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LOGÍSTICA REVERSA NA PRODUÇÃO DE ACUMULADORES DE ENERGIA:

ESTUDO
SOBRE AS AÇÕES AMBIENTAIS E AS POLÍTICAS VIGENTES
Autor: Marcio Augusto Lopes de Campos, docente das Faculdades Integradas de Bauru,
gcam1910@yahoo.com.br.
Palavras-chave: Logística Reversa; Meio Ambiente; Acumuladores
Resumo: a Resolução no 441/2008 do Conselho Nacional do Meio Ambiente –
CONAMA
estabelece os critérios e padrões para o gerenciamento ambientalmente adequado de
baterias (CONAMA, 2008). Dentre os objetivos da resolução consideramos importante
para
esse estudo os seguintes: necessidade de minimizar os impactos negativos causados ao
meio ambiente pelo descarte inadequado de pilhas e baterias; disciplinar o
gerenciamento
ambiental desses produtos, em especial os que contém chumbo em sua composição; e
reduzir a geração de resíduos (CONAMA, 2008). O capítulo III da resolução trata os
aspectos relacionados à disposição final das baterias consumidas, que deverão ser
repassadas a reclicadores licenciados, não permitindo sua disposição em aterros
sanitários,
nem sua incineração (CONAMA, 2008).
No final dos anos 1980 o aumento do volume de resíduos tóxicos transportados para
outros
países – principalmente os da Europa Oriental e países em desenvolvimento – devido ao
aumento do custo da disposição final desses resíduos, levou a comunidade internacional
a
estabelecer a Convenção da Basiléia, objetivando “a proteção da vida humana e do meio
ambiente contra os efeitos adversos resultantes da geração, gerenciamento, e do
movimento transfronteiriço e disposição final de resíduos perigosos e outros resíduos”
(MMA). No Brasil a adesão ocorreu em 1992, porém sendo promulgado o decreto
somente
em 1993.
No Rio de Janeiro em 1992, surge como resultado da Conferência das Nações Unidas
para
o Meio Ambiente e o Desenvolvimento a Agenda 21 como sendo um documento
desenvolvido por representantes de centenas de países visando ações de
desenvolvimento
sustentável para o século 21. Com ações descritas para abranger questões locais,
nacionais
ou globais ela é considerada hoje como documento de maior alcance no mundo para
questões ambientais, visando mudar o modelo de consumo e produção hoje existente.
Em termos mais abrangentes logística pode significar a gestão de fluxos entre funções
de
negócio (DORNIER et al, 2000). Os autores explicam que hoje o termo tem maior
amplitude
que no passado quando se incluía no conceito apenas fluxos de entrada de materiais ou
saída de produtos acabados.
Visando focar um dos aspectos do processo logístico foi cunhado o termo Logística
Reversa
ou Canais de Distribuição Reversos que pode se traduzir na forma como parte dos
produtos
no pós-venda ou no pós-consumo retornam ao ciclo produtivo, readquirindo valor seja
no
reuso ou na reciclagem de seus materiais constituintes (LEITE, 2003).
O pouco interesse no estudo dos canais de logística reversa até então, se dá pela sua
pouca importância econômica (LEITE, 2003). Porém o autor ressalta que “os
investimentos
em fábricas de materiais reciclados são menores que os correspondentes em fábricas de
matérias-primas primárias, mostrando que isso pode significar importantes reduções de
custo”.
Em Oliveira e Silva (2005) vemos a Logística Reversa minimizando os impactos
ambientais
através da diminuição de resíduos no pós-consumo.
Introdução: O tema logística reversa surgiu há pouco tempo no contexto organizacional,
num momento onde a exigência governamental atinge apenas alguns setores da
economia,
porém observando em países industrializados, é crescente a cobrança pela
responsabilidade sobre o que se é produzido e distribuído no mercado, o impacto
ambiental
dos produtos, a responsabilidade sobre o produto no pós-consumo e a geração de
resíduos.
O objetivo desse trabalho é analisar as ações tomadas na produção de acumuladores de
energia em uma determinada organização em comparação com as políticas ambientais
vigentes. Em específico no que tange à logística reversa, ao uso de recicláveis e à
destinação de resíduos.
