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DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS

OS: 0084/1/18-Gil

CONCURSO:

1. Poder Constituinte.............................................................................................................01
2. Princípios Fundamentais...................................................................................................04
3. Direitos e Garantias Fundamentais...................................................................................06
3.1. Direitos e Deveres Individuais e Coletivos................................................................09
3.2. Direitos Sociais...........................................................................................................39
3.3. Nacionalidade.............................................................................................................47
3.4. Direitos Políticos e Partidos Políticos........................................................................50
ASSUNTO: 4. Organização do Estado......................................................................................................55
5. Organização dos Poderes..................................................................................................70
5.1. Poder Legislativo........................................................................................................70
5.2. Poder Executivo..........................................................................................................98
5.3. Poder Judiciário........................................................................................................105
6. Funções Essenciais à Justiça.............................................................................................127
7. Questões de Concursos....................................................................................................132
8. CF/88 - Atualizada até a Emenda Constitucional 99/2017.............................................143

O poder constituidor caracteriza-se por ser inicial, já que a


Capítulo 1 sua obra, a constituição, é a base da ordem jurídica, por ser
ilimitado juridicamente e autônomo porque não está de
Poder Constituinte
modo algum limitado pelo direito anterior, não tendo que
respeitar os limites postos pelo direito positivo antecessor,
por ser incondicionado, pois não está sujeito a qualquer
1. CONCEITO DE PODER CONSTITUINTE E TITULARIDADE forma prefixada para manifestar sua vontade e por ser
permanente porque não desaparece com a realização de
É o poder de elaborar ou atualizar uma Constituição, é a
sua obra, continua latente, manifestando-se novamente
manifestação soberana da vontade política de um povo,
mediante uma nova assembleia nacional constituinte ou um
social e juridicamente organizado.
ato revolucionário.
Para a doutrina moderna a titularidade do poder
Embora o Brasil tenha adotado a corrente positivista, onde
constituinte pertence ao povo, embora seja exercido ou por
nem mesmo o direito natural limitaria o poder constituinte
uma assembleia nacional constituinte (convenção) ou
originário contrapondo-se a corrente jusnaturalista,
outorgada por um movimento revolucionário. Vale lembrar
destaca-se entre a doutrina moderna a visão de Canotilho, o
que o abade Emmanuel Joseph Sieyès, que traçou as linhas
qual observa que o poder constituinte originário “...
mestras da Teoria do Poder Constituinte através da sua obra
obedece a padrões e modelos de conduta espirituais,
“¿Que é o terceiro Estado?” (“Quést-ce que le tiers État?”),
culturais, éticos e sociais, radicados na consciência jurídica
apontava como titular do poder constituinte a nação.
geral da comunidade e, nesta medida, considerados como
‘vontade do povo’”.
2. ESPÉCIES DE PODER CONSTITUINTE
2.1. Originário (inicial, inaugural, genuíno, instituidor, ou 2.2. Derivado (instituído, constituído, secundário, ou de 2º
de 1º grau) grau ou remanescente)
Instaura um novo Estado, organizando-o, rompendo por Está inserido na própria constituição, pois decorre de uma
completo com a antiga ordem jurídica. Tanto haverá poder regra jurídica de autenticidade constitucional (poder
constituinte no surgimento de uma primeira constituição, constituinte originário), portanto conhece limitações
quanto na elaboração de qualquer constituição posterior. constitucionais expressas e implícitas e é passível de
controle de constitucionalidade. Caracteriza-se por ser
Pode ser subdividido em histórico (o primeiro) ou
derivado, uma vez que retira sua força do poder
revolucionário (todos os posteriores ao histórico), como
constituinte originário, por ser subordinado, pois se
pode ser material ou formal. O material é o sentimento de
encontra limitado pelas normas explícitas e implícitas do
elaborar uma nova ordem e o formal é aquele que se
texto constitucional e por ser condicionado, porque seu
exterioriza por meio de um procedimento que tem como
exercício deve seguir regras previamente estabelecidas no
objetivo elaborar uma constituição. O formal deve estar de
texto da constituição federal.
acordo com as ideias do poder constituinte originário
material. Ex: Decreto n. 1 de 1899. Subdivide-se em: poder constituinte derivado revisor
(competência de revisão), Poder constituinte derivado

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reformador (competência reformadora) e poder CONFIGURADOS OS PRESSUPOSTOS PARA A CONCESSÃO DE


constituinte derivado decorrente. MEDIDA LIMINAR, SUSPENDENDO A EFICACIA DA
RESOLUÇÃO N. 01, DE 1993 - RCF, DO CONGRESSO
NACIONAL, ATÉ O JULGAMENTO FINAL DA AÇÃO. MEDIDA
2.2.1. Poder Constituinte Derivado Revisor
CAUTELAR INDEFERIDA. (STF - ADI-MC: 981 PR, Relator:
Vinculado ao poder constituinte originário, foi estabelecido NÉRI DA SILVEIRA, Data de Julgamento: 16/12/1993,
no art. 3º do ADCT, que reza: TRIBUNAL PLENO, Data de Publicação: DJ 05-08-1994 PP-
19299 EMENT VOL-01752-01 PP-00030)
“A revisão constitucional será realizada após cinco anos,
contados da promulgação da Constituição, pelo voto da
maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em 2.2.2. Poder Constituinte Derivado Reformador
sessão unicameral”.
Consiste na possibilidade de se alterar o texto
Desta competência, que adotou um procedimento constitucional, respeitando-se a regulamentação especial
simplificado, surgiram 6 (seis) Emendas Constitucionais de prevista na própria constituição federal e será exercitado
Revisão, valendo destacar que a Resolução 1-RCF do por determinados órgãos com caráter representativo. Além
Congresso Nacional fixou as mesmas limitações materiais das limitações expressas ou explícitas, existem as limitações
(cláusulas pétreas) do art. 60, § 4º, da CF/88. implícitas (a titularidade do poder constituinte e as
limitações expressas)
Dito poder não poderá mais se manifestar em razão da
eficácia exaurida e aplicabilidade esgotada da regra A Carta de Outubro prevê em seu art. 60, a única maneira
constitucional. de se modificar as normas constitucionais originárias,
vejamos:
 Jurisprudência relacionada ao tema:
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. proposta:
RESOLUÇÃO N. 1 - RCF, DO CONGRESSO NACIONAL, DE I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos
18.11.1993, QUE DISPÕE SOBRE O FUNCIONAMENTO DOS Deputados ou do Senado Federal;
TRABALHOS DE REVISÃO CONSTITUCIONAL E ESTABELECE II - do Presidente da República;
NORMAS COMPLEMENTARES ESPECIFICAS. AÇÃO DE III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das
INCONSTITUCIONALIDADE AJUIZADA PELO GOVERNADOR unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas,
DO ESTADO DO PARANA. ALEGAÇÕES DE OFENSA AO pela maioria relativa de seus membros.
PARÁGRAFO 4. DO ART. 60 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, EIS § 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se
QUE O CONGRESSO NACIONAL, PELO ATO IMPUGNADO,
aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos
"MANIFESTA O SOLENE DESIGNIO DE MODIFICAR O TEXTO respectivos membros.
CONSTITUCIONAL", MEDIANTE "'QUORUM' DE MERA § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda
MAIORIA ABSOLUTA", "EM TURNO ÚNICO" E "VOTAÇÃO tendente a abolir:
UNICAMERAL". SUSTENTA-SE, NA INICIAL, ALÉM DISSO, QUE I - a forma federativa de Estado;
A REVISÃO DO ART. 3. DO ADCT DA CARTA POLÍTICA DE II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
1988 NÃO MAIS TEM CABIMENTO, POR QUE ESTARIA III - a separação dos Poderes;
INTIMAMENTE VINCULADA AOS RESULTADOS DO IV - os direitos e garantias individuais.
PLEBISCITO PREVISTO NO ART. 2. DO MESMO
INSTRUMENTO CONSTITUCIONAL TRANSITORIO. "EMENDA" 2.2.3. Poder Constituinte Derivado Decorrente
E "REVISÃO", NA HISTORIA CONSTITUCIONAL BRASILEIRA. Diz respeito a possibilidade que os Estados-membros têm,
EMENDA OU REVISÃO, COMO PROCESSOS DE MUDANCA NA em virtude de sua autonomia político-administrativa, de se
CONSTITUIÇÃO, SÃO MANIFESTAÇÕES DO PODER auto organizarem por meio de suas respectivas
CONSTITUINTE INSTITUIDO E, POR SUA NATUREZA, constituições estaduais, sempre respeitando as regras
LIMITADO. ESTA A "REVISÃO" PREVISTA NO ART. 3. DO limitativas estabelecidas pela constituição federal, nos
ADCT DE 1988 SUJEITA AOS LIMITES ESTABELECIDOS NO termos do art. 25, caput e do art. 11 do ADCT:
PARÁGRAFO 4. E SEUS INCISOS, DO ART. 60, DA
Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas
CONSTITUIÇÃO. O RESULTADO DO PLEBISCITO DE 21 DE
Constituições e leis que adotarem, observados os princípios
ABRIL DE 1933 NÃO TORNOU SEM OBJETO A REVISÃO A
desta Constituição.
QUE SE REFERE O ART. 3. DO ADCT. APÓS 5 DE OUTUBRO DE Art. 11. Cada Assembleia Legislativa, com poderes
1993, CABIA AO CONGRESSO NACIONAL DELIBERAR NO constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo
SENTIDO DA OPORTUNIDADE OU NECESSIDADE DE de um ano, contado da promulgação da Constituição
PROCEDER A ALUDIDA REVISÃO CONSTITUCIONAL, A SER Federal, obedecidos os princípios desta.
FEITA "UMA SÓ VEZ". AS MUDANCAS NA CONSTITUIÇÃO,
DECORRENTES DA "REVISÃO" DO ART. 3. DO ADCT, ESTAO No que diz respeito ao “observados os princípios desta
SUJEITAS AO CONTROLE JUDICIAL, DIANTE DAS "CLAUSULAS Constituição” constante no caput do art. 25 da Constituição
PETREAS" CONSIGNADAS NO ART. 60, PAR. 4. E SEUS Federal, deve ser entendido por princípios constitucionais
INCISOS, DA LEI MAGNA DE 1988. NÃO SE FAZEM, ASSIM, sensíveis (apontados ou enumerados), que se encontram
positivados na constituição, mais precisamente no art. 34,
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VII, princípios constitucionais estabelecidos (organizatórios), Federal. Em uma palavra: a Lei Orgânica equivale, em força,
que segundo Bulos “são aqueles que limitam, vedam, ou autoridade e eficácia jurídicas, a um verdadeiro estatuto
proíbem a ação indiscriminada do Poder Constituinte constitucional, essencialmente equiparável às Constituições
Decorrente”, como exemplo, tem-se as regras de repartição promulgadas pelos Estados-membros. (Rcl 3.436, 01.08.05).
de competência (arts. 21, 22, 23 e 24), do sistema tributário
EMENTA. (...) 3. Conquanto submetido a regime
nacional (arts. 145 e ss), da organização dos poderes (arts.
constitucional diferenciado, o Distrito Federal está bem mais
44 e ss), dos direitos e garantias individuais (art. 5º) etc, e os
próximo da estruturação dos Estados-membros do que da
princípios constitucionais extensíveis, que ainda segundo
arquitetura constitucional dos Municípios. (ADI 3.756/DF,
Bulos “são aqueles que integram a estrutura da federação
Rel. Min. Carlos Britto, DJ 19.10.2007).
brasileira, relacionando-se, por exemplo, com a forma de
investidura em cargos eletivos (art. 77), o processo
2.3. Poder Constituinte Difuso
legislativo (arts. 59 e ss), os orçamentos (arts. 165 e ss), os
preceitos lidados à Administração Pública (arts. 37 e ss) Uadi Lammêgo Bulos cita o poder constituinte difuso,
etc.”. chamado assim porque não vem formalizado nas
constituições, embora esteja presente nos ordenamentos
No que se refere aos Municípios, sabe-se que há divergência
jurídicos. É caracterizado como um poder de fato e se
doutrinária quanto a existência da competência derivada
concretiza por meio das mutações constitucionais, uma vez
decorrente, considerando o art. 29, caput, da CF/88 (texto
que se manifesta de maneira informal e espontânea, em
permanente) e § único do art. 11 do ADCT. Entretanto, a
decorrência de fatores sociais, políticos e econômicos,
doutrina majoritária se posiciona no sentido de que o poder
sempre observando os princípios estruturantes da
constituinte derivado decorrente dado aos Estados
Constituição.
Federados não se estende aos Municípios, principalmente
no que tange ao critério jurídico-formal.
2.4. Poder Constituinte Supranacional
Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em
dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e Segundo Kildare Gonçalves Carvalho, o poder constituinte
aprovada por dois terços dos membros da Câmara supranacional tem sua fonte de validade na cidadania
Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios universal, no pluralismo de ordenamentos jurídicos, na
estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do vontade de integração e em um conceito remodelado de
respectivo Estado e os seguintes preceitos: soberania. Cria uma ordem jurídica de cunho constitucional,
Art. 11. Cada Assembleia Legislativa, com poderes haja vista que passa a aderir ao direito comunitário dos
constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo
Estados Nacionais.
de um ano, contado da promulgação da Constituição
Federal, obedecidos os princípios desta.
Parágrafo único. Promulgada a Constituição do Estado, 2.5. Poder Constituinte Originário e a teoria da
caberá à Câmara Municipal, no prazo de seis meses, votar a Retroatividade Mínima.
Lei Orgânica respectiva, em dois turnos de discussão e
votação, respeitado o disposto na Constituição Federal e na Quando nasce uma nova ordem aplica-se a Teoria da
Constituição Estadual. Retroatividade Mínima, salvo se a própria norma dispuser
em sentido contrário (Retroatividade Média ou Máxima). A
No caso do Distrito Federal, como a derivação da Jurisprudência do Suprem Tribunal Federal conceituou os
competência é direta da Norma Constitucional, apesar de institutos quando do julgamento do Recurso Extraordinário
ser regido por Lei Orgânica (critério jurídico-formal), a 242.740.
Jurisprudência Pátria tem entendido pela existência da
 Jurisprudência relacionada ao tema:
manifestação do poder constituinte derivado decorrente,
nos termos do art. 32, caput: EMENTA (...). Já se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido
de que os dispositivos constitucionais têm vigência imediata,
“O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, alcançando os efeitos futuros de fatos passados (retroatividade
reger-se-ão por lei orgânica, votada em dois turnos com mínima). Salvo disposição expressa em contrário - e a Constituição
interstício mínimo de dez dias, a aprovada por dois terços pode fazê-lo -, eles não alcançam os fatos consumados no passado
da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os nem as prestações anteriormente vencidas e não pagas
princípios estabelecidos nesta Constituição”. (retroatividades máxima e média). (...). (RE 242.740/GO, Rel. Min.
Moreira Alves, 1ª. Turma, DJ 18.05.2001).
 Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. A Lei Orgânica do Distrito Federal constitui
instrumento normativo primário destinado a regular, de
modo subordinante – e com inegável primazia sobre o
ordenamento positivo distrital – a vida jurídico-
administrativa e político-institucional dessa entidade
integrante da Federação brasileira. Esse ato representa, Capítulo 2
dentro do sistema de direito positivo, o momento inaugural
e fundante da ordem jurídica vigente no âmbito do Distrito Princípios Fundamentais
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O Princípio da indissolubilidade do vínculo federativo, em


nosso Estado Federal, foi consagrado em nossas
O termo princípio traduz-se na ideia de início, origem, constituições republicanas desde 1891 e tem duas
começo, e ainda, numa outra acepção, em mandamento, finalidades básicas: a unidade nacional e a necessidade
norma nuclear de um sistema. Nesse contexto, os princípios descentralizadora. Inadmissível, portanto, qualquer
fundamentais nada mais são que as diretrizes básicas que pretensão de separação de um Estado-membro, do Distrito
produzem decisões políticas imprescindíveis à estruturação Federal ou de qualquer Município da Federação, inexistindo
do Estado. São alicerce, a base, as linhas mestras sociais e em nosso ordenamento jurídico o denominado direito de
políticas que norteiam e inspiram os conteúdos positivados secessão, pois a mera tentativa de secessão permitira a
pelo legislador constituinte originário. decretação de intervenção federal (art. 34, I da CF).

No art. 1º estão estabelecidos os fundamentos da República O Estado Democrático de Direito é mais amplo que Estado
Federativa do Brasil, como se vê a seguir: de Direito. A expressão “Estado de Direito” na sua origem
significa governo a partir de leis, porém quaisquer leis. Com
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela a introdução da característica de ser democrático na
união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Constituição Federal de 1988, impõe-se a todas as normas a
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e observância a tal princípio; não sendo suficientes apenas as
tem como fundamentos: leis, mas principalmente que nestas esteja inserido o
conteúdo democrático, uma vez que o regime político
I - a soberania;
adotado é a democracia.
II - a cidadania;
A soberania significa poder ilimitado na ordem interna e
III - a dignidade da pessoa humana; independente na ordem internacional.
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; A cidadania está relacionado com a titularidade de direitos
políticos, implicando, assim, na parcela detentora de
V - o pluralismo político.
capacidade eleitoral ativa.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o
A dignidade da pessoa humana compreende o direito de
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente,
nascer com vida e permanecer vivo com uma vida digna.
nos termos desta Constituição.
Deve ser interpretado com o máximo de amplitude possível
Nesse dispositivo tem-se a definição da República na hora de conceituá-lo, aplicando o princípio da máxima
Federativa do Brasil sob o aspecto territorial, ou físico, a efetividade ou eficiência.
República é composta dos Estados, do Distrito Federal e dos
Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa são
Municípios.
características do sistema capitalista: valorização do
Há de se observar que República Federativa do Brasil é o trabalho, único responsável pela subsistência e
nome do Estado Brasileiro, que adota o federalismo, por desenvolvimento dos indivíduos e do país e a prevalência da
isso a designação Estado Federal. Este, por sua vez, compõe- livre iniciativa, a qual afasta os ideais socialistas de
se de coletividades regionais autônomas denominadas planificação da economia.
Estados-membros ou federados.
O pluralismo político não significa apenas pluripartidarismo,
Para Celso Bastos, soberania é atributo que se confere ao sendo este uma espécie do gênero daquele. Caracteriza-se
poder do Estado em virtude de ser juridicamente ilimitado pela aceitação de diversidade de opiniões, participação
(todo o poder). Já autonomia é margem de discrição de que plural na sociedade do mais diversos modos, abrangendo
uma pessoa goza para decidir sobre seus negócios (parcela associações, sindicatos, partidos políticos, igrejas,
do poder). universidades, escolas etc.
A Constituição adotou como Forma de Estado o O Regime Político adotado no Brasil é o democrático, ou
Federalismo, que no conceito de Dalmo Dallari é uma seja, governo do povo, para o povo, pelo povo. O poder
“aliança ou união de Estados”, baseada em uma advém do povo, que o exerce por meio de representantes
constituição e onde “os Estados que ingressam na federação eleitos ou diretamente (democracia semidireta ou
perdem sua soberania no momento mesmo do ingresso, participativa).
preservando, contudo, uma autonomia político-
Dispositivo correspondente: art. 170, CF.
administrativa”. Assim, não se admite secessão, separação
ou segregação. Lembre-se, o legislador constituinte
determinou a impossibilidade de qualquer deliberação
 Jurisprudência relacionada ao tema:
sobre proposta de emenda constitucional tendente a abolir
a Federação (art. 60, § 4º, I da CF). EMENTA. (...) Ninguém é obrigado a cumprir ordem ilegal,
ou a ela se submeter, ainda que emanada de autoridade
A República foi a Forma de Governo assumida pelo país,
judicial. Mais: é dever de cidadania opor-se à ordem ilegal;
tendo como características: a eletividade, temporariedade e
caso contrário, nega-se o Estado de Direito. (STF HC
responsabilidade do governante perante os governados.
73.454/RJ).
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EMENTA. (...) O princípio da livre iniciativa não pode ser IV - não intervenção
invocado para afastar regras de regulamentação do
V - igualdade entre os Estados;
mercado e de defesa do consumidor. (STF RE 349.686,
14.06.2005). VI - defesa da paz;
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos VII - solução pacífica dos conflitos;
entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
Defende a doutrina que a divisão é de Funções, e não de IX - cooperação entre os povos para o progresso da
Poderes, considerando que o Poder é uno, além de ser humanidade;
indivisível e indelegável.
X - concessão de asilo político.
A Tripartição de Poderes foi esboçada por Aristóteles e
firmada por Montesquieu e Locke. Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a
integração econômica, política, social e cultural dos povos
Os poderes participam, por vezes, das atribuições uns dos da América Latina, visando à formação de uma
outros, a fim de que se garanta a harmonia entre eles, a comunidade latino-americana de nações.
inocorrência de abusos e a consequente realização do bem
da coletividade, através do sistema de freios e contrapesos Os dez princípios de relações internacionais que devem ser
– checks and balances. Assim as funções administrativa, hermeneuticamente analisados e concretizados com o
legislativa e judiciária não são exercidas com exclusividade, intuito de lograr o objetivo constante no parágrafo único e
mas apenas preponderantemente por cada “Poder”. Daí a consistem em verdadeiros desafios das relações
denominação em funções típicas e atípicas (secundárias ou internacionais rumo a efetiva implantação de uma
subsidiárias). comunidade latino-americana de nações.

Os Poderes são harmônicos e independentes, ou seja, entre O princípio da independência nacional retrata, segundo
os órgãos há cortesia no trato recíproco e na atuação do Cretela Júnior, a afirmativa da soberania como fundamento
exercício de suas atribuições não há ingerência dos demais, da República, previsto no art. 1º da Lei Maior. O princípio
com liberdade para organizar serviços e tomar decisões, da autodeterminação dos povos também está marcado pela
apesar da doutrina indicar na própria constituição exceções Soberania, pois diz respeito aos limites a todo e qualquer
a separação dos poderes, como por exemplo, o art. 50, § 1º. poder colonizante. Ainda no campo da soberania, o
princípio da não intervenção consiste na proibição de um
Como exemplo, tem-se a competência de legislar do Poder Estado interferir sobre outro em assuntos de natureza
Legislativo. O Congresso aprova os projetos de leis, que interna.
podem ser sancionados ou vetados pelo Presidente da
República e no caso de haver sanção, poderá o Poder Acerca do princípio da prevalência dos direitos humanos,
Judiciário declarar a inconstitucionalidade. tem-se a lição de Pedro Dallari: "a prevalência dos direitos
humanos, enquanto princípio norteador das relações
Ressalte-se que a Separação dos Poderes é cláusula pétrea exteriores do Brasil e fundamento colimado pelo País para a
(art. 60, § 4º, III). regência da ordem internacional não implica tão-somente o
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República engajamento no processo de edificação de sistemas de
Federativa do Brasil: normas vinculados ao Direito Internacional Público. Impõe-
se buscar a plena integração das regras de tais sistemas à
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; ordem jurídica interna de cada Estado".
II - garantir o desenvolvimento nacional; O princípio da igualdade prevê que todos os Estados são
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as iguais perante a lei brasileira.
desigualdades sociais e regionais; O princípio da solução pacífica dos conflitos determina
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de como o Brasil se posiciona em relação aos conflitos. O
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de desinteresse em envolver-se em um conflito e a falta de
discriminação. incentivo a prática da guerra estão relacionados ao princípio
da defesa da paz, um objetivo supranacional.
Não se trata de um rol taxativo, mas exemplificativo.
O princípio do repúdio ao racismo e ao terrorismo é um
Dispositivo correspondente: art. 170, CF. compromisso ético-jurídico assumido pelo Estado Brasileiro,
quer perante a sua própria Constituição, quer em face da
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas
comunidade internacional. Há adesão do Brasil a tratados e
relações internacionais pelos seguintes princípios:
acordos multilaterais que repudiam quaisquer
I - independência nacional; discriminações raciais, de cor, credo, descendência ou
origem inspiradas na pretensa superioridade de um povo
II - prevalência dos direitos humanos;
sobre outro.
III - autodeterminação dos povos;

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Sobre o princípio da cooperação para o progresso da A história dos direitos fundamentais está diretamente ligada
humanidade, o legislador pretende alcançar uma ao aparecimento do constitucionalismo no final do século
cooperação entre países para um desenvolvimento XVIII, que, entretanto, herdou da idade média as ideias de
unilaterial ou bilateral ou multilateral. Nesse sentido, o contenção do poder do Estado em favor do cidadão, tendo
Brasil já possui relações internacionais de cooperação, tais como ponto ápice a célebre Magna Carta, escrita na
como: a Declaração de Princípios sobre a Cooperação entre Inglaterra, em 1215, pela qual o Rei João Sem Terra
o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do reconhecia alguns direitos dos nobres, limitando o poder do
Canadá para a Manutenção da Paz e da Segurança monarca.
Internacionais, realizado em Brasília, em 15 de janeiro de
Com a Revolução Francesa, em 1789, se acentuaram os
1998, e o Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta entre
movimentos e documentos escritos que buscavam garantir
a República Portuguesa e a República Federativa do Brasil,
aos cidadãos os seus direitos elementares em face da
aprovado pela Resolução da Assembléia da República
atuação do poder público. Destaque-se a denominada
83/2000, de 14 de dezembro de 2000.
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789,
Partindo do conceito, segundo o mestre Rezec, asilo produto daquela revolução ocorrida em território francês.
político “... é o acolhimento, pelo Estado, de estrangeiro
Pouco antes disso, porém, outro documento entrava para a
perseguido alhures – geralmente, mas não
história, como resultado da revolução Americana, a
necessariamente, em seu próprio país patrial –, por causa de
Declaração de Virgínia, elaborada em 1776, estabelecendo
dissidência política, de delitos de opinião, ou por crimes que,
os direitos fundamentais do povo norte-americano, tais
relacionados com a segurança do Estado, não configuram
como a liberdade, a igualdade, eleição de representantes,
quebra do direito penal comum”, verifica-se que não há
dentre outros.
incompatibilidade entre o instituto do asilo político e o da
extradição passiva, na exata medida em que o Supremo Em 1948, logo após a 2a Guerra Mundial, a Organização das
Tribunal Federal não está vinculado ao juízo formulado pelo Nações Unidas fazia editar a Declaração Universal dos
Poder Executivo na concessão administrativa daquele Direitos do Homem, estendendo para praticamente todo o
benefício. A condição jurídica de asilado político não mundo o respeito e a proteção aos direitos fundamentais do
suprime, só por si, a possibilidade de o Estado brasileiro ser humano.
conceder, presentes e satisfeitas às condições
Paulo Bonavides, comentando sobre a importância das
constitucionais e legais que a autorizam, a extradição que
declarações dos direitos do homem, enaltecendo aquela
lhe haja sido requerida. O estrangeiro asilado no Brasil só
nascida na França, em mais uma lição magistral, ensina que:
não será passível de extradição quando o fato ensejador do
“Constatou-se então com irrecusável veracidade que as
pedido assumir a qualificação de crime político ou de
declarações antecedentes de ingleses e americanos podiam
opinião.
talvez ganhar em concretude, mas perdiam em espaço de
É importante, ainda, comentar sobre a relativização da abrangência, porquanto se dirigiam a uma camada social
soberania em prol dos direitos humanos. A teoria da privilegiada (os barões feudais), quando muito a um povo ou
soberania absoluta e plena foi sendo transformada até se a uma sociedade que se libertava politicamente, conforme
alcançar o que se denomina de princípio da soberania. Os era o caso das antigas colônias americanas, ao passo que a
princípios da não-intervenção e da igualdade formal dos Declaração francesa de 1789 tinha por destinatário o gênero
Estados não exercem papel imperativo no contexto humano. Por isso mesmo, e pelas condições da época, foi a
internacional, tendo em vista as justificativas dadas pelas mais abstrata de todas as formulações solenes já feitas
grandes forças mundiais, tais como o terrorismo, os Direitos acerca da liberdade”.
Humanos e até mesmo a busca pela justiça e pela paz, na
tomada de medidas que interferem fora do âmbito daquilo 2. DISTINÇÃO ENTRE DIREITO E GARANTIA
que poderíamos chamar de soberania interna dos Estados.
Muitos doutrinadores diferem “Direitos” de “Garantias”
No Brasil, um novo conceito de soberania surgiu frente os Fundamentais. Essa distinção, no direito brasileiro, foi feita
avanços trazidos pela Constituição Federal de 1988 e as por Rui Barbosa, ao separar as disposições declaratórias, e
jurisprudências do Supremo Tribunal Federal, em que as garantias, disposições assecuratórias. Em outras palavras,
prevalece a dignidade humana nas relações internacionais. o direito é o “bem” protegido pela norma e a garantia é o
Exemplo disso é a submissão do Brasil ao Tribunal Penal mecanismo criado pela norma para defender o direito. Em
Internacional (art. 5º, § 4º, da CF/88). contrapartida, Sampaio Dória, defende a tese de que as
Garantias também são Direitos.
Os direitos e garantias fundamentais, consagrados na
Capítulo 3 constituição federal, não são ilimitados, absolutos, uma vez
que encontram seus limites nos demais direitos igualmente
Direitos e Garantias Fundamentais consagrados pela Carta Magna (Princípio da relatividade ou
convivência das liberdades públicas).
Na lição de Canotilho, os direitos fundamentais exercem a
1. BREVE EVOLUÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
função de defesa do cidadão sob dupla perspectiva: a) no
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plano jurídico-político, funcionam como normas de EMENTA. (...). Enquanto os direitos de primeira geração
competência negativa para os Poderes Públicos, proibindo- (direitos civis e políticos) – que compreendem as liberdades
os de atentarem contra a esfera individual da pessoa; b) no clássicas, negativas ou formais – realçam o princípio da
plano jurídico-subjetivo, implicam o poder de exercer liberdade e os direitos de segunda geração (direitos
positivamente os direitos fundamentais (liberdade positiva), econômicos, sociais e culturais) – que se identifica com as
e de exigir omissões dos poderes públicos. liberdades positivas, reais ou concretas – acentuam o
princípio da igualdade, os direitos de terceira geração, que
3. CLASSIFICAÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos
FUNDAMENTAIS genericamente a todas as formações sociais, consagram o
princípio da solidariedade e constituem um momento
A doutrina, baseada na ordem histórica cronológica em que
importante no processo de desenvolvimento, expansão e
passam a ser institucionalmente reconhecidos, classifica os
reconhecimento dos direitos humanos, caracterizados,
direitos fundamentais em dimensões (gerações). Em
enquanto valores fundamentais indisponíveis, nota de uma
primeira análise, Paulo Bonavides, os classificou em:
essencial inexauribilidade. (...) (STF MS 22.164, 17/11/95).
Direitos de primeira dimensão: são os direitos civis e
políticos, e compreendem as liberdades clássicas (liberdade, 4. EFICÁCIA VERTICAL E HORIZONTAL DOS DIREITOS
propriedade, vida, segurança). São direitos do indivíduo FUNDAMENTAIS (EFICÁCIA PRIVADA OU EXTERNA)
perante o Estado, são limites impostos à atuação do Estado,
Quando se fala da relação entre particulares, vê-se que
resguardando direitos considerados indispensáveis a cada
existe eficácia horizontal dos direitos fundamentais, mas
pessoa humana. Significa uma prestação negativa, um não
quando se está diante da relação entre particular e Estado,
fazer do Estado, em prol do cidadão.
passa a existir eficácia vertical dos direitos fundamentais.
Direitos de segunda dimensão: correspondem aos direitos
 Jurisprudência relacionada ao tema:
sociais, que são direitos de conteúdo econômico e cultural
que visam melhorar as condições de vida e de trabalho da EMENTA. (...) Eficácia dos direitos fundamentais nas
população. Significa uma prestação positiva, um fazer do relações privadas. As violações a direitos fundamentais não
Estado em prol dos menos favorecidos pela ordem social e ocorrem somente no âmbito das relações entre o cidadão e
econômica. Esses direitos nasceram em razão de lutas de o Estado, mas igualmente nas relações travadas entre
uma nova classe social, os trabalhadores. pessoas físicas e jurídicas de direito privado. Assim, os
direitos fundamentais assegurados pela Constituição
Direitos de terceira dimensão: corresponde aos direitos
vinculam diretamente não apenas os poderes públicos,
difusos e coletivos, são os direitos de solidariedade e
estando direcionados também à proteção dos particulares
fraternidade, considerados transindividuais, os direitos de
em face dos poderes privados. Os princípios constitucionais
pessoas coletivamente consideradas. São direitos coletivos,
como limites à autonomia privada das associações. (...). (STF
como a proteção ao meio ambiente, à qualidade de vida
RE 201.819, 27/10/06).
saudável, ao progresso, à paz, à autodeterminação dos
povos e a defesa do consumidor, da infância e da juventude.
5. EFICÁCIA “IRRADIANTE” DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
Note-se que há um comparativo desses direitos ao lema da
Dimensão subjetiva é a visão clássica dos Direitos
Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.
Fundamentais. Consiste em enxergá-los como um direito da
Em outra oportunidade, o mencionado autor cita ainda os pessoa em face do Estado, o qual deve exercer um papel
direitos de quarta dimensão: “são direitos da quarta negativo (abstenção de intervir para que não viole os
geração o direito à democracia, o direito à informação e o direitos previstos, notadamente os direitos e garantias
direito ao pluralismo. Deles depende a concretização da individuais) ou positivo (prestações que o Estado faz para as
sociedade aberta ao futuro, em sua dimensão de máxima pessoas de forma a garantir condições mais dignas de
universalidade, para a qual parece o mundo inclinar-se no sobrevivência, notadamente os direitos sociais).
plano de todas as relações de convivência”.
A dimensão objetiva dos direitos fundamentais tem como
Embora alguns doutrinadores afirmem que o direito à paz consequência a eficácia irradiante dos direitos para o
esteja inserido entre os direitos de terceira dimensão, Paulo legislativo na função de legislar, para o executivo na função
Bonavides o desloca para a quinta dimensão, em virtude de de administrar e para o Judiciário na função jurisdicional. É a
suas características próprias e independentes, pois estaria nova visão, onde os Direitos Fundamentais devem ser
em um “patamar superior”, merecendo visibilidade superior enxergados não só sob a ótica dos “direitos das pessoas
aos demais direitos fundamentais. E para tanto, afirma frente ao Estado”, mas como enunciados que contém alta
expressamente que “A dignidade jurídica da paz deriva do carga valorativa. Valores, princípios, regras que norteiam a
reconhecimento universal que se lhe deve enquanto aplicação do ordenamento jurídico e assumem um papel
pressuposto qualitativo da convivência humana, elemento central no constitucionalismo. Nesse aspecto, a visão
de conservação da espécie, reino de segurança dos objetiva cumpre com o papel de: estruturar, regulamentar,
direitos”. concretizar, estruturar, impor o cumprimento das normas o
mais rápido possível (visto que os direitos fundamentais têm
 Jurisprudência relacionada ao tema:
aplicação imediata); em suma, devem ser observados pelas
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normas jurídicas futuras. Importante lembrar que esses determinada civilização não é fundamental em outras
direitos podem ser condicionados uns em relação aos outros épocas e em outras cultuas”.
(caso, de sigilo de dados, por exemplo), preservando-se os
8. Irrenunciabilidade: parte da premissa de que os direitos
núcleos essenciais de cada um.
fundamentais não podem ser renunciados pelo seu titular,
que não pode fazer com eles o que quiser, uma vez que os
6. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
mesmos possuem uma eficácia objetiva no sentido de que
As características dos direitos fundamentais é um tema não importa apenas ao sujeito ativo, mas interessam a toda
doutrinário, assim dá ensejo a muitas discussões jurídicas. coletividade. Entretanto, a suprema Corte Constitucional
Há um rol enumerativo das características, mas nunca (STF) vem admitindo a renúncia, ainda que excepcional, de
deixando de existir divergências entre as teses dogmáticas certos direitos.
apresentadas. Com fundamento nas doutrinas
9. Vedação ao retrocesso: os direitos fundamentais uma vez
constitucionalistas e nos reconhecimentos jurisprudenciais,
estabelecidos não se admite o retrocesso visando a sua
as características mais importantes no que tange aos direitos
limitação ou diminuição, existindo parte da doutrina
e garantias fundamentais são: universalidade,
afirmando que tais direitos constituem uma limitação
indivisibilidade, interdependência, interrelacionaridade,
metajurídica ao poder constituinte originário, atuando como
imprescritibilidade, complementaridade, individualidade,
critério de aferição da legitimidade do conteúdo
inviolabilidade, indisponibilidade, inalienabilidade,
constitucional. A referida característica impede a revogação
historicidade, irrenunciabilidade, vedação ao retrocesso,
de normas garantidoras de direitos fundamentais e impede
efetividade e limitabilidade.
a implementação de políticas públicas de enfraquecimento
1. Universalidade: os direitos e garantias fundamentais de direitos fundamentais.
vinculam-se ao princípio da liberdade, conduzido pela
A exegese constitucional assegurada a proteção do núcleo
dignidade da pessoa humana, os mesmos devem ser
essencial e intangível dos direitos fundamentais, tendo
destinados a todos os indivíduos, independente da raça,
origem no próprio Estado Democrático de Direito que se
credo, nacionalidade, convicção política, a coletividade
define pela proteção extremada da dignidade do Homem e
jurídica em geral.
plena eficácia das normas implementadas, sendo que os
2. Indivisibilidade: os direitos compõem um único conjunto, direitos sociais já realizados e efetivados pela legislação
uma totalidade, pois não são analisados de maneira isolada, devem ser tidos como constitucionalmente garantido, tendo
separada. O desrespeito a um deles constitui a violação de como consequência a invalidade das medidas que visam
todos. anular ou cancelar o núcleo dos direitos fundamentais,
devendo as mesmas ser consideradas inconstitucionais.
3. Interdependência: os direitos fundamentais são
intrinsecamente relacionados, pois para atingirem suas 10. Efetividade: o Estado deve exercer o papel de garantir a
principais finalidades possuem intersecções. máxima efetividade dos direitos fundamentais.
4. Interrelacionaridade: a evolução da proteção nacional e 11. Limitabilidade ou relatividade: reza que nenhum direito
internacional dos direitos fundamentais assegurou maior fundamental poderá ser considerado absoluto, mas devem
abrangência a inviolabilidade dos direitos e garantias ser interpretados e aplicados levando-se em consideração
fundamentais no âmbito regional e mundial. Dita os limites fáticos e jurídicos existentes, especialmente
característica concede a pessoa a opção da proteção da quando estão diante de outros direitos fundamentais.
inviolabilidade do seu direito fundamental, a global ou Conforme ressalta Paulo Gustavo Gonet Branco: “(...) os
regional. direitos fundamentais podem ser objeto de limitações, não
sendo, pois, absolutos. (...) Até o elementar direito à vida
5. Imprescritibilidade: os direitos fundamentais não se
tem limitação explícita no inciso XLVII, a, do art. 5º, em que
perdem com o tempo, não prescrevem, apesar de existir
se contempla a pena de morte em caso de guerra
exceções a essa regra.
formalmente declarada”.
6. Inalienabilidade: os direitos são intransferíveis,
Ademais, as limitações aos direitos fundamentais não são
inegociáveis e indisponíveis, sem cunho patrimonial. Tal
ilimitadas, só podendo ser limitado o estritamente
inalienabilidade resulta da dignidade da pessoa humana.
necessário, uma vez que com os preceitos constitucionais
7. Historicidade: os direitos fundamentais nasceram de uma devem respeitar os princípios da razoabilidade e
única evolução e desenvolvimento histórico e cultural. proporcionalidade. Segundo Konrad Hesse: “A limitação de
Como afirmava o saudoso professor Norberto Bobbio: “os direitos fundamentais deve, por conseguinte, ser adequada
direitos do homem, por mais fundamentais que sejam, são para produzir a proteção do bem jurídico, por cujo motivo
direitos históricos, ou seja, nascidos em certas ela é efetuada. Ela deve ser necessária para isso, o que não
circunstâncias, caracterizadas por lutas em defesa de novas é o caso, quando um meio mais ameno bastaria. Ela deve,
liberdades contra velhos poderes, e nascidos de modo finalmente, ser proporcional em sentido restrito, isto é,
gradual, não todos de uma vez e nem de uma vez por todas. guardar relação adequada com o peso e o significado do
(...) o que parece fundamental numa época histórica e numa direito fundamental.”

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12. Inviolabilidade: impõe a observância dos direitos atingidos, venham a ser ulteriormente reduzidos ou
fundamentais por normas infraconstitucionais ou por atos suprimidos pelo Estado. Doutrina. Em consequência desse
das autoridades públicas. princípio, o Estado, após haver reconhecido os direitos
prestacionais, assume o dever não só de torná-los efetivos,
13. Complementaridade: os direitos fundamentais constitu-
mas, também, se obriga, sob pena de transgressão ao texto
cionais se complementam e não há hierarquia entre eles.
constitucional, a preservá-los, abstendo-se de frustrar -
14. Concorrência: podem ser exercidos cumuladamente por mediante supressão total ou parcial - os direitos sociais já
um mesmo sujeito ativo. concretizados. (...) (STF ARE 639337 AgR, Relator(a): Min.
CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 23/08/2011,
15. Aplicação imediata (eficácia direta, imediata e
DJe-177 DIVULG 14-09-2011 PUBLIC 15-09-2011 EMENT
vinculante): com base no art. 5º, § 1º da Constituição
VOL-02587-01 PP-00125).
Federal que diz: “As normas definidoras dos direitos e
garantias fundamentais têm aplicação imediata”, assevera
que cabe aos poderes públicos (Judiciário, Legislativo e 3.1. DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E
COLETIVOS
Executivo) promover o avanço desses direitos.
Para o professor José Afonso da Silva, afirmar que as normas DIREITOS. DESTINATÁRIOS. PRINCÍPIO DA ISONOMIA.
tem “aplicação imediata” significa que as normas são Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
aplicáveis até onde possam, até onde as instituições qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
ofereçam condições para seu atendimento. “Aplicabilidade”, estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito
por outro lado, é um conceito desenvolvido pelo referido à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
professor que se refere ao fato de as normas já poderem ser propriedade, nos termos seguintes:
aplicadas às situações quando da promulgação da
Constituição. Assim, todas as normas são aplicáveis, mas Os destinatários dos direitos e deveres ora mencionados são
nem todas têm aplicação imediata. os brasileiros e estrangeiros residentes no país, devendo a
expressão “residentes no país” ser interpretada no sentido
 Jurisprudência relacionada ao tema:
de que tais direitos só serão assegurados dentro do
EMENTA. OS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS NÃO TÊM território brasileiro, não excluindo o estrangeiro em trânsito
CARÁTER ABSOLUTO. Não há, no sistema constitucional pelo território nacional, segundo entendimento defendido
brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de caráter pela doutrina e pela jurisprudência pátria.
absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse
público ou exigências derivadas do princípio de convivência Tais direitos são extensíveis às pessoas jurídicas, no que
das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a couber, bem como ao próprio Estado.
adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas O princípio da Igualdade ou princípio da isonomia está
restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde previsto no caput desse artigo, prescrevendo que toda
que respeitados os termos estabelecidos pela própria pessoa tem o direito de tratamento idêntico pela lei, em
Constituição. O estatuto constitucional das liberdades concordância com os critérios albergados pelo ordenamento
públicas, ao delinear o regime jurídico a que estas estão jurídico. Entretanto, deve-se buscar não somente a
sujeitas - e considerado o substrato ético que as informa - igualdade formal, direcionada ao legislador, mas a igualdade
permite que sobre elas incidam limitações de ordem real ou material ou substancial, direcionada ao operador do
jurídica, destinadas, de um lado, a proteger a integridade do direito, ao intérprete. Parte-se da premissa de que a
interesse social e, de outro, a assegurar a coexistência verdadeira igualdade está em tratar igualmente os iguais e
harmoniosa das liberdades, pois nenhum direito ou garantia desigualmente os desiguais.
pode ser exercido em detrimento da ordem pública ou com
desrespeito aos direitos e garantias de terceiros. (STF RMS O referido princípio não veda o tratamento diferenciado
23.452/RJ, Relator Ministro Celso de Mello, DJ de estabelecido pela lei, proíbe as diferenças arbitrárias, as
12.05.2000). discriminações absurdas, já que o tratamento desigual aos
desiguais é uma questão de justiça, sendo justificável pelo
EMENTA. A PROIBIÇÃO DO RETROCESSO SOCIAL COMO objetivo que se pretende atingir pela lei, conforme a Súmula
BSTÁCULO CONSTITUCIONAL À FRUSTRAÇÃO E AO 683 do STF que reza: “O limite de idade para a inscrição em
INADIMPLEMENTO, PELO PODER PÚBLICO, DE DIREITOS concurso só se legitima em face do art. 7º, XXX, da
PRESTACIONAIS. - O princípio da proibição do retrocesso Constituição, quando possa ser justificado pela natureza do
impede, em tema de direitos fundamentais de caráter cargo a ser preenchido”. Entretanto somente serão possíveis
social, que sejam desconstituídas as conquistas já tais distinções se estiverem previstas em lei.
alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele
vive. - A cláusula que veda o retrocesso em matéria de Vale destacar as discriminações positivas (affirmative
direitos a prestações positivas do Estado (como o direito à actions), proveniente do direito norte americano, que cuida
educação, o direito à saúde ou o direito à segurança pública, em estabelecer medidas de compensação para reduzir as
v.g.) traduz, no processo de efetivação desses direitos desigualdades sociais. É neste escólio que traz a lição do
fundamentais individuais ou coletivos, obstáculo a que os Ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim B. Barbosa
níveis de concretização de tais prerrogativas, uma vez Gomes, que ensina: As ações afirmativas 'consistem em

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políticas públicas (e também privadas) voltadas à respeitada sua dignidade e, de outro, os de parte da
concretização do princípio constitucional da igualdade sociedade que desejasse proteger todos os que a
material e à neutralização dos efeitos da discriminação integrariam, independentemente da condição física ou
racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de viabilidade de sobrevivência. (...) Afirmou que, conforme a
compleição física. Impostas ou sugeridas pelo Estado, por Resolução 1.480/1997 do Conselho Federal de Medicina
seus entes vinculados e até mesmo por entidades (CFM), os exames complementares a serem observados
puramente privadas, elas visam a combater não somente as para a constatação de morte encefálica deveriam
manifestações flagrantes de discriminação de fundo demonstrar, de modo inequívoco, a ausência de atividade
cultural, estrutural, enraizada na sociedade'. elétrica cerebral ou metabólica deste órgão ou, ainda,
inexistência de perfusão sanguínea nele. Elucidou que, por
A discriminação reversa deve-se revestir de uma índole
essa razão, o CFM, mediante a Resolução 1.752/2004,
compensatória e não meramente garantir uma repartição
consignara serem os anencéfalos natimortos cerebrais.
de bens, sem levar em conta o uso da liberdade das pessoas
Desse modo, eles jamais se tornariam pessoa. Nessa senda,
e o esforço e mérito de cada um. Avaliadas sob o teste do
sintetizou que não se cuidaria de vida em potencial, porém,
princípio da proporcionalidade, as medidas de discriminação
seguramente, de morte. (...). Exprimiu, pois, que a
reversa devem ser adequadas para superar os obstáculos
anencefalia mostrar-se-ia incompatível com a vida
que o preconceito gerou para o grupo. Para isso devem-se
extrauterina, ao passo que a deficiência, não. (...) Observou
dirigir a propiciar condições de acesso a bens e serviços que
que seria improcedente a alegação de direito à vida dos
a discriminação vedou. Devem ter em mira o
anencéfalos, haja vista que estes seriam termos antitéticos.
restabelecimento de uma igualdade de oportunidades tão
(...). Destarte, a interrupção de gestação de feto
efetiva quanto possível.
anencefálico não configuraria crime contra a vida,
 Jurisprudência relacionada ao tema: porquanto se revelaria conduta atípica. (...). Por derradeiro,
versou que atuar com sapiência e justiça, calcados na
EMENTA. (...) O súdito estrangeiro, mesmo o não
Constituição e desprovidos de qualquer dogma ou
domiciliado no Brasil, tem plena legitimidade para impetrar
paradigma moral e religioso, determinaria garantir o direito
o remédio constitucional do “habeas corpus”, em ordem a
da mulher de manifestar-se livremente, sem o temor de
tornar efetivo, nas hipóteses de persecução penal, o direito
tornar-se ré em possível ação por crime de aborto. (STF
subjetivo, de que também é titular, à observância e ao
ADPF 54, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 12-4-
integral respeito, por parte do Estado, das prerrogativas que
2012, Plenário).
compõem e dão significado à cláusula do devido processo
legal. - A condição jurídica de não-nacional do Brasil e a EMENTA. (...). Sabemos, tal como já decidiu o STF (RTJ
circunstância de o réu estrangeiro não possuir domicílio em 136/444, Rel. p/ o ac. Min. Celso de Mello), que o princípio
nosso país não legitimam a adoção, contra tal acusado, de da isonomia – cuja observância vincula todas as
qualquer tratamento arbitrário ou discriminatório. (...). (STF manifestações do Poder Público – deve ser considerado, em
HC 94.404/SP. Min. Rel. Celso de Mello. DJ 18.06.2010). sua precípua função de obstar discriminações e de extinguir
privilégios (RDA 55/114), sob duplo aspecto: a) o da
EMENTA. (...) Inexistência de ofensas ao direito à vida e da
igualdade na lei e b) o da igualdade perante a lei. A
dignidade da pessoa humana, pois a pesquisa com células-
igualdade na lei – que opera numa fase de generalidade
tronco embrionárias (inviáveis biologicamente ou para os
puramente abstrata – constitui exigência destinada ao
fins a que se destinam) significa a celebração solidária da
legislador, que, no processo de formação do ato legislativo,
vida e alento aos que se acham à margem do exercício
nele não poderá incluir fatores de discriminação
concreto e inalienável dos direitos à felicidade e do viver
responsáveis pela ruptura da ordem isonômica. (...) A
com dignidade (Ministro Celso de Mello). (...) A
igualdade perante a lei, de outro lado, pressupondo lei já
potencialidade de algo para se tornar pessoa humana já é
elaborada, traduz imposição destinada aos demais poderes
meritória o bastante para acobertá-la, infra
estatais, que, na aplicação da norma legal, não poderão
constitucionalmente, contra tentativas levianas ou frívolas
subordiná-la a critérios que ensejem tratamento seletivo ou
de obstar sua natural continuidade fisiológica. Mas as três
discriminatório. A eventual inobservância desse postulado
realidades não se confundem: o embrião é o embrião, o feto
pelo legislador, em qualquer das dimensões referidas,
é o feto e a pessoa humana é a pessoa humana. Donde não
imporá, ao ato estatal por ele elaborado e produzido, a eiva
existir pessoa humana embrionária, mas embrião de pessoa
de inconstitucionalidade. (STF AI 360.461 AgR, Rel. Min.
humana. O embrião referido na Lei de Biossegurança (“in
Celso de Mello, 2ª T, DJ de 28-3-2008).
vitro” apenas) não é uma vida a caminho de outra vida
virginalmente nova, porquanto lhe faltam possibilidades de EMENTA. (...). No mérito, asseverou-se que a norma
ganhar as primeiras terminações nervosas, sem as quais o adversada erigira a educação à condição de direito social,
ser humano não tem factibilidade como projeto de vida dever do Estado e uma de suas políticas públicas
autônoma e irrepetível. (...) Ação direta de prioritárias. (...) Rechaçaram-se, de igual modo, as alegações
inconstitucionalidade julgada totalmente improcedente. de afronta aos princípios da igualdade, da isonomia, da não
(STF ADI 3510/DF, Rel. Min. AYRES BRITTO. 29/05/2008). discriminação e do devido processo legal ao argumento de
que não se afiguraria legítimo, no ordenamento, que vagas
EMENTA. (...). Na espécie, aduziu inescapável o confronto
no ensino superior fossem reservadas com base na condição
entre, de um lado, os interesses legítimos da mulher em ver
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socioeconômica do aluno ou em critério racial ou de suas absoluta quando a norma constitucional exige para sua
condições especiais. Salientou-se que a igualdade seria valor integral regulamentação a edição de lei formal, entendida
que teria, no combate aos fatores de desigualdade, o seu como ato normativo emanado do Congresso Nacional
modo próprio de realização. Além disso, a distinção em elaborado de acordo com o devido processo legislativo
favor dos estudantes que tivessem cursado o ensino médio constitucional. Por outro lado, temos a reserva legal relativa
em escolas públicas e os egressos de escolas privadas quando a Constituição Federal, apesar de exigir edição de lei
contemplados com bolsa integral constituiria discrímen a formal, permite que este fixe tão somente parâmetros de
compensar anterior e factual inferioridade. (...). (STF ADI atuação para o órgão administrativo, que poderá
3.330, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 3-5-2012, complementa-la por ato infralegal, sempre, porém,
Plenário). respeitados os limites ou requisitos estabelecidos pela
legislação.
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações,
nos termos desta Constituição; Existe ainda a reserva legal simples e a qualificada. A reserva
legal simples ocorre no caso de a Constituição Federal
Somente poderá existir tratamento diferenciado entre os estabelecer, em seus artigos, que determinado assunto seja
dois sexos quando a finalidade pretendida for atenuar os objeto de lei (“na forma da lei”, “nos termos da lei”). A lei
desníveis, constantes na constituição e nas leis não pode limitar o conteúdo da Constituição ou suprimi-lo,
infraconstitucionais. Exemplos: arts. 7º, XVIII e XIX, 40, III, ou seja, há limites implícitos na lei que será elaborada. A
143, §§ 1º e 2º, 202, I e II, da CF. reserva legal qualificada ocorre no caso de, além de
 Jurisprudência relacionada ao tema: estabelecer qual assunto será objeto de lei, o dispositivo da
Constituição estabelece as condições ou fins que devem ser
EMENTA. (...). No mérito, prevaleceu o voto proferido pelo objeto da norma (“para fins de”). Como exemplos pode se
Min. Ayres Britto, relator, que dava interpretação conforme indicar os incisos VII e XII, ambos do presente artigo.
a Constituição ao art. 1.723 do CC para dele excluir qualquer
significado que impeça o reconhecimento da união Além do princípio da reserva legal, previsto no inciso XXXIX,
contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo tem-se o princípio da anterioridade, que diz: não há crime
sexo como entidade familiar, entendida esta como sinônimo sem lei “anterior” que o defina e não há pena sem “prévia”
perfeito de família. Asseverou que esse reconhecimento cominação legal (nullun crimem, nulla poena sine praevia
deveria ser feito segundo as mesmas regras e com idênticas lege).
consequências da união estável heteroafetiva. (...). (STF ADI Vale ressaltar que a Administração Pública é regida pela
4.277/DF, rel. Min. Ayres Britto, DJ 5.5.2011). (ADPF 132). legalidade estrita (art. 37, caput), pois não pode atuar
EMENTA. Violência doméstica. (...) O art. 1º da Lei contra a lei, nem na ausência da lei.
11.340/2006 surge, sob o ângulo do tratamento  Jurisprudência relacionada ao tema:
diferenciado entre os gêneros – mulher e homem –,
harmônica com a CF, no que necessária a proteção ante as SÚMULA VINCULANTE 44. Só por lei se pode sujeitar a
peculiaridades física e moral da mulher e a cultura exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo
brasileira. (STF ADC 19, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento público.
em 9-2-2012, Plenário). EMENTA. (...). A reserva de lei em sentido formal qualifica-se
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. PRINCÍPIO DA RESERVA como instrumento constitucional de preservação da
LEGAL. PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE. integridade de direitos e garantias fundamentais. O
princípio da reserva de lei atua como expressiva limitação
constitucional ao poder do Estado, cuja competência
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer regulamentar, por tal razão, não se reveste de suficiente
alguma coisa senão em virtude de lei; idoneidade jurídica que lhe permita restringir direitos ou
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem criar obrigações. Nenhum ato regulamentar pode criar
pena sem prévia cominação legal; obrigações ou restringir direitos, sob pena de incidir em
domínio constitucionalmente reservado ao âmbito de
Consagração do princípio da legalidade. Tal princípio visa atuação material da lei em sentido formal. (STF ACO 1.048-
combater o poder arbitrário do Estado, pois somente QO, 31/10/07).
mediante espécies normativas elaboradas segundo as regras
do processo legislativo pátrio podem-se criar obrigações LIBERDADE DE EXPRESSÃO
para os indivíduos. O princípio da legalidade se difere do
princípio da reserva legal nesse ponto, pois este consiste em IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o
dizer que a regulamentação de determinada matéria há de anonimato;
fazer-se necessariamente pelo poder legislativo, aparecendo V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao
na constituição sob a forma: “nos termos da lei” ou “na agravo, além da indenização por dano material, moral ou à
forma da lei” e aquele é a submissão e o respeito à lei. imagem;
A Constituição Federal estabelece essa reserva de lei, de
modo absoluto ou relativo. Assim, temos a reserva legal
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IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, biografado, mas que diz respeito a toda coletividade pela
científica e de comunicação, independentemente de sua natureza de referenciabilidade do que precisa ser
censura ou licença; aproveitado. (...). (STF ADI 4815, Min. Rel. Cármem Lúcia, DJ
10/06/2015).
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e
resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao EMENTA. Editais de concurso público não podem
exercício profissional; estabelecer restrição a pessoas com tatuagem, salvo
situações excepcionais em razão de conteúdo que viole
Segundo o ilustre Alexandre de Morais, “a proteção valores constitucionais. Com base nesse entendimento, o
constitucional abrange não só o direito de expressão oral ou Plenário, por maioria, deu provimento a recurso
por escrito, mas também o direito de ouvir, assistir e ler”. extraordinário em que se discutia a constitucionalidade de
A vedação do anonimato é ampla, inclui todos os meios de proibição, contida em edital de concurso público, de
comunicação. ingresso em cargo, emprego ou função pública para
candidatos que possuam tatuagem. No caso, o recorrente
O direito de resposta aplica-se em relação às ofensas, fora excluído de concurso público para provimento de cargo
configurem ou não infrações penais, tendo como requisito a de soldado da polícia militar por possuir tatuagem em sua
proporcionalidade, devendo o desagravo ter o mesmo perna esquerda. (...) A opção pela tatuagem relacionar-se-ia,
destaque, a mesma duração e o mesmo tamanho que a diretamente, com as liberdades de manifestação do
notícia geradora da lesão. A responsabilidade pela pensamento e de expressão (CF, art. 5º, IV e IX). Na espécie,
divulgação do direito de resposta é do órgão de estaria evidenciada a ausência de razoabilidade da restrição
comunicação. O dano pode ser material (danos sofridos e dirigida ao candidato de uma função pública pelo simples
lucros cessantes), moral (à intimidade da pessoa) e à fato de possuir tatuagem, já que seria medida
imagem (dano produzido contra a pessoa em suas relações flagrantemente discriminatória e carente de qualquer
externas). justificativa racional que a amparasse. Assim, o fato de uma
Dispositivos correspondentes: art. 220, caput e § 2º, da CF. pessoa possuir tatuagens, visíveis ou não, não poderia ser
tratado pelo Estado como parâmetro discriminatório
 Jurisprudência relacionada ao tema: quando do deferimento de participação em concursos de
EMENTA. (...). Programas humorísticos, charges e modo provas e títulos para ingresso em carreira
caricatural de pôr em circulação ideias, opiniões, frases e pública. Entretanto, tatuagens que representassem
quadros espirituosos compõem as atividades de ‘imprensa’, obscenidades, ideologias terroristas, discriminatórias, que
sinônimo perfeito de ‘informação jornalística’ (§ 1º do art. pregassem a violência e a criminalidade, discriminação de
220). Nessa medida, gozam da plenitude de liberdade que é raça, credo, sexo ou origem, temas inegavelmente
assegurada pela Constituição à imprensa. Dando-se que o contrários às instituições democráticas, poderiam
exercício concreto dessa liberdade em plenitude assegura obstaculizar o acesso a função pública. Eventual restrição
ao jornalista o direito de expender críticas a qualquer nesse sentido não se afiguraria desarrazoada ou
pessoa, ainda que em tom áspero, contundente, sarcástico, desproporcional. Essa hipótese, porém, não seria a do
irônico ou irreverente, especialmente contra as autoridades recorrente que teria uma tatuagem tribal, medindo 14 por
e aparelhos de Estado. Respondendo, penal e civilmente, 13 cm. (STF RE 898.450, rel. min. Luiz Fux, j. 17.08.2016).
pelos abusos que cometer, e sujeitando-se ao direito de EMENTA. Ação direta de inconstitucionalidade. Expressão
resposta a que se refere a Constituição em seu art. 5º, V. A “em horário diverso do autorizado”, contida no art. 254 da
crítica jornalística em geral, pela sua relação de inerência Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
com o interesse público, não é aprioristicamente suscetível Classificação indicativa. Expressão que tipifica como infração
de censura. Isso porque é da essência das atividades de administrativa a transmissão, via rádio ou televisão, de
imprensa operar como formadora de opinião pública, lócus programação em horário diverso do autorizado, com pena
do pensamento crítico e necessário contraponto à versão de multa e suspensão da programação da emissora por até
oficial das coisas, conforme decisão majoritária do STF na dois dias, no caso de reincidência. Ofensa aos arts. 5º, inciso
ADPF 130. Decisão a que se pode agregar a ideia de que a IX; 21, inciso XVI; e 220, caput e parágrafos, da Constituição
locução ‘humor jornalístico’ enlaça pensamento crítico, Federal. Inconstitucionalidade. 1. A própria Constituição da
informação e criação artística. (...). (STF ADI 4.451-MC - REF, República delineou as regras de sopesamento entre os
rel. min. Ayres Britto, Plenário, DJ de 24-8-2012). valores da liberdade de expressão dos meios de
EMENTA. (...). Não é proibindo, recolhendo obras ou comunicação e da proteção da criança e do adolescente.
impedindo sua circulação, calando-se a palavra e Apesar da garantia constitucional da liberdade de
amordaçando a história que se consegue cumprir a expressão, livre de censura ou licença, a própria Carta de
Constituição. (...). A norma infraconstitucional não pode 1988 conferiu à União, com exclusividade, no art. 21, inciso
amesquinhar preceitos constitucionais, impondo restrições XVI, o desempenho da atividade material de “exercer a
ao exercício de liberdades”. (...). O que não me parece classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e
constitucionalmente admissível é o esquartejamento das de programas de rádio e televisão”. A Constituição Federal
liberdades de todos pela censura de uns, especialmente no estabeleceu mecanismo apto a oferecer aos telespectadores
caso de obras biográficas que dizem respeito não apenas ao das diversões públicas e de programas de rádio e televisão

