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Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) - Campus Guarulhos

História - História do Brasil II - Profª Wilma Peres Costa

Fernanda Mota de Oliveira - 101.727

RESENHA: Manoel Salgado Guimarães, “O IHGB e o Projeto de uma História


Nacional”, in Estudos Históricos, n. 1 1988

O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) nasce durante o século XIX,


mais precisamente em 1838, quando o pensar histórico é valorizado principalmente
por ser visto a partir de então como uma ciência do conhecimento. Assim, o historiador
atinge o status de pesquisador e a História é estimulada e patrocinada. Sua missão
principal na época e no Brasil era em conjunto com o processo de consolidação
nacional, viabilizar um processo de pensar a história brasileira de forma sistematizada,
construindo assim uma identidade nacional brasileira.

O grande desafio interno em se construir o perfil da "nação brasileira", é a


heterogeneidade de etnias existentes, duas das quais sofrem extremo cunho negativo:
os indígenas e os negros. Mas Varnhagen propõe que essa questão seja resolvida
através do mito da "democracia racial", alegando a existência e a beleza de uma
nação fundada na miscigenação dos povos e trazendo à moda principalmente por
causa de Von Martius, o indianismo, tendência que idealiza o indígena e se propõe a
estudá-lo profundamente.

Quando se define o Brasil, também se define "o outro" em relação a esse Brasil.
No plano interno o outro é o negro e o índio, no externo são as Repúblicas latino-
americana. Assim, era assegurada a continuidade com Portugal. Tais definições vão
repercutir nas políticas internas adotadas e nas externas, onde os desdobramentos
ás vezes culminaram em conflitos.

O Projeto de Nação do Instituto pretende construir uma nação brasileira


inserida num contexto de civilização e progresso, inspirados no iluminismo. Também
se propõe traçar o retrato de uma civilização descendente de europeus e sendo
assim, branca. A inspiração para tal vem do Institute Historique de Paris, com o qual
mantém correspondências e trocam material, o instituto francês aliás foi essencial
para validar a existência do brasileiro.

O Instituto é formado por uma elite intelectual, que não necessariamente


precisa estar ligada aos estudos de História, apresenta um filtro social para a entrada
no grupo e recebe até 75% de contribuição financeira do império, que posteriormente
assume o patrocínio do IHGB e começa a frequentar as reuniões e levantar temas
para pesquisas e debates.

A IHGB lançava trimestralmente uma revista, onde é perceptível a concepção


teleológica do instituto, conferindo ao historiador o papel centro na condução desses
fins. Cabia ao historiador, como esclarecido, como alguém que refletiu com o
passado e dele tirou lições, tirar exemplos e modelos para o presente e para o
futuro. O historiador deveria indicar o caminho da felicidade e realização aos seus
contemporâneos.

Os três temas mais tratados pela revista, chegando a atingir 73% do volume de
publicações são: a problemática indígena, as viagens e explorações científicas e o
debate da história regional. O estudo do indígena era importante para as discussões
relativas às origens das nações e também para haver informação suficiente para a
implementação de um "processo de civilização", que englobasse os indígenas.
Levantar a questão indígena é também levantar a questão fronteiriça, onde o apoio
dos índios pode ser crucial. Já as viagens e explorações científicas focavam no
aspecto da identidade físico-geográfica da nação, levantando novamente questões
como fronteiras e limites, as riquezas naturais do país e novamente a questão
indígena. O Debate da História regional se concentrava na maneira como o Rio de
Janeiro via essas regiões, se caracterizando como um debate focado no centralismo,
as regiões não eram consideradas sob a perspectiva de suas especificidades.

Assim é possível concluir que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o


seu Projeto de identidade nacional, é articulado a um conjunto de finalidades e
interesses de natureza política, social e econômica, especialmente os do Imperador.
O Brasil que buscam construir corresponde então há um padrão criado para servir à
ordem.
Manoel Luiz Lima Salgado Guimarães possui graduação em História pela
Universidade Federal Fluminense(1977), mestrado em Filosofia pela Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro(1982), doutorado em História pela
Freie Universität Berlin(1987) e pós-doutorado pela École des Hautes Études
en Sciences Sociales(2000).