2o. As pessoas jurídicas serão responsabilizadas objetivamente,


nos âmbitos administrativo e civil, pelos atos lesivos previstos nesta Lei
praticados em seu interesse ou benefício, exclusivo ou não.”

4
GONÇALVES, Carlos Roberto, Responsabilidade Civil – De Acordo com o Novo Código
Civil. 9a edição. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 22-23.
5
Art. 37. (...) § 6o – As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado
prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável
nos casos de dolo ou culpa.(...) (grifo nosso)

UNIDADE 2 43
Outro aspecto que merece destaque é o fato de o legislador, ciente das
diversasoperações societárias que fazem parte do dia a dia corporativo,
estender a responsabilidade para eventuais sucessores e empresas do mesmo
grupo societário6 impedindo, assim, que manobras como fusões, aquisições ou
utilização de uma terceira pessoa jurídica para ocultar o real causador do dano
sirvam para eximir os reais responsáveis do ato lesivo das sanções cabíveis.

A nova legislação estabelece, em seu art. 5o, quais atos são considerados,
para os fins dessa lei, como lesivos à Administração Pública nacional ou
estrangeira.

De forma geral, são elencados os seguintes comportamentos:

I – prometer, oferecer ou dar, direta ou indiretamente, vantagem indevida a


agente público, ou a terceira pessoa a ele relacionada;

II – comprovadamente, financiar, custear, patrocinar ou de qualquer modo


subvencionar a prática dos atos ilícitos previstos nesta Lei;

III – comprovadamente, utilizar-se de interposta pessoa física ou jurídica para


ocultar ou dissimular seus reais interesses ou a identidade dos beneficiários
dos atos praticados;

IV – dificultar atividade de investigação ou fiscalização de órgãos, entidades ou


agentes públicos, ou intervir em sua atuação, inclusive no âmbito das agências
reguladoras e dos órgãos de fiscalização do sistema financeiro nacional.

Além disso, especificamente acerca de licitações e contratos administrativos,


é estabelecido que os seguintes atos são considerados como causadores de
danos ao erário passíveis de punição nos termos dessa legislação:

a) frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer outro


expediente, o caráter competitivo de procedimento licitatório público;

b) impedir, perturbar ou fraudar a realização de qualquer ato de procedimento


licitatório público;

c) afastar ou procurar afastar licitante, por meio de fraude ou oferecimento


de vantagem de qualquer tipo;

d) fraudar licitação pública ou contrato dela decorrente;

e) criar, de modo fraudulento ou irregular, pessoa jurídica para participar de


licitação pública ou celebrar contrato administrativo;

6
Art. 4o Subsiste a responsabilidade da pessoa jurídica na hipótese de alteração
contratual, transformação, incorporação, fusão ou cisão societária.
§ 1o Nas hipóteses de fusão e incorporação, a responsabilidade da sucessora
será restrita à obrigação de pagamento de multa e reparação integral do dano
causado, até o limite do patrimônio transferido, não lhe sendo aplicáveis as demais
sanções previstas nesta Lei decorrentes de atos e fatos ocorridos antes da data
da fusão ou incorporação, exceto no caso de simulação ou evidente intuito de
fraude, devidamente comprovados.
§ 2o As sociedades controladoras, controladas, coligadas ou, no âmbito do
respectivo contrato, as consorciadas serão solidariamente responsáveis pela prática
dos atos previstos nesta Lei, restringindo-se tal responsabilidade à obrigação de
pagamento de multa e reparação integral do dano causado.

44 ÉTICA CONCORRENCIAL
f) obter vantagem ou benefício indevido, de modo fraudulento, de
modificações ou prorrogações de contratos celebrados com a administração
pública, sem autorização em lei, no ato convocatório da licitação pública
ou nos respectivos instrumentos contratuais; ou

g) manipular ou fraudar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos


celebrados com a administração pública.

Sobre os atos genéricos, percebe-se uma preocupação do legislador em punir


aquelas situações em que haja uma clara intenção da pessoa jurídica em obter
benefícios nos seus relacionamentos com a Administração Pública através de
práticas como suborno, oferecimento de vantagens e criação de dificuldades
para eventuais fiscalizações públicas, impedindo, assim, o competente exercício
do Poder de Polícia estatal.

Em relação aos atos relacionados a contratos e licitações, há que se chamar


a atenção para o fato de que grande parte deles já estava prevista nas Leis
8.666/93 (Lei Geral de Licitações), 10.520/02 (Licitação na Modalidade Pregão)
e 12.462/11 (RDC – Regime Diferenciado de Contratações Públicas).

Desse modo, o legislador estabeleceu que as sanções aplicadas no âmbito da


lei anticorrupção não afetam os processos de responsabilização e aplicação
de penalidades decorrentes da Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92)
e de Atos Ilícitos decorrentes das leis aplicáveis a licitações e contratos, ou
seja, as sanções poderão ser aplicadas de forma cumulativa.

No campo das penalidades, essa legislação estabeleceu à Administração


Pública, naturalmente através de Processo Administrativo em que sejam
assegurados os direitos à Ampla Defesa e ao Contraditório, a prerrogativa
de aplicar multa no valor de 0,1% a 20% do faturamento bruto do último
exercício anterior ao da instauração do processo administrativo, excluídos os
tributos, sendo certo que a multa nunca será inferior à vantagem auferida,
quando for possível sua estimação, além, é claro, da obrigação da reparação
integral do dano causado.

Nas hipóteses em que não seja possível utilizar o critério de valor do faturamento
bruto da pessoa jurídica, a multa variará de R$ 6 mil a R$ 60 milhões.

Além disso, poderá ser aplicada a sanção de publicação extraordinária da


decisão condenatória, que consiste na publicação, às expensas da pessoa
jurídica condenada, em meios de comunicação de grande circulação, na área
da prática da infração e de atuação da pessoa jurídica ou, na sua falta, em
publicação de circulação nacional, bem como por meio de afixação de edital,
pelo prazo mínimo de 30 dias, no próprio estabelecimento em local visível
ao público e no próprio site, da decisão condenatória na forma de extrato
de sentença.

Na esfera judicial, a Administração Pública, através de suas Procuradorias,


Advocacia-Geral ou equivalentes, e o Ministério Público poderão ajuizar ação
com vistas à aplicação das seguintes sanções, de forma isolada ou cumulativa,
às pessoas jurídicas infratoras:

I – perdimento dos bens, direitos ou valores que representem vantagem ou


proveito direta ou indiretamente obtidos da infração, ressalvado o direito do
lesado ou de terceiro de boa-fé;

UNIDADE 2 45
II – suspensão ou interdição parcial de suas atividades;

III – dissolução compulsória da pessoa jurídica, quando houver a comprovação


de que a) a pessoa jurídica foi utilizada de forma habitual para facilitar ou
promover a prática de atos ilícitos ou b) a pessoa jurídica foi constituída para
ocultar ou dissimular interesses ilícitos ou a identidade dos beneficiários dos
atos praticados;

IV – proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções, doações ou


empréstimos de órgãos ou entidades públicas e de instituições financeiras
públicas ou controladas pelo poder público, pelo prazo mínimo de 1 (um) e
máximo de 5 (cinco) anos.

É importante mencionar que por força dessa lei é criado o CENP – Cadastro
Nacional de Empresas Punidas –, que reunirá e dará publicidade às sanções
aplicadas pelos órgãos da Administração Pública com base nessa lei.

Seguindo modelo já estabelecido no Sistema Brasileiro de Defesa da


Concorrência, a Lei Anticorrupção contempla a possibilidade de Acordo
de Leniência, que, em sendo celebrado com êxito, afasta a aplicação
das penalidades de publicação extraordinária da decisão condenatória,
da proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções, doações ou
empréstimos de órgãos ou entidades públicas e de instituições financeiras
públicas ou controladas pelo poder público, pelo prazo mínimo de 1 (um) e
máximo de 5 (cinco) anos e reduzirá em até 2/3 o valor da multa aplicável.
Contudo, deve ser destacado que em hipótese alguma será afastada a
obrigação de reparação integral do dano causado.

Para que o Acordo de Leniência ocorra, é necessário que a pessoa jurídica seja
a primeira a se manifestar sobre seu interesse em cooperar para a apuração
do ilícito, admitindo sua participação, cooperando e comparecendo, às suas
expensas, a todos os atos processuais, bem como cessando imediatamente
seu envolvimento na infração investigada a partir da data de propositura
do acordo.

Além disso, é necessário que o Acordo de Leniência gere a identificação dos


demais envolvidos na infração, quando couber, e que sirva para a obtenção
célere de informações e documentos que comprovem a ocorrência do ilícito
sob apuração.