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as indicações, as informações e as recomendações 3º, II, CF/88). 5. Ação direta julgada procedente, com a
necessárias acerca do conteúdo veiculado. É o sistema de declaração de inconstitucionalidade da expressão “em
classificação indicativa esse ponto de equilíbrio tênue, e ao horário diverso do autorizado” contida no art. 254 da Lei
mesmo tempo tenso, adotado pela Carta da República para 8.069/90. (STF ADI 2.404/DF, Relator(a): Min. Dias Toffoli,
compatibilizar esses dois axiomas, velando pela integridade Julgamento: 31/08/2016, Plenário).
das crianças e dos adolescentes sem deixar de lado a
preocupação com a garantia da liberdade de expressão. 2. A LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE CRENÇA
classificação dos produtos audiovisuais busca esclarecer,
informar, indicar aos pais a existência de conteúdo VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença,
inadequado para as crianças e os adolescentes. O exercício sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e
da liberdade de programação pelas emissoras impede que a garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e
exibição de determinado espetáculo dependa de ação as suas liturgias;
estatal prévia. A submissão ao Ministério da Justiça ocorre, A Constituição de 1824, em seu art. 179, V, já assegurava os
exclusivamente, para que a União exerça sua competência direitos religiosos, desde que respeitasse a do Estado, nos
administrativa prevista no inciso XVI do art. 21 da seguintes termos:
Constituição, qual seja, classificar, para efeito indicativo, as
diversões públicas e os programas de rádio e televisão, o “Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Políticos dos
que não se confunde com autorização. Entretanto, essa Cidadãos Brasileiros, que tem por base a liberdade, a
segurança individual, e a propriedade, é garantida pela
atividade não pode ser confundida com um ato de licença,
Constituição do Império, pela maneira seguinte.
nem confere poder à União para determinar que a exibição V. Ninguém pode ser perseguido por motivo de Religião,
da programação somente se dê nos horários determinados uma vez que respeite a do Estado, e não ofenda a Moral
pelo Ministério da Justiça, de forma a caracterizar uma Publica”.
imposição, e não uma recomendação. Não há horário
autorizado, mas horário recomendado. Esse caráter A partir da Constituição Federal de 1891, estabeleceu-se o
autorizativo, vinculativo e compulsório conferido pela Estado Laico ou Leigo, que não adota qualquer religião
norma questionada ao sistema de classificação, data venia, como oficial. Como ensina José Afonso da Silva, “na
não se harmoniza com os arts. 5º, IX; 21, inciso XVI; e 220, § liberdade de crença entra a liberdade de escolha de religião,
3º, I, da Constituição da República. 3. Permanece o dever a liberdade de aderir à qualquer seita religiosa, a liberdade
das emissoras de rádio e de televisão de exibir ao público o (ou o direito) de mudar de religião, mas também
aviso de classificação etária, antes e no decorrer da compreende a liberdade de não aderir à religião alguma,
veiculação do conteúdo, regra essa prevista no parágrafo assim como a liberdade de descrença, a liberdade de ser
único do art. 76 do ECA, sendo seu descumprimento ateu e de exprimir o agnosticismo”.
tipificado como infração administrativa pelo art. 254, ora
Bom lembrar que o livre exercício dos cultos é assegurado
questionado (não sendo essa parte objeto de impugnação).
enquanto não forem contrários à ordem, tranquilidade e
Essa, sim, é uma importante área de atuação do Estado. É
sossego públicos, bem como compatíveis aos bons
importante que se faça, portanto, um apelo aos órgãos
costumes. E a liberdade religiosa não é absoluta, uma vez
competentes para que reforcem a necessidade de exibição
que não será permitido a qualquer religião ou culto atos
destacada da informação sobre a faixa etária especificada,
atentatórios à lei, sob pena de responsabilidade civil e
no início e durante a exibição da programação, e em
criminal.
intervalos de tempo não muito distantes (a cada quinze
minutos, por exemplo), inclusive, quanto às chamadas da Recentemente, o Supremo Tribunal Federal julgou improcedente
programação, de forma que as crianças e os adolescentes a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4439, na qual a
Procuradoria-Geral da República questionava o modelo de ensino
não sejam estimulados a assistir programas inadequados
religioso nas escolas da rede pública de ensino do país. Por
para sua faixa etária. Deve o Estado, ainda, conferir maior maioria dos votos, os ministros entenderam que o ensino
publicidade aos avisos de classificação, bem como religioso nas escolas públicas brasileiras pode ter natureza
desenvolver programas educativos acerca do sistema de confessional, ou seja, vinculado às diversas religiões.
classificação indicativa, divulgando, para toda a sociedade, a Dispositivos correspondentes: arts. 210, § 1º; 215, § 2º, da
importância de se fazer uma escolha refletida acerca da CF.
programação ofertada ao público infanto-juvenil. 4. Sempre
será possível a responsabilização judicial das emissoras de PREÂMBULO
radiodifusão por abusos ou eventuais danos à integridade
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em
das crianças e dos adolescentes, levando-se em conta,
Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado
inclusive, a recomendação do Ministério da Justiça quanto
Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos
aos horários em que a referida programação se mostre
sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar,
inadequada. Afinal, a Constituição Federal também atribuiu
o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores
à lei federal a competência para “estabelecer meios legais
supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem
que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se
preconceitos, fundada na harmonia social e
defenderem de programas ou programações de rádio e
comprometida, na ordem interna e internacional, com a
televisão que contrariem o disposto no art. 221” (art. 220, §
solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a
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proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou


REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;

Segundo posicionamento jurisprudencial, o Preâmbulo não INVIOLABILIDADES


constitui norma central, não se trata de norma de
reprodução obrigatória na Constituição do Estado, já que X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a
não tem força normativa. imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização
Entretanto, o Preâmbulo faz parte da estrutura da pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
Constituição Federal, que se divide em Preâmbulo, texto Princípio da exclusividade. A intimidade, como exigência
permanente e texto temporário (Ato das Disposições moral da personalidade para que em determinadas
Constitucionais Transitórias - ADCT). situações seja o indivíduo deixado em paz, constituindo um
 Jurisprudência relacionada ao tema: direito de controlar a indiscrição alheia nos assuntos
privados que só a ele interessa, tem como um de seus
EMENTA. CONSTITUCIONAL. CONSTITUIÇÃO: PREÂMBULO. fundamentos o princípio da exclusividade, formulado por
NORMAS CENTRAIS. Constituição do Acre. I. Normas Hannah Arendt com base em Kant.
centrais da Constituição Federal: essas normas são de
reprodução obrigatória na Constituição do Estado-membro, Os conceitos de intimidade e vida privada são interligados,
mesmo porque, reproduzidas, ou não, incidirão sobre a mas podem ser diferenciados. A intimidade da pessoa diz
ordem local. Reclamações 370-MT e 383-SP (RTJ 147/404). respeito às relações subjetivas e de trato íntimo, relações
II. Preâmbulo da Constituição: não constitui norma central. familiares e de amizade e a vida privada refere-se a todos os
Invocação da proteção de Deus: não se trata de norma de relacionamentos da pessoa, inclusive os objetivos, tais como
reprodução obrigatória na Constituição estadual, não tendo os comerciais, de trabalho, de estudo, etc.
força normativa. III. Ação direta de inconstitucionalidade O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de
julgada improcedente. (ADI 2.076/AC. Rel. Min. Carlos que entidade de classe não tem legitimidade para
Velloso, DJ 08.08.2003). promover interpelação judicial em defesa da honra de seus
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de associados, por se tratar de um direito personalíssimo de
assistência religiosa nas entidades civis e militares de quem, concretamente, se viu atingido pelas afirmações tidas
internação coletiva; por ofensivas (PET nº 1.249/DF-AgR, Pleno, Relator o
Ministro Celso de Mello, DJ de 9/4/99).
Hospitais, asilos (públicos e privados), presídios e quartéis
 Jurisprudência relacionada ao tema:
são locais de internação coletiva.
SÚMULA 227, STJ. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de
crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela
se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos
podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo
imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa,
em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar
fixada em lei;
socorro, ou durante o dia, por determinação judicial;
A escusa de consciência e de crença aplica-se às obrigações
A expressão casa tem um alcance muito amplo, não sendo
legais de forma genérica e não somente ao serviço militar
limitada pelos conceitos de direito privado, como já
obrigatório, embora esse seja o exemplo mais indicado
pacificou o STF, considerando casa todo local delimitado e
pelos doutrinadores quando enfocam o assunto.
separado que alguém utiliza com exclusividade, mesmo que
O art. 143 da Constituição Federal, prescreve: para fins profissionais, não importando a relação jurídica de
seus habitantes com aquele prédio ou terreno. O Código
Art. 143. O serviço militar é obrigatório nos termos da lei.
§ 1º às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir Penal Brasileiro conceitua “casa” em seu artigo 150.
serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após Para José Afonso da Silva dia é o período das 6:00h às
alistados, alegarem imperativo de consciência,
18:00h e para Celso de Mello deve ser levado em conta o
entendendo-se como tal o decorrente de crença religiosa e
critério físico-astronômico, como o intervalo de tempo
de convicção filosófica ou política, para se eximirem de
atividades de caráter essencialmente militar. situado entre a aurora e o crepúsculo.
 Jurisprudência relacionada ao tema:
O serviço alternativo no caso de descumprimento do serviço
militar obrigatório por imperativo de consciência é EMENTA. (...) Busca e apreensão em aposentos ocupados de
estabelecido pela Lei 8.239/91. habitação coletiva (como quartos de hotel) - subsunção
desse espaço privado, desde que ocupado, ao conceito de
Caso não seja cumprida a prestação alternativa, ocorrerá a “casa” - consequente necessidade, em tal hipótese, de
privação dos direitos políticos, nos termos do art. 15, IV, da mandado judicial, ressalvadas as exceções previstas no
CF/88: próprio texto constitucional. - para os fins da proteção
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja jurídica a que se refere o art. 5º, XI, da constituição da
perda ou suspensão só se dará nos casos de: república, o conceito normativo de “casa” revela-se
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abrangente e, por estender-se a qualquer aposento de Vê-se que não houve previsão de quebra do sigilo das
habitação coletiva, desde que ocupado (CP, art. 150, § 4º, correspondências e nem de dados (bancários, fiscais ou
II), compreende, observada essa específica limitação telefônicos) mediante lei, haja vista que a exceção
espacial, os quartos de hotel. (...). (STF RHC 90.376/RJ, Rel. constitucional expressa refere-se somente à interceptação
Min. Celso de Mello. DJ 18.05.2007). telefônica, entretanto entende-se que nenhuma liberdade
individual é absoluta, sendo possível, respeitados alguns
EMENTA. (...). Cuidando-se de crime de natureza
parâmetros, a interceptação das correspondências e
permanente, a prisão do traficante, em sua residência,
comunicações telegráficas e de dados sempre que as
durante o período noturno, não constitui prova ilícita. (STF
liberdades públicas estiverem sendo utilizadas como
HC 84.772, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 19-10-
instrumento de salvaguarda de práticas ilícitas.
2004, Segunda Turma, DJ de 12-11-2004.) No mesmo
sentido: HC 70.909, Rel. Min. Paulo Brossard, julgamento O preceito que garante o sigilo de dados engloba o uso de
em 11-10-1994, Plenário, DJ de 25-11-1994. informações decorrentes da informática e a quebra do sigilo
dos dados telefônicos consiste na apreensão do histórico de
EMENTA. (…).7. PROVA. Criminal. Escuta ambiental.
conta telefônica (extrato telefônico), dentre outros. Além do
Captação e interceptação de sinais eletromagnéticos, óticos
Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal admite que a
ou acústicos. Meio probatório legalmente admitido. Fatos
Comissão Parlamentar de Inquérito, diretamente, determine
que configurariam crimes praticados por quadrilha ou
a quebra do sigilo dos dados.
bando ou organização criminosa. Autorização judicial
circunstanciada. Previsão normativa expressa do O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a
procedimento. Preliminar repelida. Inteligência dos arts. 1º constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar
e 2º, IV, da Lei 9.034/95, com a redação da Lei 10.217/95. 105/2001, no Recurso Extraordinário 601314, para
Para fins de persecução criminal de ilícitos praticados por reconhecer o direito de a Receita Federal obter a
quadrilha, bando, organização ou associação criminosa de transferência do sigilo dos dados bancários.
qualquer tipo, são permitidos a captação e a interceptação
Há quebra do sigilo telefônico quando a captação for
de sinais eletromagnéticos, óticos e acústicos, bem como
realizada por um terceiro de uma comunicação telefônica
seu registro e análise, mediante circunstanciada autorização
alheia, sem o conhecimento dos comunicadores, por
judicial. 8. PROVA. Criminal. Escuta ambiental e exploração
decisão judicial (cláusula de reserva jurisdicional), na forma
de local. Captação de sinais óticos e acústicos. Escritório de
da Lei 9.296/96 e para fins criminais. Referida interceptação
advocacia. Ingresso da autoridade policial, no período
difere da Escuta telefônica, que é a captação realizada por
noturno, para instalação de equipamento. Medidas
um terceiro de uma comunicação telefônica alheia, mas
autorizadas por decisão judicial. Invasão de domicílio. Não
com o conhecimento de um dos comunicadores e da
caracterização. Suspeita grave da prática de crime por
gravação telefônica, que ocorre entre dois interlocutores,
advogado, no escritório, sob pretexto de exercício da
onde um deles capta a conversa sem o conhecimento do
profissão. Situação não acobertada pela inviolabilidade
outro e sem intervenção de terceiro. A gravação telefônica,
constitucional. Inteligência do art. 5º, X e XI, da CF, art. 150,
em regra, é lícita, segundo jurisprudência da Corte Suprema.
§ 4º, III, do CP, e art. 7º, II, da Lei 8.906/94. Preliminar
rejeitada. Votos vencidos. Não opera a inviolabilidade do Dispositivos correspondentes: arts. 136, I, “b” e “c” e 139,
escritório de advocacia, quando o próprio advogado seja III, da CF.
suspeito da prática de crime, sobretudo concebido e
 Jurisprudência relacionada ao tema:
consumado no âmbito desse local de trabalho, sob pretexto
de exercício da profissão. (…). (STF - Inq: 2424 RJ, Relator: EMENTA. (...) A administração penitenciária, com
Min. CEZAR PELUSO, Data de Julgamento: 26/11/2008, fundamento em razões de segurança pública, de disciplina
Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-055 DIVULG 25-03- prisional ou de preservação da ordem jurídica, pode,
2010 PUBLIC 26-03-2010). sempre excepcionalmente, proceder à interceptação da
correspondência remetida pelos sentenciados, eis que a
EMENTA. (...) A entrada forçada em domicílio sem mandado
cláusula tutelar da inviolabilidade do sigilo epistolar não
judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando
pode constituir instrumento de salvaguarda de práticas
amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a
ilícitas (...). (STF HC 70.814/SP).
posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação
de flagrante delito, sob pena de responsabilidade EMENTA. (...) O Tribunal já firmou entendimento de que as
disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, e de Comissões Parlamentares de Inquérito são dotadas de
nulidade dos atos praticados. (...) (STF RE 603616, Rel. Min. poder investigatório, ficando assentado que devem elas, a
Gilmar Ferreira Mendes, J. 05.11.2015). partir de meros indícios, demonstrar a existência concreta
de causa provável que legitime a quebra do sigilo. (...) Causa
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das provável ensejadora da quebra dos sigilos fiscal, bancário e
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônico. Segurança denegada. (STF MS 24217/DF, rel Min
telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas Maurício Corrêa, 18/10/2002).
hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de
investigação criminal ou instrução processual penal; EMENTA. Mandado de Segurança. Tribunal de Contas da
União. Banco Central do Brasil. Operações financeiras. Sigilo.

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1. A Lei Complementar 105, de 10/1/01, não conferiu ao denegada. (STF HC 91613, Relator Min. GILMAR MENDES, 2ª
Tribunal de Contas da União poderes para determinar a T, DJ 17-09-2012).
quebra do sigilo bancário de dados constantes do Banco
EMENTA. (...). O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não
Central do Brasil. O legislador conferiu esses poderes ao
ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade
Poder Judiciário (art. 3º), ao Poder Legislativo Federal (art.
em relação aos cidadãos, por meio do princípio da
4º), bem como às Comissões Parlamentares de Inquérito,
capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos
após prévia aprovação do pedido pelo Plenário da Câmara
objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária
dos Deputados, do Senado Federal ou do plenário de suas
para a fiscal. (...). (STF RE 601314, Rel. Min. Edson Fachin,
respectivas comissões parlamentares de inquérito (§§ 1º e
Plenário, Julgamento em 24.02.2016).
2º do art. 4º). (...). (STF MS 22.801/DF. Rel. Min Menezes
Direito. DJ 13.03.2008).
LIBERDADE DE PROFISSÃO
EMENTA. Inviolabilidade de domicílio - art. 5º, XI, da CF.
Busca e apreensão domiciliar sem mandado judicial em caso XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
de crime permanente. (...) Fixada a interpretação de que a profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei
entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é estabelecer;
lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em Compete à União legislar sobre o exercício das profissões,
fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que nos termos do art. 22, XVI, da CF/88.
indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante
delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal  Jurisprudência relacionada ao tema:
do agente ou da autoridade e de nulidade dos atos EMENTA. (...) A reserva legal estabelecida pelo art. 5º, XIII,
praticados. (STF RE 603.616, rel. min. Gilmar Mendes, j. não confere ao legislador o poder de restringir o exercício
05.11.2015, Plenário, DJ 10.05.2016). da liberdade profissional a ponto de atingir o seu próprio
EMENTA. (...) SÉTIMA PRELIMINAR. DADOS DE EMPRÉSTIMO núcleo essencial. (...) O jornalismo é uma profissão
FORNECIDOS PELO BANCO CENTRAL. PEDIDO DIRETO DO diferenciada por sua estreita vinculação ao pleno exercício
MINISTÉRIO PÚBLICO. ILEGALIDADE. AUSÊNCIA. das liberdades de expressão e de informação. (...) O
REQUISIÇÃO FEITA PELA CPMI DOS CORREIOS. POSTERIOR jornalismo e a liberdade de expressão, portanto, são
AUTORIZAÇÃO DE COMPARTILHAMENTO COM O atividades que estão imbricadas por sua própria natureza e
MINISTÉRIO PÚBLICO PARA INSTRUÇÃO DO INQUÉRITO. não podem ser pensadas e tratadas de forma separada. Isso
LEGALIDADE. (...). (STF Inq. 2.245/MG. Rel. Min. Joaquim, implica, logicamente, que a interpretação do art. 5º, inciso
Barbosa, DJ 09.11.2007). XIII, da Constituição, na hipótese da profissão de jornalista,
se faça, impreterivelmente, em conjunto com os preceitos
EMENTA. Prova emprestada. Penal. Interceptação do art. 5º, incisos IV, IX, XIV, e do art. 220 da Constituição,
telefônica. Escuta ambiental. Autorização judicial e que asseguram as liberdades de expressão, de informação e
produção para fim de investigação criminal. Suspeita de de comunicação em geral. (...) A exigência de diploma de
delitos cometidos por autoridades e agentes públicos. curso superior para a prática do jornalismo - o qual, em sua
Dados obtidos em inquérito policial. Uso em procedimento essência, é o desenvolvimento profissional das liberdades
administrativo disciplinar, contra outros servidores, cujos de expressão e de informação - não está autorizada pela
eventuais ilícitos administrativos teriam despontado à ordem constitucional, pois constitui uma restrição, um
colheita dessa prova. Admissibilidade. Resposta afirmativa a impedimento, uma verdadeira supressão do pleno,
questão de ordem. Inteligência do art. 5º, XII, da CF e do art. incondicionado e efetivo exercício da liberdade jornalística,
1º da Lei Federal 9.296/1996. (...) Dados obtidos em expressamente proibido pelo art. 220, § 1º, da Constituição.
interceptação de comunicações telefônicas e em escutas (...). (STF RE 511.961/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJ
ambientais, judicialmente autorizadas para produção de 13.11.2009).
prova em investigação criminal ou em instrução processual
penal, podem ser usados em procedimento administrativo EMENTA. (...). A atividade de músico não depende de
disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em registro ou licença de entidade de classe para o seu
relação às quais foram colhidos, ou contra outros servidores exercício. Essa é a conclusão do Plenário ao negar
cujos supostos ilícitos teriam despontado à colheita dessa provimento a recurso extraordinário, afetado pela 2ª Turma,
prova. (STF Inq 2.424 QO. Rel. Min Cezar Peluso. DJ em que a Ordem dos Músicos do Brasil – Conselho Regional
24.08.2007). de Santa Catarina alegava que o livre exercício de qualquer
profissão ou trabalho estaria constitucionalmente
EMENTA. (....) O presente caso versa sobre a gravação de condicionado às qualificações específicas de cada profissão
conversa telefônica por um interlocutor sem o e que, no caso dos músicos, a Lei 3.857/60 estabeleceria
conhecimento de outro, isto é, a denominada “gravação essas restrições – v. Informativos 406 e 568. Aduziu-se que
telefônica” ou “gravação clandestina”. Entendimento do STF as restrições feitas ao exercício de qualquer profissão ou
no sentido da licitude da prova, desde que não haja causa atividade profissional deveriam obedecer ao princípio da
legal específica de sigilo nem reserva de conversação. mínima intervenção – a qual se pautaria pela razoabilidade
Repercussão geral da matéria (RE 583.397/RJ). 3. Ordem e pela proporcionalidade. Ressaltou-se que a liberdade de
exercício profissional, contida no art. 5º, XIII, da CF, seria
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quase absoluta e que qualquer restrição a ela só se democráticas. O direito à livre manifestação do
justificaria se houvesse necessidade de proteção a um pensamento: núcleo de que se irradiam os direitos de
interesse público, a exemplo de atividades para as quais crítica, de protesto, de discordância e de livre circulação de
fosse requerido conhecimento específico, técnico, ou ainda, ideias. Abolição penal (abolitio criminis) de determinadas
habilidade já demonstrada. (STF RE 414426/SC, rel. Min. condutas puníveis. Debate que não se confunde com
Ellen Gracie, 1º.8.2011). incitação à prática de delito nem se identifica com apologia
de fato criminoso. Discussão que deve ser realizada de
LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO forma racional, com respeito entre interlocutores e sem
possibilidade legítima de repressão estatal, ainda que as
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo ideias propostas possam ser consideradas, pela maioria,
de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele estranhas, insuportáveis, extravagantes, audaciosas ou
entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; inaceitáveis. O sentido de alteridade do direito à livre
Dispositivo correspondente: art. 139, I, da CF/88. expressão e o respeito às ideias que conflitem com o
pensamento e os valores dominantes no meio social.
LIBERDADE DE REUNIÃO Caráter não absoluto de referida liberdade fundamental (CF,
art. 5º, IV, V e X; Convenção Americana de Direitos
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em Humanos, art. 13, § 5º.) (STF ADPF 187, rel. min. Celso de
locais abertos ao público, independentemente de Mello, j 15.06.2011, Plenário, DJ 29.05.2014)
autorização, desde que não frustrem outra reunião
LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos,
vedada a de caráter paramilitar;
O direito a reunião é uma manifestação coletiva da
liberdade de expressão, tendo como requisitos: pluralidade XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de
de participantes, temporariedade, finalidade pacífica, cooperativas independem de autorização, sendo vedada a
ausência de armas, lugares abertos ao público e interferência estatal em seu funcionamento;
comunicação prévia.
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente
Haverá restrição ao direito de reunião na hipótese de dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão
decretação do estado de defesa e suspensão no caso de judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em
decretação do estado de sítio (art. 136, § 1º, I, “a” e art. 139, julgado;
IV, da CF). São limitações circunstanciais.
O direito de associação só alcança as associações criadas
 Jurisprudência relacionada ao tema: para fins lícitos, com ou sem personalidade jurídica. O
EMENTA. “Marcha da Maconha”. Manifestação legítima, por caráter paramilitar é verificado quando a associação destina-
cidadãos da república, de duas liberdades individuais se ao treinamento do uso de material bélico, com as
revestidas de caráter fundamental: o direito de reunião seguintes características: organização hierárquica e respeito
(liberdade-meio) e o direito à livre expressão do ao princípio da obediência.
pensamento (liberdade-fim). A liberdade de reunião como As associações aqui referidas devem ser entendidas em
pré-condição necessária à ativa participação dos cidadãos sentido amplo, incluindo os partidos políticos e as
no processo político e no de tomada de decisões no âmbito associações sindicais (art. 8º, I), as quais devem ser criadas
do aparelho de Estado. Consequente legitimidade, sob na forma da lei, sem necessidade de autorização do poder
perspectiva estritamente constitucional, de assembleias, público, nem possibilidade de interferência deste em seu
reuniões, marchas, passeatas ou encontros coletivos funcionamento, considerando que a interferência arbitrária
realizados em espaços públicos (ou privados) com o objetivo do poder público no exercício desse direito pode acarretar
de obter apoio para oferecimento de projetos de lei, de responsabilidade penal, político-administrativa e civil.
iniciativa popular, de criticar modelos normativos em vigor,
de exercer o direito de petição e de promover atos de Importante diferenciar os institutos, pois a associação não
proselitismo em favor das posições sustentadas pelos tem fins lucrativos, o patrimônio é constituído pela
manifestantes e participantes de reunião. Estrutura contribuição dos membros para alcançar fins educacionais,
constitucional do direito fundamental de reunião pacífica e religiosos, culturais etc. Já a cooperativa, sociedade ou
oponibilidade de seu exercício ao poder público e aos seus empresa constituída por membro de determinado grupo
agentes. Vinculação de caráter instrumental entre a econômico ou social, objetiva desempenhar, em beneficio
liberdade de reunião e a liberdade de manifestação do comum, determinada atividade econômica.
pensamento. Dois importantes precedentes do STF sobre a Fica subentendido que qualquer ato normativo editado pelo
íntima correlação entre referidas liberdades poder Executivo ou pelo poder Legislativo, no sentido de
fundamentais: HC 4.781/BA, rel. min. Edmundo Lins, e ADI dissolução compulsória, será inconstitucional, uma vez que
1.969/DF, rel. min. Ricardo Lewandowski. A liberdade de a Lei Maior limita a atuação ao Poder Judiciário (cláusula de
expressão como um dos mais preciosos privilégios dos reserva do Poder Judiciário), autorizando-o à dissolução
cidadãos em uma república fundada em bases somente quando a finalidade buscada pela associação for
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ilícita, valendo ressaltar que no caso da medida mais legitimado atua em seu nome próprio para defesa de direito
drástica, ou seja, no caso da dissolução, a decisão judicial alheio, não sendo necessária autorização.
exige o trânsito em julgado.
Vale dizer que no caso de impetração de mandado de
 Jurisprudência relacionada ao tema: segurança coletivo (art. 5º, LXX), a associação prescinde de
autorização, uma vez que atua como substituto processual.
EMENTA. (...). Com efeito, a liberdade de associação não se
confunde com o direito de reunião, possuindo, em relação a  Jurisprudência relacionada ao tema:
este, plena autonomia jurídica (...). Diria, até, que, sob a
EMENTA. (...). A representação prevista no inciso XXI do art.
égide da vigente Carta Política, intensificou-se o grau de
5º da Constituição Federal surge regular quando autorizada
proteção jurídica em torno da liberdade de associação, na
a entidade associativa a agir judicial ou extrajudicialmente
medida em que, ao contrário do que dispunha a Carta
mediante deliberação em assembleia. Descabe exigir
anterior, nem mesmo durante a vigência do estado de sítio
instrumentos de mandatos subscritos pelos associados. (...).
se torna lícito suspender o exercício concreto dessa
(STF RE 192.305, 21/5/01).
prerrogativa. (...) Revela-se importante assinalar, neste
ponto, que a liberdade de associação tem uma dimensão SÚMULA 629, STF. A impetração de mandado de segurança
positiva, pois assegura a qualquer pessoa (física ou jurídica) coletivo por entidade de classe em favor dos associados
o direito de associar-se e de formar associações. Também independe da autorização destes.
possui uma dimensão negativa, pois garante, a qualquer
pessoa, o direito de não se associar, nem de ser compelida a DIREITO DE PROPRIEDADE
filiar-se ou a desfiliar-se de determinada entidade. Essa
importante prerrogativa constitucional também possui XXII - é garantido o direito de propriedade;
função inibitória, projetando-se sobre o próprio Estado, na XXIII - a propriedade atenderá a função social;
medida em que se veda, claramente, ao Poder Público, a
possibilidade de interferir na intimidade das associações e, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para
até mesmo, de dissolvê-las, compulsoriamente, a não ser desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou
mediante regular processo judicial. (STF ADI 3.045, de por interesse social, mediante justa e prévia indenização
1º/6/2007). em dinheiro, ressalvada os casos previstos nesta
Constituição;
EMENTA. (...). Cabe enfatizar, neste ponto, que as normas
inscritas no art. 5º, incisos XVII a XXI da atual Constituição O direito de propriedade é garantia individual e relativa,
Federal protegem as associações, inclusive as sociedades, da considerando que deve respeitar o conceito de função social
atuação eventualmente arbitrária do legislador e do que consta nos artigos 182, § 2º (propriedade urbana) e 186
administrador, eis que somente o Poder Judiciário, por meio (propriedade rural), da CF/88, senão vejamos:
de processo regular, poderá decretar a suspensão ou a
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada
dissolução compulsória das associações. Mesmo a atuação pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais
judicial encontra uma limitação constitucional: apenas as fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno
associações que persigam fins ilícitos poderão ser desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o
compulsoriamente dissolvidas ou suspensas. Atos emanados bem- estar de seus habitantes.
do Executivo ou do Legislativo, que provoquem a § 2º A propriedade urbana cumpre sua função social
compulsória suspensão ou dissolução de associações, quando atende às exigências fundamentais de ordenação
mesmo as que possuam fins ilícitos, serão inconstitucionais. da cidade expressas no plano diretor.
(STF ADI 3.045, 1º/6/07).
Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus
permanecer associado; de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:
I - aproveitamento racional e adequado;
XXI - as entidades associativas, quando expressamente II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e
autorizadas, têm legitimidade para representar seus preservação do meio ambiente;
filiados judicial ou extrajudicialmente; III - observância das disposições que regulam as relações de
trabalho;
Aqui consta a grande diferença entre associações e IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários
sindicatos, pois a estes cabe a defesa dos direitos e e dos trabalhadores.
interesses coletivos e individuais da categoria (art. 8º, III),
enquanto que aquelas possuem finalidades sociológicas. Caso a propriedade não cumpra a função social, dará ensejo
a desapropriação, que, nos casos previstos nos dispositivos
O dispositivo diz respeito à representação processual, que que seguem, não será indenizada em dinheiro. Na última
por sua vez difere da substituição processual (legitimidade hipótese, não haverá indenização, pois trata-se de
ativa extraordinária). Aquela ocorre numa situação onde o expropriação, desapropriação confiscatória.
representante atua em nome do representado, caso em que
se faz necessário à autorização. A substituição processual o Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada
pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais
fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno
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desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o pequena propriedade rural ser trabalhada pela família,
bem-estar de seus habitantes. requisito este essencial para o reconhecimento do instituto.
§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei A título de informação, o Estatuto da Terra, Lei 4.504/64,
específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos tenta definir “propriedade familiar” e usa como referência
termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não de área, o módulo rural.
edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu
adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de
de: utilização, publicação ou reprodução de suas obras,
I - parcelamento ou edificação compulsórios; transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana
progressivo no tempo; XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da
a) a proteção às participações individuais em obras
dívida pública de emissão previamente aprovada pelo
coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas,
Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em
parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor inclusive nas atividades desportivas;
real da indenização e os juros legais. b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico
das obras que criarem ou de que participarem aos
Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse
criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não
esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa sindicais e associativas;
indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais
preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte privilégio temporário para sua utilização, bem como
anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja
proteção às criações industriais, à propriedade das marcas,
utilização será definida em lei.
§ 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo
em dinheiro. em vista o interesse social e o desenvolvimento
tecnológico e econômico do País;
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer
região do País onde forem localizadas culturas ilegais de Propriedade intelectual, que compreende os direitos
plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo autorais, também conhecidos como direito de cópia
na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma (copyright) e os direitos à propriedade industrial, marcas e
agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer patentes, descritos no inciso XXIX, do presente artigo.
indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras
sanções previstas em lei, observado, no que couber, o Registre-se que a lei dos direitos autorais é a Lei 9.610/98.
disposto no art. 5º. (Redação dada pela Emenda O texto contém três garantias: a das participações
Constitucional 81, de 2014) individuais em obras coletivas, que são as produzidas em
 Jurisprudência relacionada ao tema: colaboração por diversos autores, a das reproduções da
imagem e voz humanas e a de fiscalização do
EMENTA. (...). A expropriação de glebas a que se refere o art. 243 aproveitamento econômico das obras.
da CF há de abranger toda a propriedade e não apenas a área
efetivamente cultivada (...). (STF RE 543.974/MG, 26.3.2009). São asseguradas duas garantias: privilégio temporário de
utilização aos autores de inventos e a proteção às criações
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade
industriais, à propriedade das marcas, nomes de empresas e
competente poderá usar de propriedade particular,
outros signos distintivos.
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver
dano; O autor de inventos é aquele que fez uma descoberta ou
criou coisa nova, industrializável, que produz resultado no
Trata-se de Requisição Administrativa, desapropriação por mercado. A Lei 9.279/96 dispõe sobre essa matéria e prevê
necessidade ou utilidade pública. o direito de obter a patente. Essa mesma lei protege à
A indenização é posterior porque deverá ser paga somente marca registrada no Brasil, bem como a marca
se houver dano, o qual será devido até na hipótese do notoriamente conhecida, independentemente de estar ou
art. 139, VII, da CF/88, ou seja, durante o Estado de Sítio. não registrada no Brasil, conhecidas por marcas notórias.

XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, DIREITO DE SUCESSÕES


desde que trabalhada pela família, não será objeto de
penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua XXX - é garantido o direito de herança;
atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País
financiar o seu desenvolvimento;
será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou
Frise-se que o benefício da impenhorabilidade aqui dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais
concedida diz respeito exclusivamente aos débitos favorável a lei pessoal do de cujus;
decorrentes da própria propriedade produtiva, devendo dita

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Para José Afonso da Silva “herança” significa a públicas. (...) Caso em que a situação específica dos
universalidade de bens transmitida pelo finado aos seus servidores públicos é regida pela 1ª parte do inciso XXXIII do
sucessores, segundo a ordem das vocações hereditárias. art. 5º da Constituição. Sua remuneração bruta, cargos e
funções por eles titularizados, órgãos de sua formal lotação,
A regra só se aplica aos bens de estrangeiros situados no
tudo é constitutivo de informação de interesse coletivo ou
Brasil porque a lei brasileira não tem eficácia extraterritorial.
geral. Expondo-se, portanto, a divulgação oficial. Sem que a
Segundo Celso de Mello, o legislador constituinte utilizou o intimidade deles, vida privada e segurança pessoal e familiar
critério do jus domicilii, aplicando a lei brasileira, combinado se encaixem nas exceções de que trata a parte derradeira
com o critério do jus patriae, quando a lei estrangeira, do mesmo dispositivo constitucional (inciso XXXIII do art.
pessoal do de cujus, for mais favorável ao cônjuge ou filhos 5º), pois o fato é que não estão em jogo nem a segurança do
brasileiros. E se o morto era domiciliado no exterior, aplicar- Estado nem do conjunto da sociedade. Não cabe, no caso,
se-á a lei brasileira se for mais benéfica ao cônjuge ou filhos falar de intimidade ou de vida privada, pois os dados objeto
brasileiros, no que diz respeito aos bens situados no Brasil da divulgação em causa dizem respeito a agentes públicos
(critério forum rei sitae). enquanto agentes públicos mesmos; ou, na linguagem da
própria Constituição, agentes estatais agindo ‘nessa
O presente dispositivo também abrange os netos brasileiros,
qualidade’ (§ 6º do art. 37). E quanto à segurança física ou
desde que sejam herdeiros, pois a finalidade do legislador
corporal dos servidores, seja pessoal, seja familiarmente,
constitucional é a proteção dos descendentes brasileiros
claro que ela resultará um tanto ou quanto fragilizada com a
convocados à herança. O adjetivo “brasileiros”, ora
divulgação nominalizada dos dados em debate, mas é um
empregado, qualifica cônjuges e filhos e a conjunção “ou”
tipo de risco pessoal e familiar que se atenua com a
tem sentido tanto aditivo como alternativo.
proibição de se revelar o endereço residencial, o CPF e a CI
DIREITO DE INFORMAÇÃO de cada servidor. No mais, é o preço que se paga pela opção
por uma carreira pública no seio de um Estado republicano.
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos (...) A negativa de prevalência do princípio da publicidade
informações de seu interesse particular, ou de interesse administrativa implicaria, no caso, inadmissível situação de
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob grave lesão à ordem pública. (...). (STF SS 3.902-AgR -
pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo segundo, Rel. Min. Ayres Britto, Plenário, DJ de 3-10-2011).
seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;
É garantia de natureza administrativa, que decorre do DIREITO DE PETIÇÃO E DE CERTIDÃO
princípio da publicidade dos atos da Administração Pública.
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do
Porém essa garantia não é absoluta, já que o Poder Público pagamento de taxas:
pode recusar-se a fornecer a informação quando esta for
imprescindível à segurança do Estado e da sociedade, nos a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de
termos da Lei 12.527/2011. Ressalte-se, ainda a criação da direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
comissão da verdade, instituída pela Lei 12.528/2011. b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para
Importante dizer que quando houver negativa defesa de direitos e esclarecimento de situação de
administrativa sobre informações pessoais a ação interesse pessoal;
constitucional cabível poderá ser o habeas data, mas
O direito de petição tem sua origem na Carta Magna de
quando o direito denegado for informações de interesse
1215, no right of petition, na Inglaterra, firmando-se no Bill
coletivo ou geral, a ação constitucional cabível a espécie
of Rights de 1689, mas se fortaleceu na Constituição
será o mandado de segurança (art. 5º, LXIX e LXXII).
Francesa de 1791.
Dispositivo correspondente: art. 5º, XIV, da CF/88.
Garantia de índole administrativa que não se confunde com
 Jurisprudência relacionada ao tema: o direito de ação, por isso não tem o peticionário de
demonstrar lesão ou ameaça de lesão a interesse, pessoal
SÚMULA VINCULANTE 14. É direito do defensor, no
ou particular. Visa defender direito, noticiar ilegalidade ou
interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos
abuso de autoridade, constituindo uma prerrogativa
de prova que, já documentados em procedimento
democrática, de caráter essencialmente informal (apesar da
investigatório realizado por órgão com competência de
forma escrita), independentemente do pagamento de taxas
polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de
e está desvinculado da comprovação da existência de
defesa.
qualquer lesão a interesses próprios do solicitante.
EMENTA. O Verbete 14 da Súmula Vinculante do Supremo
O direito de certidão é consagrado como garantia
não alcança sindicância administrativa objetivando elucidar
constitucional de natureza individual, exercido na seara
fatos sob o ângulo do cometimento de infração
administrativa. Tem como objetivo o esclarecimento de
administrativa. (STF Rcl. 10.771 AgR, rel. min. Marco Aurélio,
situações pretéritas pessoais, onde o Estado se obriga a
J. 04.02.2014, 1ª Turma, DJ 18.02.2014).
prestá-lo sob pena de responsabilidade política, civil e
EMENTA. (...). Direito à informação de atos estatais, neles criminal, ressalvados as hipóteses constitucionais de sigilo.
embutida a folha de pagamento de órgãos e entidades
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Negado o direito, caberá mandado de segurança (art. 5º, SÚMULA VINCULANTE 28. É inconstitucional a exigência de
LXIX). depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação
judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de
 Jurisprudência relacionada ao tema:
crédito tributário.
EMENTA. (...). O direito de petição, presente em todas as
Constituições brasileiras, qualifica-se como importante XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato
prerrogativa de caráter democrático. Trata-se de jurídico perfeito e a coisa julgada;
instrumento jurídico-constitucional posto a disposição de Princípio da Segurança Jurídica ou irretroatividade da lei,
qualquer interessado – mesmo daqueles destituídos de que difere do princípio da retroatividade da lei penal,
personalidade jurídica –, com a explícita finalidade de constante no inciso XL deste artigo.
viabilizar a defesa, perante as instituições estatais, de
direitos ou valores revestidos tanto de natureza pessoal O direito denomina-se adquirido quando consolidada sua
quanto de significação coletiva. (STF ADI 1.247-MC, integração ao patrimônio do respectivo titular, conforme a
08/09/95) lei vigente. O ato jurídico perfeito é aquele que reuniu todos
os seus elementos constitutivos exigidos pela lei. Coisa
EMENTA. (...). O direito à certidão traduz prerrogativa julgada é a decisão judicial irrecorrível.
jurídica, de extração constitucional, destinada a viabilizar,
em favor do indivíduo ou de uma determinada coletividade Ressalte-se o posicionamento adotado pelo STF sobre a
(como a dos segurados do sistema de previdência social), a impossibilidade de alegar direito adquirido em face de
defesa (individual ou coletiva) de direitos ou o norma constitucional originária, criação ou aumento de
esclarecimento de situações. A injusta recusa estatal em tributos e mudança de regime jurídico do servidor público.
fornecer certidões, não obstante presentes os pressupostos É importante frisar que o STF chancela a teoria da
legitimadores dessa pretensão, autorizará a utilização de Retroatividade Mínima (temperada ou mitigada), onde as
instrumentos processuais adequados, como o mandado de novas normas constitucionais se aplicam de imediato,
segurança ou a própria ação civil pública. (...). (STF RE alcançando, sem limitações, os efeitos futuros de fatos
472.489 - AgR, 29/8/08). passados, salvo disposição expressa em contrário
PRINCÍPIOS E REGRAS APLICÁVEIS AO DIREITO (retroatividade média ou máxima), valendo salientar que a
E AO PROCESSO retroatividade mínima não se aplica as Constituições
Estaduais nem as normas infraconstitucionais, pois estas se
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário submetem à regra da irretroatividade, fundamentada no
lesão ou ameaça a direito; art. 5º, XXXVI da CF/88. A retroatividade máxima ou
restitutória da norma aplica-se aos fatos consumados e a
Princípio do livre acesso ao judiciário ou princípio da
retroatividade média aplica-se as prestações vencidas, mas
inafastabilidade de jurisdição, ou ainda princípio da
ainda não adimplidas.
ubiquidade da justiça. É o direito de obter a tutela judicial, é
o direito de ação, desde que preenchidas às condições da  Jurisprudência relacionada ao tema:
ação e dos pressupostos processuais legalmente
EMENTA. (...). A supremacia jurídica das normas inscritas na
estabelecidos (legitimidade, interesse de agir e pedido
Carta Federal não permite, ressalvadas as eventuais
possível).
exceções proclamadas no próprio texto constitucional, que
Em razão do referido princípio não se admite no sistema contra elas seja invocado o direito adquirido. (...). (STF ADI
constitucional pátrio a chamada jurisdição condicionada ou 248. Min. Rel. Celso de Mello, DJ 08.04.1994).
instância administrativa de curso forçado. Assim, inexiste a
EMENTA. (...). 1. O Supremo Tribunal Federal pacificou a sua
obrigatoriedade de esgotamento da instância administrativa
jurisprudência sobre a constitucionalidade do instituto da
para que a parte possa acessar o Judiciário, tendo como
estabilidade financeira e sobre a ausência de direito
exceção as lides desportivas, constante no art. 217, § 1º,
adquirido a regime jurídico. (...). 3. Recurso extraordinário
que reza:
ao qual se nega provimento. (STF RE 563965/RN. Min. Rel.
Art. 217. (...) Cármem Lúcia, DJ 19.02.2009).
§ 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à
disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se EMENTA. (...) No ordenamento jurídico vigente, não há
as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei. norma, expressa nem sistemática, que atribua à condição
jurídico-subjetiva da aposentadoria de servidor público o
 Jurisprudência relacionada ao tema: efeito de lhe gerar direito subjetivo como poder de subtrair
ad aeternum a percepção dos respectivos proventos e
SÚMULA 667, STF. Viola a garantia constitucional de acesso
pensões à incidência de lei tributária que, anterior ou
à jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite sobre o
ulterior, os submeta à incidência de contribuição
valor da causa.
previdencial. Noutras palavras, não há, em nosso
SÚMULA VINCULANTE 21. É inconstitucional a exigência de ordenamento, nenhuma norma jurídica válida que, como
depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para efeito específico do fato jurídico da aposentadoria, lhe
admissibilidade de recurso administrativo. imunize os proventos e as pensões, de modo absoluto, à

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tributação de ordem constitucional, qualquer que seja a em cujo território se encontre sem estabelecer qualquer
modalidade do tributo eleito, donde não haver, a respeito, exceção. O estado deverá, pois, entregar seus próprios
direito adquirido com o aposentamento. (…). (STF ADI nacionais se assim determinar o tribunal, porque o art. 120
3.105/DF, 18/02/2005). do Estatuto dispõe expressamente que “não se admitirão
reservas ao presente Estatuto”.
EMENTA. Pensões especiais vinculadas a salario mínimo.
Aplicação imediata a elas da vedação da parte final do inciso O Tribunal do Júri também não é um tribunal de exceção.
IV do art. 7º da Constituição de 1988. - Já se firmou a Na verdade é uma expressão da Soberania Popular,
jurisprudência desta Corte no sentido de que os dispositivos reconhecido pela própria constituição pátria.
constitucionais têm vigência imediata, alcançando os efeitos
futuros de fatos passados (retroatividade mínima). Salvo XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a
disposição expressa em contrario - e a Constituição pode organização que lhe der a lei, assegurados:
fazê-lo -, eles não alcançam os fatos consumados no a) a plenitude de defesa;
passado nem as prestações anteriormente vencidas e não
pagas (retroatividades máxima e média). Recurso b) o sigilo das votações;
extraordinário conhecido e provido. (STF RE 140.499/GO, c) a soberania dos veredictos;
Rel. Min. Moreira Alves, DJ 09.09.1994).
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; contra a vida;
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão
pela autoridade competente;

Garantias do Tribunal do Júri.


