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Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Centro de Educação
Curso de Pedagogia – Noturno
Disciplina Artes/Educação
Docente Jefferson Fernandes
Aluna Maria Klaudia Jessy Bezerra da Rocha

Atividade Aproximação Artística


Hélio Oiticica

Natal-RN/2018.2
BIOGRAFIA E OBRAS

Hélio Oiticica, pintor, escultor, artista plástico, e


performático com aspirações anarquistas, nasceu em 1937
no Rio de Janeiro e morreu em 1980 de um Ataque vascular
Cerebral. Filho de José Oiticica Filho que era fotografo,
engenheiro, professor e entomólogo e de Ângela Santos
Oiticica.
Na infância, Hélio Oiticica teve sua educação em
casa, tendo sido educado e instruído pelos seus pais. Só aos
10 anos, quando estava nos Estados Unidos foi que ele
ingressou na educação formal. Foi nessa época que ele teve aproximação com
as artes, visto que em Washington-DC, onde ele e sua família moravam, seu pai
trabalhava em um museu, então Oiticica tinha acesso a museus e outros tipos
de exposições artísticas.
Ao voltar para o Brasil em 1950, Hélio começou a traduzir peças teatrais
e encenar em casa com seus irmãos,
incentivado pela tia Sônia Oiticica,
atriz. Mas é em 1954, quando ele e
seu irmão começam a estudar
pintura com Ivan Serpa que se inicia
sua trajetória na arte concreta.
Concomitantemente ao trabalho
artístico visual, Hélio passa a
escrever textos sobre artes plásticas
e registrar suas reflexões sobre as
produções artísticas.
Em 1955 e 1956, Hélio Oiticica
Metaesquema – 1950 - Guache sobre o papel
faz parte do Grupo Frente, fase
importante pois é quando surge suas primeiras obras concretas feitas em papel
com tinta guache que, em 1970, são denominadas de Metaesquema. Em 1959,
ele é convidado a participar do Grupo Neoconcreto do Rio de Janeiro, marcando
a transição das pinturas em papel e guache para o espaço ambiental com as
obras chamadas Bilaterais que eram feitas de chapas monocromáticas pintadas
com tempera ou óleo e suspensas por fios de nylon e os Relevos Espaciais que
foram suas primeiras obras tridimensionais.

Relevo Espacial – 1959 - Óleo sobre madeira

Em 1960, faz os primeiros Núcleos, que eram feitos com placas de


madeira, pintadas com cores quentes e penduradas no teto com fios de nylon,
dando a exposição, também chamada de Manifestações Ambientais e
Penetráveis, uma experiência mais participativa, pois tanto o movimento das
placas quando do espectador provocam sensações diferentes para a fruição.
Dando continuidade à sua obra, o Projeto Cães de Caça, inspirados nas favelas
da comunidade que frequentava quando participava da escola de samba da
Mangueira, era uma maqueta de labirinto, composto de cinco Penetráveis, o
Poema Enterrado, de Ferreira Gullar, e o Teatro Integral, de Reynaldo Jardim.

Projeto Cães de Caça – 1961 - maquete


“É uma espécie de jardim em escala pública para a vivência coletiva que envolve
tanto a relação com a arquitetura quanto com a natureza. (Itaú Cultural). ” Porém
esse projeto não foi concluído.
Na tentativa de criar outros estímulos e sensações à experiência da arte
visual ao espectador, Hélio Oiticica cria os chamados Bólides, obras de
estruturas manuseáveis, sendo recipientes contendo pigmento e outros diversos
tipos de materiais como feno, água, poemas, etc.

B11 Bólide Caixa 9 – 1964

Os Parangolés, obras inspiradas durante sua participação na comunidade


da Mangueira, são construções que envolvem tendas, estandartes, bandeiras e
capas para vestir, juntando elementos como dança, música, poesia, cor, etc. Em
1967, ainda inspirados com o Parangolé, Oiticica cria as Manifestações
Ambientais, tendo tido destaque as obras Tropicália, que também inspiraram
Caetano Veloso, e em seguida o movimento que ficou conhecido como
Tropicalismo. Tropicália, foi considerado o auge do programa ambiental de Hélio,
era um labirinto, sem teto, com um aparelho de TV sempre ligado. Ela foi exposta
no Museu de Artes Modernas do Rio de Janeiro – MAM/RJ.
Sua obra foi se expandindo, e o Projeto Edén, composto por Tendas,
Bólides e Parangolés, foi exposto em Londres em 1969, na Whitechapel Gallery

Éden – 1969 - Penetráveis, Tenda Caetano - Gil, B57 Cama Bólide 1 e Bólides Área 1 e 2

e foi considerado sua maior exposição em vida. Outras exposições


internacionais incluem, Information, nos Estados Unidos, Newyorkaises, que
remente aos Nova Yorquinos, entre outros projetos.