Deve ser destacado que, em caso de descumprimento dos termos do Acordo


de Leniência, a pessoa jurídica ficará proibida de celebrar novo acordo pelo
prazo de 3 (três) anos, a contar do conhecimento de tal descumprimento
pela Administração Pública.

Por fim, o Acordo de Leniência interrompe os prazos prescricionais previstos


nesta Lei que, em seu art. 25, determina serem de 5 (cinco) anos contados
da data da ciência da infração ou, no caso de infração permanente ou
continuada, do dia em que tiver cessado.

46 ÉTICA CONCORRENCIAL
Testando Conhecimentos
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
Anotações:
[1] Corresponde à Ética Aristotélica a:

(a) Busca da felicidade por meio da virtude.


(b) Busca do maior bem possível para um número maior de pessoas.
(c) Concepção de uma ética formal.
(d) Formação do estado por meio de contratos entre os cidadãos, ou entre
eles e o soberano, procurando a valorização da liberdade individual.
(e) Inexistência de verdades absolutas.

[2] A aplicação do Código de Ética dos Corretores de Seguros e afins deverá


ocorrer:

(a) Obrigatoriamente a todos os corretores de seguro.


(b) Por adesão voluntária.
(c) Somente aos corretores de seguros pessoa jurídica.
(d) Somente aos corretores de seguros pessoa física.
(e) Por adesão voluntária e na forma escrita.

[3] No que diz respeito ao relacionamento entre corretores de seguros e afins,


o Código de Ética determina:

(a) A proibição de parcerias associativas.


(b) A proibição de utilização de qualquer meio alternativo de solução
de conflitos, devendo sempre se recorrer ao Poder Judiciário quando
houver controvérsia ou litígio com outro corretor ou corretora.
(c) Que os corretores de seguros, sempre que possível, poderão recorrer à
arbitragem quando houver controvérsia ou litígio com outro corretor
ou corretora.
(d) A aceitação de intermediação que já esteja entregue a outro corretor
ou corretora, mesmo sem a anuência do segurado.
(e) A possibilidade de formação de cartéis, desde que autorizada por lei.

[4] No concernente à aplicação de penas para os infratores, o Código de Ética


dos Corretores de Seguros estabelece o (a):

(a) Cancelamento da habilitação em caso de reincidência.


(b) Suspensão temporária do registro.
(c) Cancelamento do selo de adesão.
(d) Cancelamento do selo de adesão e multa.
(e) Censura veiculada nos meios de comunicação.

TESTANDO CONHECIMENTOS 47
[5] No Brasil, o Sistema de Defesa da Concorrência é composto pelos seguintes
Anotações: órgãos:

(a) CADE e SEAE.


(b) CADE, SEAE, DPF.
(c) CADE, SDE, CEDAE.
(d) CADE, SDE, CNPJ.
(e) CADE, SUSEP, CNSP.

[6] O objetivo da Lei Sarbanes-Oxley é:

(a) Garantir a criação de mecanismos de auditoria e segurança confiáveis


nas empresas, criando, inclusive, comitês para supervisão de atividades
e operações.
(b) Garantir a criação da área de compliance, assegurando o cumprimento
de todas as normas legais e infralegais relacionadas ao negócio.
(c) Exigir que toda e qualquer corporação tenha uma área de auditoria
interna, visando apurar eventuais fraudes contábeis praticadas por
funcionários.
(d) fiscalizar a atividade seguradora.
(e) nenhuma das alternativas acima.

[7] O Código de Ética do Corretor foi elaborado pela (o):

(a) SUSEP.
(b) CNSP.
(c) FENACOR.
(d) SINCOR-RJ.
(e) CADE.

[8] As entidades autorreguladoras do mercado de corretagem de seguros


atuam na condição de:

(a) Parceiras comerciais das sociedades seguradoras.


(b) Órgãos auxiliares da SUSEP.
(c) Mandatárias dos corretores de seguros.
(d) Fiscalizadoras dos SINCORs.
(e) Agências do Ministério da Fazenda.

[9] A prática de venda casada consiste:

(a) Em condicionar a aquisição de um produto ou a contratação de um


serviço à de outro produto ou serviço.
(b) Em controlar de forma sequencial a produção de determinado produto.
(c) Na venda, por uma ou mais empresas, de bens ou serviços por preços
extraordinariamente abaixo de seu valor justo para outro país.
(d) Em acordo, explícito ou tácito, entre concorrentes de um mesmo
mercado, de modo a estabelecerem a fixação de preços.
(e) Na redução do preço de venda de um produto abaixo de seu custo.

48 ÉTICA CONCORRENCIAL
[10] A autarquia federal brasileira a quem compete orientar, fiscalizar, prevenir
e apurar abusos do poder econômico denomina-se: Anotações:

(a) SUSEP.
(b) CNSP.
(c) CADE.
(d) Tribunal Administrativo de Defesa Econômica.
(e) SEAE.

[11] Ser ecologicamente viável e correto, socialmente justo e culturamente


diverso são posturas reconhecidas como os pilares do(a):

(a) Responsabilidade social.


(b) Moral.
(c) Ética.
(d) Solidariedade social.
(e) Sustentabilidade.

[12] A corrente de pensamento segundo a qual o maior valor ético é a busca


do maior bem possível para um número maior de pessoas é denominada:

(a) Contratualista.
(b) Kantiana.
(c) Aristotélica.
(d) Utilitarista.

TESTANDO CONHECIMENTOS 49
50 ÉTICA CONCORRENCIAL
Estudos de Caso
Caso 1
Epaminondas é corretor de seguros há 35 anos, tendo tido sempre uma carreira
de sucesso em sua cidade e se tornando, praticamente, uma personalidade
local. Contudo, nos últimos tempos, a crise econômica mundial também
o afetou, fazendo com que ele passasse a sofrer algumas dificuldades
financeiras.

Dentro desse contexto, Epaminondas sabe que Tício, dono do armazém


local, está prestes a contratar um Seguro de RC na seguradora Safety para
seu estabelecimento graças, à intermediação de Mengálvio, outro corretor
da cidade.

Entendendo ser um grande negócio, Epaminondas contata diretamente


Tício oferecendo uma nova proposta de seguro, a um preço mais baixo,
na seguradora Capivara, mesmo sabendo que a seguradora Safety tem um
produto que melhor se adapta às necessidades de Tício.

Avaliando a questão sob a égide do Código de Ética dos Corretores, responda:


como podemos classificar a conduta de Epaminondas? Em sendo tal conduta
irregular, a que sanções ele estaria sujeito?

Caso 2
Com base no exemplo do Estudo de Caso 1, ao perceber que perdeu a conta
para Epaminondas, Mengálvio ingressa no Poder Judiciário com ação cível
visando à indenização por perdas e danos contra Epaminondas.

À luz do Código de Ética dos Corretores de Seguros, comente a conduta de


Mengálvio.

ESTUDOS DE CASO 51
52 ÉTICA CONCORRENCIAL
Anexos

1 Código de Ética Profissional dos Corretores de Seguros, de Resseguros, de


Capitalização, de Previdência Privada, de Seguros de Pessoas, de Planos
e de Seguros de Saúde, e seus Prepostos

2 Resolução CNSP 233, de 2011

3 Lei 12.846, de 1o de agosto de 2013

ANEXOS 53
54 ÉTICA CONCORRENCIAL
Anexo 1
CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DOS CORRETORES
DE SEGUROS, DE RESSEGUROS, DE CAPITALIZAÇÃO,
DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, DE SEGUROS DE
PESSOAS, DE PLANOS E DE SEGUROS
DE SAÚDE, E SEUS PREPOSTOS
ÉTICA

1. Ética, segundo Aurélio Buarque de Holanda, “é o estudo dos juízos da apreciação


referente à Conduta Humana, do ponto de vista do bem e do mal.”

2. “A ética é condição essencial para o exercício de qualquer profissão.