Princípio do Juiz ou do Juízo Natural.
Comentando as garantias desse tribunal popular, vê-se que
Nelson Nery Júnior assevera que “a garantia do juiz natural a plenitude da defesa, embora já assegurada no inciso LV,
é tridimensional. Significa que: 1) não haverá juízo ou foi ratificada, que o sigilo das votações significa que a
tribunal ad hoc, isto é, tribunal de exceção; 2) todos têm liberdade de convicção e opinião dos jurados deverá ser
direito de submeter-se a julgamento (civil e penal) por juiz sempre resguardada, que os Veredictos, as decisões dos
competente, pré-constituído na forma da lei; 3) o juiz jurados não poderão ser substituídas por outras, mas tal
competente tem de ser imparcial”. garantia não exclui a possibilidade de serem revistas
mediante recursos e que tem competência para os crimes
Dispositivo correspondente: art. 5º, LIII, da CF/88.
dolosos contra a vida.
O Tribunal Penal Internacional não é um tribunal de
A Constituição Federal prevê regra mínima e inafastável de
exceção, uma vez que o Brasil já se submeteu ao mesmo,
competência para o Tribunal do Júri, porém não impede que
que foi incluído pela Emenda Constitucional 45, nos termos
outros crimes sejam processados e julgados pelo Júri,
do art. 5º, § 4º, que segue adiante:
podendo a norma infraconstitucional lhe atribuir outras
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal competências, como os crimes conexos.
Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.  Jurisprudência relacionada ao tema:
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
SÚMULA VINCULANTE 45. A competência constitucional do
Com o advento do Pacto de Roma de 1998, surge o Tribunal Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de
Penal Internacional (TPI), sediado em Haia, aprovado pelo função estabelecido exclusivamente pela Constituição
Brasil em 2002 (DL 112). O TPI é um tribunal permanente estadual. (antiga Súmula 721 do STF).
com competência para investigar, processar e julgar
indivíduos acusados das mais graves violações do direito SÚMULA 603, STF. A competência para o processo e
internacional humanitário. Desde os chamados crimes de julgamento de latrocínio é do juiz singular e não do tribunal
guerra, passando pelos crimes contra a humanidade e o do júri.
genocídio. EMENTA. (...) A soberania dos veredictos do tribunal do júri
A Jurisdição do TPI submete-se ao princípio da não é absoluta, submetendo-se ao controle do juízo ad
complementaridade, ou seja, haverá julgamento perante o quem, tal como disciplina o art. 593, III, d, do Código de
TPI em situações excepcionais gravíssimas, em que o Estado Processo Penal. (...). (HC 88.707, 17-10-08).
soberano se mostre incapaz de processar os crimes XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
indicados no Estatuto de Roma.
Princípio da retroatividade da lei penal mais favorável ao
Os pontos mais polêmicos giram em torno dos arts. 77 e 89
réu (lex mitior). A regra é a irretroatividade in pejus, pois a
do Estatuto. O art. 77 prevê a pena de prisão perpétua
lei nova desfavorável ao réu (lex gravior) não retroage para
quando justificada pela “extrema gravidade do crime e as
atingir delitos praticados antes do início da sua vigência.
circunstâncias pessoais do condenado” e o art. 89, por sua
Quando se trata de lei mais benéfica para o réu, a
vez, prescreve a entrega do acusado ao tribunal pelo estado
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retroatividade existe, inclusive com relação à eficácia da pela doutrina e jurisprudência, o STF firmou entendimento
coisa julgada, aplicando-se também durante o processo de de que o duplo grau de jurisdição não é garantia
execução da pena. constitucional.
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens  Jurisprudência relacionada ao tema:
sem o devido processo legal; SÚMULA VINCULANTE 5. A falta de defesa técnica por
Princípio do Devido Processo Legal (due process of law), advogado no processo administrativo disciplinar não ofende
que decorre do princípio da Presunção da Inocência e tem a constituição.
como corolários a ampla defesa e o contraditório, quer dizer EMENTA. (...) A ausência de Advogado no interrogatório
que deve ser dado ao indivíduo paridade de condições em judicial do acusado não infirma a validade jurídica desse ato
face do Estado, quando este restringir a liberdade ou o processual. O interrogatório judicial - que constitui ato
direito aos bens constitucionais tutelados, além do conceito pessoal do magistrado processante - não esta sujeito ao
material de proteção ao direito de liberdade do indivíduo. princípio do contraditório. Precedente: HC 68.929-9, rel.
O Supremo Tribunal Federal já declarou que o princípio da Min. CELSO DE MELLO. - A investigação policial, em razão de
proporcionalidade e da razoabilidade tem nesse princípio sua própria natureza, não se efetiva sob o crivo do
sua sede material (devido processo legal em sentido contraditório, eis que e somente em juízo que se torna
substantivo). plenamente exigível o dever estatal de observância do
postulado da bilateralidade dos atos processuais e da
instrução criminal. A inaplicabilidade da garantia do
contraditório ao inquérito policial tem sido reconhecida pela
jurisprudência do STF. A prerrogativa inafastável da ampla
 Jurisprudência relacionada ao tema: defesa traduz elemento essencial e exclusivo da persecução
EMENTA. (...) O princípio da proporcionalidade - que extrai a penal em juízo. (...). (STF HC 69372/SP - Rel. Min. CELSO DE
sua justificação dogmática de diversas cláusulas MELLO, 07-05-1993).
constitucionais, notadamente daquela que veicula a EMENTA. (...) A estrita reverência aos princípios do
garantia do substantive due process of law - acha-se contraditório e da ampla defesa só é exigida, como requisito
vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder essencial de validez, assim no processo administrativo
Público no exercício de suas funções, qualificando-se como disciplinar, como na sindicância especial que lhe faz as vezes
parâmetro de aferição da própria constitucionalidade como procedimento ordenado à aplicação daquelas duas
material dos atos estatais. (...). (STF ADI 1.407 MC/DF, penas mais brandas, que são a advertência e a suspensão
24/11/2000). por prazo não superior a trinta dias. Nunca, na sindicância
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, que funcione apenas como investigação preliminar tendente
e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e a coligir, de maneira inquisitorial, elementos bastantes à
a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; imputação de falta ao servidor, em processo disciplinar
subsequente. (STF MS 22.791. rel. Ministro Cezar Peluso,
Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa. 13/11/2003).
Por contraditório se entende a garantia que é dada ao réu EMENTA. (...) Ainda que não se empreste dignidade
de conhecer o direito alegado pela outra parte litigante, pois constitucional ao duplo grau de jurisdição, trata-se de
para todo ato produzido por uma parte caberá igual direito garantia prevista na Convenção Interamericana de Direitos
a outra parte para contraditar. A ampla defesa se divide em Humanos, cuja ratificação pelo Brasil deu-se em 1992, data
defesa técnica e autodefesa (direito de audiência e direito posterior à promulgação Código de Processo Penal. VI - A
de presença/participação). incorporação posterior ao ordenamento brasileiro de regra
prevista em tratado internacional tem o condão de
Segundo o ilustre doutrinador Leo Van Holthe, aplicam-se o
modificar a legislação ordinária que lhe é anterior. VII -
contraditório e a ampla defesa tanto nos procedimentos
Ordem concedida. (STF HC 88.420/PR, 17.04.2007).
civil, quanto militares, processos administrativos,
disciplinares, além de quaisquer outros procedimentos que EMENTA. Administrativo. Ensino superior. Cancelamento de
envolvam a aplicação de sanções administrativas. matrícula sem observância do devido processo legal.
Entretanto, nos procedimentos administrativos meramente Impossibilidade. (STF RE 781.794 AgR, rel. min. Luiz Fux, j.
investigatórios, que não envolvem a aplicação de 02.08.2016, 1ª Turma, DJ 19.08.2016).
penalidades, mas apenas apuram fatos para um posterior
EMENTA. No curso do procedimento de impeachment, o
processo administrativo ou judicial, não há que se falar em
acusado tem a prerrogativa de se manifestar, de um modo
contraditório e ampla defesa.
geral, após a acusação. Concretização da garantia
O duplo grau de jurisdição, princípio que obriga a existência constitucional do devido processo legal (due process of law).
de revisão por Tribunal Superior da matéria já julgada por (STF ADPF 378 MC, rel p/ o ac. Min. Roberto Barroso, j.
uma instância inferior. Entretanto, a obediência a este 16.12.2015, Plenário, DJ 08.03.2016).
princípio afasta a possibilidade de julgamentos feitos por
uma única instância. Após várias discussões sobre a matéria,
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EMENTA. Por se tratar de negócio jurídico personalíssimo, o da causa, com a fixação, se for o caso, da responsabilidade
acordo de colaboração premiada não pode ser impugnado penal do acusado. É ali que se concretiza, em seu sentido
por coautores ou partícipes do colaborador na organização genuíno, o duplo grau de jurisdição, destinado ao reexame
criminosa e nas infrações penais por ela praticadas, ainda de decisão judicial em sua inteireza, mediante ampla
que venham a ser expressamente nominados no respectivo devolutividade da matéria deduzida na ação penal, tenha
instrumento no “relato da colaboração e seus possíveis ela sido apreciada ou não pelo juízo a quo. Ao réu fica
resultados” (art. 6º, I, da Lei 12.850/2013). De todo modo, assegurado o direito de acesso, em liberdade, a esse juízo
nos procedimentos em que figurarem como imputados, os de segundo grau, respeitadas as prisões cautelares
coautores ou partícipes delatados – no exercício do porventura decretadas. Ressalvada a estreita via da revisão
contraditório – poderão confrontar, em juízo, as declarações criminal, é, portanto, no âmbito das instâncias ordinárias
do colaborador e as provas por ele indicadas, bem como que se exaure a possibilidade de exame de fatos e provas e,
impugnar, a qualquer tempo, as medidas restritivas de sob esse aspecto, a própria fixação da responsabilidade
direitos fundamentais eventualmente adotadas em seu criminal do acusado. É dizer: os recursos de natureza
desfavor. (STF HC 127.483, rel. min. Dias Toffoli, j. extraordinária não configuram desdobramentos do duplo
27.08.2015, Plenário, DJ 04.02.2016). grau de jurisdição, porquanto não são recursos de ampla
devolutividade, já que não se prestam ao debate da matéria
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por fático-probatória. Noutras palavras, com o julgamento
meios ilícitos; implementado pelo Tribunal de apelação, ocorre espécie de
Princípio da inadmissibilidade das provas obtidas por preclusão da matéria envolvendo os fatos da causa. Os
meios ilícitos. recursos ainda cabíveis para instâncias extraordinárias do
STJ e do STF – recurso especial e extraordinário – têm, como
As provas ilegais se dividem em provas ilícitas, as que se sabe, âmbito de cognição estrito à matéria de direito.
infringem às normas do direito material e as ilegítimas que Nessas circunstâncias, tendo havido, em segundo grau, um
desrespeitam o direito processual. juízo de incriminação do acusado, fundado em fatos e
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em provas insuscetíveis de reexame pela instância
julgado de sentença penal condenatória; extraordinária, parece inteiramente justificável a
relativização e até mesmo a própria inversão, para o caso
O princípio da presunção da inocência ou da não- concreto, do princípio da presunção de inocência até então
culpabilidade tutela o direito do individuo de ser observado. Faz sentido, portanto, negar efeito suspensivo
considerado inocente até o trânsito em julgado da sentença, aos recursos extraordinários, como o fazem o art. 637 do
cabendo ao Estado o dever de provar o contrário. Desse Código de Processo Penal e o art. 27, § 2º, da Lei
princípio advém o princípio do in dubio pro reo, segundo o 8.038/1990. (...) Realmente, a execução da pena na
qual, havendo dúvida na interpretação da lei ou na pendência de recursos de natureza extraordinária não
indicação do fato, será adotada aquela que for mais compromete o núcleo essencial do pressuposto da não
favorável ao réu. culpabilidade, na medida em que o acusado foi tratado
como inocente no curso de todo o processo ordinário
Dispositivo correspondente: art. 5º, LXVI, da CF/88.
criminal, observados os direitos e as garantias a ele
 Jurisprudência relacionada ao tema: inerentes, bem como respeitadas as regras probatórias e o
modelo acusatório atual. Não é incompatível com a garantia
EMENTA. (...) Viola o princípio constitucional da presunção
constitucional autorizar, a partir daí, ainda que cabíveis ou
da inocência, previsto no art. 5º, LVII, da Constituição
pendentes de julgamento de recursos extraordinários, a
Federal, a exclusão de candidato de concurso público que
produção dos efeitos próprios da responsabilização criminal
responde a inquérito ou ação penal sem trânsito em julgado
reconhecida pelas instâncias ordinárias. (...) cumpre ao
da sentença condenatória. (STF RE 559.135-AgR, 13-6-08).
Poder Judiciário e, sobretudo, ao Supremo Tribunal Federal,
EMENTA. (...) antes de prolatada a sentença penal há de se garantir que o processo – único meio de efetivação do jus
manter reservas de dúvida cerca do comportamento puniendi estatal –, resgate essa sua inafastável função
contrário à ordem jurídica, o que leva a atribuir ao acusado, institucional. A retomada da tradicional jurisprudência, de
para todos os efeitos – mas, sobretudo, no que se refere ao atribuir efeito apenas devolutivo aos recursos especial e
ônus da prova da incriminação –, a presunção de inocência. extraordinário (como, aliás, está previsto em textos
A eventual condenação representa, por certo, um juízo de normativos) é, sob esse aspecto, mecanismo legítimo de
culpabilidade, que deve decorrer da logicidade extraída dos harmonizar o princípio da presunção de inocência com o da
elementos de prova produzidos em regime de contraditório efetividade da função jurisdicional do Estado. Não se mostra
no curso da ação penal. Para o sentenciante de primeiro arbitrária, mas inteiramente justificável, a possibilidade de o
grau, fica superada a presunção de inocência por um juízo julgador determinar o imediato início do cumprimento da
de culpa – pressuposto inafastável para condenação –, pena, inclusive com restrição da liberdade do condenado,
embora não definitivo, já que sujeito, se houver recurso, à após firmada a responsabilidade criminal pelas instâncias
revisão por tribunal de hierarquia imediatamente superior. ordinárias. (STF HC 126.292, re. Min. Teori Zavascki, j
É nesse juízo de apelação que, de ordinário, fica 17.02.2016, Plenário, DJE 17.05.2016).
definitivamente exaurido o exame sobre os fatos e provas

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EMENTA. Decretação, ex officio, de prisão. Execução LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos
provisória da pena (carcer ad poenam). Inadmissibilidade. processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse
Afirmação, pelo tribunal de justiça local, de que a social o exigirem;
condenação criminal em primeira instância, não obstante
ainda recorrível, afasta a presunção de inocência e faz Princípio da Publicidade.
prevalecer a presunção de culpabilidade do réu (voto do Dispositivo correspondente: art. 93, IX, da CF/88.
desembargador revisor). Inversão inaceitável que ofende e
subverte a fórmula da liberdade, que consagra, como direito LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são
fundamental de qualquer pessoa, a presunção assegurados a razoável duração do processo e os meios
constitucional de inocência. Prerrogativa essencial que que garantam a celeridade de sua tramitação; (Incluído
somente se descaracteriza com o trânsito em julgado da pela Emenda Constitucional 45, de 2004).
condenação criminal (CF, art. 5º, inciso LVII). Consequente
Princípio da razoável duração do processo e Princípio da
ilegitimidade constitucional da execução provisória da pena.
Celeridade.
Entendimento que igualmente desrespeita a própria lei de
execução penal, que impõe, para efeito de aplicação das Como mecanismos de celeridade e desburocratização
penas privativas de liberdade e/ou restritivas de direitos, o podem ser citados: a vedação de férias coletivas nos juízos e
prévio trânsito em julgado do título judicial condenatório tribunais de segundo grau, à proporcionalidade do número
(LEP, arts. 105 e 147). Inaplicabilidade, ao caso, do de juízes à efetiva demanda judicial e à respectiva
julgamento plenário do HC 126.292/SP: decisão majoritária população, a distribuição imediata dos processos, em todos
(7 votos a 4) proferida em processo de perfil meramente os graus de jurisdição, a possibilidade de delegação aos
subjetivo, desvestida de eficácia vinculante (CF, art. 102, § servidores do Judiciário, para a prática de atos de mero
2º, e art. 103-A, caput). Precedente que atua como expediente sem caráter decisório, a necessidade de
referência paradigmática, e não como pauta vinculante de demonstração de repercussão geral das questões
julgamentos. (STF HC 135.100 MC, rel. min. Celso de Mello, constitucionais discutidas no caso para fins de
decisão monocrática, j. 01.07.2016, DJ 01.08.2016). conhecimento do recurso extraordinário, a instalação da
justiça itinerante, as súmulas vinculantes do Supremo
LVIII - o civilmente identificado não será submetido à Tribunal federal.
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;
 Jurisprudência relacionada ao tema:
A identificação exigida como excludente de identificação
criminal é a oficial e regularmente emitida pelos órgãos EMENTA. (...) O excesso de prazo, quando exclusivamente
estatais, ou, ainda, aquela cuja lei conceda equiparação com imputável ao aparelho judiciário – não derivando, portanto,
a cédula de identificação – RG, tais como, a carteira de qualquer fato procrastinatório causalmente atribuível ao
profissional válida, a carteira nacional de habilitação. réu – traduz situação anômala que compromete a
efetividade do processo, pois, além de tornar evidente o
A Lei 12.037/2009 estabelece hipóteses em que é desprezo estatal pela liberdade do cidadão, frustra um
necessária a identificação criminal, independentemente da direito básico que assiste a qualquer pessoa: o direito à
identificação civil. resolução do litígio, sem dilações indevidas (CF, art. 5º,
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação LXXVIII) e com todas as garantias reconhecidas pelo
ordenamento constitucional, inclusive a de não sofrer o
pública, se esta não for intentada no prazo legal;
arbítrio da coerção estatal representado pela privação
Ação penal pública é privativa do Ministério Público, nos cautelar da liberdade por tempo irrazoável ou superior
termos do art. 129, I, da CF/88, no entanto havendo inércia àquele estabelecido em lei. (STF HC 85,237, 29-4-05).
do Ministério Público, seja pelo não oferecimento da
denúncia, ou pelo não requerimento de arquivamento do CRIMES INAFIANCÁVEIS, IMPRESCRITÍVEIS E
inquérito policial, ou mesmo pela falta de requisição de INSUSCETÍVEIS DE GRAÇA E ANISTIA
novas diligências no prazo legal, será admitida ação privada
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e
subsidiária da pública, que será intentada pelo ofendido ou
imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da
seu representante.
lei;
 Jurisprudência relacionada ao tema:
A Lei 7.716/89 define os crimes resultantes de preconceito
EMENTA. (...) A admissibilidade da ação penal privada de raça ou de cor.
subsidiária da pública pressupõe, nos termos do art. art. 5º,
LIX, da CF (...), a inércia do Ministério Público em adotar, no  Jurisprudência relacionada ao tema:
prazo legal (CPP, art. 46), uma das seguintes providências: EMENTA. Escrever, editar, divulgar e comerciar livros
oferecer a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito ‘fazendo apologia de ideias preconceituosas e
policial ou requisitar novas diligências. (STF HC 74.276, 3-9- discriminatórias’ contra a comunidade judaica (Lei 7.716/89,
96). art. 20, na redação dada pela Lei 8.081/90) constitui crime
de racismo sujeito às cláusulas de inafiançabilidade e
imprescritibilidade (CF, art. 5º, XLII). Aplicação do princípio
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da prescritibilidade geral dos crimes: se os judeus não são


uma raça, segue-se que contra eles não pode haver XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado,
discriminação capaz de ensejar a exceção constitucional de podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do
imprescritibilidade. Inconsistência da premissa. (...). (STF HC perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos
82.424, 19/03/04). sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor
do patrimônio transferido;
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis
de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de Princípio da pessoalidade da pena ou intransmissibilidade
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos da pena ou personificação da pena ou responsabilidade
como crimes hediondos, por ele respondendo os pessoal. A pena não passará da pessoa do condenado,
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se considerando que a morte é uma das hipóteses legais de
omitirem; extinção da punibilidade ou da execução da pena.
Entretanto, no que tange a obrigação de reparar o dano e o
Conceituado graça, indulto e anistia, tem-se que é ato de perdimento de bens, as sanções de natureza patrimonial
clemência do poder executivo, extinguindo ou diminuindo a podem alcançar o patrimônio dos sucessores, mas somente
pena dada ao condenado (art. 84, XII). Chama-se graça se o até o limite do valor recebido pela herança do de cujus.
perdão for individual e indulto se for coletivo. Já a anistia
difere formalmente da graça e do indulto porque aquela é XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará,
um perdão concedido por lei, portanto deve submeter-se ao entre outras, as seguintes:
congresso nacional (art. 48, VIII). a) privação ou restrição da liberdade;
A prática da tortura está definida na Lei 9.459/97. As b) perda dos bens;
normas que tratam do crime de tráfico ilícito de drogas
constam na Lei 11.343/2006 e sobre o terrorismo, aplica-se c) multa;
a Lei 13.260/2016. d) prestação social alternativa;
A definição de crimes hediondos consta no art. 1º da Lei e) suspensão ou interdição de direitos;
8.072/90.
Princípio da individualização da pena.
 Jurisprudência relacionada ao tema:
O rol das penas ora descritas é exemplificativo ou
EMENTA. (…). O art. 5º, XLIII, da Constituição, que proíbe a enumerativo (numerus apertus), ou seja, o legislador
graça, gênero do qual o indulto é espécie, nos crimes infraconstitucional pode adotar outras penas além das que
hediondos definidos em lei, não conflita com o art. 84, XII, estão previstas no presente inciso, desde que não sejam as
da Lei Maior. O decreto presidencial que concede o indulto vedadas por esta constituição, as quais estão
configura ato de governo, caracterizado pela ampla exaustivamente indicadas no inciso seguinte.
discricionariedade. (…). (STF HC 90.364, 30-11-07).
XLVII - não haverá penas:
EMENTA. (...). A chamada Lei da Anistia veicula uma decisão
política assumida naquele momento – o momento da a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos
transição conciliada de 1979. A Lei 6.683 é uma lei-medida, termos do art. 84, XIX;
não uma regra para o futuro, dotada de abstração e b) de caráter perpétuo;
generalidade. Há de ser interpretada a partir da realidade
no momento em que foi conquistada. A Lei 6.683/1979 c) de trabalhos forçados;
precede a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e d) de banimento;
Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou
Degradantes – adotada pela Assembleia Geral em 10-12- e) cruéis;
1984, vigorando desde 26-6-1987 – e a Lei 9.455, de 7-4-
Penas proibidas.
1997, que define o crime de tortura; e o preceito veiculado
pelo art. 5º, XLIII, da Constituição – que declara insuscetíveis Essa previsão é taxativa (numerus clausus), exaustiva.
de graça e anistia a prática da tortura, entre outros crimes – Ressalte-se que existe previsão infraconstitucional de
não alcança, por impossibilidade lógica, anistias aplicação de pena de morte para determinados crimes
anteriormente a sua vigência consumadas. A Constituição militares indicados no Código Militar (Decreto-Lei 1.001/69).
não afeta leis-medida que a tenham precedido. (...). (STF
ADPF 153, Rel. Min. Eros Grau, Plenário, DJ de 6-8-2010). Sobre o banimento ou desterro, vale dizer que é a retirada
de um nacional de seu país, em virtude da prática de
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação determinado fato no território nacional, entendendo-se
de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem como nacional o brasileiro nato e o naturalizado.
constitucional e o Estado Democrático;
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos
Lei 12.850/2013, que define o crime de associação distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o
criminosa. sexo do apenado;
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ÀS PENAS
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OS: 0084/1/18-Gil

XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade expulsão decorre de atentado à segurança nacional, ordem
física e moral; política ou social, ou nocividade aos interesses nacionais. A
deportação tem relação com a legalidade, é a saída
L - às presidiárias serão asseguradas às condições para que compulsória do estrangeiro que entrou ou permanece
possam permanecer com seus filhos durante o período de irregularmente no país por não cumprimento dos requisitos
amamentação; legais.
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, Só existe deportação ou expulsão de estrangeiro. Inclusive,
assim como o que ficar preso além do tempo fixado na com referência a expulsão, quando o brasileiro, nato ou
sentença; naturalizado atenta contra à segurança nacional, ordem
O inciso XLIX é colorário da regra prevista no inciso III, do política ou social, ou nocividade aos interesses nacionais
art. 5º, que diz: “ninguém será submetido à tortura ou será processado e julgado pela justiça brasileira.
tratamento desumano ou degradante”. Há extradição ativa e passiva, mas o STF somente tem
competência para julgar a extradição passiva (art. 102, I,
“g”). A solicitação da extradição para ser aceita pelo Brasil
deverá também preencher alguns requisitos
 Jurisprudência relacionada ao tema: infraconstitucionais, dentre eles, a existência de tratado
internacional ou promessa de reciprocidade entre os países
SÚMULA VINCULANTE 11. Só é lícito o uso de algemas em e a dupla tipicidade, ou seja, a conduta tem que ser crime
casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de no Brasil e no país solicitante.
perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do
preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por LII - não será concedida extradição de estrangeiro por
escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e crime político ou de opinião;
penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão
O caráter político do crime deverá ser analisado pelo STF,
ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da
pois inexiste prévia definição constitucional ou legal sobre a
responsabilidade civil do Estado.
matéria.
EMENTA. Considerando que é dever do Estado, imposto
pelo sistema normativo, manter em seus presídios os  Jurisprudência relacionada ao tema:
padrões mínimos de humanidade previstos no ordenamento SÚMULA 1, STF. É vedada a expulsão de estrangeiro casado
jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do art. 37, § com brasileira, ou que tenha filho brasileiro, dependente de
6º, da Constituição, a obrigação de ressarcir os danos, economia paterna.
inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos
em decorrência da falta ou insuficiência das condições legais SÚMULA 421, STF. Não impede a extradição a circunstância
de encarceramento. Com essa orientação, o Tribunal (...) de ser o extraditando casado com brasileira ou ter filho
deu provimento a recurso extraordinário para restabelecer brasileiro.
o juízo condenatório nos termos e limites do acórdão EMENTA. Extradição e prisão perpétua: necessidade de
proferido no julgamento da apelação, a qual fixara prévia comutação, em pena temporária (máximo de 30
indenização no valor de dois mil reais a favor de detento. anos), da pena de prisão perpétua – Revisão da
Consoante o acórdão restabelecido, estaria caracterizado o jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em obediência
dano moral porque, após laudo de vigilância sanitária no à Declaração Constitucional de Direitos (CF, art. 5º, XLVII, b).
presídio e decorrido lapso temporal, não teriam sido A extradição somente será deferida pelo Supremo Tribunal
sanados os problemas de superlotação e de falta de Federal, tratando-se de fatos delituosos puníveis com prisão
condições mínimas de saúde e de higiene do perpétua, se o Estado requerente assumir, formalmente,
estabelecimento penal. Além disso, não sendo assegurado o quanto a ela, perante o Governo brasileiro, o compromisso
mínimo existencial, seria inaplicável a teoria da reserva do de comutá-la em pena não superior à duração máxima
possível. (STF RE 580.252, rel. p/ o AC. Min. Gilmar Mendes, admitida na lei penal do Brasil (CP, art. 75), eis que os
j 16.02.2017, Plenário). pedidos extradicionais - considerado o que dispõe o art. 5º,
XLVII, b da Constituição da República, que veda as sanções
REGRAS DE EXTRADIÇÃO penais de caráter perpétuo - estão necessariamente sujeitos
à autoridade hierárquico-normativa da Lei Fundamental
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o brasileira. Doutrina. Novo entendimento derivado da
naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da revisão, pelo Supremo Tribunal Federal, de sua
naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico jurisprudência em tema de extradição passiva. (…). (STF Ext
ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; 855, 1º/7/05).
Extradição, segundo Hildebrando Accioly, “é o ato pelo o EMENTA. (...) Não configura crime político, para fim de
qual um Estado entrega um indivíduo, acusado de um delito obstar a acolhimento de pedido de extradição, homicídio
ou já condenado como criminoso, à Justiça do outro, que o praticado por membro de organização revolucionária
reclama, e que é competente para julgá-lo e puni-lo”. A clandestina, em plena normalidade institucional de Estado
extradição não se confunde com expulsão e deportação. A
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OS: 0084/1/18-Gil

Democrático de direito, sem nenhum propósito político LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se
imediato ou conotação de reação legítima a regime encontre serão comunicados imediatamente ao juiz
opressivo. (...) Decretada a extradição pelo Supremo competente e à família do preso ou à pessoa por ele
Tribunal Federal, deve o Presidente da República observar indicada;
os termos do Tratado celebrado com o Estado requerente,
quanto à entrega do extraditando. (STF Ext. 1.085. Rel. Min São obrigatórias as duas comunicações a partir da prisão.
Cezar Peluso. DJ. 16.04.2010). Uma, ao juiz competente, o qual vai justamente avaliar a
legalidade da prisão, considerando o que consta nos incisos
EMENTA. (...) Revela-se essencial, para a exata aferição do LXI e LXV desse dispositivo. Outra, ou à pessoa que o preso
respeito ao postulado da dupla incriminação, que os fatos indicar ou a alguém da família, se for possível identificá-la.
atribuídos ao extraditando - não obstante a incoincidência
de sua designação formal - revistam-se de tipicidade penal e Também será necessária a comunicação à Defensoria
sejam igualmente puníveis tanto pelo ordenamento jurídico Pública da prisão do indivíduo que não indique advogado
domestico quanto pelo sistema de direito positivo do Estado particular, em observância a parte final do inciso LXII, desse
requerente. (...). (STF Ext 669/EUA, 29/03/1996). mesmo artigo, nos termos do código de processo penal.

EMENTA. (...) A Constituição da República, presentes tais LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os
vetores interpretativos (CF, art. 4º, VIII, e art. 5º, XLIII), não quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a
autoriza que se outorgue, às práticas delituosas de caráter assistência da família e de advogado;
terrorista, o mesmo tratamento benigno dispensado ao
Direito ao silêncio. O preso deverá ser obrigatoriamente
autor de crimes políticos ou de opinião, impedindo, desse
informado sobre seu direito constitucional de permanecer
modo, que se venha a estabelecer, em torno do terrorista,
em silêncio e que o exercício desse direito não enseja
um inadmissível círculo de proteção que o faça imune ao
confissão do crime.
poder extradicional do Estado brasileiro, notadamente se se
tiver em consideração a relevantíssima circunstância de que O direito a não autoincriminação, como citam os
a Assembleia Nacional Constituinte formulou um claro e professores Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, parte de
inequívoco juízo de desvalor em relação a quaisquer atos umas das premissas do direito penal, de que ninguém é
delituosos revestidos de índole terrorista, a estes não obrigado a produzir provas contra si mesmo, será exercido
reconhecendo a dignidade de que muitas vezes se acha tanto na fase de inquérito policial como perante a justiça,
impregnada a prática da criminalidade política. (...) A inclusive diante das comissões parlamentares de inquérito.
cláusula de proteção constante do art. 5º, LII da
 Jurisprudência relacionada ao tema:
Constituição da República - que veda a extradição de
estrangeiros por crime político ou de opinião - não se EMENTA. A Constituição Federal assegura aos presos o
estende, por tal razão, ao autor de atos delituosos de direito ao silêncio (inciso LXIII do art. 5º). Nessa mesma linha
natureza terrorista, considerado o frontal repúdio que a de orientação, o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e
ordem constitucional brasileira dispensa ao terrorismo e ao Políticos (Pacto de São José da Costa Rica)
terrorista (...). (STF Ext. 855/Chile, 01/07/2005). institucionaliza o princípio da “não
autoincriminação” (nemo tenetur se detegere). Esse direito
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ÀS PRISÕES subjetivo de não se autoincriminar constitui uma das mais
eminentes formas de densificação da garantia do devido
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por processo penal e do direito à presunção de não
ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária culpabilidade (inciso LVII do art. 5º da CF). A revelar,
competente, salvo nos casos de transgressão militar ou primeiro, que o processo penal é o espaço de atuação
crime propriamente militar, definidos em lei; apropriada para o órgão de acusação demonstrar por modo
robusto a autoria e a materialidade do delito. Órgão que
Prisão em flagrante, nos termos do código de processo
não pode se esquivar da incumbência de fazer da instrução
penal, poderá ser decretada por qualquer do povo e deverá
criminal a sua estratégia oportunidade de produzir material
ser decretada pelas autoridades competentes. Já a prisão
probatório substancialmente sólido em termos de
decorrente de ordem judicial é cláusula de reserva do
comprovação da existência de fato típico e ilícito, além da
judiciário. Deve-se ainda distinguir a prisão processual
culpabilidade do acusado. (STF HC 101.909, rel. min. Ayres
(prisão temporária, preventiva, em flagrante delito), a qual
Britto, j 28.02.2012, 2ª Turma, DJ 19.06.2012).
se dá antes do trânsito em julgado da sentença penal
condenatória e, a prisão penal, onde o condenado deverá LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis
cumprir a pena estabelecida na sentença. por sua prisão ou por interrogatório policial;
Existem exceções a presente regra, tais como: prisões As autoridades policiais ficam obrigadas a apresentar ao
militares, expressas no próprio texto do artigo, a prisão preso todas as alternativas necessárias à identificação do
durante o estado de defesa e o estado de sítio (arts. 136, policial ou da equipe que o prendeu ou interrogou.
§ 1º e 139 da CF) e a prisão do Presidente da República, dos
deputados federais e estaduais e dos senadores (arts. 86, LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela
§ 3º e 53, § 2º, CF). autoridade judiciária;

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Prisão ilegal é aquela que não obedece aos requisitos da lei, Pleno, Data de Publicação: DJe-104 DIVULG 04-06-2009
como, por exemplo, a da pessoa que foi presa, mas não foi PUBLIC 05-06-2009).
pegue em flagrante, nem por ordem judicial escrita e
SÚMULA VINCULANTE 25. É ilícita a prisão civil de
fundamentada, ou a prisão de menor de idade. Essa prisão,
depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do
por mais que se tenha certeza de que o preso é o culpado,
depósito.
deverá ser relaxada por ordem de autoridade judiciária.
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido
humanos que forem aprovados, em cada Casa do
quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem
Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos
fiança;
votos dos respectivos membros, serão equivalentes às
A liberdade provisória é o direito de a pessoa responder ao emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda
processo em liberdade, que se dá até o trânsito em julgado Constitucional 45, de 2004).
da sentença penal condenatória, tendo como fundamento o
Os tratados internacionais são celebrados pelo Presidente
princípio da presunção da inocência. Surge quando a lei
da República (art. 84, VIII) e referendados pelo Congresso
permite que o réu fique solto durante o processo, pois na
Nacional (art. 49, I, da CF/88). Aprovado por decreto
fase da execução da pena, após o trânsito em julgado da
legislativo, o tratado segue para o Presidente da República
sentença que condena a privação da liberdade, a prisão não
para que seja promulgado por decreto.
admite tal benefício.
Depois da mudança trazida pela Emenda Constitucional 45,
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do de 08/12/2004, tais tratados podem ser aprovados com
responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável, quórum qualificado (três quintos dos membros de ambas as
de obrigação alimentícia e a do depositário infiel; casas do congresso nacional, em dois turnos de discussão e
Em regra, não haverá prisão civil por dívida. Só há duas votação), quando tratarem de direitos humanos, sendo
exceções à regra nos termos da Constituição Federal equivalentes às emendas constitucionais ou podem ser
vigente. Na primeira, poderá ser presa a pessoa que for aprovados por maioria dos votos, em um só turno de
devedora de pensão alimentícia de forma voluntária e discussão e votação, em cada casa do Congresso Nacional,
inescusável (sem desculpa, sem justificativa). A segunda quando não tratarem de direitos humanos, sendo
exceção, que tem como protagonista o depositário infiel, equivalentes a uma lei ordinária.
surgiu do contrato de depósito, oriundo do direito privado, O STF no julgamento do RE 466.343/SP fez referência aos
ocorrendo quando o depositante entrega um bem móvel ao tratados internacionais sobre direitos humanos subscritos
depositário, o qual deverá devolver o objeto quando pelo Brasil, portanto já incorporados ao ordenamento
reclamado, tornando-se depositário fiel do bem. Se no jurídico antes de promulgação da emenda constitucional nº
momento em que o depositante for requisitar o bem, o 45, que são materialmente compatíveis, mas não
mesmo não estiver na posse do depositário, este se torna formalmente compatíveis com a mudança, chamando-os de
depositário infiel, podendo sofrer prisão civil. normas supralegais.
O Supremo Tribunal Federal passou a determinar que a Já aprovado pelo Congresso Nacional, nos moldes do
prisão civil por dívida seja aplicável apenas ao responsável presente parágrafo, tem-se o Decreto Legislativo
pelo não pagamento “voluntário e inescusável" de 186/09.07.2009, que referendou a Convenção sobre os
obrigação alimentícia. O Tribunal entendeu que a segunda Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo
parte do dispositivo constitucional, que versa sobre o Facultativo.
assunto, ainda precisa de lei para a definição de rito
processual e prazos, uma vez que a Lei nº 8.866/94 foi GARANTIAS CONSTITUCIONAIS
derrogada pela Convenção Americana de Direitos Humanos
(norma Supralegal) HABEAS CORPUS

Dispositivo correspondente: art. 5º, § 3º, da CF/88. LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém
sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação
 Jurisprudência relacionada ao tema:
em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso
EMENTA. PRISÃO CIVIL. Depósito. Depositário infiel. de poder;
Alienação fiduciária. Decretação da medida coercitiva.
Inadmissibilidade absoluta. Insubsistência da previsão É a primeira garantia de direitos fundamentais, concedida
constitucional e das normas subalternas. Interpretação do na Carta Magna de 1215, pelo monarca inglês João Sem
art. 5º, inc. LXVII e §§ 1º, 2º e 3º, da CF, à luz do art. 7º, § 7, Terra. Alcançou status constitucional na Constituição
da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de Federal de 1891 (Primeira Constituição Republicana) e está
San José da Costa Rica). Recurso improvido. Julgamento regulamentado no Código de Processo Penal.
conjunto do RE 349.703 e dos HCs 87.585 e 92.566. É ilícita a É uma ação constitucional de natureza mandamental (writ)
prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a e de procedimento especial, isento de custas e que visa
modalidade do depósito. (STF - RE: 466343 SP, Relator: Min. cessar violência (habeas corpus repressivo) ou ameaça na
CEZAR PELUSO, Data de Julgamento: 03/12/2008, Tribunal
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liberdade de locomoção (habeas corpus preventivo), por (...). (STF HC 84869/SP. Rel. Min. Sepúlveda Pertence. DJ
ilegalidade ou abuso de poder. 19.08.2005).
A legitimidade para ajuizamento de habeas corpus é um EMENTA. (...) Impõe-se reconhecer, desde logo, a
atributo de personalidade, não se exigindo a capacidade de possibilidade de as entidades sindicais impetrarem ordem
estar em juízo, nem a capacidade postulatória, sendo uma de habeas corpus em favor de terceiros, notadamente em
verdadeira ação penal popular. E sendo assim, qualquer do benefício de seus dirigentes e filiados, quando em risco o
povo, nacional ou estrangeiro, independentemente de exercício da liberdade de locomoção física. Assiste-lhes, na
capacidade civil, política, de idade, sexo, estado mental, realidade, nesse tema, plena legitimidade ativa ad causam.
pode fazer uso do habeas corpus em benefício próprio. Não (...). (STF HC 76606/CE, 05/02/1998).
há impedimento para que dele se utilize pessoa menor de
EMENTA. (...) Versando o processo sobre a ação
idade, insana mental, mesmo sem estarem representados
constitucional de habeas corpus, tem-se a possibilidade de
ou assistidos por outrem. O analfabeto, também, desde que
acompanhamento pelo leigo, que pode interpor recurso,
alguém assine a petição a rogo, poderá ajuizar a ação de
sem a exigência de a peça mostrar-se subscrita por
habeas corpus. O que não pode haver é a impetração
profissional da advocacia. (STF HC 84716/MG, 26/11/2004).
apócrifa, ou seja, habeas corpus sem assinatura.
EMENTA. “Habeas corpus”. O sentido da restrição dele
Deve-se esclarecer que essa garantia poderá ser usada em
quanto às punições disciplinares militares (artigo 142, PAR.
benefício alheio, mediante habeas corpus de terceiro. E aqui
2, da Constituição Federal). - Não tendo sido interposto o
as pessoas jurídicas podem constar no polo ativo da ação
recurso ordinário cabível contra o indeferimento liminar do
mandamental, embora não possam ser pacientes, já que
"habeas corpus" impetrado perante o Superior Tribunal de
estes só podem ser pessoas físicas, segundo posicionamento
Justiça (artigo 102, II, "a", da Constituição Federal), conhece-
da Corte Suprema. Na mesma situação, segundo o art. 654,
se do presente "writ" como substitutivo desse recurso. - O
§ 2º do CPC, o magistrado pode conceder a liberdade de
entendimento relativo ao PAR. 2º do artigo 153 da Emenda
ofício, porém não pode ser impetrante num habeas corpus
Constitucional n. 1/69, segundo o qual o princípio, de que
de terceiro.
nas transgressões disciplinares não cabia "habeas corpus",
Diferentemente do mandado de segurança, qualquer pessoa não impedia que se examinasse, nele, a ocorrência dos
pode ser sujeito passivo na relação de habeas corpus, quatro pressupostos de legalidade dessas transgressões (a
autoridade pública ou particular, sendo necessário que o hierarquia, o poder disciplinar, o ato ligado a função e a
constrangimento exercido decorra de função por ele pena susceptível de ser aplicada disciplinarmente), continua
ocupada. Assim, o diretor de hospital ou colégio que impeça valido para o disposto no PAR. 2º do ARTIGO 142 da atual
a saída por débito. Constituição que e apenas mais restritivo QUANTO AO
âmbito dessas transgressões disciplinares, pois a LIMITA AS
O habeas corpus é gratuito nos termos do inciso LXXVII, que
DE natureza militar. (...). (STF HC 70.648/RJ. Rel. Min.
reza: “São gratuitas as ações de Habeas Corpus e Habeas
Moreira Alves, DJ 04.03.1994).
Data e, na forma da lei, os tatos necessários ao exercício
da cidadania”. EMENTA. COMPETÊNCIA - HABEAS CORPUS - DEFINIÇÃO. A
competência para o julgamento do habeas corpus é definida
Decreto-Lei 3.689/41 (CPP):
pelos envolvidos - paciente e impetrante. COMPETÊNCIA -
Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer HABEAS CORPUS - ATO DE TURMA RECURSAL. Estando os
ou se achar na iminência de sofrer violência ou coação integrantes das turmas recursais dos juizados especiais
ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de submetidos, nos crimes comuns e nos de responsabilidade,
punição disciplinar.
à jurisdição do tribunal de justiça ou do tribunal regional
Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por federal, incumbe a cada qual, conforme o caso, julgar os
qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como habeas impetrados contra ato que tenham praticado.
pelo Ministério Público.
COMPETÊNCIA - HABEAS CORPUS - LIMINAR. Uma vez
§ 2º Os juízes e os tribunais têm competência para expedir ocorrida a declinação da competência, cumpre preservar o
de ofício ordem de habeas corpus, quando no curso de
quadro decisório decorrente do deferimento de medida
processo verificarem que alguém sofre ou está na iminência
de sofrer coação ilegal.
acauteladora, ficando a manutenção, ou não, a critério do
órgão competente. (STF HC 86.834/SP, Rel. Min. Marco
Aurélio, DJ 09.03.2009).
 Jurisprudência relacionada ao tema:
SÚMULA 690, STF. Compete originariamente ao supremo
SÚMULA 693, STF. Não cabe habeas corpus contra decisão
tribunal federal o julgamento de “habeas corpus” contra
condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em
decisão de turma recursal de juizados especiais criminais.
curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a
Súmula Superada.
única cominada.
EMENTA. (...). É inquestionável o direito de súditos
EMENTA. I. Habeas corpus: cabimento. 1. Assente a
estrangeiros ajuizarem, em causa própria, a ação de 'habeas
jurisprudência do STF no sentido da idoneidade do habeas
corpus', eis que esse remédio constitucional - por qualificar-
corpus para impugnar autorização judicial de quebra de
se como verdadeira ação popular - pode ser utilizado por
sigilos, se destinada a fazer prova em procedimento penal.
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qualquer pessoa, independentemente da condição jurídica informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da
resultante de sua origem nacional.- A petição com que administração fazendária dos entes estatais.
impetrado o 'habeas corpus' deve ser redigida em
O habeas data é gratuito nos termos do inciso LXXVII, que
português, sob pena de não-conhecimento do 'writ'
reza: “São gratuitas as ações de habeas corpus e habeas
constitucional (CPC, art. 156, c/c o CPP, art. 3º), eis que o
data e, na forma da lei, os tatos necessários ao exercício da
conteúdo dessa peça processual deve ser acessível a todos,
cidadania”.
sendo irrelevante, para esse efeito, que o juiz da causa
conheça, eventualmente, o idioma estrangeiro utilizado
pelo impetrante. (…). (STF - HC: 88646 SC, Relator: Min.
CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 05/05/2006, Data de
Publicação: DJ 11/05/2006). Lei 9.507/97:
HABEAS DATA Art. 7º Conceder-se-á habeas data:
I - para assegurar o conhecimento de informações relativas
LXXII - conceder-se-á habeas data: à pessoa do impetrante, constantes de registro ou banco de
dados de entidades governamentais ou de caráter público;
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas
à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos II - para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-
de dados de entidades governamentais ou de caráter lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
público; III - para a anotação nos assentamentos do interessado, de
contestação ou explicação sobre dado verdadeiro mas
b) para retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável.
por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
Presente apenas na CF/88 e regulado pela Lei 9.507/97. Art. 8º A petição inicial, que deverá preencher os requisitos
dos arts. 282 a 285 do Código de Processo Civil, será
Ação constitucional de caráter civil, gratuita, de conteúdo e apresentada em duas vias, e os documentos que instruírem
rito sumário. Ação personalíssima, de forma a não admitir o a primeira serão reproduzidos por cópia na segunda.
pedido de terceiros. O extinto Tribunal Federal de Recursos, Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com
cujos membros formam atualmente a composição do STJ, prova:
em sessão plenária, admitiu a legitimação para o habeas I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de
data para os herdeiros do morto ou seu cônjuge supérstite, mais de dez dias sem decisão;
salientando, porém, tratar-se de decisão. II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de
Possui como objeto a proteção ao direito de informação mais de quinze dias, sem decisão; ou
pessoal, com tripla finalidade: conhecimento, correção e III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2º
justificação. do art. 4º ou do decurso de mais de quinze dias sem
decisão.
A legitimidade ativa poderá ser exercida por pessoa física e  Jurisprudência relacionada ao tema:
jurídica e não existe possibilidade de haver habeas data
preventivo, uma vez que a jurisprudência do STF firmou-se EMENTA. (...) O habeas data tem finalidade específica:
no sentido da necessidade da negativa da via administrativa assegurar o conhecimento de informações relativas à
para justificar o ajuizamento do habeas data, entendimento pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de
corroborado pela Lei 9.507/97, que em seu artigo 8º, dados de entidades governamentais ou de caráter público,
parágrafo único. ou para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo
por processo sigiloso, judicial ou administrativo (CF, art. 5º,
O presente writ poderá ser impetrado em desfavor de LXXII, a e b). No caso, visa a segurança ao fornecimento ao
entidade governamental ou não governamental, mas de impetrante da identidade dos autores de agressões e
caráter público, que possuam informações referentes à denúncias que lhe foram feitas. A segurança, em tal caso, é
pessoa do impetrante. meio adequado. (STF RMS 24.617,10-6-05).
Quanto à alegada ressalva prevista no art. 5º, XXXIII, da EMENTA. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS DATA. ART. 5º,
CF/88, o sigilo da defesa nacional, apesar da divergência LXXII, DA CF. ART. 7º, III, DA LEI 9.507/97. PEDIDO DE VISTA
doutrinária, o já mencionado Tribunal Federal de Recursos DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. INIDONEIDADE DO MEIO.
pacificou entendimento de que valerá a alegação do sigilo RECURSO IMPROVIDO. 1. O habeas data, previsto no art. 5º,
em nome da segurança do Estado. LXXII, da Constituição Federal, tem como finalidade
O Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, nos autos do assegurar o conhecimento de informações constantes de
Recurso Extraordinário 673.707/MG, julgado em registros ou banco de dados e ensejar sua retificação, ou de
17.05.2015, assentando a tese de que o habeas data é a possibilitar a anotação de explicações nos assentamentos do
garantia constitucional adequada para a obtenção, pelo interessado (art. 7º, III, da Lei 9.507/97). 2. A ação de
próprio contribuinte, dos dados concernentes ao habeas data visa à proteção da privacidade do indivíduo
pagamento de tributos constantes de sistemas contra abuso no registro e/ou revelação de dados pessoais
falsos ou equivocados. 3. O habeas data não se revela meio
idôneo para se obter vista de processo administrativo. 4.
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DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS
OS: 0084/1/18-Gil

Recurso improvido. (STF - HD: 90 DF, Relator: Min. ELLEN pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder
GRACIE, Data de Julgamento: 18/02/2010, Tribunal Pleno, Público;
Data de Publicação: DJe-050 DIVULG 18-03-2010 PUBLIC 19-
03-2010). Possui status constitucional desde a Constituição Federal de
1934, mas foi retirado na Constituição de 1937 e retornou
EMENTA. HABEAS DATA. CONCURSO PÚBLICO. ACESSO A na Constituição de 1946 e é regulado pela Lei 12.016/2009
INFORMAÇÕESSOBRE OS CRITÉRIOS UTILIZADOS NA que revogou a Lei 1.533/51.
CORREÇÃO DE PROVA DISCURSIVA. IMPROPRIEDADE DA VIA
ELEITA.1. A Lei n. 9.507/97 é suficientemente clara ao expor, Ação constitucional de natureza civil, que protege o direito
no art. 7º, as hipóteses em que se justifica o manuseio do líquido e certo, qualquer que seja a natureza (civil ou penal).
habeas data, não estando ali prevista, nem sequer Direito líquido e certo é fato incontestável, que necessita de
implicitamente, a possibilidade de utilização da via com o comprovação, é aquele capaz de ser provado por
propósito de revolver os critérios utilizados por instituição documentação inequívoca, onde a autoridade judicial possa
de ensino na correção de prova discursiva realizada com julgar de plano, sem necessitar de instrução probatória.
vista ao preenchimento de cargos na Administração Pública. O presente writ poderá ser impetrado quando houver lesão
2. Agravo regimental não-provido. (STJ AgRg no HD .127/DF, (mandado de segurança repressivo) ou ameaça de lesão
Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, PRIMEIRA (mandado de segurança preventivo), por ato ou omissão de
SEÇÃO, julgado em 14/06/2006, DJ 14/08/2006). autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício
EMENTA. (...). 6. A legitimatio ad causam para interpretação de atribuições do Poder Público, salientando-se que os atos
de Habeas Data estende-se às pessoas físicas e jurídicas, vinculados e os atos discricionários estão sujeitos à ação
nacionais e estrangeiras, porquanto garantia constitucional mandamental.
aos direitos individuais ou coletivas. 7. Aos contribuintes foi Possuem legitimidade para constar no polo ativo
assegurado constitucionalmente o direito de conhecer as (legitimidade ordinária) as pessoas físicas e jurídicas, órgãos
informações que lhes digam respeito em bancos de dados públicos despersonalizados (mesa da câmara dos
públicos ou de caráter público, em razão da necessidade de deputados, mesa do senado federal) e as universalidades
preservar o status de seu nome, planejamento empresarial, reconhecidas em lei (massa falida, condomínio). Quanto à
estratégia de investimento e, em especial, a recuperação de legitimidade passiva, além do texto constitucional que diz:
tributos pagos indevidamente, verbis: Art. 5º. LXXII. "... quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de
Conceder-se-á habeas data para assegurar o conhecimento poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica
de informações relativas à pessoa do impetrante, no exercício de atribuições do Poder Público.", deve-se
constantes de registros ou bancos de dados de entidades observar a regra do art. 1º, § 1º da legislação específica.
governamentais ou de caráter público, considerado como
um writ, uma garantia, um remédio constitucional à A Constituição da República não prevê a gratuidade do
disposição dos cidadãos para que possam implementar “mandamus”, mas a lei estabelece prazo decadencial para
direitos subjetivos que estão sendo obstaculados. 8. As sua impetração, que tem prazo legal de 120 dias contados
informações fiscais conexas ao próprio contribuinte, se da ciência do ato impugnado, ressaltando que do mesmo
forem sigilosas, não importa em que grau, devem ser cabe desistência.
protegidas da sociedade em geral, segundo os termos da lei Destaque-se o caráter subsidiário do mandado de
ou da constituição, mas não de quem a elas se referem, por segurança, considerando o próprio dispositivo
força da consagração do direito à informação do art. 5º, constitucional quando diz “... para proteger direito líquido e
inciso XXXIII, da Carta Magna, que traz como única ressalva certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data...”.
o sigilo imprescindível à segurança da sociedade e do Caráter esse que a lei estendeu a outras situações, como se
Estado, o que não se aplica no caso sub examine, verbis: Art. vê no art. 5º da Lei 12.016/2009.
5º. XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos
Lei 12016/09:
informações de seu interesse particular, ou de interesse
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob Art. 1º (...)
pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo
§1º Equiparam-se às autoridades, para os efeitos desta Lei,
seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. os representantes ou órgãos de partidos políticos e os
(...). 10. Ex positis, DOU PROVIMENTO ao recurso administradores de entidades autárquicas, bem como os
extraordinário. (STF HD RE N. 673.707-MG, RELATOR: MIN. dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no
LUIZ FUX, Plenário, DJ 17.05.2015). exercício de atribuições de poder público, somente no que
disser respeito a essas atribuições.
MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL §2º Não cabe mandado de segurança contra os atos de
gestão comercial praticados pelos administradores de
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger empresas públicas, de sociedade de economia mista e de
direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus concessionárias de serviço público.
ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou Art. 5º Não se concederá mandado de segurança quando se
abuso de poder for autoridade pública ou agente de tratar:

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OS: 0084/1/18-Gil

I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito Direitos Difusos são aqueles indivisíveis de titularidade
suspensivo, independentemente de caução; indeterminada, pessoas ligadas por uma circunstância de
II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito fato, tais como direito ao meio ambiente saudável ou direito
suspensivo; à publicidade não enganosa. O que os difere dos direitos
III - de decisão judicial transitada em julgado. coletivos é a determinabilidade e a relação existente do
Art. 23. O direito de requerer mandado de segurança grupo, categoria ou classe anterior à lesão.
extinguir-se-á decorridos 120 (cento e vinte) dias, contados
Interesses individuais homogêneos são aqueles de natureza
da ciência, pelo interessado, do ato impugnado.
divisível, cujos titulares são pessoas determinadas. Por
exemplo, os consumidores que reinvidicam os direitos ao
 Jurisprudência relacionada ao tema: fabricante de veículos vendidos com peças defeituosas,
SÚMULA 333, STJ. Cabe mandado de segurança contra ato apesar de cada um deles, individualmente, poder pleitear
praticado em licitação promovida por sociedade de judicialmente a reparação dos danos.
economia mista ou empresa pública. Outra distinção entre o presente mandamus e o mandado
SÚMULA 101, STF. O mandado de segurança não substitui de segurança individual diz respeito a legitimidade ativa,
ação popular. conhecida doutrinariamente por legitimidade
extraordinária, uma vez que os legitimados expressos no
SÚMULA 266, STF. Não cabe Mandado de Segurança contra dispositivo agem como substituto processual e não como
Lei em tese. representantes.
SÚMULA 267, STF. Não cabe Mandado de Segurança contra Do partido político com representação no Congresso
ato passível de correção e de recurso. Nacional exige-se, no mínimo, um parlamentar, em
SÚMULA 268, STF. Não cabe mandado de segurança contra qualquer das Casas Legislativas, filiado a determinado
decisão judicial com trânsito em julgado. partido político. Da organização sindical, entidade de classe
ou associação, são exigidos três requisitos: legalmente
SÚMULA 269, STF. O mandado de segurança não é constituídas, em funcionamento há pelo menos um ano e
substituto de ação de cobrança. pertinência temática. Entretanto vale dizer que a
SÚMULA 429, STF. A existência de recurso administrativo jurisprudência da Corte Suprema dispensou aos sindicatos o
com efeito suspensivo não impede o uso de Mandado de requisito de funcionamento há pelo menos um ano.
Segurança contra omissão da autoridade. Outra peculiaridade interessante é a possibilidade de
SÚMULA 625, STF. Controvérsia sobre matéria de direito impetração do mandado de segurança coletivo mesmo
não impede concessão de mandado de segurança. quando for impetrado o mandado de segurança individual,
segundo o art. 22, § 1º da Lei 12.016/2009.
SÚMULA 632, STF. É constitucional lei que fixa o prazo de
decadência para a impetração de mandado de segurança. Lei 12.016/09:
Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO impetrado por partido político com representação no
Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou
por: por organização sindical, entidade de classe ou associação
legalmente constituída e em funcionamento há, pelo
a) partido político com representação no Congresso menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos
Nacional; da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou
associados, na forma dos seus estatutos e desde que
b) organização sindical, entidade de classe ou associação
pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto,
legalmente constituída e em funcionamento há pelo
autorização especial.
menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros
Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de
ou associados;
segurança coletivo podem ser:
Remédio constitucional que surgiu somente na CF/88 e I - coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os
atualmente regulado pela Lei 12.016/2009. transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular
grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a
Tem como objeto a proteção aos direitos coletivos lato parte contrária por uma relação jurídica básica;
sensu, compreendendo os direitos coletivos, II - individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito
transindividuais e individuais homogêneos. desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade
Direito Coletivos são aqueles indivisíveis de que seja titular ou situação específica da totalidade ou de parte dos
associados ou membros do impetrante.
grupo, categoria ou classe de pessoas determinadas (não
individualizadas). Tem como exemplo a impetração de Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará
coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou
mandado de segurança pela Ordem dos Advogados do Brasil
categoria substituídos pelo impetrante.
em defesa de direitos da classe.
§ 1º O mandado de segurança coletivo não induz
litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da
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OS: 0084/1/18-Gil

coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título Quanto aos efeitos da decisão em sede de mandado de
individual se não requerer a desistência de seu mandado de injunção, a teoria não-concretista predominou, por muito
segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência tempo, no âmbito do Supremo tribunal Federal. Entendia a
comprovada da impetração da segurança coletiva.
Suprema Corte que ao Poder Judiciário caberia apenas o
§ 2º No mandado de segurança coletivo, a liminar só reconhecimento formal da inércia legislativa e a
poderá ser concedida após a audiência do representante consequente comunicação ao órgão competente para a
judicial da pessoa jurídica de direito público, que deverá se
elaboração da norma regulamentadora necessária ao
pronunciar no prazo de 72 (setenta e duas) horas.
exercício do direito constitucional inviabilizado, sem que o
 Jurisprudência relacionada ao tema: legislativo se vinculasse a referida decisão, considerando
SÚMULA 629, STF. A impetração de mandado de segurança que a adoção de posição diversa ofenderia a separação dos
coletivo por entidade de classe em favor dos associados Poderes. Posteriormente, a teoria concretista geral foi
independe da autorização destes. adotada em algumas decisões prolatadas pelo Supremo
Tribunal Federal (MI 670, 708 e 712), que estabelecia, diante
SÚMULA 630, STF. A entidade de classe tem legitimidade da ausência de norma regulamentadora, ao Poder Judiciário
para o mandado de segurança ainda quando a pretensão o suprimento da lacuna. Assim, o poder Judiciário, mediante
veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva decisão, regularia a omissão em caráter geral, com efeitos
categoria. erga omnes, concedendo a viabilizar do exercício do direito
EMENTA. LEGITIMIDADE DO SINDICATO PARA A constitucional ao impetrante e estendendo os efeitos a
IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO todos aqueles que estivessem na mesma situação.
INDEPENDENTEMENTE DA COMPROVAÇÃO DE UM ANO DE Atualmente, o Órgão de Superposição tem aplicado a teoria
CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO. Acórdão que, concretista individual, permitindo ao Poder Judiciário,
interpretando desse modo a norma do art. 5º, LXX, da CF, diante da lacuna deixada pelo Poder Legislativo, editar
não merece censura. Recurso não conhecido. (STF RE norma para o caso específico, viabilizando o exercício do
198.919/DF, Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 15.06.1999). direito somente ao impetrante, uma vez que a decisão tem
efeitos inter partes (MI795). Já a teoria concretista
EMENTA. Pessoas físicas já impetrantes de mandados de intermediária, ou mista traduz-se na fusão da teoria não-
segurança individuais não possuem autorização concretista com a teoria concretista individual, ou seja, o
constitucional para nova impetração ‘coletiva’. Eventual Poder Judiciário, primeiramente, limita-se a declarar a
litisconsórcio ativo, instituto da teoria geral do processo, omissão ao órgão responsável pela elaboração da norma
não se confunde com as hipóteses constitucionais do art. 5º, regulamentadora, fixando-lhe prazo para suprimento da
LXX, da CF/1988. (STF MS 32.832 AgR, rel. min. Rosa Weber, lacuna e posteriormente, com a expiração do prazo, estaria
J. 24.02.2015, 1ª Turma, DJ 11.03.2015). autorizado a suprir a lacuna para o caso concreto, isto é,
somente para o impetrante (MI 232).
MANDADO DE INJUNÇÃO
Lei 13.300/2016:
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a
Art. 2º Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a
falta da norma regulamentadora torne inviável o exercício
falta total ou parcial de norma regulamentadora torne
dos direitos e liberdades constitucionais e das inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania
cidadania; e à cidadania.
Parágrafo único. Considera-se parcial a regulamentação
Ação constitucional de natureza civil e procedimento quando forem insuficientes as normas editadas pelo órgão
especial, novidade da atual Constituição e regulada pela legislador competente.
Lei 13.300/2016. Art. 3º São legitimados para o mandado de injunção, como
impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas que se
A impossibilidade do exercício dos direitos e liberdades
afirmam titulares dos direitos, das liberdades ou das
“constitucionais” e as prerrogativas inerentes à prerrogativas referidos no art. 2º e, como impetrado, o
nacionalidade, à soberania e à cidadania, por falta da norma Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar
regulamentadora, é o que legitima a impetração do a norma regulamentadora.
mandado de injunção. Assim, tem como objeto uma norma Art. 8º Reconhecido o estado de mora legislativa, será
de eficácia limitada, norma constitucional que prescinde de deferida a injunção para:
lei infraconstitucional para possuir plena aplicabilidade. I - determinar prazo razoável para que o impetrado
promova a edição da norma regulamentadora;
Há a possibilidade de impetração de mandado de injunção II - estabelecer as condições em que se dará o exercício dos
contra omissão absoluta do legislador, uma lacuna da lei, ou direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados
contra omissão parcial, quando a lei existe, mas não foi ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado
capaz de regular a completude do direito estabelecido. promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja
suprida a mora legislativa no prazo determinado.
No polo ativo pode constar pessoa física ou jurídica ou Parágrafo único. Será dispensada a determinação a que se
estrangeira e no polo passivo os órgãos ou autoridades refere o inciso I do caput quando comprovado que o
públicas que possuem competência para legislar no caso impetrado deixou de atender, em mandado de injunção
concreto (arts. 102, I, “q” e 105, I, “h”, ambos da CF/88). anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma.
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Art. 9º A decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes e constitucionalmente garantidos por meio de mandado de
produzirá efeitos até o advento da norma injunção apresentam-se como direitos à expedição de um
regulamentadora. ato normativo, os quais, via de regra, não poderiam ser
§ 1º Poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga
diretamente satisfeitos por meio de provimento
omnes à decisão, quando isso for inerente ou indispensável
jurisdicional do STF; II) a decisão judicial que declara a
ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa
objeto da impetração. existência de uma omissão inconstitucional constata,
§ 2º Transitada em julgado a decisão, seus efeitos poderão igualmente, a mora do órgão ou poder legiferante, insta-o a
ser estendidos aos casos análogos por decisão monocrática editar a norma requerida; III) a omissão inconstitucional
do relator. tanto pode referir-se a uma omissão total do legislador
§ 3º O indeferimento do pedido por insuficiência de prova quanto a uma omissão parcial; IV) a decisão proferida em
não impede a renovação da impetração fundada em outros sede do controle abstrato de normas acerca da existência,
elementos probatórios. ou não, de omissão é dotada de eficácia erga omnes, e não
Art. 11. A norma regulamentadora superveniente produzirá
apresenta diferença significativa em relação a atos
efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por decisão
decisórios proferidos no contexto de mandado de injunção;
transitada em julgado, salvo se a aplicação da norma
editada lhes for mais favorável. IV) o STF possui competência constitucional para, na ação
Parágrafo único. Estará prejudicada a impetração se a de mandado de injunção, determinar a suspensão de
norma regulamentadora for editada antes da decisão, caso processos administrativos ou judiciais, com o intuito de
em que o processo será extinto sem resolução de mérito. assegurar ao interessado a possibilidade de ser
Art. 12. O mandado de injunção coletivo pode ser contemplado por norma mais benéfica, ou que lhe assegure
promovido: o direito constitucional invocado; V) por fim, esse plexo de
I - pelo Ministério Público, quando a tutela requerida for poderes institucionais legitima que o STF determine a
especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica,
edição de outras medidas que garantam a posição do
do regime democrático ou dos interesses sociais ou
impetrante até a oportuna expedição de normas pelo
individuais indisponíveis;
II - por partido político com representação no Congresso legislador. (...). (STF MI 670/ES, 31.10.08).
Nacional, para assegurar o exercício de direitos, liberdades EMENTA. (...) 2. A Constituição do Brasil reconhece
e prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a
expressamente possam os servidores públicos civis exercer
finalidade partidária;
o direito de greve – artigo 37, inciso VII. A Lei 7.783/89
III - por organização sindical, entidade de classe ou
associação legalmente constituída e em funcionamento há dispõe sobre o exercício do direito de greve dos
pelo menos 1 (um) ano, para assegurar o exercício de trabalhadores em geral, afirmado pelo artigo 9º da
direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade Constituição do Brasil. Ato normativo de início inaplicável
ou de parte de seus membros ou associados, na forma de aos servidores públicos civis. 3. O preceito veiculado pelo
seus estatutos e desde que pertinentes a suas finalidades, artigo 37, inciso VII, da CB/88 exige a edição de ato
dispensada, para tanto, autorização especial; normativo que integre sua eficácia. Reclama-se, para fins de
IV - pela Defensoria Pública, quando a tutela requerida for plena incidência do preceito, atuação legislativa que dê
especialmente relevante para a promoção dos direitos concreção ao comando positivado no texto da Constituição.
humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos
4. Reconhecimento, por esta Corte, em diversas
necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da
Constituição Federal. oportunidades, de omissão do Congresso Nacional no que
Parágrafo único. Os direitos, as liberdades e as respeita ao dever, que lhe incumbe, de dar concreção ao
prerrogativas protegidos por mandado de injunção coletivo preceito constitucional. Precedentes. 5. Diante de mora
são os pertencentes, indistintamente, a uma coletividade legislativa, cumpre ao Supremo Tribunal Federal decidir no
indeterminada de pessoas ou determinada por grupo, sentido de suprir omissão dessa ordem. Esta Corte não se
classe ou categoria. presta, quando se trate da apreciação de mandados de
Art. 13. No mandado de injunção coletivo, a sentença fará injunção, a emitir decisões desnutridas de eficácia. 6. A
coisa julgada limitadamente às pessoas integrantes da
greve, poder de fato, é a arma mais eficaz de que dispõem
coletividade, do grupo, da classe ou da categoria
os trabalhadores visando à conquista de melhores
substituídos pelo impetrante, sem prejuízo do disposto nos
§§ 1º e 2º do art. 9º. condições de vida. Sua auto aplicabilidade é inquestionável;
Parágrafo único. O mandado de injunção coletivo não induz trata-se de direito fundamental de caráter instrumental. (...)
litispendência em relação aos individuais, mas os efeitos da 16. Mandado de injunção julgado procedente, para remover
coisa julgada não beneficiarão o impetrante que não o obstáculo decorrente da omissão legislativa e,
requerer a desistência da demanda individual no prazo de supletivamente, tornar viável o exercício do direito
30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da consagrado no artigo 37, VII, da Constituição do Brasil (...).
impetração coletiva. (STF MI 712, Min. Eros Grau. 31/10/2008).