Quasi-Cinema, Block Experiments em Cosmococa, CC1 Trashiscapes 1973

Hélio Oiticica, sempre inspirado pelo meio ao seu redor, passa a entrar
também no cinema, criando a chamada Cosmococa, com a ajuda de alguns
cineastas brasileiros. E em Nova York também participa do Super-8, entre outras
coisas. Dois anos antes de sua morte, Helio Oiticica participa e organiza eventos
como Caju-Kleemania, Devolver a Terra à Terra, além de propor o segundo
acontecimento poético urbano, Esquenta pr’o Carnaval.

CONTEXTOS, IMPRESSÕES E REFLEXÕES

Pode-se observar que as suas obras estavam sempre ligadas ao


ambiente exterior, pois elas se aprimoravam e ganhavam novas características
à medida que ele ia vivenciando novas experiências. Quando inicia sua obra, ele
está em um contexto mais do papel, ainda percebendo suas ideias e acredito
que por isso ele escreve bastante sobre suas reflexões artísticas. Além disso,
ele inicia depois de sua experiência nos Estados Unidos, precisamente em
Washington DC, e eu notei que seus desenhos iniciais exploravam de tons
escuros e fechados, e de formas geométricas normalmente quadriláteras. Isso
me lembra muito DC, quando estive lá em 2016, essa era a sensação que tinha.
Ao surfar (visto que só apreciei pela internet) pelas suas obras, notei que
ele sempre interiorizava uma característica e depois a expunha artisticamente,
então eu tive a impressão que as características lineares e acinzentadas de
Washington, estavam representadas ali nas suas obras de Metaesquema.
O grupo Frente também foi muito
importante para as obras de Oiticica,
ainda em tela, e para suas reflexões
literárias. O concretismo foi muito
marcante para esse escultor, pois esse
movimento veio quebrar os padrões de
representação artística da arte moderna
que vigorava na década de 1950. Hélio
Oiticica acreditava que a arte poderia
seguir outras formas de representações, e
por isso ele foi um neoconcretista, pois ele
ampliou o pensamento concreto da arte Grupo Frente – 1954 - Guache sobre cartão
representada por um objeto para a arte não
ao objeto, mas às interações, sem abandonar as formas geométricas e as cores
características do concretismo.
Outra grande influência das obras de Hélio Oiticida foi a comunidade da
Mangueira, o samba. Ele, apesar de ter muitas
vivencias dentro dos museus em que seu pai
trabalhou, se envolveu bastante com essa
comunidade e o ritmo, a dança e as cores
influenciaram bastante suas produções nesse
período que ficaram conhecidas como
Parangolés. É possível perceber as mudanças
ao longo da trajetória artística do pintor. Mesmo
não abandonando as formas geométricas mais
quadriláteras, os tons e as composições dos
seus cenários vão ganhando novos aparências
mais vívidas e quentes, provavelmente,
Parangolé P1 Capa 1 - 1964
devido a “tropicalidade” carioca.
Hélio também era um poeta, alguns de seus Bólides têm até poemas
dentro para que o espectador possa apreciar essa versão de artes junto com o
neoconcretismo. Suas obras também têm relação com as questões sociais da
marginalidade (estar a margem da
sociedade). A imagem a seguir mostrar
uma colocação bem famosa desse
artista.
Um poema que eu encontrei em
um vídeo no youtube e acho que tem a
ver com essa obra é o seguinte: “Hoje
sou um marginal ao marginal, não
marginal aspirando a pequena
burguesia ou ao conformismo, como
acontece com a maioria, mas marginal
Poema-Bandeira - 1968
mesmo: a margem de tudo, o que me
dá surpreendente liberdade de ação. ”
(H.O. Carta a Ligia Clarck, 1968)
Ao estudar sobre esse artista vejo que o conceito de artes que ele
apresenta é muito distante do conceito de artes que eu aprendi na escola ao
longo de toda minha educação básica. Fico frustrada em pensar que muito pouco
foi trabalhado as potencialidades de expressão artística dos alunos na minha
época e que isso ainda ocorre hoje. Hélio Oiticica foi, de acordo com sua
biografia, muito importante para a construção de uma visão do uso sociocultural
da arte, pois suas obras representam realidades vividas por ele e por alguns
grupos sociais que ele conheceu. Porém é impossível apreciar suas obras de
artes visuais através de leituras online de textos. A proposta de Oiticica é uma
experimentação de suas obras através do olhar, do sentir, sem compromissos
ou intenções pré-estabelecidas, mas o apreciar por lazer, por prazer e para isso
é preciso adentrar em suas “construções” o que foi inviável para mim, visto que
suas exposições mais próximas estão no MAM/RJ.
Apesar da grande dificuldade de fruição para com as obras desse artista,
conhecer um pouco mais sobre outras formas de expressão artística, diferentes
daquelas apresentadas da escola, normalmente sobre arte moderna, abre as
janelas da imaginação para as novas possibilidades pedagógicas do ensino de
artes nas escolas.
Considerando que o ensino de artes está longe de ser apenas uma técnica
como foi característico do pré-modernismo e não é somente uma forma de
expressão, mas sim uma área do conhecimento capaz de estimular o
desenvolvimento cognitivo, percebendo as artes como uma construção social,
histórica e cultural (SILVA, ARAÚJO, 2007), é que podemos entender a
dimensão das obras de Hélio Oiticica. As obras desse artista trazem a
participação do espectador diretamente para com as exposições, não para uma
apreciação distante, com um intuito provocado e induzido, mas para uma fruição
da arte por si mesma, da essencialidade artística.
A ideia de arte como provocação e (re) invenção de mundos possíveis é
fortemente percebida nas obras de Hélio Oiticica. O conjunto de suas obras
revelam uma diversidade de contextos que muitas pessoas jamais diriam que
poderia ser tornar arte. O nome Parangolé, por exemplo foi inspirado em uma
simples construção de um morador de rua. Enquanto Oiticica ia passando por
uma rua quando vinha do museu onde seu pai trabalhava no Rio de Janeiro, ele
se deparou com uma construção de panos e caixas, linhas e várias outras coisas,
e tinha uma plaquinha que dizia uma frase que ele não entendeu muito bem, mas
o final dizia Parangolé e foi assim que ele nomeou o projeto em que ele estava
trabalhando naquele momento.
Os Ninhos também foi um projeto que reinventou a percepção de
expansão das comunidades, de acordo as leituras, o objetivo dessa obra era
representar o grande crescimento periférico que estava acontecendo no Rio de
Janeiro nas décadas de 1960 e 70. Além de tudo, sua arte trouxe não só
provocações artísticas, mas também de rejeição. Em uma ocasião, ele chegou
a ser expulso do MAM quando ia fazer uma exposição de Parangolés. Ele já
estava se vestindo junto com um grupo de pessoas para fazer a demonstração
com dança dessa obra, porém a administração não permitiu e eles tiveram que
ficar do lado de fora do museu.
Hélio Oiticica foi um grande artista neoconcreto e seus projetos e obras
contribuíram para a mudança de pensamento do processo de criação e
apreciação artística. Seu trabalho de artes visuais é muito interessante e se um
dia eu estiver no Rio de Janeiro vou tentar ir ao Museu para apreciar suas obras,
pois o bom da arte é que ela nunca envelhece, e sempre ganha novas
possibilidades de leitura.