A necessidade do respeito à legalidade é ainda mais impositiva do que a da ética,
pois a subordinação à lei é imperativa.”
Prof. Hilário Franco

Introdução

• Considerando que a paz, a harmonia e o respeito só se conseguem quando se reconhece a dignidade


do ser humano e seu direito inalienável de exercer uma profissão;

• Considerando que esse ideal a ser alcançado baseia-se na liberdade com responsabilidade,
na igualdade, na honestidade, na lealdade e na fraternidade entre os membros da categoria
a que pertence;

• Considerando que o estabelecimento de um código de ética profissional para os corretores de


seguros, de resseguros, de capitalização, de previdência privada, de seguro de pessoas, de planos
e de seguro saúde, pessoas físicas e jurídicas, inclusive prepostos, de forma a nortear a conduta
moral e profissional e indicar normas que devam inspirar o exercício das atividades profissionais, é
matéria de alta relevância para o exercício profissional;

• Para fins de cumprimento do disposto no artigo 119 do Decreto 60.459, de 13/03/1967, é instituído o
presente “Código de Ética Profissional”, aplicável, por adesão, indistintamente, a todos os corretores
de seguros, de resseguros, de capitalização, de previdência privada, de seguro de pessoas, de planos
e de seguro saúde, pessoas físicas e jurídicas, inclusive prepostos, para ser o guia orientador
e estimulador de comportamentos, fundamentado num conceito de ética voltado para o
desenvolvimento, servindo, simultaneamente, de estímulo e parâmetro para que esses profissionais
e empresas visualizem um novo papel para si próprios e tornem sua ação mais eficaz diante da
sociedade e, em atendimento a ela, na busca da garantia e probidade da profissão e de quem usa
os serviços de um profissional da atividade do mercado da corretagem, legalmente habilitado.

ANEXO 1 55
CAPÍTULO I
DO OBJETIVO

Art. 1o. Este Código de Ética Profissional tem por objetivo primordial fixar a forma pela qual devem se
conduzir todos os Corretores de Seguros, de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada, de
Seguro de Pessoas, de Planos e de Seguro Saúde, pessoas físicas e jurídicas, inclusive Prepostos, quando
estiverem relacionando-se entre si, com os Consumidores, Sociedades Seguradoras, Sociedades de
Capitalização e Entidades Abertas de Previdência Complementar, as Operadoras de Planos de Saúde, as
Entidades representativas da respectiva categoria econômica às quais se integram e aos Órgãos Públicos
que regem a política do mercado de seguros.

§ 1o. Todo aquele que exercer atividade de intermediação descrita no caput deste artigo, será identificado
neste Código como Corretor, no caso de pessoa física, e Corretora, quando pessoa jurídica, a ele se
subordinando.

§ 2o. A aplicação deste Código será por adesão voluntária e na forma escrita.

CAPÍTULO II
DA PREVISÃO LEGAL

Art. 2o. Este Código, bem como a sua aplicação administrativa, respeitadas as competências privativas
do Órgão regulador e do Órgão fiscalizador do mercado de seguros, tem base legal, por delegação,
nas disposições contidas no art. 119 do Decreto 60.459, de 13/3/1967, que regulamentou o Decreto-
lei 73, de 21/11/1966, o qual foi recepcionado com status de lei complementar pela Constituição Federal
de 1988.

CAPÍTULO III
DOS PRINCÍPIOS E DAS OBRIGAÇÕES

Art. 3o. O Corretor e a Corretora, devidamente habilitados, inscritos regularmente no Órgão competente,
para o exercício de sua profissão ou atividade empresarial, têm a obrigação de:

I – orientar e assessorar os seus clientes, de forma transparente, para a adequada proteção e cobertura
dos seus riscos pessoais e patrimoniais, formulando suas propostas, baseando-se no estudo dos riscos,
dentro das normas técnicas, informando-lhes aqueles excluídos e prestando-lhes todos os esclarecimentos
que possam, obter-se resultado útil na intermediação;
II – representar o cliente junto às sociedades seguradoras e resseguradoras, sociedades de capitalização,
entidades abertas de previdência complementar e operadoras de planos de saúde, na defesa intransigente
de seus interesses;
III – fornecer às sociedades listadas no inciso II as informações precisas e verdadeiras, para que a avaliação,
tarifação e aceitação dos riscos se realizem adequadamente;
IV – colaborar com as sociedades listadas no inciso II, em caso de ocorrência de sinistros, objetivando
uma rápida tramitação do processo de regulação, da justa indenização, prestando, sempre, a assistência
adequada aos segurados e beneficiários;
V – agir sempre com dignidade e lealdade, não fornecendo informações enganosas ou improcedentes
sobre as suas condições profissionais e, em nenhuma hipótese, conceder aos seus clientes, vantagens
diretas ou indiretas, que contrariem a legislação;
VI – colaborar com os órgãos regulador e fiscalizador para melhor ordenação, normatização e fiscalização
do mercado de seguros;
VII – zelar pela proteção dos interesses dos corretores, das corretoras e dos consumidores;
VIII – guardar absoluto sigilo em razão do exercício profissional, ressalvados os casos previstos em lei
ou quando solicitado por autoridades competentes;
IX – declarar os impedimentos legais porventura existentes ou supervenientes para o exercício da
profissão, não a exercendo quando impedido e nem facilitando, por qualquer meio, o seu exercício
aos não habilitados ou impedidos;

56 ÉTICA CONCORRENCIAL
X – ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional e zelar pelo exercício ético,
profissional e seu aprimoramento técnico;
XI – repassar às sociedades listadas no inciso II os valores que, eventualmente, lhe forem confiados
referentes aos prêmios de seguros, e prestar contas aos seus clientes com documentos comprobatórios
por elas emitidos;
XII – exercer a profissão com probidade, não cometer atos contrários às disposições deste Código e não
praticar atos definidos como infrações;
XIII – agir de boa-fé, não alterar nem deturpar o teor de documentos e não fornecer informações que
não sejam verdadeiras;
XIV – abster-se de dar pareceres ou emitir opiniões, sem estar suficientemente informado, autorizado
e devidamente documentado;
XV – entregar aos clientes, imediatamente, os valores e os documentos a eles destinados;
XVI – cumprir, fielmente, as obrigações e compromissos decorrentes de contratos ou outros instrumentos,
assumidos perante segurados e seguradores, e responsabilizar-se, solidariamente, pelos atos praticados
pelos Prepostos por eles nomeados;
XVII – manter os dados cadastrais devidamente atualizados junto ao Órgão Fiscalizador e entidades
representativas, em consonância com a legislação vigente;
XVIII – respeitar e cumprir, fielmente, as decisões e deliberações emanadas das assembleias gerais e
estatutos sociais dos Sindicatos da respectiva base territorial;
XIX – cumprir as disposições contidas na Constituição Federal, no Código de Defesa do Consumidor,
no Código Civil, especialmente a parte que trata da corretagem, e outras leis, regulamentos e atos
normativos pertinentes.

CAPÍTULO IV
DO RELACIONAMENTO ENTRE CORRETORES

Art. 4o. O Corretor e a Corretora devem desenvolver suas atividades profissionais norteados pelos
princípios da concorrência leal e honesta, observando estritamente o seguinte:

I – abster-se de formular juízo depreciativo e de fazer comentários que possam desprestigiar ou prejudicar
outros profissionais;
II – recusar intermediação que já esteja entregue a outro Corretor ou Corretora, a não ser que haja
anuência do segurado e respeitada a legislação pertinente;
III – respeitar as parcerias associativas quando houver co-corretagem;
IV – solicitar a participação do Sindicato de Corretores de Seguros, da respectiva base territorial, quando
houver controvérsia ou litígio com outro Corretor ou Corretora, utilizando a mediação, a conciliação
ou a arbitragem, como meio alternativo para solução de conflitos.

CAPÍTULO V
DO RELACIONAMENTO SOCIAL

Art. 5o. O Corretor deve interessar-se pelo bem comum, contribuindo com seus conhecimentos,
capacidade e experiência profissional para melhor servir a sociedade, devendo, ainda:

I – cooperar para o progresso da profissão, mediante intercâmbio de informações e conhecimentos


técnicos, contribuindo com seu trabalho junto às entidades de classe, escolas e órgãos de divulgação
técnica e científica;
II – usar a publicidade de forma clara e direta, oferecendo e anunciando serviços compatíveis com a
prática comercial e a legislação vigente;
III – abdicar dos interesses pessoais aos da coletividade, no sentido de oferecer maior cooperação no
desenvolvimento do mercado de seguros;
IV – considerar a profissão como alto título de honra, não praticar e nem concorrer para a prática de
atos que comprometam sua credibilidade e cidadania.

ANEXO 57
CAPÍTULO VI
DO REGIME DISCIPLINAR

Art. 6o. Os Corretores listados no art. 1o, por infração ao Código de Ética Profissional e à legislação
vigente, estão sujeitos às penas seguintes:

I – advertência;
II – censura;
III – cancelamento do selo de adesão ao Código de Ética.

Parágrafo único. As penas de multa, suspensão temporária, destituição e cancelamento de registro


somente serão aplicadas pelo Órgão fiscalizador, nos termos da legislação em vigor.

CAPÍTULO VII
DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 7o. As disposições deste Código de Ética aplicam-se aos corretores e corretoras a ele aderentes a
partir da data da sua respectiva adesão.

Art. 8o. As disposições deste Código de Ética poderão ser modificadas pelo Conselho de Representantes
da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização, de
Previdência Privada e das Empresas Corretoras de Seguros e de Resseguros – FENACOR.

Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 2008.


Roberto Silva Barbosa
Presidente

58 ÉTICA CONCORRENCIAL
Anexo 2
RESOLUÇÃO CNSP 233, DE 2011

Dispõe sobre as condições de constituição,


organização, funcionamento e extinção de entidades
autorreguladoras do mercado de corretagem
de seguros, resseguros, de capitalização e de
previdência complementar aberta, na condição de
auxiliares da SUSEP, e dá outras providências.

A SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS – SUSEP, no uso da atribuição que lhe confere o


art. 34, inciso XI, do Decreto no 60.459, de 13 de março de 1967, e considerando o que consta do Processo
CNSP no 1/2011 e Processo SUSEP no 15414.004850/2010-72, torna público que o Superintendente da
SUSEP, ad referendum do CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS-CNSP, com fundamento no
art. 4o, § 1o e no art. 5o, § 1o do seu Regimento Interno aprovado pela Resolução CNSP no 111, de 2004,
tendo em vista o disposto no art. 127-A do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, incluído
pela Lei Complementar no 137, de 26 de agosto de 2010,

RESOLVEU:

CAPÍTULO I
DA ABRANGÊNCIA DA NORMA

Art. 1o Esta Resolução estabelece as condições de constituição, organização, funcionamento e extinção


de entidades autorreguladoras do mercado de corretagem de seguros, de resseguros, de capitalização
e de previdência complementar aberta, na condição de auxiliares da Superintendência de Seguros
Privados – SUSEP.

Art. 2o Considera-se, para efeito desta Resolução:

I – Entidade autorreguladora: entidade constituída com personalidade jurídica de direito privado


autorizada a funcionar como órgão auxiliar da SUSEP, na forma prevista nesta Resolução, com a
incumbência de fiscalizar, processar, julgar e aplicar sanções por infrações a normas de conduta, por ela
voluntariamente estabelecidas e também àquelas previstas na legislação, praticadas por seus membros
associados. (Inciso alterado pela Resolução CNSP no 251/2012)
II – Mercado de corretagem: mercado de intermediação dos contratos de seguro, resseguro, capitalização
e previdência complementar aberta, com exceção do seguro especializado em saúde; e
III – Membros: todos os corretores, pessoas naturais e jurídicas, e seus prepostos associados às entidade
autorreguladora. (Inciso alterado pela Resolução CNSP no 251/2012)
Parágrafo único. Não se incluem na definição de membros do mercado de corretagem os agentes
representantes das seguradoras de que trata o art. 775 do Código Civil.

ANEXO 2 59
CAPÍTULO II
DOS OBJETIVOS DAS ENTIDADES AUTORREGULADORAS

Art. 3o As entidades autorreguladoras terão por objetivo zelar pela observância às normas jurídicas, em
especial pelos direitos dos consumidores, e fomentar a elevação de padrões éticos dos seus membros
associados, bem como as boas práticas de conduta no relacionamento profissional com segurados,
corretores, pessoas naturais e jurídicas, e sociedades seguradoras, resseguradoras, de capitalização e
entidades abertas de previdência complementar. (Artigo alterado pela Resolução CNSP no 251/2012)

CAPÍTULO III
DA CONSTITUIÇÃO E DO ESTATUTO SOCIAL

Art. 4o As entidades autorreguladoras do mercado de corretagem serão constituídas na forma de


associação civil sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial e prazo de
duração indeterminado.

§1o O funcionamento e a extinção das entidades autorreguladoras ou das atividades de autorregulação


dependem de prévia autorização da SUSEP, observadas as condições constantes desta Resolução.

§2o Fica vedada a interferência da administração da entidade que tiver outros objetivos institucionais
nos assuntos relacionados diretamente às atividades finalísticas de autorregulação.

Art. 5o Os estatutos sociais das entidades deverão ser registrados no Cartório de Registro Civil de Pessoas
Jurídicas, após autorização da SUSEP, e disporão sobre:
I – a denominação, os fins e a sede da entidade;
II – os requisitos para a admissão e exclusão dos seus associados;
III – os direitos e deveres dos associados;
IV – a forma da eleição, posse, substituição e destituição dos membros de diretorias, conselho fiscal e
ouvidoria;
V – os requisitos mínimos para nomeação aos cargos e funções no âmbito da entidade;
VI – as atribuições e prerrogativas dos diretores, dos conselheiros e do ouvidor;
VII – a convocação, a competência e o funcionamento da assembléia geral, prevista, no mínimo, uma
assembléia anual, a realizar-se nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social;
VIII – as fontes de recursos para sua manutenção, observado o disposto pelo CNSP;
IX – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos;
X – as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução
da entidade; e
XI – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas.

§1o É vedada às entidades qualquer atividade relacionada com autorregulação não especificada no
respectivo estatuto social.

§2o As alterações dos estatutos sociais, que tenham por objeto a autorregulação, dependem, para
vigorar, de prévia aprovação da SUSEP.

CAPÍTULO IV
DOS ASSOCIADOS

Art. 6o O quadro social das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem poderá ser composto
exclusivamente por membros do mercado de corretagem e por entidades que representem legalmente
seus interesses.

Art. 7o As entidades autorreguladoras não poderão recusar a inscrição em seus quadros a membro do
mercado de corretagem, ressalvado quando tenha cometido, nos últimos cinco anos, crime ou infração,
administrativa ou estatutária, passível de expulsão nos termos do respectivo estatuto.

60 ÉTICA CONCORRENCIAL
§1o A qualidade de associado de entidade autorreguladora e os direitos inerentes são intransmissíveis,
inclusive aos herdeiros.

§2o A exclusão compulsória de associado da entidade só será admissível mediante justa causa, assim
reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa, nos termos previstos no estatuto.

§3o O associado excluído da entidade, de forma voluntária ou compulsória, não fará jus à quota parte
ou, de qualquer forma, à divisão do patrimônio da entidade.

Art. 8o Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido
legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na legislação ou no estatuto.

CAPÍTULO V
DA ASSEMBLÉIA GERAL

Art. 9o Compete à assembléia geral, no que concerne à autorregulação, dentre outras funções previstas
no estatuto:
I – eleger e destituir os dirigentes;
II – aprovar as contas da entidade, após manifestação do Conselho Fiscal; e
III – alterar o estatuto.

§1o Para as deliberações a que se refere este artigo, a assembléia será convocada especialmente para
esse fim, cujo quorum será o estabelecido no estatuto.

§2o O edital de convocação das assembléias gerais das entidades autorreguladoras, juntamente com
a proposta da administração, quando houver, devem ser enviados à SUSEP concomitantemente à sua
divulgação.

CAPÍTULO VI
DA ESTRUTURA ORGÂNICA

Art. 10. As entidades autorreguladoras serão constituídas de estrutura organizacional que contenha,
no mínimo, Diretoria Administrativa, Diretoria de Fiscalização, Diretoria de Julgamentos,
Conselho Fiscal e Ouvidoria, cujas formas e atribuições deverão estar definidas no respectivo estatuto
social.
Parágrafo único. A instância recursal das entidades autorreguladoras será composta por ao menos
um representante dos consumidores do mercado de corretagem, indicado por entidade incumbida da
proteção e defesa dos consumidores, na forma prevista no estatuto.

Art. 11. Os diretores, conselheiros e ouvidor devem ser pessoas naturais com reputação ilibada,
qualificação e capacidade técnica necessárias à assunção das responsabilidades inerentes às respectivas
funções.

§1o Os mandatos relativos aos cargos e funções previstos neste artigo terão duração máxima de quatro
anos, permitida uma recondução.

§2o São impeditivas da eleição de diretores, conselheiros e ouvidor e a contratação de empregado,


encarregados de atividades relacionadas à autorregulação:
I – a condenação por crime doloso;
II – a condenação, no âmbito da SUSEP, das demais entidades públicas supervisoras ou de entidade
autorreguladora, às sanções de suspensão de atividade, cancelamento de registro ou inabilitação
profissional; e
III – a prestação de declarações falsas, inexatas ou omissas, quando, pela sua extensão ou conteúdo,
se mostrarem relevantes para aferição do disposto no caput deste artigo.

ANEXO 2 61
§3o Os diretores, conselheiros e ouvidor, encarregados de atividades relacionadas à autorregulação, que
não atendam, por fato superveniente ou desconhecido à época da aprovação de seu nome, os requisitos
exigidos para a função, devem ser imediatamente destituídos, comunicando-se o fato à SUSEP.

§4o Fica vedada a contratação de pessoa, natural ou jurídica, na condição de empregado ou prestador
de serviços, que tenha relação de parentesco, por afinidade, em linha reta ou colateral, até terceiro
grau, com quaisquer dos diretores, conselheiros ou do ouvidor, encarregados de atividades relacionadas
à autorregulação.