 Jurisprudência relacionada ao tema: EMENTA. (...) O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o MI n.


712, afirmou entendimento no sentido de que a Lei
EMENTA. (...) No julgamento do MI 107/DF, Rel. Min. 7.783/89, que dispõe sobre o exercício do direito de greve
Moreira Alves, DJ 21.9.1990, o Plenário do STF consolidou dos trabalhadores em geral, é ato normativo de início
entendimento que conferiu ao mandado de injunção os inaplicável aos servidores públicos civis, mas ao Poder
seguintes elementos operacionais: I) os direitos Judiciário dar concreção ao artigo 37, inciso VII, da

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DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS
OS: 0084/1/18-Gil

Constituição do Brasil, suprindo omissões do Poder 3709 AgR, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal
Legislativo. (...) A força normativa da Constituição é Pleno, julgado em 11/12/2014, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-
desprendida da totalidade, totalidade normativa, que a 029 DIVULG 11-02-2015 PUBLIC 12-02-2015).
Constituição é. Os servidores públicos são, seguramente,
titulares do direito de greve. Essa é a regra. Ocorre, AÇÃO POPULAR
contudo, que entre os serviços públicos há alguns que a
coesão social impõe sejam prestados plenamente, em sua LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação
totalidade. Atividades das quais dependam a manutenção popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público
da ordem pública e a segurança pública, a administração da ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade
Justiça – onde as carreiras de Estado, cujos membros administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio
exercem atividades indelegáveis, inclusive as de exação histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-
tributária – e a saúde pública não estão inseridos no elenco fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
dos servidores alcançados por esse direito. (...). (STF Rcl. Ganhou status constitucional na CF de 1934, mas deixou de
6568/SP. Rel. Min. Eros Grau. 25.09.2009). constar na CF de 1937, só voltando a partir da CF de 1946.
EMENTA. Mandado de injunção. - Legitimidade ativa da Foi regulada pela Lei 4.717/65.
requerente para impetrar mandado de injunção por falta de A ação pode ser preventiva ou repressiva contra ato lesivo
regulamentação do disposto no par. 7. do artigo 195 da ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio
Constituição Federal. - Ocorrência, no caso, em face do ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.
disposto no artigo 59 do ADCT, de mora, por parte do Quem tem legitimidade ativa para interpor uma ação
Congresso, na regulamentação daquele preceito popular é somente o cidadão, inclusive o menor de dezoito
constitucional. Mandado de injunção conhecido, em parte, anos, conforme expresso no texto do inciso, o que impede o
e, nessa parte, deferido para declarar-se o estado de mora estrangeiro de ser impetrante. Entretanto, a de se levar em
em que se encontra o Congresso Nacional, a fim de que, no conta que o português equiparado terá os meus direitos do
prazo de seis meses, adote ele as providencias legislativas brasileiro naturalizado em decorrência do princípio da
que se impõem para o cumprimento da obrigação de legislar reciprocidade, portanto, mesmo sendo estrangeiro, poderá
decorrente do artigo 195, par. 7., da Constituição, sob pena impetrar uma ação popular. Também não são legitimados as
de, vencido esse prazo sem que essa obrigação se cumpra, pessoas jurídicas e os apátridas (os que não exercem seus
passar o requerente a gozar da imunidade requerida. (STF direitos políticos sejam porque perderam ou porque não os
MI 232-1/RJ, Rel. Min. Néri da Silveira, DJ 27.03.1992). adquiriram).
EMENTA. Mandado de injunção. Aposentadoria especial do O Ministério Público não possui legitimação para a ação
servidor público. Artigo 40, § 4º, da Constituição da popular, porém poderá prosseguir com a ação popular
República. Ausência de lei complementar a disciplinar a quando houver desistência do autor ou o mesmo der motivo
matéria. Necessidade de integração legislativa. 1. Servidor à absolvição da instância, nos termos do art. 9º da Lei
público. Investigador da polícia civil do Estado de São Paulo. 4.717/1965 que diz: “Se o autor desistir da ação ou der
Alegado exercício de atividade sob condições de motivo à absolvição da instância, serão publicados editais
periculosidade e insalubridade. 2. Reconhecida a omissão nos prazos e condições previstos no art. 7º, inciso II, ficando
legislativa em razão da ausência de lei complementar a assegurado a qualquer cidadão, bem como ao
definir as condições para o implemento da aposentadoria Representante do Ministério Público, dentro do prazo de 90
especial. 3. Mandado de injunção conhecido e concedido (noventa) dias da última publicação feita, promover o
para comunicar a mora à autoridade competente e prosseguimento da ação”.
determinar a aplicação, no que couber, do art. 57 da Lei n. A legitimidade para responder a ação popular cabe às
8.213/91." (MI 795, Relatora Ministra Cármen Lúcia, pessoas cujo patrimônio se pretende proteger: União,
Tribunal Pleno, julgamento em 15.4.2009, DJe de 22.5.2009) Distrito Federal, Estado, Município, autarquias, empresas
SÚMULA VINCULANTE 33. Aplicam-se ao servidor público, públicas, fundações públicas, sociedade de economia mista,
no que couber, as regras do regime geral da previdência fundações de direito provado federais, estaduais, distritais,
social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, municipais, serviços sociais autônomos, quaisquer pessoas
§ 4º, inciso III da Constituição Federal, até a edição de lei jurídicas subvencionadas pelos cofres públicos, aqueles que
complementar específica. causaram, por ato ou por omissão, ou que ameaçaram
causar lesão aos bens tutelados pela ação popular:
EMENTA. AGRAVO REGIMENTAL EM MANDADO DE autoridades públicas, funcionários e administradores,
INJUNÇÃO. SUPERAÇÃO DA MORA LEGISLATIVA. PERDA DO avaliadores e os beneficiários diretos do ato ou da omissão.
OBJETO. 1. A jurisprudência desta Corte se firmou no
A presente ação é desconstitutiva condenatória, pois visa
sentido de que a edição do diploma reclamado pela
tanto à anulação do ato impugnado quanto à condenação
Constituição leva à perda de objeto do mandado de
dos responsáveis e beneficiários em perdas e danos.
injunção. 2. “Excede os limites da via eleita a pretensão de
sanar a alegada lacuna normativa do período pretérito à Não se confunde com a Ação Civil Pública, prevista no
edição da lei regulamentadora” (MI 634-AgR, Rel. Min. art. 129, II, da CF/88.
Sepúlveda Pertence). 3. Agravo regimental improvido. (MI

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Lei nº 4.717/65: REGRAS DE APLICAÇÃO DAS NORMAS


CONSTITUCIONAIS
Art. 9º Se o autor desistir da ação ou der motiva à
absolvição da instância, serão publicados editais nos prazos
§2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição
e condições previstos no art. 7º, inciso II, ficando
assegurado a qualquer cidadão, bem como ao
não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios
representante do Ministério Público, dentro do prazo de 90 por ela adotados, ou de tratados internacionais em que a
(noventa) dias da última publicação feita, promover o República Federativa do Brasil seja parte.
prosseguimento da ação.
Esse dispositivo garante que os direitos e garantias constam
 Jurisprudência relacionada ao tema: em toda a Constituição Federal, de forma expressa e
implícita, através de regras e princípios, inclusive em
SÚMULA 365, STF. Pessoa Jurídica não tem legitimidade tratados internacionais em que o Brasil seja parte. Os
para propor ação popular. direitos fundamentais são uma categoria aberta, uma vez
EMENTA. (...) Ainda quando se trate de ação popular, não que outros direitos e garantias podem ser estabelecidos na
basta a legitimidade "ad causam" e "ad processum", mas há constituição federal e nas leis infraconstitucionais.
necessidade, também, da observância da capacidade de Dispositivo correspondente: art. 60, § 4º, IV, da CF/88.
postular em juízo. (...). (STF RE 87.052/GO. Rel. Min. Moreira
Alves. DJ 28.04.1978).  Jurisprudência relacionada ao tema:

EMENTA. (...) A competência para julgar ação popular contra EMENTA. (...) O rol de direitos e garantias individuais,
ato de qualquer autoridade, até mesmo do Presidente da protegidos pela cláusula pétrea, art. 60, § 4º, IV, previstos
República, é, via de regra, do juízo competente de primeiro no art. 5º da Constituição não é exaustivo, há outros
grau. Precedentes. Julgado o feito na primeira instância, se dispositivos na Lei Maior, isto sem considerar a regra básica
ficar configurado o impedimento de mais da metade dos do § 2º do art. 5º, segundo o qual “os direitos e garantias
desembargadores para apreciar o recurso voluntário ou a expressos nesta Constituição não excluem outros
remessa obrigatória, ocorrerá a competência do Supremo decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados...”
Tribunal Federal, com base na letra n do inciso I, segunda Houve o agasalho, portanto, de direitos e garantias
parte, do artigo 102 da Constituição Federal (...). (STF AO explícitos e de direitos e garantias implícitos (...). (STF ADI
859-QO, 1º-8-03). 939-07/DF).

REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS
REMÉDIOS LEGITIMIDADE LEGITIMIDADE
CABIMENTO OBJETO ESPÉCIES CARACTERÍSTICAS
CONSTITUCIONAIS ATIVA PASSIVA

IMPETRANTE
Qualquer pessoa
PREVENTIVO
Sempre que alguém em sua própria
Poderá obter um
sofrer ou se achar defesa ou em favor
HABEAS CORPUS salvo-conduto; Não é necessário
ameaçado de sofrer Liberdade de ir de terceiro
(art. 5º, LXVIII) IMPETRADO advogado;
violência ou coação e vir e de (paciente);
Autoridade pública LIBERATÓRIO
em sua liberdade de permanecer em pode ser pessoa
Na CF/1891 surgiu com ou particular. ou É gratuito.
locomoção, por tempo de paz. física ou pessoa
status constitucional. REPRESSIVO
ilegalidade ou abuso jurídica em favor
Poderá obter
de poder. de pessoa física,
alvará de soltura
brasileira ou
estrangeira.

PREVENTIVO
MANDADO AUTORIDADE Ameaça a
DE SEGURANÇA É conferido aos COATORA violação de
direito líquido e Regulado pela
(art. 5º, LXIX) indivíduos, para que Direito líquido Pessoa física Agente público
certo do Lei 12.016/09;
eles se defendam de e certo (brasileira ou investido no poder
Surgiu na CF/1934, atos ilegais ou atos não amparado estrangeira) ou de decisão impetrante;
É uma ação
mas foi retirado na praticados por abuso por HC ou HD. jurídica. (não confundir REPRESSIVO subsidiária.
CF/1937 e só voltou a de poder. com mero Ilegalidade ou
partir da CF/1946. executor). abuso de poder
já praticados.

É necessária a
PREVENTIVO existência de pelo
Partido político
Ameaça a menos um único
com representação AUTORIDADE
violação de parlamentar na
MANDADO política no COATORA
direito líquido e Câmara ou no
DE SEGURANÇA Busca a preservação Congresso e Agente público
Defesa de certo do Senado, filiado a um
COLETIVO ou a reparação de organização investido no poder
direitos coletivos impetrante; partido;
(art. 5º, LXX) interesses sindical, entidade de decisão
e difusos
transindividuais. de classe ou (não confundir
REPRESSIVO O STF tem entendido
Surgiu na CF/1988. associação em com mero
Ilegalidade ou que a organização
funcionamento há executor).
abuso de poder sindical não necessita
pelo menos 1 ano.
já praticados. do requisito de um
ano de

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funcionamento.

Falta de norma
Pessoa jurídica de
reguladora de uma
MANDADO Combater a direito público
previsão Pessoa física
DE INJUNÇÃO síndrome da (entes estatais) ou
constitucional que (brasileira ou REPRESSIVO Regulado pela
(art. 5º, LXXI) inefetividade Presidente da
inviabiliza o exercício estrangeira) ou Lei 13.300/2016.
das normas República quando
dos direitos e jurídica.
Surgiu na CF/1988. constitucionais. a iniciativa de lei
liberdades
for privativa dele.
constitucionais.

É gratuito;

Ação personalíssima
(Em regra,
Entidades não admite pedido de
Obtenção de governamentais e terceiros);
HABEAS DATA Registro e Pessoa física
informação ou pessoas jurídicas
(art. 5º, LXXI) informações (brasileira ou REPRESSIVO É necessário que o
eventual que prestam
governamentais ou estrangeira) ou impetrante tenha
retificação de serviços para o
Surgiu na CF/1988. de caráter público. jurídica. requerido na via
dados. público ou de
interesse público. administrativa e tenha
sido negado (tem que
mostrar a prova da
recusa,
Lei 9.507/97)

AÇÃO POPULAR Ilegalidade


(art. 5º, LXIII) Invalidar o ato e ou lesão ao Cidadão
Poder Público, PREVENTIVA É isenta de custas e
condenar os patrimônio (tem que ter título
seus agentes e do ônus da
Surgiu na CF/1934, responsáveis e público, de eleitor e está no
eventuais REPRESSIVA sucumbência, se agir
mas foi retirado na beneficiários por à moralidade gozo dos direitos
beneficiários. de boa fé.
CF/1937 e só voltou a perdas e danos. administrativa, eleitorais ativos).
partir da CF/1946. etc.

3.2. DIREITOS SOCIAIS cláusula de “reserva do possível”, princípio implícito que só


se justifica pela impossibilidade financeira do Estado
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a concretizar os direitos constitucionais previstos, em cada
alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a caso, devendo o Ente Estatal cumprir o mínimo existencial.
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade
e à infância, a assistência aos desamparados, na forma Vale ainda mencionar sobre o princípio da melhoria da
desta Constituição. (Redação dada pela EC 26, de 2000)(Redação condição social ou da proibição de retrocesso social que
dada pela EC 64, de 2010)(Redação dada pela EC 90, de 2015) obriga o legislador a legislar sem anular, ou revogar, ou
aniquilar, o núcleo essencial dos direitos constitucionais
Aqui se encontram os direitos sociais gerais. previstos pelo constituinte.
No Brasil, os fundamentos constitucionais dos direitos Dispositivos correspondentes: arts. 198, § 2º e 212, da CF.
sociais tiveram início com a pioneira Constituição mexicana
de 1917, mas só na Constituição Brasileira de 1934 fora  Jurisprudência relacionada ao tema:
reservado o Título IV à Ordem Econômica e Social, sob a EMENTA. (...) É certo que não se inclui, ordinariamente, no
influência da Constituição Alemã de Weimar, de 1919. âmbito das funções institucionais do Poder Judiciário - e nas
Os direitos sociais são as liberdades positivas, que exigem desta Suprema Corte, em especial - a atribuição de formular
“um fazer” do Estado Social de Direito, são direitos de e de implementar políticas públicas (JOSÉ CARLOS VIEIRA DE
segunda dimensão. Além disso, tratam de direitos ANDRADE, “Os Direitos Fundamentais na Constituição
imprescritíveis, irrenunciáveis e de ordem pública. Portuguesa de 1976”, p. 207, item 05, 1987, Almedina,
Coimbra), pois, nesse domínio, o encargo reside,
No âmbito das funções institucionais do Poder Judiciário, primariamente, nos Poderes Legislativo e Executivo. Tal
em observância a separação dos poderes, não se encontra a incumbência, no entanto, embora em bases excepcionais,
de formular e implantar políticas públicas, cuja atribuição é poderá atribuir-se ao Poder Judiciário, se e quando os
dos Poderes Legislativo e Executivo, entretanto, a Corte órgãos estatais competentes, por descumprirem os
Suprema tem admitido a interferência do Poder Judiciário encargos político-jurídicos que sobre eles incidem, vierem a
nesse âmbito (sistema da judicialização das políticas comprometer, com tal comportamento, a eficácia e a
públicas), para determinar a elaboração e implementação integridade de direitos individuais e/ou coletivos
dos direitos sociais, que têm caráter programático e que impregnados de estatura constitucional, ainda que
possuem aplicabilidade diferida, apesar de se caracterizam derivados de cláusulas revestidas de conteúdo
pela gradualidade de seu processo de efetivação. Não programático. (...). Não deixo de conferir, no entanto,
podendo o Poder Público invocar irresponsavelmente a assentadas tais premissas, significativo relevo ao tema
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pertinente à "reserva do possível" (STEPHEN HOLMES/CASS Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais,
R. SUNSTEIN, “The Cost of Rights”, 1999, Norton, New York), além de outros que visem à melhoria de sua condição
notadamente em sede de efetivação e implementação social:
(sempre onerosas) dos direitos de segunda geração (direitos
econômicos, sociais e culturais), cujo adimplemento, pelo Trata-se de direitos sociais individuais, pois diz respeito aos
Poder Público, impõe e exige, deste, prestações estatais direitos da pessoa trabalhadora.
positivas concretizadoras de tais prerrogativas individuais Não é pacífico o entendimento doutrinário de que tais
e/ou coletivas. É que a realização dos direitos econômicos, direitos seriam cláusulas pétreas e a questão ainda não foi
sociais e culturais - além de caracterizar-se pela diretamente analisada pelo plenário do Supremo Tribunal
gradualidade de seu processo de concretização - depende, Federal.
em grande medida, de um inescapável vínculo financeiro
subordinado às possibilidades orçamentárias do Estado, de Nem todos os direitos do trabalhador estão expressos neste
tal modo que, comprovada, objetivamente, a incapacidade art. 7º. A Constituição admite expressamente outros, pela
econômico-financeira da pessoa estatal, desta não se locução “além de outros que visem à melhoria de sua
poderá razoavelmente exigir, considerada a limitação condição social”, do caput.
material referida, a imediata efetivação do comando Trabalhador, nos termos do art. 3º da CLT, tem a seguinte
fundado no texto da Carta Política. Não se mostrará lícito, definição: “Considera-se empregado toda pessoa física que
no entanto, ao Poder Público, em tal hipótese - mediante prestar serviços de natureza não eventual a empregador,
indevida manipulação de sua atividade financeira e/ou sob a dependência deste e mediante salário”. Nesse
político-administrativa - criar obstáculo artificial que revele conceito também está inserido o trabalhador avulso,
o ilegítimo, arbitrário e censurável propósito de fraudar, de segundo o inciso XXXIV deste mesmo artigo.
frustrar e de inviabilizar o estabelecimento e a preservação,
em favor da pessoa e dos cidadãos, de condições materiais A Constituição Federal concedeu igualdade de direitos entre
mínimas de existência. Cumpre advertir, desse modo, que a o trabalhador com vínculo empregatício e o trabalhados
cláusula da "reserva do possível" - ressalvada a ocorrência avulso, conforme o inciso que segue:
de justo motivo objetivamente aferível - não pode ser XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com
invocada, pelo Estado, com a finalidade de exonerar-se do vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso.
cumprimento de suas obrigações constitucionais,
notadamente quando, dessa conduta governamental São trabalhadores avulsos os que oferecem a sua força de
negativa, puder resultar nulificação ou, até mesmo, trabalho a diversos tomadores de serviço, sem se fixar a
aniquilação de direitos constitucionais impregnados de um nenhum deles, por curto período de tempo e mediante a
sentido de essencial fundamentalidade. (...). (STF ADPF 45 intermediação do OGMO (órgão de gestão de mão-de-obra).
MC/DF, 04/05/2004 - Rel. MIN. CELSO DE MELLO). São exemplos desses trabalhadores os estivadores,
trabalhadores em estiva de carvão e minério e
EMENTA. A PROIBIÇÃO DO RETROCESSO SOCIAL COMO
trabalhadores em alvarenga, conferentes de carga e
OBSTÁCULO CONSTITUCIONAL À FRUSTRAÇÃO EAO
descarga, consertadores de carga e descarga, vigias
INADIMPLEMENTO, PELO PODER PÚBLICO, DE DIREITOS
portuários, trabalhadores avulsos de capatazia,
PRESTACIONAIS. - O princípio da proibição do retrocesso
trabalhadores no comércio armazenador (arrumadores),
impede, em tema de direitos fundamentais de caráter
ensacadores de café, cacau, sal e similares, classificador de
social, que sejam desconstituídas as conquistas já
frutas, práticos de barra e portos, catadeiras e costureiras
alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele
no comércio de café, dentre outros.
vive. - A cláusula que veda o retrocesso em matéria de
direitos a prestações positivas do Estado (como o direito à Quanto aos domésticos, nem todos os direitos foram
educação, o direito à saúde ou o direito à segurança pública, assegurados, como atesta o parágrafo seguinte:
v.g.) traduz, no processo de efetivação desses direitos
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos
fundamentais individuais ou coletivos, obstáculo a que os
trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos
níveis de concretização de tais prerrogativas, uma vez
IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII,
atingidos, venham a ser ulteriormente reduzidos ou
XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições
suprimidos pelo Estado. Doutrina. Em consequência desse
estabelecidas em lei e observada a simplificação do
princípio, o Estado, após haver reconhecido os direitos
cumprimento das obrigações tributárias, principais e
prestacionais, assume o dever não só de torná-los efetivos,
acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas
mas, também, se obriga, sob pena de transgressão ao texto
peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV
constitucional, a preservá-los, abstendo-se de frustrar -
e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social.
mediante supressão total ou parcial - os direitos sociais já
(Redação dada pela EC 72, de 2013)
concretizados. (...) (STF ARE 639337 AgR, Relator(a): Min.
CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 23/08/2011, O empregado doméstico não terá os direitos previstos nos
DJe-177 DIVULG 14-09-2011 PUBLIC 15-09-2011 EMENT incisos V, XI, XIV, XX, XXIII, XXVII, XXIX e XXXII, a saber: piso
VOL-02587-01 PP-00125). salarial, participação nos resultados e na gestão da empresa,
jornada de seis horas para trabalho de revezamento,
proteção do mercado de trabalho da mulher, adicional de
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remuneração para as atividades penosas, insalubres ou SÚMULA VINCULANTE 4. Salvo nos casos previstos na
perigosas, proteção em face da automação, direito de ação constituição, o salário mínimo não pode ser usado como
e prazo prescricional e proibição de distinção entre o indexador de base de cálculo de vantagem de servidor
trabalho técnico, manual e intelectual. público ou de empregado, nem ser substituído por decisão
judicial.
Note-se que os direitos previstos na segunda parte do
presente parágrafo são dependentes de legislação SÚMULA VINCULANTE 6. Não viola a Constituição o
infraconstitucional, que diz respeito a Lei Complementar estabelecimento de remuneração inferior ao salário mínimo
150/2015. para as praças prestadoras de serviço militar inicial.
Os servidores públicos estão sujeitos a regime jurídico EMENTA. (...) Por reputar observado o princípio da reserva
próprio (estatutário), não há contrato de trabalho, instituto de lei para a fixação do salário mínimo (...), o Plenário, em
previsto aos que são regidos pela CLT, celetistas, mas o art. votação majoritária, julgou improcedente pedido formulado
39, § 3º, indica os direitos sociais que se aplicam aqueles. em ação direta de inconstitucionalidade, proposta pelo
Partido Popular Socialista - PPS, pelo Partido da Social
Art. 39. (...).
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o Democracia Brasileira - PSDB e pelo Democratas - DEM,
disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, contra o art. 3º da Lei 12.382/2011 (“Art. 3º Os reajustes e
XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer aumentos fixados na forma do art. 2º serão estabelecidos
requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do pelo Poder Executivo, por meio de decreto, nos termos
cargo o exigir. (Incluído pela Emenda Constitucional 19, de desta Lei. Parágrafo único. O decreto do Poder Executivo a
1998); que se refere o caput divulgará a cada ano os valores
mensal, diário e horário do salário mínimo decorrentes do
Aos militares também foram aplicados alguns direitos aqui disposto neste artigo, correspondendo o valor diário a um
estabelecidos, nos termos do art. 142, § 3º, VIII, da CF/88.
trinta avos e o valor horário a um duzentos e vinte avos do
Art. 142. (...) valor mensal”). (STF ADI 4568/DF, rel. Min. Cármen Lúcia,
§ 3º Os membros das Forças Armadas são denominados DJ: 03.11.2011).
militares, aplicando-se-lhes, além das que vierem a ser
fixadas em lei, as seguintes disposições: V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade
(Incluído pela EC 18, de 1998); do trabalho;
VIII - aplica-se aos militares o disposto no art. 7º, incisos
VIII, XII, XVII, XVIII, XIX e XXV, e no art. 37, incisos XI, XIII,  Jurisprudência relacionada ao tema:
XIV e XV, bem como, na forma da lei e com prevalência da
EMENTA. (...). 4. Impossibilidade de fixação de piso salarial
atividade militar, no art. 37, inciso XVI, alínea c;
(Redação dada pela EC 77, de 2014)
com base em múltiplos do salário mínimo. Precedentes: AI-
AgR 357.477, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma,
 Jurisprudência relacionada ao tema: DJ 14.10.2005; o AI-AgR 524.020, de minha relatoria,
Segunda Turma, DJe 15.10.2010; e o AI-AgR 277.835, Rel.
EMENTA. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, DJe 26.2.2010. 2.
EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. DIREITOS SOCIAIS Ilegitimidade da norma. Nova base de cálculo.
PREVISTOS NO ART. 7º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. FÉRIAS Impossibilidade de fixação pelo Poder Judiciário.
E DÉCIMO TERCEIRO. EXTENSÃO AO SERVIDOR Precedente: RE 565.714, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal
CONTRATADO TEMPORARIAMENTE. POSSIBILIDADE. Pleno, DJe 7.11.2008. (...) (STF - ADPF: 151 DF , Relator: Min.
PRECEDENTES. 1. Conforme a jurisprudência do Supremo JOAQUIM BARBOSA, Data de Julgamento: 02/02/2011,
Tribunal Federal, os servidores contratados em caráter Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-084 DIVULG 05-05-
temporário têm direito à extensão de direitos sociais 2011 PUBLIC 06-05-2011).
constantes do art. 7º do Magno Texto, nos moldes do inciso
IX do art. 37 da Carta Magna. 2. Agravo regimental VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em
desprovido. (STF ARE 663.104-AgR, Rel. Min. Ayres Britto, convenção ou acordo coletivo;
Segunda Turma, Dje 19.3.2012).
O princípio da irredutibilidade do salário não é absoluto,
REGRAS APLICÁVEIS AO SALÁRIO / REMUNERAÇÃO pois admite a redução, desde que assim decidido por
convenção ou acordo coletivo. Essa redução deverá
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente obedecer a certos critérios, dentre as quais, não poderá
unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais levar o valor final para menos do que o salário mínimo.
básicas e às de sua família com moradia, alimentação,
educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os
previdência social, com reajustes periódicos que lhe que percebem remuneração variável;
preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua
No caso de empregado que receba remuneração variável,
vinculação para qualquer fim;
nunca lhe poderá ser pago valor menor que o salário
 Jurisprudência relacionada ao tema: mínimo, mesmo que suas comissões, por exemplo, não
levem a tanto. Nesse caso, a quantia deverá ser completada
pelo empregador.
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VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração A Lei 13.257/2016, que alterou a redação do art. 1º da
integral ou no valor da aposentadoria; Lei 11.770/2008 (programa empresa cidadã), prevê a
possibilidade de prorrogação por 60 (sessenta) dias a
IX - remuneração do trabalho noturno superior à do duração da licença-maternidade e por 15 (quinze) dias a
diurno; duração da licença-paternidade.
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
sua retenção dolosa;
A Lei 12.506/2011 regula a matéria.
XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da OUTRAS GARANTIAS
remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão
da empresa, conforme definido em lei; I - relação de emprego protegida contra despedida
arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei
A participação na gestão (na condução dos negócios da complementar, que preverá indenização compensatória,
empresa, ao lado do empresário) será excepcional e a dentre outros direitos;
participação nos lucros ou resultados é uma faculdade do
empregador. Despedida arbitrária é aquela proveniente da vontade
exclusiva do patrão, sem nenhuma razão. Despedida sem
A garantia de participação nos lucros ou resultados é justa causa também decorre da vontade do empregador,
desvinculada da remuneração, ou seja, o 13º salário não mas com razões que justificam o ato.
será calculado também sobre o valor das parcelas de lucros
eventualmente distribuídas, e nem as verbas devidas pela Até a presente data, não foi promulga a lei complementar
demissão poderão considerá-las. referida, aplicando-se a regra do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias da Constituição, em seu art. 10.
XII - salário-família pago em razão do dependente do
Essa demissibilidade arbitrária ou sem justa causa está
trabalhador de baixa renda nos termos da lei; (Redação dada
excepcionada no caso de empregado membro da Comissão
pela EC 20, de 1998)
Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA, da mulher
gestante (ADCT, art. 10, II, a e b) e do empregado eleito para
REGRAS APLICÁVEIS À DURAÇÃO DO TRABALHO
cargo sindical (art. 8º, VIII) os quais possuem estabilidade
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas relativa.
diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a Art. 10. Até que seja promulgada a lei complementar a que
compensação de horários e a redução da jornada, se refere o art. 7º, I, da Constituição:
mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; I - fica limitada a proteção nele referida ao aumento, para
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em quatro vezes, da porcentagem prevista no art. 6º, “caput” e
turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação § 1º, da Lei 5.107, de 13 de setembro de 1966;
coletiva; II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa:
a) do empregado eleito para cargo de direção de comissões
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos internas de prevenção de acidentes, desde o registro de sua
candidatura até um ano após o final de seu mandato;
domingos;
b) da empregada gestante, desde a confirmação da
gravidez até cinco meses após o parto.
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical,
mínimo, em cinquenta por cento à do normal;
observado o seguinte:
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com pelo menos, partir do registro da candidatura a cargo de direção ou
um terço a mais do que o salário normal; representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até
um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do grave nos termos da lei.
salário, com duração de cento e vinte dias;
 Jurisprudência relacionada ao tema:
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
SÚMULA 676, STF. A garantia da estabilidade provisória
O período da licença paternidade está previsto no art. 10 do prevista no art. 10, II, a, do ADCT, também se aplica ao
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. suplente do cargo de direção de comissões internas de
prevenção de acidentes (CIPA).
Art. 10. (...)
§ 1º Até que a lei venha a disciplinar o disposto no art. 7º,
XIX, da Constituição, o prazo da licença-paternidade a que II - seguro-desemprego, em caso de desemprego
se refere o inciso é de cinco dias. involuntário;

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III - fundo de garantia do tempo de serviço; XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do
empregador, sem excluir a indenização a que este está
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
mediante incentivos específicos, nos termos da lei; O trabalhador tem direito a propor duas ações judiciais.
Uma chamada de acidentária quando o INSS se nega a pagar
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio o seguro contra acidentes de trabalho, que não exclui a
de normas de saúde, higiene e segurança; outra, a de Reparação de Dano.
XXIII - adicional de remuneração para as atividades O presente dispositivo deve ser combinado com o art. 109, I
penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei; da Constituição Federal, que exclui da justiça federal a
competência para julgar ações de acidentes de trabalho,
Atividade penosa é a que exige, para a sua realização, um
devendo dita ação ser intentada perante a justiça comum
esforço, sacrifício ou incômodo muito grande. Atividade
estadual, mesmo que seja contra uma autarquia federal
insalubre é a que compromete a saúde do trabalhador.
(INSS). A partir da Emenda Constitucional 45, a indenização
Atividade perigosa é a que ameaça a vida do trabalhador.
decorrente do acidente de trabalho tramita na justiça
XXIV - aposentadoria; trabalhista, nos termos do art. 114, VI do mesmo diploma
constitucional.
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
nascimento até cinco anos de idade em creches e pré- I - as causas em que a União, entidade autárquica ou
escolas; (Redação dada pela EC 53, de 2006) empresa pública federal forem interessadas na condição de
autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça
Eleitoral e à Justiça do Trabalho;
de trabalho;
Convenções coletivas de trabalho são instrumentos Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:
destinados a regular as relações de trabalho de toda uma VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial,
decorrentes da relação de trabalho;
categoria profissional, é uma espécie de contrato coletivo.
As convenções coletivas têm como característica a presença  Jurisprudência relacionada ao tema:
exclusiva de sindicatos de empregadores e de empregados.
SÚMULA VINCULANTE 22. A Justiça do Trabalho é
Acordo coletivo são instrumentos que não obrigam toda
competente para processar e julgar as ações de indenização
uma categoria, mas se destinam a ter vigência por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de
exclusivamente entre as empresas ou grupos de empresas
trabalho propostas por empregado contra empregador,
que participaram da negociação.
inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de
O artigo 8º, VI, da CF/88, reza que: mérito em primeiro grau quando da promulgação da
Emenda Constitucional 45/04.
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical,
observado o seguinte:
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas
negociações coletivas de trabalho;
de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os
trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos
após a extinção do contrato de trabalho; (Redação dada pela
 Jurisprudência relacionada ao tema:
EC 28, de 2000)
EMENTA. (…). A celebração de convenções e acordos
O prazo para o direito de ação é de dois anos, o direito de
coletivos de trabalho constitui direito reservado
reclamar na justiça as verbas trabalhistas rescisórias não
exclusivamente aos trabalhadores da iniciativa privada. A
pagas pelo empregador. Já o prazo prescricional, que tem
negociação coletiva demanda a existência de partes
como termo inicial a data da reclamação feita no judiciário,
detentoras de ampla autonomia negocial, o que não se
em regra, é retroativo de cinco anos, ou seja, os direitos
realiza no plano da relação estatutária. A Administração
trabalhistas não adimplidos anteriores aos cinco anos não
Pública é vinculada pelo princípio da legalidade. A atribuição
estão agasalhados pela legislação pátria.
de vantagens aos servidores somente pode ser concedida a
partir de projeto de lei de iniciativa do Chefe do Poder
PROIBIÇÕES
Executivo, consoante dispõe o artigo 61, § 1º, inciso II,
alíneas a e c, da Constituição do Brasil, desde que XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de
supervenientemente aprovado pelo Poder Legislativo. (STF funções e de critério de admissão por motivo de sexo,
ADI 559, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 15-2-06, DJ de idade, cor ou estado civil;
5-5-06).
 Jurisprudência relacionada ao tema:
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
SÚMULA 683, STF. O limite de idade para a inscrição em
Automação é a substituição da mão de obra por máquinas. concurso público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da
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Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das “órgão competente”, já decidiu o Supremo Tribunal Federal,
atribuições do cargo a ser preenchido. é o Ministério do Trabalho, até que a lei crie outro.
EMENTA. Agravo regimental. Administrativo. Concurso  Jurisprudência relacionada ao tema:
público para o cargo de policial militar do Distrito Federal.
SÚMULA 677, STF. Até que a lei venha a dispor a respeito,
Altura mínima exigida. - Necessidade de previsão legal para
incumbe ao Ministério do Trabalho proceder ao registro das
definição dos requisitos para ingresso no serviço público.
entidades sindicais e zelar pela observância do princípio da
Constituição Federal, arts. 5º, caput, e 37, I e II. Ofensa
unicidade.
reflexa. Agravo a que se nega provimento. (STF AI 460131
AgR, 25/06/2004). II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical,
em qualquer grau, representativa de categoria profissional
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a
ou econômica, na mesma base territorial, que será
salário e critérios de admissão do trabalhador portador de
definida pelos trabalhadores ou empregadores
deficiência;
interessados, não podendo ser inferior à área de um
Diferentemente do inciso anterior, a discriminação desse Município;
dispositivo diz respeito apenas a diferença de salário e
Este dispositivo consagra o princípio da unicidade sindical.
critérios de admissão e não no tocante a diferença de
exercício de funções. Base territorial é a região, o limite territorial onde atua a
entidade sindical.
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual,
técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos; III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses
coletivos ou individuais da categoria, inclusive em
O legislador não equiparou todas as profissões, quer questões judiciais ou administrativas.
manuais, quer técnicas, quer intelectuais, ele quis dizer que
nenhuma dessas formas de trabalho poderá ser vista de O inciso XXI do art. 5º exige autorização expressa para que
maneira diferente para fins de reconhecimento e aplicação as entidades associativas possam representar seus
de direitos trabalhistas. associados judicial e extrajudicialmente. Dos sindicatos não
se pode exigir essa autorização expressa, porque ela já se
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso, ou presume pelas suas próprias finalidades, sendo o sindicato
insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a “substituto processual”.
menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz,
a partir de quatorze anos; (Redação dada pela EC 20, de 1998)  Jurisprudência relacionada ao tema:

O trabalho exercido por menor de quatorze anos é crime EMENTA. (…). O artigo 8º, III da Constituição Federal
contra a organização do trabalho, que deverá ser julgado estabelece a legitimidade extraordinária dos sindicatos para
pela justiça federal, conforme art. 109, VI, da CF/88, que defender em juízo os direitos e interesses coletivos ou
reza: individuais dos integrantes da categoria que representam.
Essa legitimidade extraordinária é ampla, abrangendo a
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: liquidação e a execução dos créditos reconhecidos aos
VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos trabalhadores. Por se tratar de típica hipótese de
determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem
substituição processual, é desnecessária qualquer
econômico-financeira;
autorização dos substituídos. (RE 193.503/SP - 12/06/06)

Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, IV - a assembleia-geral fixará a contribuição que, em se


observado o seguinte: tratando de categoria profissional, será descontada em
Associação profissional e associação sindical não são folha para custeio do sistema confederativo da
sinônimas, sendo a primeira um núcleo embrionário inicial representação sindical respectiva, independentemente da
da segunda. A associação profissional está regida, de um contribuição prevista em lei;
modo geral, pelas mesmas regras de organização das Trata-se aqui de duas contribuições. A primeira, a
demais associações. Apenas a criação do sindicato, ou seja, contribuição de custeio do sistema confederativo, será
a transformação da associação profissional em órgão de criada por assembleia-geral da organização sindical
representação oficial de uma classe de trabalhadores é que interessada, e paga por todos os trabalhadores
depende dos requisitos previstos na lei. sindicalizados. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a essa contribuição não pode ser cobrada de trabalhador não
fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão vinculado à entidade sindical que a cria. A segunda, a
competente, vedadas ao poder público a interferência e a contribuição sindical, é criada por lei e paga por todos os
intervenção na organização sindical; trabalhadores, sindicalizados ou não. O pagamento de uma
não impede a cobrança da outra, já que são independentes.
O inciso trata da única providência legal para a constituição A contribuição sindical é devida pelo fato de se pertencer a
de sindicato, que é o registro em órgão competente. Esse uma determinada categoria econômica ou profissional ou a
uma profissão liberal.
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 Jurisprudência relacionada ao tema: § 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e


SÚMULA VINCULANTE 40. A contribuição confederativa de disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis
que trata o art. 8º, IV, da constituição, só é exigível dos da comunidade.
filiados ao sindicato respectivo. A lei que regula a matéria é a Lei 7.783/89.
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado  Jurisprudência relacionada ao tema:
a sindicato;
SÚMULA VINCULANTE 23. A Justiça do Trabalho é
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas competente para processar e julgar ação possessória
negociações coletivas de trabalho; ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve
pelos trabalhadores da iniciativa privada.
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado
nas organizações sindicais § 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às
penas da lei.
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a
partir do registro da candidatura a cargo de direção ou Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e
representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que
um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta seus interesses profissionais ou previdenciários sejam
grave nos termos da lei. objeto de discussão e deliberação.
Exemplo desses órgãos é o Conselho Curador da Previdência
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à Social. O artigo assegura o objetivo democrático da
organização de sindicatos rurais e de colônias de Seguridade Social (art. 194, § único, VII).
pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer.
Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos assegurada a eleição de um representante destes com a
trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento
sobre os interesses que devam por meio dele defender. direto com os empregadores.
Consta aqui o direito de greve dos trabalhadores privados,
incluídos os de sociedades de economia mista e de
empresas públicas. O direito de greve do servidor público
civil está previsto no art. 37, VII, da CF.

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3.3. NACIONALIDADE República Federativa do Brasil, em qualquer ponto de seu


território.
Há diferenças conceituais entre naturalidade (indicativa do
A Constituição exige que ambos os pais sejam estrangeiros,
lugar de nascimento de uma pessoa, em certa região ou
e que pelo menos um deles esteja a serviço diplomático
localidade), cidadania (conjunto de prerrogativas de direito
oficial de seu próprio país, e não de outro.
político conferidas à pessoa natural, constitucionalmente
asseguradas e exercidas pelos nacionais, ou seja, por Assim, a única exceção a essa regra é o nascido na República
aqueles que têm a faculdade de intervir na direção dos Federativa do Brasil, filho de pais estrangeiros, desde que
negócios públicos e de participar no exercício da soberania), um deles esteja no Brasil em serviço oficial de seu país,
população, que diz respeito ao número de pessoas em como no caso dos diplomatas, dos que estiverem em missão
determinado território, seja nacional ou estrangeira, nação, de serviço público a serviço de seus Estados de origem ou
que se refere a pessoas ligadas por laços culturais, de raça, que aqui representem organizações internacionais, como a
língua, fins sociais, e de nacionalidade e povo que, para ONU. Neste caso, guardam a nacionalidade do país de
Pontes de Miranda, é o laço jurídico político de direito origem dos pais, pelo critério do jus sanguinis (aquisição de
público interno, que faz da pessoa um dos elementos nacionalidade pelo sangue dos pais), fazendo valer o
componentes da dimensão pessoal do Estado. princípio da extraterritorialidade diplomática.
Art. 12. São brasileiros:
São dois os critérios determinadores da nacionalidade: o jus b) Os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe
sanguinis e o jus soli. O jus sanguinis informa a brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da
nacionalidade pela filiação, independentemente do lugar de República Federativa do Brasil;
nascimento, a nacionalidade é determinada pela
Regra do jus sanguinis.
nacionalidade dos pais. O jus soli atribui a nacionalidade
pelo local de nascimento, ou, pelo critério territorial, e São brasileiros natos os nascidos no exterior, quer de pai
desconsidera a nacionalidade dos pais. brasileiro, quer de mãe brasileira (por isso não é acolhido no
Brasil o jus sanguinis puro, que exige que ambos os pais
I - natos: sejam natos), desde que qualquer dos dois esteja no
Tem-se aqui a nacionalidade primária ou de 1º grau, estrangeiro a serviço oficial do Brasil.
originária, pelo fato do nascimento. c) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe
Todos os casos possíveis de reconhecimento de condição de brasileira, desde que sejam registrados em repartição
brasileiro nato estão neste inciso da Constituição, uma vez brasileira competente ou venham a residir na República
que só a Constituição pode prevê hipóteses de aquisição Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois
primária. de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira;
(Alterada pela ECR 3, de 1994) (Alterada pela EC 54, de 2007)
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que
de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a O Legislador usou o critério do jus sanguinis.
serviço de seu país; Há duas possibilidades. A primeira será dos nascidos no
Tratando de brasileiros natos, a regra geral é a do jus soli estrangeiro, filhos de pai ou de mãe brasileira que poderão
(alínea “a”), ou seja, de aquisição da nacionalidade pelo solo ser registrados em repartição competente (como um
de nascimento. Assim, são brasileiros os nascidos na consulado brasileiro) e, nesse momento, adquirirem a
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condição de brasileiros natos. A segunda, será dos nascidos A aquisição da nacionalidade pode ser tácita (quando não
no estrangeiro, filhos de pai ou mãe brasileira que poderão depende de requerimento do interessado) ou expressa
ainda vir a residir no Brasil, em caráter definitivo, e aqui, a (quando depende dessa manifestação de vontade). No
qualquer tempo, após os 18 anos, que é a maioridade civil, Brasil, atualmente, não é possível a naturalização tácita ou
optar pela condição de brasileiro nato. Tal opção deverá ser automática.
necessariamente exercida pelo detentor de maioridade civil,
A doutrina classifica a nacionalidade de 2º grau em espécies:
perante um juiz federal, nos termos do art. 109, X, da CF/88.
ordinária (quando esse requerimento é regido pela lei),
Essa opção trata-se de um direito subjetivo, por isso é
especial (quando requerida por originários de países de
chamada pela doutrina de nacionalidade potestativa.
língua portuguesa) e extraordinária ou quinzenária (quando
Essa alínea já sofreu duas emendas constitucionais. A a hipótese de aquisição é oferecida pela própria
Emenda de Revisão 3, de 07.06.1994, retirou a possibilidade Constituição).
do nascido no estrangeiro, filho de pai ou mãe brasileira, ser
 Jurisprudência relacionada ao tema:
registrado em repartição brasileira competente, restando
apenas a de residir no Brasil e optar pela nacionalidade EMENTA. (...). Não se revela possível, em nosso sistema
brasileira quando completasse a maioridade civil. jurídico-constitucional, a aquisição da nacionalidade
Posteriormente, a Emenda Constitucional 54, de 20.9.2007, brasileira jure matrimonii, vale dizer, como efeito direto e
trouxe novamente a regra e, com o intuito de amparar os imediato resultante do casamento civil. Magistério da
nascidos naquele período, acrescentou o artigo 95 ao Ato doutrina.” (STF Ext 1.121, Rel. Min. Celso de Mello,
das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que julgamento em 18-12-2009, Plenário, DJE de 25-6-2010).
reza:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade
“Os nascidos no estrangeiro entre 7 de junho de 1994 e a
data da promulgação desta Emenda Constitucional, filhos brasileira, exigidas aos originários de países de língua
de pai brasileiro ou mãe brasileira, poderão ser registrados portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e
em repartição diplomática ou consular brasileira idoneidade moral;
competente ou em ofício de registro, se vierem a residir na
República Federativa do Brasil”. Hipótese de naturalização expressa ordinária, já que
submetida aos termos da lei.
 Jurisprudência relacionada ao tema:
Para a aquisição da condição de brasileiro, o estrangeiro
EMENTA: - CONSTITUCIONAL. NACIONALIDADE: OPÇÃO. deverá proceder de acordo com a Lei de Migração (Lei
C.F., ART. 12, I, c, COM A EMENDA CONSTITUCIONAL DE 13.445/2017).
REVISÃO Nº 3, DE 1994. I. - São brasileiros natos os nascidos
no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde Há, no entanto, um grupo especial de estrangeiros, formado
que venham a residir no Brasil e optem, em qualquer pelos que são de países de língua portuguesa (Portugal,
tempo, pela nacionalidade brasileira. II. - A opção pode ser Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Açores, Cabo Verde,
feita a qualquer tempo, desde que venha o filho de pai Ilhas Príncipe, Goa, Gamão, Dio, Macau e Timor) que tem a
brasileiro ou de mãe brasileira, nascido no estrangeiro, a seu favor as condições de residência por um ano
residir no Brasil. Essa opção somente pode ser manifestada ininterrupto e idoneidade moral, chamada
depois de alcançada a maioridade. É que a opção, por doutrinariamente de aquisição especial.
decorrer da vontade, tem caráter personalíssimo. Exige-se, b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes na
então, que o optante tenha capacidade plena para República Federativa do Brasil há mais de quinze anos
manifestar a sua vontade, capacidade que se adquire com a ininterruptos e sem condenação penal, desde que
maioridade. III. - Vindo o nascido no estrangeiro, de pai requeiram a nacionalidade brasileira. (Redação dada pela ECR
brasileiro ou de mãe brasileira, a residir no Brasil, ainda 3, de 1994)
menor, passa a ser considerado brasileiro nato, sujeita essa
nacionalidade a manifestação da vontade do interessado, Hipótese de aquisição de nacionalidade brasileira expressa
mediante a opção, depois de atingida a maioridade. Atingida extraordinária.
a maioridade, enquanto não manifestada a opção, esta O estrangeiro de qualquer nacionalidade poderá se
passa a constituir-se em condição suspensiva da beneficiar dessa forma excepcional de aquisição de
nacionalidade brasileira. IV. - Precedente do STF: AC 70- nacionalidade.
QO/RS, Ministro Sepúlveda Pertence, Plenário, 25.9.03, "DJ"
de 12.3.04. V. (STF RE 418096/RS - 22/03/2005). Quanto aos requisitos dessa via de aquisição, verifica-se que
não é impedimento a exigência de condenação civil ou
II - naturalizados: trabalhista e que a condição de “prazo ininterrupto do prazo
de residência” não é quebrada por breves viagens ao
Cuida-se da nacionalidade secundária ou de 2º Grau,
exterior já que a Constituição exige residência contínua e
derivada
não permanência contínua.
Em tese, a concessão da nacionalidade brasileira está
Para alguns autores, como Alexandre de Moraes e Celso
submetida à discricionariedade do chefe do Poder
Bastos, a passagem “... desde que requeiram” significa que o
Executivo.
requerimento, preenchidas as condições constitucionais,
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não poderá ser negado pelo Poder Executivo, constituindo- brasileiro, fundado em sua própria soberania, depende,
se em direito subjetivo do estrangeiro. ainda, de requerimento do súdito português interessado, a
quem se impõe, para tal efeito, a obrigação de preencher os
§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, requisitos estipulados pela Convenção sobre Igualdade de
se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão Direitos e Deveres entre brasileiros e portugueses. (STF 890,
atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 5-8-2004, Primeira
previstos nesta Constituição. (Redação dada pela ECR 3, de Turma, DJ de 28-10-2004)
1994)
§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre
Trata-se de equiparação de direitos e não hipótese de
brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos
naturalização. O português, que não pretende a
nesta Constituição.
naturalização, e sim permanecer como como estrangeiro no
Brasil, será equiparado em direitos ao brasileiro As distinções permitidas pelo texto constitucional, e só ela
naturalizado sem sê-lo, condicionado à existência e pode, são: casos de extradição (art. 5º, LI), exercício de
observância da reciprocidade. determinados cargos públicos (art. 12, § 3º), perda da
Segundo a jurisprudência de Supremo Tribunal Federal, a condição de nacional (art. 12, § 4º), exercício da função de
mera condição de egresso de Portugal não é suficiente para membro do Conselho da República (art. 89, VII) e
os benefícios da equiparação, devendo o português ter administração e orientação intelectual de veículo de mídia
requerido o benefício na Justiça Brasileira e ter sido no Brasil (art. 222).
deferido. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
 Jurisprudência relacionada ao tema: estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
EMENTA. Expulsão. Português. Estrangeiro condenado a vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
pena de quatro anos de reclusão, já cumprida, por incurso nos termos seguintes:
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o
no art. 12 da Lei 6368/1976. 2. Alegações de amparo na
naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da
Convenção sobre igualdade de Direitos e Deveres entre naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico
Brasileiros e Portugueses, aprovada pelo Decreto Legislativo ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;
82, de 24.11.1971, e promulgada pelo Decreto 70.391, de
12.4.1972, bem assim de manter o expulsando união estável Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de
com brasileira, mãe de menor que não e, entretanto, filho consulta do Presidente da República, e dele participam:
do paciente. 3. Inaplicável ao paciente a Convenção em I - o Vice-Presidente da República;
referencia, eis que nenhuma prova se fez de se lhe ter II - o Presidente da Câmara dos Deputados;
reconhecido, a teor do art. 5. do Decreto 70.391/1972, a III - o Presidente do Senado Federal;
IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos
igualdade de direitos e deveres. Pela só permanência no
Deputados;
país, não gozam, automaticamente, o português no Brasil e V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
o brasileiro em Portugal, da igualdade de direitos e deveres, VI - o Ministro da Justiça;
a que se refere a Convenção aprovada, fazendo-se VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e
necessários prévios requerimento e decisão concessiva de cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente
autoridade competente. Decreto 70.391/1972, arts. 5, 6 e da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos
14. De qualquer sorte, o Decreto de expulsão acarreta a pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três
consequência de fazer cessar a autorização de permanência anos, vedada a recondução.
do paciente no território nacional, o que, conforme o art. 6.
Art. 222. A propriedade de empresa jornalística e de
do Decreto 70.391, de 1972, gera a extinção da igualdade de
radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de
direitos e deveres. 4. Não se aplica a espécie, também, o art. brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou
75, II, letras "a" e "b", do Estatuto do Estrangeiro, visto não de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que
ser o paciente casado com brasileira, nem possuir filho tenham sede no País.
brasileiro. 5. Não serve ao paciente, por igual, no caso, a
regra do art. 226, par. 3., da Constituição Federal. Natureza § 3º são privativos de brasileiro nato os cargos:
e extensão da norma maior em apreço. A união do paciente
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
com brasileira não alcança sequer o lapso de tempo
necessário, para que se lhe reconheça a condição de "união II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
estável", "ut" Lei 8971/1994. 6. Habeas Corpus indeferido.
III - de Presidente do Senado Federal;
(STF HC 72.593/RJ, 22/06/1995).
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
EMENTA. (...). A norma inscrita no art. 12, § 1º, da CR – que
contempla, em seu texto, hipótese excepcional de quase- V - da carreira diplomática;
nacionalidade – não opera de modo imediato, seja quanto VI - de oficial das Forças Armadas;
ao seu conteúdo eficacial, seja no que se refere a todas as
consequências jurídicas que dela derivam, pois, para incidir, VII - de Ministro de estado da Defesa (Incluído pela EC 23, de
além de supor o pronunciamento aquiescente do Estado 1999)

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O rol dos cargos privativos de brasileiros natos é taxativo. Brasil. (...). (STF HC 83.113-QO, Rel. Min. Celso de Mello,
julgamento em 26-3-2003, Plenário, DJ de 29-8-2003).
A título de informação, são da carreira diplomática o 3º
Secretário, o 2º Secretário, o 1º Secretário, o Conselheiro, o EMENTA. NATURALIZAÇÃO. REVISÃO DE ATO.
Ministro de 2ª Classe e Ministro de 1ª Classe, que é o COMPETÊNCIA. Conforme revela o inciso I do § 4º do artigo
embaixador. Os oficiais das Forças Armadas são os do 12 da Constituição Federal, o Ministro de Estado da Justiça
Exército, da Marinha e da Aeronáutica (mas não os não tem competência para rever ato de naturalização. (STF
suboficiais destas Forças, nem os oficiais da Polícia Militar). RMS 27.840, rel. p/ o ac. min. Marco Aurélio, julgamento em
7-2-2013, Plenário, DJE de 27-8-2013).
§ 4º Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro
que: EMENTA. Brasileira naturalizada americana. Acusação de
homicídio no exterior. Fuga para o Brasil. Perda de
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, nacionalidade originária em procedimento administrativo
em virtude de atividade nociva ao interesse nacional; regular. Hipótese constitucionalmente prevista. Não
Essa hipótese de perda da nacionalidade é só para brasileiro ocorrência de ilegalidade ou abuso de poder. (...) A
naturalizado que for considerado culpado por sentença Constituição Federal, ao cuidar da perda da nacionalidade
judicial transitada em julgado de algum crime no Brasil. O brasileira, estabelece duas hipóteses: (i) o cancelamento
condenado poderá, na sentença, receber uma pena judicial da naturalização (art. 12, § 4º, I); e (ii) a aquisição de
acessória de cancelamento da naturalização, de acordo com outra nacionalidade. Nesta última hipótese, a nacionalidade
a gravidade do crime. Nesse caso, a partir dessa sentença, brasileira só não será perdida em duas situações que
por ato do Presidente da República, será declarada a perda constituem exceção à regra: (i) reconhecimento de outra
de sua nacionalidade, para viabilizar a expulsão do Brasil. nacionalidade originária (art. 12, § 4º, II, a); e (ii) ter sido a
outra nacionalidade imposta pelo Estado estrangeiro como
O cancelamento da naturalização ensejará a perda dos condição de permanência em seu território ou para o
direitos políticos, conforme previsto no art. 15, I, da CF/88. exercício de direitos civis (art. 12, § 4º, II, b). No caso sob
exame, a situação da impetrante não se subsume a qualquer
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja
perda ou suspensão só se dará nos casos de: das exceções constitucionalmente previstas para a aquisição
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada de outra nacionalidade, sem perda da nacionalidade
em julgado; brasileira. (STF MS 33.864, Rel. Min. Roberto Barroso, J.
19.04.2016, 1ªT, DJ 20.09.2016).
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: (Redação
dada pela ECR 3, de 1994) Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República
Federativa do Brasil.
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei
estrangeira; (Incluído pela ECR 3, de 1994) § 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a
bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira,
ao brasileiro residente em Estado estrangeiro, como § 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão
condição para permanência em seu território ou para o ter símbolos próprios.
exercício de direitos civis. (Incluído pela ECR 3, de 1994)
A língua portuguesa é oficial no Brasil, o que não proíbe que
A aquisição voluntária de outra nacionalidade por um outras aqui sejam faladas e reconhecidas, como no caso do
brasileiro conduz como regra, à perda da sua nacionalidade art. 210, § 2º, da CF/88, que reconhece aos índios no Brasil
brasileira, seja ele nato ou naturalizado, sendo aceitas as o direito de usarem suas linguagens e dialetos no
duas exceções expressas nas alíneas “a” (caso de aprendizado.
acumulação de nacionalidade, ou dupla nacionalidade) e
“b”.
3.4. DIREITOS POLÍTICOS
O processo de perda da nacionalidade, nesse caso, ocorrerá
administrativamente no Ministério da Justiça.
PRINCÍPIO DA SOBERANIA POPULAR
Dispositivo infraconstitucional correspondente – art. 76 da
Lei 13.445/2017. Segundo Pimenta Bueno, os direitos políticos são um
conjunto de prerrogativas, atributos, faculdades, ou poder
 Jurisprudência relacionada ao tema: de intervenção dos cidadãos ativos no governo de seu país,
EMENTA. (...). A perda da nacionalidade brasileira, por sua intervenção direta ou indireta, mais ou menos ampla. Seria,
vez, somente pode ocorrer nas hipóteses taxativamente assim, a inserção da vontade do cidadão no universo da
definidas na CR, não se revelando lícito, ao Estado brasileiro, formação da vontade nacional.
seja mediante simples regramento legislativo, seja mediante As formas dessa participação são, basicamente: o direito de
tratados ou convenções internacionais, inovar nesse tema, votar e de ser votado, o plebiscito, o referendo, a iniciativa
quer para ampliar, quer para restringir, quer, ainda, para popular de leis, a ação popular, a fiscalização popular de
modificar os casos autorizadores da privação – sempre
excepcional – da condição político-jurídica de nacional do
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contas públicas, o direito de informação em órgãos públicos Alistabilidade é o alistamento eleitoral, ou seja, é a inscrição
e a filiação a partidos políticos. como eleitor. Só é feito por iniciativa do interessado, uma
vez que não é possível alistamento ex ofício.
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio
universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para § 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros
todos, e, nos termos da lei, mediante: e, durante o período do serviço militar obrigatório, os
conscritos.
Sufrágio configura um direito público subjetivo de eleger e
ser eleito, e também o direito de participar da organização e A inalistabilidade é a incapacidade de se alistar como
da atividade do poder estatal. O sufrágio universal se apoia eleitor.
na coincidência entre a qualidade de eleitor e de nacional de
Conscritos são os recrutados para servir às Forças Armadas,
um país, sujeito, contudo, a condicionamentos, como idade.
dentre eles, aquele que presta o serviço militar obrigatório,
O sufrágio restrito pode ser censitário (quando o votante
não podendo alistar-se como eleitor. Os demais integrantes
precisa preencher requisitos de natureza econômica, como
das Forças Armadas têm o poder-dever de alistamento.
renda e bens) ou capacitária (quando o eleitor precisa
apresentar algumas condições especiais de capacidade, § 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
como as de natureza intelectual). O voto, por seu turno, é o
ato político que materializa, na prática, o direito subjetivo I - a nacionalidade brasileira;
de sufrágio. O voto apresenta as características de II - o pleno exercício dos direitos políticos;
personalidade (só pode ser exercido pessoalmente),
III - o alistamento eleitoral;
obrigatoriedade formal de comparecimento (pela regra, o
eleitor precisa comparecer, embora não precise IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
efetivamente votar), liberdade (o eleitor escolhe livremente
V - a filiação partidária;
o nome de sua preferência), sigilosidade (o voto é secreto),
periodicidade (o eleitor é chamado a votar de tempos em VI - a idade mínima de:
tempos), igualdade (cada voto tem o mesmo peso no
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da
processo político, embora a Constituição admita casos em
República e Senador;
que isso é negado, como no art. 45).
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de
I - plebiscito;
estado e do Distrito Federal;
Consulta prévia ao cidadão. c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado
II - referendo; Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e Juiz de Paz;
d) dezoito anos para Vereador.
Manifestação popular sobre questão concreta efetivada,
geralmente legislativa. A elegibilidade refere-se à capacidade de ser eleito.
III - iniciativa popular Ressalte-se que o Juiz de paz tem que preencher as
condições de elegibilidade, em obediência ao comando
É o poder que o povo possui de apresentar um projeto de lei
previsto no art. 98, II da CF/88.
ao poder legislativo.
Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os
Existe no âmbito federal (art. 61, § 2º), no estadual (27, § Estados criarão:
4º) e no municipal (art. 29, XIII), sujeito a diferentes II - justiça de paz, remunerada, composta de cidadãos
requisitos. eleitos pelo voto direto, universal e secreto, com mandato
de quatro anos e competência para, na forma da lei,
Os Direitos Políticos podem ser positivos e negativos. Os celebrar casamentos, verificar, de ofício ou em face de
positivos são a alistabilidade (capacidade eleitoral ativa) e a impugnação apresentada, o processo de habilitação e
elegibilidade (capacidade eleitoral passiva). Os negativos exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional,
são a inalistabilidade (incapacidade eleitoral ativa) e a além de outras previstas na legislação.
inelegibilidade (incapacidade eleitoral passiva).
§ 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são:
Inelegibilidade é impedimento à capacidade ao direito de
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
ser votado. Não se confunde com a inalistabilidade, que é a
II - facultativos para: impossibilidade de se alistar eleitor, nem com a
a) os analfabetos; incompatibilidade, impedimento ao exercício do mandato
depois de eleito.
b) os maiores de setenta anos;
Este parágrafo enumera os casos de inelegibilidade
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. absoluta, estabelecida para todos os cargos, os quais só
podem ser previstos pela Constituição Cidadã.

