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Analise formal

➢ Este texto é constituído por 5 estrofes , todas elas quadras com


versos de oito silabas métricas e rima cruzada;
“Screvo meu livro à beira-mágoa”

Analise informal
➢ Este poema divide- se em 2 partes:
1ºparte (6 primeiros versos): nesta parte o poeta fala-nos
da sua tristeza (três primeiros versos) e do único lenitivo para a
sua dor - a crença num "senhor" que é a única entidade capaz
de lhe devolver a confiança no futuro e preencher seus "dias
vácuos";
Na primeira parte é ainda visivel a predominância do
presente do indicativo, para traduzir a permanência
(a situação atual do poeta vem-se arrastando desde o passado
e tem todas as probabilidades de se continuar no futuro).
As frases são do tipo declarativo. De realçar ainda a
maiúscula utilizada na palavra "Senhor", a relação eu / tu e a
existência de dois adjetivos bastante expressivos e de certo
modo relacionados: "dias vácuos" e "olhos quentes de água" -->
choro.
2ºparte : A segunda parte inicia-se com a conjunção
"Mas" (7.º verso) e é constituída por uma série de perguntas
introduzidas por "Quando" e dirigidas a essa entidade mítica
que toma vários nomes (Rei, Hora, Cristo, Encoberto, Sonho,
Senhor), apelando para a sua vinda rápida, única forma de
materializar sonhos centenários e de o poeta se libertar do
contingente, do incerto, e de alcançar uma "Nova Terra" e
"Novos Céus".

Representa o sonho/desejo do poeta com a vinda do Messias-


salvador
A segunda parte é um conjunto de interrogativas
introduzidas por "quando", em que o poeta interroga
ansiosamente o seu presumível interlocutor sobre a Hora da
sua vinda, apostrofando-o, agora, como o "Encoberto", e
usando várias vezes a perífrase para o designar ou descrever:
"... o Cristo
De a quem morreu o falso Deus,"
"Sonho das eras português," (verso em que as necessidades de rima
e ritmo - acentuação na 4,ª - impõem a anástrofe);
"meu Sonho e meu Senhor"

O que o poeta pode fazer resume-se a estes pedidos: o


seu coração "não tem que ter", resta-lhe o mito, o sentir e o
pensar. O mito é sua única esperança.
Não é de estranhar, portanto, que, nesta segunda parte,
predominem os verbos no futuro, porque é só nele que o velho
sonho do poeta poderá vir a tornar-se realidade.
A nível semântico, podemos salientar:
- A utilização da maiúsculas como forma de abstratização e
sugestão sebastianista.
- A repetição da partícula interrogativa "quando" (oito vezes)
que nos dá conta da inquietação, mesmo da angústia do poeta, que
vê num futuro e numa personagem místicos a possibilidade de
ultrapassar as contingências do passado e as frustrações e o tédio
("mágoa") do presente.
- A anástrofe (deslocação de elementos próximos na frase):
"sonho das eras português".
- O hipérbato, na 3.º estrofe, terceiro e quarto versos.
- A personificação do mito, que aparece sob várias designações
ou perífrases e a quem se trata por tu:
"... quando quererás voltar?"
"Quando, meu sonho e meu Senhor?" etc.
- A supressão da forma verbal "virás" nos dois últimos versos:
"Da névoa e da saudade quando?
Quando, meu sonho e meu Senhor?"
que, pela sua omissão, vem tornar o final do poema mais conciso,
vivo e vigoroso.
- A expressividade e a força do final do poema deriva ainda do
aproveitamento da troca de posição da partícula interrogativa
"quando" do penúltimo verso (hipérbato) que, com este artifício, fica
apenas separada por uma pausa do fim do verso da mesma palavra
que inicia o último verso.
- A metáfora, tomada como uma ultrapassagem do sentido real
das palavras para lhes emprestar um sentido imaginário, abunda no
texto: "Meus dias vácuos enche e doura"
"... o sopro incerto
De um grande anseio que Deus fez?"
Conclusão:
Trata-se de um poema sebastianista, em que o poeta, nos
limites da mágoa, apenas consegue preencher os seus dias no
refúgio do mito dum Salvador Encoberto que há-de vir redimi-lo e
realizar um sonho português de muitas eras. Estando embora ciente
da sua existência, a ponto de o sentir e pensar, assalta-o a dúvida de
saber quando a sua vinda (o regresso) se irá processar.

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