Art. 12. As entidades autorreguladoras poderão, mediante prévia autorização da SUSEP, celebrar e
manter acordos, contratos e instrumentos congêneres com outras entidades, com o objetivo de executar,
aprimorar ou complementar atividades finalísticas relacionadas à autorregulação.

CAPÍTULO VII
DOS RECURSOS E RECEITAS

Art. 13. Os recursos e receitas das entidades, destinados aos investimentos e ao custeio das suas
atividades de autorregulação, serão constituídos de doações, contribuições, emolumentos, comissões,
multas e quaisquer outras fontes previstas no estatuto.

CAPÍTULO VIII
DA EXTINÇÃO

Art. 14. As entidades autorreguladoras do mercado de corretagem só poderão ser extintas ou deixar
de executar as atividades de autorregulação mediante cumprimento de todas as suas obrigações e
conclusão de todos os seus trabalhos em curso, conforme estabelecido em seu estatuto social e pela
SUSEP, ressalvada a hipótese de transferência de suas atribuições a entidade autorreguladora autorizada
a funcionar.

Art. 15. Cessadas as atividades de autorregulação, na forma do artigo anterior, os bens e recursos
remanescentes a estas vinculados serão destinados a outra entidade autorreguladora ou à SUSEP.

CAPÍTULO IX
DOS PRINCÍPIOS E DEVERES

Art. 16. As entidades autorreguladoras observarão, dentre outros, os princípios da boa-fé objetiva, da
ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal, da economia processual, da razoabilidade,
da proporcionalidade e os valores da urbanidade e da lealdade profissional, tendo como referência as
regras processuais estabelecidas pelo CNSP e pela SUSEP.

Art. 17. As entidades autorreguladoras deverão:


I – aprovar Código de Ética que contenha normas de conduta que disponham sobre as obrigações,
restrições e impedimentos na atuação dos seus associados, dirigentes e contratados, prevendo sanções
para a hipótese de seu descumprimento;
II – promover o aperfeiçoamento profissional dos seus associados e zelar pela observância da legislação,
em especial pelo respeito aos direitos do consumidor;
III – manter equilíbrio entre seus interesses, os da categoria e os interesses públicos a que devem
atender, como responsáveis pela promoção de boas práticas e pela autorregulação no mercado de
corretagem;
IV – fiscalizar, processar, julgar e aplicar sanções aos seus membros associados pelo descumprimento das
normas de conduta, por ela voluntariamente estabelecidas e também àquelas previstas na legislação,
praticadas por seus membros associados, observando os princípios e regras processuais aplicáveis;
(Inciso alterado pela Resolução CNSP nº 251/2012)
V – colaborar com a fiscalização e a instrução de inquéritos e processos sancionadores no âmbito da
SUSEP;
VI – observar as orientações e se submeter às regras e à supervisão da SUSEP;

62 ÉTICA CONCORRENCIAL
VII – apresentar relatórios detalhados de suas atividades à SUSEP, com o conteúdo e a periodicidade por
ela estabelecidos, dos quais deverão constar, no mínimo, os procedimentos de fiscalização realizados e
os processos sancionadores abertos e concluídos no período, com os respectivos resultados;
VIII – disponibilizar à SUSEP, sempre que solicitado, o acesso a todos os documentos, informações,
processos, ativos ou não, livros contábeis, atos societários, entre outros, bem como o acesso a arquivos,
instalações e sistemas de informática;
IX – informar ou alertar a SUSEP acerca das infrações e processos sancionadores, devidamente
identificados, com risco de prescrição administrativa da pretensão punitiva, no âmbito do mercado de
corretagem; e
X – informar, imediatamente, ao Ministério Público e à SUSEP sobre indícios de crime no âmbito do
mercado de corretagem.

Art. 18. Aplicam-se às entidades autorreguladoras e aos respectivos diretores, conselheiros, ouvidor e
seus contratados, por violação aos deveres previstos nesta Resolução e à legislação federal, por dolo
ou erro grosseiro, ação ou omissão, as seguintes penalidades:
I – advertência;
II – multa, de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais);
III – suspensão do exercício de atividades ou de profissão relacionada a autorregulação,
pelo prazo de trinta dias até 180 (cento e oitenta dias); e
IV – inabilitação, pelo prazo de 2 (dois) a 10 (dez) anos, para o exercício de cargo ou função no serviço
público ou em empresas públicas, sociedades de economia mista e respectivas subsidiárias, entidades de
previdência complementar, sociedade de capitalização, instituições financeiras, sociedades seguradoras
e resseguradoras.

§1o As penalidades previstas neste artigo poderão, sempre que couber e de forma fundamentada, ser
aplicadas cumulativamente.

§2o Não há infração quando o descumprimento de norma ocorrer por motivo de caso fortuito ou força
maior devidamente comprovado.

§3o Constatada a ausência de má-fé, a SUSEP, considerando a gravidade da infração e os antecedentes


do infrator, poderá deixar de aplicar sanção, quando, a seu juízo, concluir que uma recomendação ao
agente ou à entidade supervisionada seja suficiente ao atendimento dos objetivos da regulação.

CAPÍTULO X
DO PODER DISCIPLINAR

Art. 19. As entidades autorreguladoras editarão normas de conduta profissional e associativa, obrigatórias
exclusivamente aos seus associados, dirigentes e empregados.

Art. 20. As entidades autorreguladoras, na condição de órgãos auxiliares da SUSEP, fiscalizarão,


processarão, julgarão e aplicarão sanções por infrações a normas de conduta, por ela voluntariamente
estabelecidas e também àquelas previstas na legislação, praticadas por seus membros associados no
que tange à observância da legislação, em especial das normas administrativas editadas pelo CNSP e
pela SUSEP. (Artigo alterado pela Resolução CNSP no 251/2012)
Parágrafo único. A abertura de processo sancionador por entidade autorreguladora fixa a competência
para julgamento dos fatos em relação às demais.

Art. 21. As entidades autorreguladoras fiscalizarão, processarão, julgarão e aplicarão sanções por
infrações a seus membros associados por violação a normas de conduta, por elas voluntariamente
estabelecidas, à legislação e os condenarão, se for o caso, às penas de multa, suspensão do exercício
de atividade ou profissão ou de cancelamento de registro. (Artigo alterado pela Resolução CNSP nº
251/2012)

ANEXO 2 63
§1o Constatada a ausência de má-fé, as entidades autorreguladoras, considerando a gravidade da infração
e os antecedentes do infrator, poderão deixar de aplicar sanção quando concluir que uma recomendação
ao membro associado seja suficiente ao atendimento dos objetivos da regulação. (Parágrafo alterado
pela Resolução CNSP no 251/2012)

§2o Da decisão condenatória caberá recurso no âmbito da própria entidade autorreguladora, sendo
irrecorrível à SUSEP ou ao Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, de
Capitalização e de Previdência Complementar Aberta – CRSNSP.

§3o A condenação no âmbito da autorregulação será considerada para fins de antecedentes e, quando
definitiva, para caracterização da reincidência.

§4o Os valores recolhidos a título de multa, na forma deste artigo, constituem receita originária das
entidades autorreguladoras.

§5o Caberá exclusivamente à SUSEP a implementação ou a execução das decisões condenatórias que
tenham por objeto as sanções de suspensão do exercício de atividade ou profissão e de cancelamento
de registro.

Art. 22. As sociedades corretoras, pessoas naturais e jurídicas, seguradoras, resseguradoras, de


capitalização e previdência complementar aberta deverão colaborar com as entidades autorreguladoras,
informando-lhes sobre atos praticados por seus membros associados que supostamente violem as normas
de conduta profissional, por elas voluntariamente estabelecidas, a legislação, bem como fornecendo
documentos e subsídios úteis à sua apuração. (Artigo alterado pela Resolução CNSP no 251/2012)

CAPÍTULO XI
DAS COMPETÊNCIAS DA SUSEP

Art. 23. Cabe à SUSEP:


I – aprovar o Estatuto, o Código de Ética e quaisquer regras de conduta estabelecidas por entidade
autorreguladora, podendo recusar aprovação ou exigir-lhe a alteração quando os considere insuficientes
ou inadequados para o bom funcionamento do mercado de corretagem ou contrários à legislação;
II – autorizar o funcionamento de entidades autorreguladoras na condição de suas auxiliares, bem como
alterar a abrangência das autorizações concedidas ou mesmo revogá-las, de acordo com critérios de
conveniência e oportunidade, em decisão devidamente fundamentada;
III – estabelecer o âmbito de atuação das entidades autorreguladoras e dirimir eventuais conflitos de
competência;
IV – encaminhar às entidades autorreguladoras denúncia, reclamação ou notícia sobre fatos relacionados
a seus membros associados, dirigentes e empregados que supostamente violem as suas normas de
conduta profissional e a legislação, em especial as normas do CNSP e da SUSEP. (Inciso alterado pela
Resolução CNSP no 251/2012)
V – fiscalizar, processar, julgar e punir as entidades autorreguladoras, bem como seus diretores, conselheiros,
ouvidor e contratados, por violação aos deveres previstos nesta resolução e na legislação; e
VI – determinar, em caráter preventivo, o imediato afastamento de diretor, conselheiro, ouvidor ou de
contratado por entidade, no que tange às atividades relacionadas à autorregulação, quando houver
indício de cometimento de infração incompatível com o exercício da função para a qual tenha sido
eleito, nomeado ou contratado, até o prazo de cento e vinte dias contados da apresentação da defesa,
após o que poderá ser reintegrado em suas funções, salvo se houver decisão condenatória recorrível.

