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Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) - Campus Guarulhos

História - História do Brasil II - Profª Wilma Peres Costa

Fernanda Mota de Oliveira - 101.727

RESENHA: ALENCASTRO, Luís Felipe de. Império: a corte e a modernidade nacional.


IN: História da Vida Privada no Brasil. São Paulo: Cia das Letras.

A partir de 1808, com a vinda da Coroa Portuguesa para o Brasil, o Rio de Janeiro
recebe um contingente enorme de pessoas. Além da Família real, mudam-se com ela, a
Corte Portuguesa, seus empregados e parentes. Também vem para cá padres, militares e
outros funcionários, totalizando em cerca de 15 mil pessoas o número de pessoas que se
transferem de Portugal para o Brasil no período. Além disso, vieram espanhóis,
moçambicanos e mais pessoas de outras colônias de Portugal e um grande número de
escravos.

Simultaneamente aos acontecimentos no Rio de Janeiro, o mercado de ouro em


pó era o novo ciclo econômico brasileiro, através dele se criou uma extensa rede de
comunicações terrestres e fluviais ao longo do continente americano, e de intercâmbio
comercial entre as regiões. Porém, o ciclo acaba, por volta de 1770, e a agricultura de
exportação é retomada, mas de maneira a privilegiar a agricultura e troca comercial
litorânea em detrimento da continental, como a mineira.

Os escravos eram associados a privilégio e à vida privada. Mas apesar do escravo


ser uma propriedade particular, sua posse e gestão demandam o aval da autoridade
pública. O escravo precisava ser captado pela malha jurídica do Império. precisava de
um enquadramento legal afinal era tributado, julgado, vendido, comprado, herdado e
hipotecado.

O poder público era exercido através de autoridades designadas pelos


presidentes de províncias, que é o governo central e não por autoridades locais,
escolhidas por eleitores qualificados da região (proprietários), como era de se esperar. O
Governo Central estava absorvendo o espaço do poder municipsl. Assim o poder central
passou a ser disputado então com o poder regional, especialmente em São Paulo e em
Minas Gerais.

O Rio de Janeiro é a capital política, econômica e cultural do país. Também é o


ponto de encontro e de redistribuição da economia nacional, sendo os portos
fluminenses importantíssimos para o comércio exterior e a arrecadação tributária da
cidade a maior do Brasil. A cidade também possui um número elevadíssimo de escravos,
é a maior concentração urbana de escravos existente no mundo desde o final do império
romano e é vilipendiado por isso.

Cria-se no Rio de Janeiro hábitos de consumo europeizados, com a chegada de


diversos profissionais europeus. O nível de importações aumenta, ainda mais com o fim
do tráfico negreiro, são importados pelas elites urbanas e rurais bens de consumos
semiduráveis. Isso se acentua com a criação da linha regular de navio a vapor entre
Liverpool e Rio de Janeiro. Há especialmente o francesismo entre as elites, desde a moda
parisiense até a maneira de se conduzir o mundo rural. As importações mudam até
mesmo a maneira de se fazer música no império, aumentando a importação de
instrumentos europeus, como o piano, que se torna a mercadoria-fetiche do período.

Nesse círculo obcecado pela cultura francesa, três correntes de pensamento


acabam contagiando o Brasil: o positivismo, pela defesa de que o país está indo rumo ao
progresso (enfatizando a proeminência também da cultura latina); o kardecismo, que
conecta o cientificismo a elementos das culturas afro-brasileiras, como o transe; e o
homeopatia, que busca uma cura natural, seguindo tendências que utilizavam o
sonambulismo e o magnetismo na cura dos males.

Um fenômeno que ocorre no Brasil-Império é o da troca de nomes e sobrenomes,


assim como o batismo de crianças com nomes bem diferentes dos usuais, numa reação
lusófoba. Muitos escolhem assumir uma indianização que está na moda principalmente
entre as elites ou escolher nomes de origens estrangeiras, de obras artísticas, da
mitologia grega, da filosofia ou até mesmo nomes geográficos.