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Nos §§ 5º ao 8º estão casos de inelegibilidades relativas, Tem-se, aqui, a inelegibilidade reflexa. Para esses fins, o
porque dizem respeito a determinados cargos e território de “jurisdição” (a doutrina prefere “circunscrição”)
determinadas situações, que podem ser estabelecidos do titular é a área física em que esse exerce poder. Assim, o
inclusive por norma subconstitucional. do Presidente da República é todo o País; o do Governador,
o respectivo Estado; e o do Prefeito, o Município. Assim,
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado cônjuge e parentes do Prefeito não poderão disputar os
e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver cargos e mandatos de Prefeito, Vice-Prefeito e Vereador
sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão naquele Município; do Governador, esses cargos citados,
ser reeleitos para um único período subsequente. nos Municípios do Estado, mais os cargos de Governador e
Não é necessário que o Presidente da República, o Vice-Governador e de Deputado Estadual, Federal e
Governador de Estado ou do Distrito Federal e o Prefeito Senador, estes dois últimos para vagas do próprio Estado,
afastem-se desses cargos ou renunciem para postular a do Presidente da República, por fim, são absolutamente
reeleição. inelegíveis, salvo a única hipótese do final da redação do
dispositivo. Cabe aqui, referência à decisão do Tribunal
 Jurisprudência relacionada ao tema: Superior Eleitoral, onde foi decidido que em se tratando de
EMENTA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO eleição para Deputado Federal ou Senador, cada Estado e o
GERAL. REELEIÇÃO. PREFEITO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 14, Distrito Federal constituem uma circunscrição eleitoral, o
§ 5º, DA CONSTITUIÇÃO. MUDANÇA DA JURISPRUDÊNCIA que amplia a relação dos impedimentos.
EM MATÉRIA ELEITORAL. SEGURANÇA JURÍDICA. I.  Jurisprudência relacionada ao tema:
REELEIÇÃO. MUNICÍPIOS. INTERPRETAÇÃO DO ART. 14, § 5º,
DA CONSTITUIÇÃO. PREFEITO. PROIBIÇÃO DE TERCEIRA SÚMULA VINCULANTE 18. A dissolução da sociedade ou do
ELEIÇÃO EM CARGO DA MESMA NATUREZA, AINDA QUE EM vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a
MUNICÍPIO DIVERSO. O instituto da reeleição tem inelegibilidade prevista no § 7º do artigo 14 da Constituição
fundamento não somente no postulado da continuidade Federal.
administrativa, mas também no princípio republicano, que
impede a perpetuação de uma mesma pessoa ou grupo no § 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes
poder. O princípio republicano condiciona a interpretação e condições:
a aplicação do próprio comando da norma constitucional, de I - se contar menos de dez anos de serviço deverá afastar-
modo que a reeleição é permitida por apenas uma única se da atividade;
vez. Esse princípio impede a terceira eleição não apenas no
mesmo município, mas em relação a qualquer outro II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado
município da federação. Entendimento contrário tornaria pela autoridade superior e, se eleito, passará
possível a figura do denominado “prefeito itinerante” ou do automaticamente, no ato da diplomação, para a
“prefeito profissional”, o que claramente é incompatível inatividade.
com esse princípio, que também traduz um postulado de
 Jurisprudência relacionada ao tema:
temporariedade/alternância do exercício do poder.
Portanto, ambos os princípios – continuidade administrativa EMENTA. (...). Diversamente do que sucede ao militar com
e republicanismo – condicionam a interpretação e a mais de dez anos de serviço, deve afastar-se definitivamente
aplicação teleológicas do art. 14, § 5º, da Constituição. O da atividade o servidor militar que, contando menos de dez
cidadão que exerce dois mandatos consecutivos como anos de serviço, pretenda candidatar-se a cargo eletivo. (...).
prefeito de determinado município fica inelegível para o (STF RE 279.469, Rel. p/ o ac. Min. Cezar Peluso, julgamento
cargo da mesma natureza em qualquer outro município da em 16-3-2011, Plenário, DJE de 20-6-2011).
federação. (...). (STF RE 637.485 RJ, Rel. MIN. GILMAR
EMENTA. (...). Militar da ativa (sargento) com mais de dez
MENDES, Plenário, DJ 01.08.2012).
anos de serviço. Elegibilidade. Filiação partidária. (...) Se o
§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da militar da ativa é alistável, é ele elegível (CF, art. 14, § 8º).
República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal Porque não pode ele filiar-se a partido político (CF, art. 42, §
e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos 6º), a filiação partidária não lhe é exigível como condição de
até seis meses antes do pleito. elegibilidade, certo que somente a partir do registro da
candidatura é que será agregado (CF, art. 14, § 8º, II; Cód.
Para tentarem eleição para qualquer outro cargo, deverão Eleitoral, art. 5º, § único; Lei 6.880, de 1980, art. 82, XIV, §
renunciar. A renúncia, nesse caso, é irreversível. 4º). (STF AI 135.452, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o 20-9-1990, Plenário, DJ de 14-6-1991).
cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o
segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, OUTRAS INELEGIBILIDADES
de Governador de estado ou Território, do Distrito Federal, § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de
de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de
meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato proteger a probidade administrativa, a moralidade para o
eletivo e candidato à reeleição. exercício do mandato, considerada a vida pregressa do
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candidato, e a normalidade, legitimidade das eleições DA LEI ELEITORAL (CF, ART. 16) E ÀS GARANTIAS
contra a influência do poder econômico ou o abuso do INDIVIDUAIS DA SEGURANÇA JURÍDICA E DO DEVIDO
exercício de função, cargo ou emprego na administração PROCESSO LEGAL (CF, ART. 5º, CAPUT, E LIV). LIMITES
direta ou indireta. MATERIAIS À ATIVIDADE DO LEGISLADOR CONSTITUINTE
REFORMADOR. ARTS. 60, § 4º, IV, E 5º, § 2º, DA CF. 1.
A Lei Complementar 64/90 prevê tais casos de Preliminar quanto à deficiência na fundamentação do
inelegibilidade. pedido formulado afastada, tendo em vista a sucinta porém
suficiente demonstração da tese de violação constitucional
AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO
na inicial deduzida em juízo. 2. A inovação trazida pela EC
§ 10 O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a 52/06 conferiu status constitucional à matéria até então
Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da integralmente regulamentada por legislação ordinária
diplomação, instruída a ação com provas de abuso do federal, provocando, assim, a perda da validade de qualquer
poder econômico, corrupção ou fraude. restrição à plena autonomia das coligações partidárias no
plano federal, estadual, distrital e municipal. 3. Todavia, a
A legitimação ativa para essa ação é do Ministério Público, utilização da nova regra às eleições gerais que se realizarão
dos partidos políticos, das coligações e dos candidatos, a menos de sete meses colide com o princípio da
eleitos ou não. anterioridade eleitoral, disposto no art. 16 da CF, que busca
evitar a utilização abusiva ou casuística do processo
§ 11 A ação de impugnação de mandato tramitará em
legislativo como instrumento de manipulação e de
segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei,
deformação do processo eleitoral (ADI 354, rel. Min. Octavio
se temerária ou de manifesta má-fé.
Gallotti, DJ 12.02.93). 4. Enquanto o art. 150, III, b, da CF
encerra garantia individual do contribuinte (ADI 939, rel.
Min. Sydney Sanches, DJ 18.03.94), o art. 16 representa
PERDA / SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS garantia individual do cidadão-eleitor, detentor originário
do poder exercido pelos representantes eleitos e "a quem
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja assiste o direito de receber, do Estado, o necessário grau de
perda ou suspensão só se dará nos casos de: segurança e de certeza jurídicas contra alterações abruptas
das regras inerentes à disputa eleitoral" (ADI 3.345, rel. Min.
A cassação aqui mencionada e proibida é ato unilateral, do
Celso de Mello). 5. Além de o referido princípio conter, em
Poder Executivo, configurando uma radical medida contra o
si mesmo, elementos que o caracterizam como uma
regime democrático, que suprime direitos e garantias
garantia fundamental oponível até mesmo à atividade do
individuais. Perda é a privação definitiva; suspensão é uma
legislador constituinte derivado, nos termos dos arts. 5º, §
perda temporária.
2º, e 60, § 4º, IV, a burla ao que contido no art. 16 ainda
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada afronta os direitos individuais da segurança jurídica (CF, art.
em julgado; 5º, caput) e do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV). 6. A
modificação no texto do art. 16 pela EC 4/93 em nada
II - incapacidade civil absoluta; alterou seu conteúdo principiológico fundamental. Tratou-
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto se de mero aperfeiçoamento técnico levado a efeito para
durarem seus efeitos; facilitar a regulamentação do processo eleitoral. 7. Pedido
que se julga procedente para dar interpretação conforme no
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou
sentido de que a inovação trazida no art. 1º da EC 52/06
prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
somente seja aplicada após decorrido um ano da data de
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, sua vigência. (STF ADI 3.685/DF. Rel. Min. Ellen Gracie. DJ
§ 4º. 10.08.2006).
EMENTA. A Lei Complementar 135/2010 – que altera a Lei
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE ELEITORAL Complementar 64/90, que estabelece, de acordo com o § 9º
do art. 14 da CF, casos de inelegibilidade, prazos de
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em
cessação e determina outras providências, para incluir
vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição
hipóteses de inelegibilidade que visam a proteger a
que ocorra até um ano da data de sua vigência.
probidade administrativa e a moralidade no exercício do
Aqui se estabelece o princípio da anterioridade da lei mandato – não se aplica às eleições gerais de 2010. Essa a
eleitoral (princípio da anualidade eleitoral). conclusão do Plenário ao prover, por maioria, recurso
extraordinário em que discutido o indeferimento do registro
 Jurisprudência relacionada ao tema:
de candidatura do recorrente ao cargo de deputado
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. estadual nas eleições de 2010, ante sua condenação por
2º DA EC 52, DE 08.03.06. APLICAÇÃO IMEDIATA DA NOVA improbidade administrativa, nos termos do art. 1º, I, l, da LC
REGRA SOBRE COLIGAÇÕES PARTIDÁRIAS ELEITORAIS, 64/90, com redação dada pela LC 135/2010 [“Art. 1º São
INTRODUZIDA NO TEXTO DO ART. 17, § 1º, DA CF. inelegíveis: I - para qualquer cargo: ... l) os que forem
ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão
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transitada em julgado ou proferida por órgão judicial considerada para fins de distribuição dos recursos do
colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa fundo partidário e de acesso gratuito ao tempo de rádio e
que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento de televisão. (Incluído pela EC 97, de 2017)
ilícito, desde a condenação ou o trânsito em julgado até o
transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da Segundo José Afonso da Silva partido político é “uma forma
pena”]. (...). (STF RE 633703/MG, rel. Min. Gilmar Mendes, de agremiação de um grupo social que se propõe organizar,
23.3.2011). coordenar e instrumentar a vontade popular com o fim de
assumir o poder para realizar seu programa de governo”.
PARTIDOS POLÍTICOS A natureza jurídica do partido político é de pessoa jurídica
de direito privado (art. 17, § 2º).
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de
partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o A Emenda Constitucional 91 altera a Constituição Federal
regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos para estabelecer a possibilidade, excepcional e em
fundamentais da pessoa humana e observados os período determinado, de desfiliação partidária, sem
seguintes preceitos: prejuízo do mandato.

I - caráter nacional; As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado


Federal, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto
entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a constitucional:
estes;
“Art. 1º É facultado ao detentor de mandato eletivo
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral; desligar-se do partido pelo qual foi eleito nos trinta dias
seguintes à promulgação desta Emenda Constitucional,
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
sem prejuízo do mandato, não sendo essa desfiliação
§ 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para considerada para fins de distribuição dos recursos do
definir sua estrutura interna e estabelecer regras sobre Fundo Partidário e de acesso gratuito ao tempo de
escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes rádio e televisão”.
e provisórios e sobre sua organização e funcionamento e A Emenda Constitucional n o 97, ainda acrescenta:
para adotar os critérios de escolha e o regime de suas
Art. 2º A vedação à celebração de coligações nas eleições
coligações nas eleições majoritárias, vedada a sua
proporcionais, prevista no § 1º do art. 17 da Constituição
celebração nas eleições proporcionais, sem Federal, aplicar-se-á a partir das eleições de 2020.
obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em
âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo Art. 3º O disposto no § 3º do art. 17 da Constituição
Federal quanto ao acesso dos partidos políticos aos
seus estatutos estabelecer normas de disciplina e
recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no
fidelidade partidária. (Redação dada pela EC 97, de 2017)
rádio e na televisão aplicar-se-á a partir das eleições de
§ 2º Os partidos políticos, após adquirirem personalidade 2030.
jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Parágrafo único. Terão acesso aos recursos do fundo
Tribunal Superior Eleitoral. partidário e à propaganda gratuita no rádio e na
televisão os partidos políticos que:
§ 3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e
acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os I - na legislatura seguinte às eleições de 2018:
partidos políticos que alternativamente: (Redação dada pela a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados,
EC 97, de 2017) no mínimo, 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos,
I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos
no mínimo, 3% (três por cento) dos votos válidos,
votos válidos em cada uma delas; ou
distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
Federação, com um mínimo de 2% (dois por cento) dos b) tiverem elegido pelo menos nove Deputados Federais
votos válidos em cada uma delas; ou (Incluído pela EC 97, de distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
2017) Federação;

II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais II - na legislatura seguinte às eleições de 2022:
distribuídos em pelo menos um terço das unidades da a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados,
Federação. (Incluído pela EC 97, de 2017) no mínimo, 2% (dois por cento) dos votos válidos,
distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
§ 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos
organização paramilitar. votos válidos em cada uma delas; ou
§ 5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos b) tiverem elegido pelo menos onze Deputados Federais
previstos no § 3º deste artigo é assegurado o mandato e distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
facultada a filiação, sem perda do mandato, a outro Federação;
partido que os tenha atingido, não sendo essa filiação III - na legislatura seguinte às eleições de 2026:
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a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, Quanto ao modo de separação de competências entre os
no mínimo, 2,5% (dois e meio por cento) dos votos entes federativos, a doutrina identifica o federalismo dual,
válidos, distribuídos em pelo menos um terço das onde a divisão de competências é extremamente rígida e o
unidades da Federação, com um mínimo de 1,5% (um e
federalismo cooperativo, no qual se verifica uma
meio por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
cooperação entre as atribuições dos entes federalistas. No
b) tiverem elegido pelo menos treze Deputados Federais Brasil, o federalismo é cooperativo. De qualquer forma,
distribuídos em pelo menos um terço das unidades da como a maior parte da competência se concentra na União,
Federação. o sentido é centrípeto.
___________________________________________________________
Destaca-se também na doutrina a classificação do
_____________________________________________________________
federalismo em simétrico e assimétrico. No federalismo
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
simétrico verifica-se homogeneidade em relação à cultura,
_____________________________________________________________ ao desenvolvimento, à língua etc. Ex: Estados Unidos.
_____________________________________________________________ Contrariamente, o federalismo assimétrico decorre da
_____________________________________________________________ diversidade cultural e até mesmo de língua. Ex: Canadá e
_____________________________________________________________ Suíça. A maioria dos doutrinadores defendem que o Brasil
_____________________________________________________________ possui um federalismo assimétrico.
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
Segundo Maurice Croisat, o federalismo de equilíbrio
prioriza a conciliação entre integração e autonomia, entre a
unidade e a diversidade, como uma resposta às aspirações
Capítulo 4 de independência e solidariedade dos homens. Para André
Organização do Estado Ramos Tavares, o federalismo equilíbrio pode ser alcançado
pelo estabelecimento de regiões de desenvolvimento e de
regiões metropolitanas, concessão de benefícios, além de
ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA redistribuição de rendas.
Por fim, Manoel Gonçalves Ferreira Filho, fala em uma
Art. 18. A organização político-administrativa da República
tríplice estrutura do Estado brasileiro, considerando que no
Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o
Brasil existem três ordens, que são: a da União (ordem
Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos
central), a dos Estados (ordens regionais) e a dos Municípios
termos desta Constituição.
(ordens locais).
República e União não são sinônimas. A União é pessoa Sobre o Distrito Federal, o art. 32, da CF/88, reza que: “O
jurídica de Direito Público interno com capacidade política, Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios,
possuindo apenas autonomia, como deixa claro o texto reger-se-ão por lei orgânica, votada em dois turnos com
deste artigo. A República Federativa do Brasil é que é interstício mínimo de dez dias, a aprovada por dois terços
soberana, pessoa jurídica de direito público internacional ou da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os
externo. princípios estabelecidos nesta Constituição”.
Para Celso Bastos, soberania é atributo que se confere ao Sobre os Estados Federados, o art. 25, caput, da CF/88, reza
poder do Estado em virtude de ser juridicamente ilimitado. que: “Os Estados organizam-se e regem-se pelas
Já autonomia é margem de discrição de que uma pessoa Constituições e leis que adotarem, observados os princípios
goza para decidir sobre seus negócios. desta Constituição”.
A Constituição define a República sob dois ângulos. Sob o Sobre os Municípios, o art. 29, caput, da CF/88. reza que: “O
aspecto territorial, ou físico, a República é composta dos Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (art. 1º, da turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada
CF/88). Já sob o aspecto político-administrativo, ou por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a
institucional, ou jurídico, tem ela quatro partes promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta
componentes: a União, os Estados-membros (Estados Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os
Federados), o Distrito Federal e os Municípios, que formam seguintes preceitos: (...)”.
o Estado Federal, encontrando-se no mesmo patamar
hierárquico. São entes federativos com capacidade de auto § 1º Brasília é a Capital Federal.
legislação, de auto governo, autoadministração e auto
organização. Antes de ser promulgada a Carta de Outubro, a Capital
Federal era o Distrito Federal.
No Brasil, o federalismo se deu por desagregação, resultado
de um movimento centrífugo (de dentro para fora), O texto constitucional evidencia a diferença entre a Capital
diferente do que ocorreu na formação da Federação dos da República e a sua circunscrição territorial, que é o Distrito
EUA, que se formou por agregação, num movimento Federal.
centrípeto (de fora para dentro). A Constituição Federal determina que Brasília seja a Capital
Federal. É civitas civitatum, na medida em que é cidade-
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centro, polo irradiante de onde partem as decisões mais População diretamente interessada é toda a população do
graves e onde acontecem os fatos decisivos para o destino Estado ou Estados envolvidos, segundo já decidiu o
do país. Não se encaixa no conceito geral de cidade porque Supremo Tribunal Federal.
não é sede de município, segundo José Afonso da Silva.
A jurisprudência do STF também deixou assentado que não
§ 2º Os Territórios Federais integram a União, sua criação, se pode instaurar o processo legislativo referente à lei
transformação em Estado ou reintegração ao Estado de complementar de criação do Estado sem que tenha havido a
origem serão reguladas em lei complementar. aprovação da emancipação por plebiscito homologado pela
Justiça Eleitoral. Por outro lado, a aprovação da criação do
Os territórios federais, portanto, são meras autarquias Estado no plebiscito não obriga o Congresso a aprovar a lei
territoriais da União, descentralizações administrativas complementar respectiva, já que isso é ato político e
territoriais, sem a capacidade de se auto legislar, auto discricionário do Legislativo, a partir de critérios de
administrar e se autogovernar. conveniência e oportunidade.
Sobre os Territórios, o art. 33, da CF/88, reza que: Dispositivo correspondente: art. 48, VI, da CF/88.
Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e
judiciária dos Territórios.
§ 1º Os Territórios poderão ser divididos em municípios,  Jurisprudência relacionada ao tema:
aos quais se aplicará, no que couber, o disposto no
Capítulo IV deste Titulo. EMENTA. A expressão “população diretamente interessada”
§ 2º As contas do Governo do Território serão submetidas constante do § 3º do art. 18 da CF (“Os Estados podem
ao Congresso Nacional, com parecer prévio do Tribunal de incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para
Contas da União. se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou
§ 3º Nos Territórios Federais com mais de cem mil Territórios Federais, mediante aprovação da população
habitantes, além do Governador nomeado na forma desta diretamente interessada, através de plebiscito, e do
Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e Congresso Nacional, por lei complementar”) deve ser
segunda instância, membros do Ministério Público e
entendida como a população tanto da área desmembrada
defensores públicos federais; a lei disporá sobre as
eleições para a Câmara Territorial e sua competência
do Estado-membro como a da área remanescente. (...).
deliberativa. Dever-se-ia adotar interpretação sistemática da
Constituição, para se extrair do termo “população
Mesmo em Territórios Federais com menos de 100 mil diretamente interessada” o significado de que, na hipótese
habitantes haverá governador indicado pelo Presidente da de desmembramento, caberia a consulta, mediante
República, cuja posse depende de aprovação pelo Senado plebiscito, a toda população do Estado ou do Município, e
Federal (art. 52, III, “c” e art. 84, XIV). não somente a da área a ser destacada, porquanto isso
fortaleceria os princípios da soberania popular e da
Qualquer Território Federal terá atuação judiciária, do cidadania (...). (STF ADI 2650/DF, rel. Min. Dias Toffoli,
Ministério Público e da Defensoria Pública, porém, como a 24.8.2011).
redação bem indica, a diferença é que, nos Territórios com
mais de cem mil habitantes, esses órgãos e agentes
§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o
públicos estarão atuando no local, sendo que, nos demais,
desmembramento de Municípios far-se-ão por lei estadual,
atuarão a partir do Distrito Federal.
dentro do período determinado por lei complementar
Caso exista Território, o mesmo elegerá deputados federal, e dependerão de consulta prévia, mediante
federais, nos moldes do art. 45, da CF/88, porém não plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após
elegerá senadores (art. 46). divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal,
apresentados e publicados na forma da lei. (Redação dada
Dispositivos correspondentes: arts. 14 e 15 do ADCT.
pela EC 15, de 1996)
§ 3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se São requisitos fundamentais: a) realização e divulgação dos
ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou Estudos de Viabilidade Municipal, cujos requisitos genéricos
formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante exigíveis e a forma de divulgação, apresentação e publicação
aprovação da população diretamente interessada através serão mediante lei federal; b) convocação de plebiscito
de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei entre as populações dos Municípios envolvidos, pela
complementar. Assembleia Legislativa do Estado; c) realização do plebiscito
A divisão política-administrativa interna da Federação pela Justiça Eleitoral; d) se aprovado o movimento,
Brasileira não é imutável. oferecimento do projeto de lei ordinária estadual de
criação, na época permitida por lei complementar federal,
São requisitos fundamentais: a) plebiscito (condição prévia, que fixa genericamente o período de criação, incorporação,
essencial e prejudicial), b) propositura do projeto de lei fusão e desmembramento de municípios.
complementar, que deverá ser aprovada pelo Congresso
Nacional. Vale dizer que a EC 57/2008, que acrescentou o art. 96 ao
ADCT, convalidou as situações ocorridas até o dia
31.12.2006, considerando que a lei complementar
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supracitada não foi promulgada. (O projeto desta lei I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los,
complementar foi recentemente aprovado, mas o processo embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou
legislativo ainda não foi concluído). seus representantes relações de dependência ou aliança,
Art. 96. Ficam convalidados os atos de criação, fusão, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse
incorporação e desmembramento de Municípios, cuja lei público;
tenha sido publicada até 31 de dezembro de 2006,
O Brasil é um Estado laico, inexistindo religião oficial, como
atendidos os requisitos estabelecidos na legislação do
respectivo Estado à época de sua criação.
já fora destacado anteriormente, entretanto a relação ora
vedada não é absoluta, uma vez que excepcionalmente
 Jurisprudência relacionada ao tema: poderá haver aliança para a colaboração de interesse
público, na forma da lei.
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N.
7.619/00, DO ESTADO DA BAHIA, QUE CRIOU O MUNICÍPIO Dispositivos correspondentes: arts. 150, VI, b, 210, § 1º e
DE LUÍS EDUARDO MAGALHÃES. INCONSTITUCIONALIDADE 215, § 2º, da CF.
DE LEI ESTADUAL POSTERIOR À EC 15/96. AUSÊNCIA DE LEI II - recusar fé aos documentos públicos;
COMPLEMENTAR FEDERAL PREVISTA NO TEXTO
CONSTITUCIONAL. AFRONTA AO DISPOSTO NO ARTIGO 18, § Documento público, passado por autoridade pública, tem a
4º, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. (...). 1. O Município foi seu favor a presunção de legitimidade, que só pode ser
efetivamente criado e assumiu existência de fato, há mais vencida por prova definitiva em contrário, após processo
de seis anos, como ente federativo. 2. Existência de fato do regular. Desta forma, a União não pode negar fé a
Município, decorrente da decisão política que importou na documento expedido por órgão oficial do Distrito Federal,
sua instalação como ente federativo dotado de autonomia. do Estado ou dos Municípios, e, assim, uns em relação aos
Situação excepcional consolidada, de caráter institucional, outros.
político. Hipótese que consubstancia reconhecimento e
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre
acolhimento da força normativa dos fatos. 3. Esta Corte não
si.
pode limitar-se à prática de mero exercício de subsunção. A
situação de exceção, situação consolidada – embora ainda As distinções entre brasileiros natos e naturalizados e
não jurídica – não pode ser desconsiderada. 4. A exceção preferências entre os Entes Federativos (União, Estados-
resulta de omissão do Poder Legislativo, visto que o membros, Distrito Federal e Municípios) são matérias
impedimento de criação, incorporação, fusão e exclusivamente constitucionais.
desmembramento de Municípios, desde a promulgação da
Princípio da Isonomia Federativa.
Emenda Constitucional 15, em 12 de setembro de 1996,
devem-se à ausência de lei complementar federal. 5. Dispositivo correspondente: art. 22, § único, da CF/88.
Omissão do Congresso Nacional que inviabiliza o que a
Constituição autoriza: a criação de Município. A não edição BENS PÚBLICOS
da lei complementar dentro de um prazo razoável
consubstancia autêntica violação da ordem constitucional. Art. 20. São bens da União:
(...) No aparente conflito de inconstitucionalidades impor- I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a
se-ia o reconhecimento da existência válida do Município, a ser atribuídos;
fim de que se afaste a agressão à federação. 10. O princípio
da segurança jurídica prospera em benefício da preservação Entende-se que o rol não é taxativo.
do Município. 11. Princípio da continuidade do Estado. 12.
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das
Julgamento no qual foi considerada a decisão desta Corte no
fronteiras, das fortificações e construções militares, das
MI 725, quando determinado que o Congresso Nacional, no
vias federais de comunicação e à preservação ambiental,
prazo de dezoito meses, ao editar a lei complementar
definidas em lei;
federal referida no § 4º do artigo 18 da Constituição do
Brasil, considere, reconhecendo-a, a existência consolidada São bens públicos dominicais, constituem o patrimônio
do Município de Luís Eduardo Magalhães. Declaração de disponível, sem destinação específica. As demais terras
inconstitucionalidade da lei estadual sem pronúncia de sua devolutas pertencem aos Estados, onde estiverem
nulidade 13. Ação direta julgada procedente para declarar a localizadas (art. 26, IV).
inconstitucionalidade, mas não pronunciar a nulidade pelo
prazo de 24 meses, da Lei n. 7.619, de 30 de março de 2000, III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em
do Estado da Bahia. (STF ADI 2.240/BA. Rel. Min. Eros Grau. terrenos de seu domínio ou que banhem mais de um
DJ 03.08.2007). Estado, sirvam de limites com outros países, ou se
estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem
VEDAÇÕES como os terrenos marginais e as praias fluviais;
Terrenos marginais são as áreas de terra às margens dos
Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal cursos de água, até uma distância de 15 metros, medidos do
e aos Municípios: ponto médio das enchentes normais dos rios.

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As praias fluviais é a parte dos terrenos marginais lavadas São, principalmente, as quedas d’água, mesmo que
pelas cheias normais desses cursos de água. localizadas em rios estaduais ou em terras articulares.
IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com IX - os recursos minerais inclusive os do subsolo;
outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as
costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de De sua exploração participam as entidades mencionadas no
Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço § 1º deste artigo e também o particular dono da terra em
público e a unidade ambiental federal, e as referidas no que seja descoberta a jazida, conforme consta no art. 176,
artigo 26, II; (Redação dada pela EC 46, de 2005) § 2º da CF, que diz: “É assegurada participação ao
proprietário do solo nos resultados da lavra, na forma e no
Primeiramente, as ilhas fluviais e lacustres somente serão valor que dispuser a lei”.
bens da União se estiverem localizadas no trecho de rio ou
lago que faça fronteira entre o Brasil e outro país. As outras X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios
pertenceram aos Estados-membros onde estiverem arqueológicos e pré-históricos;
localizadas (art. 26, III).
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
Praias marítimas são as áreas continentais cobertas e
descobertas pelo movimento das marés. As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios estão
definidas no art. 231, § 1º. Os índios, nessas terras, não são
Ilhas oceânicas são as que estão afastadas da costa e têm
proprietários, são possuidores e detentores de usufruto, de
ligação com o relevo do continente por profundidade maior
caráter permanente, nos termos do art. 231, § 2º, senão
do que 200 metros. Ilhas costeiras são as próximas à costa, e
vejamos:
cuja formação é um prolongamento do relevo submarino da
plataforma continental, estando ligadas ao continente por Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização
profundidade de até 200 metros. Estados, Municípios e social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos
terceiros podem ser proprietários de terras tanto nas ilhas originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam,
competindo à União demarcá-las, proteger e fazer
oceânicas quanto nas costeiras, a teor do art. 26, II.
respeitar todos os seus bens.
V - os recursos naturais da plataforma continental e da § 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as
zona econômica exclusiva; por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas
para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à
A título de informação, zona contígua é a “... faixa que se preservação dos recursos ambientais necessários a seu
estende das 12 as 24 milhas marítimas, contadas das linhas bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e
de base que servem para medir a largura do mar territorial”. cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
§ 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios
(art. 4º, da Lei 8.617/93), zona econômica exclusiva é a
destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o
“... faixa que se estende das 12 as 200 milhas marítimas, usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos
contadas a partir das linhas de base que servem para medir lagos nelas existentes.
a largura do mar territorial” (art. 6º, da Lei 8.617/93), e
plataforma continental é o “... leito ou subsolo das águas  Jurisprudência relacionada ao tema:
marítimas que se estendem além do seu mar territorial, em
SÚMULA 650, STF. Os incisos I e XI do art. 20 da Constituição
toda a extensão do prolongamento natural de seu território
Federal não alcançam terras de aldeamentos extintos, ainda
terrestre, até o bordo exterior da margem continental, ou
que ocupadas por indígenas em passado remoto.
até uma distância de 200 milhas marítimas das linhas de
base, a partir das quais se mede a largura do mar territorial, SÚMULA 479, STF. As margens dos rios navegáveis são
nos casos em que o bordo exterior da margem continental domínio público, insuscetíveis de expropriação e, por isso
não atinja essa distância” (art. 11, da Lei 8.617/93). mesmo, excluídas de indenização.
VI - o mar territorial;
§ 1º E assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao
Mar territorial é a “... faixa de 12 milhas de largura, Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da
medidas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental administração direta da União, participação no resultado
e insular brasileiro...” (art. 1º, da Lei 8.617/93). da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos
hídricos para fins de geração de energia elétrica e de
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; outros recursos minerais no respectivo território,
Terrenos de marinha são as terras marginais ao mar ou à plataforma continental, mar territorial ou zona econômica
foz de rios navegáveis, até a distância de 33 metros, exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração.
continente adentro, medidos da linha de preamar médio.
Sua utilização depende de autorização federal, exceto se § 2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de
área urbana ou urbanizável, caso em que é competência do largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como
Município. Os acrescidos são formados por terra conduzida faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa
e depositada pela caudal dos cursos de água. do território nacional, e sua ocupação e utilização serão
reguladas em lei.
VIII - os potenciais de energia hidráulica;
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A faixa de fronteira é de interesse da segurança nacional. É a) Reserva de campos específicos de competência


possível a existência, nela, de propriedades particulares, administrativa e legislativa
mas sempre sujeitas, na sua exploração e manutenção, à
UNIÃO - poderes enumerados (arts. 21 e 22).
permissão federal.
ESTADOS - poderes remanescentes (arts. 25, § 1º).
 Jurisprudência relacionada ao tema:
MUNICÍPIOS - poderes enumerados (art. 30)
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
INCISO X DO ART. 7º DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO RIO DISTRITO FEDERAL - poderes enumerados e remanescentes
GRANDE DO SUL. BENS DO ESTADO. TERRAS DOS EXTINTOS (art. 32, § 1º).
ALDEAMENTOS INDÍGENAS. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 20, I E XI,
b) Possibilidade de delegação (art. 22, § único);
22, CAPUT E INCISO I, E 231 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
INTERPRETAÇÃO CONFORME. EXTINÇÃO OCORRIDA ANTES c) Áreas comuns de atuação administrativa paralela (art.
DO ADVENTO DA CONSTITUIÇÃO DE 1891. ADI JULGADA 23);
PARCIALMENTE PROCEDENTE. I - A jurisprudência do
d) Áreas de atuação legislativa concorrentes (art. 24).
Supremo Tribunal Federal, por diversas vezes, reconheceu
que as terras dos aldeamentos indígenas que se extinguiram
COMPETÊNCIA DA UNIÃO
antes da Constituição de 1891, por haverem perdido o
caráter de bens destinados a uso especial, passaram à No artigo que se estuda adiante está a competência
categoria de terras devolutas. II - Uma vez reconhecidos administrativa exclusiva da União, também chamada de
como terras devolutas, por força do artigo 64 da competência não legislativa.
Constituição de 1891, os aldeamentos extintos
Verifica-se, ainda, a dupla posição da União: como pessoa
transferiram-se ao domínio dos Estados. III – ADI julgada
de direito internacional, representando a República
procedente em parte, para conferir interpretação conforme
Federativa do Brasil (exemplos: incisos I e II) e como pessoa
à Constituição ao dispositivo impugnado, a fim de que a sua
de direito interno (exemplo: inciso VII).
aplicação fique adstrita aos aldeamentos indígenas extintos
antes da edição da primeira Constituição Republicana. (STF Art. 21. Compete à União:
ADI 255/RS - Rel. Min. Ilmar Galvão, Pleno, DJ 24.05.2011)
I - manter relações com Estados estrangeiros e participar
de organizações internacionais;
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:
II - declarar a guerra e celebrar a paz
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes,
emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na III - assegurar a defesa nacional;
forma da lei, as decorrentes de obras da União;
IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou
no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, nele permaneçam temporariamente;
Municípios ou terceiros;
V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; intervenção federal;
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de
União. material bélico;
VII - emitir moeda;
COMPETÊNCIAS VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as
operações de natureza financeira, especialmente as de
José Afonso da Silva conceitua competência, dizendo: crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e
“... faculdade juridicamente atribuída a uma entidade, órgão de previdência privada;
ou agente do Poder Público para emitir decisões.
Competências são as diversas modalidades de poder de que IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de
se servem os órgãos ou entidades estatais para realizar suas ordenação do território e de desenvolvimento econômico
funções”. e social;
Doutrinariamente, há uma classificação com base no X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
princípio da predominância do interesse. Na União XI - explorar, diretamente ou mediante autorização,
predomina o interesse geral, nos Estados predomina o concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações,
interesse regional, nos Municípios predomina o interesse nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos
local e no Distrito Federal predomina o interesse regional e serviços, a criação de um órgão regulador e outros
local. aspectos institucionais; (Redação dada pela EC 8, de 1995)
O legislador adotou quatro pontos básicos no regramento XII - explorar, diretamente ou mediante autorização,
constitucional para dividir as competências administrativas concessão ou permissão:
e legislativas, quais sejam:
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a) os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens; b) sob regime de permissão, são autorizadas a
(Redação dada pela EC 8, de 1995) comercialização e a utilização de radioisótopos para a
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais; (Redação
dada pela EC 49, de 2006)
aproveitamento energético dos cursos de água, em
articulação com os Estados onde se situam os potenciais c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção,
hidroenergéticos; (Redação dada pela EC 8, de 1995) comercialização e a utilização de radioisótopos de meia-
vida igual ou inferior a duas horas; (Redação dada pela EC
c) a navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura 49, de 2006)
aeroportuária;
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe
d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre da existência de culpa; (Incluída pela EC 49, de 2006)
portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que
transponham os limites de Estado ou Território; XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do
trabalho;
e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e
internacional de passageiros; XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício
da atividade de garimpagem, em forma associativa.
f) os portos marítimos, fluviais e lacustres.
No próximo artigo consta a competência legislativa
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério
privativa da União, ou seja, matérias sobre as quais
Público do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria somente poderá haver lei federal.
Pública dos Territórios; (Redação dada pela EC 69, de 2012)
Entretanto, haverá possibilidade de delegação dessa
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o
competência nos termos do § único do mesmo dispositivo.
corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como
prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a A competência delegatória possui requisitos explícitos, pois
execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio; exige lei complementar (requisito formal), “questões
(Redação dada pela EC 19, de 1998) específicas” das matérias relacionadas (requisito material) e
requisito implícito, subentendido por conta do estabelecido
XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística,
no inciso III do art. 19, da CF/88, uma vez que é vedada
geografia, geologia e cartografia de âmbito nacional;
preferências entre os entes federativos.
XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de
Delegação que também será dada ao Distrito Federal,
diversões públicas e de programas de rádio e televisão;
embora o texto não explicite (art. 32, § 1º).
XVII - conceder anistia;
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as
calamidades públicas, especialmente as secas e as I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral,
inundações; agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;

XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de II - desapropriação;


recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos III - requisições civis e militares, em caso de iminente
de seu uso; perigo e em tempo de guerra;
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, IV - água, energia, informática, telecomunicações e
inclusive habitação, saneamento básico e transportes radiodifusão;
urbanos;
V - serviço postal;
XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema
nacional de viação; VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias
dos metais;
XXII - executar os serviços de polícia marítima,
aeroportuária e de fronteiras; (Redação dada pela EC 19, de VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de
1998) valores;

XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de VIII - comércio exterior e Interestadual;


qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a IX - diretrizes da política nacional de transportes;
pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a
industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial,
derivados, atendidos os seguintes princípios e condições: marítima, aérea e aeroespacial;

a) toda atividade nuclear em território nacional somente XI - trânsito e transporte;


será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;
Congresso Nacional;
XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização;
XIV - populações indígenas;
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XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão de 13 de outubro de 1997. Revista íntima em funcionários
de estrangeiros; de estabelecimentos industriais, comerciais e de serviços
com sede ou filiais no Estado. Proibição. Matéria
XVI - organização do sistema nacional de emprego e concernente a relações de trabalho. Usurpação de
condições para o exercício de profissões; competência privativa da União. Ofensa aos arts. 21, XXIV, e
XVII - organização judiciária, do Ministério Público do 22, I, da CF. Vício formal caracterizado. Ação julgada
Distrito Federal e dos Territórios e da Defensoria Pública procedente. Inconstitucionalidade por arrastamento, ou
dos Territórios, bem como organização administrativa consequência lógico-jurídica, do decreto regulamentar. É
destes; (Redação dada pela EC 69, de 2012) inconstitucional norma do Estado ou do Distrito Federal que
disponha sobre proibição de revista íntima em empregados
XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de de estabelecimentos situados no respectivo território. (STF
geologia nacionais; ADI 2.947, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 5-5-2010,
XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da Plenário, DJE de 10-9-2010).
poupança popular; EMENTA. Ação direta de inconstitucionalidade. Lei
XX - sistemas de consórcios e sorteios; 6.457/1993, do Estado da Bahia. 2. Obrigatoriedade de
instalação de cinto de segurança em veículos de transporte
XXI - normas gerais de organização, efetivos, material
coletivo. Matéria relacionada a trânsito e transporte.
bélico, garantias, convocação e mobilização das polícias
Competência exclusiva da União (CF, art. 22, XI). 3.
militares e corpos de bombeiros militares;
Inexistência de lei complementar para autorizar os Estados a
XXII - competência da policia federal e das polícias legislar sobre questão específica, nos termos do art. 22,
rodoviária e ferroviária federais; parágrafo único, da Constituição Federal. 4. Ação direta
julgada procedente.(STF ADI 874, Rel. Min. Gilmar Mendes,
XXIII - seguridade social;
julgamento em 3-2-2011, Plenário, DJE de 28-2-2011).
XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;
EMENTA. Ação direta. Lei 2.769/2001, do Distrito Federal.
XXV - registros públicos; Competência Legislativa. Direito do trabalho. Profissão de
motoboy. Regulamentação. Inadmissibilidade. Regras sobre
XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza;
direito do trabalho, condições do exercício de profissão e
XXVII - normas gerais de licitação e contratação, em todas trânsito. Competências exclusivas da União. Ofensa aos arts.
as modalidades, para as administrações públicas diretas, 22, incs. I e XVI, e 23, inc. XII, da CF. Ação julgada
autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito procedente. Precedentes. É inconstitucional a lei distrital ou
Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, estadual que disponha sobre condições do exercício ou
e para as empresas públicas e sociedades de economia criação de profissão, sobretudo quando esta diga à
mista nos termos do art. 173, § 1º, III. (Redação dada pela segurança de trânsito. (STF ADI 3610/DF, rel. Min. Cezar
EC 19, de 1998) Peluso, 1º.8.2011)
XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
marítima, defesa civil e mobilização nacional; ARTIGO 2º, §§ 1º E 2º, DA LEI 4.711/92 DO ESTADO DO
ESPÍRITO SANTO. ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS EM
XXIX - propaganda comercial.
ÁREAS PARTICULARES. LEI ESTADUAL QUE LIMITA O VALOR
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os DAS QUANTIAS COBRADAS PELO SEU USO. DIREITO CIVIL.
Estados a legislar sobre questões especificas das matérias INVASÃO DE COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA UNIÃO. 1.
relacionadas neste artigo. Hipótese de inconstitucionalidade formal por invasão de
competência privativa da União para legislar sobre direito
Lei Complementar 103/2000.
civil (CF, artigo 22, I). 2. Enquanto a União regula o direito de
 Jurisprudência relacionada ao tema: propriedade e estabelece as regras substantivas de
intervenção no domínio econômico, os outros níveis de
SÚMULA VINCULANTE 2. É inconstitucional a lei ou ato
governo apenas exercem o policiamento administrativo do
normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas
uso da propriedade e da atividade econômica dos
de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.
particulares, tendo em vista, sempre, as normas
SÚMULA VINCULANTE 39. Compete privativamente à União substantivas editadas pela União. Ação julgada procedente.
legislar sobre vencimentos dos membros das polícias civil e (STF ADI 1.918 ES, Rel. Maurício Corrêa, Julgamento
militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal. 23/08/2001, Tribunal Pleno, DJ 01/08/2003)
SÚMULA VINCULANTE 46. São da competência legislativa da EMENTA. (...). Competência normativa. Telefonia. Assinatura
União a definição dos crimes de responsabilidade e o básica mensal. Surge conflitante com a Carta da República
estabelecimento das respectivas normas de processo e lei local a dispor sobre a impossibilidade de cobrança de
julgamento. assinatura básica mensal pelas concessionárias de serviços
de telecomunicações. (ADI 4.369, rel. min. Marco Aurélio, j.
EMENTA. Ação Direta. Lei 2.749, de 23 de junho de 1997, do
15-10-2014, P, DJE de 3-11-2014)
Estado do Rio de Janeiro, e Decreto Regulamentar 23.591,
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EMENTA. (...). A definição de regras de competência, na consubstancia um exemplo típico de exercício, pelo
medida em que estabelece limites e organiza a prestação da legislador federado, da figura da competência privativa
atividade jurisdicional pelo Estado, é um dos componentes delegada. A expressão “que o fixe a maior” contida
básicos do ramo processual da ciência jurídica, cuja no caput do art. 1º da Lei estadual 5.627/2009 tornou os
competência legislativa foi atribuída, pela CF de 1988, valores fixados na lei estadual aplicáveis, inclusive, aos
privativamente à União (art. 22, I, CF/88). (...) A fixação da trabalhadores com pisos salariais estabelecidos em lei
competência dos juizados especiais cíveis e criminais é federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho inferiores
matéria eminentemente processual, de competência a esse. A inclusão da expressão extrapola os limites da
privativa da União, não se confundindo com matéria delegação legislativa advinda da LC 103/2000, violando,
procedimental em matéria processual, essa, sim, de assim, o art. 22, inciso I e § único, da CF, por invadir a
competência concorrente dos estados-membros. (STF ADI competência da União para legislar sobre direito do
1.807, rel. min. Dias Toffoli, j. 30-10-2014, P, DJE de 9-2- trabalho. (STF ADI 4.391, rel. min. Dias Toffoli, j. 2-3-2011,
2015.) P, DJE de 20-6-2011)
EMENTA. (...). É formalmente inconstitucional a lei estadual
COMPETÊNCIA DOS ENTES FEDERATIVOS
que cria restrições à comercialização, à estocagem e ao
trânsito de produtos agrícolas importados no Estado, ainda O artigo que se segue especifica a competência
que tenha por objetivo a proteção da saúde dos administrativa comum dos Entes Federativos, conhecida
consumidores diante do possível uso indevido de por paralela ou cumulativa.
agrotóxicos por outros países. A matéria é
predominantemente de comércio exterior e interestadual, Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do
sendo, portanto, de competência privativa da União (CF, art. Distrito Federal e dos Municípios:
22, inciso VIII). (STF ADI 3.813, rel. min. Dias Toffoli, j. 12-2- I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das
2015, P, DJE de 20-4-2015.) instituições democráticas e conservar o patrimônio
EMENTA. (...). A Lei Distrital 919/1995 tratou de operação público;
de crédito de instituição financeira pública, matéria de II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e
competência privativa da União, nos termos dos arts. 21, garantia das pessoas portadoras de deficiência;
VIII, e 22, VII, da Constituição. A relevância das atividades
desempenhadas pelas instituições financeiras, sejam III - proteger os documentos, as obras e outros bens de
públicas ou privadas, demanda a existência de um valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as
coordenação centralizada das políticas de crédito e de paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
regulação das operações de financiamento, impedindo os
Estados de legislarem livremente acerca das modalidades de IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de
crédito praticadas pelos seus bancos públicos. (STF ADI obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico
1.357, rel. min. Roberto Barroso, j. 25-11-2015, P, DJE de 1º- ou cultural;
2-2016) V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação,
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação; (Redação
LIMINAR CONCEDIDA AD REFERENDUM DO PLENÁRIO. dada pela EC 85, de 2015)
PROXIMIDADE DO RECESSO. IMPOSSIBILIDADE DE VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em
SUBMISSÃO AO COLEGIADO. PRESENTES A qualquer de suas formas
VEROSSIMILHANÇA DO DIREITO (FUMUS BONI IURIS) PELA
POSSÍVEL OFENSA À COMPETÊNCIA DA UNIÃO E O PERIGO VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
DE DANO PELA DEMORA (PERICULUM IN MORA) PELO VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o
IMINENTE PREJUÍZO AO ERÁRIO PÚBLICO. LEI ESTADUAL abastecimento alimentar;
NÃO PODE AFASTAR A EXIGÊNCIA DE REVALIDAÇÃO DE
DIPLOMA OBTIDO EM INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR IX - promover programas de construção de moradias e a
DOS PAÍSES MEMBROS DO MERCOSUL PARA A CONCESSÃO melhoria das condições habitacionais e de saneamento
DE BENEFÍCIOS E PROGRESSÕES A SERVIDORES PÚBLICOS. básico;
REFERENDO DA DECISÃO PELO PLENÁRIO. (STF ADI 5.341 X - combater as causas da pobreza e os fatores de
MC, rel. min. Edson Fachin, j. 10/03/2016, Dj 29/03/2016) marginalização, promovendo a integração social dos
EMENTA. (...). A competência legislativa do Estado do Rio de setores desfavorecidos;
Janeiro para fixar piso salarial decorre da LC Federal 103, de XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de
2000, mediante a qual a União, valendo-se do disposto no direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e
art. 22, inciso I e parágrafo único, da Carta Maior, delegou minerais em seus territórios;
aos Estados e ao Distrito Federal a competência para
instituir piso salarial para os empregados que não tenham XII - estabelecer e implantar política de educação para a
esse mínimo definido em lei federal, convenção ou acordo segurança do trânsito.
coletivo de trabalho. Trata-se de lei estadual que

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Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;
a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal XII - assistência jurídica e defensoria pública;
e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do
desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras
(Redação dada pela EC 53, de 2006) de deficiência;

Por fim, tem-se a competência legislativa concorrente da XV - proteção à infância e à juventude;


União, Estados-membros e Distrito Federal (vertical, não XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias
cumulativa). civis.
A competência da União sobre as matérias deste artigo se § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência
limita ao estabelecimento de normas gerais, possuindo os da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais.
Estados-membros e do Distrito Federal competência
legislativa suplementar, em face da verticalidade. § 2º Competência da União para legislar sobre normas
gerais não exclui a competência suplementar dos Estados.
Verifica-se que os Municípios não têm competência
legislativa concorrente, mas podem suplementar (art. 30, II). § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados
exercerão a competência legislativa plena, para atender a
Os Estados-membros e o Distrito Federal, diante da inércia suas peculiaridades.
federal para fazer a lei sobre as normas gerais, poderão
exercer a competência plena sobre normas gerias e sobre § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais
seu detalhamento, para uso próprio. suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for
contrário.
Caso, posteriormente, o Ente Federal legisle sobre as
normas gerias, para resolver o conflito temporal de normas  Jurisprudência relacionada ao tema:
gerais, é possível, contudo, a aplicação concomitante das
normas gerais nacionais, das normas gerais estaduais ou EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N.
distritais e das normas específicas estaduais e distritais, já 7.844/92, DO ESTADO DE SÃO PAULO. MEIA ENTRADA
que a Constituição, claramente, fala em suspensão das ASSEGURADA AOS ESTUDANTES REGULARMENTE
normas gerais estaduais ou distritais no que forem MATRICULADOS EM ESTABELECIMENTOS DE ENSINO.
contrárias às nacionais, já que não é possível, juridicamente, INGRESSO EM CASAS DE DIVERSÃO, ESPORTE, CULTURA E
a uma lei nacional ou federal revogar leis estaduais ou LAZER. COMPETÊNCIA CONCORRENTE ENTRE A UNIÃO,
distritais. ESTADOS-MEMBROS E O DISTRITO FEDERAL PARA LEGISLAR
SOBRE DIREITO ECONÔMICO. CONSTITUCIONALIDADE.
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal LIVRE INICIATIVA E ORDEM ECONÔMICA. MERCADO.
legislar concorrentemente sobre: INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA. ARTIGOS 1º, 3º,
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e 170, 205, 208, 215 e 217, §3º, DA CONSTITUIÇÃO DO
urbanístico; BRASIL. (...) 4. Se de um lado a Constituição assegura a livre
iniciativa, de outro determina ao Estado a adoção de todas
II - orçamento; as providências tendentes a garantir o efetivo exercício do
III - juntas comerciais; direito à educação, à cultura e ao desporto [artigos 23,
inciso V, 205, 208, 215 e 217 § 3º, da Constituição]. Na
IV - custas dos serviços forenses; composição entre esses princípios e regras há de ser
V - produção e consumo; preservado o interesse da coletividade, interesse público
primário. 5. O direito ao acesso à cultura, ao esporte e ao
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, lazer, são meios de complementar a formação dos
defesa, do solo e dos recursos naturais, proteção do meio estudantes. 6. Ação direta de inconstitucionalidade julgada
ambiente e controle da poluição; improcedente. (STF ADI 1950, Rel. Min. Eros Grau, Plenário,
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, DJ de 2-6-2006).
turístico e paisagístico; EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao DISTRITAL 3.694, DE 8 DE NOVEMBRO DE 2005, QUE
consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, REGULAMENTA O § 1º DO ART. 235 DA LEI ORGÂNICA DO
histórico, turístico e paisagístico; DISTRITO FEDERAL QUANTO À OFERTA DE ENSINO DA
LÍNGUA ESPANHOLA AOS ALUNOS DA REDE PÚBLICA DO
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, DISTRITO FEDERAL. AUSÊNCIA DE AFRONTA À
tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação; CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. 1. Competência concorrente
(Redação dada pela EC 85, de 2015) entre a União, que define as normas gerais e os entes
X - criação, funcionamento e processo do juizado de estaduais e Distrito Federal, que fixam as especificidades, os
pequenas causas; modos e meios de cumprir o quanto estabelecido no art. 24,
inc. IX, da Constituição da República, ou seja, para legislar
XI - procedimentos em matéria processual; sobre educação. 2. O art. 22, inc. XXIV, da Constituição da