Art. 24. A tramitação de processo e a aplicação de sanção no âmbito de entidade autorreguladora


não excluem a atuação da SUSEP, que poderá abrir processo próprio sobre o mesmo fato sempre que
considerar moroso o processamento ou entender insuficiente ou inadequada a decisão proferida no
âmbito da autorregulação.

64 ÉTICA CONCORRENCIAL
§1o A SUSEP poderá anular, de ofício, as decisões proferidas na autorregulação sempre que entender
violados os direitos ao devido processo legal, ao contraditório ou à ampla defesa ou quando a sanção
aplicada for manifestamente inadequada ou desproporcional.

§2o Ao julgar processo sancionador que tenha por objeto violação às normas do mercado de corretagem,
a SUSEP considerará, para fins de dosimetria da pena e em atenção ao princípio da proporcionalidade,
as sanções aplicadas no âmbito da autorregulação.

CAPÍTULO XII
DA CELEBRAÇÃO DE CONVÊNIOS

Art. 25. A SUSEP poderá celebrar e manter convênios, termos de cooperação, acordos ou outros
instrumentos congêneres com entidades autorreguladoras, especialmente quando relacionados com a
concessão de inscrição, registro e recadastramento periódico, bem como a fiscalização e o julgamento
de membros associados às entidades autorreguladoras. (Artigo alterado pela Resolução CNSP
no 251/2012)

CAPÍTULO XIII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 26. Os atos normativos, as deliberações administrativas e as decisões proferidas no âmbito dos
processos sancionadores por entidades autorreguladoras do mercado de corretagem devem ser
publicados no respectivo boletim oficial, o qual será disponibilizado na sua página na internet.

Art. 27. Fica a SUSEP autorizada a expedir normas que sejam necessárias à complementação do disposto
nesta Resolução.

Art. 28. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em
contrário.

Rio de Janeiro, 1o de abril de 2011.

PAULO DOS SANTOS


Superintendente da Superintendência de Seguros Privados

** Norma consolidada em maio de 2012.

ANEXO 2 65
66 ÉTICA CONCORRENCIAL
Anexo 3
LEI 12.846,
DE 1o DE AGOSTO DE 2013

Dispõe sobre a responsabilização administrativa e


civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra
a administração pública, nacional ou estrangeira, e
dá outras providências.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
Lei:

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1o Esta Lei dispõe sobre a responsabilização objetiva administrativa e civil de pessoas jurídicas pela
prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira.

Parágrafo único. Aplica-se o disposto nesta Lei às sociedades empresárias e às sociedades simples,
personificadas ou não, independentemente da forma de organização ou modelo societário adotado,
bem como a quaisquer fundações, associações de entidades ou pessoas, ou sociedades estrangeiras,
que tenham sede, filial ou representação no território brasileiro, constituídas de fato ou de direito,
ainda que temporariamente.

Art. 2o As pessoas jurídicas serão responsabilizadas objetivamente, nos âmbitos administrativo e civil,
pelos atos lesivos previstos nesta Lei praticados em seu interesse ou benefício, exclusivo ou não.

Art. 3o A responsabilização da pessoa jurídica não exclui a responsabilidade individual de seus dirigentes
ou administradores ou de qualquer pessoa natural, autora, coautora ou partícipe do ato ilícito.

§ 1o A pessoa jurídica será responsabilizada independentemente da responsabilização individual das


pessoas naturais referidas no caput.

§ 2o Os dirigentes ou administradores somente serão responsabilizados por atos ilícitos na medida da


sua culpabilidade.

ANEXO 3 67
Art. 4o Subsiste a responsabilidade da pessoa jurídica na hipótese de alteração contratual, transformação,
incorporação, fusão ou cisão societária.

§ 1o Nas hipóteses de fusão e incorporação, a responsabilidade da sucessora será restrita à obrigação


de pagamento de multa e reparação integral do dano causado, até o limite do patrimônio transferido,
não lhe sendo aplicáveis as demais sanções previstas nesta Lei decorrentes de atos e fatos ocorridos
antes da data da fusão ou incorporação, exceto no caso de simulação ou evidente intuito de fraude,
devidamente comprovados.

§ 2o As sociedades controladoras, controladas, coligadas ou, no âmbito do respectivo contrato, as


consorciadas serão solidariamente responsáveis pela prática dos atos previstos nesta Lei, restringindo-se
tal responsabilidade à obrigação de pagamento de multa e reparação integral do dano causado.

CAPÍTULO II
DOS ATOS LESIVOS À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NACIONAL OU ESTRANGEIRA

Art. 5o Constituem atos lesivos à administração pública, nacional ou estrangeira, para os fins desta
Lei, todos aqueles praticados pelas pessoas jurídicas mencionadas no parágrafo único do art. 1o, que
atentem contra o patrimônio público nacional ou estrangeiro, contra princípios da administração pública
ou contra os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, assim definidos:

I – prometer, oferecer ou dar, direta ou indiretamente, vantagem indevida a agente público, ou a terceira
pessoa a ele relacionada;
II – comprovadamente, financiar, custear, patrocinar ou de qualquer modo subvencionar a prática dos
atos ilícitos previstos nesta Lei;
III – comprovadamente, utilizar-se de interposta pessoa física ou jurídica para ocultar ou dissimular seus
reais interesses ou a identidade dos beneficiários dos atos praticados;
IV – no tocante a licitações e contratos:

a) frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer outro expediente, o caráter competitivo
de procedimento licitatório público;
b) impedir, perturbar ou fraudar a realização de qualquer ato de procedimento licitatório público;
c) afastar ou procurar afastar licitante, por meio de fraude ou oferecimento de vantagem de qualquer
tipo;
d) fraudar licitação pública ou contrato dela decorrente;
e) criar, de modo fraudulento ou irregular, pessoa jurídica para participar de licitação pública ou
celebrar contrato administrativo;
f) obter vantagem ou benefício indevido, de modo fraudulento, de modificações ou prorrogações de
contratos celebrados com a administração pública, sem autorização em lei, no ato convocatório
da licitação pública ou nos respectivos instrumentos contratuais; ou
g) manipular ou fraudar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos celebrados com a administração
pública;

V – dificultar atividade de investigação ou fiscalização de órgãos, entidades ou agentes públicos, ou


intervir em sua atuação, inclusive no âmbito das agências reguladoras e dos órgãos de fiscalização do
sistema financeiro nacional.

§ 1o Considera-se administração pública estrangeira os órgãos e entidades estatais ou representações


diplomáticas de país estrangeiro, de qualquer nível ou esfera de governo, bem como as pessoas jurídicas
controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público de país estrangeiro.

§ 2o Para os efeitos desta Lei, equiparam-se à administração pública estrangeira as organizações públicas
internacionais.

68 ÉTICA CONCORRENCIAL
§ 3o Considera-se agente público estrangeiro, para os fins desta Lei, quem, ainda que transitoriamente
ou sem remuneração, exerça cargo, emprego ou função pública em órgãos, entidades estatais ou em
representações diplomáticas de país estrangeiro, assim como em pessoas jurídicas controladas, direta ou
indiretamente, pelo poder público de país estrangeiro ou em organizações públicas internacionais.

CAPÍTULO III
DA RESPONSABILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA

Art. 6o Na esfera administrativa, serão aplicadas às pessoas jurídicas consideradas responsáveis pelos
atos lesivos previstos nesta Lei as seguintes sanções:

I – multa, no valor de 0,1% (um décimo por cento) a 20% (vinte por cento) do faturamento bruto do
último exercício anterior ao da instauração do processo administrativo, excluídos os tributos, a qual
nunca será inferior à vantagem auferida, quando for possível sua estimação; e

II – publicação extraordinária da decisão condenatória.