"Ao lado dos surtos violentos, e às vezes sangrentos, de antilusitanismo, o


nacionalismo brasileiro desenvolveu uma maneira de ser, um comportamento
individual, privado, que tinha um significado público de afirmação da singularidade
nacional". Nisso, até mesmo os cortes de barba e cabelo se politizavam. O nacionalismo
era construído de modo exacerbado.

A saúde feminina ganhou um novo olhar na medicina e o hábito, difundido no


Brasil, de se usar "amas de leite", passou a ser questionado e se tornar uma polêmica. Na
Europa se descobria os benefícios do leite materno e da amamentação feminina, ao
mesmo tempo surgiam as imigrantes brancas que ofereciam o serviço de amas de leite,
competindo com as mucamas, criava-se um discurso racista em torno do uso dessas
amas de leite negras. A questão do parto apavorava também as mulheres e era um
grande problema ainda para a medicina, especialmente no Brasil onde os índices de
morte de nascituros e parturientes é muito alto, morrendo até mesmo dois filhos do
Imperador.

Havia surtos de várias doenças e epidemias no Brasil, a ponto de no verão, o


Imperador partir com a sua família para uma casa em Petrópolis, na Serra, onde o clima
é mais ameno que no Rio de Janeiro. Os mais atingidos eram os escravos, que não
usavam sapatos. Porém durante uma pandemia de cólera, um dos conselhos preventivos
que se passava à população era o uso de calçados, o que se tornou embaraçoso para o
senhorio, que deveria permitir o uso aos escravos. Na mesma época o racismo atingiu
um status de científico, com o estudo comparativo das linhas de crânio e do cérebro,
"provando" cientificamente a superioridade da raça branca.

A sociedade brasileira já era malvista internacionalmente por ser uma das


últimas nações a manter o escravismo, então o movimento abolicionista no Brasil fica
muito forte e simultaneamente ocorre A revolta dos ladinos, ao mesmo tempo há um
número gigante de fugas de escravos, o medo da população em relação à revolta de
escravos e a vinda massiva de imigrantes italianos para o Brasil. Tudo isso resulta na
Abolição da Escravatura, em 1888.

Luíz Felipe de Alencastro possui graduação no Institut d'Etudes


Politiques d'Aix-en-Provence (1970), doutorado em Histoire Moderne et
Contemporaine - Université Paris-Ouest Nanterre la Défense (1986) e Livre-
Docência em Historia Econômica na Unicamp (1994). Pós-doutorado na
Universidade de Paris IV Sorbonne (1995-1996). Professor Adjunto no Instituto
de Economia, UNICAMP (1986-1999). Pesquisador Senior do CEBRAP (1986-
1999) Associate Professor, Université de Paris-Sorbonne (Paris IV) 1999-2000.
Professor catedrático de Historia do Brasil, Université de Paris-Sorbonne
(2000-2014). Professor at Paris-Sorbonne University Abu Dhabi - UAE (2008,
2009 e 2010). - Andrew W. Mellon Senior Researcher Fellow, John Carter Brown
Library, Brown University, (2002 e 2004). Visiting professor at the Universidad
de Salamanca (2008 and 2011), Visiting Professor at York University, Toronto
(2009), Visiting Professor at University of Massachusetts Dartmouth (2012),
Professor emérito da Université de Paris-Sorbonne (2014-). Professor
convidado da Escola de Economia de São Paulo - FGV (2010-2013).Membro
titular do Institut de Recherches sur les Civilisations de l' Occident Moderne
(IRCOM) Un. de Paris Sorbonne (2002-). Membro titular do Centre Roland
Mousnier UMR 8596 CNRS - Paris Sorbonne (2002-).Membro da seção de
História e de Arqueologia da Academia Europaea (2011-). Professor titular da
Escola de Economia de São Paulo - FGV (2014-).