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República enfatiza a competência privativa do legislador caso ora em análise; e (b) quando a União edita norma geral
nacional para definir as diretrizes e bases da educação sobre o tema, a ser observada em todo território nacional,
nacional, deixando as singularidades no âmbito de cabendo ao estado a respectiva suplementação, a fim de
competência dos Estados e do Distrito Federal. 3. Ação adequar as prescrições às suas particularidades locais. 4.
direta de inconstitucionalidade julgada improcedente. (STF Não havendo norma geral da União regulando a matéria, os
ADI 3.669, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 18-6- estados-membros estão autorizados a legislar
2007, Plenário, DJ de 29-6-2007). supletivamente no caso, como o fizeram os Estados do
Espírito Santo e do Rio de Janeiro, até que sobrevenha
EMENTA. (...). Nas hipóteses de competência concorrente
disposição geral por parte da União. 5. Ação direta julgada
(CF, art. 24), nas quais se estabelece verdadeira situação de
improcedente. (STF ADI 2818, Relator(a): Min. DIAS
condomínio legislativo entre a União Federal e os Estados-
TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 09/05/2013, ACÓRDÃO
membros (Raul Machado Horta, Estudos de Direito
ELETRÔNICO DJe-148 DIVULG 31-07-2013 PUBLIC 01-08-
Constitucional, p. 366, item 2, 1995, Del Rey), daí resultando
2013).
clara repartição vertical de competências normativas, a
jurisprudência do STF firmou-se no sentido de entender EMENTA. (...) O Município é competente para legislar sobre
incabível a ação direta de inconstitucionalidade, se, para o meio ambiente com União e Estado, no limite de seu
específico efeito de examinar-se a ocorrência, ou não, de interesse local e desde que tal regramento seja e harmônico
invasão de competência da União Federal, por parte de com a disciplina estabelecida pelos demais entes federados
qualquer Estado-membro, tornar-se necessário o confronto (art. 24, VI c/c 30, I e II da CRFB). (STF RE 586.224, rel.
prévio entre diplomas normativos de caráter min. Luiz Fux, j. 5-3-2015, P, DJE de 8-5-2015, com
infraconstitucional: a legislação nacional de princípios ou de repercussão geral.)
normas gerais, de um lado (CF, art. 24, § 1º), e as leis
EMENTA. (...) A legislação que disciplina o inquérito policial
estaduais de aplicação e execução das diretrizes fixadas pela
não se inclui no âmbito estrito do processo penal, cuja
União Federal, de outro (CF, art. 24, § 2º). Precedentes. É
competência é privativa da União (art. 22, I, CF), pois o
que, tratando-se de controle normativo abstrato, a
inquérito é procedimento subsumido nos limites da
inconstitucionalidade há de transparecer de modo imediato,
competência legislativa concorrente, a teor do art. 24, XI, da
derivando, o seu reconhecimento, do confronto direto que
CF de 1988, tal como já decidido reiteradamente pelo STF. O
se faça entre o ato estatal impugnado e o texto da própria
procedimento do inquérito policial, conforme previsto pelo
CR. (...). (STF ADI 2.344-QO, Rel. Min. Celso de Mello,
CPP, torna desnecessária a intermediação judicial quando
julgamento em 23-11-2000, Plenário, DJ de 2-8-2002).
ausente a necessidade de adoção de medidas constritivas
EMENTA. Ação direta de inconstitucionalidade. Lei 3.874, de de direitos dos investigados, razão por que projetos de
24 de junho de 2002, do Estado do Rio de Janeiro, a qual reforma do CPP propõem a remessa direta dos autos ao
disciplina a comercialização de produtos por meio de Ministério Público. No entanto, apesar de o disposto no
vasilhames, recipientes ou embalagens reutilizáveis. inciso IV do art. 35 da LC 106/2003 se coadunar com a
Inconstitucionalidade formal. Inexistência. Competência exigência de maior coerência no ordenamento jurídico, a
concorrente dos estados-membros e do Distrito Federal sua inconstitucionalidade formal não está afastada, pois
para legislar sobre normas de defesa do consumidor. insuscetível de superação com base em avaliações
Improcedência do pedido. 1. A Corte teve oportunidade, na pertinentes à preferência do julgador sobre a correção da
ADI 2.359/ES, de apreciar a constitucionalidade da Lei opção feita pelo legislador dentro do espaço que lhe é dado
5.652/98 do Estado do Espírito Santo, cuja redação é para livre conformação. Assim, o art. 35, IV, da Lei
absolutamente idêntica à da lei ora questionada. Naquela Complementar estadual 106/2003 é inconstitucional ante a
ocasião, o Plenário julgou improcedente a ação direta de existência de vício formal, pois extrapolada a competência
inconstitucionalidade, por entender que o ato normativo se suplementar delineada no art. 24, § 1º, da CF de 1988. (STF
insere no âmbito de proteção do consumidor, de ADI 2.886, rel. p/ o ac. min. Joaquim Barbosa, j. 3-4-2014,
competência legislativa concorrente da União e dos estados P, DJE de 5-8-2014.)
(art. 24, V e VIII, CF/88). 2. As normas em questão não
disciplinam matéria atinente ao direito de marcas e COMPETÊNCIA DOS ESTADOS FEDERADOS
patentes ou à propriedade intelectual – matéria disciplinada
pela Lei federal 9.279 -, limitando-se a normatizar acerca da Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas
proteção dos consumidores no tocante ao uso de Constituições e leis que adotarem, observados os
recipientes, vasilhames ou embalagens reutilizáveis, sem princípios desta Constituição.
adentrar na normatização acerca da questão da propriedade Há, aqui, a previsão de exercício, pelos Estados, do poder
de marcas e patentes. 3. Ao tempo em que dispõe sobre a constituinte decorrente, pelo qual eles elaborarão a sua
competência legislativa concorrente da União e dos estados- própria Constituição, dentro dos limites fixados pela
membros, prevê o art. 24 da Carta de 1988, em seus Constituição Federal (art. 11 do ADCT). Os Estados
parágrafos, duas situações em que compete ao estado- federados devem respeitar os princípios sensíveis (art. 36,
membro legislar: (a) quando a União não o faz e, assim, o VII), os princípios extensíveis e os estabelecidos de forma
ente federado, ao regulamentar uma das matérias do art. explícita ou implícita em todo texto constitucional.
24, não encontra limites na norma federal geral – que é o

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A autonomia estatal caracteriza-se pela capacidade de auto competentes para explorar e regulamentar a prestação de
organização e normatização própria, autogoverno e serviços de transporte intermunicipal. 2. Servidores
autoadministração. Os Estados-membros se auto organizam públicos não têm direito adquirido a regime jurídico.
por meio do exercício de seu poder constituinte derivado Precedentes. 3. A prestação de transporte urbano,
decorrente (art. 25, caput). O autogoverno evidencia-se pelo consubstanciando serviço público de interesse local, é
fato do próprio povo do Estado escolher diretamente seu matéria albergada pela competência legislativa dos
representante nos poderes locais (arts. 27, 28 e 125). E se Municípios, não cabendo aos Estados-membros dispor a seu
auto administram no exercício de suas competências respeito. 4. Pedido de declaração de inconstitucionalidade
administrativas, legislativas e tributárias definidas julgado parcialmente procedente. (STF ADI 2349 ES, Rel.
constitucionalmente (art. 25, § 1º ao § 3º). Min. Eros Grau, Julgamento 31/08/2005, Tribunal Pleno, DJ
14/10/2005).
 Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). Revestem-se de constitucionalidade as Leis
EMENTA. (...) Noutras palavras, não é lícito, senão contrário
5.717/98 e 6.931/2001, do Estado do Espírito Santo, que
à concepção federativa, jungir os Estados-membros, sob o
autorizam a utilização, pela polícia militar ou pela polícia
título vinculante da regra da simetria, a normas ou
civil estadual, de veículos apreendidos e não identificados
princípios da Constituição da República cuja inaplicabilidade
quanto à procedência e à propriedade, exclusivamente no
ou inobservância local não implique contradições teóricas
trabalho de repressão penal. Avaliou-se não se tratar de
incompatíveis com a coerência sistemática do ordenamento
matéria correlata a trânsito, mas concernente à
jurídico, com severos inconvenientes políticos ou graves
administração. Recordou-se que norma do Código de
dificuldades práticas de qualquer ordem, nem com outra
Trânsito Brasileiro permitiria que veículos fossem levados a
causa capaz de perturbar o equilíbrio dos poderes ou a
hasta pública, embora constituísse permissão que nem
unidade nacional. A invocação da regra da simetria não
sempre ocorreria. Destacou-se que as normas disporiam
pode, em síntese, ser produto de uma decisão arbitrária ou
sobre a regulação no plano estritamente administrativo, na
imotivada do intérprete. (...). (ADI 4.298-MC, voto do Rel.
esfera de autonomia do estado-membro. (...) (STF ADI 3327,
Min. Cezar Peluso, julgamento em 7-10-2009, Plenário, DJE
Rel. Min. Dias Toffoli, Julgamento 08.08.2013, Tribunal
de 27-11-2009).
Pleno).
EMENTA. (...). A Constituição do Brasil, ao conferir aos
Estados-membros a capacidade de auto-organização e de § 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante
autogoverno – art. 25, caput –, impõe a obrigatória concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma
observância de vários princípios, entre os quais o pertinente da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua
ao processo legislativo. O legislador estadual não pode regulamentação. (Redação dada pela EC 5, de 1995)
usurpar a iniciativa legislativa do chefe do Executivo, Aqui se encontra a competência exclusiva expressa dos
dispondo sobre as matérias reservadas a essa iniciativa Estados Federados, além de outras como as previstas nos
privativa. Precedentes. (...). (ADI 1.594, Rel. Min. Eros Grau, arts. 18, § 4º, 25, § 3º e 125). A nova redação imposta a este
julgamento em 4-6-2008, Plenário, DJE de 22-8-2008). parágrafo extinguiu o monopólio estatal sobre os serviços
EMENTA. (...). Norma que subordina convênios, acordos, de distribuição de gás canalizado, que agora podem ser
contratos e atos de Secretários de Estado à aprovação da realizados, também, por empresa privada.
Assembleia Legislativa: inconstitucionalidade, porque  Jurisprudência relacionada ao tema:
ofensiva ao princípio da independência e harmonia dos
Poderes. (...). (ADI 676, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento EMENTA. Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 51 e
em 1º-7-1996, Plenário, DJ de 29-11-1996). parágrafos da Constituição do Estado de Santa Catarina.
Adoção de medida provisória por Estado-membro.
§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não Possibilidade. Arts. 62 e 84, XXVI, da CF. EC 32, de 11-9-
lhes seja vedadas por está Constituição. 2001, que alterou substancialmente a redação do art. 62.
Revogação parcial do preceito impugnado por
Técnica da competência residual, ou remanescente, para os
incompatibilidade com o novo texto constitucional.
Estados. Teoria dos poderes remanescentes.
Subsistência do núcleo essencial do comando examinado,
Dispositivos correspondentes: arts. 22, § único, 23 e 24, da presente em seu caput. Aplicabilidade, nos Estados-
CF. membros, do processo legislativo previsto na CF.
Inexistência de vedação expressa quanto às medidas
 Jurisprudência relacionada ao tema:
provisórias. Necessidade de previsão no texto da Carta
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. § 2º estadual e da estrita observância dos princípios e limitações
DO ARTIGO 229 DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO impostas pelo modelo federal. (...). Ação direta cujo pedido
ESPÍRITO SANTO. TRANSPORTE COLETIVO INTERMUNICIPAL. formulado se julga improcedente. (ADI 2.391, Rel. Min. Ellen
TRANSPORTE COLETIVO URBANO. ARTIGO 30, V DA Gracie, julgamento em 16-8-2006, Plenário, DJ de 16-3-
CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. TRANSPORTE GRATUITO. 2007).
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA. POLICIAIS CIVIS. DIREITO
ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. 1. Os Estados-membros são § 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar,
instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e
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microrregiões, constituídas por agrupamentos de IX - promover a proteção do patrimônio histórico cultural


Municípios limítrofes, para integrar a organização, o local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal
planejamento e a execução de funções públicas de e estadual.
interesse comum.
Nos incisos I e II estão as competências legislativas dos
Segundo José Afonso da Silva, “região metropolitana é um Municípios e nos demais incisos, as competências
conjunto de municípios cujas sedes se unem com certa administrativas.
continuidade urbana em torno de um município-polo.
 Jurisprudência relacionada ao tema:
Microrregiões formam-se de grupos de municípios limítrofes
com certa homogeneidade e problemas administrativos SÚMULA VINCULANTE 38. É Competente o Município para
comuns, cujas sedes não sejam unidas por continuidade fixar o horário de funcionamento de estabelecimento
urbana. Aglomerados urbanos carecem de conceituação, comercial.
mas, de logo, se percebe que se trata de áreas urbanas, sem
SÚMULA 19, STJ. A fixação do horário bancário, para
um polo de atração urbana, quer tais áreas sejam das
atendimento ao público, é da competência da União.
cidades sedes dos municípios, como na baixada santista (em
São Paulo) ou não”. SÚMULA VINCULANTE 49. Ofende o princípio da livre
concorrência lei municipal que impede a instalação de
 Jurisprudência relacionada ao tema:
estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em
EMENTA. (...). Regiões metropolitanas, aglomerações determinada área.
urbanas, microrregiões. CF, art. 25, § 3º. Constituição do
EMENTA. (...). Atendimento ao público e tempo máximo de
Estado do Rio de Janeiro, art. 357, parágrafo único. A
espera na fila. Matéria que não se confunde com a atinente
instituição de regiões metropolitanas, aglomerações
às atividades fim das instituições bancárias. Matéria de
urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de
interesse local e de proteção ao consumidor. Competência
Municípios limítrofes, depende, apenas, de lei
legislativa do Município. (...). (RE 432.789, Rel. Min. Eros
complementar estadual. (...). (ADI 1.841, Rel. Min. Carlos
Grau, julgamento em 14-6-2005, Primeira Turma DJ de 7-10-
Velloso, julgamento em 1º-8-2002, Plenário, DJ de 20-9-
2005).
2002).
EMENTA. CONSTITUCIONAL. MUNICÍPIO. SERVIÇO
COMPETÊNCIA DOS MUNICÍPIOS FUNERÁRIO. C.F., art. 30, V. I. - Os serviços funerários
constituem serviços municipais, dado que dizem respeito
Art. 30. Compete aos Municípios: com necessidades imediatas do Município. C.F., art. 30, V. II
I - legislar sobre assuntos de interesse local; - Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente.
(ADI 1221, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal
II - suplementar a legislação federal e a estadual no que Pleno, julgado em 09/10/2003, DJ 31-10-2003).
couber;
EMENTA. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE
III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, INSTRUMENTO. SERVIÇOS BANCÁRIOS. MUNICÍPIOS.
bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da COMPETÊNCIA LEGISLATIVA. Nos termos da jurisprudência
obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes do Supremo Tribunal Federal, os Municípios possuem
nos prazos fixados em lei; competência para legislar sobre assuntos de interesse local,
IV - criar, organizar e suprimir Distritos, observada a tais como medidas que propiciem segurança, conforto e
legislação estadual; rapidez aos usuários de serviços bancários. Precedentes.
Agravo regimental a que se nega provimento. (STF AI
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de 768666 AgR/SP, Rel. Min. ROBERTO BARROSO
concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse Julgamento: 26/11/2013 Órgão Julgador: Primeira Turma,
local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter DJ 03.02.2014).
essencial;
EMENTA. (...). Competência do município para legislar em
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da matéria de segurança em estabelecimentos financeiros.
União e do Estado, programas de educação infantil e de Terminais de autoatendimento. (STF ARE 784.981 AgR, rel.
ensino fundamental; (Redação dada pela EC 53, de 2006) min. Rosa Weber, j. 17-3-2015, 1ª T, DJE de 7-4-2015)
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da
União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da COMPETÊNCIA DO DISTRITO FEDERAL
população;
Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em
VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento Municípios, reger-se-ão por lei orgânica, votada em dois
territorial, mediante planejamento e controle do uso, do turnos com interstício mínimo de dez dias, a aprovada por
parcelamento e da ocupação do solo urbano; dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará,
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição.

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Entidade Federativa autônoma em virtude da presença de Através do decreto interventivo, que especificará a
sua capacidade de auto legislação, auto organização, amplitude, prazo e condições de execução, o Presidente da
autogoverno e autoadministração (arts. 1º, 18, 32 e 34 da República nomeará (quando necessário) interventor,
CF), ressaltando as restrições previstas nos arts. 21, XIII e afastando as autoridades envolvidas.
XIV e 22, XVII, inclusive no que tange ao Poder Judiciário e
Nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 36, o Congresso Nacional
Ministério Público, afetando parcialmente sua autonomia.
realizará controle político sobre o decreto de intervenção
O Distrito Federal não pode ser dividido em municípios, o expedido pelo Executivo no prazo de vinte e quatro horas,
que implica dizer que as eventuais subdivisões existentes devendo ser feita a convocação extraordinária, também no
serão meramente administrativas. prazo de vinte e quatro horas, caso a Casa Legislativa esteja
em recesso parlamentar. Assim, nos termos do art. 49, IV, o
§ 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências Congresso Nacional ou aprovará a intervenção federal ou a
legislativas reservadas aos Estados e Municípios. rejeitará sempre por meio de decreto legislativo,
O Distrito Federal acumula as competências dos Estados e suspendendo a execução do decreto interventivo nesta
Municípios, mas nem todas as competências estaduais são última hipótese.
exercitáveis pelo Distrito Federal, já que há restrições Na última hipótese, ou seja, em caso de rejeição pelo
quanto à organização Judiciária, do Ministério Público, da Congresso Nacional do decreto interventivo, o Presidente da
Policia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e da Policia República deverá cessá-lo imediatamente, sob pena de
Civil (arts. 21, XIII e XIV, 22, XVII e 48, IX). cometer crime de responsabilidade (art. 85, II - atentado
contra os poderes constitucionais do Estado), passando o
INTERVENÇÃO ato a ser inconstitucional.
Os entes federativos são autônomos, no entanto, Ressalte-se, ainda, que durante a intervenção federal, a
excepcionalmente, a CF estabelece situações de Constituição Federal não poderá ser emendada (art. 60,
anormalidade onde haverá intervenção, suprimindo-se, § 1º).
temporariamente, a aludida autonomia.
Dispositivo correspondente: art. 57, § 6º da CF.
As hipóteses por trazerem regras de exceção, devem ser
interpretadas restritivamente, consubstanciando-se um rol A regra da intervenção seguirá o seguinte esquema:
taxativo, numerus clausus. a) Intervenção federal: União nos Estados, Distrito Federal
A decretação e execução da intervenção federal é de (hipóteses do art. 34) e nos Municípios localizados em
competência privativa do Presidente da República (art. 84, Território Federal (hipótese do art. 35);
X), dando-se de forma espontânea ou provocada. No âmbito b) Intervenção estadual: Estados em seus Municípios
estadual, é privativa do Governador. (art. 35).
Antes de decretar, há previsão da oitiva de dois órgãos de
consulta do Poder Executivo, quais sejam, o Conselho da INTERVENÇÃO FEDERAL - ESPÉCIES
Republica (art. 90, I) e o Conselho de Defesa Nacional (art. Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito
91, § 1º, II), sem haver qualquer vinculação do Chefe do Federal, exceto para:
Executivo aos aludidos pareceres.
Intervenção espontânea, decretada de ofício pelo
A decretação materializar-se-á através de decreto
Presidente da República.
presidencial de intervenção, que especificará a amplitude, o
prazo e as condições de execução, e quando couber, I - manter a integridade nacional;
nomeará o interventor. Empós, será submetida ao controle
político do Poder Legislativo. II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da
Federação em outra;
Art. 36. (…).
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem
§ 1º O decreto de intervenção, que especificará a pública;
amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
couber, nomeará o interventor, será submetido à
apreciação do Congresso Nacional ou da Assembleia a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de
Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas. dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior;
§ 2º Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias
Assembleia Legislativa, far-se-á convocação extraordinária, fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos
no mesmo prazo de vinte e quatro horas. estabelecidos em lei;
§ 4º Cessados os motivos da intervenção, as autoridades Intervenção provocada por solicitação e por requisição.
afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo
Art. 34, IV, combinado com o art. 36, I, 1ª parte: quando a
impedimento legal.
coação ou impedimento recaírem sobre o Poder Legislativo

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ou o Poder Executivo, impedindo o livre exercício dos EMENTA. Representação do procurador-geral da República.
aludidos poderes nas unidades da Federação, a decretação Distrito Federal. Alegação da existência de largo esquema de
da intervenção federal, pelo Presidente da República, corrupção. Envolvimento do ex-governador, deputados
dependerá de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder distritais e suplentes. Comprometimento das funções
Executivo coacto ou impedido. governamentais no âmbito dos Poderes Executivo e
Legislativo. Fatos graves objeto de inquérito em curso no
Art. 34, IV, combinado com o art. 36, I, 2ª parte: se a coação
STJ. Ofensa aos princípios inscritos no art. 34, VII, a, da CF.
for exercida contra o Poder Judiciário, a decretação da
(...) Enquanto medida extrema e excepcional, tendente a
intervenção federal dependerá de requisição do Supremo
repor Estado de coisas desestruturado por atos atentatórios
Tribunal Federal.
à ordem definida por princípios constitucionais de extrema
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas relevância, não se decreta intervenção federal quando tal
unidades da Federação; ordem já tenha sido restabelecida por providências eficazes
das autoridades competentes. (STF IF 5179, Rel. Min.
Na hipótese de solicitação pelo Executivo ou Legislativo, o Presidente Cezar Peluso, julgamento em 30-6-2010,
Presidente da República não estará obrigado a intervir, Plenário, DJE de 8-10-2010).
possuindo discricionariedade para convencer-se da
conveniência e oportunidade. Por outro lado, havendo INTERVENÇÃO ESTADUAL - ESPÉCIES
requisição do Judiciário, não sendo o caso de suspensão da
execução do ato impugnado (art. 36, § 3º), o Presidente da Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a
República estará vinculado e deverá decretar a intervenção União nos Municípios localizados em Território Federal,
federal. exceto quando:
Intervenção provocada por requisição. I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois
anos consecutivos, a dívida fundada;
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão
judicial; II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;

Art. 34, VI, 2ª parte, combinado com o art. 36, II: no caso de III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita
desobediência a ordem ou decisão judicial, a decretação municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e
dependerá de requisição do STF, STJ ou do TSE, de acordo nas ações e serviços públicos de saúde; (Redação dada pela
com a matéria. EC 29, de 2000)

Intervenção provocada por Provimento de Representação. IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação
para assegurar a observância de princípios indicados na
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de
judicial; ordem ou de decisão judicial.
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios A decretação e execução da intervenção estadual é de
constitucionais: competência privativa do Governador de Estado, através e
a) forma republicana, sistema representativo e regime decreto de intervenção que especificara a amplitude, o
democrático; prazo e as condições da execução e, quando couber,
nomeara o interventor.
b) direitos da pessoa humana;
A Constituição estabeleceu a realização de controle político
c) autonomia municipal; a ser exercido pelo Legislativo, devendo o decreto de
d) prestação de contas da administração pública, direta e intervenção ser submetido à apreciação da Assembleia
indireta. Legislativa, no prazo de vinte e quatro horas. Na hipótese de
não estar funcionando, haverá convocação extraordinária,
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de também no prazo de vinte e quatro horas.
impostos estaduais, compreendida a proveniente de
transferências, na manutenção e desenvolvimento do Como regra geral, o decreto interventivo deverá ser
ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. (Redação apreciado pela Assembleia Legislativa (intervenção
dada pela EC 29, de 2000) estadual). Excepcionalmente, porém, a CF (art. 36, § 3º)
dispensa a aludida apreciação pelo Congresso Nacional, ou
Art. 34, VI, 1ª parte e VII, combinado com o art. 36, III: para pela Assembleia Legislativa estadual, sendo que o decreto,
prover a execução de lei federal (pressupondo ter havido nestes casos, se limitara a suspender a execução do ato
recusa à execução de lei federal) e assegurar a observância impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da
dos princípios constitucionais sensíveis, a intervenção normalidade. A hipótese em que o controle político é
dependerá de provimento, pelo STF, de representação do dispensado consta no art. 35, IV o Tribunal de Justiça der
Procurador Geral da República (ADI Interventiva). provimento à representação para assegurar a observância
 Jurisprudência relacionada ao tema: de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para
prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.

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No entanto, se a suspensão da execução do ato impugnado restabelecimento normalidade. As hipóteses em que o


não for suficiente para o restabelecimento da normal idade, controle político é dispensado são seguintes:
o Governador de Estado decretara a intervenção no
Art. 34, VI. Para prover a execução de lei federal, ordem ou
Município, submetendo o decreto interventivo à Assembleia
decisão judicial;
Legislativa que, estando em recesso, será convocada
extraordinariamente. Art. 34, VII. Quando houver afronta aos princípios sensíveis
da CF.
No decreto interventivo que especificará a amplitude, prazo
e condições de execução, o Governador de Estado nomeará, Art. 35, IV. O Tribunal de Justiça der provimento à
quando necessário, interventor, afastando as autoridades representação para assegurar a observância de princípios
envolvidas. indicados na Constituição Estadual, ou para prover a
execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.
Cessados os motivos da intervenção, as autoridades
afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo No entanto, nesses casos, se o decreto que suspendeu a
impedimento legal (art. 36, § 4º). execução do ato impugnado não foi suficiente para o
restabelecimento da normalidade, o Presidente da
 Jurisprudência relacionada ao tema:
República decretará a intervenção federal, nomeando, se
SÚMULA 637, STF. Não cabe recurso extraordinário contra couber, interventor, devendo submeter o seu ato ao exame
acórdão de Tribunal de Justiça que defere pedido de do Congresso Nacional (controle político) no prazo de 24
intervenção estadual em Município. horas, nos termos do art. 36, § 1º, conforme visto.
EMENTA. (...). Ação direta julgada procedente em relação ___________________________________________________________
aos seguintes preceitos da Constituição sergipana: (...) Art. _____________________________________________________________
23, V e VI: dispõem sobre os casos de intervenção do Estado _____________________________________________________________
no Município. O art. 35 da Constituição do Brasil prevê as _____________________________________________________________
_____________________________________________________________
hipóteses de intervenção dos Estados nos Municípios. A
_____________________________________________________________
Constituição sergipana acrescentou outras hipóteses. (...).
_____________________________________________________________
(ADI 336, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 10-2-2010,
_____________________________________________________________
Plenário, DJE de 17-9-2010). _____________________________________________________________
_____________________________________________________________
Art. 36. A decretação da intervenção dependerá:
_____________________________________________________________
I - no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo _____________________________________________________________
ou do Poder Executivo coacto ou impedido, ou de _____________________________________________________________
requisição do Supremo Tribunal Federal, se a coação for _____________________________________________________________
exercida contra o Poder Judiciário; _____________________________________________________________
_____________________________________________________________
II - no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, _____________________________________________________________
de requisição do Supremo Tribunal Federal, do Superior _____________________________________________________________
Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral; _____________________________________________________________
_____________________________________________________________
III de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de _____________________________________________________________
representação do Procurador-Geral da República, na _____________________________________________________________
hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de _____________________________________________________________
lei federal. (Redação dada pela EC 45, de 2004) _____________________________________________________________
_____________________________________________________________
Correspondência com o art. 129, IV, da CF/88.
Vale ressaltar que a Lei 12.562/2011 regula a representação Capítulo 5
interventiva.
Organização dos Poderes
DISPENSA DA APRECIAÇÃO DO CONTROLE POLÍTICO

§ 3º Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, 5.1. PODER LEGISLATIVO
dispensada a apreciação pelo Congresso Nacional ou pela CONGRESSO NACIONAL
Assembleia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender ORGANIZAÇÃO E ATRIBUIÇÕES
a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao
restabelecimento da normalidade.
Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso
Como regra geral o decreto interventivo deverá ser Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do
apreciado pelo Congresso Nacional (controle político). Senado Federal.
Excepcionalmente, a CF (art. 36, § 3º) dispensa a aludida Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro
apreciação, sendo que o decreto se limitará a suspender a anos.
execução do ato impugnado se essa medida bastar ao

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O poder Legislativo Federal é bicameral, diferentemente dos Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do
estaduais, distritais e municipais, onde é consagrado o Presidente da República, não exigida esta para o
unicameralismo (arts. 27, 29 e 32, § 3º, da CF/88). especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as
matérias de competência da União, especialmente sobre:
Art. 45 A Câmara dos Deputados compõe-se de
representantes do povo, eleitos, pelo sistema I - sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas;
proporcional, em cada Estado, em cada Território e no
II - plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento
Distrito Federal.
anual, operações de crédito, dívida pública e emissões de
§ 1º O número total de Deputados, bem como a curso forçado;
representação por Estado e pelo Distrito Federal, será
III - fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas;
estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à
população, procedendo-se aos ajustes necessários no ano IV - planos e programas nacionais, regionais e setoriais de
anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades desenvolvimento;
da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta
V - limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo
Deputados.
e bens do domínio da União;
§ 2º Cada Território elegerá quatro Deputados.
VI - incorporação, subdivisão ou desmembramento de
O sistema é proporcional quando a distribuição dos áreas de Territórios ou Estados, ouvidas as respectivas
mandatos ocorre de maneira que o número de Assembleias Legislativas;
representantes em cada circunscrição eleitoral seja dividido VII - transferência temporária da sede do Governo Federal;
em relação com o número de eleitores, de sorte que resulte
uma proporção. O Sistema majoritário é aquele em que será VIII - concessão de anistia;
considerado vencedor o candidato que obtiver maior IX - organização administrativa, judiciária, do Ministério
número de votos, tendo o texto constitucional optado pelo Público e da Defensoria Pública da União e dos Territórios
sistema majoritário puro ou simples (um único turno ou e organização judiciária e do Ministério Público do Distrito
maioria simples). Federal; (Redação dada pela EC 69, de 2012)
O número de deputados estaduais e distritais está previsto X - criação, transformação e extinção de cargos, empregos
no art. 27, caput e no art. 32, § 3º, enquanto que o dos e funções públicas, observado o que estabelece o art. 84,
vereadores consta no artigo art. 29, IV, todos da CF/88. VI, b; (Redação dada pela EC 32, de 2001)
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes XI - criação e extinção de Ministérios e órgãos da
dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o administração pública; (Redação dada pela EC 32, de 2001)
princípio majoritário.
XII - telecomunicações e radiodifusão;
§ 1º Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três
Senadores, com mandato de oito anos. XIII - matéria financeira, cambial e monetária, instituições
financeiras e suas operações;
§ 2º A representação de cada Estado e do Distrito Federal
será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, XIV - moeda, seus limites de emissão, e montante da dívida
por um e dois terços. mobiliaria federal;

§ 3º Cada Senador será eleito com dois suplentes. XV - fixação do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal, observado o que dispõem os arts. 39, § 4º, 150, II;
153, III; e 153, § 2º, I. (Redação dada pela EC 41, de 2003)
Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as As atribuições do Congresso Nacional vêm definidas nos
deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão arts. 48 e 49 da Constituição Federal, sendo que no art. 48,
tomadas por maioria dos votos, presente a maioria exige-se a sanção presidencial, materializando-se por lei,
absoluta de seus membros. enquanto no art. 49, por se tratar de competências
exclusivas do Congresso Nacional, são tratadas somente no
As deliberações da Câmara dos Deputados, do Senado
âmbito do Poder Legislativo, por meio de Decreto
Federal, do Congresso Nacional ou de suas Câmaras serão
Legislativo, dispensando a sanção do Presidente da
tomadas por maioria simples de votos, quando a própria
República.
Constituição Federal não impor outro quórum, como os
previstos nos arts. 51, I, 69 e 60, § 2º, da CF/88. O quórum Art. 49. E da competência exclusiva do Congresso Nacional:
constitucional de maioria simples corresponde a um número
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos
variável, pois, dependendo de quantos parlamentares
internacionais que acarretem encargos ou compromissos
estiverem presentes, este número poderá alterar-se.
gravosos ao patrimônio nacional;
A Constituição Federal também exige um quórum mínimo
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a
para instalação da sessão, onde deve estar presente a
celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem
maioria absoluta dos membros da casa.
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pelo território nacional ou nele permaneçam Presidente do Senado Federal, na qualidade de Presidente
temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei do Congresso Nacional, que determinará sua publicação.
complementar;
O inciso I tem correspondência com o art. 84, VIII,
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República considerando o processo legislativo para a aprovação de
a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a tratados, acordos ou atos internacionais.
quinze dias;
Vê-se que o subsídio de Deputados Federais e Senadores,
IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, Presidente da República, Vice-Presidente e Ministro de
autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma Estado é estabelecido, nos termos dos incisos VII e VIII, pelo
dessas medidas; Congresso Nacional, mediante Decreto Legislativo,
enquanto o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que
Federal é fixado por lei, conforme o art. 48, XVI, tendo a
exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de
iniciativa do próprio STF (art. 96, II, “b”).
delegação legislativa;
Importante saber que a remuneração dos Deputados
VI - mudar temporariamente sua sede;
Estaduais segue a regra prevista no § 2º do art. 27 da CF/88.
VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os No que tange aos Vereadores a regra segue o disposto nos
Senadores, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, incisos VI e VII do art. 29 e dos incisos I ao IV e § 1º do artigo
§ 4º, 150, II, 153, III e 153, § 2º, I; (Redação dada pela EC 19, de 29-A, todos da CF/88. O subsídio do Governador, Vice-
1998) Governador e Secretários de Estado, do Prefeito, Vice-
VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente Prefeito e Secretários Municipais serão fixados na forma do
da República e dos Ministros de Estado, observado o que arts. 28, § 2º e 29, V, da CF/88, respectivamente.
dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III e 153,
CÂMARA DOS DEPUTADOS E SENADO FEDERAL
§ 2º, I; (Redação dada pela EC 19, de 1998)
ATRIBUIÇÕES
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente
da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados:
planos de governo; I - autorizar, por dois terços de seus membros, a
X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de instauração de processo contra o Presidente e o Vice-
suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da Presidente da República e os Ministros de Estado;
administração indireta; II - proceder à tomada de contas do Presidente da
XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa República, quando não apresentadas ao Congresso
em face da atribuição normativa dos outros Poderes; Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão
legislativa;
XII - apreciar os atos de concessão e renovação de
concessão de emissoras de rádio e televisão; III - elaborar seu regimento interno;

XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de IV - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia,
Contas da União; criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e
funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação
XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a da respectiva remuneração, observados os parâmetros
atividades nucleares; estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; (Redação
dada pela EC 19, de 1998)
XV - autorizar referendo e convocar plebiscito;
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o V - eleger membros do Conselho da República, nos termos
aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra do art. 89, VII.
de riquezas minerais; Essas atribuições são materializadas através de resolução,
XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de que são instruídas, discutidas, votadas, promulgadas e
terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos publicadas na própria casa legislativa.
hectares. No que tange à condição de admissibilidade prevista no
Trata-se de competência administrativa, considerando que inciso I, deve ser conjugada com o inciso I, do art. 52 c/c
uma das funções do Congresso Nacional é fiscalizar, § único, da CF.
especialmente o Poder Executivo. Dita atribuição concretiza- Quanto à tomada de contas prevista no inciso II, dito
se por meio de decreto legislativo. Ressalte-se que o dispositivo se contextualiza com os arts. 49, IX, 84, XXIV e
Congresso Nacional também expede resolução, conforme 71, I, da CF.
estabelecido no art. 68, § 2º, da CF/88.
Os incisos III, IV e V, são atribuições internas da Câmara,
Os decretos legislativos serão, obrigatoriamente, instruídos, tendo o Senado Federal as mesmas atribuições (art. 52, XII,
discutidos e votados em ambas as casas legislativas, no XIII e XIV, da CF)
sistema bicameral; e, se aprovado, serão promulgados pelo
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A fixação da remuneração dos seus servidores (art. 51, IV) XII - elaborar seu regimento interno;
será estabelecida por lei.
XIII - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia,
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e
funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação
I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da da respectiva remuneração, observados os parâmetros
República nos crimes de responsabilidade, bem como os estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; (Redação
Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do dada pela EC 19, de 1998)
Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza
conexos com aqueles; (Redação dada pela EC 23, de 02/09/99) XIV - eleger membros do Conselho da República, nos
termos do art. 89, VII;
II - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal
Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do XV - avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema
Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador- Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes,
Geral da República e o Advogado-Geral da União nos e o desempenho das administrações tributárias da União,
crimes de responsabilidade; (Redação dada pela EC 45, de dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído
2004) pela EC 42, de 19.12.2003)

III - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II,
pública, a escolha de: funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal
Federal, limitando-se a condenação, que somente será
a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à
Constituição; perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o
b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo exercício de função pública, sem prejuízo das demais
Presidente da República; sanções judiciais cabíveis.

c) Governador de Território; Tais atribuições também se materializam por resolução.


d) Presidente e diretores do Banco Central; Os incisos I e II do presente artigo indica as autoridades que
poderão ser processadas e julgadas por crime de
e) Procurador-Geral da República;
responsabilidade e o inciso III menciona as autoridades que
f) titulares de outros cargos que a lei determinar; passarão pela arguição pública antes de serem nomeadas
pelo Presidente da República (art. 84, XIV, da CF/88).
IV - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição
em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão A função pública mencionada no § único diz respeito a
diplomática de caráter permanente; decorrente de concurso público, de confiança ou de
mandato eletivo e a sentença condenatória formaliza-se por
V - autorizar operações externas de natureza financeira, de resolução.
interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Territórios e dos Municípios; Vale dizer que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF)
julgou parcialmente procedente a Arguição de
VI - fixar, por proposta do Presidente da República, limites Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 378, em
globais para o montante da dívida consolidada da União, 18.12.2015, que discute a validade de dispositivos da Lei
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; 1.079/1950 que regulamentam o processo de impeachment
VII - dispor sobre limites globais e condições para as de presidente da República. Com o julgamento, firmou-se o
operações de crédito externo e interno da União, dos entendimento de que a Câmara dos Deputados apenas dá a
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autorização para a abertura do processo de impeachment,
autarquias e demais entidades controladas pelo Poder cabendo ao Senado fazer juízo inicial de instalação ou não
Público Federal; do procedimento, quando a votação se dará por maioria
simples; a votação para escolha da comissão especial na
VIII - dispor sobre limites e condições para a concessão de Câmara deve ser aberta, sendo ilegítimas as candidaturas
garantia da União em operações de crédito externo e avulsas de deputados para sua composição; e o afastamento
interno; de presidente da República ocorre apenas se o Senado abrir
IX - estabelecer limites globais e condições para o o processo.
montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios; DAS REUNIÕES

X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na
declarada inconstitucional por decisão definitiva do Capital Federal, de 02 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de
Supremo Tribunal Federal; agosto a 22 de dezembro. (Redação dada pela EC 50, de 2006)
XI - aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a § 1º As reuniões marcadas para essas datas serão
exoneração de ofício, do Procurador-Geral da República transferidas para o primeiro dia útil subsequente, quando
antes do término de seu mandato; recaírem em sábados, domingos ou feriados.
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§ 2º A sessão legislativa não será interrompida sem a princípio constitucional de observância obrigatória pelos
aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias. Estados-membros o preceito, contido na primeira parte
desse mesmo § 4º do art. 57 da atual Carta Magna, que só
Cada legislatura terá a duração de quatro anos, estabelece que cada uma das Casas do Congresso Nacional
compreendendo quatro sessões legislativas ordinárias ou se reunirá, em sessões preparatórias, a partir de 1º de
oito períodos legislativos. Existem ainda as sessões fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de
ordinárias (do dia) e as sessões legislativas extraordinárias, seus membros e a eleição das respectivas Mesas, sem nada
que ocorrem no período de recesso. aludir - e, portanto, sem estabelecer qualquer proibição a
§ 3º Além de outros casos previstos nesta Constituição, a respeito - à data dessa eleição para o segundo biênio da
Câmara dos Deputados e o Senado Federal reunir-se-ão em legislatura. (...). (STF ADI 2371 MC/ES, Rel. Min. Moreira
sessão conjunta para: Alves, 07/02/2003).

I - inaugurar a sessão legislativa; § 5º A Mesa do Congresso Nacional será presidida pelo


Presidente do Senado Federal, e os demais cargos serão
II - elaborar o regimento comum e regular a criação de exercidos, alternadamente, pelos ocupantes de cargos
serviços comuns às duas Casas; equivalentes na Câmara dos Deputados e no Senado
III - receber o compromisso do Presidente e do Vice- Federal.
Presidente da República;
§ 6º-A convocação extraordinária do Congresso Nacional
IV - conhecer do veto e sobre ele deliberar.
far-se-á: (Redação dada pela EC 50, de 2006)
Sessão conjunta difere de sessão unicameral (art. 3º, ADCT).
I - pelo Presidente do Senado Federal, em caso de
Na primeira a votação é simultaneamente feita por casa e os
decretação de estado de defesa ou de intervenção federal,
votos são computados separadamente (maioria absoluta da de pedido de autorização para a decretação de estado de
Câmara = 257 deputados e maioria absoluta do Senado = 41
sítio e para o compromisso e a posse do Presidente e do
senadores), e na sessão unicameral a votação é conjunta, ou
Vice-Presidente da República;
seja, os votos de senadores e deputados são contados de
forma igual, a atuação é como uma só casa (513 deputados II - pelo Presidente da República, pelos Presidentes da
+ 81 senadores = 594 parlamentares, sendo a maioria Câmara dos Deputados e do Senado Federal ou a
absoluta 298 congressistas). requerimento da maioria dos membros de ambas as Casas,
em caso de urgência ou interesse público relevante, em
Dispositivo correspondente: art. 66, § 4º, da CF/88.
todas as hipóteses deste inciso com a aprovação da
§ 4º Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões maioria absoluta de cada uma das Casas do Congresso
preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano Nacional. (Redação dada pela EC 50, de 2006)
da legislatura, para a posse de seus membros e eleições § 7º Na sessão legislativa extraordinária, o Congresso
das respectivas Mesas, para mandato de dois anos, vedada Nacional somente deliberará sobre a matéria para a qual
a recondução para o mesmo cargo na eleição foi convocado, ressalvada a hipótese do § 8º, vedado o
imediatamente subsequente. (Redação dada pela EC 50, de pagamento de parcela indenizatória em razão da
2006)
convocação. (Redação dada pela EC 50, de 2006)
O órgão administrativo de direção do Congresso Nacional é  Jurisprudência relacionada ao tema:
sua Mesa, que serão eleitas, na forma do § 4º do art. 57, da
CF/88. Porém, apesar da clareza da norma constitucional, o EMENTA. (...) Por vislumbrar aparente ofensa ao art. 57, §
Congresso Nacional interpretou-a no sentido de somente 7º, da CF – que veda o pagamento de parcela indenizatória
existir vedação à recondução para o mesmo cargo na aos parlamentares em virtude de convocação
eleição subsequente dentro da mesma legislatura; por extraordinária, norma de reprodução obrigatória pelos
conseguinte, permitiu a recondução imediata, em diversas Estados-membros (CF, art. 27, § 2º), o Plenário deferiu
legislaturas. pedido de medida cautelar em ação direta de
inconstitucionalidade, proposta pelo Conselho Federal da
Essa vedação não é de preordenação obrigatória aos Ordem dos Advogados do Brasil, para suspender a eficácia
Estados Federados. do § 5º do art. 147 do Regimento Interno da Assembleia
 Jurisprudência relacionada ao tema: Legislativa do Estado de Goiás, aprovado pela Resolução
1.218/2007. O dispositivo impugnado prevê o pagamento
EMENTA. (...) Esta Corte, (...), tem entendido, na esteira da
de valores a deputados estaduais pela presença em sessões
orientação adotada na Representação 1.245 com referência extraordinárias. (...). (STF ADI 4587 MC/GO, rel. Min. Ricardo
ao art. 30, § único, letra “f”, da Emenda Constitucional 1/69, Lewandowski, 25.8.2011).
que o § 4º do art. 57, que veda a recondução dos membros
das Mesas das Casas legislativas federais para os mesmos § 8º Havendo medidas provisórias em vigor na data de
cargos na eleição imediatamente subsequente, não é convocação extraordinária do Congresso Nacional, serão
princípio constitucional de observância obrigatória pelos elas automaticamente incluídas na pauta da convocação.
Estados-membros. - Com maior razão, também não é (Redação dada pela EC 50, de 2006)

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 Jurisprudência relacionada ao tema:


COMISSÕES
EMENTA. (...). 2. A garantia assegurada a um terço dos
Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões membros da Câmara ou do Senado estende-se aos
permanentes e temporárias constituídas na forma e com membros das assembleias legislativas estaduais – garantia
as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato das minorias. O modelo federal de criação e instauração das
de que resultar sua criação. comissões parlamentares de inquérito constitui matéria a
As comissões são órgãos colegiados, criadas com o intuito ser compulsoriamente observada pelas casas legislativas
de examinar as diversas proposições legislativas estaduais. 3. A garantia da instalação da CPI independe de
apresentadas e sobre elas emitir parecer para facilitar as deliberação plenária, seja da Câmara, do Senado ou da
deliberações parlamentares no plenário. Elas podem ser Assembleia Legislativa. Precedentes. 4. Não há razão para a
permanentes, criadas pelo regimento interno ou submissão do requerimento de constituição de CPI a
temporárias, constituídas no ato de sua criação. qualquer órgão da Assembleia Legislativa. Os requisitos
indispensáveis à criação das comissões parlamentares de
COMISSÕES TEMPORÁRIAS inquérito estão dispostos, estritamente, no artigo 58 da
COMISSÕES PARLAMENTARES DE INQUÉRITO CB/88. (...). (STF ADI 3619/SP, rel. Min. Eros Grau,
1º/08/2006).
§ 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão
poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, EMENTA. (...) 2. O Tribunal já firmou entendimento de que
além de outros previstos nos regimentos das respectivas as Comissões Parlamentares de Inquérito são dotadas de
Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo poder investigatório, ficando assentado que devem elas, a
Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante partir de meros indícios, demonstrar a existência concreta
requerimento de um terço de seus membros, para a de causa provável que legitime a quebra do sigilo. (...). (STF
apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo MS 24217/DF, rel. Min. Maurício Corrêa, 18/10/2002).
suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério EMENTA. (...) Trata-se de habeas corpus preventivo, com
Público, para que promova a responsabilidade civil ou pedido de liminar, impetrado em favor de DANIEL VALENTE
criminal dos infratores. DANTAS, contra possíveis constrangimentos decorrentes do
requerimento Nº 113/08 feitos aos membros da Comissão
É o exercício do controle político-administrativo do Poder
Parlamentar de Inquérito - Escutas Telefônicas Clandestinas
Legislativo para fiscalizar os atos do Poder Público.
por seu Presidente, Deputado Marcelo Itagiba. Tal
Sua criação depende dos seguintes requisitos: requerimento requerimento tem por fim a obtenção do depoimento e/ou
de, pelo menos, um terço dos membros da casa legislativa, interrogatório do paciente, na data de 13 de agosto, às 14
indicação do fato determinado a ser investigado e fixação de horas e 30 minutos, no plenário da Câmara dos deputados,
um tempo certo para o término da investigação. Podem ser para prestar depoimento sobre os fatos relacionados ao
criadas separadamente (CPI) ou conjuntamente (CPMI). objeto de investigação da referida CPI. (...). As comissões
Segundo a Corte Suprema, por força do pacto federativo, o parlamentares de inquérito possuem poderes instrutórios
próprios das autoridades judiciais, nos termos do § 3º do
modelo federal de criação e instauração das Comissões
art. 58 da Constituição Federal. Porém, tais poderes devem
Parlamentares de Inquérito são matérias de extensão
ser exercidos com respeito aos direitos constitucionalmente
obrigatória às Assembleias Legislativas dos Estados.
garantidos ao paciente: privilégio contra a autoincriminação,
As comissões podem convocar qualquer particular e direito ao silêncio e a comunicar-se com o seu advogado. Do
autoridade pública, na condição de testemunhas ou como exposto, defiro o pedido de liminar, para assegurar ao
investigados, embora o poder de condução não possa paciente, que não está dispensado da obrigação de
alcançar os investigados. Podem também determinar comparecer perante a CPI das Escutas Telefônicas
diligências, perícias e exames, bem como requisitar Clandestinas: a) o direito de ser assistido por seu advogado
informações, podendo ainda determinar busca e apreensão, e de comunicar-se com este durante a sua inquirição, bem
desde que não seja no domicílio das pessoas. Além disso, como o acesso aos documentos nos quais haja referência ao
podem proceder a quebra dos sigilos fiscal, bancário e paciente; b) o direito de exercer o seu direito ao silêncio,
telefônico do investigado quando for a medida devidamente incluído o privilégio contra a autoincriminação (art. 5º, LXIII),
fundamentada e pela decisão da maioria absoluta (princípio excluída a possibilidade de ser submetido a qualquer
da colegialidade). medida privativa de liberdade ou restritiva de direitos em
Tais comissões não podem, porque são cláusulas de reserva razão do exercício de tais prerrogativas processuais. Em
do Poder Judiciário, é expedir ordem de prisão, ressalvada a razão de o paciente ostentar a condição de réu em ações
possibilidade da prisão em flagrante, determinar medidas penais acerca dos crimes cuja apuração constitui objeto da
cautelares de ordem penal e civil, decretar o perdimento de CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, ressalto que ele
bens e autorizar a interceptação telefônica, além da ordem não pode ser obrigado a assinar termo ou firmar
de busca e apreensão domiciliar. compromisso na condição de testemunha, em relação aos
respectivos fatos. (...). (STF HC 95.718/DF, Rel. Min. Joaquim
A atuação das comissões parlamentares de inquérito Barbosa, DJ 18.08.2008)
submete-se ao controle judicial do Poder Judiciário.
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OS: 0084/1/18-Gil

EMENTA. (...). O princípio da colegialidade traduz diretriz de EMENTA. (...). HABEAS-CORPUS. COMISSÃO PARLAMENTAR
fundamental importância na regência das deliberações DE INQUÉRITO. CONVOCAÇÃO DE MAGISTRADO PARA
tomadas por qualquer CPI, notadamente quando esta, no PRESTAR DEPOIMENTO EM FACE DE DECISÕES JUDICIAIS.
desempenho de sua competência investigatória, ordena a CONSTRANGIMENTO ILEGAL CARACTERIZADO. 1. Configura
adoção de medidas restritivas de direitos, como aquelas que constrangimento ilegal, com evidente ofensa ao princípio da
importam na revelação (disclosure) das operações separação dos Poderes, a convocação de magistrado a fim
financeiras ativas e passivas de qualquer pessoa. A de que preste depoimento em razão de decisões de
legitimidade do ato de quebra do sigilo bancário, além de conteúdo jurisdicional atinentes ao fato investigado pela
supor a plena adequação de tal medida ao que prescreve a Comissão Parlamentar de Inquérito. (...). (STF HC 80539/PA.
Constituição, deriva da necessidade de a providência em Rel. Min. MAURÍCIO CORRÊA DJ 01-08-2003)
causa respeitar, quanto à sua adoção e efetivação, o
EMENTA. (...). Ao Supremo Federal compete exercer,
princípio da colegialidade, sob pena de essa deliberação
originariamente, o controle jurisdicional sobre atos de CPI
reputar-se nula. (...). (STF MS 24.817, Rel. Min. Celso de
que envolvam ilegalidade ou ofensa a direito individual,
Mello, Plenário, DJ de 6-11-2009)
dado que a ele compete processar e julgar habeas corpus e
EMENTA. (...). Poderes de CPI estadual: ainda que seja mandado de segurança contra atos das Mesas da Câmara
omissa a Lei Complementar 105/2001, podem essas dos Deputados e do Senado Federal, art. 102, I, i, da CF, e a
comissões estaduais requerer quebra de sigilo de dados CPI procede como se fora a Câmara dos Deputados ou o
bancários, com base no art. 58, § 3º, da Constituição. (...). Senado Federal ou o Congresso Nacional. Construção
(STF ACO 730/RJ, rel. Min. Joaquim Barbosa, 11/11/2005). constitucional consagrada, MS 1.959, de 1953 e HC 92.678,
de 1953. (...). (STF HC 71.039, Rel. Min. Paulo Brossard,
EMENTA. (...). Comissão Parlamentar de Inquérito. Não se
Plenário, DJ 6-12-1996)
inscreve, em seu poder de investigar (Constituição, art. 58, §
3o), a decretação da indisponibilidade de bens. (...). (STF MS
23.471, rel. Min. Octávio Gallotti, 10/08/2000).
COMISSÕES REPRESENTATIVAS
EMENTA. (...). 2. COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO - PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE PARTIDÁRIA
CPI. Prova. Interceptação telefônica. Decisão judicial. Sigilo
judicial. Segredo de justiça. Quebra. Requisição, às § 4º Durante o recesso, haverá uma Comissão
operadoras, de cópias das ordens judiciais e dos mandados representativa do Congresso Nacional, eleita por suas
de interceptação. Inadmissibilidade. Poder que não tem Casas na última sessão ordinária do período legislativo,
caráter instrutório ou de investigação. Competência com atribuições definidas no regimento comum, cuja
exclusiva do juízo que ordenou o sigilo. Aparência de ofensa composição reproduzirá, quanto possível, a
a direito líquido e certo. Comissão Parlamentar de Inquérito proporcionalidade da representação partidária.
não tem poder jurídico de, mediante requisição, as
operadoras de telefonia, de cópias de decisão nem de Comissão Representativa do Congresso Nacional, que
mandado judicial de interceptação telefônica, quebrar sigilo funcionará durante o recesso parlamentar, também é uma
imposto a processo sujeito a segredo de justiça. Este é comissão temporária e deve obedecer, quanto possível, o
oponível a Comissão Parlamentar de Inquérito, princípio da proporcionalidade da representação partidária.
representando expressiva limitação aos seus poderes O princípio da proporcionalidade da representação
constitucionais (...). (STF MS 27.483 MC/DF, rel. Min. Cezar partidária deve ser observado na composição das comissões
Peluso, 14/08/2008) e das mesas nos termos do § 1º, do art. 58, ex vi:
EMENTA. (...). Mandado de segurança contra ato do Art. 58. (...).
Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada § 1º Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é
a investigar o avanço e a impunidade do narcotráfico. 2. assegurada, tanto quanto possível, a representação
Apreensão de documentos e equipamentos sem proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que
fundamentação em locais invioláveis. 3. Parecer da participam da respectiva Casa.
Procuradoria-Geral da República pela concessão da ordem.
4. O fato da autorização judicial para a perícia dos COMISSÕES PERMANENTES OU TEMÁTICAS
equipamentos, oriunda de autoridade judiciária de primeiro
grau, após a apreensão, sem mandado judicial, não legitima § 2º Às comissões, em razão da matéria de sua
os resultados da perícia que se tenha realizado ou em curso. competência, cabe:
5. Mandado de segurança que se defere para determinar a I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do
devolução dos bens e documentos apreendidos, regimento, a competência do Plenário, salvo se houver
declarando-se ineficaz eventual prova decorrente dessa recurso de um décimo dos membros da Casa;
apreensão com infração do art. 5º, XI, da Lei Maior. (MS
23642, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, Tribunal Pleno, II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade
julgado em 29/11/2000, DJ 09-03-2001 PP-00103 EMENT civil;
VOL-02022-01 PP-00123) III - convocar Ministros de Estado para prestar
informações, sobre assuntos inerentes a suas atribuições;
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OS: 0084/1/18-Gil

IV - receber petições, reclamações, representações ou A jurisprudência do STF assegura que os discursos


queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das proferidos das tribunas das Casas Legislativas estão
autoridades ou entidades públicas; amparados pela cláusula constitucional da imunidade
parlamentar em sentido material. A garantia prevista no
V - solicitar depoimento de qualquer autoridade ou art. 53 da Constituição Federal representa um instrumento
cidadão; para viabilizar o exercício independente do mandato,
VI - apreciar programas de obras, planos nacionais, impedindo a responsabilização criminal e civil do membro
regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles do Congresso Nacional em decorrência de palavras, opiniões
emitir parecer. e votos, notadamente nas hipóteses em que suas
manifestações tenham sido proferidas da própria Tribuna da
São as comissões permanentes, temáticas, que podem Casa Legislativa. Dita imunidade parlamentar também
inclusive quebrar a “cláusula de reserva do plenário”, abrange as entrevistas jornalísticas, a transmissão do
quando nos termos do inciso I, for dispensada a conteúdo de pronunciamentos para a imprensa ou de
competência do plenário. relatórios produzidos nas Casas Legislativas e as declarações
Vale lembrar a importante comissão mista do orçamento, feitas aos meios de comunicação social, desde que
permanente, cujas finalidades estão previstas no art. 166, vinculadas ao desempenho do mandato, pois qualificam-se
§ 6º, da CF/88, comissão responsável pelo controle como natural projeção do exercício das atividades
financeiro-orçamentário, prevista no art. 72, da CF/88. parlamentares. Entretanto, se o membro do Poder
Legislativo, ainda que amparado pela imunidade
Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou parlamentar material, incidir em abuso de tal prerrogativa,
qualquer de suas Comissões, poderão convocar Ministro de poderá expor-se à jurisdição censória da própria Casa
Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente legislativa a que pertence.
subordinados à Presidência da República para prestarem,
pessoalmente, informações sobre assunto previamente A imunidade formal ou relativa prevista nos §§ 2º a 5º é
determinado, importando crime de responsabilidade a concedida apenas a Deputados Federais e Estaduais e
ausência sem justificação adequada. (Redação dada pela Senadores. Compreende duas vertentes, quais sejam: a
ECR 2, de 1994) prisão e o processo de parlamentares.
§ 2º As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal poderão encaminhar pedidos escritos de  Jurisprudência relacionada ao tema:
informações a Ministros de Estado ou a qualquer das
pessoas referidas no caput deste artigo, importando em EMENTA. PENAL. DENÚNCIA E QUEIXA-CRIME. INCITAÇÃO
crime de responsabilidade a recusa, ou o não-atendimento, AO CRIME, INJÚRIA E CALÚNIA. TRANSAÇÃO PENAL. NÃO
no prazo de trinta dias, bem como a prestação de OFERECIMENTO. MANIFESTAÇÃO DE DESINTERESSE PELO
informações falsas. (Redação dada pela ECR 2, de 1994) ACUSADO. IMUNIDADE PARLAMENTAR. INCIDÊNCIA
QUANTO ÀS PALAVRAS PROFERIDAS NO RECINTO DA
PARLAMENTARES. IMUNIDADES CÂMARA DOS DEPUTADOS. ENTREVISTA. AUSENTE
IMUNIDADE MATERIAL (INVIOLABILIDADE) CONEXÃO COM O DESEMPENHO DA FUNÇÃO LEGISLATIVA.
INAPLICABILIDADE DO ART. 53 DA CONSTITUIÇÃO
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e FEDERAL. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 41
penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL QUANTO AOS DELITOS
votos. (Redação dada pela EC 35, de 2001) DE INCITAÇÃO AO CRIME E DE INJÚRIA. RECEBIMENTO DA
DENÚNCIA E REJEIÇÃO PARCIAL DA QUEIXA-CRIME,
São garantias funcionais, normalmente divididas em
material e formal, onde a imunidade material QUANTO AO CRIME DE CALÚNIA. 1. (...). 9. In casu, (i) o
(inviolabilidade) acarretará a irresponsabilidade da conduta, parlamentar é acusado de incitação ao crime de estupro, ao
afirmar que não estupraria uma Deputada Federal porque
enquanto a imunidade formal poderá obstar o livre
desenvolvimento do processo. ela “não merece”; (ii) o emprego do vocábulo “merece”, no
sentido e contexto presentes no caso sub judice, teve por
A imunidade material só protege o congressista nos atos, fim conferir a este gravíssimo delito, que é o estupro, o
palavras, opiniões e votos proferidos no exercício de ofício atributo de um prêmio, um favor, uma benesse à mulher,
congressual. Dita garantia se estende para fora do recinto revelando interpretação de que o homem estaria em
do Congresso Nacional se o representante do Poder posição de avaliar qual mulher “poderia” ou “mereceria” ser
Legislativo estiver no desempenho das suas funções. A estuprada. (...). 13. In casu, (i) a entrevista concedida a
imunidade material é aquela que garante ao parlamentar a veículo de imprensa não atrai a imunidade parlamentar,
não responsabilização nas esferas penal, civil, disciplinar ou porquanto as manifestações se revelam estranhas ao
política por suas opiniões, votos e palavras. A imunidade exercício do mandato legislativo, ao afirmar que “não
material é extensiva aos Deputados Estaduais (art. 27, § 1º, estupraria” Deputada Federal porque ela “não merece”; (ii)
da CF/88). Com relação aos Vereadores, esta imunidade o fato de o parlamentar estar em seu gabinete no momento
esta restrita aos limites do município no qual exerce seu em que concedeu a entrevista é fato meramente acidental,
mandato (art. 29, VIII, da CF/88). já que não foi ali que se tornaram públicas as ofensas, mas
sim através da imprensa e da internet; (iii) a campanha “#eu
não mereço ser estuprada”, iniciada na internet em seguida
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OS: 0084/1/18-Gil