HÉLIO OITICICA E A ABORDAGEM TRIANGULAR

A abordagem triangular de Ana Mae Barbosa foi concebida após a morte


de Oiticica, em 1987 e tem seus pilares na Fazer Artístico
Contextualização, Leitura da Obra e no Fazer
artístico. A partir dessa abordagem o ensino de
artes pode se desenvolver não para a técnica,
mas para o ensino de artes em sua
essencialidade.
Usando as obras de Oiticica e pensando na
abordagem triangular é possível definir uma Contextualização Leitura da Obra
atividade pedagógica muito interessante.
Seria feito um projeto com os alunos, pois a atividade iria requerer
bastante tempo e já estaria relacionando ao projeto “Meu Bairro” que
normalmente é trabalhado nas escolas todo ano.
Então, após apreciação artística, apresentação do histórico do artística e
das obras, com foco nos Ninhos e Penetráveis, feita uma reapreciação, seria
sugerido para os alunos, mais ou menos dos 3º aos 5º anos do ensino
fundamental, que eles pensassem nas suas comunidades, na sua casa, no seu
bairro e daí eles deveriam criar uma maquete baseada nas obras de Hélio
Oiticica, porém que não fosse uma reprodução do que ele já fez, mas uma
criação dos alunos baseados nas suas próprias realidades e sociedades. O
trabalho teria um prazo para ser concluído e depois de entregues seria feita uma
exposição de dois dias para a comunidade escolar. No primeiro dia, a única
orientação seria para que as pessoas apreciassem as criações dos alunos, no
segundo dia os alunos estariam fazendo as apresentações aos espectadores,
com um intuito de que os alunos pudessem fazer uma reflexão do seu fazer
artísticos, expondo suas ideias.
REFERENCIAS

HÉLIO Oiticica. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras.


São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em:
<http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa48/h%C3%A9lio-oiticica>. Acesso
em: 25 de Out. 2018. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7

HÉLIO, Oiticica. In: A EDUCAÇÃO, Uol Educação. Disponível em:


https://educacao.uol.com.br/biografias/helio-oiticica.htm
Acesso em: 25 de out 2018.

SILVA, Everson Melquiades Araújo; ARAÚJO, Clarissa Martins de. Tendências


e concepções do ensino de arte na educação escolar brasileira: um estudo a
partir da trajetória histórica e sócio-epistemológica da arte/educação. Anais...
30ª Reunião Anual da ANPED. Caxambu/MG, 07 a 10 de outubro de 2007.
Disponível em: http://30reuniao.anped.org.br/grupo_estudos/GE01-3073--
Int.pdf. 2007. Acesso em: 07 de julho de 2018.