§ 1o As sanções serão aplicadas fundamentadamente, isolada ou cumulativamente, de acordo com as


peculiaridades do caso concreto e com a gravidade e natureza das infrações.

§ 2o A aplicação das sanções previstas neste artigo será precedida da manifestação jurídica elaborada
pela Advocacia Pública ou pelo órgão de assistência jurídica, ou equivalente, do ente público.

§ 3o A aplicação das sanções previstas neste artigo não exclui, em qualquer hipótese, a obrigação da
reparação integral do dano causado.

§ 4o Na hipótese do inciso I do caput, caso não seja possível utilizar o critério do valor do faturamento
bruto da pessoa jurídica, a multa será de R$ 6.000,00 (seis mil reais) a R$ 60.000.000,00 (sessenta
milhões de reais).

§ 5o A publicação extraordinária da decisão condenatória ocorrerá na forma de extrato de sentença,


a expensas da pessoa jurídica, em meios de comunicação de grande circulação na área da prática da
infração e de atuação da pessoa jurídica ou, na sua falta, em publicação de circulação nacional, bem
como por meio de afixação de edital, pelo prazo mínimo de 30 (trinta) dias, no próprio estabelecimento
ou no local de exercício da atividade, de modo visível ao público, e no sítio eletrônico na rede mundial
de computadores.

§ 6o (VETADO).

Art. 7o Serão levados em consideração na aplicação das sanções:

I – a gravidade da infração;
II – a vantagem auferida ou pretendida pelo infrator;
III – a consumação ou não da infração;
IV – o grau de lesão ou perigo de lesão;
V – o efeito negativo produzido pela infração;
VI – a situação econômica do infrator;
VII – a cooperação da pessoa jurídica para a apuração das infrações;
VIII – a existência de mecanismos e procedimentos internos de integridade, auditoria e incentivo à
denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa
jurídica;
IX – o valor dos contratos mantidos pela pessoa jurídica com o órgão ou entidade pública lesados; e
X – (VETADO).

Parágrafo único. Os parâmetros de avaliação de mecanismos e procedimentos previstos no inciso VIII


do caput serão estabelecidos em regulamento do Poder Executivo federal.

ANEXO 3 69
CAPÍTULO IV
DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE RESPONSABILIZAÇÃO

Art. 8o A instauração e o julgamento de processo administrativo para apuração da responsabilidade


de pessoa jurídica cabem à autoridade máxima de cada órgão ou entidade dos Poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, que agirá de ofício ou mediante provocação, observados o contraditório e a
ampla defesa.

§ 1o A competência para a instauração e o julgamento do processo administrativo de apuração de


responsabilidade da pessoa jurídica poderá ser delegada, vedada a subdelegação.

§ 2o No âmbito do Poder Executivo federal, a Controladoria-Geral da União – CGU terá competência


concorrente para instaurar processos administrativos de responsabilização de pessoas jurídicas ou para
avocar os processos instaurados com fundamento nesta Lei, para exame de sua regularidade ou para
corrigir-lhes o andamento.

Art. 9o Competem à Controladoria-Geral da União – CGU a apuração, o processo e o julgamento


dos atos ilícitos previstos nesta Lei, praticados contra a administração pública estrangeira, observado
o disposto no Artigo 4 da Convenção sobre o Combate da Corrupção de Funcionários Públicos
Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionais, promulgada pelo Decreto no 3.678, de 30 de
novembro de 2000.

Art. 10. O processo administrativo para apuração da responsabilidade de pessoa jurídica será conduzido
por comissão designada pela autoridade instauradora e composta por 2 (dois) ou mais servidores
estáveis.

§ 1o O ente público, por meio do seu órgão de representação judicial, ou equivalente, a pedido da
comissão a que se refere o caput, poderá requerer as medidas judiciais necessárias para a investigação
e o processamento das infrações, inclusive de busca e apreensão.

§ 2o A comissão poderá, cautelarmente, propor à autoridade instauradora que suspenda os efeitos do


ato ou processo objeto da investigação.

§ 3o A comissão deverá concluir o processo no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da data da
publicação do ato que a instituir e, ao final, apresentar relatórios sobre os fatos apurados e eventual
responsabilidade da pessoa jurídica, sugerindo de forma motivada as sanções a serem aplicadas.

§ 4o O prazo previsto no § 3o poderá ser prorrogado, mediante ato fundamentado da autoridade


instauradora.

Art. 11. No processo administrativo para apuração de responsabilidade, será concedido à pessoa jurídica
prazo de 30 (trinta) dias para defesa, contados a partir da intimação.

Art. 12. O processo administrativo, com o relatório da comissão, será remetido à autoridade instauradora,
na forma do art. 10, para julgamento.

Art. 13. A instauração de processo administrativo específico de reparação integral do dano não prejudica
a aplicação imediata das sanções estabelecidas nesta Lei.

Parágrafo único. Concluído o processo e não havendo pagamento, o crédito apurado será inscrito em
dívida ativa da fazenda pública.

70 ÉTICA CONCORRENCIAL
Art. 14. A personalidade jurídica poderá ser desconsiderada sempre que utilizada com abuso do direito
para facilitar, encobrir ou dissimular a prática dos atos ilícitos previstos nesta Lei ou para provocar
confusão patrimonial, sendo estendidos todos os efeitos das sanções aplicadas à pessoa jurídica aos seus
administradores e sócios com poderes de administração, observados o contraditório e a ampla defesa.

Art. 15. A comissão designada para apuração da responsabilidade de pessoa jurídica, após a conclusão
do procedimento administrativo, dará conhecimento ao Ministério Público de sua existência, para
apuração de eventuais delitos.

CAPÍTULO V
DO ACORDO DE LENIÊNCIA

Art. 16. A autoridade máxima de cada órgão ou entidade pública poderá celebrar acordo de leniência com
as pessoas jurídicas responsáveis pela prática dos atos previstos nesta Lei que colaborem efetivamente
com as investigações e o processo administrativo, sendo que dessa colaboração resulte:

I – a identificação dos demais envolvidos na infração, quando couber; e


II – a obtenção célere de informações e documentos que comprovem o ilícito sob apuração.

§ 1o O acordo de que trata o caput somente poderá ser celebrado se preenchidos, cumulativamente,
os seguintes requisitos:

I – a pessoa jurídica seja a primeira a se manifestar sobre seu interesse em cooperar para a apuração
do ato ilícito;
II – a pessoa jurídica cesse completamente seu envolvimento na infração investigada a partir da data
de propositura do acordo;
III – a pessoa jurídica admita sua participação no ilícito e coopere plena e permanentemente com as
investigações e o processo administrativo, comparecendo, sob suas expensas, sempre que solicitada, a
todos os atos processuais, até seu encerramento.

§ 2o A celebração do acordo de leniência isentará a pessoa jurídica das sanções previstas no inciso II do
art. 6o e no inciso IV do art. 19 e reduzirá em até 2/3 (dois terços) o valor da multa aplicável.

§ 3o O acordo de leniência não exime a pessoa jurídica da obrigação de reparar integralmente o dano
causado.

§ 4o O acordo de leniência estipulará as condições necessárias para assegurar a efetividade da colaboração


e o resultado útil do processo.

§ 5o Os efeitos do acordo de leniência serão estendidos às pessoas jurídicas que integram o mesmo grupo
econômico, de fato e de direito, desde que firmem o acordo em conjunto, respeitadas as condições
nele estabelecidas.

§ 6o A proposta de acordo de leniência somente se tornará pública após a efetivação do respectivo


acordo, salvo no interesse das investigações e do processo administrativo.

§ 7o Não importará em reconhecimento da prática do ato ilícito investigado a proposta de acordo de


leniência rejeitada.

§ 8o Em caso de descumprimento do acordo de leniência, a pessoa jurídica ficará impedida de celebrar


novo acordo pelo prazo de 3 (três) anos contados do conhecimento pela administração pública do
referido descumprimento.

ANEXO 3 71
§ 9o A celebração do acordo de leniência interrompe o prazo prescricional dos atos ilícitos previstos
nesta Lei.

§ 10. A Controladoria-Geral da União – CGU é o órgão competente para celebrar os acordos de


leniência no âmbito do Poder Executivo federal, bem como no caso de atos lesivos praticados contra
a administração pública estrangeira.

Art. 17. A administração pública poderá também celebrar acordo de leniência com a pessoa jurídica
responsável pela prática de ilícitos previstos na Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, com vistas à
isenção ou atenuação das sanções administrativas estabelecidas em seus arts. 86 a 88.

CAPÍTULO VI
DA RESPONSABILIZAÇÃO JUDICIAL

Art. 18. Na esfera administrativa, a responsabilidade da pessoa jurídica não afasta a possibilidade de
sua responsabilização na esfera judicial.