à divulgação das declarações do Acusado, pretendeu expor sustar o andamento da ação. (Redação dada pela EC 35, de
o que se considerou uma ofensa grave contra as mulheres 2001)
do país, distinguindo-se da conduta narrada na denúncia, § 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa
em que o vocábulo “merece” foi empregado em aparente respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias
desprezo à dignidade sexual da mulher. (...). 22. Ex positis, à do seu recebimento pela Mesa Diretora. (Redação dada pela
luz dos requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal, EC 35, de 2001)
recebo a denúncia pela prática, em tese, de incitação ao
crime; e recebo parcialmente a queixa-crime, apenas § 5º A sustação do processo suspende a prescrição,
quanto ao delito de injúria. Rejeito a Queixa-Crime quanto à enquanto durar o mandato. (Redação dada pela EC 35, de
imputação do crime de calúnia. (STF. 1ª Turma. Inq 3932/DF 2001)
e Pet 5243/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 21/6/2016). Quanto à suspensão do processo, estabelecida no art. 53,
em seu § 3º, da CF/88, o Órgão de Cúpula do Poder
IMUNIDADE FORMAL EM RELAÇÃO À PRISÃO Judiciário brasileiro recebe a denúncia por crime ocorrido
PROVISÓRIA
após a diplomação e dá ciência à respectiva Casa Legislativa
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do que, por iniciativa de partido político nela representado,
Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em poderá, pelo voto da maioria de seus membros, até a
flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão decisão final, sustar o andamento da ação. Havendo a
remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa sustação do processo, haverá a consequente suspensão do
respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus lapso prescricional, enquanto durar o mandato, segundo o
membros, resolva sobre a prisão. (Redação dada pela EC 35, § 5º do mencionado dispositivo legal. O prazo de
de 2001) deliberação do pedido de sustação é de 45 dias,
improrrogáveis.
A imunidade formal quanto à prisão abrange a prisão civil e
penal, salvo na hipótese de flagrante de crime inafiançável PARLAMENTARES
(art. 53, § 2º, da CF). A imunidade relativa não abarca a PRERROGATIVA DE FORO
proibição de execução de pena privativa de liberdade
imposta ao membro do Congresso Nacional após o devido § 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do
processo legal. diploma, serão submetidos a julgamento perante o
Supremo Tribunal Federal. (Redação dada pela EC 35, de 2001)
Recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal
decidiu que o Poder Judiciário tem competência para impor Com a diplomação, os possuidores de mandato no Poder
a parlamentares as medidas cautelares do artigo 319 do Legislativo Federal, passam a ser processados e julgados
Código de Processo Penal (CPP). Apenas no caso da perante o Supremo Tribunal Federal, nos crimes comuns,
imposição de medida que dificulte ou impeça, direta ou consubstanciando a prerrogativa de foro, que só permanece
indiretamente, o exercício regular do mandato, a decisão com o parlamentar enquanto durar o exercício de seu
judicial deve ser remetida, em 24 horas, à respectiva Casa mandato. O crime comum, em consonância com
Legislativa para deliberação (ADI nº 5526). entendimento do Supremo Tribunal Federal, abrange todas
as modalidades de infrações penais, inclusive crimes contra
 Jurisprudência relacionada ao tema:
a vida e as contravenções penais, assim como crimes
EMENTA. (...).O Poder Judiciário é competente para impor, eleitorais. A prerrogativa de foro prevalece na hipótese do
aos parlamentares, as medidas cautelares previstas no art. parlamentar vir a ocupar algum Ministério do Poder
319 do CPP. Contudo, caso qualquer dessas medidas Executivo, ou outro cargo público que não seja incompatível
impossibilite o exercício da função legislativa, deverá o STF, com o seu mandato, não subsistindo, assim, neste caso,
órgão competente para o processamento e julgamento de nem a imunidade formal, nem a imunidade material.
membros do Congresso Nacional, encaminhar a sua decisão,
 Jurisprudência relacionada ao tema:
em 24 horas, à Câmara dos Deputados ou ao Senado
Federal para que a respectiva Casa delibere se a medida SÚMULA 451, STF. A competência especial por prerrogativa
cautelar imposta deve ou não ser mantida. Aplicação de função não se estende ao crime cometido após a
analógica da regra do §2º do art. 53 da CF/88 também para cessação definitiva do exercício funcional.
as medidas cautelares diversas da prisão. (STF. Plenário. ADI SÚMULA 704, STF. Não viola as garantias do juiz natural, da
5526/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. ampla defesa e do devido processo legal a atração por
Alexandre de Moraes, julgado em 11/10/2017). continência ou conexão do processo do corréu ao foro por
IMUNIDADE FORMAL prerrogativa de função de um dos denunciados.
EM RELAÇÃO À SUSPENSÃO DO PROCESSO
EMENTA. (...) I. - O fato de um dos corréus ser Deputado
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, Federal não impede o desmembramento do feito com base
por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal no art. 80 do Código de Processo Penal. II. - A possibilidade
Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de separação dos processos quando conveniente à instrução
de partido político nela representado e pelo voto da penal é aplicável também em relação ao crime de quadrilha
maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, ou bando (art. 288 do Código Penal). (...).
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EMENTA. AÇÃO PENAL. QUESTÕES DE ORDEM. CRIME


DOLOSO CONTRA A VIDA IMPUTADO A PARLAMENTAR § 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a
FEDERAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas
VERSUS COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI. NORMA em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas
CONSTITUCIONAL ESPECIAL. PREVALÊNCIA. RENÚNCIA AO que lhes confiaram ou deles receberam informações.
(Redação dada pela EC 35, de 2001)
MANDATO. ABUSO DE DIREITO. NÃO RECONHECIMENTO.
EXTINÇÃO DA COMPETÊNCIA DO STF PARA JULGAMENTO. § 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e
REMESSA DOS AUTOS AO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU. 1. O Senadores, embora militares e ainda que em tempo de
réu, na qualidade de detentor do mandato de parlamentar guerra, dependerá de prévia licença da Casa respectiva.
federal, detém prerrogativa de foro perante o Supremo (Redação dada pela EC 35, de 2001)
Tribunal Federal, onde deve ser julgado pela imputação da § 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão
prática de crime doloso contra a vida. (...). 3. A renúncia do durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas
réu produz plenos efeitos no plano processual, o que implica
mediante o voto de dois terços dos membros da Casa
a declinação da competência do Supremo Tribunal Federal respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do
para o juízo criminal de primeiro grau. (...). 4. Autos Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a
encaminhados ao juízo atualmente competente. (STF AP
execução da medida. (Redação dada pela EC 35, de 2001)
333/PB, rel. Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, DJ
11/04/2008). As regras sobre inviolabilidade, imunidades, remuneração,
perda de mandado, licença, impedimentos e incorporação
EMENTA. Questão de Ordem em Inquérito. 1. (...) 2.
às forças armadas previstas nos arts. 53 a 56, da CF/88,
Apuração do envolvimento do parlamentar quanto à
serão aplicadas aos parlamentares estaduais (art. 27, § 1º,
ocorrência das supostas práticas delituosas sob investigação
da CF) e distritais (art. 32, § 3º, da CF/88).
na denominada “Operação Sanguessuga”. 3. (...) 4.
Considerações doutrinárias e jurisprudenciais acerca do Quanto aos vereadores, além da imunidade material, ou
tema da instauração de inquéritos em geral e dos inquéritos inviolabilidade, prevista no art. 29, VIII, da CF, possuem as
originários de competência do STF: i) a jurisprudência do STF mesmas regras de proibições e incompatibilidades similares,
é pacífica no sentido de que, nos inquéritos policiais em nos termos do inciso IX do art. 29, da CF. Não possuindo as
geral, não cabe a juiz ou a Tribunal investigar, de ofício, o imunidades formais e nem a prerrogativa de foro.
titular de prerrogativa de foro; ii) qualquer pessoa que, na
condição exclusiva de cidadão, apresente “notitia criminis”, PROIBIÇÕES
diretamente a este Tribunal é parte manifestamente PERDA DO MANDATO. CASSAÇÃO. EXTINÇÃO
ilegítima para a formulação de pedido de recebimento de
Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão:
denúncia para a apuração de crimes de ação penal pública
incondicionada. Precedentes (...). iii) diferenças entre a I - desde a expedição do diploma;
regra geral, o inquérito policial disciplinado no Código de
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito
Processo Penal e o inquérito originário de competência do
público, autarquia, empresa pública, sociedade de
STF regido pelo art. 102, I, b, da CF e pelo RI/STF. (...). Se a
economia mista ou empresa concessionária de serviço
Constituição estabelece que os agentes políticos
público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas
respondem, por crime comum, perante o STF (CF, art. 102, I,
uniformes;
b), não há razão constitucional plausível para que as
atividades diretamente relacionadas à supervisão judicial b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego
(abertura de procedimento investigatório) sejam retiradas remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis “ad
do controle judicial do STF. A iniciativa do procedimento nutum”, nas entidades constantes da alínea anterior;
investigatório deve ser confiada ao MPF contando com a
II - desde a posse:
supervisão do Ministro-Relator do STF. 5. A Polícia Federal
não está autorizada a abrir de ofício inquérito policial para a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa
apurar a conduta de parlamentares federais ou do próprio que goze de favor decorrente de contrato com pessoa
Presidente da República (no caso do STF). No exercício de jurídica de direito público, ou nela exercer função
competência penal originária do STF (CF, art. 102, I, b c/c Lei remunerada;
8.038/1990, art. 2º e RI/STF, arts. 230 a 234), a atividade de
b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis “ad
supervisão judicial deve ser constitucionalmente
nutum”, nas entidades referidas no inciso I, “a”;
desempenhada durante toda a tramitação das investigações
desde a abertura dos procedimentos investigatórios até o c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das
eventual oferecimento, ou não, de denúncia pelo dominus entidades a que se refere o inciso I, “a”;
litis. 6. Questão de ordem resolvida no sentido de anular o
d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público
ato formal de indiciamento promovido pela autoridade
eletivo.
policial em face do parlamentar investigado. (STF Inq 2.411
QO/MT, rel. Min. Gilmar Mendes, 10/10/2007). A Constituição Federal prevê como forma de garantia da
independência do Poder Legislativo, algumas vedações aos
OUTRAS IMUNIDADES parlamentares, conhecidas como incompatibilidades.
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As incompatibilidades podem ser classificadas em funcionais Quando houver ausência à terça parte das sessões
(art. 54, I, “b” e II, “b”, da CF/88), negociais ou contratuais ordinárias da respectiva Casa ou privação dos direitos
(art. 54, I, “a”, da CF/88), políticas (art. 54, II, “c”, da CF/88) políticos, a perda será declarada pela Mesa da Casa
e profissionais (art. 54, II, “a” e II, “c”, da CF/88). respectiva (extinção do mandato eletivo).
Existem termos iniciais diferentes para a incidência das  Jurisprudência relacionada ao tema:
incompatibilidades, algumas a partir do momento da
EMENTA. (...). III. Suspensão de direitos políticos pela
diplomação, outras a partir da posse.
condenação criminal transitada em julgado (CF, art. 15, III):
Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador: interpretação radical do preceito dada pelo STF (RE 179502),
a cuja revisão as circunstâncias do caso não animam
I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no (condenação por homicídio qualificado a pena a ser
artigo anterior; cumprida em regime inicial fechado). IV. Suspensão de
II - cujo procedimento for declarado incompatível com o direitos políticos pela condenação criminal: direito
decoro parlamentar; intertemporal. À incidência da regra do art. 15, III, da
Constituição, sobre os condenados na sua vigência, não
III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, cabe opor a circunstância de ser o fato criminoso anterior à
à Terça parte das sessões ordinárias da Casa a que promulgação dela a fim de invocar a garantia da
pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada; irretroatividade da lei penal mais severa: cuidando-se de
IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos; norma originária da Constituição, obviamente não lhe são
oponíveis as limitações materiais que nela se impuseram ao
V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos
poder de reforma constitucional. Da suspensão de direitos
previstos nesta Constituição;
políticos - efeito da condenação criminal transitada em
VI - que sofrer condenação criminal em sentença julgado - ressalvada a hipótese excepcional do art. 55, § 2º,
transitada em julgado. da Constituição - resulta por si mesma a perda do mandato
eletivo ou do cargo do agente político. (...). (STF RE
§ 1º É incompatível com o decoro parlamentar, além dos
418.876/MT, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 04/06/2004).
casos definidos no regimento interno, o abuso das
prerrogativas asseguradas a membro do Congresso
Art. 56. Não perderá o mandato o Deputado ou Senador:
Nacional ou a percepção de vantagens indevidas.
I - investido no cargo de Ministro de Estado, Governador
§ 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato
de Território, Secretário de Estado, do Distrito Federal, de
será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado
Território, de Prefeitura de Capital ou chefe de missão
Federal, maioria absoluta, mediante provocação da
diplomática temporária;
respectiva Mesa ou de partido político representado no
Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. (Alterado II - licenciado pela respectiva Casa por motivo de doença,
pela ECR 76, de 2013) ou para tratar, sem remuneração, de interesse particular,
§ 3º Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será desde que, neste caso, o afastamento não ultrapasse cento
declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou e vinte dias por sessão legislativa.
mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de § 1º O suplente será convocado nos casos de vaga, de
partido político representado no Congresso Nacional, investidura em funções previstas neste artigo ou de licença
assegurada ampla defesa. superior a cento e vinte dias.
§ 4º A renúncia de parlamentar submetido a processo que § 2º Ocorrendo vaga e não havendo suplente, far-se-á
vise ou possa levar à perda do mandato, nos termos deste eleição para preenchê-la de faltarem mais de quinze meses
artigo, terá seus efeitos suspensos até as deliberações para o término do mandato.
finais de que tratam os §§ 2º e 3º. (Incluído pela ECR 6, de
1994) § 3º Na hipótese do inciso I, o Deputado ou Senador
poderá optar pela remuneração do mandato.
O art. 55 da Constituição Federal estabelece as hipóteses
em que, excepcionalmente, os parlamentares perderão o  Jurisprudência relacionada ao tema:
mandato, antes do término do mesmo. EMENTA. (...) 3. O membro do Congresso Nacional que se
O “decoro parlamentar” deve ser entendido como o licencia do mandato para investir-se no cargo de Ministro de
conjunto de regras legais e morais que devem reger a Estado não perde os laços que o unem, organicamente, ao
conduta dos parlamentares, no sentido de dignificação da Parlamento (CF, art. 56, I). Consequentemente, continua a
nobre atividade legislativa. subsistir em seu favor a garantia constitucional da
prerrogativa de foro em matéria penal (INQ-QO 777-3/TO,
Nos casos de infringência das incompatibilidades, falta de rel. min. Moreira Alves, DJ 01.10.1993), bem como a
decoro parlamentar e condenação criminal em sentença faculdade de optar pela remuneração do mandato (CF, art.
transitada em julgado, a perda do mandato será decidida 56, § 3º). Da mesma forma, ainda que licenciado, cumpre-
pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal lhe guardar estrita observância às vedações e
(cassação do mandato eletivo).
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OS: 0084/1/18-Gil

incompatibilidades inerentes ao estatuto constitucional do políticos aquiescem com a possibilidade de distribuição e


congressista, assim como às exigências ético-jurídicas que a rodízio no exercício do poder buscado em conjunto no
Constituição (CF, art. 55, § 1º) e os regimentos internos das processo eleitoral. 9. Segurança denegada. (STF MS
casas legislativas estabelecem como elementos 30.260/DF, Rel. Min. Cármem Lúcia, Tribunal Pleno, DJ
caracterizadores do decoro parlamentar. 4. Não obstante, o 29.08.2011).
princípio da separação e independência dos poderes e os
mecanismos de interferência recíproca que lhe são
inerentes impedem, em princípio, que a Câmara a que
pertença o parlamentar o submeta, quando licenciado nas
condições supramencionadas, a processo de perda do
mandato, em virtude de atos por ele praticados que tenham
estrita vinculação com a função exercida no Poder Executivo PODER LEGISLATIVO NO ÂMBITO ESTADUAL,
(CF, art. 87, parágrafo único, incisos I, II, III e IV), uma vez DISTRITAL E MUNICIPAL
que a Constituição prevê modalidade específica de No âmbito do Estado, o Poder Legislativo está
responsabilização política para os membros do Poder regulamentado no art. 27, da CF, que diz:
Executivo (CF, arts. 85, 86 e 102, I, c). 5. Na hipótese dos
Art. 27. O número de Deputados à Assembleia Legislativa
autos, contudo, embora afastado do exercício do mandato
corresponderá ao triplo da representação do Estado na
parlamentar, o Impetrante foi acusado de haver usado de
Câmara dos Deputados e, atingindo o número de trinta e
sua influência para levantar fundos junto a bancos “com a seis, será, acrescido, de tantos quantos forem os Deputados
finalidade de pagar parlamentares para que, na Câmara dos Federais acima de doze.
Deputados, votassem projetos em favor do Governo” §1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados
(Representação 38/2005, formulada pelo PTB). (...). (STF MS Estaduais, aplicando-se lhes as regras desta Constituição
25.576 MC/DF, rel. Sepúlveda Pertence, 24/08/2007). sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades,
remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e
EMENTA. (...). O suplente, em sua posição de substituto incorporação às Forças Armadas.
eventual de membro do Congresso Nacional, não goza - §2º O subsidio dos Deputados Estaduais será fixado por lei
enquanto permanecer nessa condição - das prerrogativas de Iniciativa da Assembleia Legislativa, na razão de no
constitucionais deferidas ao titular do mandato legislativo, máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido,
tanto quanto não se lhe estendem as incompatibilidades, em espécie, para os Deputados Federais, observado o que
que, previstas na Carta Política, incidem, unicamente, sobre dispõem os arts. 39, § 4º, 57, § 7º, 150, II, 153, III, e 153, §
20, I. (Redação dada pela EC 19, de 1998)
aqueles que estão no desempenho do ofício parlamentar. -
A Constituição da República não atribui, ao suplente de
Em regra, o que se fixa aos parlamentares federais, é
Deputado Federal ou de Senador, a prerrogativa de foro,
aplicável aos parlamentares estaduais.
ratione muneris, perante o Supremo Tribunal Federal, pelo
fato de o suplente - enquanto ostentar essa específica No que tange ao número de membros, deve-se obedecer as
condição - não pertencer a qualquer das Casas que seguintes regras:
compõem o Congresso Nacional. (...). (STF Inq. 1.684/PR, rel.
Regra 1:
Min. Celso de Mello, 18/12/2001).
Dep. Est. = 3 X Dep. Fed. (de 8 até 12 deputados federais).
EMENTA. MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO.
Regra 2:
CONSTITUCIONAL. SUPLENTES DE DEPUTADO FEDERAL.
Dep. Est. = 36 + Dep. Fed. - 12 (a partir dos 13 deputados
ORDEM DE SUBSTITUIÇÃO FIXADA SEGUNDO A ORDEM DA
federais até 70 deputados federais).
COLIGAÇÃO. REJEIÇÃO DAS PRELIMINARES DE
ILEGITIMIDADE ATIVA E DE PERDA DO OBJETO DA AÇÃO. Diferentemente dos federais, não há prerrogativa de foro
AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. SEGURANÇA para Deputados Estaduais estabelecida pela Constituição
DENEGADA. 1. (...). 6. O quociente partidário para o Federal, entretanto a Constituição Estadual poderá prevê a
preenchimento de cargos vagos é definido em função da competência do Tribunal de Justiça local para julgá-los.
coligação, contemplando seus candidatos mais votados,
O subsídio dos deputados estaduais será alterável por lei.
independentemente dos partidos aos quais são filiados.
Esse pagamento aos deputados estaduais será composto de
Regra que deve ser mantida para a convocação dos
verba única, sem qualquer tipo de adicional, gratificação,
suplentes, pois eles, como os eleitos, formam lista única de
abonos ou verbas especiais (conforme o art. 39, § 4º). Não
votações nominais que, em ordem decrescente, representa
haverá pagamento de verba indenizatória em razão de
a vontade do eleitorado. 7. A sistemática estabelecida no
convocação extraordinária (art. 57, § 7º). Esses subsídios
ordenamento jurídico eleitoral para o preenchimento dos
continuam sendo descontados de imposto de renda (arts.
cargos disputados no sistema de eleições proporcionais é
150 e 153).
declarada no momento da diplomação, quando são
ordenados os candidatos eleitos e a ordem de sucessão No que tange ao Distrito Federal, o Poder Legislativo segue
pelos candidatos suplentes. A mudança dessa ordem atenta as mesmas regras dos Estados-membros, conforme se vê no
contra o ato jurídico perfeito e desvirtua o sentido e a razão art. 32, § 3º:
de ser das coligações. 8. Ao se coligarem, os partidos

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Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em i) 25 (vinte e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de
Municípios, reger-se-ão por lei orgânica, votada em dois 450.000 (quatrocentos e cinquenta mil) habitantes e de até
turnos com interstício mínimo de dez dias, a aprovada por 600.000 (seiscentos mil) habitantes;
dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, j) 27 (vinte e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição. 600.000 (seiscentos mil) habitantes e de até 750.000
(...) (setecentos cinquenta mil) habitantes;
§3º Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa
k) 29 (vinte e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de
aplica-se o disposto no art. 27.
750.000 (setecentos e cinquenta mil) habitantes e de até
900.000 (novecentos mil) habitantes;
l) 31 (trinta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de
900.000 (novecentos mil) habitantes e de até 1.050.000
O Legislativo Municipal consta no art. 29, da CF, que diz: (um milhão e cinquenta mil) habitantes;
Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em m) 33 (trinta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de
dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e 1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) habitantes e de até
aprovada por dois terços dos membros da Câmara 1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes;
Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios n) 35 (trinta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de
estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do 1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes e de até
respectivo Estado e os seguintes preceitos: 1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil)
habitantes;
O Município é dotado de autonomia política, administrativa
o) 37 (trinta e sete) Vereadores, nos Municípios de
e financeira, que o leva a exercer quatro capacidades: a) de
1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil)
auto organização, mediante o poder elaborar a sua lei habitantes e de até 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil)
orgânica, respeitados os princípios das Constituições Federal habitantes;
e Estadual; b) de autogoverno, pela eletividade de Prefeito e p) 39 (trinta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de
Vereadores, sendo sabido que o Município não dispõe de 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habitantes e de até
Judiciário, tornando-se um ente federativo atípico ou 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes;
anômalo; c) normativa, de elaboração das leis de que q) 41 (quarenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais
necessite, nos termos do art. 30, I e II; d) de de 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes e de
autoadministração, para manter e prestar os serviços de até 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes;
interesse local. r) 43 (quarenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais
Art. 29. (...) de 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes e
de até 3.000.000 (três milhões) de habitantes;
I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores,
para mandato de quatro anos, mediante o pleito direto e s) 45 (quarenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais
simultâneo realizado em todo o País; de 3.000.000 (três milhões) de habitantes e de até
4.000.000 (quatro milhões) de habitantes;
(...)
t) 47 (quarenta e sete) Vereadores, nos Municípios de mais
IV - para a composição das Câmaras Municipais, será
de 4.000.000 (quatro milhões) de habitantes e de até
observado o limite máximo de:
5.000.000 (cinco milhões) de habitantes;
a) 9 (nove) Vereadores, nos Municípios de até 15.000
u) 49 (quarenta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais
(quinze mil) habitantes;
de 5.000.000 (cinco milhões) de habitantes e de até
b) 11 (onze) Vereadores, nos Municípios de mais de 15.000 6.000.000 (seis milhões) de habitantes;
(quinze mil) habitantes e de até 30.000 (trinta mil)
v) 51 (cinquenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais
habitantes;
de 6.000.000 (seis milhões) de habitantes e de até
c) 13 (treze) Vereadores, nos Municípios com mais de 7.000.000 (sete milhões) de habitantes;
30.000 (trinta mil) habitantes e de até 50.000 (cinquenta
w) 53 (cinquenta e três) Vereadores, nos Municípios de
mil) habitantes;
mais de 7.000.000 (sete milhões) de habitantes e de até
d) 15 (quinze) Vereadores, nos Municípios de mais de 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; e
50.000 (cinquenta mil) habitantes e de até 80.000 (oitenta
x) 55 (cinquenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de
mil) habitantes;
mais de 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; (Redação
e) 17 (dezessete) Vereadores, nos Municípios de mais de alterada pela Emenda Constitucional nº 58, de 2009).
80.000 (oitenta mil) habitantes e de até 120.000 (cento e
(...)
vinte mil) habitantes;
VI - o subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas
f) 19 (dezenove) Vereadores, nos Municípios de mais de
Câmaras Municipais em cada legislatura para a
120.000 (cento e vinte mil) habitantes e de até 160.000
subsequente, observado o que dispõe esta Constituição,
(cento sessenta mil) habitantes;
observados os critérios estabelecidos na respectiva Lei
g) 21 (vinte e um) Vereadores, nos Municípios de mais de Orgânica e os seguintes limites máximos:
160.000 (cento e sessenta mil) habitantes e de até 300.000
(Incluído pela EC 25, de 2000)
(trezentos mil) habitantes;
a) em Municípios de até dez mil habitantes, o subsídio
h) 23 (vinte e três) Vereadores, nos Municípios de mais de
máximo dos Vereadores corresponderá a vinte por cento do
300.000 (trezentos mil) habitantes e de até 450.000
subsídio dos Deputados Estaduais;
(quatrocentos e cinquenta mil) habitantes;
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(Incluído pela EC 25, de 2000) expressão contida na segunda parte do inciso XVII do art. 13 da
b) em Municípios de dez mil e um a cinquenta mil Constituição do Estado de Sergipe. (...). (ADI 371/SE, rel. Min.
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores Maurício Corrêa, 23/04/2004).
corresponderá a trinta por cento do subsídio dos Deputados
Estaduais; (Incluído pela EC 25, de 2000)
c) em Municípios de cinquenta mil e um a cem mil
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores Art. 29. (...)
corresponderá a quarenta por cento do subsídio dos
Deputados Estaduais; (Incluído pela EC 25, de 2000) IX - proibições e incompatibilidades, no exercício da
vereança, similares, no que couber, ao disposto nesta
d) em Municípios de cem mil e um a trezentos mil
Constituição para os membros do Congresso Nacional e na
habitantes, o subsidio máximo dos Vereadores
Constituição do respectivo Estado para os membros da
corresponderá a cinquenta por cento do subsídio dos
Assembleia Legislativa;
Deputados Estaduais; (Incluído pela EC 25, de 2000)
e) em Municípios de trezentos mil e um a quinhentos mil Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo
habitantes’ o subsídio máximo dos Vereadores Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e
corresponderá a sessenta por cento do subsídio dos excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os
Deputados Estaduais; (Incluído pela EC 25, de 2000) seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita
tributária e das transferências previstas no § 5o do art. 153
f) em Municípios de mais de quinhentos mil habitantes, o
e nos arts. 158 e 159, efetivamente realizado no exercício
subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a setenta e
anterior: (Incluído pela EC 25, de 2000)
cinco por cento do subsidio dos Deputados Estaduais;
(Incluído pela EC 25, de 2000) I - 7% (sete por cento) para Municípios com população de
até 100.000 (cem mil) habitantes; (Redação dada pela EC
Não há possibilidade de alteração de subsídios na mesma 58, de 2009)
legislatura.
II - 6% (seis por cento) para Municípios com população
Nas alíneas, o limite geral de 75% dos subsídios dos entre 100.000 (cem mil) e 300.000 (trezentos mil)
Deputados Estaduais passa a ser escalonado de acordo com habitantes; (Redação dada pela EC 58, de 2009)
a população do Município, iniciando em 20% daqueles III - 5% (cinco por cento) para Municípios com população
subsídios, para Municípios de até 10.000 habitantes. entre 300.001 (trezentos mil e um) e 500.000 (quinhentos
mil) habitantes; (Redação dada pela EC 58, de 2009)
Art. 29. (...)
VII - o total da despesa com a remuneração dos Vereadores IV - 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento) para
não poderá ultrapassar o montante de cinco por cento da Municípios com população entre 500.001 (quinhentos mil e
receita do Município; (Incluído pela EC 1, de 1992) um) e 3.000.000 (três milhões) de habitantes; (Redação
VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, dada pela EC 58, de 2009)
palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição V - 4% (quatro por cento) para Municípios com população
do Município; entre 3.000.001 (três milhões e um) e 8.000.000 (oito
milhões) de habitantes; (Incluído pela EC 58, de 2009)
O vereador não dispõe de imunidades formais, ou freedon
from arrest, quais sejam: a proteção contra prisão criminal VI - 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) para
ou civil e contra processo criminal, assegurada aos Municípios com população acima de 8.000.001 (oito
milhões e um) habitantes. (Incluído pela EC 58, de 2009)
legisladores federais pelo art. 53, §§ 2º ao 5º e aos
legisladores estaduais pelo art. 27, §1º. É beneficiado § 1º A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por
apenas pela imunidade material, prevista no art. 53, caput, cento de sua receita com folha de pagamento, incluído o
ou freedon of speech. Não há também previsão de gasto com o subsídio de seus Vereadores. (Incluído pela EC
prerrogativa de foro. 25, de 2000)

 Jurisprudência relacionada ao tema:


PROCESSO LEGISLATIVO
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
CONSTITUÇÃO DO ESTADO DE SERGIPE, ARTIGO 13, INCISO XVII,
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração
QUE ASSEGURA AOS VEREADORES A PRERROGATIVA DE NÃO
de:
SEREM PRESOS, SALVO EM FLAGRANTE DE CRIME INAFIANÇÁVEL,
NEM PROCESSADOS CRIMINALMENTE SEM A DEVIDA I - emendas à Constituição;
AUTORIZAÇÃO DA RESPECTIVA CÂMARA LEGISLATIVA, COM
SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO ENQUANTO DURAR O MANDATO. II - leis complementares;
COMPETÊNCIA DA UNIÃO PARA LEGISLAR SOBRE DIREITO PENAL E
III - leis ordinárias;
PROCESSUAL PENAL. 1. O Estado-membro não tem competência
para estabelecer regras de imunidade formal e material aplicáveis IV - leis delegadas;
a Vereadores. A Constituição Federal reserva à União legislar sobre
Direito Penal e Processual Penal. 2. As garantias que integram o V - medidas provisórias;
universo dos membros do Congresso Nacional (CF, art. 53, §§ 1º,
VI - decretos legislativos;
2º, 5º e 7º), não se comunicam aos componentes do Poder
Legislativo dos Municípios. Precedentes. Ação direta de VII - resoluções.
inconstitucionalidade procedente para declarar inconstitucional a
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Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a A Iniciativa de lei é a faculdade que se atribui a alguém ou a
elaboração, redação, alteração e consolidação das leis. algum órgão para apresentar projetos de lei ao Legislativo,
podendo ser parlamentar ou extraparlamentar e
Processo legislativo é o conjunto de atos a serem realizados concorrente ou exclusiva.
pelos órgãos legislativos, visando à formação das espécies
normativas previstas no art. 59 (atos normativos primários Diz-se iniciativa de lei parlamentar a prerrogativa que a
ou leis em sentido formal). Constituição confere a todos os membros do Congresso
Nacional de apresentação de projeto de lei. Por outro lado,
As regras básicas de processo legislativo previstas na iniciativa de lei extraparlamentar é àquela conferida ao
Constituição Federal impõem-se, enquanto padrão Chefe do Poder Executivo, ao Supremo Tribunal Federal, aos
normativo, de compulsório atendimento, à observância Tribunais Superiores, ao Ministério Público e aos cidadãos. A
incondicional dos Estados-Membros, como modelos iniciativa concorrente ocorre quando há possibilidade de
obrigatórios às Constituições Estaduais (princípio da dois ou mais legitimados apresentarem projeto de lei sobre
simetria constitucional). a mesma matéria e a exclusiva (privativa) é aquela que
Apesar de existe uma minoria doutrinária que defende a somente por ser exercida por um único legitimado (art. 61,
hierarquia das leis complementares em relação às leis § 1º).
ordinárias, o Supremo Tribunal Federal chancelou seu O cidadão também tem direito de iniciar o processo
entendimento em sentido contrário, aduzindo que a legislativo em razão da soberania popular, prevista no artigo
questão esta relacionada à distribuição de matéria 14, III, da CF/88, nos termos do art. 61, § 2º, que dispõe:
legislativa.
Só poderá ser objeto de lei complementar a matéria Art. 61. (...)
§ 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela
taxativamente prevista na Constituição Federal, enquanto
apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei
todas as demais matérias deverão ser objeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado
ordinária. nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com
O processo legislativo de emenda constitucional consta no não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada
um deles.
art. 60, das leis ordinárias e complementares estão nos
arts. 61, 63, 64, 65, 66 e 67, de medida provisória está Dispositivos correspondentes: arts. 27, § 4º e 29, XIII, da CF.
previsto no art. 62 e lei delegada no art. 68, da CF.
INICIATIVA PRIVATIVA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
 Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei § 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República
ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente as leis que:
constitucional, relacionada à distribuição material entre as I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
espécies legais. (...). (STF RE 377.457/PR, rel. Min. Gilmar
Mendes, 17/09/2008) Dispositivos correspondentes: arts. 48, III, 84, XIII, da CF.
II - disponham sobre:
LEI ORIDNÁRIA E LEI COMPLEMENTAR
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na
São duas as diferenças entre lei complementar e lei administração direta e autárquica ou aumento de sua
ordinária. A primeira é material, uma vez que somente remuneração;
poderá ser objeto de lei complementar a matéria
taxativamente prevista na Constituição Federal, enquanto Trata-se de iniciativa reservada ao âmbito do Poder
todas as demais matérias deverão ser objeto de lei Executivo, considerando a iniciativa do Poder Legislativo
ordinária. A segunda é formal e diz respeito ao processo (arts. 51, IV e 52, XIII) e a do Poder Judiciário (art. 96, II, b).
legislativo, na fase de votação. Enquanto o quórum para Dispositivos correspondentes: arts. 48, X e 84, II, VI e XXV,
aprovação da lei ordinária é de maioria simples (art. 47), o da CF.
quórum para aprovação da lei complementar é de maior
absoluta (art. 69). b) organização administrativa e judiciária, matéria
tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da
FASE INTRODUTÓRIA administração dos Territórios;

Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias A iniciativa privativa do Chefe do Executivo, nessa alínea,
cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos restringe-se ao âmbito dos Territórios, entretanto no que
Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, diz respeito à competência orçamentária, estende-se à
ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, União, nos termos do art. 84, XXIII, da CF/88.
aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da Dispositivo correspondente: art. 48, IX, da CF.
República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos
nesta Constituição.  Jurisprudência relacionada ao tema:

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EMENTA. (...) 1. Não ofende o art. 61, § 1º, II, b da do Estado, da Secretaria de Estado da Administração e do
Constituição Federal lei oriunda de projeto elaborado na Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina pelo
Assembleia Legislativa estadual que trate sobre matéria “êxito judicial e pelo incremento efetivo da cobrança da
tributária, uma vez que a aplicação deste dispositivo está dívida ativa do Estado”. O Plenário verificou a existência de
circunscrita às iniciativas privativas do Chefe do Poder vício formal de iniciativa na edição da norma, pois a
Executivo Federal na órbita exclusiva dos territórios proposta de aumento de remuneração, tema de iniciativa
federais. (...). A reserva de iniciativa prevista no art. 165, II privativa do Poder Executivo, foi incluída durante a
da Carta Magna, por referir-se a normas concernentes às tramitação na Assembleia Legislativa, desrespeitando o
diretrizes orçamentárias, não se aplica as normas que princípio da independência dos poderes, prevista no art. 2º
tratam de direito tributário, como são aquelas que da Constituição Federal. A relatora observou ainda a falta de
concedem benefícios fiscais. (...). (STF ADI 2464/AM. Rel. pertinência temática, pois a criação da gratificação aos
Min. Ellen Gracie. DJ 25/05/2007) servidores do Poder Executivo estadual foi incluída por meio
de emenda parlamentar em medida provisória destinada a
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime estabelecer o subsídio mensal como forma de remuneração
jurídico, provimento de cargos, estabilidade e da carreira de procurador do estado.
aposentadoria; (Redação dada pela EC 18, de 1998)
 Jurisprudência relacionada ao tema:
Lei 8.112/90.
EMENTA. (...). As normas questionadas dispõem sobre
d) organização do Ministério Público e da Defensoria cadastro de contratações temporárias, bem como sobre
Pública da União, bem como normas gerais para a alterações nos quadros de cargos de provimento efetivo, de
organização do Ministério Público e da Defensoria Pública cargos em comissão e de funções gratificadas do instituto-
dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; geral de perícias daquela unidade federativa,
respectivamente. Assinalou-se que os projetos de lei seriam
Note-se que essa iniciativa é facultativa ao Procurador Geral
de iniciativa do Chefe do Poder Executivo estadual.
da República, nos termos do art. 128, § 5º, da CF.
Ademais, consignou-se que as emendas possuiriam
Dispositivo correspondente: art. 48, IX, da CF/88. pertinência temática com o projeto de lei originário e que
delas não decorreria aumento da despesa global prevista.
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da
(...). (STF ADI 2583/RS, rel. Min. Cármen Lúcia, 1º.8.2011).
administração pública, observado o disposto no art. 84, VI;
(Redação dada pela EC 32, de 2001)
Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de
Dispositivo correspondente: art. 48, XI, da CF. iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal
Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico,
dos Deputados.
provimento de cargos, promoções, estabilidade,
remuneração, reforma e transferência para a reserva.
(Redação dada pela EC 18, de 1998)
PEDIDO DE URGÊNCIA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Dispositivo correspondente: art. 84, XIII, da CF.
Art. 64. (...).
Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:
§ 1º O Presidente da República poderá solicitar urgência
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da para apreciação de projetos de sua iniciativa.
República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º;
§ 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o
II - nos projetos sobre organização dos serviços Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição,
administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias,
Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público. sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas
da respectiva Casa, com exceção das que tenham prazo
De acordo com esse dispositivo legal não são permitidas
constitucional determinado, até que se ultime a votação.
emendas que visem ao aumento de despesa prevista nos
(Redação dada pela EC 32, de 2001)
projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República,
sendo, de flagrante inconstitucionalidade, a norma inserida, § 3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela
por emenda parlamentar, em projeto de iniciativa exclusiva Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez dias,
do Chefe do Poder Executivo, que acarreta aumento de observado quanto ao mais o disposto no parágrafo
despesa pública, por flagrante ofensa ao princípio de anterior.
independência e harmonia entre os Poderes da República. § 4º Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso
Exemplo disso foi o julgamento do Supremo Tribunal do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de
Federal na Ação Direta de Inconstitucionalidade 4433/SC código.
que declarou a inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei
A Constituição Federal, como regra, não fixou prazo para
catarinense 15.215/2010, em 18.06.2015. A norma criava
que o Poder Legislativo exercesse sua função legiferante.
gratificação beneficiando servidores da Procuradoria Geral
Há, porém, uma exceção prevista nesse artigo que
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estabelece o chamado “regime de urgência constitucional” aprovado pelas duas Casas Legislativas, haverá participação
ou “processo legislativo sumário”. do chefe do Poder Executivo, por meio do exercício do veto
ou da sanção (deliberação executiva).
FASE CONSTITUTIVA Tratando-se de lei ordinária, a aprovação do projeto de lei
DELIBERAÇÃO PARLAMENTAR E
condiciona-se à maioria simples dos membros da respectiva
DELIBERAÇÃO EXECUTIVA
Casa, ou seja, somente haverá aprovação pela maioria dos
Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será votos, presente a maioria absoluta de seus membros (art. 47
revisto pela outra, em um só turno de discussão e votação, da CF/88, que diz: “Salvo disposição constitucional em
e enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o contrário, as deliberações de cada Casa e de suas Comissões
aprovar, ou arquivado, se o rejeitar. serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria
absoluta de seus membros”).
Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à
Casa iniciadora. O quórum constitucional de maioria simples corresponde a
um número variável, pois, dependendo de quantos
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação parlamentares estiverem presentes, esse número poderá
enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que, alterar-se. No caso de elaboração de lei complementar o
aquiescendo, o sancionará. quórum será de maioria absoluta (art. 69).
§ 1º Se o Presidente da República considerar o projeto, no Uma vez, e somente se aprovado o projeto de lei por uma
todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao das Casas, seguirá para a outra, que exercerá o papel de
interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo Casa Revisora.
de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e Na Casa Revisora o projeto de lei será analisado, discutido e
comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao votado. Se o projeto de lei for aprovado nos mesmos termos
Presidente do Senado Federal os motivos do veto. da Casa Inicial, seguirá para o Presidente da República.
§ 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de Se, porém, o projeto de lei for rejeitado, a matéria nele
artigo, de parágrafo, de Inciso ou de alínea. constante somente poderá constituir-se objeto de novo
projeto na próxima sessão legislativa. Essa regra é
§ 3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do excetuada, no caso de reapresentação, mediante proposta
Presidente da República importará sanção. da maioria absoluta dos Deputados Federais ou dos
§ 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de Senadores conforme o art. 67, da CF/88.
trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser Caso o projeto de lei seja aprovado com alterações, haverá
rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e retorno dessas alterações à Casa Legislativa inicial e votação
Senadores. (Redação dada pela ECR 76, de 2013) em um único turno. Empós, será o projeto enviado ao
§ 5º Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, Executivo.
para promulgação, ao Presidente da República. Após o término da deliberação parlamentar, o projeto de lei
aprovado pelo Congresso Nacional é remetido à deliberação
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § executiva, na qual será analisado pelo Presidente da
4º, o veto será colocado na ordem do dia da sessão República, podendo este vetá-lo ou sancioná-lo (art. 66).
imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua
votação final. (Redação dada pela EC 32, de 2001) A sanção é a aquiescência do Presidente da República aos
termos de um projeto de lei devidamente aprovado pelo
§ 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito Congresso Nacional. Poderá ser expressa, nos casos em que
horas pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º e § o Presidente manifesta-se favoravelmente, no prazo de 15
5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o dias úteis, ou tácita, quando silencia nesse mesmo prazo. A
fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado sanção também poderá ser total ou parcial, conforme
fazê-lo. concorde ou não com a totalidade do projeto de lei já
Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado aprovado pelo Parlamento.
somente poderá constituir objeto de novo projeto, na Veto é a manifestação de discordância do Presidente da
mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria República com o projeto de lei aprovado pelo Poder
absoluta dos membros de qualquer das Casas do Legislativo, no prazo de 15 (quinze) dias úteis, iniciando-se
Congresso Nacional. sua contagem com o recebimento do projeto de lei por
parte do Chefe do Poder Executivo.
Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por
maioria absoluta. Presidente da República poderá discordar do projeto de lei,
ou por entendê-lo inconstitucional (veto jurídico) ou
Apresentado o projeto de lei ao Congresso Nacional (fase contrário ao interesse público (veto político).
introdutória), haverá ampla discussão e votação sobre a O veto é irretratável, pois, uma vez manifestado e
matéria nas duas Casas, delimitando-se o objeto a ser comunicadas as razões ao Poder Legislativo, tornar-se-á
aprovado, rejeitado ou mesmo emendado pelo Poder insuscetível de alteração de opinião do Presidente da
Legislativo (art. 65). Além da atividade legislativa República.
(deliberação parlamentar), caso o projeto de lei seja
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Se houver sanção parcial, somente o texto vetado retornará III - de mais da metade das Assembleias legislativas das
ao Congresso Nacional para deliberação. A parte sancionada Unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas,
deverá ser, no prazo de 48horas, promulgada e publicada. pela maioria relativa de seus membros.
A votação sobre a manutenção ou derrubada do veto será O rol dos legitimados para a iniciativa de uma proposta de
realizada em sessão conjunta (art. 57, § 3º). Se o veto for emenda constitucional é taxativo.
superado, pela maioria absoluta dos Deputados e O professor Pedro Lenza defende a tese de que pode há
Senadores, a lei será remetida ao Presidente da República possiblidade de proposição popular, por considerar que o
para promulgação. titular do poder constituinte é o Povo (art. 1º, § único, da
Promulgar é atestar que a ordem jurídica foi inovada, CF). Tese não acolhida pela jurisprudência pátria.
declarando que uma lei existe e, em consequência, deverá
ser cumprida. Em regra é o próprio Presidente da República FASE CONSTITUTIVA: DELIBERAÇÃO PARLAMENTAR
que promulga a lei (art. 84, IV), mesmo nos casos em que
seu veto haja sido derrubado pelo Congresso Nacional. § 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do
Nesse caso, a Constituição Federal fixa um prazo de 48 Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se
horas, contadas da sanção expressa ou tácita ou da aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos
comunicação da rejeição do veto, findo o qual, a respectivos membros.
competência transfere-se ao Presidente do Senado Federal
Na deliberação parlamentar, a proposta será aprovada com
e, se este não promulgá-la no mesmo prazo, fá-lo-á o Vice-
quorum qualificado, em dois turnos, em cada casa do
Presidente do Senado Federal (§ 7º).
Congresso Nacional, evidenciando que a Constituição
A publicação consiste em uma comunicação dirigida a todos Federal atual adotou um modelo rígido de mudança de suas
os que devem cumprir o ato normativo, informando-os de normas.
sua existência e de seu conteúdo, constituindo-se,
Importante ressaltar que no processo legislativo de
atualmente, na inserção do texto promulgado no Diário
emendas constitucionais não ocorre a deliberação
Oficial, para que se torne de conhecimento público a
executiva, pois não existe participação do Presidente da
existência da lei, pois é condição de eficácia da lei.
República na fase constitutiva, uma vez que não existe
sanção ou vento à emenda constitucional.
EMENDA CONSTITUCIONAL
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada
O legislador constituinte de 1988, ao prever a possibilidade ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova
de alteração das normas constitucionais por meio de um proposta na mesma sessão legislativa.
processo legislativo especial e mais dificultoso que o
ordinário, definiu nossa Constituição como rígida, fixando-se FASE COMPLEMENTAR
a ideia de supremacia da ordem constitucional.
§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas
A emenda à Constituição Federal, enquanto proposta, é
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal,
considerada um ato infraconstitucional sem qualquer
com o respectivo número de ordem.
normatividade, só ingressando no ordenamento jurídico
após sua aprovação, passando então a ser preceito Note-se que a competência, em regra, para promulgar as
constitucional, de mesma hierarquia das normas leis é do Presidente da República (art. 84, IV), no entanto,
constitucionais originárias. no caso de emendas constitucionais, a promulgação e
A Constituição Federal traz duas espécies de limitações ao publicação é atribuição do Poder Legislativo.
Poder de reformá-la: as limitações expressas e implícitas. As
limitações expressamente previstas no texto constitucional, LIMITAÇÕES CIRCUNSTANCIAIS
por sua vez, subdividem-se em três subespécies:
circunstanciais (art. 60, § 1º), materiais (art. 60, § 4º) e § 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência
formais (Art. 60, §§ 2º, 3º e 5º); Enquanto os limites de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado
implícitos do poder de reforma, que derivam dos limites de sítio.
expressos, dividem-se em dois grupos: as normas sobre o
titular do poder constituinte reformador e as disposições LIMITAÇÕES MATERIAIS
relativas à eventual supressão das limitações expressas.
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda
LIMITAÇÕES FORMAIS. FASES DO PROCESSO
tendente a abolir:
FASE INTRODUTÓRIA I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante
III - a separação dos Poderes;
proposta:
IV - os direitos e garantias individuais.
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Tais matérias formam o núcleo intangível da Constituição
Deputados ou do Senado Federal; Federal, denominado tradicionalmente por cláusulas
II - do Presidente da República; pétreas.
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No que tange aos direitos e garantias individuais, o rol não é densificação normativa da Constituição. Os conteúdos
taxativo, uma vez que os mesmos estão estabelecidos em semânticos das expressões "guerra", "comoção interna" e
toda a Constituição Federal, de forma explícita e implícita "calamidade pública" constituem vetores para a
(art. 5º, § 2º, da CF/88). interpretação/aplicação do art. 167, § 3º c/c o art. 62, § 1º,
Tem-se, ainda, que tais direitos podem até ser restringidos, inciso I, alínea "d", da Constituição. "Guerra", "comoção
desde que não haja ofensa ao núcleo essencial do direito, interna" e "calamidade pública" são conceitos que
segundo a exegese dogmática atual. representam realidades ou situações fáticas de extrema
gravidade e de consequências imprevisíveis para a ordem
MEDIDA PROVISÓRIA
pública e a paz social, e que dessa forma requerem, com a
LIMITAÇÕES
devida urgência, a adoção de medidas singulares e
extraordinárias. (...). A edição da MP 405/2007 configurou
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da
um patente desvirtuamento dos parâmetros constitucionais
República poderá adotar medidas provisórias, com força
que permitem a edição de medidas provisórias para a
de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso
abertura de créditos extraordinários. (...). (STF ADI 4.048
Nacional. (Redação dada pela EC 32, de 2001)
MC/DF, rel. Min. Gilmar Mendes, 04/05/2008).
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre
matéria: (Incluído pela EC 32, de 2001) EMENTA. (...). De outra parte, já se acha assentado no STF o
I - relativa a: (Incluído pela EC 32, de 2001) entendimento de ser legítima a disciplina de matéria de
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos natureza tributária por meio de medida provisória,
políticos e direito eleitoral; (Incluído pela EC 32, de 2001) instrumento a que a Constituição confere força de lei (cf.
b) direito penal, processual penal e processual civil; ADIMC nº 1.417). (...). (STF ADI 1.667 MC/DF, rel. Min. Ilmar
(Incluído pela EC 32, de 2001) Galvão, 21/11/1997).
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, EMENTA. Prazo processual. Embargos à execução. Prazos
a carreira e a garantia de seus membros; (Incluído pela EC 32, previstos no art. 730 do CPC e no art. 884 da CLT. Ampliação
de 2001) pela Medida Provisória nº 2.180-35/2001, que acrescentou
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento o art. 1º-B à Lei Federal 9.494/97. Limites constitucionais de
e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o urgência e relevância não ultrapassados. Dissídio
previsto no art. 167, § 3º; (Incluído pela EC 32, de 2001) jurisprudencial sobre a norma. Ação direta de
II - que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança constitucionalidade. Liminar deferida. Aplicação do art. 21,
popular ou qualquer outro ativo financeiro; (Incluído pela EC caput, da Lei 9.868/99. Ficam suspensos todos os processos
32, de 2001) em que se discuta a constitucionalidade do art. 1º-B da
III - reservada a lei complementar; (Incluído pela EC 32, de Medida Provisória 2.180-35. (...). (STF ADC 11/DF - MC, Rel.
2001) Min. Cezar Peluso, Plenário, DJ 28.03.2007).
IV - já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo
FASE INTRODUTÓRIA
Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do
Presidente da República. (Incluído pela EC 32, de 2001)
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da
§ 2º Medida provisória que implique instituição ou
República poderá adotar medidas provisórias, com força
majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153,
de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso
I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício
Nacional. (Redação dada pela EC 32, de 2001)
financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o
§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na
último dia daquele ano em que foi editada. (Incluído pela EC
32, de 2001)
Câmara dos Deputados. (Incluído pela EC 32, de 2001)
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§
Podem ser mencionadas outras vedações a edição de
11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem
medida provisória, tais quais: arts. 25, § 2º; 246, da CF;
convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável,
art. 73, do ADCT; 2º da EC 8/95 e 3º da EC 9/95.
nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o
 Jurisprudência relacionada ao tema: Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as
EMENTA. (...). III. LIMITES CONSTITUCIONAIS À ATIVIDADE relações jurídicas delas decorrentes. (Incluído pela EC 32, de
LEGISLATIVA EXCEPCIONAL DO PODER EXECUTIVO NA 2001)
EDIÇÃO DE MEDIDAS PROVISÓRIAS PARA ABERTURA DE § 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a
CRÉDITO EXTRAORDINÁRIO. Interpretação do art. 167, § 3º vigência de medida provisória que, no prazo de sessenta
c/c o art. 62, § 1º, inciso I, alínea d, da Constituição. Além dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação
dos requisitos de relevância e urgência (art. 62), a encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional. (Incluído
Constituição exige que a abertura do crédito extraordinário pela EC 32, de 2001)
seja feita apenas para atender a despesas imprevisíveis e § 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da
urgentes. Ao contrário do que ocorre em relação aos publicação da medida provisória, suspendendo-se durante
requisitos de relevância e urgência (art. 62), que se os períodos de recesso do Congresso Nacional. (Incluído pela
submetem a uma ampla margem de discricionariedade por EC 32, de 2001)
parte do Presidente da República, os requisitos de A matéria tem que ser relevante e urgente e só o Presidente
imprevisibilidade e urgência (art. 167, § 3º) recebem da República poderá adotar medidas provisórias. Uma vez
editada, a medida provisória permanecerá em vigor pelo
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prazo de 60 dias, prorrogável por mais 60 dias, e será Senado Federal, que igualmente deverá analisar a presença
submetida imediatamente ao Poder Legislativo. dos requisitos constitucionais exigidos para sua edição,
O prazo de 60 (sessenta) dias contar-se-á da publicação da antes da análise do mérito e eventual aprovação por maioria
medida provisória e ficará suspenso durante o período de simples. Aprovada a medida provisória, será convertida em
recesso, salvo se houver convocação extraordinária, nos lei, devendo o Presidente do Senado Federal promulgá-la,
termos do artigo 57, § 8º, que dispõe: “Havendo medidas uma vez que se consagrou na esfera legislativa essa
provisórias em vigor na data de convocação extraordinária atribuição ao próprio Poder Legislativo, remetendo ao
do Congresso Nacional, serão elas automaticamente Presidente da República, que publicará a lei de conversão.
incluídas na pauta da convocação”. Se em 45 (quarenta e cinco) dias as medidas provisórias não
 Jurisprudência relacionada ao tema: forem apreciadas, entraram em regime de urgência,
trancando a pauta, pois todas as demais deliberações da
SÚMULA VINCULANTE 54. A medida provisória não
Casa Legislativa que estiver analisando a medida provisória
apreciada pelo congresso nacional podia, até a Emenda
ficarão sobrestadas, até que seja concluída a votação.
Constitucional 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo
de eficácia de trinta dias, mantidos os efeitos de lei desde a Caso seja a MP aprovada com alterações (emendas
primeira edição. supressivas ou aditivas), o Congresso Nacional estará
transformando-a em projeto de lei de conversão, que será
FASE CONSTITUTIVA E FASE COMPLEMENTAR remetido ao Presidente da República para sanção ou veto
(art. 62, § 12).
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da PERDA DA EFICÁCIA / REJEIÇÃO
República poderá adotar medidas provisórias, com força DA MEDIDA PROVISÓRIA
de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso
Nacional. (Redação dada pela EC 32, de 2001) Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores República poderá adotar medidas provisórias, com força
examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso
parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, Nacional. (Redação dada pela EC 32, de 2001)
pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso § 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§
Nacional. (Incluído pela EC 32, de 2001) 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem
§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável,
Nacional sobre o mérito das medidas provisórias nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o
dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as
pressupostos constitucionais. (Incluído pela EC 32, de 2001) relações jurídicas delas decorrentes. (Incluído pela EC 32, de
§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até 2001)
quarenta e cinco dias contados de sua publicação, entrará § 11 Não editado o decreto legislativo a que se refere o §
em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de
das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até medida provisória, as relações jurídicas constituídas e
que se ultime a votação, todas as demais deliberações decorrentes de atos praticados durante sua vigência
legislativas da Casa em que estiver tramitando. (Incluído conservar-se-ão por ela regidas. (Incluído pela EC 32, de 2001)
pela EC 32, de 2001) § 12 Aprovado projeto de lei de conversão alterando o
§ 10 É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de texto original da medida provisória, esta manter-se-á
medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado
perdido sua eficácia por decurso de prazo. (Incluído pela EC o projeto. (Incluído pela EC 32, de 2001)
32, de 2001)
Uma vez rejeitada expressamente pelo Legislativo, a medida
§ 12 Aprovado projeto de lei de conversão alterando o
provisória perderá seus efeitos retroativamente, cabendo
texto original da medida provisória, esta manter-se-á
ao Congresso Nacional disciplinar as relações jurídicas dela
integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado
decorrentes, sem possibilidade de reedição na mesma
o projeto. (Incluído pela EC 32, de 2001)
sessão legislativa.
A medida provisória, chegando ao Congresso Nacional, será
encaminhada para a Comissão mista de Deputados e A decadência da medida provisória, pelo decurso do prazo
Senadores para emissão de parecer por sua aprovação ou constitucional, opera a desconstituição, com efeitos
não. Após a análise pela Comissão mista, a medida retroativos, dos atos produzidos durante a sua vigência.
provisória será encaminhada à Câmara dos Deputados, que Assim, caso o Congresso Nacional não aprecie em tempo
realizará a deliberação principal nesse processo legislativo e constitucional hábil, esse ato normativo perderá sua
realizará a primeira votação, devendo, antes de analisar o eficácia, no que se denomina de rejeição tácita.
mérito, efetivar juízo sobre a presença dos requisitos A rejeição das medidas provisórias, seja expressa, seja
constitucionais exigidos, ou seja, sobre a presença ou não de tácita, opera com efeitos retroativos, ex tunc, competindo
relevância e urgência (§§ 5º e 9º). ao Congresso Nacional a edição do decreto legislativo para
Tendo sido aprovada pela Câmara dos Deputados, por disciplinar as relações jurídicas delas decorrentes (§ 3º).
maioria simples, a medida provisória será encaminhada ao Caso o Congresso Nacional não edite o decreto legislativo
no prazo de 60 dias após a rejeição ou perda de sua eficácia,
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a medida provisória continuará regendo somente as Lei delegada é ato normativo elaborado e editado pelo
relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos Presidente da República, em razão de autorização do Poder
praticados durante sua vigência, com efeito ex nunc (§ 11). Legislativo, e nos limites postos por este, constituindo-se
LEI DELEGADA verdadeira delegação externa da função legiferante e aceita,
desde que com limitações (§ 1º), como mecanismo
Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente necessário para possibilitar a eficiência do estado e sua
da República, que deverá solicitar a delegação ao necessidade de maior agilidade e celeridade.
Congresso Nacional. Uma vez encaminhada a solicitação ao Congresso Nacional,
§ 1º Não serão objeto de delegação os atos de a mesma será submetida à votação pelas Casas do
competência exclusiva do Congresso Nacional, os de Congresso Nacional, em sessão bicameral conjunta ou
competência privativa da Câmara dos Deputados ou do separadamente, e, em sendo aprovada por maioria simples,
Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, terá a forma de resolução, que especificará
nem a legislação sobre: obrigatoriamente as regras sobre seu conteúdo e os termos
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, de seu exercício (delegação própria).
a carreira e a garantia de seus membros; Se a resolução determinar, haverá delegação imprópria,
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos devendo o projeto voltar ao Congresso Nacional para se
e eleitorais; apreciado em votação única e proibida emenda parlamentar
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e (§ 3º).
orçamentos. Extrapolando o Presidente da República os limites fixados na
§ 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma resolução concedente da delegação legislativa, poderá o
de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu Congresso Nacional, mediante a aprovação de decreto
conteúdo e os termos de seu exercício. legislativo, sustar a referida lei delegada, paralisando seus
§ 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto efeitos normais (art. 49, V).
pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única,
vedada qualquer emenda.
LEI ORDINÁRIA / LEI COMPLEMENTAR

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EMENDA CONSTITUCIONAL

MEDIDA PROVISÓRIA

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Medida Provisória: Presidente da República edita e publica. Da publicação contam-se 60 dias, os quais ficam suspensos no
recesso se não houver convocação extraordinária.