Relevância do estudo: Se por um lado aumenta a exigência sobre as organizações
envolvendo questões ambientais, por outro, é pequena a quantidade de estudos
específicos
sobre o impacto das ações ambientais envolvendo produtos tão poluentes como o
chumbo e
plástico. Estudar essas ações pode gerar dados úteis sobre impactos tanto no meio
ambiente quanto nas questões econômicas das organizações.
Materiais e métodos: Foi utilizada pesquisa do tipo descritiva para levantamento e
análise
da situação atual, assim como a pesquisa bibliográfica, que serviu de base para melhor
entendimento e comparação.
Resultados e discussões: A empresa Acumuladores Ajax Ltda. situa-se na cidade de
Bauru e responde por uma expressiva produção de acumuladores de energia ou baterias
como são popularmente chamadas, principalmente na linha automotiva. Sendo fundada

mais de 40 anos tem produção expressiva e atende tanto o mercado nacional como o
internacional.
A pesquisa visou analisar em primeiro nível se as ações de responsabilidade ambiental
da
empresa estão alinhadas com as exigências governamentais e com as políticas
internacionais de sustentabilidade ambiental. Num segundo nível analisar os efeitos
ambientais e econômicos das ações ambientais como a logística reversa.
Atendendo a exigência do CONAMA sobre a responsabilidade sobre o produto no pós-
consumo, a empresa demonstrou em suas atividades de logística reversa que retornam
para
o seu poder o equivalente em baterias comercializadas no mercado nacional. Percebeu-
se
porém que, no mercado externo existem regras governamentais que impedem o retorno
de
sucata de baterias impossibilitando a mesma ação. Verificou-se também que a empresa
domina processos de reciclagem de praticamente todos os materiais que compõe uma
bateria que é formada de plástico e chumbo, ambos com grande potencial poluidor. Ao
retornar para a fábrica, a bateria usada é desmontada, sendo o líquido ácido passado por
um processo de tratamento, as partes plásticas extrusadas para retornarem ao processo.
As
peças em chumbo passam são processadas, gerando novamente chumbo bruto que,
tratado, servirá de base para a produção de novas baterias.
O processo logístico reverso assimilado com a reciclagem de materiais demonstrou ser
economicamente viável uma vez que dos dois principais componentes, o plástico tem
alto
valor no mercado por ser oriundo do petróleo e o chumbo, por ser um metal com
diversas
aplicações no mercado, também tem seu custo elevado.
Conclusão: pela pesquisa concluiu-se que a logística reversa está gerando benefícios ao
meio ambiente, uma vez que reduz a encaminha resíduos e produtos consumidos para
reciclagem, estando alinhado com as políticas vigentes, denotando também benefícios
econômicos, já que o material reciclado entra no processo com um custo menor que a
matéria-prima.
Referências:
CONSELHO NACIONAL DE MEIO AMBIENTE (CONAMA). Resolução CONAMA
no 401/
2008. In: http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=589. Acesso em
30
Jun./ 2009.
DORNIER, Ph.P.; ERNST, R.; FENDER, M.; KOUVELIS, P. Logística e operações
globais.
São Paulo: Atlas, 2000.
LEITE, P. R. Logística reversa: meio ambiente e competitividade. São Paulo. Prentice
Hall,
2003.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA). Convenção da Basiléia sobre o
controle de
movimentação
de
resíduos
perigosos
e
sua
destinação
final.
In:
http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?
ido=conteudo.monta&idEstrutura=175&idConteudo=8
193&idMenu=8773. Acesso em 22 Out./ 2009.
NOVAES, A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição: estratégia,
operação e
avaliação. 2.ed. Rio de Janeiro. Elsevier, 2004.
OLIVEIRA, A. A. de; SILVA, J. T. M. A logística reversa no processo de revalorização
dos
bens manufaturados. Revista Eletrônica de Administração. Franca, 2005. In:
http://www.facef.br/rea/edicao07/ed07_art03. Acesso em 25 Mai./ 2009.