Art. 19. Em razão da prática de atos previstos no art. 5o desta Lei, a União, os Estados, o Distrito Federal
e os Municípios, por meio das respectivas Advocacias Públicas ou órgãos de representação judicial, ou
equivalentes, e o Ministério Público, poderão ajuizar ação com vistas à aplicação das seguintes sanções
às pessoas jurídicas infratoras:

I – perdimento dos bens, direitos ou valores que representem vantagem ou proveito direta ou
indiretamente obtidos da infração, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé;
II – suspensão ou interdição parcial de suas atividades;
III – dissolução compulsória da pessoa jurídica;
IV – proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções, doações ou empréstimos de órgãos ou
entidades públicas e de instituições financeiras públicas ou controladas pelo poder público, pelo prazo
mínimo de 1 (um) e máximo de 5 (cinco) anos.

§ 1o A dissolução compulsória da pessoa jurídica será determinada quando comprovado:

I – ter sido a personalidade jurídica utilizada de forma habitual para facilitar ou promover a prática de
atos ilícitos; ou
II – ter sido constituída para ocultar ou dissimular interesses ilícitos ou a identidade dos beneficiários
dos atos praticados.

§ 2o (VETADO).

§ 3o As sanções poderão ser aplicadas de forma isolada ou cumulativa.

§ 4o O Ministério Público ou a Advocacia Pública ou órgão de representação judicial, ou equivalente,


do ente público poderá requerer a indisponibilidade de bens, direitos ou valores necessários à garantia
do pagamento da multa ou da reparação integral do dano causado, conforme previsto no art. 7o,
ressalvado o direito do terceiro de boa-fé.

Art. 20. Nas ações ajuizadas pelo Ministério Público, poderão ser aplicadas as sanções previstas no art.
6o, sem prejuízo daquelas previstas neste Capítulo, desde que constatada a omissão das autoridades
competentes para promover a responsabilização administrativa.

Art. 21. Nas ações de responsabilização judicial, será adotado o rito previsto na Lei no 7.347, de 24 de
julho de 1985.

Parágrafo único. A condenação torna certa a obrigação de reparar, integralmente, o dano causado pelo
ilícito, cujo valor será apurado em posterior liquidação, se não constar expressamente da sentença.

72 ÉTICA CONCORRENCIAL
CAPÍTULO VII
DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 22. Fica criado no âmbito do Poder Executivo federal o Cadastro Nacional de Empresas Punidas
– CNEP, que reunirá e dará publicidade às sanções aplicadas pelos órgãos ou entidades dos Poderes
Executivo, Legislativo e Judiciário de todas as esferas de governo com base nesta Lei.

§ 1o Os órgãos e entidades referidos no caput deverão informar e manter atualizados, no Cnep, os


dados relativos às sanções por eles aplicadas.

§ 2o O Cnep conterá, entre outras, as seguintes informações acerca das sanções aplicadas:

I – razão social e número de inscrição da pessoa jurídica ou entidade no Cadastro Nacional da Pessoa
Jurídica – CNPJ;
II – tipo de sanção; e
III – data de aplicação e data final da vigência do efeito limitador ou impeditivo da sanção, quando
for o caso.

§ 3o As autoridades competentes, para celebrarem acordos de leniência previstos nesta Lei, também
deverão prestar e manter atualizadas no Cnep, após a efetivação do respectivo acordo, as informações
acerca do acordo de leniência celebrado, salvo se esse procedimento vier a causar prejuízo às investigações
e ao processo administrativo.

§ 4o Caso a pessoa jurídica não cumpra os termos do acordo de leniência, além das informações previstas
no § 3o, deverá ser incluída no Cnep referência ao respectivo descumprimento.

§ 5o Os registros das sanções e acordos de leniência serão excluídos depois de decorrido o prazo
previamente estabelecido no ato sancionador ou do cumprimento integral do acordo de leniência e da
reparação do eventual dano causado, mediante solicitação do órgão ou entidade sancionadora.

Art. 23. Os órgãos ou entidades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de todas as esferas de
governo deverão informar e manter atualizados, para fins de publicidade, no Cadastro Nacional de
Empresas Inidôneas e Suspensas – CEIS, de caráter público, instituído no âmbito do Poder Executivo
federal, os dados relativos às sanções por eles aplicadas, nos termos do disposto nos arts. 87 e 88 da
Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993.

Art. 24. A multa e o perdimento de bens, direitos ou valores aplicados com fundamento nesta Lei serão
destinados preferencialmente aos órgãos ou entidades públicas lesadas.

Art. 25. Prescrevem em 5 (cinco) anos as infrações previstas nesta Lei, contados da data da ciência da
infração ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado.

Parágrafo único. Na esfera administrativa ou judicial, a prescrição será interrompida com a instauração
de processo que tenha por objeto a apuração da infração.

Art. 26. A pessoa jurídica será representada no processo administrativo na forma do seu estatuto ou
contrato social.

§ 1o As sociedades sem personalidade jurídica serão representadas pela pessoa a quem couber a
administração de seus bens.

§ 2o A pessoa jurídica estrangeira será representada pelo gerente, representante ou administrador de


sua filial, agência ou sucursal aberta ou instalada no Brasil.

ANEXO 3 73
Art. 27. A autoridade competente que, tendo conhecimento das infrações previstas nesta Lei, não
adotar providências para a apuração dos fatos será responsabilizada penal, civil e administrativamente
nos termos da legislação específica aplicável.

Art. 28. Esta Lei aplica-se aos atos lesivos praticados por pessoa jurídica brasileira contra a administração
pública estrangeira, ainda que cometidos no exterior.

Art. 29. O disposto nesta Lei não exclui as competências do Conselho Administrativo de Defesa
Econômica, do Ministério da Justiça e do Ministério da Fazenda para processar e julgar fato que constitua
infração à ordem econômica.

Art. 30. A aplicação das sanções previstas nesta Lei não afeta os processos de responsabilização e
aplicação de penalidades decorrentes de:

I – ato de improbidade administrativa nos termos da Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992; e


II – atos ilícitos alcançados pela Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, ou outras normas de licitações
e contratos da administração pública, inclusive no tocante ao Regime Diferenciado de Contratações
Públicas – RDC instituído pela Lei no 12.462, de 4 de agosto de 2011.

Art. 31. Esta Lei entra em vigor 180 (cento e oitenta) dias após a data de sua publicação.

Brasília, 1o de agosto de 2013; 192o da Independência e 125o da República.

DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardozo
Luís Inácio Lucena Adams
Jorge Hage Sobrinho

Este texto não substitui o publicado no DOU de 2.8.2013

74 ÉTICA CONCORRENCIAL
Gabarito
Testando Conhecimentos

1–A 7– C
2–E 8– B
3–C 9– A
4–C 10 – C
5–A 11 – E
6–A 12 – D

Estudos de Caso
Caso 1
Devem ser abordadas, nesse caso, as seguintes infrações cometidas por
Epaminondas:

a) violação ao art. 4o, II, do Código de Ética, que recomenda a recusa de


intermediação que já esteja entregue a outro corretor ou corretora, a não
ser que haja anuência do segurado e respeitada a legislação vigente;
b) infração ao art. 3o, I, ao não orientar adequadamente o segurado em
busca do melhor produto para suas necessidades. As sanções previstas
pelo Código são advertência, censura ou cancelamento do selo de adesão
ao Código de Ética.

Caso 2
Deve ser comentado que o Código de Ética estabelece, como mecanismo de
solução de conflitos, a participação do Sindicato dos Corretores de Seguros
da respectiva base territorial, utilizando-se de mediação, conciliação ou
a arbitragem.

GABARITO 75
76 ÉTICA CONCORRENCIAL
Referência Bibliográfica
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 2. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1985.

BORGERTH, Vânia Maria da Costa. SOX: entendendo a Lei Sarbanes-Oxley. São Paulo: Editora Thomson
Learning, 2006.

FUNENSEG. Diretoria de Ensino Técnico. Ética concorrencial. Assessoria técnica de Aluizio José Bastos
Barbosa Junior. 3. ed. Rio de Janeiro: Funenseg, 2014. 66 p.

FUNENSEG. Diretoria de Ensino Técnico. Ética concorrencial. Assessoria técnica de Keila Manangão.
2. ed. Rio de Janeiro: Funenseg, 2013. 66 p.

KORTE, Gustavo. Iniciação à ética. São Paulo: Editora Juarez de Oliveira, 1999. p.1-64-115.

NODARI, Paulo César. A ética aristotélica. In: Síntese Nova Fase. Belo Horizonte: UFMG, v. 24, n. 78,
1997, p. 383-410.

ZAJDSZNAJDER, Luciano. Ser ético no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Gryphus, 2001.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 77