Fase Constitutiva: Congresso Nacional comissão mista de Senadores e Deputados.

Aprovada
Presidente do SF promulga
Fase complementar
Presidente da República
Publicação

Supressivas
Pode haver emendas parlamentares Aditivas

Se não tiver sido apreciada em 45 dias estará em regime de urgência e assim as casas terão 15 dias para sucessivamente
apreciares. O regime de urgência constitucional para MP poderá, excepcionalmente, estender-se por 75 dias não sendo
suficientes os 15 dias restantes (reedição).

Aprovação sem alterações.


Aprovação com alteração (Projeto de Lei de Conversão).

Rejeição expressa.
Rejeição tácita (desconstituição).
Efeito retroativo, cabendo ao Congresso Nacional disciplinar as relações jurídicas em 60 dias.

Não há possibilidade de reedição de medida provisória.

 Impossibilidade do Presidente da República retirar da apreciação do Congresso nacional, medida provisória já editada.
 Medida provisória e Lei anterior que trate do mesmo assunto (ab-rogação).
 Estados e Municípios pode editar medidas provisórias.
 Limites materiais: arts. 62, § 1º, 246, 21, § 2º, da CF e art. 73 do ADCT.

LEI DELEGADA

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PROCESSO LEGISLATIVO

PROCESSO FASE DELIBERAÇÃO DELIBERAÇÃO


FASE COMPLEMENTAR PECULIARIDADES
LEGISLATIVO INTRODUTÓRIA PARLAMENTAR EXECUTIVA

Art. 66. Art. 66, § 4º.


A Casa na qual tenha O veto será apreciado em
sido concluída a votação sessão conjunta, dentro
enviará o projeto de lei de 30 dias a contar de
Art. 65.
ao PR, que, aquiescendo, seu recebimento, só
O projeto de lei aprovado Art. 66, § 7º.
o sancionará. Se o PR podendo ser rejeitado
por uma Casa será Em regra, o PR promulga e
considerar o projeto, no pelo voto da maioria
revisto pela outra, em um publica a lei (art. 84, IV).
Art. 61. todo ou em parte, absoluta dos Deputados e
só turno de discussão e Se a lei não for promulgada
CN / CD / SF inconstitucional ou Senadores.
votação, e enviado à dentro de 48 horas pelo PR,
(membro ou comissão) contrário ao interesse
LEI sanção ou promulgação, nos casos de sanção tácita Art. 67.
PR público, vetá-lo-á total ou
ORDINÁRIA se a Casa revisora o e derrubada do veto, o A matéria constante de
STF parcialmente, no prazo
aprovar, ou arquivado, se Presidente do Senado a projeto de lei rejeitado
TRIBUNAIS SUPERIORES de 15 dias úteis,
o rejeitar. Sendo o promulgará, e, se este não somente poderá
PGR contados da data do
projeto emendado, o fizer em igual prazo, constituir objeto de novo
CIDADÃOS recebimento, e
voltará à Casa iniciadora. caberá ao Vice-Presidente projeto, na mesma
comunicará, dentro de 48 sessão legislativa,
Art. 47. do Senado fazê-lo.
horas, ao Presidente do mediante proposta da
Aprovação por maioria SF os motivos do veto. maioria absoluta dos
simples Decorrido o prazo de 15 membros de qualquer
dias, o silêncio do PR das Casas do Congresso
importará sanção. Nacional.

Art. 65.
LEI Art. 66, § 4º.
Art. 61. Art. 69. Art. 66. Art. 66, § 7º.
COMPLEMENTAR Aprovação por maioria Art. 67.
absoluta

Art. 60, § 1º.


A Constituição não
poderá ser emendada na
vigência de intervenção
Art. 60, caput. federal, de estado de
Art. 60, § 2º. defesa ou de estado de
¹/3 CD (mínimo)
A proposta será discutida sítio.
¹/3 SF (mínimo) Art. 60, § 3º.
e votada em cada Casa
EMENDA PR Será promulgada pelas Art. 60, § 4º.
do CN, em 2 turnos,
CONSTITUCIONAL + da ¹/2 das AL das NÃO TEM Mesas da Câmara dos Não será objeto de
considerando-se
Unidades Federadas, Deputados e do Senado deliberação a proposta de
aprovada se obtiver, em
manifestando-se, cada Federal. emenda tendente a
ambos, ³/5 dos votos dos
uma delas, pela maioria abolir: a forma federativa
respectivos membros.
relativa. de Estado; o voto direto,
secreto, universal e
periódico; a separação
dos Poderes; os direitos e
garantias individuais.

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Art. 60, § 5º.


A matéria constante de
proposta de emenda
rejeitada ou havida por
prejudicada não pode ser
objeto de nova proposta
na mesma sessão
legislativa.

Art. 62, § 9º.


Caberá à comissão mista Art. 62, § 3º.
de Deputados e Podem ser rejeitadas ou
Senadores examinar as perder a eficácia no prazo
medidas provisórias e de 60 dias, prorrogáveis
sobre elas emitir parecer, por mais 60 dias (regra).
antes de serem
Cabe ao Congresso
apreciadas, em sessão
Nacional disciplinar por
separada, pelo plenário
decreto legislativo as
de cada uma das Casas
Art. 62, caput. relações jurídicas
do Congresso Nacional. NÃO TEM Presidente do Senado
Em caso de relevância e decorrentes da medida
Art. 62, § 5º. Federal promulga. provisória rejeitada ou
MEDIDA urgência, o PR poderá
A deliberação de cada Se for emendada prejudicada.
PROVISÓRIA adotar MPs, com força de
uma das Casas do converte-se em Projeto Presidente da República
lei, devendo submete-las Art. 62, §§ 1º e 2º.
Congresso Nacional sobre de Lei. publica.
de imediato ao CN. Limites materiais.
o mérito das medidas
provisórias dependerá de Art. 62, § 10.
juízo prévio sobre o É vedada a reedição, na
atendimento de seus mesma sessão legislativa,
pressupostos de medida provisória que
constitucionais. tenha sido rejeitada ou
que tenha perdido sua
Art. 47.
eficácia por decurso de
Aprovação por maioria
prazo.
simples

PROCESSO LEGISLATIVO

PROCESSO FASE DELIBERAÇÃO DELIBERAÇÃO


FASE COMPLEMENTAR PECULIARIDADES
LEGISLATIVO INTRODUTÓRIA PARLAMENTAR EXECUTIVA

DELEGAÇÃO TÍPICA
Terá a forma de
Resolução do CN, que
especificará seu conteúdo
e os termos de seu
exercício.

DELEGAÇÃO ATÍPICA
O projeto aprovado por Se a resolução
uma Casa será revisto determinar a apreciação
pela outra, em 1 só turno do projeto pelo
de discussão e votação, e Congresso Nacional será
enviado à promulgação, em votação única,
Art. 68, caput. se a Casa Revisora o vedada qualquer emenda.
Art. 84, IV.
Serão elaboradas pelo aprovar, ou arquivado, se
LEI DELEGADA NÃO TEM Promulgação e publicação
PR, que deverá solicitar a o rejeitar. Sendo o Art. 68, § 1º.
pelo PR.
delegação ao CN. projeto emendado, Limites materiais.
voltará à Casa Iniciadora.
Art. 67.
Art. 47. A matéria constante de
Aprovação por maioria projeto de lei rejeitado
simples somente poderá
constituir objeto de novo
projeto, na mesma
sessão legislativa,
mediante proposta da
maioria absoluta dos
membros de qualquer
das Casas do Congresso
Nacional.

Art. 49. A doutrina diz que o


DECRETO Congresso Nacional edita
DECRETO DECRETO LEGISLATIVO
LEGISLATIVO decreto legislativo
LEGISLATIVO CN.
Só o CN. Previsão no quando a matéria tem
NÃO TEM
Regimento Interno efeitos externos e expede
RESOLUÇÃO
RESOLUÇÃO Arts. 49, 51 e 52. Resolução quando o
CN / CD / SF
RESOLUÇÃO efeito é interno, com
CN / CD / SF exceção do art. 68, § 2º.

_______________________________________________________________________________________________________________________________
CONTROLE EXTERNO E CONTROLE INTERNO
FISCALIZAÇÃO

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Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, II - julgar as contas dos administradores e demais
operacional e patrimonial da União e das entidades da responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da
administração direta e indireta, quanto à legalidade, administração direta e indireta, incluídas as fundações e
legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público
renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso federal, e as contas daqueles que derem causa a perda,
Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao
controle interno de cada Poder. erário público;
Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de
jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, admissão de pessoal, a qualquer título, na administração
gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e
ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações
assuma obrigações de natureza pecuniária. (Redação dada para cargo de provimento em comissão, bem como a das
pela EC 19, de 1998) concessões de aposentadorias, reformas e pensões,
ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o
O dispositivo estabelece a função fiscalizadora do Congresso fundamento legal do ato concessório;
Nacional (controle externo) e dos Poderes (controle
interno). Todo poder deverá manter sistema de controle IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos
interno fiscalizatório (art. 74) e no caso do Poder Legislativo, Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de
além do controle interno, também realiza o controle inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil,
externo, sendo o TCU órgão auxiliar do Poder Legislativo financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas
(art. 71), embora a ele não subordinado. unidades administrativas dos Poderes Legislativo,
Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no
inciso II;
 Jurisprudência relacionada ao tema: V - fiscalizar as contas nacionais das empresas
EMENTA. (...) Ao Tribunal de Contas da União compete supranacionais de cujo capital social a União participe, de
julgar as contas dos administradores e demais responsáveis forma direta ou indireta, nos termos do tratado
por dinheiros, bens e valores públicos da administração constitutivo;
direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados
instituídas e mantidas pelo poder público federal, e as pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros
contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou
irregularidade de que resulte prejuízo ao erário (CF, art. 71, a Município;
II; Lei 8.443, de 1992, art. 1º, I). As empresas públicas e as
sociedades de economia mista, integrantes da VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso
administração indireta, estão sujeitas à fiscalização do Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das
Tribunal de Contas, não obstante os seus servidores estarem respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil,
sujeitos ao regime celetista. (...). (STF MS 25.092, Rel. Min. financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e
Carlos Velloso, Plenário, DJ de 17-3-2006). sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas;

EMENTA. TRIBUNAL DE CONTAS - CONTROLE. Surge VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de
harmônico com a Constituição Federal diploma revelador do despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas
controle pelo Legislativo das contas dos órgãos que o em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa
auxiliam, ou seja, dos tribunais de contas. (...). (STF ADI proporcional ao dano causado ao erário;
1.175, Rel. p/ ac. Min. Marco Aurélio, Plenário, DJ de19-12- IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as
2006). providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se
verificada ilegalidade;
X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado,
comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao
CONTROLE EXTERNO. CONGRESSO NACIONAL. Senado Federal;
TRIBUNAL DE CONTAS. ATRIBUIÇÕES
XI - representar ao Poder competente sobre
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, irregularidades ou abusos apurados.
será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da § 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado
União, ao qual compete: diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
Presidente da República, mediante parecer prévio que § 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no
deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas
recebimento; no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
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§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de entendimento, a formulação que se fez em torno dos
débito ou multa terão eficácia de título executivo. poderes implícitos, cuja doutrina, construída pela Suprema
Corte dos Estados Unidos da América, no célebre caso
§ 4º O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, McCulloch v. Maryland (1819), enfatiza que a outorga de
trimestral e anualmente, relatório de suas atividades. competência expressa a determinado órgão estatal importa
O Tribunal de Contas é órgão técnico, já que os atos em deferimento implícito, a esse mesmo órgão, dos meios
praticados são de natureza meramente administrativa, ou necessários à integral realização dos fins que lhe foram
seja, não vincula o Poder Legislativo. atribuídos. (...) É por isso que entendo revestir-se de integral
legitimidade constitucional a atribuição de índole cautelar,
Embora caiba ao Tribunal de Contas à apreciação das contas que, reconhecida com apoio na teoria dos poderes
prestadas anualmente pelo chefe do Poder Executivo (art. implícitos, permite, ao Tribunal de Contas da União, adotar
71, I), somente o Poder Legislativo poderá julgar as mesmas as medidas necessárias ao fiel cumprimento de suas funções
(art. 49, IX). Lembrando que caso o Presidente não institucionais e ao pleno exercício das competências que lhe
apresente as contas no prazo constitucional (art. 84, XXIV), foram outorgadas, diretamente, pela própria Constituição
caberá a Câmara dos Deputados proceder a tomada de da República. (...). (STF MS 24.510, Rel. Min. Ellen Gracie,
contas (art. 51, II). voto do Min. Celso de Mello, Plenário, DJ: 19.3.2004)
Importante salientar a possibilidade do TCU fazer o controle EMENTA. (...) 2. Embora as atividades do TCU, por sua
da constitucionalidade na via incidental, ou seja, os natureza, verificação de contas e até mesmo o julgamento
Tribunais de Contas poderão reconhecer a desconformidade das contas das pessoas enumeradas no art. 71, II, da CF,
formal ou material de normas jurídicas, podendo deixar de justifiquem a eventual quebra de sigilo, não houve essa
aplicar ato por considerá-lo inconstitucional, bem como determinação na lei específica que tratou do tema, não
sustar outros atos praticados com base em leis vulneradoras cabendo a interpretação extensiva, mormente porque há
da Constituição, conforme Súmula 347 do STF. princípio constitucional que protege a intimidade e a vida
Considerando que o TCU não é órgão jurisdicional, as privada, art. 5º, X, da Constituição Federal, no qual está
decisões proferidas de que resulte imputação de débito ou inserida a garantia ao sigilo bancário. (...). (STF MS
multa terão eficácia de título executivo extrajudicial (§ 3º, 22.801/DF. Rel. Min Menezes Direito. DJ 13.03.2008)
VIII). EMENTA. (...). ARTIGO 78, § 3º, DA CONSTITUIÇÃO DO
O Órgão de Contas só poderá suspender os atos ESTADO DO PARANÁ. POSSIBILIDADE DE REEXAME, PELO
impugnados (X). No caso de contratos, caberá ao Congresso TRIBUNAL DE CONTAS ESTADUAL, DAS DECISÕES
Nacional (§ 1º). FAZENDÁRIAS DE ÚLTIMA INSTÂNCIA CONTRÁRIAS AO
ERÁRIO. VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 2º E NO
 Jurisprudência relacionada ao tema: ARTIGO 70 DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. A Constituição
SÚMULA 6, STF. A revogação ou anulação, pelo Poder do Brasil - artigo 70 - estabelece que compete ao Tribunal
Executivo, de aposentadoria, ou qualquer outro ato de Contas auxiliar o Legislativo na função de fiscalização a
aprovado pelo Tribunal de Contas, não produz efeitos antes ele designada. Precedentes. 2. Não cabe ao Poder
de aprovada por aquele Tribunal, ressalvada a competência Legislativo apreciar recursos interpostos contra decisões
revisora do Judiciário. tomadas em processos administrativos nos quais se discuta
questão tributária. 3. Ação direta julgada procedente para
SÚMULA 347, STF. O tribunal de Contas, no exercício de declarar a inconstitucionalidade do § 3º do artigo 78 da
suas atribuições, pode apreciar a Constitucionalidade das Constituição do Estado do Paraná. (STF ADI 523/PR, rel. Min.
leis e dos atos do Poder Público. Eros Grau, 03/04/2008)
SÚMULA VINCULANTE 3. Nos processos perante o TCU EMENTA. DIREITO ADMINISTRATIVO. CONTROLE
asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da LEGISLATIVO FINANCEIRO. CONTROLE EXTERNO.
decisão puder resultar anulação ou revogação de ato REQUISIÇÃO PELO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO DE
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a INFORMAÇÕES ALUSIVAS A OPERAÇÕES FINANCEIRAS
apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de REALIZADAS PELAS IMPETRANTES. RECUSA INJUSTIFICADA.
aposentadoria, reforma e pensão. DADOS NÃO ACOBERTADOS PELO SIGILO BANCÁRIO E
EMENTA. (...) a atribuição de poderes explícitos, ao Tribunal EMPRESARIAL. 1. (...). 3. O sigilo de informações necessárias
de Contas, tais como enunciados no art. 71 da Lei para a preservação da intimidade é relativizado quando se
Fundamental da República, supõe que se lhe reconheça, está diante do interesse da sociedade de se conhecer o
ainda que por implicitude, a titularidade de meios destino dos recursos públicos. 4. Operações financeiras que
destinados a viabilizar a adoção de medidas cautelares envolvam recursos públicos não estão abrangidas pelo sigilo
vocacionadas a conferir real efetividade às suas bancário a que alude a Lei Complementar nº 105/2001, visto
deliberações finais, permitindo, assim, que se neutralizem que as operações dessa espécie estão submetidas aos
situações de lesividade, atual ou iminente, ao erário público. princípios da administração pública insculpidos no art. 37 da
Impende considerar, no ponto, em ordem a legitimar esse Constituição Federal. Em tais situações, é prerrogativa
constitucional do Tribunal [TCU] o acesso a informações
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relacionadas a operações financiadas com recursos públicos. II - idoneidade moral e reputação ilibada;
5. O segredo como “alma do negócio” consubstancia a
III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis,
máxima cotidiana inaplicável em casos análogos ao sub
econômicos e financeiros ou de administração pública;
judice, tanto mais que, quem contrata com o poder público
não pode ter segredos, especialmente se a revelação for IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva
necessária para o controle da legitimidade do emprego dos atividade profissional que exija os conhecimentos
recursos públicos. É que a contratação pública não pode ser mencionados no inciso anterior.
feita em esconderijos envernizados por um arcabouço
§ 2º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão
jurídico capaz de impedir o controle social quanto ao
escolhidos:
emprego das verbas públicas. 6. “O dever administrativo de
manter plena transparência em seus comportamentos I - um terço pelo Presidente da República, com aprovação
impõe não haver em um Estado Democrático de Direito, no do Senado Federal, sendo dois alternadamente dentre
qual o poder reside no povo (art. 1º, parágrafo único, da auditores e membros do Ministério Público junto ao
Constituição), ocultamento aos administrados dos assuntos Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo
que a todos interessam, e muito menos em relação aos os critérios de antiguidade e merecimento;
sujeitos individualmente afetados por alguma medida”.
II - dois terços pelo Congresso Nacional.
(MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito
Administrativo. 27ª edição. São Paulo: Malheiros, 2010, p. § 3º Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as
114). 7. O Tribunal de Contas da União não está autorizado mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos,
a, manu militari, decretar a quebra de sigilo bancário e vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior
empresarial de terceiros, medida cautelar condicionada à Tribunal de Justiça, aplicando-se lhes, quanto à
prévia anuência do Poder Judiciário, ou, em situações aposentadoria e pensão, as normas constantes do art. 40.
pontuais, do Poder Legislativo. Precedente: MS 22.801, (Redação dada pela EC 20, de 1998)
Tribunal Pleno, Rel. Min. Menezes Direito, DJe 14.3.2008. § 4º O auditor, quando em substituição a Ministro, terá as
8. In casu, contudo, o TCU deve ter livre acesso às operações mesmas garantias e impedimentos do titular e, quando no
financeiras realizadas pelas impetrantes, entidades de exercício das demais atribuições da judicatura, as de juiz
direito privado da Administração Indireta submetidas ao seu de Tribunal Regional Federal.
controle financeiro, mormente porquanto operacionalizadas
mediante o emprego de recursos de origem pública. Quanto à composição do Tribunal de Contas da União, 1/3
Inoponibilidade de sigilo bancário e empresarial ao TCU dos Ministros do Órgão será escolhido pelo Presidente da
quando se está diante de operações fundadas em recursos República, com aprovação por maioria simples do Senado
de origem pública. Conclusão decorrente do dever de Federal, valendo salientar que mesmo devendo a vaga ser
atuação transparente dos administradores públicos em um preenchida pelo critério da antiguidade, o Tribunal de
Estado Democrático de Direito. 9. A preservação, in casu, do Contas deverá remeter uma lista tríplice para que o
sigilo das operações realizadas pelo BNDES e BNDESPAR Presidente da República escolha um deles.
com terceiros não, apenas, impediria a atuação
No que tange ao Ministério Público que atua perante o
constitucionalmente prevista para o TCU, como, também,
Tribunal de Contas da União, o qual não pertence à
representaria uma acanhada, insuficiente, e, por isso
Instituição do Ministério Público da União, aos seus
mesmo, desproporcional limitação ao direito fundamental
membros se aplicam as regras previstas no art. 130 da CF.
de preservação da intimidade. (...). (STF MS 33.340 DF, Rel.
Min. Luiz Fux, 1ª Turma, J.26/05/2015)  Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). I - Segundo precedente do STF (ADI 789/DF),
os Procuradores das Cortes de Contas são ligados
administrativamente a elas, sem qualquer vínculo com o
Ministério Público comum. II - Além de violar os arts. 73, §
TRIBUNAL DE CONTAS
ORGANIZAÇÃO E COMPOSIÇÃO
2º, I, e 130, da Constituição Federal, a conversão automática
dos cargos de Procurador do Tribunal de Contas dos
Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Municípios para os de Procurador de Justiça - cuja
Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro próprio de investidura depende de prévia aprovação em concurso
pessoal e jurisdição em todo o território nacional, público de provas e títulos - ofende também o art. 37, II, do
exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art. texto magno. (...). (STF ADI 3.315/CE, rel. Min. Ricardo
96. Lewandowski, 11/04/2008).
§ 1º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão
CONTROLE INTERNO
nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes
requisitos: Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário
I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos manterão, de forma integrada, sistema de controle interno
de idade; com a finalidade de:
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I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano ministros julgou improcedente a Ação Direta de
plurianual, a execução dos programas de governo e dos Inconstitucionalidade foi proposta pela Associação dos
orçamentos da União; Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e
questionava emenda feita à Constituição do Estado do
II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto Ceará, aprovada em agosto passado, que extinguiu o
à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-CE).
patrimonial nos órgãos e entidades da administração
federal, bem como da aplicação de recursos públicos por O art. 31 da CF/88 estabelece que a fiscalização do
entidades de direito privado; Município também será exercida mediante controle externo
da Câmara Municipal, com o auxílio dos Tribunais de Contas
III - exercer o controle das operações de crédito, avais e dos Estados ou dos Conselheiros ou Tribunais de Contas dos
garantias, bem como dos direitos e haveres da União; Municípios, onde houver, nos seguintes termos:
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão
institucional. Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo
Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e
§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo
conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, Municipal, na forma da lei.
dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob § 1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido
pena de responsabilidade solidária. com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do
Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos
§ 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou Municípios, onde houver.
sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar
§ 2º O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre
irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só
Contas da União. deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos
membros da Câmara Municipal.
 Jurisprudência relacionada ao tema:
§ 3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta
EMENTA. (...). I. - A Lei 8.443, de 1992, estabelece que dias, anualmente, à disposição de qualquer contribuinte,
qualquer cidadão, partido político ou sindicato é parte para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a
legítima para denunciar irregularidades ou ilegalidades legitimidade, nos termos da lei.
perante o TCU. A apuração será em caráter sigiloso, até § 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos
decisão definitiva sobre a matéria. Decidindo, o Tribunal de Contas Municipais.
manterá ou não o sigilo quanto ao objeto e à autoria da § 3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta
denúncia (§ 1º do art. 55). Estabeleceu o TCU, então, no seu dias, anualmente, à disposição de qualquer contribuinte,
Regimento Interno, que, quanto à autoria da denúncia, será para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a
mantido o sigilo: inconstitucionalidade diante do disposto legitimidade, nos termos da lei.
no art. 5º, incisos V, X, XXXIII e XXXV, da Constituição § 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos
Federal. (...). (STF MS 24405/DF. Rel. Min. Carlos Velloso, DJ: de Contas Municipais.
03.12.2003).
O legislador reconheceu a existência dos Tribunais de
Contas de Município já existentes na data da promulgação
TRIBUNAL DE CONTAS DOS ESTADOS, DO DISTRITO
FEDERAL E DO(S) MUNICÍPIO(S) da CF/88, não permitindo às respectivas Construções
Estaduais aboli-los, entretanto vedou expressamente a
Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, criação de novos Conselhos de Contas Municipais.
no que couber, à organização, composição e fiscalização
dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal,
bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos  Jurisprudência relacionada ao tema:
Municípios.
SÚMULA 653, STF. No TC estadual, composto por sete
Parágrafo único. As Constituições estaduais disporão sobre conselheiros, quatro devem ser escolhidos pela Assembleia
os Tribunais de Contas respectivos, que serão integrados Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual,
por sete Conselheiros. cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre
membros do MP especial, e um terceiro à sua livre escolha.
Os Estados-membros, o Distrito Federal e os Municípios
estão sujeitos, em matéria de organização, composição e EMENTA. (...) Municípios e Tribunais de Contas. A
atribuições fiscalizadoras de seus Órgãos de Contas, ao Constituição da República impede que os Municípios criem
modelo jurídico estabelecido pela CF/88. os seus próprios Tribunais, Conselhos ou órgãos de contas
municipais (CF, art. 31, § 4º), mas permite que os Estados-
Recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal membros, mediante autônoma deliberação, instituam órgão
julgou improcedente a ADI nº 5763, asseverando que é estadual denominado Conselho ou Tribunal de Contas dos
possível a extinção de Tribunal de Contas dos Municípios Municípios (RTJ 135/457, Rel. Min. Octavio Gallotti – ADI
por meio de emenda constitucional estadual. A maioria dos 445/DF, Rel. Min. Néri da Silveira), incumbido de auxiliar as
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Câmaras Municipais no exercício de seu poder de controle no artigo 77. E no âmbito municipal, pelo Prefeito (art. 29, I,
externo (CF, art. 31, § 1º). Esses Conselhos ou Tribunais de II, III, V, X e XIV). A direção dos Territórios Federais dar-se-á
Contas dos Municípios – embora qualificados como órgãos por Governador nomeado pelo Presidente da República,
estaduais (CF, art. 31, § 1º) – atuam, onde tenham sido conforme estabelecido no artigo 33, § 3º, 52, III, c, e 84, XIV,
instituídos, como órgãos auxiliares e de cooperação técnica todos da CF/88.
das Câmaras de Vereadores. A prestação de contas desses
Tribunais de Contas dos Municípios, que são órgãos Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da
estaduais (CF, art. 31, § 1º), há de se fazer, por isso mesmo, República realizar-se-á, simultaneamente, no primeiro
perante o Tribunal de Contas do próprio Estado, e não domingo de outubro, em primeiro turno, e no último
perante a Assembleia Legislativa do Estado-membro. domingo de outubro, em segundo turno, se houver, ao ano
Prevalência, na espécie, da competência genérica do anterior ao do término do mandato presidencial vigente.
(Redação dada pela EC 16, de 1997)
Tribunal de Contas do Estado (CF, art. 71, II, c/c o art. 75.
(...). (STF ADI 687, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJ de § 1º A eleição do Presidente da República importará a do
10-2-2006) Vice-Presidente com ele registrado.
EMENTA. Ação Direta de Inconstitucionalidade. (...). 5. § 2º Será considerado eleito Presidente o candidato que,
Reconhecimento da possibilidade de existência de registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta
procuradorias especiais para representação judicial da de votos não computados os em branco e os nulos.
Assembleia Legislativa e do Tribunal de Contas nos casos em
§ 3º Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na
que necessitem praticar em juízo, em nome próprio, série
primeira votação, far-se-á nova eleição em até vinte dias
de atos processuais na defesa de sua autonomia e
após a proclamação do resultado, concorrendo os dois
independência em face dos demais poderes, as quais
candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele
também podem ser responsáveis pela consultoria e pelo
que obtiver a maioria dos votos válidos.
assessoramento jurídico de seus demais órgãos. (...). 10.
Ação Direta de Inconstitucionalidade julgada parcialmente § 4º Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte,
procedente para confirmar a medida liminar e declarar desistência ou impedimento legal de candidato, convocar-
inconstitucionais o artigo 254 das Disposições Gerais e o se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação.
artigo 10 das Disposições Transitórias da Constituição do
§ 5º Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanes-
Estado de Rondônia; e assentar a constitucionalidade dos
cer, em segundo lugar, mais de um candidato com a
artigos 252, 253 e 255 da Constituição do Estado de
mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso.
Rondônia. (STF ADI 94 RO, Rel. Min. Gilmar Mendes, Pleno,
DJ 15.12.2011). As regras para a eleição do Presidente e Vice Presidente da
República são observadas pelos Estados, DF e Municípios
5.2. PODER EXECUTIVO com mais de 200 mil eleitores, de forma subsidiária
(arts. 28, caput; 32, § 2º e 29, I e II).
SISTEMA ELEITORAL. POSSE
As condições de elegibilidade para Presidente são: ser
Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da brasileiro nato (art. 12, § 3º, I), estar no pleno exercício dos
República, auxiliado pelos Ministros de estado. direitos políticos (art. 14, § 3º, II), alistamento eleitoral
(art. 14, § 3º, III), domicílio eleitoral na circunscrição (art. 14,
O Executivo pratica atos de chefia de estado, chefia de
§ 3º, IV), filiação partidária (arts. 14, § 3º, V e 77, § 2º),
governo e atos da administração, características do sistema
idade mínima de 35 anos (art. 14, § 3º, VI, a), não ser
presidencialista, adotado pela constituição atual, que teve
inalistável, nem analfabeto (art. 14, § 4º) e não ser inelegível
influência norte-americana. Foi vivenciado por toda a
nos termos do art. 14, §§ 5º e 7º, da CF.
República, com exceção do período 1961/1963, durante a
Constituição de 1946, onde foi instituído o Art. 78. O Presidente e o Vice-Presidente da República
Parlamentarismo. tomarão posse em sessão do Congresso Nacional,
A grande diferença entre o Sistema Parlamentarista e prestando o compromisso de manter, defender e cumprir a
Presidencialista é que no primeiro as funções de Chefe de Constituição, observar as leis, promover o bem geral do
Estado e Chefe de Governo são exercidas por pessoas povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a
diferentes (Monarca ou Presidente e Primeiro Ministro ou independência do Brasil.
Conselho, respectivamente) e no segundo as funções se Parágrafo único. Se, decorridos dez dias da data fixada
acumulam na pessoa do Governante. Além disso, no para a posse, o Presidente ou o Vice-Presidente, salvo
Parlamentarismo, há uma relação de interdependência motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este
entre o Poder Executivo e Poder Legislativo e no será declarado vago.
Presidencialismo a relação é de independência.
Dispositivos correspondentes: arts. 28, caput; 29, III e 57,
No âmbito estadual e distrital, o Poder Executivo é exercido § 6º, I, da CF.
pelo Governador e segue as regras do art. 28 e artigo 32, §
2º, ambos da CF/88, observado, quando ao mais, o disposto
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Art. 82. O mandato do Presidente da República é de quatro A doutrina cita algumas competências do Presidente
anos e terá início em primeiro de janeiro do ano seguinte quando em suas atribuições age como chefe de Estado, tais
ao da sua eleição. como os previstos nos incisos VII, VIII, XIX e XX.

Dispositivos correspondentes: arts. 28, caput; 29, I e 32, Tais competências são materializadas através de decretos.
§ 2º, da CF. Os decretos regulamentares são fontes secundárias, pois o
conteúdo e amplitude do regulamento devem sempre estar
PRESIDENTE E VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA definidos em lei, podendo o Congresso Nacional sustar os
REGRAS DE SUBSTITUIÇÃO E SUCESSÃO atos normativos do Poder Executivo, quando este extrapolar
o seu poder regulamentar, nos termos do art. 49, V, da CF.
Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento,
e suceder-lhe-á, no de vaga, o Vice-Presidente. Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da
República:
Parágrafo único. O Vice-Presidente da República, além de
outras atribuições que lhe forem conferidas por lei I - nomear e exonerar os Ministros de Estado;
complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a
for convocado para missões especiais. direção superior da administração federal;
Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-
Os Ministros de Estado, auxiliares da Presidência, são de
Presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão
livre nomeação e exoneração do Presidente da República
sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o
(art. 84, I), escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e
Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal
um anos e no exercício dos direitos políticos, nos termos do
e o do Supremo Tribunal Federal.
art. 87, que diz:
Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre
da República, far-se-á eleição noventa dias depois de brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos
aberta a última vaga. direitos políticos.
§ 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de
período presidencial, a eleição para ambos os cargos será outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei;
feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso I - exercer a orientação, coordenação e supervisão dos
Nacional, na forma da lei. órgãos e entidades da administração federal na área de
sua competência e referendar os atos e decretos assinados
§ 2º Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o pelo Presidente da República;
período de seus antecessores. II - expedir instruções para a execução das leis, decretos e
regulamentos;
Há diferença entre substituir (caráter temporário) e suceder
(caráter permanente). III - apresentar ao Presidente da República relatório anual
de sua gestão no Ministério;
No caso de vacância do cargo de Presidente da República, IV - praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe
sucede o Vice Presidente da República. forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da
República.
Na hipótese de vaga dos cargos de Presidente e Vice
Presidente da República far-se-á nova eleição, nos termos Ressalte-se que o Ministro de Estado de Defesa deve ser
do art. 81, da CF. Assim, os Presidentes da Câmara dos brasileiro nato (art. 12, § 3º, VII).
Deputados, do Senado Federal e do Supremo Tribunal
Federal podem substituir, apenas (art. 80). Dispositivos correspondentes: arts. 12, § 3º e 87, da CF.

Art. 83. O Presidente e o Vice-Presidente da República não III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos
poderão, sem licença do Congresso Nacional, ausentar-se previstos nesta Constituição;
do País por período superior a quinze dias, sob pena de IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem
perda do cargo. como expedir decretos e regulamentos para sua fiel
execução;
COMPETÊNCIAS DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente;
Como o Brasil adotou o sistema de Governo
Presidencialista, a Constituição Federal não explicitou quais O Presidente pode propor uma emenda constitucional
as atribuições do Presidente da República quando exerce a (art. 60, caput), apresentar projeto de lei ordinária e
função de Chefe de Estado, representante público do Estado complementar (art. 61, caput), inclusive com competência
Federal e Chefe de Governo, que cuida das políticas de iniciativa privativa para propor (61, § 1º). Não poderá
internas, funções executivas, na qualidade de chefe do iniciar o processo legislativo de um decreto legislativo e de
Poder Executivo. uma resolução (art. 59, VI e VII).

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No caso de medida provisória, o art. 84, XXVI, prevê: X - decretar e executar a intervenção federal;
“editar medidas provisórias com força da lei nos termos do
art. 62”. Dispositivo correspondente: art. 49, IV, da CF/88.

O ato de sancionar um projeto de lei é de competência XI - remeter mensagem e plano de governo ao Congresso
privativa do Presidente da República, mas a promulgação e Nacional por ocasião da abertura da sessão legislativa,
publicação da lei pode ser exercida por outras autoridades expondo a situação do País e solicitando as providências
(arts. 60, § 3º e 66, § 7º). que julgar necessárias;

Poder Regulamentar é atribuição conferida pela Dispositivos correspondentes: arts. 49, IX e 51, II, da CF.
Constituição aos Chefes do Poder Executivo para produzir
XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se
regulamentos e decretos, sem a participação ordinária ou
necessário, dos órgãos instituídos em lei;
regular do Poder Legislativo. Poderá ser exercido pelos
Estados, DF e municípios, desde que previstos em suas Indulto, que é espécie de graça, é o perdão proveniente do
Constituições Estaduais (estados) e Leis Orgânicas (DF e Poder Executivo. Comutar penas é substituir penas. São
municípios). concedidos por decreto.
O ato de vetar um projeto de lei é de competência privativa A anistia, que também é clemência, será aprovada pelo
do Presidente da República. Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da
República (art. 48, VIII).
VI - dispor, mediante decreto, sobre.
a) organização e funcionamento da administração federal, XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas,
quando não implicar aumento de despesa nem criação ou nomear os Comandantes da Marinha, do Exército e da
extinção de órgãos públicos. Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los
para os cargos que lhes são privativos;
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
Dispositivos correspondentes: arts. 48, II; 61, § 1º, I e II, f, da
O decreto regulamentar está estabelecido no inciso IV, CF.
parte final, que rege: “sancionar, promulgar e fazer publicar
as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os
fiel execução”, que não se confunde com o decreto Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais
autônomo previsto neste dispositivo. Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-
Geral da República, o presidente e os diretores do Banco
O primeiro é ato normativo secundário e o segundo é ato Central e outros servidores, quando determinado em lei;
normativo primário, embora nenhum dos dois passe pela
deliberação do Congresso Nacional. Dispositivo correspondente: art. 52, III, da CF/88.

Dispositivos correspondentes: arts. 48, X; 61, § 1º, II, a, da XV - nomear, observado o disposto no art. 73 os Ministros
CF. do Tribunal de Contas da União;
 Jurisprudência relacionada ao tema: Dispositivos correspondentes: arts. 49, XIII; 52, III, b e 73,
§ 2º, da CF.
EMENTA. (...) tem-se objeto idôneo à ação direta de
inconstitucionalidade quando o decreto impugnado não é XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta
de caráter regulamentar de lei, mas constitui ato normativo Constituição, e o Advogado-Geral da União.
que pretende derivar o seu conteúdo diretamente da
Constituição. (...). (STF ADI 1590. Rel. Ministro Sepúlveda Os nomeados não serão arguidos pelo Senado Federal.
Pertence; DJ 15.08.97) Dispositivos correspondentes: arts. 107; 115 e 131, da CF.
Ressalte-se que órgãos e ministérios são criados e extintos XVII - nomear membros do Conselho da República, nos
por lei, conforme prevê o art. 88, ex vi legis: “A lei disporá termos do art. 89, VII;
sobre a criação e extinção de Ministérios e órgãos da
administração pública”. XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o
Conselho de Defesa Nacional;
VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar
seus representantes diplomáticos; Os dispositivos que regulam o Conselho da República e o
Conselho de Defesa Nacional, dispõem que:
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais,
sujeitos a referendo do Congresso Nacional; Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de
consulta do Presidente da República, e dele participam:
Dispositivos correspondentes: arts. 5º, § 2º; 49, I e 102, III, I - o Vice-Presidente da República;
b, da CF/88. II - o Presidente da Câmara dos Deputados;
IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio; III - o Presidente do Senado Federal;

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IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Dispositivo correspondente: art. 49, II, da CF.
Deputados;
V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal; XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas;
VI - o Ministro da Justiça; XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar,
VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e que forças estrangeiras transitem pelo território nacional
cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente ou nele permaneçam temporariamente;
da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos
pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três Dispositivo correspondente: art. 49, II, da CF.
anos, vedada a recondução.
XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o
Art. 90. Compete ao Conselho da República pronunciar-se projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de
sobre:
orçamento previstos nesta Constituição;
I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio;
II - as questões relevantes para a estabilidade das Dispositivos correspondentes: art. 48, II, da CF.
instituições democráticas.
XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro
§ 1º O Presidente da República poderá convocar Ministro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as
de Estado para participar da reunião do Conselho, quando
contas referentes ao exercício anterior;
constar da pauta questão relacionada com o respectivo
Ministério. Dispositivos correspondentes: arts. 49, IX; 51, II e 71, I, da
§ 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do CF.
Conselho da República.
Art. 91. O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na
do Presidente da República nos assuntos relacionados com forma da lei;
a soberania nacional e a defesa do Estado democrático, e XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta
dele participam como membros natos:
Constituição.
I - o Vice-Presidente da República;
II - o Presidente da Câmara dos Deputados; O rol das competências do Presidente da República não é
III - o Presidente do Senado Federal;
exaustivo, mas enumerativo.
IV - o Ministro da Justiça; Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar
V - o Ministro de Estado da Defesa; (Redação dada pela EC as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV,
23, de 1999) primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-
VI - o Ministro das Relações Exteriores; Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que
VII - o Ministro do Planejamento. observarão os limites traçados nas respectivas delegações.
VIII - os Comandantes da Marinha, do Exército e da É possível a delegação da edição do decreto autônomo (VI),
Aeronáutica. (Incluído pela EC 23, de 1999) a concessão de indulto e comutação de penas (XII) e o
§ 1º Compete ao Conselho de Defesa Nacional: prover cargos públicos federais, na forma da lei (XXV, 1ª
I - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de parte) a Ministro de Estado, ao Procurador Geral da
celebração da paz, nos termos desta Constituição ; República e ao Advogado Geral da União.
II - opinar sobre a decretação do estado de defesa, do
estado de sítio e da intervenção federal;  Jurisprudência relacionada ao tema:
III - propor os critérios e condições de utilização de áreas EMENTA. (...) Presidente da República: competência para
indispensáveis à segurança do território nacional e opinar prover cargos públicos (CF, art. 84, XXV, primeira parte), que
sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e abrange a de desprovê-los, a qual, portanto é susceptível de
nas relacionadas com a preservação e a exploração dos delegação a Ministro de Estado (CF, art. 84, parágrafo
recursos naturais de qualquer tipo;
único): validade da Portaria do Ministro de Estado que, no
IV - estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de uso de competência delegada, aplicou a pena de demissão
iniciativas necessárias a garantir a independência nacional
ao impetrante. (...). (STF MS 25.518, Rel. Min. Sepúlveda
e a defesa do Estado democrático.
Pertence, Plenário, DJ de 10-8-06).
§ 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do
Conselho de Defesa Nacional.
CRIME DE RESPONSABILIDADE E JULGAMENTO DO
PRESIDENTE DA REPÚBLICA
XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira,
autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do
ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, Presidente da República que atentem contra a
e, nas mesmas condições, decretar total ou parcialmente a Constituição Federal e, especialmente, contra:
mobilização nacional; I - a existência da União;
XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do
Congresso Nacional;
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DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS
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OS: 0084/1/18-Gil

II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Se a competência para processar e julgar a ação de
Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes improbidade (CF, art. 37, § 4º) pudesse abranger também
constitucionais das unidades da Federação; atos praticados pelos agentes políticos, submetidos a
regime de responsabilidade especial, ter-se-ia uma
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; interpretação ab-rogante do disposto no art. 102, I, "c", da
IV - a segurança interna do País; Constituição. II. 3. Regime especial. Ministros de Estado. Os
Ministros de Estado, por estarem regidos por normas
V - a probidade na administração; especiais de responsabilidade (CF, art. 102, I, "c"; Lei
VI - a lei orçamentária; 1.079/1950), não se submetem ao modelo de competência
previsto no regime comum da Lei de Improbidade
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais;
Administrativa (Lei 8.429/1992). II. 4.Crimes de
Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei responsabilidade. Competência do Supremo Tribunal
especial, que estabelecerá as normas de processo e Federal. Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal
julgamento. Federal processar e julgar os delitos político-administrativos,
na hipótese do art. 102, I, "c", da Constituição. Somente o
Segundo a Carta de Outubro, o procedimento é bifásico, STF pode processar e julgar Ministro de Estado no caso de
primeiramente passa pelo juízo de admissibilidade na crime de responsabilidade e, assim, eventualmente,
Câmara dos Deputados (art. 51, I) e na fase final, é julgado determinar a perda do cargo ou a suspensão de direitos
perante o Senado Federal. políticos. (...). (STF Rcl 2138 / DF - Rel. Min. NELSON JOBIM,
Os detentores de altos cargos públicos poderão praticar, DJ 18-04-2008)
além de outros crimes comuns, os crimes de
Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da
responsabilidade, ou seja, infrações político-administrativas
República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será
(crimes, portanto, de natureza política), submetendo-se ao
ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal
processo de impeachment.
Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado
Além do Presidente da República (art. 52, I), também Federal, nos crimes de responsabilidade.
poderão ser responsabilizados politicamente e destituídos
A acusação poderá ser apresentada por qualquer cidadão na
de seus cargos: o Vice-Presidente da República (art. 52, I), os
Câmara dos Deputados, que declarará procedente ou não a
Ministros de Estado nos crimes conexos com aqueles
acusação (art. 51, I). Instaurado o processo, será o
praticados pelo Presidente e Vice-Presidente da República
Presidente da República submetido a julgamento perante o
(art. 52, I), os Ministros do STF (art. 52, II), os membros do
Senado Federal (art. 52, I), nos crimes de responsabilidade e
Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do
ao Supremo Tribunal Federal, nos crimes comuns.
Ministério Público (art. 52, II), o Procurador Geral da
República (art. 52, II) e o Advogado Geral da União (art. 52, Não cabe ao Senado federal decidir se instaura ou não o
II), bem como governadores e Prefeitos (art. 31). processo depois de admitido pela Câmara dos Deputados.
No caso dos crimes comuns, o Supremo Tribunal não está
A Lei 1.079/50 define os crimes e regula o processo.
vinculado, podendo receber ou não a denúncia.
 Jurisprudência relacionada ao tema:
A expressão “crime comum”, conforme posicionamento do
SÚMULA 722, STF. São da competência legislativa da União STF abrange “todas as modalidades de infrações penais,
a definição dos crimes de responsabilidade e o estendendo-se aos delitos eleitorais, alcançando até mesmo
estabelecimento das respectivas normas de processo e os crimes contra a vida e as próprias contravenções penais”.
julgamento.
As regras procedimentais para o processamento dos crimes
EMENTA. RECLAMAÇÃO. USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO comuns estão previstas na Lei 8.038/90 e no Regimento
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. IMPROBIDADE Interno do Supremo Tribunal Federal.
ADMINISTRATIVA. CRIME DE RESPONSABILIDADE. AGENTES
POLÍTICOS. (…) II. 1. Improbidade administrativa. Crimes de
responsabilidade. Os atos de improbidade administrativa  Jurisprudência relacionada ao tema:
são tipificados como crime de responsabilidade na Lei
EMENTA. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
1.079/1950, delito de caráter político-administrativo. II. 2.
AÇÃO CIVIL PÚBLICA CONTRA PRESIDENTE DA REPUBLICA.
Distinção entre os regimes de responsabili-zação político-
LEI N. 7.347/85. A competência do Supremo Tribunal
administrativa. O sistema constitucional brasileiro distingue
Federal e de direito estrito e decorre da Constituição, que a
o regime de responsabilidade dos agentes políticos dos
restringe aos casos enumerados no art. 102 e incisos. A
demais agentes públicos. A Constituição não admite a
circunstancia de o Presidente da Republica estar sujeito à
concorrência entre dois regimes de responsabilidade
jurisdição da Corte, para os feitos criminais e mandados de
político-administrativa para os agentes políticos: o previsto
segurança, não desloca para esta o exercício da
no art. 37, § 4º (regulado pela Lei 8.429/1992) e o regime
competência originaria em relação às demais ações
fixado no art. 102, I, "c", (disciplinado pela Lei 1.079/1950).

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propostas contra ato da referida autoridade. (...). (STF Pet provisoriamente, acarretando a suspensão do curso da
693 AgR/SP - Rel. Min. ILMAR GALVÃO, DJ 01-03-1996). prescrição – irresponsabilidade penal relativa.
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. Tais imunidades são aplicáveis somente ao Presidente da
PODER CONSTITUINTE DERIVADO. CONSTITUIÇÃO República, não se aplicando aos Governadores de Estados-
ESTADUAL. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. membros (Imunidade Presidencial).
REGULAÇÃO DA FORMA DE PROCESSAMENTO DOS CRIMES
 Jurisprudência relacionada ao tema:
DE RESPONSABILIDADE IMPUTADOS A GOVERNADOR DE
ESTADO. USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA EMENTA. (...). Os Governadores de Estado - que dispõem de
UNIÃO PARA LEGISLAR SOBRE DIREITO PENAL E DIREITO prerrogativa de foro ratione muneris perante o Superior
PROCESSUAL. ENUNCIADO 46 DA SÚMULA VINCULANTE DO Tribunal de Justiça (CF, art. 105, I, a) - estão
STF. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL. AUTORIZAÇÃO permanentemente sujeitos, uma vez obtida a necessária
PRÉVIA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA COMO CONDIÇÃO licença da respectiva Assembleia Legislativa (RE 153.968-BA,
PARA INSTAURAÇÃO DE AÇÃO PENAL EM FACE DE Rel. Min. ILMAR GALVAO; RE 159.230-PB, Rel. Min.
GOVERNADOR DO ESTADO. MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL. SEPÚLVEDA PERTENCE), a processo penal condenatório,
OFENSA AO PRINCÍPIO REPUBLICANO. FORÇA NORMATIVA ainda que as infrações penais a eles imputadas sejam
DA CONSTITUIÇÃO. GOVERNADOR. CHEFIA DE ESTADO E estranhas ao exercício das funções governamentais. - A
CHEFIA DE GOVERNO. DISTINÇÃO. DEFESA DA SOBERANIA imunidade do Chefe de Estado a persecução penal deriva de
NACIONAL. PODER CONSTITUINTE DERIVADO. SIMETRIA. - O cláusula constitucional exorbitante do direito comum e, por
Supremo Tribunal Federal fixou a tese segundo a qual “[é] traduzir consequência derrogatória do postulado
vedado às unidades federativas instituírem normas que republicano, só pode ser outorgada pela própria
condicionem a instauração de ação penal contra Constituição Federal. (...). O Estado-membro, ainda que em
Governador, por crime comum, à prévia autorização da casa norma constante de sua própria Constituição, não dispõe de
legislativa, cabendo ao Superior Tribunal de Justiça dispor, competência para outorgar ao Governador a prerrogativa
fundamentadamente, sobre a aplicação de medidas extraordinária da imunidade a prisão em flagrante, a prisão
cautelares penais, inclusive afastamento do cargo”. (…). (STF preventiva e a prisão temporária, pois a disciplinação dessas
ADI4772/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, Plenário, J. 12.06.2017). modalidades de prisão cautelar submete-se, com
exclusividade, ao poder normativo da União Federal, por
§ 1º O Presidente ficará suspenso de suas funções: efeito de expressa reserva constitucional de competência
I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou definida pela Carta da Republica. - A norma constante da
queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal; Constituição estadual - que impede a prisão do Governador
de Estado antes de sua condenação penal definitiva - não se
II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do reveste de validade jurídica e, consequentemente, não pode
processo pelo Senado Federal. subsistir em face de sua evidente incompatibilidade com o
§ 2º Se decorrido o prazo de cento e oitenta dias, e texto da Constituição Federal. PRERROGATIVAS INERENTES
julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento AO PRESIDENTE DA REPUBLICA ENQUANTO CHEFE DE
do Presidente sem prejuízo do regular prosseguimento do ESTADO. (...). (STF ADI 978 / PB - Rel. Min. ILMAR GALVÃO,
processo. DJ 24-11-1995).

IMUNIDADE PRESIDENCIAL No âmbito do Estado, o Poder Executivo está


regulamentado no art. 28, da CF/88, que diz:
§ 3º Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas
Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de
infrações comuns, o Presidente da República não estará Estado, para mandato de quatro anos, realizar-se-á no
sujeito a prisão. primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no
§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu último domingo de outubro, em segundo turno, se houver,
do ano anterior ao do término do mandato de seus
mandato, não pode ser responsabilizado por atos
antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro do
estranhos ao exercício de suas funções. ano subseqüente, observado, quanto ao mais, o disposto no
O Presidente da República não poderá ser preso nem em art. 77. (Redação dada pela EC 16, de1997)
flagrante, nem por prisão temporária ou preventiva , nas § 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro
infrações comuns, considerando que após o trânsito em cargo ou função na administração pública direta ou
indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público
julgado o Chefe do Executivo Federal poderá ser preso
e observado o disposto no art. 38, I, IV e V.
(§ 3º).
(Renumerado do parágrafo único, pela EC 19, de 1998)
Também não poderá, nas infrações penais praticadas antes § 2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos
do início do mandato ou durante a vigência, porém, sem Secretários de Estado serão fixados por lei de iniciativa da
qualquer relação com a função presidencial (não praticadas Assembléia Legislativa, observado o que dispõem os arts.
in officio ou propter officium), ser perseguido 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I.
criminalmente, já que a persecução penal ficará inibida, (Incluído pela EC 19, de 1998)

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Dispositivos correspondentes: art. 105, I, a, da CF.


O Executivo Municipal consta no art. 29, da CF/88, que diz: 5.3. PODER JUDICIÁRIO

Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em ORGANIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO
dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA
aprovada por dois terços dos membros da Câmara
Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário:
Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios
estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do I - o Supremo Tribunal Federal;
respectivo Estado e os seguintes preceitos:
I-A - o Conselho Nacional de Justiça; (Incluído pela EC 45, de
I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores,
2004)
para mandato de quatro anos, mediante o pleito direto e
simultâneo realizado em todo o País; II - o Superior Tribunal de Justiça;
II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no
primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término
II-A O Tribunal Superior do Trabalho; (Incluído pela EC 92, de
do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do 2016)
art. 77, no caso de Municípios com mais de duzentos mil III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais;
eleitores; (Redação dada pela EC 16, de1997)
III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho;
do ano subseqüente ao da eleição; V - os Tribunais e Juízes Eleitorais;
V - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários
Municipais fixados por lei de iniciativa da Câmara VI - os Tribunais e Juízes Militares;
Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal
§ 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela EC
e Territórios.
19, de 1998)
X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça; § 1º O Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de
(Renumerado do inciso VIII, pela EC 1, de 1992) Justiça e os Tribunais Superiores têm sede na Capital
XIV - perda do mandato do Prefeito, nos termos do art. 28, Federal. (Incluído pela EC 45, de 2004)
parágrafo único. (Renumerado do inciso XII, pela EC 1, de
§ 2º O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores
1992)
têm jurisdição em todo o território nacional. (Incluído pela
Art. 29-A. (...). EC 45, de 2004)
§ 2º Constitui crime de responsabilidade do Prefeito
Municipal: (Incluído pela EC 25, de 2000) São órgãos do Poder Judiciário: O Supremo Tribunal Federal
I - efetuar repasse que supere os limites definidos neste (art. 101), o Conselho Nacional de Justiça (art. 103-B), o
artigo; (Incluído pela EC 25, de 2000) Superior Tribunal de Justiça (art. 104), o Tribunal Superior
II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; ou
do Trabalho (art. 111-A), os Tribunais Regionais Federais e
(Incluído pela EC 25, de 2000) Juízes Federais, justiça comum federal (art. 106), os
III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei Tribunais e Juízes do Trabalho, justiça especializada (art.
Orçamentária. (Incluído pela EC 25, de 2000) 111), os Tribunais e Juízes Eleitorais (art. 118), os Tribunais e
§ 3º Constitui crime de responsabilidade do Presidente da
Juízes Militares (art. 122) e os Tribunais e Juízes dos Estados
Câmara Municipal o desrespeito ao § 1º deste artigo. (art. 125).
(Incluído pela EC 25, de 2000)
O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça
 Jurisprudência relacionada ao tema: são órgãos de superposição. O primeiro é o órgão máximo
SÚMULA 702, STF. A competência do tribunal de justiça para do Poder Judiciário e o segundo é o maior órgão da justiça
julgar prefeitos restringe-se aos crimes de competência da comum, não especializada, que juntamente com os
justiça comum estadual; nos demais casos, a competência Tribunais Superiores (TST, TSE, STM), formam os órgãos de
originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau. convergência, ou seja, apreciam as causas oriundas de todo
o território nacional, nos termos do § 2º, do presente artigo.
No que tange ao Distrito Federal, o Poder Legislativo segue
as mesmas regras dos Estados-membros, conforme se vê no Os juízes monocráticos ou de 1º grau e os Tribunais
art. 32, § 3º: Inferiores ou Tr